quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Domingo,24/11/2019
Resultado de imagem para Cristo, rei do universoResultado de imagem para “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado”.Resultado de imagem para “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado”.
ESTAR COM CRISTO, REI DO UNIVERSO, É VIVER NO PARAISO
XXXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM


Primeira Leitura: 2Samuel 5,1-3
Naqueles dias, 1 todas as tribos de Israel vieram encontrar-se com Davi em Hebron e disseram-lhe: “Aqui estamos. Somos teus ossos e tua carne. 2 Tempo atrás, quando Saul era nosso rei, eras tu que dirigias os negócios de Israel. E o Senhor te disse: ‘Tu apascentarás o meu povo Israel e serás o seu chefe’”. 3 Vieram, pois, todos os anciãos de Israel até ao rei em Hebron. O rei Davi fez com eles uma aliança em Hebron, na presença do Senhor, e eles o ungiram rei de Israel.


Segunda Leitura: Colossenses 1,12-20
Irmãos: 12 Com alegria dai graças ao Pai, que vos tornou capazes de participar da luz, que é a herança dos santos. 13 Ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu Filho amado, 14 por quem temos a redenção, o perdão dos pecados. 15 Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, 16 pois por causa dele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. 17 Ele existe antes de todas as coisas e todas têm nele a sua consistência. 18 Ele é a Cabeça do Corpo, isto é, da Igreja. Ele é o Princípio, o Primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo ele tem a primazia, 19 porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude 20 e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz.


Evangelho: Lc 23,35-43
Naquele tempo, 35 os chefes zombavam de Jesus dizendo: “A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo, se, de fato, é o Cristo de Deus, o Escolhido!” 36 Os soldados também caçoavam dele; aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre, 37 e diziam: “Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!” 38 Acima dele havia um letreiro: “Este é o Rei dos Judeus”. 39 Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo: “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!” 40 Mas o outro o repreendeu, dizendo: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação? 41 Para nós, é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal”. 42 E acrescentou: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado”. 43 Jesus lhe respondeu: “Em verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso”.
-------------------
Com este Domingo e a semana que depende dele, o longo Tempo Comum é concluído e o ano litúrgico do Ciclo “C”, durante o qual refletimos sobre o Evangelho de Lucas é encerrado. E no próximo Domingo (I Domingo do Advento) começamos o Novo Ano litúrgico ciclo A durante o qual refletiremos sobre o Evangelho de Mateus.

Hoje nos é apresentada a grandiosa visão de Jesus Cristo, Rei do Universo. Seu triunfo é o triunfo final da Criação. Cristo é a origem e a pedra angular de tudo que é criado (Jo 1,3).

E o Reino não tem consistência sem seu Rei, que é seu Construtor inicial, sua realização atual e sua plenitude final. Separar o Reino de Cristo Rei é reduzi-lo a uma utopia humana, muito admirável, mas despersonalizada: é o caminho materialista e horizontalista.

O Reino novo de Cristo, que é necessário instaurar todos os dias (Venha a nós o Vosso Reino), revela a grandeza e o destino do homem, que tem final feliz no paraíso. É um Reino de misericórdia para um mundo cada vez mais sem misericórdia, e o Reino de amor para todos os homens sem exceção (Jo 3,16).

Crer em Jesus Cristo, Rei do Universo, é crer que o bem é mais poderoso que o mal; é crer que, ao final, o bem e a verdade haverão de triunfar sobre o mal e a mentira. Quem pensa que o mal terá a última palavra ou que o bem e o mal têm as mesmas probabilidades é um ateu. A fé no Reino de Deus, portanto, não se reduz simplesmente a aceitar os valores do Reino e a manter uma vaga esperança em que haverá de vir à Terra algum dia. A fé no Reino é estar convencido de que, aconteça o que acontecer, o Reino haverá de vir e haverá de triunfar.

A inscrição colocada sobre o madeiro da Cruz de Jesus dizia: “Jesus de Nazaré é o Rei dos judeus”. Esta inscrição é completada por são Paulo (Segunda Leitura) quando afirma que Jesus é “a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois por causa dele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas e todas têm nele a sua consistência. Ele é a Cabeça do Corpo, isto é, da Igreja. Ele é o Princípio, o Primogênito dentre os mortos” (Cl 1,15-18).


Estendamos Nossa Reflexão Sobre a Cena do Evangelho de hoje!


O texto do evangelho proclamado neste domingo pertence ao relato lucano da paixão de Jesus (cf. Lc 21,1-23,56). De modo muito simples, Lucas relata a crucificação de Jesus, o sacrifício supremo para a salvação da humanidade. Lucas omite muitas das minúcias relatadas por Marcos: o nome aramaico Gólgota, o vinho misturado com mirra, as pessoas que balançavam a cabeça, e o desafio a respeito de Jesus destruir o templo e reconstruí-lo. No entanto, a ênfase permanece essencialmente nos mesmos fatos. Há aqui pelo menos três alusões a Salmos de lamentações nos vv.34-36(Sl 22,18: repartindo as vestes, lançaram sortes; Sl 22,7: olhando...zombavam; Sl 69,22: vinagre). Essas alusões indicam que a experiência de Jesus tem paralelo na experiência do justo que sofre, descrito em Salmos. Havia dois outros crucificados naquela ocasião. Lucas diz apenas que eram malfeitores, enquanto Mateus e Marcos dizem que eram ladrões. Todos os quatro evangelistas nos dizem que Jesus foi crucificado entre outros dois, evidentemente seu modo de ressaltar o fato de que ele foi crucificado como se fosse um criminoso (cf. Lc 22,37).

Lucas relata o povo em geral simplesmente observando. Execuções eram funções populares e sem dúvida havia muitas pessoas presentes nesta execução. Mas eram as autoridades e não o povo, que zombavam de Jesus (cf. Sl 22,6-8). Elas empregam dois epítetos: O Cristo de Deus e o Eleito/Escolhido. Essas duas expressões indicam o favor especial de Deus e sem dúvida estas pessoas estavam contrastando palavras que falavam de favor com a triste situação real de Jesus ali na cruz. Por isso, a inscrição “Este é o Rei dos Judeus” que foi colocada no alto da cruz era como um insulto final. No entanto, há ironia aqui, porque embora Jesus não fosse rei nos termos da expectativa popular, ele era, apesar de tudo, Rei de Israel (leia o pedido de um dos crucificados no v. 42: ele usa a expressão “com teu reino/ no teu reinado”. Isto supõe a existência de um rei num reinado). Também é irônico que essa inscrição tenha sido o primeiro enunciado que se escreveu a respeito de Jesus e, provavelmente, a única coisa que se escreveu a respeito de Jesus, em toda a sua vida terrena.

