sexta-feira, 30 de agosto de 2019

04/09/2019
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SER SALVO PARA SERVIR O PRÓXIMO A FIM DE SALVÁ-LO
Quarta-Feira da XXII Semana Comum


Primeira Leitura: Cl 1,1-8
1 Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus e o irmão Timóteo, 2 aos santos e fiéis irmãos em Cristo que estão em Colossas: graça e paz da parte de Deus, nosso Pai. 3 Damos graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, sempre rezando por vós, 4 pois ouvimos acerca da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que mostrais para com todos os santos, 5 animados pela esperança na posse do céu. Disso já ouvistes falar no Evangelho, cuja palavra de verdade chegou até vós. 6 E como no mundo inteiro, assim também entre vós ela está produzindo frutos e se desenvolve desde o dia em que ouvistes a graça divina e conhecestes verdadeiramente. 7 Assim aprendestes de Epafras, nosso estimado companheiro, que é junto de vós um autêntico mensageiro de Cristo. 8 Foi ele quem nos deu notícia sobre o amor que o Espírito suscitou em vós.


Evangelho: Lc 4,38-44
Naquele tempo, 38 Jesus saiu da sinagoga e entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava sofrendo com febre alta, e pediram a Jesus em favor dela. 39 Inclinando-se sobre ela, Jesus ameaçou a febre, e a febre a deixou. Imediatamente, ela se levantou e começou a servi-los. 40 Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes atingidos por diversos males, os levaram a Jesus. Jesus punha as mãos em cada um deles e os curava. 41 De muitas pessoas também saíam demônios, gritando: “Tu és o Filho de Deus”. Jesus os ameaçava, e não os deixava falar, porque sabiam que ele era o Messias. 42 Ao raiar do dia, Jesus saiu e foi para um lugar deserto. As multidões o procuravam e, indo até ele, tentavam impedi-lo de as deixar. 43 Mas Jesus disse: “Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus também a outras cidades, porque para isso é que eu fui enviado”. 44 E pregava nas sinagogas da Judéia.
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Somos Irmãos e Apóstolos de Cristo


Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus e o irmão Timóteo, aos santos e fiéis irmãos em Cristo que estão em Colossas: graça e paz da parte de Deus, nosso Pai”. Assim lemos no texto da Primeira Leitura tirada da Carta de São Paulo aos Colossenses.


A partir de hoje, durante alguns dias leremos a Carta de São Paulo aos cristãos de Colossos.


Colossos é uma cidade da Ásia Menor, perto de Efeso, atualmente na Turquia. Esta cidade não foi evangelizda por São Paulo e sim por Epafras, convertido, provavelmente por São Paulo em Éfeso. A comunidade de Colossos é formada em sua maior parte por cristãos convertidos do paganismo. Mas há um bom número de judeus-cristãos. Deles provem em boa parte os problemas que são mencionados nesta Carta.


Quais são os problemas principais na comunidade de Colossos?


Primeiro, determinados judeus convertidos ao cristianismo querem manter as tradições judaicas e pretendem induzir os cristaos a observarem as práticas judaicas como circuncisão (Cl 2,11-13), o sábado e as festas judaicas (Cl 2,16), abstinência de determinados alimentos (Cl 2,16.20-22).


Segundo, a devoção excessiva aos anjos (Cl 2,18) com o risco de que possam ocupar o lugar de Cristo. São Paulo insistirá em destacar o papel central e insubstituível de Cristo. É uma doutrina que destrona Cristo do lugar e da missão que lhe corresponde na criação e na salvação do homem.


Terceiro, o probelam de ritos de iniciação e ascetismo rígido. Em virtude do poder dessas potestades, eram precisos ritos de iniciação nos mistérios ocultos e um ascetismo rígido que consistem em purificação, abstinência de certos alimentos e celebração de festas (Cl 2,2; 3,16). Claramente nos ritos existe uma influência das religiões dos mistérios. Trata-se de uma mistura delementos cristãos, judeus e pagãos que ameaçam obscurecer o mistério de Cristo, único Mediador e Redentos nosso. Por isso, na Carta aos Colossenses o autor enfatiza bastante a unicidade de Cristo e sua primazia apresentando Cristo pré-existente como mediadir da criação e Cristo ressuscitado como reconciliador do universo, acentuando sua posição de cabeça e Senhor de toda potestade e dominação.


Um grupo dos exegetas pensam que São Paulo escreveu essa Carta ao final de sua vida, durante seu cativeiro em Roma (ano de 61 a 63). Nesta carta encontramos uma síntese teológica mais curta, mas que expressa o pensamento mais maduro de São Paulo como se manifesta abertamente na Carta aos Efessos.


Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus e o irmão Timóteo, aos santos e fiéis irmãos em Cristo que estão em Colossas: graça e paz da parte de Deus, nosso Pai”. 


Aqui São Paulo chama a si próprio de “apóstolo”. A palavra “apóstolo” literalmente significa aquele que é enviado. São Paulo é enviado do Senhor para ser seu embaixador. Além disso, ele é apóstolo “por vontade de Deus”. Isto quer nos dizer que o cargo de “apóstolo” não foi adquirido pelo próprio São Paulo. É algo dado por Deus. A vocação não provém da vontade de São Paulo e sim da vontade de Deus: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16).


Um dia Jesus disse aos discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos” (Mt 9,37). Esta frase é dirigida para cada cristão. É um convite de Jesus a cada um para trabalhar com ele em favor dos abandonados, dos desorientados, dos doentes e de outros com suas variedades de problemas, de muitos que vivem como “ovelhas sem pastor”. São Gregório Magno dizia: “A messe é muita, mas os operários poucos... Ao escutarmos isto, não podemos deixar de sentir uma grande tristeza, porque é preciso reconhecer que há pessoas que desejam escutar coisas boas; falta, no entanto, quem se dedique a anunciá-las”.


