quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

02/02/2019
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APRESENTAÇÃO DO SENHOR NO TEMPLO


Primeira Leitura: Ml 3,1-4
Assim diz o Senhor: 1 Eis que envio meu anjo, e ele há de preparar o caminho para mim; logo chegará ao seu templo o Dominador, que tentais encontrar, e o anjo da aliança, que desejais. Ei-lo que vem, diz o Senhor dos exércitos; 2 e quem poderá fazer-lhe frente, no dia de sua chegada? E quem poderá resistir-lhe, quando ele aparecer? Ele é como o fogo da forja e como a barrela dos lavadeiros; 3 e estará a postos, como para fazer derreter e purificar a prata: assim ele purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata, e eles poderão assim fazer oferendas justas ao Senhor. 4 Será então aceitável ao Senhor a oblação de Judá e de Jerusalém, como nos primeiros tempos e nos anos antigos.


Evangelho: Lc 2,22-40
22 Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor. 23 Conforme está escrito na lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor”. 24 Foram também oferecer o sacrifícioum par de rolas ou dois pombinhos — como está ordenado na Lei do Senhor. 25 Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso, e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele 26 e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor. 27 Movido pelo Espírito, Simeão veio ao Templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, 28 Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: 29 “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; 30 porque meus olhos viram a tua salvação, 31 que preparaste diante de todos os povos: 32 luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”. 33 O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele. 34 Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. 35 Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma”. 36 Havia também uma pro­fe­tisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido. 37 Depois ficara viúva, e agora estava com oitenta e quatro anos. Não saía do Templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. 38 Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39 Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade. 40 O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.
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1. Simeão: Um Homem Justo E Temeroso De Deus...


Aparece o ancião Simeão, homem justo e santo, de paciência a toda prova. Ele é homem de esperança inquebrantável.  Foi revelado que ele não morreria até ver o Messias. Os anos corriam, a velhice avançava e o Messias não chegava. Mas DEUS SEMPRE É FIEL A SUA PALAVRA. E como prêmio para as virtudes teologais do ancião (fé, esperança e amor), ele foi levado pelo Espirito de Deus ao Templo e ali se encontrou com a Luz em seus braços. Agora Simeão já pode descansar em paz. E isto não é pouco.


A virtude da esperança e de paciência, muitas das vezes está faltando na nossa vida. Por isso, facilmente ficamos irritados, impacientes, intolerantes a ponto de ficarmos violentos. Deus não chega para um coração irritado, impaciente, intolerantes. O lugar de Deus é o coração de fé, de esperança e de amor, a exemplo do ancião Simeão. Com a paciência e esperança em Deus tudo se alcança. Quem espera no Senhor não ficará defraudado.


2. Alma Sacerdotal Da Virgem Maria


A Apresentação do Senhor no Templo nos leva para a Escola de Maria, Mulher eucarística como enfatiza o Santo João Paulo II no Cap. VI de sua Encíclica Ecclesia de Eucaristia.


Ao apresentar Jesus no Templo, a Mãe de Deus exerce sua “alma sacerdotal”, que corresponde ao sacerdote real, comum a todos os fies pelo Batismo e pela Confirmação. Ela oferece Jesus ao Pai e se oferece a si mesma inteira com Ela, se faz um só coração, uma só alma, um só espirito com seu Filho. A Palavra de Deus os une fortemente. “Faça-se em mim segundo a Tua Palavra”, disse a Mãe do Senhor. “Meu alimento é fazer a vontade do meu Pai”, disse o Filho de Maria.


Esta oferta de Maria é uma antecipação do Calvário e da Eucaristia que será instituída. No oferecimento de Maria, de Jesus e de José estão os Três, inteiros, com toda sua vida temporal e com suas mortes futuras. As vidas de Jesus, de Maria e de José formam uma unidade maravilhosa e inefável, e sacerdotal.


Nós podemos fazê-lo também todos os dias: oferecer com Cristo nossa vida e nossa morte, como Deus quer, quando Deus quer, onde Deus quer, toda nossa existência terrena, com seu passado, presente e futuro, com tudo o que há de oração, de trabalho, de sacrifícios pelos demais, pequenos ou grandes. Assim resultará num sacrifício espiritual esplêndido aos olhos de Deus.


