terça-feira, 27 de novembro de 2018

29/11/2018
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SER PERSEVERANTE NO BEM E ESTAR VIGILANTE PARA GOZAR DA VITÓRIA FINAL
Quinta-Feira da XXXIV Semana Comum

Primeira Leitura: Ap 18,1-2.21-23; 19,1-3.19ª
Eu, João, 18,1 vi outro anjo descendo do céu. Tinha grande poder, e a terra ficou toda iluminada com a sua glória. 2 Ele gritou com voz poderosa: “Caiu! Caiu Babilônia, a grande! Tornou-se morada de demônios, abrigo de todos os espíritos maus, abrigo de aves impuras e nojentas. 21 Nessa hora, um anjo poderoso levantou uma pedra do tamanho de uma grande pedra de moinho e atirou-a ao mar, dizendo: “Com esta força será lançada Babilônia, a Grande Cidade, e nunca mais será encontrada. 22 E o canto de harpistas e músicos, de flautistas e tocadores de trombeta, em ti nunca mais se ouvirá; e nenhum artista de arte alguma em ti jamais se encontrará; e o canto do moinho em ti nunca mais se ouvirá; 23 e a luz da lâmpada em ti nunca mais brilhará; e a voz do esposo e da esposa em ti nunca mais se ouvirá, porque os teus comerciantes eram os grandes da terra, e com magia tu enfeitiçaste todas as nações. 19,1 Depois disso, ouvi um forte rumor, de uma grande multidão no céu, que clamava: “Aleluia! A salvação, a glória e o poder pertencem a nosso Deus, 2 porque seus julgamentos são verdadeiros e justos. Sim, Deus julgou a grande prostituta que corrompeu a terra com sua prostituição, e vingou nela o sangue dos seus servos”. 3 E repetiram: “Aleluia! A fumaça dela fica subindo para toda a eternidade!” 9ª E um anjo me disse: “Escreve: Felizes são os convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro”.


Evangelho: Lc 21,20-28
20“Quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, ficai sabendo que a sua destruição está próxima. 21Então, os que estiverem na Judeia, devem fugir para as montanhas; os que estiverem no meio da cidade, devem afastar-se; os que estiverem no campo, não entrem na cidade. 22Pois esses dias são de vingança, para que se cumpra tudo o que dizem as Escrituras. 23Infelizes das mulheres grávidas e daquelas que estiverem amamentando naqueles dias, pois haverá uma grande calamidade na terra e ira contra este povo. 24Serão mortos pela espada e levados presos para todas as nações, e Jerusalém será pisada pelos infiéis, até que o tempo dos pagãos se complete. 25Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. 26Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas. 27Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. 28Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”.
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Estar Com Deus Até o Fim É Viver Como Vitorioso Apesar Das Dificuldades


Eu, João, vi outro anjo descendo do céu. Tinha grande poder, e a terra ficou toda iluminada com a sua glória. Ele gritou com voz poderosa: “Caiu! Caiu Babilônia, a grande! ... Depois disso, ouvi um forte rumor, de uma grande multidão no céu, que clamava: Aleluia! A salvação, a glória e o poder pertencem a nosso Deus, porque seus julgamentos são verdadeiros e justos”.


Três temas aparecem no texto do Apocalipse: a queda da “Grande Babilônia, o Cântico de gozo das pessoas justas, e o anúncio das Bodas do Cordeiro com sua Esposa, a Igreja. A realização da justiça de Deus faz cair os grandes impérios por fortes que sejam e por poderosos que pareçam ser, impérios de todos os tipos: políticos, econômicos e opressões de todo tipo que parecem invencíveis, incluindo nossos defeitos de caráter. Esta culminação da justiça é o preambulo das Bodas do Cordeiro com a Criação inteira, com a multidão dos justos.


Por isso, a mensagem do Apocalipse é de esperança; é um chamado à resistência nos momentos mais obscuros da história, quando o mal parece não ter fim. Mas um dia, cedo ou tarde, o mal conhecerá seu fim. Tudo será revelado.


O Salmo Responsorial (Sl 99) proclama esta justiça de Deus como uma manifestação de sua misericórdia: “Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, sua bondade perdura para sempre, seu amor é fiel eternamente! São bem-aventurados os que foram convidados para a Ceia Nupcial das bodas do Cordeiro!”


O evangelho que lemos hoje é também um chamado à esperança, ao redobrar a fé. Aqui a vingança de Deus se dirige contra Jerusalém que se converteu ao longo da história em sede do poder e da manipulação religiosa. Jesus anuncia a queda de Jerusalém, os tempos difíceis, mas ao mesmo tempo, chama também para a esperança. Jesus nos chama a levantar a cabeça, sabendo que se aproxima nossa libertação (Lc 21,28).


O livro do Apocalipse vai marcando um tempo de tensão e de juízo. O texto que lemos hoje nos situa no momento da queda do império romano. Na verdade, a queda é prevista a partir da própria fé e não a partir de uma analise puramente humana. É impossível um poder mundano derrotar Deus. Sabemos  muito bem que os impérios humanos não são eternos e que por causa do seu próprio peso caem em algum momento da história. Durou apenas por algum período da história.


Mas aqui o ponto importante que devemos levar em conta é teológico: se um império impõe com força contra o poder de Deus, então em algum momento ele tem que cair. E o autor acredita tanto nisso que ele dá como fato e não como uma suposição: “Caiu! Caiu Babilônia, a grande! Tornou-se morada de demônios, abrigo de todos os espíritos maus, abrigo de aves impuras e nojentas”, disse o anjo. Qualquer império que intente forçar o plano de Deus também há de cair em algum momento, cedo ou tarde. Deus tem paciência de esperar a conversão do homem, especialmente dos que se acham poderosos. Mas se até o último momento não demonstrar o arrependimento, a queda já está próxima. O prazer da tirania dará lugar para a queda mortal.


A chave para interpretar a história a partir de Deus se encontra no Magnificat de Maria: “Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes” (Lc 1,52).


A grandiosa cena de hoje resume toda a luta entre o bem e o mal, entre Cristo e a Besta. Destaca-se a vitória garantida para quem luta com Cristo.


Esta cena descreve a ruína da Babilônia, isto é, Roma, que o autor do Apocalipse chama de "a grande prostituta", porque ele enganou todas as nações na feitiçaria e as fez apostatar. A imagem de uma pedra grande que é lançada no fundo do mar é muito expressiva para descrever a destruição da Besta. Em seu território, não haverá mais música ou festa ou luz da lâmpada ou a voz de um noivo ou noiva. O silêncio total. A tremenda escuridão. A ruína total. A morte.


Por outro lado, há a vitória com o grito de uma grande multidão que canta hinos e aleluias. Enquanto a fumaça do fogo em que o mal queimava eleva-se do silêncio do abismo escuro ao céu, os salvos não cessam em seus cânticos de alegria na luz de Cristo.


O Apocalipse não é um livre doce e sim guerreiro e valente que nos dá ânimo na luta diária pelo bem e nos faz olharmos para o futuro confiados no triunfo de Cristo e dos seus. A “cidade orgulhosa”, isto é, as forças do mal caem ao fundo do mar de escuridão como uma pedra e desaparecem. A comunidade do Cordeiro, os que não apostataram nem se deixaram manchar pela corrupção, continuam em pé e não param de cantar vitoriosamente. É a esperança que nos anima em tempos tão duros e críticos. Somente Deus tem o verdadeiro poder eterno. Os demais são mortais.


A liturgia nos prepara para o Advento, esperamos, de alguma maneira, Aquele que já “possuímos”, isto é, Aquele que está conosco, o Emanuel. E essa esperança é tão certa como as mesmas intervenções do Deus libertador na história de seu povo.


