quarta-feira, 24 de maio de 2017

27/05/2017
Imagem relacionadaResultado de imagem para Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará

A ORAÇÃO NOS APROXAIMA DE DEUS E NOS TORNA ALEGRES


Sábado da VI Semana da Páscoa


Primeira Leitura: At 18,23-28


23 Paulo permaneceu algum tempo em Antioquia. Em seguida, partiu de novo, percorrendo sucessivamente as regiões da Galácia e da Frígia, fortalecendo todos os discípulos. 24 Chegou a Éfeso um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria. Era um homem eloquente, versado nas Escrituras. 25 Fora instruído no caminho do Senhor e, com muito entusiasmo, falava e ensinava com exatidão a respeito de Jesus, embora só conhecesse o batismo de João. 26 Então, ele começou a falar com muita convicção na sinagoga. Ao escutá-lo, Priscila e Áquila tomaram-no consigo e, com mais exatidão, expuseram-lhe o caminho de Deus. 27 Como ele estava querendo passar para a Acaia, os irmãos apoiaram-no e escreveram aos discípulos para que o acolhessem bem. Pela graça de Deus, a presença de Apolo aí foi muito útil aos fiéis. 28 Com efeito, ele refutava vigorosamente os judeus em público, demonstrando pelas Escrituras que Jesus é o Messias.


Evangelho: Jo 16, 23-28


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 23b “Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará. 24 Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa. 25 Disse-vos estas coisas em linguagem figurativa. Vem a hora em que não vos falarei mais em figuras, mas claramente vos falarei do Pai. 26Naquele dia pedireis em meu nome, e não vos digo que vou pedir ao Pai por vós, 27pois o próprio Pai vos ama, porque vós me amastes e acreditastes que eu vim da parte de Deus. 28Eu saí do Pai e vim ao mundo; e novamente parto do mundo e vou para o Pai”.
_____________________


É Preciso Cada Cristão Empenhar-se Para o Bem Da Igreja/Comunidade


A Primeira Leitura se concentra em um personagem chamado Apolo. Apolo era um judeu que se formou em Alexandria de Egito e era experto na Escritura (AT). Ele pregou Jesus como Messias, embora ainda fosse discípulo de João Batista.


Lucas disse que Apolo era “um homem eloquente” ou “poderoso”. “Eloquente” ou “poderoso” é um termo retórico para lógica e persuasão. Apolo aprendeu a arte da habilidade nos debates em sua educação secular e usava isso de maneira excelente para ensinar que Jesus era o Messias Prometido. Ele era um judeu-cristão, apologista e debatedor. Ele combinava seu conhecimento vasto sobre o AT com sua educação secular na arte da retórica.


Inicialmente, Apolo pregava na sinagoga de Éfeso, onde foi ouvido por Áquila e Priscila, um casal muito amigo de São Paulo, dois grandes ministros da Igreja primitiva em Corinto. Áquila e Priscila convidaram Apolo para visita-los em Corinto. Nessa época Áquila e Priscila eram o ele entre a comunidade de Éfeso e Corinto. Apolo fortaleceu grandemente a comunidade cristã de Corinto.


Apolo permaneceu algum tempo em Corinto e engajou-se numa obra promissora. Os que converteram por meio do seu ministério, quando começaram a surgir divisões após o retorno dele a Éfeso, viam a si mesmos como pertencentes a Apolo, em termos seculares. Logicamente, os outros se consideravam seguidores de São Paulo. Este problema podemos ler em 1Cor 1-4. Ciúmes e rivalidades entre professores eram exatamente o que mestres e discípulos seculares faziam, com o espirito competitivo, na luta pela reputação de suas escolas e por maior influência nas assembleias políticas (1Cor 3,1.3; Cf. 1Cor,1,11).


Em 1Cor 4,6, São Paulo condena a divisão ou a competição entre ele e Apolo e chama tal atitude de “imatura” e “mundana”. São Paulo revela as funções distintas de cada um, destacando que um plantava e outro regava, cooperando conjuntamente para o crescimento da Igreja/Comunidade, pois apenas Deus pode fazer crescer (1Cor 3,5-6). Tanto São Paulo como Apolo eram de tal estrutura espiritual, que nenhum dos dois reagiu ao jogo de poder dos coríntios, mas continuaram empenhados em prol do bem da Igreja/Comunidade.


O ciúme é tóxico. O ciúme acontece quando sentimos medo de perder algo. Pode-se ter ciúme de uma pessoa amada, do trabalho. Um bebê/criança pode ter ciúme da mãe ou do pai quando estes falam com outras crianças. Pode-se ter ciúme dos amigos. O circuito do ciúme funciona da seguinte maneira: em primeiro lugar, sentir a ameaça. A pessoa ciumenta sente que há um terceiro que pode ser real ou imaginário que vem rouba seu amor, seu trabalho, seu amigo(a). Em segundo lugar, o ciumento gosta de controlar seu parceiro, vigiar, revisar, seguir para descobrir a prova. Em terceiro lugar, o ciumento gosta de proibir seu parceiro, em termos de se vestir, de amizades, e assim por diante. Em quarto lugar, o ciumento é capaz de pedir perdão ao seu parceiro até que apareça um terceiro para voltar tudo outra vez.


A partir da vida de Apolo e São Paulo, será que somos capazes de usar bem nossa capacidade acadêmica para evangelizar os outros ou somente para o uso próprio? Será que se repete nas nossas comunidades, como em Corinto, em que há seguidores de uns sacerdotes e há também seguidores de outros padres? Será que no próprio sacerdote há ciúmes de outro sacerdote? É preciso que cada um se empenhe para o bem da Igreja a exemplo de Apolo e São Paulo.


