quarta-feira, 25 de maio de 2016

27/05/2016


FÉ EM DEUS NOS FAZ CONVIVERMOS NO AMOR FRATERNO


Sexta-Feira Da VIII Semana Do Tempo Comum


Primeira Leitura: 1Pd 4,7-13


Caríssimos, 7 o fim de todas as coisas está próximo. Vivei com inteligência e vigiai, dedicados à oração. 8 Sobretudo, cultivai o amor mútuo, com todo o ardor, porque o amor cobre uma multidão de pecados. 9 Sede hospitaleiros uns com os outros, sem reclamações. 10 Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um ponha à disposição dos outros o dom que recebeu. 11 Se alguém tem o dom de falar, proceda como com palavras de Deus. Se alguém tem o dom do serviço, exerça-o como capacidade proporcionada por Deus, a fim de que, em todas as coisas, Deus seja glorificado, em virtude de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o poder, pelos séculos dos séculos. Amém. 12 Caríssimos, não estranheis o fogo da provação que se alastra entre vós, como se algo de estranho vos estivesse acontecendo. 13 Alegrai-vos por participar dos sofrimentos de Cristo, para que possais também exultar de alegria na revelação da sua glória.


Evangelho: Mc 11,11-26


Tendo sido aclamado pela multidão, 11Jesus entrou, no Templo, em Jerusalém, e observou tudo. Mas, como já era tarde, saiu para Betânia com os doze. 12No dia seguinte, quando saíam de Betânia, Jesus teve fome. 13De longe, ele viu uma figueira coberta de folhas e foi até lá ver se encontrava algum fruto. Quando chegou perto, encontrou somente folhas, pois não era tempo de figos. 14Então Jesus disse à figueira: “Que ninguém mais coma de teus frutos”. E os discípulos escutaram o que ele disse. 15Chegaram a Jerusalém. Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no Templo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. 16Ele não deixava ninguém carregar nada através do Templo. 17E ensinava o povo, dizendo: “Não está escrito: ‘Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos’? No entanto, vós fizestes dela uma toca de ladrões”. 18Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei ouviram isso e começaram a procurar uma maneira de o matar. Mas tinham medo de Jesus, porque a multidão estava maravilhada com o ensinamento dele. 19Ao entardecer, Jesus e os discípulos saíram da cidade. 20Na manhã seguinte, quando passavam, Jesus e os discípulos viram que a figueira tinha secado até a raiz. 21Pedro lembrou-se e disse a Jesus: “Olha, Mestre: a figueira que amaldiçoaste secou”. 22Jesus lhes disse: “Tende fé em Deus. 23Em verdade vos digo, se alguém disser a esta montanha: ‘Levanta-te e atira-te no mar’, e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá. 24Por isso vos digo, tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o recebestes, e assim será. 25Quando estiverdes rezando, perdoai tudo o que tiverdes contra alguém, 26para que vosso Pai que está nos céus também perdoe os vossos pecados”.
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Sob a Perspectivo Do Fim o Cristão É Chamado a Viver No Amor Fraterno Servindo o Próximo Conforme os Dons Recebidos


Caríssimos, o fim de todas as coisas está próximo. Vivei com inteligência e vigiai, dedicados à oração”, escreveu Pedro que lemos na Primeira Leitura de hoje (1Pd 4,7).


Para olhar o mundo, a nós mesmos e todos os acontecimentos na plenitude da verdade não há ponto de observação melhor que o da morte. A partir dali tudo é visto em sua justa perspectiva. Visto a partir desse ponto, tudo ganha seu justo valor. Olhar a vida a partir da morte nos ajuda extraordinariamente a vivermos bem. A morte é o fim de todos os privilégios e diferenças que existem entre os homens. A morte nos ensina a estarmos vigilantes e preparados. Não é a morte que é absurda, mas a vida sem a morte.


O que dá à morte o terrível poder de angustiar o homem e de enchê-lo de medo é o pecado. Muitas vezes acontece que para viver um pouquinho mais, alguém joga fora o que poderia dar-lhe a felicidade eterna: jogam-se fora a fé, a graça, as orações, a caridade etc.