Toda vez que participarmos da Eucaristia, somos convidados à comunhão com as palavras que aqui diz o anjo: “Felizes são os convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro” (Ap 19,9ª). Ou o Missal traduz por “a ceia do Senhor” ou “a mesa do Senhor”. somos chamados felizes não por sermos convidados para esta Eucaristia e sim porque esta Eucaristia é a garantia e a pregustação de um Banquete mais definitivo ao qual somos também convidados: o Banquete de bodas do Cordeiro, Cristo Jesus, com sua esposa, a Igreja, no céu. Como é profundo o significado de nossa participação na Eucaristia! Como é bom e gostoso ouvirmos este convite toda vez que participarmos da Eucaristia. De fato, não estou apenas na Missa e sim estou também no Céu, na Banquete do Cordeiro.


Ser Fiel Na Vivência Dos Ensinamentos De Jesus


Estamos ainda no discurso escatológico (sobre o fim) ou apocalíptico (porque quer revelar algo além do acontecimento) na versão de Lucas. Desta vez o evangelista Lucas nos descreve a destruição da cidade de Jerusalém e o Templo e suas tremendas conseqüências. A destruição de Jerusalém (e o Templo de Jerusalém) aconteceu em 70 d.C. “Quando virdes Jerusalém cercada de exércitos...”. A palavra “cercada” aqui literalmente significa “acampamentos”. Os acampamentos que cercam Jerusalém são os de Tito, comandante das legiões romanas, enviadas para sufocar e acabar com a rebelião judaica. O perigo é muito grande porque se trata de um período designado como “dias de vingança” (Lc 21,22. Alude ao Os 9,7). Essa guerra catastrófica termina com a destruição da cidade e do Templo de Jerusalém em agosto de 70 d.C. sob as legiões romanas do imperador Tito (79 d.C.- 81 d.C.). E a segunda no ano 135 d.C. nos tempos do imperador Adriano (117 d.C. -138 d.C.). Segundo alguns especialistas, muitos cristãos realmente conseguiram fugir da cidade quando as tropas romanas se aproximaram de Jerusalém.


Segundo os exegetas o evangelho de Lucas foi escrito depois dos anos 70 (em torno do ano 85 depois de Cristo). Isto significa que a destruição de Jerusalém já tinha acontecido. Lucas considera a destruição de Jerusalém como o fim de uma etapa da historia da salvação e por isso, não é o sinal da chegada do momento final (escatologia).


Lucas aproveita o acontecimento da destruição de Jerusalém para falar da vinda do Filho do Homem no fim dos tempos (parusia) a fim de que todos vivam vigilantes e preparados, pois a segunda vinda do Senhor (parusia) é certa, mas o momento é incerto, pois essa vinda vem como ladrão sem avisar (cf. Mt 24,43; Lc 12,39; 1Ts 5,2; 2Pd 3,10; Ap 3,3). É preciso viver o momento presente com uma visão do futuro. O próprio futuro está no presente. Nossa vida se move no presente entre uma história (passado) e um projeto (futuro). Aprendemos das lições do passado com otimismo e desejo de superação. Como escreveu o filósofo Sören Kiekergaard: “A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás. Mas só pode ser vivida olhando-se para frente”. Sobretudo, aprendemos a viver intensamente o presente, o único instante que temos em nossas mãos para construir. Não podemos perder o presente lamentando-nos pelos erros do passado e muito menos ainda, temendo o que pode chegar a ser no futuro. O melhor caminho para afrontar o futuro é aproveitar o momento presente: “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: Eu venci o mundo!”, diz-nos Jesus (Jo 16,33b).


Por isso, a finalidade desse discurso não é para descrever os acontecimentos que precederão o fim e sim para encorajar os cristãos a viverem de acordo com os ensinamentos de Cristo apesar das dificuldades, provações e perseguições. “É pela perseverança que mantereis vossas vidas”, lembra-nos o Senhor (Lc 21,29b). A Palavra de Deus vai ser a ultima palavra para a humanidade e não a palavra do homem.  


Um Alerta Para Estar Despojado


“Ai daquelas mulheres que estiverem grávidas e que estiverem amamentando naqueles dias” (Lc 21,23), clama o Senhor ao contemplar o fim do mundo.


Esta exclamação significa muito mais do que uma simples compaixão humana por aquelas mulheres desamparadas. Para o Senhor que contempla e adverte, elas se tornam imagem e tipo daqueles que para os quais o fim do mundo ou o fim de uma história vai surpreender no preciso instante em que não se sentirão livres para poder seguir a voz do Senhor e sair ao encontro da eternidade feliz. Seus pés não são fortalecidos para seguir o caminho da cruz que termina na ressurreição. Pesa sobre seus ombros a carga do falso reino deste mundo. Seus braços abraçam as alegrias caducas de um mundo condenado a perecer. Não conhecem a linguagem dos sinais celestes. São escravos das próprias paixões que os fazem amarrados e cegos diante da eternidade.


Vale a pena cada um se perguntar: “O que é que me pesa no encontro derradeiro com o Senhor no fim da minha história? E o que é que me amarra que dificulta minha caminhada ao encontro do Senhor no fim da minha vida?”. Quem carrega coisas caducas acaba dificultando o próprio vôo até Deus. É preciso ter as “asas” livres do Senhor para voar com liberdade.


Uma Mensagem De Consolo E De Esperança


Quando essas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima” (Lc 21,28).


O anúncio de Jesus sobre o fim do mundo ou sobre o fim da história de cada um de nós não é um anúncio que quer entristecer e sim animar: “… levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”. Todos nós somos convidados a ter confiança na vitória de Cristo Jesus: “O Filho do Homem vem numa nuvem com poder e glória” (Lc 21,27). Seja no momento de nossa morte, que não é final e sim início de uma nova maneira de existir, muito mais plena. Seja no momento do final da história, basta estar com Cristo e permanecer nele, ele virá não na humildade e pobreza de Belém e sim na glória e majestade, sinal de sua vitória sobre a morte. Ele já atravessou na sua Páscoa a fronteira da morte e inaugurou para si e para nós a nova existência, os novos céus e a nova terra.


A glória de Jesus se irradia através de todos os portadores da paz e da bondade, através de todos os homens e mulheres que trabalham para construir uma sociedade mais justa e honesta, que põem seus talentos e potencialidades a serviço dos marginalizados e desamparados. É a outra História que se escreve dia após dia, não com letras de molde nem com slogans televisivas, mas com atos de serviço. É a história de salvação. É a história com Deus. É a historia que humaniza. E por isso, é a história que diviniza o humano.


Precisamos fazer este tipo de história para que o Senhor possa vir na sua glória ao nosso encontro. Neste dia ouviremos o Senhor nos dizer: “… levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima!” (Lc 21,28). Que Deus nos conceda a graça de passar nossa vida fazendo sempre o bem para todos, e que isso façamos não por simples filantropia e sim porque amamos nosso próximo, nosso semelhante e imagem viva de Deus como o Senhor nos amou. “No entardecer de nossa vida seremos julgados sobre o amor” (São João da Cruz).


Nossa vida se move no presente entre uma história (passado) e um projeto (futuro). Aprendemos das lições do passado como otimismo e desejo de superação. Mas, sobretudo, aprendemos a viver intensamente o presente, o único instante que temos em nossas mãos para construir. Não podemos perder o presente lamentando-nos pelos erros do passado e muito menos ainda, temendo o que pode chegar a ser no futuro. O melhor caminho para afrontar o futuro é aproveitar o momento presente: “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: Eu venci o mundo!”, diz-nos Jesus (Jo 16,33b).


Durante esta semana a liturgia, preparando-nos para o Advento, vai-nos colocando numa espera atenta da vinda do Salvador. Esperamos, de alguma maneira, o que já possuímos. E esta esperança é tão certa como as mesmas intervenções de Deus na história do Seu povo.
P. Vitus Gustama,svd

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

28/11/2018
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SEJAMOS PERSEVERANTES SEGUIDORES DE CRISTO ATÉ O FIM!
Quarta-Feira da XXXIV Semana Comum
Primeira Leitura: Apocalipse 15,1-4
Eu, João, 1 vi no céu outro sinal, grande e admirável: sete anjos, com as sete últimas pragas. Com elas o furor de Deus ia-se consumar. 2 Vi também como que um mar de vidro misturado com fogo. Sobre este mar estavam, de pé, todos aqueles que saíram vitoriosos do confronto com a besta, com a imagem dela e com o número do nome da besta. Seguravam as harpas de Deus. 3 Entoavam o cântico de Moisés, o servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: “Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus, Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! 4 Quem não temeria, Senhor, e não glorificaria o teu nome? Só tu és santo! Todas as nações virão prostrar-se diante de Ti, porque tuas justas decisões se tornaram manifestas”.


