segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

20/12/2017
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DEIXAR-SE FECUNDAR POR DEUS PARA FECUNDAR OS DEMAIS
20 de Dezembro

Primeira Leitura: Is 7,10-14
Naqueles dias, 10 o Senhor falou com Acaz, dizendo: 11 “Pede ao Senhor teu Deus que te faça ver um sinal, quer provenha da profundeza da terra, quer venha das alturas do céu”. 12 Mas Acaz respondeu: “Não pedirei nem tentarei o Senhor”. 13 Disse o profeta: “Ouvi então, vós, casa de Davi; será que achais pouco incomodar os homens e passais a incomodar até o meu Deus? 14 Pois bem, o próprio Senhor vos dará um sinal. Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel”.


Evangelho: Lc 1,26-38
26No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. 28O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”  29Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. 30O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”. 34Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” 35O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37porque para Deus nada é impossível”. 38Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se.
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É Preciso Acreditar No Emanuel Contra Todas As Tentações Do Poder Mundano


Pede ao Senhor teu Deus que te faça ver um sinal, quer provenha da profundeza da terra, quer venha das alturas do céu”. Esta é o conselho do profeta Isaías para o Reio de Judá, rei Acaz. Mas o rei Acaz simplesmente responde: “Não pedirei nem tentarei o Senhor”.


O que tem por trás destas afirmações? Estamos em torno dos anos 735 a.C. São anos difíceis para o povo de Deus sob o governo do rei Acaz. O povo de Judá está ameaçado, por um lado, pela Assíria e, por outro, pelas cidades vizinhas, Síria, Edomitas e Filisteus. O dilema era claro para o rei Acaz: aliado com a Assíria, ou com seus vizinhos. E Acaz, o rei de Judá, escolheu a mais poderosa, a Assíria, como aliado.


Isaías se apresenta ao rei Acaz e aconselha ao rei o terceiro e único caminho de salvação para Judá: uma posição não de alianças políticas ou diplomáticas, mas de fé. O profeta Isaías pede que tenha fé e confie somente e exclusivamente no Deus da Aliança e das Promessas. Israel era um povo teocrático. O rei era simplesmente o representante de Deus. Ele deveria sempre agir dependendo de Deus.  O rei Acaz não podia prescindir de Deus em suas decisões e converter-se num rei como os demais reis da terra. Precisamente o que o rei Acaz e os seus conselheiros recusam: “Não pedirei nem tentarei o Senhor”.


O profeta Isaías, indignado, diz ao rei: "Ouvi então, vós, casa de Davi; será que achais pouco incomodar os homens e passais a incomodar até o meu Deus? Pois bem, o próprio Senhor vos dará um sinal. Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel”. No versículo 11 Javé era ainda o Deus de Acaz (“teu Deus”). No versículo 13, Javé é somente o Deus de Isaías (“meu Deus”) e daqueles que vão crer n´Ele. O profeta Isaías lembra ao rei Acaz que a comunidade de Israel é, antes de mais, uma comunidade de fé ligada a Deus pela aliança, que somente a fé poderia lhe dar sua fisionomia autêntica; a sua segurança, o seu futuro não se baseia na força do rei, e sim na força de Deus. Somente a fé pode dar origem a um novo Israel de um Israel desmoronado pela força das armas.


Diante da rejeição de Acaz, vem o anúncio da presença especial de Deus, que servirá de uma "Virgem", que conceberá e gerará o futuro e definitivo mediador da aliança. Esta "virgem" é provavelmente a primeira dama da corte, a esposa do rei. O sinal é que a jovem esposa do rei, que ainda não teve filhos, vai dar à luz um filho (Ezequias) que continuará a tradição dinástica de Davi. Assim, a promessa se torna presente e a aliança é mantida.


