sexta-feira, 16 de junho de 2017

17/06/2017
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SINCERIDADE E VERACIDADE NO USO DAS PALAVRAS


Sábado da X Semana Comum


Primeira Leitura: 2Cor 5,14-21


Irmãos, 14 o amor de Cristo nos pressiona, pois julgamos que um só morreu por todos, e que, logo, todos morreram. 15 De fato, Cristo morreu por todos, para que os vivos não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. 16 Assim, doravante, não conhecemos ninguém conforme a natureza humana. E, se uma vez conhecemos Cristo segundo a carne, agora já não o conhecemos assim. 17 Portanto, se alguém está em Cristo, é uma criatura nova. O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo. 18 E tudo vem de Deus, que, por Cristo, nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação. 19 Com efeito, em Cristo, Deus reconciliou o mundo consigo, não imputando aos homens as suas faltas e colocando em nós a palavra da reconciliação. 20 Somos, pois, embaixadores de Cristo, e é Deus mesmo que exorta através de nós. Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus. 21 Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornemos justiça de Deus.


Evangelho: Mt 5,33-37


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 33 “Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás falso, mas cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor’. 34 Eu, porém, vos digo: Não jureis de modo algum: nem pelo céu, porque é o trono de Deus; 35 nem pela terra, porque é o suporte onde apoia os seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei. 36 Não jures tampouco pela tua cabeça, porque tu não podes tornar branco ou preto um só fio de cabelo. 37 Seja o vosso ‘sim’: ‘sim’, e o vosso ‘não’: ‘não’. Tudo o que for além disso vem do Maligno”.
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O Amor De Cristo Transforma Um Cristão Em Nova Criatura e Em Apóstolo Do Senhor


O amor de Cristo nos impele... Se alguém está Em Cristo é uma criatura nova... Somos, pois, embaixadores de Cristo, e é Deus mesmo que exorta através de nós”, escreveu São Paulo no texto que lemos na Primeira Leitura.


O texto da Primeira Leitura faz parte da defesa de São Paulo sobre seu ministério apostólico. Um grupo da comunidade menospreza o ministério de São Paulo porque ele, segundo este grupo, não tem nenhuma autoridade para ficar falando de Jesus e de seu Evangelho, pois ele nunca foi chamado por Jesus para ser apóstolo. Logo, São Paulo não seria uma testemunha qualificada de Jesus Cristo.


A resposta de São Paulo se encontra nos vv. 14 e 17: “O amor de Cristo nos impele... Se alguém está Em Cristo é uma criatura nova”.


Segundo São Paulo, para ser testemunha qualificada e autêntica de Jesus Cristo é necessário reconciliar-se com Deus (criatura nova, uma transformação total) e ter no coração o amor de Cristo (o amor diviniza o homem). Não adiantaria pregar sem amor e sem conversão. O amor de Cristo que habita no nosso coração nos impulsiona a partir de dentro para testemunhar Jesus Cristo e para levar as pessoas para Deus a fim de reconciliar-se com Ele. O amor de Cristo é o amor sem limites, o amor até o fim (cf. Jo 13,1). Qualquer título não valeria nada se não tivesse o amor de Cristo no coração e não se tornasse uma nova criatura através da conversão. O coração que sabe amar é a verdadeira habitação de Deus (cf. Jo 14,23) que impulsiona a pessoa a praticar somente o bem.


A força do testemunho está no amor e na conversão. Prega com autenticidade o Evangelho do Senhor somente aquele que crê em Jesus, vive aquilo e daquilo que crê e se compromete com a causa de Jesus Cristo. Tendo um coração amoroso e convertido seremos “embaixadores de Cristo, e é Deus mesmo que exorta através de nós”. Evangelizar não é doutrinar e sim partilhar a experiência da fé em Jesus Cristo ressuscitado. Com efeito, o mundo não precisa de mestres e sim das testemunhas do amor de Cristo. Se alguém se converter verdadeiramente e tiver no coração o amor de Cristo, ele estará pronto para ser o embaixador do Senhor.


Quem Vive Em Cristo Torna-se Uma Pessoa Sincera e Autêntica


Não jurarás falso, mas cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor... Seja o vosso ‘sim’: ‘sim’, e o vosso ‘não’: ‘não’. Tudo o que for além disso vem do Maligno”.


Continuamos a acompanhar o Sermão de Jesus na montanha conhecido como Sermão da Montanha (Mt 5-7). Estamos na seção chamada de antíteses: “Ouvistes... Porém Eu vos digo...”.


No evangelho de hoje o evangelista Mateus nos apresenta outra antítese. Desta vez é sobre o juramento. Quando se pratica o juramento é porque se pratica também a mentira. Se não existisse a mentira não teria necessidade de fazer juramento.