Além disso aqui São Paulo usa duas vezes o termo “irmão”. Era a maneira de nomear-se entre os primeiros cristãos. Com efeito, o cristianismo é para nós uma grande fraternidade. Não se trata somente de solidariedade humana. Mas trata-se de considerar as relações humanas a partir do ângulo da fé: Somos irmãos e irmãs em Jesus Cristo. Somos os homens unidos ao mesmo Cristo e por isso, somos irmãos. Eu sou de Cristo com os outros cristãos, unicamente de Cristo, Cabeça e centro da unidade. Eu sou da Igreja como os outros cristãos, em comunhão com todos os irmãos. Eu sou irmão para os demais, em atitude de solidariedade e de serviço a exemplo de Cristo.


Além da fraternidade, na Primeira Leitura de hoje São Paulo quer nos relembrar que necessitamos dar graças a Deus permanentemente: “Damos graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, sempre rezando por vós, pois ouvimos acerca da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que mostrais para com todos os santos, animados pela esperança na posse do céu”.


Uma pessoa agradecida é interiormente rica. Não somente tem consciência dos dons recebidos, como também reconhece que todo o bem procede de Deus. Quanto mais grata for uma pessoa, maior riqueza interior possui. O agradecido guarda na memória todas as boas experiências vividas. O ingrato, ao contrário, é um ser mesquinho, um isolado. Ele é infeliz por dentro apesar da sua aparente satisfação.


O agradecimento é muitas vezes o único que podemos dar a Deus por tudo que temos e somos. Quem não dá graças a Deus é porque ainda não viveu a vida como um puro dom de Deus. O que você tem e é que não seja de Deus, a não ser seu pecado? Dizia Santo Agostinho: “Nada é nosso, a não ser o pecado que possuímos. Pois que tens tu que não tenhas recebido (de Deus)?”.


O objetivo da ação de graças de São Paulo na leitura de hoje é a fé, a esperança e a caridade dos Colossenses. A fé, a caridade e a esperança caracterizam os cristãos.


O cristaos, enquanto peregrinos nesta terra, sabem que o motor, o dinamismo das outras duas virtudes é a esperança. Os cristaos estão em marcha e sabem aonde vão: vão para o céu. A fé e a caridade são como algo antecipado desse céu que realizará na plenitude de todas as aspirações do homem. A esperança sustenta a fé e frutifica em obras de amor. O amor no Espirito que os colossenses professam não é somente um amor meramente humano. Mas é muito mais do que isso: é um amor sobrenatural baseado no amor de Cristo que nos amou até o fim (cf. Jo 13,1).


Somos Salvos Para Servir e Salvar Os Outros


O que Jesus anunciou na sinagoga de Nazaré, no seu discurso programático (Lc 4,14-30), ele vai o cumprindo. Aplicando para si a profecia de Isaias, Jesus diz que vem anunciar a salvação aos pobres e curar os cegos e dar a liberdade aos oprimidos.


Hoje lemos o programa de uma jornada de Jesus “ao sair da sinagoga”: curar a febre da sogra de Pedro, impor as mãos e curar os enfermos que as pessoas trouxeram para Jesus, libertar os possuídos pelo demônio e não se cansar de ir ao encontro do povo para anunciar o Reino de Deus. Mas, no meio de suas atividades missionárias, Jesus nunca deixa de buscar momentos de paz para rezar pessoalmente num lugar solitário.


Depois de sair da Sinagoga, em Nazaré, Jesus e alguns discípulos foram para a casa de Simão Pedro. Jesus saiu de um lugar oficial (sinagoga é lugar de oração, de ensino e de catequese para os judeus) para um ambiente familiar: casa. Em casa todos tem seu espaço e cada um é chamado pelo nome e não pelo título (se é um doutor, deputado, presidente e assim por diante). Cada um é gente em casa. Em casa um se preocupa com o outro. Basta um membro sofrer, todos sofrerão. Basta um membro ter sucesso, todos experimentarão a felicidade. Ninguém fica feliz sozinho como também ninguém sofre sozinho, pois não somente vivemos, mas convivemos. Nossa vida é cercada por outras vidas. Oxalá possamos viver a espiritualidade familiar também fora de nossa família, como Jesus nos diz hoje: “Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus também a outras cidades, porque para isso é que eu fui enviado” (Lc 4,43). O cristão existe para os outros. Nisto consiste o sentido de sua vida de cristão.


Pedro encontra sua sogra com febre em sua casa. No pensamento daquela época, a febre era causada pelo demônio. Com um gesto familiar, Jesus se aproximou da mulher, tocou-a e a ajudou a se levantar e a febre desapareceu. A sogra de Pedro começou a servir a todos imediatamente.


A febre representa tudo que nos impede de servirmos aos outros. Cada um pode descobrir que tipo de “febre” que o impede de servir aos outros, “febre” que faz a vida perder seu sentido (ficar deitado todo tempo). O que é que me faz viver uma “vida deitada”, isto é, sem ação, sem ânimo, sem perspectivas. Eu preciso convidar Jesus para entrar na minha casa onde estou “deitado” para que ele se aproxime de mim, me toque e me ajude a me levantar. A palavra “levantar-se” no Novo Testamento, em outros contextos, também significa ressuscitar. Eu preciso me levantar de uma vida estéril (deitar) para uma vida fecunda (servir). Para isso, eu preciso segurar a mão de Jesus, mão que me potencia, mão que me levanta, mão que me cura e liberta, mão que me torna uma mão que ajuda os outros.


Um outro detalhe que chama nossa atenção no evangelho deste dia é que Jesus não deixava os demônios falarem, e os expulsou (Lc 4,41). Nesta marca comum nos antigos exorcismos se descobre que é preciso lutar contra o mal sem deter-se em discutir suas pretensões.


