sábado, 30 de novembro de 2019

06/12/2019
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NO SENHOR ENCONTREI A ALEGRIA DE ENXERGAR NOVAMENTE O SENTIDO DA MINHA VIDA
Sexta-Feira da I Semana do Advento


Primeira Leitura: Is 29,17-24
Assim fala o Senhor Deus: 17 Dentro de pouco tempo, não se transformará o Líbano em jardim? E não poderá o jardim tornar-se floresta? 18 Naquele dia, os surdos ouvirão as palavras do livro e os olhos dos cegos verão, no meio das trevas e das sombras. 19 Os humildes aumentarão sua alegria no Senhor, e os mais pobres dos homens se rejubilarão no Santo de Israel; 20 fracassou o prepotente, desapareceu o trapaceiro, e sucumbiram todos os malfeitores precoces, 21 os que faziam os outros pecar por palavras, e armavam ciladas ao juiz à porta da cidade e atacavam o justo com palavras falsas. 22 Isto diz o Senhor à casa de Jacó, ele que libertou Abraão: “Agora, Jacó não mais terá que envergonhar-se nem seu rosto terá de enrubescer; 23 quando contemplarem as obras de minhas mãos, hão de honrar meu nome no meio do povo, honrarão o Santo de Jacó, e temerão o Deus de Israel; 24 os homens de espírito inconstante conseguirão sabedoria e os maldizentes concordarão em aprender”.


Evangelho: Mt 9,27-31
Naquele tempo, 27 partindo Jesus, dois cegos o seguiram, gritando: “Tem piedade de nós, filho de Davi!” 28 Quando Jesus entrou em casa, os cegos se aproximaram dele. Então Jesus perguntou-lhes: “Vós acreditais que eu posso fazer isso?” Eles responderam: “Sim, Senhor”. 29 Então Jesus tocou nos olhos deles, dizendo: “Faça-se conforme a vossa ”. 30 E os olhos deles se abriram. Jesus os advertiu severamente: “Tomai cuidado para que ninguém fique sabendo”. 31 Mas eles saíram, e espalharam sua fama por toda aquela região.
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O tema dos cegos faz um elo entre as leituras deste dia. A primeira leitura revela a composição do Resto messiânico, os pobres (anawim): “Naquele dia, os surdos ouvirão as palavras do livro e os olhos dos cegos verão, no meio das trevas e das sombras. Os humildes aumentarão sua alegria no Senhor, e os mais pobres dos homens se rejubilarão no Santo de Israel” (Is 29,18). O pobre referido por Isaías é alguém cuja condição o torna mais apto a contar com Deus do que o rico confiante em seus meios humanos. Neste sentido, o pobre se torna rico diante de Deus e o rico se torna pobre. O olho do profeta Isaías vislumbra como próxima a salvação total. Esta salvação está já presente no coração dos que esperam no Senhor ainda que não apareça na ordem externa. Quando triunfar o Messias, quando chegar seu Reino e tudo for transformado e o mundo for redimido, não poderá existir o mal em nenhum sentido. Todos se tornarão irmãos para com os outros. Todos escutarão e todos verão porque todos viverão pendentes da Palavra de Deus e de sua vontade salvífica. E o Evangelho insiste na atitude necessária para pertencer ao Resto messiânico: a fé no poder divino depositado em Jesus, o Messias esperado.


A Situação Difícil De Quem Tem Fé Será Transformada Por Deus Em Situação De Felicidade


Dentro de pouco tempo, não se transformará o Líbano em jardim? E não poderá o jardim tornar-se floresta? Naquele dia, os surdos ouvirão as palavras do livro e os olhos dos cegos verão, no meio das trevas e das sombras. Os humildes aumentarão sua alegria no Senhor, e os mais pobres dos homens se rejubilarão no Santo de Israel; fracassou o prepotente, desapareceu o trapaceiro”.


