sexta-feira, 18 de setembro de 2015

MATEUS, APÓSTOLO E EVANGELISTA, 21/9/2015
 
SEGUIR A JESUS PARA SER SEU DISCÍPULO

FESTA DE SÃO MATEUS, APÓSTOLO E EVANGELISTA

21 de Setembro


Evangelho: Mt 9,9-13

Naquele tempo: 9 Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: 'Segue-me!' Ele se levantou e seguiu a Jesus. 10 Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos. 11 Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: 'Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?' 12 Jesus ouviu a pergunta e respondeu: 'Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. 13 Aprendei, pois, o que significa: `Quero misericórdia e não sacrifício'. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores'.
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No dia 21 de setembro celebramos a festa de São Mateus, Apóstolo e Evangelista. O seu nome hebraico significa "dom de Deus. A tradição da Igreja antiga concorda na atribuição a Mateus da autoria do primeiro Evangelho. Isto acontece já a partir de Papias, Bispo de Hierápoles na Frígia por volta do ano 130. Ele escreve: "Mateus reuniu as palavras (do Senhor) em língua hebraica, e cada um as interpretou como podia" (em Eusébio de Cesareia, Hist. eccl. III, 39, 16). Como Apóstolo Mateus está sempre presente nos elencos dos Doze escolhidos por Jesus para serem apóstolos (cf. Mt 10, 3; Mc 3, 18; Lc 6, 15; At 1, 13).


Mateus desempenhava a profissão de publicano (cobrador de impostos) e por isso era considerado pecador público (publicano), excluído da convivência. Mas tudo mudou quando Jesus o chamou: "Segue-me!". Não há nada que seja mais salvador para um pecador do que ouvir a chamada de Deus para viver novamente o caminho da felicidade e de salvação. Mateus experimentou isso. E Mateus respondeu prontamente ao chamado: ele se levantou e seguiu a Jesus. De cobrador de impostos tornou-se imediatamente discípulo de Cristo. De "último" passou a ser "primeiro", graças à lógica de Deus que amou a todos de igual maneira! A base da chamada de Deus é amor, e o amor desconhece a discriminação. Nisto percebemos que os planos humanos são totalmente diferentes do plano de Deus: "Os meus projetos não são os vossos projetos e os vossos caminhos não são os meus caminhos", diz o Senhor (Is 55, 8). Se dependesse dos planos humanos (especialmente dos fariseus e escribas) Mateus, como um publicano, jamais poderia ser discípulo do Senhor. O encontro de Jesus com Mateus, o publicano, foi um escândalo para os escribas e fariseus que andavam espiando os passos de Jesus para colocá-Lo contra o povo. Mas o Senhor chama a quem Ele quiser para estar com Ele a fim de ser seu discípulo/Apóstolo. E Mateus, que sem dúvida nenhuma, havia visto e ouvido Jesus pregando em várias ocasiões, se decidiu a abandonar seu posto de trabalho de publicano para seguir, definitivamente, a Jesus até a morte. Desde então, a casa de Mateus em Cafarnaum foi escolhida por Jesus para descansar de suas excursões apostólicas na Galileia.


Mateus é um cristão de origem judaica. Seu conhecimento do Antigo Testamento (AT), suas citações literais do AT (ao todo 44), suas alusões ao AT (cerca de 130), seus hebraísmos ou aramaísmos (cerca de 329) mostram claramente de que se trata de um judeu convertido ao Cristianismo. Mateus escreveu seu evangelho em língua grega entre anos 80-85 depois de Cristo, provavelmente em Antioquia da Síria, uma das mais importantes cidades do Império romano (500.000 habitantes), cidade conhecida por suas escolas, a cidade que, após a destruição de Jerusalém, se tornou a mãe das igrejas e centro de expansão do Cristianismo. Foi ali que, pela primeira vez, os discípulos de Jesus foram designados como “cristãos” (cf. At 11,26. E foi de Antioquia que Paulo e seus companheiros empreenderam as três viagens missionárias (cf. At 13,1-3). Destinatários do seu evangelho são cristãos convertidos do judaísmo e cristãos convertidos do gentilismo (paganismo). Isso indica que a comunidade destinatária é mista. O evangelho de Mateus possui 28 capítulos com um total de 1.068 versículos e 18.278 palavras.
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O texto do evangelho lido na festa de São Mateus nos relatou que depois da cura do paralítico Jesus se encontrou com Mateus, cobrador de impostos e o chamou para segui-lo: “Segue-me!”. Trata-se de um homem que o povo detesta, pois um colaborador do governo romano na cobrança de impostos. Os publicanos se enriquecem, especialmente, a custo dos pobres. Por isso, é uma profissão odiada.