Evangelho: Lc 21,12-19
12“Antes que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. 13Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. 14Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; 15porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. 16Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. 17Todos vos odiarão por causa do meu nome. 18Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. 19É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!”.
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Os Cristãos Fieis Experimentarão a Vitória Final Apesar Dos Sofrimentos


Vi no céu outro sinal, grande e admirável: sete anjos, com as sete últimas pragas. Com elas o furor de Deus ia-se consumar. Vi também como que um mar de vidro misturado com fogo. Sobre este mar estavam, de pé, todos aqueles que saíram vitoriosos do confronto com a besta, com a imagem dela e com o número do nome da besta”.


Temos aqui duas visões: a visão no céu de um grande sinal admirável: são os sete anjos que trazem sete pragas. O número “sete” dentro do contexto da leitura de hoje representa a totalidade da ira de Deus. Com isso se consuma o furor de Deus.


Esta visão e o modo de descrição sobre o furor de Deus tem como objetivo fotificar ou fortalecer a fé dos cristaos depois da adversidade sofrida e da calamidade das pragas que se aproximam. O livro do Apocalipse é, por isso, um grande livro cristão de consolação. Ele nos anima para lutar pelo bem, pois o bem vencerá.


A segunda visão é a dos vencedores: “Vi também como que um mar de vidro misturado com fogo. Sobre este mar estavam, de pé, todos aqueles que saíram vitoriosos do confronto com a besta, com a imagem dela e com o número do nome da besta”.


“Vi também como que um mar de vidro misturado com fogo”. O castigo é sempre uma imagem do fogo, do calor e do enxofre, como ambiente de punição. O símbolo “Um mar de vidro misturado com fogo” se refere ao Mar Vermelho (Ex 15,1-9; Sb 19,2-21). Os israelitas que caminharam depois das pegadas de Moisés, a pé enxuto, e se salvaram da perseguição do Egito, assim também caminharam os cristãos vencedores depois do caminho aberto pelo Cordeiro.


Sobre este mar estavam, de pé, todos aqueles que saíram vitoriosos do confronto com a besta, com a imagem dela e com o número do nome da besta”. “Estar de pé” é uma alusão à ressurreição. Os cristãos fieis não são do fundo do mar, símbolo da morte, e sim podem unir-se à liturgia celeste. Eles cantam com cítaras de Deus, isto é, com instrumentos musicais quase sobrehumanos que podem tocar somente os homens transformados por Deus.


E João vê os cristãos, o novo povo de Deus, vencedores do mal, vitoriosos da "Besta", que superaram o obstáculo (o mar), depois de seu longo êxodo na dor da perseguição e das provações, cantam com alegria uma canção eucarística: “Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus, Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! Quem não temeria, Senhor, e não glorificaria o teu nome? Só tu és santo! Todas as nações virão prostrar-se diante de Ti, porque tuas justas decisões se tornaram manifestas”. O fim do mundo e da história é como a festa suprema da Páscoa. Finalmente livre! Por fim, salvo definitivamente! Aos cristãos que estavam em situação dramática, perseguidos pelo imperador romano no fim do século primeiro, o autor do Apocalipse quer convencê-los de que a vitória está segura e que o Cordeiro e seus seguidores vão terminar sua luta cantando hinos vitoriosos e pascais. Basta seguir o Cordeiro até o fim, pois a vitória está garantida.


Não se assuste diante das dificuldades, pois o Cordeiro é mais forte do que qualquer poder e força no mundo. O início é sempre difícil. Mas a vitória final é saborosa para quem é perseverante. O triunfo dos eleitos não é aqui em baixo um triunfo aparente. Esta esperança somente é possível numa visão de fé. Na aparência ocorre o contrário: Deus não parece Todopoderoso e o rei das nações é aparentemente é Nero. Mas não se engane pela aparência! Confie em Deus apesar dos pesares, pois a vitória final aparecerá.


Cada Cristão É Chamado e Enviado Para Ser Testemunha De Jesus e De Seus ensinamento


Estamos ainda no discurso escatológico ou apocalíptico na versão de Lucas. Não podemos nos esquecer que o evangelho de Lucas foi escrito depois da destruição de Jerusalém que aconteceu em 70 d. C na guerra dos judeus contra Roma em 66-70 d.C. O fim de Jerusalém é, para Lucas, uma prefiguração do fim. As perseguições eram fatos e não se tratava de uma previsão. Quando o evangelista Lucas escreveu seu evangelho, a comunidade cristã já tinha muita experiência de perseguições, cárceres e martírios por parte dos inimigos e muita experiência de dificuldade, divisões e traições dentro da própria comunidade.


Ser Cristão e Perseguição


 “Antes que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome”.


Jesus não nos engana jamais. Ele nunca prometeu que neste mundo seríamos aplaudidos e que o caminho cristão seria fácil. Ele nos avisou: “O servo não é maior que seu senhor. Se eles me perseguiram, também vos perseguirão...” (Jo 15,20). O que Ele nos garante é que salvaremos a vida pela fidelidade, e que Ele dará testemunho diante do Pai daqueles que deram testemunho d’Ele diante dos homens (cf. Mt 10,32-33). Ele nos encoraja: “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33). O verdadeiro amor e a verdadeira fidelidade são testados sua genuinidade, principalmente, nos momentos de provação.


Lucas convida, assim, a comunidade cristã a trilhar o caminho da fidelidade e da coragem, o caminho que o próprio Senhor trilhou, mesmo diante da repressão violenta das estruturas do poder, sinagogas, e reis, e mesmo perante a morte violenta (Lc 21,12). Se Jesus Cristo venceu a morte, o maior inimigo da humanidade, o cristão não tem mais nenhuma razão de ter medo. Se o mal avançar, a confiança em Deus deve avançar muito mais porque Deus sempre terá a última palavra e não o mundo. O que importa para uma comunidade cristã é a vivacidade da esperança. É a esperança que arranca o homem de uma existência sem futuro e sem expectativas. A tristeza e o desânimo são um sinal da ausência de uma verdadeira esperança cristã que no fundo provém de uma falta de fé.


A Igreja, ao longo de sua existência até no momento, tem tido a mesma experiência: os cristãos são caluniados, odiados, zombados, perseguidos e levados à morte. Mas continua a valer o ditado: “O sangue dos mártires é a semente da Igreja” (Tertuliano). Quantos mártires, de todos os tempos, também de nosso tempo, nos estimulam com seu admirável exemplo. Não somente os mártires de sangue, mas também os mártires silenciosos da vida diária que continuam cumprindo o evangelho de Jesus Cristo e vivem segundo os critérios dos ensinamentos de Cristo fazendo o bem sem nenhum barulho.


Quando o mundo odeia os cristãos por serem honestos e justos, e por isso, incomodam o mundo, é um sinal de que os cristãos vivem de acordo com os ensinamentos de Cristo. A presença de um justo e honesto sempre incomoda os desonestos e corruptos. Ser odiado pelo bem praticado, pela verdade testemunhada, pela justiça vivida, pelo amor fraterno adotado na convivência, pela honestidade em qualquer negócio, pela retidão no comportamento, pela transparência no olhar é, paradoxalmente, um grande aplauso e é um dos maiores elogios que um ser humano ou um cristão possa ter sobre a face da terra.


Ser Cristão e o Testemunho


Segundo Jesus, cada dificuldade ou perseguição deve se tornar uma oportunidade de dar testemunho dele: “Mas isto será para vós uma ocasião de dar testemunho de mim” (v.13).


Por incrível que pareça a perseguição é o momento oportuno para o cristão porque é uma ocasião de anunciar a Boa Nova, de dar testemunho sobre o bem maior; é uma oportunidade de evangelização. Para São Paulo, por exemplo, foram úteis todas as perseguições para evangelizar: era meio paradoxal de dirigir-se às mais altas autoridades na época (cf. At 26,1; 18,12; 24,1; 25,1). Na Carta aos Filipenses, São Paulo escreveu: “Meus irmãos, quero fazer-vos saber que os acontecimentos que me envolvem estão redundando em maior proveito do Evangelho” (Fl 1,12).


Ser testemunha era a identidade dos discípulos de Jesus. O anúncio da palavra de Deus e o testemunho de vida são palavras-chaves e inseparáveis na obra de Lucas, de modo especial na segunda obra (Atos dos Apóstolos). Testemunhar significa provar com a própria vida aquilo que se fala, se professa e no que se acredita, assumindo todas as conseqüências. Testemunhar Jesus é provar com a própria vida que é ele o sentido profundo de nossa vida e da vida do mundo; que Jesus é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,16); que Jesus é a ressurreição e a vida (Jo 11,25); que Jesus é a Luz do mundo (Jo 8,12); que Jesus é o Pão da vida para o mundo (cf. Jo 6,22-71), e assim por diante.


Para Jesus o testemunho tem que chegar até o fim, até as ultimas conseqüências a fim de ganhar a verdadeira vida, a vida em plenitude, a vida eternamente com Deus. A salvação para cada um de nós e para melhorar o mundo, a família, o trabalho, depende da perseverança no caminho da justiça, do amor e da fraternidade. Por isso, Jesus disse: “É pela perseverança que mantereis vossas vidas” (Lc 21,19).


A capacidade de resistir precisa haurir a confiança em Deus, confiança que tem que ser sempre renovada na oração. Como cristãos rezamos sem cessar, pedindo a graça da perseverança final. Estamos, todavia, conscientes de que isto leva consigo a disponibilidade para nos converter, porque estamos conscientes de que a nossa fidelidade é continuamente posta à prova e de que está exposta a contínuas tentações. Podemos ser tentados tanto do exterior (escândalo) como do interior (tentação). É precisamente no momento da tentação que entra em ação a capacidade de resistir. Lembre-se de que o nosso velho Adão está sempre à espreita ou continua a nos observar ocultamente.


Cristo pronunciou Sua Palavra sobre nós, cristãos. Seu Espírito nos faz compreendermos o sentido da Palavra do Senhor. A Igreja (todos os cristãos), unida a Cristo, Palavra do Pai, se converte, assim, em uma Palavra viva, em Evangelho vivente do Pai para todos os homens. Cristo nos instruiu com Sua Palavra e com Seu exemplo para nos torne em anunciadores de Seu Evangelho não somente com os lábios e sim com a vida. Cristo entregou sua vida para que tenhamos vida (cf. Jo 10,10). Por nossa vez, temos que ser vida para os outros. Sejamos pão de Cristo para os demais que carecem o sentido da vida.
P. Vitus Gustama,svd

27/11/2018
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VIVAMOS COM PLENA VIGILÂNCIA O PRESENTE NA ESPERA DA VINDA DO SENHOR
Terça-Feira da XXXIV Semana Comum


Primeira Leitura: Apocalipse 14,14-19
Eu, João, 14 na minha visão, vi uma nuvem branca e sentado na nuvem alguém que parecia um “filho de homem”. Tinha na cabeça uma coroa de ouro e, nas mãos, uma foice afiada. 15 Saiu do Templo outro anjo, gritando em alta voz para aquele que estava sentado na nuvem: “Lança tua foice, e ceifa. Chegou a hora da colheita. A seara da terra está madura!” 16 E aquele que estava sentado na nuvem lançou a foice, e a terra foi ceifada. 17 Então saiu do templo que está no céu mais um anjo. Também ele tinha nas mãos uma foice afiada. 18 E saiu, de junto do altar, outro anjo ainda, aquele que tem o poder sobre o fogo. Ele gritou em alta voz para aquele que segurava a foice afiada: “Lança a foice e colhe os cachos da videira da terra, porque as uvas já estão maduras”. 19 E o anjo lançou a foice afiada na terra, e colheu as uvas da videira da terra. Depois, despejou as uvas no grande lagar do furor de Deus.


Evangelho: Lc 21,5-11
Naquele tempo, 5 algumas pessoas comentavam a respeito do Templo que era enfeitado com belas pedras e com ofertas votivas. Jesus disse: 6 “Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído”. 7 Mas eles perguntaram: “Mestre, quando acontecerá isto? E qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?” 8 Jesus respondeu: “Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu!’ E ainda: ‘O tempo está próximo’. Não sigais essa gente! 9 Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim”. 10 E Jesus continuou: “Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país. 11 Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu”.
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Deus Espera De Cada Um De Nós Algum Bom Fruto De Nossa Vida Até o Último Minuto De Nossa Vida


Vi uma nuvem branca e sentado na nuvem alguém que parecia um ‘filho de homem’. Tinha na cabeça uma coroa de ouro e, nas mãos, uma foice afiada”.


Esta imagem, como todas as outras, não há de tomar em sentido espacial. A “nuvem” é o símbolo da presença divina: Deus estava presente na coluna de nuvem do deserto, e na Transfiguração, uma nuvem luminosa envolvia Jesus. A cor “branca” é o símbolo da vitória. A posição “sentada” é o símbolo de solidez, de poder/autoridade. Os mestres, ao ensinar os discípulos, estavam em posição sentada. É o verdadeiro "rei"  do universo simbolizado por uma coroa de ouro na cabeça.


“Tinha uma foice afiada”. A história humana tem uma direção; aponta a um desenlace. O Apocalipse anuncia a chegada da colheita. É o tempo da verdade; o tempo para ver, não as folhas das palavras e sim os frutos das obras. O tempo não engana. A verdade aparece e todo engano e mentira ficam para trás, nenhuma desculpa na hora da verdade, pois já foi dado o tempo para se desculpar e se converter. Não há mais espaço para retórica e nenhuma publicidade é necessária nem é possível: o trigo amadureceu, e vai para o lugar seguri, e o joio vai ser queimado. Todos vao chegar, um dia, para este tempo de colheita. Em nossos dias e nossa própria vida há algo que está amadurecendo. Chegará a colheita!


A messe está pronta para a conheita. A uva está madura para colhida. Cordeiro, Cristo, é o Juiz da história. Vem sobre uma nuvem branca, símbolo da divindade. Chegou o momento do juízo de Deus, a hora da verdade. Nessa Hora todos saberão quem vence e quem é derrotado. Na parábola do trigo e do joio Jesus tinha avisado: “Deixa-os (trigo e joio) crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro” (Mt 13,30).


O Apocalipse põe diante de nós a grande imagem da colheita cósmica, para castigar os adoradores da Besta, os idólatras, o castigo "no grande lagar da ira de Deus", que é descrito com um evidente exagero literário, para expressar a seriedade e universalidade do julgamento de Deus.


A intenção do autor do Apocalipse é animar os crentes para que continuem fieis até o fim, pois serão vitoriosos: o tom de todo o livro é de vitória e festa para os seguidores do Cordeiro. Por isso, não se pode ter medo diante do aparente potência do poder mundano, pois chegará seu fim. No fim da história haverá salvação ou fracasso total de acordo com a vida vivida durante a passagem por este mundo.


O Apocalipse nos fala sobre o trigo maduro e a última colheita. Trigo para pão; uvas para vinho. Como não recordar aquela Última Noite (Última Ceia) quando o Corpo do Senhor e Seu Sangue foram oferecidos como o Último Banquete ? Ele mesmo disse: "de agora em diante não beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus" (Lc 22,18).


Na mesma linha da Primeira Leitura, as palavras do Senhor no Evangelho de hoje anunciam uma devastação incomparável: do belo templo, reconstruído com tanto esforço, não haverá "pedra sobre pedra". A justiça de Deus abarcará toda injustiça, nada ficará impune. Nada escapará.


No entanto, estas palavras não são convite ao pânico. Cristo nos quer vigilantes e que sejamos capazes de discernir. A Palavra do Senhor não depende do tamanho de nosso medo e sim do tamanho de nosso designio no qual se conjugam amor, sabedoria e poder divino.