Todos nós sabemos que o mal pode vestir-se de uma aparência boa, enganando os que procuram escutar suas “orações” ou “pedidos”. Jesus não ficou parado nisto. Jesus sabe que tudo que destrói o homem é perverso e Jesus se esforça para vencê-lo, devolvendo assim a dignidade para as pessoas sofridas.


Outro detalhe que chama bastante nossa atenção é que diante da obra de Jesus surge uma reação bastante egoísta entre as pessoas: querem monopolizar o aspecto mais extenso da atividade de Jesus e utilizá-lo como um simples curandeiro: “As multidões o procuravam e, indo até ele, tentavam impedi-lo de as deixar”.


Podemos ter a tentação ou a tendência para este tipo de relacionamento com Jesus no sentido de que nós aceitamos Jesus simplesmente na medida em que ele nos ajuda a resolver nossos problemas para garantir tranqüilidade psicológica ou uma ordem na família, ou uma garantia na vida financeira. Santo Agostinho nos relembra que a razão de nossa existência neste mundo é a vida eterna. Temos que viver e conviver dentro desta dimensão. Conseqüentemente eu sou uma ocasião de salvação para o próximo e o próximo é uma ocasião de salvação para mim. Jesus nos salva na medida em que cada um se torna uma ocasião de salvação para o outro (cf. Mt 25,40.45; veja também Lc 22,31-32). Estando conscientes disso entenderemos que Jesus é muito maior do que um fazedor de milagres. Ele é a nossa Salvação (cf. Jo 6,68-69). Que Jesus Cristo é nosso Salvador é uma das afirmações mais sólidas e repetidas do Novo Testamento. É a primeira noticia do céu à terra através do anjo falando a uns pastores: “Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador que é o Cristo Senhor” (Lc 2,11). A salvação alcança o que foi criado, pessoas humanas em umas condições concretas. Anunciar a salvação é anunciar a vida em todas as suas dimensões, inclusive em algo tão relativo como a saúde (a palavra “salus” [salvar/salvação] exige previamente uma cura. Para um cego, depois da recuperação de vista, Jesus disse: “Tua fé te salvou” [Mc 10,52]). Cada cristão existe para ajudar, proteger e salvar o outro. Se um cristão é egoísta é porque ele deixa de ser cristão. Se um cristão é desonesto, injusto, incoerente, etc., não ele não pode ser chamado mais de cristão, como dizia Santo Agostinho: “O nome de cristão traz em si a conotação de justiça, bondade, integridade, paciência, castidade, prudência, amabilidade, inocência e piedade. Como podes explicar a apropriação de tal nome se tua conduta mostra tão poucas dessas muitas virtudes?” (De vit. christ. 6).


A resposta de Jesus, para a tentação de monopólio, é clara: “Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus também a outras cidades, porque para isso é que eu fui enviado” (Lc 4,43). Sua exigência se traduz em um dom que fica aberto para todos os que O esperam. Certamente o Evangelho é um presente que enriquece a existência, porém um presente que não se pode encerrar e sim um presente que nos abre sem cessar para os outros.


Podemos revisar alguns traços significativos do texto do evangelho lido neste dia. Em primeiro lugar, o texto diz que Jesus foi para casa de Pedro ao sair da sinagoga. Trata-se de um bom programa para qualquer cristão. “Ao sair da sinagoga...”. Ou seja, na nossa linguagem “ao sair de nossa missa ou de nossa oração”, nos espera uma jornada de trabalho, de pregação e evangelização, de serviço curativo para os demais traduzindo nossas orações em ações. É colocar a oração na vida e a vida na oração. Em segundo lugar, Jesus, em meio de uma jornada com um horário intensivo de trabalho e dedicação missionária, encontra momentos para rezar sozinho. Em terceiro lugar, Jesus não quer “se instalar” num lugar onde ele é bem acolhido: “Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus também a outras cidades, porque para isso é que eu fui enviado”. É preciso que nós evitemos dois perigos: o ativismo exagerado, descuidando da oração (espiritualidade) e a tentação de ficarmos no ambiente em que somos bem recebidos, descuidando da universalidade de nossa missão. É preciso que olhemos para Cristo para saber o que precisamos fazer: Jesus é evangelizador, libertador, orante.


Para Refletir Mais...


Uma das atitudes fundamentais de Jesus, que Lucas nos descreveu no seu evangelho, é a sua grande misericórdia. A misericórdia leva Jesus a ser disponível para os demais. Por causa da misericórdia, para Jesus não há momento determinado para ajudar, para curar e para atender aos que O procuram e necessitam dele. Todo tempo de Jesus é para os necessitados, para os quais ele foi enviado (cf. Lc 4,18-19). E todos encontram nele alívio, consolo e força para continuar a seguir adiante na vida. Servir é amar. E amar é viver para sempre, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16).


Que “motor” que nos move a trabalharmos como cristãos tanto na Igreja como na sociedade em geral? Como está nossa disponibilidade como cristãos? Existe algum momento dedicado para os outros no nosso dia-a-dia para ajudar, consolar, aconselhar ou simplesmente para escutar o outro?
 
