quinta-feira, 29 de dezembro de 2016




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ORAÇAO PARA O FIM DO ANO


Senhor Deus, Dono do tempo e da eternidade. Seu é o hoje e o amanhã, o passado e o futuro.


Os planos me pertencem, mas as horas Lhe pertencem, Senhor. Pois somente o Senhor tem uma bola de cristal sobre a minha vida e tenho apenas um mistério diante de mim que me chama a andar para entendê-lo mesmo que seja apenas uma porção dele para iluminar um pouco da minha caminhada diária.


Ao terminar este Ano quero Lhe dar graças por tudo que eu recebi de Sua bondade. Graças pela vida e pelo amor, pelas flores, pelo ar, pelo solo e pelo mar; pela alegria e a dor; por tudo que foi possível fazer.


Neste ultimo dia do ano quero Lhe oferecer tudo que eu fiz, o trabalho que consegui realizar, as coisas que passaram pelas minhas mãos e que com elas pude construir minha vida e convivência.


Quero também lhe apresentar, Senhor, as pessoas que amei ao longo deste Ano, as novas e as antigas amizades; os mais próximos e os mais distantes e os que estiveram conosco no ano anterior e que partiram para a eternidade; os que eu pude ajudar; os que deram a mão para me levantar para andar em comunhão comigo rumo à felicidade eterna cujo prelúdio se inicia neste mundo.


Mas também, Senhor, hoje eu quero pedir-lhe perdão. Perdão pelo tempo perdido, pelo dinheiro mal gastado, pela palavra dita inutilmente e pelo amor desperdiçado. Perdão pelos comentários maldosos. Perdão pelas minhas murmurações. Perdão pelo trabalho mal feito. Perdão por viver sem entusiasmo. Cure, Senhor, os corações que feri consciente ou inconscientemente. Que haja sempre o encontro de amor entre nós, mesmo que seja através de tantos sofrimentos e obstáculos.


Peço-lhe, Senhor, que complete o que ficou incompleto em mim. Aperfeiçoe o que ficou imperfeito. Enchei o que totalmente ficou vazio de amor no meu coração. Santifique o que foi maculado pelas manchas da falha humana consciente ou inconscientemente. No lugar de indiferença coloque mais ternura, na frieza mais amor, nas loucuras mais discernimento, na acomodação mais dinamismo, na discórdia mais concórdia, nas guerras mais paz, nas palavras mais gestos, nos interesses mais ética, na artificialidade mais valores, nas criticas mais sugestões construtivas, na inteligência mais sabedoria, e nas preocupações mais . Para que eu possa viver cada dia com otimismo e bondade levando para todas as partes um coração cheio de compreensão e paz. Abra, Senhor, meu ser para tudo o que é bom e digno, encha meu espírito somente de bênçãos para que eu seja uma bênção para todos para onde eu for e onde eu estiver. E dê-nos um Ano Feliz e ensine-nos a partilhar a felicidade para nossa felicidade seja completa. Ensina-nos, Senhor, a contar nossos dias para que venhamos a ter um coração sábio (Sl 89(90),12)

P. Vitus Gustama,svd
31 de Dezembro
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FIM DO ANO 


OLHANDO-SE PARA TRÁS A VIDA PODE SER COMPREENDIDA E OLHANDO-SE PARA FRENTE A VIDA PODE SER VIVIDA


Primeira Leitura: 1Jo 2, 18-21


18 Filhinhos, esta é a última hora. Ouvistes dizer que o An­ticristo virá. Com efeito, muitos anticristos já apareceram. Por isso, sabemos que chegou a última hora. 19 Eles saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos, pois se fossem realmente dos nossos, teriam permanecido conosco. Mas era necessário ficar claro que nem todos são dos nossos. 20 Vós já recebestes a unção do Santo, e todos tendes conhecimento. 21 Se eu vos escrevi, não é porque ignorais a verdade, mas porque a conheceis, e porque nenhuma mentira provém da verdade.


