segunda-feira, 30 de abril de 2018

03/05/2018
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SÃO FILIPE E SÃO TIAGO MENOR, APÓSTOLOS
03 de Maio

Primeira Leitura: 1Cor 15,1-8
1 Irmãos, quero lembrar-vos o evangelho que vos preguei e que rece­bestes, e no qual estais firmes. 2 Por ele sois salvos, se o estais guardando tal qual ele vos foi pregado por mim. De outro modo, teríeis abraçado a fé em vão. 3 Com efeito, transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; 4 que foi sepultado; que, ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as Escrituras’; 5e que apareceu a Cefas e, depois, aos Doze. 6 Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma vez. Destes, a maioria ainda vive e alguns já morreram. 7 Depois, apareceu a Tiago e, depois, apareceu aos apóstolos todos juntos. 8 Por último, apareceu também a mim, como a um abortivo.


Evangelho: Jo 14,6-14
Naquele tempo, Jesus disse a Tomé: 6 “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7 Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”. 8 Disse Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” 9 Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? 10 Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11 Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acre­ditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. 12 Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai, 13 e o que pedirdes em meu nome, eu o realizarei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. 14 Se pedirdes algo em meu nome, eu o realizarei”.
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São Tiago, o Menor, chamado assim pela estatura e pela idade, é parente do Senhor segundo a carne (Mt 13,55). Ele faz parte das listas dos doze Apóstolos escolhidos pessoalmente por Jesus, e é sempre especificado como "filho de Alfeu" (cf. Mt 10, 3; Mc 3, 18; Lc 5; Act 1, 13). Com frequência ele foi identificado com outro Tiago, chamado "o Menor" (cf. Mc 15, 40), filho de uma Maria (cf. ibid.) que poderia ser a "Maria de Cleofas" presente, segundo o Quarto Evangelho, aos pés da Cruz juntamente com a Mãe de Jesus (cf. Jo 19, 25). Também ele era originário de Nazaré e provavelmente parente de Jesus (cf. Mt 13, 55; Mc 6, 3), do qual à maneira semítica é considerado "irmão" (cf. Mc 6, 3; Gl 1, 19).


Foi o líder da primeira comunidade de Jerusalém (At 12,17). No Concílio de Jerusalém, o primeiro Concílio da Igreja, Tiago propôs que os gentios não fossem sobrecarregados da Lei judaica para serem cristãos (At 15,13-23). A sua proposta foi aceita. O próprio São Paulo o denominou, juntamente com Pedro (Cefas) e João, “colunas da Igreja (Gl 2,9). Judeus e cristãos se inclinavam diante de Tiago pelo amor que tinha à ei e pela sua grande austeridade. Conforme uma tradição (testemunhada por Hegesipo e recolhida por Eusébio) os judeus e os cristãos em Jerusalém chamavam Tiago com o apelativo de “o justoporque levou uma vida sem mancha e austeridade. Tiago foi o primeiro apostolo a dar a vida pelo Reino de Deus. Foi martirizado no ano 62 d.C.


A ele é atribuída a Carta de São Tiago dirigida às doze Tribos de diáspora (fora de Palestina). Nesta Carta São Tiago exorta a todos a terem a paciência nas provas e nas tentações pela qual conduz qualquer um à perfeição, a terem o amor fraterno sem acepção de pessoas. Ele instrui todos sobre a doutrina da e das obras: “A sem obras é morta”, diz São Tiago. Ele exorta a todos para que evitem os pecados da língua; ensina a discernir a verdadeira sabedoria da falsa sabedoria (da verdadeira humildade da falsa humildade). Nesta Carta a Igreja encontrou o fundamento do Sacramento da Unção dos Enfermos (na Quinta-Feira Santa o bispo abençoa o óleo para a unção dos enfermos) onde São Tiago escreveu: “Se um de vocês está enfermo, chame o presbítero da Igreja para ungi-lo em nome do Senhor; a oração da o salvará...” (Tg 5,14-15). E São Tiago terminou sua Carta com estas palavras: “Meus irmãos, se alguém dentre vós se desviar da verdade e outro o reconduzir, saiba que aquele que reconduz o pecador desencaminhado salvará sua alma da morte e cobrirá uma multidão de pecados” (Tg 5,19).


Filipe era natural de Betsaida de Galiléia, a cidade de André e Pedro, seus amigos (cf. Jo 1,44), uma pequena cidade pertencente à tetrarquia de um dos filhos de Herodes, o Grande, também ele chamado Filipe (cf.Lc3,1). Nas listas dos Doze, ele é sempre colocado no quinto lugar (assim em Mt 10, 3; Mc 3, 18; Lc 6, 14; Act 1, 13), portanto substancialmente entre os primeiros. Apesar de Filipe ter origens hebraicas, o seu nome é grego, como o de André, e isto é um pequeno sinal de abertura cultural que não se deve subestimar. As notícias que temos sobre ele são-nos fornecidas pelo Evangelho de João.


Segundo o evangelho de São João Jesus o chamou a ser seu discípulo com estas palavras: “Vem e segue-me”. Filipe respondeu esse convite com generosidade e admiração. Mas Filipe não ficou contente em ser discípulo de Jesus. Ele levou Natanael para se encontrar com Jesus. Ao se encontrar pessoalmente com Jesus, Natanael confessou sua em Jesus: “Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel” (Jo 1,49). Filipe apareceu na multiplicação dos pães onde ele se mostrou pessimista em dar comida para uma grande multidão com pouco dinheiro que tinha, sem ter consciência de que ele estava com o Senhor dos milagres (Jo 6, 5-7). Diante dos seus olhos Filipe presenciou a multiplicação dos pães. Filipe apareceu também, em outra ocasião, como mediador daqueles prosélitos (recéns-convertidos) que se encontravam em Jerusalém com motivo da Páscoa e que queriam ver Jesus. Filipe e André se dirigiram ao Senhor para contar o desejo dos gregos em quererem ver o Senhor (Jo 12,20). A última intervenção de Filipe se encontra no evangelho deste dia (Jo 14,6-14). Para ele Jesus dirigiu estas palavras: “Quem me viu, viu o Pai”. Isto significa que conhecer Jesus, escutar suas palavras, viver seus mandamentos equivale a conhecer plenamente Deus, a contemplar seu rosto amoroso reflexo na bondade de Jesus Cristo, em sua misericórdia e amor para os pobres e simples.


