terça-feira, 28 de abril de 2015

30/04/2015
AMOR E SERVIÇO INSEPARAVEIS

Quinta-Feira Da IV Semana Da Páscoa


Evangelho: Jo 13, 16-20


Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus lhes disse: 16 “Em verdade, em verdade vos digo: o servo não está acima do seu senhor e o mensageiro não é maior que aquele que o enviou. 17 Se sabeis isto, e o puserdes em prática, sereis felizes. 18 Eu não falo de vós todos. Eu conheço aqueles que escolhi, mas é preciso que se realize o que está na Escritura: ‘Aquele que come o meu pão levantou contra mim o calcanhar’. 19 Desde agora vos digo isto, antes de acontecer, a fim de que, quando acontecer, creiais que eu sou. 20 Em verdade, em verdade vos digo, quem recebe aquele que eu enviar, me recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou”.
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O texto do evangelho deste dia é a continuação do relato do lava-pés (Jo 13,1-20). Jesus faz aquilo que os escravos fazem para seu senhor: lavar os pés. Para João o lava-pés representa aquilo que constitui o sentido da vida inteira de Jesus. Trata-se de um ato de amor que vai até o extremo, um amor infinito (cf. Jo 13,1), o único lavatório capaz de preparar o homem para a comunhão plena com Deus. É um ato do Bom Pastor que dá sua vida para suas ovelhas.


Através do gesto do Lava-pés Jesus nos ensina a convertermos o amor fraterno em serviço pela salvação daqueles que o Senhor ama. O amor fraterno, com efeito, não é somente uma lei ou mandamento e sim uma maneira de atuar de cada cristão pela qual todos serão reconhecidos como seguidores de Cristo (cf. Jo 13,35). É o amor que faz o homem livre. O amor é que faz o homem salvo. É o amor que faz alguém crescer saudavelmente. O amor é que dá segurança e não as armas. O amor é que faz o homem irmão do outro. O amor é que faz uma comunidade de irmãos. É o amor que nos leva ao céu. O amor fraterno é uma maneira de atuar dos cristãos  e dos que têm boa vontade (cf. Mt 25,37-40). O amor e o serviço estão sempre unidos. Quem ama, serve e quem serve é porque ama. Cristão que não serve por amor não serve como cristão.


E durante o lava-pés, Jesus é chamado de Mestre e de Senhor: “Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu sou” (Jo 13,13). Sendo o Mestre e o Senhor, Jesus se faz servidor de todos. E no texto do evangelho de hoje Jesus diz aos discípulos: “O servo não está acima do seu senhor e o mensageiro não é maior que aquele que o enviou” (Jo 13,16). “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (v.15), Jesus disse anteriormente. Continuar as ações de Cristo não é repetir ritos, mas atitudes: amor e serviço. O amor sincero e o serviço alegre, ao estilo de Jesus, há de ser o modo de presença de cada cristão neste mundo. Amar e servir verdadeiramente nos fazem felizes (Jo 13,17). Em outras palavras, o amor que se manifestou em Jesus, deve manifestar-se também nos cristãos através do amor mútuo. Jesus Cristo deve ficar bem transparente no modo de viver de cada cristão através do amor que se concretiza também no serviço ao irmão, especialmente ao necessitado.


O Lava-pés quer destacar a centralidade da pessoa. Em nossa sociedade parece que fazer é o termômetro do valor de uma pessoa. Por isso, dentro desta dinâmica é fácil que as pessoas sejam tratadas como instrumentos e facilmente nos utilizamos uns aos outros. Hoje o evangelho nos urge a transformarmos esta dinâmica em uma dinâmica de serviço: o outro nunca é um puro instrumento. Trata-se de viver uma espiritualidade de comunhão onde o outro se torna dom para mim; trata-se de “ser pelos demais”. Segundo Jesus a verdadeira felicidade se encontra no serviço aos demais e em não pensar que um seja maior que os demais. Quem se imagina superior aos demais está usurpando o lugar de Deus. Só ele é o Senhor, todos nós somos irmãos (cf. Mt 23,8). Por isso, qualquer tentativa de classificar as pessoas em mais ou em menos importantes será sem cabimento e não pode ser chamado de cristão.


Fé em Jesus é o seguimento. E seguir o exemplo de Jesus não é repetir ritos, e sim atitudes: amor que se traduz no serviço, entrega e renúncia. O amor sincero e o serviço alegre, ao estilo de Jesus, têm de ser o modo de presença de qualquer cristão no nosso mundo e na nossa sociedade.


Jesus viveu o amor aos homens e o serviço alegre até a morte na cruz. Ele morreu amando e perdoando os que praticaram a maldade contra ele (cf. Lc 23,34). O cristão é aquele que faz aquilo que Jesus fez. De que modo minha vida como cristão é um “serviço até a morte”?. Não até a morte física e sim um serviço até a morte do meu tempo, do meu dinheiro, da minha comodidade, do meu egoísmo, da minha razão humana, dos meus sentimentos? De que modo sou servidor? De quem sou “servidor até a morte”? Até onde chega meu serviço?


“Aquele que come o meu pão levantou contra mim o calcanhar”, alerta Jesus aos discípulos. Ele fala de Judas. Judas, o traidor, representa os que não abrem mão de seus privilégios e não querem partilhar os bens nem pôr a própria vida a serviço dos outros. O traidor pode estar dentro de qualquer um de nós e dentro de qualquer comunidade. Precisamos estar atentos para não sermos vendedores de Jesus Cristo.

P. Vitus Gustama,SVD

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