quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

31/01/2020
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SER SEMEADOR DO BEM QUE SABE SE APOIAR EM DEUS
Sexta-feira Da III Semana Comum


Primeira Leitura: 2Sm 11,1-4a.5-10a.13-17
1 No ano seguinte, na época em que os reis costumavam partir para a guerra, Davi enviou Joab com os seus oficiais e todo o Israel e eles devastaram o país dos amonitas e sitiaram Rabá. Mas Davi ficou em Jerusalém. 2 Ora, um dia, ao entardecer, levantando-se Davi de sua cama, pôs-se a passear pelo terraço de sua casa e avistou dali uma mulher que se banhava. Era uma mulher muito bonita. 3 Davi procurou saber quem era essa mulher e disseram-lhe que era Betsabéia, filha de Eliam, mulher do hitita Urias. 4ª Então Davi enviou mensageiros para que a trouxessem. Ela veio e ele deitou-se com ela. 5 Em seguida, Betsabéia voltou para casa. Como ela concebesse, mandou dizer a Davi: “Estou grávida”. 6 Davi mandou esta ordem a Joab: “Manda-me Urias, o hitita”. E ele mandou Urias a Davi. 7 Quando Urias chegou, Davi pediu-lhe notícias de Joab, do exército e da guerra. 8 E depois disse-lhe: “Desce à tua casa e lava os pés”. Urias saiu do palácio do rei e, em seguida, este enviou-lhe um presente real. 9 Mas Urias dormiu à porta do palácio com os outros servos do seu amo, e não foi para casa. 10ª E contaram a Davi, dizendo-lhe: “Urias não foi para sua casa”. 13 Davi convidou-o para comer e beber à sua mesa e o embriagou. Mas, ao entardecer, ele retirou-se e foi-se deitar no seu leito, em companhia dos servos do seu senhor, e não desceu para sua casa. 14 Na manhã seguinte, Davi escreveu uma carta a Joab e mandou-a pelas mãos de Urias. 15 Dizia nela: “Colocai Urias na frente, onde o combate for mais violento, e abandonai-o para que seja ferido e morra”. 16 Joab, que sitiava a cidade, colocou Urias no lugar onde ele sabia estarem os guerreiros mais valentes. 17 Os que defendiam a cidade, saíram para atacar Joab, e morreram alguns do exército, da guarda de Davi. E morreu também Urias, o hitita.

Evangelho: Mc 4, 26-34
Naquele tempo, 26Jesus disse à multidão: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. 28A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”. 30E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? 31O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. 32Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”. 33Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. 34E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo.


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Pecador e Misericórdia De Deus Em Jesus, Deus-conosco


Na Primeira Leitura do dia anterior (ontem) lemos uma das mais belas manifestações da religiosidade de Davi e o momento mais sublime de sua vida, quando Deus lhe afirma a aliança messiânica. Na Primeira Leitura de hoje assistimos ao momento mais vergonhoso de sua vida, e na Primeira Leitura de amanhã o mesmo profeta Natã, que havia comunicado os favores divinos, transmitirá a Davi a repreensão por seu pecado.


Nada está mais longe das crônicas oficiais de outros reinos antigos e modernos, triunfalistas e lisonjeiros ou aduladores, que essa história de Davi, que com todo realismo e luxo de detalhes destaca o odioso e a malícia do adultério e do homicídio a que a paixão empurrou Davi. O adultério pode levar alguém a praticar o homicídio. As notícias diárias que lemos confirmam isso.


Davi vê uma mulher (Betsabéia) que estava tomando banho. “Era uma mulher muito bonita”, acrescenta o texto. Davi a deseja e a seduz. Porém, é a mulher casada com Urias, o soldado de Davi. É, pois, um adultério: para a falta do próprio domínio em sua sexualidade acrescenta-se uma injustiça para essa mulher e seu legítimo marido, Urias. E no fim, termina com o assassinato de Urias em nome do prazer sexual.


Davi não só peca contra os mandamentos do decálogo que proíbe o adultério e a cobiça pela mulher do próximo, mas também que abusa, em benefício pessoal, da autoridade que Deus lhe deu para procurar o bem de Seu povo. O poder, o dinheiro e o sexo sempre andam juntos e podem causar danos para quem os tem e para os que são abusados, se não se viver na permanente vigilância. Os mais fracos sempre são vítimas disso tudo, como aconteceu com Betsabéia e Urias.


