terça-feira, 29 de janeiro de 2019


30/01/2019
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SER CRISTÃO É SEMEADOR DO BEM
Quarta-Feira Da III Semana Comum


Primeira Leitura: Hb 10,11-18
11 Todo sacerdote se apresenta diariamente para celebrar o culto, oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, incapazes de apagar os pecados. 12 Cristo, ao contrário, depois de ter oferecido um sacrifício único pelos pecados, sentou-se para sempre à direita de Deus. 13 Não lhe resta mais senão esperar até que seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés. 14, De fato, com esta única oferenda, levou à perfeição definitiva os que ele santifica. 15 É isto que também nos atesta o Espirito Santo, porque, depois de terdito: 16 “Eis a aliança que farei com eles, depois daqueles dias”, o Senhor declara: “Pondo as minhas leis nos seus corações e inscrevendo-as na sua mente, 17 não me lembrarei mais dos seus pecados, nem das suas iniquidades”. 18, Ora onde existe o perdão, já não se faz oferenda pelo pecado.


Evangelho: Mc 4,1-20
Naquele tempo, 1 Jesus começou a ensinar de novo às margens do mar da Galileia. Uma multidão muito grande se reuniu em volta dele, de modo que Jesus entrou numa barca e se sentou, enquanto a multidão permanecia junto às margens, na praia. 2 Jesus ensinava-lhes muitas coisas em parábolas. E, em seu ensinamento, dizia-lhes: 3 “Escutai! O semeador saiu a semear. 4 Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; vieram os pássaros e a comeram. 5 Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; brotou logo, porque a terra não era profunda, 6 mas, quando saiu o sol, ela foi queimada; e, como não tinha raiz, secou. 7 Outra parte caiu no meio dos espinhos; os espinhos cresceram, a sufocaram, e ela não deu fruto. 8 Outra parte caiu em terra boa e deu fruto, que foi crescendo e aumentando, chegando a render trinta, sessenta e até cem por um”. 9 E Jesus dizia: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. 10 Quando ficou sozinho, os que estavam com ele, junto com os Doze, perguntaram sobre as parábolas. 11 Jesus lhes disse: “A vós, foi dado o mistério do Reino de Deus; para os que estão fora, tudo acontece em parábolas, 12 para que olhem mas não enxerguem, escutem mas não compreendam, para que não se convertam e não sejam perdoados”. 13 E lhes disse: “Vós não compreendeis esta parábola? Então, como compreendereis todas as outras parábolas? 14 O semeador semeia a Palavra. 15 Os que estão à beira do caminho são aqueles nos quais a Palavra foi semeada; logo que a escutam, chega Satanás e tira a Palavra que neles foi semeada. 16 Do mesmo modo, os que receberam a semente em terreno pedregoso, são aqueles que ouvem a Palavra e logo a recebem com alegria, 17 mas não têm raiz em si mesmos, são inconstantes; quando chega uma tribulação ou perseguição, por causa da Palavra, logo desistem. 18 Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a Palavra; 19 mas quando surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, sufocam a Palavra, e ela não produz fruto. 20 Por fim, aqueles que recebem a semente em terreno bom são os que ouvem a Palavra, a recebem e dão fruto; um dá trinta, outro sessenta e outro cem por um”.
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Com Jesus Na Luta Contra o Mal, Seremos Vitoriosos


O texto da Primeira Leitura de hoje pertence ao final da parte central da Carta aos Hebreus (Hb 5,11-10,18) que põe a superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio levítico (AT). No presente texto, o autor pede nossa atenção sobre dois dos argumentos que falam desta superioridade.


Em primeiro lugar, em contraste com o sumo sacerdote, Cristo, por sua vez, penetrou num Santuario eterno (Hb 10,12-13). Esta entrada simboliza sua ascensão ao Pai acima da cosmologia judaica representava sob a forma de uma tenda (Sl 103/104,2). Cristo penetrou num tabernáculo não feito por mãos humanas (Hb 9,11), isto é, este novo Tabernaculo não pertence à criação propriamente dita, e se sentou por cima dele.


O autor desenvolve nesta passagem uma ideia nova: o sacrifício de Cristo lhe confere uma investidura messiânica (Hb 10,13) à qual não podia aspirar o sumo sacerdote. Pela primeira vez, em Jesus Cristo, um ato sacerdotal termina numa investidura real.


Em segundo lugar, em oposição aos múltiplos sacrifícios do templo, o sacrifício de Cristo é único (Hb 10,12.14): tudo se cumpriu de uma vez para sempre. Com efeito, ao oferecer sua vida e seu sangue, Jesus transcende tudo o que foi realizado anteriormente (Hb 9,9-12). Além disso, seu sacrifício aperfeiçoa quelquer que se beneficie dele (Hb 10,14), algo que nenhum sacrifício anterior podia fazer (cf. Hb 8,7-13). Finalmente, o sacrifício de Cristo abre para os seus o acesso aos bens espirituais e escatológicos. Enquanto que os sacrifícios antigos procuravam bens materiais.