São três pontos dignos de menção aqui sobre Filipe. Primeiro, Filipe, assim como Pedro e André, é um bom exemplo daquelas pessoas que que “receberam” Jesus rápida e e entusiasticamente numa época em que a maioria dos “seus não O receberam” (Jo 1,11). Segundo, embora existam indicações de que ele era tímido e fraco na fé (Cf. Jo 14,8-11), imediatemente testemunhou de Jesus quando falou sobre Ele para Natanael. Esse tema do testemunho sobre Cristo que é um mandamento dirigido a todos os cristãos, é desenvolvido extensivamente no Evangelho de João (Cf. Por exemplo Jo 5,31-36). Terceiro, o conteúdo desse testemunho se torna evidente quando Filipe testemunhou não somente sobre um homem surpreendente e sim sobre o que estava escrito na Lei de Moisés a respeito de Jesus (Cf. Jo 1,45).


Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!”, disse Filipe a Jesus. “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Filipe? Quem me viu, viu o Pai”, respondeu Jesus. O mistério de Deus somente pode entrar na mente humana através da fé: “Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acre­ditai, ao menos, por causa destas mesmas obras”.


Para nós cristaos, seguidores de Cristo é incompreensível não termos fé em Deus. É realmente maravilhoso o constatar como as portas do mal não prevalecem contra a Igreja de Cristo (Cf. Mt 16,18).


Se formos generosos ao chamamento do Senhor que nos sussurra: “Vem e segue-me”, seremos também, como Tiago e Filipe, instrumentos e reflexos do Senhor neste mundo para levar mais pessoas ao encontro do Senhor. Muitos continuam esperando palavras de esperança de cada um de nós. Esperar é crer que algo novo e melhor é possível através de cada um de nós e torcer para que aconteça. O Senhor não quer saber de nossas fraquezas nem de nossos limites. Os outros estão ai. Depende de você que se aproxime ou não para torná-los seus irmãos.


Graças aos apóstolos chegou até nós a mensagem de Deus, a mensagem de salvação, a mensagem que nos garante que temos um futuro vitorioso com Deus. Por nossa vez, nós não devemos deixar morrer na nossa mão a semente da Palavra de Deus. Precisamos passar adiante todo bem que sabemos fazer e que devemos fazer.


Jesus: Caminho, Verdade e Vida


Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”, disse Jesus no Evangelho deste dia.


Para o Evangelho de João e para todos nós cristãos, o caminho não é mais a Lei como no AT, mas é uma Pessoa. Esta pessoa é Jesus Cristo. Jesus é o único Caminho, porque Sua vida e sua prática conduzem a humanidade ao encontro definitivo com Deus. Ele é o Caminho para o Pai porque na sua pessoa nos revela Deus, e no exemplo da sua vida e na luz da sua palavra nos mostra o itinerário a seguir para a nossa realização definitiva como filhos de Deus e irmãos dos homens.


Ele é a Verdade em virtude de nele residir plenamente a realidade divina e que realizou nele a plenitude da realidade humana. Com sua atividade em favor do homem (Jo 10,37s), que manifesta o amor de Deus, revela ao mesmo tempo a verdade sobre Deus e sobre o homem. A verdade é, por isso, a lealdade absoluta de Deus frente aos homens, de maneira que o homem pode confiar cegamente na sua palavra, na sua promessa, na sua lealdade. Jesus é a Verdade no meio da mentira do mundo, porque ele é a revelação exata do Pai.


Eu sou a Vida. No evangelho de João este termo “Vida” tem um significado inesgotável.


·        Jesus, que recebe a plenitude do Espírito (Jo 1,32s), possui a plenitude da vida divina e dispõe dela, como o Pai (Jo 5,21.26;17,2).
·        A missão de Jesus é comunicar vida ao homem e vida em abundância (Jo 10,10), vida definitiva e indestrutível (Jo 10,28;17,2).
·        Por isso, Jesus é a Vida porque a possui em plenitude e pode comunicá-la para quem acredita nele. Ele é a Vida em plenitude e sem fim num mundo de morte e autodestruição, e, por isso, podemos entrar em comunhão com o Deus vivo através dele.


A adesão a Jesus e à sua prática em favor da vida faz com que as pessoas se tornem filhas de Deus, formando só uma família com Jesus e o Pai. Para conhecer o Pai e para chegar até Ele faz-se necessário comprometer-se com a prática do Filho e viver de acoedo com seus ensinamentos.
P. Vitus Gustama,svd

02/05/2018
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PERMANECER EM CRISTO É CONDIÇÃO PARA TER UMA VIDA FRUTÍFERA
Quarta-Feira da V Semana da Páscoa


Primeira Leitura: At 15,1-6
1 Naqueles dias, chegaram alguns da Judeia e ensinavam aos irmãos de Antioquia, dizendo: “Vós não podereis salvar-vos, se não fordes circuncidados, como ordena a Lei de Moisés”. 2 Isto provocou muita confusão, e houve uma grande discussão de Paulo e Barnabé com eles. Finalmente, decidiram que Paulo, Barnabé e alguns outros fossem a Jerusalém, para tratar dessa questão com os apóstolos e os anciãos. 3 Depois de terem sido acompanhados pela comunidade, Paulo e Barnabé atravessaram a Fenícia e a Samaria. Contaram sobre a conversão dos pagãos, causando grande alegria entre todos os irmãos. 4 Chegando a Jerusalém, foram recebidos pelos apóstolos e os anciãos, e narraram as maravilhas que Deus tinha realizado por meio deles. 5 Alguns dos que tinham pertencido ao partido dos fariseus e que haviam abraçado a fé levantaram-se e disseram que era preciso circuncidar os pagãos e obrigá-los a observar a Lei de Moisés. 6 Então, os apóstolos e os anciãos reuniram-se para tratar desse assunto.


Evangelho: Jo 15,1-8
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. 2Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. 3Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. 4Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim. 5Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. 7Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. 8Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.
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A Primeira Leitura de hoje fala do início do Primeiro “Concílio” da Igreja em Jerusalém: “Chegaram alguns da Judeia e ensinavam aos irmãos de Antioquia, dizendo: ‘Vós não podereis salvar-vos, se não fordes circuncidados, como ordena a Lei de Moisés’. Isto provocou muita confusão, e houve uma grande discussão de Paulo e Barnabé com eles. Finalmente, decidiram que Paulo, Barnabé e alguns outros fossem a Jerusalém, para tratar dessa questão com os apóstolos e os anciãos”.


É necessário meditar atentamente essas palavras que dão o contexto histórico e a “questão debatida” no Concílio de Jerusalém. Desde o princípio se apresentaram questões difíceis à Igreja. A primeira e mais grave: para batizar os “pagãos” devem fazer-se primeiro “judeus” e ser circuncidados? Uma certa de categoria de cristãos, muito apegados à tradição, aqueles que são designados com o término de “judaizantes”, tinham muito empenho em permanecer fieis à Lei de Moisés, que praticavam antes de sua conversão a Jesus Cristo e que queriam impor “o costume de Moisés” a todos os convertidos vindos do paganismo.


