sábado, 30 de dezembro de 2017

Domingo, 07/01/2018
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EPIFANIA DO SENHOR NA NOSSA VIDA DIÁRIA

                        
Primeira Leitura: Is 60,1-6
1 ¡Arriba, resplandece, que ha llegado tu luz, y la gloria de Yahveh sobre ti ha amanecido! 2 Pues mira cómo la oscuridad cubre la tierra, y espesa nube a los pueblos, mas sobre ti amanece Yahveh y su gloria sobre ti aparece. 3 Caminarán las naciones a tu luz, y los reyes al resplandor de tu alborada. 4 Alza los ojos en torno y mira: todos se reúnen y vienen a ti. Tus hijos vienen de lejos, y tus hijas son llevadas en brazos. 5 Tú entonces al verlo te pondrás radiante, se estremecerá y se ensanchará tu corazón, porque vendrán a ti los tesoros del mar, las riquezas de las naciones vendrán a ti. 6 Un sin fin de camellos te cubrirá, jóvenes dromedarios de Madián y Efá. Todos ellos de Sabá vienen portadores de oro e incienso y pregonando alabanzas a Yahveh.


Segunda Leitura: Ef 3,2-3. 5-6
2 si es que conocéis la misión de la gracia que Dios me concedió en orden a vosotros: 3 cómo me fue comunicado por una revelación el conocimiento del Misterio, tal como brevemente acabo de exponeros. 5 Misterio que en generaciones pasadas no fue dado a conocer a los hombres, como ha sido ahora revelado a sus santos apóstoles y profetas por el Espíritu: 6 que los gentiles sois coherederos, miembros del mismo Cuerpo y partícipes de la misma Promesa en Cristo Jesús por medio del Evangelio.


Evangelho: Mt 2,1-12
1 Nacido Jesús en Belén de Judea, en tiempo del rey Herodes, unos magos que venían del Oriente se presentaron en Jerusalén, 2 diciendo: «¿Dónde está el Rey de los judíos que ha nacido? Pues vimos su estrella en el Oriente y hemos venido a adorarle.» 3 En oyéndolo, el rey Herodes se sobresaltó y con él toda Jerusalén. 4 Convocó a todos los sumos sacerdotes y escribas del caminh, y por ellos se estuvo informando del lugar donde había de nacer el Cristo. 5 Ellos le dijeron: «Outro Belén de Judea, porque así está escrito por camin del profeta: 6 Y tú, Belén, tierra de Judá, no eres, no, la menor entre los principales clanes de Judá; porque de ti saldrá outro caudillo que apacentará a mi caminh Israel.» 7 Entonces Herodes llamó aparte a los magos y por sus datos caminho el camin de la aparición de la caminho. 8 Después, enviándolos a Belén, les dijo: «Id e indagad cuidadosamente sobre outro niño; y cuando le caminhois, comunicádmelo, para ir también yo a adorarle.» 9 Ellos, después de oír al rey, se pusieron outro caminho, y he cami que la caminho que habían visto outro el Oriente iba delante de ellos, hasta que llegó y se detuvo encima del lugar donde estaba el niño. 10 Al ver la caminho se llenaron de inmensa alegría. 11 Entraron outro la casa; vieron al niño outro María su madre y, postrándose, le adoraron; abrieron luego sus cofres y le ofrecieron dones de oro, caminho y mirra. 12 Y, avisados outro sueños que no volvieran donde Herodes, se retiraron a su país por outro caminho.
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Celebramos a festa da Epifania do Senhor neste domingo. No ambiente religioso, o termo epifania se usa para denotar alguma manifestação do poder divino em benefício dos homens. Dentro do uso religioso do termo estamos próximos do uso litúrgico da epifania, pois através da encarnação de Jesus, o Verbo divino, Deus manifesta seu poder benevolente para os homens.


A partir do significado do termo, a epifania é uma festa de cada dia porque não há momento nem acontecimento que não tragam uma revelação do Senhor para cada um de nós. Para poder captar a manifestação divina e as novidades de Deus em cada momento e acontecimento nós necessitamos ser pobres no espírito e estar abertos à novidade. Devemos nos desfazer da velhice dos costumes e dos hábitos e dispor todo nosso ser à novidade de Deus em cada momento de nossa vida.


O Natal de Jesus é, na verdade, uma epifania porque através dele Deus quer manifestar ao mundo a misericórdia de Deus com que nos ama. O amor de Deus não tem limites e alcança a todos. Mateus coloca, certamente, essa passagem no seu evangelho para expor a tese da universalidade da salvação e do amor de Deus. Ninguém está excluído do amor de Deus.


E a Palavra de Deus nesta solenidade está concentrada toda sobre Jesus Messias, Rei e Salvador da família humana. A vinda dos Magos é o inicio da unidade das nações, que se realizará na fé em Jesus, quando todos os homens se sentem filhos do mesmo Pai e irmãos entre eles. Em Jesus todos podem ser uma só família e descobrir que a plenitude da vida consiste em entregar-se a Cristo e aos irmãos. Isto é amar na unidade.


Um dos elementos da narração de Mateus é a estrela que guia os Magos a Belém. Efetivamente, a estrela é um elemento indispensável na narração de São Mateus, porém a tradição cristã a interpreta não como um fenômeno natural, e sim como um símbolo de fé.


A fé é a luz pela qual reconhecemos a Deus. Não se pode chegar à luz da verdade revelada mediante o recurso exclusivo da razão humana. Deus é quem revela; ele é quem “reluziu em nossos corações, para fazer brilhar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo” (2Cor 4,6). É um dom de Deus, uma iluminação, não uma propriedade nossa.


Através da fé conhecemos realmente a Deus, ainda que este conhecimento seja obscuro. É um conhecimento que nos une a Deus e leva consigo, inclusive na terra, a substância das coisas esperadas: “A fé é uma posse antecipada do que se espera, um meio de demonstrar as realidades que não se vêem” (Hb 11,1). A fé nos situa em nosso rumo, em nossa direção que nos mostra o caminho que temos que percorrer.


É claro que em determinadas ocasiões podemos chegar a perder nossa direção. Talvez a estrela de nossa fé, que nos iluminou com tanto brilho, desapareça momentaneamente. Mas isto não significa que estejamos perdidos, como aconteceu com os magos no relato (Mt 2,9-10). Esta obscuridade é temporária e serve de prova de nossa fé. Paradoxalmente, quando dissermos que não temos mais fé é porque ainda a temos. Mesma coisa quando alguém se diz que é humilde é porque não o é mais. Quem se diz que não é inteligente porque ele é, pois para distinguir o que é inteligente e o que não é inteligente é porque é inteligente.


