terça-feira, 9 de junho de 2026

Sagrado Coração De Jesus, Solenidade, Ano "A", 12/06/2026

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

SOLENIDADE

 

I Leitura: Dt 7,6-11

Moisés falou ao povo, dizendo: 6“Tu és um povo consagrado ao Senhor teu Deus. O Senhor teu Deus te escolheu dentre os povos da terra, para seres o seu povo preferido. 7O Senhor se afeiçoou a vós e vos escolheu, não por serdes mais numerosos que os outros povos – na verdade sois o menor de todos – 8mas, sim, porque o Senhor vos amou e quis cumprir o juramento que fez a vossos pais. Foi por isso que o Senhor vos fez sair com mão poderosa, e vos resgatou da casa da escravidão, das mãos do Faraó, rei do Egito. 9Saberás, pois, que o Senhor teu Deus é o único Deus, um Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações, para aqueles que o amam e observam seus mandamentos; 10mas castiga diretamente aquele que o odeia, fazendo-o perecer; e não o deixa esperar: mas dá-lhe imediatamente o castigo merecido. 11Guarda, pois, os mandamentos, as leis e os decretos que hoje te prescrevo, pondo-os em prática”.

II Leitura: 1Jo 4,7-16

7 Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. 8 Quem não ama, não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor. 9 Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele. 10 Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados. 11 Caríssimos, se Deus nos amou assim, nós também devemos amar-nos uns aos outros. 12 Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece conosco e seu amor é plenamente realizado entre nós. 13 A prova de que permanecemos com ele, e ele conosco, é que ele nos deu o seu Espírito. 14 E nós vimos, e damos testemunho, que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. 15 Todo aquele que proclama que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece com ele, e ele com Deus. 16 E nós conhecemos o amor que Deus tem para conosco, e acreditamos nele. Deus é amor: quem permanece no amor, permanece com Deus, e Deus permanece com ele.

Evangelho: Mt 11,25-30

25Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

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O culto litúrgico ao Sagrado Coração de Jesus começou com São João Eudes (1601-1680). A tentativa de colocar a nova devoção na liturgia encontrou grandes resistências, especialmente de natureza teológica, que perduraram nos séculos posteriores. O Papa Clemente XIII aprovou um formulário para a missa e o ofício divino em 1765. Papa Pio IX estendeu a festa para toda a Igreja em 1856. Papa Pio XI, em 1928, equiparava-a, como grau litúrgico, às solenidades do Natal e da Ascensão, dando-lhe um novo conteúdo.

E Papa Pio XII nos deu o que poderíamos chamar de “Carta Magna" de devoção e amor ao coração de Cristo em sua encíclica Haurietis Aquas: Sobre O Culto Do Sagrado Coração De Jesus, de 15 de maio de 1956. “Inumeráveis são as riquezas celestiais que nas almas dos fiéis infunde o culto tributado ao sagrado coração, purificando-os, enchendo-os de consolações sobrenaturais, e excitando-os a alcançar toda sorte de virtudes” (Haurietis Aquas n.2).

Para o Papa Pio XII o mistério do Sagrado coração de Jesus que nos redimiu é o mistério de amor divino: “O mistério da divina redenção é, antes de tudo e pela sua própria natureza, um mistério de amor: isto é, um mistério de amor justo da parte de Cristo para com seu Pai celeste, a quem o sacrifício da cruz, oferecido com coração amante e obediente, apresenta uma satisfação superabundante e infinita pelos pecados do gênero humano: Cristo, sofrendo por caridade e obediência, ofereceu a Deus alguma coisa de valor maior do que o exigia a compensação por todas as ofensas feitas a Deus pelo gênero humano. Além disso, o mistério da redenção é um mistério de amor misericordioso da augusta Trindade e do divino Redentor para com a humanidade inteira, visto que, sendo esta totalmente incapaz de oferecer a Deus uma satisfação condigna pelos seus próprios delitos mediante a imperscrutável riqueza de méritos que nos ganhou com a efusão do seu precioso sangue, Cristo pode restabelecer e aperfeiçoar aquele pacto de amizade entre Deus e os homens violado pela primeira vez no paraíso terrestre por culpa de Adão e depois, inúmeras vezes, pela infidelidade do povo escolhido” (Haurietis Aquas n.20).

O seu coração aberto precede-nos e espera-nos incondicionalmente, sem exigir qualquer pré-requisito para nos amar e oferecer a sua amizade: Ele amou-nos primeiro (cf. 1 Jo 4, 10). Graças a Jesus, «conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16).”, escreveu Papa Francisco na Carta Encíclica: Dilexit Nos (n.1).  E acrescentou: “Para exprimir o amor de Jesus Cristo, recorre-se frequentemente ao símbolo do coração” (n.2). Papa Frnacisco usou a palavra “coração” nessa Encíclica em torno de 466 vezes, e “Sagrado Coração”, em torno de 33 vezes.

Sobre o coração Papa Francisco escreveu: “O coração é igualmente o lugar da sinceridade, onde não se pode enganar ou dissimular. Costuma indicar as verdadeiras intenções, o que se pensa, se acredita e se quer realmente, os “segredos” que não se contam a ninguém, em suma, a verdade nua e crua de cada um. O que não é aparência ou mentira, mas autêntico, real, inteiramente “pessoal”. É por isso que Sansão, que não havia revelado a Dalila o segredo da sua força, foi interpelado por ela deste modo: «Como podes dizer “Amo-te”, se o teu coração não está comigo?» (Jz 16, 15). Só quando lhe revelou o seu segredo tão escondido é que ela «viu que ele lhe abrira todo o coração» [Jz 16, 18]. (Dilexit Nos, n. 5). Por isso, na nossa vida, somente duas pessoas não podem ser enganadas ou mentidas: Deus e eu. A boca pode pronunciar qualquer coisa, mas a verdade do coração segue seu próprio caminho.

Por isso, Papa Francisco nos alerta: “Compreendemos assim porque é que o livro dos Provérbios nos exorta: «Vela com todo o cuidado sobre o teu coração, porque dele jorram as fontes da vida. Preserva-te da linguagem enganosa, afasta de ti a maledicência» (Pr 4, 23-24). A mera aparência, a dissimulação e o engano danificam e pervertem o coração. Para além das muitas tentativas de mostrar ou exprimir o que não somos, é no coração que se decide tudo: ali não conta o que mostramos exteriormente ou o que ocultamos, ali conta o que somos. E esta é a base de qualquer projeto sólido para a nossa vida, porque nada que valha a pena pode ser construído sem o coração. As aparências e as mentiras só trazem vazio.” (Dilexit Nos, n. 6). E Papa Francisco acrescentou: “Em vez de procurar uma satisfação superficial e de representar um papel diante dos outros, é melhor deixar que surjam perguntas decisivas: quem realmente sou? O que procuro? Que sentido quero dar à vida, às minhas escolhas e ações? Por que razão e para que fim estou neste mundo? Como vou querer avaliar a minha existência quando ela terminar? Que sentido quero dar a tudo o que vivo? Quem quero ser perante os outros? Quem sou diante de Deus? Estas perguntas conduzem-me ao meu coração.” (Dilexit Nos, n.8)

O Missal do Papa Pulo VI sublinha não só o aspecto da reparação. Mas também a alegria de celebrar no coração de Cristo as grandes obras do seu amor (coleta). E as leituras bíblicas escolhidas para a liturgia da palavra garantem os aspectos mais autênticos desta celebração e da consequente devoção ao coração de Jesus.

E a palavra chave para as três leituras (Ano A) na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, neste dia, é amor.

A Primeira Leitura (Dt 7,6-11) tirada do livro de Deuteronomia, nos conta que Israel se tornou o Povo de Deus, porque o próprio Deus o consagrou assim, introduziu-o em sua esfera e fez dele sua propriedade: “Tu és um povo consagrado ao Senhor teu Deus. O Senhor teu Deus te escolheu dentre os povos da terra, para seres o seu povo preferido”. A razão pela qual Deus escolheu Israel foi seu amor, que não busca outras razões além de si mesmo. No próprio povo de Israel não encontram as razoes desta escolha, pois não tem nenhum tipo de grandeza que o torne preferível a qualquer outro povo. Apesar de tudo, Deus fez uma promessa a seus pais e a cumpriu nos filhos, libertando-os da escravidão. Os filhos dos filhos continuam sabendo que são amados e libertados. Essa iniciativa gratuita de Deus é o que constitui a grandeza deste povo, e não qualquer princípio natural da grandeza.

