sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

29/01/2016




SABER SE APOIAR EM DEUS PARA SER BOM EDUCADOR EM VALORES

Sexta-Feira Da III Semana Do Tempo Comum
Festa de São José Freinademetz


Primeira Leitura: 2Sm 11,1-4a.5-10a.13-17


1No ano seguinte, na época em que os reis costumavam partir para a guerra, Davi enviou Joab com os seus oficiais e todo o Israel e eles devastaram o país dos amonitas e sitiaram Rabá. Mas Davi ficou em Jerusalém. 2Ora, um dia, ao entardecer, levantando-se Davi de sua cama, pôs-se a passear pelo terraço de sua casa e avistou dali uma mulher que se banhava. Era uma mulher muito bonita. 3Davi procurou saber quem era essa mulher e disseram-lhe que era Betsabeia, filha de Eliam, mulher do hitita Urias. 4aEntão Davi enviou mensageiros para que a trouxessem. Ela veio e ele deitou-se com ela. 5Em seguida, Betsabeia voltou para casa. Como ela concebesse, mandou dizer a Davi: “Estou grávida”. 6Davi mandou esta ordem a Joab: “Manda-me Urias, o hitita”. E ele mandou Urias a Davi. 7Quando Urias chegou, Davi pediu-lhe notícias de Joab, do exército e da guerra. 8E depois disse-lhe: “Desce à tua casa e lava os pés”. Urias saiu do palácio do rei e, em seguida, este enviou-lhe um presente real. 9Mas Urias dormiu à porta do palácio com os outros servos do seu amo, e não foi para casa. 10aE contaram a Davi, dizendo-lhe: “Urias não foi para sua casa”. 13Davi convidou-o para comer e beber à sua mesa e o embriagou. Mas, ao entardecer, ele retirou-se e foi-se deitar no seu leito, em companhia dos servos do seu senhor, e não desceu para sua casa. 14Na manhã seguinte, Davi escreveu uma carta a Joab e mandou-a pelas mãos de Urias. 15Dizia nela: “Colocai Urias na frente, onde o combate for mais violento, e abandonai-o para que seja ferido e morra”. 16Joab, que sitiava a cidade, colocou Urias no lugar onde ele sabia estarem os guerreiros mais valentes. 17Os que defendiam a cidade, saíram para atacar Joab, e morreram alguns do exército, da guarda de Davi. E morreu também Urias, o hitita.

Evangelho: Mc 4, 26-34


Naquele tempo, 26 Jesus disse à multidão: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27 Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. 28 A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29 Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”. 30 E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? 31 O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. 32 Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”. 33 Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. 34 E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo.
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Educar Em Valores


As duas parábolas de hoje tem em comum o “símbolo” da germinação, da potência da “vida nascente”. Jesus vê assim sua obra.

O Reino de Deus é como um homem que lança a semente à terra”. Sabemos pela experiência que a terra por si mesma jamais produziria o trigo. Sozinha a terra só pode produzir espinhos, mato, abrolhos, mas nunca o trigo. Nesta parábola encontramos uma grande semelhança que há entre certas atividades no cultivo de trigo e a obra da graça divina nos corações dos homens. Como no cultivo do trigo, somos instruídos por alguns semeadores da Palavra de Deus ou por alguns semeadores do bem, da bondade, do amor e assim por diante. Sem eles, o coração humano jamais se voltará, por seu próprio impulso, para Deus, e estará inteiramente morto para com Deus e para com o próximo. “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para instruir, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra”, escreveu São Paulo (2Tm 3,16-17).

Aqui percebemos a importância do valor da educação e do ensinamento, e a importância da educação em valores. Educar em valores é ajudar a ser. Educar em valores é possibilitar o nascimento do ser. Educar é fazer passar do seio materno da natureza em dependência e ignorância para o reino da verdade e da liberdade. Através da educação em valores a pessoa pode percorrer seu próprio caminho e construir seu próprio lugar no mundo. O mundo dos valores nos oferece o caminho fascinante e sugestivo para descobrir e chegar à transformação pessoal como uma semente de trigo que produz muitos grãos de trigo. Sem a educação em valores, só projetaremos sombra e medo para a nossa volta. Sem a educação em valores, não saberemos quem somos e consequentemente, não poderemos oferecer identidade, sentido e esperança para aqueles que conosco convivem e para os que encontramos diariamente. Educar é libertar-se de algo para atingir o que enriquece e aperfeiçoa. A liberdade do ser humano é sempre “liberdade de” e “liberdade para”: liberdade de algo que limita, para alcançar algo que aperfeiçoa e enriquece. O que rebaixa é escravizador.

