quarta-feira, 26 de julho de 2017

27/07/2017
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DEUS NOS FALA ATARVÉS DE NOSSA VIDA E DE SUAS OBRAS


Quinta-Feira Da XVI Semana Comum


Primeira Leitura: Ex 19,1-2.9-11.16-20b
1 No dia em que se cumpriam três meses da saída do Egito, Israel chegou ao deserto do Sinai. 2 Partindo de Rafidin, chegaram ao deserto do Sinai, onde acamparam. Israel armou ali suas tendas, defronte da montanha. 9 E o Senhor falou a Moisés: “Virei a ti numa nuvem escura, para que o povo ouça quando falar contigo, e creia sempre em ti”. 10 Tendo Moisés transmitido ao Senhor as palavras do povo, o Senhor lhe disse: “Vai ao povo e santifica-os hoje e amanhã. Eles devem lavar as suas vestes, 11 e estar prontos para o terceiro dia, pois nesse dia o Senhor descerá diante de todo o povo sobre a montanha do Sinai”. 16 Quando chegou o terceiro dia, ao raiar da manhã, houve trovões e relâmpagos. Uma nuvem espessa cobriu a montanha, e um fortíssimo som de trombetas se fez ouvir. No acampamento o povo se pôs a tremer. 17 Moisés fez o povo sair do acampamento ao encontro de Deus, e eles pararam ao pé da montanha. 18 Todo o monte Sinai fumegava, pois o Senhor descera sobre ele em meio ao fogo. A fumaça subia como de uma fornalha, e todo o monte tremia violentamente. 19 O som da trombeta ia aumentando cada vez mais. Moisés falava e o Senhor lhe respondia através do trovão. 20b O Senhor desceu sobre o monte Sinai e chamou Moisés ao cume do monte. E Moisés subiu.


Evangelho: Mt 13, 10-17
Naquele tempo, 10 os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: “Por que tu falas ao povo em parábolas?” 11 Jesus respondeu: “Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado. 12 Pois à pessoa que tem, será dado ainda mais, e terá em abundância; à pessoa que não tem, será tirado até o pouco que tem. 13 É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque olhando, eles não veem, e ouvindo, eles não escutam, nem compreendem. 14 Deste modo se cumpre neles a profecia de Isaías: ‘Havereis de ouvir, sem nada entender. Havereis de olhar, sem nada ver. 15 Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure’. 16 Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. 17 Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram”.
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Estar Conectado Com Deus Para Ter Uma Visão Ampla Sobre a Vida e Para Estar Forte Diante Das Dificuldades da Vida


A Primeira Leitura é tirada do Ex 19. Os capítulos 19-24 constituem a parte central do livro de Êxodo. Nesta parte encontramos o relato da preparação da Aliança (Ex 19,1-25; 20,18-21), o Decálogo (Ex 20,1-17); o Código da Aliança (Ex 20,22-23,19) e o relato da Celebração da Aliança. As três tradições (Sacerdotal, Javista e Eloísta) e as adições do redator deuteronomista interferem de maneira complexa nestes capítulos. Nestes capítulos o(s) autor(es) sagrado(s) quer colocar em destaque, como o ponto central, a aliança entre Deus e o povo eleito. Nesta recordação o que se explica é o nascimento de Israel como povo eleito. Todas as outras alianças do AT  serve como algo fundamental a aliança de Sinai. Sem esta Aliança fundamental seria impossível a existência de outras alianças futuras.


No dia em que se cumpriam três meses da saída do Egito, Israel chegou ao deserto do Sinai. Partindo de Rafidin, chegaram ao deserto do Sinai, onde acamparam. Israel armou ali suas tendas, defronte da montanha”, relatou o autor sagrado.


O relato sobre o acampamento é impressionante: em um deserto com o sol esplendoroso, uma montanha. Ao pé da montanha é que o povo eleito faz seu acampamento.


"O deserto", para os judeus, é o lugar privilegiado do encontro com Deus. Foi no deserto que o Povo experimentou o amor e a solicitude de Deus e foi no deserto que Deus propôs a Israel uma Aliança. Foi também no deserto, que Israel tentou Deus.


Além do deserto, outro alimento neste relato é monte. No AT, “o monte” ou “a montanha” dão o sentido da proximidade de Deus. São lugares que Deus escolhe para se manifestar ou de onde procede sua atividade. No “monte” são realizadas ações de grande significado que estão em conexão com a esfera divina.


O tema da “montanha” se repetirá no evangelho: o monte da transfiguração, o monte das bem-aventuranças, o monte das Oliveiras, a montanha da ascensão. Jesus, que promulgará o código da Nova Aliança, sobe ao monte como Moisés subiu ao Sinai e fala do monte como Deus ali o fez, como aconteceu no Sermão da Montanha (Mt 5-7). Os místicos, como são João da Cruz (e santa Teresa de Jesus ou Teresa d´Ávila) fala da “Subida ao monte Carmelo” para simbolizar o itinerário da vida espiritual.


No monte se encontra o silencio. Somente no silêncio Deus tem chance para falar conosco e sobre nós. O silêncio torna presente a eternidade. A partir do monte tem-se uma visão maior sobre o planície. Aproximar-se de Deus torna nossa visão maior sobre a vida e os acontecimentos. Olhar a partir de Deus tudo tem seu sentido. Fazer silêncio é reconhecer-se criatura necessitada da presença do Divino. O silêncio é o ambiente normal no que se vive e se desenvolve a comunhão com Deus. É urgente reconquistarmos o silêncio nas nossas celebrações, sem o qual sairemos da celebração do jeito que entramos: perturbados, confusos, desorientados, tristes, decepcionados, etc....


“Deserto” e “monte” são indispensáveis para o crescimento espiritual, psicológico, familiar e social. Quem não aprender a criar o silêncio e o deserto, será incapaz de pronunciar palavras de conteúdo, palavras de vida, palavras que constroem.


Virei a ti numa nuvem escura, para que o povo ouça quando falar contigo, e creia sempre em ti. Vai ao povo e santifica-os hoje e amanhã. Eles devem lavar as suas vestes, e estar prontos para o terceiro dia, pois nesse dia o Senhor descerá diante de todo o povo sobre a montanha do Sinai”, falou o Senhor para Moisés.


Foi espetacular a cenografia com que Deus se manifesta a seu povo:Quando chegou o terceiro dia, ao raiar da manhã, houve trovões e relâmpagos. Uma nuvem espessa cobriu a montanha, e um fortíssimo som de trombetas se fez ouvir. No acampamento o povo se pôs a tremer”. Deus se serve dos fenômenos naturais para dar conhecer sua presença salvadora, como a sarça ardente no encontro com Moisés. Deus prepara psicologicamente o povo antes de ditar as cláusulas da Aliança. E o povo reconhece a grandeza de Deus e se purifica para encontrar-se com Ele ainda que somente Moisés seja convidado por Deus para subir ao monte.


