terça-feira, 26 de julho de 2016

29/07/2016


SANTA MARTA
JESUS É A RESSURREIÇÃO E A VIDA


29 de Julho


Primeira Leitura: 1Jo 4,7-16


7 Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. 8 Quem não ama, não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor. 9 Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele. 10 Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados. 11 Caríssimos, se Deus nos amou assim, nós também devemos amar-nos uns aos outros. 12 Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece conosco e seu amor é plenamente realizado entre nós. 13 A prova de que permanecemos com ele, e ele conosco, é que ele nos deu o seu Espírito. 14 E nós vimos, e damos testemunho, que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. 15 Todo aquele que proclama que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece com ele, e ele com Deus. 16 E nós conhecemos o amor que Deus tem para conosco, e acreditamos nele. Deus é amor: quem permanece no amor, permanece com Deus, e Deus permanece com ele.


Evangelho: Jo 11,19-27


Naquele tempo, 19 muitos judeus tinham vindo à casa de Marta e Maria para as consolar por causa do irmão. 20 Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Maria ficou sentada em casa. 21 Então Marta disse a Jesus: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. 22 Mas mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus, ele te concederá”. 23 Respondeu-lhe Jesus: “Teu irmão ressuscitará”. 24 Disse Marta: “Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia”. 25 Então Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. 26 E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês isto?” 27 Respondeu ela: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”.
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Celebramos neste dia a festa de Santa Marta. Ela é mencionada nos evangelhos de Lucas e de João. Era uma discípula e seguidora fiel de Cristo e muito estimada por Ele (Jo 11,5). Marta vivia com seus dois irmãos, Maria e Lázaro, numa pequena vila chamada Betânia (Jo 11,1). Jesus os visitava frequentemente, quando estava em Jerusalém (Lc 10,38). Jesus esteve com eles na semana antes de ser preso e crucificado (Mt 21,17). Marta é bem conhecida como uma pessoa que estava sempre envolvida e sobrecarregada com os afazeres diários. Quando recebia Jesus em sua casa, Marta ficava muito atarefada a ponto de perder os bons momentos de comunhão com Jesus que seus dois irmãos desfrutavam (Lc 10,39-42; Jo 12,2). Mas por outro lado, as atitudes de Marta revelavam sua lealdade para com o Senhor Jesus. Seu caráter sincero é demosntrado por sua fé honesta e firme. Quando seu irmão, Lázaro, ficou gravemente, ela e sua irmã pediram que Jesus viesse visita-lo com urgência (Jo 11,3). Mas Jesus só chegou quando Lázaro já tinha sido sepultado. Jesus honrou a fé de Marta e ressuscitou Lázaro, para manifestar, desta maneira, a glória de Deus (Jo 11,38-44).


Mensagem Do Evangelho Lido Neste Dia


O episódio da ressurreição de Lázaro inicia mostrando a sintonia que reina entre Jesus e a comunidade dos que nele acreditam, representada por Lázaro, Marta e Maria. De fato, esses três representam a comunidade do Discípulo Amado que crescem na em Jesus, e as comunidades que aderem a Jesus em todos os tempos.


Marta, cuja festa celebramos hoje, representa o tipo de discípulo de Jesus que precisa superar o preconceito da morte enquanto desfecho fatal. Ela crê na ressurreição do último dia, como a maioria dos judeus. Mas Jesus é a Ressurreição e a Vida aqui e agora. Esse é o desafio feito às duas irmãs e a todos nós: Jesus não é a Vida somente depois da morte, mas ele é a Vida em abundância para esta vida e para além dela.


Superado o preconceito diante da morte, Marta se torna missionária porque ela vai chamar sua irmã Maria, que está sentada em casa, recebendo os pêsames da sociedade que nada faz diante das pessoas senão tentar consolar com palavras. “Maria ficou sentada em casa” esta expressão quer dizer que para Maria a morte de seu irmão significa o termino de sua vida. A idéia da morte como fim paralisa a comunidade e a faz permanecer no ambiente da dor, cercada pelos que não tem em Jesus. Maria tem de sair dessa casa para se encontrar com Jesus, a Ressurreição e a Vida. Também Maria, abandonando a “casa do desespero”, torna-se missionária porque ela conduz os judeus a Jesus que após o sinal (ressurreição) passam a acreditar em Jesus (v.31).