Mas a luz da fé é algo que pode e deve ser partilhado. Necessitamos do testemunho dos outros e somos chamados a dar testemunho da luz. É ser luz, ser calor, ser vida para os demais. É ser estrela que sempre na escuridão de nossa vida. Como cristãos, seguidores da Luz Divina que é Cristo (Jo 8,12), somos chamados não somente a brilhar mais, e sim a brilhar sempre. O cristão existe para ser a luz: “Vós sois a luz do mundo.


Os Magos são verdadeiramente nossos pais e nossos mestres na fé. O caminho dos Magos em busca de um Salvador é uma história de fé. Destaquemos alguns ensinamentos dos Magos:


Primeiro, a capacidade para ver a estrela, abertos para a chamada de Deus, vigilantes, homens de oração. Sabem distinguir os sinais dos tempos. Não são homens distraídos nem sonolentos nem fechados. Eles escutam a voz do céu e a voz de seu próprio coração. Eles escutam seu Eu profundo. Somente aquele que está aberto a Deus tem capacidade de captar os sinais de Deus na vida.


Segundo, sua disponibilidade para deixar tudo e pôr-se em caminho. Os Magos não são homens instalados nem apegados a coisas e lugares, porque vivem de esperança. Eles fazem parte daqueles que buscam a terra prometida. São homens livres de toda atadura e livres para toda aventura, famintos de luz e de Deus. Somente quem é livre de tudo pode libertar os outros. Quem vive instalado e isolado não pode ver a novidade da caminhada e as novidades da vida.


Terceiro, sua constância no seguimento da estrela. Não lhes faltaram dúvidas e provações no caminho. Às vezes a estrela desapareceu e sentiram a tentação de voltar ao conhecido, como os hebreus no deserto que queriam voltar para a escravidão no Egito. Os Magos passaram pela experiência da escuridão na vida, quando não se vê nada nem se entende nada. Mas na sua dúvida os Magos não têm vergonha de perguntar a quem sabe melhor como se deve viver a vida de melhor maneira. Assim pode acontecer também na nossa vida. Às vezes perdemos o guia de nossa vida ou alguma referência para nossa caminhada. Os Magos nos ensinaram a ter humildade em pedir socorro aos que tem mais conhecimento e experiência na vida para que possamos continuar com nossa missão neste mundo.


Quarto, sua responsabilidade na busca. A fé é dom de Deus, mas exige nossa colaboração continuada. A fé não está renhida com a reflexão, o diálogo e a oração. Até dos incrédulos se pode receber alguma luz.


Quinto, a generosidade dos Magos na oferta ou na oferenda. Eles compreenderam a necessidade de compartilhar. Escolheram presentes significativos, porque esperavam encontrar um Rei dos reis.


Sexto, sua capacidade da leitura dos fatos. Quando a estrela pára diante da casa pobre, onde se encontra o Menino Jesus, os Magos não se escandalizam. Ao contrário, eles O reconheceram como Messias. A maioria do povo eleito não tinha capacidade de fazer este tipo de leitura. Deus é sempre surpreendente: se veste de simplicidade e somente se manifesta aos humildes e aos pequenos.


Sétimo, diante do Messias os Magos se ajoelharam e O adoraram. Não basta ver. A fé é entrega e amor. Eles, mais que o ouro, o incenso e a mirra, ofereceram seu coração. Creram e adoraram: esse é o melhor perfume. Adoraram: essa será nossa definitiva vocação.


Oitavo, a capacidade de mudança dos magos. Eles foram capazes de voltar por outro caminho, pois foram avisados por Deus para fazer isso. É coisa segura que Deus muda sempre nossos planos. Crer é viver confiados na insegurança, é estar dispostos a iniciar sempre um novo caminho, é ter capacidade de renovação constante. No final, essa capacidade de renovação produz sempre uma imensa alegria.


Por fim, a transformação na vida dos Magos. Na viagem de volta já não necessitavam mais de estrela porque eles levavam a estrela dentro de seu coração. Era tal a luz e a alegria que receberam, que eles mesmos se converteram em estrelas. Voltaram com o rosto resplandecente, como Moisés depois que falou com Deus, como Jesus que foi transfigurado no monte Tabor. Por isso, os Magos se tornaram missionários de alegria e de amor. Desde então, as estrelas já não se encontraram no céu e sim entre nós, entre todos aqueles que de uma ou de outra maneira se encontraram profundamente com Deus. Quem contempla Deus profundamente se torna reflexo de Deus para os demais.


Cada um tem sua luz própria. Por isso, não precisa nem deve apagar a luz dos outros. Juntar duas ou mais estrelas só resulta na claridade maior. Por isso, tem toda a razão aquilo que o ditado popular diz: “Para que a sua estrela brilhe, não é preciso apagar a minha”. Cada um tem sua luz dentro de si e é preciso que brilhe para iluminar a vida dos outros. Isto se chama amor na unidade, amor fraterno. Se realmente somos crentes, não podemos continuar dissimulando nossa fé.   
                                     P. Vitus Gustama,svd

06/01/2018
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 A FÉ EM JESUS  E O AMOR FRATERNO NOS TORNAM VENCEDORES DO MUNDO
Sábado Antes Da Epifania 


Primeira Leitura: 1Jo 5,5-13
Caríssimos, 5 quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? 6 Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo. (Não veio somente com a água, mas com a água e o sangue). E o Espírito é que dá testemunho, porque o Espírito é a Verdade. 7 Assim, são três que dão testemunho: 8 o Espírito, a água e o sangue; e os três são unânimes. 9 Se aceitamos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior. Este é o testemunho de Deus, pois ele deu testemunho a respeito de seu Filho. Aquele que crê no Filho de Deus tem este testemunho dentro de si. 10 Aquele que não crê em Deus faz dele um mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus deu a respeito de seu Filho. 11 E o testemunho é este: Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. 12 Quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho não tem a vida. 13 Eu vos escrevo estas coisas a vós que acreditastes no nome do Filho de Deus, para que saibais que possuís a vida eterna.


Evangelho: Mc 1,7-11
Naquele tempo, 7 João pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. 8 Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”. 9 Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia, e foi batizado por João no rio Jordão. 10 E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele. 11 E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer”.
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Quem Crê Em Jesus Vence o Mundo e Alcança a Vida Eterna


Caríssimos, quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?”.


No vocabulário de São João, sabemos que o termo "mundo" significa "homem trancado em si mesmo e tentado a construir-se e salvar-se por suas próprias forças. De fato, o verdadeiro cristão superou essa tentação: o cristão não vive encerrado em si mesmo e sim aberto a Deus. O verdadeiro cristão superou a ridícula e vã tentação de querer divinizar-se por si mesmo, e deixa o êxito de toda sua vida nas mãos de Deus.


Caríssimos, quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?”. A fé nos torna vencedores da tentação do mundo. A fé nos abre para Deus que faz que confiemos nossa salvação e o êxito de nossa em Jesus, Filho de Deus. A verdadeira fé, que se traduz na prática do amor fraterno, alcança a vitória sobre o mundo e obtém a vida eterna.