3. Jesus Se Oferece Ao Pai Desde A Concepção Até A Morte


Toda a vida de Cristo Jesus, desde o primeiro instante de sua entrada no mundo (Hb 10,5) até a sua consumação sobre o altar da Cruz (Jo 19,30), foi uma oferenda ao Pai. Porém esta oferenda habitual teve dois momentos fortes. A Apresentação no Templo foi uma delas. Podemos e devemos repetir que existe uma relação estreita entre a Apresentação no Templo e a Imolação sobre o Calvário. E nesta oferenda e imolação, a Virgem Maria está presente e operante (Cf. Lc 2,34035; Jo 19,25-27).


A tradição eclesial reconheceu tudo isto e, inclusive intenta sensibilizar os fiéis sobre sua consagração batismal. Nossa vida de batizados é toda uma consagração ao Pai pelo Filho no Espirito Santo. Por isso, quando fomos ou somos batizados, o sacerdote-ministro, depois das palavras, “Eu te batizo em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”, não se acrescenta Amém. Porque toda a vida do cristão deve ser um contínuo AMÉM à vontade de Deus.


A festa do encontro de Jesus com a humanidade no Templo nos projeta para o futuro encontro com o Senhor. Por isso, o encontro com Jesus com a humanidade representada pelos anciãos Simeão e Ana prefigura nosso encontro final com Cristo na sua segunda vinda. Nós, peregrinos de Deus, caminhamos penosamente através deste mundo, guiados pela luz de Cristo e sustentados pela esperança de encontrar finalmente o Senhor da glória no seu Reino eterno. Toda nossa vida cristã tem esse objetivo: encontrar-nos com o Senhor na vida eterna. Por este objetivo temos sempre força suficiente para superar tudo na nossa peregrinação terrestre. Estando com Cristo e seguindo seus passos nossa vida sempre será iluminada: “Eu sou a Luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).


4. A Imposição Do Nome De Jesus


Lucas, neste relato, quer sublinhar a importância da imposição do nome de Jesus que se afirma na frase principal: “Foi-lhe dado o nome de Jesus” (v.21). O nome “Jesus” foi escolhido pelo próprio Deus (Lc 1,31;2,21; cf. Mt 1,21).


Para os judeus, o nome expressava a identidade e o destino pessoal que cada um devia realizar ao longo de sua vida.  E quando uma pessoa é eleita para uma nova missão, recebe um nome novo, em função da etapa de vida que começa (cf. Gn 17,5;17,15;32,29; Mt 16,18; cf. 2Rs 23,34;24,17; Is 62,2;65,15).


Nãonenhum nome que coincidiu tão perfeitamente com o nome como no caso de Jesus. Jesus significa Salvador. Desde o primeiro instante de sua existência até a morte na cruz, ele foi o que significa seu nome: Salvador.


Por isso, o nome de Jesus como Senhor e Salvador é invocado ao longo da história do cristianismo por bilhões de cristãos. O nome de Jesus é invocado, pois ele é o Senhor de tudo. Está acima de todo principado, de todo poder, de toda dominação e potência. Por mais poderoso que seja um político ou um atleta, um dia a morte o vencerá. Por mais rico que seja alguém, um dia a morte levará a melhor. Ao contrário, Jesus venceu a morte, pois ele ressuscitou. Por isso, São Paulo afirma: “Se confessas com tua boca que Jesus é o Senhor, e crês em teu coração, que Deus o ressuscitou dos mortos, tu serás salvo” (Rm 10,9; cf. Rm 8,35-39). Jesus é o Senhor porque vive uma vida sobre a qual a morte não tem poder algum. Ele detém a chave do segredo da vida e ilumina o mistério da vida.


