quarta-feira, 29 de novembro de 2017

01/12/2017
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VIVER CONFORME A PALAVRA DE DEUS QUE NÃO CONHECE A CADUCIDADE
Sexta-Feira da XXXIV Semana Comum


Primeira Leitura: Dn 7,2-14
“Eu, Daniel, 2 tive uma visão durante a noite: eis que os quatro ventos do céu revolviam o vasto mar, 3 e quatro grandes animais, diferentes uns dos outros, emergiam do mar. 4 O primeiro era semelhante a um leão, e tinha asas de águia; ainda estava olhando, quando lhe foram arrancadas as asas; ele foi erguido da terra e posto de pé como um homem, e foi-lhe dado um coração de homem. 5 Eis que surgiu outro animal, o segundo, semelhante a um urso, que estava erguido pela metade e tinha três costelas nas fauces entre os dentes; ouvia-se dizer: ‘Vamos, come mais carne’. 6 Continuei a olhar, e eis que assomou outro animal, semelhante a um leopardo; tinha no dorso quatro asas de ave, e havia no animal quatro cabeças. E foi-lhe dado poder. 7 Depois, eu insistia em minha visão noturna, e eis que apareceu o quarto animal, terrível, estranho e extremamente forte; com suas dentuças de ferro, tudo devorava e triturava, calcando aos pés o que sobrava; era bem diferente dos outros animais que eu vi antes, e tinha dez chifres. 8 Eu observava estes chifres, e eis que apontou entre eles outro chifre pequeno, e, em compensação, foram arrancados três dos primeiros chifres; e eis que neste chifre pequeno havia uns olhos como olhos de homem e uma boca que fazia ouvir uma fala muito forte. 9 Eu continuava olhando até que foram postos uns tronos, e um Ancião de muitos dias aí tomou lugar. Sua veste era branca como neve e os cabelos da cabeça, como lã pura; seu trono eram chamas de fogo, e as rodas do trono, como fogo em brasa. 10 Derramava-se aí um rio de fogo que nascia diante dele; serviam-no milhares de milhares, e milhões de milhões assistiam-no ao trono; foi instalado o tribunal, e os livros foram abertos. 11 Eu estava olhando para o lado das palavras fortes que o mencionado chifre fazia ouvir, quando percebi que o animal tinha sido morto, e vi que seu corpo fora feito em pedaços e tinha sido entregue ao fogo para queimar; 12 percebi também que aos restantes animais foi-lhes tirado o poder, sendo-lhes prolongada a vida por certo tempo. 13 Continuei insistindo na visão noturna, e eis que, entre as nuvens do céu, vinha um como filho de homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença. 14 Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá”.


Evangelho: Lc 21,29-33
29 Jesus contou-lhes uma parábola: “Olhai a figueira e todas as árvores. 30 Quando vedes que elas estão dando brotos, logo sabeis que o verão está perto. 31 Vós também, quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o Reino de Deus está perto. 32 Em verdade, eu vos digo: tudo isso vai acontecer antes que passe esta geração. 33 O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar.
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Somente Deus Tem o Poder Eterno e Os Demais Poderes São Passageiros


Na visão noturna, e eis que, entre as nuvens do céu, vinha um como filho de homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença. Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá”.


O capítulo sétimo de Daniel, que meditamos hoje e no sábado (amanhã), é o mais importante de todo o apocalipse bíblico pela riqueza deslumbrante das imagens, pelo poderoso hábito profético, pela profundidade teológica dos temas ... anuncia diretamente o Apocalipse de São João.


Lendo estas palavras ardentes, não nos esqueçamos que Jesus, perante o tribunal do Sumo Sacerdote, Caifás - que também conhecia essa profecia - aplicou este texto a Si mesmo, reivindicando "igualdade com Deus" ao assumir o título de "Filho do homem» e ao anunciar sua "vinda sobre as nuvens do céu". E sua igualdade com Deus terá como preço a sua pena de morte por blasfêmia.


O importante, de antemão, não é a ferocidade dos impérios descritos no texto da Primeira Leitura de hoje através da imagem de quatro animais, e sim a visão que vem depois: o trono de Deus, os milhares e milhares de seres que o aclamam e, finalmente, a aparição de "uma espécie de homem que atravessa as nuvens do céu: ele recebeu poder, honra e reino, e seu reino não terminará". Daqui vem o nomem de “Filho do Homem” referido ao futuo Messias que Jesus se aplica a Si próprio. “Um espécie de homem”, “um com a aparência de homem”, “um filho de homem” é um nome que os Evangelhos dão mais de oitenta vezes para Jesus.


O texto da Primeira Leitura nos apresenta uma visão apocalíptica de quatro imagens de animais ferozes: leão, urso, leopardo e outro monstro sem nome. Com estes quatro imagens apocalípticas a liturgia da Palavra nos oferece a descrição das forças do mal que operaram e continuam operando no mundo. Mas com o tempo desapareceram e desaparecerão, menos a Palavra de Deus (cf. Lc 21,33; Mt 24,35). Quem está com Deus experimenta a eternidade.


O texto descreve o caos primordial do qual surgem monstros que representam os quatro impérios (cf. Dn 2): o primeiro Babilônia (leão); o segundo, é o império Medo-persa (urso: animal feroz e voraz: Cf. Is 13,17-18; 21,2ss; Os 13,8); o terceiro é Persia (leopardo): seus quatro asas e quatro cabeças podem representar os quatro reis persas conhecidos pela Escritura: Ciro, Artaxerxes, Xerxes e Dario III (que foi derrotado por Alexandre Magno); para o quarto animal o autor se sente perplexo para descrevê-lo que representa Macedonia sob o império de Alexandre Magno.


Não podemos ignorar essas imagens, pois expressa nelas uma profunda filosofia da história: a sucessão dos reinos terrenos ateus, que não reconhecem o verdadeiro Deus, é uma sucessão de regimes desumanos, em que a crueldade e a dominação são exercidas em detrimento dos homens. Daniel sabia algo sobre isso porque vivia sob o terrível reinado de Antíoco Epífanes, que queria acabar com todas as pessoas e impor um modo de vida desrespeitando a liberdade e a dignidade profunda do homem.


A tentação de "dominar", de "esmagar", de "dobrar", de "impor", de "assustar/ameaçar", e de "usar a força", também tem, de alguma forma, em mim? Normalmente, este tipo de força aparece quando estivermos dominados totalmente pela emoção deixando de lado nossa razão e nosso respeito pela vida de nosso próximo.


Por isso, a mensagem dos quatro animais ferozes e vorazes é uma questão que permanece válida entre nós.


Leões insensíveis e vorazes somos nós quando colocamos um cérebro humano sobre o corpo de uma besta, que devora os outros sem piedade em nome de nosso prazer e não nos compadecemos dos pobres, dos doentes e dos marginalizados.


Ursos insaciáveis somos nós quando nunca nos saciamos com o que temos e somos capazes de deixar mais famintos ainda para os que têm fome. É uma crueldade de empobrecer quem já é pobre.


Somos nós os leopardos de várias cabeças e asas quando vivemos ansiosos para acumular poder, para nossa própria satisfação sem levar em conta os fracos, doentes, necessitados e assim por diante.


Somos nós todos monstros com rosto terrível quando exibimos nossa força para destruir o máximo os outros criando instrumentos de guerra, de vingança, de violência e programas de cruel exploração dos pobres, e governos sem consciência de ser servidor da comunidade que são pagãos pelo imposto para administrar o bem comum.


Quem Vive Com Deus Vive Para Sempre


Continuamos a acompanhar o discurso escatológico ou apocalíptico de Jesus na versão do evangelho de Lucas (Lc 21,5-36). É um discurso que Jesus faz antes de sua morte iminente em Jerusalém. Jesus acabou de anunciar, no texto do evangelho do dia anterior, sobre o fim de Jerusalém e simbolicamente sobre o fim do mundo, e a parusia (segunda vinda do Senhor). O que para muita gente aparece como uma destruição e um juízo terríveis, para os que vivem de acordo com a Palavra de Deus, pelo contrário, deve aparecer como o começo da verdadeira salvação: “Quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o Reino de Deus está perto... O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar”. Para o cristão, cada acontecimento da história é considerado como uma etapa que o aproxima da redenção ou do Reino de Deus.