Viver Na Permanente Vigilância Na Espera Da Vinda Do Senhor


A partir de hoje até o próximo sábado lemos o “discurso escatológico” de Jesus que se encontra em Lc 21,5-36: fala-se dos acontecimentos futuros e os que se relacionam ao fim.


Como os dois outros evangelhos sinóticos (Mt 24-25; Mc 13), também o evangelho de Lucas encerra a atividade de Jesus em Jerusalém (Lc 19,29-21,38), antes de sua prisão, com o discurso sobre o fim ou discurso escatológico (Lc 21,5-36). Em seu lugar atual na tradição sinótica esse discurso é considerado como um discurso de despedida de Jesus que deixa à sua comunidade os últimos conselhos e advertências. Para Lucas a destruição de Jerusalém era um fato e as perseguições à comunidade primitiva uma realidade. Tanto Mateus como Lucas inspiram seu discurso escatológico do evangelho de Marcos capítulo 13.


No texto do evangelho deste dia, o evangelista Lucas nos relatou que alguns discípulos de Jesus comentaram sobre a beleza do Templo pela qualidade da pedra (mármores) e das doações dos fiéis.


Nos tempos de Jesus, o Templo era recém-edificado. Sua construção começou 19 anos (dezenove anos) antes de Cristo. O Templo de Jerusalém era considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. Seus mármores, seu ouro e toda a ornamentação eram admirados pelos peregrinos.


Diante da admiração dos discípulos Jesus pronuncia algo profético: “Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra”.  Nesse mesmo lugar foi construído o Templo por Salomão até o ano 1.000 a.C e destruído por Nabuconosor em 586 a.C. Logo em seguida foi construído outro Templo por Zorobabel em 516 a.C. O Templo contemporâneo de Jesus foi destruído por Tito em 70 d.C e foi construído novamente em 687 por Mesquita de Omar no mesmo local.


Quando Jesus afirmou: “Tudo será destruído”, algumas pessoas perguntaram sobre o quando desse acontecimento: “Mestre, quando acontecerá isto? E qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?”. A maioria dos movimentos judeus populares na época de Jesus acreditava que o mundo se aproximava para seu fim. Para eles era iminente uma inevitável catástrofe universal. Todos viviam agitados.


Jesus estava por dentro dessa situação de inquietude e a aproveitou para fazer uma chamada especial. Para Jesus, o importante não era a data em que o mundo haveria de sucumbir. Para ele o importante era a finalidade deste mundo: “Para que estamos aqui neste mundo? O que podemos e devemos fazer para melhorar nossa convivência? O que podemos fazer para ser úteis para os demais? O que quer Deus de mim, de nós? para que eu estou no mundo? Qual é o destino da humanidade? Qual será meu fim? Para onde a vida vai nos levar? Será que a vida termina com a morte? Será que Deus nos criou por acaso ou por uma causa? Então, será que estou no mundo por acaso ou por uma causa? Qual esta causa?”. Para Jesus o tempo presente e o futuro se abriam como esperança: era o tempo definitivo da salvação com Sua presença. Era preciso ter uma mudança de mentalidade para mudar a maneira de viver. É preciso olhar para o alto (Deus) para podermos entender tudo que se passa no mundo. Em cada momento cada pessoa é chamada a transformar o mundo de morte num mundo de vida.


Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra”. Símbolo da fragilidade, da caducidade das mais esplêndidas obras humanas.  Precisamos refletir sobre a grande fragilidade de todas as coisas, sobre “minha” fragilidade, sobre a brevidade da beleza e da vida na história. Todos têm olhar para a verdade desta realidade, pois tudo será destruído. O que embeleza a vida humana são os valores como o amor, a bondade, a solidariedade, respeito pela vida, perdão mútuo etc. Tratam-se de valores que dignificam a vida humana e que nos levam à comunhão com Deus de amor (cf. 1Jo 4,8.16). Por isso é que São Paulo nos consola: “Sabemos que, se a nossa morada terrestre, esta tenda, for destruída, teremos no céu um edifício, obra de Deus, morada eterna, não feita por mãos humanas” (2Cor 5,1). O próprio Jesus nos promete: “Na casa de meu Pai há muitas moradas... vou preparar-vos um lugar e quando vos for preparado um lugar, virei novamente e vos levarei comigo a fim de que onde eu estiver, estejais vós também” (Jo 14,2-3). O que não será destruído são os valores.


Se tudo for destruído (menos os valores), então, somos chamados a estar vigilantes. Somos chamados a viver com sabedoria, com prudência, com fraternidade, com justiça, com verdade, com caridade, com compaixão, com amor, com fé e esperança que são valores que permanecem e que nos salvam. Quando tudo for destruído, estes valores permanecerão. A beleza sólida destes valores permanecerá, mesmo quando tudo o mais estiver reduzido a escombros. Se tudo o que é terreno será destruído, então, devemos temer perder Jesus, ser afastados dele eternamente, ser privados do seu amor e do seu coração. Somos chamados a amar um bem inefável, um bem benéfico, o Bem que cria todos os bens.


Cada cristão, como templo de Deus (cf. 1Cor 3,16-17), adornado com as belas pedras das virtudes cristãs, pode e deve perseverar no bem, resistindo às diversas provações e tentações. Nós cristãos temos um dever de ler os sinais dos tempos e de fazer um verdadeiro discernimento do bem e do mal, do verdadeiro e do falso, para não nos deixar enganar pelos falsos profetas e afastar do seguimento de Jesus Cristo, o único Salvador. Concretamente, devemos viver cada dia sob o influxo do Espírito de Deus, deixando-nos guiar pelos Seus dons, irradiando os Seus frutos, exercendo os Seus carismas, vivendo as bem-aventuranças (Cf. Mt 5,1-12).


Portanto, cada dia nós temos que voltar a começar de novo nossa história, pois cada dia é o tempo de salvação, se estivermos conscientes da provisoriedade da vida humana na história. Mas fazer a história com Deus é fazer a história de salvação. Vamos viver um dia de cada vez de maneira mais profunda para que, se Deus permitir, possamos viver o dia seguinte de maneira nova, pois trata-se de um novo dia de nossa vida (cf. Mt 6,25-34). Jamais podemos viver mais de dois dias de cada vez para que a angústia e a preocupação exagerada não nos dominem. Confiemos em Deus o nosso hoje!
P. Vitus Gustama,svd



sábado, 24 de novembro de 2018

26/11/2018
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GENEROSIDADE E DESPOJAMENTO DE UMA VIÚVA, FRUTO DE SUA FÉ EM DEUS
Segunda-Feira da XXXIV Semana Comum


Primeira Leitura: Apocalipse 14,1-3.4b-5
Eu, João, 1 tive esta visão: O Cordeiro estava de pé sobre o monte Sião. Com ele, os cento e quarenta e quatro mil que tinham a fronte marcada com o nome dele e o nome do seu Pai. 2 Ouvi uma voz que vinha do céu; parecia o barulho de águas torrenciais e o estrondo de um forte trovão. O ruído que ouvi era como o som de músicos tocando harpa. 3 Estavam diante do trono, diante dos quatro Seres vivos e dos Anciãos, e cantavam um cântico novo. Era um cântico que ninguém podia aprender; só os cento e quarenta e quatro mil marcados, que foram resgatados da terra. 4b Eles seguem o Cordeiro aonde quer que vá. Foram resgatados do meio dos homens, como primeira oferta a Deus e ao Cordeiro. 5 Na sua boca nunca foi encontrada mentira. São íntegros!


Evangelho: Lc 21,1-4
Naquele tempo, 1 Jesus ergueu os olhos e viu pessoas ricas depositando ofertas no tesouro do Templo. 2 Viu também uma pobre viúva que depositou duas pequenas moedas. 3 Diante disso, ele disse: “Em verdade vos digo que essa pobre viúva ofertou mais do que todos. 4 Pois todos eles depositaram, como oferta feita a Deus, aquilo que lhes sobrava. Mas a viúva, na sua pobreza, ofertou tudo quanto tinha para viver”.
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Quem Segue o Cordeiro, Experimentará a Vitória Final


O Cordeiro estava de pé sobre o monte Sião. Com ele, os cento e quarenta e quatro mil que tinham a fronte marcada com o nome dele e o nome do seu Pai”. É a citação da Primeira Leitura de hoje


Estamos na última semana do Ano litúrgico. São João, no Apocalipse, continua a animar os perseguidos despertando neles a esperança da vitória final. Como sempre ele usa uma linguagem simbólica.