A soberania do Senhor Jesus pode nos dar uma força imensa para combater o mal dentro de nós e o mal ao nosso redor. Jesus é Senhor exprime uma libertadora que tira de nossas vidas toda a angústia exagerada. Jesus é Senhor implica que ele é Senhor de nossa vida. Exprime uma entrega, um total abandono nas mãos do Senhor. Implica construir a vida sobre ele (cf. Mt 7,24-25) e não sobre os fundamentos fracos e frágeis (cf. Mt 7,26-27).
P. Vitus Gustama,SVD

01/02/2019
Imagem relacionadaResultado de imagem para O meu justo viverá por causa de sua fidelidade, mas, se esmorecer, não encontrarei mais satisfação nele.Resultado de imagem para Mc 4, 26-34
COM DEUS NÃO HÁ FRACASSO
Sexta-Feira Da III Semana Comum


Primeira Leitura: Hb 10,32-39
Irmãos, 32 lembrai-vos dos primeiros dias, quando, apenas iluminados, suportastes longas e dolorosas lutas. 33 Às vezes, éreis apresentados como espetáculo, debaixo de injúrias e tribulações; outras vezes, vos tornáveis solidários dos que assim eram tratados. 34 Com efeito, participastes dos sofrimentos dos prisioneiros e aceitastes com alegria o confisco dos vossos bens, na certeza de possuir uma riqueza melhor e mais durável. 35 Não abandoneis, pois, a vossa coragem, que merece grande recompensa. 36 De fato, precisais de perseverança para cumprir a vontade de Deus e alcançar o que ele prometeu. 37 Porque ainda bem pouco tempo, e aquele que deve vir virá e não tardará. 38 O meu justo viverá por causa de sua fidelidade, mas, se esmorecer, não encontrarei mais satisfação nele. 39 Nós não somos desertores, para a perdição. Somos homens da fé, para a salvação da alma.


Evangelho: Mc 4, 26-34  
Naquele tempo, 26Jesus disse à multidão: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. 28A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”. 30E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? 31O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. 32Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”. 33Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. 34E lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo.
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O Senhor Pode Tardar, Mas Virá Ao Nosso Encontro Em Qualquer Momento Para Nos Ajudar


“Não abandoneis, pois, a vossa coragem, que merece grande recompensa. De fato, precisais de perseverança para cumprir a vontade de Deus e alcançar o que ele prometeu. Aquele que deve vir, virá e não tardará. O meu justo viverá por causa de sua fidelidade. Somos homens da fé, para a salvação da alma”.


Com estas palavras, o autor da Carta aos Hebreus convida os fieis, que se encontram em perigo de fraquejar diante das excessivas adversidade e afetados pela prova do tempo e das contradições, a voltar ao ponto inicial de sua fé cristã.


Os Hebreus para os quais se endereça a Carta são antigos judeus convertidos a Cristo, mas saudosos dos esplendores do culto antigo. Sentem-se tentados a voltar atrás, principalmente como vítimas das perseguições. O autor pede-lhes que mantenham a fé perseverante para resistir às tentações de um recuo, pois “Aquele que deve vir, virá e não tardará”.


Com o texto da Primeira Leitura de hoje conhecemos um pouco mais as circunstancias que rodeavam os destinatários da Carta aos Hebreus. O autor fala de combates e sofrimentos, insultos, tormentos dos Hebreus. Vê-se que começaram sua vida cristã com muito fervor, mas agora lhes faltava constância. Agora o autor lhes dizem para que não percam o fervor dos primeiros dias. Se continuarem com valentia, verão a salvação. A covardia faz com que tudo se perca.


“Recordai-vos!” ou “Lembrai-vos!”. O conselho é válido também para nós diante das provas e das contriedades na vivência de nossa fé inicial.


“Recordai-vos que sois crentes!”. A fé não é algo abstrato. Por isso, é preferível usar o verbo “crer” do que o substantivo “fé”. Crer é um verbo ativo que inclui simultaneamente o ato de pensar, de viver e de atuar de uma pessoa. Crer é viver e atuar entrando na vida e na ação que a Palavra de Deus me propõe, para alcançar sua presença e unir-me à sua vida. Crer é viver apesar de tudo, amar apesar de tudo, pois “Aquele que deve vir, virá e não tardará”. O justo, o homem de fé vive por causa de sua fidelidade.


