terça-feira, 6 de dezembro de 2011

CREIO NO DEUS QUE ME DÁ O VIGOR DE EXISTIR DIARIAMENTE

Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2011
Texto de Leitura: Mt 11, 28-30 (Is 40, 25-31)

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Naquele tempo, tomou Jesus a palavra e disse: 28Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.
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O Senhor é o Deus eterno que criou os confins da terra; ele não falha nem se cansa, insondável é sua sabedoria; elecoragem ao desvalido e aumenta o vigor do mais fraco” (Is 40,28-29), são palavras do profeta Deutro-Isaías para seus companheiros no exílio de Babilônia.


Este grande Deus é um Deus surpreendente. Ele se preocupa com cada um de nós, especialmente com os pequenos, os débeis, os cansados e os desesperados. Isto quer nos dizer que o Deus grande e transcendente, Criador das estrelas e do cosmos é também o Deus próximo, o Emanuel que comunica sua força aos que se abrem a Ele, aos que põem nele sua confiança. Este Deus próximo devolve cada manhã a cada homem o vigor de existir, de empreender, de começar de novo, e de vencer sempre o desespero e desesperança: “Cansam-se as crianças e param, os jovens tropeçam e caem, mas os que esperam no Senhor renovam suas forças, criam asas como as águias, correm sem se cansar, caminham sem parar” (Is 40,30-31).  Para isto, o único requisito é a que é o reconhecimento do próprio desamparo e a aceitação do poder salvador de Deus.

Diante deste Deus tão próximo ninguém tem mais razão para se desesperar, ninguém tem mais desculpa para dizer que está .  Ao contrário devemos ouvir no silêncio seu suave convite: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso” (Mt 11,28).


Trata-se aqui da opressão moral e religiosa, provocada pelo formalismo de uma religião estéril e de um moralismo legalista. Os “cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardosaqui são os pobres e famintos, ignorantes e pequeninos, os míseros/miseráveis e os doentes. O legalismo é sufocante, é uma moral sem alegria. Assim, a religião fica longe de ser motivo de liberdade e alegria, pois ela é reduzida a uma carga pesada. O ser humano se torna animal, pois a quem se impõe “jugo” e “carga”, senão aos animais?

     
Pelo contrário, o cristianismo e a moral cristã não são uma imposição. A lei de Cristo é amor (Jo 13,34-35; 15,12), libertação, é lei de liberdade, lei do Espírito quevida, lei de relação filial com Deus, Pai Nosso, e amigo da vida. Ao lado de Jesus Cristo, todas as fadigas se tornam amáveis e tudo o que poderia ser mais custoso no cumprimento da vontade de Deus se suaviza. Quem se aproxima de Jesus, encontrará repouso para suas aflições. Jesus veio, certamente, para libertar o ser humano de todo tipo de escravidão, mostrando-se manso e humilde de coração e recusando-se a multiplicar normas religiosas. Jesus reduziu tudo ao essencial: amor e misericórdia. A religião torna-se, assim, prazerosa por respeitar a liberdade e por ser humanizadora.
   
     
Para tudo isso se tornar possível, há uma chave principal: o amor, tanto como um dom recebido de Deus, pois ele nos amou primeiro (1Jo 4,19), como uma responsabilidade, a exemplo de Jesus Cristo que se dá a si mesmo a Deus e aos irmãos (Jo 15,12-14; cf. Jo 13,1). Quem ama não sente a lei de Cristo como uma obrigação pesada. Pela experiência sabemos que quando se ama de verdade muitas coisas se tornam fáceis e suportáveis que seriam difíceis e até insuportáveis sem o amor.
Ir para Jesus é descarregar o fardo aos seus pés, olhá-lo nos olhos, renunciando às nossas pequenas idéias sobre a questão e preferindo seu pensamento ao nosso.


A pessoa fatigada encontra em Jesus a força necessária para continuar o caminho porque Ele cura todos os males e enfermidades, perdoa todas as culpas, sobretudo, cumula de graça e de ternura, como diz o Salmo 103 (102),3-5: “É Deus quem perdoa todas as tuas faltas, e cura todos os teus males. É Ele quem  redime tua vida da cova e te coroa de amor e compaixão. É Ele que renova tua juventude”. As palavras de Jesus são uma proclamação da esperança. Dar esperança é o aspecto principal da figura de Jesus. Esta imagem acolhedora de Cristo deve ou deveria ser também a imagem que cada cristão ofereceria a todos.
“...aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração...”(v.29).  O humilde é aquele que tem noção da própria capacidade e da própria fraqueza e está aberto totalmente a Deus; e o manso é a pessoa boa nas relações com os outros. Jesus se proclama o Mestremanso e humilde de coração”, pois ele é totalmente aberto a Deus e extremamente bom para com os outros a ponto de compartilhar de sua existência. Por isso, a palavramansidão” é fruto do Espírito (Gl 5,23) e é sinal da presença da sabedoria do alto (Tg 3,13.17).


Todos nós sabemos como é fácil combater a ira com a ira, a cólera com a cólera, a raiva com a raiva. A mansidão, pelo contrário, rompe esse círculo vicioso, cumprindo aquilo que é justo diante de Deus. A mansidão é a força que resiste e domina a ira. A mansidão é a virtude que modera a ira e conserva a caridade. Quem a possui, é amável, prestativo e paciente. Até os pecadores mais endurecidos não resistem diante de quem tem a virtude de mansidão. A um coração manso e humilde como o de Cristo, os homens se abrem. Por isso, a mansidão não é característica dos fracos; pelo contrário, ela exige uma grande fortaleza de espírito. Aquele que é dócil a Deus, é manso para com os outros. A mansidão é a arma dos fortes. Da falta dessa virtude provém as explosões de mau humor, irritação, frieza, impaciência, violência e ódio entre as pessoas que vão corroendo gradativamente amor.


Portanto, as leituras deste dia nos convidam a não duvidarmos de Deus, porque o nosso Deus está próximo de nós e conhece nossa debilidade. Sabendo de nossa fragilidade e debilidade, Deus se oferece como força, pois sem Ele nada podemos fazer (cf. Jo 15,5b). Ao mesmo tempo somos convidados a ser pessoas que acolham e que diante da dor ou da busca das pessoas não respondamos com legalismo e exigências e sim com compreensão. Nos tempos atuais, talvez mais do que nunca, existe vazio de Deus, e pouca unidade e harmonia na própria existência.  

P. Vitus Gustama,svd


Um comentário:

Ir. Ma. Mendes, SSpS disse...

Parabens pelo seu blog Padre Vetus.
Que todas as pessoas possam encontrar Aquele que é capaz a prencher os corações vazios.

Que com as suas reflexões ajudem as pessoas a encontrar um rumo certo que leva a felicidade eterna...

Desejo lhe uma boa missão