sexta-feira, 4 de abril de 2025

07/04/2025-Segundaf Da V Semana Da QUaresma

JESUS E SEUS ENSINAMENTOS SÃO A LUZ-VIDA PARA A HUMANIDADE

Segunda-Feira da V Semana da Quaresma

I Leitura: Dn 13,1-9. 15-17.19-30.33-62 (ou Dn 13,41c-62)

Naqueles dias: 1Na Balilônia vivia um homem chamado Joaquim. 2Estava casado com uma mulher chamada Susana, filha de Helcias, que era muito bonita e temente a Deus. 3Também os pais dela eram pessoas justas e tinham educado a filha de acordo com a lei de Moisés. 4Joaquim era muito rico e possuía um pomar junto à sua casa. Muitos judeus costumavam visitá-lo, pois era o mais respeitado de todos. 5Ora, naquele ano, tinham sido nomeados juízes dois anciãos do povo, a respeito dos quais o Senhor havia dito: 'Da Babilônia brotou a maldade de anciãos-juízes, que passavam por condutores do povo.' 6 Eles frequentavam a casa de Joaquim, e todos os que tinham alguma questão se dirigiam a eles. 7Ora, pelo meio-dia, quando o povo se dispersava, Susana costumava entrar e passear no pomar de seu marido. 8Os dois anciãos viam-na todos os dias entrar e passear, e acabaram por se apaixonar por ela. 9Ficaram desnorteados, a ponto de desviarem os olhos para não olharem para o céu, e se esqueceram dos seus justos julgamentos. 15Assim, enquanto os dois estavam à espera de uma ocasião favorável, certo dia, Susana entrou no pomar como de costume, acompanhada apenas por duas empregadas. E sentiu vontade de tomar banho, por causa do calor. 16Não havia ali ninguém, exceto os dois velhos que estavam escondidos, e a espreitavam. 17Então ela disse às empregadas: 'Por favor, ide buscar-me óleo e perfumes e trancai as portas do pomar, para que eu possa tomar banho'. 19Apenas as empregadas tinham saído, os dois velhos levantaram-se e correram para Susana, dizendo: 20'Olha, as portas do pomar estão trancadas e ninguém nos está vendo. Estamos apaixonados por ti: concorda conosco e entrega-te a nós! 21Caso contrário, deporemos contra ti, que um moço esteve aqui, e que foi por isso que mandaste embora as empregadas'. 22Gemeu Susana, dizendo: 'Estou cercada de todos os lados! Se eu fizer isto, espera-me a morte; e, se não o fizer, também não escaparei das vossas mãos; 23mas é melhor para mim, não o fazendo, cair nas vossas mãos do que pecar diante do Senhor!' 24Então ela pôs-se a gritar em alta voz, mas também os dois velhos gritaram contra ela. 25Um deles correu para as portas do pomar e as abriu. 26As pessoas da casa ouviram a gritaria no pomar e precipitaram-se pela porta do fundo, para ver o que estava acontecendo, 27Quando os velhos apresentaram sua versão dos fatos, os empregados ficaram muito constrangidos, porque jamais se dissera coisa semelhante a respeito de Susana. 28No dia seguinte, o povo veio reunir-se em casa de Joaquim, seu marido. Os dois anciãos vieram também, com a intenção criminosa de conseguir sua condenação à morte. Por isso, assim falaram ao povo reunido: 29'Mandai chamar Susana, filha de Helcias, mulher de Joaquim'! E foram chamá-la. 30Ela compareceu em companhia dos pais, dos filhos e de todos os seus parentes. 33Os que estavam com ela e todos os que a viam, choravam. 34Os dois velhos levantaram-se no meio do povo e puseram as mãos sobre a cabeça de Susana. 35Ela, entre lágrimas, olhou para o céu, pois seu coração tinha confiança no Senhor. 36 Entretanto, os dois anciãos deram este depoimento: 'Enquanto estávamos passeando a sós no pomar, esta mulher entrou com duas empregadas. Depois, fechou as portas do pomar e mandou as servas embora. 37Então, veio ter com ela um moço que estava escondido, e com ela se deitou. 38Nós, que estávamos num canto do pomar, vimos esta infâmia. Corremos para eles e os surpreendemos juntos. 39Quanto ao jovem, não conseguimos agarrá-lo, porque era mais forte do que nós e, abrindo as portas, fugiu. 40A ela, porém, agarramos, e perguntamos quem era aquele moço. Ela, porém, não quis dizer. Disto nós somos testemunhas'. 41A assembleia acreditou neles, pois eram anciãos do povo e juízes. E condenaram Susana à morte. 42Susana, porém, chorando, disse em voz alta: 'Ó Deus eterno, que conheces as coisas escondidas e sabes tudo de antemão, antes que aconteça! 43Tu sabes que é falso o testemunho que levantaram contra mim! Estou condenada a morrer, quando nada fiz do que estes maldosamente inventaram a meu respeito!' 44 O Senhor escutou sua voz. 45 Enquanto a levavam para a execução, Deus excitou o santo espírito de um adolescente, de nome Daniel. 46 E ele clamou em alta voz: 'Sou inocente do sangue desta mulher!' 47Todo o povo então voltou-se para ele e perguntou: 'Que palavra é esta, que acabas de dizer?' 48De pé, no meio deles, Daniel respondeu: 'Sois tão insensatos, filhos de Israel? Sem julgamento e sem conhecimento da causa verdadeira, vós condenais uma filha de Israel? 49 Voltai a repetir o julgamento, pois é falso o testemunho que levantaram contra ela!' 50Todo o povo voltou apressadamente, e outros anciãos disseram ao jovem: 'Senta-te no meio de nós e dá-nos o teu parecer, pois Deus te deu a honra da velhice.' 51Falou então Daniel: 'Mantende os dois separados, longe um do outro, e eu os julgarei.' 52Tendo sido separados, Daniel chamou um deles e lhe disse: 'Velho encarquilhado no mal! Agora aparecem os pecados que estavas habituado a praticar. 53 Fazias julgamentos injustos, condenando inocentes e absolvendo culpados, quando o Senhor ordena: 'Tu não farás morrer o inocente e o justo!' 54Pois bem, se é que viste, dize-me à sombra de que árvore os viste abraçados?'  Ele respondeu: 'É sombra de uma aroeira.' 55 Daniel replicou 'Mentiste com perfeição, contra a tua própria cabeça. Por isso o anjo de Deus, tendo recebido já a sentença divina, vai rachar-te pelo meio!' 56Mandando sair este, ordenou que trouxessem o outro: 'Raça de Canaã, e não de Judá, a beleza fascinou-te e a paixão perverteu o teu coração. 57 Era assim que procedíeis com as filhas de Israel, e elas por medo sujeitavam-se a vós. Mas uma filha de Judá não se submeteu a essa iniquidade. 58 Agora, pois, dize-me debaixo de que árvore os surpreendeste juntos?' Ele respondeu: 'Debaixo de uma azinheira.' 59 Daniel retrucou: 'Também tu mentiste com perfeição, contra a tua própria cabeça. Por isso o anjo de Deus já está à espera, com a espada na mão, para cortar-te ao meio e para te exterminar!' 60 Toda a assistência pôs-se a gritar com força, bendizendo a Deus, que salva os que nele esperam. 61 E voltaram-se contra os dois velhos, pois Daniel os tinha convencido, por suas próprias palavras, de que eram falsas testemunhas. E, agindo segundo a lei de Moisés, fizeram com eles aquilo que haviam tramado perversamente contra o próximo. 62 E assim os mataram, enquanto, naquele dia, era salva uma vida inocente.