Diante da humanidade que está em situação do pecado e de morte, ou seja, do afastamento de Deus, mais uma vez a Carta aos Hebreus que os sacrifícios religiosos humanos, tanto de Israel como dos outros povos e religiões não servem para resolver este problema de pecado. Mas Cristo conseguiu para sempre com um só sacrifício, a reconciliação perfeita da humanidade com Deus.


O pecado é negação de Deus, negação do irmão, negação de si próprio e da própria dignidade. O que fez Jesus foi entregar sua própria vida, por solidariedade total com os homens. Deus decidiu resolver o conflito do pecado com sua própria dor, com a própria entrega. A morte salvadora de Cristo é o grande ato de amor que Deus fez para a humanidade pecadora.


Quando participamos da Eucaristia escutamos que o vinho é “o Sangue da nova e eterna aliança para remissão dos pecados”. E somos convidados a comungar com “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.


Ainda que haja uma sacramento especifico deste perdão, o da Reconciliação, também a Eucarsitia nos faz partícipes da vitória de Cristo contra o pecado, da reconciliação que nos conseguiu, entregando-se a si mesmo, pagando a dívida que devíamos.


A Eucaristia nos deve encher de confiança, mas também de estímulo. Porque apesar da vitória de Jesus Cristo sobre o pecado, nós continuamos lutando em nossa vida contra o mal que mora dentro e fora de nós mesmos. A Eucaristia nos dá força para seguir a Jesus Cristo e consequentemente para obter também com Ele a vitória.


Ser Seguidor De Cristo É Ser Semeador Do Bem Onde Estiver


Até agora percebemos que Jesus é um Mestre diferente. Suas palavras, seus gestos e sua maneira de tratar os outros qualificam Jesus como um Mestre diferente. Ele não marginaliza ninguém. Ele chama os excluídos para uma convivência fraterna, os perdidos para o bem sem envergonhá-los. Ao contrário Ele os ensina a não fazerem juízo sobre si próprio e sobre os demais. Jesus atua com naturalidade, mas também com autoridade que incomoda os dirigentes (cf. Mc 2,1-3,6). Jesus usa sua autoridade para o serviço do homem: dos marginalizados (leprosos), dos enfermos, dos endemoniados, curando-os e libertando-os do mal. Sua autoridade se direciona, especialmente, para os últimos. Para os pecadores Ele oferece o perdão. Jesus também sabe lidar com a crítica, com a calúnia (Mc 3,20-23) e com o perigo de morte (Mc 3,6) sem deixar de ser coerente com as próprias escolhas: sempre busca o bem, inclusive o dos adversários, pois o que conta na vida é fazer a vontade de Deus que nos converte em família de Jesus (Mc 3,31-35). Jesus é, verdadeiramente, Mestre de vida, Mestre com força profética da advertência para que os ouvintes jamais compactuem com a maldade.


A partir desse Mestre diferente começamos a aprender a viver e a conviver de uma forma nova, a ver a realidade e as pessoas de maneira respeitosa e fraterna. Ser discípulo desse Mestre diferente significa aprender uma forma nova de viver e de conviver: que o outro merece respeito e tratamento fraterno. Para isso, a lei do amor deve circular dentro das pessoas e entre as pessoas.


Agora Jesus é nos apresentado como Aquele que ensina servindo-se de parábolas (Mc 4,1-34). A palavraensinar/ ensinamento” se repete três vezes: “Começou a ensinar”, “ensinava em parábolas”, “em seu ensinamento lhes dizia”. Sabemos que quando na Sagrada Escritura se repete uma palavra três vezes é porque quer dizer algo importante. Ensinamento significa que Jesus trabalha como mestre que se propõe comunicar algo, que quer levar seus ouvintes ao caminho de conhecimento.


Ao ensinar Ele tomou a atitude de um mestre: sentou-se. Sua cátedra não é a da sinagoga e sim uma barca. Os destinatários de seus ensinamentos através das parábolas são a multidão: “Anunciava-lhes a Palavra por meio de muitas parábolas como essas, conforme podiam entender; e nada lhes falava a não ser em parábolas” (Mc 4,33-34).


O ensinamento da parábola do semeador não se refere, antes de tudo, aos ouvintes da palavra e sim aos semeadores, ou seja, aos evangelizadores, o primeiro dos quais é Cristo e depois dele são todos os demais evangelizadores, os quais não podem pretender ser mais do que o próprio Mestre Jesus Cristo.


Chama atenção sobre o trabalho do semeador: é um trabalho abundante, sem medida, sem distinção. Ele semeia para todos os tipos de terreno. O fracasso não é o mais do semeador, mas da capacidade receptiva e acolhedora do terreno para deixar a semente crescer e dar fruto. A partir do semeador, no Reino de Deus não existe trabalho inútil, nada se desperdiça. 


