sexta-feira, 31 de agosto de 2018

10/09/2018
Resultado de imagem para 1Cor 5,1-8Resultado de imagem para 1Cor 5,1-8Imagem relacionada
O BEM DO HOMEM ESTÁ ACIMA DE QUALQUER LEI POR SAGRADA QUE ELA PAREÇA SER
Segunda-Feira da XXIII Semana Comum


Primeira Leitura: 1Cor 5,1-8
Irmãos, 1 é voz geral que está acontecendo, entre vós, um caso de imoralidade; e de imoralidade tal que nem entre os pagãos costuma acontecer: um dentre vós está convivendo com a própria madrasta. 2 No entanto, estais inchados de orgulho, ao invés de vestirdes luto, a fim de que fosse tirado do meio de vós aquele que assim procede? 3 Pois bem, embora ausente de corpo, mas presente em espírito, eu julguei, como se tivesse aí entre vós, esse tal que tem procedido assim: 4 Em nome do Senhor Jesus — estando vós e eu espiritualmente reunidos com o poder do Senhor nosso, Jesus—, 5 entregamos tal homem a Satanás, para a ruína da carne, a fim de que o espírito seja salvo, no dia do Senhor. 6 Vós vos gloriais sem razão! Acaso ignorais que um pouco de fermento leveda a massa toda? 7 Lançai fora o fermento velho, para que sejais uma massa nova, já que deveis ser sem fermento. Pois o nosso cordeiro pascal, Cristo, já está imolado. 8 Assim, celebremos a festa, não com velho fermento, nem com fermento de maldade ou de perversidade, mas com os pães ázimos de pureza e de verdade.


Evangelho: Lc 6,6-11
Aconteceu num dia de sábado que, 6 Jesus entrou na sinagoga, e começou a ensinar. Aí havia um homem cuja mão direita era seca. 7 Os mestres da Lei e os fariseus o observavam, para ver se Jesus iria curá-lo em dia de sábado, e assim encontrarem motivo para acusá-lo. 8 Jesus, porém, conhecendo seus pensamentos, disse ao homem da mão seca: “Levanta-te, e fica aqui no meio”. Ele se levantou, e ficou de pé. 9 Disse-lhes Jesus: “Eu vos pergunto: O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?” 10 Então Jesus olhou para todos os que estavam ao seu redor, e disse ao homem: “Estende a tua mão”. O homem assim o fez e sua mão ficou curada. 11 Eles ficaram com muita raiva, e começaram a discutir entre si sobre o que poderiam fazer contra Jesus.
__________________
Viver De Acordo Com a Moral Cristã e Correção Fraterna


Irmãos, é voz geral que está acontecendo, entre vós, um caso de imoralidade; e de imoralidade tal que nem entre os pagãos costuma acontecer: um dentre vós está convivendo com a própria madrasta”, escreveu são Paulo duramente para a comunidade de Corinto.


 Nos capítulos 5 e 6 da Primeira Carta aos Coríntios, são Paulo trata de dois problemas que surgiram dentro da comunidade que eram verdadeiramente escândalos, pois “de imoralidade tal que nem entre os pagãos costuma acontecer”. Em 1Cor 5 são Paulo fala do escândalo de ordem moral (convivência marital com a madastra). Trata-se do pecado de luxúria.  E em 1Cor 6 fala do escândalo contra a fraternidade.


Nestes dois capítulos (1Cor 5-6) percebemos que nem tudo foi luzes nas primeiras comunidades cristãs, porque houve também sombras: pecadores e pecados. A reação de são Paulo é bem firme e bem grave, pois a situação é grave: “Esses não herdarão o Reino de Deus” (1Cor 6,9-10). Nesta afimação está a chamada à conversão contínua. São Paulo compreende, desculpa e sabe tomar decisão firme diante de uma situação não conveniente para um cristão, pois a vida cristã é algo para ser levada a sério, pois somos membros de Cristo (1Cor 6,15) e do Espirito Santo de Deus que habita em nós (1Cor 3,16-17; 6,19-20). Trata-se de um ensinamento precioso e muito atual.


O texto da Primeira Leitura nos mostra que na comunidade de Corinto não tinha apenas as divisões internas, mas também uma série de desordens morais. Se as desordens morais do tipo apresentado no texto de hoje que é a convivência marital com a mulher do próprio pai ( relação com madastra) eram inconcebíveis entre os pagãos, quanto mais não deveriam acontecer numa comunidade cristã, como a de Corinto. O caso continua sendo grave porque tanto a lei judaica, como a romana, como a moral cristã proíbem terminantemente tal convivência.


São Paulo decide escrever para a comunidade de Corinto sobre o caso, pois ele acha estranho que entre os Coríntios se permita sem maior oposição diante dessa desordem no seio da comunidade: “Um dentre vós está convivendo com a própria madrasta. No entanto, estais inchados de orgulho, ao invés de vestirdes luto, a fim de que fosse tirado do meio de vós aquele que assim procede?”.  Para são Paulo o culpado de tal delito deve ser excluído da comunidade cristã e a própria comunidade é encarregada para esta decisão.


E o próprio são Paulo manifesta sobre um membro da comunidade que pratica o delito (convivência marital com a própria madastra) com a reprovação: “Em nome do Senhor Jesus — estando vós e eu espiritualmente reunidos com o poder do Senhor nosso, Jesus—, entregamos tal homem a Satanás, para a ruína da carne, a fim de que o espírito seja salvo, no dia do Senhor” (1Cor 5,4-5). É uma frase difícil de interpretar. Não se fala no texto se o pai ainda estava vivo ou se já morreu. O texto também não manifesta nenhum interesse se a madastra não era cristã. Mas são Paulo toma esta medida, por drástica que pareça, com uma intenção medicinal: “Entregamos tal homem a Satanás, para a ruína da carne, a fim de que o espírito seja salvo, no dia do Senhor” (Cf. Mt 18,6.8-9).


