quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Domingo,04/02/2018
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SOMOS CHAMADOS A LEVANTAR E A SERVIR OS DEMAIS
V Domingo Do Tempo Comum “B”


Primeira Leitura: Jó 7,1-4.6-7
Jó disse: 1“Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a terra? Seus dias não são como dias de um mercenário? 2Como um escravo suspira pela sombra, como um assalariado aguarda sua paga, 3assim tive por ganho meses de decepção, e couberam-me noites de sofrimento. 4Se me deito, penso: Quando poderei levantar-me? E, ao amanhecer, espero novamente a tarde e me encho de sofrimentos até ao anoitecer. 6Meus dias correm mais rápido do que a lançadeira do tear e se consomem sem esperança. 7Lembra-te de que minha vida é apenas um sopro e meus olhos não voltarão a ver a felicidade!


Segunda Leitura: 1Cor 9,16-19.22-23
Irmãos: 16Pregar o Evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o Evangelho! 17Se eu exercesse minha função de pregador por iniciativa própria, eu teria direito a salário. Mas, como a iniciativa não é minha, trata-se de um encargo que me foi confiado. 18Em que consiste, então, o meu salário? Em pregar o Evangelho, oferecendo-o de graça, sem usar os direitos que o Evangelho me dá. 19Assim, livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. 22Com os fracos, eu me fiz fraco, para ganhar os fracos. Com todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns. 23Por causa do Evangelho eu faço tudo, para ter parte nele.


Evangelho: Mc 1,29-39
Naquele tempo, 29 Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. 30 A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus. 31 E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los. 32 À tarde, depois do pôr do sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. 33 A cidade inteira se reuniu em frente da casa. 34 Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era. 35 De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. 36 Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. 37 Quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando”. 38 Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”. 39 E andava por toda a Galileia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios.
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No evangelho do domingo anterio lemos que Jesus curou uma pessoa dominada pelo espirito mau num sábado na sinagoga (Mc 1, 21-27). Hoje ele entra na Casa de Simão, cura e come, cura as pessoas á porta da casa e sai para outro lugar. Trata-se de um caminho exemplar em três partes: (1) Em plena luz do dia, ele entra na casa de Simão e cura a sogra, que os serve, aparecendo bem como a primeira verdadeira seguidora de Jesus. (2) No início da noite, ele sai à porta da casa e cura todos os enfermos e possessos que se aproximam dele, implorando por ajuda. (3) No amanhecer no dia seguinte, ele sai para o campo aberto para orar e começa uma jornada do evangelho através de todas as aldeias vizinhas, contra Simon que queria fazer dele um curandeiro a seu serviço, diante de sua casa.


1. Somos Levantados e Chamados Por Jesus Para Servir Os Demais: A Cura em Casa


Depois da cura do endemoninhado na Sinagoga de Cafarnaum (veja o 4º Domingo) que é o primeiro milagre de Jesus segundo Marcos, o evangelista narra como o segundo milagre, no fim do primeiro dia de atividade de Jesus, a cura da febre da sogra de Simão na intimidade de uma casa (não mais na sinagoga). Isto nos mostra que Jesus é o libertador tanto para o ambiente oficial (sinagoga, onde se encontra o endemoninhado) como para os ambientes privados (casa, onde se encontra a sogra de Simão).


A casa onde acontece a cura da sogra de Simão não significa apenas como lugar de moradia ou centro produtivo (onde se fabrica o pão, o azeite, o vinho, manteiga, queijo etc.), mas principalmente, neste caso, como símbolo de um novo sistema de relações de convivência oposto ao espaço oficial simbolizado pela sinagoga. A casa, aqui, simboliza um sistema de convivência alternativa, onde as pessoas têm posse de sua própria vida, e onde existem relações imediatas sem nenhuma formalidade, pois todos se sentem à vontade, e em casa todos têm o domínio sobre o próprio espaço. Em casa todos tem seu nome e cada membro é chamado pelo nome e não pelo título.


A família e o lar são nosso ninho, o centro de nossa vida, o eixe do qual se prolongam todas as experiências cotidianas. Seja quando crianças ou adultos, nosso lar e nossa família são onde devemos nos sentir mais confortáveis no mundo. Um lar saudável é um ingrediente vital na busca de uma vida significativa. É no lar que aprendemos a sobreviver e a ser produtivos, a trabalhar e a brincar. Precisamente, Jesus quer entrar no espaço de nosso lar, pois com a presença do Senhor tudo se ilumina e acabaremos enxergando o que não está em bom funcionamento dentro de nosso lar. A presença do Senhor no nosso lar é uma presença curativa e libertadora. Quando o Senhor se tornar membro permanente de nosso lar, a família brilhará, em consequência, para fora dela, iluminando outros lares ao redor.


Faz parte da missão é congregar as pessas (formar família) em torno do Senhor para criar uma comunidade cristã em que Jesus é a cabeça da comunidade (Cl 1,18). É preciso combater o poder do mal que aliena e desune as pessoas.


A sogra de Pedro se encontra com a febre. Para os antigos, as doenças e principalmente a febre eram obra do demônio ou de origem demoníaca (cf. Lc 13,11-16), que suga a saúde das pessoas que resulta na diminuição da capacidade de viver e de usufruir a vida na sua plenitude (“está de cama”, prostrada). Por isso, Jesus expulsa a febre como se expulsasse o demônio (cf. Lc 4,39), o mesmo termo que se usa em Mc 1,25. No v. 31 diz-se que “a febre a deixou”. É uma frase que poderia ser entendida como “o demônio da febre foi embora”.