“O Reino de Deus é como um homem que lança a semente à terra”. Lançar semente à terra é um gesto absolutamente natural, alegre, apaixonante e misterioso. É um gesto de esperança e de aventura. A semente crescerá? Haverá boa colheita, ou não haverá nada? O semeador é aquele crê na vida, que tem confiança no porvir. O semeador é aquele que semeia a mãos cheias para que a vida se multiplique. O semeador é aquele que investe no porvir. Jesus está consciente de estar fazendo isto: semear.  Ele empreende uma obra que tem porvir. Mas esta imagem é válida para qualquer vida humana: para os empresários, para os professores, para os pais e mães de uma família e assim por diante. Há que semear, há que investir sobre o porvir.

A Palavra De Deus Tem Em Si a Força, Basta Colocá-la Em Prática

O homem dorme, levanta-se, de noite e de dia, e a semente brota e cresce, sem ele o perceber.    Pois a terra por si mesma produz, primeiro a planta, depois a espiga e, por último, o grão abundante na espiga”.  Marcos é o único que nos relata esta maravilhosa, curta e otimista parábola do “grão-que-cresce-só”. Tudo reside na vitalidade da semente: aparentemente frágil, mas nela tem uma potência ou uma vitalidade. Basta a semente estar na terra, começa, então, em segredo e em silêncio uma serie de maravilhas, pouco importa se o semeador se preocupa ou não com a semente.

Da mesma maneira, disse Jesus, o Reino de Deus é como uma semente viva. Semeada numa alma, semeada no mundo, cresce lentamente, imperceptível, mas com um crescimento contínuo. Sem intervenção destruidora da parte do homem, a vida progride sem que ninguém possa segurar seu avanço ou seu crescimento. Mas que a semente seja semeada!

O Reino de Deus, a Palavra de Deus, tem dentro de si uma força misteriosa que apesar dos obstáculos encontrados no seu caminho vai germinar e dar fruto. Com esta parábola Jesus quer sublinhar a força intrínseca da graça e da intervenção de Deus. O protagonista da parábola não é o lavrador nem o terreno bom ou mau e sim a semente. O Reino de Deus já está no meio de nós. Este Reino cresce em segredo em nosso mundo, alimentado pelo próprio Deus que o põe no coração dos crentes como uma semente que, pouco a pouco, dá abundantes colheitas de solidariedade e de serviço entre as pessoas de boa vontade. Essas duas parábolas podem alimentar e fortalecer nossa esperança. Pouco importam os aparentes fracassos e as grandes dificuldades. É o próprio Deus Pai que faz crescer e germinar seu Reino, muitas vezes, através dos caminhos misteriosos e desconhecidos por nós, pobres pecadores.

Deus, Protagonista Da História  Conduz o Mundo

Outra comparação é a semente da mostarda, menor de todas as sementes, mas que chega a ser um arbusto notável. Novamente, a desproporção entre os meios humanos e a força de Deus.

Para as duas parábolas une uma mesma realidade: a força de Deus está além tanto das habilidades do evangelizador como da debilidade dos evangelizados. É o próprio Deus que se faz presente, superando a ação humana e a insignificância da semente.

O evangelho de hoje nos ajuda a entendermos como conduz Deus nossa história. Se esquecermos Seu protagonismo e a força intrínseca que tem Seu Evangelho, Seus sacramentos e Sua graça poderão acontecer duas coisas: se tudo for bem, pensamos que mérito seja nosso. Se tudo for mal, nos afundamos. Não teríamos que nos orgulhar nunca, como se o mundo se salvasse por nossas técnicas e esforços. Não podemos esquecer aquilo que São Paulo nos aconselhou: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer. Assim, nem o que planta é alguma coisa nem o que rega, mas só Deus, que faz crescer. O que planta ou o que rega são iguais; cada um receberá a sua recompensa, segundo o seu trabalho.  Nós somos operários com Deus. Vós, o campo de Deus, o edifício de Deus. Segundo a graça que Deus me deu, como sábio arquiteto lancei o fundamento, mas outro edifica sobre ele. Quanto ao fundamento, ninguém pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo” (1Cor 3,6-11).
 
Jesus quer nos dar lição de que os meios podem ser muito pequenos, mas podem produzir frutos inesperados, não proporcionados nem a nossa organização nem a nossos métodos e instrumentos. A força da Palavra de Deus vem do próprio Deus e não de nossas técnicas. Quando em nossa vida há uma força interior, a eficácia do trabalho cresce notavelmente. Mas quando essa força interior é o amor que Deus nos tem, ou seu Espírito ou a Graça salvadora de Cristo ressuscitado, então, o Reino de Deus germinará e crescerá poderosamente. Deus nos surpreende tirando força do débil, confundindo os sábios e entendidos, fazendo da fragilidade seu próprio testemunho. Cada evangelizador, cada agente de qualquer pastoral ou movimento ou de qualquer ministério na Igreja do Senhor deve estar consciente de que ele é apenas um colaborador de Deus e não é o dono que pode manipular a salvação.