O autor do Deuteronômio coloca seus compatriotas diante do mistério do amor de Deus e de sua gratuidade. A experiência da pequenez, da libertação da escravidão do Egito, do amor de Deus no Sinai, da consciência de ser um povo distinto dos demais povos e assim por diante, vão configurando a consciência de Israel. O Deuteronômio ilumina teologicamente esta consciência: Deus separou esse povo (de Israel) dos demais povos e fez dele sua propriedade pessoal. A palavra hebraica “segulá” (propriedade) designa o patrimônio privado de um rei. Israel é o patrimônio pessoal que Deus escolheu livremente. Para tão alta distinção, Israel não pode apresentar motivos, ou não encontra em Israel os motivos da escolha divina, como foi dito. Simplesmente, Israel é menor de todos os povos (Dt 7,7). Tudo é fruto do amor de Deus pelo povo eleito. Este modo de apresentar a aliança como um projeto livre e amoroso de Deus provém do profetismo do reino de Norte (Israel) e é muito claro em Oseias (profeta Oseias) e em Jeremias: “Com amor eterno te amei e por isso, a ti estendi o meu favor” (Jr 31,3). Deus ama um povo não porque é amável ou porque tem mais méritos que os outros povos. Ele o ama sem motivo, simplesmente porque é Amor (cf. 1Jo 4,8.16). Isto significa que Deus o amará também tanto na infidelidade quanto na fidelidade, tanto na infelicidade quanto na felicidade. Por isso, o Papa Pio XII escreveu: “Com todo esse amor, terníssimo, indulgente e longânime mesmo quando se indigna pelas repetidas infidelidades do povo de Israel, Deus nunca chega a repudiá-lo definitivamente; mostra-se, sim, veemente e sublime; mas, contudo, em substância isso não passa do prelúdio daquela inflamadíssima caridade que o Redentor prometido havia de mostrar a todos com o seu amantíssimo coração, e que ia ser o modelo do nosso amor e a pedra angular da nova aliança”. (Haurietis Aquas n.17).

Certamente a contemplação do amor de Deus que age desta maneira em prol da vida do povo eleito deveria incitar o povo eleito a preocupar-se em corresponder, por pouco que seja, a este amor. A observância dos mandamentos do Senhor da parte do povo eleito é uma resposta ao amor de Deus por ele: “Guarda, pois, os mandamentos, as leis e os decretos que hoje te prescrevo, pondo-os em prática” (Dt 7,11).

O tema sobre o amor encontramos também na Segunda Leitura de hoje tirada da Primeira Carta de São João. Para são João, o critério do amor de Deus em nós é nosso amor mútuo (1Jo 4,7.11). São João se apoia na concepção judaica dos dois espíritos quando fala do amor: o Espirito de Deus e o Espirito do mundo. o Espirito de Deus se manifeta na caridade (1Jo 4,7.11); o espirito do mundo se manifesta no desamor (1Jo 4,8). Aderir ao Espirito de Deus significa fazer profissão de fé explícita em Jesus, encarnação do amor de Deus (1Jo 4,10) e se concretiza no amor mútuo na vida cotidiana. Fé e amor são os critérios de nossa comunhão com Deus. Para são João, as duas virtudes (fé e amor) se interpenetram e dominam, juntas, a pessoa do cristão. Você mostra que tem a fé quando você ama o próximo, isto é, sempre quer e fazer o bem para o próximo. Toda decisão de fé implica no amor, pois ela exige uma conversão que só poder ser o dom de si.

A vida cristã tem, então, uma dimensão dupla, vertical e horizontal. A primeira nos faz tomarmos consciência de que Deus é amor (1Jo 4,16), de que nos amou tanto que nos enviou seu Filho (1Jo 4,14) e de que quer estabelecer sua morada em nós (1Jo 4,15-16). A segunda nos impele a amarmos nossos irmãos como somos amados por Deus (1Jo 4,12). Fé e amor são inseparáveis para a verdadeira vida de um cristão.

E o Evangelho deste dia nos fala que o amor de Deus é bem reconhecido e aceito pelos simples e pequeninos. Na sua oração no evangelho de hoje há três afirmações fundamentais: somente o Filho é capaz de revelar o verdadeiro rosto do Pai; a revelação do Pai se abre aos pequeninos e se fecha aos sábios; todos os que estão cansados e oprimidos podem encontrar em Cristo alívio.

Deus decidiu gratuitamente (“Eu te louvo, ó Pai”) manifestar “estas coisas” aos “pequeninos”. É uma revelação que segue esquemas insesperados: oculta estas coisas aos prudentes e aos sábios e as revela aos pequeninos. Para dar ainda mais destaque ao paradoxo, Jesus não diz simplesmente “Pai” e sim que acrescenta “Senhor do céu e da terra”. Aqui esta a maravilha: o Deus do céu e da terra tem preferência pelos humildes e pequeninos.

Mas quem são concretamente os pequenos aos quais se manifestam os segredos de Deus? Quem são os sábios e prudentes, ao contrário, para os quais se ocultam os segredos de Deus? O que se manifesta e o que se mantem oculto? Jesus se limita em dizer “estas coisas”. Mas é fácil compreender que se trata do Evangelho em sua totalidade, isto é, daquela nova compreensão de Deus e de sua vontade que se contem nas palavras e nos fatos de Jesus.

Quando Jesus falava e Mateus escrevia, a expressão “os sábios e os prudentes” designava concretamente aos elites religiosos de Israel, rabinos e fariseus, que permaneciam cegos diante da claridade das palavras de Jesus e se irritavam por sua pregação em favor dos pobres (se escandalizam dela). Por conseguinte, “pequeno” não se opõe a adulto e sim que se opõe a sábio e prudente.

Pequenos são os homens sem cultura, sem competência religiosa, sem habilidade dialética, sem facilidade de palavra. Concretamente, no tempo de Jesus, eram os chamados homens da terra, os pobres aldeanos de Galileia que os doutores da Lei e os fariseus desprezavam. Diziam eles: “Um ignorante não pode evitar o pecado e um homem de campo não pode ser de Deus”. E no contexto histórico da época de Jesus, os cansados e os oprimidos eram aqueles que puniam sob as prescrições intoleráveis ​​e complicadas prescrições da lei farisaica e se sentiam perdidos diante da doutrina sutil e difícil dos rabinos. Jesus os convidava a buscar em outra parte, a saber, no evangelho e em seu exemplo, a verdadeira vontade de Deus. E para motivar seu convite e oferecer seu exemplo Jesus se define “manso e humilde de coração”. Humilde indica a atitude de Jesus, dócil em tudo à vontade do Pai; uma docilidade interior, livre e querida (“de coração”). Manso indica a atitude de Jesus a respeito dos homens: uma atitude não violenta; misericordioso, tolerante, pronto para o perdão.

Por nossa vez, como seguidores de Jesus necessitamos nos vestir da humildade. O humilde reverencia o Sagrado, pois ele se reconhece “terra”, “pó”, mas é “pó” vivente por causa do hálito que é soprado nele pelo Criador (cf. Gn 2,7; Jo 20,22). É na humildade e da humildade que germinam nossos autênticos valores. Os simples e humildes são os que, ao se esvaziarem de si mesmos, se abrem a Cristo e aos irmãos.

Nossa Devoação Ao Sagrado Coração De Jesus

Neste dia celebramos a solenidade do Sagrado Coração de Jesus ao que temos muita devoção. Devoção, em seu sentido primário, significa dar-se a si mesmo a alguém ou a algo. No contexto da verdadeira religião, devoção significa uma atitude da vontade, serena e constante, fruto de uma decisão refletida pela qual a pessoa se entrega em todo momento ao serviço de Deus. É uma oferenda de si mesmo a Deus, dedicando-se, permanentemente, a todas aquelas atividades referentes à honra de Deus. Qualquer devoto cumpre seus deveres referentes à sua devoção conscientemente e constantemente apesar das dificuldades encontradas. A palavra latina “devotio” (devoção) indica força, vontade decidida de fazer a vontade de Deus independentemente da situação encontrada. Por isso, devoção está longe de ficar no nível de sentimento.    

O que queremos dizer ao falar do coração de Jesus ou de um coração humano?

O coração representa o ser humano em sua totalidade; é o centro original da pessoa humana, o que lhe dá unidade. O coração é o centro de nosso ser, a fonte de nossa personalidade, o motivo principal de nossas atitudes e escolhas livres, o lugar da misteriosa ação de Deus. Apesar de poderem existir o bem e o mal nas suas profundezas, o coração continua sendo símbolo de amor. Por isso, a essência mais profunda da realidade pessoal é o amor. O homem foi criado para amar e ser amado. Fora disto ele perderia a razão de ser e de viver. “Ama e faze o que tu quiseres” (Santo gostinho).

A devoção ao Coração de Jesus está totalmente de acordo com a essência do cristianismo que é religião de amor (cf. Jo 13,34-35), pois o cristianismo tem como objetivo o aumento de nosso amor a Deus e ao próximo (cf. Fl 1,9). O símbolo deste amor é o coração de Jesus que ama a todos sem medida. Jesus Cristo é a encarnação do amor de Deus por nós desde a eternidade: “Eu te amei com amor eterno, por isso conservei para ti o amor” (Jr 31,3). Em cada página dos evangelhos fala-se do amor de Jesus por nós. “Tudo o que Deus queria nos dizer de si mesmo e de seu amor, ele o depositou no coração de Jesus e o expressou através deste Coração. Através do Coração de Jesus lemos o eterno plano divino da salvação do mundo. E trata-se de um projeto de amor” (João Paulo II).     

