sexta-feira, 24 de janeiro de 2014


UNIR-SE A JESUS CRISTO PARA ELIMINAR O PODER DO MAL


Segunda-Feira Da III Semana Do Tempo Comum
 27 de Janeiro de 2014


 Primeira Leitura: 2Sm 5, 1-7.10

Naqueles dias, 1todas as tribos de Israel vieram encontrar-se com Davi em Hebron e disseram-lhe: “Aqui estamos. Somos teus ossos e tua carne. 2Tempo atrás, quando Saul era nosso rei, eras tu que dirigias os negócios de Israel. E o Senhor te disse: Tu apascentarás o meu povo Israel e serás o seu chefe”. 3Vieram, pois, todos os anciãos de Israel até o rei em Hebron. O rei Davi fez com eles uma aliança em Hebron, na presença do Senhor, e eles o ungiram rei de Israel. 4Davi tinha trinta anos quando começou a reinar, e reinou quarenta anos: 5sete anos e seis meses sobre Judá, em Hebron, e trinta e três anos em Jerusalém, sobre todo o Israel e Judá. 6Davi marchou então com seus homens para Jerusalém, contra os jebuseus que habitavam aquela terra. Estes disseram a Davi: “Não entrarás aqui, pois serás repelido por cegos e coxos”. Com isso queriam dizer que Davi não conseguiria entrar lá.7Davi, porém, tomou a fortaleza de Sião, que é a cidade de Davi. 10Davi ia crescendo em poder, e o Senhor, Deus Todo-poderoso, estava com ele.
 
 
Evangelho: Mc 3,22-30

Naquele tempo, 22os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Beelzebu, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios. 23Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: “Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? 24Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. 25Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se. 26Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído. 27Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. depois poderá saquear sua casa. 28Em verdade vos digo: tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, como qualquer blasfêmia que tiverem dito. 29Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno”. 30Jesus falou isso, porque diziam: “Ele está possuído por um espírito mau”.

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Voltamos novamente a acompanhar as controvérsias entre Jesus, de um lado e seus adversários (fariseus e escribas), de outro lado.


O evangelho deste dia nos relata que Jesus encara seus adversários vindos de Jerusalém, cidade onde ele sofrerá a Paixão. Na discussão Jesus é considerado como uma pessoafora de si” (=louco) pelos parentes (Mc 3,21), e “Ele está possuído por Belzebu, chefe dos demônios”, pelos escribas (Mc 3,22). Em outras palavras, Jesus é recusado “pelos seus” e “pelas autoridades religiosas”. Jesus é recusado, desconhecido e ignorado. Jesus é contestado, não é escutado, não é seguido. Jesus é deixado de lado.


Até este ponto precisamos entrar no nosso íntimo para cada um se perguntar: “Qual é a minha maneira pessoal de recusar Jesus na minha própria vida? Quando foi que eu deixei de lado esse Jesus Salvador nas minhas decisões, no meu modo de me comportar? Quando foi que ignorei Jesus na minha vida e na convivência com os demais?”. Se Jesus que é a Luz do mundo (Jo 8,12) não ocupar seu devido lugar na minha vida, então a minha vida vai ser muito desorientada e escura. Em nossa vida temos que conjugar os esforços humanos com a confiança em Deus e a docilidade aos seus planos.


Jesus começou a ser conhecido pela multidão (Mc 1,28), pois Elefala como quem tem autoridade e não como os escribas” (Mc 1,22), pois Ele se preocupa com a dignidade de todas as pessoas, especialmente com os excluídos. A fama de Jesus também chegou aos ouvidos das autoridades. E estas começaram a fazer uma campanha de difamação contra Jesus. “Ele estava possuído por Beelzebu, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios”, dizem eles sobre Jesus. Ao chamar Jesus de “chefe dos demônios”, as autoridades querem dizer a todos que Jesus é o inimigo de Deus (gente de demônio) e por isso, não merece nenhuma credibilidade.  Ao desqualificar Jesus, eles querem desqualificar sua obra. Desta maneira eles poderiam impedir a crescente popularidade de Jesus. Trata-se de um jogo das autoridades para não perder o poder sobre o povo. Todo julgamento esconde a arrogância de quem se acha dono da verdade e também revela grande insegurança. Aquele que julga se comporta como soberano e crítico das ações alheias. Num mundo de trabalho interesseiro, num mundo de luta pelo poder, os bons, os justos, os honestos são sempre vitimas e são excluídos ou eliminados, mas o bem vivido ganhará reconhecimento de Deus (cf. Mt 25,40.45; 7,21-27).


