sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019



12/02/2019
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VIVER DE ACORDO COM O CORAÇÃO RETO E INDIVISÍVEL PARA PODER AGRADAR A DEUS
Terça-feira Da V Semana Comum


Primeira Leitura: Gn 1,20–2,4a
20Deus disse: “Fervilhem as águas de seres animados de vida e voem pássaros sobre a terra, debaixo do firmamento do céu”. 21Deus criou os grandes monstros marinhos e todos os seres vivos que nadam, em multidão, nas águas, segundo as suas espécies, e todas as aves, segundo as suas espécies. E Deus viu que era bom. 22E Deus os abençoou, dizendo: “Sede fecundos e multiplicai-vos e enchei as águas do mar, e que as aves se multipliquem sobre a terra”. 23Houve uma tarde e uma manhã: quinto dia. 24Deus disse: “Produza a terra seres vivos segundo as suas espécies, animais domésticos, répteis e animais selvagens, segundo as suas espécies”. E assim se fez. 25Deus fez os animais selvagens, segundo as suas espécies, os animais domésticos segundo as suas espécies, e todos os répteis do solo segundo as suas espécies. E Deus viu que era bom. 26Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e segundo a nossa semelhança para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, e sobre todos os répteis que rastejam sobre a terra”. 27E Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou: homem e mulher os criou. 28E Deus os abençoou e lhes disse: “Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a! Dominai sobre os peixes do mar, sobre os pássaros do céu e sobre todos os animais que se movem sobre a terra”. 29E Deus disse: “Eis que vos entrego todas as plantas que dão semente sobre a terra, e todas as árvores que produzem fruto com sua semente, para vos servirem de alimento. 30E a todos os animais da terra, e a todas as aves do céu, e a tudo o que rasteja sobre a terra e que é animado de vida, eu dou todos os vegetais para alimento”. E assim se fez. 31E Deus viu tudo quanto havia feito, e eis que tudo era muito bom. Houve uma tarde e uma manhã: sexto dia. 2,1 E assim foram concluídos o céu e a terra com todo o seu exército. 2No sétimo dia, Deus considerou acabada toda a obra que tinha feito; e no sétimo dia descansou de toda a obra que fizera. 3Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, porque nesse dia descansou de toda a obra da criação. 4aEsta é a história do céu e da terra, quando foram criados.


Evangelho: Mc 7,1-13
Naquele tempo, 1os fariseus e alguns mestres da Lei vieram de Jerusalém e se reuniram em torno de Jesus. 2Eles viam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as terem lavado. 3Com efeito, os fariseus e todos os judeus comem depois de lavar bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. 4Ao voltar da praça, eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre. 5Os fariseus e os mestres da Lei perguntaram então a Jesus: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?” 6Jesus respondeu: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. 7De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. 8Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”. 9E dizia-lhes: “Vós sabeis muito bem como anular o mandamento de Deus, a fim de guardar as vossas tradições. 10Com efeito, Moisés ordenou: ‘Honra teu pai e tua mãe’. E ainda: ‘Quem amaldiçoa o pai ou a mãe deve morrer’. 11Mas vós ensinais que é lícito alguém dizer a seu pai e à sua mãe: ‘O sustento que vós poderíeis receber de mim é Corban, isto é, Consagrado a Deus’. 12E essa pessoa fica dispensada de ajudar seu pai ou sua mãe. 13Assim vós esvaziais a Palavra de Deus com a tradição que vós transmitis. E vós fazeis muitas outras coisas como estas”.
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Deus Criou Tudo Por Amor


Continuamos a acompanhar o relato da criação do universo por Deus. A ideia bíblica de “criação” se expressa com o verbo hebraico “bara”, que denota não só a ação de dar princípio à realidade, mas também a ação restauradora (re-criadora) e consumadora dessa mesma realidade. Em outras palavras, Deus CRIA quando, primeiro, Ele chama à existência os seres que não existem. Segundo, Deus sustenta as criaturas na existência (providência divina), escolhe um grupo humano para que se converta em seu povo (Povo eleito) e refaz a criação degradada pelo pecado (fruto da ganância ou da avareza humana). Terceiro, Deus conduz essa mesma criação redimida à plenitude do ser e de sentido que é a salvação. A história da humanidade foi, desde as origens, orientada para a luz eterna, e toda a humanidade foi convidada a penetrar no descanso de Deus.