O caminho da fé que Deus traçou para o homem não ficará interrompido. Aqui a tradição cristã viu (segundo Mt 1,23) um anúncio da concepção de Maria e do nascimento de Jesus. É a leitura que a comunidade de Mateus faz sob a luz da vida e da missão de Jesus.


A virgem, da perspectiva do evangelista Lucas, uma mulher que aceita a proposta revolucionária de que Deus nasceu do ventre virgem, do seu corpo jovem, do seu coração feminino. A mulher, que naquele momento não tinha acesso à Palavra escrita da Torá, ou aos Profetas, agora tem no seu ventre materno a própria Palavra de Deus feita carne. A mulher, que não podia conversar com outro homem que não era seu marido, agora dialoga com sua própria consciência e toma a decisão de ser a mãe de Deus. A mulher, que vivia dependente de uma estrutura familiar rígida, agora escolhe, opta, engravidar milagrosamente. A mulher, que restringiu o acesso ao culto, agora fala diretamente, cara a cara, com Deus. A mulher, que teve que cuidar de sua imagem de moralidade, sua virgindade até o casamento, agora decide enfrentar a sociedade de seu tempo e o mais importante: quem decide é ela por causa da própria Palavra de Deus.


Através Dos Simples Deus Nasce Para o Mundo Para Salvar a Humanidade


O relato da “Anunciação” de Jesus é paralelo ao do dia anterior que anunciava o nascimento de João Batista. Este relato está cheio de reminiscências bíblicas que podem ser verificadas nas “notas” do rodapé das Bíblias publicadas recentemente. É conveniente deixar-se levar pelo encanto dos detalhes e a contemplação do mistério da fé que se esconde neles.


Nazaré da Galileia. Nazaré: povoado ou vila insignificante, desconhecido do AT. A simplicidade da casa de Maria contrasta com a solenidade da anunciação a Zacarias, no marco sagrado do Templo, em Jerusalém, a capital. Galileia: província desprezada pela mistura de judeus e pagãos.


Há uma jovem desposada cujo nome é Maria. É uma moça do povo muito simples que nada a distingue de suas companheiras. A moça do povo. Maria, uma humilde moça é eleita por Deus para ser a Mãe do Esperado, do Emanuel, do Deus-Conosco.  O anjo a chama de “cheia de graça”, “bendita entre as mulheres” e lhe anuncia uma maternidade que não vem da sabedoria ou das forças humanas e sim do Espírito Santo, porque seu Filho será o Filho de Deus altíssimo.


Maria é desposada com certo varão da descendência de Davi cujo nome é José. José é, então, de etnia real despojado de toda grandeza: é um artesão, um carpinteiro, sem nenhuma pretensão de ocupar um trono. No entanto, através dele será cumprida a promessa feita a Davi.


A moça simples, Maria, mostra sua atitude de disponibilidade para Deus apesar da pouca experiência como jovem, mas que acredita plenamente na Palavra de Deus: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua Palavra!”. Esse “Faça-se” não é somente no momento da anunciação e sim será para toda a vida, inclusive será na sua presença dramática ao pé da Cruz do seu Filho, Jesus (cf. Jo 19,25-27).


Maria aparece já desde agora como a melhor mestra da vida cristã. O mais acabado modelo de todos os que têm disponibilidade de dizer “sim” à vontade ou ao plano de Deus. Maria é o melhor espelho no qual cada cristão pode se espelhar. É possível ser instrumento do Senhor desde que saibamos nos deixar fecundar pela Palavra de Deus para que possamos fazer nascer o Salvador para nosso mundo.


Não é por acaso que de todas as cenas que a Igreja usa na liturgia do Advento, a anunciação a Maria é a mais famosa por excelência. A anunciação do Anjo do Senhor a Maria tem aparecido freqüentemente na teologia, na espiritualidade, na arte, na música e na literatura.