Jesus não veio para dar pêsames, e sim para comunicar vida. Após ter agradecido ao Pai, fonte da vida que comunica vida por meio da ação libertadora do Filho, Jesus chama Lázaro à vida. Jesus não veio para prolongar a vida física que o homem possui. Ele veio para comunicar a vida que ele mesmo possui e da qual dispõe: “Assim como o Pai tem a vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5,26). Esta vida é seu próprio Espírito, a presença Sua e do Pai naquele que o aceita e vive sua mensagem, e esta vida despoja à morte de seu caráter de extinção. Na frase de Jesus “Eu sou a ressurreição e a vida” o primeiro termo depende do segundo: ele é a ressurreição por ser a vida: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). A vida que ele comunica, ao encontra-se com a morte, a supera; isto se chama ressurreição.


A ressurreição de Jesus e a nossa ressurreição pela em Jesus ressuscitado é a chave de nossa vida cristã. Crer na ressurreição não é somente crer em uma doutrina. Temos que crer na ressurreição com a vida; não somente com a cabeça. Temos que fazer nossa a ressurreição fazendo nosso o juízo de Deus contra o mal. Temos que crer na ressurreição com nossa atitude e nossas obras. Se nós acreditamos realmente na ressurreição, devemos respeitar a vida, a nossa própria e a dignidade da vida dos outros no seu início, na sua duração e no seu fim na história. Quem desrespeita a própria vida e a vida dos outros, nega a ressurreição. Se realmente acreditamos na ressurreição temos que ter certeza de que a vida não termina aqui, pois a vida é de Deus (cf. Jo 11,25; 14,6). Se acreditamos realmente na ressurreição devemos ter certeza de que os que nos precederam estão em comunhão conosco e intercedem por nós como nossos irmãos. Se realmente acreditamos na ressurreição não devemos prolongar nossa tristeza pelo falecimento de nosso irmão/ nossa irmã, nosso pai/nossa mãe, marido/esposa, filho/filha, pois eles apenas voltaram para a casa do Pai (cf. Jo 14,1-6). Se acreditamos realmente na ressurreição, devemos ter certeza de que o amor dos que nos precederam para a eternidade não morre, pois o amor é o nome próprio de Deus: “Deus é amor”, disse são João (1Jo 4,8.16). Em outras palavras, temos que fazer de nossa vida uma ressurreição permanente.


Além disso, crer na ressurreição de Cristo é muito mais que afirmar que Jesus foi tirado por Deus do túmulo; é reconhecer que o projeto de Deus se realiza em cada homem. Crer na ressurreição é crer no Deus da vida. E não somente isso; é crer em nós mesmos como a verdadeira possibilidade que temos de ser algo de Deus. A ressurreição de Jesus é a primícias de que na morte se nasce para sempre.


Lázaro voltou à vida por ação de Jesus. Mas sua ação libertadora quer comprometer todos os que o seguem. A ação libertadora de Jesus implica nossa prática de libertação: desamarrar todas as pessoas de todos os laços que as prendem a uma situação de morte. Somos chamados a respeitar e a proteger a vida desde seu inicio, na sua duração e no seu término, pois a vida é sagrada. Por ser sagrada, a vida não pode ser sacrificada em nome de ninguém. Assim agindo, estaremos continuando o que Jesus fez, a fim de que todos tenham vida em abundância (cf. Jo 10,10).


Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá”.  A partir da ressurreição do Senhor não vivemos mais para morrer e sim morremos para viver. A vida não pertence mais à morte e sim a morte pertence à vida.


Para que nossa vida se torne uma ressurreição permanente temos que ter algo divino dentro de nós: amor, poisDeus é amor” (1Jo 4,8.16). Amar a alguém, do ponto de vista cristão, é equivale a lhe dizer: Tu nunca morrerás. Tu viverás para sempre. Tu estarás em comunhão conosco mesmo de pois de terminar a passagem nesta terra. Com efeito, o homem morre não quando deixa de viver e sim quando deixa de amar. “Ama e faze o que quiseres!”, dizia Santo Agostinho (In epist. Joan. 7,8).  O amor é a vida do espírito. O ódio, portanto, é sua morte”, acrescentou Santo Agostinho (In ps. 54,7). A amabilidade e a bondade estão sempre unidas. “Bons amores fazem boas condutas” (Santo Agostinho: Serm. 311,11,11).


Quais são as amarras que nos prendem a uma situação de morte? E como nos livrar dessas amarras? Quantas vezes nos comportamos como Maria que consideramos a morte como o fim de tudo (acabou tudo) e esta crença, conseqüentemente, paralisa nossa vida. Precisamos ouvir e viver sempre aquilo que Jesus nos diz: “Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim ainda que esteja morto viverá”. É preciso que voltemos a ser verdadeiros cristãos vivendo na profundidade o que Jesus nos ensinou. Por este caminho superaremos muitas coisas na vida. Com Jesus ressuscitado, a vida não acaba, mas continua. Para chegar a esta verdade nós precisamos recuperar nossa em Jesus que é a ressurreição e a vida.


P. Vitus Gustama,svd

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