De acordo com Mc 15,32, os criminosos que foram crucificados com Jesus também o ridicularizaram. A versão de Lucas, entretanto, é singular pelo fato de apresentar a conversa entre Jesus e um dos malfeitores e o insulto do outro. Para esse outro malfeitor, um Messias que morre na cruz e não salva a si mesmo nem aqueles que lutaram pela sua causa representa uma insanável contradição. Merece tão-somente ironia e desprezo. O verbo escolhido pelo evangelista é “insultar”, que tem simultaneamente o sentido do escárnio e da reverência. Como sempre, diante do escárnio, Jesus não profere nenhuma palavra. O malfeitor que vai fazer algum pedido a Jesus (conhecido popularmente como “bom ladrão” embora nenhum ladrão seja bom) repreendeu o outro pelo fato de este aderir aos insultos a Jesus e diz a seu colega que suas sentenças eram justas, mas a de Jesus, não. Assim, outra vez o leitor recebe a informação de que Jesus é inocente. “Nem sequer temes a Deus?”, disse o “bom ladrão”. Para a Bíblia, não temer a Deus é a atitude do estulto e do ímpio. “Nem sequer” parece introduzir um agravante em relação aos escárnios dos chefes e dos soldados.

Com a afirmação do “bom ladrão” (Lc 23,40-41), Lucas quer ressaltar a inocência de Jesus e a eficácia de sua morte para o perdao. Reconhecendo a realeza e o poder salvador de Jesus (Lc 23,42), o “bom ladrão” pede a Jesus que se lembre dele quando chegar seu Reino. Jesus, diante deste gesto penitencial, promete ao “bom ladrão” que HOJE mesmo vai estar com Jesus no Paraíso, no Reino de Jesus. O HOJE não é materialmente a Sexta-feira Santa sem o Dia da Páscoa que Jesus vai começar a viver a partir da morte e culminando com a ressurreição, o Dia da salvação messiânica inaugurado pela morte de Jesus. Nesse mesmo Dia, o malfeitor arrependido participará na condição régia e gloriosa de Jesus.

Diferentemente do primeiro malfeitor, esse “bom ladrão” confessa, sem atenuantes, a sua culpa, reconhece a inocência de Jesus e a ele faz uma oração sincera: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinando” (v.42). “Lembra-te de mimé uma oração que, na tradição religiosa bíblica e judaica, os moribundos e os homens perseguidos pela desgraça dirigem a Deus. Vamos aprofundar um pouco mais para os detalhes desta frase.

Primeiro, o bom ladrão chama Jesus pelo nome “Jesus”. Ele sabe que com Jesus pode usar esta intimidade; sente-o como amigo, pois chamar alguém pelo nome significa intimidade, amizade. Diante do amigo, ele se sente seguro apesar do sofrimento que ele tem.

Segundo, tão grande é a humildade do bom ladrão arrependido que nem tem coragem de pedir de Jesus a salvação. Ele já se confessou culpado dos atos pelos quais estava sendo crucificado. O que agora quer é ser lembrado por Jesus. Ele não sabe orar bonito com palavras poéticas. Ele pede a Jesus apenas para ser lembrado: “Lembra-Te de mim quando entrares no Teu Reinado”. Ele considera Jesus como amigo que compreende seu sofrimento.

Terceiro, a única pessoa que reconhece em Jesus o Rei esperado é este bom ladrão. Ele sabia que sua condenação pela Corte Romana não seria seu último julgamento. Pois ele reconhecia que teria que prestar contas a Deus por seus atos (cf. 1Cor 5,10). Por isso, ele chamou a atenção do seu colega ao lado: ”Nem ao menos temes a Deus? Recebemos o castigo merecido. E este, nenhum mal fez”. Aqui, através de sua honesta confissão de culpa é que ele deu seu primeiro passo em direção à salvação. Foi este o ponto de partida para a vida eterna.

Com uma solenidade Jesus abriu a boca somente para o bom ladrão: “Em verdade, eu te digo, hoje estarás comigo no Paraíso” (v.43). Com este gesto de solidariedade, Jesus dá a salvação a quem crê e se converte. Sofrendo e morrendo como homem, sentindo a dor dos pregos e a humilhação da nudez, na qualidade de Filho de Deus, Ele dirige uma promessa solene ao ladrão arrependido (em verdade). Depois desta expressão “em verdade” Jesus sempre diz algo muito importante. Jesus também dá segurança a esse ladrão arrependido: “Eu te digo”. Aqui, Jesus não reza, não pede a Deus, ele garante. Já que o ladrão arrependido confia em Jesus prontamente (“Jesus, lembra-te de mim”), Jesus também responde com a sua pessoa, assegurando-lhe uma vida de comunhão com ele (estarás comigo), e logo(“hoje”). A um pedido que remetia ao futuro (“quando entrares no teu reino”), Jesus responde, remetendo ao presente(“hoje”). Tudo isto quer nos dizer que não há situação humana de miséria e de pecado que exclua alguém da salvação; também para o malfeitor que morre por causa de seus delitos há esperança de futuro. Jesus na cruz não salva a si mesmo, mas os pecadores que se convertem e confiam nele.


Outras Mensagens Do Evangelho Deste Domingo      


1. O evangelista Lucas quer dirigir um apelo aos cristãos das suas e das nossas comunidades: Contemplai o vosso Rei pregado na cruz! Diante d´Ele torna-se ridículo qualquer ambição de glória de nossa parte, qualquer vontade de domínio, qualquer desejo de alcançar os primeiros lugares, de receber aplausos, elogios e títulos honoríficos. Do alto da cruz Jesus indica a todos quem é o rei que Deus escolhe: é aquele que sabe que a única maneira de dar glória a Deus é descendo ao último lugar para servir o pobre, o excluído; rei é aquele que ama a todos, inclusive aqueles que o combatem; é aquele que perdoa sempre, que salva e que se deixa derrotar por amor. A onipotência de Deus não é a de domínio. Ele é onipotente porque ele ama a todos imensamente e se coloca sem limites e sem condições a serviço do homem. E vimos isso em Jesus Cristo que se inclina para lavar os pés dos discípulos. É este o autêntico semblante do Deus onipotente, o Rei do Universo.

2. Estaríamos, porém, equivocados se, no episódio dos dois malfeitores, realçássemos somente a misericórdia. Na verdade, está fortemente presente também o juízo, que é a outra face da misericórdia. Um pecador olha para Jesus na cruz, pede perdão e é acolhido no Seu reino. Um outro pecador, olha o mesmo Jesus na cruz e o insulta. Por que um sim e o outro não? Este é o mistério do amor de Deus e da liberdade do homem, que importa sempre recordar, mas que não se pode sondar, a não ser cada um no interior de si mesmo. Diante da cruz, como de qualquer outro gesto de Deus, os êxitos possíveis são dois: com o primeiro, para recordar que a misericórdia de Deus está sempre disponível; e com o segundo, para não olvidar (não esquecer-se) jamais aquele santo temor que nos torna humildes e vigilantes.