Rezar Em Nome Do Senhor


Continuamos a acompanhar o discurso de despedida de Jesus de seus discípulos segundo o quarto Evangelho/Evangelho de João (Jo 13-17).


O texto do evangelho de hoje começa com a seguinte expressão: “Em verdade, em verdade vos digo...”. Toda vez que Jesus quer falar algo importante, ele usa essa fórmula solene. Hoje ele fala sobre a importância de fazer a oração com fé, isto é, fazê-la em nome de Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará. Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa”.


Jesus quer que os discípulos façam seus pedidos em seu nome. A expressão “pedir em meu nome” significa pedir na fé em Jesus; significa suplicar ao Pai enquanto discípulo de Jesus mediante a fé que o reconheceu como Filho do Pai. Aqui a oração se torna uma participação no diálogo divino onde a conversa é desprovida de qualquer pretensão, pois a oração é o momento de participação no diálogo divino isto é, no diálogo entre o Filho e o Pai. Para o evangelista João aqui está o sentido da verdadeira oração. Na participação desse diálogo a vontade suprema de Deus ocupa o lugar importante na oração.


Além disso, na participação do diálogo divino percebemos algo importante que Jesus quer nos transmitir: que a oração é a fonte de gozo, de expansão, e de equilíbrio: “pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa”. Orar/rezar é estar na contemplação, no repouso em Deus. Estar na oração é estar no mundo de Deus, tão próximo de nós na oração. Estar no mundo de Deus é estar na alegria plena e na serenidade. A verdadeira oração sempre nos causa alegria e nos dá a serenidade sabendo que Deus nos ama no Filho (Jo 3,16), que ama cada um até o fim (Jo 13,1) Cada um precisa fazer isso permanentemente. É impossível experimentar o mundo divino na oração no lugar dos outros; cada um há que experimentar esse mundo por si mesmo.


“Pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa”. A oração é fonte de gozo, fonte de expansão, fonte de equilíbrio. Rezar é repousar em Deus. Na oração nós nos aproximamos do mundo divino para iluminar nosso mundo de cada dia. É preciso rezarmos permanentemente para que nossa alegria seja completa e permanente. Até agora Jesus nos indica o caminho para chegar à nossa alegria plena: através do amor fraterno (cf. Jo 15,9-11) e através da oração (Jo 16,24). Orar e amar permanentemente nos mantém na alegria plena.


Na oração não há distância entre nós e Deus. A distância é abolida. Na oração, entre o mundo invisível e o mundo visível não há muros de separação. A oração faz com que a terra se aproxima do céu, a humanidade se une à divindade. Na oração há uma comunicação direta entre quem reza e Deus. Da terra sobem sem cessar orações de amor e de fé. E do céu descem sem cessar graças e palavras divinas de amor. Na oração nossa fé no amor de Deus por nós aumenta, pois mesmo que façamos nossos pedidos a Deus erradamente, Deus sempre dá algo corretamente pela nossa salvação. Deus atende aquilo que nos salva. Porém, temos que estar conscientes de que sempre que nós rezamos de verdade, a nossa oração é eficaz, não porque modificamos Deus, mas porque nos modificamos. O mais difícil da oração não é tanto saber se Deus nos escuta, mas conseguirmos que nós O escutemos.


Orar ou rezar é como entrar na esfera de Deus. De um Deus que quer nossa salvação, pois já nos ama antes de nos dirigirmos a Ele, como quando tomamos o sol que já estava brilhando. Ao entrarmos em sintonia com Deus, por meio de Cristo e seu Espírito, nossa oração coincide com a vontade salvadora de Deus e nesse momento nossa oração já é eficaz.


“Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará”. Na oração entramos nas profundezas de Deus e nos deixamos envolver pelo mistério da Santíssima Trindade. Na fé cristã a oração é sempre trinitária, pois se dirige ao Pai no Espírito através do Filho. É do Pai que vem o dom pelo Filho no Espírito Santo. A oração é o momento e o acontecimento trinitário.


Jesus veio do mundo divino/celeste onde reina o amor que nos envolve inteiramente: “Eu saí do Pai e vim ao mundo; e novamente parto do mundo e vou para o Pai”.  É o mundo em que as relações entre as Pessoas (Santíssima Trindade) são totalmente satisfatórias, profundas e perfeitas. É o mundo onde o amor é rei e faz todos felizes. Jesus veio para nos revelar quem é nosso Deus? Deus é Pai, Deus é amor, Deus nos ama.


Portanto, para que nossa alegria seja completa e nossa felicidade seja plena temos que aprender a amar e a orar permanentemente. Amamos os outros para que nos tornemos divinos. O divino nos dá a alegria, pois o divino nos salva. E “só se ama verdadeiramente o próximo quando se ama a Deus no próximo, seja porque Deus já vive nele, seja para que Deus viva nele. Isto é amor” (Santo Agostinho: Serm. 336,1,1). Oramos para que estejamos na esfera divina e consequentemente, nossa alegria será completa. Quer ser alegre? Ame e reze permanentemente!


Senhor, preciso de ti para não me apoiar nas muletas que limitam a liberdade, nem em algo que hoje me estimula e amanhã me prostra até o pó e lama. Abre-me o coração ao teu projeto e dá-me força para encaixá-lo em minha vida. Que assim seja!


P. Vitus Gustama,svd

Nenhum comentário: