terça-feira, 11 de abril de 2017

Sábado Santo,15/04/2017
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ELE RESSUSCITOU! ALEGRAI-VO!


SÁBADO SANTO
ANO “A”


Leitura: Rm 6,3-11


Irmãos: 3Será que ignorais que todos nós, batizados em Jesus Cristo, é na sua morte que fomos batizados? 4Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós levemos uma vida nova. 5Pois, se fomos de certo modo identificados a Jesus Cristo por uma morte semelhante à sua, seremos semelhantes a ele também pela ressurreição. 6Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo, para que seja destruído o corpo de pecado, de maneira a não mais servirmos ao pecado. 7Com efeito, aquele que morreu está livre do pecado. 8Se, pois, morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele. 9Sabemos que Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele. 10Pois aquele que morreu, morreu para o pecado uma vez por todas; mas aquele que vive, é para Deus que vive. 11Assim, vós também considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Jesus Cristo.


Evangelho: Mt 28,1-10


1Depois do sábado, ao amanhecer do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. 2De repente, houve um grande tremor de terra: o anjo do Senhor desceu do céu e, aproximando-se, retirou a pedra e sentou-se nela. 3Sua aparência era como um relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve. 4Os guardas ficaram com tanto medo do anjo, que tremeram, e ficaram como mortos. 5Então o anjo disse às mulheres: “Não tenhais medo! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. 6Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito! Vinde ver o lugar em que ele estava. 7Ide depressa contar aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos, e que vai à vossa frente para a Galileia. Lá vós o vereis. É o que tenho a dizer-vos”. 8As mulheres partiram depressa do sepulcro. Estavam com medo, mas correram com grande alegria, para dar a notícia aos discípulos. 9De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse: “Alegrai-vos!” As mulheres aproximaram-se, e prostraram-se diante de Jesus, abraçando seus pés. 10Então Jesus disse a elas: “Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão”.
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O texto do Evangelho lido nesta noite é o breve capitulo sobre a ressurreição, mas dá sentido para todo o Evangelho. Cada evangelista escreve ou relata o capítulo sobre a ressurreição com liberdade de forma. Mas os quatro evangelistas seguem um mesmo esquema didático em três fases:
  • O sinal do sepulcro vazio.
  • A aparição de Jesus a alguns membros da comunidade.
  • O encontro definitivo com o colégio apostólico.
     
    Tudo converge para um pensamento principal: que foi o mesmo Ressuscitado quem comunica aos Apóstolos a missão de proclamar o Evangelho a todo o mundo.
     
    Entender Um Pouco Sobre o Contexto Do texto
     
    Quando Mateus escreveu seu Evangelho, os cristãos já viviam uma ruptura com o judaísmo oficial. De fato, os cristãos não viveram mais em Jerusalém e sim na Galileia. Com o Templo de Jerusalém não há mais possibilidade de entendimento. Mateus expressa esta ruptura através do relato sobre a morte de Jesus. No dia em que Jesus morreu, o véu do Templo se rasgou de cima para baixo, simbolizando a ruptura definitiva com o judaísmo oficial.
     
    Para os cristãos de Mateus o Templo é lugar de terrores e de medos. Mas “Vós, não tenhais medo!”. Os cristãos, simbolizados nas mulheres, são o âmbito em que se vive a alegria da vida. Um anjo lhes impede o acesso ao túmulo: este não é um lugar cristão. Não se pode procurar nem causar a morte e sim a vida. No Paraíso o anjo cerrava o passo para a utopia, expulsando Adão e Eva do Paraíso, fruto de sua desobediência. Aqui um anjo abre o passo para a utopia e convida os cristãos, que são chamados de irmãos pelo Ressuscitado, a irem simplesmente para a Galileia porque a utopia é uma realidade na Galileia, onde unicamente e não em Jerusalém, pode perceber que Jesus vive e vive com eles (cf. Mt 28,20): “Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão” (Mt 28,10).
     