Evangelho: Jo 8,12-20

Naquele tempo: 12 Disse Jesus aos fariseus: 'Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.' 13 Então os fariseus disseram: 'O teu testemunho não vale, porque estás dando testemunho de ti mesmo.' 14 Jesus respondeu: 'Ainda que eu dê testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é válido, porque sei de onde venho e para onde vou. Mas vós não sabeis donde venho, nem para onde vou. 15 Vós julgais segundo a carne, eu não julgo ninguém, 16 e se eu julgo, o meu julgamento é verdadeiro, porque não estou só, mas comigo está o Pai, que me enviou. 17 Na vossa Lei está escrito que o testemunho de duas pessoas é verdadeiro. 18 Ora, eu dou testemunho de mim mesmo e também o Pai, que me enviou, dá testemunho de mim.' 19 Perguntaram então: 'Onde está o teu Pai?' Jesus respondeu: 'Vós não conheceis nem a mim, nem o meu Pai. Se me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai.' 20 Jesus disse estas coisas, enquanto estava ensinando no Templo, perto da sala do tesouro. E ninguém o prendeu, porque a hora dele ainda não havia chegado.

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Deus Sempre Está Do Lado Do Inocente

Na Babilônia vivia um homem chamado Joaquim. Estava casado com uma mulher chamada Susana, filha de Helcias, que era muito bonita e temente a Deus. Também os pais dela eram pessoas justas e tinham educado a filha de acordo com a lei de Moisés”. Assim lemos na Primeira Leitura.

A Primeira Leitura é tirada do Livro de Daniel capitulo 13. Dn 13-14 pertence à parte deuterocanônica do livro e só se encontra na versão grega.

A história do livro de Daniel nos apresenta uma mulher inocente, que é acusada por dois anciãos viciados. Deus suscita Daniel para impedir que se leve a cabo a injusta sentença. “Assim, naquele dia, foi poupada uma vida inocente” (Dn 13,62).  Danielsignificao Senhor, meu juiz”. O único que julga retamente, porque julga segundo o coração e não conforme as aparências é Deus: “Susana, entre lágrimas, olhou para o céu, pois seu coração tinha confiança no Senhor”.

Os principais personagens no texto da Primeira Leitura de hoje são Susana que só aparece aqui no AT e dois anciãos. “Susanasignifica “lírio” que é muito em consonância com sua pura conduta. Susana é bela fisicamente e espiritualmente.

O autor do livro de Daniel, ironicamente, destaca o contraste entre a má conduta dos anciãos que deveriam dar exemplo de virtude por sua idade e sua qualidade de juízes, e a virtude heroica da bela Susana que não aceitou a vergonhosa proposta dos dois anciãos para fazer uma relação íntima com ela. Susana sabia que se ela aceitasse a proposta vergonhosa dos dois anciãos, ela seria condenada à morte (cf. Lv 20,10; Dt 22,21-22; Jo 8,4-5).  Quando Susana não aceitou a proposta vergonhosa deles, os dois anciãos denunciaram Susana falsamente.

Susana era conhecida por sua honestidade. Ela representa a alma pura, a fidelidade a Deus. Deus nunca deixa o inocente lutar sozinho. O inocente está sempre com Deus. Por isso, no fim da história a inocência vencerá diante da mentira e da falsidade. Deus permite a prova e as provações para o justo ou o inocente até ao extremo que, às vezes, tem-se impressão de que Deus se esqueça do justo. Mas o bem sempre triunfa. De fato, Susana saiu vitoriosa pela sua inocência e os falsos anciãos são condenados pela sua mentira e falsidade.

Da história de Susana aprendemos que por mais que os outros falem as calunias contra você, é preciso prosseguir confiando no Bem Maior, em Deus cuja palavra final será um julgamento para todos. Por mais que os odiosos lhe demonstrem rancores, prossiga perdoando, pois o perdão é a expressão máxima do amor divino. Por mais que lhe ameacem os aparentes fracassos, prossiga apostando na vitória final de Deus. Por mais que os outros tentem destruí-lo, prossiga na construção da humanidade mais humana e fraterna, pois pertencemos à família do Papai do céu, Abbá. Por mais que os outros lhe demonstrem a arrogância, prossiga com sua humildade para se manter na simplicidade e na pureza. “A humildade é a única base sólida de todas as virtudes” (Confúcio). E “Quanto maiores somos em humildade, tanto mais próximos estamos da grandeza” (Rabindranath Tagore).

Jesus É a Verdadeira Luz Do Mundo

 “Eu sou a luz do mundo.  Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”.  

O Senhor afastou-te dos olhos da carne e devolveu-te os olhos do coração, quando acrescenta: Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.  Nos usos da vida corporal, uma coisa é a luz, e outra é a fonte. A boca busca a fonte, os olhos, a luz. Mas em Deus o mesmo é a luz e a fonte. O mesmo que te ilumina para que vejas é o que mana para que bebas” (Santo Agostinho: In Ioannem, tract. 34).

A metáfora da luz se entende facilmente: é o contrário da escuridão/obscuridade e da cegueira. E no sentido simbólico, é o contrário do ódio e da mentira.

No sentido metafórico nos escritos joaninos, a luz é o esplendor da da vida (Jo 14). Por isso, não existe luz anterior à vida, é a própria vida enquanto se impõe por sua evidência e pode ser conhecida pela sua própria evidência. A luz-vida precede à aparição das trevas (Jo 1,5). A vida que brilha como luz era o conteúdo do projeto de Deus. A luz-vida, conteúdo do projeto de Deus (Jo 1,4) encarna-se em Jesus, projeto de Deus feito homem (Jo 1,14). Assim, Jesus é a luz do mundo, ou seja, a vida da humanidade (Jo 8,12; veja: Jo 9,5; 12,35.36.46). Ao seguir a Jesus para aderir a Ele, o homem obtem a luz que é a vida e escapa das trevas-morte (Jo 8,12; 12,36).

Todos nós temos a experiência da luz (menos um cego de nascença). A luz não só torna claro e mostra a beleza do universo, mas também ela é condição de sobrevivência. As plantas sem o sol morrem. Na escuridão ninguém pode produzir nada. A luz nos faz percebermos a beleza das cores. A luz serve para iluminar os objetos. A luz existe não para ser olhada diretamente, pois pode causar a cegueira. Não se deve olhar para a luz, mas para as coisas iluminadas ou caminho iluminado por ela.

No AT, Deus é o Criador da luz. Ao criar a luz e dividir o tempo entre luz e trevas, Deus acabou com o primitivo estado de caos (Gn 1,3). A luz é criada por Deus, por isso, ela é um sinal que manifesta visivelmente alguma coisa de Deus. Em outras palavras, a luz é o reflexo da glória de Deus. O Sl 104,2 descreve a luz como vestimenta em que Deus se envolve. Como luz, quando Deus aparece, seu esplendor é semelhante ao dia e de suas mãos saem raios (Hab 3,3s). A luz é, então, a glória ou esplendor de Deus.       