Evangelho: Jo 1,1-18


1 No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus. 2 No princípio, estava ela com Deus. 3 Tudo foi feito por ela e sem ela nada se fez de tudo que foi feito. 4 Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. 5 E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la. 6 Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. 7 Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. 8 Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz: 9 daquele que era a luz de verdade, que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano. 10 A Palavra estava no mundo – e o mundo foi feito por meio dela – mas o mundo não quis conhecê-la. 11 Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram. 12 Mas, a todos os que a receberam, deu-lhes capacidade de se tornar filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome, 13 pois estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus mesmo. 14 E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como Filho uni­gênito, cheio de graça e de verdade. 15 Dele, João dá testemunho, clamando: “Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim passou à minha frente, porque ele existia antes de mim”. 16 De sua plenitude todos nós recebemos graça por graça. 17 Pois por meio de Moisés foi dada a Lei, mas a graça e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo. 18 A Deus, ninguém jamais viu. Mas o Unigênito de Deus, que está na intimidade do Pai, ele no-lo deu a conhecer.
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Estamos no último dia do ano civil para entrar no primeiro dia do Ano Novo. Isto nos indica que a vida é realmente uma peregrinação ou uma viagem. E a Igreja recorda-nos que somos peregrinos. Ela mesma está “presente no mundo e é peregrina” (SC 2). Na peregrinação da vida dentro do tempo não há volta. Não há a marcha a ré. Por mais que as pessoas digam: “Ah! Se eu pudesse começar tudo de novo...”, mas nada disso acontece. Numa peregrinação tudo é para frente. Não tem volta: nem para as pessoas, nem para as coisas, nem para a história do mundo e da humanidade. O nosso nascimento já é um bilhete dessa peregrinação. Daí para frente tudo depende de nós na colaboração com a graça de Deus. Tudo é de nossa responsabilidade. Não dá para nascer novamente. Estamos em permanente peregrinação no tempo. Não há parada do ponto de vista temporal, nem quando dormimos, pois o tempo não pára. Fora e dentro de nós tudo continua em movimento. Mesmo que fiquemos sentados ou deitados, o tempo continua fluindo, nada pára. E somos responsáveis por cada momento dessa peregrinação.


Hoje ressoa em nossas celebrações e orações o fim do ano. E o texto do Evangelho lido neste fim de ano nos mostra Jesus, a Palavra do Pai, como ponto de referencia único da história. Por causa de Cristo o tempo é dividido antes e depois dele. Hoje podemos afirmar que todo nosso tempo, na vida humana e na , tem um único centro e critério: Jesus Cristo: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus e a Palavra era Deus. Ela estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ela, e sem ela nada foi feito. E a Palavra se fez carne e habitou entre nós”  (Jo 1,1-3.14).


O evangelho nos convida a contemplarmos este Jesus, Palavra divina feita carne, pois nela está toda a graça e o amor de Deus. Somente na vida concreta deste Jesus é que podemos encontrar a glória de Deus e o sentido de tudo, especialmente de nossa vida.


Podemos dar graças pelo ano que termina, pela salvação que Deus continua nos dando e pedir perdão pelo que há de “anticristo” em nós (1Jo 2, 18-21): somos anticristos quando temos critérios de “mentira”, e outros critérios que não são os de Jesus.


Em poucas horas este ano vai virar o passado. O passado é observável, mas não é modificável. O futuro é modificável, mas não é observável. Mesmo assim os eventos passados contribuem para o nosso agora. Nunca nos divorciamos de nosso passado. Estamos em companhia dele para sempre e ele nos introduz no presente. E nossa reações de hoje refletem nossas experiências de ontem e suas raízes estão no passado. Uma pessoa enfrenta o futuro, certamente, com o seu passado. E cada dia nos oferece preparação para o futuro, para as lições que virão, sem as quais não daríamos nossa plena contribuição para o projeto que contém a evolução de todos nós.


Por outro lado, reconhecemos que o passado e o futuro estão fora de nosso alcance. Não temos poder para voltar ao passado a não ser através de nossa memória. Nem temos uma bola de cristal para saber o que vai acontecer no próximo instante. A única realidade que temos é o presente. Não conversamos amanhã; não comemos amanhã; não morremos amanhã. Tudo acontece no nosso hoje. Se quisermos felizes no amanhã, sejamos felizes no hoje. Este instante é tudo que temos. podemos agir no momento presente ou nunca mais. É possível que tenhamos tido tempos no passado que foram especiais ou ruins para nós; pode ser que o futuro nos reserve momentos preciosos. Porém, o único tempo realmentenosso” é este instante em que estamos agora. Cabe a nós decidirmos o que fazer com este momento, este presente. Cada momento é meu para torná-lo belo ou doloroso de acordo com a minha escolha. A vida real tem lugar aqui e agora. Deus é presente. “Eu sou Aquele que é”, disse ele. Deus está presente neste momento, quer alegre ou triste. Quando Jesus falou de Deus, falou sempre de Deus presente onde nós estamos e quando estamos. Deus não é alguém que foi ou que será, mas Aquele-que-é; e que é para mim no momento presente. Deus me não como eu era e sim como eu sou neste momento. Eis porque Jesus veio para tirar de nós o peso do passado e as preocupações pelo futuro. Jesus nos diz: “Não fiquem preocupados com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações. Basta a cada dia a própria dificuldade. Pelo contrário, busquem primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e o resto será acrescentado por Deus ( Mt 6,25-34 )?