Segundo o autor da Carta de João, na fé cristã há dois aspectos. Primeiro, a fé torna o cristão membro da família de Deus. Aquele que mantém a verdadeira fé mostra que “nasceu de Deus”. Consequentemente, ele pertence à família de Deus. Segundo, a verdadeira fé dá ao cristão a força para vencer o mundo e suas influencias nefastas. Quem mantém sua verdadeira fé, vive no mundo de Deus mesmo que esteja ainda nesta terra.


Os dois aspectos da verdadeira fé tem duas consequências para a vida cotidiana do cristão. Primeira consequência, aquele que vive a verdadeira fé deve amar a Deus e aos filhos de Deus. Quem pertence à família de Deus é obrigado a amar a todos aqueles que são membros da mesma família de Deus. Segunda consequência, quem vive a verdadeira fé em Deus deve observar ou cumprir os mandamentos de Deus. Quem ama a Deus tem fé n´Ele. E quem tem fé em Deus, faz tudo aquilo que Deus mandar fazer. O cumprimento dos mandamentos de Deus é a garantia da veracidade do amor que o cristão tem para Deus (1Jo 5,1-3).


Somos Filhos De Deus, Filhas E Filhos Amados Do Nosso Pai Celeste


O texto do evangelho lido neste dia fala da missão de João Batista e do Batismo de Jesus.    


No horizonte teológico da comunidade de Mc, a missão principal de João Batista é preparar a vinda daquele que é “mais forte” que ele. A imagem do “mais forte” evoca as antigas esperanças messiânicas do herói divino que de maneira eficaz e corajosa intervém na história para libertar os oprimidos (cf. Is 9,5;49,24s). Na tradição cristã primitiva, Jesus será apresentado como o “mais forte”, que vence o adversário e liberta os oprimidos (cf. Mc 3,27; Lc 11,22; At 10,38). Esse “mais forte” é quem vai realizar todas as promessas do AT.


Perante esse “mais forte”, João Batista reconhece a sua indignidade total. Até para desamarrar as correias das sandálias, que era uma tarefa exclusivamente dos escravos e que era tido como gesto de extrema humilhação, sente-se indigno.  Só tem que desaparecer para dar lugar a quem “mais forte” que ele: “É necessário que ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30).


Sentir-se indigno, pequeno e humilde é a atitude normal de quem se encontra perante uma divindade. Consciente ou inconscientemente, em cada comunhão, perante Jesus Cristo presente na hóstia consagrada, também nos sentimos indignos de recebê-lo ao rezarmos: “Senhor eu não sou digno de que entreis em minha morada. Mas dizei uma só palavra, serei salvo!” Mas Jesus quer entrar na nossa vida para que voltemos a ser dignos de ser filhos de Deus (salvos). Mas depois disto temos uma missão de preparar os outros para a vinda de Jesus na vida deles, como João Batista preparava o povo para a chegada do Messias prometido.


O segundo momento é o da chegada. Jesus está no meio de nós. O tempo de espera terminou. O anseio se consumou. O céu, fechado até agora, se abre para dar passo ao Espírito. E Deus, calado muito tempo, entra em diálogo com Jesus. Por isso, é o momento de contemplação, de assombro, de alegria contida. Céu e Terra deixam de estar incomunicados pela incompreensão, pela maldade e a hostilidade. Chegou um novo modo e distinto de gerar história. Com sua chegada, Jesus nos introduz em uma atmosfera limpa, pura, maculada e respirável. Com Jesus sempre ganhamos novo fôlego. Esta é sua força.


Neste segundo momento relata-se o batismo de Jesus. Com o batismo de Jesus, Deus mergulha totalmente na vida do ser humano para que o ser humano possa mergulhar na vida de Deus. Jesus se manifesta um de nós, igual a todos, menos no pecado, mas assumindo os pecados dos seres humanos (cf. Mt 8,17). Deus torna-se um de nós em Cristo para que nós nos tornemos divinos. Ele morreu não para pagar os próprios pecados, mas os nossos: “Nossos pecados ele os carregou em seu corpo no madeiro, a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça” (1Pd 2,24). Ao receber esse batismo, Jesus assume a ansiedade dos homens de receber a salvação e ao mesmo tempo assume o desejo do seu Pai de conduzir os homens à comunhão de irmãos.


A abertura dos céus, na hora do batismo de Jesus, que se rasgam significa a abertura de novas relações entre Deus e os homens, um início de um novo diálogo de Deus com os homens, um novo tempo de graça, de novos dons dados por Deus aos homens. Jesus é o lugar do novo, definitivo e pleno encontro de Deus com os homens, dos homens com Deus e, conseqüentemente, dos homens entre si. Neste sentido Jesus se torna para seus seguidores, ao mesmo tempo o ponto de encontro e o ponto de partida no sentido de viver aquilo que Jesus ensinou e viveu.


O batismo de Jesus é o momento de teofania (manifestação divina). A “voz vinda do céu” revela quem é Jesus, sua verdadeira identidade: “Tu és o meu Filho, o amado. Em ti me comprazo” (v.11; cf. Is 42,1). Esta voz é uma indicação a Jesus como ele é amado pelo Pai. Depois de um longo tempo de silêncio de Deus, de vazio do Espírito, os céus se rasgam e Deus atua novamente na história e fala com os homens de maneira definitiva a partir de Jesus. Doravante em Jesus, como o Filho de Deus, vai agir o poder salvífico de Deus.


Durante a nossa curta vida, a questão que guia muitos dos nossos comportamentos é a seguinte: “Quem somos nós?” Raramente nos fazemos esta pergunta de maneira formal; contudo, a vivemos muito concretamente nas decisões do nosso dia-a-dia.


As três respostas que nós geralmente vivemos, e que não damos necessariamente, são: ”Nós somos o que fazemos (sucesso); nós somos o que os outros dizem de nós (popularidade); e nós somos o que temos (poder)”. Uma das tragédias da nossa vida é, certamente, continuarmos a esquecer-nos de quem somos e a perder muito tempo e energias a demonstrar o que não precisa ser demonstrado. É importante compreender a fragilidade da vida que depende do sucesso, da popularidade e do poder. Essa fragilidade provém do fato de esses serem fatores externos sobre os quais temos apenas controle limitado.