Além disso, o marido prejudicado (Urias) é um soldado valente e fiel que naquele momento estava lutando com o exército de Israel. Urias é muito fiel ao mandamento de Deus. Por isso, quando Davi, para esconder ou cobrir seu pecado, chama Urias de volta para Jerusalém e faz-lhe embriagado para depois Urias poder relacionar-se intimamente com sua esposa Betsabeia, mas este recusa a fazer isso, pois está ainda em guerra. Se todo o exército está em guerra, nenhum soldado deve ir para sua casa para dormir com sua mulher. Não conseguindo aplicar esta tática, Davi é tão sedento de sangue e tão traidor que mande seu general que coloque Urias na linha da frente da guerra e o abandone sozinho no combate para que os inimigos acabem com a vida de Urias. Assim aconteceu! Desta maneira Davi acabu com a vida de Urias para cobrir sua própria vergonha, a fim de manter sua fama, e ficar com Betsabéia. O abuso do poder sempre acaba com os inocentes e os justos. E nunca perde sua atualidade!


Betsabéia, a mulher de Urias, será a mãe de Salomão. O evangelista Mateus a citará em sua genealogia (Mt 1,6), entre os antepassados de Jesus. Através dela, Jesus é inserido na dinastia de Davi. "Hosana ao filho de Davi" as multidões gritarão ... e através dela ele se insere em uma fila de pecadores, a quem ele vem salvar.


O pecado é um ataque à lei de Deus. É uma infidelidade àquele Deus que tanto favoreceu a Davi e a quem ele fez promessas tão bonitas! Mas a face ignóbil do pecado aparece muito especialmente quando, como neste caso, todo o cálculo de um homem inteligente foi colocado em proveito pessoal esmagando outros, especialmente, os mais fracos!


Temos acompanhado a fé de Davi através dos relatos e a qualidade de sua oração. Porém, isso não impede que Davi seja um pobre homem e um grande pecador, em suas horas ruins. A Bíblia nos relata a história de um povo pecador, de pecadores, salvos por Deus da misericórdia. E o texto da Primeira Leitura é uma das páginas mais belas. Ouvimos e vemos nela “a Boa Nova” do Evangelho anunciado aos pobres por Jesus Cristo, a misericórdia encarnada do Pai. É já a página da samaritana pecadora (Jo 4,1-42), da pecadora na casa de Simão, o fariseu (Lc 7,36-50), da mulher adúltera perdoada (Jo 8,1-11).O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido” (Lc 19,10).


Somos Chamados a Ser Semeadores do Bem


As duas parábolas de hoje tem em comum o “símbolo” da germinação, da potência da “vida nascente”. Jesus vê assim sua obra.


“O Reino de Deus é como um homem que lança a semente à terra”. Lançar semente à terra é um gesto absolutamente natural, apaixonante e misterioso. É um gesto de esperança e de aventura. A semente crescerá? Haverá boa colheita, ou não haverá nada? O semeador é aquele crê na vida, que tem confiança no porvir. O semeador é aquele que semeia a mãos cheias para que a vida se multiplique. O semeador é aquele que investe no porvir. Jesus está consciente de estar fazendo isto: semear.  Ele empreende uma obra que tem porvir. Mas esta imagem é válida para qualquer vida humana: para os empresários, para os professores, para os pais e mães de uma família e assim por diante. Há que semear, há que investir sobre o porvir.


O homem dorme, levanta-se, de noite e de dia, e a semente brota e cresce, sem ele o perceber.    Pois a terra por si mesma produz, primeiro a planta, depois a espiga e, por último, o grão abundante na espiga”.  Marcos é o único que nos relata esta maravilhosa, curta e otimista parábola do “grão-que-cresce-só”. Tudo reside na vitalidade da semente: aparentemente frágil, mas nela tem uma potência ou uma vitalidade. Basta a semente estar na terra, começa, então, em segredo e em silêncio uma serie de maravilhas, pouco importa se o semeador se preocupa ou não com a semente.


Da mesma maneira, disse Jesus, o Reino de Deus é como uma semente viva. Semeada numa alma, semeada no mundo, cresce lentamente, imperceptível, mas com um crescimento contínuo. Sem intervenção destruidora da parte do homem, a vida progride sem que ninguém possa segurar seu avanço ou seu crescimento.


