sexta-feira, 19 de janeiro de 2018


Domingo, 21/01/2018
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JESUS-SALVADOR ME CHAMA A SER PESCADOR DE HOMENS
III DOMINGO DO TEMPO COMUM “B”


Primeira Leitura: Jn 3,1-5.10
1A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas, pela segunda vez: 2“Levanta-te e põe-te a caminho da grande cidade de Nínive e anuncia-lhe a mensagem que eu te vou confiar”. 3Jonas pôs-se a caminho de Nínive, conforme a ordem do Senhor. Ora, Nínive era uma cidade muito grande; eram necessários três dias para ser atravessada. 4Jonas entrou na cidade, percorrendo o caminho de um dia; pregava ao povo, dizendo: “Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída”. 5Os ninivitas acreditaram em Deus; aceitaram fazer jejum, e vestiram sacos, desde o superior ao inferior. 10Vendo Deus as suas obras de conversão e que os ninivitas se afastavam do mau caminho, compadeceu-se e suspendeu o mal que tinha ameaçado fazer-lhes, e não o fez.


Segunda Leitura: 1Cor 7,29-31
29Eu digo, irmãos: o tempo está abreviado. Então que, doravante, os que têm mulher vivam como se não tivessem mulher; 30e os que choram, como se não chorassem, e os que estão alegres, como se não estivessem alegres; e os que fazem compras, como se não possuíssem coisa alguma; 31e os que usam do mundo, como se dele não estivessem gozando. Pois a figura deste mundo passa.


Evangelho: Mc 1,14-20
14Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: 15O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”16E, passando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. 17Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”. 18E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus. 19Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; 20e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus.
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O texto do evangelho deste domingo, podemos dividir em duas partes de acordo com sua unidade literária: a primeira parte (vv.14-15) falam da Boa Notícia proclamada por Jesus e conseqüência desta proclamação; e a segunda parte (vv.16-20) fala da vocação dos primeiros discípulos na versão de Marcos.


Fé e Arrependimento/Conversão


A primeira parte do texto do Evangelho de hoje (Mc 1,14-15) fala da natureza da pregação de Cristo: arrependimento e fé.


Na tradição de Marcos, Jesus começa a sua pregação na Galileia, logo após a prisão de João Batista. A Galileia é considerada pelos rabinos de Jerusalém como um lugar onde a obediência à Lei de Moisés (Toráh) não era tão exata e onde o contato com os pagãos trazia consigo o perigo do sincretismo religioso. Precisamente a Galileia é escolhida por Jesus como o centro de sua missão salvífica (Cf. Mc 1,16.28.39; 3,7; 7,31; 9,30). Ele vai ao encontro dos que necessitam de ajuda e de salvação no seus próprios lugares.


Em Mc 1,4 a missão de João Batista era introduzida pela expressão: “proclamando o batismo da conversão”. Em perfeito paralelismo com esta formulação, a missão de Jesus é introduzida em Mc 1,14b pela expressão: “proclamando o Evangelho de Deus”. A expressão “evangelho de Deus” pertence à linguagem missionária da comunidade (Cf. Rm 1,1; 15,16; 2Cor 11,7; 1Ts 2,2.8; 1Pd 4,17). Isto significa que a comunidade de Marcos tem também como a prioridade é a missão para fora para espalhar a mensagem da salvação para os necessitados. A comunidade cristã vê realizada na pessoa e na mensagem de Jesus a sua esperança de paz e de salvação.


O Senhor surgiu proclamando: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”.


“Kairós” na expressão “o tempo já se completou” indica o tempo determinado por Deus para o começo do Reino de Deus. No ensinamento de Jesus o Reino de Deus não é um conceito espacial nem estático e sim um conceito dinâmico. Ele indica a soberania de Deus em ação. O Reino de Deus (basiléia) indica o tempo de salvação, o restabelicimento da comunhão entre Deus e o homem. Este Reino começa para a comunidade cristã a partir da conversão e da fé em Cristo Jesus.


O Senhor surgiu proclamando: “Convertei-vos e crede no Evangelho!”


O arrependimento e a fé tinham sido as pedras fundamentais do ministério de Cristo. O arrependimento e a fé são inseparáveis. O arrependimento é a expressão da minha fé. Sem o arrependimento não pode se falar da fé.


A mensagem salvífica de Jesus exige do homem uma metanoia isto é, uma mudança interior em seus pensamentos e sentimentos. Exige também fé na Boa-Nova anunciada por Jesus. Fé deve ser compreendida aqui em toda sua riqueza semita de adesão plena e total do homem a Deus.


