segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

 
SERVIR NO ESPÍRITO DE DEUS

   Quarta-feira da I Semana do Tempo Comum
15 de Janeiro de 2014
 

Primeira Leitura: 1Sm 3,1-10.19-20

Naqueles dias, 1 O jovem Samuel servia ao Senhor na presença de Eli. Naquele tempo, a palavra do Senhor era rara e as visões não eram frequentes. 2 Acontece que, um dia, Eli estava dormindo no seu quarto. Seus olhos começavam a enfraquecer, e já não conseguia enxergar. 3 A lâmpada de Deus ainda não se tinha apagado e Samuel estava dormindo no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus. 4 Então o Senhor chamou: “Samuel, Samuel!” Ele respondeu: “Eis-me aqui”. 5 E correu para junto de Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Eli respondeu: “Eu não te chamei. Volta a dormir!” E ele foi deitar-se. 6 O Senhor chamou de novo: “Samuel, Samuel!” E Samuel levantou-se, foi ter com Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Ele respondeu: “Não te chamei, meu filho. Volta a dormir 7 Samuel ainda não conhecia o Senhor, pois, até então, a palavra do Senhor não se lhe tinha manifestado. 8 O Senhor chamou pela terceira vez: “Samuel, Samuel!” Ele levantou-se, foi para junto de Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Eli compreendeu que era o Senhor que estava chamando o menino. 9 Então disse a Samuel: “Volta a deitar-te e, se alguém te chamar, responderás: ‘Senhor, fala, que teu servo escuta!” E Samuel voltou ao seu lugar para dormir. 10 O Senhor veio, pôs-se junto dele e chamou-o como das outras vezes: “Samuel, Samuel!” E ele respondeu: “Fala, que teu servo escuta”. 19 Samuel crescia, e o Senhor estava com ele. E não deixava cair por terra nenhuma de suas palavras. 20 Todo Israel, desde Dã até Bersabeia, reconheceu que Samuel era um profeta do Senhor.


Evangelho: Mc 3,29-39

Naquele tempo, 29 Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. 30 A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus. 31 E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los. 32 À tarde, depois do pôr do sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. 33 A cidade inteira se reuniu em frente da casa. 34 Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era. 35 De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. 36 Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. 37 Quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando”. 38 Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”. 39 E andava por toda a Galileia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios.
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1. Jesus veio para nos garantir a vida eterna


Ao sair da sinagoga, como relatou o evangelho do dia anterior, Jesus foi à casa de Pedro e curou sua sogra. Jesus segurou a mão dela e a ajudou a se levantar. Não deve ser casual a utilização do verbolevantaraqui pelo evangelista Marcos. Este verbo (“levantar”) será usado para a ressurreição de Jesus Cristo (grego: “egueiro”). Isto quer dizer que Cristo vai comunicando sua vitória contra o mal e a morte, curando os enfermos, libertando os possuídos e devolvendo a dignidade às pessoas.


O existencialismo do filósofo Heidegger define o ser humano como o “ser-para-a-morte”. Para ele, o ser humano é o único ser que não somente morre e sim que sabe que vai morrer, e que neste sentido, se sabe “condenado à morte”.


Para nós cristãos, quando sem , o ser humano se sabe reduzido ao espaço de sua vida mortal, a perspectiva da morte, o medo da morte que se aproxima dia após dia. Pelo contrário, a em Jesus, a na vida eterna destrói a morte e a transforma simplesmente em passagem para a vida eterna. Ao confiar na vitória de Jesus sobre a morte, somos libertados do temor ou do medo da morte. Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá” (Jo 11,25-26).
 
Será que você já sentiu a mão de Deus segurar sua mão para o levantar de seus problemas? Você se deixa levantar por Deus?


2. Servir Como Estilo de Vida


A atitude da sogra de Pedro que depois que ficou curada, logo se pôs a servir Jesus e seus discípulos é uma atitude fundamental do mesmo Cristo. Jesus a curou para amar, para servir. Servir é aquele ato em favor do outro sem esperar nada de troca. É a prontidão para ajudar como um escravo que está pronto para servir seu senhor. Servir é uma adoração em ação. O culto que prestamos a Deus (adoração) se prolonga no serviço para ser completo (missão). Seguir a Jesus não significa dominar, e sim servir. O serviço equivale ao seguimento.