Este último dia do ano é uma boa ocasião para fazermos um balanço do ano que passou e fixarmos propósitos para o ano que começa. É uma boa oportunidade para pedirmos perdão pelo bem que não fizemos, pelo amor que nos faltou, pelo perdão que não oferecemos; também é uma oportunidade para agradecermos a Deus de todos os benefícios que nos concedeu.


Neste último dia do ano, nós como cristãos devemos viver esta mudança de ano a partir de uma triple atitude:


(1). A primeira atitude é a de ação de graças pela vida. Finalizamos mais um ano de nossa vida. E a vida é um dom e uma dádiva de Deus pela qual devemos dar graças. Muitas vezes nos faz falta a vivência de sentir nossa própria vida como uma dádiva que Deus nos fez. Se olharmos para nossa vida a partir do ponto de vista de dádiva, chegaremos a dizerComo é belo viver!”. Temos que dar graças por um ano vivido na graça de Deus.


(2). A segunda atitude é a de pedir perdão por nossas limitações e debilidades durante o ano que está terminando. É pedir o perdão pela falta de amor nas nossas conversas e em tudo que fizemos. Cada um de nós recebeu um número de talentos, mas nem todos conseguiram render os talentos. Martin Buber dizia: “A grande culpa do homem não é o pecado. A grande culpa do homem consiste em que em todo momento pode se converter, mas não o faz”. "O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer." (Albert Einstein).


(3). A terceira atitude é a de saber que tenho uma missão a cumprir neste ano novo que começa. O mesmo Martin Buber dizia: “Todos nós somos chamados a levar algo à plenitude no mundo”. A partir deste pensamento sabemos que sempre espera em alguma parte deste mundo alguma missão que tenho que realizar. Semprealguém em alguma parte deste mundo esperar que eu possa dar-lhe uma esperança nova. Sempre espera em alguma parte deste mundo uma dor que possa morrer em meu amor. Sempre espera em alguma parte da sociedade meu Deus em quem acredito, que me pede o amor para poder encarar tudo na vida, inclusive a dor da perda.


Que as luzes do Ano Novo que está para chegar nos mostrem a verdade de que ninguém chega antes ou depois, tirando menos ou levando mais da vida. Que neste ano novo possamos olhar para trás sem ferir os olhos de ninguém no que fizemos, sem perder no coração a do que nos resta a fazer. Precisamos começar o ano sem pisar em ninguém; começar o ano novo com o amor correndo por todas as veias, em todas as palavras, em todos os passos, em todos os encontros e diálogos; começar o ano novo com a maravilhosa promessa de fazer o bem. Que nos doze meses do ano que principiará, a , o amor e a esperança sejam uma riqueza constante em nossos lares, em nossos trabalhos e em qualquer lugar onde nos encontrarmos. Precisamos cortar o que precisa ser cortado; deixemos que nossa vida sangre um pouco para o nosso crescimento ao bem. Não nos deixemos arrastar por coisas passageiras. Abandonemos tudo o que nos entristeceu no passado. Esqueçamos as amarguras, as contrariedades. Não levemos para o ano novo ganâncias, nem mentiras. Leve somente soluções, respostas, aberturas, liberdade, justiça, amor e luz. Entremos no ano novo com a vontade de perdoar os erros dos outros. Não deixemos que o poder e o orgulho nos dominem.


Se começarmos o ano novo cheios de espírito de Deus, com o coração e a mente livres do ódio e da arrogância, conservando a alma livre de amarras, sem apegos aos ídolos do poder e da posse, então o ano novo será dos melhores. Deus nos conceda tudo isto! E FELIZ ANO NOVO!!!


P. Vitus Gustama,svd




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SAGRADA FAMÍLIA


                                       Texto: Mt 2,13-15.19-23


I. O relato da fuga da sagrada família para o Egito é histórico ou teológico?


A maioria dos exegetas atuais (como Raymond. E. Brown, veja El Nacimiento Del Mesias: Comentario a los Relatos de la Infancia. É um excelente comentário. Veja também C. Perrot: As Narrativas da Infância de Jesus Mt 1-2- Lc 1-2 Ed. Paulus) concorda que o relato da fuga da Sagrada Família ao Egito não é histórico no sentido moderno da palavra, mas é um relato teológico. Há dois argumentos principais:


1). A fuga para o Egito e a volta para Nazaré seriam incompatíveis com a cronologia do relato de Lucas (cf. Lc 2,22-40), segundo o qual quarenta dias depois do nascimento, da circuncisão e da apresentação do menino Jesus no templo, a Sagrada Família voltou para Nazaré de maneira absolutamente normal, sem nenhuma perseguição de ninguém.