Somos convidados a ser constantes na nossa fé apesar de tudo, a ser valentemente cristãos em meio de um mundo hostil. Não somos os primeiros em sofrer contradição e dificuldade no seguimento de Cristo. Muitos cristãos no passado não eram somente valentes, mas também heróis em sua fidelidade a Cristo Jesus.


Em determinado momento todos nos cansamos e nos diminui o fervor primeiro e os ideais não brilham sempre de igual maneira. Os primeiros cristãos e os cristãos de gerações seguintes devem nos dar ânimos em nossa luta de cada dia. Quando mantivermos fé, esperança e amor no coração tudo terá sua solução, pois “Aquele que deve vir, virá e não tardará”.


Viver Apoiado Em Deus Resulta Nos Frutos Abundantes


 As duas parábolas que se encontram no Evangelho de hoje, mais uma vez, são tomadas da vida do campo e novamente, com o protagonismo da semente que é o Reino de Deus.


A primeira é a da semente que cresce só, sem que o lavrado saiba. O Reino de Deus, sua Palavra, tem dentro de si uma força misteriosa, que apesar dos obstáculos que possa encontrar, consegue germinar e dar fruto. Supõe-se que o lavrador realize todos os trabalhos que se esperam dele, arando, limpando/capinando, regando e assim por diante. Mas aqui Jesus quer sublinhar a força intrínseca da graça e da intervenção de Deus. O protagonista da parábola não é o lavrador nem o terreno bom ou mau e sim a semente.


A outra comparação é a da mostarda, a menor das sementes, mas que chega a ser um arbusto notável. De novo, a desproporção entre os meios humanos e a força de Deus.


O Evangelho de hoje nos ajuda a entendermos como Deus conduz nossa história. Se esquecermos seu protagonismo e a força intrínseca que tem seu Evangelho, seus Sacramentos e sua Graça faremos as seguintes conclusões:  quando tudo vai bem, pensamos que seja mérito nosso. Quando tudo vai mal, nós nos afundamos.


O mundo jamais será salvo por nossas técnicas e esforços. São Paulo diz que ele semeia, Apolo rega, mas Deus é quem faz crescer (1Cor 3,6). Às vezes Deus se dedica a nos dar a lição de que os meios mais pequenos produzem frutos insesperados, não proporcionados nem a nossa organização nem a nossos métodos e instrumentos. A força da Palavra de Deus vem do próprio Deus e não de nossas técnicas.


Por outro lado, tampouco teríamos que nos desanimar quando não conseguíssemos a curto prazo os efeitos que desejávamos. O protagonismo é o próprio Deus. Façamos nossa parte, e deixemos para Deus os resultados. Por piores que pareçam ser as circunstancias da vida da Igreja ou da sociedade ou de uma comunidade, a semente de Deus se abrirá e produzirá seu fruto, ainda que não saibamos como isto acontecerá. A semente tem seu ritmo. Há que ter paciência como o lavrador a tem.


Quando em nossa vida há fé, esperança e amor, a eficácia do trabalho cresce notavelmente. Mas quando essa força interior é o amor que Deus nos tem, o seu Espirito, ou a graça salvadora de Cristo ressuscitado, então o Reino germina e cresce poderosamente. Não é que sejamos convidados a não fazer nada, mas se trabalharmos com olhar posto em Deus, sem impaciência, sem exigir frutos a curto prazo, sem absolutizar nossos méritos, então os frutos sairão. Cristo nos diz: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).


Então, as duas parábolas de hoje tem em comum o “símbolo” da germinação, da potência da “vida nascente”. Jesus assim sua obra.


“O Reino de Deus é como um homem que lança a semente à terra”. Lançar semente à terra é um gesto absolutamente natural, apaixonante e misterioso. É um gesto de esperança e de aventura. A semente crescerá? Haverá boa colheita, ou não haverá nada? O semeador é aquele crê na vida, que tem confiança no porvir. O semeador é aquele que semeia a mãos cheias para que a vida se multiplique. O semeador é aquele que investe no porvir. Jesus está consciente de estar fazendo isto: semear.  Ele empreende uma obra que tem porvir. Mas esta imagem é válida para qualquer vida humana: para os empresários, para os professores, para os pais e mães de uma família e assim por diante. Há que semear, há que investir sobre o porvir.