Aqui são Paulo já insinua claramente que o pecado de um cristão e a reconciliação do pecador são algo de toda a Igreja. Com efeito, os pecados não são assunto particular entre o pecador e Deus. A comunidade eclesial tem, segundo são Paulo, a responsabilidade de urgir e confirmar fraternalmente e ministerialmente a santidade de seus membros, por meio de sacramentos. Quando a santidade for quebrada por algum membro, a comunidade tem responsabilidade de alertá-lo e corrigi-lo fraternal e ministerialmente (Cf. Mt 18,15-18). Este é o sentido eclesial do sacramento da Penitência que são Paulo quer nos recordar.


Uma das mensagens do texto é que a comunidade deve sentir-se corresponsável do bem de cada um de seus membros. Quando detecta uma falta grave, deve exercer a correção fraterna como Jesus nos ensinou no Evangelho (Cf. Mt 18,15-18).


São Paulo põe a comparação do pão ázimo, sem fermento, que é o que os judeus usavam e continuam usando para a Páscoa. E ele aplica essa imagem à comunidade, que deve ser toda ela “pão ázimo”, sem “fermento de maldade ou de perversidade”, e sim um pão “azimo de pureza e de verdade”. Nós cristãos sempre vivemos na Páscoa, porque Cristo é o Cordeiro Pascal que foi imolado para nossa salvação.


 O motivo é que uma situação assim vai contra os valores básicos da ética humana e sobretudo, a ética cristã. Há fatos maus, pontualmente, porque todos nós somos débeis e pecadores e, portanto, dispostos à tolerância. Mas aqui se trata de situações continuadas, públicas, de incoerência grave com a identidade cristã, que podem se tornar contigiosas para toda a comunidade cristã, pois “um pouco de fermento leveda a massa toda”. Às vezes, o “fermento velho”, que pode contagiar toda a comunidade, se refere a problemas ideológicos. Outras, como no texto de hoje, se refere a atitudes de moral.


O Salmo Responsorial de hoje (Sl 5) nos fala de Deus que não quer o mal: “Não sois um Deus a quem agrade a iniquidade, não pode o mau morar convosco; nem os ímpios poderão permanecer perante os vossos olhos. Detestais o que pratica a iniquidade e destruís o mentiroso. Ó Senhor, abominais o sanguinário, o perverso e enganador. Mas exulte de alegria todo aquele que em vós se refugia; sob a vossa proteção se regozijem, os que amam vosso nome!”. Jesus que nos ensinou o perdão e a correção fraterna, também pronunciou umas palavras: “Se nem mesmo à Igreja der ouvido, trata-o como o gentio ou o publicano” (Mt 18,17), e “melhor lhe fora ser lançado ao mar com uma pedra de moinho enfiada no pescoço do que escandalizar um só destes pequeninos” (Lc 17,1-6).


São Paulo quer nos relembrar que somos criaturas novas em Cristo. nós que estamos unidos a Cristo por meio da fé e do Batismo não podemos continuar vivendo sob o sinal do pecado; não podemos facilitar a convivência de Cristo e do diabo dentro de nós. aquele que pertence a Cristo deve ser o fermento novo capaz de fazer fermentar a massa para convertê-la em alimento bom para todos. A Igreja deve alimentar toda a humanidade com as esperanças de salvação. devemos ser um sinal de Cristo ressuscitado. Homens novos pela presença do Espirito de Deus em nós. Por isso, quando nos dermos conta de que o mal começa a nos apropriar, teremos que iniciar imediatamente um processo de conversão para voltar ao Senhor com sinceridade, e não podemos ficar numa hipocrisia religiosa, dando ao Senhor o culto, enquanto nosso coração está longe d´Ele. Se somos de Cristo, então não podemos ir atrás da maldade e sim atrás do Espirito de Deus que nos conduzirá à Verdade plena e nos converterá em testemunhas autenticas do amor e da misericórdia que Deus tem para todos. Deus nos ama até o extremo aapesar de nossos grandes pecados. Ele não quer a morte do pecador e sim que ele se converta e viva. Ele continua nos comunicando sua vida na Eucaristia, fonte de amor, de vida e de salvação para nós, como também em outros sacramentos da Igreja. unidos a Cristo temos que passar a vida fazendo o bem a todos. Assim a Igreja de Cristo será no mundo um sinal de amor misericordioso e libertador de Deus, que sara as feridas que o pecado, a marginalização, o desprezo, a perseguição injusta, a pobreza ou a enfermidade causaram em muitos irmãos nossos. Mas quem permanece no pecado, está se ecluindo de misericórdia de Deus que nos manifestou em seu Filho, Jesus Cristo.


É Preciso Praticar o Bem Em Qualquer Lugar e Tempo e Para Qualquer Pessoa


O que é permitido fazer no Sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?”.


“Multiplicamos os lugares e coisas sagradas para nos eximirmos de reverenciar o homem, que é o mais sagrado sobre a terra. Rasgamos nossas roupas quando alguém profana um templo, e nos tornamos insensíveis diante da profanação diária do homem. Não endeuse as pessoas notáveis, esquecendo que toda pessoa é sagrada”, escreveu René Juan Trossero, escritor e psicólogo argentino.