3. Em verdade te digo, hoje tu estarás comigo no Paraíso”. Quando começa o paraíso? Onde está ele? O paraíso começa no dia, no momento em que o homem se arrepender e receber o perdão dos seus pecados. Não pense que o paraíso existe tão-somente após a morte. O paraíso é a promessa que Deus faz a quem confessa Jesus Cristo como seu Senhor e a quem se converte. Onde está este paraíso? Em qualquer lugar onde Jesus está. O Paraíso designa o “lugar” da bem-aventurança suprema (cf. Ez 31,8) e na literatura intertestamentária tanto a morada positiva dos justos no estado intermédio, esperando a ressurreição, como a morada definitiva dos justos, em oposição a Geena (“Geena”, no NT designa o inferno: Mt 5,22-30; 10,28; Mc 9,43-45; Lc 12,5; Ap 19,20; 20,10-15).

Em verdade te digo, hoje tu estarás comigo no Paraíso”. A morte de Jesus, mais do que um simples objeto de reflexão teológica, é a causa de toda nossa esperança. Como Jesus Cristo vive, na certeza de sua ressurreição, assim, quem viveu e morreu n´Ele, desde agora está com Ele em Deus. HOJE ainda! O CÉU está “no estar comigo”. Deus é nossa eternidade. O que é certo, absolutamente certo, da nossa eternidade, é o estarmos “com Cristo em Deus” (Lc 23,43; Cl 3,3-4).

Será que você tem Cristo no seu coração? Será que Jesus Cristo é o seu Senhor? Se Jesus Cristo está no seu coração, se ele é o seu Senhor, então você está vivendo no paraíso, mesmo que esteja rodeado de dificuldades, de tribulações, de pessoas adversas, que nada entendem de seu privilégio.

Jesus disse ao ladrão arrependido que o paraíso estava reservado para HOJE e não amanhã. E evangelista João escreveu na sua primeira carta: “Amados, AGORA somos filhos de Deus” (1Jo 3,2). Quantos e quantos cristãos não têm esta certeza; não entende este privilégio.

Ouçamos esta palavra de Jesus na cruz: “Hoje estarás comigo no paraíso”. O novo nascimento é o início de uma vida nova. É necessário nascer de novo pela fé em Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador. Jesus é a nova esperança para quem perdeu a esperança. Veja a condição do ladrão arrependido: morrendo por causa de seus pecados, e sem ninguém para ajudá-lo a sair de sua angústia. Ninguém, a não ser Jesus Cristo, o Senhor, o Único é capaz de socorrer o condenado.

 4. Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino”. É uma oração simples, mas profunda porque sai do fundo do coração. Muitas vezes nos preocupamos demais com a forma de orarmos, como se pelo fato de usarmos uma linguagem mais burilada é que seremos ouvidos por Deus. Deus ouve é o coração, não as palavras. Quando o pobre publicano orou dizendo: ”Senhor Deus, tem piedade de mim, pecador”, suas palavras comoveram o Senhor.

A história do ladrão arrependido é a mesma de cada um de nós: quem de nós não foi malfeitor algumas vezes? Quem, alguma vez, não truncou a vida de algum irmão: com o ódio, as calúnias, as maledicências, as injustiças? Quem de nós não provocou pequenos ou grandes desastres na sociedade, na comunidade e na família? Se estivéssemos sozinhos, o nosso caminho nos conduziria ao desespero. Mas está presente Jesus Cristo que nos acompanha e, por isso, o nosso caminho terminará com certeza no paraíso. E feliz qualquer um de nós que confessa que Jesus Cristo é o seu Senhor, o seu Rei. Ele está no paraíso.
P. Vitus Gustama,SVD

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

23/11/2019
Resultado de imagem para antíoco iv epífanesResultado de imagem para 1Macabeus 6,1-13Resultado de imagem para saduceus e a ressurreição
O DEUS DA VIDA NOS FAZ CRERMOS NA VIDA ETERNA E RESPEITARMOS A DIGNIDADE DOS OUTROS
Sábado da XXXIII Semana Comum


Primeira Leitura: 1Mc 6,1-13
Naqueles dias, 1 o rei Antíoco estava percorrendo as províncias mais altas do seu império, quando ouviu dizer que Elimaida, na Pérsia, era uma cidade célebre por suas riquezas, sua prata e ouro, 2 e que seu templo era fabulosamente rico, contendo véus tecidos de ouro e couraças e armas ali deixadas por Alexandre, filho de Filipe, rei da Macedônia, que fora o primeiro a reinar entre os gregos. 3 Antíoco marchou para lá e tentou apoderar-se da cidade, para saqueá-la, mas não o conseguiu, pois seus habitantes haviam tomado conhecimento do seu plano 4 e levantaram-se em guerra contra ele. Obrigado a fugir, Antíoco afastou-se acabrunhado, e voltou para a Babilônia. 5 Estava ainda na Pérsia, quando vieram comunicar-lhe a derrota das tropas enviadas contra a Judeia. 6 O próprio Lísias, tendo sido o primeiro a partir de lá à frente de poderoso exército, tinha sido posto em fuga. E os judeus tinham-se reforçado em armas e soldados, graças aos abundantes despojos que tomaram dos exércitos vencidos. 7 Além disso, tinham derrubado a Abominação, que ele havia construído sobre o altar de Jerusalém. E tinham cercado o templo com altos muros, e ainda fortificado Betsur, uma das cidades do rei. 8 Ouvindo as notícias, o rei ficou espantado e muito agitado. Caiu de cama e adoeceu de tristeza, pois as coisas não tinham acontecido segundo o que ele esperava. 9 Ficou assim por muitos dias, recaindo sempre de novo numa profunda melancolia, e sentiu que ia morrer. 10 Chamou então todos os amigos e disse: “O sono fugiu de meus olhos e meu coração desfalece de angústia. 11 Eu disse a mim mesmo: A que grau de aflição cheguei e em que ondas enormes me debato! Eu, que era tão feliz e amado, quando era poderoso! 12 Lembro-me agora das iniquidades que pratiquei em Jerusalém. Apoderei-me de todos os objetos de prata e ouro que lá se encontravam, e mandei exterminar sem motivo os habitantes de Judá. 13 Reconheço que é por causa disso que estas desgraças me atingiram, e com profunda angústia vou morrer em terra estrangeira”.


Evangelho: Lc 20,27-40
Naquele tempo: 27 Aproximaram-se de Jesus alguns saduceus, que negam a ressurreição, 28 e lhe perguntaram: 'Mestre, Moisés deixou-nos escrito: se alguém tiver um irmão casado e este morrer sem filhos, deve casar-se com a viúva a fim de garantir a descendência para o seu irmão. 29 Ora, havia sete irmãos. O primeiro casou e morreu, sem deixar filhos. 30 Também o segundo 31 e o terceiro se casaram com a viúva. E assim os sete: todos morreram sem deixar filhos. 32 Por fim, morreu também a mulher. 33 Na ressurreição, ela será esposa de quem? Todos os sete estiveram casados com ela.' 34 Jesus respondeu aos saduceus: 'Nesta vida, os homens e as mulheres casam-se, 35 mas os que forem julgados dignos da ressurreição dos mortos e de participar da vida futura, nem eles se casam nem elas se dão em casamento; 36 e já não poderão morrer, pois serão iguais aos anjos, serão filhos de Deus, porque ressuscitaram. 37 Que os mortos ressuscitam, Moisés também o indicou na passagem da sarça, quando chama o Senhor 'o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó'. 38 Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para ele.' 39 Alguns doutores da Lei disseram a Jesus: 'Mestre, tu falaste muito bem.' 40 E ninguém mais tinha coragem de perguntar coisa alguma a Jesus.
_________________
Ouro e Prata São Necessários, Mas Não Depende Deles Nossa Felicidade


Lembro-me agora das iniquidades que pratiquei em Jerusalém. Apoderei-me de todos os objetos de prata e ouro que lá se encontravam, e mandei exterminar sem motivo os habitantes de Judá. Reconheço que é por causa disso que estas desgraças me atingiram, e com profunda angústia vou morrer em terra estrangeira”.


