segunda-feira, 30 de setembro de 2019

02/10/2019
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SANTOS ANJOS DA GUARDA
02 de Outubro
SER IRMÃO E FAZER-SE PEQUENO


Primeira Leitura: Êx 23,20-23
Assim diz o Senhor: 20“Vou enviar um anjo que vá à tua frente, que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que te preparei. 21Respeita-o e ouve a sua voz. Não lhe sejas rebelde, porque não suportará as vossas transgressões, e nele está o meu nome. 22Se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que eu disser, serei inimigo dos teus inimigos, e adversário dos teus adversários. 23O meu anjo irá à tua frente e te conduzirá à terra dos amorreus, dos hititas, dos ferezeus, dos cananeus, dos heveus e dos jebuseus, e eu os exterminarei”.


Evangelho: Mt 18,1-5.10
Naquela hora, 1os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos céus?” 2Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos céus. 4Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus. 5E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe. 10Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus”.
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O que o Novo Catecismo Da Igreja Católica fala dos anjos?
  • “A existência dos seres espirituais, não-corporais, que a Sagrada Escritura chama habitualmente de anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura a respeito é tão claro quanto a unanimidade da Tradição” (Catecismo Da Igreja Católica, 328).
  • “A Igreja venera os anjos, que a ajudam na sua peregrinação terrestre e protegem todo o género humano” (Idem n.352).
  • “Desde o seu começo até à morte, a vida humana é acompanhada pela sua assistência e intercessão. Cada fiel tem a seu lado um anjo como protector e pastor para o guiar na vida. Desde este mundo, a vida cristã participa, pela fé, na sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus” (Idem n.336).
  • “Na sua liturgia, a Igreja associa-se aos anjos para adorar a Deus três vezes santo; invoca a sua assistência e festeja de modo mais particular a memória de certos anjos [São Miguel, São Gabriel, São Rafael e os Anjos da Guarda] (Idem n.335).
Quem são os anjos? Santo Agostinho respondeu: “Anjo (mensageiro) é designação de encargo, não de natureza. Se perguntares pela designação da natureza, é um espirito; se perguntares pelo encargo, é um anjo: é espirito por aquilo que é, enquanto é anjo por aquilo que faz”.  Anjo em hebraico “Mallak”, em grego “Angelos”, significa mensageiro. É nome que significa ministério e ofício. Mas a perfeição de sua natureza vai de acordo com esse sublime ofício que eles exercem de maneira mais permanente que os demais seres da criação. São os “mensageiros” de Deus, por excelência. São seres criados, intelectuais, superiores aos homens, dotados de especial virtude e poder pelo Senhor.

O NT enumera os arcanjos (1Ts 4,16; Judas 9), os querubins (Hb 9,5), os tronos, as dominações, os principados, as potestades (Col 1,16), em outro lugar há outro nome: virtude (Ef 1,21).
 
“Há que saber que o nome de “anjo” designa a função, não o ser. Com efeito, aqueles santos espíritos da pátria celeste são sempre espíritos, mas nem sempre podem ser chamados anjos, já que somente o são quando exercem seu ofício de mensageiros. Os que transmitem mensagens de menor importância se chamam anjos, os que anunciam coisas de maior transcendência se chamam arcanjos. Por isso, à Virgem Maria não lhe foi enviado um anjo qualquer e sim o arcanjo Gabriel, já que uma mensagem de tal transcendência reueria que fosse transmitida por um anjo da máxima categoria” (São Gregorio Magno, Homilía 34 sobre os evangelios, 8-9 PL 76, 1250-1251).
 
O que faz os anjos (encargo)? Eles são servidores e mensageiros de Deus. São aqueles que nos indicam o caminho do bem, o caminho de Deus. São aqueles que nos alertam quando estivermos para praticar a maldade. A missão dos anjos é amar, servir e dar gloria a Deus, ser seus mensageiros, cuidar e ajudar os homens. Eles estão constantemente na presença de Deus atentos a suas ordens. Pode-se dizer que são mediadores, custódios, protetores e ministros da justiça divina. Eles nos comunicam mensagens do Senhor importantes em determinadas circunstancias da vida. Em momentos de dificuldade, podemos pedir luz para tomar uma decisão, para solucionar um problema, atuar acertadamente, descobrir a verdade. Por exemplo, temos as aparições à Virgem Maria (Lc 1,26-38), a São José (Mt 1,18-25; 2,13-23), a Zacarias (Lc 1,11-22). Todos eles receberam mensagem dos anjos. Também os anjos apresentam nossas orações ao Senhor: “Quando tu oravas..., eu apresentava as tuas orações ao Senhor” (Tb 12,12-16). Além disso, os anjos nos animam a sermos bons: “Digo-vos que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrependa” (Lc 15,10).
 
No dia 02 de Outubro a Igreja celebra a festa dos Santos Anjos da Guarda. A missão dos anjos da guarda é acompanhar cada pessoa no caminho pela vida, cuidá-la na terra dos perigos, protege-la do mal e guia-la no difícil caminho para o Céu. Pode-se dizer que é um companheiro de viagem que sempre está ao lado de cada pessoa, no bons e nos maus momentos. Não se separa dela em nenhum momento. Está com ela enquanto trabalha, descansa, se diverte, reza, quando pede ajuda e quando nãos e pede ajuda. Não se afasta dela nem sequer quando perde a graça de Deus pelo pecado. Os anjos da guarda prestarão auxilio para cada pessoa enfrentar com ânimo as dificuldades da vida diária e as tentações que se apresentam na vida.
 
Para que a relação da pessoa com o anjo da guarda seja eficaz, cada pessoa necessita falar com ele, chama-lo, trata-lo como o amigo que é. Assim ele poderá converter-se num fiel e poderoso aliado nosso. Recordemos que os anjos os anjos não podem conhecer nossos pensamentos e desejos íntimos se nós não os expressamos, já que somente Deus conhece exatamente o que há dentro de nosso coração. Os anjos somente podem conhecer o que queremos, intuindo-o por nossas obras, palavras, gestos e assim por diante.
 
Por que se fala, especificamente de uns anjos que nos acompanham pessoalmente, que nos protegem na caminhada cotidiana?
 
Poderíamos responder, em primeiro lugar, que trata-se de símbolos para falar do amor providente de Deus que cuida de sua criatura para que esta chegue à sua plena realização quando houver colaboração da própria criatura ou das circunstâncias nas quais se encontra. Era normal expressar, através de recursos literários provenientes de um contexto, as realidades misteriosas de Deus usando uma linguagem figurativa.
 
Em segundo lugar, os anjos são um reflexo misterioso do rosto de Deus e de sua bondade em nossa realidade. De fato, quando alguém nos trata bem, nos ajuda sem reservas etc. logo lhe dizemos: “Você é um anjo!”. Isto significa que a bondade de Deus se reflete naqueles que fazem o bem, chamados de mensageiros de Deus ou anjos de Deus no nosso dia a dia.
 
Em terceiro lugar, Os anjos da guarda nos revelam a presença transcendente de Deus em cada pessoa, especialmente nos mais pobres. O maior no Reino de Deus é a criança e quem se faz pequeno como criança, porque representa em forma paradigmática o despojamento de todo poder. O despojamento da soberba e da prepotência do poder é a condição para entrar no Reino de Deus. Alguém entra nele, quando descobre o poder de Deus: o poder de seu amor, o poder de sua Palavra e o poder de seu Espírito. Reino de Deus é Poder de amor de Deus. Esta presença de Deus nos mais pobres, que são os maiores no Reino, é o que dá aos pobres essa transcendência.
 
