sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Domingo,04/11/2018
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SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS



Primeira Leitura: Ap 7,2-4.9-14
Eu, João, 2 vi um outro anjo, que subia do lado onde nasce o sol. Ele trazia a marca do Deus vivo e gritava, em alta voz, aos quatro anjos que tinham recebido o poder de danificar a terra e o mar, dizendo-lhes: 3 “Não façais mal à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus”. 4 Ouvi então o número dos que tinham sido marcados: eram cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. 9 Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. 10 Todos proclamavam com voz forte: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro”. 11 Todos os anjos estavam de pé, em volta do trono e dos Anciãos, e dos quatro Seres vivos, e prostravam-se, com o rosto por terra, diante do trono. E adoravam a Deus, dizendo: 12 “Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém”. 13 E um dos Anciãos falou comigo e perguntou: “Quem são esses vestidos com roupas brancas? De onde vieram?” 14 Eu respondi: “Tu é que sabes, meu senhor”. E então ele me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro”.


Segunda Leitura: 1Jo 3,1-3
Caríssimos: 1 Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. 2 Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. 3 Todo o que espera nele purifica-se a si mesmo, como também ele é puro.


Evangelho: Mt 5,1-12
Naquele tempo, 1 vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2 e Jesus começou a ensiná-los: 3 “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. 4 Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. 5 Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. 6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8 Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9 Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10 Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. 11 Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. 12ª Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.
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Hoje celebramos a Solenidade de Todos os Santos neste Domingo no Brasil. O culto aos santos é a conseqüência de nosso Credo, conhecido como Símbolo Apostólico, onde professamos: “Creio...na comunhão dos santos...”. Esta pequena frase nos indica e afirma que a nossa relação com os santos é contínua porque acreditamos na não–interrupção da comunhão eclesiástica pela morte, e, ao mesmo tempo, acreditamos no fortalecimento da mútua comunicação dos bens espirituais (LG no 49; compare com Rm 8,38-39). A comunhão dos santos é testemunhada em várias passagens bíblicas (Hb 12,1; Lc 15,7; 2Cor 6,14; 1Jo 1,3; Ef 1,10-23).


A Igreja dos peregrinos (todos nós mortais) sempre teve e continua tendo perfeito conhecimento dessa comunhão reinante em todo Corpo Místico de Jesus Cristo que é a Igreja (LG 50). Todos os santos em comunhão têm sua santidade como um reflexo da santidade do Senhor. A Igreja venera os santos como exemplos. O Culto aos santos une-nos a Igreja celestial, pois acreditamos na vida sem fim, a vida eterna. A celebração dos santos abrange não somente os santos canonizados, mas também nossos antepassados, que viveram na busca da santidade e são contados entre os bem-aventurados. Na mensagem do Apocalipse (Ap 7,2-4.9-14), a comunhão dos santos é assinalada por uma multidão dos eleitos de Deus, gente de todas as etnias, tribos, povo e línguas. São os redimidos pelo Sangue do Cordeiro.


Os santos que estão em comunhão e são recordados nesta solenidade procuravam viver as bem-aventuranças (Mt 5,1-12) na misericórdia, na mansidão, na justiça e no serviço ao Reino na caridade fraterna. Os santos no Céu não se tornam uns egoístas que gozam a merecida felicidade, mas pessoas maduras no amor. Para estar com Deus de amor tem que ter muito amor no coração e na vida com os outros. Como irmãos que nos precederam, eles ainda se lembram de nós, pobres mortais, como Cristo sempre se lembra de nós. Os santos no Céu e os cristãos na terra são uma família única. Assim como uma família, um irmão ajuda o outro irmão. Por isso é que pedimos a ajuda dos santos pelos seus méritos.


Entendemos aqui por “santos” todos os que já estão no céu e vêem o próprio Deus face a face. São aqueles que estão na paz e na felicidade suprema (GS 93); aqueles que estão na comunhão perpétua da incorruptível vida divina (GS 18). Esta vida perfeita chama-se “o Céu”. O Céu é, certamente, o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado supremo e definitivo de felicidade. O Céu é desejo de todos nós que estamos peregrinando nesta terra. Participar da vida divina, a vida em sua plenitude, a vida cheia de amor é o que queremos todos os dias, tanto para nós e nossos familiares como para aqueles que nos precederam. O Céu conforme as palavras de São Paulo, citando Is 64,4, podemos dizer de outra maneira: “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que O amam” (1Cor 2,9).