A transformação da majestosa beleza dos bosques do Líbano em jardim (Is 29,18) não significa uma situação de bênção. O bosque tem no AT sentido claramente positivo (cf. Dt 19,5; Js 17,5.18; Is 44,14; Ct 2,3; Ecl 2,6). O que se enfatiza aqui são dois aspectos tanto o negativo como o positivo. O aspecto positivo é que o jardim que se transforma em bosque equivaleria à mudança de situação de surdos e cegos, humilde e pobres (Is 29,18-19). Mas ao mesmo tempo se enfatiza o aspecto negativo. O Líbano, símbolo do orgulho e da pretensão de rebelar-se contra Deus, rebaixado para a categoria de jardim, seria a imagem de desaparecimento de opressores. Em outras palavras, o mal tem seu tempo de validade. Os que se sentem poderosos se envelhecem e morrem como qualquer um dos seres humanos. Vai chegar um dia em que seu poder conhecerá a queda total. O prepotente somente é forte para algum tempo, mas o humilde é forte eternamente.


No entanto, os surdos e os cegos em Is 29,18-19, têm sentido figurado. Surdez e cegueira têm frequentemente no AT a conotação da recusa voluntária em não querer ouvir nem ver. Quando alguém não quer ouvir o que deve ser ouvido, um dia será obrigado a ouvir aquilo que sempre evitou ouvir. Diante daquilo que sempre fechamos os olhos para ver, um dia seremos obrigados a abrir os olhos para ver. Um dia, estaremos frente a frente com a realidade nua e crua de nossa vida e não tem como disfarçar ou fugir. Por isso, não custa nada ter um pouco de humildade para ouvir aquilo que deve ser ouvido embora soframos, e ver aquilo que devemos ver embora experimentemos um pouco ou muito de vergonha, porém a verdade nos liberta. Consequentemente, teremos oportunidade para nos corrigir mais cedo.


Is 29,20-21 descreve o fim dos opressores. Os opressores também envelhecem e morrem. O profeta descreve os opressores como fanfarrão. Um fanfarrão é igual ao mau que ignora a sabedoria e a inteligência e por isso, sempre age com violência. Mas no fim o fanfarrão terá que admitir o fracasso total.


Além de fanfarrão dentro do grupo dos opressores se encontram também aqueles que aproveitam sua influência no âmbito público (os tribunais, Is 29,21) para colocar obstáculos à administração da justiça. Eles manipulam a verdade para esconder sua podridão.


Mas para os justos, Deus faz as promessas (Is 29,22-24). O texto sublinha a presença do Senhor na História da humanidade. Ele é fiel até o fim. A fidelidade do Senhor aos patriarcas é o argumento decisivo para continuar no caminho da esperança.


Naquele dia, os surdos ouvirão as palavras do livro e os olhos dos cegos verão, no meio das trevas e das sombras. Os humildes aumentarão sua alegria no Senhor, e os mais pobres dos homens se rejubilarão no Santo de Israel; fracassou o prepotente, desapareceu o trapaceiro”.


Que belo o panorama que nos apresenta o profeta Isaías! Deus quer salvar seu povo e logo Ele fará tudo isso. Os que se sentiam oprimidos experimentarão a libertação. Já não teremos mais vergonha de ser bons e seguir ao Senhor. Os cego verão e a escuridão deixará lugar para a luz. Por isso, é um texto muito otimista que lemos hoje!


O Advento nos convida a abrirmos os olhos, a esperar, a permanecer na busca contínua, a nos deixar salvar e a sair ao encontro do verdadeiro Salvador que é Jesus Cristo. Seja qual for nossa situação pessoal e comunitária, Deus nos estende Sua mão e nos convida à esperança, porque nos assegura que Ele está conosco, o Emanuel.


No início da Eucaristia, muitas vezes repetimos a súplica dos cegos: “Kyrie, eleison”. “Senhor tenha compaixão de nós!”. Para que Ele nos purifique interiormente, nos dê sua força, nos cure de nossos males e nos ajude a celebrar bem sua Eucaristia. É uma súplica breve e intensa que muito bem podemos chamar oração de Advento, porque estamos pedindo a vinda de Cristo para nossas vidas. Neste Advento temos que descobrir nossa miséria e encontrar a resposta salvadora de Jesus.