No NT a luz é reflexo da divindade. A nuvem luminosa na transfiguração mostra a presença de Deus (Mt 17,5). Deus habita em luz inacessível (1Tm 6,16). Deus é luz (1Jo 1,5). E quem obedece aos seus mandamentos andam na luz (1Jo 1,7). A luz de Deus é vista em Jesus, que é a luz do mundo (Jo 3,19; 8,12; 9,5;12,35s.46). Jesus é a luz que ilumina todo homem (Jo 1,9) por meio da vida que ele tem dentro de si (Jo 1,4) e brilha para os homens (1Jo 2,8-10). Jesus é também a luz para guiar os pagãos (Lc 2,32). O cristão através de sua participação na luz e na vida de Deus por meio de Jesus transforma-se em instrumento de luz para aqueles que se acham nas trevas.

Para o AT e para o judaísmo, a luz era símbolo da Lei e da sabedoria. De ambas se dizia que eram a luz dos homens. No mundo helenista a luz simbolizava o conhecimento de Deus. Os primeiros cristãos consideraram o evangelho como a luz. Com sua auto-apresentação ou auto-revelação “Eu sou a luz”, Jesus atribui à sua pessoa o que se havia dito da lei, de sabedoria, do conhecimento de Deus e do evangelho. Jesus ilumina o mistério da existência humana e procura e traz a salvação para os homens que a haviam esperado da lei. Para Jesus é necessário que o homem aproveite a luz do dia, isto é, a presença de Jesus. Sua ausência significa a irrupção/invasão do mundo das trevas, do mundo antidivino. E a fé em Jesus, Luz do mundo, possibilita o homem enxergar a vida da maneira que Deus a vê.

Na série de afirmações de Jesus, o repetido “Eu sou” do evangelho de João, ouvimos hoje o “Eu sou a Luz do mundo: quem me segue não andará nas trevas” que repetirá também depois da cura do cego de nascimento.

Esta declaração de Jesus alude à cerimônia da festa judaica das luzes. A Luz é a designação do Messias, por sua obra de libertação, de felicidade e de alegria. A frase “Eu sou a Luz do mundo” significa que Jesus é o Messias e toma o posto da Lei, sendo ao mesmo tempo, o resplendor da vida: “O que foi feito nele era a vida e a vida era a luz dos homens” afirma o Prólogo (Jo 1,4) e para toda a humanidade (Is 42,6s; 49,6.9).

No capítulo 7 (Jo 7,37-39), Jesus se apresentava como a fonte da água/Espírito; agora se define como o guia: “Eu sou a Luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (8,12). Seguir a Jesus exige uma decisão pessoal para orientar a vida. Como guia para nosso caminhar pela vida, Jesus nos convida a segui-lo para caminhar sempre na claridade a fim de poder viver uma vida sempre iluminada. A pessoa de Jesus, seus ensinamentos, seus exemplos de vida são luz que ilumina toda nossa existência, tanto nas horas boas como nas horas de sofrimento ou de contradição. Seguir Jesus significa encontrar o Caminho que com segurança nos conduz ao Pai, ao Céu sem tropeços.

Vós Sois a Luz Do Mundo

Como discípulos seus, o Senhor nos convida também a sermos luz para o mundo; a levar a luz da esperança no meio das violências, desconfianças e medos de nossos irmãos; a levar a luz da fé no meio das obscuridades, dúvidas e interrogações; a levar a luz do amor no meio de tanta mentira, rancor e vingança.  Jesus afirma no Sermão da Montanha: “Vós sois a luz do mundo. Uma cidade construída sobre a montanha não fica escondida. Não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma caixa, mas sim no candelabro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. Assim também brilhe a vossa luz diante das pessoas, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,14-16).

O cristão através de sua participação na luz e na vida de Deus por meio de ensinamentos de Jesus transforma-se em instrumento de luz para aqueles que se acham nas trevas. A glória de Deus não se manifesta mais no texto da Lei nem no lugar do templo, mas no modo de agir ou de viver dos que seguem Jesus. Os discípulos são a luz do mundo à medida que são os reflexos autênticos da vida e do ensinamento de seu Mestre Jesus, e não como os vaga-lumes que só piscam de vez em quando.

Mas os cristãos têm que estar conscientes de que não é para eles que os homens devem olhar, e sim para Deus de Bondade, fonte de todas as boas obras. Os discípulos devem permanecer discretos, pois se a luz bate diretamente nos olhos, somente prejudica, incomoda, irrita e cega.

As palavras de Maria, a Mãe do Senhor, nas bodas de Cana: “Fazei tudo o que Ele vos mandar” (Jo 2,5) são o caminho para que Jesus seja Luz do mundo e para que nós iluminemos o mundo ao nosso redor com esta mesma Luz. A vida de Deus que habita em cada um de nós deve ser manifestada através de nossas boas obras. Mediante elas Deus continuará nos iluminando. Não podemos nos converter em ocasião de pecado, de escândalo, de tropeço para os demais. O Senhor nos diz que somos a luz do mundo. Para sermos a luz do mundo precisamos contemplar a verdadeira Luz que é Jesus Cristo. Ao contemplá-lo, seremos reflexos seus no mundo.

P. Vitus Gustama,svd

V Domingo Da Quaresma, Ano Litúrgico "C", 06/04/2025

A MISERICÓRDIA DE DEUS É SEMPRE MAIOR DO QUE A MISERIA HUMANA

V DOMINGO DA QUARESMA DO ANO “C”

I Leitura: Is 43,16-21

16 Isto diz o Senhor, que abriu uma passagem no mar e um caminho entre águas impetuosas; 17 que pôs a perder carros e cavalos, tropas e homens corajosos; pois estão todos mortos e não ressuscitarão, foram abafados como mecha de pano e apagaram-se: 18 “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. 19 Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as conheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca. 20 Hão de glorificar-me os animais selvagens, os dragões e os avestruzes, porque fiz brotar água no deserto e rios na terra seca para dar de beber a meu povo, a meus escolhidos. 21 Este povo, eu o criei para mim e ele cantará meus louvores”.

II Leitura: Filipenses 3,8-14

Irmãos: 8 Na verdade, considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele eu perdi tudo. Considero tudo como lixo, para ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele, 9 não com minha justiça provindo da Lei, mas com a justiça por meio da fé em Cristo, a justiça que vem de Deus, na base da fé. 10 Esta consiste em conhecer a Cristo, experimentar a força de sua ressurreição, ficar em comunhão com os seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na sua morte, 11 para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos. 12 Não que já tenha recebido tudo isso ou que já seja perfeito. Mas corro para alcançá-lo, visto que já fui alcançado por Cristo Jesus. 13 Irmãos, eu não julgo já tê-lo alcançado. Uma coisa, porém, eu faço: esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente. 14 Corro direto para a meta, rumo ao prêmio, que, do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus.

Evangelho: Jo 8,1-11

Naquele tempo, 1 Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. 3 Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Colocando-a no meio deles, 4disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. 5Moisés, na Lei, mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?” 6 Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. 7 Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. 8 E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. 9 E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio do povo. 10 Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles?” Ninguém te condenou?”11 Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”.