É evidente que os santos, cuja festa celebramos neste dia, não são somente aqueles que estão na lista oficial da Igreja. De quantos santos nós não conhecemos nem a história nem o nome. O livro de Apocalipse (Ap 7,2-14) fala de um desfile de 144 mil servos de Deus no céu. 144 é um número simbólico (12 x 12) significa a unidade e totalidade do povo eleito. Entende-se, por isso, uma grande multidão de pessoas de todos os povos e religiões, culturas, de antes e depois de Cristo. Por isso, nunca podemos esquecer que há exemplos de santidade e heroísmo cristãos em outras Igrejas, religiões, povos e culturas. Reconhecer essa presença é uma ajuda para superar os nossos seculares preconceitos e para acolher com alegria esses parceiros na construção do Reino de Deus ou do mundo mais fraterno.


Como filhos de Deus, estamos conscientes de que Deus é o Único Santo e fonte de toda santidade. Por isso, consequentemente, Ele é o Único que faz santos os participantes em sua vida por fruírem de sua santidade, por cumprirem seus desígnios, por entrarem na esfera vital de seu reinado. Quando o homem já participa em plenitude da vida de Deus no Reino dos céus, então é santo por sua comunhão de vida com Deus, o Único Santo (cf. 1Jo 3,2).


Sabemos também que somente Deus pode receber o verdadeiro culto de adoração.  Dá-se, porém, o culto de veneração aos servidores de Deus que já estão unidos a Ele plenamente na glória e pela comunhão que mantém conosco, nos atraem para Deus e nos ajudam a percorrer o caminho que trilharam e que nos conduzem à meta na qual nos precederam. Eles são provas evidentes do amor de Deus e neles Deus nos fala. Se veneramos os santos é porque descobrimos neles mais vivamente a presença e o rosto de Deus, neles se manifesta a imagem de Deus, o Único Santo.


Por isso, o culto aos santos não rebaixa nem diminui a adoração a Deus, pelo contrário, enriquece-a intensamente porque nos aproxima mais da única santidade de Deus que devemos imitar pessoalmente como o fizeram homens como nós enquanto percorriam o mesmo caminho que estamos percorrendo.


Do ponto de vista cristológico sabemos que Cristo é o Santo de Deus (Mc 1,24). Ele é a imagem do Deus invisível (Cl 1,15). A santidade do homem consiste em sua perfeita união com Jesus (LG 50). Os santos são santos porque imitaram e viveram os ensinamentos de Jesus, Senhor de todos os santos. Eles produziram em si mesmos, de forma significativa, o mistério pascal de Jesus. Por isso, a união com os santos e seu culto unem-nos a Jesus, de quem dimana toda a graça santificadora; eles são seus amigos e co-herdeiros. Enfatiza-se muito, por isso, esse valor cristológico do culto aos santos na celebração eucarística.


Quando nós veneramos os santos, portanto, não somos idólatras. Se nós admirarmos e louvarmos um quadro de valor, por acaso o pintor deste quadro se sentirá ofendido? Ao contrário, ele não ficará feliz? Os santos são as obras artísticas de Deus, Aquele que esculpiu e pintou o seu semblante na alma deles. Se admirarmos ou louvarmos os filhos, por acaso o pai se ofenderá? O pai não ficará feliz pela admiração dada aos seus filhos por outras pessoas? Os santos são os filhos prediletos do Senhor, aqueles que mais se lhe assemelham.


Mas devemos reconhecer que há pessoas que amam o santo ou a santa, mas não a sua santidade. São muitos cristãos que recorrem aos santos somente para os interesses materiais ou só para alcançar determinada graça e não para pedir a graça de seguir o exemplo desses santos. Podemos encontrar muitíssimas pessoas em volta do altar de santos, mas poucas que seguem os exemplos que os santos nos deixaram. Não podemos abusar dos santos só para atender nossos desejos materiais, esquecendo que precisamos seguir seus exemplos de santidade.  Devemos saber que não há devoção mais eficaz do que a imitação das virtudes dos santos. Para que, seguindo o exemplo dos santos que viveram segundo os ensinamentos de Cristo durante sua vida terrena, possamos também alcançar a santidade para a qual todos nós somos chamados. 


A vocação à santidade é universal. Todos são chamados à santidade, segundo diz S. Paulo: “Pois esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (cf. 1Ts 4,3; Ef 1,4). E o fundamento de nossa santidade ou da nossa perfeição é Jesus Cristo, cumpridor fiel da vontade de Deus. Como dizia Santa Teresa do Menino Jesus: “...Quem aspira à santidade deve fugir à tentação de querer santificar-se ao seu modo, conforme a própria vontade, seu ponto de vista, seus planos humanos, mas entregar-se inteiramente à vontade de Deus. Deus traça o caminho e o homem deve segui-lo” (Santa Teresa de Jesus, Fd.5-10). E na mesma perspectiva São João da Cruz ensinou: “A santidade, ou seja, a união autêntica com Deus consiste na total transformação de nossa vontade na vontade de Deus, de tal modo que, em nós, nada contrarie a vontade do Altíssimo, mas nossos atos dependem totalmente do beneplácito divino” (Subida I-II,2).