A questão era de uma extrema gravidade. Manter as obrigações da Lei de Moisés, sobretudo, a circuncisão, era desanimar os pagãos. Era, sobretudo, pensar que a fé em Jesus Cristo não era suficiente e sim que a prática da Lei era também necessária.


“Questão/problema”, “litígio”, agitação e discussões vivas entre dois grupos e duas mentalidades na Igreja. Antioquia na Síria, símbolo de uma “Igreja” em que entraram muitos pagãos. Jerusalém na Judeia, símbolo de uma “Igreja” composta majotariamente de antigos judeus. Entre esses dois grupos de cristãos não há quase nada em comum, salvo a “FÉ” no mesmo Cristo.


Nesses dois grupos há uma maneira distinta de apreciar o bem e o mal em sua consciência. Há uns costumes alimentícias muito opostas: os gentios comem de tudo, os judeus consideram impuros vários alimentos. Há uns esquemas doutrinais muito diferentes: para salvar-se é precisos estar circuncidado. Há uns hábitos de oração absolutamente opostos: a vida dos judeus estava encerrada numa rede de bênçãos que havia que repetir a todas as horas do dia para os atos mais ordinários da vida.


Diante de tudo isso vem a pergunta: Como instaurar e manter uma convivência fraterna tão oposta? Não havia o risco de ter “duas” Igrejas?


“Então, os apóstolos e os anciãos reuniram-se para tratar desse assunto”. É o Primeiro Concílio da Igreja.


Será que no interior da Igreja continua tendo divisões tanto no nível doutrinal como no modo de viver a vida cristã? O Concílio de Jerusalém nos leva a fazermos outras perguntas semelhantes: para ser cristão precisa ser judeu? Para ser mulçumano precisa ser árabe? Para ser hinduísta precisa ser indiano? Para ser taoista precisa ser chinês? Para ser xintoísta precisa ser japonês? O Concílio de Jerusalém nos ensina que é necessário classificar bem sobre o que é essencial e fundamental e o que é secundário. É preciso nos unirmos na essência, e respeitarmos as diferenças.


A ressurreição de Jesus fixou um objetivo de esperança em nossas vidas. Em Jerusalém há Pedro, testemunha do Cristo Ressuscitado juntamente aos outros apóstolos. Lá para Jerusalém Paulo e Barnabé vão para que, com os outros apóstolos e anciãos, determinem o que deve ser feito na questão judaizante. Nós vamos com eles e cantamos o Salmo Responsorial (Sl 121/122): Que alegria, quando ouvi que me disseram: ‘Vamos à casa do Senhor!’ E agora nossos pés já se detêm, Jerusalém, em tuas portas. Jerusalém, cidade bem edificada num conjunto harmonioso; para lá sobem as tribos de Israel, as tribos do Senhor. Para louvar, segundo a lei de Israel, o nome do Senhor. A sede da justiça lá está e o trono de Davi”.


Tudo isso aconteceu com a Igreja, em sua hierarquia, com Pedro, chefe do Colégio Apostólico em Jerusalém. Jerusalém, a Cidade Santa, é o lugar onde o primeiro conselho da Igreja de Cristo se realiza, para resolver um problema que ameaçou iniciar um cisma dentro da Igreja. Quando Paulo, Barnabé e alguns outros chegaram de Antioquia, foram recebidos pela comunidade cristã, pelos apóstolos e pelos presbíteros.


Queremos continuar louvando o Senhor com o Salmo Responsorial, sem ódio ou divisões, mas numa atmosfera de paz, porque os bens do Senhor devem ser desfrutados por toda a humanidade, conscientes de que a Lei já cumpriu sua missão de levar a Cristo sabendo que a salvação dada no Baptismo deve ser preservado, valorizado, testemunhado, anunciado por cada um daqueles que concordaram em trilhar este novo Caminho, o único caminho válido para a salvação ser nossa.


No Evangelho de hoje Jesus se define como a Videira verdadeira (a cepa, o tronco), enquanto seus discípulos são chamados por Ele os ramos que devem estar unidos à Videira para poder dar fruto a fim de não chegar a ser cortados: “Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará”.


Isto quer dizer que a razão de ser do discipulado está em que recebe de Jesus sua forma de ver, de pensar e de atuar, de tal maneira que corra por sua vida a vida do Mestre, como corre pelos ramos a seiva do tronco. Nossa modo de união com Cristo é como a união e comunicação vital existente entre o tronco da videira e seus ramos. O tronco contem e comunica vida; os ramos a recebem, nutrem-se dele e dão fruto que é a glória do tronco, formando unidade total.


Mas o ciclo vital do ramo é temporário: brota, se desenvolve, frutifica, morre e é podado. Sucede assim conosco?


Quem entender a posição de Jesus, compreenderá que Jesus se faz presente sempre num povo concreto. Deste Jesus concreto é de Quem tomar a seiva, seiva do povo pobre, oprimido e explorado. E com esta seiva frutificaremos para este povo em frutos de igualdade, de solidariedade e de libertação. Aprendemaos da árvore: apesar de todos os ramos estarem unidos ao tronco, não há nenhum ramo igual aos outros. A unidade dá a seiva, mas os ramos dão a diversidade, a riqueza e a beleza. Somos ramos do mesmo Cristo feitos vida em cada povo onde vivemos e trabalhamos.

Estendamos nossa meditação sobre outros pontos das duas leituras proclamadas hoje na nossa celebração!


É Preciso Converter-se Para Ser Cristão


Alguns dos que tinham pertencido ao partido dos fariseus e que haviam abraçado a fé levantaram-se e disseram que era preciso circuncidar os pagãos e obrigá-los a observar a Lei de Moisés. Então, os apóstolos e os anciãos reuniram-se para tratar desse assunto”.


Durante três dias os Atos dos Apóstolos nos descreverão o que passou na assembleia de Jerusalém, também chamada o “Concílio de Jerusalém”. O surgimento do Concílio de Jerusalém passo por três etapas.


Na primeira etapa encontra-se um grande problema. Os judeu-cristãos ensinaram que sem a circuncisão dos pagãos convertidos para o cristianismo, como manda a Lei de Moisés, não há salvação para eles (os pagãos convertidos). Ou seja, para ser cristão, um pagão convertido teria que fazer-se judeu primeiro (circuncisão). Em outras palavras, a questão que está em jogo é esta: É preciso ser judeu (fazer circuncisão) para ser cristão ou basta ser batizado (após a manifestação da conversão) para se tornar cristão? É a mesma pergunta paralela: É preciso ser árabe para ser muçulmano? É preciso ser indiano para ser hinduísta ou budista?


Por isso, lemos a seguinte frase: “Alguns dos que tinham pertencido ao partido dos fariseus e que haviam abraçado a fé levantaram-se e disseram que era preciso circuncidar os pagãos e obrigá-los a observar a Lei de Moisés. Então, os apóstolos e os anciãos reuniram-se para tratar desse assunto”.