Cada pessoa, cada família, cada comunidade, cada povo, tem seu próprio anjo da guarda. O Livro de Êxodo (Cf. Ex 23, 20-23) nos mostra o Povo de Deus conduzido diretamente pelo anjo de Deus. O povo deve comportar-se bem na sua presença, escutar sua voz e não ficar rebelde. No anjo está o Nome de Deus. O Nome é o que Deus é. O anjo é essa presença de Deus no Povo de Deus.
 
Também cada um de nós deve descobrir nosso próprio anjo da guarda, sentir sua presença e escutar sua voz. Devemos viver conforme a esta presença transcendente em nós e refleti-la continuamente em nosso rosto. Para isso, é preciso ler, meditar e colocar em prática a Palavra de Deus. Estar em sintonia com a Palavra de Deus nos faz sensíveis para a presença de Deus na nossa vida cotidiana e nos torna conscientes de nossa tarefa como mensageiros de Deus na convivência com os demais.
 
Deus como Pai Providente, sempre vela por nós e se faz próximo de nós por meio de Jesus, seu Filho feito Homem. Ele sempre manifestou e continua manifestando seu amor para com os pobres e os enfermos, para com os pequenos e os pecadores. Ele nunca permaneceu indiferente diante do sofrimento humano. Seu amor preferencial para aqueles que são considerados como as crianças desprotegidas de tudo e necessitados de tudo, nos recorda qual deve ser também o caminho preferencial no amor da Igreja. Deus nos enviou aos necessitados e aos desprotegidos para que lhes manifestemos de um modo rela e efetivo, o amor misericordioso do Senhor que nos concedeu e que quer que chegue a todos esse amor misericordioso por meio de sua Igreja, isto é, por meio de todos os batizados. Quem vive unidos a Cristo se preocupa em cuidar dos irmaos necessitados como Deus vela por nós. Não podemos, portanto, buscar segurança, sem dar segurança; não podemos esperar receber sem dar, pois há mais alegria em dar do que em receber. Socorramos aqueles que necessitam de nossa proteção, de nossa ajuda, de nosso amparo.
 
Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarda, me governa me ilumina. Amém
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O texto do evangelho lido neste dia é escolhido em função da festa dos santos anjos da guarda. É tirado de Mt 18.
 
O capítulo 18 do evangelho de Mateus é o quarto dos cinco grandes discursos de Jesus neste evangelho. E este quarto discurso é conhecido como “discurso eclesiológico” (discurso sobre a Igreja) ou “discurso comunitário” onde se acentua a vida na fraternidade, isto é, cada membro da comunidade é considerado como irmão. Este capítulo (Mt 18,1-35) foi escrito para responder aos problemas internos das comunidades cristãs: Quem é o primeiro na comunidade? O que fazer se acontecem escândalos? E se um cristão se perde ou se afasta da comunidade, o que fazer? Como corrigir um irmão que erra? Quando é que uma oração pode ser chamada de comunitária e partilhada? E quantas vezes se deve perdoar?
 
Na comunidade de Mt (como também em qualquer comunidade cristã) cresce a ambição e se cultivam sonhos de grandeza dos membros que se acham mais importantes do resto. Há pouca consideração para com os pequenos, até são desconsiderados ou desprezados. Estes pequenos correm risco de se tornarem incrédulos e de afastar-se da atividade comunitária. Na comunidade de Mt suscitam também pecadores notórios, inclusive as ofensas e os ressentimentos que abalam a convivência fraterna.
   
Nesse capítulo, são dadas diversas orientações e algumas normas que têm por objetivo desenvolver o amor e favorecer a harmonia entre os membros da comunidade. Para isso, Mt coloca em ordem o material transmitido pela tradição para regular as relações internas da comunidade. Contra os sonhos de grandeza e de orgulho, Mt coloca a atitude de humildade que agrada a Deus e aos outros (18,1-4). Para os pequenos, os fracos na fé, é necessário ter uma acolhida cheia de caridade e de desvelo (18,6-7). O desprezo é inadmissível para uma boa convivência. Para enfatizar mais este tema, Mt fala dos anjos que sempre estão do lado dos pequenos (18,10). Se um dos membros da comunidade afastar-se ou desviar-se do caminho reto, em vez de condená-lo, a comunidade toda deve esforçar-se para que esse irmão volte para a comunidade, pois Deus não quer que nenhum deles se perca (18,12-14). E para o irmão pecador, a comunidade inteira deve usar todos os meios para recuperá-lo (18,15-20). E para as ofensas, deve haver perdão, pois uma comunidade só pode sobreviver se existe o perdão mútuo (18,21-35).
 
Ser Irmão e Fazer-se Pequeno
 
“Quem é o maior no Reino dos céus?”. “Quem é o maior diante de Deus?”. “Quem vale mais diante de Deus?”. Assim inicia o quarto discurso de Jesus sobre a vida comunitária baseada na fraternidade. A pergunta é feita pelos discípulos para Jesus. Maior aqui significa proeminente, superior aos outros por força de uma qualidade ou de um poder.
 
Atrás desta pergunta se esconde a ambição ou a mania de grandeza dos discípulos. É a ambição de grandeza que pode ser encontrada em qualquer comunidade cristã. É admirável a ambição de alguém que deseja redimir sua humilde condição, valorizando todas as suas capacidades de inteligência e de luta, pois um dos sentidos lexicais da palavra ambição é anseio veemente de alcançar determinado objetivo, de obter sucesso; aspiração, pretensão. A ambição só se transformará em vício quando a afirmação de si mesmo for exagerada e os meios adotados para atingir a glória forem desonestos. Uma pessoa de alma nobre não sai à procura das honras, e sim do bem. Ao contrário, o ambicioso se sente totalmente envolto pela espiral da glória que o transforma em vítima da própria tirania. O ambicioso, quando dominado pelo vício, não suporta competidores, nem admite rivais. Quem desejar ser a todo o custo o primeiro, dificilmente se preocupar com ser justo. “A soberba gera a divisão. A caridade, a comunhão” (Santo Agostinho. Serm. 46,18).
 
Como resposta para a pergunta dos seus discípulos Jesus faz um gesto muito simbólico: Ele chamou uma criança e a colocou no meio dos discípulos. Ao ser colocada no meio de todos, a criança chamada se torna um centro de atenção de todos. Imaginamos que todos os olhares são dirigidos a essa criança e os ouvidos prontos para ouvir a palavra sábia do Mestre Jesus. “Em verdade vos digo, se não vos con­ver­terdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Quem se faz pequeno como esta criança, este é o maior no Reino dos Céus. E quem recebe em meu nome uma criança como esta é a mim que recebe”, disse Jesus aos discípulos (Mt 18,3-5). Ser criança: frescor, beleza, inocência, não se basta a si mesma!
 
Esta é a primeira regra da vida comunitária: cuidar dos pequenos e tratá-los como irmãos. E fazer-se pequeno. Fazer-se pequeno, como exigência para viver a vida comunitária, significa renunciar a toda ambição pessoal e a todo desejo de colocar-se acima dos demais para estar em destaque e para oprimir os demais. Fazer-se pequeno é uma forma de “renegar-se a si mesmo” para colocar a vontade de Deus acima de tudo. A grandeza do Reino consiste no serviço humilde e gratuito ao próximo, na solidariedade para com os necessitados, na partilha do que se tem para com os carentes do básico para viver dignamente como ser humano e no esforço para construir uma convivência mais fraterna. Trata-se de viver a espiritualidade familiar onde cada membro se preocupa com o outro membro e sua salvação. Vivendo desta maneira estaremos testemunhando para o mundo que estamos no Reino de Deus já neste mundo.
 