São as palavras do rei Antíoco no fim de sua vida depois que suas tropas foram vencidas pelos rivais. Cumpre-se aqui a Palavra divina que diz que Deus “derruba do trono os poderosos e enaltece os humildes” que Maria de Nazaré cantou no seu Magnificat (Lc 1,52).


É outro exemplo de como no Antigo Testamento os autores sagrados liam a história da perspectiva da fé. Aqui põem nos lábios do próprio Antíoco, moribundo e abandonado de todos, umas confissões que servirão de lição para aquele que quer arrogar-se o protagonismo, rebelando-se contra a vontade de Deus. São palavras patéticas que necessitam ser refletidas por todos nós.


Consequenteme, a lição desta história não é apenas para os poderosos da terra que se divertiram de todos e se dedicaram à roubalheira e à corrupção, à desonestidade, e depois pagam as consequências. Em nossa vida pessoal, numa escala muito mais reduzida não temos que pagar também nossos próprios caprichos? Ninguém cre impunemente!


Hoje terminamos a leitura da história dos Macabeus com o relato da morte de Antíoco, o ímpio rei que os perseguia.


Antióco era um rei que tinha ganância pelos bens materiais, especialmente pelo ouro e prata. Ele usava todas as menaeiras para conquistar e acumular o ouro e prata, como lemos na Primeira Leitura de hoje. Mas no fim ele tinha que experimentar uma tremenda derrota que o fez cair na angústia, na tristeza, na insônia, na vontade de morrer e assim por diante. Cheio de remorsos Antíoco vê no seu trágico processo de morte um justo castigo do Senhor pelas atrocidades que cometeu contra o povo judeu, especialmente através da profanação do Templo de Jerusalém, símbolo da presença de Deus no meio do povo. Antíoco recomhece que foi vencido pelo Deus do céu que é adorado pelos judeus: “Lembro-me agora das iniquidades que pratiquei em Jerusalém. Apoderei-me de todos os objetos de prata e ouro que lá se encontravam, e mandei exterminar sem motivo os habitantes de Judá. Reconheço que é por causa disso que estas desgraças me atingiram, e com profunda angústia vou morrer em terra estrangeira”, assim confessou Antíoco. O ouro e a prata que ele tinha eram incapazes de fazer Antíoco feliz.


Nesse homem se encarnam o ambicioso sem limite e o avarento insaciável. Ambicioso porque sua ambição se transforma em vício para se afirmar, e os meios para atingir sua glória são desonsetos. O ambicioso legitima o recurso à violência para atingir seus objetivos. Avarento porque ele faz uma transposição do absoluto para o que é relativo, e acredita que a riqueza não é um meio para se viver e sim a própria razão de ser da vida. No fim da vida tudo será deixado neste mundo. Tiramos tudo de material do mundo e deixamos tudo no mundo, menos nossas virtudes. O bem e a bondade praticados nos levam para a comunhão com o Criador de todas as coisas. Com a idade cada vez mais avançada perceberemos que não era tudo isso (bens materiais) que estávamos procurando. Procuramos, sim, o sentido de nossas vida, de nossa passagem neste mundo. O que é que de bom deixaremos como marca de nossa passagem neste mundo?


Uma pessoa ambiciosa e avarenta, diante das derrotas e dos insucessos da vida se mostra fraca, e enxerga tudo escuro e sem solução. Fechada dentro de si mesma, ela se aflige e se atormenta por acontecimentos que os outros suportam. Ela não se dá conta de que a vida está entretecida de alegrias e sofrimentos, de vitórias e derrotas, de mal e de bem para todos. O derrotismo é a pior resposta às vicissitudes da nossa vida.


A Vida Não Pertence à Morte e Sim a Morte Pertence à Vida


Jesus se encontra, agora, em Jerusalém e está nos seus últimos dias de vida, pois ele será crucificado, morto e glorificado. Ele continua cumprindo sua missão, dando para seus seguidores suas ultimas lições. A lição que ele nos passa hoje é a fé na ressurreição.


O tema da ressurreição dos mortos opõe os fariseus aos saduceus. Os fariseus defendem a fé na ressurreição dos mortos. Enquanto que os saduceus não acreditam na ressurreição por uma coisa muito prática como lemos no Evangelho deste dia.


Os saduceus são um grupo de ricos e poderosos, formado por grandes proprietários de terras/latifundiários (anciãos), pelos membros da elite sacerdotal e pelos grandes comerciantes. Eles controlam a administração da justiça no Tribunal Supremo conhecido como Sinédrio que condena Jesus à morte (cf. Mt 27,1-2). Habitualmente o sumo sacerdote, a figura mais poderosa no Templo é escolhido de famílias pertencentes a este grupo. Eles também são colaboracionistas com os romanos para manter sua posição de privilégio.

Os saduceus são conservadores em matéria de religião. Eles privilegiam a Lei de Moisés/Tora (Pentateuco), mas não rejeitam os livros proféticos. Como na Torá não se fala claramente da ressurreição dos mortos e da “outra vida”, eles não acreditam nela. Para eles, tudo termina com a morte: não há ressurreição dos mortos e nem recompensa na vida futura. Não há salvação além da terrena. Neste mundo, salve-se quem puder, porque é o homem e apenas o homem quem causa a própria salvação e felicidade ou desgraça e não- salvação. Por isso, eles são hedonistas: interessa-lhes principalmente acumular riquezas e desfrutá-las o mais possível nesta curta vida terrena (Lc 12,15-21). Moralmente, eles são relaxados. A religião só vale dentro do templo. Fora dele cada um pode fazer o que quiser. Entre os próprios saduceus há separação no matrimônio.


Negando a ressurreição, os saduceus enfrentam Jesus com uma pergunta a partir de uma história, um tanto grotesca, fundada numa teologia mal-enfocada: como fica a mulher que se casou sete vezes com homens diferentes, de quem ela será na ressurreição? Ao questionar Jesus, os saduceus têm a intenção de ridicularizar os fariseus (partido rival), cuja fé na ressurreição dos mortos é conhecida. Os saduceus queriam também conhecer a posição de Jesus.