Jesus toma uma comparação da vida do campo para que os ouvintes entendam a dinâmica dos tempos futuros ou dos novos tempos. “Olhai a figueira e todas as árvores. Quando vedes que elas estão dando brotos, logo sabeis que o verão está perto”. No lugar em que existem quatro estações, esta imagem é bastante formosa e convidativa para uma contemplação. A condição de uma árvore num verão é diferente de sua condição no outono, como também na estação do inverno. 


Quando vedes que as árvores estão dando brotos...”. É o momento do surgimento de uma vida nova. A natureza se renova permanentemente. As folhas velhas vão caindo para dar lugar aos novos brotos numa árvore. Uma árvore cresce dessa maneira! As folhas caídas para a terra se transformam em adubo para a própria árvore. A natureza sabe se virar quando não houver a intervenção forçada do homem a não ser numa situação em que a mão humana precisa interferir para melhorar a natureza. Como as folha velhas caídas que dão lugar para novas folhas, assim também cada dia que se despede é o momento da lua e demais estrelas brilharem na escuridão da noite. Cada noite que se despede é o aparecimento do novo dia, da luz que brilha com uma maior intensidade. A infância dá lugar para a adolescência e a adolescência dá lugar para a juventude e a juventude dá lugar para a idade adulta e assim por diante. Ninguém tem poder para segurar o tempo e os efeitos causados pela passagem do tempo na natureza, incluindo a natureza humana. 


O homem precisa aprender a lição da natureza que cresce renovando-se.  Em cada novo dia nascem novas oportunidades, novo ânimo, nova página da vida para escrever muitas lições. Sobre esta nova página posso construir minha vida e salvação. Sobre esta nova página da vida posso conhecer mais e viver melhor; escutar e estudar mais para compreender melhor; compreender mais para ponderar melhor; comprometer-me mais para omitir-me menos; refletir mais para reagir menos; para amar mais e buscar-me menos; para representar mais e menos apresentar: é uma passagem da apresentação para a representação, do fingimento para a transparência. Viver é aprender a virar página para poder ler coisa nova a fim de renovarmos nossa vida e a força de caminhar.


Perante o discurso de Jesus sobre o fim do mundo ou de uma história precisamos adotar duas atitudes. A primeira atitude é a esperança. Quem tem fé deve ter esperança e quem tem a esperança é porque tem muita fé. A esperança nos faz caminharmos, em cada momento, um passo adiante, pois a esperança está sempre na nossa frente chamando-nos a caminhar. A fé e a esperança em Deus que é fiel renovam nossas forças e nos animam para lutar sem cessar. “A fé é a certeza daquilo que não se vê e a antecipação daquilo que se espera”, assim afirma a Carta aos hebreus (Hb 11,1).


A segunda atitude é a confiança. Confiança é crença ou certeza de que suas expectativas serão concretizadas; é crença de que algo não falhará. É a certeza de que Deus jamais pode fracassar, que as palavras divinas são sólidas, não são frágeis nem caducas, pois são palavras da vida eterna (cf. Jo 6,69). “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar”, disse-nos Senhor (Lc 21,33). Somos chamados por Jesus a confiar plenamente na Palavra de Deus, pois é a Palavra Eterna, Palavra Divina.


Além das duas atitudes mencionadas anteriormente, Jesus nos convida a termos o discernimento em qualquer momento ou em qualquer estação da vida: “Quando vedes que as árvores estão dando brotos, logo sabeis que o verão está perto” (Lc 21,30). Falar em discernimento significa reconhecer a necessidade de que todos nós temos que compreender bem o sentido da vida, os rumos a ser tomados e os desafios a ser enfrentados. É decifrar a mensagem ou o recado de Deus em cada acontecimento de nossa vida, pois com Deus e para Deus não há acaso. É descobrir o apelo de Deus todos os dias de nossa vida. “Qual é o apelo de Deus para mim hoje” é a pergunta que deve ser feita por cada um de nós diariamente. Cada dia Deus sempre tem algum apelo ou algum recado para cada um de nós. Por isso, deve haver, durante o dia, um momento para cada um de nós se retirar. A vida, que se apresenta com todos os seus enigmas cobra de cada um de nós uma postura interior de busca e de abertura espiritual, que se for conforme com a verdade, se torna motivo de alegria e de realização. O discernimento pede capacidade de silêncio. O silêncio possibilita a presença da Eternidade; possibilita a presença do Céu. Jesus quer nos dizer: “Olhai e sabereis; silencie e escute para perceber uma presença”.


Permaneçamos vigilantes! Em poucos dias começaremos o tempo do Advento na preparação da festa da primeira vinda do Senhor na história (cf. Jo 1,14). Mas estejamos atentos para a vinda do Senhor em cada momento de nossa vida ou de nossa história. Depois da primeira vinda do Senhor na carne, cada momento de nossa vida se transformou em “Kairós”, um tempo de graça e de encontro com o Deus que nos salva: “... ficai sabendo que o Reino de Deus está perto”. Não nos esqueçamos da Palavra do Senhor que nos diz hoje: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar”. Esta frase é a razão de nossa fé esperança e de nossa luta de cada dia. A Palavra de Deus não conhece a caducidade.


P. Vitus Gustama,svd

terça-feira, 28 de novembro de 2017

30/11/2017
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SANTO ANDRÉ, APÓSTOLO,
O PROTÓKLITOS
30 de novembro


Primeira Leitura: Rm 10,9-18
Irmãos, 9 se, com tua boca, confessares Jesus como Senhor e, no teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. 10 É crendo no coração que se alcança a justiça e é confessando a fé com a boca que se consegue a salvação. 11 Pois a Escritura diz: “Todo aquele que nele crer não ficará confundido”. 12 Portanto, não importa a diferença entre judeu e grego; todos têm o mesmo Senhor, que é generoso para com todos os que o invocam. 13 De fato, todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo. 14 Mas como invocá-lo, sem antes crer nele? E como crer, sem antes ter ouvido falar dele? E como ouvir, sem alguém que pregue? 15 E como pregar, sem ser enviado para isso? Assim é que está escrito: “Quão belos são os pés dos que anunciam o bem”. 16 Mas nem todos obedeceram à Boa Nova. Pois Isaías diz: “Senhor, quem acreditou em nossa pregação?” 17 Logo, a fé vem da pregação e a pregação se faz pela palavra de Cristo. 18 Então, eu pergunto: Será que eles não ouviram? Certamente que ouviram, pois “a voz deles se espalhou por toda a terra, e as suas palavras chegaram aos confins do mundo”.


Evangelho: Mt 4,18-22
Naquele tempo, 18quando Jesus andava à beira do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. 19Jesus disse a eles: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. 20Eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram. 21Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João. Estavam na barca com seu pai Zebedeu, consertando as redes. Jesus os chamou. 22Eles imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram.
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Hoje celebramos a festa do apostolo André. A primeira característica que em André chama a atenção é o nome: não é hebraico, mas grego, “André” (viril, robusto) sinal de que sua família tem uma certa abertura cultural. Estamos na Galileia, onde a língua e a cultura gregas estão bastante presentes. Nas listas dos Doze, André ocupa o segundo lugar, como em Mateus (10, 1-4) e em Lucas (6, 13-16), ou o quarto lugar como em Marcos (3, 13-18) e nos Atos (1, 13-14). Contudo, ele gozava certamente de grande prestígio nas primeiras comunidades cristãs.


A liturgia grega distingue Santo André com o título de “protóklitos”, “o primeiro chamado”. Mas, em rigor, este título há de compartilhá-lo com o apóstolo João. Os dois foram os primeiros que em uma tarde inesquecível, escutaram as palavras de Jesus, novas para o mundo. Esta recordação, que sempre fresca na memória de João, ficou esculpida em seu Evangelho (cf. Jo 1,35-42)


Segundo as fontes bíblicas André é irmão de Pedro. Os evangelhos mostram explicitamente o laço de sangue entre Pedro e Andre (Mt 4, 18-19; Mc 1, 16-17). E no evangelho de João lemos outro pormenor: num primeiro momento, André era discípulo de João Batista; e isto nos mostra que era um homem que procurava, que partilhava a esperança de Israel, que queria conhecer mais de perto a palavra do Senhor, a realidade do Senhor presente. Era verdadeiramente um homem de e de esperança; e certa vez, de João Batista ouviu proclamar Jesus como "o Cordeiro de Deus" (Jo 1, 36); então ele voltou-se e, juntamente com outro discípulo que não é nomeado, seguiu Jesus, Aquele que era chamado por João o "Cordeiro de Deus". O evangelista narra: eles "viram onde morava e ficaram com Ele nesse dia" (Jo 1, 37-39). Portanto, André viveu momentos preciosos de familiaridade com Jesus.