No relato da cura não se narra gestos mágicos de Jesus como ordenar a saída do demônio (Mc 1,25). Jesus se mostra, aqui, solidário com a humanidade sofrida: ele se aproxima, abaixa-se, tomar a mão da mulher e fá-la levantar-se. A força da solidariedade sempre causa o reerguimento de quem estiver prostrado sobre o peso de problemas da vida.


O relato sublinha também o uso de determinados termos que para Marcos têm significado próprio, como “tomar pela mão” e “fazer levantar”. Estas duas expressões são usadas em cenas de ressurreição. O termo “levantar-se” (o verbo em grego “egeiro”, “levantar” também significa “ressurgir da morte”, cf. Mc 14,28; 12,26) aparecerá também na cura do paralítico (Mc 2,9-11) e na do cego de Jericó (Mc 10,49). E o mesmo termo será usado no anúncio da ressurreição do próprio Jesus (Mc 16,6). Em outras palavras, o gesto de Jesus de levantar a sogra de Simão antecipa a vitória de Jesus sobre a morte. A expressão “tomar pela mão” também tem um significado como um gesto típico da salvação de Deus quando resolve levantar o seu povo abatido (cf. Is 41,13;42,6;45,1; Sl 73,23-24).


Jesus ajuda a sogra de Simão a se levantar que a impedia de servir, pois, de fato, logo depois, “ela se pôs a servi-los” (v.31b). Isto significa que a sogra de Simão, mulher ressuscitada, vai começar a fazer parte da casa de Jesus ou do grupo dos seus discípulos. Aqui a sogra de Simão que foi curada representa todos os pequeninos levantados por Jesus (a mulher era desvalorizada).


Seguir Jesus, neste sentido, significa servir e não dominar nem alienar. O Reino de Deus é, certamente, caracterizado por um amor serviçal. O serviço é a atitude característica de quem segue a Jesus. Cada pessoa é levantada por Jesus para se integrar à comunidade de servidores. O serviço constitui a identidade cristã (cf. Rm 12,9-13; Gl 5,13; Fl 2,5-7; Ef 5,21). E Jesus vai educando ou ensinando os discípulos lentamente a viver esse novo caminho de vida (cf. Mc 9,35;10,43-45). E o próprio Jesus se propõe como modelo (cf. Mc 10,45; Lc 12,37; Jo 13,1-17). Nós acolhemos o Reino de Deus quando colocamos a nossa vida a serviço dos demais (cf. Mc 9,33-35). Mas quando se fala do serviço não se trata do serviço escravo, que degrada a pessoa. Trata-se do serviço fraterno, expressão de amor. O amor é que dá dignidade ao serviço.


A comunidade cristã primitiva não estava interessada nos milagres de Jesus meramente como fatos extraordinários. Eles são uma manifestação do poder de Deus que se atua em Jesus e ao mesmo tempo, são uma proclamação da plenitude do tempo (cf. Mc 1,15). O poder de Jesus proclama a realidade presente do Reino de Deus (cf. At 2,22). Eles acreditam que Jesus é o Salvador e que através das obras de sua vida terrena, ele antecipa as realidades divinas comunicadas aos fiéis. Entendido desta maneira, o relato se torna um retrato simbólico para os fiéis onde eles, antes, se prostravam sob o poder do pecado, mas agora são levantados por Jesus, e são chamados a servi-lo (v.31). Faz parte da missão é a preocupação com os doentes, com os necessitados, com os excluídos para que possam se levantar e voltar a prestar serviço aos demais.


2. A Cura Diante Da Casa, À Porta Da Casa


A segunda parte tem um gênero literário típico conhecido como “sumário”. Este gênero pode encontrar-se em outras partes deste evangelho (cf. Mc 1,14-15;3,7-12;6,6b; veja também At 2,42-47;4,32-37;5,12-16).


Frente à Sinagoga dos “endemoninhados” (veja o evangelho do IV Domingo) surge aqui a Igreja que está à porta da cas de Simão onde, em plena rua, ao anoitecer, se junta a multidão daqueles que querem escutar e ser curados. O povo do entorno vem trazendo diante da casa de Simão seus enfermos para que Jesus os cure (Mc 1,32-34), pois são muitos os que continuam oprimidos pelo mal, endemoninhados. Precisamente, quando acaba o Sábado judaico do culto e o descanso religioso que não conseguiram curar os doentes, o tempo messianico da cura pode começar para os pobres.


Este é, sem dúvida, um texto irônico. É como se tivésse de esperar o fim do tempo da religião (sábado sagrado) para receber o dom de Deus (a cura feita por Jesus, o Cristo). Diante da porta da casa de Simão, as multidões da cidade, no verdadeiro culto da miséria (estão trazendo os doentes e possuídos pelo demônio) esperam ouvir a palavra de esperança e de cura de Jesus.


O espaço que está diante da casa de Simão se converte em uma espécie de Igreja domestica, onde se reúnem os cristaos de Cafarnaum. Para os leitores de Marcos, que celebravam seu culto em Igrejas domésticas (cf. Mc 2,1-2.15; 3,20 etc.) são muito importantes: mostram a forma em que Jesus manifestou seu poder nas casas (ante as casas) durante o tempo de seu ministério público. Da mesma maneira Jesus se manifesta hoje em dia, nas casas, através de sua presença continuada nas pequenas comunidades cristãs.


Temos passado, então, da Sinagoga (em Mc 1,21-28) para a casa de Simão, isto é, para a Igreja domestica, vinculada à casa (em Mc 1,29-34).