O que se pede de nós não é o êxito e sim a fidelidade. E o que devemos fazer é colaborar com nossa liberdade. Mas o protagonista é Deus. Não é que sejamos convidados a não fazer nada e sim a trabalhar com o olhar posto em Deus, sem impaciência, sem exigir frutos a curto prazo, sem absolutizar nossos méritos e sem demasiado medo ao fracasso. Há que ter paciência como a tem o lavrador esperando a colheita.
 
Basta ter um pouco de amor no coração, a paciência será nossa parceira inseparável para esperar os frutos abundantes que virão da própria mão de nosso Pai celeste. Por isso, Deus quer que entremos na aliança de amor com Ele. Ao entrar em comunhão de vida com ele, Deus quer nos fazer sinais de seu amor para com os outros. Mas Deus jamais deixa de nos amar, pois Ele é amor (1Jo 4,8.16). Deus nos ama e cremos no seu amor. Se quisermos que a Palavra de Deus chegue aos demais não somente como informação e sim como testemunho de vida, nós devemos ter a abertura suficiente ao dom do amor de Deus.

Alguns Pensamentos de São José Freinademetz, Primeiro missionário da SVD na China:

  • A obrigação do missionário é simplesmente dar testemunho de Jesus e semear a boa semente, deixando confiantemente ao Senhor o trabalho de frutificar a semente.
  • Quanto mais o Senhor nos abençoa, tanto mais temos que trabalhar. O pouco que fazemos é um nada em comparação do que Deus faz por nós.
  • A língua que todos entendem é a linguagem do amor”.
  • O único negócio nosso nesta pobre vida é palmilhar a estrada que conduz à glória eterna; o resto é vaidade e não vale um vintém. Caros irmãos, rezemos muito e muito que nenhum de nós falte lá em cima nas núpcias eternas do paraíso. Que pensamento terrível que um de nós pudesse estar ausente... Que dor dilacerante, se se perdesse na eternidade um que fosse de nossa família.
  • Sempre é necessário rezar muito. A vida sem oração é o caminho certo para o inferno.
  • Amo sempre os meus caros chineses e não tenho outro desejo, senão viver e morrer com eles. Já sou mais chinês do que tirolês e quero continuar a ser chinês até no paraíso.

  • P. Vitus Gustama,svd

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

28/01/2019
SER CRISTÃO É SER REFLEXO DE CRISTO E SER VIDA PARA OS OUTROS


Quinta-Feira Da III Semana Comum

Festa de Santo Thomas de Aquino
 
Primeira Leitura: 2Sm 7,18-19.24-29


Depois que Natan falara a Davi, o rei entrou no tabernáculo 18foi assentar-se diante do Senhor, e disse: “Quem sou eu, Senhor Deus, que é a minha família, para que me tenhas conduzido até aqui? 19Mas, como isto te parecia pouco, Senhor Deus, ainda fizeste promessas à casa do teu servo para um futuro distante. Porque esta é a lei do homem, Senhor Deus! 24Estabeleceste o teu povo, Israel, para que ele seja para sempre o teu povo; e tu, Senhor, te tornaste o seu Deus. 25Agora, Senhor Deus, cumpre para sempre a promessa que fizeste a teu servo e à sua casa, e faze como disseste! 26Então o teu nome será exaltado para sempre, e dirão: “O Senhor Todo-poderoso é o Deus de Israel”. E a casa do teu servo Davi permanecerá estável na tua presença. 27Pois tu, Senhor Todo-poderoso, Deus de Israel, fizeste estas revelação ao teu servo: ‘Eu te construirei uma casa’. Por isso o teu servo se animou a dirigir-te esta oração. 28Agora, Senhor Deus, tu és Deus e tuas palavras são verdadeiras. Pois que fizeste esta bela promessa a teu servo, 29abençoa, então, a casa do teu servo, para que ela permaneça para sempre na tua presença. Porque és tu, Senhor Deus, que falaste, e é graças à tua bênção que a casa do teu servo será abençoada para sempre”.


Evangelho: Mc 4,21-25


Naquele tempo, Jesus disse à multidão: 21 “Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote, ou debaixo da cama? Ao contrário, não a põe num candeeiro? 22 Assim, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto. 23 Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça”. 24 Jesus dizia ainda: “Prestai atenção no que ouvis: com a mesma medida com que medirdes, também vós sereis medidos; e vos será dado ainda mais. 25 Ao que tem alguma coisa, será dado ainda mais. Do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem”.
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1. Uma Palavra de Esperança


As palavras que se cruzam no texto do evangelho de hoje são muito significativas. Os termos usados: lâmpada, caixote (vasilha), cama e candeeiro explicam o caminho que a lâmpada acesa evita para alcançar seu objetivo: estar no candeeiro, iluminar, fazer visível o que está escondido.