O homem dorme, levanta-se, de noite e de dia, e a semente brota e cresce, sem ele o perceber.    Pois a terra por si mesma produz, primeiro a planta, depois a espiga e, por último, o grão abundante na espiga”.  Marcos é o único que nos relata esta maravilhosa, curta e otimista parábola do “grão-que-cresce-só”. Tudo reside na vitalidade da semente: aparentemente frágil, mas nela tem uma potência ou uma vitalidade. Basta a semente estar na terra, começa, então, em segredo e em silêncio uma serie de maravilhas, pouco importa se o semeador se preocupa ou não com a semente.


Da mesma maneira, disse Jesus, o Reino de Deus é como uma semente viva. Semeada numa alma, semeada no mundo, cresce lentamente, imperceptível, mas com um crescimento contínuo. Sem intervenção destruidora da parte do homem, a vida progride sem que ninguém possa segurar seu avanço ou seu crescimento.


O Reino de Deus, a Palavra de Deus, tem dentro de si uma força misteriosa que apesar dos obstáculos encontrados no seu caminho vai germinar e dar fruto. Com esta parábola Jesus quer sublinhar a força intrínseca da graça e da intervenção de Deus. O protagonista da parábola não é o lavrador nem o terreno bom ou mau e sim a semente. O Reino de Deus está no meio de nós. Este Reino cresce em segredo em nosso mundo, alimentado pelo próprio Deus que o põe no coração dos crentes como uma semente que, pouco a pouco, dá abundantes colheitas de solidariedade e de serviço entre as pessoas de boa vontade. Essas duas parábolas podem alimentar e fortalecer nossa esperança. Pouco importam os aparentes fracassos e as grandes dificuldades. É o próprio Deus Pai que faz crescer e germinar seu Reino, muitas vezes, através dos caminhos misteriosos e desconhecidos por nós, pobres pecadores.


Outra comparação é a semente da mostarda, menor de todas as sementes, mas que chega a ser um arbusto notável. Novamente, a desproporção entre os meios humanos e a força de Deus.


Para as duas parábolas une uma mesma realidade: a força de Deus está além tanto das habilidades do evangelizador como da debilidade dos evangelizados. É o próprio Deus que se faz presente, superando a ação humana e a insignificância da semente.


O evangelho de hoje nos ajuda a entendermos como conduz Deus nossa história. Se esquecermos Seu protagonismo e a força intrínseca que tem Seu Evangelho, Seus sacramentos e Sua graça poderão acontecer duas coisas: se tudo for bem, pensamos que mérito seja nosso. Se tudo for mal, nos afundamos. Não teríamos que nos orgulhar nunca, como se o mundo se salvasse por nossas técnicas e esforços. Não podemos esquecer aquilo que São Paulo nos aconselhou: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer. Assim, nem o que planta é alguma coisa nem o que rega, mas Deus, que faz crescer. O que planta ou o que rega são iguais; cada um receberá a sua recompensa, segundo o seu trabalho.  Nós somos operários com Deus. Vós, o campo de Deus, o edifício de Deus. Segundo a graça que Deus me deu, como sábio arquiteto lancei o fundamento, mas outro edifica sobre ele. Quanto ao fundamento, ninguém pode pôr outro diverso daquele que foi posto: Jesus Cristo” (1Cor 3,6-11). 


Jesus quer nos dar lição de que os meios podem ser muito pequenos, mas podem produzir frutos inesperados, não proporcionados nem a nossa organização nem a nossos métodos e instrumentos. A força da Palavra de Deus vem do próprio Deus e não de nossas técnicas. Quando em nossa vida há uma força interior, a eficácia do trabalho cresce notavelmente. Mas quando essa força interior é o amor que Deus nos tem, ou seu Espírito ou a Graça salvadora de Cristo ressuscitado, então, o Reino de Deus germinará e crescerá poderosamente. Deus nos surpreende tirando força do débil, confundindo os sábios e entendidos, fazendo da fragilidade seu próprio testemunho. Cada evangelizador, cada agente de qualquer pastoral ou movimento ou de qualquer ministério na Igreja do Senhor deve estar consciente de que ele é apenas um colaborador de Deus e não é o dono que pode manipular a salvação.