Jesus responde, estabelecendo uma distinção entre “este mundo” e o “outro”. Na sua explicação Jesus diz que as relações humanas estarão livres de alguns embaraços que complicam a vida. Cessam-se, ai, as preocupações terrenas e desaparecem, também, as ameaças da morte. Os esquemas terrenos não têm validade. Segundo Jesus, é vão e insensato imaginar que o mundo futuro tenha as mesmas características deste mundo. Por isso, Jesus usa uma expressão “...eles são semelhantes aos anjos...” (v.36) para sublinhar a impossibilidade de descrever o modo de vida que pertence ao mistério de Deus. A comunhão com o Pai celeste torna-se penhor de vida eterna. A morte dá início, neste caso, a uma explosão de vida.


O poder de Deus é maior que as forças destrutivas presentes na história e na natureza.  A partir do momento em que ressuscitou Jesus Cristo, Deus mostra a todos que essa morte não é o último passo do ser humano. A morte não tem palavra final para o ser humano. Pelo fato de Deus ressuscitar Jesus Cristo, podemos ter a certeza de que esse mesmo Deus em quem acreditamos firmemente, apesar de nossas fraquezas e pecados, nos ressuscitará também. Adorar o Deus da vida é acreditar que ele tem poder de preservar a vida, mesmo que isso supere a precisão e compreensão humanas. E sendo o Deus da vida, Ele não criou ninguém para a morte, mas para a aliança definitiva com Ele.


A fé na ressurreição é o fundamento da esperança. Cremos e por isso, esperamos. E a esperança é o horizonte da fé. Esperamos e por isso, cremos. A atitude do cristão se baseia no próprio testemunho de Deus. Deus mesmo se comunica e nos fala: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). É o Deus vivo e pessoal. Nele todos estão vivos. Nossa meta final é o Senhor.


Deste fundamento, a fé cristã tem importantes funções. Ela liberta o homem do medo, da auto-suficiência, do poder destruidor da ignorância de Deus, do medo da morte, pois morrer significa ir à casa do Pai onde todos têm seu próprio “lugar” (cf. Jo 14,1-6). A fé no Deus dos vivos tem força em si mesma para vencer o medo da morte; tem luz para iluminar a obscuridade da vida e da morte e nos dá coragem para superar o medo que nos paralisa; cura as feridas dos fracassos na luta para mudar este mundo para convertê-lo em Reino de Deus. A fé na vida eterna nos compromete na luta pela defesa da vida no seu início, na sua duração e no seu fim nesta terra; compromete-nos na luta pela justiça, pela honestidade, pela retidão, pela ética e moral, pelo bem e pela caridade e os semelhantes valores. O mal não tem futuro algum, pois somente Deus tem a última palavra para a vida do homem. A ressurreição é a vitória do amor sobre o ódio, da verdade sobre a mentira, da vida sobre a morte. E tudo isto é tão certo como é certo que depois da noite virá o dia.


Por isso, se o homem se apoiar sobre si mesmo, rejeitando inutilmente o que vem de Deus, seu Criador, ele na verdade se apoiará sobre o nada. Mas se ele se apoiar no amor de Deus, que lhe é oferecido, pode encontrar-se com a vida, graças ao poder desse amor. A fé no amor de Deus constitui o clima no qual nasce a esperança da vida eterna. A fé no amor de Deus evita que a esperança seja uma fantasia. A fé no amor de Deus é a força para cada cristão que caminha através da história da salvação, é sua luz na obscuridade e no paradoxo dos acontecimentos. Deus de amor e a esperança andam indissoluvelmente. Sem fé em Deus de amor, tampouco existe esperança (cf. Ef 2,12). A fé no amor de Deus permite ao homem manter-se firme no meio da tempestade desta vida (cf. Rm 5,3).


Por isso, o destino terreno do homem não é apenas viver por viver, mas conviver e compartilhar a vida com Deus e com os demais homens. Por ser a vida de Deus, o homem é chamado a ser uma luminosidade para a vida do outro. Por pertencer a Deus o sentido último e mais profundo do homem só pode ser encontrado em sua origem: em Deus. O termo “original” significa mais exatamente aquilo que é fundamental e constitutivo. Tudo o que homem faz tem um significado para Deus. As obras de cada cristão: sua generosidade, seu espírito de desapego, seu sentido de responsabilidade profissional, seu espírito de serviço e sua disponibilidade devem ser testemunhos eloqüentes e contundentes de sua fé na vida eterna.


No Credo rezamos e professamos: “Creio na comunhão dos santos; creio na remissão dos pecados; creio na ressurreição da carne; creio na vida eterna”. É preciso vivermos essa fé na vida cotidiana. A partir dessa fé, é preciso revermos nossa maneira de viver neste mundo e nossas opções de cada dia.
P. Vitus Gustama,svd
22/11/2019
Resultado de imagem para livro dos macabeusResultado de imagem para guerra dos macabeusImagem relacionada
HONRAR E RESPEITAR O ESPAÇO E O TEMPO SAGRADOS SÃO TRADUZIDOS NO AMOR FRATERNO
Sexta-Feira da XXXIII Semana Comum


Primeira Leitura:1Mc 4,36-37.52-59
36Naqueles dias, Judas e seus irmãos disseram: “Nossos inimigos foram esmagados. Vamos purificar o lugar santo e reconsagrá-lo”. 37Todo o exército então se reuniu e subiu ao monte Sião. 52No vigésimo quinto dia do nono mês, chamado Casleu, do ano cento e quarenta e oito, levantaram-se ao romper da aurora, 53e ofereceram um sacrifício conforme a Lei, sobre o novo altar dos holocaustos que haviam construído. 54O altar foi novamente consagrado ao som de cânticos, acompanhados de cítaras, harpas e címbalos, na mesma época do ano e no mesmo dia em que os pagãos o haviam profanado. 55Todo o povo prostrou-se com o rosto em terra para adorar e louvar a Deus que lhes tinha dado um feliz triunfo. 56Durante oito dias, celebraram a dedicação do altar, oferecendo com alegria holocaustos e sacrifícios de comunhão e de louvor. 57Ornaram com coroas de ouro e pequenos escudos a fachada do templo. Reconstruíram as entradas e os alojamentos, nos quais puseram portas. 58Grande alegria tomou conta do povo, pois fora reparado o ultraje infligido pelos pagãos. 59De comum acordo com os irmãos e toda a assembleia de Israel, Judas determinou que os dias da dedicação do altar fossem celebrados anualmente com alegres festejos, no tempo exato, durante oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de Casleu.


Evangelho: Lc 19, 45-48
Naquele tempo, 45Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os vendedores. 46E disse: “Está escrito: ‘Minha casa será casa de oração’. No entanto, vós fizestes dela um antro de ladrões”. 47Jesus ensinava todos os dias no Templo. Os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os notáveis do povo procuravam modo de matá-lo. 48Mas não sabiam o que fazer, porque o povo todo ficava fascinado quando ouvia Jesus falar.
-------------------------------
Consagração Do Templo De Deus e Respeito Pela Casa De Oração


O altar foi novamente consagrado ao som de cânticos, acompanhados de cítaras, harpas e címbalos, na mesma época do ano e no mesmo dia em que os pagãos o haviam profanado


A Primeira Leitura nos fala da vitória final de Judas Macabeu e suas tropas sobre as tropas de Antíoco e a festa da nova consagração do Templo no inverno do ano 164 a.C. Eles comemoraram a vitória com uma festa que durou oito dias. A restauração do templo é realizada em duas etapas: uma de purificação: 1Mc 4,36-51 (da profanação causada por rei Antíoco) e outra de consagração ou dedicação (1Mc 4,52-61).