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Libertar-se Do Passado Pecaminoso Para Viver Um Novo Êxodo

As três leituras deste domingo coincidem em apresentar a salvação como um caminho para a liberdade, na medida em que a ação de Deus facilita a vida segundo Cristo, e liberta o homem da atadura ou da escravidão do seu velho homem, que instintivamente tende ao pecado. Em suma, é a experiência libertadora da graça.

A leitura de Isaías (1ª Leitura) recorda o feito ou façanha de Deus quando tirou os israelitas da escravidão no Egito e os conduziu com seu braço poderoso através das águas do Mar Vermelho para encorajar o povo exilado na Babilônia, no novo êxodo, e anunciar-lhe que Deus fará maravilhas ainda maiores: “Abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca”.

O Deus de Israel nunca deixa de amar seu povo. O mesmo Deus jamais deixará de nos amar. O amor faz olhar para frente: Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as conheceis?”.

Abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca” é a promessa de Deus para o povo exilado na Babilônia. E o povo de Israel deve viver na esperança de que a promessa de Deus será cumprida, apesar das provações, pois Deus é fiel a si próprio. Nenhuma provação é insuperável quando estamos com o Deus da promessa. Mas os sentimentos negativos podem convencer qualquer um de nós de que não há mais nada a fazer e a esperar. Na verdade, não há nada pior do que ser enganado pelas próprias percepções emocionais.

São Paulo (2ª Leitura) fala da experiência de ter encontrado o tesouro incalculável na sua vida: Jesus Cristo. Ele começa apresentando sua experiência espiritual como um caminho para a liberdade que o levou a romper com todos os seus antigos laços: Considero tudo como lixo, para ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele, não com minha justiça provindo da Lei, mas com a justiça por meio da fé em Cristo, a justiça que vem de Deus, na base da fé”.

Depois, saõ Paulo nos mostra seu coração, livre/libertado, e disposto para tudo: conhecer Jesus Cristo e a força de sua ressurreição, e a comunhão com seus sofrimentos, morrendo sua própria morte, para chegar um dia à ressurreição dos mortos.

Por fim, são Paulo descreva a atitude do cristão que se sente liberto pela ação da graça: “Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente. Corro direto para a meta, rumo ao prêmio, que, do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus”.

Andar com Jesus significa mudar comportamentos e valores. Por causa disso, são Paulo utiliza palavras fortes para descrever sua atual situação: “Considero tudo como lixo”. Estas palavras dão uma real dimensão de como são Paulo vive a nova experiência e o novo compromisso. Porém, são Paulo não pára na declaração de que tudo é considerado como lixo. Ele é um discípulo em contínua construção. Para ele tudo pode deixar-se para trás (lixo), porém é preciso avançar para o que está adiante (meta): “Corro direto para a meta, rumo ao prêmio, que, do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus”. Corro direto para a metaé a mais clara definição de que os discípulos/cristãos não são completos ou perfeitos já. Para são Paulo a vida cristã é como estar sempre numa corrida para conquistar o prêmio que vem de Deus em Jesus Cristo.

Aprendemos de são Paulo que aquele que vive com os olhos fixados e presos no passado não consegue enxergar o presente e muito menos o futuro. É preciso manter nossa fé em Deus, pois Ele agiu no passado e continua agindo no presente e no futro. Ele é o mesmo ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13,8).

Na cena do Evangelho encontramos uma mulher adúltera, sem defesa, e os homens fecharam todas as saídas a fim de apedrejá-la. Somente Jesus foi quem lhe abriu um caminho de liberdade, acolhendo-a e depositando nela esperança: Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”. O perdão falou mais alto, e restaurou a integridade da mulher.

Mas precisamos fixar a nossa atenção no movimento do texto do Evangelho deste domingo. Jesus senta-se como Mestre, para ensinar, e sentado como Mestre permanece na cena até ao fim. Apenas se inclina para o chão, mas de novo Ele se senta com Mestre. Nunca deixa a posição de Sentado. Portanto, permanecendo Sentado, Jesus está sempre na cátedra para ensinar. Em Jesus tudo é lição. São lição os seus gestos; são lição as suas palavras.

Entram em cena os escribas e os fariseus para arrumar uma cilada contra Jesus. “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Moisés, na Lei, mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?”. Se Jesus dissesse “Sim” ou “Não”, cairia na emboscada. Se dissesse “Sim” para o apedrejamento, Jesus violaria o direito romano, pois somente a administração romana da Palestina podia condenar à morte. Se dissesse “Não”, perdoando a mulher, Jesus violaria o direito hebraico, expresso na Lei de Moisés. Mas Jesus responde só isto: Permanecer Sentado como Mestre, inclinou-Se, e, com o dedo, escreveia no chão.

Os escribas e os fariseus não compreenderam o resposta do Mestre Jesus. Quando Jesus escrevia no chão, a lição era clara: na verdade, há apenas outra circunstância na Sagrada Escritura em que alguém escreve COM O DEDO : as tábuas de pedra escritas pelo DEDO DE DEUS no Sinai (Ex 31,18; Dt 9,10).Claramente: o MESTRE que escrevia COM O DEDO era Deus! Jesus conhecia a Lei, mas conhecia também so Profetas, pois AO ESCREVER NO CHÃO, o profeta Jeremias está lendo que diz que “os que se afastam de Yahweh serão escritos no chão” (Jr 17,13). Permanecendo SENTADO Jesus disse-lhes: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão. As palavras e o gesto de Jesus tiveram muito impacto para os escribas e fariseus: Saíram todos, a começar pelos mais velhos, recorrendo com certeza outra vez ao profeta Jeremias que diz ainda que “os que abandonaram Yahweh serão cobertos de vergonha” (Jr 17,13). E esta vergonha que faz com que todos vão-se embora, um após outro, a começar pelos mais velhos, os primeiros a sentir o peso da vergonha. Ao comentar esta cena Santo Agostinho escreveu: “Ficaram dois em cena: a miserável e a misericórdia” (relicti sunt duo: misera et misericordia). Os escribas e fariseus prenderam e acusaram a mulher, mas foram eles que se sentiram acusados, desvendados, descobertos no esconderijo do seu próprio pecado! É o MESTRE Jesus o primeiro na cena que fala para a mulher: “Mulher, onde estão eles?” Ninguém te condenou?”. Jesus não prende a mulher, mas liberta-a, colocando-a no novo caminho da liberdade: Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”.

Da cena sobre a mulher adúltera perdoada aprendemos algumas lições:

1.   Julgar e condenar são ações fáceis e rápidas. Porém, Jesus nos alerta que ninguém pode construir-se juiz dos demais homens porque todos temos culpa. A culpa ou o pecado que cometemos é muito mais pesado do que a pedra que está na nossa mão para apedrejar quem errou ou pecou. O pecado nos iguala, mas somente o amor misericordioso nos salva.

2.   Quanto mais julgamos, mais reduzimos no outro a capacidade de reparar o seu erro. Porque aquele que julgamos pensa em se defender; mas aquele que amamos pensa em se corrigir. Serei livre no dia em que não me importar com os julgamentos dos outros.

3.   Quando julgamos e condemos os outros sem piedade, intensificamos o pecado do mundo, oprimimos o indefeso, impedindo a fraternidade.