2). Se o massacre das crianças de Belém tivesse de fato ocorrido, Flávio Josefo, que documentou os últimos anos do reinado de Herodes destacando particularmente sua crueldade, tê-lo-ia mencionado.


Os relatos têm uma clara intenção teológica, como mostra o fato de que cada um deles termina com o tema da realização das promessas do AT na vida de Jesus. Em cada um deles termina com o mesmo refrão: “...para se cumprir o que foi dito pelo profeta...”(Mt 2,15.18.23). Mt quer nos mostrar que Jesus é o cumpridor de toda a promessa do AT.


II. Mensagem do texto


1). Libertação do menino Jesus fugindo para o Egito tem como objetivo acentuar a soberania de Deus


Perante o nascimento de Jesus ou da revelação cristológica de Jesus há uma dupla reação.  A aceitação dessa revelação pelos gentios representados pelos magos que renderam a homenagem ao rei recém-nascido e o chamam de “o rei dos judeus”. A segunda reação é a de rejeição a essa revelação pelas autoridades judeus e sua perseguição de Jesus. Tudo isto é uma consequência tão real da Encarnação. Ao se tornar um de nós, o Filho de Deus se esvaziou totalmente de sua glória e assumiu nossa condição humana (menos o pecado): pobreza e impotência, trabalhos e fadigas, perseguições e ameaças de morte.


Mas mesmo tentando, os adversários não conseguem acabar com a vida de Jesus na infância(pois Jesus se escapa ao fugir para o Egito por orientação divina) nem são capazes de destruir Jesus na Paixão(pois Jesus ressuscitará). Isto quer nos dizer que quem realmente dirige o curso da história da salvação é o próprio Deus, pois ele é o Senhor da história. No fim ele terá a última palavra, e não o homem. Nenhuma força ou poder humano por maior que seja é capaz de bloquear o plano de salvação. Deus liberta seu Filho ao levá-lo para o Egito e depois o traz de volta para a terra de Israel. E o instrumento humano dessa libertação é José que obedece cegamente às ordens divinas, um homem que é descrito como “homem honrado/justo” (Mt 1,19), pois ele é um judeu exemplar que é fiel totalmente à lei. Se formos realmente fiéis à Lei divina, seremos usados também por Deus como seus instrumentos eficazes para libertar os outros de qualquer tipo de escravidão, mas ao mesmo tempo estejamos preparados para todo tipo de perseguição seja interna, da própria comunidade, seja externa, vem de fora da comunidade.


 2). José é o exemplo da obediência à voz de Deus.


Mesmo a maior atenção neste relato sendo Jesus, destaca-se também o lugar de José. Ele obedece à voz de Deus imediata e incondicionalmente: “José levantou-se de noite, pegou o menino e sua mãe, e partiu para o Egito” (Mt 2,14). Aqui encontramos três verbos de ação: levantar-se, pegar e partir/fugir. Sabemos muito bem o que significa acordar no meio da noite para fazer uma coisa importante ou para fugir de um perigo ou de um tiroteio. Se durante o dia temos tanta dificuldade, imagine à noite. O caminho da Sagrada Família para o Egito não foi uma viagem triunfal, mas cheia de sacrifícios.


Em Maria e José podemos ver o rosto de todas as mães e pais que cuidam e criam os filhos com muito sacrifício, muito dedicação por causa do amor que eles têm por eles.  Tudo isso nos faz lembrar de tantas mães que muitas vezes não dormem à noite inteira para estar com o filho doente ou ficam impotentes perante a doença incurável de um(a) filho(a) que está na beira da morte ou as mães que enfrentam uma fila enorme nos hospitais para evitar o(a) filho(a) da ameaça da morte. O Natal certamente é um momento oportuno para ver o nosso natal(nascimento) pelo qual podemos olhar para os nossos pais e seus sofrimentos ao nos criarem e a dívida que temos por eles.  


Mas quem está nos braços de José é Jesus, o Salvador. José aparentemente estava salvando o menino Jesus. Mas na verdade, era Jesus que salvou a Sagrada Família. Precisamos abraçar o nosso Salvador, Jesus Cristo para que ele possa salvar as nossas famílias. Não podemos dispensar Jesus Cristo nosso Salvador de nossos braços, de nossa família se quisermos salvá-la.


O que nos chama a atenção também nesta cena é que José não faz nenhuma pergunta do tipo da resistência diante da ordem divina. José simplesmente obedece à ordem divina. A obediência é total e incondicional. Para poder ouvir a voz de Deus e para poder obedecer às suas instruções, só uma coisa é necessária: que estejamos sempre, como Maria e José, como os pastores e os magos, com os ouvidos atentos e com o coração aberto, livre e disponível.