Portanto, o culto verdadeiro de veneração que prestamos aos santos não deve terminar neles. Ao contrário, deve acabar em Cristo como fonte da missão, grandeza, dignidade e privilégios destes santos. Os santos nos ajuda a termos fé firme em Jesus Cristo, mesmo que nos encontremos numa situação sufocante.


Os santos são um grande exemplo de santidade e de cumprimento da vontade de Deus para nós. Não pensemos que não podemos resistir às tentações. Também os santos tiveram carne e sangue como nós; experimentaram as tentações como as nossas tentações, contudo eles venceram. Basta ler a história da vida dos santos, como Santo Agostinho, São Francisco de Assis, São João da Cruz, Santa Teresa de Ávila e muitos outros santos, saberemos as lutas sem tréguas deles contra as paixões desordenadas, contra as tentações e outros problemas, no entanto venceram. Apesar de tantas dificuldades, os santos viveram os ensinamentos de Cristo até o fim de sua vida. Se eles venceram, será que nós não podemos vencer também?


Segundo o Evangelho deste dia, Jesus veio ao mundo para fazer todos felizes e indicar qual é o caminho para alcançar a felicidade. Jesus faz sua proposta sobre como podemos ser felizes ou bem-aventurados. Jesus nos oferece um modelo de vida, uns valores que, segundo Ele, são os que nos podem fazer felizes de verdade. A proposta de Jesus são as bem-aventuranças que lemos neste dia no evangelho.


As bem-aventuranças são uns pensamentos, umas sentenças que à primeira vista podem desconcertar o sentido comum. Jesus nos diz que serão bem-aventurados os pobres no espírito, os sofridos, os que choram, os que têm fome e sede da justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que trabalham pela paz, os perseguidos por causa da justiça.


Somente serão autenticamente felizes os que põem toda sua confiança em Deus e tudo o mais fica no segundo lugar; somente os que sabem viver umas atitudes de desprendimento, de humildade, de desejo de justiça, de preocupação e de interesse pelos problemas dos demais. É uma felicidade que aponta para o fundo do coração, para o mais transcendente de si mesmo, para a salvação. Jesus declara felizes àqueles que mantêm viva a confiança em Deus apesar de serem indefesos, oprimidos, marginalizados e perseguidos por causa do bem praticado e do amor vivido até o fim.


Os felizes são os que têm um coração centrado em Deus e que se traduz no amor ao próximo e que rejeitam toda espécie de idolatria. Os pobres em espírito são aqueles se submetem interiormente, sem resistência à vontade de Deus. O espírito de humilde submissão à vontade de Deus, nasce da fé inabalável na soberania e na misericórdia de Deus e que se traduz em atitudes e condutas de bondade e de mansidão, de misericórdia e de compaixão, de tolerância e de compreensão na convivência com os outros.


Os felizes são os mansos que por não responderem à violência com violência, que estão prontos a perdoar. Jesus declara felizes não os que são mansos por temperamento, mas os que, apesar de não disporem de meios para fazer valer seus direitos, não são violentos nem agressivos, mas pacientes e indulgentes. Eles acreditam que a vida baseada no princípio “olho por olho” só resulta na cegueira, e na cegueira nada se vê, só escuridão. 


Os felizes são os indefesos que não têm como defender seus direitos por falta de recursos, mas que esperam somente a intervenção divina. Os felizes são os que não pactuam com a maldade, com a divisão, com a malícia, nem se deixam levar pela lógica da dominação e do autoritarismo.


Os felizes são os que têm um coração cheio de misericórdia para com os semelhantes. Um misericordioso é aquele que é capaz de amar até a pessoa que não merece ser amada do ponto de vista humano. Mas por acreditar na misericórdia de Deus, ele sempre quer o bem da mesma.


Os felizes são os promotores da paz que procuram criar laços de amizade e banir toda espécie de ódio, ajudar a superar as divisões para que mundo seja cada vez mais fraterno, e mais humano. Santo Agostinho dizia: “Não basta ser pacífico.


É necessário ser promotor da paz. Quem são os pacíficos? Não os pacifistas, mas os promotores da paz. Não basta estar disposto a perdoar ou ignorar os inimigos, é preciso amá-los e ter compaixão por eles. Não odeias aos cegos, mesmo que ames a luz. Da mesma forma, deves amar a paz sem odiar os que fazem guerra”.