4.   Muitos, e muitos cristãos estão à caça dos que cometeram pecados e faltas para condená-los ou para apedrejá-los. Cristo está, ao contrário, à busca do pecador para amá-lo e salvá-lo.

5.   Pôs-se a escrever com o dedo na terra, para manifestar que os nomes daqueles seriam escritos unicamente na Terra, não no céu, onde dissera que os seus discípulos se alegrariam de haver sido inscritos. Pode se dizer também que, humilhando-se, como demonstrava pela inclinação de sua cabeça, fazia sinais na terra. Ou que já era tempo de que a sua lei se escrevesse na terra e frutificasse, e não na pedra estéril, como antes” (Santo Agostinho: De Cons. Evang., 4,10).

6.   Jesus diante da mulher, a misericórdia divina diante da miséria humana, a lei diante da misericórdia. Como sempre, triunfa a misericórdia de Deus. Não existe nada maior do que a sede de se sentir amado. o caminho do julgamento nos leva à condenação; o caminho de amor misericordioso nos leva ao perdão. A maior violência é a ausência de amor.

7.   E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos”. Quanto mais crescemos em anos e pecados, quanto mais idosos nos tornamos, mais pecadores somos. Muitos têm pecados acumulados de acordo com a idade, como muitos têm a santidade acumulada pela vida vivida no amor fraterno.

8.   Quem se deixa modelar por Cristo, a encarnação da misericórdia divina, e por seu coração de bondade e de misericórdia, quanto mais anos vive, mais amor acumulado, mais amor semeia.

9.   Eu também não te condeno“. Jesus repete esta frase para cada um de nós em cada momento. “Ainda que te sintas miserável, Eu não te condeno. Ainda que caias sete vezes ao dia, Eu não te condeno. Ainda que os demais te condenem, Eu não te condeno. Ainda que tu mesmo te condenes, Eu não te condeno. Quando é que tu deixarás de ter medo de Deus?”.

10.                 Quem se sente amado, ama. Quem se sente perdoado, perdoa. O perdão, como o amor, é uma energia contagiosa. Quem ama e perdoa, capacita o outro para amar e perdoar. Cada cristão deve continuar a repetir a frase para o mundo: Eu não te condeno. Nunca podemos condenar as pessoas. Somos todos pecadores. Com estas palavras “Eu não te condeno”, Jesus deixa bem claro que Ele põe a pessoa acima de qualquer lei humana. Que a lei que vale não é a lei das pedras (para apedrejar) e sim a lei do amor. Que a pena de morte não serve para nada e sim o hálito da vida.

11.                 Não esqueçamos: Depois do perdão recebido de Deus, vem o compromisso de não pecar mais: “Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”.

Uma Leitura a Partir Do Catecumenato

Dentro de duas semanas celebraremos a Páscoa. Alcançaremos a meta da nossa peregrinação quaresmal. Isso nos confirma no otimismo radical do nosso ser e viver cristãos. A primeira leitura com seu salmo responsorial nos lança com entusiasmo em direção à meta que Deus nos promete: um novo Êxodo.

A Quaresma é o caminho do novo Êxodo, do definitivo: com as lágrimas da conversão em direção à fonte de água viva (o batismo, renovado na penitência), em direção à colheita alegre na plenitude do Reino de Deus.

A Primeira Leitura tirada do profeta Isaías nos recorda a travessia do Mar Vermelho, figura tradicional do batismo, e nos anuncia “Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as conheceis?: é um novo Êxodo, um retorno do exílio da Babilônia, que terá as maravilhas: água brotará do deserto para o povo beber. A libertação é uma ação de Deus que intervém na vida do povo para que a situação de sofrimento e de falta de esperança seja transformada. O Deus que desde o Êxodo peregrinava com seu povo, continua a estar com o povo em Jesus Cristo, Emanuel (cf. Mt 28,20).

Cada Quaresma, para o cristão, é um novo Êxodo, uma libertação do pecado, uma peregrinação em direção à Páscoa. Nela, aqueles que abraçaram a fé e quiseram ser uma nova criatura em Jesus Cristo, para fazer parte do seu povo santo, foram e serão (catecúmenos) imersos nas águas batismais, e entraram/entrararão na Nova Aliança. Os catecúmenos receberão o Batismo na Vigília Pascal e os já batizados renovarão seu compromisso batismal todos os anos na Páscoa. Fazemos isso ritualmente na Vigília Pascal: devemos nos preparar para realizar conscientemente essa renovação nas profundezas do nosso ser como um Povo de crentes na Nova Aliança.

O Sacramento do Batismo é o primeiro sacramento que nos santifica, não por nossas boas obras e sim pela nossa fé em Jesus Cristo. O Batismo é compartilhar a Paixão do Senhor, configurar-se a sua morte e experimentar o poder da ressurreição. Ou seja, ser batizado significa possuir o Espírito de Jesus e estar destinado à ressurreição e à vida plena em Cristo. O Btismo é o mistério de morte e de vida. Submersos na morte com Cristo, ressuscitamos com Ele. Vale a pena ressaltar aqui a Segunda Leitura: Cristo tomou posse de nós no batismo; Mas devemos correr para obter a plenitude do prêmio, a meta que temos no alto.

Somente podemos entender tudo isso dentro da caminhada catecumenal (veja RICA: Ritual da Iniciação Cristã de Adulto) em que no Quinto Domingo da Quaresmao Terceiro Escrutínio para os catecúmenos no qual  há o rito de Exorcismo. No rito de Exorcismo reza-se assim: “... Arrancai da morte os que escolhestes e desejam receber a vida pelo Batismo...Submetei-os ao poder do vosso Filho amado, para receberem d´Ele a força da ressurreição e testemunharem, diante de todos, a vossa glória”.

Também a nós, lavados pelo Baptismo (já batizados), Cristo diz (cf. Evangelho): “Vai e não peques mais”. Libertados pela água que nos fez passar em Cristo da morte para a vida, somos um povo peregrino que luta constantemente contra o pecado e corre sempre em frente, em direção à meta, confortados pela água viva da fé que corre no deserto por onde corremos para o encontro definitivo com Cristo.

Uma Leitura a Partir Da Mulher Adúltera: Jesus Veio Não Para Condenar e Sim Para Salvar: Aspecto Penitencial Da Quaresma

O Evangelho deste domingo nos relata uma mulher adúltera. Na tradição bíblica, o adultério passa a significar a infidelidade dos membros do povo eleito para com seu Deus. Suas relações são as de um Deus-marido, louco de amor, que se dedica totalmente a um povo que, paradoxalmente, se comporta como uma esposa infiel. Dessa imagem conjugal, central e contínua na Bíblia, podemos extrair tanto o modelo de relacionamento com Deus quanto o profundo conceito de pecado. A mensagem central do Novo Testamento é a apresentação de Deus como Amor misericordioso, como "Abba" (Paizinho). Esta realidade, vivida com euforia ou serenidade, para além de todo legalismo, exige relações filiais.

Mantendo a linha penitencial, de conversão da Quaresma, o Evangelho de hoje, de João, embora pareça ser de Lucas, o evangelista da misericórdia, apresenta-nos o verdadeiro rosto da ternura do Pai, revelado em Jesus. Jesus não veio para condenar; mas para buscar e salvar o que estava perdido, mesmo o que era mais censurado e condenado pelos líderes religiosos, como a mulher adúltera.