Somente o Senhor Pode Nos Ajudar a Enxergar Melhor o Sentido Da Vida


O texto do evangelho deste dia fala de dois cegos. No Antigo Testamento, a cegueira é muitas vezes considerada um castigo de Deus (Dt 28,28; 2Rs 6,18; Zc 12,4; veja no NT em Jo 9,2). Por isso, neste sentido, a cegueira é uma metáfora que expressa falta de visão espiritual (cf. Is 42,19; 29,18; 56,10; Rm 2,19; 2Cor 4,4; 2Pd 1,9; 1Jo 2,11; Ap 3,17). E Salvação trazida pelo Messias é descrita como luz para o cego (Is 35,5; 42,16.18; 43,8; Jr 31,8). O Messias tem como missão, entre outras, devolver a vista aos corpos (curar a cegueira física) e abrir os olhos da alma (curar a cegueira espiritual).


O evangelista Mateus nos relatou que dois cegos gritaram a Jesus: “Tem piedade de nós, Filho de Davi!”. O grito é um sinal. Sinal de uma necessidade muito forte, de um protesto, de um sofrimento muito intenso, sinal de uma sensibilidade afetada. Há gritos em silêncio que são gritantes. Mas há gritos gritantes que não dizem nada. Todo barulho não faz bem e o bem não faz barulho. Há grito dos bons, mas há também grito dos maus e maldosos. “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”, dizia Martin Luther King. Além disso, sabemos também da experiência que quem grita tem necessidade de esconder a insegurança.


Uma necessidade fortemente sentida como o sofrimento físico ou moral, ânsia de pão para sobreviver, ânsia de amizade, ânsia para viver e conviver em um clima familiar, aspiração para uma vida melhor, tudo isso pode ser o ponto de partida, o início de uma busca de Deus.


Filho de Davi, tem piedade de nós!”. Ao dizerFilho de Davi” os dois cegos reconhecem em Jesus um título messiânico. Eles querem dizer a Jesus: “Tu és Aquele que há de vir, Aquele que foi prometido pelos profetas. Em Ti colocamos toda a nossa esperança, e por isso, a Ti gritamos!”.  E “o grito do pobre sobe até Deus, mas não chega aos ouvidos do homem” (Hughes Lamennais).

Os dois cegos entraram na casa onde Jesus morava. Aqui a casa é a comunidade cristã onde Jesus é a cabeça dela. Nessa comunidade é que ecoa a Palavra que ilumina, que faz ver as realidades deste mundo de um novo modo, que capacita o homem a ver a presença de Deus em tudo neste mundo. Nessa comunidade é que ressoa a Palavra que devolve a esperança perdida e ganha a visão clara sobre a vida.


Nesta casa, Jesus interroga os dois cegos para saber a autenticidade de sua . Jesus deseja purificar esta : “Credes que eu posso fazer isso?”, pergunta-lhes Jesus. A necessidade humana que está na origem de sua oração poderia não ser o desejo de um milagre para si mesmo. Jesus apenas suscita neles a esperança, o desejo e a . Ele não quer forçar. Ele não quer adivinhar a necessidade. Ele não faz uma dedução. Ele pergunta para saber da real necessidade das pessoas.


Com sua pergunta Jesus quer levar os dois cegos a avançar até uma mais pura. Os dois pensam em si mesmos: “Tende piedade de nós, Filho de Davi”. Mas Jesus lhes orienta para Sua própria pessoa: “Credes que EU posso fazer isso?”. Jesus dialoga. Ele não advinha as coisas. Ele quer dialogar. Hoje em dia, o diálogo não é mais uma opção e sim uma necessidade. Um cristão deve ser uma pessoa de diálogo. Jesus pergunta se os dois cegos têm ou não nele, pois o milagre que dispõe a fazer não é uma coisa automática nem mágica. Os sacramentos não são atos mágicos: os sacramentos requerem .


Quando Jesus perguntou aos cegos: “Credes que eu posso fazer isso?”. Logo eles responderam: “Sim, Senhor”. E aconteceu o milagre: os olhos se abriram. Cumpriu-se aquilo que o profeta Isaias dizia: “Naquele dia, os surdos ouvirão as palavras do livro e os olhos dos cegos verão no meio das trevas e das sombras” (Is 29,18).  Dar a vista aos cegos era um dos sinais da salvação definitiva, como símbolo da libertação da tirania (Is 29,18ss; 35,5.10; 42,6s; 49,6.9s). Abrir os olhos dos cegos significa tirá-los da escravidão para continuar seu êxodo, sua caminhada para a plena perfeição (Mt 5,48). depois de terem encontrado Cristo e de terem escutado a sua Palavra é que os cegos reconheceram Jesus como Senhor e entregam-se a Ele e recuperam a vista.