Falar hoje de obediência é quase impossível, pois toda e qualquer limitação da liberdade é anatematizada e rejeitada e gera um fortíssimo senso de repulsa. Isto acontece porque o verdadeiro conceito de obediência e a sua prática foram desvirtuados, sua riqueza de conteúdo esvaziada, sua necessidade para o progresso da vida da comunidade e do indivíduo esquecida, e sua fecundidade esterilizada.


A palavra “obediência” vem do latim “ob-audire” que significa auscultar, prestar atenção, tender o ouvido. Por isso, esta palavra indica um encontro, um relacionamento, um diálogo entre um “eu” e um “tu”. No AT não existe o substantivo “obediência”, e para exprimir esta noção, usam-se os verbos escutar, responder, fazer o que foi mandado. Por isso, a obediência, mais do que um ato, é um estado de espírito, de compreensão prévia, que abre o caminho para ouvir e ser ouvido, no sentido bíblico do termo. Obedecer é perder parte da própria liberdade, sempre que solicitados a solucionar os problemas dos outros. O exemplo da obediência é o próprio Jesus que se entregou totalmente à vontade de Deus. Pela obediência de Cristo todos se tornam salvos(Rm 5,19;Hb 5,8-9).


3). As famílias a partir da Sagrada Família


O texto nos mostra que apesar de a família de Jesus, Maria e José ser uma Família Sagrada, ela está também sujeita a toda espécie de sacrifícios e tribulações. Uma família que, apesar de santa e agradável a Deus, padece, angustia-se, sofre. Mesmo assim ela permanece unida nas dificuldades e nas desgraças, pois Jesus é o centro desta família.


Com facilidade podemos descobrir no Evangelho de hoje alguns dos grandes problemas familiares: a insegurança, a morte, que ronda e nem sempre conduzida só pela mão da natureza, mas pela violência; a necessidade de coragem para enfrentar as situações difíceis; a confiança em Deus; a prudência em tomar decisões sob a orientação divina pela oração contínua. É evidente a lição sobre a necessidade de união para cada família cristã a partir da Sagrada Família. Basta Jesus ser o centro de uma família, ela, com toda certeza, vai adiante apesar de todo tipo de dificuldade encontrada na caminhada, porque Jesus é o nosso Salvador. Quando Jesus Cristo se torna centro de uma família, ela se fortalece e seus membros sabem se amar. Que a Sagrada Família de Nazaré proteja e interceda por nossas famílias. Assim seja!


P. Vitus Gustama,svd

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016


30/12/2016

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APRENDER A CRESCER NA SABEDORIA E NA GRAÇA DE DEUS


30 de Dezembro


Primeira Leitura: 1Jo 2, 12-17


12 Eu vos escrevo, filhinhos: os vossos pecados foram perdoados por meio do seu nome. 13 Eu vos escrevo, pais: vós conheceis aquele que é desde o princípio. Eu vos escrevo, jovens: vós vencestes o maligno. 14 Já vos escrevi, filhinhos: vós conheceis o Pai. Já vos escrevi, jovens: vós sois fortes, a Palavra de Deus permanece em vós e vencestes o Maligno. 15 Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. 16 Porque tudo o que há no mundo – as paixões da natureza, a concupiscência dos olhos e a ostentação da riqueza – não vem do Pai, mas do mundo. 17 Ora, o mundo passa, e também a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.


Evangelho: Lc 2, 36-40


Naquele tempo, 36 havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido. 37 Depois ficara viúva, e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do Templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. 38 Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39 Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade. 40 O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.
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1. Testemunho da Profetisa Ana


O texto do evangelho deste dia é a conclusão da cena da apresentação de Jesus no Templo e tem duas partes. A primeira parte fala do testemunho da profetisa Ana. A segunda parte fala da volta da Sagrada Família para Nazaré onde Jesus cresce fortemente e cheio de sabedoria e está com a graça de Deus.


A figura feminina de Ana se corresponde com a figura masculina de Simeão, formando um par ideal no relato da apresentação do Menino Jesus no Templo.


O texto diz que “Ana, da tribo de Aser, era viúva e tinha 84 anos de idade”. O número “84” é um múltiplo de 12 (12 x 7), alusão às 12 tribos de Israel; enquanto que o numero “7” tem, entre outros, valor de globalidade.


A alusão à tribo de Aser a qual pertencia a profetisa Ana, uma das dez tribos do Norte, confirma o alcance de sua representatividade. A menção da “idade avançada”, situada já no limite, contrasta com a dupla menção da “idade avançada” de Zacarias e Isabel (cf. Lc 1,7.18). De um lado, Ana está muito arraigada ao passado (genealogia) e à instituição judaica (Templo). De outro lado, por sua qualidade de “viúva”, diz relação com o povo de Israel, que enviuvou de seu Deus, enquanto que como “profetisa” lança um grito de esperança diante da semelhante desastre nacional. Jesus veio como Deus-Conosco para não deixar o povo órfão na sua luta de cada dia.