    A finalidade de Mateus não é, pois, narrar o que passou e sim dar razão do fato cristão cuja base é a fé inquebrantável no fato de que Jesus vive. Por isso, na Sexta-Feira Santa, em que Jesus foi morto, aparentemente era a vitória do Templo sobre Jesus. Mas Mateus insinua que se trata de uma vitória aparente, pois Jesus ressuscitou. Jesus vence a morte. Mateus simbolicamente relata esta vitória com o gesto do anjo de sentar-se sobre a pedra do túmulo de Jesus: “O anjo do Senhor desceu do céu e, aproximando-se, retirou a pedra e sentou-se nela”.
     
    Alguns Detalhes e Sua Mensagem
     
    1. “Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito, e vai à vossa frente para a Galileia”.
     
    Passou o dia de repouso dos judeus, o dia em que Jesus repousou, morto no sepulcro. As duas mulheres que antes ficavam diante do sepulcro, agora voltam a ir para o mesmo lugar para ver onde repousa aquele a quem haviam seguido.
     
    Mas repentinamente tudo muda. Deus intervém: o terremoto, o anjo do Senhor resplandecente extraordinariamente, a pedra do túmulo retirada, os guardas ficam como mortos. Deus intervêm. Ninguém vê sua ação, mas o anjo do Senhor, aquele que fala em nome de Deus, explica às mulheres o que estava acontecendo. Não é no túmulo onde encontraram Jesus, o crucificado. A morte na cruz não foi a última palavra sobre Jesus, sobre sua vida e sobre sua mensagem. Ele ressuscitou! Algo novo começou. Jesus não está entre os mortos. Jesus continua sendo o Caminho a seguir: Ele “vai à vossa frente para a Galileia” (Cf. Jo 14,6).
     
    Temor e alegria se misturam no coração das mulheres, como sucede sempre quando Deus se manifesta. Elas fazem caso do mensageiro do Senhor, mas a Boa Nova é para comunicá-la aos outros. Elas não podem ficar presas no sentimento de alegria e de temor. Elas devem ser novas mensageiras do Senhor: “Ide depressa contar aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos, e que vai à vossa frente para a Galileia. Lá vós o vereis”. Tudo o que é bom e digno de viver não pode ser guardado para si, pois muitos precisam viver de tudo isto para viver na alegria e com sentido: “Ide de pressa!”. A graça de Deus não admite demora! Não é por acaso que Jesus Ressuscitado repete a mensagem do anjo: “Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão”. O anjo fala de “discípulos”. Jesus Ressuscitado fala de “meus irmãos”. O Senhor, o Ressuscitado é Irmão! Ele é um Irmão que convida cada cristão a fazer Seu mesmo caminho, o caminho que conduz da morte para a vida que jamais pode morrer, pois Jesus é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6).
     
    Não tenhamos medo de viver e de levar aos outros o que é digno, justo, honesto, correto, amoroso, bondoso e assim por diante. A bondade que devemos fazer hoje deve ser feita hoje mesmo, pois amanhã pode ser tarde demais. O perdão que devemos oferecer e receber deve ser feito hoje mesmo, pois não somos controladores do tempo que sempre foge de nós. Tudo ou nada é determinado somente no hoje. Temos que ter pressa para fazer o bem. Temos que ser exagerados no bem que devemos fazer. O bem praticado deve ser prioritário para qualquer cristão em qualquer lugar e tempo e para qualquer pessoa. O resto vale a pena a ser abandonado!Os ideais que iluminaram o meu caminho são a bondade, a beleza e a verdade” (Albert Einstein).
     
    2. Ele Ressuscitou! Ele Não Está Aqui!
     
    É o anúncio do anjo do Senhor para as duas mulheres que foram ao sepulcro de Jesus. É a Boa Notícia que nós escutamos também cada ano na Noite Santa da Páscoa. Cristo passou da morte para uma nova existência, definitiva e vive para sempre.
     