Da reflexão sobre a lâmpada brota naturalmente a reflexão sobre o versículo 22: “Assim, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto”. Aqui Jesus fala para seus discípulos e lhes explica que todo o escondido, se manifestará ou se revelará inclusive para os que estão fora do círculo dos seguidores de Jesus. A revelação da força salvadora de Deus em Jesus, que até então permanece escondida para quem não se converte, um dia será descoberta ou posta em claro. Em outras palavras, um dia Deus, com um ato de Sua força fará visível e será revelada aos que estão de fora Sua força que salva.


Assim, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto”. Estas palavras, lidas no contexto da vida terrena de Jesus, recusadas pelo seu povo, ressoam como um ato de esperança. E para nós hoje os três primeiros versículos do texto do evangelho de hoje (vv.21-23) ressoam como o convite de Jesus: “Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça”. Escutar é uma das chamadas constantes dos Evangelhos. Escutar significa fazer próprio o que se proclama e o que se escuta. Escutar significa atender, ir assimilando o que se ouve, reconstruir interiormente o conteúdo da mensagem. Escutar é a primeira forma de fé e de oração, antes que dizer palavras ou entoar cantos. “Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça”. Isto quer nos dizer que somos convidados a viver a mesma esperança de Jesus. A esperança é o sonho do homem acordado”, dizia o filósofo Aristóteles.  A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero” (Victor Hugo).


2. Ser Luz Que Se Consome Para Iluminar a Vida Dos Demais


Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la de baixo de um caixote ou em baixo da cama? Ao contrário, não a coloca num candeeiro?”.


Jesus é um observador do real. Nada escapa do seu olhar e de sua observação. É um homem atento em todo momento e em qualquer lugar. Sem dúvida, ele via a sua Mãe, Maria, na casa acendendo a lâmpada ao anoitecer para colocá-la, não de baixo da cama onde resultaria inútil e sim no centro da sala, sobre um candeeiro a fim de iluminar o mais possível a casa.


Através deste simples gesto familiar, já belo humanamente, Jesus viu um “símbolo”. Cada realidade material evoca para Ele o invisível. Jesus se experimentou como uma lâmpada que se consumiu entregando-se no serviço de uma causa para os demais a fim de salvá-los das trevas da morte. Como uma vela, sua vida terrena foi acabando iluminando a humanidade para que essa pudesse encontrar o caminho da verdadeira vida (cf. Jo 8,12).


A Palavra de Deus não foi feita para ser guardada para si. Ninguém recebe a Palavra de Deus verdadeiramente se não comunicá-la para os demais. Toda vida cristã que se fecha em si mesma no lugar de irradiá-la não é querida por Jesus. Crer em Jesus Cristo significa aceitar em nós Sua luz e por nossa vez temos que ser reflexos da verdadeira Luz comunicando essa mesma luz aos outros com nossas palavras e nossas obras. “A Palavra de Deus é lamparina para ser acesa na escuridão da noite. Enquanto estiver dentro do livro fechado da Bíblia, ela é como a lamparina debaixo do caixote. Ela é colocada na mesa e ilumina quando é lida, ligada à vida e vivida em comunidade” (Carlos Mesters- Mercedes Lopes). Os que vivem de acordo com a Palavra de Deus devem deixar as coisas boas, o bem, a bondade acima das ruins.


Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote, ou debaixo da cama? Ao contrário, não a põe num candeeiro? Assim, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto”. Temos obrigação não somente de adquirir o conhecimento, mas também de transmiti-lo a outros. Cada luz do conhecimento pode até criar sombras, porém até as sombras também são iluminadas. Não podemos ser cristãos fechados pensando apenas nos nossos próprios interesses. Somos chamados para ser a luz do mundo e o sal da terra (cf. Mt 5,13-16): iluminar o caminho e dar sabor à vida e à convivência com os valores do Evangelho. Basta  ser discípulo de Jesus, a Luz do mundo (Jo 8,12) para que exista mensagem, pois a luz ilumina e o cristão não pode deixar de fazê-lo. O cristão é sinônimo da luz, segundo o Evangelho (Mt 5,13-16). Sua presença deve iluminar e orientar os outros. Como Jesus, o Semeador semeia com suas obras e palavras, assim também cada cristão deve ser como seguidor do Mestre.


Na celebração do Batismo, e logo em sua anual renovação na Vigília Pascal, a vela de cada um, acendida do Círio Pascal é um formoso símbolo da Luz que é Cristo, que se comunica a nós e que se espera que logo se difunda através de nós aos demais. Não podemos escondê-la. Segundo Santo Tomás de Aquino, o ser humano está ordenado à felicidade sobrenatural pelos princípios do entendimento e pela tendência natural de sua vontade ao bem. Ao não obedecer à sua tendência natural para o bem o homem ficará longe da felicidade e ainda fará os outros infelizes, pois o ser humano não somente vive, mas convive.