Estamos na parte do evangelho de Lucas onde se encontram cinco discussões ou controvérsias entre Jesus, de um lado, e os fariseus e escribas, do outro lado (Lc 5,17-6,11). Jesus é Aquele que vem para dar o perdão àqueles que O acolhem com fé e simplicidade (Lc 5,17-26). Para os fariseus e escribas quem pode perdoar é somente Deus. Ao perdoar o paralítico, segundo eles, Jesus está blasfemando (Lc 5,21). Jesus é Aquele que vem como “médico” que cura os males e acolhe os pecadores para mostrar-lhes o caminho de Deus, possibilitando-lhes, assim, a conversão (Lc 5,27-32). Os fariseus e escribas não aceitam o comportamento de Jesus ao comer e beber com os cobradores de impostos e os pecadores (Lc 5,30), pois isso mostraria o nivelamento das relações. Para eles os publicanos e os pecadores têm que ser excluídos da convivência, pois são perdidos da Lei de Deus. Nas outras três controvérsias Jesus mostra o caminho da liberdade em oposição ao legalismo dos fariseus e escribas: Jesus mostra qual é o significado do verdadeiro jejum (Lc 5,33-39), como deve se comportar diante da vida em jogo (fome e doente) mesmo que esse comportamento esteja contrário à lei sabático (Lc 6,1-11), mostrando que o sábado foi feito para o homem e não o contrário (cf. Lc 6,5). Em nome do homem que necessita da salvação Jesus é capaz de “transgredir” a lei por sagrada que ela pareça ser.


“O que é permitido fazer no Sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?”. A omissão do bem é um mal. Não praticar o mal não significa que alguém pratique o bem. Mas quem pratica o bem se afasta do mal. É fácil odiar o mau por ser mau. O difícil é amá-lo por ser homem” (Santo Agostinho. Epist. 153,3).


Não é fácil suportar na terra Aquele que declara o fim da falsidade, da opressão, do legalismo, da religião fácil e cômoda, da religião que se preocupa apenas com as regras ou com os preceitos e não com a necessidade vital de um ser humano. É muito difícil aceitar alguém como Jesus que coloca a pessoa humana acima de qualquer lei religiosa e de qualquer atividade. O “defeito” de Jesus é fazer o bem para qualquer pessoa e em qualquer situação e lugar sem se preocupar com a lei religiosa. Jesus passou a vida fazendo o bem, pois “Deus estava com Ele”, assim disse Pedro na sua pregação (At 10,38). Em nome do bem que deve ser realizado Jesus não quer saber das leis por sagradas que elas pareçam ser nem quer saber se o dia é o de preceito ou não. Em nome de um ser humano necessitado de libertação, Jesus não quer saber das conseqüências por graves que elas sejam como a morte na cruz. Em nome de um ser humano necessitado de libertação Jesus é capaz de “transgredir” uma lei que para o ser humano é sagrada. Para Jesus o que é sagrado é o ser humano, pois ele é o filho de Deus e é o templo do Espírito Santo (1Cor 3,16-17).


Por isso, aquele que é marginalizado e excluído é colocado no meio (Lc 6,8). Ao ser colocado no meio, o homem necessitado se torna centro para todos. Como se Jesus quisesse dizer aos presentes: “Em tudo o ser humano deve ser levado em consideração e deve ser o foco de qualquer atividade”.  Aquele que estava à margem segundo os critérios da sociedade, está no meio pelos critérios de Jesus. E Jesus o curou mesmo sendo num sábado, o dia sagrado para os seus contemporâneos. Para Jesus a libertação dos necessitados é mais importante do que todas as regras sabáticas por mais sagradas que elas pareçam ser. O amor pelo ser humano para Jesus é a exigência absoluta de sua vida (cf. Rm 13,10). O amor é que norteia toda a atividade de Jesus mesmo que ele seja odiado por isso. Podemos entender a pergunta feita por Jesus para todos os presentes para que seja refletida: “O que é permitido fazer no Sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?” (Lc 6,9). O livro de Provérbio diz: “Não negues um favor a quem necessita, se tu podes fazê-lo” (3,27). ... “O desejo dos justos é somente o bem, a esperança dos ímpios é a cólera” (11,23).


Dentro desse pensamento não é por acaso que o evangelista Lucas coloca o seguinte detalhe: “Aí havia um homem cuja mão direita era seca” (Lc 6,6b). Nas culturas antigas, a mão direita simbolizava o poder de fazer o bem. E a mão esquerda simbolizava o poder de fazer o mal. No julgamento final, segundo o evangelho de Mateus, os que praticarem o bem (as ovelhas), ficarão do lado direito (cf. Mt 25,33-40) e os cabritos (os que deixam de praticar o bem) ficarão do lado esquerdo (cf. Mt 25,41-45). No Credo rezamos: “Jesus subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso”. Até para cumprimentar alguém normalmente apertamos a mão direita.


Ao dizer que aquele homem estava com a mão direita seca, Lucas quer nos dizer que esse homem estava impossibilitado de praticar o bem. Somente a mão esquerda é que estava funcionando, isto é, as suas obras não eram boas do ponto de vista moral e ético. É provável que as pessoas o evitassem. Ninguém quer se relacionar com as pessoas más a não ser que tenha algum interesse mau também.


Mas em vez de afastar esse homem da convivência, Jesus o chamou para ficar no meio de todos, não para envergonhá-lo e sim para salvá-lo ou para libertá-lo de todas as obras de maldade e que todos são chamados a ser parceiros do bem. Para isso, o ser humano tem que ocupar o lugar central nas atividades e não os interesses mesquinhos muito menos usar a religião para marginalizar os outros.


A partir do evangelho de hoje cada um de nós precisa se perguntar: que lugar ocupa o ser humano nas minhas atividades diárias, tanto pessoal como profissionalmente? Será que sou capaz de “transgredir” uma norma religiosa em função da libertação de um ser humano, de uma vida sem sentido?  Se a mão direita simbolizava o poder de fazer o bem e a mão esquerda, o poder de fazer o mal, qual “mão” que está funcionando mais na minha vida: a mão direita ou a mão esquerda? Você tem certeza de que você estará sentado à direita do Pai quando chegar sua hora de partir deste mundo? “A caridade cristã é tridimensional. Pratica-se na terra pelas boas obras e busca ajudar a quem necessita: eis a sua profundidade. Sofre as adversidades pacientemente e persevera na verdade: eis sua extensão. Tudo faz com vistas a obter a vida eterna: esta é sua magnitude” (Santo Agostinho. Epist. 140,25).

