sexta-feira, 28 de setembro de 2018

06/10/2018
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TER NOME ESCRITO NO CÉU É A MAIOR RECOMPENSA PARA QUEM É FIEL A DEUS ATÉ O FIM  
Sábado Da XXVI Semana Comum


Primeira Leitura: Jó 42,1-3.5-6.12-16
1 Jó respondeu ao Senhor, dizendo: 2 “Reconheço que podes tudo e que para ti nenhum pensamento é oculto. — 3 Quem é esse que ofusca a Providência, sem nada entender? — Falei, pois, de coisas que não entendia, de maravilhas que ultrapassam a minha compreensão. 5 Conhecia o Senhor apenas por ouvir falar, mas, agora, eu o vejo com meus olhos. 6 Por isso me retrato e faço penitência no pó e na cinza”. 12 O Senhor abençoou a Jó no fim de sua vida mais do que no princípio; ele possuía agora catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas. 13 Teve outros sete filhos e três filhas: 14 a primeira chamava-se “Rola”, a segunda “Cássia”, e a terceira “Azeviche”. 15 Não havia em toda a terra mulheres mais belas que as filhas de Jó. Seu pai lhes destinou uma parte da herança, entre os seus irmãos. 16 Depois desses acontecimentos, Jó viveu cento e quarenta anos, e viu seus filhos e os filhos de seus filhos até a quarta geração. E Jó morreu velho e repleto de anos.


Evangelho: Lc 10,17-24
Naquele tempo, 17 os setenta e dois voltaram muito contentes, dizendo: “Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa do teu nome”. 18 Jesus respondeu: “Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago. 19 Eu vos dei o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo. E nada vos poderá fazer mal. 20 Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu”. 21 Naquele momento, Jesus exultou no Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 22 Tudo me foi entregue pelo meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. 23 Jesus voltou-se para os discípulos e disse-lhes em particular: “Felizes os olhos que veem o que vós vedes! 24 Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não puderam ouvir”.
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Quem Está Com Deus Apesar Dos Sofrimentos Terá Uma Vida Feliz


O Senhor abençoou a Jó no fim de sua vida mais do que no princípio. Jó viveu cento e quarenta anos, e viu seus filhos e os filhos de seus filhos até a quarta geração. E Jó morreu velho e repleto de anos”.


Hoje terminamos a leitura do Livro de Jó, um dos livros sapienciais com o texto que lemos na Primeira Leitura. No desenrolar do Livro de Jó, o autor apresenta uma fé madura e forte, apesar dos pesares, no proganista Jó. Jó confia em Deus até o fim. Nessa fé madura e forte Jó reconhece a grandeza de Deus e se mostra disposto a aceitar os desígnios de Deus.


As tragédias que atingiram Jó justo e inocente não tinham explicação fácil e muito menos a partir das teorias tradicionais. Diante dos fracassos dos sábios e teóricos, incapazes de consolar e esclarecer a Jó em sua dor, como saída, o autor coloca Deus em seu devido lugar como Criador, e Jó no seu lugar como criatura. O autor consegue colocar Jó cara a cara com seu Deus. Essa experiência religiosa profunda com Deus supera toda a tradição teológica das escolas e dos discursos dos sábios: “Conhecia o Senhor apenas por ouvir falar, mas, agora, eu o vejo com meus olhos” (Jó 42,5). Da teoria para a prática, da notícia para a experiência: nem tanto falar de Deus como falar com Deus e trata-Lo diretamente, senti-Lo, experimentá-Lo. Falar de Deus é muito diferente do falar com Deus. Somente quem fala com Deus na oração e na contemplação, tem autoridade para falar de Deus.Quantas vezes falando com Deus, desabafo e choro. E alívio pro meu coração eu a Ele imploro. E então sinto a Sua presença, Seu amor, Sua luz tão intensa. Que ilumina o meu rosto e me alegra em minha oração. Quanta paz, quanta luz! Deus nos ouve, nos mostra o caminho que a Ele conduz. Deus é Pai, Deus é luz. Deus nos fala que a Ele se chega seguindo Jesus” (Música de Roberto Carlos).


É evidente que o autor do livro de Jó não possui a ciência divina, mas sua teologia supera a teologia dos amigos de Jó. Quando Deus se digna responder, não o faz diretamente, e sim com uma interrogação (umas perguntas retóricas). E Deus abençoa Jó com bens inclusive superiores aos que tinha ao princípio. Por certo, as três filhas têm direitos iguais que os sete filhos, coisa não muito frequente em seu tempo.


O autor do livro de Jó quer mostrar que Jó é justo e Deus o recompensa e que Jó tem um conceito melhor de Deus do que seus amigos. O Deus de Jó é misterioso e desconcertante. A conclusão do livro de Jó é a seguinte: também o homem justo pode sofrer nesta vida, e talvez mais do que os outros. porém, nem o sofrimento é um castigo de Deus, nem Deus tem prazer de ver o homem sofrer. Agora sabemos que a recompensa para uma vida honesta é o próprio Deus, mais do que os bens materiais que pertencem ao próprio Deus.