É preciso purificar nosso coração, nossa mente, e nossa alma para poder reconhecer a grandeza de Deus. O nosso encontro com o Senhor acontece diariamente. Na liturgia, nosso encontro com o Senhor acontece na proclamação de Sua Palavra, na celebração dos sacramentos, sobretudo, na Eucaristia. Na vida cotidiana, o Senhor faz o encontro conosco através das palavras e dos exemplos das pessoas que nos rodeiam. O caminho que nos ensinou Jesus é o da simplicidade e o da cotidianidade. Se contemplarmos profundamente a grandeza e a força de Deus através do universo que é uma das grandes obras de Deus, sentiremos a necessidade de agradecer-Lhe e começaremos a viver como pessoas agradecidas e agraciadas. Quem sou eu para Deus dar essas grandes obras para a humanidade? Quem sou eu para ter atitude de prepotência diante da grandeza do universo, obra de Deus? Quem sou eu para ter o espirito de ganância diante da riqueza infinita do universo criado por Deus? Ninguém pode colocar ouro e prata (riqueza material) acima de Quem os criou. Tudo é de Deus. Por isso, no fim de nossa caminhada terrestre, tudo será deixado aqui, neste mundo.


Deus Nos Fala Através de Nossa Vida e De Seus acontecimentos


Estamos ainda no terceiro discurso de Jesus sobre o Reino de Deus em parábolas (Mt 13). Para a multidão entender a realidade do Reino de Deus Jesus usa parábolas da vida cotidiana como comparação.


No texto do evangelho de hoje os discípulos lançaram a seguinte pergunta para Jesus: “Por que tu falas em parábolas ao povo?”. As parábolas de Jesus têm claridade e pedagogia para fazer entender sua intenção para todos, menos aos que não querem entendê-las.


Na sua resposta Jesus enfatiza que Deus é “mistério”. A palavra “mistério” é usada no AT, a partir de Daniel, para denotar uma realidade dos tempos finais que Deus somente pode revelar (Dn 2,27-30.47), a realidade de um Reino eterno (Dn 2,44). Por Deus ser mistério trata-se, por isso, de uma realidade difícil de entender e de conhecer. Jesus conhece o mistério de Deus. Ele sabe que as coisas do Espírito necessitam de uma certa sensibilidade para poder captar seu sentido. Deus não está no nível das coisas. Deus não é da ordem das coisas. O mistério de Deus, em toda sua riqueza, não é uma verdade que se impõe para a inteligência humana. É um mistério que somente se dá aos que estão dispostos a escutar. Por isso, o ouvinte tem que se esforçar para escutar. Escutar é ouvir com atenção. É participar da mensagem ouvida para entender seu recado. É estar no outro para entender e compreender aquilo que ele quer transmitir.


Olhando, eles não veem e, ouvindo eles não escutam nem compreendem”. É a segunda razão dada por Jesus. Há duas maneiras de “ver” e de “ouvir”. Há um modo estritamente material: eu ouço palavras ditas por alguém, ruído de vozes etc. E outro modo é o modo espiritual; é “ver” e “ouvir” com o coração. O mistério de Deus somente é entendido com o coração. Deus cabe no nosso coração e não na nossa cabeça. É preciso compreender tudo com o coração. Quando calarmos a inteligência, o coração começará a compreender. O coração entende e compreende aquilo que a razão desconhece.


Toda nossa vida é uma parábola na qual Deus está escondido e pela qual Deus nos fala. Um pode ficar no exterior das coisas e dos acontecimentos, ou pode “ouvir” e “ver” Deus no fundo e na profundidade dos acontecimentos da vida. Uma pessoa com coração sempre vê além das coisas, pois o coração entende aquilo que a inteligência desconhece. Com efeito, uma pessoa que “vê” e “ouve” com coração os acontecimentos de cada dia, capta as mensagens de Deus e vive com mais sabedoria e prudência. Mas aquele que vive sem coração, vê apenas as coisas negativas e reclama da vida apesar de ela ser um dom de Deus. Aquele que vê e ouve com coração vê longe e vê além das aparências. Aquele que vê e ouve com coração compreende os outros e entende o significado do silêncio do outro.


Uma pessoa com coração é uma pessoa profunda, próxima, compreensiva, capaz de ir ao fundo das coisas e dos acontecimentos. Uma pessoa com coração não é dominada pelo sentimentalismo e sim é uma pessoa que alcançou uma unidade e uma coerência, um equilíbrio e uma maturidade. Ela nunca é fria, mas cordial, nunca é cega diante da realidade, mas realista, nunca é vingativa, mas pronta para perdoar e para reconciliar-se.  A espiritualidade do coração é uma verdadeira espiritualidade, pois inclui a oração, a conversão, a escuta do Espírito, o cuidado para o próximo, a compaixão, a solidariedade e a partilha. o amor transforma tudo que é pesado em leveza e a oração se torna prazerosa.


Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram”, disse Jesus aos seus seguidores.


Os olhos dos simples são os que descobrem os mistérios do Reino e o sentido da vida, em geral e de cada acontecimento em particular. Jamais acontecerá isso para os olhos dos arrogantes ou complicados. Recebemos de Deus o dom da fé com o qual somos capacitados a descobrir o sentido das coisas, pois a “fé é a antecipação daquilo que se espera e a certeza daquilo que não se vê” (Hb 11,1).


A revisão de vida consiste, por isso, em “olhar de novo” com os olhos da fé, os acontecimentos, que na primeira vez eram vistos com um olhar simplesmente humano, para entender os “recados” de Deus para cada um de nós em particular e para a humanidade toda, em geral. Esta revisão é necessária, pois também pode acontecer conosco aquilo que Jesus disse: “... olhando, eles não veem, e ouvindo, eles não escutam, nem compreendem”. Muitas das vezes, não queremos ouvir ou entender algo porque, no fundo, não nos interessa em aceitar o conteúdo daquilo que ouvimos ou que vemos. Não há pior surdo do que aquele que não quer ouvir e não há pior cego do que aquele que não quer ver. Porventura, fazemos caso, cada dia, da Palavra de Deus que ouvimos/escutamos? Será que nos deixamos interpelar por ela quando ela se torna exigente para nossa maneira de viver? Nós, que temos ouvido a Palavra de Deus, devemos dar mais frutos do que os outros que nunca ouviram diretamente a Palavra de Deus. Se levássemos a sério a Palavra de Deus que temos escutado, nossa vida seria bastante distinta e faríamos diferença na família, na comunidade, no trabalho e na sociedade em geral.


Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. Dai-nos, Senhor, uns olhos novos e uns ouvidos finos, para podermos ver e entender seus mistérios na nossa vida.


P. Vitus Gustama,svd

terça-feira, 25 de julho de 2017

26/07/2017
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SÃO JOAQUIM E SANTA ANA
Pais de Nossa Senhora
26 de Julho
SER JUSTO PERSEVERANTE


Primeira Leitura: Eclo 44,1.10-15
1 Vamos fazer o elogio dos homens famosos, nossos antepassados através das gerações. 10 Estes são homens de misericórdia; seus gestos de bondade não serão esquecidos. 11 Eles permanecem com seus descendentes; seus próprios netos são sua melhor herança. 12 A descendência deles mantém-se fiel às alianças, 13 e, graças a eles, também os seus filhos. Sua descendência permanece para sempre, e sua glória jamais se apagará. 14 Seus corpos serão sepultados na paz e seu nome dura através das gerações. 15 Os povos proclamarão a sua sabedoria, e a assembleia vai celebrar o seu louvor.


Evangelho: Mt 13,16-17
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 16 “Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. 17 Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejavam ver o que vedes, e não viram, desejavam ouvir o que ouvis, e não ouviram”.
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A devoção à Santa Ana é mais popular e mais antiga que a de São Joaquim. No dia 25 de Julho de 550 em Constantinopla (a atua cidade turca de Istambul) se dedicou uma basílica à Santa Ana, desde então, as Igrejas orientais celebraram sua festa nesta data. Séculos mais tarde a devoção se difundiu no Ocidente, mas a celebração se colocou no dia seguinte, isto é, no dia 26 de Julho. Em 1584 a festa foi fixada para toda a Igreja, tanto nos países orientais como nos ocidentais.


O culto de São Joaquim se introduziu mais tarde no século XIV, na época em que se popularizou o culto de São José e se consolidou dois séculos mais tarde. A festa de São Joaquim era celebrada no dia 20 de Março. Mais tarde, em 1738 foi trasladada a 15 de Agosto (Assunção de Nossa Senhora). Mas a reforma litúrgica do do Concílio Vaticano II, em 1969, uniu a comemoração dos pais de Nossa Senhora numa data só: 26 de Julho.


É inútil procurar na Bíblia os pais de Nossa Senhora. Os quatro evangelhos canônicos guardam absoluto silêncio sobre os pais de Maria. Nem sequer seus nomes foram transmitidos. Mt e Lc escreveram sobre a genealogia de Jesus, Maria é citada, mas seus pais não são citados.


Para saber sobre os pais de Maria temos que recorrer aos evangelhos apócrifos, ingênuos relatos pela imaginação fervorosa dos primeiros cristãos para completar com isso os silêncios dos evangelhos canônicos. Dificilmente saber até que ponto esses relatos são verdadeiros. Por isso são chamados de apócrifos, isto é, não é de uso publico.


Mas em cada história ou historinha sempre tem alguma lição. Segundo o evangelho apócrifo de São Tiago, os dois, Joaquim e Ana, eram da mesma tribo: Tribo de Judá. Quando tinha 20 anos, Joaquim casou-se com Ana. Durante os 20 anos de matrimônio os dois não geraram nenhum descendente. Não ter descendência, na época, era sinal da maldição de Deus e por isso, era uma vergonha pública. Por outro lado, os dois eram pessoas honradas, temerosas de Deus, generosas em suas ofertas para o Templo.


Joaquim e Ana eram justos e puros de toda mancha de pecado. Levavam uma vida pidedosa diante de Deus e diante dos homens. Tinham uma conduta inocente, isto é, livre de qualquer maldade. Imunes de calúnia e cheios de piedade. Zelosos em oração, em jejum e abstinência, cheios de caridade. Formavam uma família assídua ao Templo. No entanto, não tinham filho até então que tanto desejavam. Mesmo assim continuavam apostar na misericórdia de Deus.


Um dia, quando Joaquim estava para fazer sua oferta no Templo, um escriba chamado Ruben parou os passos de Joaquim e lhe disse: “Não és digno de apresentar tuas oferendas enquanto não tiver tua descendência”. Aflito e humilhado, Joaquim se retirou ao deserto para orar a fim de que Deus pudesse dar de presente um descendente. Ana, a esposa, também começou a se vestir de saco e cilício para pedir a mesma graça. Ana rezou assim: “Ó Deus de nossos pais! Escutai-me e bendizei-me à maneira que bendissestes o seio de Sara, dando-lhe como filho Isaac”.


A humilde suplica de Ana obteve uma resposta de Deus. Um anjo do Senhor anunciou-lhe que eles teriam descendente. Ao mesmo tempo Joaquim, encontrado no deserto, recebeu a mesma mensagem e imediatamente voltou para sua casa com grande alegria para estar com sua esposa, Ana.


Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejavam ver o que vedes, e não viram, desejavam ouvir o que ouvis, e não ouviram”, assim lemos no Evangelho.


O cumprimento das promessas da salvação é a visão. A visão de Deus é o desejo dos profetas e dos justos no AT. Mas não tiveram privilégios de ver Deus. Mesmo assim, eles creram e apostaram sua vida pela Palavra da Aliança. O hoje dos discípulos tem a unicidade da bem-aventurança privilegiada de ver e escutar a própria Vida por excelência, a Salvação em ato, a Palavra encanada: Jesus, Deus-conosco, o Emanuel.


De certa forma, podemos dizer que Joaquim e Ana têm privilégio de ver o fruto da salvação: o nascimento da filha deles, Maria, que se esperava por tanto tempo. A graça de Deus pode tardar, mas nunca falha, porque Deus é cheio de misericórdia.


Não importa se você está num lugar bem deserto ou simplesmente em sua casa, se você fizer uma humilde súplica ao Senhor por uma causa nobre, cedo ou tarde, o Senhor vai atender. Tenha paciência porque “o relógio” de Deus é diferente de nosso relógio. Simplesmente vamos nos abandonar nas mãos de Deus mesmo que tenhamos que enfrentar todo tipo de humilhação e dificuldade. Se lutarmos por uma causa nobre, cedo ou tarde o tempo vai nos revelar quem está com razão. No casal Joaquim e Santana, encontramos um grande paradoxo: um casa justo, mas estéril. A esterilidade, de acordo com o costume na época, é uma negação para a condição de ser justo. “Se os dois fossem justos, teriam que ter filhos. Não tendo filhos é porque não são justos”. Essa era a lógica da época. Mas, no fim da história, Deus sempre tem a ultima palavra. Mesmo que tenha sido tarde, o justo casal, Joaquim e Ana, foi premiado por Deus uma filha chamada Maria, Mãe de nosso Salvador, Jesus Cristo.