Jesus veio nos anunciar que uma identidade baseada no sucesso, na popularidade e no poder é uma falsa identidade, uma ilusão! A nossa verdadeira identidade é que nós somos filhos de Deus, filhas e filhos amados do nosso Pai celeste. Toda vez que proclamamos a nós mesmos a certeza da nossa amabilidade, a nossa vida alarga-se e aprofunda-se. Jesus nos revelou que nós, seres humanos pecadores e fracos, somos convidados à mesma comunhão, à filiação divina que ele viveu, que somos os filhos e filhas prediletos de Deus, precisamente como ele é o seu Filho amado, que somos enviados a este mundo a proclamar a amabilidade de toda a gente, como ele o foi e que finalmente poderemos escapar aos poderes destrutivos da morte, como ele conseguiu.
P. Vitus Gustama,svd

05/01/2018
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FAZER EXPERIÊNCIA PESSOAL COM JESUS NO AMOR FRATERNO LEVA O CRISTÃO A VIVER A ETERNIDADE DESDE JÁ


05 de Janeiro


Primeira Leitura: 1Jo 3,11-21
11 Caríssimos: Esta é a mensagem que ouvistes desde o início: que nos amemos uns aos outros, 12 não como Caim, que, sendo do Maligno, matou o seu irmão. E por que o matou? Porque as suas obras eram más, ao passo que as do seu irmão eram justas. 13 Não vos admireis, irmãos, se o mundo vos odeia. 14 Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte. 15 Todo aquele que odeia o seu irmão é um homicida. E vós sabeis que nenhum homicida conserva a vida eterna dentro de si. 16 Nisto conhecemos o amor: Jesus deu a sua vida por nós. Portanto, também nós devemos dar a vida pelos irmãos. 17 Se alguém possui riquezas neste mundo e vê o seu irmão passar necessidade, mas, diante dele fecha o seu coração, como pode o amor de Deus permanecer nele? 18 Filhinhos, não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade! 19 Aí está o critério para saber que somos da verdade e para sossegar diante dele o nosso coração, 20 pois se o nosso coração nos acusa, Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas. 21 Caríssimos, se o nosso coração não nos acusa, temos confiança diante de Deus.


Evangelho: Jo 1,43-51
Naquele tempo, 43Jesus decidiu partir para a Galileia. Encontrou Filipe e disse: “Segue-me”. 44Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro. 45Filipe encontrou-se com Natanael e lhe disse: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José”. 46Natanael disse: “De Nazaré pode sair coisa boa?” Filipe respondeu: “Vem ver!” 47Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. 48Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. 49Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. 50Jesus disse: “Tu crês porque te disse: Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás!” 51E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. (Jo 1,43-51)
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Amar Ao Próximo Nos Leva à Verdadeira Vida


Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte” (1Jo 3,14).


Depois de insistir ontem em que nossa condição de filhos de Deus deve nos fazer fugir do pecado (1Jo 3,7-10), hoje a Carta de João se concentra na atitude de amor fraterno, e pelo mesmo motivo: porque somos todos nascidos de Deus e, portanto, irmãos um do outro. Consequentemente deve haver o amor mútuo entre os nascidos de Deus pelo Batismo.


A iniciativa do amor foi Deus. Experimentamos seu amor pela humanidade, enviando-nos seu Filho (Jo 3,16), e entregando o Filho à morte na cruz para nos salvar.


Agora cabe a nós orientar nossa vida em uma resposta de amor: “Nisto conhecemos o amor: Jesus deu a sua vida por nós. Portanto, também nós devemos dar a vida pelos irmãos” (1Jo 3,16). João insiste na vivência do amor mútuo, pois o amor cristão nos leva à verdadeira Vida. Por isso, aquele que ama, vive. Aquele que não ama permanece na morte: “Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte” (1Jo 3,14).


De acordo com o Evangelho de Mateus (Mt 25,31-46), o julgamento final para o cristão terá como critério o amor fraterno, especialmente para os necessitados. Aqui João coloca a mesma pergunta: “Se alguém possui riquezas neste mundo e vê o seu irmão passar necessidade, mas, diante dele fecha o seu coração, como pode o amor de Deus permanecer nele? Filhinhos, não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade!” (1Jo 3,17-18).


O argumento de João se torna ainda mais dramático ao escrever: “Esta é a mensagem que ouvistes desde o início: que nos amemos uns aos outros, não como Caim, que, sendo do Maligno, matou o seu irmão” (1Jo 3,11-12). A característica fundamental e mais surpreendente do mal é sua oposição ao bem. O mal não é concebido sem o bem, enquanto o bem, para ser bom, não precisa do mal.


O amor mútuo é o critério dos cristãos, é o mandamento que eles conhecem desde o início de sua conversão (1Jo 3,11). Em oposição ao amor é o ódio. Esta oposição indica o ritmo da vida do mundo a partir das origens do homem: Abel era o justo e Caim, o ímpio, e o segundo odiava o primeiro (1Jo 3,12). Cristo foi mais tarde o justo odiado pelo mundo até a morte. Nada estranho, então, o mesmo acontece com os cristãos. Na medida em que são sinais de amor, são alvo do ódio do mundo (1Jo 3,13). O ódio pode acabar certamente com a morte do cristão: a morte da morte física (v1Jo 3,15) e não a morte eterna, pois “Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte” (1Jo 3,14).


Seguir a Jesus É Ser Seu Discípulo


A passagem do evangelho lido neste dia descreve a vocação de Felipe e Natanael, modelo de discipulado e de seguimento (veja também a analogia dessa vocação nos evangelhos sinóticos: Mc 2,14; Mt 8,22; 9,9; 19,21; Lc 9,59).


No desenvolvimento da narração acontece um intercâmbio de olhares e de encontros. Jesus chama Filipe para segui-Lo. “Segue-me”, disse Jesus a Filipe. Logo depois, Filipe convida Natanael a encontrar-se com Jesus. “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José”. Ao ouvir a palavra “Nazaré” da boca de Filipe, Natanael pergunta: “De Nazaré pode sair coisa boa?”. Filipe não quer nem pretende resolver a dúvida inicial de Natanael, mas prefere convidá-lo para uma experiência pessoal com o próprio Jesus: “Vem e vê!”. Filipe viveu a experiência pessoal com Jesus anteriormente e mudou totalmente sua vida. Para esta mesma experiência é que Filipe convida Natanael a fazer.