O problema do mal não recebeu no livro de Jó uma resposta filosoficamente  convincente, mas ajudou os leitores a crescer. A vida nos educa e as experiências nos tornam maduros. E uma das coisas que mais influenciam em nosso fortalecimento de caráter e em aquilatar nossa fidelidade são as provas, os momentos de dor. Não sabemos o que é ter fé até que algo nos põe a prova. Quando experimentamos a dor em nossa própria carne, confessamos como Jó: “Conhecia o Senhor apenas por ouvir falar, mas, agora, eu o vejo com meus olhos”. Será verdade que somente vemos Deus no momento da dor?


Por fim, o epílogo do livro de Jó quer nos dizer que Jó tinha razão: era um homem íntegro e fiel a Deus. E que os sofrimentos não eram castigo pelo pecado. A doutrina e a postura dos amigos de Jó, intolerantes e sem caridade, não agradam a Deus. Mas mesmo assim Deus da bondade e da misericórdia perdoa-lhes através da intercessão de Jó que agora passa a ser o justo e não o condenado, segundo pensamentos dos seus amigos. No fim, Jó recupera suas riquezas em dobro e vive longa, como sinal de ser verdadeiro “servo” e amigo de Deus.


Somos Enviados Pelo Senhor Jesus Para Libertar Os Outros Do Mal


Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa do teu nome”.


Os símbolos de demônios, serpentes e escropiões  que nos apresenta o relato do Evangelho, nos indicam como o mal está enraizado no coração do ser humano. Os discípulos tem poder sobre esse mal, mas eles têm que ter uma conexão profunda com Deus, pela fé n´Ele. O relato de hoje deixa bem claro que o discípulo não tem razão para vangloriar-se pelas obras realizadas, pois todo o sucesso é obra de Deus através de cada discípulo.


O texto do evangelho de hoje se encontra no contexto da volta dos setenta (e dois) discípulos da missão que o Senhor lhes tinha confiado anteriormente (Lc 10,1-12). Os discípulos voltaram da missão alegres, entusiasmados, empolgados por ter sido capazes de libertar os homens do mal, moral e físico pelo uso que fizeram do poder messiânico (o nome) de Jesus: “Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa do teu nome”, relataram os discípulos a Jesus.  Todas as forças do mal considerados como inimigos de Deus e dos seres humanos tinham sido desarticulados pelos discípulos através do uso do poder recebido de Jesus. Isto significa que o poder sobre o mal que os discípulos têm é o fruto de sua comunhão plena com Jesus. Estar em plena comunhão com Jesus significa estar em pleno poder de Jesus, poder que liberta e não escraviza. Somente a fé em Jesus, isto é, estar nele e com ele, é que se pode derrotar qualquer poder que escraviza.


E Jesus lhes explica que uma vitória semelhante é o sinal da derrota das forças do mal que dominavam os homens até então: “Eu vi satanás cair do céu como um relâmpago” (Lc 10,18). Trata-se de uma queda brusca e rápida (relâmpago) e de uma grande altura (do céu). Altura de onde inicia a queda de uma coisa ou de uma pessoa determina o impacto sobre o que caiu ao chegar à terra.

Por que caiu do céu (satanás caiu do céu)? O tema da queda de satanás do céu pertence ao mito apocalíptico judaico, em que se alude à presença de satanás sobre o céu. Certamente, segundo esse mito, seu lugar e sua função se diferenciam do lugar e da função de Deus, porém pensa-se que satanás põe o trono nas esferas superiores e domina desde ali toda a marcha dos homens sobre o mundo. Mas a chegada de Jesus abole o estado de escravidão que permite o homem ter acesso à liberdade. A presença de Jesus é a derrota do poder do mal. Basta estar com Jesus e estar nele, o triunfo do poder do mal (satanás) termina seu reinado.


Mas para não cair na ilusão do poder e na idéia de domínio, para não ficar apenas na empolgação, Jesus alerta aos discípulos que o mais importante é ter os nomes escritos no céu. Ter nome escrito no céu é mais importante do que qualquer poder ou domínio na terra. Esta afirmação nos leva ao Livro do Êxodo onde encontramos uma explicação: somente são aqueles que participam do Reino de Deus e vivem conforme as suas exigências têm nome escrito no céu (cf. Ex 32,32). Não há nada que seja melhor para um ser humano do que ter seu nome escrito no céu, no livro da vida: “O vencedor será assim revestido de vestes brancas. Jamais apagarei o seu nome do livro da vida, e o proclamarei diante do meu Pai e dos seus anjos”, diz-nos o Livro de Apocalipse de São João (Ap 3,5). Esta é a grande mensagem do evangelho de hoje. Em outras palavras, os discípulos devem ficar alegres por pertencer a Deus ou participar da grande família do Reino (nome escrito no céu), por estar a serviço de Deus (libertar os homens da escravidão do mal), por gozar da proteção divina (nenhum mal consegue vencê-los), e por ter neles o germe da vida eterna que acaba com as forças da morte.