     P. Vitus Gustama,svd

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Domingo, 09/09/2018
Resultado de imagem para Mc 7,31-37Resultado de imagem para Mc 7,31-37
JESUS E SUA PALAVRA SÃO CAPAZES DE TIRAR NOSSA MUDEZ E SURDEZ ESPIRITUAIS
XXIII DOMINGO TEMPO COMUM "B"


Primeira Leitura:  Is 35,4-7a
4 Dizei às pessoas deprimidas: “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar”. 5 Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. 6 O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos, assim como brotarão águas no deserto e jorrarão torrentes no ermo. 7ª A terra árida se transformará em lago, e a região sedenta, em fontes d’água.


Segunda Leitura: Tg 2,1-5
1 Meus irmãos: a fé que tendes em nosso Senhor Jesus Cristo glorificado não deve admitir acepção de pessoas. 2 Pois bem, imaginai que na vossa reunião entra uma pessoa com anel de ouro no dedo e bem vestida, e também um pobre, com sua roupa surrada, 3 e vós dedicais atenção ao que está bem vestido, dizendo-lhe: “Vem sentar-te aqui, à vontade”, enquanto dizeis ao pobre: “Fica aí, de pé”, ou então: “Senta-te aqui no chão, aos meus pés”, 4 não fizestes, então, discriminação entre vós? E não vos tornastes juízes com critérios injustos? 5 Meus queridos irmãos, escutai: não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?


Evangelho: Mc 7,31-37
Naquele tempo, 31 Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. 32 Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. 33 Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. 34 Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!” 35 Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. 36 Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. 37 Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.
--------------------------------
Depois da discussão sobre minúcias legalistas sobre o que torna a pessoa pura ou impura (Evangelho do Domingo anterior), Marcos passa para outro episódio sobre a cura do surdo-mudo. O que tem por trás é a divisão entre o povo eleito (puro) e o pagão (impuro por não pertencer ao povo eleito). A insistência de Marcos é clara: reprissa bem a impressão de que Jesus agora exerce seu ministério em terras pagãs como Tiro, Sidônia e Decápole.


Hoje lemos o relato sobre a cura do surdo-mudo. O que se ressalta neste relato é a participação dos pagãos  ao banquete da salvação oferecido por Jesus. O surdo-mudo é o melhor representante do paganismo: surdo em relação a Deus e incapaz de louvá-Lo. Mas o poder libertador da Palavra de Jesus rompe a surdez espiritual e solta a língua para louvar a Deus. Com isso, o texto quer sublinhar bem um tema importante de que os pagãos são puros, como os judeus (Cf. Mc 7,19), pois sua região está efetivamente purificado do “espirito impuro” pela vivência da Palavra de Deus. Agora o povo está pronto para escutar e anunciar a Palavra de Deus, pois seus ouvidos e sua boca estão despregados. Por isso, no final do texto do Evangelho de hoje há a exclamação do povo.


A exclamação ou a admiração da multidão é o eco de Gn 1,31 e Is 35,4-6 (Primeira Leitura). Nesta exclamação ou admiração reconhece-se a obra de Jesus que luta contra o mal e o sofrimento que acontecem na vida do povo. Jesus devolve à criação o seu esplendor original: “Ele tem feito bem todas as coisas: aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”, e inaugura o tempo da salvação anunciado pelos profetas: “Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos” (Is 35,5, veja a Primeira Leitura).


Com isso, Marcos quer transmitir claramente o tema sobre o messianismo onde Jesus é apresentado como quem realiza a nova criação que cumpre as profecias do profeta Isaías  sobre os últimos dias: “Ele tem feito tudo bem (cf. Gn 1,31); faz tanto os surdos ouvirem como os mudos falarem (cf. Is 35,5-6). A expressão “Jesus faz bem todas as coisas” tem uma grande importância para o evangelho de Marcos. Com esta expressão Mc faz uma ligação com o começo do Gênesis. No primeiro relato da criação repete-se por sete vezes a expressão: “Deus viu que era bom” (Gn 1,4.10.12.18.21.25.31). Ao usar a expressão “Jesus faz bem todas as coisas”, Mc quer nos transmitir esta mensagem: Jesus inicia nova criação em que todas as coisas são boas e bem-feitas. Jesus traz de volta a beleza de Deus que o próprio homem estragou por seu pecado. A palavra de Jesus é eficaz: cria uma nova criação. Portanto, precisamos estar sempre com Jesus para que possamos também fazer bem todas as coisas.


Algumas Mensagens Do Texto


1. Jesus e Sua Palavra Nos Tiram De Nossa Surdez Espiritual


As pessoas apresentam a Jesus um surdo que tem dificuldade para falar. O surdo só ouve a si mesmo. Não pode escutar seus familiares nem seus vizinhos. Não pode conversar com seus amigos. Ele vive fechado em sua própria solidão.


Jesus se concentra nessa enfermidade que impede o surdo de viver de modo são. Jesus introduz os dedos em seus ouvidos e trata de vencer essa resistência que não o deixa escutar ninguém nem a Palavra de Deus. Com sua saliva emudeceu aquela língua paralisada para dar fluidez a sua palavra. Não é fácil. O surdo-mudo  não colabora, e Jesus faz um último esforço. Jesus respira profundamente, lança um forte suspiro olhando ao céu em busca da força de Deus, e logo, grita ao enfermo: “Abre-te!”.


Aquele homem sai de seu isolamento e, pela primeira vez, descobre o que é viver escutando os demais e conversando abertamente com todos. O povo fica admirado. Jesus faz todo bem como Criador “aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.


Com este gesto de curar o surdo percebemos o poder de nosso Senhor em curar todos  os surdos espiritualmente. O Senhor Jesus pode conferir ao principal dos pecadores um ouvido que ouve. Ele pode fazer qualquer pessoa deleitar-se em ouvir o Evangelho que, antes, desprezava e ridicularizava.