Ainda que aos olhos dos homens a grande parte do trabalho do evangelizador pareça inútil e vão (apenas 30% do resultado), ainda que os fracassos pareçam ser somados aos fracassos (semente que virou plantinha mas depois secou/morreu), Jesus se transborda de alegria e de certeza, pois a hora de Deus vai chegar e com ela terá uma coleta abundante, superior a toda súplica e imaginação (resultado de 100%). O que mais importante é que cada um produza frutos: 30%, 60% ou 100%. Que cada um se esforce para produzir algo de bom sem se preocupar com um grande resultado. De todas as formas, êxito ou fracasso, desperdício ou não desperdício, o trabalho da semeadura não tem que ser calculado, acautelado, precavido. Ninguém deve nem pode antecipar o juízo de Deus nem sequer o semeador tem direito a fazer isso. Sobretudo nãoque escolher o terreno ou lançar as sementes em uns terrenos e em outros não. O semeador lança a semente para todos os terrenos sem distinção. O cristão é aquele que faz o bem e semear a bondade sem olhar para a pessoa para quem o bem é feito.


Por outro lado, na aplicação dessa parábola, Mc insiste em acrescentar a necessidade da disposição dos ouvintes. Mc coloca algumas disposições interiores e pessoais para que a Palavra ouvida seja entendida, cresça e frutos. As principais disposições são: abertura e sensibilidade aos valores do Reino (como um terreno aberto), resistência diante do espírito mundano, e liberdade interior ou um coração limpo de tudo que é mau ou ruim. Em outras palavras, para que a Palavra fruto é necessário ter um coração bom, leal e perseverante. A Bíblia sempre recorda para a necessidade da perseverança quando fala da . A continuamente entra em provação. Mas para que frutos dela é necessário resistir com valentia e ter coragem e paciência. Não é possível ser cristão sem a perseverança.


Concretamente, o que esta parábola nos quer ensinar? Precisamos pensar no valor da semente ou do grão de trigo. A semente ou o grão de trigo serve para nos alimentar para que possamos viver e sobreviver enquanto estivermos nesta terra. A semente ou o grão de trigo representa tudo o que é bom e útil para a edificação de um ser humano. Precisamos ser semeadores de tudo o que é bom, útil e verdadeiro para uma boa convivência fraterna. Precisamos alimentar os outros com o que é bom e verdadeiro. Para isso, precisamos nos alimentar, primeiro, com tudo o que é bom e verdadeiro, pois ninguémaquilo que não tem. Não é cristão aquele que semeia o que é mau ou ruim. O evangelho usa um termo para este tipo de pessoa como inimigo de Deus que semeia o joio no meio de trigo (Mt 13,25). Este tipo de pessoa trabalha à noite para significar as trevas que dominam sua vida. O trabalho do cristão é semear as sementes da bondade, do amor, da solidariedade para o próximo, para qualquer pessoa sem nenhuma qualificação, poisDeus não faz distinção de pessoas” (At 10,34). A bondade é o único investimento que nunca falha, pois Deus é o Bem maior. Como diz um ditado popular: “Deus pode tardar, mas nunca falha”. O cristão não tem que se preocupar com a colheita ou resultado, mas que semeie! A semente da bondade e da capacidade de fazer o que possa edificar os outros não pode deixar morrer na mão. O cristão tem que plantá-la para os outros e nos outros. Lembre-se o cemitério é o lugar de decomposição. O que é bom, útil e verdadeiro, temos que fazer antes disso. O resto é apenas uma pura vaidade que vale a pena largar. Sejamos bons e perseverantes semeadores do bem!


Você é um cristão que produz 30%, 60% ou 100% na vida da Igreja do Senhor? O que impede a Palavra de Deus de produzir todo seu fruto em nós: as preocupações, a superficialidade, as tentações do ambiente? Às vezes a culpa pode ser de fora: pedras e espinhos da vida que sufocam a bondade. Mas a culpa pode ser nós mesmos, pois viramos um terreno estéril e não abrimos todo nosso coração para a Palavra de Deus que nos dirige. Pensemos nisso!
P. Vitus Gustama,SVD
29/01/2019

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SER MEMBRO DA FAMÍLIA DE JESUS E PERMANECER NELA
Terça-feira Da III Semana Comum


Primeira Leitura: Hb 10,1-10
Irmãos, 1. A Lei possui apenas o esboço dos bens futuros e não o modelo real das coisas. Também, com os seus sacrifícios sempre iguais e sem desitencia repetidos cada ano, ela é totalmente incapaz de levar à perfeição aqueles que se aproximam para oferecê-los. 2 Se não fosse assim, não se teria deixado de ofercê-los, se os que prestam culto, uma vez purificados, já não tivessem nenhuma consciência dos pecados? 3 Mas, ao contrário, é por meio destes sacrifícios que, anualmente, se renova a memória dos pecados, 4 pois é impossível eliminar os pecados com o sangue de touros e bodes. 5 Por isso, ao entrar no mundo, Cristo afirma: “Tu não quiseste vítima nem oferenda, mas formaste-me um corpo. 6 Não foram do teu agrado holocaustos nem sacrifícios pelo pecado. 7 Por isso, eu disse: Eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade”. 8 Depois de dizer: “Tu não quiseste nem te agradaram vítimas, oferendas, holocaustos, sacrifícios pelo pecado” – coisas oferecidas segundo a Lei- 9 ele acrescenta: “Eu vim para fazer a tua vontade”. Com isso, suprime o primeiro sacrifício, para estabelecer o segundo. 10 É graças a esta vontade que somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas.