Os felizes são os perseguidos por causa da justiça, por causa do bem que fazem, por viverem retamente. Quem sempre faz o bem, muitas vezes acaba sendo perseguido e crucificado como Jesus. Mas ele é feliz, pois até o fim ele é capaz de dizer sim para o bem e dizer não para o mal. Quem pára de crescer neste espírito das bem-aventuranças, começa a morrer de verdade.


Portanto, as bem-aventuranças são uma proclamação de amizade de Deus para as pessoas que participaram do espírito dessas bem-aventuranças e são um programa da vida de cada cristão (vocação à felicidade é para todos), e também são uma celebração da felicidade como dom ou graça presente, como uma realidade já presente e não apenas como algo depois da morte ou uma recompensa futura pela carência na terra. Se entendêssemos as bem-aventuranças somente como uma compensação para depois da morte, elas seriam “ópio do povo”. Em outras palavras, somos felizes já na medida em que pertencemos a Deus no presente que se traduz na vivência da fraternidade universal. Então, também o futuro de Deus nos pertence. A partir daí, o céu é a experiência de compartilhar a alegria, a paz e o amor de Deus na plena capacidade humana.


As pessoas felizes, das quais Jesus fala neste discurso, então, são felizes agora por causa do futuro que se abre para elas. Elas são felizes porque têm uma esperança magnífica apesar das tribulações e sofrimentos por uma causa digna para um ser humano. É uma felicidade voltada para o futuro e que se antecipa na esperança do que está por vir. Mas esta esperança não pode ser separada de uma realidade vivida no momento presente. As bem-aventuranças se dirigem a algumas categorias de pessoas caracterizadas por suas situações interiores, como são ditas nesse sermão de Jesus. É a elas que é oferecida a esperança. O futuro feliz torna-se realidade presente na pessoa de Jesus e tem nele a sua garantia.


Depois de ler as bem-aventuranças e de refleti-las, você pode-se perguntar: “Você é feliz no critério de Jesus? Ou você não está feliz? Por que esta infelicidade?” Para que tenhamos o espírito das bem-aventuranças, para que possamos realmente ser felizes, temos que deixar Deus dominar nossa vida, temos que deixar Deus conduzir nossa vida e nossas decisões. Santo Agostinho dizia: “Deus, de quem separar-se é morrer, a quem retornar é ressuscitar, com quem habitar é viver. Deus, de quem fugir é cair, a quem voltar é levantar-se, em quem apoiar-se é estar seguro”. 


Pedimos a ajuda dos santos que viveram os ensinamentos de Cristo até o fim, para que possamos também viver segundo os ensinamentos de Cristo até o fim de nossa vida terrestre para que um dia mereçamos ser chamados de santos.
P. Vitus Gustama,SVD



quinta-feira, 1 de novembro de 2018

03/11/2018
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VIVER COM CRISTO PARA VIVER NA HUMILDADE
Sábado Da XXX Semana Comum
 
Primeira Leitura: Filipenses 1,18b-26
Irmãos, 18b de qualquer maneira, com segundas intenções ou com sinceridade, Cristo é anunciado. E eu me alegro com isso, e sempre me alegrarei. 19 Pois eu sei que isso resultará na minha salvação graças à vossa oração e à assistência do Espírito de Jesus Cristo. 20 Segundo a minha viva expectativa e a minha esperança, não terei de corar de vergonha. Se a minha firmeza continuar total, como sempre, então Cristo vai ser glorificado no meu corpo, seja pela minha vida, seja pela minha morte. 21 Pois para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro. 22 Entretanto, se o viver na carne significa que meu trabalho será frutuoso, neste caso, não sei o que escolher. 23 Sinto-me atraído para os dois lados: tenho desejo de partir, para estar com Cristo – o que para mim seria de longe o melhor – 24 mas para vós é mais necessário que eu continue minha vida neste mundo. 25 Por isso, sei com certeza que vou ficar e continuar com vós todos, para que possais progredir e alegrar-vos na fé. 26 Assim, com a minha volta para junto de vós, vai aumentar ainda a razão de vos gloriardes em Cristo Jesus.