À luz desta experiência se situa a função dos discípulos missionários. Sua vitória sobre satanás se traduz no fato de que são capazes de vencer (superar) o mal do mundo (Lc 10,19) desde que mantinham sua pertença ao Reino e usem o poder conferido para libertar os outros e não para escravizá-los. Por isso, são declarados felizes: “Felizes os olhos que vêem o que vós vedes. Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo e não puderam ouvir” (Lc 10,23-24). Os discípulos são felizes porque estão experimentando aquela plenitude messiânica que os antigos profetas e os reis de Israel sonhavam experimentar. No entanto, mais uma vez, sua autentica grandeza está no fato de seu encontro pessoal com Deus: seus nomes pertencem ao Reino dos céus (Lc 10,20).


Quem mantiver sua pertença à Família de Deus não estará fadado a ser escravo do poder do mal, mas será revestido do poder de Deus para superar todo mal no mundo e libertar os outros escravizados pelo mal. E quem mantiver unido a Deus, mesmo que seja frágil, ele será um instrumento eficaz nas mãos de Deus para pôr fim ao reino do mal e fazer triunfar o amor fraterna, a solidariedade fraterna, a bondade, compaixão e assim por diante. O espaço totalmente ocupado pelo bem, o mal não tem vez. Quem se mantiver assim até o fim, seu nome estará escrito no céu.


Que seu nome e meu nome estejam escritos no livro da vida, no céu. Para isso, é preciso que aprendamos a ser pequenos e simples diante de Deus. Os pequenos e os simples se mantém abertos ao mistério de Deus e compreendem a verdade de Jesus Cristo: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos” (Lc 10,21ª). A missão se estrutura como expansão do amor em que se unem Deus e o Cristo (Filho). Nesse amor, revelado aos pequenos e escondido para todos os grandes deste mundo, se fundamenta a derrota das forças destruidoras da história. “Com o amor não somente avanço, mas vôo. Um só ato de amor nos fará conhecer melhor Jesus. O amor nos aproximará dele durante toda a eternidade. Eu não conheço outro meio para chegar à perfeição a não ser o amor”, dizia Santa Tereza do Menino Jesus e da Sagrada Face, cuja festa é celebrada no dia 01 de outubro.
P. Vitus Gustama,svd

05/10/2108
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A CONVERSÃO NOS TORNA MAIS FELIZES E MAIS IRMÃOS E NOS LEVA AO RECONHECIMENTO DA GRANDEZA DE DEUS
Sexta-Feira Da XXVI Semana Comum


Primeira Leitura: Jó 38,1.12-21;40,3-5
1 O Senhor respondeu a Jó, do meio da tempestade, e disse: 12 “Alguma vez na vida deste ordens à manhã, ou indicaste à aurora o seu lugar, 13 para que ela apanhe a terra pelos quatro cantos, e sejam dela sacudidos os malfeitores? 14 A terra torna a argila compacta, e tudo se apresenta em trajes de gala, 15 mas recusa-se a luz aos malfeitores e quebra-se o braço rebelde. 16 Chegaste perto das nascentes do Mar, ou pousaste no fundo do Oceano? 17 Foram-te franqueadas as portas da Morte, ou viste os portais das Sombras? 18 Examinaste a extensão da Terra? Conta-me, se sabes tudo isso! 19 Qual é o caminho para a morada da luz, e onde fica o lugar das trevas? 20 Poderias alcançá-las em seu domínio e reconhecer o acesso à sua morada? 21 Deverias sabê-lo, pois já tinhas nascido e grande é o número dos teus anos!” 40,3 Jó respondeu ao Senhor, dizendo: 4 “Fui precipitado. Que te posso responder? Porei minha mão sobre a boca. 5 Falei uma vez, não replicarei; uma segunda vez, mas não falarei mais”.


Evangelho: Lc 10,13-16
Naquele tempo, disse Jesus: 13 “Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e Sidônia tivessem sido realizados os milagres que foram feitos no vosso meio, há muito tempo teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e sentando-se sobre cinzas. 14 Pois bem: no dia do julgamento, Tiro e Sidônia terão uma sentença menos dura do que vós. 15 Ai de ti, Cafarnaum! Serás elevada até o céu? Não, tu serás atirada no inferno. 16 Quem vos escuta a mim escuta; e quem vos rejeita a mim despreza; mas quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou”.
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Deus, Que está Acima do Homem, Não Condena, Mas Reprova O Proceder Do Homem


O Senhor respondeu a Jó, do meio da tempestade, e disse: ‘Alguma vez na vida deste ordens à manhã, ou indicaste à aurora o seu lugar, para que ela apanhe a terra pelos quatro cantos, e sejam dela sacudidos os malfeitores?.....’”