Era recomendado o cumprimento, com fidelidade, dos juramentos e dos votos que a Lei exigia (Lv 19,12; Ex 20,7; Nm 30,3; Dt 23,22; Sl 50,4). Jurar significa chamar Deus como testemunha da verdade dita, pois Deus é verdade (Jo 14,6). Jurar significa fazer de Deus como garantia da própria vida de quem faz o juramento. Daí o mandamento: ”Não jurarás falso “. Neste sentido, “juramento” é o ato que sacraliza ao máximo as relações humanas. O livro de Levítico acrescenta: “Não jurareis falso em meu nome, porque profanaríeis o nome de vosso Deus. Eu sou o Senhor” (Lv 19,12; cf. Ml 3,5; Jr 7,9; Zc 5,3; Sb 14,25). Tudo isso quer dizer que a Lei e os Profetas proíbem o juramento falso. E está claro que Jesus está de acordo.


Mas Jesus vai muito além. Jesus propõe a exclusão de qualquer tipo de juramento: “Eu, porém, vos digo: Não jureis de modo algum”. Com o juramento a pessoa abusava, em certa forma, da autoridade de Deus. Era como querer desculpar a deficiência da veracidade das próprias palavras e compromissos com a intervenção de Deus. O juramento se praticava na sociedade pela falta de sinceridade entre os homens.


Na comunidade cristã, onde a sinceridade é regra (Mt 5,8: limpos de coração), o juramento é supérfluo; e mais, seria sinal de corrupção das relações humanas. A falta de sinceridade nasce da ambição, da mentira, da incoerência, da duplicidade e assim por diante.


Os cristãos, discípulos de Jesus, devem expressar-se através de uma linguagem sincera e coerente, sem nenhuma necessidade de recorrer a nenhum outro meio para demonstrar a veracidade de sua afirmação. “Seja o vosso ‘sim’: ‘sim’, e o vosso ‘não’: ‘não’. Tudo o que for além disso vem do Maligno”. O juramento é, então, substituído pela transparência e a simplicidade ou clareza da linguagem. A palavra do cristão deve ser sim, quando é sim; e não, quando é não. Trata-se de uma linguagem veraz, seria e sincera, pois “Tudo o que for além disso vem do Maligno”.  Do maligno vem a mentira, as palavras insinceras, a linguagem dupla e incoerente.


Com as palavras do Evangelho de hoje Jesus convida o cristão a dar um passo adiante na sinceridade: “Seja o vosso ‘sim’: ‘sim’, e o vosso ‘não’: ‘não’. Tudo o que for além disso vem do maligno”. A mentira e o dolo são incompatíveis com o proceder do cristão. Quem recorre a expediente deste tipo, renega sua adesão ao Senhor.


Outro objetivo da proibição de Jesus é evitar a vulgarização de Deus. O juramento falso infringe o mandamento que proíbe usar em vão do nome de Deus. O cristão autêntico não tem necessidade, a cada passo, lançar mão deste recurso para que se acredite em sua palavra. O sim do cristão é sim e o não é não. Não lhe interessa enganar. Tudo quanto é dito fora destes limites não vem de Deus. Por isso, tem de ser evitado. Enganar os outros significa deturpar o sinal da palavra, torná-la sinal de divisão e confusão, em lugar de comunhão e limpidez. A palavra do cristão deve ser verdadeira, pois ele é o seguidor da Palavra divina feita carne em Jesus (Jo 1,14). Deus é o dono da minha vida.


Em resumo, para o cristão é suficiente um sim ou um não. Se isto não é suficiente é porque há algo que vem do Maligno; é porque não somos puros de coração, não somos verdadeiros discípulos do Senhor, corremos o risco de nos dirigir a Deus de forma incorreta, de abusar de Seu nome. Em poucas palavras Jesus aboliu a lei do juramento nas relações interpessoais, pois o cristão deve falar a verdade.


Ser verdadeiro no falar é uma forma de imitar o modo de ser de Deus. A religião de Israel era toda baseada na palavra de Deus. Seria impossível imaginar que Deus quisesse se enganar o seu povo. Do mesmo modo, seria inimaginável que o cristão abusasse da boa-fé de seu próximo.


A palavra humana tem um valor por si mesma. Por isso, é inútil fazer qualquer juramento. Quando Jesus nos recomenda para não fazer qualquer juramento é porque ele quer que valorizemos a palavra usada. Ao proibir o juramento Jesus denuncia a mentalidade falsa em salvar as aparências.


Que o Senhor Jesus nos dê a graça da sinceridade e da transparência, para que sejamos honestos no relacionamento com o nosso próximo e com o próprio Deus. E que saibamos usar cada palavra de açodo com seu sentido. Cada palavra representa uma realidade; cada frase contém várias realidades encontradas em cada palavra. Que saibamos usar com responsabilidade cada palavra. Que saibamos ditar ou pronunciar cada palavra de acordo com a realidade contida na palavra.

P. Vitus Gustama,svd

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