Filipe convida Natanael a não ficar parado nem paralisado onde se encontra: “Vem e vê!”.  É preciso sair do próprio ângulo de sempre para ver a vida de outros ângulos e para perceber como é rica a vida que temos e como é vasta sua dimensão! “Vir” é uma ação, é uma caminhada, é um sair do próprio esconderijo e do próprio comodismo. É preciso desamarrar os pés de tantos apegos para começar a fazer um êxodo rumo à “terra prometida” por Deus. Quem caminha, vê muita coisa e vê muito mais longe. “Vem e vê” é o convite para caminhar e contemplar tudo no caminho. Diante da vitória eu preciso continuar minha luta, pois para mim é dirigido o convite: “Vem e vê!”. Diante da queda, eu preciso me levantar, pois diante de mim há um convite: “Vem e vê!”. Diante do fracasso, eu preciso reaprender, pois na minha frente está escrito: “Vem e vê!”. Diante do presente, eu preciso vibrar, pois trata-se de uma dádiva e continua soando o convite para mim: “Vem e vê!”. “Vem e vê!” é um convite para a novidade capaz de renovar toda nossa vida como aconteceu com Filipe. Quem fica no quarto, somente vê as quatro paredes. “Vem e vê!” é o convite dirigido a cada um de nós se quiser crescer na vida e ampliar sua visão sobre a vida e seus acontecimentos. O isolamento é a autodestruição. “Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias tristes em casa me esconder” (Martin Luther King). O céu (Deus) é uma comunhão plena. Ao superar o isolamento vou tendo, aos poucos, o rosto mais parecido com Deus, pois Deus é comunhão plena. “Vem e vê” é o convite de fé, pois trata-se de uma chamada para o encontro pessoal com Jesus. Somente a fé ajuda a superar os motivos de escândalo (“De Nazaré pode sair coisa boa?”) e de auto-suficiência humana.


“Vem e vê” é o convite de Filipe a Natanael. Trata-se realmente de um chamamento à conversão. Jo 1 é dominado pela idéia de “ver” (cf. Jo 1,39). A palavra “ver” não designa, para o evangelista João, tão somente um olhar simplesmente material sobre a humanidade de Jesus Cristo e sim uma contemplação de Sua glória e de Sua divindade. É como João Batista que viu o Espírito Santo descer sobre Jesus Cristo (Jo 1,33-34).


Logo no início da experiência pessoal com Jesus, Natanael ouviu as seguintes palavras da boca de Jesus: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade. (...) Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”.  Jesus chama, precisamente, Natanael para realizar essa “conversão” da vista (“ver”). Jesus convida Natanael a passar de um olhar sobre a humanidade de Jesus para a contemplação de Sua glória. A “conversão” de Natanael se realiza gradualmente. Na primeira etapa viu Jesus como filho de José (Jo 1,45). Na segundo etapa, este “ver” leva Natanael para a messianidade de Jesus: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel” (Jo 1,49). E na terceira etapa, Natanael reconhecerá, de uma vez, a divindade de Jesus: “Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” e sua humilhação (Filho do Homem: Jo 1,51. cf. Jo 3,14; 8,28; 12,22-34; 13,31). Em outras palavras, a conversão de Natanael é progressiva: da humanidade de Cristo para sua messianidade; da messianidade para o mistério pascal da humilhação e da exaltação.


Jesus suscita em Natanael a vontade de acolher o mistério do Filho do Homem: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”.  Jesus revela ao futuro discípulo seu conhecimento pessoal porque em Natanael não há falsidade (fraude): Natanael é o verdadeiro israelita piedoso e reto, apaixonado pela Escritura e que sabe confessar sua própria pobreza diante de Deus. Natanael questiona, mas tem humildade de aceitar a novidade.


O homem, tocado no íntimo de seu ser pelo louvor do Mestre e pelo profundo conhecimento que o Senhor tem do homem (representado por Natanael), se rende à evidencia e reconhece em Jesus o Messias e confessa: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”.  Natanael, como os outros discípulos que o precederam no encontro pessoal com Jesus Cristo, se encontra no nível da fé autentica e aberto para as revelações posteriores que Jesus fará imediatamente: “Tu crês porque te disse: Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás! Em verdade, em verdade, eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. A fé sempre nos leva a “vermos” coisas maiores do que as que vemos sem fé. “A fé é um grau de conhecimento. O conhecimento é o auge da fé” (Santo Agostinho: Epist. 136,4).


Jesus convida o homem a buscá-Lo porque somente Ele se deixa encontrar pelos que o buscam com aconteceu com Natanael. Uma serie de experiências dos discípulos (cf. Jo 1,35-51) permite o homem penetrar no mistério de Jesus. Quem fizer o encontro profundo com Jesus pessoalmente, sairá mais alegre, entusiasmado e será testemunha de Jesus para os demais. E no testemunho de fé dos discípulos o céu também participa: “Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.
P. Vitus Gustama,svd

04/01/2018
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COM JESUS NA BUSCA DO ESSENCIAL
O4 de Janeiro


Primeira Leitura: 1Jo 3,7-10
7 Filhinhos, que ninguém vos desencaminhe. O que pratica a justiça é justo, assim como ele é justo. 8 Aquele que comete o pecado é do diabo, porque o diabo é pecador desde o princípio. Para isto é que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do diabo. 9 Todo aquele que nasceu de Deus não comete pecado, porque a semente de Deus fica nele; ele não pode pecar, pois nasceu de Deus. 10 Nisto se revela quem é filho de Deus e quem é filho do diabo: todo o que não pratica a justiça não é de Deus, nem aquele que não ama seu irmão.

Evangelho: Jo 1,35-42
Naquele tempo, 35 João estava de novo com dois de seus discípulos 36 e, vendo Jesus passar, disse: “Eis o Cordeiro de Deus!” 37 Ouvindo essas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus. 38 Voltando-se para eles e vendo que o estavam seguindo, Jesus perguntou: “Que estais procurando?” Eles disseram: “Rabi (que quer dizer: Mestre), onde moras?” 39 Jesus respondeu: “Vinde ver”. Foram pois ver onde ele morava e, nesse dia, permaneceram com ele. Era por volta das quatro da tarde. 40 André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram as palavras de João e seguiram Jesus. 41 Ele foi logo encontrar seu irmão Simão e lhe disse: “Encontramos o Messias (que quer dizer: Cristo)”. 42 Então André conduziu Simão a Jesus. Jesus olhou bem para ele e disse: “Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas” (que quer dizer: Pedra).
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1. “Aquele Que Nasceu De Deus Não Comete Pecado”


Ontem ficamos felizes com a grande afirmação de que somos filhos de Deus. Hoje a Carta de João insiste nas consequências dessa filiação: aquele que está consciente de ser filho de Deus não deve pecar. Agora o autor da Carta contrapõe os filhos de Deus aos filhos de diabo. “Filhos de Deus” ... “Filhos de diabo”. Essa expressão nos estremece.


Aquele que comete o pecado é do diabo, porque o diabo é pecador desde o princípio”, escreveu o autor da Carta.  Os filhos de Deus e os filhos do diabo se opõem. O diabo divide e desune. O filho de Deus une e cria uma comunhão fraterna no amor mútuo. Este é o critério de sua identificação: ou filho de Deus ou faz parte do diabo.


"Aquele que comete pecado é do diabo", porque o pecado é a marca do maligno, desde o início. Enquanto que “a semente de Deus fica no filho de Deus; ele não pode pecar, pois nasceu de Deus”.