Evangelho: Lc 14,1.7-11
1 Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. 7 Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares. Então contou-lhes uma parábola: 8 “Quando fores convidado para uma festa de casamento, não ocupes o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu, 9 e o dono da casa, que convidou os dois, venha te dizer: ‘Dá o lugar a ele’. Então ficarás envergonhado e irás ocupar o último lugar. 10 Mas, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar. Assim, quando chegar quem te convidou, te dirá: ‘Amigo, vem mais para cima’. E isto vai ser uma honra para ti diante de todos os convidados. 11 Porque quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado”.
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Viver Para Cristo e Morrer n´Ele


Durante alguns dias vamos acompanhar a leitura de outra carta de são Paulo: a Carta aos Filipenses. Esta carta é a epístola mais pessoal redigida por são Paulo. Seu tema básico é o anúncio do Evangelho no sofrimento e nas dificuldades. É uma carta breve, afetuosa, cheia de cordialidade e de carinho. Essa cordialidade mostra uma relação bastante fraterna entre o Apóstolo Paulo e a comunidade Filipense.


Filipos, importante cidade da Macedônia e colônia romana, foi evangelizada por são Paulo durante sua segunda viagem, no ano 50 depois de Cristo. Nesta cidade domina o sincretismo religioso: divindades pagãs, e cultos mistéricos tem um grande destaque. Filipos foi a primeira cidade europeia que acolheu o Evangelho. São Paulo visita a comunidade de Filipos duas vezes durante sua terceira viagem: no outono do ano 56-57 d.C (At 20,1-2) e na Páscoa de 57-58 d.C (At 20,3-6). Com a conversão de Lídia, negociante de púrpura, começa a fundação da comunidade (At 16,12-40).


São Paulo escreveu esta Carta quando estava no cativeiro (a palavra “prisão” é mencionada várias vezes na Carta), aguardando julgamento (Fl 1,7.13.14.17). Segundo a maioria dos autores modernos, a Carta aos Filipenses foi escrita no ano 56-57 d.C.


Mesmo estando preso e com as dificuldades tanto da prisão como de outras naturezas (perigo de judaizantes), são Paulo não focaliza sobre si mesmo e sim sobre o anúnio do Evangelho para todos. Toda a comunidade está unida a Paulo no amor, no sofrimento e no anúncio do Evangelho (Fl 1,5.7.14.15). São Paulo consegue superar a tristeza da situação em que ele se encontra, destacando a importância de que a Palavra de Deus não deva ficar presa e sim seja difundida de qualquer maneira (Fl 1,18). Nessa situação de sofrimento, são Paulo encontra um alívio na experiência da alegria de Jesus: “Pois para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fl 1,20).


A comunidade de Filipo é organizada segundo o modelo de outras Igrejas fundadas por são Paulo. São Paulo destaca a presença de dois ministérios: os epíscopos e os diáconos (Fl 1,1). O epíscopo é aquele que olha por cima, o supervisor, o inspetor, aquele que é encarregado de dirigir a comunidade (At 20,28; Tt 1,7; 1Tm 3,1). O segundo é a Diaconia (diácono) que indica uma tarefa de assitencia e de serviço (1Tm 3,8.12), sem se identificar com o ministério diaconal dos nossos dias.


Além dos dois ministérios, nesta Carta se apresenta também a escatologia individual, que se realiza logo após a morte (Fl 1,21-23), e a escatologia final (Fl 3,20-21). O próprio Paulo afirma: “O meu desejo é partir e estar com Cristo” (Fl 1,23). O “estar com Cristo” se realiza já no momento da morte.


No texto da Primeira Leitura de hoje mostra a disponibilidade total de são Paulo para sua missão: ele quer colaborar com todas as forças na evangelização deste mundo, apesar de estar preso. Ele não quer saber de seu destino pessoal: “De qualquer maneira, com segundas intenções ou com sinceridade, Cristo é anunciado. E eu me alegro com isso, e sempre me alegrarei”.


Por um lado, são Paulo desejaria “partir, para estar com Cristo – o que significa que meu trabalho será frutuoso para mim seria de longe o melhor”. Porém, se continuar vivendo, “significa que meu trabalho será frutuoso”.


É admirável a convicção de são Paulo, digno de ser seguido por todos seu exemplo: toda sua vida está orientada a fazer Jesus Cristo ser conhecido por todos sem se importar o sofrimento que ele está tendo: “De qualquer maneira Cristo é anunciado. E eu me alegro com isso, e sempre me alegrarei”. Sua alegria de anunciar Cristo é maior do que seu sofrimento e a tristeza.


Para qualquer cristão, a vida é Cristo. é Cristo que habita em nós. é Cristo esposo da Igreja. É Cristo, Cabeça de seu Corpo, que somos nós. com Ele tudo, pois sem Ele nada podemos fazer (Jo 15,5). Permaneçamos unidos a Cristo para que, por meio de sua Igreja, chegue a todos a mensagem de salvação.


Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro”. Esta frase interpela a todos os cristãos. Será que estamos dispostos e disponíveis a viver ou a morrer pelo bem dos demais? Será que olhamos para nossa morte como um estar com Cristo que é considerado como “lucro”? Mas o que lucramos como cristãos para poder estar com Cristo? e se desejamos continuar vivendo é precisamente para continuar fazendo o bem e cooperando na salvação da humanidade, pelo menos ao nosso redor? Será que cada um de nós cristãso é capaz de dizer “Para mim, o viver é Cristo”?


A Humildade Nos Torna Fecundos Na Vida


Jesus continua ainda com suas últimas lições/instruções dadas aos seus discípulos no seu Caminho para Jerusalém (Lc 9,51-19,58). A intenção de Jesus ao dar tais lições é preparar os discípulos para a futura missão na ausência física de Jesus nesta terra. E estas lições servem também como instrução catequética-catecumenal para todos os cristãos de todos os tempos e épocas. Por ser tratarem de lições importantes Lucas não tem pressa de relatar a chegada de Jesus em Jerusalém.        


A lição que Lc nos apresenta através da passagem do evangelho deste dia é sobre a humildade.


Para falar destes temas Lc parte de uma refeição preparada por um fariseu para Jesus como seu convidado especial. Lc nos relata que Jesus é convidado por três vezes para uma refeição na casa dos fariseus (cf. Lc 7,36-50; 11,37-53; 14,7-14).


No mundo semita o banquete ou a refeição é o espaço do encontro fraterno, onde os comensais partilham do mesmo pão (ser companheiro). E o pão/alimento é fruto dos processos do trabalho humano e é distribuído a cada membro da família para sua subsistência. A refeição é o espaço onde se manifestam e estabelecem laços de comunhão, de proximidade, de familiaridade e de fraternidade. Em qualquer povo, o primeiro gesto de hospitalidade e de fraternidade é o convite para a mesma mesa, a partilha daquele alimento que transforma estranhos em amigos. Sob o aspecto físico, a refeição é indispensável para a sobrevivência; no aspecto social, ela sela uma boa relação, uma aliança. Todas as alianças no mundo semita sempre se finalizam com uma refeição.


Quando fores convidado para uma festa de casamento, não ocupes o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu, e o dono da casa, que convidou os dois, venha te dizer: ‘Dá o lugar a ele’. Então ficarás envergonhado e irás ocupar o último lugar”. Em outras palavras, seja humilde!                 


O vocábulo “humildade” deriva do latim humilis, que por sua vez, deriva de húmus: chão, terra. E o húmus é a parte nutritiva da terra. É o lugar em que, recebendo os cuidados adequados, calor e umidade, germina a semente saudavelmente.


A humildade consiste em saber ocupar o próprio lugar de criatura; em reconhecer que o que somos e temos é um dom de Deus por causa de seu amor. Humilde é saber ser o que cada um é e saber lutar por ser o que Deus espera que sejamos. Humilde é aquele que se encontra bem consubstanciado com a terra. É aquele que está com os pés bem firmes no chão, é aquele que pisa firme, com segurança, e confiança. Ele não se despreza. Ser humilde significa assumir com simplicidade o nosso lugar, colocar/pôr os próprios dons ao serviço de todos com simplicidade e com amor sem nunca humilhar os outros com a própria superioridade. Por isso, a humildade é refúgio e alimento do ser. É na humildade que germinam nossos autênticos valores. A humildade é uma forma de ser por dentro. Por isso, Santo Agostinho nos alerta: “Simular humildade é a maior das soberbas”.       


A humildade é a virtude que atrai a simpatia dos homens e as bênçãos de Deus: “Filho, na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade, e assim, encontrarás graça diante do Senhor... pois é aos humildes que Ele revela seus mistérios e... é glorificado pelos humildes” (Eclo 3,20s). O caminho à verdadeira exaltação é a humildade: “Quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado” (Mt 14,11).


A pessoa humilde é que estabelece relações que trazem a felicidade, que acabam com o egoísmo, com a competição, com a ostentação, e fazem reinar no mundo as atitudes de intercâmbio generoso dos dons de Deus.
P. Vitus Gustama,svd
02 NOVEMBRO
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FINADOS: Para Refletir

 
Prefiro que partilhes comigo uns poucos minutos,
Agora que estou vivo,
E não uma noite inteira quando eu morrer.

Prefiro que apertes suavemente a minha mão,
Agora que estou vivo,
E não apóies o teu corpo sobre mim quando eu morrer.

Prefiro que faças uma só chamada,
Agora que estou vivo,
E não faças uma inesperada viagem, quando eu morrer.