A população se aglomera diante da casa e não diante da sinagoga. Ali, diante da porta da casa de Simão onde Jesus curou a sogra, se amontoam as pessoas, esperando as curas feitas por Jesus. Quando Marcos descreve essas curas, ele acrescenta que Jesus não permite que os demônios falem “porque sabiam quem ele era”. Jesus não quer propaganda, não quer que os endemoninhados revelem Sua glória. Jesus quer curar, em gesto silencioso de amor, em gesto forte de serviço. “O bem não faz barulho e o barulho não não faz bem”, dizia o Papa Paulo VI.


Além disso, esta ordem de calar os demônios tem por finalidade de alertar o povo/leitor para que não faça um conclusão apressada ou precipitada sobre a verdadeira identidade de Jesus antes de sua manifestação definitiva: a morte e a ressurreição. Esta ordem também quer ressaltar a ignorância humana acerca do Messias Jesus: os demônios conhecem quem é Jesus, enquanto que os próprios seguidores não conhecem quem ele é. Só pode ser uma ironia.


Nunca podemos decifrar definitivamente o mistério da pessoa de Jesus. Ninguém pode fazer uma conclusão apressada ou precipitada a respeito de Jesus. Somos convidados, por isso, a decifrar progressivamente, dia após dia, o enigma da presença de Jesus na nossa vida e o segredo da força misteriosa que tem produzido tantos mártires na história do cristianismo. É uma força inexplicável que faz alguém abandonar tudo para se agregar a Jesus. É uma força que alguém encontrou para se levantar novamente. Só em Jesus podemos encontrar resposta. 


Será que nossa fé nos liberta ou nos oprime? Será nossa casa é realmente uma Igreja domestica? Será que somos exibicionistas ou propagandistas do “bem” ou da “bondade” que praticamos? Ou deixamos que o bem praticada ou a bondade vivida fale ou grite por si mesmo?


Três vezes temos visto Jesus curando o povo: primeiro, ele curou alguém na sinagoga; segundo, ele curou a sogra de Simão na sua casa; e terceiro, ele curou a multidão na porta (rua). Jesus não escolhe nem o lugar nem a pessoa. Ele realiza o clamor da humanidade em necessidade. Onde quer que se encontre uma enfermidade, Jesus está lá pronto para usar o seu poder de cura. A salvação é destinada a todos, especialmente aos marginalizados em todos os sentidos.


3. Jesus Vai Ao Encontro Dos Outros Necessitados: A Cura Ao Redor


Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”.


Marcos não quer encerrar Jesus numa casa. Não quer estabelecer Jesus num lugar em contra de Simão e companheiros. O próprio de Jesusé a mensagem aberta, a missão do Reino que ele oferece a sua Igreja. Opõem-se os projetos “eclesiais” de Simão e de Jesus.


Da Sinagoga (judaísmo) e da casa de Simão (Igreja) nos conduz o evangelho ao serviço missionário. O Papa Francisco tem razão ao escrever: “Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! Repito aqui, para toda a Igreja, aquilo que muitas vezes disse aos sacerdotes e aos leigos de Buenos Aires: prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos” (Evangelii Gaudium n.49).


Jesus, um caminho aberto. Jesus se vai. “De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou”. Estas palavras são como um anúncio da ressurreição: “De madrugada, no primeiro dia da semana, elas foram ao túmulo ao nascer do sol” (Mc 16,2). Recordamos que em ambos casos se fala no dia depois do sábado (cf. Mc 1,32; 16,1). Entre a noite e a manhã há uma grande mudança em termo de clara evocação pascal: Jesus se levanta, como o dia da ressurreição... e se vai a outro lugar (cf. Mc 5,42; 8,31; 9,9.31; 10,34; 12,18.23; 13,2). Jesus se levanta de manhã (ressuscita) para orar num lugar deserto (Mc 1,35). É como retornar à experiência de encontro com Deus (Batismo) e compromisso messiânico (tentação). Não se fica no fato, busca em Deus (em oração e discernimento) o que deve fazer.


Simão persegue Jesus, como cabeça de grupo (vem com os seus: Mc 1,36) apelando à necessidade da multidão (todos te buscam: Mc 1,37). É o primeiro enfrentamento, a primeira discussão messiânica. Simão é sinal de uma Igreja que quer utilizar Jesus para serviço próprio, convertendo-O em curandeiro domesyico, estabelecido em sua própria casa a qual os necessitados e os enfermos ao redor acorrem (Mc 1,33-34).


Simao não quer servir aos demais e sim servir-se de Jesus para seu proveito, interpretando em forma egoísta sua pesca (Mc 1,16-20). Evidentemente, quer fazer-se “dono” de Jesus, representante de sua empresa. Simão necessita que Jesus fique, instalando uma “oficina de curas” à porta de sua casa para prestigio social e ou econômico do grupo.