Evangelho: Mc 3,31-35
Naquele tempo, 31chegaram a mãe de Jesus e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. 32Havia uma multidão sentada ao redor dele. Então lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão fora à tua procura”. 33Ele respondeu: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” 34E olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. 35Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.
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Jesus Cristo Se Sacrificou Para Nos Santificar Para Sempre


O texto da Primeira Leitura se encontra na seção central da Carta aos Hebreus (Hb 7,28-10,18), onde se desenvolve o tema mais importante da Carta: a função mediadora de Cristo. Concretamente, fala-se da causa de uma salvação eterna (Hb 10,1-18). Nestes versículos o autor explica a substituição dos sacrifícios antigos pelo sacrifício único e definitivo de Cristo. O texto parte de uma terminologia e conscepções da liturgia judaica. Mas pretende notar a diferença entre os sacrifício antigos e o sacrifício de Cristo.


A Carta aos Hebreus afirma que as instituições do AT eram uma sombra e uma promessa, que em Cristo Jesus tiveram seu cumprimento e sua verdade total.


Os sacrifícios de antes não eram eficazes, porque “é impossível eliminar os pecados com o sangue de touros e bodes” (Hb 10,4). Por isso, tinham que fazer de maneira permanente, isto é, ano atrás de ano e dia atrás de dia. Os sacerdotes do AT não ofereciam sua própria vida, e sim a vida dos animais; não se comprometiam propriamente em seu sacrifício. Desta maneira, sua vida profana ficava à margem da vítima sacrificada ou santificada. O culto, meramente exterior, não afetava radicalmente ao que oferecia. Tudo isso passava em Israel e também em todas as religiões.


Mas Cristo, sendo ao mesmo tempo sacerdote e vítima, interioriza o culto e se compromete no culto de toda sua vida. Seu culto é toda sua vida, e toda sua ida até a morte é seu único culto a Deus. Jesus Cristo se ofereceu em sacrifício a si mesmo no lugar dos animais sacrificados. O Salmo 39 serve para o autor da Carta aos Hebreus para descrever a atitude de Jesus já desde o momento de sua encarnação: “Tu não quiseste nem te agradaram vítimas, oferendas, holocaustos, sacrifícios pelo pecado, mas formaste-me um corpo. Eu vim para fazer a tua vontade”. É um dos Salmos que melhor retratam Jesus Cristo e sua atitude ao longo de sua vida e de sua morte. Viver é para Jesus já desde o princípio cumprir em tudo a vontade do Pai, e nisto consiste o verdadeiro caráter sacrifical de sua vida e de sua morte na Cruz. Cristo exerce seu sacerdócio não como membro de uma classe sacerdotal. Cristo oferece sua vida e entrega seu espirito ao Pai não num âmbito sagrado, no templo, e sim em meio da sociedade e fora da cidade santa, elevado na Cruz, que foi plantada sobre uma colina. Por esta entrega de Cristo, de uma vez para sempre “todos nós ficamos santificados”.


O autor acentua a atitude de Cristo nos primeiros versículos (Hb 10,5-6). O principal é a aceitação do plano do Pai, o cumprimento de seus desígnios. Mas fica muito claro que o Pai não deseja sacrifícios expiatórios como se necessitasse deles para voltar a ser benévolo para o homem. Tampouco se pode dizer que a vontade do Pai é que o Filho morra. O texto presente fala da aceitação por parte de Cristo da vontade do Pai ao entrar no mundo. Cristo leva até o fim a vontade do Pai com todas as suas consequências, especialmente a morte na cruz derramando seu sangue para salvar os homens. O preço do homem é o sangue de Cristo derramado na Cruz. Cada homem, qualquer homem é valioso diante dos olhos de Deus. Deus não mede seu amor pelo homem; é totalmente incondicional. Este tema está enormemente sublinhado na Carta aos Hebreus.


Participar no sacrifício de Cristo é sempre e radicalmente cumprir, como Ele, a vontade de Deus. Cada Eucaristia ou missa na qual recordamos a vida, a morte e a ressurreição de Cristo é para nós uma exigência a cumprir como Cristo a vontade do Pai. Não esqueçamos, por outra parte, que o Reino de Deus virá quando os homens cumprirem a vontade de Deus. Por isso, no Pai-Nosso pedimos: “Venha a nós o Vosso Reino e seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu”.