Esta é a frase chave para o surgimento do primeiro Concílio da Igreja na história que aconteceu em Jerusalém. Uma certa categoria de cristãos, muito apegada à tradição judaica, chamada de “judaizantes”, tinha muito empenho em permanecer fiel à Lei de Moisés que praticava antes de sua conversão a Jesus. Esses cristãos-judeus queriam impor o costume de Moisés (circuncisão) a todos os convertidos do paganismo.


A questão era de uma extrema gravidade porque manter as obrigações da Lei de Moisés, sobretudo a circuncisão, era desanimar os pagãos em vez de seguir apenas os ensinamentos de Jesus Cristo. Também era grave porque a fé em Jesus se tornaria insuficiente. A partir dessa questão é que Paulo e Barnabé foram a Jerusalém para tratar do assunto com os Apóstolos e anciãos lá.


Depois de identificar o problema vem a segunda etapa. O problema ou a controvérsia ameaçava a unidade da Igreja. Como se resolve? Não de uma maneira disciplinar e sim através de um discernimento mediante o diálogo entre aqueles que percebem a abertura como um dom do Espirito e aqueles que representam o ministério de autoridade. Por esta razão, Paulo e Barnabé decidiram ir a Jerusalém para consultar os Apóstolos e presbíteros sobre a controvérsia.


Em terceira etapa: a resolução e suas consequências. Depois de examinar os diversos aspectos, a assembleia (concílio) toma uma resolução que tem como consequências muito importantes para o desenvolvimento/crescimento da Igreja.


A Primeira Leitura de hoje fala da primeira etapa: a identificação do problema na Igreja. Não se parece este problema ao que vivemos hoje em relação à enculturação do cristianismo em contextos não ocidentais? A Igreja não passou pelo mesmo problema em que o ocidente considerava a cultura local como uma cultura inferior? Não há certas comunidades cristãs ou certos sacerdotes que obrigam os pais a colocarem o nome de um santo para o primeiro nome para poder batizar uma pessoa, pois outros nomes são estranhos ou não dignos? Como resolvemos as tensões surgidas dos grupos que atuam na Igreja?


A Relação Pessoal Com Jesus Permanentemente É Frutífera


O Evangelho deste dia nos situa numa ceia de despedida de Jesus de seus discípulos (Jo 13-17). Por isso, os gestos e as palavras de Jesus, neste contexto, representam as suas últimas indicações e recomendações, os seus últimos “testamento”. Os discípulos recebem essas orientações para poderem continuar no mundo a missão de Jesus. Nasce, assim, a comunidade da Nova Aliança, alicerçada no serviço (cf. Jo 13,1-17) e no amor (cf. Jo 13,33-35), que pratica as obras de Jesus, animada pelo Espírito Santo (cf. Jo 14,15-26).


1. Conectar Minha Vida Na Vida de Jesus Para Produzir Bons Frutos


Eu sou a videira e vós, os ramos”, diz Jesus. É uma comparação simples, mas profunda que nos oferece muitas sugestões para a vida cristã. O ramo não vive sem o tronco. O ramo, para viver, precisa receber a seiva do tronco permanentemente, sem a qual morrerá.


Nesta metáfora encontramos uma maravilhosa certeza de nossa vida: que estamos enraizados em Alguém que nos dá vida, estabilidade e força para lutar e ter sucesso na luta: Jesus Cristo. Jesus vem para nos dar vida em abundância (Jo 10,10).


Além disso, esta imagem serve para sublinhar a comunicação e circulação de vida divina que existe entre Jesus e aqueles que nele crêem. A vida de Deus passa a circular na vida daqueles que aceitam Jesus e vivem de acordo com seus ensinamentos. Trata-se de uma relação que nos liga, na sua dimensão mais profunda, a Jesus. Jesus vive e é para todos os crentes o único autor da vida e o princípio de sua organização. Jesus é a seiva, a raiz e o fundamento da vida do crente. Eu preciso viver conectado com Cristo para viver profundamente e abundantemente.


Eu sou a videira e vós, os ramos”. Entre Jesus e o cristão há uma comunhão de vida. Se assim é, os cristãos se alimentam e crescem com a mesma vida de Jesus Cristo, como os ramos que se alimentam da seiva que vem do tronco. Quem se alimenta dos ensinamentos de Jesus acaba sendo vida para os demais. Quem se alimenta dos ensinamentos de Cristo vive e pensa sempre no bem e na salvação de todos como a seiva passa para todos os ramos a fim de alimentá-los.


2. Estar Unido a Cristo é a Condição Para Ter Uma Vida Frutífera


Aquele que permanece em mim e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5; cf. Gl 2,20; 5,24;6,14;Fl 1,21;3,8.12;Ef 4,24;Cl 2,6;3,1).


Se nossa vida e seus frutos dependem de Jesus Cristo, isso significa que permanecer unido a Jesus Cristo é uma condição sine qua non (incondicionalmente). Permanecer em Cristo é a condição para ter a capacidade de produzir muitos frutos para Deus e para os outros. Jesus é “a verdadeira videira”, de onde brotam os frutos da justiça, do amor, de verdade e da paz; é n’Ele e nas suas propostas que os homens podem encontrar a vida verdadeira. A vida enraizada em Cristo faz com que produzamos algo de bom e de útil para a humanidade. Jesus quer que produzamos o que tem a ver com vida para os demais. Para isso só há uma condição: estar sempre ligado a Cristo.


3.  O Cristão Pertence ao Senhor


Eu sou a videira e vós, os ramos”, diz-nos o Senhor. Tenho que estar consciente de que eu pertenço ao Senhor. Eu sou do Senhor. Eu vivo por causa do Senhor. Eu devo falar e agir em nome do Senhor. Eu devo fazer aquilo que tem a ver com a vontade do Senhor que se resume no amor fraterno. O cristão não é nem deve ser um ser isolado e não pode ficar isolado dos outros. O cristão pertence ao Senhor e está com o Senhor. O cristão não é solitário e sim solidário. Cada cristão é membro de um corpo – o Corpo místico de Cristo. A sua vocação é seguir Cristo, integrado numa família de irmãos que partilha a mesma fé, percorrendo em conjunto o caminho do amor. A vivência da fé é sempre uma experiência comunitária. É no diálogo e na partilha com os irmãos que a nossa fé nasce, cresce e amadurece, e é na comunidade, unida por laços de amor e de fraternidade, que a nossa vocação se realiza plenamente.


O que pode interromper a nossa união com Cristo e tornar-nos ramos secos e estéreis é quando conduzirmos a nossa vida por caminhos de egoísmo, de isolamento, de ódio, de injustiça, de divisão; quando nos fecharmos em esquemas de autossuficiência, de comodismo e de instalação. Ninguém cresce sem o outro.