Por isso, o serviço não é somente um conjunto de boas obras, pequenas ou grandes, de ajuda aos demais. Estas boas obras, por si mesmas, não são nada porque muitas vezes as realizamos como “méritos” para obter um bom posto ou determinado privilégio. O que conta é a atitude de serviço como atitude de vida. Servir é, para o cristão, um estilo de vida, e não é apenas uma atividade em determinado momento da vida diante dos demais. Ao servir o outro, o cristão estará participando da vida e da missão de Jesus. Cristo servo deseja viver e estar em meio de uma comunidade de servos.


Para os cristãos servir, então, não é opcional e sim é lei constitutiva da comunidade cristã. Por esse caminho e vivendo este estilo de vida, cada cristão será um sinal vivo de Cristo para os outros.


3. Colocar o Serviço Na Oração e a Oração No Serviço


O que chama nossa atenção é que a atividade de Jesus em libertar os homens não interrompe seu contato com Deus. No meio de sua atividade ele consagra determinado tempo para estar em contato permanente com Deus Pai a fim de não ser dominado por outros poderes e influências. Com o mesmo amor Jesus se dirige a seu Pai e também aos demais, sobretudo aos que necessitam de sua ajuda. Na oração Jesus encontra a força de sua atividade missionária. Podemos dizer que a vida, antes de ser vivida, precisa ser rezada. Quem sabe rezar bem, sabe também viver bem. Quem não sabe rezar bem, também não sabe viver bem. É preciso colocar a vida na oração e a oração na vida. Se pararmos de rezar, erraremos o caminho, pois rezar é estar com Deus e seu espírito.


Jesus se retirava cada vez que podia (Mc 1,35;Lc 5,16;6,12;9,18.28;Jo 6,3 etc.) para nos dar exemplo e nos ensinar que o homem que quer descobrir e entender as coisas de Deus tem que cultivar a solidão com Deus. Não se pode atender a um assunto importante quando está se distraído por mil bagatelas, coisas sem valor (cf. Sb 4,12). As maravilhas de Deus, que consistem no amor que nos tem, não podem ser vistas sem a solidão interior.


Para Refletir: Vocação de Samuel e Nossa Vocação


A vocação de Samuel, narrada na Primeira Leitura (1Sm3,1-10.19-20), é uma das passagens mais deliciosas de todo o Antigo Testamento. Seu nascimento extraordinário e sua dedicação a Deus no santuário de Silo predestinam Samuel para a missão profética que agora começa.


Samuel foi consagrado a Deus por sua mãe e em seu coração de menino Samuel se entregou a Deus. Deus intervém. Deus chama Samuel por seu nome: “Samuel, Samuel!”.


Deus teve que chamar Samuel três vezes para ser escutado e para provocar tomada de consciência. A escuta de Deus não é fácil, pois absolutamente não é tão evidente para o ser humano. Samuel teve que recorrer ao sumo sacerdote e lhe disse: Tu me chamaste, aqui estou”. A chamada de Deus passa pela mediação de um homem, o sumo sacerdote. O sumo sacerdote, Eli, compreendeu que era o Senhor que chamava o menino.


Será que eu tenho a simplicidade e a humildade para aceitar a mediação de meus irmãos da Comunidade, da Igreja para me ajudarem a interpretar e a entender a Palavra de Deus?


Escutar a Deus é algo que se aprende. É como se aprende a escutar a um ser humano a fim de estabelecer uma certa familiaridade com o pensamento habitual de alguém que nos faz conhecermos com mais profundidade o sentido dos acontecimentos. Quando nos deixarmos impregnar pela Palavra de Deus, a Luz começará a iluminar nossa vida.


Deus chamou Samuel e Samuel respondeu à chamada de Deus resumida na seguinte palavra: “Fala, Senhor, que teu servo escuta”. Samuel crescia e o Senhor estava com ele. Todo Israel reconheceu a autoridade de Samuel como profeta do Senhor.