João explicou que duas Bestas (o paganismo e o Império romano) se enfrentam com o reino do Cordeiro sobre a história (Ap 13,9-16). O Cordeiro está sobre o monte Sião com seu povo que lhe prestou sua adesão e que constitui um pequeno Resto dos perdidos no mundo inteiramente dominado pelas bestas inimigas. Este Resto e compõe, sobretudo, de virgens (Ap 14,4ª : que não se lê na leitura de hoje) e mártires (cf. Ap 7,14). Para o autor do Apocalipse, a virgindade é o contrário da idolatria que é, efetivamente, apresentada como uma prostituição no Antigo Testamento. Os 144 mil são virgens porque se negaram a adorar a Besta. A virgindade, como o martírio (Ap 7) é a característica do povo de Deus na medida em que ele rompe com o culto aos falsos deuses e aos poderes mundanos.


O 144 mil é simbólico. Doze é a figura de Israel. Doze simboliza a unidade e a totalidade do povo eleito. 144 mil é o quadrado de doze: doze multiplicado por doze. Mil representa uma quantidade muito grande.


A antítese entre os primeiros versículos de Ap 14 e a narração do capítulo precedente põe em destaque a oposição talhante que há entre a Besta e seus seguidores, por um lado, e o Cordeiro e seus seguidores, por outro lado. Através de umas descrições paralelas se ressalta a separação radical entre “os habitantes da terra”, adoradores da imagem idolátrica, e os 144 mil eleitos, propriedade indiscutível do Pai e do Cordeiro (ou seja, do Filho).


Estes 144 mil são os cristaos que permaneceram fieis até o fim, verdadeiros mártires. Eles guardam a fé e os mandamentos e que agora estão felizes com o Cordeiro vitorioso. Sua atitude martirial pode ser descrita com três características: seguem ao Cordeiro aonde quer que vá, tal como os Doze iam seguindo a Jesus; amam a verdade e recusam a falsa doutrina de Satanás e e da Besta; são virgens, pois não se prostituiram na adoração das imagens idolátricas e recusaram a fazer o jogo colaboracionista com o Imperador.


Quem é fiel aos mandamentos do Senhor até o fim, apesar das dificuldades e das violências encontradas no seu caminho, experimentará a vitória final. O mal não tem futuro. O bem, a bondade, o amor e assim por diante terminam com felicidade completa.


Nossa Generosidade É o Prolongamento Da Generosidade De Deus


No AT as viúvas fazem parte da classe dos pobres, mas são especialmente queridas aos olhos de Deus e que as protege com Sua lei (Is 10,2; Dt 26, 12-12; Eclo 35,17-19; Sl 94,6-10). No NT, especialmente nos escritos de Lucas (Evangelho de Lucas e Atos dos Apóstolos) aparecem também as viúvas como objeto de especial afeto por parte de Jesus (Lc 7,11-15; 18,3-5; 20,47; 21,2-4).


O evangelho fala da oferta dos ricos, mas o foco é a oferta de uma viúva pobre. A antítese ricos-pobres aparece freqüentemente no evangelho de Lucas e nos discursos escatológicos de Jesus. E segue o mesmo procedimento das bem-aventuranças onde a oposição entre ricos e pobres (Lc 6,20-24) serve para anunciar a iminência do Reino e a mudança das situações abusivas. Não se trata de fazer a apologia ou a crítica de uma situação social existente e sim para sublinhar a transformação que a chegada do Reino de Deus causa nas estruturas humanas. Uma pessoa do Reino não deixa ninguém na penúria ou na miséria. Uma pessoa do Reino acredita totalmente na providência divina e por isso, ela não tem medo de se doar. Uma pessoa do Reino sente o carinho paterno-materno de Deus. Uma pessoa do Reino sabe que Deus a ama e acredita no amor do Pai do céu.


Um Deus Que Nos Olha No Nosso Interior


A mulher neste evangelho, por ser pobre e viúva, fica escondida aos olhos das pessoas. Mas o olhar de Deus em Jesus Cristo é penetrante. Percebe até aquilo que se escapa do olhar humano. “Os olhos do Senhor estão  em todo o lugar, observando os maus e os bons”, disse o Livro de Provérbio (Pr 15,3). Jesus olha para a pureza do interior da viúva. E da sua boca sai este grande elogio: “Em verdade vos digo que essa pobre viúva ofertou mais do que todos. Pois eles depositaram aquilo que lhes sobrava. Mas a viúva, na sua pobreza, ofertou tudo quanto tinha para viver” (Lc 21,4).


O olhar é um dom precioso e fascinante legado pelo Criador. É uma das áreas humanas que mais chama a atenção das pessoas. O olhar é como uma bússola a guiar nossos passos, nossos gestos, nossas atitudes. O olhar sempre está aí atento a um ou outro detalhe. Os olhos determinam um pouco ou muito do que somos. E o olhar é sempre anterior às nossas palavras.


É tão natural olhar, que nem nos damos conta desse misterioso gesto. Muitas vezes olhamos; poucas vezes, porém, nos encontramos. Alguns se limitam a olhar os outros para anotar seus possíveis defeitos. Não deixa de ser a mais trágica expressão de nossa crueldade.


O olhar superficial jamais enxerga alguém; os outros são objetos de curiosidade, de conversa. Muitos olham os outros para passar tempo; simples adorno sem sentido. Esses olhares refletem nossa pobreza espiritual.


Quantos julgamentos poderiam ser evitados, se não julgássemos os outros a partir de nossa visão. Esses olhares podem jogar no nosso rosto aquilo que não somos. A maioria dos julgamentos que fazemos é por ouvir dizer ou através de certas observações nem sempre condizentes com a verdade. Existem certas pessoas que têm o hábito de observar os outros para ter motivos de falar mal deles; há outros que, sem ter o que fazer na vida, ficam mexericando e intrometendo-se na vida alheia. Nada mais feio e abominável para um cristão!


Há aqueles olhares que reduzem os outros a meros objetos: o olhar de desejo, o olhar de ciúme, o de vingança, o de rancor etc.


Como cristãos, somos convidados a vestir a sublimidade do olhar de Jesus. Sublime é aquilo que é perfeito, altivo, pomposo, nobre, muito bonito, elevado, encantador, maravilhoso, divino, esplêndido.


Neste momento também Deus olha para você com um olhar penetrante. Ele olha para aquilo que você está pensando e imaginando: suas preocupações, suas alegrias, suas dores, suas murmurações, suas decepções, suas críticas e assim por diante. Mas será que esse mesmo Deus, no seu silêncio, faz um elogio também para você, como ele elogiou a viúva despojada? Ou como é que Deus olha para você neste momento e em todos os momentos de sua vida? Você está consciente de que Deus está sempre de olho em você? De que maneira também você olha para os outros? O que você olha mais nos outros?


Para termos os olhares de Jesus, temos que limpar o nosso coração, porque os olhos são as janelas de nossa alma, de nosso coração.


Uma Viúva Que Nos Ensina A Vivermos No Despojamento Total Por Causa Da Fé Em Deus


A viúva em sua condição de mulher, pobre e marginalizada fez um enorme esforço ao depositar a oferenda para Deus. Dava tudo o que era necessário para sua vida. Trata-se de uma decisão do próprio coração sem nenhuma influência de outras pessoas. Como se ela quisesse dizer para si própria: “Tudo é de Deus até o pouco que tenho. Ele é o Pai, Criador do céu e da terra. Ele sabe o que fazer com minha vida daqui em diante”. Consequentemente, ela entregava totalmente sua vida ao serviço de Deus com amor e humildade. Trata-se de uma mulher de grande fé e por isso, de uma mulher de grande despojamento. É uma mulher de grande espírito. Aquele que está aberto ao Espírito de Deus, deixa-se inundar permanentemente pela graça e pelo amor de Deus. a abertura de espírito à graça de Deus torna uma pessoa cheia de fé na providência divina.