Ser Membro Da Família de Jesus


O evangelista Marcos vai relatar mais tarde em Mc 4,1-9 a parábola da semente que cai em diferentes terrenos. Mas de antemão ele ilustra dizendo-nos que a família de Jesus não é necessariamente o ideal terreno. A não se pode confundir com o contexto sociológico nem se pode reduzir a sentimentos humanos ainda que sejam fraternos ou familiares.


Pela segunda vez, até agora, Jesus é procurado pelos parentes seus (cf. Mc 3,21). “Tua mãe e teus irmãos estão fora à tua procura”, disse alguém para Jesus. Aqui, a mãe, sem nome, representa a origem de Jesus onde se criou; seus irmãos são os membros dessa comunidade ligados à instituição judaica.


Como resposta Jesus disse: “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe. Para Jesus os laços de sangue, os laços familiares, os laços sociais são indispensáveis e reais, porém não é licito encerrar-se neles. Aprendemos da afirmação de Jesus que o Reino é um agrupar-se, como irmãos e companheiros, unidos agora por uma forçafamiliarque é distinta da “carne e o sangue”: a opção convencida pela Causa de Jesus como a Causa absoluta da própria vida. Se essa Causa se converter verdadeiramente em meu ideal máximo, então eu vou sentir e considerar todos os que lutam pela mesma Causa comominha mãe e meus irmãos”.


No Reino de Deus, a fraternidade cristã não se funda nos vínculos de carne e sangue e sim no espírito comum: fazer a vontade do Pai. Levaram o nome de Jesus os que vivem em seu coração o que foi para Jesus a razão de ser de sua vida: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35). O amor fraterno ou o amor mútuo é a norma de vida do cristão.


É surpreendente o tamanho do coração de Jesus: universal e grande como o universo, pois é aberto para toda a humanidade: “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.  Jesus se sente irmão de todos aqueles que fazem a vontade do Pai que se resume no amor fraterno (ágape). Graças ao coração de Jesus que nos possibilita a fazermos parte da família de Jesus ao fazermos a mesma vontade de Deus. Graças a Jesus, cada cristão tem um numero grande de irmãos, de irmãs, de mães e de pais no mundo inteiro ao fazer algo comum: a vontade de Deus. É uma felicidade sem limite ter Jesus como nosso irmão. Tudo isso nos enche de alegria. Somos filhos e filhas de Deus em Jesus e somos irmãos entre nós, como rezamos no Pai Nosso (Mt 6,9-15). Ao aceitarmos Jesus Cristo e ao vivermos seus ensinamentos, entramos na comunidade nova do Reino.


E nesta comunidade nova temos como Mãe comum: Maria, a Mãe de Jesus, o grande exemplo na vivência da Palavra de Deus. Ela é a mulher crente totalmente disponível para e diante de Deus. Maria acolheu antes o Filho de Deus, o Verbo de Deus (Jo 1,1-2) em seu coração por meio da e depois ela acolheu-O em seu seio por sua maternidade. Ela O educou a ponto de seu filho crescer “na sabedoria e na graça diante de Deus e dos homens” (Lc 2,52). Neste sentido, Maria é duplamente a Mãe de Jesus: dela ele nasceu e ela é a primeira discípula de Jesus por causa de seu “Fiat”: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Vossa Palavra” (Lc 1,38). Maria, antes de ser Mãe fisicamente foi a Mãe espiritualmente. Antes de o Anjo do Senhor lhe anunciar a grande mensagem, ela vivia aberta a Deus. Ela colaborou ativamente durante toda sua vida no plano de salvação. “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.  Por isso, Maria é, para nós, nossa boa Mestra porque foi a melhor discípula na escola de Jesus. Ela nos assinala o caminho da vida cristã: escutar a Palavra de Deus, meditá-la no coração e levá-la à prática.


Por isso, cada cristão jamais pode se sentir solitário, pois ele tem, no mundo inteiro, seus irmãos e irmãs, pais e mães que rezam por ele em qualquer celebração eucarística e em outras celebrações. Conseqüentemente, cada cristão deve ter um coração universal e do tamanho do universo no qual possam caber todos. Um coração que ama é sempre espaçoso. Quanto mais o cristão ama, mais espaço ele terá no seu coração para todos como o coração de Jesus.


Será que faço parte da família de Jesus? Será eu estou consciente de que todo homem é meu irmão? Será que tenho consciência de que toda mulher é minha irmã, minha mãe por causa de Deus que é o Pai de todos? Será que a fidelidade à vontade de Deus ocupa primeiro lugar na minha vida e em todas as minhas decisões? Será que posso afirmar que eu sou membro da família de Jesus?