Sob a perspectiva da iminência da morte, o cristão é chamado a organizar sua vida, pois no fim dos tempos a vida inteira do cristão será julgada por Deus. Em consequência disso, a primeira atitude do cristão é prudência e sobriedade, isto é, o cristão deve manter a cabeça fria e a atitude equilibrada, pois este tipo de atitude afasta qualquer ansiedade e pânico. Pela atitude da sobriedade, o cristão não se deixa arrastar pela tentação do espírito mundano.


Prudência, sobriedade, equilíbrio são alcançados pela dedicação à oração. A verdadeira oração torna o cristão prudente, sóbrio e equilibrado. Isso significa que na vida do cristão a oração deve ocupar um lugar importante permanentemente e em qualquer situação e espaço. A oração orienta a vida do cristão para a comunhão com Deus. A partir da comunhão com Deus, através da oração, o cristão saberá enxergar o que é essencial e fundamental para sua vida diária.


Porém, a oração não pode alienar o cristão de seus compromissos como cristão e de suas tarefas diárias neste mundo. O cristão é chamado a conviver com os demais homens e a ser luz do mundo e o sal da terra (cf. Mt 5,13-14). Por isso, o texto da Primeira Leitura chama o cristão à responsabilidade sob a perspectiva escatológica: “Cultivai o amor mútuo, com todo o ardor, porque o amor cobre uma multidão de pecados”. O amor fraterno é a exigência fundamental para o cristão. Cuidar do amor fraterno significa estar em comunhão com Deus, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). e este amor fraterno deve ser permanente. O amor verdadeiro é sempre perseverante. Além do mais, segundo Pedro, o amor autentico é capaz de encobrir uma multidão de pecados (cf. Tg 5,20). O amor é indulgente. O amor opera o perdão dos pecados de modo que, para Deus os pecados não contam mais por causa desse amor.


Uma forma especial para expressar o amor autêntico é a prática da hospitalidade: “Sede hospitaleiros uns com os outros, sem reclamações”. A palavra “hospitalidade” vem do latim “hospitalitas, atis”. É uma virtude que se pratica para peregrinos, necessitados, e desamparados ou desprotegidos prestando-lhes a devida assistência em suas necessidades. A hospitalidade é a obra de misericórdia. É ato de hospedar; acolhida de hóspedes; é boa acolhida. É recepção ou tratamento afável, cortês; amabilidade, gentileza. Hospitaleiro é aquele que oferece hospedagem por bondade ou caridade. Os cristãos primitivos praticavam a hospitalidade. Sem essa virtude, o cristianismo provavelmente teria dificuldades para se expandir no mundo romano. Até a Carta aos hebreus admoesta ou alerta os cristãos: “Não esqueçais a hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem saber, acolheram anjos” (Hb 13,2).


Além da hospitalidade, o cristão é chamado a viver na permanente disponibilidade para ajudar a partir de seus dons: “Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um ponha à disposição dos outros o dom que recebeu. Se alguém tem o dom de falar, proceda como com palavras de Deus. Se alguém tem o dom do serviço, exerça-o como capacidade proporcionada por Deus, a fim de que, em todas as coisas, Deus seja glorificado, em virtude de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o poder, pelos séculos dos séculos”. O cristão não é o dono de seus dons. O dono de todos os dons é o próprio Deus. Por isso, cada um deve se colocar a serviço dos outros a partir dos dons que se tem. Já que Deus é o dono de todos os dons, o cristão não pode usar seus dons em proveito próprio e para sua própria honra.


Quem Permanece Em Deus Produz Bons Frutos Para a Convivência


O texto do evangelho deste dia nos conta que Jesus já se encontra em Jerusalém. Marcos nos relata hoje a ação simbólica de Jesus em torno da figueira estéril e a expulsão dos vendedores de animais do Templo. E no fim Jesus pede que colaboremos com Deus através da vivência da fé.