A chamada de Deus, a vocação pessoal é sempre uma missão, um serviço aos homens. Servir a Deus significa servir aos homens com o intuito de salvá-los e de torná-los parceiros do bem.


“Hoje, Senhor, o que espera de mim?” deve ser nossa oração a Deus que necessita de nossa colaboração. A chamada de Deus, muitas vezes, se esconde atrás das vozes humanas que nos solicitam. São os outros que estão ao nosso redor. Os acontecimentos da história do mundo ou da Igreja, minhas próprias responsabilidades e assim por diante são os que nos transmitem a vontade ou a chamada de Deus para que façamos algo em nome de Deus para o bem comum e a salvação de todos.

P. Vitus Gustama,svd


A SVD e as Servas do Espírito Santo celebram a festa de seu fundador, Pe. Arnaldo Janssen neste dia 15 de Janeiro. No dia 5 de outubro de 2003 o papa João Paulo II canonizou os padres Arnaldo Janssen e José Freinademetz.     


Pe. Arnaldo Janssen é o fundador da Congregação do Verbo Divino no dia 08 de Setembro de 1875 e mais tarde mais duas congregações femininas: as Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS, 8/12/1889) e as Missionárias Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua (08/12/1896). Pe. Arnaldo nasceu no dia 15/11/1837. É o segundo filho de uma família de onze irmãos em Goch, uma pequena cidade alemã da Baixada Renância, junto à fronteira holandesa. Pe. Arnaldo Janssen faleceu no dia 15 de janeiro de 1909.
     

Os pais, Gerhard Janssen e Anna Katharina Janssen, educaram seus filhos numa atmosfera de profunda e oração. A mãe foi, acima de tudo uma mãe orante no sentido mais pleno da palavra. E o pai, tinha uma profunda adoração à Santíssima Trindade e especialmente ao Espírito Santo. Na oração da tarde a família lia muitas vezes o Prólogo do Evangelho de João. O rosário era rezado fielmente. Além disso, era uma prática comum ler, em voz alta, revistas das missões e das atividades missionárias durante encontro da família, à noite. A família tinha um grande interesse pelas missões. Assim, foi no contexto da família que a semente da vida de oração de Arnaldo foi semeada. E ele a nutriu e desenvolveu ao longo da vida.
  

Na época da fundação da SVD aconteceu um choque entre a Igreja e o governo, entre a hierarquia e o poder público(o Kulturkampf) no tempo do Imperador Guilherme II e o Prussiano Otto Bismarck, chanceler alemão e inimigo político do catolicismo. Durante 1874-1875 cinco dos onze Bispos estavam na prisão. Por meio das “Leis de Maio” as autoridades esperavam quebrar a resistência dos católicos mas sua oposição se tornou cada vez mais forte do que nunca.
   

Pe. Arnaldo Janssen sabia ler os sinais dos tempos e dar resposta viáveis aos desafios de sua época a partir de sua vida de . Ele reconheceu a situação como vinda da mão de Deus, de Sua Divina Providência e estava disposto a ser seu instrumento. Uma vez que percebesse uma ação como Vontade de Deus, não perdia de vista seu objetivo e a decisão de realizá-lo. Por isso, no decreto de sua Beatificação em 1975, o Papa Paulo VI louvava sua perseverança na busca incansável da Vontade de Deus dizendo: “Aberto aos sinais dos tempos e atento, procurava a Vontade do Senhor... Uma vez que reconhecesse o chamado do alto, deixava tudo, esquecia-se de si mesmo e dedicava todo o seu ser na sua realização...”
       

Tudo começou em Steyl, uma pequena aldeia da Holanda. Humanamente falando, foi difícil descobrir sua grandeza. A maioria das pessoas duvidaram de suas habilidades e qualificações. Até um bispo disse: “Arnaldo Janssen ou é um louco ou é um santo”. Com toda a sua humildade disse no início da fundação: “Se é que a casa vai dar alguma coisa agradecemos a Deus; se vai fracassar, resta-nos bater no peito, reconhecendo que não fomos dignos da graça”. Ele foi digno. Durante a sua vida, ele enviou missionários para a Ásia-Pacífica (hoje 3.562 membros dos quais 1174 são indonésios), África (hoje 403 membros), América (hoje 609 membros), e para o próprio continente europeu que hoje tem mais 1429 membros. Somando tudo há 6.003 verbitas no mundo inteiro segundo o Catálogo de 2014.
   