Esgotados os argumentos dos homens (de Jó e de seus amigos), Deus fala. Depois do Seu silêncio, agora escutamos a resposta de Deus a Jó e aos seus amigos. Deus fala “do meio da tempestade” para sublinhar a grandeza de seu poder. A tempestade não é uma ameaça para Deus e sim Deus acalma a tempestade (Cf. Mc 4,35-41).


É claro que o autor do livro de Jó não pretende saber sempre qual será o proceder de Deus. Deus continua sendo enigmático e desconcertante, e mais enigmático e desconcertante quando fala do que quando guarda silêncio. Aqui radica o melhor da teologia de Jó: Deus não é um Deus matemático, claro e comparável ao que conhece o homem. A crise da sentença tradicional é, precisamente, a demonstração de que a conduta de Deus não é redutível a fórmulas. Se os sábios tivessem razão, Deus estaria no mesmo nível que o homem. Por isso, Jó ataca a sentença dos sábios dizendo que Deus é maior do que eles.


Os sábios não decifraram todos os enigmas nem explicaram por completo as anamalias de que fala Deus. Os mistérios de Deus permanecem.


A resposta de Deus não é uma resposta racional à interrogação. Na reflexão do livro de Jó, o autor afirma que Deus sabe tudo e que são impenetráveis seus designios. Ele conhece os segredos do cosmos e da vida e da morte, e que por isso, devemos confiar n´Ele total e incondicionalmente, aconteça o que acontecer. A falta de fé pode vir daqui: de acreditar que temos Deus ligado ao nosso raciocínio e que, necessariamente, Ele deve agir dessa maneira ou de outra. Através do profeta Isaías Deus nos diz: “Meus pensamentos não são vossos pensamentos, e vossos caminhos não são meus caminhos. Quanto os céus estão acima da terra, tanto meus caminhos estão acima dos vossos caminhos, e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos” (Is 55,8-9).


Deus fala não para condenar Jó como sugeriram seus amigos e sim para aprová-lo através de uma série de perguntas retóricas dirigidas a Jó (Cf. Jó 38,12-21). Quem iventou a “luz”? O que é a “luz”? Quem decidiu a velocidade da luz (mais ou menos 300 mil km por segundo)? Deus é maior e não há ordens para Deus. Quão presunçosa é a inteligência humana que queria penetrar todos os mistérios, inclusive o mistério do mal!


Precisamos pedir de Deus a graça para saber admirar a existência do universo. Necessitamos da ajuda de Deus para reconhecer nossos limites e nossas ignorâncias. Precisamos pedir a Deus a graça ter ter uma humildade radical que nos vem da constatação de nossa condição humana: Sou criatura e Tu, meu Deus, és meu Criador. Que Deus nos dê a capacidade de calar e de admirar no silêncio. O silêncio permite a presença da eternidade na nossa vida.


Diante desse quadro espetacular e maravilhoso, Jó não tem uma resposta adequada. Por isso, Jó adota uma atitude de humilde aceitação: “Fui precipitado. Que te posso responder? Porei minha mão sobre a boca. Falei uma vez, não replicarei; uma segunda vez, mas não falarei mais”. O silêncio, em determinada situação, é uma resposta sábia sem pretender dar resposta ao que não se sabe. Geralmente, quanto menos se sabe, mais palpite se dá. O sábio fala o necessário. O tolo fala o que pode. Quando se dá resposta àquilo que não se sabe, no fim será revelado o tamanho da ignorância que até então está bem guardada. Não se pode demonstrar a inteligência para mostra que sabe a fim de não se revelar a profundidade da ignorância que se tem. O sábio conselho do Senhor no Sermão da Montanha devemos levar a sério: “Seja o vosso ‘sim’, sim, e o vosso ‘não’, não. O que passa disso vem do Maligno” (Mt 5,37).


Para o homem moderno, cada um de nós, Jó quer lhe recordar que as coisas não existem somente em vista a satisfazer suas necessidade. Um mistério continua subsistindo nelas.


Nós, além de nos apoiar no imenso poder e sabedoria de Deus, aprendemos de Jesus para recordar o amor que Deus nos tem. Ainda que saibamos explicar, por exemplo, o mistério da morte prematura e injusta, temos maiores motivos para confiar nos desígnios de Deus. Deus não é Aquele que quer o mal, nem o permite, pois o mal não é dele e sim que Ele tira o bem para nós, inclusive do mal. É preciso levar em conta o sentido da morte do Inocente, por excelência, Jesus que resulta na salvação para todos. Deus assumiu a dor e lhe deu um valor de redenção e de amor (Cf. Jo 3,16; 13,1).