Prefiro que me ofereças uma só flor,
Agora que estou vivo,
E não me envies um formoso ramo e uma coroa de flores
Quando eu morrer.

Prefiro que elevemos juntos ao céu um oração,
Agora que estou vivo,
E não uma oração poética quando eu morrer.

Prefiro que me digas umas palavras de alento,
Agora que estou vivo,
E não um dilacerante poema quando eu morrer.

Prefiro que um só acorde de guitarra,
Agora que estou vivo,
E não uma comovedora serenata quando eu morrer.

Prefiro que me dediques uma leve prece,
Agora que estou vivo,
E não um político epitáfio sobre minha tumba quando eu morrer.

Prefiro desfrutar de todos os mínimos detalhes do tempo de nossa convivência,
Agora que estou vivo,
E não de grandes manifestações quando eu morrer.

Prefiro escutar-te e ver-te um pouco nervos@
Dizendo o que sentes por mim,
Agora que estou vivo,
E não um grande lamento porque não o disseste no tempo certo, e agora estou mort@....

Aproveitemos a convivência fraterna e amorosa com os nossos seres queridos
Agora que estão entre nós...
Valorize as pessoas que estão à tua volta.
Ama-as, respeita-as e lembra-te delas,
Enquanto estão vivas.
Deus te abençoe!                                  Pe. Vitus Gustama, SVD

02/11/2018
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DIA DE FINADOS E A FÉ NA RESSURREIÇÃO


Jo 14,1-6 
Aqueles que nos deixaram não estão ausentes e sim invisíveis. Eles tem seus olhos cheios de glória, fixos em nossos olhos cheios de lágrimas”, (Santo Agostinho)


O mundo secularizado divide a vida humana em duas realidades biológicas contrárias: a vida e a morte. Pretende extrair da vida o máximo rendimento em êxito, poder, dinheiro e prazer. E diante da morte experimenta horror, espanto, pavor, desespero e angústia. E inconscientemente, o mundo adota a atitude de avestruz: silencia a morte como se não existisse. Como resultado, absolutiza-se a vida terrena e se recusa a morte. A morte vira tabu e por isso, fala-se pouco nela e dela.


Quem não tem pode facilmente pensar que a morte é o maior mal, porque com ela se volta ao nada, ao mundo de não ser. O cristão, ao contrário, olha para a morte com outros olhos, porque a morte não é o aniquilamento do ser e sim a porta para um novo modo de ser e de viver para sempre. O maior mal do homem é mau uso da liberdade, é a vontade de recusar Deus agora no tempo e logo para sempre no mais além.


Hoje celebramos a missa portodos os fiéis defuntos”, não somente por um defunto de uma família concreta. Por isso, pensamos emnossosdefuntos, em nossos irmãos em Cristo que nos precederam, sabendo que as pessoas que estão ao nosso lado nesta celebração, como nós próprios, levam em seu coração e trazem para esta missa os seus.


A morte não se pode despojar de sentido. A partir da e da esperança cristãs temos que responder afirmativamente que a morte tem sentido, pois o Senhor em quem acredita é a Ressurreição e a Vida (Jo 11,25); Ele é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Ao recordar hoje todos os defuntos, e ao atualizar mais uma vez no sacrifício eucarístico a Paixão e a Morte do Senhor, celebramos o Deus da vida, o Deus que salva, o Deus da Ressurreição. Nosso Deus não é um Deus de mortos e sim de vivos. Por isso, do coração da morte celebramos e proclamamos a ressurreição.


Para Jesus, segundo o evangelho deste dia, morrer nele significa caminhar para a casa do Pai. Vamos à casa maior onde nos encontraremos todos e todas: “Na casa do meu Pai há muitas moradas”. A morte pode até nos assustar, agitar, e perturbar. Mas o evangelho deste dia nos dá uma visão nova da morte como um encontro na casa do Pai. Estar em casa é estar protegido. É muito mais do que isso quando estamos na casa do Pai do céu.


Superaremos o temor da morte se nós colocarmos nossa confiança em Deus e em Jesus que é o Caminho, a Verdade e a Vida: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes em Deus e tende em mim também. (...) Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Por isso, o Dia de Finados nos recorda que somos peregrinos para a casa do Pai celeste, e que vamos caminhando até o nosso destino final comocidadãos do céu”, e por isso, não temos aqui morada permanente.