O pecado é totalmente incompatível com a fé e a comunhão com Jesus. Como o pecado pode reinar em nós se nascemos de Deus e a sua semente permanece em nós? Os nascidos de Deus hão de viver e praticar a justiça como Deus é justo, e como Jesus é o Justo. Enquanto que “todo o que não pratica a justiça não é de Deus, nem aquele que não ama seu irmão”.


Assim como se pode viver "em comunhão com Deus", também pode-se "viver com o diabo". Podemos unir-nos a Deus e podemos encadear-nos ao mal.


Mas não esqueçamos que isso não determina em primeiro lugar duas categorias de homens. De fato, a fronteira que separa os filhos de Deus dos filhos do diabo, passa por nossos próprios corações. Na vida cotidiana sabemos pela experiência que para alguns aspectos da minha vida, eu sou "de Deus".  Para os outros, eu sou "do diabo". A conversão permanente faz parte de ser filho de Deus.


2. Amor: Ensinamento Central de Jesus


A primeira leitura tirada da Primeira Carta de João repete o que João escreveu previamente, intentando dizer novamente que o central nos ensinamentos de Jesus Cristo é amor. É um amor revelado em ações e não simplesmente em palavras ou profissões de fé. Nossas ações e obras revelam se realmente somos filhos de Deus e santos ou se somos gerados pelo diabo (aquele que desune) e pelos pecadores. Não temos que nos deixar enganar pelas palavras ou por qualquer coisa que não atue de acordo com o amor de Deus: “Todo aquele que nasceu de Deus não comete pecado, porque a semente de Deus fica nele; ele não pode pecar, pois nasceu de Deus. Nisto se revela quem é filho de Deus e quem é filho do diabo: todo o que não pratica a justiça não é de Deus, nem aquele que não ama seu irmão”.


Para João a linha divisória entre os que são de Deus e não o são é o amor fraterno, pois o amor vem ou nasce de Deus. O amor fraterno nos revela nossa pertence a Deus.


A partir de tudo isso ficamos nos perguntando: Será que realmente amamos nossos irmão e irmãs para mostrar que Deus em quem acreditamos é amor (cf. 1Jo 4,8.16)? Que tipo de Deus que revelamos para os outros através de nossas ações? 


3. João Batista: Apresentar o Cordeiro Que Tira o Pecado e Aceitar Desaparecer da cena


O texto do Evangelho deste dia é a continuação do texto do evangelho do dia anterior.


No evangelho deste dia João Batista é apresentado como uma figura estática. Está no mesmo lugar do dia anterior: “... estava lá de novo”. Isto significa que ele permanece no seu posto enquanto dura sua missão, o que indica a fidelidade, compromisso e responsabilidade até o fim. Só se retira quando começa a missão de Jesus no momento em que ele dirá: “É necessário que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30).


A palavra “compromisso” é cada vez mais cara hoje em dia. O prazer, o hedonismo, o interesse individual e a liberdade sem freio fazem com que muitas pessoas vivem apenas na superficialidade. Elas se esquecem que a liberdade humana é sempre um cultivo e um crescimento interior. A liberdade implica o desenvolvimento pleno do fazer e do ser.


A verdadeira liberdade supõe a existência da responsabilidade. Responsabilizar-se é elevar a própria existência para uma dimensão superior. Ter responsabilidade significa ser coerente com os próprios atos, com os valores reconhecidos universalmente e, por extensão, ser solidários com outras pessoas, tendo em vista os mesmos valores.


Se João Batista se mostra como uma figura estática, Jesus é, pelo contrário, apresentado em movimento. Não se sabe de onde vem nem é dito para onde vai. Mas João Batista, que sabe da origem de Jesus, volta a olhá-lo e repete seu testemunho: “Eis o Cordeiro de Deus”.


João Batista “fixa o olhar em Jesus” e diz: “Eis o Cordeiro de Deus”. Saber olhar faz parte da fé. O olhar do coração ou o olhar da fé ultrapassa a realidade sensível em que penetra. O olhar superficial, ao contrário, jamais enxerga alguém, pois ele somente quer se olhar e quer ser olhado. Quem se olha somente para si, jamais percebe a presença do outro nem a de Deus. O olhar superficial reflete, na verdade, a nossa pobreza espiritual. João Batista que vê Jesus que vem não guarda para si como propriedade privada o que viu. Ele quer que os outros vejam o que ele vê. Ele indica aos outros o Messias e aceita desaparecer, pois João Batista é apenas uma “voz” que prepara o caminho do Messias (Jo 1,23). “Essa é a minha alegria e ela é completa. É necessário que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,29-30), afirma João Batista com toda a humildade e com a plena consciência.


Toda vez que participamos da Eucaristia ouvimos ou contemplamos a frase de João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Quem comunga o Cordeiro de Deus deve estar consciente da missão de se identificar com o Cordeiro que se doa por amor para salvar os irmãos. Quando a missa era celebrada em latim ouvia-se esta frase, certamente, no fim da mesma: “Ite, missa est!”, “Ide, sois enviados!”. Enfatiza-se, assim, o compromisso de cada participante como enviado de Deus ao sair da igreja ou templo depois que comungou o Cordeiro de Deus. Em cada Eucaristia da qual participamos ouvindo a Palavra do Senhor, nós sempre recebemos alguma missão a ser cumprida. A pergunta é a seguinte: “O que é que a Palavra de Deus, proclamada em cada Eucaristia da qual eu participo, quer que eu cumpra?”. Cada Palavra de Deus proclamada sempre tem uma palavra para mim para que eu leve adiante.


4. Buscar o Essencial Com Jesus


O testemunho de João Batista provoca uma inversão no rumo da vida dos seus dois discípulos. Eles começam a seguir Jesus. “Seguir” Jesus é uma maneira bíblica de dizer “tornar-se discípulo”; e Jesus será chamado de Rabi, Mestre.


Ao perceber que os dois estão O seguindo, Jesus os interroga: “O que estais buscando?”. “O que esperais de mim?”. São as primeiras palavras de Jesus no quarto Evangelho. É uma pergunta ao mesmo tempo existencial e essencial. Esta pergunta é dirigida a pessoas que estão em busca, que andam inquietas, que se interrogam sobre o essencial nesta vida tanto para os religiosos como para os leigos, tanto para os jovens como para os adultos. Afinal, o que você está procurando nesta vida? Que sentido tem sua vida? Para onde a vida vai levá-lo? O homem, enquanto estiver vivo, permanecerá um perguntador. Ninguém pode dar sentido à própria vida a não ser interrogando-se sobre o seu estar no mundo e ser interrogado pelos outros sobre o modo de viver, pois o homem não somente vive, mas convive. Nossa vida está cercada por outras vidas. Viver significa completar-se, desenvolver-se e crescer por meio de “algo outro”. Mas paradoxalmente na hora de buscar respostas para suas perguntas, o homem acaba encontrando novas perguntas. Nascer é vir ao mundo, ver o mundo; é manifestar-se e abrir-se. Cada porta aberta somos acompanhados por uma serie de perguntas e o desejo de ter respostas, embora, no fim, acabemos encontrando novas perguntas.