Para Refletir Mais
“Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos? Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

É certo que a família é a célula básica da sociedade ainda que ela sempre se encontre em crises. É certo também que na família recebemos normalmente amor, cuidados, educação e apoio. Porém, não é menos certo que abramos nossa família para uma família mais extensa, se quisermos amadurecer e assumir nossa própria existência: transformar nossa família em família de Jesus onde cada um de seus membros vive de acordo com os ensinamentos de Jesus. A família definitiva é a família dos filhos e filhas de Deus, os homens e as mulheres que querem construir uma família justa e pacífica, solidária e compassiva de acordo com o querer divino. A porta de entrada para a casa de Jesus, para a nova família de Jesus é fazer a vontade de Deus. Tudo o mais fica relativizado: a família, propriedades, pátria, estado até mesmo a própria vida. Por isso, no evangelho de Mateus Jesus disse: “Quem ama pai ou mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem ama filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim” (Mt 10,37).

No circulo de Jesus somente há lugar para a fraternidade, a nota característica dos membros dessa sociedade alternativa que Jesus vem implantar com a Judá de seus novos “irmãos, irmãs e mãe”. Da “sociedade alternativa” ou comunidade de seguidores de Jesus somente podem fazer parte dela aqueles que cumprem o desígnio de Deus, Seu projeto, Sua utopia que não é outra que fazer do mundo uma família, uma fraternidade universal. Para fazer do mundo uma família, temos que viver profundamente a espiritualidade familiar: um se preocupa com o outro, um protege o outro, um se solidariza com o outro, um ama o outro incondicionalmente como uma mãe ou um pai de uma família que ama seus filhos gratuitamente, sem mérito algum. Se o Deus em quem acreditamos é Uno e Trino, logo esse mesmo Deus quer que todos formem uma família. Toda família humana tem, então, em Deus Uno e Trino seu espelho perfeito. A própria família humana de Jesus, conhecido como a Sagrada Família de Nazaré é um grande exemplo para qualquer família humana. Todos na família humana de Jesus vivem de acordo com a vontade de Deus: Maria obedeceu totalmente à vontade de Deus (cf. Lc 1,38) e exemplo como uma mãe educadora, pois “Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2,52); José, pai adotivo de Jesus não mostrou nenhuma resistência diante do plano de Deus (cf. Mt 1,18-25; 2,13-23; e o próprio Jesus faz da vontade de Deus seu alimento diário (cf. Jo 4,34). E no fim de sua vida terrestre, Jesus rezou tanto pela união e unidade de todos (cf. Jo 17,20-23).
P. Vitus Gustama,svd

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

28/01/2019
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UNIR-SE A JESUS CRISTO PARA ELIMINAR O PODER DO MAL
Segunda-Feira Da III Semana Comum


Primeira Leitura: Hb 9,15.24-28
Irmãos, 15 Cristo é mediador de uma nova aliança. Pela sua morte, ele reparou as transgressões cometidas no decorrer da primeira aliança. E, assim, aqueles que são chamados recebem a promessa da herança eterna. 24 Jesus não entrou num santuário feito por mão humana, imagem do verdadeiro, mas no próprio céu, a fim de comparecer, agora, na presença de Deus, em nosso favor. 25 E não foi para se oferecer a si muitas vezes, como o sumo sacerdote que, cada ano, entra no Santuário com sangue alheio. 26 Porque, se assim fosse, deveria ter sofrido muitas vezes, desde a fundação do mundo. Mas foi agora, na plenitude dos tempos, que, uma vez por todas, ele se manifestou para destruir o pecado pelo sacrifício de si mesmo. 27 O destino de todo homem é morrer uma só vez, e depois vem o julgamento. 28 Do mesmo modo, também Cristo, oferecido uma vez por todas, para tirar os pecados da multidão, aparecerá uma segunda vez, fora do pecado, para salvar aqueles que o esperam.

Evangelho: Mc 3, 22-30
Naquele tempo, 22os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Beelzebu, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios. 23Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: “Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? 24Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. 25Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se. 26Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído. 27Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. depois poderá saquear sua casa. 28Em verdade vos digo: tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, como qualquer blasfêmia que tiverem dito. 29Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno”. 30Jesus falou isso, porque diziam: “Ele está possuído por um espírito mau”.
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Jesus Cristo É o Nosso Eterno Sumo Sacerdote Que Tirou Nossos Pecados e Intercede Por Nós Para Sempre


Cristo é mediador de uma nova aliança. Pela sua morte, ele reparou as transgressões cometidas no decorrer da primeira aliança. E, assim, aqueles que são chamados recebem a promessa da herança eterna”.


O texto da Primeira Leitura faz parte da seção absolutamente central para a Carta aos Hebreus (Hb 9,11-28). Esta parte é dedicada para o sacrifício eficaz e definitivo de Jesus Cristo.