A devoção ao Sagrado coração de Jesus quer nos chamar de volta à primordial razão de nosso ser: amar. “Quanto mais amas, mais alto tu sobes” (Santo Agostinho). Uma pessoa com coração é uma pessoa profunda, próxima, compreensiva, capaz de ir ao fundo das coisas e dos acontecimentos. Uma pessoa com coração não é dominada pelo sentimentalismo e sim é uma pessoa que alcançou uma unidade e uma coerência, um equilíbrio e uma maturidade. Ela nunca é fria, mas cordial, nunca é cega diante da realidade, mas realista, nunca é vingativa, mas pronta para perdoar e para reconciliar-se. Um coração cristão, a exemplo do de Jesus, é um coração de dimensão universal, um coração que supera o egoísmo, um coração magnânimo capaz de abraçar a todos. A espiritualidade do coração é uma verdadeira espiritualidade, pois inclui a oração, a conversão, a escuta do Espírito, o cuidado para o próximo, a compaixão, a solidariedade e a partilha. Não é por acaso que para o homem de antiguidade ter coração equivalia a ser uma personalidade íntegra.                 

A devoção ao Sagrado Coração é devoção a Cristo mesmo. O próprio Cristo é o objeto de nossa adoração e para ele é que dirigimos nossa oração.                 

Jesus teve um amor perfeito, seu coração é para nós o perfeito emblema de amor. Seu coração foi saturado de amor perfeito ao Pai e aos homens. Seu amor é totalmente humano porque nele nos encontramos com o mistério de um amor humano-divino. O amor de Deus se encarnou no amor humano de Jesus. Por isso, Jesus nos convida: “Aprendei de mim porque sou humilde e manso de coração”. Humilde indica uma docilidade interior que se expressa na docilidade com os demais. Manso indica uma atitude valente, mas não violenta, misericordiosa, tolerante, pronto para perdão, mas também exigente.                 

O amor de Deus não é compatível com a indiferença diante do sofrimento alheio e diante da injustiça social. Mas nossas atividades, inclusive as práticas políticas e sociais devem ser animadas pelo amor cristão.                 

A contemplação do mistério de amor de Deus por nós deve nos conduzir a uma resposta múltipla. Deve suscitar em nós sentimentos de fé, amor e adoração. No contexto religioso devoção indica serviço dedicado e vontade decidida de fazer a vontade de Deus. Sugere culto não somente do tipo litúrgico, mas de nossa vida inteira. Esta devoção se realiza aceitando o convite de Jesus a tomar nossa cruz e segui-lo.                 

A comunhão sacramental não é somente participar no Corpo e no Sangue de Cristo; implica a participação na vida dos seus membros com um compromisso de amor e de serviço.                 

Viver no amor é escolher Deus, permanecer em Deus, viver em comunhão com Deus. Quando mantemos essa relação com Deus, o Espírito reside em nós e opera, por nosso intermédio, obras grandiosas em favor do homem – obras que dão testemunho do amor de Deus.               

Tornar o amor de Deus uma realidade viva no mundo significa lutar objetivamente contra tudo o que gera ódio, injustiça, opressão, mentira, sofrimento e assim por diante. Será que eu pactuo (com o meu silêncio, indiferença, cumplicidade) com os sistemas que geram injustiça, ou será que eu me esforço ativamente por destruir tudo o que é uma negação do amor de Deus? Um coração grande na vida é aquele que escolhe aquilo que eleva, e liberta-se daquilo que rebaixa a humanidade. 

A devoção ao Sagrado coração de Jesus nos faz um questionamento: que resposta dar ao Cristo que nos amou até morrer crucificado?        

Santo Agostinho dizia: “O que amamos em Cristo? Seus membros crucificados, seu lado traspassado ou sua caridade? Quando ouvimos que sofreu por nós, o que amamos nele? É seu amor que amamos. Ele nos amou para que lhe retribuíssemos amor por amor, e para que possamos lhe retribuir amor por amor, visitou-nos pelo seu Espírito” (Sermão sobre Sl 127,8).       

Não podemos fazer a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, se ainda guardamos o ódio no nosso coração, se não somos capazes de perdoar, se não nos preocupamos com a salvação de todos. Uma pessoa que tem a devoção ao Sagrado Coração de Jesus tem uma missão de levar a todos o amor de Cristo. Mas precisamos saber que ser uma pessoa amorosa é bastante diferente de ser o chamado “prestativo”. Os prestativos usam tão-somente as outras pessoas como oportunidade de praticar atos virtuosos, dos quais mantém registro cuidadoso. As pessoas que amam aprendem a mudar o foco de atenção e da preocupação de si para outras pessoas; elas se preocupam intensamente com as outras pessoas. Nosso cuidado e preocupação pelos outros devem ser autênticos, do contrário nosso amor nada significa. Não se aprende a viver sem antes aprender a amar. O amor humano quando é verdadeiro nos ajuda a saborear o amor divino. E o amor divino em nós nos faz mais compassivos, mais generosos, mais éticos e mais reconciliados; damos aquilo que recebemos, ensinamos aquilo que aprendemos. Ninguém pode viver este amor se não se forma na escola do Coração de Jesus. Somente se olharmos e contemplarmos o Coração de Cristo é que conseguiremos que o nosso coração se liberte do ódio e da indiferença. Somente assim saberemos reagir de modo cristão diante da ofensa e dos sofrimentos alheios e diante da dor humana.        

Pedimos ao Sagrado Coração de Jesus ao qual temos a devoção que nos conceda um coração bom capaz de compadecer-se para remediar os tormentos que acompanham e angustiam tantas pessoas neste mundo. O verdadeiro bálsamo é o amor, a caridade. Todos os demais consolos servem apenas para distrair um momento, e deixar mais tarde a amargura e o desespero.     

Será que as nossas comunidades, as nossas pastorais, os nossos grupos são espaços de acolhimento e de hospitalidade, oásis do amor de Deus, não só para os amigos e colegas, mas também para os pobres, os marginalizados, os sofredores que buscam em nós um sinal de amor, de ternura e de esperança?

P. Vitus Gustama,svd

São Barnabé, Apóstolo, 11/06/2026

SÃO BARNABÉ, APÓSTOLO

(Sec. I)

Primeira Leitura: At 11,21b-26; 13,1-3

Naqueles dias, 11,21bmuitas pessoas acreditaram no Evangelho e se converteram ao Senhor. 22A notícia chegou aos ouvidos da Igreja que estava em Jerusalém. Então enviaram Barnabé até Antioquia. 23Quando Barnabé chegou e viu a graça que Deus havia concedido, ficou muito alegre e exortou a todos para que permanecessem fiéis ao Senhor, com firmeza de coração. 24É que ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E uma grande multidão aderiu ao Senhor.  25Então Barnabé partiu para Tarso, à procura de Saulo. 26Tendo encontrado Saulo, levou-o a Antioquia. Passaram um ano inteiro trabalhando juntos naquela Igreja, e instruíram uma numerosa multidão. Em Antioquia os discípulos foram, pela primeira vez, chamados com o nome de cristãos. 13,1Na Igreja de Antioquia, havia profetas e doutores. Eram eles: Barnabé, Simeão, chamado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado junto com Herodes, e Saulo. 2Um dia, enquanto celebravam a liturgia, em honra do Senhor, e jejuavam, o Espírito Santo disse: “Separai para mim Barnabé e Saulo, a fim de fazerem o trabalho para o qual eu os chamei”. 3Então eles jejuaram e rezaram, impuseram as mãos sobre Barnabé e Saulo, e deixaram-nos partir.

Evangelho: Mt 10,7-13

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7 “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. 8 Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! 9 Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; 10 nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento. 11 Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida. 12 Ao entrardes numa casa, saudai-a. 13 Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz”.

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Neste dia celebramos a festa de São Barnabé. “Barnabé” é o nome da origem aramaica que significa “filho (bar) da profecia (nabiah) ou da exortação”, ou “filho da consolação” (Bar-nehámah), Consolador (At 4,36).

Relativamente poucas as notícias que a história conservou sobre Barnabé. Ele era procedente da diáspora (de Chipre) e se estabeleceu em Jerusalém e incorporado ao grupo dos pilares da Igreja primitiva. Ele se converteu ao cristianismo depois da ressurreição do Senhor, imediatamente depois da vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos, em Pentecostes, e se tornou um grande colaborador dos Apóstolos.