P. Vitus Gustama,svd
01 de Outubro
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SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS E DA SAGRADA FACE

Santa Teresinha viveu uma vida que não foi fácil. Mas ela sabe aproveitar o que é sofrido para seu crescimento na santidade e no amor ao próximo, expressão de seu amor para Deus.


Nos primeiros anos de sua infância, Santa Teresinha era uma alegria só para sua família. A tristeza começou a invadir sua vida quando sua mãe morreu de câncer e Teresinha tinha apenas 4 anos de idade. Ela escolheu, então, Paulina, sua irmã, como sua “Segunda mãe”. Teresinha começou a se fechar sobre si mesma e sobre seu ambiente familiar. Mas recebeu uma boa formação de sua irmã, Paulina.


Na procissão do Corpus Christi, em junho de 1878, aos 5 anos de idade, começou a se intensificar o seu amor à Eucaristia: ela gostava de jogar as pétalas de rosas na direção do ostensório durante a procissão.


Quando tinha 9 anos de idade sua irmã, que é sua “segunda mãe” entrou no Carmelo de Lisieux. Teresa sofre com a perda de sua “segunda mãe”. Teresa começa a ter dores de cabeça, quase contínuas e sofre o desequilíbrio afetivo. Mas cura milagrosamente pelo sorriso da virgem Maria. Teresa assume, então, a Nossa Senhora como Mãe (aos 10 anos de idade).


Aos 14 anos de idade, ela pede ao pai para ela entrar no Carmelo aos 15 anos de idade. Eles fazem, então, a viagem para Roma para pedir ao Papa Leão XIII para entrar no Carmelo com 15 anos. Foi aceito o pedido. Aos 15 anos Teresa começa uma das grandes purificações espirituais de sua vida. Aos 16 anos, estando no Carmelo, seu pai, Sr. Martin, tem uma crise de alucinação e é internado num hospício da cidade. Mas Teresa recebe uma graça de união à Santa Virgem Maria na ermida de Santa madalena. Aos 17 anos Teresa faz sua profissão religiosa e acrescenta “Sagrada Face” ao seu nome religioso e começou a ler as obras de São João da Cruz. Sua irmã, Paulina, foi eleita priora e Teresa é nomeada auxiliar da mestra de noviças aos 20 anos de idade. Quando Teresa tinha 21 anos de idade, seu pai morreu. Ela recebe de sua irmã o caderno com citações bíblicas sobre “pequena via”. Aos 22 anos Teresa começa a ter as iluminações sobre Deus como Amor misericordioso. Um dos anos mais felizes de Teresa. No dia 30 de julho de 1897 recebeu a Unção dos Enfermos. E recebeu pela ultima vez a sagrada comunhão no dia 19 de agosto de 1897. E às 19h do dia 30 de setembro de 1897, aos 24 anos de idade, soltou o ultimo suspiro num êxtase de amor e partiu para junto do Deus de amor. Por isso ela escreveu: “Eu não morro, entro na vida”. Um ano antes de sua morte ela escreveu este poema:


Divino Salvador, no fim de minha vida. Vem me buscar, sem sombra de atraso. Ah! Mostra-me a tua infinita ternura. E do teu divino olhar, a doçura. Com amor, oh, que tua voz me chame, dizendo-me: Vem, tudo está perdoado.Fica tranqüila, minha fiel esposa. Vem ao meu coração; tu muito me amaste.


Papa Pio XI beatificou Teresa em 29 de março de 1923. No dia 30 de Abril de 1923 o mesmo Papa nomeou Teresa como Protetora Universal das Missões. Foi canonizada em 17 de maio de 1925. No dia 19 de outubro de 1997 o Papa João Paulo II declarou-a Doutora da Igreja universal.


Quando recebeu o retrato de Santa Teresinha de um bispo missionário, o Papa Pio X escreveu-lhe essa frase: “Ela é a maior santa dos tempos modernos”.  Ela é a maior santa porque sabe fazer-se pequena por amor de seu amado Jesus Cristo.  É um amor que busca agradar a Deus através da vivência em plenitude da vida cotidiana, procurando os seus sinais na cotidianidade da vida. É um amor que se manifesta na abertura aos irmãos e na delicadeza dos pequenos gestos no interior da comunidade.


Depois que ela leu os capítulos 12 (que fala da Igreja como corpo composto por vários órgãos, no entanto trabalham em harmonia) e 13 da Primeira Carta de São Paulo aos corintians (que fala do amor sem o qual tudo se tornaria nada), ela escreveu ou comentou:
  • “Por fim, encontrei o descanso... A caridade me deu a chave da minha vocação. Se a Igreja possui um corpo composto de diferentes membros, não pode faltar o mais necessário, o mais excelente de todos os órgãos: penso que ela tem um coração e que este coração arde em chamas de amor. Vejo com clareza que somente o amor põe em movimento seus membros, porque, se o amor se apagasse, os apóstolos não anunciariam o Evangelho, os mártires recusariam derramar seu sangue... Compreendi que o amor abarca todas as vocações, que o amor é tudo, que o amor transcende todos os tempos e lugares porque é eterno...”.
     
  • “Compreendi que, sem o amor, todas as obras são nada, mesmo as mais brilhantes, como ressuscitar os mortos ou converter os povos. Um só ato de amor nos fará conhecer melhor Jesus. O amor nos aproximará dele durante toda a eternidade”.
     
  • “Quanto a mim, não conheço outro meio para chegar à perfeição a não ser o amor. Viver de amor é navegar sem cessar, semeando a paz, a alegria em todos os corações. Viver de amor é dar sem medida, banir todo temor, toda lembrança das faltas passadas. Façamos de nossa vida um sacrifício contínuo, um martírio de amor. Só o amor conta. O fogo do amor é mais santificante do que o fogo do purgatório. Eu não morro, entro na vida”.

    VIVER DE AMOR....
(Escrito pela Santa Teresinha em 26/2/1895)


Viver de Amor é dar-se sem medidas. Viver de Amor é banir todo temor, qualquer lembrança das faltas do passado. Viver de Amor é guardar dentro de si um grande tesouro num vaso mortal. Viver de Amor é navegar sem cessar, semeando a paz e a alegria em todos os corações. Viver de Amor, quando Jesus dormita é o repouso em meio ao escarcéu. Viver de Amor é viver de tua vida, Rei glorioso, deleite dos eleitos. Viver de Amor é te custodiar, Verbo Incriado, Palavra de Meu Deus. Viver de Amor é enxugar-te a Face, aos pecadores, obter perdão. Viver de Amor é imitar Maria, banhando com lágrimas e perfumes preciosos os teus divinos pés. Morrer de Amor é um bem doce martírio, e é este que eu gostaria de sofrer. Chama de Amor consome-me sem tréguas. Divino Jesus, realiza meu sonho: Morrer de Amor. Morrer de Amor, eis ai minha esperança. Meu Deus será minha grande recompensa. Outros bens não quero possuir. Quero ser abrasada em seu Amor, quero vê-lo e a ele me unir para sempre. Eis ai o meu Céu, eis o meu destino: Viver de Amor!!!”.