Na etapa de purificação era preciso destruir tudo o que os pagãos tinham construído: o altar com muitas pedras em honra de Júpiter Olímpico sobre o altar dos holocaustos. Os próprios sacerdotes atiraram as pedras em um lugar imundo, pedras contaminadas e contaminates. Foi feita também uma limpeza geral, pois os átrios estavam cheios de mato. Os vasos sagrados, o candelabro com suas lâmpadas, a mesa dos pães, o incenso, as cortinas, as portas foram reparados. Depois que concluiu a etapa de purificação procedeu-se à consagração.


Não se pode fazer o ato de consagração sem ter feito, antes, o ato de purificação. Este é o caminho normal para se aproximar da divindade. Nestas duas etapas: purificação e consagração, consiste a alegria de viver como pessoas de fé no Deus Santo dos santos. É preciso mantermos o respeito pelo Sagrado.


Gozosos por seu triunfo e com uma clara atitude de fé, no dia em que se fez o aniversário da profanação por parte dos pagãos sob o domínio do rei Antíoco, Judas Macabeu e os seus ofereceram sacrifícios de reparação a Deus e consagraram novamente seu altar “ao som de cânticos, acompanhados de cítaras, harpas e címbalos”. E Judas Macabeu “determinou que os dias da dedicação do altar fossem celebrados anualmente com alegres festejos, no tempo exato, durante oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de Casleu”. No tempo de Jesus esta festa era celebrada no nono mês lunar judaico (Kisleu) que caia em Novembro e Dezembro, uma festa da dedicação (Janukká) que era chamada também “Festa das luminárias” porque eram acendidas muitas lâmpadas (Cf. Jo 10,22).


A restauração do Templo, quando havia tantas coisas para sanar e repor, é um símbolo da importância que dava aquele povo para a vida de fé, para o culto e para a Aliança com Deus. O povo tira tudo que é profano de sua vida e do Templo onde se encontra com Deus.


Esta festa pode ser um estímulo para nós. A Eucaristia ou a vida sacramental ou o respeito pelo templo (igreja física) como lugar de oração, da escuta da Palavra de Deus, de meditação e não de bater papo são bons sinais de que cuidamos dos valores mais profundos da vida cristã que abrange também os valores mais humanos como o respeito pela dignidade e igualdade das pessoas, o respeito pela natureza etc. O culto e nossas celebrações devem estar unidos ao estilo de conduta e da coesão a todo o conjunto da vida pessoal e comunitária. O silêncio nas nossas celebrações é um dos gestos simbólicos menos entendidos e praticados por nós. Há muita conversa e barulho nas nossas celebrações. No entanto a Igreja nos ensina que um dos meios para promover a participação ativa é o silêncio para escutar (cf. SC 30). A liturgia, na verdade, nos educa para saber escutar. Não só quando Deus, por meio dos leitores, nos transmite a mensagem de sua Palavra, mas também quando o presidente da celebração dirige a Deus sua oração em nome de todos. Somente aquele que sabe calar e escutar (silêncio) tem condição de pronunciar palavras plenas de sentido e de autoridade. Em nosso próprio interior, isto é, no nosso coração, temos que construir o Altar onde oferecemos nossa própria vida como uma contínua oferenda grata ao Senhor por tudo que temos e somos.


Templo De Deus e O Homem-Templo


Terminada a etapa das lições do caminho (Lc 9,51-19,28), Jesus se encontra, finalmente, em Jerusalém e continua dando suas ultimas lições antes de sua Paixão e Morte (Lc 19,29-21,38).


Na passagem do evangelho deste dia o evangelista Lucas nos apresenta Jesus expulsando os vendedores do Templo. Trata-se do primeiro gesto profético de Jesus no Templo de Jerusalém. Jesus atua como os profetas clássicos que, primeiro, faziam alguma ação simbólica e logo em seguida, pronunciavam seus oráculos.


A ação simbólica de Jesus no texto de hoje é expulsar os vendedores do Templo. Logo em seguida Jesus pronuncia dois oráculos. O primeiro oráculo é tirado de Is 56,7 sobre o caráter do Templo como casa de oração. O segundo oráculo é tirado de Jr 7,1-15, um texto que inspira toda a ação e o pensamento de Jesus. Para Jeremias e Jesus o Templo se transforma em uma cova de bandidos porque nele encontram os assassinos e os idólatras que matam, oprimem e exploram até os mais pobres.


A intervenção de Jesus no Templo na expulsão dos vendedores é uma chamada de atenção para recolocar nossa atitude religiosa num plano de autenticidade e sinceridade. O espaço sagrado e o tempo sagrado (momento de oração e de celebração) devem adquirir seu verdadeiro sentido como forma de encontro com Deus que se traduz na vivência do amor fraterno.  Ambos (o espaço sagrado e o tempo sagrado) têm que assumir sempre a forma da intercessão e da busca do perdão de Deus para um coração arrependido: “Minha casa será casa de oração”.


Diante da intervenção de Jesus na expulsão dos vendedores do Templo “Os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os notáveis do povo procuravam modo de matar Jesus”.  É muito irônico! Aqueles que se dizem próximos de Deus (sacerdotes), que dominam as Sagradas Escrituras (escribas) procuram eliminar uma vida inocente (Jesus), em vez de protege-la. Enquanto que o povo, na sua simplicidade, não encontrou nenhuma dificuldade para aceitar a mensagem de Jesus, como Lucas nos relatou: “o povo todo ficava fascinado quando ouvia Jesus falar”.


É um ponto de partida para nosso exame de consciência: sem ser pessimistas, temos que olhar para nosso comportamento e atitude em relação aos outros como pessoas que frequentamos as celebrações litúrgicas: será que nosso tratamento para o outro fica cada vez melhor ou viramos um pequeno “assassino” ou “destruidor” da dignidade e da boa fama dos dos outros?


O valor de nossa religiosidade e o de nosso verdadeiro encontro com Deus que dão sentido para toda nossa existência dependem da escolha que fazemos entre estas duas formas de receber a mensagem de Deus: receber ou recusar. Ou receber na boca, mas recusa na prática pelo nosso contra-testemunho. 


Nem sempre estamos prontos ou preparados diante da intervenção de Deus na nossa vida. Como os dirigentes do povo de Israel podemos também assumir atitudes contraditórias diante da intervenção de Deus na nossa vida. Deus quer expulsar de nossa cabeça ou de nosso coração todas as atitudes que querem ocupar o lugar de Deus na nossa vida. Mas por causa de nossos pensamentos pré-fabricados ou pré-estabelecidos acabamos expulsando Deus de nossa vida e permanecemos na nossa vida sem direção, pois vivemos sem escala de valores. Deus intervém na nossa vida com intuito de recolocar nossa vida no seu eixo verdadeiro ou no caminho da salvação. Mas quantas vezes eliminamos ou procuramos algum meio para eliminar o plano de Deus para nossa vida ou tentamos esquecer Sua Palavra inquietante tal como sucedeu na vida dos dirigentes do povo durante a atuação de Jesus em Jerusalém. 