Podemos imaginar o diálogo comovente naquela tarde entre Jesus e os dois discípulos de João Batista. Aquelas palavras de Jesus, que inicia sua vida pública de uma forma tão simples que servem como o caminho para a fonte que mata para sempre a sede de Deus e o sentido da vida. As palavras de Jesus estavam penetrando os corações daqueles simples pescadores, já preparados pela pregação de João Batista. Essa alegria espiritual, essa descoberta insuspeitada encheu o coração de André com um entusiasmo sem hesitação.


Ao chegar em casa com a impressão da entrevista, ele contou ao irmão Pedro: "Encontramos o Messias". E Pedro, influenciado pela fé de seu irmão, corre para Jesus, e nEle encontrou a hora inicial de uma grandeza singular que o futuro vai preparar para Pedro, pois sobre ele Jesus vai edificar sua Igreja (Mt 16,17-19). André apresntou Pedro, seu irmão, a Jesus. O que é bom e precioso não é guardado apenas no coração de Andre. Ele tem um espírito apostólico extraordinário ao partilhar a preciosidade do encontro com seu irmão Pedro e o levou para Jesus.


O evangelho de João relatou que foi André quem avisou a Jesus que alguns gregos queriam vê-Lo. E Jesus deu a seguinte resposta, bastante enigmática: "Chegou a hora de se revelar a glória do Filho do Homem. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele ; mas, se morrer, dá muito fruto" (12, 23-24). Com estas palavras Jesus profetiza a Igreja dos gregos, a Igreja dos pagãos, a Igreja do mundo como fruto da sua Páscoa.


Segundo as tradições muito antigas ele foi anunciador e intérprete de Jesus para o mundo grego. Uma tradição sucessiva narra a morte de André em Patrasso, onde também ele sofreu o suplício da crucifixão. Mas, naquele momento supremo, de modo análogo ao do irmão Pedro, ele pediu para ser posto numa cruz diferente da cruz de Jesus. Em seu caso, tratou-se de uma cruz em forma de letra “X”, ou seja, com os dois madeiros cruzados diagonalmente, que por este motivo é chamada «cruz de Santo André» para distinguir este apóstolo. Jesus e os dois irmãos - Pedro e André - foram crucificados, embora cada um deles de uma maneira diferente. Cristo lhes reservou uma morte semelhante, como um vínculo que os une na vida e na morte, na fidelidade à missão evangelizadora, no último testemunho do sangue. Conectar-se a Jesus também na morte é uma graça que Deus concedeu aos dois pescadores da Galiléia.


O apóstolo André ensina-nos a seguir Jesus com prontidão (cf. Mt 4, 20; Mc 1, 18), a falar com entusiasmo d'Ele a quantos encontramos na nossa vida cotidiana, e sobretudo a cultivar com Ele um relacionamento de verdadeira familiaridade, bem conscientes de que n'Ele podemos encontrar o sentido último da nossa vida e da nossa morte. Todas as etapas anteriores servem como uma preparação para o verdadeiro encontro com Aquele que é o autor da vida: Jesus Cristo.


Santo André aparece como um homem de natureza calma e serena, oposto à impetuosidade característica de seu irmão Pedro. Com um coração nobre e aberto, inspirou simpatia e confiança. De natureza sensível, foi fácil entusiasmo simples quando uma ótima idéia o dominava. Embora tenha participado das pequenas rivalidades dos apóstolos sobre quem seria o maior e poderia apresentar o título de "primeiro chamado", não parece, no entanto, desejar grandes coisas. Os filhos do Zebedeu, e especialmente o seu irmão Pedro, o dominaram com ousadia e ousadia. André é mais sensato e prudente; mais pago de si mesmo, e, portanto, sujeito a mais imprudência é o seu irmão, Pedro.


O apóstolo é o enviado por Jesus, e aqui está a grandeza dele e não em seus dons pessoais, em seus valores humanos, em sua atividade, em sua influência. A magnitude de sua personalidade reside naquele dia em que Jesus colocou seus olhos nele, entendeu o olhar penetrante, aceitou a missão que lhe foi confiada e foi fiel à morte pela mensagem recebida de Jesus, sem se assustar com a morte ou com os poderes humanos. Ser apóstolo é orientar a vida e trabalhar para Jesus e para os homens: receber da palavra e da vida de Jesus e dar aos homens, sem adulterar, sem mudar, a vida e a palavra. O dom do apostolado leva a dar vida, a selar a palavra recebida com a morte se assim o desejar. E isso com fé, com alegria e amor. Ser apóstolo é dar testemunho de Jesus até o final.


Entre as virtudes de Santo André destacam-se a mansidão e a humildade, a simplicidade e a ingenuidade de sua alma, o entusiasmo sincero por Jesus que conheceu numa tarde inesquecível, perto das águas do Jordão. O "primeiro chamado" mostrou uma grande constância na pregação e uma inquebrável paciência na dor, diz o breviario gótico. Que ele interceda por nós para que sejamos perseverantes no testemunho de Jesus e de seus ensinamentos mesmo que encaremos a cruz na qual somos crucificados com Jesus e os irmãos André e Pedro. Assim seja!


P. Vitus Gustama,SVD

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

29/11/2017

Resultado de imagem para Dn 5,1-6.13-14.16-17.23-28Resultado de imagem para É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!”.
SER PERSEVERANTES SEGUIDORES DE CRISTO NO TESTEMUNHO DIÁRIO
Quarta-Feira da XXXIV Semana Comum


Primeira Leitura: Dn 5,1-6.13-14.16-17.23-28
Naqueles dias, 1 o rei Baltasar ofereceu um grande banquete aos mil dignitários de sua corte, tomando vinho em companhia deles. 2 Já embriagado, Baltasar mandou trazer os vasos de ouro e prata, que seu pai Nabucodonosor tinha tirado do templo de Jerusalém, para beberem deles o rei e os grandes do reino, suas mulheres e concubinas. 3 Foram, pois, trazidos os vasos de ouro e prata, retirados do templo de Jerusalém, e deles se serviram o rei e os grandes do reino, suas mulheres e concubinas; 4 bebiam vinho e engrandeciam seus deuses de ouro e prata, de bronze e ferro, de madeira e pedra. 5 Naquele mesmo instante, apareceram dedos de mão humana que iam escrevendo, diante do candelabro, sobre a superfície da parede do palácio, e o rei via os dedos da mão que escrevia. 6 Alterou-se o semblante do rei, confundiram-se suas ideias e ele sentiu vacilarem os ossos dos quadris e tremerem os joelhos. 13 Então Daniel foi introduzido à presença do rei, e este lhe disse: “És tu Daniel, um dos cativos de Judá, trazidos de Judá pelo rei, meu pai? 14 Ouvi dizer que possuis o espírito dos deuses, e que em ti se acham ciência, entendimento e sabedoria em grau superior. 16 Ora, ouvi dizer também que sabes decifrar coisas obscuras e deslindar assuntos complicados; se, portanto, conseguires ler o escrito e dar-me sua interpretação, tu te vestirás de púrpura, e levarás ao pescoço um colar de ouro, e serás o terceiro homem do reino”. 17 Em resposta, disse Daniel perante o rei: “Fiquem contigo teus presentes e presenteia um outro com tuas honrarias; contudo, vou ler, ó rei, o escrito e fazer-te a interpretação. 23 Tu te levantaste contra o Senhor do céu; os vasos de sua casa foram trazidos à tua presença e deles bebestes vinho, tu e os grandes do reino, suas mulheres e concubinas; ao mesmo tempo, celebravas os deuses de prata e ouro, de bronze e ferro, de madeira e pedra, deuses que não veem nem ouvem, e nada entendem, — e ao Deus, que tem em suas mãos tua vida e teu destino, não soubeste glorificar. 24 Por isso, foram mandados por ele os dedos da mão, que fez este escrito. 25 Assim se lê o escrito que foi traçado: mâne, técel, pársin. 26 E esta é a explicação das palavras: mâne: Deus contou os dias de teu reinado e deu-o por concluído; 27 técel: foste pesado na balança, e achado com menos peso; 28 pársin: teu reino foi dividido e entregue aos medos e persas”.


