quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

QUEM REZA PRECISA CRER E QUEM CRÊ PRECISA REZAR

Quinta-feira, 09 de Fevereiro de 2011

Texto de Leitura: Mc 7,24-30

Naquele tempo, 24Jesus saiu e foi para a região de Tiro e Sidônia. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava. Mas não conseguiu ficar escondido. 25Uma mulher, que tinha uma filha com um espírito impuro, ouviu falar de Jesus. Foi até ele e caiu a seus pés. 26A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. 27Jesus disse: “Deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”. 28A mulher respondeu: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que as crianças deixam cair”. 29Então Jesus disse: “Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio saiu de tua filha”. 30Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio havia saído dela.

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 Jesus entrou numa casa (na região de Tiro e Sidônia) e não queria que ninguém soubesse onde ele estava” (Mc 7,24).


Jesus não busca as ações brilhantes. Ele é sempre o Messias discreto. Deus faz as coisas silenciosamente sem muito barulho. Ele não faz barulho nem busca fazê-lo. Deus está “no murmúrio de uma brisa ligeira” (cf. 1Rs 19,21b). Todas as grandes obras sempre foram e são frutos de um silêncio. Coisas vazias sempre fazem barulhos e o barulho sempre faz mal para a vida. Muitas vezes acontece que as palavras dizem tão pouco. Apenas fazem ruído. Somente no silêncio e na solidão é que podemos escutar o essencial. Nãoprogresso ou crescimento sem reflexão e silêncio. Por isso, o silêncio e a reflexão se tornam o maior luxo para qualquer lugar e época. A verdadeira ação, na verdade, procede dos momentos de silêncio. O silêncio é a plenitude de vida.


O grandioso do relato do evangelho deste dia é a forma como uma mulher pagã é colocada como modelo de entendida no seu sentido mais genuíno e original. Ela se abandona nos braços d’Aquele que vem da parte de Deus e se declara fraca e limitada humanamente diante do problema que afeta a vida de sua filha e conseqüentemente afeta também sua vida como mãe. A tristeza da filha é a tristeza dobrada para a mãe. O sucesso da filha é o sucesso dobrado para a mãe. A mãe reconhece a superioridade e poder de Jesus, mostrando ao mesmo tempo a gravidade do problema de sua filha. O problema de sua filha é insustentável. Na sua declaração essa mulher quer dizer a Jesus: “Sem sua ajuda, Jesus, sem seu poder, é impossível eu sair do meu problema!”.


Essa mulher era uma Cananéia, uma pagã, uma estrangeira. Jesus põe a prova sua usando uma frase que se utilizava para desprezar os estrangeiros, os pagãos: “cachorro”. Mas ela, confiada na justiça e na misericórdia de Deus. Ela não perde sua mesmo que os obstáculos sejam grandes e desagradáveis. Por isso, ela responde sabiamente a Jesus: “Mas os cachorrinhos também comem as migalhas que as crianças deixam cair”. Pela sua verdadeira e profunda e pela perseverança na sua oração essa mulher é premiada pela cura de sua filha. “Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio saiu de tua filha”, disse Jesus à mulher.   é crer no que não vemos. O premio da é ver o que cremos”, dizia Santo Agostinho (Serm. 43,1,1; cfr. Hb 11,1). A verdadeira é uma adesão a uma pessoa (Deus) e não a uma fórmula dogmática.


O evangelho nos mostra a de uma mulher que não pertencia ao povo eleito, não pertencia à uma Igreja ou a uma religião, mas tinha confiança e no poder de Jesus. Ela pode não pertencer a uma religião ou a uma Igreja, mas ela pertence a Deus pela que tem no poder de Deus.


Ser pagão não depende da pertença ou não a uma religião ou a uma Igreja. Ser pagão se define a partir do modo de viver. Por isso, há cristãos pagãos como tambémpagãos cristãos. Há cristãos que perdem com facilidade sua e vive sem esperança. Sãocristãospagãos. Há muitos que são considerados pagãos pelos outros, como a mulher Cananéia, mas acreditam no poder de Deus incondicionalmente. Sãopagãoscristãos.


A mulher Cananéia não perde sua , não protesta, não se revolta ainda que experimente a humilhação. Ela conseguiu o que pedia, pois ela se abandonava totalmente nos braços de Deus e encarava todos os tipos de obstáculos e dificuldades. Santo Agostinho dizia que muitos não conseguem o que pedem porque são maus de coração e por isso, eles têm que ser, primeiramente, bons. Ou muitos não conseguem o que pedem porque pedem malmente, sem insistência no lugar de fazê-lo com paciência, com humildade, com e por amor. Há que esforçar-se por pedir o que bom para todos. A mulher Cananéia é boa mãe, pede algo bom e pede bem. Através do evangelho de hoje o Senhor quer nos mover a termos e perseverança e a vivermos na esperança porque Deus nos ama. Deus se vence com e não com orgulho. De Deus se obtém tudo com confiança. Em Deus sempre encontra uma acolhida quando cada um se aproxima com humildade e não com auto-suficiência.


Essa mulher é um modelo acabado de e oração unidas. Ela chama Jesus de “Senhor”, um título dado a Jesus pós-pascal. Sua é orientada para a libertação do próximo, nesse caso de sua filha. E sua oração cumpre aquilo que Jesus pede: a , confiança, perseverança e sem desfalecimento.


Ela nos ensina que a e a oração devem andar juntas. Quem tem em Deus precisa rezar. E quem reza, precisa ter . A é a atitude básica de qualquer crente, de qualquer cristão, pois ela é a resposta nossa diante da oferta do amor de Deus para nós. A oração evidencia, por sua vez, a presença e a vitalidade de nossa em Deus.

P. Vitus Gustama,svd

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