3. Medida De Deus Sobre Nós


Prestai atenção no que ouvis: com a mesma medida com que medirdes, também vós sereis medidos; e vos será dado ainda mais. Ao que tem alguma coisa, será dado ainda mais. Do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem”.


A imagem da medida significa compromisso. Aqui Jesus faz uma afirmação paradoxal:Ao que tem alguma coisa, será dado ainda mais. Do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem”. Repartir é sinal da riqueza interior. Repartir, ser generoso não empobrece, mas enriquece quem é beneficiado. Estimula-se, aqui, o compromisso desinteressado a dar o que for possível para que o outro possa viver. Quem colabora, recebe. Aquele que pensa não possuir que possa dar, com certeza acabará perdendo o pouco que pensa ter. O generoso é multiplicador da vida, ele faz o outro viver a partir de sua generosidade e partilha.


Prestai atenção no que ouvis: com a mesma medida com que medirdes, também vós sereis medidos”. Qual é a medida do amor que Deus usou para nós? Para saber disso, precisamos contemplar Cristo morto e ressuscitado por nós. Em Jesus conhecemos o amor que Deus tem por nós. São João expressa esse amor com a seguinte frase: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna” (Jo 3,16).


É importante compreender que Cristo, ao pagar por pura misericórdia o que não devia na justiça, fez da misericórdia Sua lei fundamental e a condição indispensável para poder aproveitar o dom gratuito que a redenção significa, essa redenção sem a qual todos estaríamos irremissivelmente perdidos para sempre.


Sendo portadores de Cristo, pois somos chamados de cristãos, devemos ser um sinal claro de seu amor para todos os homens. Para isso, Jesus nos alimenta constantemente, na Eucaristia, com Seu Corpo entregue por nós e com Seu Sangue derramado para o perdão de nossos pecados. Ao celebrar a Eucaristia, fazemos nosso o compromisso de deixar que o Senhor nos converta num sinal claro, nítido, brilhante de Seu amor no mundo.


Quem participa da Eucaristia não pode passar a vida como destruidor do próximo. Não pode viver uma fé intimista, de santidade personalista, não pode viver fechado em si mesmo, no seu egoísmo. Deus nos encheu de sua própria vida (Gn 2,7) fazendo-nos filhos seus para que convivamos como irmãos e irmãs, filhos e filhas do mesmo Pai celeste. Por isso, os que fazem parte da Igreja de Cristo devem ser os primeiros em ser luz para os demais, em lutar pela paz; devem ser os primeiros em trabalhar por uma autêntica justiça social. Se somente professamos nossa fé nos templos e depois vivemos como ateus, então não temos direito de voltar a Deus para escutá-Lo somente pelo costume. Os cristãos fazem parte e devem fazer parte dos responsáveis por um mundo que seja cada vez mais justo e fraterno.


Por isso, resta para nós estas perguntas: Será que iluminamos e comunicamos fé e esperança aos que estão ao nosso redor? Será que somos sinais e sacramentos do Reino em nossa família, em nossa comunidade, em nosso trabalho e em nossa sociedade?  Será nossa vida, nossas escolhas de cada dia assinalam para o Reino de Deus? Nenhum cristão se anula no testemunho de uma vida digna de um filho de Deus nesta terra. O testemunho é a entrega da própria vida para que outro viva; consumir-se ajudando outros para que tenham vida, não escondendo-se e sim entregando sua vida por uma causa digna; ser vela que se consome iluminando seu redor. Se não há entrega não se pode pedir a outro que se entregue, porque o Reino de Deus se faz com a entrega de uns aos outros. Quem não se entrega, se empobrece e se anula por si só.

Alguns Pensamentos de Santo Tomás de Aquino:
  • Levar os homens à verdade é o maior benefício que se pode prestar aos outros.
  • A caridade tem como fundamento a comunicação de bens. A caridade é a rainha das virtudes; onde ela reina, aí aparecem todas as outras virtudes.
  • A santidade não consiste em saber muito, meditar muito, pensar muito. O grande mistério da santidade é amar muito.
  • Quanto mais um ser se afasta de Deus tanto mais ele se aproxima do nada. Mas quanto mais ele se aproxima de Deus, tanto mais se distancia do nada.
P. Vitus Gustama, SVD