Evangelho: Lc 21,12-19
12“Antes que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. 13Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. 14Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; 15porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. 16Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. 17Todos vos odiarão por causa do meu nome. 18Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. 19É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!”.
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A Vida Está Cheia De Surpresas Agradáveis e Desagradáveis, Mas Quem Está Com Deus Sairá Vitorioso


Mâne, técel, pársin. E esta é a explicação das palavras: mâne: Deus contou os dias de teu reinado e deu-o por concluído; técel: foste pesado na balança, e achado com menos peso; pársin: teu reino foi dividido e entregue aos medos e persas”.


“Mâne, técel, pársin” são palavras que o rei Baltasar, na sua embriaguez, viu na parede escritas por dedos de mão humana. Por falta de sabedoria e a visão mais profunda sobre a vida Baltasar recorreu ao jovem sábio, Daniel, para interpretar o significado das letras que ele viu.  De fato, na interpretação do jovem Daniel estas letras têm a ver com o fim do reinado de Baltasar, filho do rei Nabucodonosor. A situação do rei Baltasar pode ser descrita nas palavras de Khalil Gibran: “Vossa alegria é vossa tristeza desmacarada... Quando estiveres alegres, olhai no fundo de vosso coração, e achareis que o que vos deu tristeza é aquilo mesmo que vos está dando alegria. E quando estiverdes tristes, olhai novamente no vosso coração e vereis que, na verdade, estais chorando por aquilo mesmo que constituiu vosso deleite” (do livro: O Profeta)


Tudo isto quer nos dizer que nunca estamos preparados para tudo. Quando menos se espera salta a surpresa: um sinal que nos desvela, uma reação que nos perturba, um acontecimento que nos fere, uma resposta que nos machuca, um tratamento que nos humilha, uma união que termina, um casamento que se desfez etc., mas também uma graça que nos levanta o ânimo.  E em tudo está a voz e o amor de Deus que nos convoca e atrai para Si, para perfeicionar nossa vida e para acelerar nossa maturidade espiritual em que vivemos totalmente guiados pelo Espirito de Deus.


O episódio do banquete do rei Baltasar (que não precisa ser considerado como histórico) serve para o autor do livro de Daniel para continuar a refletir sobre o sentido da história humana.


O autor do livro de Daniel quer nos recordar que o orgulho, a prepotência não vale nada. A orgia da corte real, e também com os vasos sagrados fruto do roubo do Templo de Jerusalém, não podem terminar bem. O mal jamais jamais tem futuro mesmo que tenha uma aparência poderosa. Mas tudo está com o pé de barro. O jovem Daniel em seu papel de intérprete das visões, é valente em anunciar o que significam as letras que aparecem na parede: “Deus contou teus dias”; “achados com menos peso na sua balança”; “teu reinado é dividido”. Os excessos são pagos mais cedo ou mais tarde: “Tu te levantaste contra o Senhor do céu.... Celebravas os deuses de prata e ouro, de bronze e ferro, de madeira e pedra, deuses que não veem nem ouvem, e nada entendem”. Agora chegou o juízo de Deus!


Fica para nós uma lição muito clara: quando nos esquecermos de Deus, nada poderá andar bem na nossa vida. Com Deus tudo terminará bem apesar das cruzes que devemos encarar e carregar. “Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela", escreveu São Paulo aos coríntians (1Cor 10,13).


Portanto, não podemos nos tornar um assento do mal e da corrupção, nem podemos utilisar os outros para saciar nossas inclinações pecaminosas neles. Ninguém está autorizado a pisar sobre a dignidade do seu próximo. Deus nos consagrou não para que sejamos sujos e sim para que sejamos santos como Deus é santo. Não podemos roubar a inocência nem ser motivo de escândalo para os pequeninos, porque deles é o Reino dos céus e Deus sairá em sua defesa. Então quem será capaz de estar contra Deus?


Cada Cristão É Chamado e Enviado Para Ser Testemunha De Jesus e De Seus ensinamento


Estamos ainda no discurso escatológico ou apocalíptico na versão de Lucas. Não podemos nos esquecer que o evangelho de Lucas foi escrito depois da destruição de Jerusalém que aconteceu em 70 d. C na guerra dos judeus contra Roma em 66-70 d.C. O fim de Jerusalém é, para Lucas, uma prefiguração do fim. As perseguições eram fatos e não se tratava de uma previsão. Quando o evangelista Lucas escreveu seu evangelho, a comunidade cristã já tinha muita experiência de perseguições, cárceres e martírios por parte dos inimigos e muita experiência de dificuldade, divisões e traições dentro da própria comunidade.


Ser Cristão e Perseguição


 “Antes que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome”.


Jesus não nos engana jamais. Ele nunca prometeu que neste mundo seríamos aplaudidos e que o caminho cristão seria fácil. Ele nos avisou: “O servo não é maior que seu senhor. Se eles me perseguiram, também vos perseguirão...” (Jo 15,20). O que Ele nos garante é que salvaremos a vida pela fidelidade, e que Ele dará testemunho diante do Pai daqueles que deram testemunho d’Ele diante dos homens (cf. Mt 10,32-33). Ele nos encoraja: “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33). O verdadeiro amor e a verdadeira fidelidade são testados sua genuinidade, principalmente, nos momentos de provação.


Lucas convida, assim, a comunidade cristã a trilhar o caminho da fidelidade e da coragem, o caminho que o próprio Senhor trilhou, mesmo diante da repressão violenta das estruturas do poder, sinagogas, e reis, e mesmo perante a morte violenta (Lc 21,12). Se Jesus Cristo venceu a morte, o maior inimigo da humanidade, o cristão não tem mais nenhuma razão de ter medo. Se o mal avançar, a confiança em Deus deve avançar muito mais porque Deus sempre terá a última palavra e não o mundo. O que importa para uma comunidade cristã é a vivacidade da esperança. É a esperança que arranca o homem de uma existência sem futuro e sem expectativas. A tristeza e o desânimo são um sinal da ausência de uma verdadeira esperança cristã que no fundo provém de uma falta de fé.


A Igreja, ao longo de sua existência até no momento, tem tido a mesma experiência: os cristãos são caluniados, odiados, zombados, perseguidos e levados à morte. Mas continua a valer o ditado: “O sangue dos mártires é a semente da Igreja” (Tertuliano). Quantos mártires, de todos os tempos, também de nosso tempo, nos estimulam com seu admirável exemplo. Não somente os mártires de sangue, mas também os mártires silenciosos da vida diária que continuam cumprindo o evangelho de Jesus Cristo e vivem segundo os critérios dos ensinamentos de Cristo fazendo o bem sem nenhum barulho.


Quando o mundo odeia os cristãos por serem honestos e justos, e por isso, incomodam o mundo, é um sinal de que os cristãos vivem de acordo com os ensinamentos de Cristo. A presença de um justo e honesto sempre incomoda os desonestos e corruptos. Ser odiado pelo bem praticado, pela verdade testemunhada, pela justiça vivida, pelo amor fraterno adotado na convivência, pela honestidade em qualquer negócio, pela retidão no comportamento, pela transparência no olhar é, paradoxalmente, um grande aplauso e é um dos maiores elogios que um ser humano ou um cristão possa ter sobre a face da terra.


Ser Cristão e o Testemunho


Segundo Jesus, cada dificuldade ou perseguição deve se tornar uma oportunidade de dar testemunho dele: “Mas isto será para vós uma ocasião de dar testemunho de mim” (v.13).


Por incrível que pareça a perseguição é o momento oportuno para o cristão porque é uma ocasião de anunciar a Boa Nova, de dar testemunho sobre o bem maior; é uma oportunidade de evangelização. Para São Paulo, por exemplo, foram úteis todas as perseguições para evangelizar: era meio paradoxal de dirigir-se às mais altas autoridades na época (cf. At 26,1; 18,12; 24,1; 25,1). Na Carta aos Filipenses, São Paulo escreveu: “Meus irmãos, quero fazer-vos saber que os acontecimentos que me envolvem estão redundando em maior proveito do Evangelho” (Fl 1,12).