A Primeira Leitura descreve Barnabé da seguinte maneira:Ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé”. (At 11,24)

1.    Um homem bom”. Eis o que significa virtude, o caminho da virtude. Não é fácil encontrar uma pessoa de quem se possa simplesmente dizer: “Ele é um homem bom”, “Ela é uma mulher boa”. A bondade é como o resumo de uma vida virtuosa, que, no entanto, não se resume a si mesma. Toda pessoa do bem é bondosa e amável. A bondade é o sinal da amabilidade. A bondade designa a qualidade da amabilidade. É bom quem ama e aquilo que é amável. “O bem é aquilo que todos amam”, dizia Aristóteles.

Deus é sumamente bom e sumamente amável. Deus não é bom somente para si mesmo. Deus transborda infinitamente sua bondade para fora de si mesmo, às criaturas. Somos chamados a viver a bondade na nossa caminhada diária. Bondosa é a pessoa que tem boa intenção em relação a nós. Bondosos somos nós quando temos boa intenção em relação aos outros. De uma pessoa bondosa irradia calor e ternura, amor e bondade. Em seu olhar bondoso e em suas palavras bondosas, sente-se que seu coração é bondoso, que o bem prevaleceu nela.

2.    Cheio do Espírito Santo”. A virtude, entendida em seu sentido usual, é fundamentalmente um bem humano, isto é, um bem gerado ou construído a partir das possibilidades e forças humanas. Sem diminuir a beleza desse ideal, o próprio coração humano anseia por algo mais, algo melhor. É isso que o Espírito Santo vem conceder. A magnitude da cura, da ação e da beleza que o Espírito traz transforma tudo o que é humano em algo que se eleva a uma nova ordem, a ordem da graça. Algo semelhante é dito de Barnabé.

3.    “Cheio de fé”. É evidente que a fé já está incluída na ação do Espírito Santo. Por que, então, esse aspecto é destacado como um louvor adicional? A esse respeito, é interessante recordar a ação do Espírito nas palavras de Paulo aos Coríntios: “Porque a um é dada, pelo Espírito, a palavra da sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar…” (1 Coríntios 12:8-9). Quando Paulo se refere aqui ao Espírito “dando fé”, ele está aludindo a algo singularmente intenso, à capacidade de viver a fé como algo que transforma uma comunidade. E isso também é dito de Barnabé!

Depois que fez parte do cristianismo, Barnabé vendeu um campo de sua propriedade e entregou generosamente o dinheiro aos Apóstolos para a necessidade da Igreja (cf. At 4,37). Em virtude deste desprendimento heróico “Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía, mas tudo entre eles era comum” (At 4,32b). Este foi o conselho de Jesus ao jovem rico que lhe pedia maior perfeição: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá aos pobres... Depois, vem e segue-me” (Mt 19,21). Mas o jovem rico não aceitou o convite de Jesus. O que não fez o jovem rico, Barnabé o praticou. A generosidade de Barnabé e sua compaixão pelos indigentes moveram a comunidade cristã de Antioquia a confiar-lhe (com Saulo) a missão de ir a Jerusalém (Judéia) para distribuir entre os fiéis necessitados as contribuições (cf. At 11,27-30).  Por ter o espírito generoso, criativo e abnegado recebeu dos Apóstolos o sobrenome de “Barnabé” que significa “Filho da profecia” ou “Filho da consolação”. Conforme At 4,36 o nome de Barnabé era José.

Barnabé é um "justo", ou seja, segundo a linguagem teológica do Antigo Testamento, uma pessoa íntegra e fiel aos mandamentos do Senhor. Mas também é descrito como alguém "cheio do Espírito Santo e de fé", com o qual é colocado no âmbito da nova aliança, apresentando-o como alguém dócil à ação de Deus na obra de evangelização. O Espírito Santo, com efeito, atuará efetivamente por meio da mediação de Barnabé na pregação do evangelho aos pagãos.

Barnabé era um pregador inspirado. Tinha um coração sensível e possuía uma palavra fácil, doce e persuasiva com o qual ele ganhava a simpatia de todos. Sobre ele o evangelista Lucas (também é o autor dos Atos dos Apóstolos) escreveu que Barnabé era um homem bom, cheio do Espírito Santo e da fé: “(Barnabé) era um homem bom, repleto do Espírito Santo e de fé. Assim, considerável multidão agregou-se ao Senhor” (At 11,24). Tudo o que é belo atrai. A bondade e a docilidade são belas e por isso, atraem qualquer pessoa. Por estas qualidades e com sua colaboração com e na graça de Deus, unidas a uma extensa cultura vasta adquirida na escola de Gamaliel (Barnabé era conhecido como profeta e doutor. Cf. At 13,1), Barnabé chegou a desempenhar um papel preponderante na organização da Igreja primitiva.

Com Paulo, Barnabé vai ao Concilio de Jerusalém durante o qual foi decidido o término da prática da circuncisão para ser cristão (cf. At 15,1-35). Com essa decisão torna-se possível oficialmente a Igreja sem circuncisão, a Igreja aberta para os pagãos que se convertem: somos filhos de Abraão simplesmente pela fé em Cristo. 

São Barnabé foi considerado por muitos Santos Padres (Padres da Igreja) como verdadeiro apostolo de Cristo, com todos os privilégios inerentes a dito cargo. Na liturgia Barnabé ocupa um grau quase ao dos Apóstolos e seu ofício litúrgico é tirado do Comum dos próprios Apóstolos.

Em sua breve passagem pelo mundo São Barnabé deixou-nos exemplo de sua vida e de sua personalidade: espírito aberto à verdade, desprendimento dos bens materiais, bondade e docilidade no tratamento aos demais, aceitação e vivência dos ensinamentos de Cristo, prontidão em ser missionário-evangelizador, humilde discernimento dos talentos dos outros (especialmente de Paulo) sem nenhuma fraqueza ou hipocrisia (Paulo e Barnabé tiveram suas oposições, discórdias e controvérsias no início da segunda viagem missionária. Cf. At 13,13; 15,36-40).

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Jesus acaba de escolher doze discípulos. O número doze simboliza a unidade e a totalidade do povo judeu: doze patriarcas, doze tribos que compunham o antigo povo de Deus. O grupo dos doze representa o novo Israel. No projeto messiânico de Jesus "os Doze" representam, portanto, a raiz ideal do novo povo de Deus.

Depois que escolheu os Doze Apóstolos, Jesus enviou-os para a missão. A missão dos “Doze” é destinada originalmente às “ovelhas perdidas da casa de Israel” (10,6). A partir de Israel, a missão se abre pouco a pouco a todos os povos, o que só ocorre plenamente depois da morte e ressurreição de Jesus, por meio das quais Ele é constituído Messias e Senhor do universo (Mt 28,18). Os Doze são enviados às ovelhas perdidas da casa de Israel com a missão de convocar os crentes na assembléia messiânica definitiva.

A tarefa de Jesus como pedagogo é conseguir que os valores do Reino estejam não somente na cabeça dos Doze, mas principalmente no seu coração. Por isso, Jesus os envia ao mundo dando-lhes umas recomendações prévias e autoridade de Jesus:

·      Que se limitem, pelo momento, às ovelhas de Israel, isto é, remediar os males do povo que atravessa uma situação grave de abandono e de descuidado pelos pastores ou mestres. Em outras palavras, vamos limpar e organizar a própria casa, para depois limpar e organizar outras casas fora da nossa casa. Aqui o testemunho tem um lugar importante.

·      A missão dos Apóstolos é a de libertação e não de domínio, pois a libertação faz parte da chegada do Reino de Deus: da enfermidade (dor física), da morte (que acaba com a vida), da lepra (que separa de Deus e dos seres humanos) e dos demônios (símbolo da ideologia opressora que escraviza o ser humano por dentro). Jesus não envia seus Apóstolos para falar de Deus (não somente teoria) e sim para libertar as pessoas do mal (prática), palavra e ação juntas: que os seres humanos sejam irmãos e felizes, pois este é o desígnio de Deus sobre a humanidade.

·      O mais importante: o que foi recebido de graça deve ser dado de graça também. O deus-dinheiro não tem nenhum papel na comunidade dos seguidores. Jesus pede para não procurarem dinheiro como base de segurança. Nem levar duas túnicas (imagem de riqueza), nem bastão (símbolo de violência).

·      A missão é caminho. Exige mover-se de um lugar a outro, avançar, superar obstáculos e não deixar-se vencer pelo cansaço ou pela rejeição dos seres humanos. Os Apóstolos devem confiar absolutamente na graça que possuem e que anunciam. Esta é a sua maior força: não apoiar-se em nenhuma segurança humana para anunciar a mensagem de Deus, ir despojados de tudo, confiando somente na força da mensagem que levam e abandonados totalmente à providencia divina (Mt 10,9-10).

Por causa da missão dos Apóstolos e os demais discípulos de Jesus chegou até nós a Boa Notícia de Jesus Cristo. De fato, não estamos sozinhos, mas com o Senhor ressuscitado (Mt 28,20). O Evangelho que chegou até nós não pode morrer e parado em nossas mãos. Precisamos passá-lo adiante sendo novos apóstolos do Senhor com as mesmas recomendações vividas pelos Doze Apóstolos.