A advertência de Jesus é forte: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. Devemos insistir nesta palavra do Senhor, especialmente nas celebrações penitenciais comunitárias destes dias: somos uma comunidade de pecadores, de homens e mulheres frágeis que lutam para se defender do pecado e se converter com a graça de Deus: isto deve nos tornar humildes, acolhedores de todos, compassivos no sentido mais profundo e teológico do termo. Lembremo-nos de que Deus não explica soluções abstratas para o problema do mal: Deus sente compaixão por ele em seu Filho. Se Deus, se Jesus, tem compaixão, a comunidade dos seus discípulos é chamada a se compadecer, e nunca condenar; sempre buscar e salvar as ovelhas perdidas, tendo em mente que nós também nos desviamos algumas vezes na nossa vida até hoje.

Outras Mensagens

  1. Quem dentre vós não tiver pecado, atire-lhe a primeira pedra”. “As pedras nas mãos são fáceis de ser encontradas também em nossas vidas. Hoje são as pedras do whatsapp, do twitter, das mensagens preconceituosas, das fake News, que bloqueiam o futuro das pessoas por meio da crítica sem piedade, do desprezo que destrói, da indiferença que congela as relações.... A arrogância também tem raízes em nosso interior; manifesta-se no nosso pensar e agir cotidianos. A arrogância é a base de nossas intransigências, dos nossos preconceitos, dos nossos dogmatismos, de nossas críticas amargas, dos comentários maldosos. A arrogância mora no nosso desprezo e nas nossas ironias. Ela nos paralisa” (Pe. Adroaldo Palaoro: Retiro Quaresmal 2022, ed. Loyola,2021 p.84).

2.    Não para condenar, mas para salvar. Dois ensinamentos fundamentais podem ser encontrados na atitude de JC em relação aos fariseus e à mulher infeliz pega em adultério: O primeiro ensinamento é que nenhum de nós tem licença para CONDENAR NINGUÉM. Por uma razão muito simples: porque somos todos pecadores. Nenhum de nós está sem pecado; nenhum de nós pode lançar a pedra da condenação. Devemos sempre nos lembrar dessa simples realidade porque sempre temos as pedras prestes a ser jogada em qualquer um. O segundo ensinamento é que a vontade de Deus não é condenar o homem pecador (esse homem pecador que todos nós somos), mas salvá-lo. Esta é a missão de JC: buscar aquele que está perdido para trazê-lo à vida de Deus. Por isso ele diz: "Nem eu também te condeno" e acrescenta "não peques mais de agora em diante". O QUE IMPORTA É O FUTURO. O perdão de Deus é vida, vida renovada para o homem. É condenar o pecado, mas salvar o pecador. Condenar o pecado - condenar tudo o que atenta contra a dignidade humana - é um dever, e muitas vezes um dever árduo.

3.    Jesus, mais do que juiz, comporta-se como um amigo que aconselha, com seriedade, mas com delicadeza, a quem vê humilhado aos seus pés. Os fariseus, por outro lado, tornam-se juízes de condenação: aplicam a lei sem descobrir seu espírito, que é salvar o culpado e recuperá-lo para a sociedade. Jesus também é juiz: mas de salvação. Juiz libertador que confronta o homem com o pecado que o escraviza, de modo que, tomando consciência de sua escravidão, ele a rompe e se liberta. No silêncio humilde da mulher, ela descobre sua profunda dor e arrependimento, descobre aquela humilhação e vergonha da dignidade perdida, que é seu próprio castigo. É por isso que ele procura salvá-la, não tanto das pedras, mas de si mesma, de sua paixão descontrolada, de sua imaturidade emocional, de seu egoísmo cego.

4.   A pedagogia salvífica de Jesus inverte os termos. Que o julgamento seja feito, sim, mas dentro da consciência de cada um. Julgamento que discerne e separa o que temos das trevas e da luz. Abandone a escuridão, "o velho", levante-se e ande na luz. Julgamento que, como o do evangelho, sempre termina com um homem que se levanta, se põe de pé e começa a andar.

5.   Também não te condeno. Vai em paz e de agora em diante não peques mais!” O pecado não é bom. O pecado nos faz danos, nos rebaixa e nos acorrenta. O pecado nos destrói e não permite que sejamos nós mesmos. Não voltemos a pecar, tenhamos piedade de nós mesmos e pensemos também no dano que podemos causar aos outros. O pecado é uma bomba explosiva. Não pequemos novamente.

6.   A Quaresma, tempo de conversão e de celebração do perdão de Deus, exige de nós hoje que sejamos portadores desse mesmo perdão. Porque quem se sente perdoado sabe perdoar com igual generosidade. E seu perdão tem pelo menos dois efeitos.

O perdão, em primeiro lugar, liberta a pessoa que falhou ou ofendeu. Condenar alguém é negar-lhe qualquer possibilidade de mudança, qualquer possibilidade de alcançar um futuro diferente para si mesmo e em seu relacionamento com os outros. O perdão, por outro lado, sempre deixa uma porta aberta para que aqueles que realmente o desejam possam mudar, avançar.

O perdão, em segundo lugar, liberta aquele que perdoa. Quando perdoamos, estamos desistindo de participar desse jogo de oposição, confronto ou conflito cada vez maior, que é ruim para todos e não é bom para ninguém. Aquele que perdoa se liberta do turbilhão da bola de neve cada vez mais rápida, mais poderosa e mais perigosa.

P. Vitus Gustama,svd

quarta-feira, 2 de abril de 2025

05/04/2025-Sábado Da IV Semana Da Quaresma

O JUSTO É PERSEGUIDO E MORTO POR AQUELES QUE VIVEM NA INJUSTIÇA E NA DESONESTIDADE

Sábado da IV Semana da Quaresma

Primeira Leitura: Jr 11,18-20

18 Senhor, avisaste-me e eu entendi; fizeste-me saber as intrigas deles. 19 Eu era como manso cordeiro levado ao sacrifício, e não sabia que tramavam contra mim: “Vamos cortar a árvore em toda a sua força, eli­miná-lo do mundo dos vivos, para seu nome não ser mais lembrado”. 20 E tu, Senhor dos exércitos, que julgas com justiça e perscrutas os afetos do coração, concede que eu veja a vingança que tomarás contra eles, pois eu te confiei a minha causa.

Evangelho: Jo 7,40-53

Naquele tempo, 40ao ouvirem as palavras de Jesus, algumas pessoas diziam: “Este é, verdadeiramente, o Profeta”. 41Outros diziam: “Ele é o Messias”. Mas alguns objetavam: “Porventura o Messias virá da Galileia? 42Não diz a Escritura que o Messias será da descendência de Davi e virá de Belém, povoado de onde era Davi?” 43Assim, houve divisão no meio do povo por causa de Jesus. 44Alguns queriam prendê-lo, mas ninguém pôs as mãos nele. 45Então, os guardas do Templo voltaram para os sumos sacerdotes e os fariseus, e estes lhes perguntaram: “Por que não o trouxestes?”  46Os guardas responderam: “Ninguém jamais falou como este homem”. 47Então os fariseus disseram-lhes: “Também vós vos deixastes enganar? 48Por acaso algum dos chefes ou dos fariseus acreditou nele? 49Mas esta gente que não conhece a Lei, é maldita!” 50Nicodemos, porém, um dos fariseus, aquele que se tinha encontrado com Jesus anteriormente, disse: 51“Será que a nossa Lei julga alguém, antes de o ouvir e saber o que ele fez?” 52Eles responderam: “Também tu és galileu, porventura? Vai estudar e verás que da Galileia não surge profeta”. 53E cada um voltou para sua casa.