Nós também hoje nos comportamos como “surdos” quando tapamos nossos ouvidos aos convites que Cristo nos dirige através de Sua Palavra ou através de alerta que alguém nos faz para abandonarmos certos hábitos, para modificar certas atitudes erradas, para seguir os caminhos da lealdade, da honestidade, da bondade, da generosidade, de partilha assim por diante.


2. O Senhor Jesus e Sua Palavra São Capazes De Transformar Os Mudos Em Anunciadores Da Boa Nova


Com a imposição de suas mãos sobre o surdo mudo (a pedido das pessoas) e com o toque de seus dedos na língua do surdo-mudo, Jesus torna o surdo-mudo capaz de falar livremente outro vez e não somente capaz de ouvir.


Com este gesto o texto quer nos dizer que Jesus e Sua Palavra são capazes de curar os mudos espiritualmente. O Senhor Jesus através de Sua Palavra é poderoso para ensinar ao mais duro dos transgressores a invocar a Deus. O Senhor pode pôr um novo cântico nos lábios daquele cujas palavras, anteriormente, giravam somente em torno das coisas deste mundo. Muitos santos e santas na história da Igreja são testemunhas disso. O Senhor pode fazer com que o mais vil dentre os homens fale acerca das coisas espirituais e testeifique do Evangelho da graça de Deus.


Não é casual que os evangelhos narrem tantas curas de cegos e surdos. Estes relatos são um convite a deixar-se tocar por Jesus e Sua Palavra para abrirmos bem nossos olhos e nossos ouvidos para Sua Pessoa e Sua Palavra.


Viver dentro da Igreja com mentalidade “aberta” ou “fechada” pode ser uma questão  de atitude mental ou de oposição prática, fruto quase sempre da própria estrutura sociológica ou da formação recebida. Mas quando se trata de “abrir-se” ou “fechar-se” ao Evangelho, o assunto é de vida ou de morte.


Se vivermos surdos à mensagem de Jesus, se não entendermos seu projeto, nem captarmos seu amor aos que sofrem, nos encerraremos somente em nossos problemas (falta de solidariedade) e não escutaremos nem quereremos saber dos problemas dos outros. Consequentemente, não saberemos anunciar nenhuma notícia boa para os outros. Deformaremos a mensagem de Jesus Cristo e muitos não entenderão o Evangelho do Senhor que pregamos. É urgente ouvirmos a ordem do Senhor no Evangelho de hoje: “Abre-te!”.


Somos mudos quando não cumprimos o nosso dever de anunciar a todos o Evangelho de Cristo, quando nos sentimos envergonhados de declarar que não concordamos com certas escolhas pouco evangélicas feitas por colegas, por amigos e até pelos próprios irmãos da nossa comunidade. São surdos-mudos certos maridos que nunca dialogam com suas esposas e vice-versa ou certos filhos que não prestam a mínima atenção às orientações dos pais. É surdo-mudo aquele que não se relaciona com os outros por se achar dono da verdade e que já não tem mais nada para aprender.


3. Deus Ama A Todos Igualmente: A Salvação É Universal


Devemos lembrar que a cura do surdo-mudo acontece num território pagão. Isto quer nos dizer que a salvação é para todos, sem distinção. E Jesus veio trazer a salvação messiânica definitiva universalmente.


Com isso, a cena quer ainda nos mostrar que o Reino de Deus é maior do que a Igreja. A Igreja existe para servir ao Reino de Deus. Por isso, ninguém pode limitar as  fronteiras do amor de Deus. O Deus-Pai ama a todos os homens, sem distinção, e quer salvar a todos por meio do Filho, Jesus Cristo, que enviou (cf. Lc 4,16-22).


Por isso, devemos compreender que uma comunidade cristã, como a nossa, não pode ficar fechada sobre si mesma. A Igreja tem outro nome: Santa Mãe Igreja. A Igreja deve viver nos seus membros o espirito materno que acolhe, nutre e cuida de todos. Não pode fazer acepção de pessoas, nem querer limitar a salvação, que o Pai oferece a todos. A comunidade cristã deve ser missionária em todos os sentidos: saber acolher a todos, e procurar levar o Evangelho a todos. Pois a Igreja é a comunhão de irmãos que o Pai ama. Não podemos constituir uma Igreja ou uma comunidade de Cristo, se fizermos distinção de pessoas ou discrimarnos as pessoas. Por isso, a carta de Tiago na segunda leitura de hoje continua nos interpelando: “Meus irmãos: a fé que tendes em nosso Senhor Jesus Cristo glorificado não deve admitir acepção de pessoas. ... Meus queridos irmãos, escutai: não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?” (Tg 2,1.5).


4.    O cristão É Chamado a  Ser Pessoa Solidária


Para a mentalidade da época a surdez e a mudez pertencem ao tipo de doenças que são consideradas castigos. Quem as sofre é visto como um pecador ou é talvez filho de pecadores (cf. Jo 9,1-41). A surdez era até mesmo uma maldição, porque não permitia escutar a Palavra de Deus proclamada nas sinagogas. Jesus, ao libertar os outros e soltar a língua do homem que lhe tinha apresentado, devolve-lhe a saúde, deixa de ser doente. Mas, ao mesmo tempo, o reintegra à vida social e aos direitos religiosos, e consequentemente, ele deixa de ser um marginalizado.


Uma comunidade de pessoas abertas à Palavra de Deus deve ser solidária com aqueles que sofrem no seu corpo e na sociedade. Fome e doença, assim como marginalização e exploração social, são incompatíveis com a vontade de vida de Deus. Quem quer provar seu amor verdadeiro por todos os homens, deve começar pelos últimos. É claro que isto não se deve fazer “para ser visto”, transformando o pobre em ocasião de ostentação caritativa. Mas deve ser uma expansão espontânea do amor como uma mãe que espontaneamente consagra atenção maior à criança que mais precisa de  ajuda.