Ser testemunha era a identidade dos discípulos de Jesus. O anúncio da palavra de Deus e o testemunho de vida são palavras-chaves e inseparáveis na obra de Lucas, de modo especial na segunda obra (Atos dos Apóstolos). Testemunhar significa provar com a própria vida aquilo que se fala, se professa e no que se acredita, assumindo todas as conseqüências. Testemunhar Jesus é provar com a própria vida que é ele o sentido profundo de nossa vida e da vida do mundo; que Jesus é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,16); que Jesus é a ressurreição e a vida (Jo 11,25); que Jesus é a Luz do mundo (Jo 8,12); que Jesus é o Pão da vida para o mundo (cf. Jo 6,22-71), e assim por diante.


Para Jesus o testemunho tem que chegar até o fim, até as ultimas conseqüências a fim de ganhar a verdadeira vida, a vida em plenitude, a vida eternamente com Deus. A salvação para cada um de nós e para melhorar o mundo, a família, o trabalho, depende da perseverança no caminho da justiça, do amor e da fraternidade. Por isso, Jesus disse: “É pela perseverança que mantereis vossas vidas” (Lc 21,19).


A capacidade de resistir precisa haurir a confiança em Deus, confiança que tem que ser sempre renovada na oração. Como cristãos rezamos sem cessar, pedindo a graça da perseverança final. Estamos, todavia, conscientes de que isto leva consigo a disponibilidade para nos converter, porque estamos conscientes de que a nossa fidelidade é continuamente posta à prova e de que está exposta a contínuas tentações. Podemos ser tentados tanto do exterior (escândalo) como do interior (tentação). É precisamente no momento da tentação que entra em ação a capacidade de resistir. Lembre-se de que o nosso velho Adão está sempre à espreita ou continua a nos observar ocultamente.


Cristo pronunciou Sua Palavra sobre nós, cristãos. Seu Espírito nos faz compreendermos o sentido da Palavra do Senhor. A Igreja (todos os cristãos), unida a Cristo, Palavra do Pai, se converte, assim, em uma Palavra viva, em Evangelho vivente do Pai para todos os homens. Cristo nos instruiu com Sua Palavra e com Seu exemplo para nos torne em anunciadores de Seu Evangelho não somente com os lábios e sim com a vida. Cristo entregou sua vida para que tenhamos vida (cf. Jo 10,10). Por nossa vez, temos que ser vida para os outros. Sejamos pão de Cristo para os demais que carecem o sentido da vida.
 
P. Vitus Gustama,svd
28/11/2017
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VIVAMOS COM VIGILÂNCIA PLENA O PRESENTE NA ESPERA DA VINDA DO SENHOR
Terça-Feira da XXXIV Semana Comum


Primeira Leitura: Dn 2,31-45
Naqueles dias, disse Daniel a Nabucodonosor: 31 “Tu, ó rei, olhavas, e pareceu-te ver uma estátua grande, muito alta, erguida à tua frente, de aspecto aterrador. 32 A cabeça da estátua era de ouro fino, peito e braços eram de prata, ventre e coxas, de bronze; 33sendo as pernas de ferro, e os pés, parte de ferro e parte de barro. 34 Estavas olhando, quando uma pedra, sem ser empurrada por ninguém, se desprendeu de algum lugar, e veio bater na estátua, em seus pés de ferro e barro, fazendo-os em pedaços; 35 então, a um só tempo, despedaçaram-se ferro, barro, bronze, prata e ouro, tudo ficando como a palha miúda das eiras, no verão, que o vento varre sem deixar vestígios; mas a pedra que atingira a estátua transformou-se num grande monte e encheu toda a terra. 36 Este foi o sonho; vou dar também a interpretação, ó rei, em tua presença. 37 Tu és um grande rei, e o Deus do céu te deu a realeza, o poder, a autoridade e a glória; 38 ele entregou em tuas mãos os filhos dos homens, os animais do campo e as aves do céu, onde quer que habitem, e te constituiu senhor de todos eles: tu és a cabeça de ouro. 39 Depois de ti, surgirá outro reino, que é inferior ao teu, e ainda um terceiro, que será de bronze, e dominará toda a terra. 40 O quarto reino será forte como ferro; e assim como o ferro tudo esmaga e domina, do mesmo modo, à semelhança do ferro, ele esmagará e destruirá todos aqueles reinos. 41 Viste os pés e dedos dos pés, parte de barro e parte de ferro, porque o reino será dividido; terá a força do ferro, conforme viste o ferro misturado com barro cozido. 42 Viste também que os dedos dos pés eram parte de ferro e parte de barro, porque o reino em parte será sólido e em parte quebradiço. 43 Quanto ao ferro misturado com barro cozido, haverá decerto ligações por via de casamentos, mas sem coesão entre as partes, assim como o ferro não faz liga com o barro. 44 No tempo desses reinos, o Deus do céu suscitará um reino que nunca será destruído, um reino que não passará a outro povo; antes, esmagará e aniquilará todos esses reinos, e ele permanecerá para sempre. 45 Quanto à pedra que, sem ser tocada por mãos, se desprendeu do monte e despedaçou o barro cozido, o ferro, o bronze, a prata e o ouro, o grande Deus faz saber ao rei o que acontecerá depois, no futuro. O sonho é verdadeiro, e sua interpretação, fiel”.


Evangelho: Lc 21,5-11
Naquele tempo, 5 algumas pessoas comentavam a respeito do Templo que era enfeitado com belas pedras e com ofertas votivas. Jesus disse: 6 “Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído”. 7 Mas eles perguntaram: “Mestre, quando acontecerá isto? E qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?” 8 Jesus respondeu: “Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu!’ E ainda: ‘O tempo está próximo’. Não sigais essa gente! 9 Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim”. 10 E Jesus continuou: “Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país. 11 Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu”.
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Deus Tem a Última Palavra Sobre Todos Os Poderes Mundanos


O Deus do céu suscitará um reino que nunca será destruído, um reino que não passará a outro povo; antes, esmagará e aniquilará todos esses reinos, e ele permanecerá para sempre... Quanto à pedra que, sem ser tocada por mãos, se desprendeu do monte e despedaçou o barro cozido, o ferro, o bronze, a prata e o ouro, o grande Deus faz saber ao rei o que acontecerá depois, no futuro”. Está é a frase lapidar do texto da Primeira Leitura tirado do livro de Daniel.


Ao ler Dn 2, que lemos na Primeira Leitura, logo percebemos a influência do Gn 41 (sonho de Faraó com a interpretação de José). Dn 2 fala do sonho do rei Nabucodonosor e a interpretação de Daniel sobre o sentido daquilo que foi sonhado pelo rei. Em Dn 7 quem terá o sonho não é mais Nabucodonosor e sim o sonho do próprio Daniel. Dn 2 e Dn 7 têm muitos traços em comum: os sonhos perturbam os dois protagonistas de ambos os relatos; há três momentos sobre o sonho: visão, interpretação e realização; e comportam a visão quadripartida da História.


Dn 2 é considerado frequentemente pelos exegetas como anterior à redação do livro de Daniel em si. A maioria situa este capítulo na primeira metade do século III a.C. A ideia principal deste capítulo é revelar o significado da história dirigida por Deus e seu objetivo final: a construção do Seu Reino sobre a Terra.


Nabucodonosor teve um sonho que somente Daniel, entre todos os sábios, conhece seu significado, porque Deus se revelou a ele cumprindo de antemão a palavra de Jesus Cristo: “Tu, Pai, Senhor do céu, escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos” (Lc 10,21; Mt 11,25ss).


A estátua vista por Nabucodonosor no sonho representa os reinos da terra que se sucedem destruindo-se mutuamente. São quatro em total. O quatro é uma figura simbólica que a Bíblia geralmente usa para designar as forças terrestres (cf. Ez 1,5-18; 7,2; 10,9-21; 14,21; 37,9; Zc 2,1-2,11; 6,1-5; Am 1,3-4; Is 11; 12; Jr 15,2-3). A luta pelo poder entre as potências terrestres tem como consequência uma incessante decadência: o ouro degenera em prata, depois em bronze, depois em ferro e terra assada, até o ponto de que uma pedra demolidadora é suficiente para acabar com a estátua. Uma lição é bem clara: uma história dirigida exclusivamente pelo homem sem ética e moral conduz inevitavelmente para a decadência total da humanidade (cf. Gn 3,1-6,12).


Desta maneira, o livro de Daniel demonstra ser uma crítica radical para todos os regimes totalitários: somente o Reino de Deus, um Reino de justiça e de paz, conseguirá a eternidade.


Quanto à pedra que, sem ser tocada por mãos, se desprendeu do monte e despedaçou o barro cozido, o ferro, o bronze, a prata e o ouro, o grande Deus faz saber ao rei o que acontecerá depois, no futuro”. Qual é o significado da pedra de que se trata?