Além disso, a figura de Ana nos faz pensar, em primeiro lugar, na dedicação calada e silenciosa a Deus. O bem não faz barulho e o barulho nas faz bem. O silêncio possibilita a presença da plenitude e dá oportunidade para Deus falar de Si próprio e de nós e de nossa vida. Quanto mais silêncio criarmos, mais inspiração nós teremos. Qualquer grande obra que existe sempre foi e é o fruto de horas de silêncio. O silêncio possibilita qualquer um usar devidamente palavras que serão ditas ou escritas para os outros. No silêncio cada um de nós pode se ver. O silêncio é o momento de privacidade que cada um de nós deve conservar. A pessoa que sabe conservar a privacidade é mais confiável e mais discreta e, por isso, tem mais credibilidade. Sem momento de privacidade tudo se torna vulgar. Tenho medo de que a vulgaridade possa invadir até o espaço sagrado. Tenho medo de que até nas palavras possamos ser vulgares. Quem não sabe ser dono da própria boca pode se tornar escravo das próprias palavras. O silêncio nos capacitar a medirmos as nossas palavras. Deus é um grande mistério. Somente poderemos penetrar neste mistério, se nos habituarmos em criar o silêncio no meio de nossos afazeres de cada dia. Não somos coisas e sim, somos obra sagrada que foi criada no silêncio.


A figura de Ana nos faz pensarmos também no espírito atento para as chamadas e manifestações de Deus. A atenção faz parte da espiritualidade cristã. Ser atento é ser vigilante. É saber estar ligado com tudo ao redor. O espírito atento faz alguém se perguntar: Será que alguém está precisando de alguma ajuda? Será que minha maneira de falar e de viver está incomodando a tranqüilidade dos outros? Somente quem tem espírito atento é que capaz de captar as chamadas de Deus e suas mensagens para nossa vida diária.


A figura de Ana nos faz pensar também na alegria da salvação que sempre é nos mostrada.  A consciência de que Deus sempre quer nossa salvação nos faz sempre alegres: “Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos!” (Fl 4,4). Quem tem Deus, sua vida tem futuro. Por isso, a alegria é a característica do cristão que vive na esperança, na expectativa e na certeza da ressurreição; que vive na certeza de uma vitória final que será realizada apesar dos sofrimentos, do fracasso aparente e da morte no presente: “Penso, com efeito, que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que deverá revelar-se a nós” (Rm 8,18). Por esse futuro garantido os cristãos jamais podem desistir de lutar por um mundo mais fraterno, mais justo, mais solidário e mais humano, onde um se preocupa com o outro, onde um protege o outro. Com efeito, a tristeza e o desânimo não são apenas sintomas de um profundo cansaço, e sim são um sinal da ausência de uma verdadeira esperança cristã que no fundo tem sua origem na falta de fé em Deus. A firme intenção de sermos portadores de alegria e o empenho em contagiar os outros com uma alegria santa, com alegria no Senhor, são uma defesa muito eficaz contra a perda da mesma.


2. Maria Educa Jesus na Sabedoria e na Graça


A segunda parte do evangelho fala da volta da Sagrada Família para Nazaré e Lc nos relatou que Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens (Lc 2,52).


“Jesus crescia em sabedoria...”. A palavra “sabedoria” provém do latim “sapere” que significa ter inteligência, ser compreendido; mas, propriamente, significa ter gosto, exercer o sentido do gosto, ter este ou aquele sabor. A sabedoria é o sabor que conduz ao sabor. É saborear para saber que mais tarde é o saber que permite saborear. A sabedoria é refinar o gosto pela vida. Com a sabedoria, a existência e a convivência se tronam mais saborosas. Por isso, a sabedoria é uma companhia indispensável para a existência e a convivência mais fraternas.


Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens (Lc 2,52).


Jesus também crescia na graça. O significado mais comum da graça é o de beleza, fascinação, amabilidade, indulgencia, perdão da pena, benefício absolutamente gratuito, livre e sem motivo, favor, e agrado. Graça também é um efeito do favor divino nas criaturas (homens/mulheres) que as tornam belas, encantadoras e amáveis. A beleza ou a bondade do homem explica o favor divino. A graça da criatura depende da graça de Deus. Pela educação dada por Maria, que é cheia de graça, Jesus acaba crescendo na amabilidade que o torna encantador, amável, bondoso para com todos desde sua infância. Na educação é impossível ser efetivo sem ser afetivo. A educação deve ser razão e coração. Na educação ensina-se a escutar, a aprender, a compreender, a amar e a empreender.