Segundo o evangelho apócrifo, depois que entregou Maria para Deus no Templo, Ana se afastou silenciosamente e sumiu para sempre. Sua missão terminou. Com esta marca heróica de desprendimento os apócrifos encerraram o capitulo dedicado aos pais da Virgem Maria.


Ana é uma mulher paciente e humilde. Durante 20 anos ela sofreu sem queixa a tremenda humilhação da esterilidade. Mas suas orações são tão suaves e humildes que fazem o Senhor inclinar para ouvi-las. Sua longa provação não endureceu seu coração, pois ela acredita fielmente no poder de Deus.


Ana é uma mulher generosa, pois ela pede para ter descendente e o gozo de dar com alegria sua filha para o Senhor. E sua filha Maria será capaz de entregar-se à vontade de Deus totalmente: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua Palavra” (Lc 1,38). Ana é uma mulher abnegada, disposta a desprender-se de sua filha para dá-la aos outros.


Pedimos aos pais de Nossa Senhora que todos nós tenhamos o espírito de perseverança no bem que devemos fazer, na oração que devemos fazer, na pratica de caridade, em ser justo em tudo apesar dos obstáculos encontrados no caminho. Mas a graça de Deus nos potencia para ultrapassar os obstáculos a exemplo do justo casal, Joaquim e Ana.


Neste dia também celebramos o dia dos avós.  É o dia de agradecimentos por os nossos avós nos deram nossos pais. É o dia de ação de graças pela vida, pelos cuidados, pelos desvelos, pelos sofrimentos, pelos sacrifícios, pelos esbanjamentos de amor e carinho de nossos avós para nossos pais e para nós. Pela indiscritivel ajuda em nossa educação e na formação de nossa personalidade.


Celebrar a festa dos avós é como um dever de agradecimento, um ato de amor, uma devolução de ternura, e sobretudo, uma ação de graças respeitosa e alegre para fazer todos eles arrancarem seu melhor sorrisonesta celebração íntima e familiar onde eles voltam a ser protagonistas neste dia dos avós.


A sensibilidade da sociedade atual nos pede que se estabeleça um reconhecimento público, universal e particular de cada neto por seus avós, os pais de nossos pais. Elogiar a figura dos avós é tributar um carinho particular pela pessoa impostante de nossas recordações de infância, personagens simpáticos.


Os pais anciãos, elevados para a categoria de avós, merecem a expressão mais fina, gentil e carinhosa dos nestos. Esta fineza embeleza a vida humana, enriquece o mundo e constitui um prestígio para os corações agradecidos. Os netos e os avós unidos neste amor recíproco são autênticos mensageiros da paz.


“O idoso não há-de ser considerado apenas objeto de atenção, solidariedade e serviço. Também ele tem um valioso contributo a prestar ao Evangelho da vida. Graças ao rico património de experiência adquirido ao longo dos anos, o idoso pode e deve ser transmissor de sabedoria, testemunha de esperança e de caridade” (João Paulo II em a Carta Enciclica: Evangelium Vitae n. 94).


O Papa Francisco faz questão de chamar nossa atenção sobre a existência dos anciãos/idosos e de sua importância na nossa vida: Os anciãos são homens e mulheres, pais e mães que antes de nós percorreram o nosso próprio caminho, estiveram na nossa mesma casa, combateram a nossa mesma batalha diária por uma vida digna. São homens e mulheres dos quais recebemos muito. O idoso não é um alieno. O idoso somos nós: daqui a pouco, daqui a muito tempo, contudo inevitavelmente, embora não pensemos nisto. E se não aprendermos a tratar bem os anciãos, também nós seremos tratados assim. Nós, idosos, somos todos um pouco frágeis. No entanto, alguns são particularmente débeis, muitos vivem sozinhos, marcados por uma enfermidade. Outros dependem de curas indispensáveis e da atenção dos outros. Daremos por isso um passo atrás, abandonando-os ao seu destino? Uma sociedade sem proximidade, onde a gratuitidade e o afago sem retribuição — inclusive entre estranhos — começam a desaparecer, é uma sociedade perversa. Fiel à Palavra de Deus, a Igreja não pode tolerar estas degenerações. Uma comunidade cristã em que a proximidade e a gratuitidade deixassem de ser consideradas indispensáveis perderia juntamente com elas também a sua alma. Onde não há honra pelos idosos não há porvir para os jovens (Audiência Geral, Quarta-feira, 4 de Março de 2015).


P. Vitus Gustama,svd

segunda-feira, 24 de julho de 2017

25/07/2017
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VIVER UMA VIDA APOSTÓLICA


SÃO TIAGO MAIOR
25 de julho


Primeira Leitura: 2Cor 4,7-15
Irmãos, 7 trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós. 8 Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos entre os maiores apuros, mas sem perder a esperança; 9 perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados; 10 por toda a parte e sempre levamos em nós mesmos os sofrimentos mortais de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossos corpos. 11 De fato, nós, os vivos, somos continuamente entregues à morte, por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossa natureza mortal. 12 Assim, a morte age em nós, enquanto a vida age em vós. 13 Mas, sustentados pelo mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: “Eu creio e, por isso, falei”, nós também cremos e, por isso, falamos, 14certos de que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também com Jesus e nos colocará ao seu lado, juntamente convosco. 15 E tudo isso é por causa de vós, para que a abundância da graça em um número maior de pessoas faça crescer a ação de graças para a glória de Deus.


Evangelho: Mt 20,20-28
20 Naquele tempo, a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. 21 Jesus perguntou: “O que tu queres?” Ela respondeu: “Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”. 22 Jesus, então, respondeu-lhes: “Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” Eles responderam: “Podemos”. 23 Então Jesus lhes disse: “De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou”. 24 Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. 25 Jesus, porém, chamou-os e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. 26 Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; 27 quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28 Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”.
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Sobre Apóstolo São Tiago Maior


O apóstolo Tiago Maior é irmão de João. Ele ocupa o segundo lugar logo depois de Pedro (Mc 3, 17), ou o terceiro lugar depois de Pedro e André no Evangelho de Mateus (Mt 10, 2; Lc 6,14) e de Lucas (6, 14), ou depois de Pedro e de João (At 1,13). Ele faz parte do grupo dos três discípulos privilegiados (Pedro, Tiago e João) que foram admitidos por Jesus em momentos importantes da sua vida, especialmente na Transfiguração de Jesus (Mc 9,2-13; Mt 17,1-13; Lc 9,28-36) e no horto do Getsêmani (Mc 14,32-41; Mt 26,36-46; Lc 22,39-46).