O dom da cura é um acontecimento relacional que requer o encontro e o contato pessoal com Jesus. Toda vez que fizermos a experiência de contato pessoal com Jesus, ganharemos a graça de ver melhor as coisas, os acontecimentos, a vida e seu sentido. Os cegos se aproximam de Jesus e se deixam tocar por Ele. E a cegueira desapareceu e voltam a enxergar novamente. A recuperação da vista, tanto física como espiritual, sempre traz a alegria e o ânimo para seguir adiante na vida e para viver explosivamente. Os cegos curados saíram e espalharam a fama de Jesus mesmo que Jesus tenha pedido para eles não falarem a ninguém. A verdadeira alegria é uma implosão e explosão que ninguém consegue segurar.


Filho de Davi, tem piedade de nós!”. A oração dos dois cegos é muito simples: é seu grito, grito que brota de seu sofrimento, grito que está cheio de esperança! É a oração angustiada de quem sofreu muito por causa de um problema sério.


Minha oração também deveria ser, simplesmente, esta: a experiência e a confissão sinceras de que algo não caminha bem em mim, na minha família, na minha vocação, na minha profissão, no meu trabalho, no meu casamento, na minha comunidade eclesial, ao meu redor e assim por diante. Em cada missa fazemos sempre esta oração: Senhor, tende piedade de nós, como rezaram os dois cegos. O campo de nossa miséria é muito menor do que o tamanho do campo da misericórdia divina. Por isso, podemos “gritarcom esperança ao Deus da misericórdia.


Podemos até não ser cegos fisicamente. Mas precisamos deixar o Senhor abrir nosso coração, pois um coração aberto torna nossa visão aberta diante da vida, das pessoas e diante de todos os acontecimentos desta vida e entenderemos seu significado e veremos tudo a partir do olhar de Deus.


Para adquirir o olhar de Deus, para ver as criaturas com os olhos de Deus, julgar seus valores e pôr no seu devido lugar, aquilo que o Criador nos confiou, nós precisamos que Cristo cure a nossa cegueira, que através da Sua Palavra faça brilhar a Sua Luz. Ver a luz é sinônimo de nascer (Jo 3,16). Os primeiros cristãos chamavam “iluminados” aos que tinham recebido o Batismo; eles eram considerados recém-nascidos.


O advento é um tempo especial para ler, estudar e meditar a Palavra de Deus, pois ela ilumina nossa mente e nosso coração e para praticar a , estando na luz. O Messias que vai chegar no Natal é a nossa Luz, a Luz do mundo (Jo 8,12). Precisamos contempla a verdadeira Luz do mundo para que sejamos Seus reflexos no mundo. Precisamos deixar a Palavra de Deus tocar nossa mente, nosso coração, nosso agir, nossos olhos para que possamos ser iluminados e ver tudo a partir de Deus. Sendo iluminados, seremos, por nossa vez, luz que ilumina para os demais. “Vós sois a luz do mundo”, diz o Senhor no Sermão da Montanha (Mt 5,14). Uma pessoa iluminada faz os outros enxergarem bem o caminho que deve ser trilhado. Mas uma mente escura faz todo mundo tropeçar e viver apalpando sem saber em que direção deve seguir.


Pessoa iluminada por Cristo e Sua Palavra é agradável com as pessoas, educada na forma de acolher, humana no jeito de olhar, simples na maneira de viver, olhar com profundidade, pois tudo é iluminado, abraçar com generosidade, amar com criatividade e para construir, aprender continuamente, crescer constantemente e falar respeitosamente e compreender para ponderar.


O Advento nos convida a permanecermos na contemplação da verdadeira Luz que é o próprio Jesus Cristo. Seja qual for nossa situação pessoal e comunitária. Deus nos estende Sua mão e nos convida à esperança, porque nos assegura que Ele está conosco (Mt 28,20).


