sexta-feira, 11 de agosto de 2017


12/08/2017
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É PRECISO TER FÉ FIRME NO DEUS ÚNICO EM TODAS AS CIRCUNSTÂNCIAS PARA SUPERAR TUDO NA VIDA


Sábado Da XVIII Semana Comum


Primeira Leitura: Dt 6,4-13
Moisés falou ao povo, dizendo: 4 “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. 5 Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. 6 E trarás gravadas em teu coração todas estas palavras que hoje te ordeno. 7 Tu as repetirás com insistência aos teus filhos e delas falarás quando estiveres sentado em tua casa, ou andando pelos caminhos, quando te deitares, ou te levantares. 8 Tu as prenderás como sinal em tua mão e as colocarás como um sinal entre os teus olhos; 9 tu as escreverá nas entradas da tua casa e nas portas da tua cidade. 10 Quando o Senhor te introduzir na terra que prometeu com juramento a teus pais, Abraão, Isaac e Jacó, que te daria, com cidades grandes e belas que não edificaste, 11 casas cheias de toda espécie de bens que não acumulaste, cisternas já escavadas que não cavaste, vinhas e oliveiras que não plantaste; e quando comeres e te fartares, 12 então, cuida bem de não esqueceres o Senhor que te tirou do Egito, da casa da escravidão. 13 Temerás o Senhor teu Deus, a ele servirás e só pelo seu nome jurarás”.


Evangelho: Mt 17,14-20
Naquele tempo, 14 chegando Jesus e seus discípulos junto da multidão, um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se e disse: 15 “Senhor, tem piedade do meu filho. Ele é epiléptico, e sofre ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água. 16 Levei-o aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo!” 17 Jesus respondeu: “Ó gente sem fé e perversa! Até quando deverei ficar convosco? Até quando vos suportarei? Trazei aqui o menino”. 18 Então Jesus o ameaçou e o demônio saiu dele. Na mesma hora, o menino ficou curado. 19 Então, os discípulos aproximaram-se de Jesus e lhe perguntaram em particular: “Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?” 20 Jesus respondeu: “Porque a vossa fé é demasiado pequena. Em verdade vos digo, se vós tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha: ‘Vai daqui para lá’ e ela irá. E nada vos será impossível”.
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Fé No Deus Único


Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor!”.


“Escutai, ó Israel!”. Esta citação da primeira frase da Primeira Leitura de hoje se chama “Shemah”. “Shemah” é a grande oração judaica, núcleo da piedade pessoal e litúrgica ao longo de sua história. É uma confissão de fé. Mas esta confissão de fé não proclama um conceito filosófico, isto é, a unicidade de Deus, e sim o fruto da experiência de todo um povo: fora de Javé (Deus), nenhum deus se mostrou capaz de salvar.


Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor!”.


É uma confissão fundamental e mandamento principal do povo judeu. Este mandamento faz parte constitutiva do legado mais valioso e precioso para os judeus juntamente com Dt 11,13-21 e Nm 15,38-44. Estas três citações (Dt 6,4-9; Dt 11,13-21 e Nm 15,38-44) formam o famoso Shemah (denominado pela primeira palavra hebraica de 6,4: “Escutai!”). Todos os judeus observantes rezam o Shema de manhã e de tarde. De todos os textos que compõem o Shema, Dt 6,4 é o mais importante por conter a proclamação, por excelência, da fé judaica: “O Senhor é único!”.


O que Israel proclama diretetamente nesta fórmula é que fora de seu Deus não se pode mostrar como divina nenhuma divindade ou deificação.


Um dos grandes temas da Escritura é a escuta da Palavra de Deus. Na Bíblia, a escuta é uma palavra–chave que caracteriza toda a tradição do povo hebraico. O povo foi formado pela escuta da Palavra de Deus, assim como o próprio cristianismo foi formado pela escuta da palavra do Senhor Jesus Cristo. Cada piedoso e observante israelita, para se compenetrar da vontade de Deus, repete dia a dia esta frase: “Escutai, ó Israel”, conhecida como “Shemah” (Dt 6,4; Mc 12,29), que desde o fim do século I d. C não deixou de ser rezado de manhã e de tarde. Por trás da palavra “Shemah”, que convida Israel a se colocar numa atitude de escuta, proclama-se solenemente a unidade de Deus que causa a união plena e total de Israel com o Senhor.


Escutar é a primeira forma de fé e de oração, antes que dizer palavras ou entoar cantos. Escutar é uma das atitudes mais cristãs. Somente os que têm a humildade é que são capazes de escutar. O auto-suficiente e o orgulhoso não sabem escutar e não querem escutar. O autosuficiente e o orgulhoso não sabem escutar e não querem escutar.