Uma tradição sucessiva, que remonta pelo menos a Isidoro de Sevilha, relata que São Tiago Maior permaneceu algum tempo na Espanha para evangelizar aquela importante região que fazia parte do Império Romano. Mas outra tradição disse que o seu corpo teria sido transportado para a cidade de Santiago de Compostela na Espanha onde até hoje essa cidade continua sendo um lugar de veneração e objeto de peregrinações.


Graças ao Apóstolo São Tiago, como a outros Apóstolos a Boa Noticia de salvação chega até nós hoje. Por nossa vez não podemos deixar a Palavra de Deus morrer em nossas mãos. Precisamos ser apóstolos na atualidade.


Mensagem da Festa do Apostolo São Tiago Maior


Sempre que celebramos a festa de um apóstolo, fazemos memória do fato fundacional da Igreja. Nossa Igreja é chamada a Igreja apostólica e nossa fé é a fé apostólica, fé que foi nos transmitida pelos apóstolos, testemunhas oculares da vida de Jesus. Falar da fé apostólica significa que nossa fé, nossa esperança, nossa vida de comunidade tem como base a experiência dos apóstolos que estiveram perto de Jesus e o acompanharam até a morte e testemunharam sua ressurreição. Falar da “fé apostólica” significa sentir-se parte de uma longa cadeia de homens e mulheres que em muitos lugares e de muitas maneiras foram atraídos por esse Jesus que os apóstolos conheceram e viveram a mesma experiência que eles viveram e transmitiram aos demais. Falar da fé apostólica significa que tudo que cremos e vivemos não é algo que foi inventado. A fé que os apóstolos viveram e que é transmitida para nós hoje.


O Novo Catecismo da Igreja Católica no artigo 857 afirma: “A Igreja é apostólica, porque está fundada sobre os Apóstolos. E isso em três sentidos:
  1. -foi e continua a ser construída sobre o «alicerce dos Apóstolos» (Ef 2, 20), testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo;
  2. -guarda e transmite, com a ajuda do Espírito Santo que nela habita, a doutrina, o bom depósito, as sãs palavras recebidas dos Apóstolos;
  3. -continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos Apóstolos até ao regresso de Cristo, graças àqueles que lhes sucedem no ofício pastoral: o colégio dos bispos, assistido pelos presbíteros, em união com o sucessor de Pedro, pastor supremo da Igreja: ‘Pastor eterno, não abandonais o vosso rebanho, mas sempre o guardais e protegeis por meio dos santos Apóstolos, para que seja conduzido através dos tempos, pelos mesmos chefes que pusestes à sua frente como representantes do vosso Filho, Jesus Cristo’”.
     
    E no artigo 869 do mesmo Catecismo lê-se: “A Igreja é apostólica: está edificada sobre alicerces duradouros, que são os Doze apóstolos do Cordeiro; é indestrutível; é infalivelmente mantida na verdade: Cristo é quem a governa por meio de Pedro e dos outros apóstolos, presentes nos seus sucessores, o Papa e o colégio dos bispos”.
     
    E os apóstolos são as testemunhas da ressurreição de Jesus Cristo; são testemunhas de que para aquele que aceita Jesus Cristo não conhece a morte, pois ressuscitará como Jesus Cristo ressuscitou. Os apóstolos são proclamadores do triunfo de Jesus sobre a morte, portanto, são os primeiros anunciadores da salvação para todos os homens. E os apóstolos faziam tal proclamação com valentia, sem medo porque era fruto da convicção profunda que produz a verdadeira fé.  Como diz São Paulo: “Sustentados pelo mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: ‘Eu creio e, por isso, falei’, nós também cremos e, por isso, falamos, certos de que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também com Jesus e nos colocará ao seu lado” (2Cor 4,13-14). Quando você tem realmente convicção de uma coisa, você jamais se entregará. Você vai lutar até o fim. Assim foi a vida dos apóstolos. A valentia e a ousadia dos apóstolos não se detinham nem sequer diante das ameaças dos poderosos porque estavam com uma grande convicção da ressurreição do Senhor. São Tiago foi o primeiro de todos a pagar com sua própria vida a intrepidez de seu testemunho. São Tiago aceitou beber o cálice do Senhor. Consequentemente, teve que aprender a servir, a viver desprendido de si mesmo até dar a vida por sua fé e sua dedicação pelo bem comum.
     
    Nós somos encarregados de continuar no mundo esse mesmo testemunho dos apóstolos. Somos chamados e enviados a ser testemunhas da ressurreição, da vida sem fim. Se nós acreditamos realmente na ressurreição, devemos respeitar a vida, a nossa própria e a dignidade da vida dos outros no seu início, na sua duração e no seu fim na história. Quem desrespeita a própria vida e a vida dos outros, nega a ressurreição. Se realmente acreditamos na ressurreição temos que ter certeza de que a vida não termina aqui, pois a vida é de Deus (cf. Jo 11,25; 14,6). Se acreditamos realmente na ressurreição devemos ter certeza de que os que nos precederam estão em comunhão conosco e intercedem por nós como nossos irmãos. Se realmente acreditamos na ressurreição não devemos prolongar nossa tristeza pelo falecimento de nosso irmão/ nossa irmã, nosso pai/nossa mãe, marido/esposa, filho/filha, pois eles apenas voltaram para a casa do Pai (cf. Jo 14,1-6). Se acreditamos realmente na ressurreição, devemos ter certeza de que o amor dos que nos precederam para a eternidade não morre, pois o amor é o nome próprio de Deus: “Deus é amor”, disse são João (1Jo 4,8.16). São Paulo escreveu: “Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós” (Rm 8, 11). E o Novo Catecismo da Igreja Católica afirma: “Crer na ressurreição dos mortos foi, desde o princípio, um elemento essencial da fé cristã. A ressurreição dos mortos é a fé dos cristãos: é por crer nela que somos cristãos” (Artigo 991):
     
    Portanto, devemos revisar com seriedade a nossa fé na ressurreição e a qualidade de nossa maneira de testemunhar essa fé: se nosso testemunho realmente provém de uma convicção interior ou não. A prova disto é a nossa perseverança em tudo a exemplo dos apóstolos.
     
    Por isso, ser cristão, como lição tirada do evangelho deste dia, não pode ser um pretexto para situar-se bem no mundo, para ficar nos primeiros postos ou posições, como pediram os dois irmãos, Tiago e João. Se viver desta maneira, a religião é capaz de cair no perigo de fanatismo e na violência. Ser cristão é seguir Jesus Cristo. Seguir Cristo significa acompanhá-lo em cada momento. É adotar a vida dele na nossa vida e sua missão na nossa missão.
     