Estas são as características do nosso fundador, Arnaldo Janssen:

= Busca incansável da Vontade de Deus;


= Profunda vida de oração: Suas decisões eram fruto de oração sincera e genuína, que sustentava sua perseverança e tenacidade em segui-las .Quem reza, prende a Terra ao Céu”, dizia ele.


= Vida de e união com Deus: por meio destas, ele via o mundo. Era capaz de perceber as necessidades do futuro da Igreja. Com uma visão do mundo além dos limites da Província geográfica, ele provou estar bem além do seu tempo.


= Sinceridade nas suas observações: ele insistia com seus colaboradores para serem dignos de confiança, co-responsáveis.


= Caridade e humildade: Quando criticado e combatido, ficava calado em vez de contestar a seus rivais.


= Amor à verdade: ele era correto em todas as suas palavras e ações.


= Visão clara: na seleção de candidatos, manteve os seguintes critérios que julgava essenciais à vida religiosa: Amor à oração e união com Deus; Humildade como sinal da verdadeira adesão ao Senhor; e Amor aos companheiros na prontidão de servir aos outros.
     

A chave para entender o caráter de Arnaldo Janssen é seu sentido e seu juízo cem por cento religiosos. Para ele era normal olhar e julgar todas as coisas de um ponto de vista normal sobrenatural.
    

Neste dia citei algumas das frases de Arnaldo Janssen para nossa meditação:


·       Sabemos muito bem que com as forças que possuímos não podemos resolver os nossos problemas. Esperamos em Deus, nosso Senhor, que nosconceder tudo o que for necessário, fazendo de nós o que melhor lhe convier. Se sair algo de bom desta casa, vamos atribuir à graça de Deus. Se não sair nada de bom, vamos bater, humildes, no peito e reconhecer que fomos indignos da graça de Deus”( foi dita na inauguração da casa missionário)


·       ”Se não formos um coração e uma alma, a obra não poderá prosperar”.


·       ”A amabilidade é a palavra que anima, levanta, consola e fortalece. Assim como o orvalho refresca e embeleza as plantas que murcham”.


·       ”O verdadeiro amor e a autêntica confiança em Deus são a base de todo trabalho em equipe”.

 
·       Quanto mais santa é uma obra, tanto maiores as dificuldades que, normalmente, se apresentam”.

 
·       ”Se não nos tornamos pequenos, não podemos agradar a Deus. Esta é a grande lição de Natal”.

 
·       Que a santa vontade de Deus seja bendita para sempre! Temos que adorar esta vontade e abraçá-la com amor, se queremos agradar a Deus. Peço ao bom Deus que nos permita reconhecer sua santa vontade e nos conceda uma alegre serenidade em cumpri-la. Senhor, seja feita sempre a vossa vontade! A batalha da vida consiste em sacrificar muito daquilo que tínhamos desejado e planejado. Mesmo que a vontade de Deus não corresponda aos nossos próprios desejos, ela é sempre proveitosa para nós”.        


·       ”A vontade de Deus é sempre salutar, mesmo quando não corresponde aos nossos desejos”.

 
·       Quando tudo se desagrega, é sinal de que algo de novo está para surgir”.


·       ”No vigor da graça do Espírito Santo tudo se torna possível”.


·       Quem não está disposto a sofrer, não receberá a graça de trabalhar por Deus”.


·       Aqui na terra não podemos amar a Deus genuinamente sem dor e sofrimento. Nós amadurecemos não por meio do trabalho, mas também aprendendo a sofrer. Deus quer que o bem se desenvolva lentamente e no meio de dificuldades. As cruzes que Deus nos manda são pedaços da Cruz de Cristo para o bem de seus servos. As cruzes são golpes que Deus manda para aqueles que ama. Temos que aceitá-las com amor e gratidão, apesar da dor  que nos provocam, porque são anúncios das graças que Deus quer nos dar. Lembrem-se de que o dia de Páscoa veio depois da Sexta-feira Santa


·       Quem ama a Deus, confia Nele; quem não confia Nele, não O ama”.