Quem é discípulo de Jesus tem que ajudar os irmãos a recuperarem direitos, espaço, voz, para que cada um volte a se expressar por sua conta, como convém a um digno filho de Deus. É missão de cada cristão proclamar “Éffatha” (abre-te) aos que se deixam ensurdecer, e acomodados.


É grave denunciar a surdez alheia e ter tantos surdos-mudos em casa. E muitos só gostam de ouvir o eco das suas próprias palavras ou opiniões, as palestras do seu movimento, a espiritualidade a que já se acostumaram. Precisamos construir uma comunidade da qual se possa dizer como disseram de Jesus: ele faz bem todas as coisas. Faz os surdos ouvirem e os mudos falarem.


5. Ser Cristão É Ser Pessoa Inspirada Pelo Espírito De Deus


Outro pormenor do Evangelho de hoje é o modo de Jesus realizar o milagre. Antes de realizá-lo, Jesus ergue os olhos para o céu e solta um suspiro. Os curandeiros da Antigüidade praticavam freqüentemente semelhantes gestos. Eles o faziam para concentrar-se, para compenetrar-se na energia da divindade. Para Jesus  este gesto se transforma em sinais de oração (Mc 6,41) e de união com Deus-Pai. Para nós estes gestos se constituem em convite para estabelecermos continuamente uma profunda relação com Deus antes de intervir para ajudar os irmãos. Só depois de termos “inspirados” dentro de nós o Espírito Santo, o sopro de Deus, estaremos em condições de comunicar esta força vivificadora para quem experimenta dentro de si os sinais de morte.


Se é verdade que para orar é preciso crer, também para crer é necessário orar. A fé é a nossa resposta à oferta de amor e salvação de Deus. A oração, por sua vez, evidencia a presença e a vitalidade da fé no diálogo do homem com Deus e projeta essa oração para a vida no compromisso e na conduta social do cristão.
P. Vitus Gustama,SVD

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

08/09/2018
Resultado de imagem para natividade de nossa senhoraResultado de imagem para natividade de nossa senhora
NATIVIDADE DE MARIA
DIA DA FUNDAÇÃO DA SVD (Congregação Do Verbo Divino): 8/9/1875


Primeira Leitura: Mq 5,1-4a
Assim diz o Senhor: 1Tu, Belém de Éfrata, pequenina entre os mil povoados de Judá, de ti há de sair aquele que dominará em Israel; sua origem vem de tempos remotos, desde os dias da eternidade. 2Deus deixará seu povo ao abandono, até ao tempo em que uma mãe der à luz; e o resto de seus irmãos se voltará para os filhos de Israel. 3Ele não recuará, apascentará com a força do Senhor e com a majestade do nome do Senhor seu Deus; os homens viverão em paz, pois ele agora estenderá o poder até aos confins da terra, 4e ele mesmo será a Paz.


Evangelho: Mt 1,18-23
18 A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19 José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria em segredo. 20 Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”.  22Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 23 Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco”.


No dia 08 de setembro celebramos a festa da Natividade de Nossa Senhora. Nada nos diz o Novo testamento sobre o nascimento de Maria. Nem sequer nos dá a data ou o nome de seus pais, ainda que segundo a lenda eles se chamavam Joaquim e Ana. Segundo a Tradição, a Virgem, Mãe do Senhor, nasceu em Jerusalém. A Liturgia oriental celebra o nascimento de Maria cantando poeticamente que este dia é o prelúdio da alegria universal em que começaram a soprar os ventos que anuncia a salvação. Por isso, nossa liturgia nos convida a celebrarmos com alegria o nascimento de Maria, pois dela nasceu o Sol de justiça, Cristo Nosso Senhor.


Tudo o que sabemos a respeito do nascimento de Maria se encontra no evangelho apócrifo de Tiago segundo o qual Ana, sua mãe, se casou com um proprietário rural chamado Joaquim, Galileu de Nazaré. Joaquim significa “o homem a quem Deus levanta”. Descendência da família real de Davi. Levavam vinte anos de matrimonio e o filho tão sonhado não chegava. Os hebreus consideravam a esterilidade como uma prova do castigo do céu. Eram, por isso, menosprezados. No Templo, Joaquim ouvia as murmurações sobre os dois (Joaquim e Ana) como indignos de entrar na casa de Deus. Ana intensificou suas orações, implorando a graça de ter um filho. Joaquim e Ana foram premiados com o nascimento de uma filha única, Maria. Nasceu uma santa, fruto do presente de Deus pelas orações assíduas de Joaquim e Ana.


Maria, cheia de graça (Lc 1,28), vivia como uma perfeita filha de Deus, entre homens que havia perdido a filiação divina por causa pecado. Maria como cheia de graça não pecou jamais. Ela nunca usou sua vida para pecar. A expressão “cheia de graça” (Lc 1,28) diz tudo.


Esforcemo-nos a viver como Maria, criança, adolescente, jovem, mãe carinhosa e solícita, trabalhadora, paciente na pobreza, nas perseguições e humilhações e nas adversidades. Educadora com a palavra e a vida de seu Filho, de seus filhos e filhas que somos nós todos. Assim seremos motivo de consolo, de força e de gozo para todos ao nosso redor.


A festa da natividade de Maria é uma das festas mais arraigadas na tradição popular cristã, pois o que se contempla biblicamente é o esplendor da aura, do nascimento, do auge da maternidade do Redentor que nos salva. Maria é, hoje, com efeito, como a aurora que anuncia a aparição do Sol da justiça, da vida, do amor. No plano de Deus, Maria faz parte dos segredos de Deus, e será a mulher que acompanha o Messias em seu caminho de salvação de toda a humanidade.