Que São Barnabé nos inspire a sermos mais bondosos, mais despojados, mais dóceis ao impulso do Espírito Santo e dóceis no tratamento aos demais seres humanos e prontos para sermos evangelizadores. “Ó Deus, que designastes são Barnabé, cheio de fé e do Espírito Santo, para converter as nações, fazei que a Vossa Igreja anuncie, por palavras e atos, o evangelho de Cristo que ele proclamou intrepidamente. Poe Cristo nosso Senhor na Unidade do Espírito Santo. Amém!”.

P. Vitus Gustama,svd

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Quarta-feira Da X Semana Comum, Ano Par, 10/06/2026

ESCOLHER ENTRE AMAR AO VERDADEIRO DEUS E AOS ÍDOLOS

Quarta-Feira da X Semana Comum

Primeira Leitura:1Rs 18,20-39

Naqueles dias, 20Acab convocou todos os filhos de Israel e reuniu os profetas de Baal no monte Carmelo. 21Então Elias, aproximando-se de todo o povo, disse: “Até quando andareis mancando com os dois pés? Se o Senhor é o verdadeiro Deus, segui-o; mas, se é Baal, segui a ele”. O povo não respondeu uma palavra. 22Então Elias disse ao povo: “Eu sou o único profeta do Senhor que resta, ao passo que os profetas de Baal são quatrocentos e cinquenta. 23Deem-nos dois novilhos; que eles escolham um novilho e, depois de cortá-lo em pedaços, coloquem-no sobre a lenha, mas sem pôr fogo por baixo. Eu prepararei depois o outro novilho e o colocarei sobre a lenha e tampouco lhe porei fogo. 24Em seguida, invocareis o nome de vosso deus e eu invocarei o nome do Senhor. O Deus que ouvir, enviando fogo, este é o Deus verdadeiro”. Todo o povo respondeu, dizendo: “Ótima proposição”. 25Elias disse então aos profetas de Baal: “Escolhei vós um novilho e começai, pois sois maioria. E invocai o nome de vosso deus, mas não lhe ponhais fogo”. 26Eles tomaram o novilho que lhes foi dado e prepararam-no. E invocaram o nome de Baal desde a manhã até o meio-dia, dizendo: “Baal, ouve-nos!” Mas não se ouvia voz alguma e ninguém que respondesse. E dançavam ao redor do altar que tinham levantado. 27Ao meio-dia, Elias zombou deles, dizendo: “Gritai mais alto, pois sendo um deus, tem suas ocupações. Porventura ausentou-se ou está de viagem; ou talvez esteja dormindo e é preciso que o acordem”. 28Então eles gritavam ainda mais forte, e retalhavam-se, segundo o seu costume, com espadas e lanças, até o sangue escorrer. 29Passado o meio-dia, entraram em transe até a hora do sacrifício vespertino. Mas não se ouviu voz nenhuma, nem resposta nem sinal de atenção. 30Então Elias disse a todo o povo: “Aproximai-vos de mim”. Todo o povo veio para perto dele. E ele refez o altar do Senhor que tinha sido demolido. 31Tomou doze pedras, segundo o número das doze tribos dos filhos de Jacó, a quem Deus tinha dito: “Teu nome será Israel”, 32e edificou com as pedras um altar ao nome do Senhor. Fez em redor do altar um rego, capaz de conter duas medidas de sementes. 33Empilhou a lenha, esquartejou o novilho e colocou-o sobre a lenha, 34e disse: “Enchei quatro talhas de água e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha”. Depois, disse: “Outra vez”. E eles assim fizeram uma segunda vez. E acrescentou: “Ainda uma terceira vez”. E assim foi feito. 35A água correu em volta do altar e o rego ficou completamente cheio. 36Chegada a hora do sacrifício, o profeta Elias aproximou-se e disse: “Senhor, Deus de Abraão, de Isaac e de Israel, mostra hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo e que é por ordem tua que fiz estas coisas. 37Ouve-me, Senhor, ouve-me, para que este povo reconheça que tu, Senhor, és Deus, e que és tu que convertes os seus corações!” 38Então caiu o fogo do Senhor, que devorou o holocausto, a lenha, as pedras e a poeira, e secou a água que estava no rego. 39Vendo isto, o povo todo prostrou-se com o rosto em terra, exclamando: “É o Senhor que é Deus, é o Senhor que é Deus!”

Evangelho: Mt 5,17-19

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 17“Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra. 19Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus”.

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Fé No único Deus Contra Todos Os Ídolos

O profeta Elias é o defensor da fé no único Deus (monoteísmo). Ele critica o povo durante o reinado de Acab, pois esse povo pratica o sincretismo religioso. O povo pratica o duplo jogo na vivência da religião: o povo continua a acreditar em Deus de Israel, mas ao mesmo tempo pratica o culto ao Baal (deus da fecundidade ou deus das colheitas). Para o profeta Elias este tipo de prática não tem nenhum valor religioso, pois é impossível servir aos dois senhores (cf. Mt 6,24). A fé não pode desenvolver-se em meio da dúvida nem no serviço simultâneo de dois senhores: “Até quando andareis mancando com os dois pés? Se o Senhor é o verdadeiro Deus, segui-o; mas, se é Baal, segui a ele(1Rs 18,21). Tudo isso nos leva à experiência de Moisés em que se defronta com a idolatria do povo quando desceu do monte de Sinai (cf. Ex 32,15-20).

É bom relembrar que o rei Acab, que reinou durante o ministério profético de Elias, casou-se com Jezabel, um princesa fenícia, filha de um antigo sacerdote de Baal que trouxe de sua terra sua língua, sua cultura, sua organização social e agrária. Mas trouxe também uma organização religiosa muito potente. Por causa de Jezebel, instituiu-se de forma oficial no reino de Acab o culto a Melkart, o Baal dos sidônio, e procurou-se por todos os meios ir esvaziando o culto a Yahweh. Nisto apareceu o profeta Elias para defender o moteismo e sofre perseguição por isso.

Então caiu o fogo do Senhor, que devorou o holocausto, a lenha, as pedras e a poeira, e secou a água que estava no rego”.  O profeta Elias é conhecido como um profeta-“fogo”, pois suas palavras queimavam como tocha (Sr 48,1). O fogo era seu ambiente, e não sua arma. O fogo era sinal de seu serviço, e não meio de extermínio. O fogo era em sua vida o espaço da grande revelação, nunca a ocasião para a simples evasão. O fogo arrebatava-o dia a dia. E, em consequência, o fogo acabaria por arrebatá-lo no final.

A Primeira Leitura nos relata o fogo do Carmelo. Trata-se do momento culminante do confronto entre o verdadeiro Deus e Baal que acontece no Carmelo. Por um lado, é o profeta Elias, e por outro lado, são os 450 profetas de Baal.

Em caso de conflito entre duas práticas litúrgicas, o povo hebreu invariavelmente recorria a uma espécie de disputa, na qual o julgamento de Deus falhava entre os protagonistas (Cf. Gn 4, 1-5). Elias vai a esse procedimento para tornar conhecido ao povo o julgamento de Deus sobre seus sacrifícios.

A disputa se desenvolve num clima de violência. Os sacerdotes de Baal, crendo que seu deus não se revelará senão como coroação do esforço do homem, se mutilam e entram em trance (1Rs 18,28-29). Mas para Elias Javé não se revelará senão na violência do raio (1Rs 18,38). Enquanto isso Elias aplica aos profetas de Baal a terrível lei de talião (1Rs 18,40; cf. 1Rs 18,4). Porém, não tardará em compreender que Deus não está na violência (1Rs 19,1-4) e sim na doçura e nos amor. Os profetas de Baal, os idólatras são derrotados no fim desse confronto. O profeta Elias com seu verdadeiro Deus saiu vitorioso.

A mensagem fundamental do relato é que o serviço ao Deus verdadeiro não deve ser feito pela metade e com dúvida, pois o compromisso pela metade não resulta em nada. Somos confrontados diariamente para fazer a escolha entre Deus e os ídolos: dinheiro, fama, poder, sexo etc. e esta escolha deve ser renovada constantemente.

Além disso, a partir da experiência do sincretismo do povo eleito na época do profeta Elias durante o reinado do rei Acab podemos lançar a seguinte pergunta: Será que somos capazes de escolher o verdadeiro Deus servir-lhe honestamente? O povo eleito, por um lado, adorava ao verdadeiro Deus, o Deus de Abarão, de Isaac, e de Jacó. Por outro lado, ao mesmo tempo, adorava aos ídolos, os Baals. Em certos momentos, o povo observava a Lei de Javé e seus mandamentos e em outros momentos, ele os desdenhava ou desprezava. Às vezes, diante de um perigo, o povo se voltava a Deus renunciando, aparentemente, aos ídolos, mas esta conversão não era de coração.

