segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

NOSSA SENHORA DE GUADALUPE

 PADROEIRA DA AMÉRICA LATINA
 
 
12 de Dezembro

Texto: Lc 1,39-47

39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou em seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. 46Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”. 
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O evangelista Lucas nos relatou que Maria “se dirigiu apressadamente”. A expressãoapressadamenteaqui tem muitos significados: zelo, diligência, empenho, cuidado, seriedade, dignidade. Maria é uma mulher que se põe em caminho com dignidade, com cuidado, com prontidão. Não o faz para satisfazer uma necessidade pessoal: ela faz para servir sua parenta, Isabel, que está grávida e que necessita de uma ajuda. Ela faz tudo com dignidade como uma irmã. Maria é de Deus e por isso, ela é do povo e para o povo. Maria é mulher de nossa história, aberta a Deus e aos seres humanos. Viveu sempre em atitude de gratuidade e de doação. Se formos realmente de Deus, seremos também do povo a exemplo de Maria.

 
Na anunciação Maria faz perguntas para ter certeza sobre sua missão de ser Mãe do Salvador. Quando tudo se torna certo, Maria diz seu Sim a Deus radicalmente. Maria deixa a Palavra de Deus entrar em sua vida e ela é fecundada pelo Salvador. Jesus, o Salvador, que está no seio de Maria já empurra Maria para a ação pastoral, isto é, para Maria ir ao encontro de Isabel que está precisando de sua presença. Maria poderia pensar em si mesma, na sua gravidez. Mas ela pensa no outro e vai ao encontro do outro.


Quem permitir e viver o mistério da Anunciação, ele será fecundado como Maria. Quem não é fecundado, não é feliz. Com a fecundação e a fecundidade na vivência do mistério da Anunciação, eu serei capaz de sair de mim mesmo para a ação pastoral como Maria visitou Isabel na sua necessidade. Se permitirmos a entrada da Palavra de Deus na nossa vida, ficaremos fecundados e seremos capazes de fazer Jesus nascer para o mundo. O sim de Maria para a entrada de Deus na sua vida é radical. Quanto maior for a radicalidade de nosso sim a Deus, maior será nossa fecundidade e numerosos terão filhos ou irmãos  espirituais.

 
É preciso fazer uma ligação entre a Anunciação e a Ação Pastoral. Sem a Anunciação, isto é, sem ser fecundada pela Palavra de Deus, a ação pastoral se torna estéril. A Anunciação sem a Ação Pastoral se torna um isolamento estéril e mortal.

 
Na Anunciação o Anjo do Senhor “entrou” na casa de Maria e a “saudou”. Nessa visita Maria fez a mesma coisa: ela “entrou” na casa de Zacarias e saudou a Isabel. É a saudação da Mãe do Senhor para a mãe do Precursor do Senhor. A saudação de Maria comunica o Espírito a Isabel e ao menino. A presença do Espírito Santo em Isabel se traduz em um grito poderoso e profético: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu” (Lc 1,42-45). Aqui Isabel fala como profetisa: se sente pequena e indigna diante da visita daquela que leva em seu seio o Senhor do universo. Sobram as palavras e explicações quando alguém entra na sintonia com o Espírito. Maria leva no seu seio o Filho de Deus concebido pela obra do Espírito Santo. E a presença do Espírito Santo em Isabel faz com que Isabel glorifique a Deus. Por isso, o encontro entre Maria e sua prima Isabel é uma espécie de “pequeno Pentecostes”. Onde entra o Espírito Santo, ai entra também paz, alegria e vida divina.

 
A Mãe de Deus que leva Jesus em seu seio é a causa de alegria. Quando estivermos cheios de Jesus Cristo em nosso coração, a nossa presença traz alegria e a paz para a convivência. A ausência de Cristo em nosso coração produz problemas na convivência. O encontro de duas pessoas benditas sempre causa alegria: Maria causa alegria em Isabel e Jesus em pequeno João Batista. Ao contrário, o encontro de duas pessoas não benditas sempre causa angústia e mal-estar na convivência. Cada cristão deve fazer os encontros felizes e alegres com os outros. E isso pode acontecer se houver lugar para Cristo em nosso coração. Precisamos engravidar Jesus Cristo para fazê-lo nascer para os outros. Por isso, vale a pena cada um se perguntar: Que tipo de encontro que fazemos diariamente: de pessoas benditas ou de pessoas não benditas?

 
Maria não era nenhuma princesa nem uma dama na sociedade de seu tempo. Era uma mulher simples do povo, uma moça pobre, noiva e, mais tarde, esposa de um humilde trabalhador. Mas Deus se compraz com os humildes. A partir de sua simplicidade, Maria sabe dizersim” a Deus. Com o seusimtotal a Deus, ela não é apenas do povo, mas ela é totalmente de Deus. Por ser totalmente de Deus, Maria é totalmente do povo e para o povo. Quem acredita totalmente em Deus, vive para o bem dos outros. Cada cristão precisa entrar na escola de Maria para aprender, com ela, muitas lições sobre o seguimento ou sobre o ser crente.

               
Aprendemos também de Maria sobre a fé-missionária. Depois de Maria dizer o seusim”, leva-o pelos caminhos do nosso mundo para suscitar a alegria e o louvor, e para ganhar novos parceiros do bem. A viagem de Maria à Judeia, onde sua prima Isabel mora (cf. Lc 1,39-45.56), é um símbolo do caminho da - que precisa ser testemunhada, compartilhada, a que precisa servir; porque a não é somente o dom de Deus, mas é também uma resposta humana, e com todo o ato humano. Dessa é que se fazem encontro e serviço.  Segundo M. Descalzo, a viagem de Maria para visitar Isabel foi “a primeira procissão do Corpus Christi”. O corpo de Maria foi o ostensório vivo e precioso que carrega pela primeira vez o Corpo de Cristo. Mas, se mergulharmos um pouco mais no mistério, descobriremos que, na verdade, Maria é levada por Aquele que ela leva no seu ventre.

       
Quando Deus entra e atua na história de uma pessoa que tem realmente Jesus no coração, esse mesmo Jesus vai levá-la ao encontro dos outros, especialmente aos necessitados, para partilhar a alegria e a esperança, e irradiará e santificará os que dela se aproximarem.         

 
P. Vitus Gustama,svd
 

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