“Quem tem Jesus tem tudo. É só teu amor que me arrasta. Jesus, és tu o Cordeiro que eu amo; Tu me bastas, oh, Bem supremo! Em ti, tenho tudo, a terra e o próprio Céu.  Junto de ti, Verei Maria... Os santos...Minha querida família... Depois do exílio desta vida, vou encontrar a Casa Paterna, No Céu” (28/4/1895).
P. Vitus Gustama,svd

domingo, 29 de setembro de 2019

01/10/2019
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Resultado de imagem para Vamos orar na presença do Senhor, vamos visitar o Senhor dos exércitos; eu irei também’Resultado de imagem para Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para destruí-los?”
CAMINHAR COM JESUS PARA A GLÓRIA
Terça-Feira da XXVI Semana Comum


Primeira Leitura: Zc 8,20-23
20 Isto diz o Senhor dos exércitos: Virão ainda povos e habitantes de cidades grandes, 21 dizendo os habitantes de uma para os de outra cidade: ‘Vamos orar na presença do Senhor, vamos visitar o Senhor dos exércitos; eu irei também’. 22 Virão muitos povos e nações fortes visitar o Senhor dos exércitos e orar na presença do Senhor. 23 Isto diz o Senhor dos exércitos: Naqueles dias, dez homens de todas as línguas faladas entre as nações vão segurar pelas bordas da roupa um homem de Judá, dizendo: ‘Nós iremos convosco; porque ouvimos dizer que Deus está convosco’. 


Evangelho: Lc 9, 51-56
51 Estava chegando o tempo de Jesus ser levado para o céu. Então ele tomou a firme decisão de partir para Jerusalém 52 e enviou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram num povoado de samaritanos, a fim de preparar hospedagem para Jesus. 53 Mas os samaritanos não o receberam, pois Jesus dava a impressão de que ia a Jerusalém. 54 Vendo isso, os discípulos Tiago e João disseram: “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para destruí-los?” 55 Jesus, porém, voltou-se e repreendeu-os. 56E partiram para outro povoado.
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O Deus Salvador Da Humanidade Nos Chama A Salvar a Humanidade


Virão ainda povos e habitantes de cidades grandes... Virão muitos povos e nações fortes visitar o Senhor dos exércitos e orar na presença do Senhor... dez homens de todas as línguas faladas entre as nações vão segurar pelas bordas da roupa um homem de Judá”, é a profecia do profeta Zacarias que lemos na Primeira Leitura.


Esta profecia nos afirma o caráter universal da salvação no plano de Deus. “Virão muitos povos e nações fortes visitar o Senhor dos exércitos e orar na presença do Senhor”. Ou seja, todos reconhecerão que a Palavra Salvadora, a Verdade plena está em Jerusalém. “Dez homens de todas as línguas faladas entre as nações vão segurar pelas bordas da roupa um homem de Judá”. Em outras palavras, pediriam insistentemente que o homem de Judá lhes diga se vai a Jerusalém e que lhe admita no grupo dos que rendem culto ao seu Deus.


Nós escutamos estas palavras e damos conta de que não se trata de Jerusalém em seu sentido geográfico. Os planos de Deus são “católicos”, universais. E nós somos católicos, irmãos e irmãs da humanidade inteira. E estes planos se realizam plenamente em Jesus, pois Ele é o Salvador do mundo e quer eunir todos numa fraternidade universal, pois o Deus que ele revelou é o Pai de todos. É fácil descobrir que somos irmãos e irmãs da mesma Terra e do mesmo Deus. Esta é a nova Jerusalém.


A nova Jerusalém é a Igreja de Jesus. Jesus é o Deus-Conosco, o Emanuel (Mt 1,23; 18,20; 28,20). Sejamos esta presença de Deus na vida dos outros. Se todos iam a Jerusalém a fim de consultar a Palavra de Deus, agora Jesus é a Palavra vivente de Deus que faz sua tenda no meio de nós (Cf. Jo 1,1-3.14).


Quando temos uma convicção firme de que o Deus em Quem acreditamos é o Deus-Conosco, será que nós, que formamos a Igreja de Jesus, somos um sinal lúcido da presença de Deus para atrair os outros a ouvir a Palavra proclamada e vivida por nós? Nós que atuamos na Igreja atraem os que se encontram fora da Igreja para unir as forças para o bem comum? Será que lutamos pelo bem comum, para salvar “as almas” ou lutamos para nossas próprias vantagens egositas?


Se Jesus Cristo é o Salvador universal, da humanidade toda, logo todos os cristãos devem ser missionários do bem para toda a humanidade. Cada cristão/cristã deve ser irmão/irmã da humanidade, parceiro/parceira do bem. A busca de Deus da parte da humanidade nunca termina. Diante desta busca o cristão que está com o Deus-Conosco deve ser uma resposta.


Com o texto do evangelho de hoje Jesus começa seu caminho (êxodo) para Jerusalém. Durante o caminho para Jerusalém Jesus vai dando suas lições importantes para seus discípulos (Lc 9,51-19,28).


Quem Quer Chegar à Glória De Deus Deve Superar Todos Os Sentimentos Destrutivos


O texto do evangelho começa com a seguinte frase: “Jesus tomou a firme decisão de partir para Jerusalém...”. Em Jerusalém Jesus será morto e de Jerusalém sairá o novo movimento de evangelização para o mundo inteiro (cf. Lc 24,47-48; At 1,8) que chegou até nós hoje.


Todos os três evangelhos (Mt, Mc e Lucas) falam desta viagem. Mas somente Lucas usa esta viagem de Jesus com o motivo catequético básico, de que a vida de Jesus foi também um longo caminhar para uma meta: “As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. O “caminhar” de Jesus é um êxodo permanente até chegar à glória. Ele luta até chegar à meta: até à glória.


Durante esse caminho Jesus vai instruindo a comunidade de discípulos de acordo com o próprio caminhar de Jesus. Os discípulos de todos os tempos encontram, então aqui, a regra perene de sua atuação cristã. Neste texto encontramos maneira sobre como os cristãos devem se comportar e viver como seguidores de Cristo. Trata-se de uma “caminhada” interior, isto é, a caminhada que parte do que somos até o esvaziamento completo de nós e até a vivência na plenitude da vontade de Deus que é a salvação ou glorificação de nossa vida em Deus.


O fundo do relato do texto do Evangelho lido neste dia é a inimizade e o ódio entre samaritanos e judeus que originalmente é de tipo racial, e depois de tipo político e religioso. O caminho habitual da Galiléia para Jerusalém passa por Samaria. Um grupo galileu de discípulos vai adiante para preparar a hospedagem para Jesus em Samaria. Mas os samaritanos não aceitam a presença de Jesus em Samaria, pois ele está a caminho para Jerusalém. Os samaritanos interpretam o caminho para o Templo de Jerusalém como infra-valorização do templo Garizim construído sobre um monte onde os samaritanos fazem suas atividades religiosas e não em Jerusalém (em 129 a. C João Hircano o destruiu).


Por essa recusa os discípulos disseram a Jesus: “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para destruí-los?”. Esta frase nos lembra do episódio entre o profeta Elias, defensor do monoteísmo, contra os mensageiros do rei Ocozias que consultava outros deuses sobre como curar suas feridas. Por isso o profeta Elias pediu o fogo do céu e o fogo caiu sobre esses mensageiros e morreram todos (cf. 2Rs 1,1-18). A atitude de Tiago e de João põe em evidência de que os Apóstolos não entenderam plenamente Jesus. Eles, por sua intolerância, não encontraram outro caminho para tratar aos outros, especialmente aos samaritanos sem o caminho da violência. Jesus repreende energicamente os dois apóstolos.