    O maior perigo para qualquer cristão, especialmente para aqueles que trabalham na Igreja do Senhor é o mesmo: converter a autoridade em poder e domínio e não em serviço. Quem busca o poder, e uma vez no poder será difícil perceber e achar que está errado. Toda autoridade que se exerce como poder e não como serviço tiraniza e oprime. Quem exerce a autoridade puramente como serviço ao irmão e à comunidade tem um mérito extraordinário. O poder já é perigoso, muito mais ainda super-poderoso.
     
    Na Igreja de Cristo todos nós somos chamados a servir no espírito de Jesus. Servir é adorar a Deus em ação. Servir é fazer algo de bom sem esperar nada de troca ou de reconhecimento. Uma Igreja que não serve, não serve para nada. Servir pela salvação dos demais é o centro do cristianismo. O poder e o serviço se excluem. A ambição de poder é o câncer do serviço. O poder pode servir para muitas coisas, mas não serve para tornar bons os homens. Geralmente os maus líderes produzem os maus funcionários. A competitividade na Igreja do Senhor faz desaparecer a solidariedade, a compaixão, a igualdade e a colaboração. A competitividade sempre torce para que a vida do outro não dê certo para que ele possa estar em destaque solitariamente para ser adorado pelos demais. O cristão existe para os outros e é batizado para os outros.
     
    Não é a missão de Cristo na terra situar seus seguidores nos melhores postos e conceder honras, e sim salvar os homens com um amor que jamais morre.Toda autoridade na Igreja é fazer os outros crescerem no bem e para salvar as pessoas.
     
    Pequena Mensagem Dos Textos
     
    O pedido da mãe em favor de seus filhos Tiago e João é o fruto de um pensamento no reino temporal em que há honras, dignidades, privilégios, primeiros lugares em tudo e assim por diante. Mas não é a missão de Jesus Cristo situal seus amigos nos melhores postos e conceder honras e honrarias e sim salvar os homenes com um amor que não se detém diante da morte e morte de cruz. Aquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos, também ressuscitará e premiará em seu dia os que agora seguem os passos de Jesus.
     
    Poderíamos resumir o Evangelho de hoje com o seguinte pensamento: o modelo do Reino, e, portanto, dos que o pregam, não será o do poder politico e sim do serviço tal como Jesus o entende e o realiza em sua vida. O modelo que Jesus propõe é o do “servidor” (diakonos), e “escravo” dos demais. A novidade deste modelo é o serviço aos demais: para os judeus era uma honra chamar-se servidores de Deus, mas não dos homens.
     
    E este serviço que Jesus propõe tem um modelo muito claro: Ele próprio. Com suas últimas palavras Jesus corrige um concepção errônea que poderia ter sobre sua pessoa e ao mesmo tempo se apresenta como modelo do serviço que lava até os pés dos apóstolos (cf. Jo 13,1-20; Mc 10,45). Com uma frase negativa: “Eu não fim para...” e logo com outra frase positiva: “e sim para dar sua vida...”, Jesus indica que Ele será o verdadeiro Srrvo de Javé e que Sua morte terá sentido de ser para todos os homens uma libertação (resgate) para levar uma vida nova.
     
    O caminho da conversão dos Doze, em particular de Tiago e João, é uma chamada para todos nós. Também nós podemos mudar. Podemos, sim, fazer o melhor na Igreja em que não há governantes nem súditos, poderosos e escravos, uns lá em cima e outros lá em baixo.
     
    Para que isto possa acontecer, temos que voltar ao Evangelho de Jesus Cristo. Cada cristão deve marchar pelo caminho do Mestre, que não veio para ser servido e sim para servir e dar sua vida pela salvação dos homens. Esta plena solidariedade com os homens e a entrega da vida por eles é o programa permanente de todos os cristãos. Dar a vida significa projetar a existência inteira como doação.
     
    Mas não é fácil viver essa missão, pois “trazemos esse tesouro em vasos de barro...”.
     
    O “tesouro” que a passagem alude é o conhecimento, a experiência de Jesus ressuscitado. Este é o incomparável dom que levamos em “vasos de barro”, expressão que pode fazer referência à debilidade da pessoa do próprio Paulo (cf. 2Cor 12,7-10; Gl 4,14) ou talvez, ao próprio corpo do homem saído de barro segundo a tradição de Gn 2,7. A pregação da fé se faz a partir da própria limitação do homem. Essa limitação faz o cristão recorrer sempre ao Senhor para pedir ajuda.
     
    Paulo sabe muito bem que sem a graça de Deus ele cairia ao fracasso total. A debilidade do que crê não é sintoma de fracasso e sim lugar da manifestação de Deus. Na debilidade de Jesus como ser humano se manifesta a glória do Pai. A Igreja, cada cristão anuncia o Evangelho não a partir do poder e sim da distância do poder, pois o Evangelho só pode ser anunciado com credibilidade a partir da Cruz onde aparece a verdade crua.
     
    São Tiago aceitou beber o cálice do Senhor. Com efeito, São Tiago teve que aprender a servir, a viver desprendido de si mesmo, como Cristo, até dar a vida por sua fé. Que a recordação do sangue derramdo de São Tiago seja para nós uma força para continuarmos a testemunhar uma vida dedicada ao bem.
     
    Além disso, ser cristão não pode ser um pretexo para situar-se bem no mundo, para alcançar primeiros postos pela ambição de poder a fim de ter privilégios desmedidos. Quando a religião se degrada, a fé facilmente se torna uma pseudo-crença e cai no perigo de fanatismo.
     
    Celebrar a Eucaristia é comer o pão e beber o cálice. Com esse gesto de comunhão significamos nossa comunhão com Jesus e com os irmãos. Comungamos, então, com a causa de Jesus. Assim damos sentido à nossa fé e nos envolvemos na missão da Igreja, fundada sobre os apóstolos.
P.Vitus Gustama, SVD

sábado, 22 de julho de 2017

24/07/2017
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APRENDER A VER O DEUS INVISÍVEL ATRAVÉS DAQUILO QUE É VISÍVEL PARA PODER ENCARAR O IMPOSSÍVEL