P. Vitus Gustama,svd
03/09/2019
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SOMENTE TEM  AUTORIDADE  QUEM FAZ O OUTRO CRESCER, POIS ACREDITA NA COMUNHÃO FRATERNA QUE O LEVA À PLENA COMUNHÃO COM DEUS
Terça-Feira da XXII Semana Comum


Primeira Leitura: 1Ts 5,1-6.9-11
1Mas, quanto à ocasião e às circunstâncias disto, irmãos, não há que vos escrever. 2 Sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como um ladrão de noite. 3 Quando os homens disserem: “Paz e segurança”, então, de repente, cairá sobre eles a ruína, como as dores do parto sobre a mulher grávida. E não poderão escapar. 4 Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse dia vos surpreenda como um ladrão. 5 Todos vós sois filhos da luz, filhos do dia. Não somos da noite, nem das trevas. 6 Por isso, não durmamos, como fazem os outros, mas nos conservemos acordados e sóbrios. 9 É que Deus não nos destinou para a ira, mas para que consigamos a salvação por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. 10 Ele morreu por nós, para que, vivos ou mortos, vivamos unidos a ele. 11 Por isso, reanimai-vos e edificai-vos uns aos outros como já o fazeis.


Evangelho: Lc 4,31-37
Naquele tempo, 31 Jesus desceu a Cafarnaum, cidade da Galileia, e aí os ensinava aos sábados. 32 As pessoas ficavam admiradas com o seu ensinamento, porque Jesus falava com autoridade. 33 Na sinagoga, havia um homem possuído pelo espírito de um demônio impuro, que gritou em alta voz: 34 “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!” 35 Jesus o ameaçou, dizendo: “Cala-te, e sai dele!” Então o demônio lançou o homem no chão, saiu dele, e não lhe fez mal nenhum. 36 O espanto se apossou de todos e eles comentavam entre si: “Que palavra é essa? Ele manda nos espíritos impuros, com autoridade e poder, e eles saem”. 37 E a fama de Jesus se espalhava em todos os lugares da redondeza.
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Estejamos Preparados Para a Parusia Do Senhor


Sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como um ladrão de noite”, adverte São Paulo aos tessalonicenses.


Sabemos que morreremos um dia. Sabemos de nossa constitutiva caducidade.  E este saber é particular do gênero humano. Por isso, este saber do morrer é o privilégio do ser humano.  Porém, a certeza de morrer um dia continua sendo um saber não sabido, pois muitos vivem como se não morressem um dia. A morte, apesar de sua inevitabilidade e sua certeza, ainda não entrou em nossos cálculos. Sua vinda sempre nos surpreende e nos deixa perplexos. Como se ela fosse algo inédito. A consciência deste privilégio torna nossa vida mais qualitativa e nossa convivência mais familiar e fraterna, se levarmos a sério este saber.  A consciência deste privilégio nos faz valorizarmos os minutos de nossa vida para que no dia em que partirmos possamos repetir as palavras de Cristo na Cruz: “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito”.


Através de sua Carta, São Paulo quer relembrar os Tessalonicenses que a vinda gloriosa do Senhor vai acontecer. Mas ninguém sabe do momento em que ocorrerá tudo isso. Segundo São Paulo esta vinda vem como um ladrão. Nenhum ladrão avisa ao dono de uma casa que sua casa será roubada.


Desta vinda certa cujo momento é incerto faz com que todos estejam preparados ou vigilantes. Estar vigilante significa orientar nossa atenção para o que é verdadeiramente importante e essencial para nossa existência de cada dia e para nossa salvação. Não podemos demorar nas coisas inúteis ou prejudiciais para a convivência. Por não sabermos do quando da chegada do Senhor, nós precisamos estar preparados vivendo nossa vida com responsabilidade no amor fraterno. Este alerta do Senhor sobre a vigilância quer nos relembrar também sobre a provisoriedade de nossa existência aqui neste mundo. Neste mundo temos uma casa comum provisoriamente, pois temos outra casa comum eternamente que é o céu. Por isso, tudo será deixado aqui. Mas que sejamos levados pelo Senhor para a Casa comum eterna. “No fim, encontrar-nos-emos face a face com a beleza infinita de Deus (cf.1 Cor13, 12) e poderemos ler, com jubilosa admiração, o mistério do universo, o qual terá parte conosco na plenitude sem fim. Estamos a caminhar para o sábado da eternidade, para a nova Jerusalém, para a casa comum do Céu” (Papa Francisco: Carta Encíclica Laudato Si n. 243).


A fé na segunda vinda do Senhor (Parusia) quer nos relembrar também que a história do homem é estruturada com base no esquema da peregrinação no sentido de saída de Deus e retorno a Deus em uma relação entre a eternidade e o tempo, entre o céu e o mundo. Sair de si para voltar a Deus não é apenas remontar às origens, mas também e principalmente progredir em novidade e em crescimento, como Abraão no Antigo Testamento (cf. Gn 12), aumentando os dotes iniciais (cf. Mt 25,14-30). Precisamos confiar na profundidade de Deus em nós e viver dessa confiança (cf. Jo 14,1). Esse é o caminho para continuar andando rumo à nossa realização plena e à total comunhão com Deus na eternidade.


E para sentir a liberdade de caminhar nesta peregrinação temos que experimentar a alegria do desapego. As maiores dificuldades no progresso, tanto material como espiritual, estão em nosso arraigado apego às coisas passadas, caducas e superficiais. Para caminharmos para a frente e para o alto devemos renunciar a tudo permanentemente. A falta de renúncia atrasa o crescimento e mata a esperança. Quem deseja andar deve deixar muita carga, muito peso para trás de si mesmo. O homem que não se renova, que não renuncia às coisas superficiais, perde-se, degrada-se e infantiliza-se. Quem tem consciência de que nasceu para o alto e para a frente, tudo vence, tudo supera para alcançar a sua meta: a realização como ser humano e a comunhão plena com Deus.


São Paulo nos convida, então, a vivermos na vigilância, com uma certa tensão, aproveitando o tempo como “filhos da luz” sem nos deixarmos adormecer pelas coisas do caminho, coisas materiais. As palavras de São Paulo para nós hoje não pretendem produzir em nós a angústia, porque Deus nos planeja não para o castigo e “sim para que consigamos a salvação por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele morreu por nós, para que, vivos ou mortos, vivamos unidos a ele. Por isso, reanimai-vos e edificai-vos uns aos outros como já o fazeis” (1Ts 5,9-11).