·       Não são as longas orações e sim as ações generosas que comovem o coração de Deus”.


·       Para nós, pobres homens, o vigoroso amor do Espírito Santo é sólida base de confiante esperança”.

 
·       ”O anúncio do Evangelho é a primeira e a mais sublime das obras de caridade”.


·       Não sei o que o futuro me reserva, mas confio em Deus”.


·       “A confiança é a chave do incomensurável tesouro de Deus. A confiança em Deus é a virtude da qual o missionário deve haurir toda força e todo auxílio. O missionário deve ser um autêntico herói da confiança em Deus”.


·       Como um filho deixa-se levar pela mão de Deus, a santidade consiste numa absoluta entrega a ele. É impossível que Deus traia a nossa confiança”.


·       ”É preciso agüentar qual valoroso soldado no lugar em que a Divina Providência nos colocou”.


·       ”Aprendemos algo de extraordinária importância para o desenvolvimento de nossa obra, nesta primeira construção. Futuramente, quando uma obra for idealizada não devemos perguntar: Há dinheiro?, e sim: É necessária?”

 
·       Quem vive sempre unido a Deus, o mundo lhe pertence e cada dia é um milagre”.


·       ”Sejamos católicos da cabeça aos pés”.


·       Quem reza, prende a Terra ao Céu”.

 
·       Cada um de nós deve esforçar-se para amar verdadeiramente o Espírito Santo com todo o coração e trabalhar para promover a glória dele em outros. Tudo é possível pelo poder da graça do Espírito Santo”.


·       Com o corpo e alma eu me ofereci em total sacrifício ao Espírito Santo e pedi a graça de reconhecer a grandeza de seu amor e de viver e morrer para ele. Que me ajude a passar por esta vida sem pecar e a cumprir perfeitamente a santa vontade de Deus em tudo”.


·       ”Devemos considerar o pecado mortal como o pior assassino, porque mata em nós a vida divina, e ao homem de verdadeiro filho de Deus transforma em filho do demônio. A graça santificante, porém, extingue o pecado grave e restitui a vida divina da graça”.


·       Pela graça santificante habita em nossa alma a Santíssima Trindade, que nos faz participar de sua misteriosa vida divina. Para conservar essa vida, é necessário que seja sustentada. A Santa Comunhão é o maravilhoso alimento. O Santíssimo Sacramento do altar é a árvore da vida, cujos frutos os nossos protoparentes não chegaram a saborear. Em virtude deste sacramento, recebemos coragem, força e perseverança para a grande caminhada até a pátria celeste”.

 
·       ”A Santíssima Trindade pela graça santificante penetra a alma como um raio de luz que atravessa o cristal, como o fogo que abrasa o ferro. Deus deseja morar no coração humano para fazê-lo puro, feliz e santo, para ali depositar a plenitude dos tesouros divinos”.

 
·       Que o nosso coração seja como um altar de onde o sacrifício de agradecimento suba incessantemente a Deus”.


·       Que Deus santo e imortal seja cada vez mais adorado em toda a terra. Viva Deus Uno e Trino em nossos corações!”

P. Vitus Gustama,svd

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CANONIZAÇÃO DE DANIEL COMBONI,
ARNALDO JANSSEN E JOSÉ FREINADEMETZ

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II
Domingo, 5 de Outubro de 2003

1. "Pregai o Evangelho a toda criatura" (Mc 16, 15). Foi com estas palavras que o Ressuscitado, antes da Ascensão, confiou aos Apóstolos o mandato missionário universal. Imediatamente em seguida, assegurou-lhes que nessa missão empenhativa poderiam contar com a sua assistência constante (cf. Mc 16, 20).


Estas mesmas palavras ressoaram, de modo eloqüente, na solene celebração de hoje. Elas constituem a mensagem que nos renovam estes três novos Santos: Daniel Comboni, Bispo, fundador da Congregação dos Missionários do Coração de Jesus e da Congregação das Irmãs Missionárias Combonianas; Arnaldo Janssen , presbítero, fundador da Sociedade do Verbo Divino, da Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito e da Congregação das Irmãs Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua; e José Freinademetz , presbítero, da Sociedade do Verbo Divino.