Diante da proposta dos discípulos Jesus enfatiza que qualquer discípulo, qualquer cristão não pode se mover por sentimentos de vingança, de violência, de ódio, de desafronta, de intolerância ou de intransigência. Quem é tolerante não vê a diferença e a alteridade como ameaça, e sim como estímulo para se aproximar e aprender do outro numa atitude de diálogo.


A atitude de Tiago e João continua presente em muitas religiões ou crenças do mundo. Por todos os meios os seres humanos, ao longo da história, buscaram a forma de acabar com os que pensam, atuam ou vivem de forma diferente. Como cristãos temos que respeitar os demais e fazer possível a paz entre as religiões e crenças. Para isso, primeiramente, deve haver diálogo entre as religiões. Mas antes disso, deve haver um intra-diálogo em cada religião, em vez de radicalismo.


O radicalismo de nossas atitudes, muitas vezes, é uma expressão de nossa pouca bondade. Com esta pouca bondade tomamos atitudes que violentam a história de Deus com os homens. A violência sempre gera um processo desumanizador que perverte radicalmente as relações entre os homens, introduz na história novas injustiças e impede o caminho para a reconciliação. O ódio é como uma gangrena: devora a pessoa. O ódio é igual alguém a tomar o veneno e espera que o outro morra. Todas as nossas recusas em nos comunicarmos com os outros e nos abrirmos a eles encerram-nos na prisão. Em vez de nos ajudar a crescermos no amor, no perdão e na abertura, esse processo pode nos fechar em formas sutis de depressão e inércia. Nesse caso somos prisioneiros de nós mesmos ou do nosso grupo.


O fogo que Cristo traz do céu não é aquele que queima e elimina as pessoas, e sim aquele que ilumina e purifica o mundo de suas impurezas. É o fogo do Espírito Santo. É o fogo de amor. O único fogo que nós cristão podemos usar é o fogo de amar aos demais até o fim como fez Jesus. Jesus nos libertou para sermos livres, como diz São Paulo (Gl 5,1). Liberdade em Cristo é para amar mais e melhor. Amar a Deus e ao irmão é condição para ser livre. A liberdade daquele que ama a Deus e ao irmão é a identificação total com a vontade de Deus, com o bem e com a verdade.


Por isso, o caminho que Jesus propõe para quem quiser segui-lo não é um caminho de “massas”, mas um caminho de “discípulos”: implica uma adesão incondicional ao “Reino”, à sua dinâmica, à sua lógica. Implica uma adoção do espírito de Jesus que é o espírito de amor. Seguir Jesus não é uma viagem fácil; pode se converter em uma viagem sem retorno.
P. Vitus Gustama,svd

sábado, 28 de setembro de 2019

30/09/2019

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TER AUTORIDADE E SER PARCEIRO DO BEM
Segunda-Feira da XXVI Semana Comum


Primeira Leitura: Zc 8,1-8
1 A palavra do Senhor dos exércitos foi manifestada nos seguintes termos: 2 “Isto diz o Senhor dos exércitos: Tomei-me de forte ciúme por Sião, consumo-me de zelo ciumento por ela. 3 Isto diz o Senhor: Voltei a Sião e habitarei no meio de Jerusalém; Jerusalém será chamada Cidade Fiel, e o monte do Senhor dos exércitos, Monte Santo. 4 Isto diz o Senhor dos exércitos: Velhos e velhas ainda se sentarão nas praças de Jerusalém, cada qual com seu bastão na mão, devido à idade avançada; 5 as praças da cidade se encherão de meninos e meninas a brincar em suas praças. 6 Isto diz o Senhor dos exércitos: Se tais cenas parecerem difíceis aos olhos do resto do povo, naqueles dias, acaso serão também difíceis aos meus olhos? — diz o Senhor dos exércitos. 7 Isto diz o Senhor dos exércitos: Eis que eu vou salvar o meu povo da terra do oriente e da terra do pôr-do-sol; 8 eu os conduzirei, e eles habitarão no meio de Jerusalém; serão meu povo e eu serei seu Deus, em verdade e com justiça”.


Evangelho: Lc 9,46-50
Naquele tempo, 46 houve entre os discípulos uma discussão, para saber qual deles seria o maior. 47 Jesus sabia o que estavam pensando, pegou então uma criança, colocou-a junto de si 48 e disse-lhes: “Quem receber esta criança em meu nome, estará recebendo a mim. E quem me receber, estará recebendo aquele que me enviou. Pois aquele que entre todos vós for o menor, esse é o maior”. 49 João disse a Jesus: “Mestre, vimos um homem que expulsa demônios em teu nome. Mas nós lho proibimos, porque não anda conosco”. 50 Jesus disse-lhe: “Não o proibais, pois quem não está contra vós, está a vosso favor”.
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Com Deus o Impossivel Se Torna Possivel


Velhos e velhas ainda se sentarão nas praças de Jerusalém, cada qual com seu bastão na mão, devido à idade avançada; 5 as praças da cidade se encherão de meninos e meninas a brincar em suas praças”.


Começamos a ler o livro do profeta Zacarias no sábado passado. Continuamos a seguir a série de profetas que falarão nos tempos da volta do desterro de babilônia.


No texto de hoje, que lemos na Primeira Leitura, escutamos cinco breves oráculos cheios de esperança porque partem da convicção de que Deus ama a Sião apaixonadamente, até zelosamente. Cada um dos oráculos começa com as palavras “Isto diz o Senhor”.


O quadro que o profeta Zacarias desenha da nova Jerusalém é expressivo: os anciãos se sentam nas ruas para tomar o sol (bronzear-se) e as crianças e jovens cheios de alegria brincam de novo. Aquilo que era impossível se tornou realidade, porque Deus decidiu libertar seu povo e renovar a Aliança: “Eles serão meu povo e eu serei seu Deus, em verdade e com justiça” (Zc 8,8b).


O Salmo Responsorial (Sl 101) prolonga o tom da esperança: “O Senhor edificou Jerusalém e apareceu na sua glória! Ele inclinou-se de seu templo nas alturas, e o Senhor olhou a terra do alto céu, para os gemidos dos cativos escutar e da morte libertar os condenados”.


Mesmo encontrando dicifuldades, os projetos de Deus são sempre salvadores, projetos de vida e renovação. A própria natureza nos mostra e nos ensina que para crescer e frutificar é preciso renovar. É deixar morrer algo que não presta mais para nossa vida como as folhas caídas e galhos secos. E para um ser humano não basta renovar. É preciso também inovar, isto é, abertos para algo novo que não existiu, mas que é importante para o crescimento do próprio homem. Para isso, temos que ter coragem para encarar nossas próprias resistências. Não nos acostumemos com nossa pobreza, com nossa ignorância, com nosso pouco conhecimento, com nosso comodismo, com nossa preguiça! Levemos a sério nossa vida e nossa missão! Recuamos os limites do impossível, quando tomamos consciência de como nossa vida muda tão logo começamos a modificar nossos pensamentos. Os obastaculos recuam nossos limites, quando nossa confiança procura novas forças em Deus e em nós mesmos. Olhemos para a meta e não fixemos nosso olhar apenas nos obstáculos! Em toda provação há sempre nova descoberta e nova sabedoria. E com esta nova sabedoria, estamos prontos para determinadas coisas para transmitir a mesma sabedoria para quem dela precisa.