Este texto nos mostra que Maria (com José) é uma grande e perfeita educadora. Ela acompanha o crescimento de seu Filho não apenas no conhecimento humano (sabedoria), e na estatura, mas também na graça de Deus. Trata-se de uma educação completa, pois há um equilíbrio entre a espiritualidade e o conhecimento. O conhecimento tem uma função para servir a Deus e ao próximo. Nisto todo conhecimento tem uma função social e espiritual.


Quem pode assumir, primeiramente, essa missão de fazer filho crescer na sabedoria e na graça é a família. A família é o lugar privilegiado para a educação na justiça, no respeito mútuo, na solidariedade, no amor, na liberdade, na verdade, na sabedoria e na paz. A família é lugar privilegiado de encontro e de amor, lugar privilegiado de compreensão e de perdão, lugar privilegiado de criatividade e superação, lugar privilegiado da presença de Deus, pois Deus se fez carne em uma família humana.


Que a Sagrada Família nos conceda um pouco de sua sabedoria para nossas famílias para cada membro de cada família possa crescer na sabedoria e na graça diante de Deus e diante dos homens. Assim seja!


P.Vitus Gustama, SVD
29/12/2016

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ENCONTRO COM O SALVADOR


29 de Dezembro


Evangelho: Lc 2,22-35


22Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor. 23Conforme está escrito na Lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor”. 24Foram também oferecer o sacrifício – um par de rolas ou dois pombinhos – como está ordenado na Lei do Senhor. 25Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso, 26e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor. 27Movido pelo Espírito, Simeão veio ao Templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, 28Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: 29 “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; 30porque meus olhos viram a tua salvação, 31que preparaste diante de todos os povos: 32luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”. 33O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele. 34Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. 35Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti uma espada te traspassará a alma”.


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A cena da apresentação de Jesus-Menino no Templo é rica teologicamente. A antiga Aliança cede o lugar para a Nova, reconhecendo em Jesus-Menino o Messias e o Salvador universal dos povos. E a cena acontece no Templo, lugar da presença de Deus e da revelação profética.


Maria e José entraram no Templo como pobres para oferecer a Deus seu primogênito e para a purificação da mãe (cf. Ex 13,2-16; Lc 12,1-8). Na verdade, Maria como uma pessoacheia de graça” (Lc 1,28) não precisaria dessa purificação. Mas, como todas as mães judias, ela cumpriu fielmente a Lei ritual que prescrevia a purificação da impureza legal quarenta dias depois do parto de um menino, e oitenta dias depois do parto de uma menina (cf. Lv 12,1-8).


A apresentação do Senhor no Templo celebra uma chegada e um encontro. É a chegada do Salvador sonhado, núcleo da vida religiosa do Povo eleito e as boas vindas a ele pelos dois representantes dignos do povo eleito: Simeão e Ana. Ao nascer Jesus se manifestou, primeiramente, aos pastores representantes dos pobres e excluídos. Ao ser apresentado no Templo, Jesus se revela, primeiramente, aos doispobres de Javé”: Simeão e a viúva de 84 anos, Ana, que esperavam a libertação de Israel praticando a oração e o jejum. Não se mencionam os levitas nem os sacerdotes que executam os ritos da purificação de Maria e do resgate do Menino. No nascimento a revelação aconteceu ao ar livre: para os pastores. Agora o lugar de revelação é o Templo. O ancião Simeão e a viúva, Ana, deram boas vindas ao Salvador do mundo com grande alegria, e tão grande é a alegria a ponto de Simeão dizer:Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”.


Ao viver este mistério na , a Igrejanovas boas vindas a Cristo. É o momento do encontro de Cristo com sua Igreja. Isto vale para qualquer celebração na Igreja. Na celebração (eucarística) há o momento de encontro entre Jesus e todos nós. O verdadeiro encontro com Cristo na liturgia sempre causa a alegria e a felicidade, pois trata-se do encontro com o nosso Salvador. O verdadeiro encontro com o Senhor causa mudança na nossa vida para uma maneira melhor de viver a vida de acordo com o mandamento do Senhor resumido no amor fraterno, pois encontramos o sentido de nossa vida em Jesus. O verdadeiro encontro com o Senhor produz em cada um de nós muitos frutos bons para a convivência, pois começamos a permanecer em Jesus (Jo 15,5). O verdadeiro encontro com o Senhor nos torna reflexos do Senhor para os demais, iluminando os outros com nossa vida iluminada pelo Senhor. Não é por acaso que no Oriente a festa da apresentação do Senhor no Templo é chamada de a festa do Encontro.