Esta festividade nos situa no marco de uma história na qual surge a ação divina a partir de baixo e proclama a num Deus que não tarda em cumprir Suas promessas. A partir deste acontecimento o cristão descobre em cada momento um momento de salvação. O krónos (tempo medido pelos segundos) se transforma em kairós (tempo da graça divina). O tempo é carregado da ação salvífica de Deus. A história carrega consigo os sinais de Deus que o ser humano precisa decifrar seu sentido. Deus atua em cada passo do campo humano de cada dia suscitando homens e mulheres, como Maria, Mãe do Senhor, que fazem possível e sacramental o atuar de Deus em função da salvação da humanidade. Assim foi Maria, com seu nascimento, fez possível a ação de Deus no mundo. De fato, percebemos que Deus não abandona a humanidade.


Nos textos litúrgicos escolhidos para honrar hoje a Maria não se fala na natividade de Maria: um fato que ficou no anonimato. Nos desígnios de Deus, a humildade, o silêncio, o passar desapercebido, é uma atitude habitual. Somente os acontecimentos posteriores vão iluminando em cada passo o mistério escondido no nascimento.


A liturgia se fixa no grande acontecimento da natividade de um Menino, de um Eleito, Predestinado: Jesus que, provindo da casa e da família de Davi, dá cumprimento a quanto na Bíblia se disse sobre o Messias, o Salvador.


Mesmo assim, pelos mesmos textos que nos propõe a liturgia desta festa não cabe dúvida de que existe uma estreita relação entre nascimento de Jesus e o de Maria. A importância desta festa é assinalada pela figura e pelo papel desta Mulher. Por seuSim” ao projeto de Deus, por seu amor e seus cuidados, por sua no Deus libertador é que Deus põe nela Sua morada. E por sua esperança é que Maria encarna as esperanças de seu povo.


Para explicar a origem de Jesus, no evangelho lido neste dia, o evangelista Mateus emprega um recurso literário utilizado na antiguidade que é a genealogia. As genealogias serviam para conhecer os antepassados de uma pessoa, e isto era de suma importância na cultura dos povos do oriente antigo, na qual o indivíduo se entendia a si mesmo e era visto pelos demais como parte de um grupo com que estabelecia uma relação de parentela pelos laços de sangue e da carne. A família era o depósito de honra acumulado por todos os antepassados, e cada um de seus membros participava da dita honra e era obrigado a defendê-la.


A intenção de Mateus ao começar seu evangelho com a genealogia é dar a conhecer a ilustre ascendência de Jesus, que se remonta nada menos que a Davi e a Abraão, apresentando-o assim como um personagem muito importante e honrável para os olhos de seus contemporâneos.


Através da genealogia Mateus quer nos dizer que Jesus é da descendência de Davi. Em outras palavras, Jesus é o Filho de Davi. Mais tarde este título sairá da boca dos dois cegos: “Filho de Davi, tem piedade de nós!” (Mt 9,27). E na sua entrada em Jerusalém Jesus será clamado de “Filho de Davi”: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor. Hosana no mais alto do céu!” (Mt 21,9).   Hosana (hebraico) = Salva, eu te peço! (cf. Sl 118,25).


Mas Mt não pára na identidade de Jesus comoFilho de Davi”. Através deste capítulo primeiro do seu evangelho Mt quer realmente nos mostrar que Jesus é o Filho de Deus, o Emanuel, que ele explicará nos vv. 18-24. Para explicar que Jesus é o Filho de Deus, Mt usa na genealogia a palavraGERAR”: “Abraão gerou... Jacó gerou... Judá gerou... e assim por diante”.


 A palavragerar” na linguagem bíblica significa transmitir não apenas o próprio ser, mas também a própria maneira de ser e de comportar-se. O filho é a imagem do pai. Por esta razão, a genealogia se interrompe bruscamente no versículo 16 para dizer que José não é o pai natural de Jesus, mas apenas é o pai legal: “Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo”. (Nos vv 18-24 Mateus vai explicar detalhadamente esta questão). Isto quer nos dizer que a Jesus pertence toda a tradição anterior, mas ele não é imagem de José. Seu único pai será Deus; seu ser e sua ação vão refletir os do próprio Deus.


A lista de pessoas nesta genealogia contém alguns dos mais significativos nomes como também alguns nomes que têm má fama; contém tanto pecadores como santos.


Dos 14 reis judeus que Mateus elenca entre Davi e a deportação somente dois (Ezequias e Josias) poderiam ser considerados fiéis aos padrões de Deus. O resto não passou de um estranho bando de idólatras, assassinos, incompetentes e adoradores de poder e prodígios. O próprio Davi foi uma surpreendente combinação de santo e pecador. Houve naturalmente o assassínio premeditado do marido de Betsabé (Urias) de modo que Davi pudesse possuir legalmente a viúva.


Mas Deus é aquele que cumpre seus propósitos através daqueles que outros considerariam como não importantes e facilmente esquecíveis. Deus se serve tanto de instrumentos fracos como de instrumentos saudáveis, pois o agente principal da salvação é o próprio Deus.


Além dos reis fracos e pecadores, a escolha de mulheres mencionadas na genealogia é surpreendente. Nada ouvimos ou lemos a respeito das santas esposas patriarcais como Sara, Rebeca ou Raquel. Mt coloca na genealogia quatro mulheres de má fama:


·        Tamar: Uma cananéia, estrangeira que teve caso com o sogro, Judá.
·        Raab: Era uma verdadeira prostituta, mas que protegeu os espiões israelitas que tornou possível a conquista de Jericó (Josué 2).
·        Rute: Foi outra estrangeira, uma moabita que se relacionou com Booz cujo resultado foi o nascimento de uma criança que seria o avô do Rei Davi.
·        Betsabé: É uma vítima da luxúria de Davi, de quem nasceu Salomão, sucederia Davi na monarquia.