O profeta Zacarias não se preocupa tanto de levantar umas paredes, e sim que vê em Jerusalém o futuro de uma comunidade que volta a apreciar os valores em que sempre acreditava. Seja qual for a situação em que nos encontramos pessoalmente ou como comunidade eclesial, sempre é possível, com a ajuda de Deus, a reconstrução da vida segundo a Aliança.


Deixemos conquistar por este otimismo do profeta Zacarias, que é também o otimismo de um Deus que nos ama e que sempre nos dá uma nova oportunidade para reconstruir nosso futuro. Quando nos colocarmos diante do Senhor, viveremos no oceano sem limites do poder de Deus.


Velhos e velhas ainda se sentarão nas praças de Jerusalém, cada qual com seu bastão na mão, devido à idade avançada; as praças da cidade se encherão de meninos e meninas a brincar em suas praças”. É uma imagem bela, um quadro idílico, símbolo de uma vida feliz. A alegria de Deus é contemplar uma humanidade alegre e feliz, crianças e jovens que se divertem na fraternidade. Tudo isto é o fruto da bênção de Deus. A presença de Deus, na cidade ou na família, alcança esses relacionamentos humanamente harmoniosos: Deus é amor. A bênção de Deus podemos também experimentar. Há uma condição: que coloquemos na prática aquilo que Deus falou para o povo eleito desde a saída do Egito: “Eles serão meu povo e Eu serei seu Deus”. Ser povo de Deus significa viver de acordo com a Palavra de Deus (Cf. Lc 8,21). Nós cristãos temos o maior motivo porque a Nova Aliança que Deus nos ofereceu em seu Filho nos enche de maior alegria. Jesus é Deus que nos salva. “Habitarei em meio de Jerusalém”, oráculo do Senhor através do profeta Zacarias. “O Verbo se fez carne e habitou no meio de nós”, escreveu o evangelista João (Jo 1,14).


Viver Conforme a Autoridade Que Se Preocupa Com o Bem Comum


Estamos na parte final da atividade de Jesus na Galileia. A partir de Lc 9,51-19,28 Jesus sairá da Galileia rumo a Jerusalém onde será crucificado, morto e glorificado.


É Preciso Ter a Autoridade e Não o Poder


Na primeira parte do evangelho lido neste dia o evangelista Lucas nos relatou que entre os discípulos houve uma discussão sobre quem era maior ou quem tinha mais poder. Em outras palavras, eles tinham ambição de ter o poder na mão. Isso significa que até então eles ainda não captaram o essencial da mensagem de Jesus que é preciso pensar no outro e fazer tudo pela sua salvação.


Quem tem o poder geralmente impõe aos outros suas decisões, muitas vezes através dos meios injustos como opressão, repreensão, tortura, ameaça, execução etc.... O poder não respeita a liberdade humana, por isso ele não faz que os homens se tornem bons.  O poder obriga e impõe o silêncio. Quem tem poder geralmente não se preocupa com a ética e com a humanidade. Aquele que tem poder sempre tem tendência de manipular as pessoas e dirigi-las para seus próprios objetivos e sua necessidade de poder. O ambicioso pelo poder, quando dominado pelo vício, não suporta competidores, nem admite rivais e por isso, ele procura todos os meios para humilhá-los e eliminá-los. Ele considera “justo” e “honesto” o uso da violência para atingir seus objetivos. Ele não tem consciência de que o poder é passageiro. Quem desejar ser o primeiro a todo custo não pensa na justiça e na honestidade nem na necessidade dos outros. O respeito aos outros está ausente na vida de um ambicioso.


O contrário do poder é a autoridade. A autoridade está ligada ao crescimento. A palavra “autoridade” vem do latim “augere”, que quer dizer “crescer”. Exercer a autoridade significa sentir-se realmente responsável pelos outros e por seu crescimento sabendo que eles são pessoas que tem um coração, nas quais existe o Espírito de Deus (cf. 1Cor 3,16-17) e que são chamadas a crescer na liberdade da verdade e do amor. Na linguagem bíblica, a autoridade é uma rocha que dá apoio. É o pastor que conduz o gado para o bom pasto (cf. Sl 23 sobre o bom pastor; cf. Jo 10). Os membros da comunidade são essencialmente o rebanho de Jesus: “Apascenta as minhas ovelhas” (cf. Jo 21,15-17). Os membros de uma comunidade logo sentem quando os responsáveis (autoridade) os amam e querem ajudá-los a crescer e não quando estão presentes apenas para administrar, impor sua lei e sua própria visão. A autoridade é o autêntico serviço para a comunidade. A crise de liderança geralmente surge da crise da autoridade.


O grande não é reinar e sim servir no espírito de Jesus. Para Jesus servir é coisa grande e faz quem serve grande diante de Deus, pois servir o mais desprezado dos homens é servir a Deus (cf. Mt 25,40.45). É imitar Jesus.


Os discípulos de Jesus, mesmo estando com Ele, nunca abandonaram suas pretensões de poder. E nós, será que também nós não abandonamos nossas pretensões de poder ao estar na Igreja? Ou usamos a Igreja para facilitar o alcance de nosso poder?


Hoje necessitamos criar uma catequese que realmente cultive o conhecimento de Jesus e a prática de suas atitudes, pois o que Jesus queria era criar um grupo de pessoas que, ao atender a chamada de Deus, proporcionam novas alternativas de vida.


É Preciso Ser Parceiro do Bem


A segunda parte do Evangelho de hoje nos relata que o discípulo João se queixa por ter visto alguém “expulsando demônios” em nome de Jesus, mas esse alguém não pertence ao grupo dos discípulos. A reação de João é imediata: proibir que se faça o bem, pois não é membro da comunidade dos seguidores de Cristo. Com essa proibição os discípulos mostram seu comportamento incompatível com o Reino de Deus: arrogância, sectarismo, intransigência, intolerância, ciúmes, mesquinhez, pretensão de monopolizar Jesus e a sua proposta.


Diante desse comportamento dos discípulos Jesus disse-lhes: “Não o proibais, pois quem não está contra vós está a vosso favor”. Com esta exortação Jesus quer que os discípulos superem o sectarismo na prática do bem.  A comunidade cristã deve ser colaboradora na prática do bem e acolher todas as pessoas que praticam o bem independentemente de pertencer ou não à Igreja. Cada cristão deve ser parceiro do bem e por isso, deve reconhecer o bem praticado por qualquer pessoa. Se realmente alguém pratica o bem é porque tem algo de Deus dentro dele, pois Deus é o Bem supremo. E tudo que Ele criou era bom (cf. Gn 1,1ss).


O Espírito de Deus é livre e atua onde quer e como quer. Ele não está limitado por fronteiras, nem por regras, nem por interesses pessoais, nem por privilégios de grupo. Nenhuma Igreja ou religião ou grupo tem o monopólio do Espírito Santo, nenhuma instituição consegue controlá-lo nem prendê-lo. O Espírito não é privilégio dos membros da hierarquia; mas está bem vivo e bem presente em todos aqueles que abrem o coração aos dons de Deus e que aceitam comprometer-se com Jesus e o seu projeto de vida.


Somos convidados a abandonar atitudes como o fanatismo, a intolerância, a intransigência, preconceitos, etc., pois elas fazem fechar os olhos e o coração diante da manifestação do amor de Deus em tantas pessoas de boa vontade mesmo que se digam não acreditar em Deus, mas Deus acredita nelas por causa do bem que elas praticam. Não temos que sentir-nos ciumentos se Deus quer agir no mundo através de pessoas que não pertencem à nossa Igreja. É preciso ser parceiro deste tipo de pessoa.