27/01/2016


SER SEMENTE E SEMEADOR DO BEM


Quarta-Feira Da III Semana Comum


Primeira Leitura: 2Sm 7,4-17


Naqueles dias, 4a palavra do Senhor foi dirigida a Natã nestes termos: 5“Vai dizer a meu servo Davi: ‘Assim fala o Senhor: Porventura és tu que me construirás uma casa para eu habitar? 6Pois eu nunca morei numa casa, desde que tirei do Egito os filhos de Israel, até o dia de hoje, mas tenho vagueado em tendas e abrigos. 7Por todos os lugares onde andei com os filhos de Israel, disse, porventura, a algum dos chefes de Israel, que encarreguei de apascentar o meu povo: Por que não me edificastes uma casa de cedro?” 8Dirás pois, agora, a meu servo Davi: Assim fala o Senhor todo-poderoso: Fui eu que te tirei do pastoreio, do meio das ovelhas, para que fostes o chefe do meu povo, Israel. 9Estive contigo em toda parte por onde andaste, e exterminei diante de ti todos os teus inimigos, fazendo o teu nome tão célebre quanto o dos homens mais famosos da terra. 10Vou preparar um lugar para meu povo, Israel: e o implantarei, de modo que possa morar lá sem jamais ser inquietado. Os homens violentos não tornarão a oprimi-lo como outrora, 11no tempo em que eu estabelecia juízes sobre o meu povo, Israel. Concedo-te uma vida tranquila, livrando-te de todos os teus inimigos. E o Senhor te anuncia que te fará uma casa. 12Quando chegar o fim dos teus dias e repousares com teus pais, então, suscitarei, depois de ti, um filho teu, e confirmarei para sempre a sua realeza. 13Será ele que construirá uma casa para meu nome, e eu firmarei para sempre o seu trono real. 14Eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho. Se ele proceder mal, eu o castigarei com vara de homens e com golpes dos filhos dos homens. 15Mas não retirarei dele a minha graça, como a retirei de Saul, a quem expulsei da minha presença. Tua casa e teu reino serão estáveis para sempre diante de mim, e teu trono será firme para sempre”. Natã comunicou a Davi todas essas palavras e toda essa revelação.


Evangelho: Mc 4,1-20


Naquele tempo, 1 Jesus começou a ensinar de novo às margens do mar da Galileia. Uma multidão muito grande se reuniu em volta dele, de modo que Jesus entrou numa barca e se sentou, enquanto a multidão permanecia junto às margens, na praia. 2 Jesus ensinava-lhes muitas coisas em parábolas. E, em seu ensinamento, dizia-lhes: 3 “Escutai! O semeador saiu a semear. 4 Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; vieram os pássaros e a comeram. 5 Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; brotou logo, porque a terra não era profunda, 6 mas, quando saiu o sol, ela foi queimada; e, como não tinha raiz, secou. 7 Outra parte caiu no meio dos espinhos; os espinhos cresceram, a sufocaram, e ela não deu fruto. 8 Outra parte caiu em terra boa e deu fruto, que foi crescendo e aumentando, chegando a render trinta, sessenta e até cem por um”. 9 E Jesus dizia: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. 10 Quando ficou sozinho, os que estavam com ele, junto com os Doze, perguntaram sobre as parábolas. 11 Jesus lhes disse: “A vós, foi dado o mistério do Reino de Deus; para os que estão fora, tudo acontece em parábolas, 12 para que olhem mas não enxerguem, escutem mas não compreendam, para que não se convertam e não sejam perdoados”. 13 E lhes disse: “Vós não compreendeis esta parábola? Então, como compreendereis todas as outras parábolas? 14 O semeador semeia a Palavra. 15 Os que estão à beira do caminho são aqueles nos quais a Palavra foi semeada; logo que a escutam, chega Satanás e tira a Palavra que neles foi semeada. 16 Do mesmo modo, os que receberam a semente em terreno pedregoso, são aqueles que ouvem a Palavra e logo a recebem com alegria, 17 mas não têm raiz em si mesmos, são inconstantes; quando chega uma tribulação ou perseguição, por causa da Palavra, logo desistem. 18 Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a Palavra; 19 mas quando surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, sufocam a Palavra, e ela não produz fruto. 20 Por fim, aqueles que recebem a semente em terreno bom são os que ouvem a Palavra, a recebem e dão fruto; um dá trinta, outro sessenta e outro cem por um”.
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Aprender e Ensinar


Até agora percebemos que Jesus é um Mestre diferente. Suas palavras, seus gestos e sua maneira de tratar os outros qualificam Jesus como um Mestre diferente. Ele não marginaliza ninguém. Ele chama os excluídos para uma convivência fraterna, os perdidos para o bem sem envergonhá-los. Ao contrário Ele os ensina a não fazerem juízo sobre si próprio e sobre os demais. Jesus atua com naturalidade, mas também com autoridade que incomoda os dirigentes (cf. Mc 2,1-3,6). Jesus usa sua autoridade para o serviço do homem: dos marginalizados (leprosos), dos enfermos, dos endemoniados, curando-os e libertando-os do mal. Sua autoridade se direciona, especialmente, para os últimos. Para os pecadores Ele oferece o perdão. Jesus também sabe lidar com a crítica, com a calúnia (Mc 3,20-23) e com o perigo de morte (Mc 3,6) sem deixar de ser coerente com as próprias escolhas: sempre busca o bem, inclusive o dos adversários, pois o que conta na vida é fazer a vontade de Deus que nos converte em família de Jesus (Mc 3,31-35). Jesus é, verdadeiramente, Mestre de vida, Mestre com força profética da advertência para que os ouvintes jamais compactuem com a maldade.