Despertai, Senhor, vosso poder e vinde, para que vossa proteção afaste os perigos a que nossos pecados nos expõem e a vossa salvação nos liberte”.


Que o Senhor nos ilumine com Sua Palavra para que sejamos pessoas iluminadas, pessoas da luz de Deus, pessoas firmes na prática da Palavra de Deus. É preciso chegarmos próximo de Jesus para que sua Luz possa ser refletida em cada um de nós para que sejamos pessoas iluminadas para os demais. Assim será cumprida em nós a missão de ser luz do mundo: “Vós sois a luz do mundo!” (Mt 5,14). Assim seja!
 
P. Vitus Gustama,svd
05/12/2019
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DEUS E SUA PALAVRA SÃO ROCHEDO DE NOSSA VIDA SÓLIDA
Quinta-Feira da I Semana Do Advento


Primeira Leitura: Is 26,1-6
1 Naquele dia, cantarão este canto em Judá: “Uma cidade fortificada é a nossa segurança; o Senhor cercou-a de muros e antemuro. 2 Abri as suas portas, para que entre um povo justo, cumpridor da palavra, 3 firme em seu propósito; e tu lhe conservarás a paz, porque confia em ti. 4 Esperai no Senhor por todos os tempos, o Senhor é a rocha eterna. 5 Ele derrubou os que habitam no alto, há de humilhar a cidade orgulhosa, deitando-a por terra, até fazê-la beijar o chão. 6 Hão de pisá-la os pés, os pés dos pobres, as passadas dos humildes”.


Evangelho: Mt 7, 21.24-27
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 21Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. 24 Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. 25 Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha. 26 Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia. 27 Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela caiu e grande foi a sua ruína.
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Deus É Nosso Rochedo Em Quem Devemos Acreditar Cegamente


Uma cidade fortificada é a nossa segurança; o Senhor cercou-a de muros e antemuro. Abri as suas portas, para que entre um povo justo, cumpridor da palavra, firme em seu propósito; e tu lhe conservarás a paz, porque confia em ti. Esperai no Senhor por todos os tempos, o Senhor é a rocha eterna”.


Ter uma cidade forte, assentada na rocha, inexpugnável para o inimigo, era uma das condições mais importantes da antiguidade para se sentir seguro. Suas paredes e torres, suas portas bem vigiadas, eram garantia de paz e vitória.


Uma cidade fortificada é a nossa segurança; o Senhor cercou-a de muros e antemuro”. Numa casa, numa família cujo Deus é seu Protetor, o inimigo encontrará dificuldade para entrar e não conseguirá colocar seus membros em desunião. Uma casa, uma família que abandona Deus, o inimigo entra para possui-la e escravizar seus moradores. O diabo vai mandar fazer aquilo que nossa natureza de filhos de Deus não deve e não quer: “Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, e sim o pecado que em mim habita” (Rm 7,20).


A imagem de uma cidade forte serve ao profeta Isaías para anunciar que o povo pode confiar no Senhor, nosso Deus. Ele é o nosso muro e torre, a rocha e a fortaleza da nossa cidade. E, ao mesmo tempo, com ele podemos conquistar as cidades inimigas, por inexpugnáveis que elas acreditem ser.


Um povo que confia no Senhor, que segue seus mandamentos e os observa com a lealdade, é feliz, "lhe conservarás a paz, porque confia em ti”. Enquanto aqueles que confiam nas paredes de pedra, e se sentem orgulhosamente fortes, em breve ou tardiamente ficarão desapontados. Nossa rocha é Deus. Nela está nossa paz e nossa segurança. Ele nos levará à Jerusalém celestial, a cidade da festa perpétua.


Para os israelitas, a Palavra de Deus se fez Lei que os guia. Por isso, eles tratam, não somente de entendê-la e sim de cumpri-la até os mínimos detalhes e entoam cantos de louvor. Chegada a plenitude dos tempos, a Palavra se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14), não somente mostrando-nos o caminho que nos conduz ao Pai e sim fazendo-se Caminho, Verdade e Vida para nós (Jo 14,6). Em nossos dias a Palavra se fez Igreja, não à margem de Jesus, pois tem Ele por Cabeça de toda a Igreja. À Igreja corresponde a responsabilidade de continuar fazendo presente na história o Filho Encarnado, Salvador de todos.