Diante da pergunta de Jesus “O que estais procurando”, em vez de responder, os dois discípulos lançaram uma pergunta: “Mestre, onde moras?”. Onde vives, Rabi? Qual é o segredo de Tua vida? De onde vens? O que é para Ti viver, Mestre?


“Vinde e o vereis” é a resposta de Jesus para a pergunta dos dois discípulos de João. Fazei vós mesmos a experiência da minha vida. Não busqueis outra informação. Vinde conviver comigo para saber quem sou e o que estou fazendo e querendo alcançar e vós descobrireis que comigo vossas vidas serão transformadas. O importante não é buscar algo e sim buscar Alguém que dá sentido para nossa vida e para nossas lutas de cada dia apesar de tudo.


 O que estais buscando?”. No fundo, todos nós estamos sempre em busca de algo mais e por isso sempre insatisfeitos. Consciente ou conscientemente somos todos garimpeiros à procura do diamante da felicidade, andarilhos à procura da pérola preciosa, pela qual estamos dispostos a “vender”, com alegria, tudo o que possuímos (cf. Mt 13,44.46). Jesus conhece nossos desejos mais profundos e sabe muito melhor das nossas necessidades fundamentais mais do que nós mesmos sabemos. Quando nos interpela com a pergunta essencial, “o que estais procurando?”, é para obrigar-nos a expressá-lo. Jesus quer que seus seguidores explicitem, diante dele, os motivos da sua busca e do seu seguimento. Esta explicitação é necessária porque as motivações nossas podem ser equivocadas, precipitadas, imaturas ou ilusórias.


A busca pela vida mais significativa e satisfatória é um dos temas mais antigos do homem e de qualquer religião. Ela continua válida para qualquer tempo e tempo e para qualquer pessoa que vive profundamente seu ser. No fundo percebemos que nossa vida não está sedenta de fama, de conforto, de propriedades ou de poder. Estes supostos valores criarão muitos problemas assim que os alcançarmos. Nossa vida tem fome do significado da vida: o que é vida ou a vida? Por que e para que estamos vivos. Que sentido tem minha vida? O que é essencialmente estou procurando nesta vida? Para onde a vida vai me levar, enfim? O que nos frustra e rouba a alegria de viver é a ausência do significado de nossa vida ou de nossa presença neste mundo. Percebemos, pela experiência, que não passamos a ser felizes perseguindo ou caçando a felicidade. Nós nos tornamos felizes vivendo e partilhando uma vida que signifique alguma coisa. As pessoas mais felizes geralmente são pessoas que se esforçam para ser generosas, prestativas, prontas para ajudar os outros na sua necessidade. A melhor maneira de ser feliz e de conservar a felicidade é partilhá-la. Quem ama, partilha. Creio que os homens que vivem para os outros, chegarão um dia a reconstruir o que os egoístas destruíram (Martin Luther King). 


Se neste momento Jesus lhe perguntar: “O que estais procurando nesta vida e por quê?”, qual será sua resposta?
P. Vitus Gustama,svd

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

03/01/2018
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JESUS VEM ME LIBERTAR DO MEU PECADO E ME TRANSFORMAR EM FILHO DE DEUS E SER TESTEMUNHA DO QUE SOU
03 de Janeiro


Primeira Leitura: 1Jo 2,29-3,6
Caríssimos: 29 Já que sabeis que ele é justo, sabei também que todo aquele que pratica a justiça nasceu dele. 3,1 Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. 2 Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. 3 Todo o que espera nele, purifica-se a si mesmo, como também ele é puro. 4 Todo o que comete pecado comete também a iniquidade, porque o pecado é a iniquidade. 5Vós sabeis que ele se manifestou para tirar os pecados e que nele não há pecado. 6Todo aquele que peca mostra que não o viu, nem o conheceu.


Evangelho: Jo 1,29-34
29No dia seguinte, João viu Jesus aproximar-se dele e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 30Dele é que eu disse: Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim. 31Também eu não o conhecia, mas se eu vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel”. 32E João deu testemunho, dizendo: “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele. 33Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo’. 34Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!”.
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Somos Filhos e Filhas Do Deus Santo e Amoroso


Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos!”


Todos os batizados são chamados de "filhos de Deus". Mas este não é um título sem conteúdo real. É um fato da parte de Deus, que nos dá nova vida. É um dever para nós, o que nos obriga a vivermos de maneira diferente. Nascido de Deus (Jo 1,12s; 3,5) pela obra do Espírito (Jo 3,6), somos “estranhos” neste mundo.


O mundo com o qual João está falando são os homens que se opõem a Deus com sua incredulidade, com seu ateísmo prático (1Jo 2, 15-17). Aquele que não ama a Deus e O reconhece como tal não pode amar e reconhecer os filhos de Deus. E vice-versa.


A realidade dos filhos de Deus é uma realidade escondida diante de nossos olhos e não apenas nos olhos do mundo; pois ainda não temos plena consciência do que somos e as dificuldades da vida presente escondem a grandeza e a dignidade insuspeita dos filhos de Deus. Algum dia veremos com claridade.


O pleno conhecimento de Deus coincidirá com o pleno conhecimento dos filhos de Deus. Quando esse dia chegar, o dia em que vemos Deus face a face, saberemos o que somos e seremos semelhantes a Deus, nosso Pai. Deus nos elevará até a altura de Seus olhos para que possamos nos ver e nos reconhecer neles. E se manifestará que Deus é amor e que aqueles que amam nasceram de Deus.


Da Primeira Leitura sabemos, então, que Deus é Santo; Deus é Amor; Deus é Verdade; Deus é Vida; Deus é Misericórdia. Podemos gastar nossas vidas expressando muitas coisas sobre o que Deus é, mas abemos que nós somos filhos e filhas de Deus. E o mais importante é não saber o que ou quem é Deus, mas como manifestamos em nosso próprio ser o que dizemos sobre Ele, porque ao tentar definir quem é Deus, estamos definindo nossa própria vida. Hoje, São João nos diz que Deus é santo; e, portanto, nós que somos filhos e filhas de Deus, devemos ser santos como Deus é santo. Esse é o trabalho que temos que levar adiante diariamente, através de nossa identificação com Jesus Cristo. Quem apenas diz que é filho de Deus com os seus lábios, mas a sua vida, as suas obras, as suas atitudes são do mal e do pecado, ele não pode realmente dizer que ele é um filho de Deus, porque nem sequer O conhece para poder viver de acordo com a revelação que de Deus nos fez seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.