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Na Primeira Leitura o profeta Jeremias usa a imagem do cordeiro manso levado ao matadouro. Ao cumprir sua missão e chamar o povo à conversão, o profeta se vê rejeitado e traído por seus próprios irmãos. Jeremias, seis séculos antes de Cristo, viveu o mesmo destino que Jesus. Ele também foi perseguido por ter sido fiel à Palavra de Deus. É a imagem de Jesus que, como um cordeiro, morrerá para tirar o pecado do mundo. A imagem do "cordeiro" sugere a inocência daquela pequena vítima que não merece ser sacrificada. Esta imagem sugere a liturgia do cordeiro pascal, cujo sacrifício é útil a todo o povo. Todo homem que sofre como inocente é uma imagem do Cristo sofredor.

Jeremias aparece hoje como uma figura de Jesus, um homem justo perseguido por sua condição de profeta corajoso, que em nome de Deus anuncia e denuncia um povo que não quer ouvir suas palavras.

O Justo Perseguido É Sacrificado, Como Cordeiro Manso, Pelos Injustos

Eu era como manso cordeiro levado ao sacrifício, e não sabia que tramavam contra mim”, confessou o profeta Jeremias. Sabemos que o profeta Jeremias nos deixou um diário de seu drama interior chamado “Confissões de Jeremias” que se encontram entre o capítulo 10 e o capitulo 20 de seu livro. Merece uma leitura especial: Jr 11,8-12,3 (Jeremias “inimigo do povo”); Jr 7,14-18 (Ironia de seus adversários: Onde está a palavra do Senhor? Que se cumpra!” - Jr 17,5); Jr 18,18-23 (a perseguição); Jr 20,7-9.14-18 (a crise de vocação). Nestas páginas o testemunho de uma personalidade sensível se funde com o desespero por uma situação impossível. Jeremias é um homem sentimental e aberto aos demais, no entanto é condenado a ser um solitário, um isolado pelos seus compatriotas. Ele é rodeado somente pelo ódio (Jr 15,17; 16,12), amaldiçoado (Jr 20,10), perseguido (Jr 26,11), golpeado e torturado (Jr 20,1-2), sob a ameaça de morte (Jr 18,18). É um idealista que sente o horror pela corrupção de seu povo (Jr 9,1), que sente a mesma indignação de Deus (Jr 5,14; 6,11; 15,17), que com uma imensa dor interior anuncia a ruína iminente (Jr 4,19-21; 8,18-23; 14,17-18). O profeta Jeremias experimenta profundamente a perseguição que, por causa de sua perseguição, os adversários, inclusive seus familiares e amigos, tramam contra ele. Esta perseguição move Jeremias a perguntar a Deus: Por que os maus vivem cheios de “bênçãos”? A resposta de Deus desconcerta o profeta: verá coisas piores.

A fidelidade à vocação é uma conquista cotidiana, que passa por dúvidas e crises e que às vezes, pesa como uma maldição, sobretudo se experimenta o silêncio de Deus (Jr 15,15.18; 20,7; veja Sl 21/22,2; Mt 27,46; Mc 15,34). A tentação de renunciar é muito forte. Este é o Getsêmani de Jeremias. Mas a Palavra de Deus é como um incêndio que devora os ossos e que o homem é incapaz de aplacar e de extinguir, nem o próprio Jeremias.

Nesta primeira leitura (Jr 11,18-20) o profeta Jeremias utiliza a imagem do cordeiro manso levado ao matadouro para falar de sua própria inocência e mansidão. Para manter a fidelidade à aliança com Deus o profeta Jeremias denuncia os crimes, as corrupções e as traições cometidos pelo seu próprio povo. Em outras palavras, Jeremias chama o seu povo à conversão, a voltar ao Deus da Aliança. Para Jeremias o verdadeiro conhecimento do Senhor não está no culto e sim na justiça (Jr 22,16).

Infelizmente, como consequência, Jeremias é odiado pelo bem que faz. Ele é uma vítima inocente comparada a um cordeiro manso. “Toda vez que um justo grita, um carrasco vem calar. Quem não presta fica vivo, quem é bom, mandam matar” (Cecília Meireles). Pelo fato de cumprir sua missão e chamar o povo à conversão, o profeta Jeremias foi recusado e traído por seus próprios irmãos.

A sorte ou o destino do profeta Jeremias que viveu seis séculos antes de Jesus é a mesma sorte, o mesmo destino de Jesus. Jesus é também perseguido por ser fiel à Palavra de Deus, por considerar a vontade de Deus como seu alimento (Jo 4,34). O cordeiro manso que o profeta Jeremias usa é imagem de Jesus que, como Cordeiro, morrerá para tirar o pecado do mundo (Jo 1,29). O profeta Jeremias aparece hoje como figura de Jesus, um justo perseguido por sua condição de profeta valente, que da parte de Deus anuncia e denuncia um povo que não quer ouvir sua palavra.

A imagem do “cordeiro” nos sugere a inocência dessa pequena vitima que não merece ser sacrificada. Essa imagem nos sugere a liturgia do Cordeiro pascal cujo sacrifício é útil para o povo inteiro.

Jeremias aparece hoje como figura de Jesus, um Justo perseguido por sua condição de profeta valente, que da parte de Deus anuncia e denuncia um povo que não quer ouvir a Palavra de Deus. Jesus é sinal de contradição (Cf. Lc 2,34): uns O aceitam, outros O recusam. Nestes dias para nós cristãos a figura mais impressionante é a de Jesus que caminha com decisão, ainda que com sofrimento, para o sacrifício da cruz. Jesus é perseguido, condenado a morte por aqueles que se escandalizam de sua mensagem. Será também “como manso cordeiro levado ao sacrifício”. Confia em Deus, o profeta Jeremias pede: “Eu te confiei a minha causa”. Jesus na Cruz grita: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espirito” (Lc 23,46). Mas Jesus mostra uma fortaleza e um estilo diferente. Jeremias pediu a Deus para vingar-se de seus inimigos. Jesus morre pedindo a Deus que perdoe seus executores (cf. Lc 23,34).

No profeta Jeremias descobrimos: consciência de sua situação, assunção de sua responsabilidade e missão, confiança no Senhor a Quem se deve totalmente, convicção de que ao final resplandecerá a luz da verdade apesar de qualquer tipo de dor no cumprimento da missão. Este é um bom caminho a seguir.

Quem É Jesus a Quem Sigo?

Ao ouvirem as palavras de Jesus, algumas pessoas diziam: ‘Este é, verdadeiramente, o Profeta’. Outros diziam: ‘Ele é o Messias’”.