O Antigo Testamento falou repetidamente de uma pedra na economia da salvação: Is 8,11-15 faz do Senhor uma pedra de choque para as tribos de Israel: o SENHOR é, de fato, uma rocha da salvação (Sl 17/18, 2-3); a falta de apoio sobre Deus corre o risco de se cair na ruina (Dt 32, 15). A pedra designará ao Senhor ou o mais exatamente ao monoteísmo javista oposto à idolatria (a estátua) dos grande impérios. A perspectiva do autor não é, pois, diretamente messiânica e sim apologética (cf. Dn 2,46-49; 3,24-30; 4,31-32; 6,26-29; 14,40-42).


No entanto, a tradição deu pouco a pouco ao tema da pedra uma interpretação messiânica, provavelmente influenciada por outros textos do Antigo Testamento, como Is 28,16-17; Zc 3,9; Sl 117/118, 22, textos em que a pedra designa claramente o Messias pessoal. A autentificação dessa maneira de interpretá-la mesianicamente foi feita por Lucas 20, 18 (em osmose com Is 8,14 e Sl 117/118, 22). É impossível saber se esta passagem de Lucas deve ser colocada nos lábios de Cristo ou se é mais um provérbio forjado pela comunidade primitiva para centrar em torno da pedra os principais testemunhos das escrituras. "A rocha era Cristo" (1Cor 10,04), diz o Apóstolo Paulo. Cristo é a pedra, a pedra que o Rei já contemplou em sonhos, como lemos em Daniel.


Na frase final do texto de hoje: “O sonho é verdadeiro, e sua interpretação, fiel” não é tanto a Nabucodonosor quanto aos leitores de sua época. É uma esperança de que o Reino de Deus está próximo como anunciará Jesus e cuja pronta vinda pedimos no Pai-Nosso: “Venha a nós o Vosso Reino!”.


Todos os reinos da terra se creem sólidos, mas não o são. A estátua tem os pés de barro.  Todos são caducos apesar do orgulhos de seus reis. Vale a pena crer em Deus pois significa não conhecer o fim, pois Deus é eterno.


Viver Na Permanente Vigilância Na Espera Da Vinda Do Senhor


A partir de hoje até o próximo sábado lemos o “discurso escatológico” de Jesus que se encontra em Lc 21,5-36: fala-se dos acontecimentos futuros e os que se relacionam ao fim.


Como os dois outros evangelhos sinóticos (Mt 24-25; Mc 13), também o evangelho de Lucas encerra a atividade de Jesus em Jerusalém (Lc 19,29-21,38), antes de sua prisão, com o discurso sobre o fim ou discurso escatológico (Lc 21,5-36). Em seu lugar atual na tradição sinótica esse discurso é considerado como um discurso de despedida de Jesus que deixa à sua comunidade os últimos conselhos e advertências. Para Lucas a destruição de Jerusalém era um fato e as perseguições à comunidade primitiva uma realidade. Tanto Mateus como Lucas inspiram seu discurso escatológico do evangelho de Marcos capítulo 13.


No texto do evangelho deste dia, o evangelista Lucas nos relatou que alguns discípulos de Jesus comentaram sobre a beleza do Templo pela qualidade da pedra (mármores) e das doações dos fiéis.


Nos tempos de Jesus, o Templo era recém-edificado. Sua construção começou 19 anos (dezenove anos) antes de Cristo. O Templo de Jerusalém era considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. Seus mármores, seu ouro e toda a ornamentação eram admirados pelos peregrinos.


Diante da admiração dos discípulos Jesus pronuncia algo profético: “Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra”.  Nesse mesmo lugar foi construído o Templo por Salomão até o ano 1.000 a.C e destruído por Nabuconosor em 586 a.C. Logo em seguida foi construído outro Templo por Zorobabel em 516 a.C. O Templo contemporâneo de Jesus foi destruído por Tito em 70 d.C e foi construído novamente em 687 por Mesquita de Omar no mesmo local.


Quando Jesus afirmou: “Tudo será destruído”, algumas pessoas perguntaram sobre o quando desse acontecimento: “Mestre, quando acontecerá isto? E qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?”. A maioria dos movimentos judeus populares na época de Jesus acreditava que o mundo se aproximava para seu fim. Para eles era iminente uma inevitável catástrofe universal. Todos viviam agitados.


Jesus estava por dentro dessa situação de inquietude e a aproveitou para fazer uma chamada especial. Para Jesus, o importante não era a data em que o mundo haveria de sucumbir. Para ele o importante era a finalidade deste mundo: “Para que estamos aqui neste mundo? O que podemos e devemos fazer para melhorar nossa convivência? O que podemos fazer para ser úteis para os demais? O que quer Deus de mim, de nós? para que eu estou no mundo? Qual é o destino da humanidade? Qual será meu fim? Para onde a vida vai nos levar? Será que a vida termina com a morte? Será que Deus nos criou por acaso ou por uma causa? Então, será que estou no mundo por acaso ou por uma causa? Qual esta causa?”. Para Jesus o tempo presente e o futuro se abriam como esperança: era o tempo definitivo da salvação com Sua presença. Era preciso ter uma mudança de mentalidade para mudar a maneira de viver. É preciso olhar para o alto (Deus) para podermos entender tudo que se passa no mundo. Em cada momento cada pessoa é chamada a transformar o mundo de morte num mundo de vida.


Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra”. Símbolo da fragilidade, da caducidade das mais esplêndidas obras humanas.  Precisamos refletir sobre a grande fragilidade de todas as coisas, sobre “minha” fragilidade, sobre a brevidade da beleza e da vida na história. Todos têm olhar para a verdade desta realidade, pois tudo será destruído. O que embeleza a vida humana são os valores como o amor, a bondade, a solidariedade, respeito pela vida, perdão mútuo etc. Tratam-se de valores que dignificam a vida humana e que nos levam à comunhão com Deus de amor (cf. 1Jo 4,8.16). Por isso é que São Paulo nos consola: “Sabemos que, se a nossa morada terrestre, esta tenda, for destruída, teremos no céu um edifício, obra de Deus, morada eterna, não feita por mãos humanas” (2Cor 5,1). O próprio Jesus nos promete: “Na casa de meu Pai há muitas moradas... vou preparar-vos um lugar e quando vos for preparado um lugar, virei novamente e vos levarei comigo a fim de que onde eu estiver, estejais vós também” (Jo 14,2-3). O que não será destruído são os valores.


Se tudo for destruído (menos os valores), então, somos chamados a estar vigilantes. Somos chamados a viver com sabedoria, com prudência, com fraternidade, com justiça, com verdade, com caridade, com compaixão, com amor, com fé e esperança que são valores que permanecem e que nos salvam. Quando tudo for destruído, estes valores permanecerão. A beleza sólida destes valores permanecerá, mesmo quando tudo o mais estiver reduzido a escombros. Se tudo o que é terreno será destruído, então, devemos temer perder Jesus, ser afastados dele eternamente, ser privados do seu amor e do seu coração. Somos chamados a amar um bem inefável, um bem benéfico, o Bem que cria todos os bens.


Cada cristão, como templo de Deus (cf. 1Cor 3,16-17), adornado com as belas pedras das virtudes cristãs, pode e deve perseverar no bem, resistindo às diversas provações e tentações. Nós cristãos temos um dever de ler os sinais dos tempos e de fazer um verdadeiro discernimento do bem e do mal, do verdadeiro e do falso, para não nos deixar enganar pelos falsos profetas e afastar do seguimento de Jesus Cristo, o único Salvador. Concretamente, devemos viver cada dia sob o influxo do Espírito de Deus, deixando-nos guiar pelos Seus dons, irradiando os Seus frutos, exercendo os Seus carismas, vivendo as bem-aventuranças (Cf. Mt 5,1-12).


Portanto, cada dia nós temos que voltar a começar de novo nossa história, pois cada dia é o tempo de salvação, se estivermos conscientes da provisoriedade da vida humana na história. Mas fazer a história com Deus é fazer a história de salvação. Vamos viver um dia de cada vez de maneira mais profunda para que, se Deus permitir, possamos viver o dia seguinte de maneira nova, pois trata-se de um novo dia de nossa vida (cf. Mt 6,25-34). Jamais podemos viver mais de dois dias de cada vez para que a angústia e a preocupação exagerada não nos dominem. Confiemos em Deus o nosso hoje!