A Verdadeira Autoridade Faz o Outro Crescer


Estamos nos primeiros dias da pregação publica de Jesus segundo o evangelho de Lucas. Recusado pelo seu povo em Nazaré, Jesus vai a Cafarnaum cuja população era uma mistura de várias nacionalidades. Em Cafarnaum Ele fala com autoridade para as pessoas e desperta a admiração de todos, pois Ele prega e liberta.


Todos os evangelhos sinóticos (Mt, Mc, Lc) colocaram em destaque a autoridade extraordinária, o prestigio que emanava da pessoa e da palavra de Jesus (Mt 7,29; Mc 1,22; Lc 4,32). Naquela época tinha bastante “escolas”, grupos de escribas ou de letrados que faziam comentários sobre a Sagrada Escritura. Agora Jesus faz seus próprios comentários que totalmente são novos (sem nenhuma influência de alguma escola). Do fundo de si mesmo surgem pensamentos magistrais revestidos de autoridade que causa a admiração no povo. O evangelista Marcos registrou a admiração do povo diante do ensinamento de Jesus com as seguintes palavras: “Estavam espantados com o seu ensinamento, pois ele os ensinava como quem tem autoridade e não como escribas” (Mc 1,22). No seu ensinamento, Jesus não se apóia nas tradições de escolas rabínicas, pois Ele é enviado de Deus, o Filho de Deus em quem repousa o Espírito de Deus (Mc 1,9-11); Ele a própria Palavra de Deus (Jo 1,1-3.14). Jesus apela diretamente para a consciência de seus interlocutores.


A autoridade de Jesus não está a serviço de uma instituição, mas está a serviço do ser humano para que este reconheça sua própria dignidade, seu valor e sua vocação à vida comunitária de irmãos. A nova forma de Jesus ensinar “com autoridade” apela para valores e atitudes fundamentais do ser humano: apela à capacidade de convivência como irmãos do mesmo Pai do céu, apela ao reconhecimento respeitoso e tolerante do outro, apela ao desenvolvimento da auto-estima como condições para uma autêntica libertação da situação de marginalização em que vive a grande maioria. Onde não houver um mútuo respeito, não haverá espaço para a mútua admiração. O Pai que está no céu nos faz irmãos aqui na terra. Ao aceitar o Espírito de Deus o homem se liberta de suas escravidões e se torna irmão do outro.

Por esta razão, Lucas nos relatou também um homem endemoninhado que se encontrou dentro do templo. Um endemoninhado é um homem possuído por uma ideologia que aliena completamente a liberdade e o faz falar como instrumento de outro. Este personagem representa uma parte do público (ele fala em plural: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir?”), que se alarma diante do messianismo que Jesus pretende expor. Esta parte do público tem medo de que o patriotismo nacionalista perca terreno. Se Jesus continuar falando assim (com autoridade), a libertação de Israel vai fracassar. Assim pensa esse grupo.


Jesus não se deixa instrumentalizar. Ele liberta com conjuração o homem possuído por aquela ideologia de morte e lhe devolve sua condição de um homem livre, que pensa por si próprio. Com a Palavra ungida com o Espírito criador de Deus Jesus humaniza o homem no meio de tantos oportunistas que se arrogam o poder de Deus em beneficio de seus interesses mesquinhos. “Todo aquele que, ocupando uma posição de autoridade, aproveita para divertir-se, para aumentar seu patrimônio, ou para conseguir lucros pessoais, não é um servidor dos demais, mas um escravo de si mesmo”, dizia Santo Agostinho (Serm. 46,2). Jesus não quer que o cérebro desse homem vire um arquivo para pensamentos alheios. Jesus quer que ele tenha coragem de criar os seus próprios pensamentos e não apenas memorizar os pensamentos alheios.


Por isso, o episódio do homem possuído por um espírito impuro, mais do que demonstrar autoridade de Jesus sobre as forças do mal, quer mostrar como Jesus integra ao seio da comunidade aquele que era excluído e recusado como muitos outros em nome de um poder que desumaniza ou em nome de uma instituição desumanizante.


Se você quer saber quanta autoridade tem, não se pergunte a quantos você submete, mas a quantos você ajudou a crescer. O medo que os outros têm de você não mede sua autoridade, mas seu poder autoritário. A autoridade põe respeito, o autoritarismo põe medo nas pessoas. Quando alguém acredita que a força de sua autoridade está em seu poder e não em seu amor, ele desautoriza a si mesmo como pessoa. Se ou quando alguém precisa apelar para a força e para o poder para ser autoritário é porque como pessoa já não tem mais autoridade. Os títulos e os cargos podem até confirmar a autoridade que cada um tem, mas não lhe dão a que não tem.


Jesus fala como quem tem autoridade, assim o evangelista Marcos registrou. O que significa para nós falar com autoridade? Há palavras ou ações que nos aproximam de Jesus. Quais são estas palavras?


Sempre que pronunciarmos uma palavra viva, aquela que não é fingida, aquela que sabe detectar em cada momento aquilo do qual o outro está necessitando, aquela palavra que faz o outro melhorar e crescer, aquela que não semeia a discórdia, a palavra que humaniza, estaremos falando com autoridade. Sempre que pronunciarmos uma palavra compassiva, aquela que consola nos momentos de dificuldade, a palavra que anima quem está desesperado, a palavra sincera de querer ajudar, estaremos falando com autoridade. Sempre que pronunciarmos uma palavra solidária, aquela que coloca as coisas no seu devido lugar, aquela que sai do coração para aliviar a dor do outro, aquela que serena, estaremos falando com autoridade. Sempre que pronunciarmos uma palavra de esperança que diz que nem tudo está perdido, que o melhor está para vir porque Deus está conosco (Mt 28,20) e que “para Deus nada é impossível” (Lc 1,37), estaremos falando com autoridade.