A resposta adequada diante de Deus que se revelou como libertador do povo eleito da escravidão do Egito é temer, obedecer confiar e apegar-se a Javé que se resume numa palavra “Amarás”, porque expressa a entrega total do ser e nunca admite um alto ou um basta. O profeta Oseias e Jeremias fazem seu este termo. Em outras passagens do Antigo Testamento não se exige diretamente amar a Javé. Nos livros proféticos e nos Salmos o povo é convidado a corresponder com fidelidade à Aliança, a “temer Javé”, a “obedecer a Ele”. O Deuteronômio usa também estas expressões, mas “amar a Deus” é a expressão suprema. É a resposta profunda do homem livre (libertado por Javé) que se entrega livremente a Ele.


Deus Quer Ser Amado Integralmente


Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças”.


Jesus dirá: “Nesses dois mandamentos (amar a Deus e amar ao próximo como a si mesmo) se resumem toda a lei e os profetas” (Mt 22,40).


Deus não é antes de tudo o Ser Supremo, o Motor inicial do qual o universo necessita para existir. Deus não é somente o Grande Arquiteto, a Inteligência Primeira que explica a finalidade do mundo (universo) e preside os fenômenos da natureza. Deus não é unicamente o Bem por excelência, o Valor perfeito em relação ao qual serão julgadas todas as consciências por sua opção pelo bem ou pelo mal. Deus é tudo isso certamente. Mas acima de tudo Ele quer ser Alguém com quem se entra em relação. Deus é Alguém que ama e espera ser amado. Deus é um Coração. Deus é um Ser que aceita ser vulnerável em Jesus Cristo, Deus-Conosco.


O Deus que se revelou a nós quer ser amado como todo coração, com toda alma, com todas as forças, por atos cotidianos. Trata-se de um amor que inclui a obrigação de servir a Deus e cumprir seus preceitos, mas exclui o temor do escravo, pois a Aliança com Deus capacita o povo para servir o Senhor e amá-Lo. Amar a Deus significa ser-lhe fiel e leal, obedecer a seus mandamentos e servi-Lo.


Deus espera que nos comprometamos por inteiro: com o coração, com a mente, com a sensibilidade, com a afetividade, com o corpo, com a atividade. Coração e alma, geralmente considerados como a sede da vida psíquica ou do homem interior, são apresentados aqui como a sede do amor de Deus. A pessoa inteira tem que estar em atitude de escuta total para poder gravar as palavras do Senhor.


A obrigação de recordar este preceito báscio abarca todas as atividades humanas: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. E trarás gravadas em teu coração todas estas palavras que hoje te ordeno. Tu as repetirás com insistência aos teus filhos e delas falarás quando estiveres sentado em tua casa, ou andando pelos caminhos, quando te deitares, ou te levantares”. É uma atitude que não admite limites nem pausas.


No Novo Testamento Jesus reafirma este preceito e o amplia ao próximo, pois se entrarmos em aliança com Deus, sentiremos que todos os homens são nossos irmãos, porque Deus é o Pai nosso.


Amarás! Amarás! Amarás! Por toda parte, de todas as maneiras, com todas as forças, para todas as pessoas e em todos os momentos. Este é o segredo do processo da humanização para poder acontecer a divinização do homem. “Deus é amor, e que quem permanece no amor permenece em Deus e Deus nele”, escreveu São João (1Jo 4,16b).


¡Amarás! ¡Amarás! ¡Amarás! Por todas partes, de todas las maneras, en todo momento.


Fé Firme Em Deus e Oração Perseverante Resulta Em Algo Extraordinário


’Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?’. Jesus respondeu: ‘Porque a vossa fé é demasiado pequena. Em verdade vos digo, se vós tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha: ‘Vai daqui para lá’ e ela irá. E nada vos será impossível’”.


O episódio de um pai que se dirigiu a Jesus para pedir socorro, narrado no texto do evangelho de hoje, se encontra nos evangelhos sinóticos (Mt, Mc e Lc); um episódio que aconteceu logo depois da transfiguração.


É curioso que o homem em questão, em vez de se dirigir diretamente a Jesus, dirigiu-se primeiro aos discípulos para pedir ajuda pela cura de seu filho. Não tendo conseguido nada deles, ele se dirigiu logo ao seu Mestre. O que se segue é o diálogo de Jesus com seus discípulos.


O sofrimento do filho desse pai é atribuído ao demônio: “Jesus o ameaçou e o demônio saiu dele”. A enfermidade se identifica com um demônio. Esse “demônio” em Mateus representa qualquer ideologia ou projeto contrário ao plano de Deus (cf. Mt 16,23) que cega o homem e o faz paralisado ou sem ação. “O filho doente” representa o povo oprimido por essa ideologia que procura periodicamente (epiléptico) todos os meios, até os meios violentos (fogo, água) para sair de sua situação. No entanto todos são ineficazes.


O pai se dirige a Jesus com fé. Sua fé se expressa através do gesto: de joelho (atitude diante da divindade), e através da profissão: ele chama Jesus de “Senhor”, um título pós-pascal. Ele quer sair de sua situação (cura de seu filho). E quem pode salvá-lo de sua situação é Jesus que é o Senhor: Um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se e disse: ‘Senhor, tem piedade do meu filho. Ele é epiléptico, e sofre ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água. Levei-o aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo!’”.