Portanto, com o Salmo Responsorial de hoje (Sl 138/139) queremos pedir a Deus que nos conceda a serenidade e a confiança em Deus: “Senhor, vós me sondais e conheceis, sabeis quando me sento ou me levanto; de longe penetrais meus pensamentos, percebeis quando me deito e quando eu ando, os meus caminhos vos são todos conhecidos. ... Fostes vós que me formastes as entranhas, e no seio de minha mãe vós me tecestes. Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, porque de modo admirável me formastes! Que prodígio e maravilha as vossas obras!”.


A Conversão É o Caminho Para Chegar à Felicidade


As cidades à beira do lago de Tiberíades (Corozaim/Corazim, Betsaida e Cafarnaum) tiveram mais ocasiões de ouvir Jesus e de presenciar os milagres operados por ele. Os milagres de Jesus são sinais que anunciam a chegada do Reino de Deus.  Os milagres são a assinatura de Deus sobre Sua existência. E a resposta do ser humano deve ser a conversão e a fé. No entanto, ninguém se converteu nessas três cidades. Continuavam a viver na injustiça e na arrogância.


A soberba humana construiu uma sociedade injusta que se resiste diante da mensagem libertadora de Deus. O soberbo ou o orgulhoso possui todos os vícios: egoísta, injusto, ingrato, imoral e fanfarrão. Como egoísta, ele sempre se coloca como centro de tudo. Como injusto, ele não quer reconhecer os direitos dos outros, somente seu próprio direito. Como ingrato, ele não permite compartilhar com os outros os seus merecimentos. Como imoral, ele não precisa respeitar moral alguma, mas ele impõe aos outros normas morais. Como fanfarrão, ele está sempre falando de si mesmo, atribuindo a si mesmo elogios por façanhas jamais realizadas. Santo Agostinho dizia: “A simulação de uma virtude é sacrilégio duplo: une à malícia a falsidade” (In ps. 63,12). O soberbo ou o orgulhoso é prepotente, insolente e violento.


Jesus não agüentou mais a dureza do coração dos habitantes das cidades citadas (Corozaim/Corazim, Betsaida e Cafarnaum), e por isso, pronunciou as maldiçoes. O que tem por trás dessas maldições é o convite de Jesus para a conversão. Converter-se significa deixar de praticar a injustiça e começar uma vida baseada na justiça; deixar de se vestir de orgulho para viver na humildade e simplicidade. A verdadeira conversão deve mudar a qualidade das relações humanas. Não pratiquemos a justiça para que sejamos perfeitos, mas para que nosso irmão, nosso próximo não seja tratado injustamente. Não procuremos protestar contra as injustiças sociais, se ignorarmos nossas injustiças pessoais.


Às vezes a Palavra de Jesus é ameaçadora, porque a vida humana não é um “jogo”; é algo muito sério onde há lugar para o juízo de Deus: nossa vida cotidiana é uma correspondência a Deus ou é uma recusa a Deus. Em todo momento nossos atos são uma escolha pró ou contra Deus. Infelizmente nem sempre pensamos nisso. Em todo momento Deus quer algo de nós. E em todo momento podemos saber qual é a vontade de Deus sobre nós. Quando pensarmos realmente em Deus em todo momento, e não só em algum momento de nossa vida, poderemos viver com Ele em correspondência à Sua vontade e saberemos ser irmãos dos outros.


As maldições pronunciadas por Jesus no evangelho de hoje são as terríveis advertências para os que se gloriam de ser cristãos, mas não vivem os ensinamentos de Jesus. Basta substituir o nome das cidades amaldiçoadas por seu nome e ouvir estas palavras atentamente, creio que, logo você dá a vontade de fazer o sinal da cruz e se benzer. E você diria: “Deus me livre!”.


As ameaças pronunciadas por Jesus as três cidades devem ser escutadas hoje por todos nós. As riquezas espirituais, de nenhum modo constitui uma segurança para nós. Quanto mais abundantes são as graças recebidas, tanto mais há que fazê-las frutificar.


Hoje temos que avaliar nossa atitude diante do Reino de Deus. Também fomos eleitos pela graça de Deus. Não temos mérito algum para ser escolhidos. Porém temos que responder a este chamado de Deus com altura e com responsabilidade. É uma exigência e temos que cumpri-la. Não percamos o tempo nem as oportunidades que nos oferece a vida para que a soberania de Deus se torne uma realidade nos corações das pessoas. Quanto mais abundantes são as graças recebidas, tanto mais há que fazê-las frutificar. Não basta estender a mão para receber os dons de Deus. É necessário esforçar-se por viver conforme os dons recebidos para não nos tornarmos um terreno estéril neste mundo.


Em nossa vida Deus continua fazendo milagres e continua falando em nosso coração, mas às vezes nossa resposta é a indiferença e continuamos com o coração endurecido como as pessoas de Corazim, Betsaida e Cafarnaum. Pode ser que Jesus no juízo final nos recuse porque nosso coração esteve sempre endurecido por nosso egoísmo e por nossa falta de amor (cf. Mt 7,21-23). Pior ainda, cremos que já temos solução, nos cremos salvos e convertidos definitivamente. A conversão é uma carreira inacabada. É um trabalho silencioso de cada dia.