P. Vitus Gustama,svd

domingo, 26 de novembro de 2017

27/11/2017
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GENEROSIDADE E DESPOJAMENTO DE UMA VIÚVA, FRUTO DE SUA FÉ EM DEUS
Segunda-Feira da XXXIV Semana Comum

Primeira Leitura: Dn 1,1-6.8-20
1 No terceiro ano do reinado de Joaquim, rei de Judá, Nabucodonosor, rei da Babilônia, avançou sobre Jerusalém e pôs-lhe cerco; 2 o Senhor entregou em suas mãos Joaquim, rei de Judá, e parte dos vasos da casa de Deus, e ele os levou para a terra de Senaar, para o templo de seus deuses, depositando os vasos no tesouro dos deuses. 3 Então o rei ordenou ao chefe dos eunucos, Asfenez, para que trouxesse, dentre os filhos de Israel, alguns jovens de estirpe real ou de família nobre, 4 sem defeito físico e de boa aparência, preparados com boa educação, experientes em alguma ciência e instruídos, e que pudessem estar no palácio real, onde lhes deveriam ser ensinadas as letras e a língua dos caldeus. 5 O rei fixou-lhes uma ração diária da comida e do vinho de sua mesa, de tal modo que, assim alimentados e educados durante três anos, eles pudessem no fim entrar para o seu serviço. 6 Havia, entre esses moços, filhos de Judá, Daniel, Ananias, Misael e Azarias. 8 Ora, Daniel decidiu secretamente não comer nem beber da mesa do rei por convicções religiosas, e pediu ao chefe dos eunucos que o deixasse abster-se para não se contaminar. 9 Deus concedera que Daniel obtivesse simpatia e benevolência por parte do mordomo. Este disse-lhes: “Tenho medo do rei, meu Senhor, que determinou alimentação e bebida para todos vós; 10 se vier a perceber em vós um aspecto mais abatido que o dos outros moços da vossa idade, estareis condenando minha cabeça perante o rei”. 11 Mas disse Daniel ao guarda que o chefe dos eunucos tinha designado para tomar conta dele, de Ananias, Misael e Azarias: 12 “Por favor, faze uma experiência com estes teus criados por dez dias, e nos sejam dados legumes para comer e água para beber; 13 e que à tua frente seja examinada nossa aparência e a dos jovens que comem da mesa do rei, e, conforme achares, assim resolverás com estes teus criados”. 14 O homem, depois de ouvir esta proposta, experimentou-os por dez dias. 15 Depois desses dez dias, eles apareceram com melhor aspecto e mais robustos do que todos os outros jovens que se alimentavam com a comida do rei. 16 O guarda, desde então, retirava a comida e bebida deles para dar-lhes legumes. 17 A esses quatro jovens Deus concedeu inteligência e conhecimento das letras e das ciências, e a Daniel, o dom da interpretação de todos os sonhos e visões.18 Terminado, pois, o prazo que o rei tinha fixado para a apresentação dos jovens, foram estes trazidos à presença de Nabucodonosor pelo chefe dos eunucos. 19 Depois de o rei lhes ter falado, não se achou ninguém, dentre todos os presentes, que se igualasse a Daniel, Ananias, Misael e Azarias. E passaram à companhia do rei. 20 Em todas as questões de sabedoria e entendimento que lhes dirigisse, achava o rei neles dez vezes mais valor do que em todos os adivinhos e magos que havia em todo o reino.


Evangelho: Lc 21,1-4
Naquele tempo, 1 Jesus ergueu os olhos e viu pessoas ricas depositando ofertas no tesouro do Templo. 2 Viu também uma pobre viúva que depositou duas pequenas moedas. 3 Diante disso, ele disse: “Em verdade vos digo que essa pobre viúva ofertou mais do que todos. 4 Pois todos eles depositaram, como oferta feita a Deus, aquilo que lhes sobrava. Mas a viúva, na sua pobreza, ofertou tudo quanto tinha para viver”.
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Deus Não Abandona Seus Fiéis


O rei ordenou ao chefe dos eunucos, Asfenez, para que trouxesse, dentre os filhos de Israel, alguns jovens de estirpe real ou de família nobre, sem defeito físico e de boa aparência, preparados com boa educação, experientes em alguma ciência e instruídos, e que pudessem estar no palácio real, onde lhes deveriam ser ensinadas as letras e a língua dos caldeus”.


O livro de Daniel, que vamos ler e meditar durante a última semana do Ano litúrgico, situa seus relatos edificantes (que não necessariamente históricos, pois os dados de Dn 1,1 não se comprovam historicamente. Joaquim reinou em Judá, de 609 a 598 a.C. O ano terceiro seria 606-605 a.C. Neste ano é difícil colocar um ataque de Nabucodonosor a Jerusalém) nos tempos do rei Nabucodonosor o que levou ao desterro do povo de Israel.


Mas a intenção do autor, ao escrever o livro, é para os leitores da época em que o povo estava sofrendo o ataque paganizante do rei Antíoco Epifanes até o ano 170 a.C. Portanto, é contemporâneo dos livros dos Macabeus que meditamos na semana anterior.


O protagonista do livro é Daniel. Além disso do exemplo de uns jovens na corte real, o livro apresenta umas visões escatológicas referentes ao final dos tempos ou à vinda do Messias.


O estilo do livro é “apocalíptico” ou “de revelação”, com visões cheias de simbolismo sobre os planos de salvação que Deus quer levar a cabo no futuro messiânico.


O texto da Primeira Leitura de hoje nos apresenta os quatro jovens que o próprio rei Nabucodonosor escolhe para estarem no serviço ao rei. Antigamente, os filhos dos reis vencidos eram transformados em cortesãos e futuros vassalos do dominador a fim de garantir a continuidade no poder. Mas nenhum dos quatro jovens hebreus mencionado parece pertencer à linhagem real.


Para os quatro jovens o rei babilônico exige obediência e eles obedecem sem reclamar. Os quatro jovens também aceitam a instrução na cultura babilônica, na língua e na literatura do império que na sua maioria era religiosa. No momento o rei não exige uma conversão religiosa dos jovens aos deuses babilônicos.


A comida, como sinal de domínio, é o tema central do relato (Dn 1,8-16). A comida servirá para manifestar a fidelidade dos jovens à lei de Moisés, sua confiança na proteção divina, da qual dará testemunho o próprio rei Nabucodonosor, com seu juízo sobre os jovens hebreus. Nesse período, o tipo de alimento e a maneira de comer eram prova da adesão à nova cultura helenista, ou à tradição judaica da fidelidade à lei de Deus, ou da submissão às exigências do tirano.


Os quatro jovens decidem não comer os manjares da mesa do rei por duas razões. Primeiro, alguns alimentos poderiam ser impuros, conforme a lei de Moisés. Segundo, ou se supõe que esses alimentos tenham sido oferecidos, como oferenda, aos deuses pagãos. Para ser livre de qualquer acusação, Daniel tem dom de ganhar a simpatia do superior ao dizer que sua vida está em jogo dependendo do tipo de alimentação. O pedido de Daniel recebe uma resposta positiva. No final da provação, a condição física dos quatro jovens hebreus satisfazem o rei: “Depois de o rei lhes ter falado, não se achou ninguém, dentre todos os presentes, que se igualasse a Daniel, Ananias, Misael e Azarias. E passaram à companhia do rei. Em todas as questões de sabedoria e entendimento que lhes dirigisse, achava o rei neles dez vezes mais valor do que em todos os adivinhos e magos que havia em todo o reino”.


Os quatro jovens têm fidelidade à sua fé apesar do ambiente pagão da corte real, pois Deus está com eles tanto na saúde como na sabedoria. Por isso, entre todos os jovens, os quatro estão em destaque.


A lição para os judeus que estavam lutando por resistir à tentação helenizante de Antíoco Epifanes é muito clara: para animá-los a permanecer na esperança e para que sejam fieis à Aliança em meio da perseguição como foram Daniel e seus companheiros em circunstancias parecidas ou piores.