Se aprofundarmos mais esse assunto, perceberemos que o que está em jogo na discussão com os adversários de Jesus é a luta entre o espírito do mal e o espírito do bem. Por isso, merece o duríssimo ataque de Jesus. O que eles fazem é considerado como uma blasfêmia contra o Espírito Santo. Pecar contra o Espírito Santo significa negar o que é evidente, negar a luz de Deus permanentemente, tapar-se os olhos para não ver, para negar a verdade, para negar a salvação definitivamente. Por isso, enquanto lhes durar essa atitude obstinada e esta cegueira voluntária, eles mesmos se excluem do perdão e do Reino. O Reino de Deus está aberto para quem quiser entrar nele.


Creio que nós não somos certamente dos que negam a Jesus permanentemente. Ao contrário, não somente cremos nele e sim que seguimos a Jesus e celebramos seus sacramentos e meditamos sua Palavra iluminadora. E nós cremos que Jesus é mais forte e por isso, Ele nos ajuda na nossa luta contra o mal. E para afastar o mal precisamos viver e praticar o bem, mas não simplesmente para afastar o mal. Fazer o bem é o verdadeiro caminho divino e por isso, precisamos optar por este caminho. Ser cristão não é apenas aquele que evita o mal, mas principalmente fazendo o bem ele afasta o mal. Se Jesus que é mais forte do que qualquer mal está entre nós, então precisamos estar com ele permanentemente, colocando-o no centro de nossa vida para ganhemos também Sua força.


Mesmo assim, podemos nos perguntar se alguma vez nos obstinamos em não ver tudo o que teríamos que ver no evangelho ou nos sinais dos tempos que vivemos. Ao olhar para os escribas que julgaram Jesus sem piedade, não temos certa tendência a julgar drasticamente os que não pensam como nós, na vida de família, no trabalho, na comunidade ou na Igreja?


Na Vigília Pascal, quando renovamos o nosso compromisso batismal, fazemos cada ano uma dupla opção: renunciar ao pecado e ao mal e professar nossa em Deus. Hoje o Evangelho nos mostra Cristo como Libertador do mal para que durante toda jornada colaboremos com ele em tirar o mal de nosso meio.


Para Refletir Mais:


Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se”.


A divisão ou desunião é causa de uma grande fragilidade, de uma falta de força diante de qualquer desafio ou dificuldade. Dividir para dominar é uma das táticas de quem quer poder, de qualquer jeito. Como os fariseus e os escribas fazem com Jesus: difamar para dividir o povo. Onde tiver espaço para a desunião haverá entrada para o inimigo. Onde prevalecer o egoísmo, a soberba, a arrogância, não haverá espaço para o bem, e o mal tomará conta de tudo. Quem for na direção do mal, ele se afastará de Deus, pois o caminho que conduz para Deus é o caminho ao bem, à prática da justiça e do amor. “Deus, de quem separar-se é morrer, a quem retornar é ressuscitar, com quem habitar é viver”, dizia Santo Agostinho (Solil. 1,1,3).


A unidade, a solidariedade, a comunhão, a concórdia e assim por diante são aspirações de todos os tempos e para qualquer família humana. O homem aspira a paz, a concórdia, a fraternidade, a felicidade. “Vede: como é bom, como é agradável habitar todos juntos, como irmãos”, assim reza o salmista (Sl 133,1). Esse desejo ideal de comunhão procede do mais íntimo e profundo do homem, do ponto central onde Deus habita: o coração de cada pessoa. Cada ser humano é imagem de Deus. Deus não é divisão, poisDeus é amor” (1Jo 4,8.16). Deus é um mistério de comunhão entre três que somente fazem um .


O amor mútuo entre todos os irmãos que habitam em uma casa é a maior bênção. A unidade é força e ao mesmo tempo, é felicidade na família ou num grupo em que todos vivem juntos em harmonia. Se todas as pessoas têm o mesmo sangue que corre em suas veias, por que um irmão persegue, maltrata outro irmão?; por que um irmão discrimina outro irmão?; por que um irmão difama outro irmão?; por que um irmão destrói outro irmão?


Será que na minha vida familiar, matrimonial, profissional, eclesial há aspirações para a solidariedade, a unidade, a partilha, a comunhão?


Para participar na vitória de Cristo sobre as forças do mal que nos querem dominar temos que ser dóceis ao Espírito Santo e temos que reconhecer o poder que atua em Cristo.

P. Vitus Gustama,SVD

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