Será somos, como Maria Santíssima, portadores de Jesus para os outros ou queremos usar Jesus para nosso próprio proveito a exemplo de Simão e seus companheiros. É preciso siarmos de nosso canto para ir ao encontro dos que necessitam de Jesus, nosso Senhor que nos liberta e nos chama a formar uma família.
P. Vitus Gustama,SVD
03/02/2018
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APRENDER A DESCANSAR COM O SENHOR PARA VIVER NA SABEDORIA

Sábado Da IV Semana Comum


Primeira Leitura: 1Rs 3,4-13
Naqueles dias, 4 o rei Salomão foi a Gabaon para oferecer um sacrifício, porque esse era o lugar alto mais importante. Salomão ofereceu mil holocaustos naquele altar. 5 Em Gabaon, o Senhor apareceu a Salomão, em sonho, durante a noite, e lhe disse: “Pede o que desejas e eu to darei”. 6 Salomão respondeu: “Tu mostraste grande benevolência para com teu servo Davi, meu pai, porque ele andou na tua presença com sinceridade, justiça e retidão de coração para contigo. Tu lhe conservaste esta grande benevolência, e lhe deste um filho que hoje ocupa o seu trono. 7 Portanto, Senhor meu Deus, tu fizeste reinar o teu servo em lugar de Davi, meu pai. Mas eu não passo de um adolescente, que não sabe ainda como governar. 8 Além disso, teu servo está no meio do teu povo eleito, povo tão numeroso que não se pode contar ou calcular. 9 Dá, pois, a teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal. Do contrário, quem poderá governar este teu povo tão numeroso?” 10 Esta oração de Salomão agradou ao Senhor. 11 E Deus disse a Salomão: “Já que pediste estes dons e não pediste para ti longos anos de vida, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, mas sim sabedoria para praticar a justiça, 12 vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti, nem haverá depois de ti. 13 Mas dou-te também o que não pediste, tanta riqueza e tanta glória como jamais haverá entre os reis, durante toda a tua vida”.


Evangelho: Mc 6,30-34
Naquele tempo, 30os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado. 31Ele lhes disse: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer. 32Então foram sozinhos, de barco, para um lugar deserto e afastado. 33Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a , e chegaram antes deles. 34Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.
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Viver Na Sabedoria De Deus Para Viver e Governar Bem


“Dá, pois, a teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal. Do contrário, quem poderá governar este teu povo tão numeroso?”. Este é o pedido de Salomão a Deus antes de iniciar o seu reinado/governo depois que seu pai, Davi, morreu. Pode-se ler também o capítulo 7 do livro da Sabedoria sobre o sucesso e as consequências desta oração de Salomão.


O pedido de Sabedoria a Deus por Salomão constitui um prólogo magnífico para a história do reinado de Salomão. Este prólogo tem uma dupla finalidade. A primeira finalidade é apresentar Salomão como sucessor legítimo do rei Davi, seu pai, referendado pelo beneplácito divino (1Rs 3,1-2). A segunda finalidade é propor Salomão como exemplo de rei sábio (1Rs 3,3ss).


Salomão, consciente da magnitude de sua tarefa e de suas próprias limitações, pede a Deus um coração sábio para governar, como qualidade preferida a outros bens e dons (1Rs 3,6-9).


A resposta de Deus dá destaque à anuência e concessão dessa petição (1Rs 3,10-12) com o acréscimo de outros três dons: riqueza, glória e vida longa (1Rs 3,13-14): “Já que pediste estes dons e não pediste para ti longos anos de vida, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, mas sim sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti, nem haverá depois de ti. Mas dou-te também o que não pediste, tanta riqueza e tanta glória como jamais haverá entre os reis, durante toda a tua vida”, é a resposta de Deus ao pedido de Salomão. Em Salomão se cumpriu o que Jesus dirá mais tarde: ”Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas(Mt 6,33; cf. Sl 112,3; Provérbios 8,18; 10,3; 28,10; Eclesiastes 10,2; Is 26,9;33,6 ).


O jovem rei, Salomão, quis inaugurar seu reinado com um ato religioso, oferecendo sacrifícios a Deus. Aqui Salomão aparece como um homem de muito fé e quer adquirir a sabedoria de Deus para governar bem. Por causa de sua sabedoria, a Salomão são atribuídos livros sapienciais como o livro dos Provérbios, e uma fama universal superios à sabedoria de todos os sábios, que provocará a visita da rainha de Sabá (1Rs 10,1-13; cf. 2Crônicas 9,1-12). É famoso o juízo de Salomão que quando ele teve que decidir sobre o caso das duas mulheres e da criança que ambos reivindicaram como sua própria (1Rs 3).


Todos nós necessitamos de sabedoria. Muitas vezes na vida, tanto no nível pessoal como comunitário, ou familiar, nós nos encontramos diante da encruzilhada de uma decisão e ás vezes nos custa discernir uma solução. Podemos aplicar todos os recursos humanos e os cálculos e as experiências. Mas somente a sabedoria de Deus é que nos ajuda a termos uma visão melhor das coisas, das pessoas e dos acontecimentos. A vida, antes de ser vivida, precisa ser rezada.


O verdadeiro "sábio" é aquele que escolhe escutar as propostas de Deus, aceitar os seus desafios, e seguir os caminhos que ele indica. A sabedoria simplesmente significa a capacidade de fazer as escolhas corretas, de tomar as decisões certas, de escolher os valores verdadeiros que conduzem o homem à sua realização, e à sua felicidade. A sabedoria é um tipo de "luz" que indica caminhos e que permite discernir as opções corretas a tomar. É ela que permite ao homem gozar os bens terrenos com maturidade e equilíbrio, sem obsessão e sem cobiça, colocando-os nos seu devido lugar e não deixando que sejam eles a conduzir a vida do homem e a ditar as suas opções. Viver na sabedoria de Deus significa darmos prioridade àquilo que é realmente essencial, fundamental, importante e que nos assegura, não momentos efêmeros, mas momentos eternos de felicidade e de vida plena, pois os valores efêmeros não servem para encher completamente a nossa vida de significado e não nos garantem a vida verdadeira.