Um dos maiores frutos do verdadeiro encontro com o Senhor é a prática do amor fraterno. Para a primeira Carta de São João, quem ama, vive na luz de Deus (cf. 1Jo 2,3-11). Quem odeia, vive nas trevas. Amar a exemplo de Jesus significa dar-se, esquecer-se de si mesmo, procurar o bem do outro até sacrificar os próprios interesses, as próprias idéias e a própria vida. O mandamento de amor universal deve ser vivido primeiro na comunidade de irmãos na fé. Quanto mais em profundidade se vivem a fé e o amor, mais atraídos se sentem todos a conhecer o testemunho do verdadeiro discípulo de Jesus. O amor fraterno tem um poder de atração tão grande a ponto de ser reconhecido por aqueles que se dizem ateus.


A apresentação do Senhor no Templo é um mistério da salvação. O nomeapresentação” tem um conteúdo muito rico. Fala de oferecimento, fala de sacrifício. “Sacrifício” significa fazer coisa sagrada (sacrum = “sagrado” + facere = fazer). A apresentação do Senhor no Templo recorda a auto-oblação inicial de Cristo que aponta para a vida de sacrifício desta auto-oblação no Calvário para salvar o mundo. A festa da Apresentação do Senhor nos convida e nos recorda que, como seguidores de Jesus somos convidados a fazer as coisas sagradas permanentemente para que possamos alcançar o feliz encontro derradeiro com Cristo, nosso Salvador. A festa da Apresentação aponta, então, para a vida de sacrifício, cheia de coisas sagradas feitas por cada um de nós, e para a perfeição final deste sacrifício na vida eterna.


Para Maria, a apresentação e oferta de seu Filho no Templo não é um simples gesto ritual. Para ela essa apresentação significa que ela oferece seu Filho para a obra da redenção com a qual ele estava comprometido desde o princípio. O nome “Jesus” que foi escolhido pelo próprio Deus indica isso tudo (cf. Mt 1,21). Para os judeus, o nome expressava a identidade e o destino pessoal que cada um devia realizar ao longo de sua vida. Desde o primeiro instante de sua vida até a morte na Cruz, Jesus foi o que seu nome significa: Deus salva, ou Salvador. Maria renuncia a seus direitos maternais e a toda pretensão sobre seu Filho, Jesus, e O oferece à vontade de Deus-Pai. São Bernardo expressou muito bem esse pensamento ao dizer: “Santa Virgem oferece o teu Filho e apresenta ao Senhor o fruto bendito de teu ventre. Oferece para reconciliação de todos nós, a santa Vítima que é agradável a Deus”.


um novo simbolismo no fato de que Maria põe seu Filho nos braços de Simeão. Ao atuar desta maneira, Maria não oferece seu Filho ao Deus-Pai, mas também ao mundo, representado por aquele ancião Simeão. Desta maneira Maria representa seu papel de mãe da humanidade e nos recorda que o dom da vida vem de Deus através de Maria para o bem da humanidade. 


A festa do encontro de Jesus com a humanidade no Templo nos projeta para o futuro encontro com o Senhor. Por isso, o encontro com Jesus com a humanidade representada pelos anciãos Simeão e Ana prefigura nosso encontro final com Cristo na sua segunda vinda. Nós, peregrinos de Deus, caminhamos penosamente através deste mundo, guiados pela luz de Cristo (Jo 8,12) e sustentados pela esperança de encontrar finalmente o Senhor da glória no seu Reino eterno. Toda nossa vida cristã tem esse objetivo: encontrar-nos com o Senhor na vida eterna (Jo 14,2-3). Por este objetivo temos sempre força suficiente para superar tudo na nossa peregrinação terrestre (Jo 16,33b). Estando com Cristo e seguindo seus passos nossa vida sempre será iluminada: “Eu sou a Luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).


Nesta cena, o evangelista sublinha a apresentação de Jesus no Templo para mostrar que Jesus pertence inteiramente a Deus e que sua entrega é total desde o início de sua vida (cf. 1Sm 1,24-28). E Maria sabe que “o seu filho primogênito” (Lc 2,6) não é propriedade dela, mas propriedade de Deus. Jesus pertence a Deus.         


Como Maria, nós só podemos oferecer a Deus o que dele recebemos. Muitas vezes em vez de oferecermos algo para Deus, na verdade recebemos muita mais de Deus. Como diz uma música: “Cada vez que eu venho para Te oferecer, na verdade, venho para receber. Cada vez que eu venho para Te falar, na verdade, venho para Te escutar”, pois somente o Senhor fala da verdade de nossa vida.


P. Vitus Gustama,svd