Os cristãos são chamados a constituir uma comunidade sem arrogância, sem ciúmes, sem presunção de posse exclusiva do bem e da verdade, pois estes sentimentos e atitudes são incompatíveis com a opção pelo Reino: “Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes” (1Pd 5,5b; Pr 3,34).
P. Vitus Gustama,svd

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Domingo,29/09/2019
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AMOR FRATERNO NOS LEVA AOS ABRAÇOS DE DEUS
XXVI DOMINGO COMUM “C”


Primeira Leitura: Am 6,1a.4-7
Assim diz o Senhor todo-poderoso: 1aAi dos que vivem despreocupadamente em Sião, os que se sentem seguros nas alturas de Samaria! 4Os que dormem em camas de marfim, deitam-se em almofadas, comendo cordeiros do rebanho e novilhos do seu gado; 5os que cantam ao som das harpas, ou, como Davi, dedilham instrumentos musicais; 6os que bebem vinho em taças, e se perfumam com os mais finos unguentos e não se preocupam com a ruína de José. 7Por isso, eles irão agora para o desterro, na primeira fila, e o bando dos gozadores será desfeito.


Segunda Leitura: 1Tm 6,11-16
11Tu, que és um homem de Deus, foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão. 12Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e pela qual fizeste tua nobre profissão de fé diante de muitas testemunhas. 13Diante de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que deu o bom testemunho da verdade perante Pôncio Pilatos, eu te ordeno: 14guarda o teu mandato íntegro e sem mancha até a manifestação gloriosa de nosso Senhor Jesus Cristo. 15Esta manifestação será feita no tempo oportuno pelo bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, 16o único que possui a imortalidade e que habita numa luz inacessível, que nenhum homem viu, nem pode ver. A ele, honra e poder eterno. Amém.


Evangelho: Lc 16,19-31
Naquele tempo, Jesus disse aos fariseus: “19 Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. 20 Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. 21 Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas. 22 Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23 Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24 Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’. 25 Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26 E, além disso, há um grande abismo entre nós; por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’. 27 O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, 28 porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento’. 29 Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!’ 30 O rico insistiu: ‘Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter’. 31 Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos’”.
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Continuamos a acompanhar as Lições do Caminho dadas por Jesus na Sua ultima viagem para Jerusalém, pois Ele será crucificado, morto e glorificado em Jerusalém. Nesta parte do seu evangelho (Lc 9,51-19,28) Lucas colocou as orientações ideais e práticas de Jesus para seus seguidores para poderem prosseguir no caminho que Jesus abriu.


No texto do evangelho de hoje é mantida a lição sobre o uso correto dos bens materiais que foi enfatizada na passagem do evangelho do domingo anterior (Lc 16,1-13). Em nossa sociedade o dinheiro escraviza não somente os que já são ricos, mas também uma ampla maioria que conseguiram já um notável nível de vida. A riqueza em quanto “apropriação excludente da abundância”, não faz o homem crescer e sim que o destrói e desumaniza, pois o torna indiferente e insolidário, apático, diante da desgraça alheia. A riqueza é capaz de criar facilmente resistência ao mandamento de amor de Deus e surdez à sua Palavra. A riqueza é capaz facilmente de fechar o coração do homem para Deus e para o próximo.


Estamos na última parte do capítulo 16 do Lucas. Sabemos que o tema central deste capítulo é o convite de Jesus a usarmos os bens materiais deste mundo corretamente. Jesus conclama as pessoas, todos nós e cada um em particular, a voltar às costas ao deus dinheiro a fim de adorar ao Deus único e verdadeiro que nos salva e que nos chama a vivermos na fraternidade em que um cuida do outro. Para isso, Lucas nos narra a parábola sobre o rico e Lázaro.


Para nos ajudar na nossa reflexão sobre esta parábola vamos lançar algumas perguntas. Primeiro, sobre o homem rico: A que ele se dedica? Qual é a meta ou o ideal de sua vida? Pode-se viver na abundância (apesar de ser direito quando a riqueza é lícita) tendo tão perto alguém com fome? Segundo, sobre o mendigo Lázaro: Como a parábola descreve sua situação de miséria extrema? Qual o aspecto mais doloroso e desumano de seu estado? O que você sente diante desta cena tão revoltante? Terceiro, sobre o nome: O mendigo tem um nome: Lázaro, que significa “Deus ajuda”. O rico não aparece identificado, aliás, sem nome. Não parece estranho este detalhe? Por que o rico fica sem nome? Quarto, sobre próximo e, ao mesmo tempo, distante. Conforme o relato, existe uma proximidade entre o rico e o mendigo Lázaro (Lázaro se encontra na porta do mansão do rico). Se estão tão próximos, o que é que os separa? Quinto, sobre o pecado do rico: Por que o rico é condenado? Qual é o pecado do rico? Finalmente, sobre a atualidade da parábola: Qual é a mensagem da parábola para o mundo atual, para o nosso mundo em que vivemos?


A parábola sobre o rico e Lázaro encontramos somente no Evangelho de Lucas. Segundo Joachim Jeremias (cf. As Parábolas de Jesus) e outros autores, esta parábola tem sua origem na fábula egípcia em que se narra a viagem de Si-Osíris e do seu pai Seton Chaemwese ao reino dos mortos. A fábula termina com esta lição: “Quem é bom na terra, acontece o bem também no reino dos mortos, mas quem é mau na terra, acontece o mal também lá”. Através dos judeus de Alexandria esta fábula entrou na tradição judaica onde ela foi muito apreciada com suas diversas formulações; uma delas se narra a estória do pobre escriba e do rico publicano Bar Ma’jan que narra a sorte no além. No além, Bar Ma’jan queria alcançar a água, mas não podia. Enquanto que o pobre escriba vivia em jardins de beleza paradisíaca onde corriam águas de fontes. Evidentemente como judeu, Jesus também aproveita esta narrativa na sua pregação e a emprega igualmente na parábola do grande banquete (cf. Lc 14,15-24).


Esta parábola é um relato simbólico que ilustra o perigo da riqueza e propõe um apelo à conversão. Ela serve como exemplo do ensinamento de Jesus, no evangelho do domingo anterior, sobre o uso apropriado da riqueza. É parábola que toma o assunto das riquezas de Lc 16 e lhe confere uma conclusão bem adequada: nem a riqueza nem a pobreza neste mundo é a medida da bênção de Deus.


Nesta parábola, Jesus se dirige aos fariseus como representantes daqueles que amam o dinheiro (Lc 16,14) e que pensavam justificar-se diante de Deus e dos homens mediante o cumprimento estreito da lei (Lc 11,37ss). Na verdade, esta parábola serve como ilustração das bem-aventuranças e os ais de Lc 6,20-23. Ela reprova o rico que não sabe compartilhar o que tem para com os mais necessitados. Ela quer também sublinhar o ensinamento sobre o que significa o presente para o futuro. Somos futuros aquilo que somos no presente.