Segunda-Feira Da XVI Semana Comum


Primeira Leitura: Ex 14,5-18
Naqueles dias, 5 foi anunciado ao rei dos egípcios que o povo tinha fugido. Então, mudaram-se contra ele os sentimentos do Faraó e dos seus servos, os quais disseram: “Que fizemos? Como deixamos Israel escapar, privando-nos assim dos seus serviços?” 6 O Faraó mandou atrelar o seu carro e levou consigo o seu povo. 7 Tomou seiscentos carros escolhidos e todos os carros do Egito, com os respectivos escudeiros. 8 O Senhor endureceu o coração do Faraó, rei do Egito, que foi no encalço dos filhos de Israel, enquanto estes tinham saído de braço erguido. 9 Os egípcios perseguiram os filhos de Israel com todos os cavalos e carros do Faraó, seus cavaleiros e seu exército, e encontraram-nos acampados junto do mar, perto de Fiairot, defronte de Beel-Sefon. 10 Como o Faraó se aproximasse, levantando os olhos, os filhos de Israel viram os egípcios às suas costas. Aterrorizados, eles clamaram ao Senhor. 11 E disseram a Moisés: “Foi por não haver sepulturas no Egito que tu nos trouxeste para morrer no deserto? De que nos valeu ter sido tirados do Egito? 12 Não era isso que te dizíamos lá: ‘Deixa-nos em paz servir aos egípcios?’ Porque era muito melhor servir aos egípcios do que morrer no deserto”. 13 Moisés disse ao povo: “Não temais! Permanecei firmes, e vereis o que o Senhor fará hoje para vos salvar; os egípcios que hoje estais vendo, nunca mais os tornareis a ver. 14 O Senhor combaterá por vós, e vós, ficai tranquilos”. 15 O Senhor disse a Moisés: “Por que clamas a mim por socorro? Dize aos filhos de Israel que se ponham em marcha. 16 Quanto a ti, ergue a vara, estende o braço sobre o mar e divide-o para que os filhos de Israel caminhem em seco pelo meio do mar. 17 De minha parte, endurecerei o coração dos egípcios, para que sigam atrás deles, e eu serei glorificado às custas do Faraó, e de todo o seu exército, dos seus carros e cavaleiros. 18 E os egípcios saberão que eu sou o Senhor, quando eu for glorificado às custas do Faraó, dos seus carros e cavaleiros”.


Evangelho: Mt 12,38-42
Naquele tempo, 38 alguns mestres da Lei e fariseus disseram a Jesus: “Mestre, queremos ver um sinal realizado por ti”. 39 Jesus respondeu-lhes: “Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas. 40 Com efeito, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem estará três dias e três noites no seio da terra. 41 No dia do juízo, os habitantes de Nínive se levantarão contra essa geração e a condenarão, porque se converteram diante da pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas. 42 No dia do juízo, a rainha do Sul se levantará contra essa geração, e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Sa­lomão”.
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Crer Em Deus Firmemente Apesar Das Impossibilidades


Não temais! Permanecei firmes, e vereis o que o Senhor fará hoje para vos salvar; os egípcios que hoje estais vendo, nunca mais os tornareis a ver. O Senhor combaterá por vós, e vós, ficai tranquilos. São palavras de Moisés dirigidas ao povo dominado pelo medo por causa dos egípcios que os perseguem.


O relato da passagem do Mar vermelho que vamos ler também amanhã é um acontecimento chave ou é o melhor símbolo da libertação. Ainda que o caminho para a terra prometida esteja cheio de dificuldades, a passagem pelo Mar vermelho é o ato constitutivo do povo de Israel. Não é uma história cientifica, imparcial e sim um relato religioso em que aparece continuamente o fio condutor: Deus é fiel à sua promessa, salva seu povo e o guia. Quanto maior for uma dificuldade, como a passagem do Mar vermelho, maior será a proclamação da grandeza de Deus e Sua bondade para o povo. Dentro da grandeza de Deus é que se canta o Responsório hoje: “Ao Senhor quero cantar, pois fez brilhar a sua glória: precipitou no mar Vermelho o cavalo e o cavaleiro! O Senhor é a minha força, é a razão do meu cantar, pois foi ele neste dia para mim libertação! Ele é meu Deus e o louvarei, Deus de meu pai e o honrarei (Ex 15,1-6).


O relato gira em torno de um tema importantíssimo: a fé. Aqui a fé é entendida como resposta ao medo produzido por uns acontecimentos que parecem inevitáveis e insuperáveis.


O povo eleito se encontra entre o mar vermelho na sua frente e os inimigos egípcios por trás dele. O povo praticamente está encurralado e sem saída do ponto de vista humano. “Foi por não haver sepulturas no Egito que tu nos trouxeste para morrer no deserto? De que nos valeu ter sido tirados do Egito? Não era isso que te dizíamos lá: ‘Deixa-nos em paz servir aos egípcios?’ Porque era muito melhor servir aos egípcios do que morrer no deserto”, assim reclamou o povo hebreu diante de Moisés. O povo eleito quer a liberdade, mas lhe dá medo pelo preço que deve ser pago.


Mas quem acredita em Deus há sempre solução mesmo que ele se encontre diante de uma situação impossível do ponto de vista humano. Quem tem fé é capaz de ver o Invisível que se manifesta com força por meio das realidades visíveis. A fé em Deus nos faz crermos no incrível, vermos o Invisível e realizar o impossível. A fé em Deus nos dá capacidade de “ver” Deus e de nos deixar atrair por Ele.


Não temais! Permanecei firmes, e vereis o que o Senhor fará hoje para vos salvar; os egípcios que hoje estais vendo, nunca mais os tornareis a ver. O Senhor combaterá por vós, e vós, ficai tranquilos”, acalmou Moisés o povo hebreu. Diante de um povo que duvida e que tem medo, destaca-se a figura de Moisés como um homem de fé. Moisés exige do povo uma fé ilimitada. Moisés repete três vezes o verbo “ver”. O povo é convidado a abrir os olhos para ver as maravilhas de Deus. Ver teologicamente é entrar em contato com Deus através de tudo que se passa na vida. O Deus invisível se manifesta no visível. O olhar de fé é um olhar de esperança em que além de tudo está Deus. O olhar de fé vai além das aparências e dos acontecimentos para perceber o apelo de Deus neles e através deles.


A fé de Moisés é pura e inquebrantável. É uma confiança que se entrega. É uma fé com toda sinceridade e projetada sobre os demais como um testemunho irrebatível. Moisés se apoia somente na fé: “Não temais! Permanecei firmes, e vereis o que o Senhor fará hoje para vos salvar”. É a segurança que dá a fé. Mas esta segurança não tem nada a ver com a irresponsabilidade da vida sem ação nem com a espera fatalista. Não se pode esperar que o céu resolva tudo sem nossa colaboração. Diante do perigo não se pode ter medo nem vacilar.


Ergue a vara, estende o braço sobre o mar e divide-o para que os filhos de Israel caminhem em seco pelo meio do mar”, ordenou Deus a Moisés. Deus libertou o povo quando tudo indicava que isso era impossível. Precisamos da fé de Moisés para poder ver a presença de Deus naquilo que tem aparência impossível para ser resolvido.


Tudo Na Vida Fala De Deus. É Preciso Criar o Silêncio Para Captar Seu Significado


“Mestre, queremos um sinal realizado por Ti”.  