Até quando andareis mancando com os dois pés? Se o Senhor é o verdadeiro Deus, segui-o; mas, se é Baal, segui a ele (1Rs 18,21). Aqui nos encontramos com um tema essencial em nossa existência: seremos capazes de escolher o verdadeiro Deus e de servir-Lhe honestamente numa decisão definitiva? Será que nós não temos ídolos que em muitos momentos da vida acabamos abandonando o verdadeiro Deus em nome do prazer, do poder, do dinheiro, da fama ou da posição social? Será que não temos um “certo deus” para momentos bons e “outro tipo de deus” para os momentos difíceis? Todas as realidades "feitas pela mão do homem," tudo o que o homem pensa que pode fazer tudo pelo seu próprio poder e força; tudo aquilo que o homem quer ganhar para sua vida em vez de largá-lo em função de sua salvação, tudo isso é ídolo. O problema não consiste em descobrir se eu tenho ou não os ídolos, que eu ponho do meu lado cuidadosamente para minha comodidade e minha satisfação. O problema principal é identificar os meus ídolos a fim de pedir a Deus que me livre deles.

Santo Tomás de Aquino trata a idolatria como uma espécie do gênero de superstição que é um vício oposto à virtude da religião e consiste em dar honra divina (culto) para coisas que não são Deus ou a Deus mesmo de maneira equivocada (cf. Summa Theol., II-II, q.xciv). Quem tem fé, procura primeiro o Deus das coisas para obter as coisas de Deus. Quem é idólatra, ele abandona o Deus das coisas para correr somente atrás das coisas criadas por Deus.

Normalmente se entende por idolatria a adoração religiosa que tem por objeto um ídolo. Este ídolo ocupa o lugar de Deus e é adorado como se fosse Deus. A idolatria é uma verdadeira aberração na ordem religiosa e moral, pois nela se inverte completamente a ordem de valores: o absoluto: Deus, se relativiza e o relativo se absolutiza. O que é inferior aos homens se considera como Deus ou como algo divino.

A idolatria não é coisa passada, própria dos homens de tempos escuros e de civilizações primitivas. Os ídolos estão sempre com os homens em qualquer época e lugar. Os ídolos não são de ontem nem de hoje, são puras criações do egoísmo, do medo, da insegurança, da prepotência, da soberba do homem que não encontrou ainda seu centro ou seu norte. O homem que coloca seu ego e goismo no centro de sua vida e não Deus, sempre termina na destruição da própria vida.

Você não pode servir a dois senhores... você não pode servir a Deus e ao dinheiro. .. “, é a advertência de Jesus para todos os seus seguidores (Mt 6,24). Pergunta sempre válida para minha própria vida: Aceitaríamos tão facilmente a mistura: um pouco de amor a Deus, um pouco de amor a nós mesmos... um pouco de vida de piedade, mas sem perder um certo aspecto da vida mundana? Aceitamos com facilidade um pouco de submissão ao Senhor e um pouco de insubordinação ... O profeta Elias propõe uma alternativa radical: ou isto... ou aquilo...

Amar o Próxima É a Expressão De Nossa Adoração Ao Deus de Amor

Estamos acompanhando o Sermão da Montanha (Mt 5-7). Na passagem do evangelho de hoje Jesus afirma: “Não vim abolir a lei e os profetas, mas para dar-lhes pleno cumprimento”, afirmou Jesus aos ouvintes. Em outras palavras, Jesus quer dizer: “Eu não vim abolir o Antigo Testamento (a Lei e os profetas). Eu vim para cumprir tudo que foi profetizado sobre mim no Primeiro Testamento”.

Não vim abolir a lei e os profetas, mas para dar-lhes pleno cumprimento”. O que tem por trás desta afirmação? Alguns proclamavam que Jesus, como Libertador, veio para anular a lei de Moisés (Torá). Outro grupo sustentava que a tarefa de Jesus era a de subscrever, até os mínimos detalhes, tudo o que está escrito no AT. Mateus sustenta que Jesus não anulou a lei de Deus escrita nos livros do AT. Mas, ao mesmo tempo Mt sublinha que Jesus não se limitou a confirmar aquilo que foi dito no AT. Mt quer enfatizar que Jesus veio para nos dar a revelação definitiva da vontade do Senhor. A Lei e os Profetas (AT) encontraram na Palavra e no exemplo de Jesus o complemento e a plenitude que faltavam no AT.

Os fariseus, fanáticos obsessivos do cumprimento da lei havia posto a vontade de Deus em elementos secundários, e que não buscavam de modo algum o estabelecimento de uma sociedade mais fraterna e justa. Eles davam mais importância a suas interpretações e tradições que os levavam a transgredir a Lei pensando que a observavam. Jesus lhes dirá: Por causa de vossa tradição, anulais a Palavra de Deus... Vão é o culto que me prestam, porque ensinam preceitos que só vêm dos homens(Mt 15,6.9). A Lei, com suas tradições, era um método sujo para dominar a população, especialmente os mais pobres e simples. Legislavam, impunham cargas pesadas sobre o povo, mas nada se impunham para eles mesmos (cf. Mt 23,4). Eles são incapaz de ver além da lei, isto é, não conseguem ver o espírito da lei. Cumprem regra por regra ou lei por lei. E ainda acham que sejam cumpridores da vontade de Deus. Mas na realidade, a vontade de Deus se resume no amor fraterno (cf. Mt 9,13; 25,40.45). Pensam que ao cumprir todas as leis e normas possam agradar a Deus. Mas o que agrada a Deus é o amor fraterno. Amor é a maior Lei de Deus (cf. Rm 13,10), e seremos julgados sobre o amor (cf. Mt 25,36-46).

Por isso, o que Jesus faz é mostrar um Deus que desaprova a injustiça e a desigualdade, pois Deus é amor (1Jo 4,8.16). Deus se dirige aos homens como uma pessoa amada, chamando cada homem por seu nome (Is 43,1) e o nome de cada um é gravado na palma da mão de Deus (Is 49,16). E o amor transforma tudo em obra prima, até as coisas pequenas e seus detalhes. O amor de cada dia é feito de detalhes e não tanto de coisas solenes e heroicas. Por esta razão, encontra-se a seguinte fórmula no AT como uma fórmula ritual: “Escutai, ó Israel!”. É escutar Deus para viver na plenitude. Por isso, escutar Deus é coisa mais prudente e mais inteligente para o ser humano. Ao escutar Deus sua Palavra será para nós nossa sabedoria e um alimento para nosso espírito. Sua maneira de ver impregnará nosso modo de ver a vida e as pessoas.

Mas o amor morre quando não se respeita o momento do outro, quando não se favorece espaços comuns, quando não se reinventa a arte de viver e de conviver, quando há omissão de crescer, e a pequenez de se fechar. O amor morre com a dominação, com a arrogância, com a covardia, e quando há medo de se doar e de crescer. O amor morre quando se prefere a culpa ao arrependimento, quando se prefere acusação à humildade e reconciliação, a disputa ao diálogo. Quando o amor morre, perde-se a razão de viver e de conviver, e Deus se torna cada vez mais distante, pois “Deus é Amor” (1Jo 4,8.16).

Nós escutamos com frequência a Palavra de Deus. A Palavra de Deus é um espelho no qual nos olhamos para saber se continuamos conservando a imagem que Deus nos pede (Gn 1,26). Que os outros possam notar alguma mudança para o melhor em nossa vida e em nossa convivência.

Eu vim para dar o cumprimento da Palavra de Deus”. Esta frase deve se tornar carne e sangue na vida de cada cristão. O amor divino sem medida deve se encarnar no modo de viver e de conviver de cada cristão. A misericórdia e a reconciliação devem guiar a vida e a convivência de cada cristão, pois cada cristão é outro Cristo, o prolongamento de Cristo nesta terra.

E a Eucaristia da qual participamos é um compromisso para sermos pessoas que, renovadas e revestidas de Cristo, nos faz caminharmos pela vida como aquelas pessoas que proclamam a verdade, o bem, o amor como uma entrega a favor dos demais, deixando de lado ou abandonando totalmente aqueles caminhos que nos fazem nos destruirmos uns aos outros ou pisotear os direitos das classes mais desprotegidas. O Senhor pede que sejamos fieis à Sua lei, a Lei do amor que não somente nos faz colocarmos Deus sobre todas as coisas, mas ao mesmo tempo nos faz levar a querermos bem para os outros. Os cristãos devem se converter em sinal de amor para os outros. Se fomos feitos à imagem e à semelhança de Deus, então nosso modo de viver não deve apagar essa imagem. Se essa imagem for apagada em nós, ninguém vai dizer que somos de Cristo. São Paulo nos relembra através destas frases:Somos para Deus o perfume de Cristo entre os que se salvam e entre os que se perdem” (2Cor 2,15). E acrescentou: “Vós sois uma carta de Cristo... escrita não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, em vossos corações” (2Cor 3,3).