Ser Cristão É Ser Testemunha Da Vida e Dos Ensinamentos de Cristo


O texto do evangelho deste dia fala do testemunho de João Batista sobre a pessoa de Jesus, O Verbo feito carne (Jo 1,19-36). Um dos temas preferidos do evangelista João é, certamente, testemunho. O evangelista usa o verbo “testemunhar” (martyrein) em 33 ocasiões e o substantivo “testemunho” (martyria) 15 vezes.


O testemunho de João Batista ilustra concretamente o que foi dito em Jo 1,6-8.15 de sua missão que era dar testemunho de Jesus para que todos pudessem crer nele. Dar testemunho é muito importante neste evangelho. O testemunho, neste evangelho, tem sempre por objeto a pessoa de Jesus, seu significado profundo para a vida dos homens. Em outras palavras, o testemunho aqui é sempre cristológico. É isto que João Batista faz a respeito de Jesus.


Testemunha é a pessoa que teve a experiência direta de algum fato e que narra o que viu ou ouviu, ou alguém que observou um acontecimento e pode informar a respeito dele para provar, para acusar, ou para inocentar (Lv 5,1; Nm 5,13; Dt 17,6s etc.). O testemunho, neste evangelho, supõe o ver, mas não o simples ver físico, mas o ver que sabe perceber a presença de Deus em Jesus. Para que uma pessoa possa perceber a presença de Deus em Jesus, na vida ou nos acontecimentos, ela deve limpar o coração do ódio, pois Deus é Amor (1Jo 4,8.16). “Quanto mais amas, mais alto tu sobes” (Santo Agostinho).


Antes de proferir o seu testemunho, João vê Jesus vir na sua direção. João Batista, no Quarto Evangelho, percebe a presença de Deus em Jesus Cristo como Aquele que tira o pecado do mundo. Quando Jesus aparece pela primeira vez no Quarto Evangelho, ele é mostrado no ato de “vir”. Com isso, se realiza o anúncio de Isaías: “O Senhor vem” (Is 40,10).


Jesus continua vindo em nossa direção, como aconteceu com João Batista. Somos convidados a olhar para ele com fé. É o olhar da fé que descobre a realidade sob as aparências, e confere seu verdadeiro sentido a todo o mundo visível no qual Jesus aparece. João Batista passou pela escola do deserto, onde se exercitou na humilde docilidade interior. A sua figura é, no início do Evangelho, o símbolo de todos os crentes que se põem em seguimento do Verbo encarnado. Ele realiza as condições da busca e da descoberta. Não se deixa enganar por nenhum poder, nem sequer o dos fariseus; procura a Deus só e, livre de todo o preconceito, reconhece-o tal como vem aos homens, na humildade da encarnação.


Jesus que continua vindo em nossa direção nos faz filhos de Deus como disse a Carta de São João: “Caríssimos, desde já somos filhos de Deus...”. (Cf. 1Jo 2,29 – 3,6). Somos filhos no Filho. O amor do Pai ao Filho é o mesmo amor com que nos ama. Quando fecho meus olhos e me digo: “Quem sou eu?”. Para esta pergunta pode ter mil maneiras de responder: com meu nome, o lugar, a data de nascimento, os pais e irmãos, o povo, os estudos, a profissão e assim por diante. No entanto ninguém me define tão profundamente nem tão realmente como minha relação com Aquele que é a origem, o término, o horizonte constantemente presente: Eu sou filho, filho de Deus, já agora! Precisamos deixar esta convicção aflorar em nossa consciência, pois nos traz gozo, alegria e força para viver firmemente sabendo que Deus nos ama, pois somos Seus filhos e filhas. Mas é também fonte de onde brota nosso comportamento e compromisso: o caminho dos “filhos de Deus” é o caminho do “Filho de Deus por excelência, Jesus”. Precisamos viver aquilo que Jesus viver e sentir aquilo que ele sentiu.


Diante de Jesus que está vindo em sua direção, João reage em profundidade: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Palavras que se repetem seis vezes na celebração eucarística (2x na Glória, 3x depois da saudação da paz e a sexta vez, imediatamente antes da comunhão). João fala do “pecado do mundo” (em singular) e não dos “pecados do mundo” (em plural. O que é este “pecado”?


O pecado fundamental para João é não aceitar o Filho de Deus entre nós com todas as conseqüências que isso comporta (cf. Jo 16,8-9). Aceitar Jesus e seus ensinamentos leva a pessoa a viver na fraternidade e no amor. Para João guardar os mandamentos do Senhor é uma clara expressão de que a pessoa ama a Jesus (cf. Jo 14,21).


Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Somente João está disposto a reconhecer Aquele que Deus envia, não obstante afirmar que não o conhecia (v.31.33). Não conhece de vista ou por contato, mas já conhece interiormente, pela ação do Espírito Santo que o envia e que ele não pára de interrogar.


João Batista vê Jesus que vem. Mas não guarda para si como seu segredo, como propriedade privada, o que viu. Ele quer que todos vejam o que ele vê: “Eis...”, João diz, o que implica um convite a olhar. João Batista não chama a atenção para um messias ausente e vindouro, mas para um messias que está no meio de nós e que não o conhecemos. A primeira condição de toda busca da fé é, certamente, o senso de observação das pessoas, das coisas e da vida em geral.


Eis o Cordeiro que tira o pecado do mundo”! Infelizmente, o pecado é uma realidade onipresente entre nós e dentro de cada um, ontem, hoje e sempre. Em qualquer lugar encontramos a exploração que gera a fome, a pobreza, a violência, marginalização. As pessoas são dominadas pela soberba, avareza, luxúria, inveja, ódio, rivalidade, vingança, rancor, falta de perdão e assim por diante. Apesar de tudo isso, ser cristão hoje é ser testemunha entre os homens que Jesus venceu o pecado em nossa vida, porque ele nos fez filhos de Deus e nós adotamos seus sentimentos e atitudes evangélicas na vida cotidiana, e queremos viver os valores evangélicos do amor, da fraternidade humana, da justiça e da solidariedade com os mais necessitados. Basta alguém aceitar Jesus o poder do mal não tem vez nenhuma, pois Jesus vem para tirar o pecado do mundo.


Apesar de sabermos que o pecado é a “mercadoria” global cuja produção nunca entra em crise e cuja demanda desconhece limites e que não temos balança em condição de calcular seu peso, nós acreditamos que pecado nenhum consegue esgotar a paciência de Deus em Jesus Cristo, nenhum pecado consegue cansar a misericórdia de Deus e bloquear seu perdão e pôr limites a seu amor infinito. Por isso, Jesus é nossa vitória, nossa libertação e nossa paz. Por ele e com ele somos capazes, e é nosso dever de vencer o pecado cada dia, dentro de nós mesmos, dentro de casa, em nossa vida e no ambiente que nos cerca através da construção do Reino de Deus e Sua justiça na nossa vida.
                 P. Vitus Gustama,svd