4. É Necessária Uma Poda Permanente Para Poder Produzir Bons Frutos


“Todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda”.


Qualquer vinhateiro não tem medo de cortar alguns ramos ou folhas para que toda a seiva se concentre nuns determinados ramos para que produzam frutos abundantes e de qualidade.


Os ramos não têm vida própria e não podem produzir frutos por si próprios; necessitam da seiva do tronco. Para que não nos tornemos “ramos” secos, temos que ter coragem de cortar o que não presta em nossa vida. não tenha medo de eliminar uma dor pequena em função de retirada da dor maior. Não deixemos nenhuma coisa negativa crescer em nós, pois um dia tudo isso achamos que seja normal. Deixemos somente o bem crescer em nós para que sejamos o bem para os outros. Não podemos viver no comodismo em nome do prazer que nos esmaga e oprime. Vivamos na sinceridade, na retidão, na bondade, na verdade, no amor, na caridade e assim por diante. Somos não pelos bens que possuímos, nem pelo cargo que ocupamos nem pelo poder que temos e sim pelos valores que vivemos. Para isso, precisamos podar o que não é o bem nem faz bem para nossa vida e a vida das pessoas ao nosso redor. A poda é uma atividade positiva: elimina fatores de morte, fazendo que o cristão seja cada vez mais autêntico, mais livre, tenha capacidade maior de entrega e aumente sua eficácia. É um corte purificador, produtivo e libertador.


Algumas perguntas para a revisão de nossa vida: Que parte do meu modo de viver que está seca? Que parte da minha maneira de viver e de pensar que precisa ser podada? Como cristão, de que minha vida cristã se alimenta?
P. Vitus Gustama,svd

domingo, 29 de abril de 2018

01/05/2018
Obs: Nesta página encontram-se duas reflexões: Primeiro, sobre as leituras da Terça-feira da V Semana da Páscoa e segundo, sobre as leituras da Memória de São José Operário.

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A PAZ QUE CRISTO QUER NOS DAR
Terça-Feira da V Semana da Páscoa

Primeira Leitura: At 14,19-28
Naqueles dias, 19 de Antioquia e Icônio chegaram judeus que convenceram as multidões. Então apedrejaram Paulo e arrastaram-no para fora da cidade, pensando que ele estivesse morto. 20 Mas, enquanto os discípulos o rodeavam, Paulo levantou-se e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu para Derbe com Barnabé. 21 Depois de terem pregado o Evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, Icônio e Antioquia. 22 Encorajando os discípulos, eles os exortavam a permanecer firmes na fé, dizendo-lhes: “É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus”. 23 Os apóstolos designaram presbíteros para cada comunidade. Com orações e jejuns, eles os confiavam ao Senhor, em quem haviam acreditado. 24 Em seguida, atravessando a Pisídia, chegaram à Panfília. 25 Anunciaram a palavra em Perge, e depois desceram para Atália. 26 Dali embarcaram para Antioquia, de onde tinham saído, entregues à graça de Deus, para o trabalho que haviam realizado. 27 Chegando ali, reuniram a comunidade. Contaram-lhe tudo o que Deus fizera por meio deles e como havia aberto a porta da fé para os pagãos. 28 E passaram então algum tempo com os discípulos.

Evangelho: Jo 14,27-31ª
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 27“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. 28 Ouvistes que eu vos disse: ‘Vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. 29Disse-vos isto, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis. 30Já não falarei muito convosco, pois o chefe deste mundo vem. Ele não tem poder sobre mim, 31amas, para que o mundo reconheça que eu amo o Pai, eu procedo conforme o Pai me ordenou”.
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A Primeira Leitura de hoje, tirada do Livros dos Atos, nos narra que uns judeus chegados de Antioquia e de Icónio suscitam uma perseguição contra Paulo. Paulo parte para Derbe e continua sua missão evangelizadora exosrtando a todos a perseverar na fé, não obstante os sofrimentos e perseguições. O bem tem quer vivivdo e a bondade tem que ser espalhada, pois para isso é que estamos aqui neste mundo.

No cumprimento da missão que Deus nos confiou, através de nosso compromisso batismal, não podemos nos dar descanso. O bem não descansa; é para ser praticado. O Senhor nos enviou a todo o mundo para proclamar a Boa Nova de salvação superando todos os tipos de sofrimento e perseguição. Temos que abrir os olhos diante de tanos irmãos que andam nas trevas desta vida, dominados pelo mal e maldade, e que necessitam que chegue a eles a luz de Deus que é o Cristo (Jo 8,12) para que ilumine suas vidas e comecem a caminhar dando um novo rumo à história. Deus quer que todos os homens sejam salvos (1Tm 2,4). Deus quer que todos cheguem ao Reino celestial. Jesus se converteu para nós no Caminho para chegar ao Reino. Mas Jesus nos diz que há que padecer muito e passar por muitas tribuçaões para entrar na Glória. Quem perseverar até o fim será salvo (Mt 10,22).

O Verbo Encarnado nos salvou para que vivamos consagrados ao Pai. Depois de ter experimentado os benefícios do Senhor, também nos nos alegramos pelo fruto obtido por saõ Paulo e nos unimos a sua ação de graças e proclamamos a glória do Senhor com o Salmo Responsorial (Sl 144/145): “Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam. Narrem a glória e o esplendor do vosso Reino e saibam proclamar vosso poder. ... Que minha boca cante a glória do Senhor e que bendiga todo ser seu nome santo desde agora, para sempre e pelos séculos”.

Mas de nada nos serviria nosso louvor ao Senhor enquanto denegrimos o Santo Nome do Senhor entre as pessoas com uma vida carregada de pecado. Por isso, devemos ser os primeiros em aceitar o perdão, a salvação e a vida nova que Deus oferece à humanidade. Vivendo em Deus e caminhando com amor em Sua presença poderemos nos converter numa testemunha viva de seu amor para os outros.

No Evangelho de hoje Jesus comunica sua paz aos discípulos: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo”. O Evangelho de João gosta de contrapor a proposta de Jesus e a atividade do mundo. A oferta de Jesus é uma paz nascida da solidariedade, o respeito pela vida e a entrega generosa. A paz do mundo é uma estratégia para garantir o intercâmbio de mercadoria e comércio em geral. Mas a tranquilidade do mercado não subsistui a paz que nasce da justiça.