De longe Jesus viu uma figueira cheia de folhas. Mas quando se aproximou da figueira, não encontrou nenhum fruto (figo). Jesus se queixa da esterilidade da figueira. Jesus pronuncia, então, algumas palavras duras contra a figueira: “Que ninguém mais coma de teus frutos”.  E no dia seguinte a figueira fica seca. Este gesto de Jesus aponta para outro tipo de esterilidade. Ele aponta para seus contemporâneos, especialmente para os dirigentes do povo, pois eles são iguais a uma árvore estéril que não dá frutos que Deus quer. Eles se exibem como árvore cheia de folhas, mas sua vida não produz nada que possa dar vida (fruto) para os demais. Eles se procuram com o exterior (folhas) e abandonam seu interior (frutos).


Marcos também coloca outra cena: a expulsão dos vendedores de animais do Templo. Trata-se também de um gesto simbólico. Com esse gesto Jesus denuncia os dirigentes na hipocrisia do culto feito de coisas externas, mas sem obras coerentes na vida. O culto tem ser traduzido na vivencia de valores do Reino como a fraternidade, a igualdade, o amor, o mútuo respeito, solidariedade e assim por diante.  Jesus critica e denuncia o uso de culto para explorar os demais em nome do próprio interesse. Deus não é um comerciante, mas é o Pai de todos. Um irmão não pode explorar outro irmão, muito menos em nome da religião, usando, assim, o nome de Deus em vão. Segundo Jesus, o Templo é “casa de oração para todos os povos; é lugar de oração autêntica e não é um lugar para explorar os demais. 


Logo em seguida Jesus fala da fé. "Fé é o pássaro que sente a luz e canta quando a madrugada é ainda escura." (Rabindranath Tagore). Fé é esperar de Deus aquilo que ele quer nos dar, pois Deus nos dá aquilo que nos salva mesmo que peçamos a Ele qualquer coisa erradamente. Mas ao pedir queremos manter nossa conversa com o Pai e através de oração queremos manter nossa ligação profunda com Deus. É preciso conversar com nosso Pai celeste mesmo que não tenhamos nada para pedir a Ele, pois Deus é o nosso Pai, e não dá para imaginar que morando na mesma casa o filho não conversa com o pai. Qualquer pai ou mãe sempre dá ao filho aquilo que é digno para sua vida. Por isso, Deus é a medida de cada dom, e nossa salvação é o objetivo de cada dom. A fé é a atitude daquele que “não duvida no seu coração, mas acredita que isso vai acontecer” (Mc 11,23), pois Deus quer nos salvar. Quem tem fé,  precisa orar e quem ora precisa acreditar. A fé nos faz disponíveis para que a graça de Deus possa operar na nossa vida a fim de que sejamos reflexos de Deus para os demais.


Mas o evangelho de hoje não termina apenas com o convite de Jesus para nossa oração seja cheia de fé e sim termina com o convite à caridade fraterna, sobretudo, o perdoa das ofensas: “Quando estiverdes rezando, perdoai tudo o que tiverdes contra alguém, para que vosso Pai que está nos céus também perdoe os vossos pecados”.  Uma das petições no Pai Nosso que rezamos diariamente é o pedido do perdão ao Pai porque nós perdoamos aos outros que nos ofenderam.


A partir do texto do evangelho de hoje é preciso que nos perguntemos:


1). Será que nossa vida igual à figueira no evangelho de hoje: cheia de filhas (exterioridade), mas não produzimos algo de bom para a convivência? Será que por fora ou para fora aparentemente estamos bem (cheios de “folhas”), mas por dentro somente há podridão (esterilidade total)?


2). Muitos dirigentes exploram o templo para se enriquecer materialmente. O que nos motiva a procurarmos a Igreja? Esperamos algo da Igreja ou a Igreja espera algo de nós? O que contribuímos para a Igreja de Cristo a qual pertencemos?


3). Será que na nossa oração diária, a pedido de Jesus Cristo, oferecemos o perdão aos que nos ofenderam e pedimos o perdão aos que ofendemos? “Quando estiverdes rezando, perdoai tudo o que tiverdes contra alguém, para que vosso Pai que está nos céus também perdoe os vossos pecados”. 


P. Vitus Gustama,svd

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