Pedimos a Deus a graça para que os outros possam ler algo de Cristo em nossa vida. Para isso, é necessário que Cristo esteja sempre no meio de nossa vida e de nossa comunidade para que todo olhar se dirija para Cristo para aprender o que devemos fazer e como devemos fazer as coisas. E que saibamos colocar as pessoas acima de qualquer regra quando a vida estiver em jogo. Pelo caminho da caridade não há outro caminho melhor, pois é o caminho de Deus.

P. Vitus Gustama,svd

Terça-feira Da X Semana Comum, Ano Par, 09/06/2026

SER SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO


Terça-Feira Da X Semana Comum

Primeira Leitura: 1Rs 17,7-16

Naqueles dias, 7 secou a torrente do lugar onde Elias estava escondido, porque não tinha chovido no país. 8 Então a palavra do Senhor foi-lhe dirigida nestes termos: 9 “Levanta-te e vai a Sarepta dos sidônios, e fica morando lá, pois ordenei a uma viúva desse lugar que te dê sustento”. 10 Elias pôs-se a caminho e foi para Sarepta. Ao chegar à porta da cidade, viu uma viúva apanhando lenha. Ele chamou-a e disse: “Por favor, traze-me um pouco de água numa vasilha para eu beber”. 11 Quando ela ia buscar água, Elias gritou-lhe: “Por favor, traze-me também um pedaço de pão em tua mão!” 12 Ela respondeu: “Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Eu estava apanhando dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte”. 13 Elias replicou-lhe: “Não te preocupes! Vai e faze como disseste. Mas, primeiro, prepara-me com isso um pãozinho, e traze-o. Depois farás o mesmo para ti e teu filho. 14 Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até o dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra’”. 15 A mulher foi e fez como Elias lhe tinha dito. E comeram, ele e ela e sua casa, durante muito tempo. 16 A farinha da vasilha não acabou nem diminuiu o óleo da jarra, conforme o que o Senhor tinha dito por intermédio de Elias.

Evangelho: Mt 5,13-16

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 13 “Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens.14 Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15 Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. 16 Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”.

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Viver Da Fé e Na Fe Nos Fazem Partirmos Para Evangelizar

’Levanta-te e vai a Sarepta dos sidônios, e fica morando lá, pois ordenei a uma viúva desse lugar que te dê sustento’. Elias pôs-se a caminho e foi para Sarepta!”.  Esta foi a ordem de Deus para Elias. A razão de Elias deve mudar-se para Sarepta é esta: “secou a torrente do lugar onde Elias estava escondido, porque não tinha chovido no país”. Deus também lhe deu um sinal: “ o encontro com uma viúva pobre. Ela há de prover o necessário para o sustento do profeta (e não mais corvo, animal, como no texto do dia anterior). E Elias obedece à ordem de Deus incondicionalmente, sem lançar nenhuma pergunta a Deus.

Esse episódio está cheio de sabedoria. É uma autentica meditação sobre os caminhos da evangelização. Alguns pontos deste episodio servem para nossa meditação. Em primeiro lugar, o profeta (evangelizador/missionário) deve estar disposto a partir, como Elias que se põe a caminho até Sarepta. Em segundo lugar, seus caminhos conduzem o evangelizador ao desconhecido, ao imprevisto. Em terceiro lugar, o missionário tem que saber reconhecer os sinais dos tempos, e o sinal de Deus, precisamente nos gestos dos pobres representados pela viúva de Sarepta. Em quarto lugar, terá de aceitar a ajuda dos pobres, sem pretender impor seus tesouros culturais, tal como oprofeta Elias aceita a ajuda da viúva  estrangeira. Em quinto lugar, será preciso que o profeta/evangelizador/missionário ouça a expressão de dor dos humildes, que se manifesta com frequência na confissão de sua pobreza: “Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Eu estava apanhando dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte”. Em sexto lugar, diante da dor e da desgraça, o missionário aceita a explicação elementar das pessoas sem apressar-se a impor sua própria interpretação teológica.

O Que É Extremo Para o Homem É Uma Oportunidade Para Deus.: A Extremidade do Homem É a Oportunidade De Deus

Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Eu estava apanhando dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte”, disse a viúva de Sarepta ao profeta Elias. A viúva de Sarepta  foi uma das vítimas da fome provocada pela seca que durou três anos e meio que aconteceu na época do profeta Elias no século IX antes de Cristo.

Sarepta é uma cidade fenícia no Sul do Sídon (hoje Libânio). Deste território foram importados para Israel o deus Baal (deus da fecundidade). Por influência de sua esposa, Jezabel (fenícia), o rei Acab “fez o que o Senhor reprova”, construiu um altar para Baal em Samaria e obriga o povo a prestar culto a este deus Baal (Do rei Acab e sua esposa nos fala 1Rs 16,29-34). O povo, por medo do rei e sua esposa, invoca ao Baal em suas necessidades. Porém, paradoxalmente, o deus Baal, isto é, o deus da fecundidade, é incapaz de enviar a chuva para o povo para acabar com a seca. Todos os ídolos gostam de prometer, mas incapazes de cumprir o que se promete. Ao contrário, Deus pode tardar, mas nunca falha, pois Ele é fiel a Si Próprio.

A situação econômica da viúva e de seu filho é extrema: eles se preparam para a última comida antes de esperar a morte. Mas mesmo sendo fenícia (pagã), a viúva pobre acredita na palavra do homem de Deus, no profeta Elias, que disse à viúva: “Não te preocupes! Vai e faze como disseste. Mas, primeiro, prepara-me com isso um pãozinho, e traze-o. Depois farás o mesmo para ti e teu filho. Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até o dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra’. A viúva dá tudo o que tem para o profeta Elias. É um ato de caridade extrema. É um ato de uma fé muito profunda em Deus.

O resultado da caridade extrema da viúva pobre se resume na seguinte frase: A mulher foi e fez como Elias lhe tinha dito. E comeram, ele e ela e sua casa, durante muito tempo. A farinha da vasilha não acabou nem diminuiu o óleo da jarra, conforme o que o Senhor tinha dito por intermédio de Elias”.

Deus sempre se compadece pelos pobres representados por essa viúva pobre que se apoia na Palavra de Deus. A compaixão ou a misericórdia é a razão pela qual tantas vezes move o coração do Senhor. A compaixão leva Jesus a multiplicar os pães, a curar os doentes, a conversar com os pecadores e não para demonstrar seu poder milagroso. E para aprender a ser misericordiosos, nós devemos nos fixar em Jesus que veio salvar o que estava perdido, carregar nossas misérias para nos salvar delas, compadecer-se dos que sofrem e dos necessitados. Cada página do Evangelho é uma amostra da misericórdia divina. A misericórdia divina é a essência de toda a história da salvação.

Toda nossa esperança se apoia na misericórdia do Senhor, como a viúva pobre que acredita na Palavra de Deus anunciada pelo profeta Elias. Se acreditarmos na eficácia do poder da Palavra de Deus, até nas situações extremas não perderemos a esperança, pois onde termina a força humana, começa a ação de Deus. O homem faz o possível e Deus opera no impossível. A extremidade do homem é a normalidade para Deus.

A viúva pobre nos ensina a ser generosos, mesmo que nos encontremos numa situação extrema. A generosidade é um sinal de gratidão e de liberdade interior. Tudo o que somos e temos vem de Deus, menos o pecado. Há muitas pessoas ricas e inteligentes que são pobres de coração por ignorarem ou até negarem a dimensão profunda daquilo que receberam gratuitamente de Deus. A prática da generosidade é o prolongamento da generosidade de Deus. Através da generosidade manifestamos nossa riqueza interior. Para aqueles que sabem partilhar até o pouco que tem é derramada abundantemente a bênção de Deus, como a viúva pobre da Primeira Leitura. O avarento é, ao contrário, o protótipo dos sem-coração e dos de espírito mesquinho.

Quando passamos por momentos maus, quando sofremos algum tipo de tempo seco em nossa vida e não experimentamos a proximidade de Deus, será que continuamos confiando em Deus ou temos facilidade de cair no desânimo? O Salmo Responsorial de hoje (Sl 4) nos ensina a termos confiança em Deus: Quando eu chamo, respondei-me, ó meu Deus, minha justiça! Vós que soubestes aliviar-me nos momentos de aflição, atendei-me por piedade e escutai minha oração! Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face! Vós me destes, ó Senhor, mais alegria ao coração, do que a outros na fartura do seu trigo e vinho novo”.

E quando vemos outros na mesma situação, será que nós os ajudamos, compartilhando com eles o pouco que temos a exemplo da viúva de Sarepta? Como aqui, no caso de Elias, ou então, na parábola do Bom Samaritano, será verdade que os estrangeiros, os que não tem religião são mais generosos do que os do povo de Deus quando se trata de servir os necessitados?

Ser Cristão É Ser o Sal e a Luz Neste Mundo

O texto do Evangelho fala do testemunho através da linguagem figurada: ser sal e ser luz. A evangelização acontece, principalmente, através do testemunho. O testemunho é, ao mesmo tempo, sal: oculto, porém bem perspectível; e luz: manifesta e visível, que faz todos gozarem da glória de Deus.