Jesus aproveita a situação da viúva para instruir seus discípulos e discípulas acerca do valor das oferendas. Para Deus não se oferece o que nos sobra, aquilo que podemos prescindir. A verdadeira oferenda para Deus acontece quando damos o que somos e temos. Para Deus precisamos entregar, antes de tudo, nossa vida. Nós damos nossa vida generosamente porque sabemos que Deus fará com ela o melhor para nós mesmos, para nossa comunidade e para a humanidade em geral. A vida pertence a Deus e por isso, Ele sabe o que fazer com nossa vida. Basta crer n’Ele.


Não importa a quantidade daquilo que damos para Deus e para o próximo e sim o amor com que damos. Não importa se dermos muito ou pouco, mas que coloquemos o amor naquilo que damos. Não importa se fizermos muito ou pouco para os outros, para a Igreja, para a comunidade, mas que coloquemos o amor naquilo que fazemos. O amor transforma tudo em obra prima, pois nada é pequeno quando o amor é grande. Deus não valoriza a quantidade, mas o amor com que fazemos as coisas.


Ao entregar tudo para Deus o que tinha, a viúva nos ensina a não ficarmos apegados às coisas. Porque, neste mundo, durante nossa passagem, não temos poder para possuir. Temos apenas o direito de usar as coisas criadas por Deus. Quando terminarmos nossa vida nesta terra nada nós levaremos. Tudo que é deste mundo vai ficar aqui neste mundo.


Quem tem o apego às coisas perde a liberdade, pois as coisas começam a mandar nele. Podemos possuir as coisas terrenas, mas não podemos ser possuídos por elas para não perdermos nossa liberdade de filhos e filhas de Deus. Desapego é o caminho de libertação.


Ser de Deus e acreditar em Deus é servir e dar, não aquilo que sobra e sim a si mesmo. Nisto daremos de coração e Deus vê nosso coração: ”Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”.
P. Vitus Gustama,svd

sexta-feira, 23 de novembro de 2018


Domingo,25/11/2018
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SOLENIDADE DE CRISTO, REI DO UNIVERSO
XXXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM


I Leitura: Dn 7,13-14
13 “Continuei insistindo na visão noturna, e eis que, entre as nuvens do céu, vinha um como filho de homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença. 14 Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam; seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá”.


II Leitura: Ap 1,5-8
5 Jesus Cristo é a testemunha fiel, o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, o soberano dos reis da terra. A Jesus, que nos ama, que por seu sangue nos libertou dos nossos pecados 6 e que fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai, a ele a glória e o poder, em eternidade. Amém. 7 Olhai! Ele vem com as nuvens, e todos os olhos o verão, também aqueles que o traspassaram. Todas as tribos da terra baterão no peito por causa dele. Sim. Amém! 8 “Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus, “aquele que é, que era e que vem, o Todo-poderoso”.


Evangelho: Jo 18,33b-37
Naquele tempo, 33bPilatos chamou Jesus e perguntou-lhe: “Tu és o rei dos judeus?” 34Jesus respondeu: “Estás dizendo isto por ti mesmo ou outros te disseram isto de mim?” 35Pilatos falou: “Por acaso, sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?” 36Jesus respondeu: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”. 37Pilatos disse a Jesus: “Então tu és rei?” Jesus respondeu: “Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.
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Solenidade Do Cristo Rei, Do Universo


No XXXIV Domingo celebramos a solenidade de Cristo, Reio do Universo.   Esta solenidade foi instituída por Pio XI, que explica seu sentido na encíclica “Quas primas” de 11 de Dezembro de 1925. Para o papa, os grandes e vários males que afetam o mundo têm sua raiz no fato de que “a maioria dos homens se tinha afastado de Jesus Cristo e de sua lei santíssima”. Por isso, o papa crê que “não há meio para estabelecer e revigorar a paz do que procurar a restauração do reinado de Jesus Cristo. Seus frutos seriam a liberdade, a ordem, a tranqüilidade, a concórdia e a paz” entre os homens. Por isso institui a festa “de nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo”. O motivo anterior para a introdução da festa nesse ano foi a celebração do 16º centenário do Primeiro Concílio de Nicéia, que proclamou a igualdade de natureza entre Jesus e o Pai, base do reconhecimento de sua realeza.


A festa se apresenta, na estrutura atual do ano litúrgico, com sentido mais espiritual e escatológico. Sua colocação no último domingo do ano litúrgico faz com que se sintonize melhor com a perspectiva própria do final do ano imediatamente antes do advento. Jesus Cristo Rei surge, então, como a meta a que tendem o ano litúrgico e  de toda a nossa peregrinação terrestre: “Jesus Cristo é sempre o mesmo, ontem e hoje; ele O será para a eternidade” (Hb 13,8), “ o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim” (Ap 22,13). Assim, no final do ano litúrgico ergue-se a figura do Rei da Glória, “o fim da história humana, ponto de convergência para o qual tendem as aspirações da história  e da civilização, centro do gênero humano, a alegria de todos os corações e a plenitude  das suas aspirações...Vivificados e reunidos no seu Espírito, caminhamos em direção à consumação da história humana, a qual corresponde plenamente ao seu desígnio de amor: “recapitular todas as coisas em Cristo, tanto as do céu como as da terra” (Ef 1,10) [GS 45].


Fazemos Parte Do Reinado De Jesus Cristo


O texto lido nesta solenidade (Ano B) pertence ao Relato da Paixão de Jesus (Jo 18-19). Este texto quer responder duas perguntas importantes: Qual é o sentido da realeza de Jesus ? E por que os judeus e Pilatos recusam a realeza de Jesus?


Pilatos faz a Jesus uma pergunta: “Tu és o Rei dos judeus ?” (v.33). Aos olhos de Pilatos, o título “rei dos judeus” podia designar quer um chefe de bando buscando tomar o lugar das autoridades locais reconhecidas por Roma, quer um revolucionário zelote querendo expulsar os pagãos (poder romano) da Terra Santa. Pilatos estava certamente informado de que o povo judeu esperava um rei, chamado “Messias”, que ia restaurar a soberania de Israel (cf. Mt 27,22; Lc 23,2; Mc 15,32).  Jesus responderá solenemente nos vv. 36-37 . Três vezes ele dirá: o meu reino. Mas antes da resposta solene de Jesus, o evangelista João quer chamar a atenção dos leitores para um detalhe importante: Jesus não responde à pergunta imediatamente, mas formula, por sua vez, uma pergunta para Pilatos: “Estás dizendo isto por ti mesmo ou outros te disseram isto de mim?” (v.34) para mostrar que quem, na verdade, conduz a discussão é Jesus, e não Pilatos.


A primeira pergunta de Pilatos não nasce de uma avaliação pessoal dele (v.34), mas é formulada por sugestão dos judeus. Pilatos não percebe a advertência implícita que ele pode estar sendo manipulado. Com sua pergunta, Jesus quer induzir Pilatos a fazer a pergunta certa: “...O que fizeste?” (v.35). Daí é que se deve partir, da atuação de Jesus, não da interpretação que os judeus lhe conferem. Sua atuação mostra que ele é rei, mas de maneira totalmente diferente daquilo que os judeus queriam dar a entender.


Jesus insiste na origem de sua realeza: “O meu reino não é deste mundo” (v.36). Não há nada em comum entre a realeza de Cristo e a do mundo. A realeza do mundo manifesta-se no poder, na riqueza, na ambição, na imposição , na busca de si e é defendida pelas armas. Possuir, conquistar, exterminar são, para os homens, provas de força, mas para Jesus, eles são manifestação da fraqueza.