É bom cada um de nós fazer um exame de consciência para saber se fala com autoridade como Jesus ou não? É bom cada um se perguntar se está próximo de Jesus no modo de viver e de tratar os demais ou não? Hoje em dia precisamos muito mais das pessoas com autoridade e carisma do que das pessoas com o poder.
 
P. Vitus Gustama,svd
02/09/2019
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Resultado de imagem para 1Ts 4,13-18Resultado de imagem para O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos 19 e para proclamar um ano da graça do Senhor”.
SOMOS LIBERTADOS POR JESUS PARA CONSTRUIRMOS UMA HUMANIDADE MAIS FRATERNA A FIM DE PODERMOS ESTAR COM DEUS NA ETERNIDADE
Segunda-Feira da XXII Semana Comum


Primeira Leitura: 1Ts 4,13-18
13 Irmãos, não queremos deixar-vos na incerteza a respeito dos mortos, para que não fiqueis tristes como os outros, que não têm esperança. 14 Se Jesus morreu e ressuscitou — e esta é nossa fé —, de modo semelhante Deus trará de volta, com Cristo, os que através dele entraram no sono da morte. 15 Isto vos declaramos, segundo a palavra do Senhor: nós que fomos deixados com vida para a vinda do Senhor não levaremos vantagem em relação aos que morreram. 16 Pois o Senhor mesmo, quando for dada a ordem, à voz do arcanjo e ao som da trombeta, descerá do céu e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. 17 Em seguida, nós que fomos deixados com vida seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor, nos ares. E assim estaremos sempre com o Senhor. 18 Exortai-vos, pois, uns aos outros, com estas palavras.


Evangelho: Lc 4,16-30
Naquele tempo, 16 veio Jesus à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado, e levantou-se para fazer a leitura. 17 Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: 18 “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos 19 e para proclamar um ano da graça do Senhor”. 20 Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21 Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. 22 Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?” 23 Jesus, porém, disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”. 24 E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25 De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26 No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. 27 E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o Sírio”. 28 Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29 Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até o alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30 Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.
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Viver Preparado Para a Segunda Vinda Do Senhor Que Nos Levará Para a Eternidade


Irmãos, não queremos deixar-vos na incerteza a respeito dos mortos, para que não fiqueis tristes como os outros, que não têm esperança. Se Jesus morreu e ressuscitou — e esta é nossa fé —, de modo semelhante Deus trará de volta, com Cristo, os que através dele entraram no sono da morte”, disse São Paulo aos tessalonicenses no texto da Primeira Leitura.


Estamos na segunda parte (parte final) da Primeira Carta de São Paulo à comunidade cristã de Tessalônica (1Ts 4,1-5,22). O que se enfatiza nesta parte é a questão da Parusia. “Parusia” (grego: parousia: “presença” ou “chegada”) é o termo empregado em sentido técnico para designar visita cerimonial de um soberano a uma cidade ou país, ou para aparição de um deus a fim de prestar auxílio. No NT, o termo é usado, às vezes, para designar a vinda escatológica de Jesus. Portanto a acentuação é o presente e o futuro.


As expressões que aparecem frequentemente nesta parte são “Nós vos rogamos”, “Nós vos exortamos(1Ts 4,1-2.10; 5,4-6.12-14). São Paulo pede para que haja uma vida consagrada a Deus entre os Tessalonicenses. O pano de fundo dessa exortação é a vinda iminente do Senhor (Parusia). Para são Paulo não pode haver uma vida dupla em que se dizem cristãos, mas vivem como pagãos; pensar como cristãos, mas viver como pagãos. E são Paulo enfatiza que não é a palavra dele mais importante e sim a exigência da própria Palavra de Deus que são Paulo e seus colaboradores transmitem aos Tessalonicenses.


Irmãos, não queremos deixar-vos na incerteza a respeito dos mortos, para que não fiqueis tristes como os outros, que não têm esperança”.


A questão que se coloca aqui é esta: o que vai acontecer com os cristãos já falecidos antes da vinda gloriosa do Senhor? Como poderão ir ao encontro de Cristo glorioso para entrar no Reino de Deus se já estão mortos? A dúvida sobre a morte se deu rapidamente após visitar a comunidade cristã de Tessalônica. A morte de alguns amigos e cristãos de Tessalônica afetou profundamente os outros fieis.


São Paulo, através de sua carta, quer consolá-los revivendo neles a fé que são Paulo e seus colaboradores ensinaram a respeito da ressurreição dos mortos. A raiz última da esperança na ressurreição é a fé no poder de Deus que arrancou o seu Filho Jesus Cristo das garras da morte. Consequentemente, aqueles que acreditatem no Senhor Ressuscitado, também serão arrancados da morte para viver eternamente com o Pai do céu.  A sorte de Cristo será a sorte dos cristãos.


São Paulo afirma a identidade do destino do cristão com Cristo Ressuscitado. Este tema é principal. O cristão estabeleceu uma união com Cristo quando acreditou, quando foi batizado que não se rompe nunca. Por isso, o que ocorreu com Cristo, ocorrerá também com aquele que estabeleceu a união com Cristo. Quando vivemos com Cristo, o que Deus fez com seu Filho, ressuscitando-O fazendo-O viver para sempre, chegará um momento de nosso tempo em que fará também com nós. E como Deus é fiel, a certeza é também absoluta. Sobre esta certeza, são Paulo não tem nenhuma dúvida. É libertação do sentido falat e definitivo de morrer para quem não há outra perspectivo do que o final da existência na morte. Por isso, são Paulo afirma: “... que não fiqueis tristes como os outros, que não têm esperança”.