Neste capítulo 9 e no capítulo anterior da Carta, o sacerdócio de Cristo é apresentado como algo diferente e superior ao sacerdócio do Antigo Testamento. O Templo de Jerusalém, construído por homens, era apenas uma imagem pálida do verdadeiro templo ou casa de Deus. A distância que vai da terra para o céu, do trabalho dos homens para a obra de Deus, não é maior que a distância que separa o sacerdócio de Cristo de qualquer outro sacerdócio. Pois somente Cristo entra no céu e oficia diante do próprio Deus.


Por isso, a palavra “sacrifício” aqui não pode ser entendida no sentido expiatório nem sequer principalmente cultual. O sentido fundamental do autor é apresentar a morte de Jesus Cristo como o momento de sua total intercessão, sua “ordenação sacerdotal”, que une para sempre Deus com o homem e o homem com Deus, eliminando os obstáculos que se opõem para esta união. Este era um dos sentidos, para não dizer principal, dos sacrifícios antigos pelo qual não resulta inadequado falar da morte de Cristo com esta categoria. Cristo oferece a si mesmo uma vez e de verdade. Por isso, o sacrifício de Cristo é mais que suficiente para acabar com o pecado e constitui o momento culminante de toda a história.


Dentro deste sentido, a Eucaristia (missa) não é uma repetição do único sacrifício de Cristo e sim sua atualização. É o próprio sacrifício de Cristo feito presente na fé e para a fé da Igreja. De maneira que nós cristãos temos ocasião de nos associar ao sacrifício de Cristo, de nos comprometer com Ele em sua entrega a Deus por todos os homens. Aceitar Cristo, Pão da Vida, é entregar a vida para o bem dos irmãos como fez Jesus.


Deus estabelece que o homem morra uma só vez (Hb 9,27). Também Cristo morreu uma vez só como todos os homens. Mas Cristo cumpriu de uma vez por todas, fazendo de sua vida um único sacrifício válido para sempre. Assim alcançou o perdão para todos os homens que creem nele. Jesus não voltará para começar de novo para voltar a morrer e alcançar outra vez o perdão. Crer em Jesus Cristo é viver e morrer como Jesus Cristo e esperando sua vinda. Se Deus estabelece que o homem morra uma só vez, isto dá seriedade para nossas vidas e nos carrega de responsabilidade.


O efeito da ação de Cristo é definitivo. Porém, o efeito não é automático. É preciso pensar em sua eficácia autêntica, na real destruição do negativo, do pecado, que Cristo levou a cabo com sua morte (e Ressurreição). Aceitar Cristo é esforçar-se para destruir o pecado que cria a barreira entre o homem e Deus. “O pecado e o inferno estão casados. A não ser que o arrependimento anuncie o divórcio”, disse um pregador britânico. Jesus jamais deixou o pecado e o inferno casados. Jesus é “o Cordeiro que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29).  Estar em união total com Cristo significa ganhar a força mais do que suficiente para combater o mal dentro de nós e entre nós e fora de nós.


Estar Com Cristo Para Combater o Mal


Voltamos novamente a acompanhar as controvérsias entre Jesus, de um lado e seus adversários (fariseus e escribas), de outro lado.


O evangelho deste dia nos relata que Jesus encara seus adversários vindos de Jerusalém, cidade onde ele sofrerá a Paixão e morte. Na discussão Jesus é considerado como uma pessoa “fora de si” (=louco) pelos parentes (Mc 3,21), e “Ele está possuído por Belzebu, chefe dos demônios”, pelos escribas (Mc 3,22). Em outras palavras, Jesus é recusado “pelos seus” e “pelas autoridades religiosas”. Jesus é recusado, desconhecido e ignorado. Jesus é contestado, não é escutado, não é seguido. Jesus é deixado de lado.


Até este ponto precisamos entrar no nosso íntimo para cada um se perguntar: “Qual é a minha maneira pessoal de recusar Jesus na minha própria vida? Quando foi que eu deixei de lado esse Jesus Salvador nas minhas decisões, no meu modo de me comportar? Quando foi que ignorei Jesus na minha vida e na convivência com os demais?”. Se Jesus que é a Luz do mundo (Jo 8,12) não ocupar seu devido lugar na minha vida, então a minha vida vai ser muito desorientada e escura. Em nossa vida temos que conjugar os esforços humanos com a confiança em Deus e a docilidade aos seus planos.


Jesus começou a ser conhecido pela multidão (Mc 1,28), pois Ele “fala como quem tem autoridade e não como os escribas” (Mc 1,22), pois Ele se preocupa com a dignidade de todas as pessoas, especialmente com os excluídos. A fama de Jesus também chegou aos ouvidos das autoridades. E estas começaram a fazer uma campanha de difamação contra Jesus. “Ele estava possuído por Beelzebu, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios”, dizem eles sobre Jesus. Ao chamar Jesus de “chefe dos demônios”, as autoridades querem dizer a todos que Jesus é o inimigo de Deus (gente de demônio) e por isso, não merece nenhuma credibilidade.  Ao desqualificar Jesus, eles querem desqualificar sua obra. Desta maneira eles poderiam impedir a crescente popularidade de Jesus. Trata-se de um jogo das autoridades para não perder o poder sobre o povo. Todo julgamento esconde a arrogância de quem se acha dono da verdade e também revela grande insegurança. Aquele que julga se comporta como soberano e crítico das ações alheias. Num mundo de trabalho interesseiro, num mundo de luta pelo poder, os bons, os justos, os honestos são sempre vitimas e são excluídos ou eliminados, mas o bem vivido ganhará reconhecimento de Deus (cf. Mt 25,40.45; 7,21-27).