    Este é o motivo pelo qual nesta noite nos reunimos aqui e nos gozamos pela presença do Senhor Ressuscitado em meio de nós, ainda que não O vejamos com nossos olhos físicos, mas os olhos da fé sentem Sua presença. Se os judeus se alegram, ao celebrar a Páscoa, de sua libertação da escravidão e de sua passagem para a nova vida na terra prometida, nós, cristãos, nunca nos cansamos de celebrar que no meio da escuridão da noite, Cristo foi libertado da morte e cheio do Espirito de Deus, o Espirito da vida que nos vivifica para seguir o caminho do Senhor em que “passou a vida fazendo o bem” para todos (cf. At 10,38).
     
    3. A Páscoa de Jesus Deve Ser Nossa Páscoa: Alegrai-vos!
     
    “De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse: ´Alegrai-vos! ´ As mulheres aproximaram-se, e prostraram-se diante de Jesus, abraçando seus pés”.
     
    “Alegremo-nos!” É o convite do Senhor nesta noite para cada um de nós. É o convite daquele que venceu a morte. As tristezas de cada dia podem acontecer, as tribulações podem nos cercar, mas nada nem ninguém possa nos tirar do caminho da Vida e do amor de Cristo por nós (cf. Rm 8,35-39). Nossa alegria nasce da serena certeza de que somos queridos do Senhor infinitamente, amados em todas as nossas limitações e fraquezas. É a alegria de saber que nossa vida tem sentido e tem futuro. Que a Palavra do Senhor que meditamos, vivemos e pregamos é a Palavra de vida eterna. Por isso, a falta de alegria profunda, no fundo, é sinal da falta de fé, sinal da falta de profundidade na vida de fé. Um cristão triste é, verdadeiramente, um triste cristão.
     
    Tenhamos confiança, o Senhor sempre está conosco. O Senhor quer que através de cada um de nós surja uma nova humanidade onde haja menos dor, menos pobreza, menos tristeza, menos angústia, menos exploração dos menos favorecidos, menos injustiças sociais, menos vícios que minem a saúde das pessoas e a paz familiar. O Senhor continua nos enviando para que possamos gerar uma autêntica alegria cristã.
     
    A alegria cristã é independente de qualquer coisa no mundo porque tem sua fonte na contínua presença de Cristo (cf. Mt 28,20). O cristão pode perder todas as coisas e todas as pessoas, mas ele jamais perderá Cristo Jesus. Embora se encontre numa circunstância em que a alegria se tornaria impossível, a alegria cristã permanece. Para São Paulo, nenhum obstáculo ou dificuldade é capaz de impedir a verdadeira alegria, pois ela é um dos frutos do Espírito Santo (cf. Gl 5,22). Trata-se da origem superior, e por isso, está acima de tudo que é passageiro. Tudo pode passar, inclusive o sofrimento, mas a alegria permanece, pois é o fruto da aceitação de Deus na vida do homem, fruto do Espírito Santo. O mistério de alegria nasce de Deus, é um dom, não se compra em nossos mercados nem se encontra em nossas salas de festa. A alegria brota de dentro e tem sua origem no Espírito Deus. Dois amores, quando estiverem juntos, são sempre felizes, onde quer que eles estejam. Seria blasfêmia apresentar Deus como inimigo da vida e da alegria. O homem foi criado para expandir-se na alegria e é, por isso, chamado por Deus para expandir a alegria.  Não é por acaso que para o evangelista Lucas a alegria é um mandamento: “Alegrai-vos porque vossos nomes estão inscritos nos céus” (Lc 10,20). O verdadeiro cristão jamais perderá sua alegria porque jamais perderá Jesus Cristo.
     
    “Alegrai-vos!”. Este é o motivo pelo qual celebramos a Páscoa do Senhor e também nossa Páscoa. Isto é que dá sentido para nossa vida. Por isso, cremos e temos esperança e intentamos viver como cristãos: nós não seguimos uma doutrina ou um livro nem estamos celebrando o aniversário de um fato passado. Celebramos, sim e seguimos a Cristo Jesus, invisível, porém presente no meio de nós como o Senhor Ressuscitado. Deixemo-nos dominar por esta alegria! Participemos com toda a Igreja desta festa da Páscoa que começa agora e que durará sete semanas até o dia de Pentecostes. Assim Deus quer renovar os dons da graça com que nos encheu no dia do Batismo e nos comunicar Sua força para todo o ano. Deixemo-nos encher de vida pelo mesmo Espirito de Deus que ressuscitou Jesus. Ele quer nos comunicar força, energia, esperança para seja notado e sentido não somente nesta noite de celebração e sim em toda nossa vida que somos seguidores do Ressuscitado e queremos viver com Ele e como Ele.
     
