domingo, 8 de janeiro de 2012

JESUS VEIO PARA NOS ABRIR O CÉU E REVELAR NOSSA AMABILIDADE

09 de Janeiro de 2012

Texto de Leitura: Mc 1,7-11

(Veja a reflexão do dia 06/01/2012)

     
O Batismo de Jesus é uma cena teofánica ou epifánica. A cena é muito elaborada pelo evangelista Marcos, e apresenta um grande conteúdo teológico, e concretamente, trinitário: o Pai revela que Jesus é seu Filho amado. Com isto Deus se revela como Aquele que ama: Deus é amor (1Jo 4,816). E este Filho é ungido pelo Pai com o dom do Espírito. Com este Espírito Jesus é capacitado para levar adiante, até o fim, a missão encomendada pelo Pai.
     

Na seguinte frase se encontra o significado da cena: “E logo ao sair da água, ele viu os céus se rasgando e o Espírito, como uma pomba, descer até ele, e uma voz veio dos céus: ‘Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo” (Mc 1,10-11).

       
A imagem “os céus se rasgaram” e sua formulação remetem a Is 64,1: “Oh se rasgásseis os céus, se descêsseis...”. Mas a novidade do evangelho de Marcos é clara: o que em Isaías é exclamação e desejo, em Marcos é afirmação e cumprimento. Rasgar os céus equivale a dizer que, com a vinda de Jesus, chegou a salvação definitiva. O amor de Deus supera qualquer obstáculo. O amor rasga tudo o que não é humano.

       
Os céus rasgados dão espaço ao Espírito de Deus em forma de uma pomba descer sobre Jesus. Esta imagem emerge com a novidade e o frescor de uma criação original. O Espírito descendo sobre Jesus como “uma pombanos recorda o Espírito que pairava sobre as águas no primeiro dia da criação (Gn 1,2). É o mesmo Espírito de Yahweh que “desceu” sobre Israel no Êxodo (Is 63,11-14) e no Sinai (Êx 19,11.18.20). O Espírito presente em Jesus iniciará uma nova criação e um novo Povo de Deus. Com a descida do Espírito sobre Jesus, Jesus se torna morada permanente de Deus e a sua missão é inaugurada (cf. Is 11,2). Com a chegada do Messias (Ungido) chegou o tempo da salvação definitiva. Doravante, o Cristo será sempre conduzido pelo Espírito para levar até o fim sua missão pelo caminho do Servo Sofredor.

       
Os céus rasgados dão espaço também a uma voz cujas palavras combinam com a afirmação do Sl 2,7 e de Is 42,1: “Tu és meu Filho amado, em ti me comprazo”. Culmina, assim, a apresentação-revelação ao leitor de quem é Jesus. Deus volta a falar com seu povo em Jesus Cristo. Em Jesus somos muito amados por Deus, pois Jesus veio para nos abrir novamente o céu.

       
Com a vinda de Jesus, Céu e Terra deixam de estar incomunicados pela incompreensão e hostilidade. Jesus vai nos introduzir em uma atmosfera incontaminada, limpa, imaculada e respirável. Esta é a força de Jesus. Em Jesus se estabelece uma intima comunicação entre Deus e os homens. Com a vinda e a presença de Jesus nãomais separação e incomunicação entre Deus e os homens. Tudo está aberto. Tudo se rasgou.

       
A abertura dos céus que se rasgam significa a abertura de novas relações entre Deus e os homens, um início de um novo diálogo de Deus com os homens, um novo tempo de graça, de novos dons dados por Deus aos homens. Jesus é o lugar do novo, definitivo e pleno encontro de Deus com os homens, dos homens com Deus e, conseqüentemente, dos homens entre si. Neste sentido Jesus se torna para seus seguidores, ao mesmo tempo o ponto de encontro e o ponto de partida no sentido de viver aquilo que Jesus ensinou e viveu.


Na cena do Batismo, o Espírito de Deus desce sobre Jesus porque ele está totalmente aberto à ação de Deus. O Espírito de Deus capacita o homem Jesus a levar até o fim a missão recebida do Pai para salvar os homens por amor.

       
Quando nos fecharmos ao Espírito Santo, nos tornaremos facilmente escravos de uma multidão de “pequenos espíritos”: espírito de rivalidade, de inveja, de prepotência, de complexo de superioridade, de querer a própria vantagem e assim por diante.

       
Abrir-se ao Espírito Santo significa acolher humildemente a presença criadora de Deus em nós. É deixar-se purificar e modelar pelo Espírito de Deus, que animou a vida e a atividade de Jesus, para que possamos passar a vida fazendo o bem. Abrir-se ao Espírito Santo é viver da a experiência de um amor que nos envolve e nos faz invocar a Deus como Pai e nos aproximar dos outros como irmãos. Se nos abrirmos ao Espírito Santo, seremos conseqüentemente parceiros do bem. Ao abrirmos ao Espírito Santo produziremos muitos frutos tais como amor, alegria, paz, tolerância, agrado, generosidade, lealdade, simplicidade e domínio de si (cf. Gl 5,22-23; leia também 1Cor 12,6-11).


P. Vitus Gustama,svd

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