Precisamos estar conscientes de que é bem verdade que os defeitos dos outros são os nossos enxergados nos outros. Por isso, não julguemos que a conversão seja somente para os grandes pecadores. A conversão é para todos, pois o “homem velho” dentro de nós sempre se opõe permanentemente ao “homem novo” libertado por Cristo. Nunca somos convertidos definitivamente, pois o amor cristão é para ser vivido diariamente. Que quiser amar continuamente, deve se converter diariamente, pois o egoísmo, a soberba, a agressividade, a violência, a hipocrisia, a luxuria etc. não estão mortos, mas apenas estão adormecidos. Estejamos vigilantes. Seria muito perigoso não se converter diariamente, pois o pecado pode fazer seu ninho dentro de nosso coração. Santo Agostinho dizia: “Quem não reconhecer seus pecados ata-os às costas como uma mochila e põe em evidência os pecados dos outros. Não por diligência, mas por inveja. Acusando o próximo, procura esquecer a si mesmo” (In ps. 100,3).


O Reino de Deus certamente começa em nós pela nossa conversão aos valores do Reino de Deus tais como à verdade, à veracidade, à honestidade, à justiça, à paz, à fraternidade, ao respeito pela vida e dignidade dos outros e assim por diante. No coração de cada cristão deve germinar a semente dos valores do Reino de Deus, porque do coração humano brota tudo o que é bom e mau que vemos no mundo. Temos que lutar contra a armadilha do velho egoísmo que quer perpetuar o desamor e a falta de respeito pela dignidade dos outros. Viver em estado permanente de conversão é a lei de crescimento.
P. Vitus Gustama,svd

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

04/10/2018
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SOMOS TODOS MISSIONÁRIOS DO SENHOR E CONFIEMOS NELE INCONDICIONALMENTE APESAR DOS OBSTÁCULOS
Quinta-feira da XXVI Semana Comum


Primeira Leitura: Jó 19,21-27
Disse Jó: 21 “Piedade, piedade de mim, meus amigos, pois a mão de Deus me feriu! 22 Por que me perseguis como Deus, e não vos cansais de me torturar? 23 Gostaria que minhas palavras fossem escritas e gravadas numa inscrição 24 com ponteiro de ferro e com chumbo, cravadas na rocha para sempre! 25 Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; 26 e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. 27 Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros. Dentro de mim consomem-se os meus rins”.


Evangelho: Lc 10,1-12
Naquele tempo, 1 o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2 E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos”. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3 Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não leveis bolsa nem sacola nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! 5 Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6 Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7 Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. 8 Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9 curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’. 10 Mas, quando entrardes nu­ma cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei: 11 ‘Até a poeira de vossa cidade que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós. No entanto, sabei que o Reino de Deus está próximo!’ 12 Eu vos digo que, naquele dia, Sodoma será tratada com menos rigor do que essa cidade”.
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O Deus-Conosco Está Acima De Nossos Argumentos


Piedade, piedade de mim, meus amigos, pois a mão de Deus me feriu! Por que me perseguis como Deus, e não vos cansais de me torturar? Eu sei que o meu Redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros”, disse Jó aos seus amigos que querem convencê-lo de que os males que lhe afligem se devem a seus pecados.


Vimos ontem que a resposta de Jó à pergunta: “Por que existe o mal, o sofrimento e a morte?” era : “o mal é incompreensível, mas sou demasiado débil para compreender, e quero confiar em Deus que fez coisas tão boas e tão esplêndidas”. No texto de hoje, o pensamento de Jó progrediu a ponto de crer que nada é impossível para Deus. inclusive, a morte não pode ser um obstáculo para Deus. Todavia, se todas as aparências terrenas me dizem o contrário, eu continuo crendo em Deus. A fé é uma aposta, um salto no desconhecido total, mas confiando também totalmente n´Aquele em Quem confio.


No fundo, Jó tem fé em Deus. Ainda que no Antigo Testamento não tenha ideia clara da outra vida, Jó confia em Deus, e, de alguma maneira, parece intuir já o que nos revelará mais plenamente o Novo Testamento: “Eu sei que o meu Redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros”. Este “redentor” é a figura do “Goel” em Lv 25,25 que é o parente mais próximo que sai em defesa de uma viúva ou de um órfão que foi tratado injustamente.


No Lecionário das exéquias cristãs aparece a leitura de hoje. Nós, sim, podemos dizer com razão: “Eu sei que o meu Redentor está vivo”. Para nós, nossa daro e nossa morte têm seu sentido mais profundo em nossa solidariedade com Cristo Jesus, em nossa comunhão de destino com o Senhor Jesus. Pelo nosso Batismo já fomos incorporados na sua Páscoa: na sua morte e ressurreição. Não só a dor, mas também a vida. Não somente a vida, mas também o mistério da dor. Tudo isso ilumina a vivência dos momentos difíceis e nos ajuda a poder comunicar aos outros nossa fé e esperança.