Em cada uma dessas acepções da ideia da criação, um atributo divino se destaca: o amor. Deus cria por amor. Deus se encanou por amor. Deus redime por amor. Deus ama tanto para criar como para salvar. A ação criadora, mais do que a onipotência é a expressão da bondade irrestrita, a generosidade ilimitada e o amor gratuito de um Deus que atua movido exclusivamente por sua vontade de comunicar-se. O que se pretende é revelar aos crentes o porquê e o para quê da realidade criada. O porquê é o amor divino enquanto comunicador de ser; o para quê é esse mesmo amor enquanto salvador e doador de plenitude a todo o criado.


Portanto, a Primeira Leitura nos lembra que toda a realidade humana, o mundo inteiro como habitação humana, é uma boa obra de Deus por amor. O cristianismo não condena o que é humano, nem olha com desconfiança para a realidade do mundo. Porque é obra de Deus e Deus viu que "tudo era muito bom". Especialmente o homem foi criado à sua imagem.


Ao nos criar amorosamente, de alguma forma, Deus se colocou em nossas mãos. Um místico alemão disse: "Deus tem tanta necessidade de mim como eu preciso dele". Aquele que ama precisa do amado. Os humanistas ateus dizem: se admitirmos a existência de Deus, o homem não seria livre. Isso é falso. A afirmação oposta é verdadeira: se o homem existe, Deus não é mais livre para deixar de amar o homem. O homem pode abandonar Deus, mas Deus não abandona o homem. Deus não cria para ser dono de alguém, mas apenas para dar, compartilhar e esperar. Deus nos espera. Ele nos ama de tal maneira que ele se deixou morrer por nós. "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas alcance a vida eterna" (Jo 3,16).


A fé na criação de Deus implica uma ética ecológica, um modelo de relação homem-natureza que permita contemplar essa mesma natureza como casa e pátria do ser do homem, e ao mesmo tempo, sacramento pela real presença nela do Criador e pela encarnação nele do Mediador da criação.


O destino do homem não é viver por viver; trabalhar, amar, reproduzir-se ou dominar a criação e sim conviver, compartilhar a vida com Deus e caminhar juntos movido tudo por amor.


Honrar a Deus Com Coração


Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos”.


Lendo o texto do evangelho de hoje logo percebemos qual foi a situação por trás do texto. O evangelista Marcos sente a necessidade de explicar quais eram os costumes dos fariseus e quase de todos os judeus (Mc 7,3-4). Isto nos mostra que Marcos escreveu seu evangelho para cristãos que não eram da origem judaica. Marcos está falando para uma comunidade cristã a fim de comunicar um ensinamento muito importante de Jesus.


O ensinamento parte da pergunta dos escribas e dos fariseus vindos de Jerusalém: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?”.


Jesus, colocando-se na linha dos antigos profetas, cita o profeta Isaias e depois, Moises para rebater seus adversários: “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos”.


Na expressão de Jesus há antíteses: “lábios- coração”, “render culto- preceitos humanos”. Na primeira antítese se descreve a exterioridade, a aparência. Trata-se de uma vida não vivida na intimidade ou na profundidade do coração. Este tipo de vida é chamada de vida hipócrita, pois o externo não corresponde com o que há no coração e nas aspirações humanas. Na segunda antítese se descreve um culto hipócrita porque está regido pelos preceitos humanos que abandonam (Mc 7,8), anulam (Mc 7,9) e esvaziam (Mc 8,13) os mandamentos de Deus.


Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim”. Com esta afirmação Jesus quer colocar em destaque a moral do coração e não somente a moral das ações. Somente de um homem devidamente ordenado, de um homem de coração limpo é que podem proceder ações morais e éticas. Uma pessoa íntegra, de coração indivisível sabe se governar e se controlar, sabe ser justo e honesto.  Aquele que não é capaz de governar a si mesmo não será capaz de governar os outros (Mahatma Gandhi). É uma chamada para a retidão de intenção ou a retidão do coração. Quando o coração está em desordem, então a conduta se torna cega. Nisto consiste um esforço contínuo de purificação. Para Jesus o primeiro dever do homem é ter a consciência limpa ou o coração puro. “Faz de teu coração um tribunal e senta-te nele como juiz de ti mesmo. Tua memória seja o promotor, tua consciência a testemunha, e o temor de Deus, o juiz” (Santo Agostinho: Serm. 351, 4,7). Portanto, não se trata somente de fazer as coisas de coração e sim de fazer coisas que procede do coração reto e limpo. Para Jesus o coração tem que estar limpo para que possa estar em disposição para captar a vontade de Deus, uma vontade que não é simplesmente letra escrita. Não basta superar a hipocrisia e o formalismo; a interiorização pede algo mais que sentimento de sinceridade.


O coração reto do qual fala Jesus não é feito somente de coragem, de fidelidade e de boa memória sobre todos os ensinamentos. O coração é feito de disponibilidade, entendendo com isso a liberdade e a intuição. Trata-se de criar uma situação interior capaz de conhecer a Deus, ao verdadeiro Deus, capaz de ler de novo a vontade de Deus. O coração é o lugar onde Deus se revela, não simplesmente o lugar onde se percebe a obrigatoriedade de um esquema existente e onde se encontra a coragem de repeti-lo.


Assim no texto do evangelho de hoje Jesus reprova o espírito farisaico: a confusão entre o rigorismo minucioso na observância da moral e da fidelidade a Deus. A minuciosidade nem sempre é sinal da fidelidade. Jesus também reprova artimanhas casuísticas na interpretação dos deveres morais, um defeito que leva a um duplo desequilíbrio: complicar a observância da lei especialmente para a gente simples e tranqüilizar a consciência dos astutos que intentam salvar o esquema da lei descuidando de sua substância. Jesus também critica a confiança nas próprias obras acima do amor de Deus que nos chega gratuitamente. Aquele que se gloria pelas próprias obras, e não pelo amor gratuito de Deus e pela sua misericórdia, tem pretensão inútil de ser Deus para si próprio.


Para tudo isto, o evangelho assume uma dupla tarefa: pôr em evidência qual é o centro da lei: é a caridade. “Atente para que a sua prática religiosa não seja mais importante do que seu Deus e seu próximo” (René Juan Trossero). O egoísmo devora o que o outro tem; o amor oferece ao outro o que lhe falta. Segundo, considerar a obediência do homem à lei como resposta ao gesto salvífico e gratuito de Deus e não a lei por lei. A lei ou as normas devem me ajudar a me aproximar de Deus.  Em outras palavra, não são as normas que produzem a graça de Deus e sim a graça de Deus é que produz disciplina e normas para o homem. A graça de Deus ordena minha vida e me coloca em uma disciplina. Atrás de tudo isto há uma advertência fundamental de Jesus que serve de fio condutor para todo o capitulo 7 de Marcos: todas as formas de legalismo são sempre uma forma de recusar a Deus. O legalismo farisaico nasce de uma incompreensão de Deus e oferece uma razão para recusá-Lo; de fato foi um motivo para recusar a Jesus.


Os homens verdadeiros e autênticos podem ser aplaudidos ou condenados, amados ou odiados, mas sempre despertam nossa admiração. Quem vive na retidão tem como critério a verdade e a caridade. A verdade dita com caridade convence até os ateus em tudo. A verdade dita com caridade humaniza nossa maneira de falar e de tratar dos assuntos mais complicados. “O amor e a verdade estão tão unidos entre si que é praticamente impossível separá-los. São como duas faces da mesma medalha” (Mahatma Gandhi). É preciso ter um coração indivisível e íntegro para ter uma ação ética.


Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens, disse Jesus citando o profeta Isaías. Através desta afirmação Jesus quer nos dizer que o mandamento de Deus e as tradições dos homens têm que ser considerados como duas coisas distintas. Os dois não estão no mesmo plano e por isso, não podem ser colocados no mesmo patamar, pois o mandamento de Deus é perene e as tradições dos homens são provisionais.


Para ser lembrado: Somente de um homem devidamente ordenado e de coração puro é que podem proceder ações morais e éticas. É uma chamada para a retidão de intenção e de ação.
P. Vitus Gustama,svd

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