O profeta Isaias expressa a segurança em Deus com a seguinte expressão: “Esperei no Senhor por todos os tempo, o Senhor é a rocha eterna”.


Rocha é símbolo da firmeza e da imutabilidade. Na Bíblia rocha ou rochedo é símbolo da força e da fidelidade de Deus protetor. Pela solidez e fundamento inabalável do rochedo, Deus é com frequência chamado de “o Rochedo” (Dt 32,4.18.37; Sl 18/17,3). Para São Paulo Cristo é o rochedo espiritual aonde vão se dessedentar as almas (1Cor 10,4).


O profeta Isaias nos convida a acreditarmos firmemente em Deus independentemente das situações em que nos encontramos, pois Deus é firme, fiel. Se Deus é firme, nossa fé nele deve ser inabalável, pois a última palavra será de Deus, e não a do homem por poderoso que ele pareça ser.


Fica para cada um de nós a pergunta: Em que você põe sua confiança? No dinheiro, no poder, na segurança puramente humana? Se for assim, a destruição será total. Porque somente há um valor seguro, e esse valor se chama DEUS, nosso Rochedo.


A Palavra De Deus É Rocha Sobre a Qual Devemos Construir Firmemente Nossa Vida


A palavra “rocha” ou “rochedo” se encontra também no texto do evangelho de hoje referente à Palavra de Deus sobre a qual devemos construir nossa vida.


O texto do evangelho de hoje faz parte da conclusão do Sermão da Montanha (Mt 5-7). Há dois pontos deste texto sobre os quais podemos refletir: as orações devem ser transformadas em compromisso na vida cotidiana, e a vida deve ser construída sobre a Palavra de Deus para que ela seja firme em todas as situações.


Nem todo aquele que diz: ‘Senhor, Senhor entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus”. (Mt 7,21)


Senhor (Kyrie) é uma antiga invocação de Jesus. Jesus era invocado por “Kyrie” durante o culto divino, como ainda hoje no “Kyrie eleison”. Mas não basta invocar Jesus como “Senhor” apenas com os lábios. Não basta louvar ao Senhor. É preciso testemunhá-lo com as obras como exige o texto do Evangelho de hoje.


Por isso, não há nada que seja mais perigoso do que a oração, pois a oração nos põe em compromisso com a vida diária. Ninguém reza e crê impunemente. Ao pedir a paz a Deus, por exemplo, devemos ser, então, construtores da paz na convivência com os demais; ao pedir a ajuda de Deus para nós e para os nossos, então, devemos estar próximos para ajudar os demais, e assim por diante. Muitos falam permanentemente de Deus, mas logo se esquecem de fazer Sua vontade. Muitos têm a ilusão de trabalhar pelo Senhor: “profetizamos em teu nome, expulsamos demônios, fizemos milagres...” (Mt 7,22), mas logo no dia de prestar contas percebe-se que eles não conhecem Deus e não são conhecidos nem reconhecidos por Deus: “Não vos conheço. Afastai-vos de mim vós que praticais a iniquidade” (Mt 7,23).


Com estas palavras Nem todo aquele que diz: ‘Senhor, Senhor’...” Jesus denuncia uma dissociação frequente e muito perniciosa. Somos alertados que existe o perigo de uma oração (Senhor, Senhor) que não se traduz em vida e em compromisso fraterno (a vontade de Deus). Existe o risco de certos momentos comunitários que se fecham em si mesmos numa oração, num louvor ou numa adoração sem nenhum compromisso com a vida cotidiana e a vida comunitária (vida em comum). A oração, a escuta da Palavra de Deus e o encontro comunitário, são a raiz da práxis cristã. Porém, a raiz deve germinar e produzir frutos.


Precisamos estar conscientes de que não existe verdadeira sem empenho moral e o amor fraterno. A oração e a ação, a escuta e a prática, são igualmente importantes. Há três coisas indispensáveis para a vida de um cristão: escuta atenta da Palavra de Deus com oração, prática da vontade de Deus e perseverança até o fim apesar das tempestades da vida.