Mas Jesus chama Mateus para segui-lo: “Segue-me” (Mt 9,9). E ele o segue (Mt 9,9). Ele diz a mesma coisa para Simão e André (Mt 4,19) e para Tiago e João (Mt 4,21). O termo “seguir” (akoloutheo, em grego) aparece 90 vezes no NT, das quais 11 vezes se encontram fora dos Evangelhos (em Atos, 4 vezes; em Ap, 6 vezes; e o resto em 1Cor 10,4). Nos evangelhos este termo se refere ao seguimento de Jesus (no total 73 vezes).
 

O verbo “seguir”, em sentido próprio, significa “ir atrás de alguém”; e no sentido figurado significa “ser discípulo”, “ir em seguimento de alguém”. Seguir significa andar, avançar, ver mais, aprender mais. Quem andar, quem caminhar vai encontrar muita coisa no caminho. Quem fica parado e paralisado vê menos.


Seguir a Jesus significa romper todo o passado, abandonar tudo (cf. Mt 4,18-22;9,9s;19,21;Lc 9,61;Mc 10,28), submetendo-se com fé e obediência à salvação oferecida em Cristo. Seguir também tem sentido de imitação. Neste sentido seguir significa unir-se com Jesus numa comunhão de vida e de destino; é modelar-se segundo o exemplo de Jesus (cf. Jo 13,15.34;15,12;1Ts 1,6;1Cor 11,1;Ef 5,2;1Jo 2,6 etc.). Assim, seguir a Jesus não é apenas aderir a um ensinamento moral e espiritual, mas compartilhar sua sorte. Por isso, Jesus exige o desapego total: renunciar às riquezas e à segurança, deixar os familiares (Mt 8,19-22;10,37;19,16-22), sem esperar o retorno (troca ou retribuição). Ao exigir de seus discípulos um tal sacrifício, Jesus se revela como Deus, única garantia, e revela integralmente até que ponto vão as exigências de Deus. Pode ser que seja até o sacrifício da cruz e até se sentir abandonado pelos outros, como Jesus sentiu (Mt 26,56).
  

A partir deste sentido, somos convidados a refletir sobre o nosso seguimento de Cristo. Até que ponto nós estamos dentro deste padrão? Em outras palavras, o que significa para nós hoje seguir a Jesus? Para responder esta pergunta, devemos responder outra pergunta: quem é Jesus a quem seguimos?
  

Seguir a Jesus é viver a sua vida. E a vida de Jesus foi marcada particularmente por amor ao Pai e aos homens, especialmente aos mais necessitados. Seu relacionamento profundo com o Pai se traduz na prática da solidariedade com os marginalizados e pecadores. Seguir a Jesus é viver segundo o seu projeto. Ele quer que as relações humanas e sociais se baseiem sobre a justiça, o amor, a fraternidade e o perdão. Tudo isso se tornará realidade, se o homem se descobrir como filho de um Pai amoroso. Seguir a Jesus é estar pronto para viver o Seu destino. Viver segundo o projeto de Jesus leva o seguidor a viver o martírio. O martírio é o preço a pagar pela fidelidade à causa jamais traída. Quem se propõe a seguir a Jesus deve estar pronto também para viver a bem-aventurança das perseguições (Mt 5,10s).


Ao ouvir a chamada do Senhor Mateus prontamente aceitou o convite. Não só a prontidão para seguir a Jesus, mas a prontidão para limpar seu coração de toda a maldade praticada, pois ele era um cobrador de impostos e por isso, era um ladrão diplomado, pecador público, ladrão do bem comum. Ele deixa seu coração livre e limpo para que o Senhor possa usá-lo para o bem do seu Reino. O fruto maior de sua conversão para nós hoje é o evangelho que ele escreveu sobre a vida de Jesus: O evangelho de Mateus. Através do seu evangelho conhecemos o Jesus em quem acreditamos, como Emanuel, Deus Conosco (Mt 1,23; 18,20; 28,20).


Para celebrar e agradecer a Jesus, Senhor dos senhores, que o chamou, Mateus preparou um banquete. Entre os convidados estão também os seus amigos, publicanos. Não sabemos se alguns dos seus amigos abandonaram a profissão de publicano para seguir a Jesus a exemplo de Mateus. Mas temos certeza de que quando servimos o Senhor, quando aceitamos a chamada do Senhor para ser Seu seguidor a fim de fazer algum bem para o próximo a partir de nossas aptidões ou inclinações, sempre encontramos motivos suficientes para a ação de graças. Ser chamado do Senhor para servir o próximo é uma graça de Deus. A graça de Deus nos causa alegria e ação de graças. A graça de Deus que vivemos nos leva a servirmos o Senhor no próximo alegremente. Servir é reinar com o Senhor. Reinar com o Senhor é salvar.