Todas estas mulheres tinham, então, uma história conjugal com elementos de escândalo e desespero humano. No entanto, eram instrumentos ativos do Espírito de Deus na continuação da sagrada linha do Messias.


Mateus quer nos relembrar e transmitir um Deus que não hesitou em usar a torpeza tanto quanto a nobreza, a impureza tanto quanto a pureza, homens a quem o mundo ouviu atentamente e mulheres que o mundo censurou. Este Deus continua a trabalhar com a mesma mistura e continua a nos surpreender. Tudo isso mostra que Deus está no comando da história. Ele é o agente principal e o homem é apenas um colaborador.


Deus pode nos usar como Seus instrumentos apesar de sermos pecadores, fracos, incapacitados e assim por diante. Mas que tenhamos uma disponibilidade de Maria para servir esse Deus que nos compreende profundamente nossos defeitos. Servir é uma adoração em ação, é uma continuação da minha adoração. Servir é prestar ajuda sem esperar recompensa e reconhecimento, pois servir significa ser servo e o servo está sempre à disposição de seu senhor. Quem serve com o Espírito de Deus jamais murmura, pois o tempo é precioso para ele. Quem não vive para servir não serve para viver tanto para si próprio como para os demais.


Nesta festa e na Eucaristia o Senhor se dirige a nós através de Sua Palavra pela qual nos convida a nos convertermos em fieis discípulos Seus, conhecendo, escutando Sua Palavra e pondo-a em prática. Ele nos mostrou que a vida da não pode limitar-se à oração. Cristo, o Senhor, entrega sua vida por toda a humanidade sem ter em conta classes sociais, etnias nem culturas. Se, nesta celebração do Mistério Pascal de Cristo, nós entramos em comunhão de vida com o Senhor, deixemos que Seu Espírito transforme nossa vida e faça de nós um sinal do amor de Deus nos diversos ambientes em que se desenvolve nossa existência. Deus nos chama a dar a vida para que todos tenham vida e a tenham em abundância a exemplo de Jesus (cf. Jo 10,10). Deus quer que em nosso coração tenha espaço para todos como o coração de Maria que cabe para toda a humanidade que Deus quer salvar.


Desejamos, neste dia 08 de setembro, muitas felicidades e muitas bênçãos para todos os verbitas no mundo inteiro. Hoje a Congregação do Verbo Divino, SVD faz o aniversário de sua fundação (08/09/1875).


Sobre Maria, Mãe de Jesus, a quem tinha muito amor e devoção, Santo Arnaldo Janssen, fundador da SVD (e mais duas congregações femininas: SSpS e SSpS da Adoração Perpétua) dizia: “A relação de Maria com a Santíssima Trindade é a de filha, mãe e esposa. De todas as filhas da terra ela foi a escolhida do Pai celeste. O Filho Eterno a elegeu como mãe para que pudesse assumir a carne humana. O Espírito Santo a amou como esposa e fez dela um vaso santo e eleito das divinas graças. A humildade da Rainha dos Anjos foi uma virtude marcante. Ela que disse: "Eis aqui a escrava do Senhor”. Temos de aprender de Maria, de quem a escritura fala:”Ela guardava todas estas palavras em seu coração”(Lc 2,19)”.


Santo Arnaldo Janssen levava a sério a vontade de Deus, como Maria que se entregou totalmente à vontade de Deus através do seu Fiat, “Faça-se!”: “Que a santa vontade de Deus seja bendita para sempre! Temos que adorar esta vontade e abraçá-la com amor, se queremos agradar a Deus. Peço ao bom Deus que nos permita reconhecer sua santa vontade e nos conceda uma alegre serenidade em cumpri-la”.




” Não são as longas orações e sim as ações generosas que comovem o coração de Deus (Santo Arnaldo Janssen). “A confiança é a chave do incomensurável tesouro de Deus. A confiança em Deus é a virtude da qual o missionário deve haurir toda força e todo auxílio. O missionário deve ser um autêntico herói da confiança em Deus. A amabilidade é a palavra que anima, levanta, consola e fortalece. Assim como o orvalho refresca e embeleza as plantas que murcham”.


Quem vive sempre unido a Deus, o mundo lhe pertence e cada dia é um milagre. Quem reza, prende a Terra ao Céu”. (Idem)


“A vontade de Deus é sempre salutar, mesmo quando não corresponde aos nossos desejos” (idem).


” Sempre é necessário rezar muito. A vida sem oração é o caminho certo para o inferno. E A língua que todos entendem é a linguagem do amor (São José Freinademetz, um dos dois primeiros missionários da SVD enviados para a China aos 02 de março de 1879).


ORAÇÃO AOS NOSSOS SANTOS: ARNALDO JANSSEN E JOSÉ FREINADEMETZ


Deus, Pai de amor, Vós chamastes Arnaldo e José a seguir o Vosso Filho, o Verbo Divino, para proclamar o Evangelho a todos os povos. Ardentes de amor por Ele e repletos de seu espirito, dedicaram-se totalmente à obra da propagação do Vosso Reino de amor e de paz. Que o testemunho desses santos continue inspirando-nos hoje assim como inspirou tantas gerações de missionários e missionarias em muitos lugares no mundo. Como a eles, inflamai nossos corações de amor ardente a Jesus, que nos chamou a mesma missão. Ensinai-nos a construir comunidades onde se aprenda o diálogo e se criem relacionamentos geradores de vida. Que a total doação de Vosso Filho na Eucaristia seja exemplo para a nossa vida em comunidade, para que nos tornemos sinais do amor infinito que tendes pelo mundo. Ensinai-nos a experimentar a alegria na diversidade dos povos e transformai o nosso mundo em um só coração vivificado pelo Espirito de Jesus. Amém


Viva Deus Uno e Trino em nosso corações e nos corações de todas as pessoas. Amém!


P. Vitus Gustama,svd