O Reino de Deus, a Palavra de Deus, tem dentro de si uma força misteriosa que apesar dos obstáculos encontrados no seu caminho vai germinar e dar fruto. Com esta parábola Jesus quer sublinhar a força intrínseca da graça e da intervenção de Deus. O protagonista da parábola não é o lavrador nem o terreno bom ou mau e sim a semente. O Reino de Deus já está no meio de nós. Este Reino cresce em segredo em nosso mundo, alimentado pelo próprio Deus que o põe no coração dos crentes como uma semente que, pouco a pouco, dá abundantes colheitas de solidariedade e de serviço entre as pessoas de boa vontade. Essas duas parábolas podem alimentar e fortalecer nossa esperança. Pouco importam os aparentes fracassos e as grandes dificuldades. É o próprio Deus Pai que faz crescer e germinar seu Reino, muitas vezes, através dos caminhos misteriosos e desconhecidos por nós, pobres pecadores.


Outra comparação é a semente da mostarda, menor de todas as sementes, mas que chega a ser um arbusto notável. Novamente, a desproporção entre os meios humanos e a força de Deus.


Para as duas parábolas une uma mesma realidade: a força de Deus está além tanto das habilidades do evangelizador como da debilidade dos evangelizados. É o próprio Deus que se faz presente, superando a ação humana e a insignificância da semente.


O evangelho de hoje nos ajuda a entendermos como conduz Deus nossa história. Se esquecermos Seu protagonismo e a força intrínseca que tem Seu Evangelho, Seus sacramentos e Sua graça poderão acontecer duas coisas: se tudo for bem, pensamos que mérito seja nosso. Se tudo for mal, nos afundamos. Não teríamos que nos orgulhar nunca, como se o mundo se salvasse por nossas técnicas e esforços. Não podemos esquecer aquilo que São Paulo nos aconselhou: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer. Assim, nem o que planta é alguma coisa nem o que rega, mas só Deus, que faz crescer. O que planta ou o que rega são iguais; cada um receberá a sua recompensa, segundo o seu trabalho.  Nós somos operários com Deus. Vós, o campo de Deus, o edifício de Deus. Segundo a graça que Deus me deu, como sábio arquiteto lancei o fundamento, mas outro edifica sobre ele. Quanto ao fundamento, ninguém pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo” (1Cor 3,6-11). 


Jesus quer nos dar lição de que os meios podem ser muito pequenos, mas podem produzir frutos inesperados, não proporcionados nem a nossa organização nem a nossos métodos e instrumentos. A força da Palavra de Deus vem do próprio Deus e não de nossas técnicas. Quando em nossa vida há uma força interior, a eficácia do trabalho cresce notavelmente. Mas quando essa força interior é o amor que Deus nos tem, ou seu Espírito ou a Graça salvadora de Cristo ressuscitado, então, o Reino de Deus germinará e crescerá poderosamente. Deus nos surpreende tirando força do débil, confundindo os sábios e entendidos, fazendo da fragilidade seu próprio testemunho. Cada evangelizador, cada agente de qualquer pastoral ou movimento ou de qualquer ministério na Igreja do Senhor deve estar consciente de que ele é apenas um colaborador de Deus e não é o dono que pode manipular a salvação.


O que se pede de nós não é o êxito e sim a fidelidade. E o que devemos fazer é colaborar com nossa liberdade. Mas o protagonista é Deus. Não é que sejamos convidados a não fazer nada e sim a trabalhar com o olhar posto em Deus, sem impaciência, sem exigir frutos a curto prazo, sem absolutizar nossos méritos e sem demasiado medo ao fracasso. Há que ter paciência como a tem o lavrador esperando a colheita.


Basta ter um pouco de amor no coração, a paciência será nossa parceira inseparável para esperar os frutos abundantes que virão da própria mão de nosso Pai celeste. Por isso, Deus quer que entremos na aliança de amor com Ele. Ao entrar em comunhão de vida com ele, Deus quer nos fazer sinais de seu amor para com os outros. Mas Deus jamais deixa de nos amar, pois Ele é amor (1Jo 4,8.16). Deus nos ama e cremos no seu amor. Se quisermos que a Palavra de Deus chegue aos demais não somente como informação e sim como testemunho de vida, nós devemos ter a abertura suficiente ao dom de amor de Deus.
P. Vitus Gustama,svd

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