Hoje é o dia mais adequado para recordar nosso particular “segue-me”. É o dia em que celebramos uma festa por nosso nome, pois Deus nos chama pelo nome. Diante de Deus cada um tem nome e Deus chama cada um pelo nome (cf. Is 43,1; Jo 10,3). É o dia adequado para recordar a maneira que Deus chamou cada um de nós. O seguimento é a expressão prática da fé/adesão. Mas temos que estar conscientes de que esse chamamento é permanente. Quem não tem tempo para ouvir Deus permanentemente, vai ouvir somente desgraças dos outros e do mundo. Quem não presta para Deus, não presta para os outros. Mas quem presta para os outros é porque no seu coração mora Deus, mesmo que ele não tenha nenhuma religião. Temos que confessar que o que determina a nossa salvação não é aquilo que rezamos, pois pode acontecer que façamos apenas monólogos nas nossas orações. A oração feita é um compromisso assumido para viver de acordo com o Espírito de Deus. Ninguém crê impunemente. O que determina nossa salvação é o nosso comportamento diário, nossa maneira de viver e de conviver de acordo com o bem praticado (cf. Mt 25,31-46).


Aprendei, pois, o que significa: `Quero misericórdia e não sacrifício'. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores'”, disse-nos Jesus no Evangelho deste dia.


Reflitamos sobre as seguintes palavras do Papa Francisco a respeito da misericórdia:


·        “Precisamos sempre contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado” (Papa Francisco:  Misericordiae Vultus. Bula De Proclamação do Jubileu Extraordinário Da Misericórdia. Ano Santo da Misericórdia começa em 8/12/2015 até 20/11/2016).


·        “´É próprio de Deus usar de misericórdia e, nisto, se manifesta de modo especial a sua omnipotência´. Estas palavras de São Tomás de Aquino mostram como a misericórdia divina não seja, de modo algum, um sinal de fraqueza, mas antes a qualidade da onipotência de Deus. É por isso que a liturgia, numa das suas coletas mais antigas, convida a rezar assim: ´Senhor, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis…´ Deus permanecerá para sempre na história da humanidade como Aquele que está presente, Aquele que é próximo, providente, santo e misericordioso” (Idem).


·        “Na Sagrada Escritura, como se vê, a misericórdia é a palavra-chave para indicar o agir de Deus para conosco. Ele não Se limita a afirmar o seu amor, mas torna-o visível e palpável. Aliás, o amor nunca poderia ser uma palavra abstrata. Por sua própria natureza, é vida concreta: intenções, atitudes, comportamentos que se verificam na atividade de todos os dias. A misericórdia de Deus é a sua responsabilidade por nós. Ele sente-Se responsável, isto é, deseja o nosso bem e quer ver-nos felizes, cheios de alegria e serenos. E, em sintonia com isto, se deve orientar o amor misericordioso dos cristãos. Tal como ama o Pai, assim também amam os filhos. Tal como Ele é misericordioso, assim somos chamados também nós a ser misericordiosos uns para com os outros” (Idem).


·        “A arquitrave que suporta a vida da Igreja é a misericórdia. Toda a sua ação pastoral deveria estar envolvida pela ternura com que se dirige aos crentes; no anúncio e testemunho que oferece ao mundo, nada pode ser desprovido de misericórdia. A credibilidade da Igreja passa pela estrada do amor misericordioso e compassivo. A Igreja vive um desejo inexaurível de oferecer misericórdia” (Idem).


·        “A Igreja tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante do Evangelho, que por meio dela deve chegar ao coração e à mente de cada pessoa. A Esposa de Cristo assume o comportamento do Filho de Deus, que vai ao encontro de todos sem excluir ninguém. No nosso tempo, em que a Igreja está comprometida na nova evangelização, o tema da misericórdia exige ser reproposto com novo entusiasmo e uma ação pastoral renovada. É determinante para a Igreja e para a credibilidade do seu anúncio que viva e testemunhe, ela mesma, a misericórdia. A sua linguagem e os seus gestos, para penetrarem no coração das pessoas e desafiá-las a encontrar novamente a estrada para regressar ao Pai, devem irradiar misericórdia” (Idem).

P. Vitus Gustama,svd

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