Para nós hoje também a lição é muito clara. Sentimos cada dia a força de atração dos valores deste mundo, às vezes, muito diferentes dos que nos ensina a fé em Cristo. Comer e beber é o de menos. O que mais importante para nós é saber conservar o estilo de vida como cristãos. Estamos no mundo sem ser mundanos. Somos o sal da terra e a luz do mundo onde estivermos e para onde formos. Num ambiente de escuridão devemos nos manter como luz para salvar que se encontra na escuridão da vida, em vez de apagar nossa luz para viver uma vida mundana. Temos que aprender a lição de valentia e perseverança que nos deram Eleazar ou a mãe dos sete filhos nos tempos dos Macabeus ou aqui os quatro jovens na corte de um rei pagão. Estão com o rei pagão sem ser pagãos e sim continuam sendo fieis à Aliança com Deu. É tão grande a valentia dos quatro jovens que em Laudes dos Domingos cantamos o “cântico de Daniel e seus companheiros”, cântico que ao longo desta semana vamos rezar com Salmo Responsorial. Deus nunca abandona seus fieis mesmo que se encontrem numa situação aparentemente sem saída. No fim, experimentaremos a vitória de Deus: a morte se transformará em ressurreição como aconteceu com Jesus Cristo.


Nossa Generosidade É o Prolongamento Da Generosidade De Deus


No AT as viúvas fazem parte da classe dos pobres, mas são especialmente queridas aos olhos de Deus e que as protege com Sua lei (Is 10,2; Dt 26, 12-12; Eclo 35,17-19; Sl 94,6-10). No NT, especialmente nos escritos de Lucas (Evangelho de Lucas e Atos dos Apóstolos) aparecem também as viúvas como objeto de especial afeto por parte de Jesus (Lc 7,11-15; 18,3-5; 20,47; 21,2-4).


O evangelho fala da oferta dos ricos, mas o foco é a oferta de uma viúva pobre. A antítese ricos-pobres aparece freqüentemente no evangelho de Lucas e nos discursos escatológicos de Jesus. E segue o mesmo procedimento das bem-aventuranças onde a oposição entre ricos e pobres (Lc 6,20-24) serve para anunciar a iminência do Reino e a mudança das situações abusivas. Não se trata de fazer a apologia ou a crítica de uma situação social existente e sim para sublinhar a transformação que a chegada do Reino de Deus causa nas estruturas humanas. Uma pessoa do Reino não deixa ninguém na penúria ou na miséria. Uma pessoa do Reino acredita totalmente na providência divina e por isso, ela não tem medo de se doar. Uma pessoa do Reino sente o carinho paterno-materno de Deus. Uma pessoa do Reino sabe que Deus a ama e acredita no amor do Pai do céu.


Um Deus Que Nos Olha No Nosso Interior


A mulher neste evangelho, por ser pobre e viúva, fica escondida aos olhos das pessoas. Mas o olhar de Deus em Jesus Cristo é penetrante. Percebe até aquilo que se escapa do olhar humano. “Os olhos do Senhor estão  em todo o lugar, observando os maus e os bons”, disse o Livro de Provérbio (Pr 15,3). Jesus olha para a pureza do interior da viúva. E da sua boca sai este grande elogio: “Em verdade vos digo que essa pobre viúva ofertou mais do que todos. Pois eles depositaram aquilo que lhes sobrava. Mas a viúva, na sua pobreza, ofertou tudo quanto tinha para viver” (Lc 21,4).


O olhar é um dom precioso e fascinante legado pelo Criador. É uma das áreas humanas que mais chama a atenção das pessoas. O olhar é como uma bússola a guiar nossos passos, nossos gestos, nossas atitudes. O olhar sempre está aí atento a um ou outro detalhe. Os olhos determinam um pouco ou muito do que somos. E o olhar é sempre anterior às nossas palavras.


É tão natural olhar, que nem nos damos conta desse misterioso gesto. Muitas vezes olhamos; poucas vezes, porém, nos encontramos. Alguns se limitam a olhar os outros para anotar seus possíveis defeitos. Não deixa de ser a mais trágica expressão de nossa crueldade.


O olhar superficial jamais enxerga alguém; os outros são objetos de curiosidade, de conversa. Muitos olham os outros para passar tempo; simples adorno sem sentido. Esses olhares refletem nossa pobreza espiritual.


Quantos julgamentos poderiam ser evitados, se não julgássemos os outros a partir de nossa visão. Esses olhares podem jogar no nosso rosto aquilo que não somos. A maioria dos julgamentos que fazemos é por ouvir dizer ou através de certas observações nem sempre condizentes com a verdade. Existem certas pessoas que têm o hábito de observar os outros para ter motivos de falar mal deles; há outros que, sem ter o que fazer na vida, ficam mexericando e intrometendo-se na vida alheia. Nada mais feio e abominável para um cristão!


Há aqueles olhares que reduzem os outros a meros objetos: o olhar de desejo, o olhar de ciúme, o de vingança, o de rancor etc.


Como cristãos, somos convidados a vestir a sublimidade do olhar de Jesus. Sublime é aquilo que é perfeito, altivo, pomposo, nobre, muito bonito, elevado, encantador, maravilhoso, divino, esplêndido.


Neste momento também Deus olha para você com um olhar penetrante. Ele olha para aquilo que você está pensando e imaginando: suas preocupações, suas alegrias, suas dores, suas murmurações, suas decepções, suas críticas e assim por diante. Mas será que esse mesmo Deus, no seu silêncio, faz um elogio também para você, como ele elogiou a viúva despojada? Ou como é que Deus olha para você neste momento e em todos os momentos de sua vida? Você está consciente de que Deus está sempre de olho em você? De que maneira também você olha para os outros? O que você olha mais nos outros?


Para termos os olhares de Jesus, temos que limpar o nosso coração, porque os olhos são as janelas de nossa alma, de nosso coração.


Uma Viúva Que Nos Ensina A Vivermos No Despojamento Total Por Causa Da Fé Em Deus


A viúva em sua condição de mulher, pobre e marginalizada fez um enorme esforço ao depositar a oferenda para Deus. Dava tudo o que era necessário para sua vida. Trata-se de uma decisão do próprio coração sem nenhuma influência de outras pessoas. Como se ela quisesse dizer para si própria: “Tudo é de Deus até o pouco que tenho. Ele é o Pai, Criador do céu e da terra. Ele sabe o que fazer com minha vida daqui em diante”. Consequentemente, ela entregava totalmente sua vida ao serviço de Deus com amor e humildade. Trata-se de uma mulher de grande fé e por isso, de uma mulher de grande despojamento. É uma mulher de grande espírito. Aquele que está aberto ao Espírito de Deus, deixa-se inundar permanentemente pela graça e pelo amor de Deus. a abertura de espírito à graça de Deus torna uma pessoa cheia de fé na providência divina.


Jesus aproveita a situação da viúva para instruir seus discípulos e discípulas acerca do valor das oferendas. Para Deus não se oferece o que nos sobra, aquilo que podemos prescindir. A verdadeira oferenda para Deus acontece quando damos o que somos e temos. Para Deus precisamos entregar, antes de tudo, nossa vida. Nós damos nossa vida generosamente porque sabemos que Deus fará com ela o melhor para nós mesmos, para nossa comunidade e para a humanidade em geral. A vida pertence a Deus e por isso, Ele sabe o que fazer com nossa vida. Basta crer n’Ele.


Não importa a quantidade daquilo que damos para Deus e para o próximo e sim o amor com que damos. Não importa se dermos muito ou pouco, mas que coloquemos o amor naquilo que damos. Não importa se fizermos muito ou pouco para os outros, para a Igreja, para a comunidade, mas que coloquemos o amor naquilo que fazemos. O amor transforma tudo em obra prima, pois nada é pequeno quando o amor é grande. Deus não valoriza a quantidade, mas o amor com que fazemos as coisas.


Ao entregar tudo para Deus o que tinha, a viúva nos ensina a não ficarmos apegados às coisas. Porque, neste mundo, durante nossa passagem, não temos poder para possuir. Temos apenas o direito de usar as coisas criadas por Deus. Quando terminarmos nossa vida nesta terra nada nós levaremos. Tudo que é deste mundo vai ficar aqui neste mundo.


Quem tem o apego às coisas perde a liberdade, pois as coisas começam a mandar nele. Podemos possuir as coisas terrenas, mas não podemos ser possuídos por elas para não perdermos nossa liberdade de filhos e filhas de Deus. Desapego é o caminho de libertação.


Ser de Deus e acreditar em Deus é servir e dar, não aquilo que sobra e sim a si mesmo. Nisto daremos de coração e Deus vê nosso coração: ”Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”.


P. Vitus Gustama,svd