A Palavra de Deus nos ajuda a discernirmos o bem e o mal e a fazermos as opções corretas. Ela ressoa no nosso coração, confronta-nos com as nossas infidelidades, critica os nossos falsos valores, denuncia os nossos esquemas de egoísmo e de comodismo, alerta o perigo de nossa prepotência, mostra-nos o sem sentido das nossas opções erradas, grita-nos que é preciso corrigir o nosso rumo/direção, desperta a nossa consciência, indica-nos o caminho para Deus. Senhor, dá, pois, a teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal”.


Evangelho e Sua Mensagem


1. Revisão Da Vida Apostólica


Anteriormente Jesus chamou os Doze para depois enviá-los à missão (Mc 6,7-13). Depois de sua primeiramissão”, os discípulos voltaram a se reunir com Jesus: “Naquele tempo, os apóstolos reuniram-se com Jesus...


Muitos cristãos compreendem hoje que sua se torna robusta quando decidem reunir-se, no espírito do Senhor, com outros irmãos para partilhar e dialogar sobre sua . Este é um dos sentidos da assembléia eucarística dominical: depois de sua missão durante a semana, os cristãos se reúnem junto a Jesus na companhia de outros irmãos da .


Os apóstolos contaram tudo (a Jesus) o que haviam feito e ensinado”. Trata-se de uma revisão da vida apostólica. Esta revisão de nossa vida com Jesus é uma das formas mais úteis de nossa oração. Cada noite nós deveríamos criar ocasião pararelatar” a Jesus “o que temos feito”. Se fizermos isso diariamente, a nossa participação na celebração eucarística dominical ficará mais rica e profunda.


2. Descansar Com Jesus Uma Solicitude Pastoral


Depois de ouvir seu relato Jesus convidou os Apóstolos: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”.  Trata-se de uma necessidade de silêncio, de recolhimento, de solidão. É essencial para os homens de todas as épocas, especialmente é indispensável para o homem moderno na agitação de vida de hoje.


A resposta de Jesus se concreta em levá-los com Ele para um lugar onde ninguém possa perturbá-los para descansar com Ele e n’Ele. Esse convite nos recorda aquilo que o próprio Jesus disse no evangelho de Mateus sobre a importância do descanso com o Senhor e no Senhor: “Vinde a Mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e Eu vos darei descanso” (Mt 11,28). Jesus conjuga muito bem o trabalho e a oração. Dedica-se prioritariamente à evangelização, mas sabe buscar momentos de silêncio e oração para si e para os seus, mesmo que dure apenas pouco tempo como aconteceu no relato do evangelho de hoje.


Convidar os discípulos para descansar na solidão também é um gesto muito humano de Jesus. Jesus sabe o que é a fatiga e busca, muitas vezes, a solidão (no monte, no campo ou de noite). O ativismo nos esgota e empobrece. Não é bom o “stress”, ainda que seja espiritual. Quando não há o equilíbrio interior, todos cairão no nervosismo e diminuirá a eficácia humana e evangelizadora. Necessitamos da paz e da serenidade. Todos os que trabalham, também pelo Reino, necessitam de uma certa serenidade e um certo equilíbrio mental e psíquico. As pessoas que trabalham pelo Reino têm que ser pessoas de paz e de serenidade.


O trabalho de um verdadeiro pastor ou de qualquer líder cristão não é fácil, pois ele tem que manter a unidade e a segurança do seu rebanho. Por isso, quem é enviado como pastor, e, quem é encarregado de ser líder dos outros numa comunidade necessita de descanso. Mas o descanso dos pastores e dos lideres cristãos é feito com e no grande Pastor. Eles fazem seu descanso no Pastor dos pastores. O descanso dos pastores consiste em saberestarcom Jesus: escutá-Lo, viver com Ele, aprofundar em sua comunhão de vida como pastor. É aprender do grande Pastor sobre como deve conduzir e rebanhar as ovelhas do qual ele próprio faz parte. As ovelhas são do Senhor (Jo 21,17) e não dos líderes.


Esse convite para descansar com e no Senhor é a primeira solicitude de Jesus como Pastor para aqueles que são encarregados de alguma tarefa na comunidade de irmãos. Esse convite tem como característica a comunhão de ministério com Jesus. Essa comunhão ajudará os pastores e os demais líderes da comunidade a terem a mesma solicitude de Jesus para com todos e para com a multidão que, em cada momento da história vive “como ovelhas sem pastor”, pois o pastor é Jesus e somente Ele. Entender isso significa entender a grande missão dos que são enviados, em Seu nome, com o objetivo de conduzir a humanidade para o grande Pastor, Jesus Cristo.


3. Somos Chamados A Ser Seguidores Compassivos Como Jesus


Depois de um rápido descanso dos Doze com Jesus o evangelista Marcos nos relatou com as seguintes palavras: Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.


Esta frase reproduz a situação refletida em 1Rs 22,17: “Vejo todo o Israel espalhado pelas montanhas como um rebanho sem pastor” (cf. Nm 27,17). Trata-se de uma imagem clássica na literatura bíblica no contexto de acusação aos pastores que não cumprem sua missão de rebanhar (unir e reunir) suas ovelhas. E Jesus se apresenta como o verdadeiro Pastor, pois elesua vida pelo rebanho (Jo 10,14-15).


Cristo é o Bom Pastor (Jo 10,11-15). EleSua vida em todo momento, também quando não lhe resta tempo nem para comer. Ali está Ele, buscando um tempo para descansar em companhia de seus discípulos, mas para os necessitados de Deus, Ele oferece Seu amor. É como o pai de uma família que, depois de uma jornada cansativa, volta para casa com o único desejo de descansar. Mas ao ver que seus filhos lhe pedem algo que lhe é impossível humanamente, tira suas últimas forças para brincar e fazer felizes seus filhos, dando-lhes o melhor de si, ainda que o corpo exija um descanso.