Há dois raios de luz que saltam da Palavra de Deus hoje. O primeiro, vem do livro de Jó. É um grito de esperança em meio da prova que vive: “Depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros”. Como é possível manter este grito quando se bebe do cálice do sofrimento? As palavras de Jó são como uma antecipação das palavras finais de Jesus: “Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46).


O segundo raio de luz é uma mensagem de Jesus dirigido aos discípulos de todos os tempos: “Põe-os em caminho!”. São convidados a ir caminhando. Às vezes sonhamos em ter tudo claro para tomar um decisão. Mas esperar para ver com claridade nos paralisa. A luz se faz caminhando. Porque toda vez que nos pomos em caminho, o Senhor, como nos recorda o relato de Emaús (Lc 24,13-35), se põe a caminhar conosco. E Ele é o próprio Caminho, a Verdade das verdades e a Vida de todas as vida (Jo 14,6). Ponhamos em caminho sabendo que o Senhor vai conosco, sempre disposto a levar a cabo, por meio de nós, Sua obra de amor e de salvação entre nós, para que nos vejamos livres de tudo aquilo que nos oprime e destrói. Acudamos ao Senhor, pois Ele quem nos assinala o caminho por onde temos que ir até nos encontrarmos com Ele, não somente em Seu templo, mas também na vida diária e na Via eterna.


O Salmo Responsorial de hoje (Sl 26/27), mais uma vez, quer nos infundir sentimentos de fé e de confiança em Deus. Não entendemos o mistério do mal ou o mistério da morte, mas sim sabemos confiar em Deus, que é sempre Pai: “Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!”.


É Preciso Colaborar Na Missão Deixada Por Jesus a Partir De Nossas Carismas


O evangelista Lucas, como Mateus, fala duas vezes sobre a missão. Logo se strata de um tema importante para a Igreja. No capítulo anterior do evangelho lido neste dia, lemos que a missão antes foi confiada aos Doze (Lc 9,1-6). Mas a obra de Jesus não está encerrada e não se restringe para um grupo pequeno. Realiza-se e expande-se através dos setenta (e dois). Com o número setenta (e dois) Lucas quer nos dizer que a missão não é apenas exercida por um pequeno grupo de pessoas, mas todos os que seguem a Jesus, todos os batizados têm a mesma missão de continuar a obra de Jesus. Todos os cristãos têm a mesma missão. Missão significa que alguém é enviado. Jesus envia todos os cristãos ao mundo para serem testemunhas de tudo o que Jesus fez e disse, especialmente de sua morte e ressurreição por amor à humanidade. Por isso, a missão dos discípulos tem como primeiro princípio ser testemunho do amor, do perdão, da justiça e da verdade, dentro e fora da comunidade.


São enviados como cordeiros entre os lobos. O lobo é o símbolo da violência e da arrogância, da vontade de dominar e de corromper os outros. O cordeiro simboliza a mansidão, a fraqueza, a fragilidade. O cordeiro só consegue se salvar da agressão do lobo se o pastor intervém na sua defesa. Os discípulos não podem contar com a força, o poder e a violência. Devem estar sempre desarmados. Para isso, é necessário que os discípulos estejam vigilantes para que eles não sejam conduzidos a cumprir as ações dos lobos como o abuso de poder, as agressões, as violências etc..  Jesus salvou o mundo, comportando-se como cordeiro, e não como lobo.


Ao enviar 70 (e dois) discípulos para a missão Jesus dá as seguintes recomendações:


Primeiro, Deus quer que mudem as relações entre os seres humanos; que todos se vejam como iguais e se tratem como irmãos, pois todos são filhos e filhas do mesmo Pai do céu. Por isso, eles têm que viver como uma família, sem competições e sem ambições. O Reino não é tarefa para gente solitária. Por isso, Jesus envia os 70 (e dois) de dois em dois para que se ajudem, se confrontem e se complementem. Quando se compartilhar o que se tem, haverá sobra. Esta é a experiência do grupo de Jesus e daqueles que querem ser discípulos de Jesus.


Segundo, o Reino de Deus que eles anunciarão vai vencer o mal e a morte, porque o Reino de Deus vai ter a última palavra e não o mal. Por isso, o mal não tem futuro. Deus quer que todos tenham vida (Jo 10,10). Por isso, todos têm que optar pela vida e não pela morte eterna, e pelo bem e não pelo mal.