Na anunciação do nascimento de João Batista (Lc 1,5-25), o anjo aparece num lugar sagrado, por excelência, no Templo de Jerusalém. A aparição do anjo a Maria acontece em Nazaré, uma cidade desprezada de uma terra desonrada e desconhecida. Até Natanael, o futuro apóstolo do Senhor perguntou: “De Nazaré pode sair coisa boa?” (Jo 1,46). Esta diferença sublinha uma nova economia onde Deus se oferece, não mais na economia do templo de pedra, o lugar sagrado, a sacralidade, mas num lugar pobre, vulgar, até desprezado, naquilo que os homens desprezam e julgam insignificante e humilde e na pessoa simples, como Maria. Como disse o Papa Bento XVI: “Deus não habita num móvel, e sim numa pessoa, num coração: Maria, Aquela que trouxe no seu ventre o Filho Eterno de Deus que se fez homem, Jesus, nosso Salvador”.


A eleição de Maria como Mãe do Salvador não é fruto de uma obra humana, e sim o fruto da complacência gratuita de Deus, da pura graça, pois Deus se antecipa à obra do homem e é o pressuposto absoluto de toda a iniciativa humana.


A graça é benefício absolutamente gratuito, livre e sem motivo (cf. Ex 33,12. 19; 34,6). Por isso, a graça é o espaço, é o lugar onde a criatura pode encontrar o seu Criador e ao encontrar o Criador o ser humano se encontra. Pela graça de Deus nós somos o que somos (cf. 1Cor 15,10). Pela graça, Deus baixa-se em direção à criatura.


Lucas coloca esta cena na narrativa da infância de Jesus para destacar Maria como modelo de qualquer cristão: Ela é a primeira discípula-modelo; modelo de e modelo de quem medita a Palavra de Deus no coração e de quem vive de acordo com a Palavra de Deus (cf. Lc 1,38).


1. Maria É A Primeira Discípula-Modelo


A primeira mensagem dessa anunciação é centrada na concepção de Jesus como Messias e Filho de Deus. E Lucas apresenta Maria como a primeira a ouvir e a acertar a mensagem, para depois proclamá-la (Lc 1, 39-45). Sua condição de discípula realiza-se quando ela diz “sim” à vontade de Deus a respeito de Jesus. Mas tal prontidão lhe é possível porque Maria dispõe da graça de Deus pelo seu modo de vida. Desta maneira nãoexagero ao dizer-se que Maria ouviu o Evangelho de Jesus Cristo e de fato, foi a primeira a fazê-lo. Assim Lucas eleva Maria à condição de primeira discípula-modelo e Lucas fornece aqui a mais forte evidência para o fato importantíssimo de que ela é discípula de Jesus.


Para que possamos dizersim” à vontade de Deus, devemos viver na graça e com a graça de Deus, como Maria, pois a pessoa que Deus escolhe para exercer a sua vontade é alguém que dispõe de sua graça pelo seu modo de vida. Sem a graça de Deus a nossa própria vontade se torna mais importante do que a de Deus. E o Senhor continua oferecendo às pessoas (todos nós) a possibilidade de se tornarem seus discípulos, aprendizes na arte de viver o amor de Deus. Não importa a vida passada, a fama, a riqueza ou a instrução. O Deus de Jesus Cristo não hesitou em usar a torpeza tanto quanto a nobreza, a impureza tanto quanto pureza, homens a quem o mundo ouviu atentamente e mulheres que o mundo censurou; esse Deus continua a trabalhar com a mesma mistura (basta ler a genealogia de Jesus segundo Mateus 1,1-17).  A graça de Deus pode, sim, atuar em pessoas como nós. Mas será que temos a disponibilidade como a de Maria? Deus nos pede uma disponibilidade absoluta e nos chama com freqüência a entregar aquilo que não tínhamos previsto.