A parábola tem duas partes. Na primeira (vv.19-26) descrevem-se os dois personagens principais segundo o ponto de vista literário muito estendido na literária bíblica: o rico vive luxuosamente e celebra grandes festas e banquetes; o pobre tem fome e está enfermo. Mas a morte dos dois muda totalmente a situação. Na descrição da vida no além, Lc utiliza as imagens de seu tempo que não pretende nos dar uma informação sobre a geografia do além e sim quer enfatizar a justiça de Deus sobre o conjunto da vida humana. A vida presente, portanto, é decisiva. É nesta vida que jogamos nosso destino eterno. É na vida presente que escolhemos a eternidade. As escolhas que fizemos ou fazemos na vida presente serão julgadas por Deus, sempre misericordioso e compassivo, mas sempre justo e fiel às suas propostas.  A parábola é muito clara em definir as duas situações: de felicidade uma e de sofrimento a outra.


Na segunda parte (vv.27-31) insiste-se em que a Escritura, da qual os fariseus eram considerados expertos (especialistas), é o caminho mais seguro para a conversão. Mas o homem rico foi surdo às suas demandas. Em outras palavras, a sua vida não estava enraizada na Palavra de Deus. O versículo final expressa perfeitamente o centro da mensagem contida na parábola: até os milagres mais espetaculares, como a ressurreição de um morto, são inúteis para quem não se enraíza sua vida no coração da Palavra de Deus.


Na descrição do rico e de Lázaro (vv.19-26) os contrastes são muito fortes: riqueza contra miséria, vestes luxuosas contra a pele coberta de úlceras, festins brilhantes contra estômago faminto; em suma, a abundância e o supérfluo, de um lado, e a falta do “mínimo vital”, do outro. Quadro esse que, infelizmente, continua de uma verdade gritante a quem quiser ver lucidamente a situação atual, tanto em escala mundial como em escala local. O perigo que pode ou possa acontecer com qualquer um de nós é a falta de sensibilidade por termos visto permanentemente os mendigos na nossa porta ou nas portas de nossas igrejas. A tentação de não querermos vê-los e evitarmos encontrá-los é muito grande. Fingimos não perceber sua presença. O pior cego é aquele que não quer ver, diz um ditado popular. Que não seja tarde demais vermos esses nossos irmãos necessitados como aconteceu com o rico nesta parábola. Eles não chamam mais nossa atenção e não se tornam notícias para nossa Igreja (paróquia). Talvez seja fácil dar um pouco que se tem, mas quem de nós pode perguntar e procurar saber do porquê da situação para juntos resolvermos a mesma?  No pórtico de sua casa suntuosa, Lázaro pode lançar um olhar de avidez para as migalhas do festim. O rico sequer percebe sua presença. O rico vive como se Deus não existisse e como se os necessitados não existissem. Tem “tudo”. Por acaso precisa de Deus? Não vê Deus nem o pobre. Deixa-se absorver pelo bem estar e pela vida regalada.


O objetivo da parábola não é descrever o céu nem o onferno, mas condenar a indiferença dos ricos, que vivem desfrutando seu bme-estar, ignorando os que morrem de fome. O rico não é julgado como explorador. Simplesmente desfrutou sua riqueza ignorando o pobre. Tinha-o ali bem perto, na porta de sua casa, mas não o viu ou fingiu não vê-lo. “A parábola sugere: nesta vida, o que separa o rico do pobre é a porta fechada. Enquanto você tiver vida, abra a porta, vá conversar com Lázaro e comece a derrubar o muro de vergonha que separa ricos e pobres. O lugar do tormento é a situação da pessoa sem Deus. Por mais que o rico pense ter religião e fé, não há jeito de ele estar com Deus enquanto não abrir a porta para o pobre, como fez Zaqueu(Carlos Mesters-Francisco Orofino: Crescer Em Amizade: Uma Chave de leitura Para o Evangelho de Lucas, Paulus 2019 p.64-65).


O pecado do homem rico não foi sua riqueza e sim a dureza de seu coração. A presença de Lázaro em sua porta lhe rendeu a oportunidade de cumprir um serviço importante, porém não sentiu compaixão nem tomou nenhuma ação perante quem está em necessidade em extrema, apesar de ter tanto recurso para ajudar. Na vida, o homem rico queria evitar todo contato com Lázaro. Agora está atormentado pelo abismo que lhes separa.


A parábola é um apelo a sairmos da indiferença, dando passos para nos aproximar mais do mundo dos que sofrem: conhecendo melhor sua situação e seus problemas, cultivando uma relação mais próxima, buscando um contato mais estreito, tendo os olhos mais abertos para captar em nosso ambiente o sofrimento e a solidão das pessoas. A mensagem é que não se pode pôr a confiança e a segurança da salvação nas riquezas materiais, que não se pode desprezar e marginalizar os pobres, e que o Reino de Deus não se alcança pela simples pobreza sociológica e sim por cumprir as exigências da Palavra Revelada que se resume no amor a Deus e ao próximo simultaneamente.


A parábola nem sequer falar sobre as qualidades do pobre Lázaro. Na parábola não se fala se Lázaro era bom ou se tinha algum mérito. Jesus quer nos mostrar que numa situação em que, de um lado há necessitado e do outro, há indiferença, Deus cobra a atenção para ajudar. O nosso caminho para Deus passa pelo atendimento e pela ajuda aos que se encontram numa situaçãoem que há carência do básico para viver e sobreviver.


Lázaro está no meio de nós, está em nossa casa, no nosso trabalho e em qualquer lugar. Não é necessário irmos longe para encontrar Lázaro mais pobre e mais necessitado do que nós: famílias humildes que passam dificuldades, doentes isolados e idosos abandonados, pessoas desempregadas, alcoolicos, toxicodependentes que precisam de uma mão amiga. Basta você parar de estar voltado para si mesmo, então você vai enxergar o Lázaro que está tão perto de você. Que sua solidariedade não seja tarde demais como a do rico da parábola. Por isso, se tiver oportunidade para fazer a caridade, que faça; ofereça flor, embora só uma, para uma pessoa que está viva, que você ama muito. Porque é muito melhor dar uma flor para quem está vivo do que uma coroa de flores para uma pessoas que já se foi; perdoe se tiver oportunidade para perdoar, visite um amigo doente, se houver ainda tempo...etc., porque amanhã talvez seja tarde demais. Você pode gritar, mas pode ser que o seu grito seja em vão, como o do rico neste Evangelho.


Esta parábola não é um conto de crianças e sim um aviso. Devemos nos perguntar se estamos dispostos a ver e a ajudar Lázaro ao nosso redor. Devemos nos perguntar o que temos feito ultimamente em favor dos necessitados que se encontram ao nosso redor? A parábola é um convite para a solidariedade. Nosso grande pecado pode ser a apatia social e política. O desemprego e outros problemas sociais tornaram-se algo tão "normal e cotidiano" que não mais nos choca ou nos machuca. Nós nos fechamos, cada um em “nossa vida” e ficamos cada vez mais cegos e insensíveis diante da frustração, da humilhação, da crise familiar, da insegurança e do desespero de tantas pessoas ao nosso redor. Este é o perigo.

A parábola é um convite de Jesus à conversão enquanto há tempo. O verdadeiro fruto da conversão é a caridade para com o próximo, expressa em obras (cf. Is 58,6s). São Tiago nos alerta: “Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento” (Tg 2,13). O perigo que nos rodeia ao ler a parábola sobre o rico e Lázaro é julgar que apenas diz respeito aos ricos e poderosos, aos que têm muito poder e muito dinheiro. Na revelação bíblica pobreza e riqueza não são conceitos meramente quantitativos, mas também pesa a atitude de apego ou desapego em relação ao que cada um possui. Isso é que nos faz ricos ou pobres em espirito diante de Deus.
P. Vitus Gustama,svd