A partir desse Mestre diferente começamos a aprender a viver e a conviver de uma forma nova, a ver a realidade e as pessoas de maneira respeitosa e fraterna. Ser discípulo desse Mestre diferente significa aprender uma forma nova de viver e de conviver: que o outro merece respeito e tratamento fraterno. Para isso, a lei do amor deve circular dentro das pessoas e entre as pessoas.


Agora Jesus é nos apresentado como Aquele que ensina servindo-se de parábolas (Mc 4,1-34). A palavra “ensinar/ensinamento” se repete três vezes: “Começou a ensinar”, “ensinava em parábolas”, “em seu ensinamento lhes dizia”. Sabemos que quando na Sagrada Escritura se repete uma palavra três vezes é porque quer dizer algo importante. Ensinamento significa que Jesus trabalha como mestre que se propõe comunicar algo, que quer levar seus ouvintes ao caminho de conhecimento para viver e conviver com responsabilidade.


Ensinar e aprender sempre andam juntos. Alguém ensina e o outro aprende para depois ensinar. Trata-se de uma cadeia sem fim. Um bom mestre precisa ser um bom estudante. Precisamos aprender para ensinar. Há ideias, emoções ou aprendizados prematuros que não nos servem mais, e seria ridículo se aparecêssemos diante dos demais e diante de novos desafios e situações vestidos com eles. Aprender e ensinar nos levam a uma atitude importante: é saber (através da aprendizagem e de vivência), avaliar, e decidir o que já não serve e deixar lugar para o fluir da vida vivida com responsabilidade e com objetivos claros e propostas claras para viver e conviver bem, isto é, com responsabilidade. Com a mudança da época temos que estar prontos e ser livres para aprender e desaprender, pois existe a exigência de interrogar-se e fazer-se perguntas abertas. Nesta dinâmica necessitamos da sabedoria de duvidar, de saber escutar-se e escutar, de ser e de mostrar-se saudavelmente inseguros para que cheguemos à verdade que nos liberta (cf. Jo 8,32). Temos que suspeitar de nosso conhecimento, de nossa santidade, de nossa caridade e assim por diante. Às vezes ou muita das vezes não somos aquilo que imaginamos que sejamos.


Ao ensinar Jesus tomou a atitude de um mestre: sentou-se. Sua cátedra não é a da sinagoga e sim uma barca. “Barca” é um instrumento de trabalho, de transporte. É tudo de que um pescador necessita. Até na Bíblia “pesca” simboliza a missão.


Na Bíblia, “sentar-se” expressa dignidade e senhorio. No modelo antigo, aqueles que ensinam ficavam sentado para significar sua dignidade. E o trono é sinal de poder e senhorio. Sentar-se é atitude simbólica de quem dá a sentença judicial. No dia de juízo final, o Filho do Homem virá em toda a sua glória e “assentar-se-á no trono de sua glória” (Mt 25,31). Na nossa liturgia, o “sentado” por antonomásia é o sacerdote presidente. “Presidente” significa o que se senta diante: prae-sedere (em latim).


A partir do discípulo, “sentar-se” é a atitude diante do mestre que expressa sua receptividade e sua atenção, sua atitude de escuta. “Sentar-se aos pés de um mestre” significa ser discípulo (cf. Lc 10,39; At 22,3). Na nossa liturgia “sentar-se” é uma postura que favorece a concentração e a meditação. “Sentar-se” exprime uma profunda vontade de descobrir o verdadeiro significado da vida. A posição do corpo de quem se senta evidencia a espera de algo, exprime um ardente desejo de comunhão (dos olhares) com aquele a quem deve ser escutado. Quando escutarmos a Palavra de Deus proclamada para nós, estamos frente a frente com Deus que tem alguma palavra para nossa vida ou nossa situação atual.


Ser Bom Terreno Para a Palavra de Deus Frutificar


Os destinatários dos ensinamentos de Jesus através das parábolas são a multidão: “Anunciava-lhes a Palavra por meio de muitas parábolas como essas, conforme podiam entender; e nada lhes falava a não ser em parábolas” (Mc 4,33-34).


O ensinamento da parábola do semeador não se refere, antes de tudo, aos ouvintes da palavra e sim aos semeadores, ou seja, aos evangelizadores, o primeiro dos quais é Cristo e depois dele são todos os demais evangelizadores, os quais não podem pretender ser mais do que o próprio Mestre Jesus Cristo.