Os cristãos dentro da comunidade, de um modo ou de outro, participam do serviço pastoral para com os demais, imitando e representando Jesus Cristo, Pastor de todos. Onde estiver e para onde for, o cristão faz tudo em nome de Cristo. Ele representa Cristo em qualquer lugar. Ele é cristão para todos os momentos e lugares.


Jesus teve compaixão da multidão que vivia sem nenhuma orientação e começou a ensinar-lhes muitas coisas. Jesus teve tempo para a multidão necessitada. Ter tempo para os demais, especialmente para os necessitados é o ponto alto de uma vocação pastoral na Igreja de Jesus. Isso supõe a renúncia aos próprios planos, interesses e horários em função do bem de todos. O cristão existe para servir os demais.


O mundo de hoje continua a estar desorientado comoovelhas sem pastor”, pois, no meio do avanço tecnológico, muitas pessoas morrem de fome. No meio da democracia ainda se encontram os ditadores que adormentam e sacrificam os pequenos e inocentes da sociedade. No meio de tanta facilidade tecnológica encontram-se os imprudentes que fazem tantas famílias chorarem pela perda de seus entes-queridos precocemente. No meio da luta pela solidariedade global encontram-se os gananciosos capazes de pisar sobre os outros em nome do prazer. O perigo e o prazer crescem no mesmo ramo. O fato de que em nossa civilização tão avançadatantos homens morrem de fome ou são vitimas de uma guerra ou de um poder desenfreado, ou de uma imprudência, demonstra que os chefes que dirigem atualmente o mundo não olham para o povo e sim para os próprios interesses ou para os interesses partidários. É preciso ter progresso na verdade, na justiça na caridade.


Cristo quer que todos os cristãos ajudem esta humanidade a encontrar os caminhos da verdade e da felicidade, da paz e do verdadeiro progresso. Ser seguidor de Cristo significa aprender a olhar para os outros com um coração cheio de carinho, ser responsável pelos outros irmãos e falar-lhes do sentido da vida. A maneira com que tratamos um ser humano é a forma com que tratamos a nosso Senhor. Isso não exige explicação e sim contemplação (cf. Mt 25,40.45). O dia mais desperdiçado de todos é aquele no qual não conseguimos fazer alguém sorrir ou deixamos de fazer o outro sorrir. Um sorriso não custa tanto quanto a eletricidade, no entanto, ilumina muito mais do que ela.
P. Vitus Gustama,svd

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

02/02/2018
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APRESENTAÇÃO DO SENHOR NO TEMPLO


Primeira Leitura: Ml 3,1-4
Assim diz o Senhor: 1 Eis que envio meu anjo, e ele há de preparar o caminho para mim; logo chegará ao seu templo o Dominador, que tentais encontrar, e o anjo da aliança, que desejais. Ei-lo que vem, diz o Senhor dos exércitos; 2 e quem poderá fazer-lhe frente, no dia de sua chegada? E quem poderá resistir-lhe, quando ele aparecer? Ele é como o fogo da forja e como a barrela dos lavadeiros; 3 e estará a postos, como para fazer derreter e purificar a prata: assim ele purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata, e eles poderão assim fazer oferendas justas ao Senhor. 4 Será então aceitável ao Senhor a oblação de Judá e de Jerusalém, como nos primeiros tempos e nos anos antigos.


Evangelho: Lc 2,22-40
22 Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor. 23 Conforme está escrito na lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor”. 24 Foram também oferecer o sacrifícioum par de rolas ou dois pombinhos — como está ordenado na Lei do Senhor. 25 Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso, e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele 26 e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor. 27 Movido pelo Espírito, Simeão veio ao Templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, 28 Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: 29 “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; 30 porque meus olhos viram a tua salvação, 31 que preparaste diante de todos os povos: 32 luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”. 33 O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele. 34 Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. 35 Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma”. 36 Havia também uma pro­fe­tisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido. 37 Depois ficara viúva, e agora estava com oitenta e quatro anos. Não saía do Templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. 38 Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39 Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade. 40 O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.
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I. A FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR E SEU SENTIDO


1. Jesus Na Apresentação


Ainda que a festa da apresentação caia fora do tempo do Natal, ela faz parte inseparável do relato do Natal do Senhor. Trata-as de outra Epifania do Senhor no quadragésimo dia. Natal, Epifania e Apresentação do Senhor são três aspectos do Natal inseparáveis.


A festa da Apresentação celebra uma chegada e um encontro: a chegada do Senhor desejado, núcleo da vida religiosa do povo e a bem-vindo concedida a ele pelos representantes dignos do povo eleito: Simeão e Ana. Por sua idade avançada os dois personagens simbolizam os séculos de espera e de anseio fervente dos homens e das mulheres devotos da Antiga Aliança (Antigo Testamento). Pode-se dizer que os dois simbolizam a esperança e o anseio da humanidade.


Ao festejar e reviver este mistério na , a Igrejanovamente as boas-vindas para Jesus Cristo. Este é o verdadeiro sentido da festa. É a festa do encontro: encontro de Cristo e sua Igreja. Isto vale para qualquer celebração litúrgica, mas especialmente para esta festa. A liturgia nos convida a dar boas-vindas a Cristo e à sua Mãe, como fizeram Simeão e Ana. Ao celebrar esta festa a Igreja professa publicamente a na Luz do mundo (Jo 8,12), Luz de revelação para a humanidade.