1. Vós Sois O Sal Da Terra         

“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens”

Para Jesus, a identidade cristã é “sal da terra”: dá sentido não somente à nossa existência pessoal, mas também àquela de  cada ser humano. O próximo deve senit o sabor da existência do cristão como filho de Deus em Jesus e como irmão dos demais homens. Se o cristão não viver como filho de Deus e irmão dos outros homens, simplesmente o cristão não existirá como cristão.

Mas é fácil perder o sabor de Cristo, que é saber dar a vida no amor e na humildade. A semente da Palavra que nos faz filhos de Deus poderá não se desenvolver em nós (sal insosso), mas poderá também se desenvolver aos poucos e poderá ser sufocada depois de crescer (cf. Mt 13,18-22). Em cada um de nós mora a sabedoria do amor e a vida de egoísmo. Aquilo que você alimenta é que cresce em você tanto no sentido positivo como no sentido negativo. 

Na cultura bíblica o sal é polivalente e tem uma grande função. Ele tempera e conserva os alimentos (Jó 6,6). Ele purifica a água para torná-la potável ou sadia (2Rs 2,19-23). O sal se usava nos pactos como símbolo de sua firmeza e permanência. Por isso, “uma aliança de sal” é uma aliança inviolável (Nm 18,19;2Cr 13,15). Para o povo antigo, o sal também simbolizava a amizade. Por isso, a expressão “comer sal com alguém” significava concluir amizade.  No AT, prescrevia-se que tudo o que se oferecesse a Deus devia estar condimentado com sal para significar o desejo de que a oferenda fosse agradável, principalmente como sinal da permanência da aliança (Lv 2,13). A criança recém-nascida é esfregada com sal não por motivo higiênico, e sim religioso (Ez 16,4).  Além disso, nos tempos antigos, derramava-se sal no terreno inimigo para torná-lo estéril (Jz 9,45; cf. Dt 29,22;Sf 2,9). O sal também é o símbolo  de sabedoria e de pureza moral. E não é em vão que nas línguas latinas os vocábulos sabor, saber e sabedoria pertencem à mesma raiz semântica e família lingüística. Uma pessoa sem sal é uma pessoa pouco agradável, sem conteúdo. Uma pessoa- sal é aquela que tem muita sabedoria, uma pessoa sensata. No árabe popular, a expressão “homens salgados” designa homens virtuosos, piedosos.         

“Vós sois o sal da terra”, diz Jesus aos discípulos. A “terra” aqui é a humanidade inteira, o mundo habitado (cf. Mt 9,6;10,34;12,42;24,30). Acentua-se, assim, o tema querido por Mt da universalidade da missão. Os discípulos de Jesus são o sal que assegura a aliança de Deus com a humanidade (terra) e como o sal é firme e permanente na comida, os discípulos devem ser fiéis ao programa de Jesus. A missão dos discípulos é dar um sentido mais alto a todos os valores humanos, evitar a corrupção, trazer com as suas palavras a sabedoria aos homens. O discípulo é aquele que consegue dar sabor e sentido a tudo aquilo que acontece, difunde uma palavra de sabedoria onde existe dor, e semeia bondade e amor onde existe ódio e rancor. Com a sua presença o discípulo impede que a humanidade se corrompa, não permite que a sociedade seja conduzida por princípios perversos, apodreça e descambe para a ruína. 

Se o sal torna-se insípido... Não serve mais para nada: joga-se fora e é pisado pelas pessoas”.  O povo antigo costumava colocar uma placa de sal nas fornalhas de terra como substância capaz de catalisar o calor. Com o tempo a placa formada por sal ia perdendo sua capacidade catalisadora e então era descartada (nota-se que o texto não diz que o sal perde seu sabor, e sim se desvirtua, pois quimicamente o sal não pode perder seu sabor). Assim acontece com cada discípulo de Jesus. Se aqueles que se chamam cristãos/discípulos de Jesus não forem fiéis aos ensinamentos de Jesus, ao espírito das bem-aventuranças, sem dúvida, merecerão o desprezo dos homens cuja libertação deviam ter colaborado (veja Mt 7,26), e eles serão inúteis, inclusive perigosos e odiosos para os homens. A impropriedade da imagem serve, então, para sublinhar a gravidade daquilo que acontecerá com os discípulos caso eles não vivam segundo o espírito das bem-aventuranças.  Uma comunidade ou um discípulo que, em sua prática, trai a mensagem evangélica perde a razão de existir. A comunidade de discípulos perderá sua identidade como sal, se ela parar de viver no mundo. Consequentemente, o mundo que os discípulos buscam salvar, acabam o destruindo. 

2. Vós Sois a Luz Do Mundo

No AT, Deus é o Criador da luz. Ao criar a luz e dividir o tempo entre luz e trevas, Deus acabou com o primitivo estado de caos (Gn 1,3). A luz é criada por Deus, por isso, ela é um sinal que manifesta visivelmente alguma coisa de Deus. Em outras palavras, a luz é o reflexo da glória de Deus. O Sl 104,2 descreve a luz como vestimenta em que Deus se envolve. Como luz, quando Deus aparece, seu esplendor é semelhante ao dia e das suas mãos saem raios (Hab 3,3s). A luz é, então, a glória ou esplendor de Deus.

No NT a luz é reflexo da divindade. A nuvem luminosa na transfiguração mostra a presença de Deus (Mt 17,5). Deus habita em luz inacessível (1Tm 6,16). Deus é luz (1Jo 1,5). E quem obedece aos seus mandamentos andam na luz (1Jo 1,7). A luz de Deus é vista em Jesus, que é a luz do mundo (Jo 3,19;8,12;9,5;12,35s.46). Jesus é a luz que ilumina todo homem (Jo 1,9) por meio da vida que ele tem dentro de si (Jo 1,4) e brilha para os homens (1Jo 2,8-10). Jesus é também a luz para guiar os pagãos (Lc 2,32). O cristão através de sua participação na luz e na vida de Deus por meio de Jesus, transforma-se em instrumento de luz para aqueles que se acham nas trevas.

“Vós sois a luz do mundo”, diz Jesus aos discípulos. Os discípulos são chamados e enviados para orientar e indicar o caminho no meio da escuridão. A finalidade da missão dos discípulos é a de levar os homens a reconhecerem o Pai. E esse Pai se revela na existência operativa dos que fazem a sua vontade.  Imitando Deus, Pai, no amor por todos, até pelos inimigos, os discípulos se tornam a verdadeira luz para o mundo. Chamados a tornar-se “a luz do mundo”, os discípulos devem fazer tudo para garantir a continuidade da missão de Jesus. Essa luz há de ser percebida: a comunidade cristã e cada cristão não se podem esconder nem viver cerrados em si mesmos. A glória de Deus não mais se manifesta no texto da Lei nem no lugar do templo, mas no modo de agir dos que seguem Jesus. Os discípulos são a luz do mundo à medida que são os reflexos autênticos da vida e do ensinamento de seu Mestre Jesus, e não como os vaga-lumes que só piscam de vez em quando. Os cristãos devem estar bem visíveis e brilhar todos os que se aproximarem deles ou todos os que conviverem com eles. Apesar disso, eles não podem praticar as boas obras para chamar a atenção sobre si, para ser admirados e elogiados. Não é para eles que os homens devem olhar, mas para Deus de Bondade, fonte de todas as boas obras. Os discípulos devem permanecer discretos, pois se a luz bate diretamente nos olhos, somente prejudica, incomoda, irrita e cega.          

Sal e luz são duas coisas que devem ser bem dosadas. O sal dá sabor ao alimento, mas quando excessivo tira-lhe o sabor e faz o paladar provar apenas o dissabor do sal. Acontece mesma coisa com a luz. Precisamos da luz como um dos elementos da sobrevivência. Mas quando a luz é excessiva, pode até cegar, eliminando a capacidade de visão dos olhos. A prática da religião, das virtudes e o bom exemplo, quando mal dosada, pode causar efeito contrário. Se praticarmos as virtudes para criticar os que não as têm e querendo que os outros sejam como nós, nasce, então, a aversão e ainda impede os outros de serem melhores. Mas se as pessoas virem a nossa fé religiosa e a nossa conduta orientadas para a fraternidade e o amor, reconhecer-nos-ão como portadores da luz de Cristo e glorificarão o Pai.          

Por isso, devemos nos perguntar se os outros, os colegas, os nossos familiares, ao perceberem as nossas boas obras e veem nelas a luz de Cristo, os levam a glorificar a Deus e os levam a praticar as mesmas? Quem crê verdadeiramente em Jesus se converte em luz para si mesmo e para os outros.

P.Vitus Gustama,SVD

Sagrado Coração De Jesus, Solenidade, Ano "A", 12/06/2026

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