2. Maria É Modelo De


Diante da proposta de Deus, Maria responde prontamente. O seusim” ecoa forte e sem nenhuma dúvida e cheio de generosidade. Ela une a liberdade com a vontade: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a Sua Palavra”. Com essas palavras Maria abriu seu espaço interior para deixar Deus entrar. Uma vez que reconheceu o chamamento de Deus, não fez qualquer reserva, e entrega-se a Ele totalmente. Essa entrega do coração a Deus tem um nome muito simples: . quer dizer arriscar-se e jogar-se nas mãos do Senhor com confiança, pois ele nos desde o início de nossa vida até o seu fim. Lucas nos conserva o testemunho de Isabel acerca da de Maria ao dizer: “Feliz aquela que creu” (Lc 1,45).


Duas coisas transparecem de Maria em relação à : Sua vida de , de entrega humilde e confiante que não entende tudo, mas confia, e sua que cresce mediante a reflexão e a meditação. E a vida vai tornando manifesto daquilo que lhe era confuso. Mas certamente é próprio da viver no lusco-fusco (o anoitecer) e criar luz na medida em que acolhe e se entrega ao plano de Deus. A convive com a perplexidade, mas não pode subsistir com a incredulidade. Deve-se superar a incredulidade. Faz parte da aqueles momentos de escuridão, onde a razão se cala e a alma se entrega a Deus.


Portanto, crer significa confiar apesar da obscuridade; acolher apesar de não ver claro porque é Deus quem está falando e convidando. E crer supõe uma atitude que exige uma pobreza interior e desapego das próprias seguranças, que muitas vezes são falsas.


Por isso, Maria, por sua palavra e por suas atitudes faz-se modelo para todos os que crêem. Olhando para a de Maria, a gente se melhor. Nós temos muito a aprender dessa atitude de Maria. Ao olhar para ela, nos sentimos mais animados, pois compreendemos que não nascemos prontos, que a vida é uma travessia. Descobrimos também que até as crises de são ocasiões de crescimento. Reconhecemos que somos peregrinos na e nos colocamos, com alegria, no caminho do Senhor. Se o Antigo Testamento começa com a de Abraão (Gn 15,6), o Novo Testamento começa com a de Maria. Crendo como ela se constrói a Igreja e a traz novamente o Verbo feito homem, Jesus Cristo, entre os homens para iluminar e libertar todos nós.


3. Maria é modelo de quem medita a Palavra de Deus


Quantas vezes Deus se comunica conosco, mas a sua Palavra não penetra em nós. Por que isso acontece? Com toda a agitação e barulho ao nosso redor ou dentro de nosso próprio coração temos muita dificuldade em parar para escutar a voz interior, a voz de Deus. Certamente a vida equilibrada e com sentido começa com a criação de um espaço interior, no qual a pessoa vai juntando os acontecimentos e procura seu sentido e com certeza pode perceber os sinais de Deus na vida.


A partir de Maria, a acolhida da Palavra nem sempre é conseqüência de uma escuta em que ela é ouvida com total clareza. Maria passou pela experiência da obscuridade que envolve a Palavra (cf. Lc 2,34s.49s). A Palavra é acolhida na , independentemente da clareza de seu significado.


Maria vem nos ensinar a cultivar a interioridade. Guardar as coisas no coração, meditar e buscar sentido nos acontecimentos e preparar-se para o que vai acontecer. Deus se comunica através da vida e da Palavra inspirada, a Bíblia. Somos chamados, a exemplo de Maria, a cultivar a interioridade, para meditar fatos e palavras da vida e da Bíblia, guardá-las no coração e melhorar nossa prática cristã.


Três palavras-chaves resumem o ser-cristão a partir de Maria como o exemplo: escutar, acolher/meditar, frutificar/proclamar. Com isso Lucas pinta os traços da figura de Maria. Onde é que estamos: no ouvir, meditar ou no frutificar/proclamar? Não basta ouvir a Palavra de Deus, temos que meditá-la. Mas do ouvir e meditar temos que frutificá-la e proclamá-la.


P. Vitus Gustama,svd

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