O que se pede de nós não é o êxito e sim a fidelidade. E o que devemos fazer é colaborar com nossa liberdade. Mas o protagonista é Deus. Não é que sejamos convidados a não fazer nada e sim a trabalhar com o olhar posto em Deus, sem impaciência, sem exigir frutos a curto prazo, sem absolutizar nossos méritos e sem demasiado medo ao fracasso. Há que ter paciência como a tem o lavrador esperando a colheita.


Basta ter um pouco de amor no coração, a paciência será nossa parceira inseparável para esperar os frutos abundantes que virão da própria mão de nosso Pai celeste. Por isso, Deus quer que entremos na aliança de amor com Ele. Ao entrar em comunhão de vida com ele, Deus quer nos fazer sinais de seu amor para com os outros. Mas Deus jamais deixa de nos amar, pois Ele é amor (1Jo 4,8.16). Deus nos ama e cremos no seu amor. Se quisermos que a Palavra de Deus chegue aos demais não somente como informação e sim como testemunho de vida, nós devemos ter a abertura suficiente ao dom de amor de Deus.
P. Vitus Gustama,svd

31/01/2019
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SER REFLEXO DE CRISTO PARA OS QUE AINDA ANDAM NA ESCURIDÃO
Quinta-Feira Da III Semana Comum


Primeira Leitura: Hb 10,19-25
19 Sendo assim, irmãos, temos plena liberdade para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus. 20 Ele nos abriu um caminho novo e vivo, através da cortina, quer dizer, através da sua humanidade. 21 Temos um grande sacerdote constituído sobre a casa de Deus. 22 Aproximemo-nos, portanto, de coração sincero e cheio de fé, com coração purificado de toda má consciência e o corpo lavado com água pura. 23 Sem desânimo, continuemos a afirmar a nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa. 24 Sejamos atentos uns aos outros, para nos incentivar à caridade e às boas obras. 25 Não abandonemos as nossas assembleias, como alguns costumam fazer. Antes, procuremos animar-nos mutuamente, e tanto mais quanto vedes o dia aproximar-se.


Evangelho: Mc 4,21-25
Naquele tempo, Jesus disse à multidão: 21 “Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote, ou debaixo da cama? Ao contrário, não a põe num candeeiro? 22 Assim, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto. 23 Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça”. 24 Jesus dizia ainda: “Prestai atenção no que ouvis: com a mesma medida com que medirdes, também vós sereis medidos; e vos será dado ainda mais. 25 Ao que tem alguma coisa, será dado ainda mais. Do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem”.
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Em e Com Cristo o Homem Tem Acesso Livre Até Deus


Temos plena liberdade para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus. Ele nos abriu um caminho novo e vivo, através da cortina, quer dizer, através da sua humanidade. Temos um grande sacerdote constituído sobre a casa de Deus”.


A parte central da Carta aos Hebreus se conclui com uma enumeração dos privilégios para os cristaos no novo estado por causa de Cristo, e ao mesmo tempo, o início de uma exortação.


Há três aspectos que caracterizam o novo estado. Primeiro, temos um acesso livre e seguro até Deus, porque Jesus nos purificou de nossas culpas. Por isso, em Cristo Jesus não há mais separação entre nós e Deus. Segundo, temos o caminho, vivo e novo que é a realidade humana glorificada por Cristo. Aquele que disse "Eu sou o caminho" (Jo 14,6), foi antes de nós para a presença de Deus. Aquele que disse "eu sou a porta" (Jo 10,9) abriu-nos a porta para o Reino. Terceiro, temos o Sacerdote Mediador que entrou no Santuário do céu através de sua morte e ressurreição que abriu sua humanidade para a nova existência. Como o Sacerdote Mediador, Cristo nos coloca em contato com Deus junto a Cristo.


