quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

30/12/2017
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SERVIR ATENTAMENTE A DEUS EM SILÊNCIO
30 de Dezembro


Leitura da Primeira: 1Jo 2, 12-17
12 Eu vos escrevo, filhinhos: os vossos pecados foram perdoados por meio do seu nome. 13 Eu vos escrevo, pais: vós conheceis aquele que é desde o princípio. Eu vos escrevo, jovens: vós vencestes o maligno. 14 Já vos escrevi, filhinhos: vós conheceis o Pai. Já vos escrevi, jovens: vós sois fortes, a Palavra de Deus permanece em vós e vencestes o Maligno. 15 Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. 16 Porque tudo o que há no mundo – as paixões da natureza, a concupiscência dos olhos e a ostentação da riqueza – não vem do Pai, mas do mundo. 17 Ora, o mundo passa, e também a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.


Evangelho: Lc 2, 36-40
Naquele tempo, 36 havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido. 37 Depois ficara viúva, e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do Templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. 38 Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39 Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade. 40 O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.
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Amar Ao Próximo e a Deus Evita a Concupiscência


Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo – as paixões da natureza, a concupiscência dos olhos e a ostentação da riqueza – não vem do Pai, mas do mundo” (1Jo 2,15-16).


Na Primeira Leitura do dia anterior (1Jo 2,3-11) o autor da Carta de João nos afirma que o amor ao próximo é a característica essencial da comunidade cristã. O amor ao próximo é a única prova de que alguém conhece Deus. O amor fraterno significa andar na luz. O ódio significa andar nas trevas.


Na Primeira Leitura de hoje, que é a continuação da leitura do dia anterior, o autor da Carta afirma que aquele que ama o mundo não pode trazer em si o amor ao Pai celeste, e aquele que é levado pela “concupiscência” não pode ser conduzido pela vontade de Deus.


A “concupiscência da carne” sintetiza todas as paixões humanas contrárias à vontade de Deus (Cf. Ef 2,3; 1Pd 2,11). O termo “concupiscência” vem do latim “concupiscere” significa desejar ardentemente. Este termo indica o desejo ardente e intenso de conseguir algo agradável ou algo de bom tanto real como aparente. Os autores sagrados não se referem a concupiscência apenas à esfera sexual, mas a várias situações humanas (cf. Is 5,15; Mt 5,28). Por isso, a concupiscência se refere também aos objetos materiais. A concupiscência material produz a arrogância baseada nos bens materiais que o próprio homem vai deixar aqui neste mundo quando terminar seu curso de vida aqui neste mundo. O homem sempre se esquece que nada de material ele vai levar deste mundo.


A Primeira Leitura de hoje nos convida a revisarmos nossos critérios na vida normal: vencer o Maligno, conhecer o Pai, deixarmo-nos guiar por Aquele que vem do Pai e não por aquilo que vem do mundo. A Primeira Leitura define as modalidades da comunhão com Deus: viver com Ele na luz, compartir seu amor amando os irmãos. Numa palavra: conhecer Deus. Mas essa comunhão supõe uma escolha (opção) deliberada. Não é possível, com efeito, servir a dois senhores ao mesmo tempo: o Pai e o Mundo. É a escola essência do texto da Primeira Leitura.


O homem e o cristão são, com efeito, solicitados por duas fontes de vida: o Pai e o Mundo. Mas não é possível beber de duas fontes: quem ama o mundo não pode ter nele o amor do Pai (v. 15), e quem é solicitado pela "ganância" do mundo (v. 16) não pode sê-lo pela vontade de Deus (v. 17). O termo “mundo” aqui para São João tem um significado pejorativo: não se trata do mundo pelo qual Cristo morreu (1Jo 2,2; 4, 14; Jo 3, 16-17; 4,42; 12,47) e a que Deus amou tanto (Jo 3,16), e sim daquela humanidade que não conta mais que consigo própria para se salvar e se recusa a admitir que seu futuro depende de uma iniciativa gratuita de Deus. Trata-se daquele mundo cujo príncipe é Satanás (Jo 12, 31).


Viver Conforme a Vontade De Deus É Um Grande Testemunho


O texto do evangelho deste dia é a conclusão da cena da apresentação de Jesus no Templo e tem duas partes. A primeira parte fala do testemunho da profetisa Ana. A segunda parte fala da volta da Sagrada Família para Nazaré onde Jesus fortemente e cheio de sabedoria e está com a graça de Deus.


A figura feminina de Ana se corresponde com a figura masculina de Simeão, formando um par ideal no relato da apresentação do Menino Jesus no Templo.


O texto diz que “Ana, da tribo de Aser, era viúva e tinha 84 anos de idade”. O número “84” é um múltiplo de 12 (12 x 7), alusão às 12 tribos de Israel; enquanto que o número “7” tem, entre outros, valor de globalidade.


A alusão à tribo de Aser a qual pertencia a profetisa Ana, uma das dez tribos do Norte, confirma o alcance de sua representatividade. A menção da “idade avançada”, situada já no limite, contrasta com a dupla menção da “idade avançada” de Zacarias e Isabel (cf. Lc 1,7.18). De um lado, Ana está muito arraigada ao passado (genealogia) e à instituição judaica (Templo). De outro lado, por sua qualidade de “viúva”, diz relação com o povo de Israel, que enviuvou de seu Deus, enquanto que como “profetisa” lança um grito de esperança diante da semelhante desastre nacional. Jesus veio como Deus-Conosco para não deixar o povo órfão na sua luta de cada dia.


Além disso, a figura de Ana nos faz pensar, em primeiro lugar, na dedicação calada e silenciosa a Deus. O silêncio possibilita a presença da plenitude e dá oportunidade para Deus falar de si próprio e de nós e de nossa vida. Quanto mais silêncio criarmos, mais inspiração nós teremos. Qualquer grande obra que existe sempre foi e é o fruto de horas de silêncio. O silêncio possibilita qualquer um usar devidamente palavras que serão ditas ou escritas para os outros.


A figura de Ana nos faz pensar também no espírito atento para as chamadas e manifestações de Deus. A atenção faz parte da espiritualidade cristã. Ser atento é ser vigilante. É saber estar ligado com tudo ao redor. O espírito atento faz alguém se perguntar: Será que alguém está precisando de alguma ajuda? Será que minha maneira de falar e de viver está incomodando a tranquilidade dos outros? Somente quem tem espírito atento é que capaz de captar as chamadas de Deus e suas mensagens para nossa vida diária.


A figura de Ana nos faz pensar também na alegria da salvação que sempre é nos mostrada.  A consciência de que Deus sempre quer nossa salvação nos faz sempre alegres: “Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos!” (Fl 4,4). Quem tem Deus, sua vida tem futuro. Por isso, a alegria é a característica do cristão que vive na esperança, na expectativa e na certeza da ressurreição; que vive na certeza de uma vitória final que será realizada apesar dos sofrimentos, do fracasso aparente e da morte no presente: “Penso, com efeito, que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que deverá revelar-se a nós” (Rm 8,18). Por esse futuro garantido os cristãos jamais podem desistir de lutar por um mundo mais fraterno, mais justo, mais solidário e mais humano, onde um se preocupa com o outro, onde um protege o outro. Com efeito, a tristeza e o desânimo não são apenas sintomas de um profundo cansaço, e sim são um sinal da ausência de uma verdadeira esperança cristã que no fundo tem sua origem na falta de fé em Deus. A firme intenção de sermos portadores de alegria e o empenho em contagiar os outros com uma alegria santa, com alegria no Senhor, são uma defesa muito eficaz contra a perda da mesma.

P.Vitus Gustama, SVD

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