A festa da apresentação é uma festa de Cristo, por excelência. É um mistério da salvação. O nomeapresentação” tem um conteúdo rico. Fala de oferecimento, de sacrifício. Recorda a auto-oblação inicial de Cristo, Palavra Encarnada, quando entrou no mundo: “Eis me aqui que venho para fazer Tua vontade”. Aponta para a vida de sacrifício e para a perfeição final dessa auto-oblação na colina do Calvário.  


2. A Presença de Maria Na Apresentação E Seu Significado


Qual é o papel de Maria e José nessa Apresentação? Eles simplesmente cumprem o ritual prescrito, uma formalidade praticada por muitos outros casais?


Para Maria, a Apresentação e oferenda de seu Filho no Templo não era um simples gesto ritual. Indubitavelmente, Maria não estava consciente de todas as implicações nem da significação profética desse ato. Ela não consegue alcançar todas as consequências de sua Fiat na Anunciação. Mas foi um ato de oferecimento verdadeiro e consciente. Significava que ela oferecia seu Filho para a obra da redenção, renunciando aos seus direitos maternais e toda a pretensão sobre seu Filho. Ela oferecia seu Filho à vontade de Deus Pai. São Bernardo comentou que Santa Virgem ofereceu seu Filho e apresenta ao Senhor o fruto bendito de seu ventre e o oferece para reconciliação de todos os homens.


Existe uma conexão entre esse oferecimento e o que sucederá na Gólgota quando se executam as implicações do ato inicial de obediência de Maria: “Faça-se em mim segundo Tua Palavra” (Lc 1,38b).


Na Apresentação Maria põe seu Filho nos braços do ancião Simeão. Esse gesto é simbólico. Ao atuar dessa maneira, ela oferece seu Filho não somente para Deus Pai, mas também para o mundo representado por aquele ancião. Dessa maneira, Maria desempenha seu papel de Mãe da humanidade e nos é recordado que o dom da vida vem através de Maria.


A festa deste dia não permite apenas revivermos um acontecimento passado. Ela também nos projeta para o futuro. Ela prefigura nosso encontro final com Cristo na sua segunda vinda, na Parusia. A procissão representa a peregrinação da própria vida. O povo peregrino de Deus caminha penosamente através deste mundo, no tempo, guiado pela Luz de Cristo e sustentado pela esperança de encontrar finalmente o Senhor da glória em Seu Reino eterno. Na bênção das velas o sacerdote pronuncia as seguintes palavras: “... Fazei que, levando as velas nas mãos em vossa honra e seguindo o caminho da virtude, cheguemos à luz que não se apaga”. A vela acesa na nossa durante a procissão recorda a vela de nosso batismo.


II. ALGUMAS MENSAGENS A PARTIR DO TEXTO DO EVANGELHO DA FESTA


1.     A importância de Jerusalém para Lucas


Para Lucas, Jerusalém é importante, pois é centro de tudo. Por isso, todos os acontecimentos importantes da vida de Jesus acontecem em Jerusalém. Jerusalém é mencionado no início e no fim do relato (vv.22.25.38). A apresentação do Senhor acontece em Jerusalém. E em Jerusalém acontecerão sua morte e ressurreição. De Jerusalém ele subirá ao céu. E de Jerusalém partirá a missão cristã para o resto do mundo (cf. Lc 2,41-52;4,9-13;9,31.51.53;13,22;17,11;18,31;19,11.28-48;24,47-53;At 1,4.8).


2. A imposição do nome de Jesus


Lucas, neste relato, quer sublinhar a importância da imposição do nome de Jesus que se afirma na frase principal: “Foi-lhe dado o nome de Jesus” (v.21). O nome “Jesus” foi escolhido pelo próprio Deus (Lc 1,31;2,21; cf. Mt 1,21).


Para os judeus, o nome expressava a identidade e o destino pessoal que cada um devia realizar ao longo de sua vida.  E quando uma pessoa é eleita para uma nova missão, recebe um nome novo, em função da etapa de vida que começa (cf. Gn 17,5;17,15;32,29; Mt 16,18; cf. 2Rs 23,34;24,17; Is 62,2;65,15).


Nãonenhum nome que coincidiu tão perfeitamente com o nome como no caso de Jesus. Jesus significa Salvador. Desde o primeiro instante de sua existência até a morte na cruz, ele foi o que significa seu nome: Salvador.


Por isso, o nome de Jesus como Senhor e Salvador é invocado ao longo da história do cristianismo por bilhões de cristãos. O nome de Jesus é invocado, pois ele é o Senhor de tudo. Está acima de todo principado, de todo poder, de toda dominação e potência. Por mais poderoso que seja um político ou um atleta, um dia a morte o vencerá. Por mais rico que seja alguém, um dia a morte levará a melhor. Ao contrário, Jesus venceu a morte, pois ele ressuscitou. Por isso, São Paulo afirma: “Se confessas com tua boca que Jesus é o Senhor, e crês em teu coração, que Deus o ressuscitou dos mortos, tu serás salvo” (Rm 10,9; cf. Rm 8,35-39). Jesus é o Senhor porque vive uma vida sobre a qual a morte não tem poder algum. Ele detém a chave do segredo da vida e ilumina o mistério da vida.