O evangelho deste dia quer nos dizer que não importa “dizer Senhor, Senhor, nem falar em seu nome, nem sequer fazer milagres”. O que importa é a prática. O fazer. As obras. Não o dizer, nem o pensar, nem o rezar, nem o pregar, nem fazer milagres. É mais fácil fazer louvor durante uma ou duas horas. O difícil é ajudar o necessitado durante uma ou duas horas. É preciso traduzir o louvor em compromisso com a vida cotidiana. A prática é a rocha, por isso, é firme até diante de Deus. Mas trata-se da obra feita no espírito de Deus e não qualquer obra. Temos que fazer tudo conforme a vontade de Deus e não de acordo com nosso próprio interesse.  A tentação permanente que qualquer um possa ter é querer brilhar sozinho. Ou praticar o bem para o próprio brilho. Isso é exibicionismo. Se cada um procurar o próprio brilho, então, Deus fica cada vez mais distante. Jesus nos convida a construir nossa vida sobre a prática para o bem e a salvação de todos. As obras boas praticadas no espírito de uma doação total são verdadeiros sinais da abertura diante da graça de Deus.


Jesus não quer que nós, cristãos, cultivemos somente a relação com ele, e sim que sejamos seguidores que, unidos a ele, trabalhemos para mudar a situação da humanidade. É viver de acordo com a justiça e a caridade. Ondejustiça nãopobreza nem exclusão social.


Quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática é como um homem sensato, que construiu sua casa sobre a rocha”, acrescentou-nos Jesus.


O verdadeiro fundamento para construir nossa vida é o próprio Deus e Sua Palavra. Somente acertamos na vida, quando depositamos nossa total confiança em Deus e na Sua Palavra. Quem se apoia em Deus, permanece e vive eternamente, pois Deus é eterno. Nada nem ninguém será capaz de derrubar aquele que se apoia em Deus (cf. Rm 8,31). A chuva, as enchentes, os ventos são imagens para significar as dificuldades de todo gênero que o cristão enfrenta nesta vida. Mas por se apoiar em Deus, ele sairá vitorioso (cf. Jo 16,33b). Como diz uma frase: “Com Deus, um se torna a maioria. Sem Deus a maioria se transforma em minoria”.  O único fundamento que não falha e dá solidez ao que intentamos construir é o próprio Deus. Como diz o Papa Francisco: Quem arrisca, o Senhor não o desilude; e, quando alguém dá um pequeno passo em direcção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada. Este é o momento para dizer a Jesus Cristo: ‘Senhor, deixei-me enganar, de mil maneiras fugi do vosso amor, mas aqui estou novamente para renovar a minha aliança convosco. Preciso de Vós. Resgatai-me de novo, Senhor; aceitai-me mais uma vez nos vossos braços redentores’” (Exortação Apostólica:Evangelii Gaudium no. 3). Seremos bons arquitetos ou construtores, se na programação de nossa vida nós voltamos nosso olhar para Deus e Sua Palavra para saber o que devemos fazer e o que não devemos fazer.


Porém, apoiar-se em Deus implica fazer Sua vontade com seriedade e sinceridade, sem ficar apenas nas emoções, nas aparências e apenas de vez em quando. Para pertencer ao Reino de Deus não basta invocarmos ao Senhor; é necessário acomodar nossa vida aos princípios estabelecidos por Jesus Cristo (cf. 2Tm 3,16-17). A humanidade necessita de homens e mulheres sólidos, construtivos que edifiquem o que é sólido com Deus para construir uma humanidade na fraternidade. O verdadeiro cristão não pode ser uma pessoa de superficialidade.


Seremos bons arquitetos de nossa vida se na programação de nossa vida nós voltarmos continuamente nosso olhar para Deus e para sua Palavra, e nos perguntarmos qual é o projeto de vida de Deus, qual é sua vontade, manifestada em Jesus Cristo, e devemos viver, em seguida, como tal. Nossa oração deve estimular nossa ação e deve nos levar a nos comprometermos com a vida de todos.