Se aprofundarmos mais esse assunto, perceberemos que o que está em jogo na discussão com os adversários de Jesus é a luta entre o espírito do mal e o espírito do bem. Por isso, merece o duríssimo ataque de Jesus. O que eles fazem é considerado como uma blasfêmia contra o Espírito Santo. Pecar contra o Espírito Santo significa negar o que é evidente, negar a luz de Deus permanentemente, tapar-se os olhos para não ver, para negar a verdade, para negar a salvação definitivamente. Por isso, enquanto lhes durar essa atitude obstinada e esta cegueira voluntária, eles mesmos se excluem do perdão e do Reino. O Reino de Deus está aberto para quem quiser entrar nele.


Creio que nós não somos certamente dos que negam a Jesus permanentemente. Ao contrário, não somente cremos nele e sim que seguimos a Jesus e celebramos seus sacramentos e meditamos sua Palavra iluminadora. E nós cremos que Jesus é mais forte e por isso, Ele nos ajuda na nossa luta contra o mal. E para afastar o mal precisamos viver e praticar o bem, mas não simplesmente para afastar o mal. Fazer o bem é o verdadeiro caminho divino e por isso, precisamos optar por este caminho. Ser cristão não é apenas aquele que evita o mal, mas principalmente fazendo o bem ele afasta o mal. Se Jesus que é mais forte do que qualquer mal já está entre nós, então precisamos estar com ele permanentemente, colocando-o no centro de nossa vida para ganhemos também Sua força.


Mesmo assim, podemos nos perguntar se alguma vez nos obstinamos em não ver tudo o que teríamos que ver no evangelho ou nos sinais dos tempos que vivemos. Ao olhar para os escribas que julgaram Jesus sem piedade, não temos certa tendência a julgar drasticamente os que não pensam como nós, na vida de família, no trabalho, na comunidade ou na Igreja?


Na Vigília Pascal, quando renovamos o nosso compromisso batismal, fazemos cada ano uma dupla opção: renunciar ao pecado e ao mal e professar nossa fé em Deus. Hoje o Evangelho nos mostra Cristo como Libertador do mal para que durante toda jornada colaboremos com ele em tirar o mal de nosso meio.


Para Refletir Mais:


Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se”.


A divisão ou desunião é causa de uma grande fragilidade, de uma falta de força diante de qualquer desafio ou dificuldade. Dividir para dominar é uma das táticas de quem quer poder, de qualquer jeito. Como os fariseus e os escribas fazem com Jesus: difamar para dividir o povo. Onde tiver espaço para a desunião haverá entrada para o inimigo. Onde prevalecer o egoísmo, a soberba, a arrogância, não haverá espaço para o bem, e o mal tomará conta de tudo. Quem for na direção do mal, ele se afastará de Deus, pois o caminho que conduz para Deus é o caminho ao bem, à prática da justiça e do amor. “Deus, de quem separar-se é morrer, a quem retornar é ressuscitar, com quem habitar é viver”, dizia Santo Agostinho (Solil. 1,1,3).


A unidade, a solidariedade, a comunhão, a concórdia e assim por diante são aspirações de todos os tempos e para qualquer família humana. O homem aspira a paz, a concórdia, a fraternidade, a felicidade. “Vede: como é bom, como é agradável habitar todos juntos, como irmãos”, assim reza o salmista (Sl 133,1). Esse desejo ideal de comunhão procede do mais íntimo e profundo do homem, do ponto central onde Deus habita: o coração de cada pessoa. Cada ser humano é imagem de Deus. Deus não é divisão, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). Deus é um mistério de comunhão entre três que somente fazem um só.


O amor mútuo entre todos os irmãos que habitam em uma casa é a maior bênção. A unidade é força e ao mesmo tempo, é felicidade na família ou num grupo em que todos vivem juntos em harmonia. Se todas as pessoas têm o mesmo sangue que corre em suas veias, por que um irmão persegue, maltrata outro irmão? Por que um irmão discrimina outro irmão? Por que um irmão difama outro irmão? Por que um irmão destrói outro irmão?


Será que na minha vida familiar, matrimonial, profissional, eclesial há aspirações para a solidariedade, a unidade, a partilha, a comunhão?


Para participar na vitória de Cristo sobre as forças do mal que nos querem dominar temos que ser dóceis ao Espírito Santo e temos que reconhecer o poder que atua em Cristo.
P. Vitus Gustama,SVD