Enquanto os filósofos pagãos ignoraram a ressurreição dos mortos e somente alguns chegaram a conhecer a imortalidade da alma, os cristãos creem que em Jesus Cristo a morte foi vencida e esperam ser ressuscitados como o próprio Jesus Cristo foi ressuscitado. Consequentemente, a fé na ressurreição da carne e na vida eterna, como professamos no Credo, constitui para os cristãos uma verdade central e muito querida. O mais importante é estar sempre com o Senhor Ressuscitado para que se possa viver eternamente, pois o próprio Senhor é “a Ressurreição e a Vida” (Jo 11,25).


A esperança na ressurreição se funda no fato de que Jesus Cristo ressuscitou e na convicção de que todos os crentes vivem e morrem em Jesus e como Jesus, isto é, viver e morrer para a vida eterna. Cristo é “o Primegenito dos mortos” (Cl 1,18), o Primeiro nascido e ressuscitado para a verdadeira vida. Jesus Cristo é também Nossa Cabeça, Princípio de unidade e solidariedade de todos os mebros para formar um mesmo corpo. Se Cristo Jesus, a cabeça, ressuscitou, também seus membros ressuscitarão: “Se Jesus morreu e ressuscitou — e esta é nossa fé —, de modo semelhante Deus trará de volta, com Cristo, os que através dele entraram no sono da morte”. Para a morte São Paulo usa a palavra “sono” ou descansar. É descansar para acordar a fim de viver uma felicidade sem fim na vida eterna. Não é por acaso que dizemos para qualquer pessoa que morreu: “Descanse em paz” (RIP- Requiescat In Pace- Rest In Peace).


A ressurreição de Jesus Cristo e dos que são de Cristo é obra de Deus, o Pai (1Cor 6,14; 2Cor 4,14). Deus ressuscitará os que morrem “em Jesus” porque são de Jesus (Rm 14,8). Não somente a Cabeça (Cristo) que ressuscita, mas também o corpo inteiro (os fieis). Dai a importância da afirmação da vida sobre a morte e a comunhão de todos com o Senhor que há de voltar na Sua Segunda Vinda (Parusia).


Sabemos que o Senhor, virá, mas não sabemos do quando desta vinda. Por isso, estejamos preparados. O modo melhor para se preparar para esta vinda é viver de acordo com os ensinamentos de Jesus Cristo. Crer é viver segundo os ensinamentos evangélicos. A ignorância desta certeza faz com que o cristão tenha a impressão de que a vida cristã é um caminho sem um fim claro. Morrer é encontrar-se com a verdadeira Vida que é Deus. Quem ama verdadeiramente, jamais morrerá, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8). Consequentemente, o ateu é aquele que é incapaz de amar. Para quem ama, para quem acredita no Senhor Ressuscitado, morrer significa descansar ou morar com Deus eternamente (cf. Jo 14,2-3).


Além disso, a fé na ressurreição dos mortos é uma garantia da dignidade dos vivos. Esta fé proíbe os cristãos de sacrificar os homens de hoje em beneficio exclusivo dos homens de amanhã. A fé na ressurreição tem como consequência a proteção da vida no seu início, na sua duração e nos seu fim aqui neste mundo.


Não podemos viver sem a esperança. A morte não é a última palavra. Deus nos destina para a vida. A morte é de certa forma, um mistério. Não conhecemos o que é a morte enquanto não a experimentarmos. E quem a experimentou não pode falar sobre ela. Mas por causa da ressurreição do Senhor temos certeza de que não vivemos mais para morrer e sim morremos para viver. A vida não pertence mais à morte e sim a morte pertence à vida. Vivamos profundamente para continuarmos viver com sentido.


Deus Vem Para Nos Libertar a Fim De Estar Com Ele Eternamente


O texto do evangelho de hoje nos fala do início da pregação pública de Jesus segundo Lucas. A pregação inaugural (discurso programático em Nazaré) tem como lugar numa sinagoga em Nazaré, por ocasião de um culto sinagogal no Sábado. E a leitura que Jesus fez e sobre o qual comentou é o texto do Trito-Isaias (cf. Is 61,1-2) que fala da missão do Messias. E a missão do Messias, do Ungido de Deus, é proclamar a Boa Notícia que consiste na libertação dos prisioneiros do sofrimento, da opressão, da injustiça e proclamar a Boa Notícia, preferencialmente, para os pobres, os escravos, os marginalizados: os leprosos, os doentes, os publicanos, as mulheres. E Jesus se apresenta como o Ungido, o Messias (cf. Lc 3,21-22). Em outras palavras, o que o livro de Isaias anunciava se cumpriu em Jesus: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. Jesus veio ao encontro do homem para devolver sua dignidade como pessoa humana e filho (filha) de Deus.


Trata-se de uma cena bem significativa, programática que se pode dizer que dá sentido a todo ministério messiânico de Jesus: sua primeira pregação na sinagoga de seu povo de Nazaré. Trata-se de uma cena densa, muito bem narrada por Lucas com uma série de detalhes significativos: o costume de ir à sinagoga todos os sábados; o convite para que leia a Palavra de Deus; o comentário de Jesus sobre a leitura do Livro de Isaias cujo conteúdo é o programa do ministério de Jesus: “Hoje se cumpriu a Escritura...”; as primeiras reações e aprovação por parte dos seus conterrâneos que ficam bloqueados em seu caminho de fé, pois conhecem demais Jesus: “Não é este o filho de José?”; a queixa de Jesus sobre essa falta de fé; a reação de ira.


O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor”. Jesus veio para libertar, para unir e reunir, para salvar.