O que interessa a Deus na nossa vida não são unicamente nossos momentos de oração e sim todos os momentos de nossa jornada. Se nossos momentos de oração são os momentos de paz, devemos manter os momentos de paz com os outros na vida diária. Se nossos momentos de oração são momentos de serenidade, nossa vida com os demais deve ser serena e não agressiva. Se nossos momentos de oração são momentos de pedido de ajuda, devemos estar prontos também para ajudar os demais. Se nossos momentos de oração são momentos de pedido de força para Deus para suportarmos tudo e para lutarmos até o fim, devemos nos transformar em força para os desanimados. Se nossos momentos de oração são momentos de pedido de misericórdia, devemos ser misericordiosos para com os demais na vida diária e não juízes da vida alheia. Se nossos pés são unidos para ficarmos de joelho diante de Deus a fim de adorá-Lo, não podemos usar os mesmos pés para pisar os outros. A vida e a oração devem estar em uníssono. Se não teremos que ouvir as duras palavras do Senhor ditas no evangelho de hoje: “Jamais vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7,23).


Nossa vida e nossa marcam a diferença quando estiverem unidas à vontade de Deus. Então nossa vida se transformará em luz para iluminar as mentes escuras e em rocha indestrutível para guiar os outros para o amor e o conhecimento de Deus. Deus nos conceda esta graça!


Portanto, Jesus nos convida hoje a sermos seguidoresrocha” e não seguidoresareia”. Seguidorareia” é aquele que vive de uma de simples aparência, sem fundamento, baseada apenas sobre as emoções. Conseqüentemente, a pessoa crê quando as coisas vão ao seu gosto e se desanima quando tudo não corresponde àquilo que imaginava. Os seguidoresrochasão os que fundamentam sua vida na rocha que é Cristo. Eles se mantêm firmes em qualquer situação, porque seguram na mão de Deus e sabem em quem acreditam: em Deus: “Não me envergonho, porque eu sei em quem coloquei a minha fé, e eu estou certo de que Ele tem poder para guardar o meu deposito, até aquele Dia” (2Tm 1,12). 


Para sermos verdadeiros seguidoresrocha” devemos fazer próprios as palavras do Salmo 78, como o Salmo de meditação: “Senhor, não lembreis as nossas culpas do passado, mas venha logo sobre nós vossa bondade.... Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos! Por vosso nome, perdoai nossos pecados!”. Não corrigir nossas faltas é o mesmo que cometer novos erros. Sabe muito quem conhece a própria ignorância e procura a viver com mais sabedoria e prudência. Deve ficar gravado no nosso coração aquilo que Jesus nos diz hoje: “Nem todo aquele que diz: ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus”.


A Palavra de Deus neste dia pretende nossa transformação, nossa conversão e mudança de nossa realidade presente para que se pareça como o Reino de Deus. Somente através da conversão é que podemos fazer com que o mundo se torne um pedaço de céu onde há paz, harmonia, fraternidade, comunhão, solidariedade e assim por diante. Cada cristão é responsável por isso, pois ele opta por seguir Jesus e viver seus ensinamentos.


Vale a pena nos perguntarmos: Como estamos construindo o edifício de nossa família, de nossa comunidade, de nossa Igreja, de nossa sociedade, de nossa pessoa individualmente, e de nosso futuro?


A imagem das duas leituras de hoje é clara e nos interpela neste Advento para que reorientemos claramente nossa vida a fim de ter um final feliz. Se na construção de nossa própria personalidade ou da comunidade confiamos mais nas nossas própria forças, ou de nossas instituições ou de nossas estruturas ou em umas doutrinas, nos exporemos para a ruína. É como se uma amizade se baseasse apenas nos interesses ou um matrimonio se apoiasse somente em um amor romântica ou uma espiritualidade se deixasse dirigir pela moda ou pelo gosto pessoal sem nenhum compromisso, ou uma vocação sacerdotal ou religiosa não se fundamentasse em valores de fé profunda. Isso seria construir sobre a areia.


O verdadeiro fundamento para construir nossa vida é o próprio Deus. quem se apoia n´Ele, este é que permanece inabalável apesar de tudo. Não haverá nada nem ninguém que o faça sucumbir. Porém, apoiar-se em Deus sempre implica fazer sua vontade com seriedade e sinceridade sem ficar-se nas meras aparências, pois Nem todo aquele que diz: ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus”.
P. Vitus Gustama,svd