Hoje, como em todos os momentos de nossa vida, somos todos convidados a renovar nossa em Deus da Vida. Crer é esperar no amor de Deus, confiar plenamente em sua misericórdia, assumir a morte na esperança da vida eterna. Crer em Deus é ter consciência de quealguém que nos envolve, nos abraça de todos os lados e nos ama. Ele nos conhece no melhor de nós mesmos, no fundo de nosso coração, onde nem uma pessoa amada pode penetrar. Ele conhece o segredo de todos os mistérios e a direção de todos os caminhos. Crer em Deus significa que eu não estou sozinho neste universo aberto com minhas interrogações para as quais ninguém pode me dar uma resposta satisfatória, Ele mesmo, pois as minhas interrogações são também a providência divina. Este Deus em quem creio está comigo (cf. Mt 28,20). Ele existe para mim e eu existo para Ele e diante d´Ele. Crer em Deus significa que existe uma última ternura, um derradeiro seio, um útero infinito no qual posso me refugiar e no qual posso encontrar a paz. Se assim é, vale a pena crermos em Deus, pois nos faz mais nós mesmos e potencia nossa humanidade. Assim, minha luta tem sentido e minha morte tem também sentido. Para quem crê, a morte não é mais uma coisa trágica ou absurda, mas é um encontro definitivo com o Papaizinho do céu, com Aquele que sempre está com os braços abertos para nos abraçar. Eu tenho que saber me lançar nestes braços dele desde esta vida em que vivo. Os crentes, os que crêem em Deus, aceitam a morte bebendo a água viva da Palavra de Deus, para não morrer de sede no deserto do mundo, e comendo do Pão da Vida, que nos fortalece e nos faz triunfar sobre a morte. Por isso, o cristão sabe que vive para morrer, mas morre para viver. A morte como pessoa de é a possibilidade de viver eternamente com Cristo.


A missa é uma confissão da na ressurreição, pois celebramos a ressurreição do Senhor e, portanto, o nosso também, desde . Esta é que nos reúne aqui nesta celebração. A na ressurreição é a da Igreja. Esta ilumina nossa vida, nossa experiência de morte e ressurreição, de pecado e de graça, de morte e de vida. Cremos no Deus da vida, o Único que pode purificar nossas vidas e nos levar à assembléia dos santos. Por isso, tem sentido de orarmos pelos defuntos: é pôr nossa confiança em que o Pai do céu acrescentará, na sua misericórdia, aos defuntos o que lhes faltava para chegar à bem-aventurança. E a partir dessa confiança somos conduzidos também pela mesma misericórdia para que possamos alcançar a plenitude de vida, na comunhão eterna com Deus.


Nós que estamos peregrinando ainda nesta terra, temos que nos esforçar um pouco mais todos os dias para que tenhamos um encontro feliz com Deus. Para olhar o mundo, a nós mesmos e todos os acontecimentos na plenitude da verdade nãoponto de observação melhor que o da morte. A partir dali tudo é visto em sua justa perspectiva. Visto a partir desse ponto, tudo ganha seu justo valor. Olhar a vida a partir da morte nos ajuda extraordinariamente a vivermos bem e a valorizarmos cada segundo de nossa vida. A morte nos impede que nos prendamos às coisas, e nos impede que fixemos aqui embaixo a morada de nosso coração esquecendo quenão temos aqui residência permanente” (cf. Hb 13,14). Não é a morte que é absurda, mas a vida sem a morte.


Defrontar a morte nos leva a considerar a vida com outros olhos, a nos engajar em sua transformação, transformando cada momento em uma eternidade. A morte quando é refletida seriamente dá valor à vida, à convivência, à amizade, à família, e a cada um de seus momentos. Aquele que não aprende a morrer, não vive. Nós, como cristãos, somente podemos iluminar o caráter misterioso da morte com a fé e com a luz que surgem deste duplo acontecimento: Jesus morreu; Jesus ressuscitou.


Com efeito, a vida que temos aqui nesta terra não é um caminho que nos leva para a morte e sim para a vida por causa de Cristo ressuscitado. Crer em Deus significa crer no amor que está muito mais além das debilidades humanas. Um amor que é vida para sempre, esperança que não falha, confiança infinita. Um amor que é ressurreição, vida nova para sempre.


Por isso, a Eucaristia que celebramos hoje na memória de nosso defuntos é um momento privilegiado de encontro com esse Cristo que se faz dom e que vem ao nosso encontro para nos oferecer a vida plena e definitiva. Quem acolhe esta vida que Jesus oferece torna-se um com ele. Celebrar ou participar da eucaristia é aprofundarmos os laços familiares que nos unem a Jesus, identificarmo-nos com ele, deixarmos que a Sua vida circule em nós.


Que os que nos precederam descansem em paz e que nós que estamos peregrinando ainda neste mundo que convivamos em paz para que possamos alcançar a morada eterna, a casa do Pai do céu, nossa Casa Comum. Assim seja.
P.Vitus Gustama, SVD