Jamais podemos identificar religião com prática cultual. O culto verdadeiro e autentico tem conseqüências verticais e horizontais. Honramos Deus na medida em que passamos da comunidade cultual para a vida na prática da solidariedade com os irmãos, especialmente com os mais necessitados. Ao sair do templo ou da igreja não podemos fingir não olhar para o irmão que necessita de nossa ajuda. O verdadeiro culto é o culto da vida inteira vivida com fidelidade na vivencia da vontade de Deus e na solidariedade com os irmãos.


A entrada de Deus e de Sua Palavra na nossa vida quer colocar em questão as nossas atitudes religiosas. Esta entrada serve para desmascarar nosso egoísmo e nosso jogo de interesse em nome de uma vida sem sentido e sem rumo e para tirar de nós um falso sentimento de segurança a fim de nos salvar. A entrada de Deus e de Sua Palavra na nossa vida exige que coloquemos em revisão a nossa religiosidade se é autentica ou falsa. Ninguém pode crer impunemente. A religião não pode nos assegurar a impunidade em nossas más ações, e a religião nunca pode ser considerada como o refugio seguro para malfeitores. Uma religião sem o compromisso de uma conduta coerente em função da vivência dos valores humanos reconhecidos universalmente é um ópio que faz adormecer a própria consciência. Precisamos questionar o questionável e perguntar o perguntável. Precisamos ficar atentos para que nossa prática religiosa não seja mais importante do que o próprio Deus e o ser humano. Onde há o amor fraterno, ali Deus está, mesmo que se trate do ateísmo. Onde não há o amor fraterno, não há o verdadeiro cristianismo, pois o amor fraterno é o mandamento do Senhor (Jo 13,34-35; 15,12).
P. Vitus Gustama,svd

terça-feira, 19 de novembro de 2019

21/11/2019
Resultado de imagem para apresentação de nossa senhora no temploResultado de imagem para apresentação de nossa senhora no temploResultado de imagem para todo aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe
FESTA DA APRESENTAÇÃO DE NOSSA SENHORA
SER MEMBRO DA FAMÍLIA DE JESUS CRISTO


Primeira Leitura: Zc 2,14-17
14 “Rejubila, alegra-te, cidade de Sião, eis que venho para habitar no meio de ti, diz o Senhor. 15 Muitas nações se aproximarão do Senhor, naquele dia, e serão o seu povo. Habitarei no meio de ti, e saberás que o Senhor dos exércitos me enviou a ti. 16 O Senhor entrará em posse de Judá, como sua porção na terra santa, e escolherá de novo Jerusalém. 17 Emudeça todo mortal diante do Senhor, ele acaba de levantar-se de sua santa habitação”.


Evangelho: Mt 12, 46-50
Naquele tempo, 46 enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. 47 Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo”. 48 Jesus perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” 49 E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. 50 Pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.
__________
Celebramos hoje a Memória Da Aparesentação De Nossa Senhora. Esta festa começou a ser celebrada na Igreja oriental, que sempre foi muito sensível à piedade mariana mais ou menos desde o século VI e oficialmente em 1143. Tardiamente foi incorporada ao calendário ocidental, romano, em 1472 pelo papa Sisto IV (9/8/1471-12/8/1484). Na verdade desde o século XII esta festa já se celebrava no Sul da Itália e em alguns lugares na Inglaterra.


Logo que a menina completou três anos, Joaquim disse: ‘Chama as filhas dos hebreus e cada um tome uma tocha acesa e acompanhe a menina, e esta não retorne, para que seu coração não seja cativado por alguma coisa fora do templo de Deus’. ... O sacerdote recebeu a menina em seus braços e, depois de beijá-la, a abençoou exclamando: ‘O Senhor engrandeceu teu nome diante de todas as gerações, pois no fim dos tempos manifestará em ti sua redenção aos filhos de Israel’” (Proto-Evangelho de São Tiago VII,2). É assim que o evangelho apoctifo de são Tiago narrou a apresentação da menina Maria (futura Mãe do Senhor) no templo.


A apresentação de Nossa Senhora não é narrada nos evangelhos. Ela é uma tradição muito antiga (Evangelho Apócrifo do século II: Evangelho apócrifo de São Tiago). Segundo esta tradição (Apócrifo), os pais de Maria, Joaquim e Ana, piedosos israelitas, não conseguiram ter filhos até sua idade avançada por causa da esterilidade. Não ter filhos significava, na época, o castigo de Deus pelos pecados cometidos. Mas os dois eram justos. Em sua angústia Ana fez uma oração fervorosa, prometendo ao Senhor oferecer-lhe o fruto de suas entranhas se lhe concedesse descendência. O nascimento de Nossa Senhora foi o resultado dessa oração e dessa promessa: “Ó Deus de nossos pais, abençoa-me e ouve minha oração como abençoaste o ventre de Sara, dando-lhe um filho, Isaac”, assim Ana, mãe de Maria rezava (Apócrifo de Tiago, 2,1). Quando se retirou para o deserto durante quarenta dias e quarenta noites Joaquim, pai de Maria, dizia para si mesmo: “Não descerei nem para comida, nem para bebida, enquanto o Senhor não me visitar; a minha oração será para mim comida e bebida” (cf. Apócrifo de Tiago 1,4). Joaquim e Ana, fiéis ao seu voto, como foi citado acima, apresentaram a menina quando tinha três anos no templo e permanecia, no templo, dedicada à oração até seu casamento com José (cf. Evangelho apócrifo de São Tiago 7,1-8,1).


Por detrás do que têm de apócrifo, propõem conteúdos de elevado valor exemplar e continuam veneráveis tradições, radicadas sobretudo no Oriente: 21 de novembro: Apresentação de Nossa Senhora” (Papa Paulo VI, Exortação Apostólica Marialis Cultus n.8)


A apresentação de Nossa Senhora é a festa de entrega voluntária a Deus. É a festa da total entrega da Virgem Maria a Deus e da sua plena dedicação aos planos divinos. A Virgem Maria nunca negou nada a Deus. Sua correspondência à graça divina e às moções do Espirito Santo foi sempre plena.  É a festa que nos ensina a renunciar a nossa própria vontade a fim de fazer somente a vontade de Deus para formar uma família com Deus e ser instrumento divino para levar os outros para Deus: “Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”, diz Jesus (Mt 12,50).