Sempre estamos tentados em fazer para Deus esta pergunta: “Senhor, queremos um sinal realizado por Ti”. Além disso, queremos ainda mais fazer uma ladainhas de perguntas para Deus. Por que Deus não escreveu seu Nome no céu para o ser humano ler e acreditar nele sem dificuldade? Por que Ele não nos dá uma prova expressa de Sua existência de maneira que nossa dúvida se torne impossível? Assim os ateus, os pagãos e os adeptos de qualquer religião ficariam tranquilos? Por que Deus não faz, então, este sinal? Simplesmente porque Deus não é o que pensamos.


A imagem de Deus que temos nem sempre é o próprio Deus. Até acontece muitas vezes que ficamos mais com uma suposta imagem de Deus do que com o próprio Deus. Agarramos, muitas vezes, uma suposta imagem de Deus do que o próprio Deus.  Deus é um Deus de amor (1Jo 4,8.16), e estamos sempre tentados a atribui-lhe outro papel. Deus não quer ser servidor dos caprichos dos homens. Deus é diferente e é o Diferente por excelência.


O sinal de Deus, por excelência, é a morte de Jesus na cruz por amor aos homens (Jo 3,16; 13,1) e a sua ressurreição, pois Deus é a Vida (Jo 14,6). É o mistério pascal de Jesus Cristo.


Pedimos “sinais” a Deus.  E ele nos dá muitos sinais na nossa vida; mas não sabemos vê-los nem sabemos interpretá-los. O mundo e a história estão cheios de sinais de Deus. Um dos objetivos da “revisão de vida” é o de aprender uns dos outros a ver e a ler os sinais de Deus nos acontecimentos e na própria vida de cada um de nós. Deus trabalha no mundo. Nele é que o mistério pascal continua se realizando. Deus nos dá sinais, mas são sinais discretos e não espetaculares. É preciso ter muita serenidade para captar e entender os sinais de Deus na nossa vida e os sinais que estão ao nosso redor.


Deus está tão próximo de Deus. “Estava no mundo e o mundo não O conheceu”, escreveu são João (Jo 1,10). Deus continua atuando nos olhos dos que choram, nos que sofrem por serem justos, honestos, e verdadeiros; nos que trabalham pela paz apesar da resistência diante da reconciliação; em quantos trabalham pela erradicação da fome e da pobreza apesar da exploração e da corrupção de alguns grupos insensíveis às questões sociais; em todo o homem e a mulher que procuram Deus com coração sincero apesar das dores encontradas na vida. A sua vontade de rezar e de meditar a Palavra de Deus é sinal de que o Espírito de Deus continua atuando em você. O Espírito de Deus continua atuando em você quando reza por si e pelos outros; está em quantos estão sempre prontos para ajudar quem está em necessidade. Numa palavra, em tudo o que é bondade e amor, paz e bem porque tudo isto é reflexo e semente do sinal básico do sacramento perene do próprio Deus. Em tudo que aconteceu e acontece e acontecerá na nossa vida Deus quer nos dizer alguma coisa a respeito de nossa salvação, mas que nem sempre sabemos criar o silêncio para ouvir a mensagem de Deus. O silêncio é o vazio fecundo que possibilita a presença do Eterno, ou da Plenitude na nossa vida.


Jesus não quer que nossa fé se baseie unicamente nas coisas maravilhosas e sim na Sua Palavra: “Se vocês não vissem sinais, não acreditariam” (Jo 4,48). Temos sorte do dom da fé. Para crer em Jesus Cristo não necessitamos de milagres novos. Basta ter a fé, seremos felizes (Jo 20,29; cf. Hb 11,1). Sua ressurreição é suficiente para qualquer cristão. A ressurreição de Jesus é o maior de todos os milagres que nos leva a termos a esperança de que temos um futuro com Deus. A fé não é ciosa de provas exatas, nem se apoia em novas aparições nem em milagres espetaculares ou em revelações pessoais. Jesus já nos felicitou: “Felizes os que creem sem terem visto” (Jo 20,29). Deus está muito mais no nosso coração do que na nossa cabeça. O coração sente aquilo que os olhos não veem. Deus cabe no nosso coração e não na nossa cabeça.


O Concilio Vaticano II, através de um dos seus famosos documentos, chamado Gaudium et Spes, afirma: “é dever da Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho; para que assim possa responder, de modo adaptado em cada geração, às eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida presente e da vida futura, e da relação entre ambas. É, por isso, necessário conhecer e compreender o mundo em que vivemos, as suas esperanças e aspirações, e o seu caráter tantas vezes dramático” (GS, no.4).


Para Refletir: ONDE ESTÁ TEU DEUS?


“Deus está ali; naquele cantinho mais secreto da tua vida, aonde ninguém chega, em que uma voz que não sabes donde vem, nem para onde vai, te diz o que não querias ouvir, te recorda o que desejarias ter esquecido, te profetiza o que nunca desejarias saber. Nessa voz que não ouves, mas que te desaprova. Nessa voz que não é tua, mas que nasce em ti e que nem o sono, nem o barulho, nem a bebida, nem a carne conseguem fazer calar. Está nessa resposta que ainda não te atrevestes a dar e que verificas ir ser dolorosa mas eficaz, como uma operação cirúrgica. Deus está nesse abismo profunda da tua incredulidade. É aquilo que lamentas ter perdido, que temes reencontrar e que quererias possuir, ainda que te envergonhes de o confessar aos outros. Deus está no gozo do bem que fizeste sem que ninguém o soubesse. Deus está na paz do lago sereno das tuas lágrimas quando te reconcilias com a tua consciência e que te dá a sensação de renasceres. Deus está em todo o gesto de amor. Está em cada mão que se abre para o bem. Está no trabalho que te sensibiliza para a vida, que te fortalece para o amor. Está em todo o bem que desejas para os que amas. Está nas coisas mais insignificantes que te podem dar serenidade. Deus está em tudo que não chamas Deus, mas que te sentes tentado a adorar, a beijar, a abraçar. Está no gosto da inocência intacta. Deus está nessa força misteriosa que nos mantém vivos, que nos impede de enlouquecer, que nos evita o suicídio depois de certas provas dramáticas da vida, depois de certos desgostos mais cruéis e trágicos do que a morte. Deus está no coração de toda a verdadeira esperança; a esperança pode, por vezes, esconder-se como as estrelas, mas nunca apagar-se porque é o reflexo do sol e o sol não “morre” porque é a luz de Deus. E Deus não fecha os olhos a ninguém. Se o fizesse, não seria o Amor. Por isso, Deus está sobretudo onde reina o amor” (Juan Arias: O Deus Em Quem Não Creio).


P. Vitus Gustama,svd