Jesus deixa aos seus discípulos a paz como um presente de despedida. Por isso, devemos entender a paz que Jesus oferece não como se entende quando se fala de paz no mundo e sim num sentido pleno e singularmente importante. A paz de Jesus está sempre unida à mensagem cristã de salvação, unida ao Evangelho. A paz é um dom de Deus (Cf. Gl 5,22-23). Trata-se do maior bem que o homem pode desejar e que Deus pode conceder: o homem novo, filho de Deus e irmão de todos; o homem reconciliado com Deus, e com os homens, com toda a criação e até consigo próprio. É a paz infundida com o Espírito do Ressuscitado e que inclui, portanto, o perdão dos pecados. Esta paz que não é deste mundo está presente também neste mundo.

Estendamos um pouco mais nossa meditação sobre outros pontos das leituras proclamadas hoje na nossa celebração!

Exortação Para Ser Perseverante Na Fé Em Todos Os Momentos

É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus”.

O texto da Primeira Leitura é a conclusão da Primeira viagem missionária de São Paulo. Essa viagem durou três anos aproximadamente entre os anos 45 e 48 depois de Cristo. Aconteceu quinze anos depois da morte e ressurreição de Jesus. Foi uma primeira experiência da evangelização em terra pagã.

Lemos na Primeira Leitura do dia anterior que Paulo e Barnabé, depois que um paralitico de nascença foi curado, foram tratados como se fossem deuses. Na Primeira Leitura de hoje Paulo é apedrejado até quase morto. Paulo e seus companheiros experimentam que o Reino de Deus padece violência e que não é fácil pregá-lo neste mundo. Mas não se deixam atemorizar. Eles saíram de Listra para pregar em outras cidades. Eles são incansáveis em levar adiante a Palavra de Deus. A Palavra de Deus não pode ficar muda.

Para os discípulos Paulo dá o seguinte conselho: “É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus”.  A aflição é um dos temas essenciais de São Paulo. A fé não suprime a tribulação. O sofrimento acompanha o cristão, como qualquer ser humano, mas seu sofrimento pode ter sentido, pois o cristão sabe que é um passo, um momento doloroso que conduz ao Reino, à felicidade total junto a Deus quando é consequência da evangelização. Mais tarde São Paulo vai escrever para Timóteo: “Todos os que quiserem viver piedosamente, em Jesus Cristo, terão de sofrer a perseguição” (2Tm 3,12).

Com este conselho Paulo fortalecia o ânimo dos discípulos, alentando-os a estarem perseverantes na fé. A fé não é um tesouro que um dia se recebe e fica como tal até a morte. A fé é uma vida que pode consolidar-se ou debilitar-se, que pode crescer ou morrer. Paulo está consciente disso e por isso, ele alerta: “É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus”.

A fé é entrega pessoal, o submetimento total a Deus do entendimento para crer, da vontade para praticar somente o bem e do coração para amar. Trata-se não somente de crer em algo e sim de crer em Alguém, de crer em Deus. Temos fé perfeita quando existe a entrega da vontade a Deus para viver somente de acordo com a vontade de Deus, pois a vontade de Deus é salvadora. A fé está sempre unida à esperança e à caridade, pois a fé é garantia do que se espera (Hb 11,1) e se expressa em obras de amor (Gl 5,6). Por isso, a fé perfeita é fruto da verdadeira conversão. Mas por si só, o homem não pode converter-se. Ele precisa do auxílio de Deus: “Faze-me voltar e voltarei, porque Tu és Javé, meu Deus” (Jr 31,18). Nesta volta (conversão) Deus “abre o coração” (At 16,14) ao homem.

“A fé nasce no encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela o seu amor: um amor que nos precede e sobre o qual podemos apoiar-nos para construir solidamente a vida. Transformados por este amor, recebemos olhos novos e experimentamos que há nele uma grande promessa de plenitude e se nos abre a visão do futuro. A fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece-nos como luz para a estrada orientando os nossos passos no tempo” (Papa Francisco: Carta Enciclica: Lumen Fidei n.4).

Viver Na Colegialidade

Os apóstolos designaram presbíteros para cada comunidade. Com orações e jejuns, eles os confiavam ao Senhor, em quem haviam acreditado”.

Na constituição de um grupo de anciãos (presbíteros) percebemos o sinal da colegialidade em que os apóstolos designam anciãos para conduzir a comunidade local cuja tarefa é assegurar a fidelidade da comunidade. Os anciãos designados são símbolo da unidade, construtores da unidade (cf. Cl 2,19).

Aqui vemos a relação entre a Igreja local (comunidades presididas pelos anciãos/presbíteros) e a Igreja universal (conduzida pelos apóstolos). Na prática judaica, ao contrário, cada comunidade da Diáspora elege um grupo de anciãos para governa-la, sobretudo no plano material (cf. At 11,30).

O bispo e sua diocese são sinais da unificação universal para a condição de viver a colegialidade. O vigário/pároco e sua paróquia realizam a mesma exigência vivendo o presbitério em união plena com o bispo local com seus sacerdotes.

A constituição dos presbíteros nos mostra que a própria fé não pode ser vivida somente individualmente. É necessário vive-la em Igreja, com os outros. Será que eu compartilho minha fé com outras pessoas? Que sentido tem para mim a Igreja? Como eu participo da comunidade local?

A Paz Que Cristo Quer Nos Dar

Continuamos a acompanhar o “discurso” de despedida de Jesus de seus discípulos (Jo 13-17). Ao se despedir de seus discípulos, Jesus lhes dá a sua paz: “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz; não vo-la dou como o faz o mundo. Que o vosso coração não se perturbe nem se intimide” (v.27).

Paz (Shalom, em hebraico, ou eirene, em grego) é uma fórmula ancestral e tradicional de saudação e de despedida entre os orientais até o dia de hoje. Os judeus na atualidade se saúdam com “Shalom” (paz), ou se perguntam: “mi shelomkha?” (Como está?) que literalmente pode ser traduzido “como está tua paz?”. Ao se despedir se desejam shalom u-berakhah (paz e bênção).

Paz (Shalom) que é a saudação habitual entre os judeus tem uma grande densidade de significado, pois este termo não significa apenas a ausência de conflitos ou a tranquilidade da alma, mas também a saúde, a prosperidade, a felicidade em plenitude. A palavra “Shalom” talvez possa ser traduzida com uma expressão que todos nós desejamos aos outros: “Tudo de bom”. “All the best” para os da língua inglesa. Desejar a paz significa desejar tudo de bom para o próximo. Desejar “Shalom” é desejar a alguém uma harmonia com tudo, com todos e com o Todo por excelência que é o próprio Deus.

Ao se despedir dos discípulos, Jesus não lhes deseja a paz, mas ele lhes a paz: “Eu vos deixo a paz”, e insiste: “Eu vos dou a minha paz”.