A realeza de Jesus se manifesta na doação de sua vida para que o povo possa viver (por isso é que a realeza de Jesus tem seu ponto alto na cruz)  , no amor e no serviço à verdade, e a única coisa que pretende é a obediência à verdade. A verdade não precisa de outra defesa senão ela mesma. Não precisa das armas de que os homens se valem para defender a precariedade de suas conquistas. Jesus não elimina ninguém. Ao contrário, ele é que se entrega à morte para salvar os homens. Não faz  alianças com os grandes e poderosos, mas põe-se ao lado dos indefesos.  O reino de Cristo cresce onde se manifesta a atitude de serviço, a doação generosa em favor do irmão; onde cresce o respeito pelos outros e diálogo; onde reina a caridade fraterna; onde todos convivem como irmaos e irmãs, filhos e filhas do Pai Comum, Deus.


O texto termina com um apelo de Jesus a decidir-se pela verdade: “Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que  é da verdade escuta minha voz” (v.37). Para entender esta frase importa notar o sentido da palavra “verdade” e “escutar”.


O que é verdade?


Na filosofia a verdade se define como conformidade da inteligência com seu objeto (Adaequatio intellectus ad rem), ou, ontologicamente, como conformidade da coisa com a inteligência (Adaequatio rei ad intellectum). Por isso, há a verdade lógica que é uma propriedade da inteligência que conhece, e há também a verdade ontológica que é uma propriedade das coisas: a propriedade pela qual as coisas são conforme a seu tipo ideal (alétheia, termo grego que define a verdade como revelação do ente).


Mas no texto de hoje, a “verdade” deve ser entendida do ponto de vista bíblico (cf. Jo 1,14;14,6). A verdade significa lealdade, fidelidade, coerência e firmeza no pacto, na amizade, no amor. O que Jesus vem testemunhar é o reinado da veracidade do Deus fiel, que se manifesta na prática e na palavra de Jesus. É o contrário da mentira que é a incredulidade, a recusa de Jesus, a pretensão de ter Deus sem passar pelo caminho que é Jesus, uma vez que ele se dá a conhecer, que Jesus desmascarou em Jo 8, e que se manifesta nas intenções homicidas (cf. Jo 5,18ss; 8,37.40; 18,31). O reinado da verdade também é a prática do mandamento que Jesus legou como marca da pertença: o amor (cf. 15,9-17; 13,35). Por isso, quem serve à verdade, ele serve a Cristo. O cristão deve ser um homem que, em todas as situações da vida se conserva em total sinceridade. Portanto,, nem diante de si mesmo, nem diante dos outros homens, nem diante de Deus, finge ser ou ter o que não é nem tem. Quem falsifica a verdade, dando-lhe a cor que deseja, escurece a face de Cristo.  


Também para entender essa frase importa notar o sentido do verbo “escutar”, que foi empregado para expressar a relação das ovelhas e do Bom Pastor(Jo 10,27): trata-se não apenas de ficar ouvindo algo, mas de “se comprometer”. Escutar Jesus significa, então, se comprometer com a causa de Jesus.


Temos que reconhecer e aceitar, de uma vez por todas, que o Reino de Cristo não é um reino etéreo, reduzido à esfera do meramente psicológico e individual, mas que é uma realidade que busca alcançar a transformação radical do mundo. Cristo é um Rei Libertador, porque nos liberta (se nos deixarmos, é claro) de tudo o que nos impede de ser verdadeiramente homens.


Frente ao desejo consumista que nos revela e nos impede de viver com relativa paz, Jesus nos lembra que que quem coloca o valor de sua vida naquilo que possui materialmente é um néscio (Lc 12, 19-20). O homem vale pelo que ele vale a que está ligado/atado; se está ligado às coisas que são pagas, seu preço é dinheiro. Jesus nos ensina a buscarmos o Reino de Deuse sua justiça.


Frente às estruturas que tentam reduzir o homem a um produto em série, Jesus deixa claro que as leis e estruturas estão a serviço do homem e não o contrário. O testemunho evangélico não é dado com base numa boa organização: "destrói este templo e em três dias o reconstruirei" (Jo 2, 19); Espírito e liberdade, não leis, são a base da ação do homem.


Em frente dos preconceitos que destroem a paz do homem, Jesus não se importa de comer com publicanos e pecadores ignorando críticas dos que se acham "bons" (Mc 2, 15) ou falar com os samaritanos (Jo. 4, 6-9), mulheres (Lc 8, 1-3) e estrangeiros (Mc 7, 31).


Frente à violência que semeia a geografia do nosso planeta com sangue, Jesus nos propõe a liberdade de quem é capaz de romper com a espiral da violência (Mt 5,28ss). Quando o caso chegou, Jesus soube atacar, mas sem ódio nem violência, que é o que escraviza o homem.


Diante do medo que paralisa o homem e o reduz a um fantoche, Jesus propõe a liberdade do amor; nem medo de Deus, porque Ele é o bom Pai; nem medo dos homens, porque eles são nossos irmãos. O cristão não pode ter medo de nada nem de ninguém, porque sabe que é o próprio Deus quem dirige a história para a sua culminação universal (Lc 12, 32); nem mesmo a morte, porque Cristo triunfou sobre ela.


Diante da escravidão de buscar o êxito fácil, tão freqüente em nossos dias, Jesus propõe buscar o único êxito que vale a pena: o Reino de Deus. Diante da possibilidade de transformar pedras em pães, Jesus nos lembra que o homem não vive só de pão, mas da Palavra de Deus (Mt 4, 3ss). Os êxitos fáceis o máximo que conseguem é responder às necessidades imediatas; Agora, o homem está acorrentado à primeira solução que se apresenta, consertando assim uma pequena parte de seu problema, e ele não tem mais liberdade para enfrentar as coisas em profundidade.


Diante da escravidão do mal, em qualquer de suas formas, Jesus se apresenta como o libertador que traz o Reino do bem e dá aos seus a possibilidade de continuar fazendo o bem: pecado, doença, demônios, solidão ... de tudo isso o homem é livre se confiar em Jesus. É verdade que Jesus não faz o mal desaparecer "como que por mágica", mas Jesus se revela como o Senhor que domina o mal, que pode lhe dar uma solução, uma resposta, uma saída.


Frente à escravidão da morte, que domina todos os homens, cedo ou tarde, querendo ou não, são Paulo nos lembra que o batismo que nos ligou à morte de Jesus nos sepultou com ele, para que, assim como Ele ressuscitou triunfando sobre a morte e quebrando definitivamente suas correntes, nós também possamos começar uma nova vida, uma vida sem verdadeira morte (cf. Rm 6,3-4).


Diante da escravidão de ver o mundo sem futuro, sem saída, afirmamos em nossa fé que Jesus iniciou um novo mundo em que não haverá mais luto, nem lágrimas, nem morte, nem dor, porque antes passado e Deus faz tudo novo (Ap 21,3-5). Nossas dificuldades e sacrifícios não nos levam ao sem-sentido e ao absurdo, e sim à libertação e à obtenção de uma nova vida (Mc 13, 8).


Portanto, se pretendermos que Cristo nos reine, temos que ser coerentes, começando por entregar-lhe o nosso coração. Se deixarmos que Cristo reine no nosso coração, não nos converteremos em dominadores e prepotentes ou donos da verdade, mas seremos servidores de todos os homens. Servir os outros, como Cristo, exige que sejamos muito humanos. Se a nossa vida for desumana, Deus nada edificará sobre ela, pois normalmente não constrói sobre a desordem, sobre egoísmo e sobre a prepotência. Se não o fizermos, falar do reinado de Cristo será uma manifestação externa de uma fé inexistente.


“Cristo: Pregou o amor, e foi gratuitamente odiado;
Pregou a verdade, e foi abertamente rechaçado;
Pregou o perdão, e foi falsamente acusado;
Pregou a justiça, e foi injustamente condenado;
Pregou a liberdade, e foi violentamente aprisionado;
Pregou a igualdade, e foi grotescamente zombado;
Pregou a bondade, e foi cruelmente torturado;
Pregou a vida, e O mataram;
... e disse: ‘O discípulo não está acima do Mestre’ (Mt 10,24)”.
(René Juan Trossero)


P. Vitus Gustama,SVD