Quando levamos em conta as necessidades da natureza humana, não precisamos admirar-nos da pregação inicial de Jesus sobre o arrependimento e fé. Todos nós, por natureza, somos nascidos em pecado. Todos nós precisamos nos arrepender, nos converter e nascer de novo, se quisermos ver o Reino de Deus. Todos precisamos recorrer à esperança que nos foi proposta por Jesus, por meio do Evangelho, crendo nele, se quisermos ser salvos. Todos nós, uma vez arrependidos, precisamos nos despertar diariamente para um arrependimento ainda mais profundo, pois a maldade vem de nosso coração.  Embora já sejamos crentes, todos nós precisamos de contínua exortação para crescermos na fé. A liberdade (dos pecados) é a vocação mais fundamental e mais universal do homem. Não há crescimento e avanço sem liberdade.


Indaguemos a nós mesmos o que sabemos a respeito desse arrependimento e dessa fé. Temos realmente fé em Deus que se expressa na nossa conversão contínua? Já abandonamos os nossos pecados? Já descanasamos em Cristo e n´Ele confiamos? Podemos chegar ao céu sem muita cultura, riqueza, saúde ou grandeza neste mundo. No entanto, jamais chegaremos ao céu, quando morrermos, na impenitência e na incredulidade. Um coração novo e convertido e uma fé viva no Redentor do mundo são imprenscindíveis para a salvação da alma. Morrem no Senhor exclusivamente aqueles que “se arrependem e creem” no Senhor, Salvador.


Jesus Nos Chama a Segui-Lo Para Sermos Pescadores de Homens


A segunda parte do texto do Evangelho de hoje (Mc 1, 16-20) fala da vocação dos primeiros discípulos de Jesus.  A finalidade de Marcos ao colocar, logo no início do seu evangelho, este relato de vocação é apresentar os quatro discípulos importantes na comunidade (Cf. Mc 3,13-19) como testemunhas, desde o início da vida pública, da missão de Jesus. Jesus convoca os quatro primeiros discípulos para, juntamente com eles e perante os olhos deles, iniciar a proclamação e inauguração do Reino de Deus. Porque eles serão mais tarde os continuadores da mesma história de uma longa história. Os apóstolos e os outros discípulos serão parte deste último tempo, deste “O tempo já se completou”, do kairós, do tempo de Deus, da proclamação escatológica.


A vocação sempre inclui a convocação e congregação do povo de Deus prefigurada nos apóstolos reunidos em torno do Mestre. Este chamado duplo não somente tem um valor simbólico, mas tem uma forte intenção teológica. O relato guarda uma preciosa recordação da primeira hora. Toda vocação na Igreja, inclusive a vocação batismal de todos os cristãos tem algo deste primeiro encontro em si. São três os elementos essenciais: o chamado, o seguimento e a missão. Na missão se encontram também as cruzes. Quem quiser encontrar o Cristo sem a cruz, arrisca encontrar a cruz sem o Cristo.


Nesta segunda parte lemos que o Senhor chamou Simão e André, quando eles lançavam “a rede ao mar”. Por sua vez, João e Tiago forma chamados quando estavam “consertando as redes”. Jesus lhes disse: Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”.


Baseando-nos nessas palavras torna-se evidente para nós que os primeiros seguidores do Senhor não eram pessoas que ocupavam posições importantes neste mundo. Eram homens destituídos de riqueza, poder e posição social. Todavia, o Reino de Deus não depende de tais coisas tão passageiras. A causa do Senhor, neste mundo, avança não “por força nem por poder, mas pelo meu Espirito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4,6; leia 1Cor 1,26-27). A Igreja que começou com alguns pescadores, mas que se espalho pelo mundo inteiro sem dúvida alguma é por força de Deus.


Devemos destacar bem essa expressão: “Pescadores de homens”, pois ela repleta de ensinamentos. “Pescadores de homens” é o mais antigo título pelo qual o ofício ministerial é descrito nas páginas do Novo Testamento. Este título tem raízes mais profundos do que os de bispos, presbíteros ou diácono. É a primeira ideia que deve ficar impressa na mente de todo ministro, de todo evangelizador, de todo agente de pastoral, de todo batizado. Um ministro, um cristão não é um mero espectador ou um administrador de ordenanças. Compete-lhe ser um “pescador” de almas. O ministro, um evangelizador, um agente pastoral ou movimento eclesial que não se esforça para fazer jus a esse nome está enganado quanto ao seu chamamento. Um pescador faz esforços com paciência para apanhar peixes. Ele se utiliza de todos os meios disponíveis e entristece-se quando não é bem sucedido na pesca. O ministro do Evangelho ou cada cristão deve fazer o mesmo. Feliz é o ministro, o bispo, o sacerdote, o diácono, o evangelizador, o agente de pastoral em que estão combinados a habilidade, a diligência e a paciência de um pescador.
P. Vitus Gustama,SVD

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