Que tipo de paz que Jesus quer oferecer aos discípulos e a todos nós? Não se trata de um simples augúrio de paz, mas de um verdadeiro dom. A paz é um dom, vem do alto: não surge da decisão do homem. Por isso, não pode reduzir-se ao nível de sentimento. Trata-se de uma palavra que salva, que vai à raiz, lá onde está a origem da verdadeira paz (a origem do mal). A paz de Jesus tem como efeito banir/expulsar do coração dos discípulos todo e qualquer resquício/resíduo de perturbação ou de temor que leva ao imobilismo. Possuindo o dom da paz de Jesus, todos os seguidores de Cristo devem manter-se imperturbáveis, sem se deixar intimidar diante das dificuldades. Assim pensada, a paz de Jesus consiste numa força divina que não deixa os discípulos rompam a comunhão com Jesus. É Jesus mesmo, presente na vida dos discípulos, sustentando-lhe a caminhada, sempre disposto a seguir adiante com alegria, rumo à casa do Pai, apesar das adversidades que deverão enfrentar. Dizendo “vai em paz”, Jesus cura a hemorroíssa (Lc 8,48) e perdoa os pecados à pecadora (Lc 7,50). A paz de Jesus nasce da vitória sobre o pecado e suas consequências. A paz de Jesus funda-se no amor fraterno e na justiça. A paz de Jesus, por isso, rejeita toda espécie de idolatria que coloca criatura no lugar de Deus e submete o ser humano a um regime de opressão. João enfatiza que Jesus é o mediador da paz; é neste sentido que Jesus a qualifica de “minha”. Os verbos estão no presente, sublinhando, assim, a realidade atual e a duração indefinida do dom. O Filho dispõe a paz que, segundo a Bíblia, só Deus pode conceder. A paz caracteriza os tempos messiânicos (Sl 72,7). O Messias tem por nome “o Príncipe da Paz” (Is 9,5s). A aliança escatológica é uma “aliança de paz” (Is 66,12). Todo o NT se mostra herdeiro dessa tradição para acentuar a reconciliação com Deus (At 10,36; Rm 5,1; Ef 2,14-17;Cl 1,20 etc.).

“Mas não dou a paz como o mundo a dá”, disse Jesus. E m que consiste a paz do mundo?

A paz que o mundo oferece prescinde de Deus e se funda num projeto contrário ao dele. Aí, se encontram a injustiça, a concentração de bens à custa da exploração alheia, o desrespeito pelo ser humano. É o império do egoísmo que idolatra pessoas e coisas, e transforma os indivíduos em seus escravos. Por isso, é uma paz que conduz à morte eterna. Segundo o mundo, para ter paz todos tem que se preparar para a guerra. “Si vis pacem, para bellum!” (Expressão latina). “Se desejas a paz, prepara-te para a guerra”. “Devemos amar a paz sem odiar os que fazem a guerra”, dizia Santo Agostinho (Serm. 357,1).

Quando o homem esquece o seu destino eterno, e o horizonte de sua vida se limita à existência terrena, contenta-se com uma paz fictícia, com uma tranquilidade exterior. Jesus qualifica este tipo de paz como a paz que o mundo dá. Recuperar a paz perdida é uma das melhores manifestações de nossa caridade para com os que estão à nossa volta. Onde houver amor também haverá a paz. Com efeito, a verdadeira paz é o fruto do amor a Deus e ao próximo.

Deus em quem acreditamos é um Deus da paz; não quer a desordem, a rebelião ou tumulto. Deus está pela ordem como estada normal das coisas, e esta ordem equivale à paz. É o mesmo Deus que na cena da criação põe ordem no caos inicial (Gn 1,1ss), dando a entender que “criar” é em primeiro término ordenar o caos inicial, separando o céu da terra etc. para evitar a confusão. A paz, entendido neste sentido, se apresenta como estado normal das coisas onde cada uma ocupa seu devido lugar. Quando cada elemento ocupar seu próprio lugar haverá a ordem e consequentemente haverá a paz. “A paz é a tranquilidade da ordem”, dizia Santo Agostinho.

Para refletir:
  • “A fraternidade é uma dimensão essencial do homem, sendo ele um ser relacional. A consciência viva desta dimensão relacional leva-nos a ver e tratar cada pessoa como uma verdadeira irmã e um verdadeiro irmão; sem tal consciência, torna-se impossível a construção duma sociedade justa, duma paz firme e duradoura. E convém desde já lembrar que a fraternidade se começa a aprender habitualmente no seio da família, graças, sobretudo, às funções responsáveis e complementares de todos os seus membros, mormente do pai e da mãe. A família é a fonte de toda a fraternidade, sendo por isso mesmo também o fundamento e o caminho primário para a paz, já que, por vocação, deveria contagiar o mundo com o seu amor” (Papa Francisco: Mensagem Para a Celebração Do XLVII Dia Mundial Da Paz De 2014).
  • Depois do Pai-Nosso se dá a paz. Que grande sacramento se esconde nesse rito. Deixa que teu beijo seja a expressão de teu amor. Não sejas Judas, que beijou Cristo com os lábios, mas já o havia traído em seu coração (Santo Agostinho: Serm. Dennis 6,3).
P. Vitus Gustama,svd
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26 Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e segundo a nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, e sobre todos os répteis que rastejam sobre a terra”.  27 E Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou: homem e mulher os criou. 28 E Deus os abençoou e lhes disse: “Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a! Dominai sobre os peixes do mar, sobre os pássaros do céu e sobre todos os animais que se movem sobre a terra”. 29 E Deus disse: “Eis que vos entrego todas as plantas que dão semente sobre a terra, e todas as árvores que produzem fruto com sua semente, para vos servirem de alimento. 30 E a todos os animais da terra, e a todas as aves do céu, e a tudo o que rasteja sobre a terra e que é animado de vida, eu dou todos os vegetais para alimento”. E assim se fez. 31E Deus viu tudo quanto havia feito, e eis que tudo era muito bom. Houve uma tarde e uma manhã: sexto dia. 2,1 E assim foram concluídos o céu e a terra com todo o seu exército. 2 No sétimo dia, Deus considerou acabada toda a obra que tinha feito; e no sétimo dia descansou de toda a obra que fizera. 3 Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, porque nesse dia descansou de toda a obra da criação.
 Evangelho: Mt 13,54-58



O Homem É a Imagem De Deus No Mundo
Façamos o homem à nossa imagem e segundo a nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, e sobre todos os répteis que rastejam sobre a terra”.

O relato do Livro de Gênesis apresenta a criação do homem como o ponto alto de toda a criação. Depois que criou tudo, Deus, finalmente, criou o ser humano. No mar Deus deixou os peixes e outros semelhantes e na terra criou as plantas e os animais terrestres. Tudo foi feito para o bem do homem.