Chama atenção sobre o trabalho do semeador: é um trabalho abundante, sem medida, sem distinção e cheio de alegria e esperança. Ele semeia para todos os tipos de terreno com alegria e esperança. O fracasso não é o mais do semeador, mas da capacidade receptiva e acolhedora do terreno para deixar a semente crescer e dar fruto. A partir do semeador, no Reino de Deus não existe trabalho inútil, nada se desperdiça. Não nos preocupemos com a colheita. É preciso semear a semente do bem permanentemente. Semear o bem não conhece as estações da vida. Sempre é tempo para semear a bondade. Vamos fazer o bem e deixar os resultados com Deus.


Ainda que aos olhos dos homens a grande parte do trabalho do evangelizador pareça inútil e vão (apenas 30% do resultado), ainda que os fracassos pareçam ser somados aos fracassos (semente que virou plantinha mas depois secou/morreu), Jesus se transborda de alegria e de certeza, pois a hora de Deus vai chegar e com ela terá uma coleta abundante, superior a toda súplica e imaginação (resultado de 100%). O que mais importante é que cada um produza frutos: 30%, 60% ou 100%. Que cada um se esforce para produzir algo de bom sem se preocupar com um grande resultado. De todas as formas, êxito ou fracasso, desperdício ou não desperdício, o trabalho da semeadura não tem que ser calculado, acautelado, precavido. Ninguém deve nem pode antecipar o juízo de Deus nem sequer o semeador tem direito a fazer isso. Sobretudo nãoque escolher o terreno ou lançar as sementes em uns terrenos e em outros não. O semeador lança a semente para todos os terrenos sem distinção. O cristão é aquele que faz o bem e semear a bondade sem olhar para a pessoa para quem o bem é feito.


Por outro lado, na aplicação dessa parábola, Mc insiste em acrescentar a necessidade da disposição dos ouvintes. Mc coloca algumas disposições interiores e pessoais para que a Palavra ouvida seja entendida, cresça e dê frutos. As principais disposições são: abertura e sensibilidade aos valores do Reino (como um terreno aberto), resistência diante do espírito mundano, e liberdade interior ou um coração limpo de tudo que é mau ou ruim. Em outras palavras, para que a Palavra dê fruto é necessário ter um coração bom, leal e perseverante. A Bíblia sempre recorda para a necessidade da perseverança quando fala da fé. A fé continuamente entra em provação. Mas para que dê frutos dela é necessário resistir com valentia e ter coragem e paciência. Não é possível ser cristão sem a perseverança.


Concretamente, o que esta parábola nos quer ensinar? Precisamos pensar no valor da semente ou do grão de trigo. A semente ou o grão de trigo serve para nos alimentar para que possamos viver e sobreviver enquanto estivermos nesta terra. A semente ou o grão de trigo representa tudo o que é bom e útil para a edificação de um ser humano. Precisamos ser semeadores de tudo o que é bom, útil e verdadeiro para uma boa convivência fraterna. Precisamos alimentar os outros com o que é bom e verdadeiro. Para isso, precisamos nos alimentar, primeiro, com tudo o que é bom e verdadeiro, pois ninguémaquilo que não tem. Não é cristão aquele que semeia o que é mau ou ruim. O evangelho usa um termo para este tipo de pessoa como inimigo de Deus que semeia o joio no meio de trigo (Mt 13,25). Este tipo de pessoa trabalha à noite para significar as trevas que dominam sua vida. O trabalho do cristão é semear as sementes da bondade, do amor, da solidariedade para o próximo, para qualquer pessoa sem nenhuma qualificação, pois “Deus não faz distinção de pessoas” (At 10,34). A bondade é o único investimento que nunca falha, pois Deus é o Bem maior. Como diz um ditado popular: “Deus pode tardar, mas nunca falha”. O cristão não tem que se preocupar com a colheita ou resultado, mas que semeie! A semente da bondade e da capacidade de fazer o que possa edificar os outros não pode deixar morrer na mão. O cristão tem que plantá-la para os outros e nos outros. Lembre-se o cemitério é o lugar de decomposição. O que é bom, útil e verdadeiro, temos que fazer antes disso. O resto é apenas uma pura vaidade que vale a pena largar. Sejamos bons e perseverantes semeadores do bem!


Você é um cristão que produz 30%, 60% ou 100% na vida da Igreja do Senhor e na sociedade? O que impede a Palavra de Deus de produzir todo seu fruto em nós: as preocupações, a superficialidade, as tentações do ambiente? Às vezes a culpa pode ser de fora: pedras e espinhos da vida que sufocam a bondade. Mas a culpa pode ser nós mesmos, pois viramos um terreno estéril, pedregoso e espinhoso, e não abrimos todo nosso coração para a Palavra de Deus que nos dirige. Pensemos nisso!


P. Vitus Gustama,SVD