Por isso, o autor da Carta aos Hebreus nos dá a exortação para que tenhamos a fidelidade, a constância e a perseverança no nosso seguimento de Cristo: “Aproximemo-nos, portanto, de coração sincero e cheio de fé, com coração purificado de toda má consciência e o corpo lavado com água pura. Sem desânimo, continuemos a afirmar a nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa”.


Às vezes, por causa da falta de confiança em Deus, ou por causa do cansaço, ou por causa das tentações do mundo ao nosso redor, pode acontecer a perda de fervor e a decadência em nosso seguimento de Cristo.


A Palavra de Deus nos encoraja hoje a crescermos nas três principais virtudes: "de coração sincero e cheio de fé", "continuemos a afirmar a nossa esperança", "para nos incentivar à caridade".


Além disso, o autor da Carta nos exorta sobre a importância de nossas celebrações/assembleias: “Não abandonemos as nossas assembleias, como alguns costumam fazer. Antes, procuremos animar-nos mutuamente, e tanto mais quanto vedes o dia aproximar-se”.


Ir ou não ir à missa é uma espécie de termômetro da fidelidade a Cristo e de nossa pertença à comunidade de Cristo. A Eucaristia nos vai ajudando a aprofundarmos em nossas raízes, em nossa identidade como cristãos. Participar da Eucaristia dominical faz parte de nossa identidade. Os muçulmanos nas sextas-feiras (dia sagrado). Os judeus aos sábados (dia de descanso). A Eucaristia nos alimenta, nos guia e nos dá forças. A Carta nos deu outra motivação para não faltar para nossoa convocação dominical: nossa presença ajuda os irmaos, assim como nossa ausência lhe debilita: “Sejamos atentos uns aos outros, para nos incentivar à caridade e às boas obras”.


Crer em Cristo é aceitar em nós Sua Luz e, ao mesmo tempo, comunicar com nossas palavras e nossas obras essa mesma luz para uma humanidade que anda sempre na escuridão.


Uma Palavra De Esperança


As palavras que se cruzam no texto do evangelho de hoje são muito significativas. Os termos usados: lâmpada, caixote (vasilha), cama e candeeiro explicam o caminho que a lâmpada acesa evita para alcançar seu objetivo: estar no candeeiro, iluminar, fazer visível o que está escondido.


Da reflexão sobre a lâmpada brota naturalmente a reflexão sobre o versículo 22: “Assim, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto”. Aqui Jesus fala para seus discípulos e lhes explica que todo o escondido, se manifestará ou se revelará inclusive para os que estão fora do círculo dos seguidores de Jesus. A revelação da força salvadora de Deus em Jesus, que até então permanece escondida para quem não se converte, um dia será descoberta ou posta em claro. Em outras palavras, um dia Deus, com um ato de Sua força fará visível e será revelada aos que estão de fora Sua força que salva.


Assim, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto”. Estas palavras, lidas no contexto da vida terrena de Jesus, recusadas pelo seu povo, ressoam como um ato de esperança. E para nós hoje os três primeiros versículos do texto do evangelho de hoje (vv.21-23) ressoam como o convite de Jesus: “Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça”. Isto quer nos dizer que somos convidados a viver a mesma esperança de Jesus. “A esperança é o sonho do homem acordado”, dizia o filósofo Aristóteles.  A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero” (Victor Hugo).


Ser Luz Que Se Consome Para Iluminar A Vida Dos Demais


Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la de baixo de um caixote ou em baixo da cama? Ao contrário, não a coloca num candeeiro?”.


Jesus é um observador do real. Nada escapa do seu olhar e de sua observação. É um homem atento em todo momento e em qualquer lugar. Sem dúvida, ele via a sua Mãe, Maria, na casa acendendo a lâmpada ao anoitecer para colocá-la, não de baixo da cama onde resultaria inútil e sim no centro da sala, sobre um candeeiro a fim de iluminar o mais possível a casa.


Através deste simples gesto familiar, belo humanamente, Jesus viu umsímbolo”. Cada realidade material evoca para Ele o invisível. Jesus se experimentou como uma lâmpada que se consumiu entregando-se no serviço de uma causa para os demais a fim de salvá-los das trevas da morte. Como uma vela, sua vida terrena foi acabando iluminando a humanidade para que essa pudesse encontrar o caminho da verdadeira vida (cf. Jo 8,12).