Entre as criaturas, o homem possui uma característica singular e única. Ele é o único ser, entre todas as criaturas, criado à “imagem de Deus”. O conceito bíblico de “imagem de Deus” leva a uma reciprocidade na relação Deus-homem. Deus é o tudo do homem. No âmago do humano está a abertura construtiva, inexorável para Deus. Dentro de si o homem tem algo de Deus, pois ele é o fruto do sopro de Deus. Por ter sido feito do barro da terra, à semelhança dos animais, é mortal. Mas por ser vida da vida de Deus é transcendente. O sopro divino é o que coloca o homem no âmbito humano e o distingue dos animais e de outras criaturas.

O homem é a imagem e a semelhança de Deus. Por isso, o homem é o tu de Deus. Quando olha para a criatura humana, o próprio Deus se vê refletido no homem. Deus não criou o homem como objeto qualquer, mas Ele o criou como um ser correspondente, capaz de responder ao “tu” divino.

O homem é “imagem de Deus” por sua autoridade sobre o universo, por sua inteligência criadora com que foi posto em condições de dominar a natureza, desenvolvê-la e transformá-la.

Como “Imagem de Deus” o destino terreno do homem não é viver por viver; trabalhar, amar, reproduzir-se ou dominar a criação e sim conviver, compartilhar a vida com Deus e caminhar juntos. O homem jamais perderia a consciência de ser “Imagem de Deus”. Tudo que o homem fizer, deve refletir o querer de Deus.

Por isso, vem a pergunta: será que minha maneira de viver revela ao mundo que sou imagem de Deus? Será que o mundo percebe que sou imagem de Deus? será que eu faço morrer a imagem de Deus em mim que leva o mundo a crer sobre a “morte” de Deus no mundo? 

O Trabalho É Sagrado Porque Mantém a Vida Do Homem


O livro de Gênesis nos relatou que Deus “trabalhou” seis dias. Quando o homem trabalha, ele reproduz a imagem de Deus que trabalhou seis dias e no sétimo dia descansou. Pelo trabalho o homem toca Deus. O trabalho enobrece o homem e ele pode consagrar a Deus qualquer atividade por simples que ela seja.

Para a Bíblia, o trabalho é uma função sagrada, é algo que de certa forma pertence ao mundo e ao próximo, é aquilo que deve ocupar o tempo do homem. O trabalho é sagrado porque mantém a vida do homem, e Deus é sensível ao sofrimento da vida e ao trabalho do homem. O trabalho é o meio de subsistência do homem. A Bíblia não tem uma única palavra de louvor para o preguiçoso e a pobreza, quando é consequência da preguiça. A preguiça nunca é considerada virtude. São Paulo nos recorda: “Quem não quer trabalhar, também não há de comer” (2Ts 3,10).

O trabalho é também um caminho de realização da pessoa, o meio pelo qual o homem atualiza suas possibilidades e exercita suas capacidades. O trabalho é um elemento de personificação e de humanização. O que importa na vida do homem é o esforço sempre renovado. É o amor que se coloca em tudo aquilo que faz.

Mas o homem precisa estar consciente de que o trabalho deve possibilitar viver e desfrutar a vida. Jamais podemos ser escravos do trabalho. O homem trabalha para viver e não viver somente para trabalhar. Todos condenam a preguiça, mas nem todos estão conscientes dos perigos do excesso de trabalho.

Na Bíblia, Deus se manifesta como Aquele que trabalha, mas que depois descansa. Deus quer que o homem interrompa seus afazeres, recupere suas energias e encontre tempo para elevar seu olhar mais para o alto. O preceito sabático, na Bíblia, existe para libertar o homem de seu próprio trabalho. O significado profundo do preceito sabático está em romper a alienação do trabalho. O preceito sabático existe para impedir que o homem pense que ele somente vale aquilo que produz. O homem deve saber que o seu “ser” e aquilo que ele “faz” ou “produz” são coisas completamente distintas. Um mundo que valoriza somente segundo o critério de desempenho não pode ser considerado um mundo humano e sim um mundo mecanizado.

Paralelamente, o preceito cristão do descanso dominical existe para libertar o homem de seu próprio trabalho. É o homem que dá valor ao seu trabalho ou à função que desempenha, e não o contrário. O trabalho em excesso pode embotar a mente e oprimir o espirito, convertendo assim o trabalho numa espécie de ídolo. 

Em Nazaré Jesus Ajuda José No Trabalho Como Carpinteiro


De onde lhe vêm essa sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro?”.


Jesus começa o relato dos “fatos” da vida terrena de Jesus com a rejeição/recusa pelos nazarenos: “Acas não é este filho do carpinteiro?”.
A palavra “carpinteiro” (tékton) somente aparece em Mc 6,3 e Mt 13,55 em todo o Novo Testamento. Em grego “tékton” não significa somente uma pessoa que trabalha com madeira, mas também com ferro (serralheiro) e pedra (pedreiro). Jesus trabalhava com essas coisas acompanhando seu pai adotivo, José.

No texto de Marcos (Mc 6,3) o termo “carpinteiro” (tékton) se aplica a Jesus: é a única passagem bíblica em que se menciona o ofício de exercido por Jesus: “Não é este o carpinteiro?”. Em Mateus o termo se aplica a José: “Não é ele o filho do carpinteiro?”.

José trabalha (carpinteiro) e Jesus (carpinteiro/filho do carpinteiro) também como sua Mãe, Maria, dona de casa. O trabalho é a expressão cotidiana do amor na vida da família de Nazaré. O tipo de trabalho para manter a família é carpintaria. A simples palavra “carpinteiro” abarca toda a vida de São José.
Para Jesus, os anos em Nazaré (antes de sua vida pública) são os anos da vida escondida da qual fala o evangelista Lucas atrás do episódio no Templo: “Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso” (Lc 2,51ª). Esta “submissão” quer dizer, primeiramente, a obediência de Jesus na casa de Nazaré. Em segundo lugar, esta “submissão” é entendida também como participação no trabalho de José. O que era chamado o “filho de carpinteiro” aprendeu o trabalho de seu pai adotivo, José.

O trabalho humano, especialmente o trabalho manual, tem no Evangelho um significado especial. Junto à humanidade do Filho de Deus, o trabalho faz parte do mistério da encarnação. Graças ao seu trabalho, sobre qual exerce sua profissão com Jesus, São José aproxima o trabalho humano ao mistério da redenção. No crescimento humano de Jesus “em sabedoria, idade e graça” representou uma parte notável a virtude da laboriosidade. O trabalho faz o homem, em certo sentido, mais homem.

O trabalho humaniza o homem e através de seu trabalho honesto ele se diviniza e potencia sua humanidade. Trabalhando com Jesus, são José se diviniza, pois Jesus é o Deus-conosco. São José Operário, interceda por nós para que através de nosso trabalho possamos nos humanizar mais a fim de que consigamos ser divinizados. Assim seja!
P. Vitus Gustama,svd