A sua assistência põe em evidência o facto de que o anúncio do Evangelho "constitui o primeiro serviço que a Igreja pode prestar a cada homem e a toda a humanidade" (Redemptoris missio, 2). A evangelização, ensinam estes novos Santos, além das intervenções de promoção humana, muitas vezes até mesmo arriscadas, como testemunha a experiência de muitos missionários, comporta sempre um anúncio explícito de Cristo. Este é o exemplo e esta é a herança preciosa que os três Santos, hoje elevados à glória dos altares, deixam especialmente às suas Famílias religiosas. O primeiro dever dos Institutos missionários é a missão ad gentes, que não devemos antepor a qualquer outro empenho, mesmo necessário, de carácter social e humanitário.



2. "Todas as nações verão a glória do Senhor". O Salmo responsorial, que cantamos há pouco, sublinha a urgência da missão ad gentes, mesmo nestes nossos tempos. São necessários evangelizadores com entusiasmo e com a paixão apostólica do Bispo D. Daniel Comboni, apóstolo de Cristo entre os africanos. Ele empregou os recursos da sua rica personalidade e de uma sólida espiritualidade para tornar conhecido e acolhido Cristo na África, continente que ele amava profundamente. Como não volver, também hoje, o olhar com afecto e preocupação para aquelas queridas populações? Terra rica de recursos humanos e espirituais, a África continua a ser assinalada por muitas dificuldades e problemas. Possa a Comunidade internacional ajudá-la activamente a construir um futuro de esperança. Confio este meu apelo à intercessão de São Daniel Comboni, insigne evangelizador e protector do Continente negro.




3. "As nações caminharão à tua luz" (Is 60, 3). A imagem profética da Nova Jerusalém, que difunde a luz divina sobre todos os povos, ilustra bem a vida e o apostolado incansável de Santo Arnaldo Janssen. A sua atividade sacerdotal foi cheia de zelo pela difusão da Palavra de Deus, utilizando os novos meios de comunicação de massa, especialmente a imprensa.


Ele não desanimava diante dos obstáculos. E gostava de repetir: "O anúncio da Boa Nova é a primeira e principal expressão de amor ao próximo". Do céu, agora, ajuda a sua Família religiosa a prosseguir fielmente no sulco por ele traçado, que testemunha a validade permanente da missão evangelizadora da Igreja.




4. "Então, eles partiram e pregaram por toda a parte" (Mc 16, 20). Assim o Evangelista Marcos conclui o seu Evangelho. Acrescenta, em seguida, que o Senhor não cessa de acompanhar a atividade dos Apóstolos com o poder dos seus prodígios. Destas palavras de Jesus fazem eco as palavras cheias de de São José Freinademetz: "Não considero a vida missionária como um sacrifício que ofereço a Deus, mas como a maior graça que Deus me poderia ter dado". Com a tenacidade típica de um montanhês, esta generosa "testemunha do amor" fez de si mesmo um dom às populações chineses no Shandong meridional. Abraçou por amor e com amor a sua condição de vida, segundo o conselho que ele mesmo dava aos seus missionários: "O trabalho missionário será em vão, se não amarmos e se não formos amados". Modelo exemplar de inculturação evangélica, este Santo imitou Jesus, que salvou os homens compartilhando profundamente a sua existência.


5. "Ide por todo o mundo". Os três Santos, que com alegria hoje honramos, recordam a vocação missionária de cada um dos baptizados. Todo o cristão é enviado em missão, mas para ser testemunha autêntica de Cristo deve procurar constantemente a santidade (cf. Redemptoris missio, 90).


Acolhamos, caríssimos Irmãos e Irmãs, este convite que nos vem da hodierna sugestiva celebração. Ilumine-nos do céu a Rainha dos Santos, Estrela da nova evangelização. Voltemo-nos para Ela com confiança, especialmente neste mês de Outubro, dedicado ao Rosário e às Missões. Maria Santíssima, Rainha das missões, roga por nós.

© Copyright 2003 - Libreria Editrice Vaticana

 

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