Terceiro, todos devem pôr toda sua confiança no Pai celeste, mas nos meios humanos. Isso é condição fundamental para quem quer colaborar com o Reino de Deus. É a pobreza no espírito. Essa pobreza no espírito lhes dará liberdade e será um testemunho maior do que mil palavras de que o Reino não se impõe pela força e sim que se oferece como amor e por isso, livre de todo poder. E devem aprender a reconstruir as relações de confiança formando uma comunidade de irmãos como o próprio Deus quer. Devemos abandonar nossos egoísmos, deixar a auto-suficiência e nos entregar nas mãos de Deus para que o Reino de Deus aconteça aqui e agora.


O fundamental que os discípulos devem ter em conta é que eles estão trabalhando na construção do Reino de Deus e não por seu próprio reino. Se cada um se preocupar em construir o próprio reino, haverá guerra permanente e disputa permanente, pois cada um quer defender o próprio reino e não o Reino de Deus. Quem tem consciência de que trabalha pelo Reino de Deus, também acredita na providência divina. Quem acredita somente na própria força e técnica, um dia vai se cansar quando as próprias forças se esgotarem. As ovelhas são do Senhor, temos tarefa de apascentá-los. A vinha é do Senhor, somos apenas colaboradores para essa vinha.


O envio dos 70 (e dois) tem, então, como horizonte fundamental o Reino de Deus. Este constitui o conteúdo de toda pregação cristã e o horizonte que jamais devemos perder de vista quando referimos à ação da Igreja no mundo. A Igreja existe em função do Reino. A Igreja existe a serviço do Reino de Deus. A Igreja não é o Reino de Deus.


A missão serve tanto para formar missionários como para despertar os que são visitados para serem também missionários. Todos são enviados para fazer missão e para tornar o outro missionário.


É bom cada um perguntar-se: “O que é que tenho contribuído na missão do Reino de Deus? O que é que tenho feito até agora na evangelização? Qual é o lugar da Palavra de Deus na minha vida? Será que faço parte daqueles que criticam muito, mas nada colaboram?”.


Quando  levantamos os olhos e vemos um mundo consumido pelo egoísmo, pela corrupção, pela injustiça social, pela exploração dos inocentes, um mundo que se destrói  a si mesmo com guerras e vícios, enfim, quando vemos que a mensagem do Evangelho de Jesus Cristo não penetra nossos corações e as estruturas do mundo, podemos compreender que efetivamente a messe é grande e os trabalhadores são poucos. Não é que o Senhor não tenha atendido a oração da Igreja e sim porque poucos que responderam o convite do Senhor. Não pensemos somente nas vocações religiosos (sacerdotes e religiosas), pensemos em que cada um de nós, pelo Batismo, somos convertidos em discípulos do Senhor, em homens e mulheres comprometidos a testemunhar nossa fé. Se cada um dos batizadaos tomasse a sério seu papel na Igreja, as mãos se multiplicariam e o trabalho seria muito mais fácil. Jesus chama cada um de nós, seja casado, seja solteiro ou religioso consagrado, a participar ativamente na evangelização a partir dos dons que cada um recebeu do Senhor. tomemos com zelo esta chamado e a partir de nossa vocação particular, façamos nossa contribuição na evangelização para que Cristo seja verdadeiramente o Senhor de todos os corações. Você pode fazer algo. Decida-se! Não demore, pois o tempo passa sem parar.


Para Refletir:
  • “A Igreja é chamada a repensar profundamente e a relançar com fidelidade e audácia sua missão nas novas circunstâncias latino-americanas e mundiais. Ela não pode fechar-se frente àqueles que só vêem confusão, perigos e ameaças ou àqueles que pretendem cobrir a variedade e complexidade das situações com uma capa de ideologias gastas ou de agressões irresponsáveis. Trata-se de confirmar, renovar e revitalizar a novidade do Evangelho arraigada em nossa história, a partir de um encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo, que desperte discípulos e missionários. Isso não depende tanto de grandes programas e estruturas, mas de homens e mulheres novos que encarnem essa tradição e novidade, como discípulos de Jesus Cristo e missionários de seu Reino, protagonistas de uma vida nova para uma América Latina que deseja reconhecer-se com a luz e a força do Espírito” (Documento Aparecida da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, no. 11).
  • “Cada comunidade é interpelada e convidada a assumir o mandato, confiado por Jesus aos Apóstolos, de ser suas «testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (At 1, 8); e isso, não como um aspecto secundário da vida cristã, mas um aspecto essencial: todos somos enviados pelas estradas do mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e fazendo-nos arautos do seu Evangelho. Convido os bispos, os presbíteros, os conselhos presbiterais e pastorais, cada pessoa e grupo responsável na Igreja a porem em relevo a dimensão missionária nos programas pastorais e formativos, sentindo que o próprio compromisso apostólico não é completo, se não incluir o propósito de «dar também testemunho perante as nações», perante todos os povos. Mas a missionariedade não é apenas uma dimensão programática na vida cristã; é também uma dimensão paradigmática, que diz respeito a todos os aspectos da vida cristã (Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões de 2013).
P. Vitus Gustama,svd