Diante do relatório e do pedido do pai, a resposta de Jesus é bastante dura: Ó gente sem fé e perversa! Até quando deverei ficar convosco? Até quando vos suportarei?”.


A paixão do Messias já se inicia não tanto pelas dores corporais, mas pelas dores provocadas pelo profundo sofrimento espiritual. Trata-se do impacto da descrença e da falta de fé da parte dos discípulos apesar das lições dadas a eles e das obras operadas por Jesus em função da libertação das pessoas.  Os discípulos ainda fazem parte da “geração incrédula e perversa”, pois eles continuam com a idéia dos homens (Mt 16,23), ou seja, ainda professam o messianismo dos letrados, sem depositar sua fé em Jesus, o Deus-Conosco (Mt 1,23; 18,20; 28,20), e por isso são incapazes de libertar o povo. Diante deles, Jesus libertou o menino de seu mal: ’Trazei aqui o menino’. Então Jesus o ameaçou e o demônio saiu dele. Na mesma hora, o menino ficou curado”.


Diante da pergunta sobre o porquê da incapacidade dos discípulos em curar o menino, Jesus deu-lhes uma grande lição sobre a importância da fé: “Em verdade vos digo, se vós tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha: ‘Vai daqui para lá’ e ela irá. E nada vos será impossível”. Com suas palavras, Jesus sublinha, sobretudo, a necessidade da fé para poder vencer o mal.


A fé é onipotente porque nos une ao Onipotente. A fé é o ponto de apoio em Deus. A fé nos dá um poder incrível, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, como podemos verificar na vida de tantos homens e mulheres ao longo da história da Igreja. A fé nos permite rezar de modo eficaz. Segundo Jesus, a verdadeira fé faz desaparecer qualquer impossibilidade, faz qualquer um caminhar na vida com serenidade e paz, com alegria profunda como uma criança nas mãos de sua mãe. A verdadeira fé liberta qualquer um do desapego de todas as coisas. Além disso, é importante para nossa vida comunitária ter em conta que a fé em Deus nos abre muitas possibilidades e qualidades que estão escondidas e adormecidas. Ao assumir pessoalmente a fé, começaremos a ser conscientes de nossas grandes reservas humanas, as quais devem ser postas para o serviço aos demais.


Em verdade vos digo, se vós tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha: ‘Vai daqui para lá’ e ela irá. E nada vos será impossível”. Há que tomar a sério essas palavras do Senhor. Efetivamente não se trata de remover as montanhas materiais. Mas pela fé podemos realizar outras tarefas que não são menos difíceis: remover montanhas de orgulho e de prepotência, de egoísmo, de covardia, de comentários maldosos, de comodismos, de falta de solidariedade e de partilha, etc., mudar de coração, de hábitos negativos instalados no nosso coração para podermos entrar em relação com Deus e com os irmãos, nossos próximos. A fé, tal como é considerada aqui por Jesus, é uma fonte de audácia, de iniciativa. A fé, tal como Jesus a vê, é uma força: triunfa sobre o impossível, duplica as forças do homem para superar o impossível do ponto de vista humano, é um “poder de Deus” para a salvação de qualquer pessoa que crê.


Jesus tirou o mal do menino no texto do evangelho de hoje. Nossa luta contra o mal, o mal que há dentro de nós e o mal dos demais, somente pode ser eficaz quando se baseia na força de Deus. Somente em união com Cristo é que se pode libertar o mundo de todo mal. Não se trata de fazer gestos mágicos ou de pronunciar palavras que tem eficácia por si só. Quem salva e quem liberta é Deus e nós, somente se permanecermos unidos e Deus pela oração. Esta é uma das lições que Jesus nos dá hoje.


O que acontece é que muitas vezes nossa fé é débil, como a fé dos discípulos. Os discípulos encontraram dificuldade em libertar os outros de seus males porque confiaram apenas em suas próprias forças. Muitas vezes nos fracassamos, como os discípulos de Jesus, porque confiamos somente nas nossas próprias forças e nos esquecemos de nos apoiar em Deus.


Para que nossa fé permaneça fé é preciso nutri-la com a oração. A oração, por sua vez, consiste em pensar em Deus amando-o, eleva-nos para o mesmo Deus, a partir de qualquer circunstância. É a oração que nos permite abrir o cofre dos favores divinos, pois nos põe em contacto com o Deus vivo a quem, segundo o ensinamento de Jesus, dizemos: «Faça-se a tua vontade». Este abandono a Deus é importante para nós, pois Ele sabe o que mais nos convém ou não convém. Rezamos não para mudar Deus e sim para mudar quem reza de acordo com a vontade ou o plano de Deus sobre o ser humano. Quem não reza erra muito o caminho.


P. Vitus Gustama,svd

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