A soberania do Senhor Jesus pode nos dar uma força imensa para combater o mal dentro de nós e o mal ao nosso redor. Jesus é Senhor exprime uma libertadora que tira de nossas vidas toda a angústia exagerada. Jesus é Senhor implica que ele é Senhor de nossa vida. Exprime uma entrega, um total abandono nas mãos do Senhor. Implica construir a vida sobre ele (cf. Mt 7,24-25) e não sobre os fundamentos fracos e frágeis (cf. Mt 7,26-27).


3. Jesus é sinal de contradição


Israel tinha murmurado contra Deus na passagem do deserto (Nm 20,1-13; Dt 32,51). Na apresentação do Senhor no templo, Simeão profetiza a nova rebelião de Israel contra Jesus, que será relatada no evangelho da vida pública e da paixão e a rejeição da missão cristã em Israel que será contada no livro de Atos. Tudo isto resulta também no sofrimento de sua mãe, Maria.


Lucas relata ao longo de sua obra que diante de Jesus e sua missão, uns são a favor, outros contra; uns abrem os olhos à luz, outros os fecham; uns encontram força nele e por isso, se levantam, enquanto os outros tropeçam e caem por não crer. Isto quer dizer que ninguém pode ficar indiferente diante de Jesus: ou aceitar Jesus para ser libertado ou rejeitá-lo que significa tropeço na caminhada.


Jesus e seu evangelho continuam sendo em todos os tempos e lugares sinal de divisão e de contradição. Perante Jesus e seu evangelho ninguém pode ficar indiferente: ou aceitar ou rejeitar, com consequências para cada opção feita. A salvação é oferecida a todos, mas não é dada automaticamente nem pode ser recebida passivamente. Ela tem que ser recebida conscientemente como um compromisso a ser assumido a vida toda. O Evangelho de Jesus, quando for proclamado e vivido verdadeiramente, sempre incomoda tanto para quem o prega e vive como para quem o escuta, pois ele é como uma luz que brilha na escuridão: revela o verdadeiro ser de pessoas e das coisas. Aquele que quer manter uma vida falsa e dupla ou camuflada, a presença do Evangelho funciona como se fosse um espinho que irrita a carne. Se alguém não tiver medo de ser feliz, a presença incômoda do Evangelho será um momento oportuno de libertação. Para quem vive somente em função do prazer, não tem prazer de viver. O prazer tem que ser fruto de um viver bem.


4. Nós e o ancião Simeão


Na parte central do relato (vv.25-35) encontramos o ancião Simeão. Ele é apresentado como um homem justo e piedoso, isto é, um homem fiel aos mandamentos de Deus. Ele se deixa guiar pelo Espírito Santo e por isso, compreende o sentido de sua existência. Ele é o símbolo da perseverança. Apesar de ter consciência de sua iminente morte, continua esperando a salvação. Na sua velhice ele é premiado, pela sua fidelidade e perseverança, pela presença do Messias esperado. Ele é uma pessoa que sabe olhar para frente para viver melhor o presente.


A partir de Deus e com Deus nada é perdido no mundo. Simeão é a testemunha e prova disto. Ele nos ensina a conversarmos com Deus permanentemente e a olharmos para a frente. Ele nos ensina a olharmos para Jesus, o nosso Salvador e a irmos ao Seu encontro. No encontro com Jesus, como aconteceu com Simeão, são realizadas nossas esperas e esperanças, encontramos alegria e paz, nossos olhos são iluminados para ver as pessoas e as coisas no seu justo valor, como também a nossa própria vida. Mas para que o nosso encontro com Jesus aconteça, precisamos nos deixar guiar pelo Espírito Santo.


5. O silêncio de Maria e o nosso silêncio


No relato, Maria é descrita como uma personagem que não profetiza nem fala. Em outras palavras, ela está em silêncio total. Ela acolhe na obediência as profecias sobre o futuro de seu Filho silenciosamente.


Maria nos ensina a fazermos o silêncio obrigatório no meio de nossa vida e trabalho para captarmos melhor o sentido das coisas, dos acontecimentos e das pessoas na sua justa perspectiva e no seu justo valor. O silêncio chega quando as nossas energias começam a descansar e nos acolhe quando o nosso ego fica em paz e sossego. Quando não sabemos o que é descansar, não sabemos também o que é viver. O nosso ego não é o nosso centro de gravidade. O ego é o centro de todos os desejos desenfreados, dos lucros, possessões e domínios. Hoje em dia há uma dependência exagerada do trabalho. Quandodependência, não existe liberdade. Há pessoas que se entregam a tudo desde que não fiquem no vazio. A vida nunca é o que se consegue. Não é o que se tem. A vida é o que se é. Não se pode ignorar que tudo quanto se alcança, se perde. o que se é, permanece. O silêncio, por isso, é tão importante, pois ele nos leva a encontrarmos o nosso eixo. As nossas palavras serão boas, se brotarem do silêncio. E Deus nunca cessa de clamar, mas para escutarmos a sua voz é preciso criarmos o silêncio dentro de nós. E a escuta exige uma atenção total e plena. O silêncio é um vazio que faz tornar presente a plenitude. Mas a plenitude não se torna presente de repente. É preciso tempo. Na semente está a qualidade do fruto, mas naturalmente é preciso tempo. Dizia Cícero: “três coisas na vida nas quais não pode haver pressa: a natureza, um ancião e a ação dos deuses na tua história”. O silêncio é esvaziar-se para receber. No silêncio diminuem as defesas e fica-se pronto para receber o que vier. O silêncio quando se souber aproveitá-lo melhor, ele será frutificante e benéfico para quem o cria e consequentemente para os que o cercam.
P. Vitus Gustama,svd