A Palavra de Deus não foi feita para ser guardada para si. Ninguém recebe a Palavra de Deus verdadeiramente se não comunicá-la para os demais. Toda vida cristã que se fecha em si mesma no lugar de irradiá-la não é querida por Jesus. Crer em Jesus Cristo significa aceitar em nós Sua luz e por nossa vez temos que ser reflexos da verdadeira Luz comunicando essa mesma luz aos outros com nossas palavras e nossas obras.


Na celebração do Batismo, e logo em sua anual renovação na Vigília Pascal, a vela de cada um, acendida do Círio Pascal é um formoso símbolo da Luz que é Cristo, que se comunica a nós e que se espera que logo se difunda através de nós aos demais. Não podemos escondê-la. Segundo Santo Tomás de Aquino, o ser humano está ordenado à felicidade sobrenatural pelos princípios do entendimento e pela tendência natural de sua vontade ao bem. Ao não obedecer à sua tendência natural para o bem o homem ficará longe da felicidade e ainda fará os outros infelizes, pois o ser humano não somente vive, mas convive.


Medida De Deus Sobre Nós


Prestai atenção no que ouvis: com a mesma medida com que medirdes, também vós sereis medidos; e vos será dado ainda mais. Ao que tem alguma coisa, será dado ainda mais. Do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem”.


Qual é a medida do amor que Deus usou para nós? Para saber disso, precisamos contemplar Cristo morto e ressuscitado por nós. Em Jesus conhecemos o amor que Deus tem por nós. São João expressa esse amor com a seguinte frase: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna” (Jo 3,16).


É importante compreender que Cristo, ao pagar por pura misericórdia o que não devia na justiça, fez da misericórdia Sua lei fundamental e a condição indispensável para poder aproveitar o dom gratuito que a redenção significa, essa redenção sem a qual todos estaríamos irremissivelmente perdidos para sempre.


Sendo portadores de Cristo, pois somos chamados de cristãos, devemos ser um sinal claro de seu amor para todos os homens. Para isso, Jesus nos alimenta constantemente, na Eucaristia, com Seu Corpo entregue por nós e com Seu Sangue derramado para o perdão de nossos pecados. Ao celebrar a Eucaristia, fazemos nosso o compromisso de deixar que o Senhor nos converta num sinal claro, nítido, brilhante de Seu amor no mundo.


Quem participa da Eucaristia não pode passar a vida como destruidor do próximo. Não pode viver uma intimista, de santidade personalista. Deus nos encheu de sua própria vida (Gn 2,7) fazendo-nos filhos seus para que convivamos como irmãos e irmãs, filhos e filhas do mesmo Pai celeste. Por isso, os que fazem parte da Igreja de Cristo devem ser os primeiros em ser luz para os demais, em lutar pela paz; os primeiros em trabalhar por uma autêntica justiça social. Se somente professamos nossa nos templos e depois vivemos como ateus, então não temos direito de voltar a Deus para escutá-Lo somente pelo costume. Os cristãos fazem parte e devem fazer parte dos responsáveis por um mundo que seja cada vez mais justo e fraterno.


Por isso, resta para nós estas perguntas: Será que iluminamos e comunicamos e esperança aos que estão ao nosso redor? Será que somos sinais e sacramentos do Reino em nossa família, em nossa comunidade e em nossa sociedade?  Será nossa vida, nossas escolhas de cada dia assinalam para o Reino de Deus? Nenhum cristão se anula no testemunho de uma vida digna de um filho de Deus nesta terra. O testemunho é a entrega da própria vida para que outro viva; consumir-se ajudando outros para que tenham vida, não escondendo-se e sim entregando sua vida por uma causa digna. Se nãoentrega não se pode pedir a outro que se entregue, porque o Reino de Deus se faz com a entrega de uns aos outros. Quem não se entrega, se empobrece e se anula por si .
P. Vitus Gustama, SVD