No evangelho de hoje lemos como a pessoa de Jesus e sua maneira de viver provocam discussões e posturas diversas. A vida dos homens se decide de acordo com sua atitude vivencial com Jesus.

Uns dizem que é o Messias, outros dizem que é o profeta. Jesus é o sinal de contradição no mundo: divide os homens com sua simples presença entre os homens (cf. Lc 2,34-35). Jesus continua sendo um mistério para seus contemporâneos. Porém suas obras pelo bem da humanidade ninguém pode negar. Jesus vive somente em função do bem e é perseguido e morto pelo bem que fez (cf. At 10,37-41).

Os escribas e os fariseus eram a mais alta autoridade doutrinal, os melhores especialistas em discussões sobre a Sagrada Escritura. Segundo eles, em Jesus não se cumprem todas as condições necessárias. Por isso, Ele não é o Messias, apesar das evidências. Segundo eles o Messias não vem da Galileia e sim de Belém (Jo 7,52).  Mas os fatos não negam, mesmo que alguém tente argumentar. Os fatos falam por si.

O pior cego é aquele que não reconhece a própria cegueira a fim de poder pedir a ajuda. Daí nós concluímos que a condição essencial para conhecer a Deus é a humildade. Há que saber renunciar aos nossos próprios pontos de vista, deixar-nos conduzir pela luz da sabedoria divina. A crença bíblica não basta para descobrir verdadeiramente quem é Deus em Jesus Cristo. A vida e seus acontecimentos são outra “Escritura” que Deus nos deixou para que leiamos cada dia uma página para saber o recado de Deus para nós e sobre nós. O conhecimento de Deus não é questão de intelectualidade. O Espírito é que nos sensibiliza para nos abrirmos à verdade de Deus, ao seu amor, à vida nova que Ele quer nos comunicar, à luz com que Ele quer iluminar nossa escuridão.

Nicodemos, o fariseu notável que pertencia ao círculo dos membros do Sinédrio (Sinédrio ou Sanhedrin era uma assembleia de juízes judeus que constituía a corte e legislativo supremos da antiga Isarael) e que havia visitado Jesus de noite (Jo 3,1-21), mostra sua preocupação pela justiça: “Será que a nossa Lei julga alguém, antes de ouvi-lo e saber o que ele fez?”. Ele pensa que a Lei deve ser usada como instrumento de justiça. No entanto, ele é reprovado pelos colegas ao chamá-lo de “galileu” (chamar alguém de “galileu” na época era um palavrão): “Também tu és galileu, porventura? Vai estudar e verás que da Galileia não surge profeta”. No lugar de responder Nicodemos, eles o insultam, tratando-o como um ignorante. Para eles, segundo a Lei na qual eles se apoiam e não em Deus, profetas jamais sairiam da Galileia, enquanto que Deus sopra para onde quer e através de qualquer pessoa e em qualquer lugar. Basta cada um ficar atento para captar a passagem de Deus em cada momento na vida de qualquer homem.

Os escribas e os fariseus se sentem seguros na Lei a ponto de chamar “maldito” quem não conhece a Lei. Em nome desta Lei, eles vão crucificar e matar Jesus Cristo. Nas mãos dos escribas e dos fariseus a Lei não é um instrumento de justiça e sim de vingança. Eles confundem o conhecimento da Lei com o conhecimento de Deus. Para eles, os que estão fora da Lei são considerados desviados, malditos. Mas na verdade, os próprios fariseus e os escribas estão fora do conhecimento de Deus. Conhecer Jesus consiste em se preocupar com o bem do homem e sua salvação. Quem não se preocupa com o bem do homem e com a sua salvação, ele se separa de Deus, o Pai, que quer a vida para todos os homens, seus filhos.

Os simples têm, ao contrário, facilidade de captar a mensagem de Jesus e de considerar Jesus como Messias ou Profeta: “Este é, verdadeiramente, o Profeta. Ele é o Messias”. Jesus dirá mais tarde: “Minhas ovelhas escutam minha voz”. “Escutar” e “crer” são quase sinônimos no evangelho de João.

A condição essencial para conhecer Deus é a humildade e a simplicidade. A simplicidade é a condição fundamental para conhecer o projeto de Jesus sobre o homem. Há que saber desprender-se de si mesmo, renunciar a seus próprios pontos de vista, de suas “regrinhas” (como os escribas e os fariseus presos na própria Lei que acabam não conhecendo o verdadeiro Deus) e deixar-se conduzir pelo Espírito divino.

Encontrar o sentido da vida é independente da idade, do sexo, da capacidade intelectual e do grau de instrução da pessoa, pois a vida é simples. Nós é que não sabemos nos comportar diante desse dom de Deus. Em Jesus encontramos o sentido, pois Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Por causa de Jesus milhares de homens mudaram de vida, abandonaram seus hábitos negativos. Por causa dele muitos dedicam sua vida para o bem do próximo. O modo de viver de Jesus em se preocupar com os pequenos, com os necessitados, com os excluídos, com os abandonados fascinam qualquer pessoa. Ele trabalha sem esperar nada de recompensa. Ele quer ver todo mundo na sua dignidade como um ser humano e acima de tudo, como filho e filha de Deus.

Deus permanece escondido atrás das aparências humanas. Cada um tem que descobrir esse Deus diariamente. “Se dizes ‘já basta’, tu estás perdido; aumenta sempre, progride sempre, avança sempre, não te pares no caminho, não voltas para trás, não te desvies!” dizia Santo Agostinho.

Vale a pena cada um se perguntar: “Quem é Jesus para mim? O que significa ele na minha vida? Será que seus ensinamentos provocam uma profunda reflexão para mim? Será que ele ocupa o centro de minha vida? Será que escuto a voz de Jesus como meu pastor?” Eu me preocupo com a regra ou com o bem do homem e sua salvação? Será que eu uso também as regras para dominar os demais ou eu uso a caridade? Temos que caminhar com Jesus Cristo e fazer nossa sua salvação. Será que posso dizer que sou também uma vítima inocente no ambiente em que vivo? Eu me mantenho justo apesar das perseguições? Eu continuo praticando o bem apesar do ódio daqueles cujo negócio é afetado?

Percebemos das leituras de hoje que até para fazer o bem encontramos dificuldades, inclusive a violência da parte daqueles que defendem seus próprios interesses mesmo que sejam errados eticamente. Mas todo homem que sofre inocentemente e injustamente é uma imagem de Cristo sofredor. Todo sofrimento fruto da colaboração para salvar o mundo, para edificar a humanidade, para defender os sem voz e sem vez é o sofrimento do próprio Cristo. Todos esses sofredores estão no coração de Deus: “A vida dos justos está nas mãos de Deus, nenhum tormento os atingirá... Os que confiam em Deus compreenderão a verdade e os que são fieis permanecerão junto a ele no amor, pois graça e misericórdia são para seus santos e sua visita é para seus eleitos” (Sb 3,1.9). Será que estamos no coração de Deus?

P. Vitus Gustama,svd

07/04/2025-Segundaf Da V Semana Da QUaresma

JESUS E SEUS ENSINAMENTOS SÃO A LUZ-VIDA PARA A HUMANIDADE Segunda-Feira da V Semana da Quaresma I Leitura: Dn 13,1-9. 15-17.19-30.33-...