O símbolo da apresentação de Maria no Templo equivale à consciência da identidade de Maria e de sua função junto ao Messias que vai crescendo pouco a pouco. O sentido substancial é este: Maria está sempre na presença do Senhor (“O Senhor está contigo” Lc 1,28), totalmente dedicada a servir (Lc 1,38), peregrina no conhecimento (Lc 2,19.51b). Para servir de verdade com total dedicação há uma condição: estar sempre na presença do Senhor.
--------------------------
O texto do evangelho de hoje é escolhido em função da festa da Apresentação de Nossa Senhora ao Senhor.


No texto do evangelho deste dia, onde os familiares de Jesus não são mencionados por seus nomes, “a mãe”, aqui, representa Israel enquanto origem de Jesus e “os irmãos” representam também Israel enquanto membros do mesmo povo. Israel fica “fora” em vez de se aproximar de Jesus. Jesus rompe sua vinculação de seu povo de origem para formar uma nova família com os que se associam com o compromisso de formar uma comunidade de irmãos vivendo o amor fraterno (ágape) como maior mandamento (cf. Jo 13,34-35; 15,12).


A maior parte das religiões do mundo se apóia na família, comunidade natural. Jesus edifica sua religião ou sua comunidade não sobre as relações familiares e sim sobre uma comunidade de tipo seletivo em virtude da fé para elevar a família humana em família de Deus. Para divinizar a família humana é preciso que Deus seja de todos e centro da vida e de qualquer convivência (família, comunidade, grupos etc.).


A evolução do mundo técnico tende a tirar o homem de suas comunidades naturais para submergi-lo em comunidades mais “artificiais” ou “mais seletivas”. Por isso, a família vive, muitas vezes, de maneira dramática o conflito das gerações que caracteriza a nossa época. Os pais rezam melhor em companhia de seus amigos do que em família, com seus filhos e familiares. Mas se todos se preocuparem com a vontade de Deus ao praticar o bem, ao viver o amor fraterno, o único que nos edifica, humaniza e diviniza, acabarão salvar a comunidade natural que é a família humana. Por isso, Jesus afirma hoje: Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mt 12,50). Trata-se de uma família ou uma comunidade de Deus, e por isso, de uma comunidade de salvação.


Jesus, por sua encarnação, entrou no mundo e formou parte de nossa humanidade, de uma verdadeira humanidade, com os laços de sangue e de cultura e cresceu em uma família. Ele se tornou humano para nos divinizar. Ele nasceu numa família para santificar a família. Ele viveu em um país determinado, Palestina; tinha uma mãe, Maria. Essas realidades humanas têm grande importância, constituem realmente o lugar de nossa vida.


“Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos?”, pergunta Jesus. A pergunta não significa um desprezo de Jesus aos seus parentes ou familiares. Ninguém amou Sua mãe melhor que Ele. E nenhuma mãe amou melhor seu Filho, Jesus Cristo, Deus-Conosco do que a própria Maria, a mãe de Jesus.


Com esta pergunta Jesus quer nos revelar algo muito importante: o discípulo, cada cristão, cada cristã que vive os ensinamentos de Jesus é um parente de Jesus. Jesus oferece aos homens a qualitativa intimidade de sua família. A família humana de Jesus viveu conforme a vontade de Deus: José que criou Jesus era chamado de “o justo”, aquele que vive segundo os mandamentos de Deus (cf. Mt 1,19). Maria, a Mãe de Jesus foi chamada pelo anjo de “cheia de graça” (cf. Lc 1,28) e ela viveu a vida conforme a vontade de Deus: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua palavra” (Lc 1,38).  Por isso, a família humana de Jesus serve de exemplo para todas as famílias humanas. Que é possível formar uma família de Deus nesta terra quando Jesus se torna centro de todos e quando todos vivem de acordo com a Palavra de Deus. A única maneira de salvar a família humana é transformá-la em família de Deus, família que vive de acordo com os mandamentos de Deus.


Entre Deus e os homens já não há somente relações frias de obediência e de submissão como entre o patrão e o empregado. Com Jesus entramos na família divina, como seus irmãos e irmãs, como sua mãe. Se em todos os meus atos e atitudes de cada dia, se em todos os minutos de minha vida procurar me manter unido a Deus na vivência do amor fraterno, serei irmão de Jesus, farei parte da família de Deus desde aqui na terra junto aos outros irmãos e irmãs no mundo inteiro que fazem a mesma coisa.


Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Esta frase deve servir de orientação para nossa vida diária. É lindo e desejável ter um lar, um aconchego. É o sonho de todos. É o desejo de qualquer coração. Ter um lar é um sonho vivo de qualquer ser humano. No lar podemos descansar, conviver amorosamente e estar juntos como pessoas amadas. Mas é preciso incluir Jesus como membro de nosso lar e nós como membros do lar do Senhor. Somente assim nosso lar na terra se transformará em céu antecipado onde há paz e amor, segurança e alegria, festa e descanso. Nosso ler definitivo no céu deve começar desde já aqui na terra tendo Jesus como membro de nossa família e nós, da família de Jesus. A disponibilidade de Maria diante da Palavra e do desígnio divino nos indicam o grado máximo que devemos aspirar no serviço da Palavra divina: “Faça-se em mim segundo a sua Palavra” (Lc 1,38).


Portanto, a comunidade com Jesus está no ouvir e no fazer realidade a Palavra de Deus. Maria é mãe de Jesus por causa do seu “sim” total e absoluto, dado um dia à Palavra de Deus. “Faça-se em mim segundo a Tua Palavra” (Lc 1,37), disse Maria, a mãe de Jesus na anunciação. Maria guarda cada Palavra e a medita em seu coração (Lc 2,19). Ela leva a Palavra a Isabel, e seu anúncio é tão rico que transborda em um cântico chamado “Magnificat” (Lc 1,46-55). Maria é o coração bom que retém a Palavra de Deus e produz fruto com constância. Maria foi um “sim” à Luz e deu a luz a Luz do mundo. Por isso, o texto do evangelho deste dia é um grande elogio de Jesus a Maria, sua mãe que entregou totalmente sua vida e sua vontade a Deus para o bem de todos.


Uma comunidade somente pode ser chamada de a Igreja de Cristo, se cada membro dela souber viver de acordo com a Palavra de Deus. O povo eleito foi formado não por decreto, mas pela escuta e pela obediência à Palavra de Deus. A Igreja de Cristo é edificada pela Palavra de Deus. Esta é a alma da Igreja e a Igreja é seu fruto. Da Palavra de Deus brota sempre Igreja viva. Somos cristãos não por decreto, mas pela convicção e pela opção. Ser cristão significa viver no mistério de amor que Deus nos comunicou através de Jesus, Deus encarnado, como nova possibilidade de existência. A partir desse amor de Deus que nos é oferecido nós devemos ser ponte de amor para os outros.


Reflita:


“Por acaso não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que estão clamando por Ele dia e noite? ... Digo-vos que em breve Deus lhes fará justiça” (Lc 18,7-8).


“O Senhor, meu Deus, vive, se eu der à luz, trate-se de homem ou de mulher, oferecê-lo-ei em voto ao Senhor meu Deus, e o servirá em todos os dias de sua vida”, prometeu Ana (Apócrifo de Tiago, 4,1).
P. Vitus Gustama,svd