A idéia de libertação, de liberdade, está subjacente em todo o Evangelho de Lucas (e outros evangelhos). Toda vez que Deus visita e se aproxima do homem, Ele o faz para libertá-lo: “Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo...” (Lc 1,68). E toda vez que o homem se aproxima de Deus, ele ganha a libertação e a liberdade. A aproximação de Deus em Jesus Cristo tem como objetivo libertar o homem: libertar para ser livre.


Jesus vem ao encontro do homem para que este se torne mais humano e mais irmão dos outros, e para fazer que o homem seja capaz de se levantar contra si próprio, isto é, contra àquilo que não é humano dentro de si, penetrando até o intimo de seu ser para destruir o que é caduco e podre dentro de si próprio a fim de fazer florescer o que tem de esplêndido e admirável dentro de si. Jesus vem ao encontro do homem para que este seja capaz de jogar para longe as cadeias de seu egoísmo que prejudica a convivência fraterna. Jesus vem ao encontro do homem para que este seja capaz de sentir-se, com todas as suas conseqüências, filho de Deus e irmão dos demais homens. Jesus vem para libertar o homem em sua totalidade a fim de fazê-lo apto para construir o hoje e o aqui do Reino de Deus que Ele anuncia e quer construir como tarefa prioritária de sua vida e missão. Jesus vem para libertar o homem daquilo que se chama “pecado” e que consiste em subverter a escala de valores e no lugar de buscar o Reino de Deus e sua justiça (cf. Mt 6,33), buscar a própria e direta satisfação acima de qualquer valor. Jesus vem para que, ao libertar o homem, desaparecem da terra o ódio, a guerra, a violência, a extorsão, a exploração, a injustiça, a miséria, a opressão, a intolerância, e assim por diante. Jesus vem para construir o homem novo capaz de colaborar na realização da nova terra e do novo céu (cf. Ap 21,1-8).


Jesus veio como o verdadeiro Libertador dos homens. Convém pensar serenamente na passagem do Evangelho deste dia e saborear a cena num momento no qual vivemos na atualidade com proliferação dos que se dizem “libertadores” ou “os liberais” e que pregam tantas “liberdades” ou “libertinagem”. Estamos rodeados dos libertadores oficiais que nos querem liberar para gozar do sexo, da vida, de cada momento que se escapa de nossas mãos como rapidez. No entanto, nunca o homem está tão prisioneiro de si próprio, prisioneiro, precisamente, daquilo por onde dizem que vem a libertação ou uma simples liberação de tudo. Trata-se de uma liberação ou libertinagem que arranca um sorriso limpo e estimulante de tantos lábios, a violência mortal ao impor os próprios modos de conceber a vida a ponta de uma pistola ou de um revolver, a fome que é possível morrer em nossas civilizadas e estupendas cidades, uma solidão que enche de vazio nossas populosas cidades, a injustiça que se traduz em pobreza institucionalizada. Esses são os frutos da liberação ou da libertinagem que nos anunciam os messias de turno. Diante deles se levanta Jesus, com a Escritura na mão, anunciando que real e verdadeiramente libertação consiste em romper as cadeias pessoais para conseguir ser o que se deve ser: filhos de Deus e irmãos dos demais homens. Para um cristão o que deve ser é ser um sincero e verdadeiro filho de Deus, com toda a amplitude e a exigência que essa realidade traz consigo. É preciso escutar a Palavra anunciada por Jesus, a Palavra do Pai.

Na sinagoga Jesus leu uma passagem da Escritura e fez o comentário sobre ela. Os nazarenos ficaram admirados com a explicação de Jesus, mas, ao mesmo tempo, se escandalizaram porque para eles Jesus é o filho de um simples carpinteiro. Jesus que anuncia é tão “humano” e por isso, ele é uma presença de Deus. O anúncio tão humano de Jesus não se trata de filantropia ou de ação social, mas trata-se, precisamente do projeto de Deus e da ação do Espírito Santo: “O Espírito do Senhor está sobre mim para...”. A presença de Jesus é uma chuva de benefícios para todos: para os pobres, para os cativos, para os cegos, para os oprimidos...   


Quando escutamos a Palavra de Deus, temos que recebê-la não como um discurso humano e sim como uma Palavra que tem um poder transformador em nós, pois tudo o que diz está profundamente cheio de sentido e de amor. Deus não fala para nossos ouvidos e sim para nosso coração. A Palavra de Deus é uma fonte inextinguível de vida. A Palavra de Deus sai do próprio coração de Deus. Desse Coração, do seio da Trindade veio Jesus, a Palavra do Pai, para os homens (cf. Jo 1,1-4.14).


Por isso, cada dia, quando lemos ou escutamos o Evangelho, nós temos que dizer, como Maria: “Faça-se em mim segundo a Tua Palavra” (Lc 1,38). Ao que Deus nos responderá: “Hoje se cumpriu a Escritura que acabastes de ouvir”. Os nazarenos não compreenderam as palavras de Jesus, pois olhavam somente com os olhos humanos: “Não é este o filho de José?” (Lc 4,22). Viam a humanidade de Jesus, mas se escondia a Sua divindade aos olhos dos nazarenos. Toda vez que escutamos a Palavra de Deus, além de seu estilo literário, da beleza das expressões ou da singularidade da situação, temos que saber e estar conscientes de que é Deus Quem nos fala.


O Senhor “me enviou para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos”. A vida de Jesus é nossa vida. A missão de Jesus é nossa missão. Temos missão de libertar as pessoas de suas “ataduras” de vida; de fazer as pessoas enxergarem sua vida e a realidade ao redor para tomar posição como cristão, de viver na alegria do Senhor apesar dos contra-tempos. Mas para podermos libertar os outros temos ser, primeiro, livres, pois somente quem é livre pode libertar.
 
P. Vitus Gustama,svd