    4. Vivamos Uma Vida Nova e Caminhemos Na Vida Nova: Compromisso Batismal
     
    Será que ignorais que todos nós, batizados em Jesus Cristo, é na sua morte que fomos batizados? Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós levemos uma vida nova” (Rm 6,3-4).
     
    O Apóstolo Paulo se encarrega de nos fazer descer das nuvens e do romanticismo pascal para que compreendamos que a Páscoa é uma realidade permanente em cada cristão que foi batizado. A noite pascal é a hora de batizar-se. Mas o que significa isto?
     
    O batismo não é um simples rito: é viver já como homens e mulheres novos. A Páscoa tem um sentido espiritual e profundo. É morrer a nós mesmos no que de velhos e pecadores temos e viver para Deus em Cristo Jesus. O texto de Paulo que lemos nesta noite é uma nova formulação do relato de Mateus (Leia Mt 28).
     
    O que quer dizer ressuscitar com Cristo? É viver agora como Cristo, compenetrados do Evangelho que nos exige que sejamos despojados do homem velho cheio de pecado para viver em Cristo. Por isso, a Páscoa não é um dia do ano em que temos ideia de que algum dia ressuscitaremos com Cristo. É caminhar agora na vida nova: nova maneira de nos comunicar, de tratar o vizinho, de estar em família, de organizar nosso trabalho de praticar o bem para qualquer pessoa e em qualquer lugar e tempo. A Páscoa é a permanente reforma da sociedade através de cada cristão, a mudança contínua. Se cada cristão se renovar no Espirito do Senhor Ressuscitado, a sociedade inteira se renovará.
     
    5. A Páscoa É a Festa Das Festas
     
    A Páscoa cristã é a festa das festas, e o cristão é aquele que afirma: o Senhor ressuscitou verdadeiramente. O cristianismo nasce e progride desta proclamação fundamental: Jesus Cristo, que foi crucificado, ressuscitou verdadeiramente. Da ressurreição de Cristo deriva todo o resto da mensagem cristã. Sem a vitória de Cristo sobre a morte, toda a pregação seria inútil e a nossa fé seria vazia de conteúdo (cf. 1Cor 15,14-17). A ressurreição do Senhor é uma realidade central da fé cristã. A importância deste milagre é tão grande que os Apóstolos são, antes de mais nada, testemunhas da ressurreição de Jesus(cf. At 1,22;2,32;3,15). O núcleo de toda a pregação é este: Cristo vive e vive no meio de nós(cf. Jo 1,14;Mt 28,20). A páscoa da ressurreição é a grande festa cristã. Este mistério é tão importante e central é que o celebramos ao longo de todos os domingos e festas do ano litúrgico e inclusivamente na Eucaristia diária. Certamente cada eucaristia que se celebra, celebra-se e proclama-se ao mesmo tempo a ressurreição do Senhor e a nossa também. A eucaristia dominical é a páscoa semanal. A eucaristia diária é a páscoa diária.
              
    Sem dúvida nenhuma, a Páscoa é, por isso, o próprio conteúdo da fé cristã, é o coração da vida da Igreja porque ela nos revela quem é Deus, quem é Jesus Cristo e quem somos nós. A ressurreição nos mostra que o Deus revelado por Cristo é Aquele que ama e quer a vida. A Páscoa nos revela que Jesus, morto e ressuscitado, é Aquele que converge toda a história da humanidade. E ao mesmo tempo revela que a fidelidade é o caminho certo para chegar à Páscoa eterna com Deus. A Páscoa também nos revela que somos chamados a ressuscitar com Jesus, a superar com ele o drama da morte para podermos permanecer com ele na vida que não tem fim. FELIZ PÁSCOA a todos e a todas! Aleluya!
      
    P. Vitus Gustama,SVD

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