sexta-feira, 26 de junho de 2026

XIII Domingo Do Tempo Comum, Ano "A", 28/06/2026

AS EXIGÊNCIAS  E AS RECOMPENSAS DO SEGUIMENTO

XIII Domingo Comum “A”

I Leitura: 2Re 4,8-11.14-16ª

Certo dia, o profeta Eliseu passou por Sunam. Vivia lá uma distinta senhora, que o convidou com insistência a comer em sua casa. A partir de então, sempre que por ali passava, era em sua casa que ia tomar a refeição. A senhora disse ao marido: “Estou convencida de que este homem, que passa frequentemente pela nossa casa, é um santo homem de Deus. Mandemos-lhe fazer no terraço um pequeno quarto com paredes de tijolo, com uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma lâmpada. Quando ele vier a nossa casa, poderá lá ficar”. Um dia, chegou Eliseu e recolheu-se ao quarto para descansar. Depois perguntou ao seu servo Giezi: “Que podemos fazer por esta senhora?” Giezi respondeu: “Na verdade, ela não tem filhos e o seu marido é de idade avançada”. “Chama-a” – disse Eliseu. O servo foi chamá-la e ela apareceu à porta. Disse-lhe o profeta: “No próximo ano, por esta época, terás um filho nos braços”.

II Leitura: Rom 6,3-4. 8-11

Irmãos: Todos nós que fomos baptizados em Jesus Cristo fomos baptizados na sua morte. Fomos sepultados com Ele na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, para glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos, sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer; a morte já não tem domínio sobre Ele. Porque na morte que sofreu, Cristo morreu para o pecado de uma vez para sempre; mas a sua vida, é uma vida para Deus. Assim, vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus.

Evangelho:  Mt 10,37-42

Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim. Quem encontrar a sua vida há-de perdê-la; e quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. Quem vos recebe, a Mim recebe; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou. Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo por ele ser justo, receberá a recompensa de justo. E se alguém der de beber, nem que seja um copo de água fresca, a um destes pequeninos, por ele ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa”.

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A HOSPITALIDADE constitui o tema principal da Primeira Leitura (2Re 4,8-11.14-16ª) deste XIII Domingo Comum, e o Evangelho fala também deste tema nos seus últimos versículos: “Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo por ele ser justo, receberá a recompensa de justo. E se alguém der de beber, nem que seja um copo de água fresca, a um destes pequeninos, por ele ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa”.

Lemos na Primeira Leitura que o servo do profeta Eliseu, chamado Giezi adverte ao profeta que a mulher com seu marido que os acolhe em casa não tem nenhum filho e  que seu marido é um ancião (idoso). Para uma mulher judaica não existia pena maior que a de não dar a seu marido um descendente varão. O primogênito era o futuro da família, e as famílias de Israel viviam para o futuro, no qual iam cumprir-se as promessas feitas a Abraão.

O profeta Eliseu (discípulo do profeta Elias) anuncia profeticamente à mulher hospitaleira que no ano seguinte terá o filho desejado: “No próximo ano, por esta época, terás um filho nos braços”. O mesmo que Sara, a mãe de Isaac (Gn 18,3), esta mulher recebe o anúncio com ceticismo. Mas a Palavra de Deus através do seu profeta será cumprida. Em ambos os casos, o nascimento do filho prometido será uma recompensa de Deus à hospitalidade para seus enviados. Séculos depois, Jesus estabelecerá esta lei recompensa divina: “Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá a recompensa de profeta”.

A palavra “HOSPITALIDADE” vem do latim “hospitalitas, atis”. É uma virtude que se pratica para peregrinos, necessitados, e desamparados ou desprotegidos prestando-lhes a devida assistência em suas necessidades. A hospitalidade é a obra de misericórdia. É ato de hospedar; acolhida de hóspedes; é boa acolhida. É recepção ou tratamento afável, cortês; amabilidade, gentileza. Hospitaleiro é aquele que oferece hospedagem por bondade ou caridade.

Para os homens da antiguidade a hospitalidade era sagrada. Gregos, judeus e romanos praticavam, da mesma maneira, a hospitalidade, pois acreditavam que, no visitante, o próprio Deus batia à sua porta para entrar. E acreditavam que Deus presentearia o anfitrião com dádivas divinas. Nisto entendemos a mensagem da Primeira Leitura de hoje.

Os cristãos primitivos praticavam a hospitalidade. Sem essa virtude, o cristianismo provavelmente teria dificuldades para se expandir no mundo romano. Até a Carta aos Hebreus admoesta ou alerta os cristãos: “Não esqueçais a hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem saber, acolheram anjos” (Hb 13,2). O que tem por traz desse alerta é a experiência de Abraão que hospedou três pessoas em sua casa sem saber que eram os três anjos para anunciar que Sara, apesar de sua velhice, geraria um filho chamado Isaac (Gn 18,3; 19,1-2: Lot convida os dois anjos para sua casa). Por isso, antigamente tratava o estrangeiro como sagrado.

Não será inútil escutar o convite que estes textos dirigem aos cristãos de hoje. No mundo desumanizado e muito urbanizado em que vivemos, sem contar outras discriminações e exclusões, o testemunho da hospitalidade adquire uma dimensão profética. Com a hospitalidade nasce uma rede de amor entre as pessoas, derruba preconceitos e produz a alegria mútua e a convivência fraterna. A hospitalidade possibilita o encontro e o diálogo e transforma o estrangeiro em amigo e irmão.

Dentro deste tema podemos também entender o recado de São Paulo na Segunda Leitura  (Rom 6,3-4. 8-11). São Paulo nos diz que o Batismo recebido por nós faz que vivamos uma vida nova: “Fomos sepultados com Ele na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, para glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova”.

A ideia essencial da Primeira Leitura é a “morte com Cristo”. Para a Bíblia, Deus é a vida e seu plano é um plano de vida. A morte física é um acidente que a mentalidade judaica atribui ao pecado (Gn 3; Ez 18). Herdeiro desse conceito judaico, São Paulo liga a morte natural e a morte espiritual do pecado.

Podemos entender esse elo com precisão: não se trata de dizer que a morte física foi um castigo externo estabelecido por Deus pelo pecado do homem. Pelo contrário, é uma questão de entender que, ao encerrar-se no pecado, ou seja, contando apenas consigo para realizar o futuro, o homem se trancou fatalmente na morte, uma vez que apenas uma iniciativa de Deus e, conseqüentemente, uma conversão a Deus pelo homem pode tirá-lo disso. Nesse sentido, São Paulo tem razão ao relacionar o pecado à morte.

Agora, Cristo é o primeiro a penetrar na morte não com o pecado, ou seja, a vontade de viver por si mesmo, mas, pelo contrário, com absoluta fidelidade e total adesão ao Pai, confiando que o Pai salvaria o Filho. Assim, a morte de Cristo suprime o elo que existia até então entre a morte e o pecado; assim, sua morte é verdadeiramente libertadora do pecado, pois ele descobre um homem capaz de ser libertado da morte e ressuscitar simplesmente porque se coloca totalmente nas mãos de seu Pai. Assim, a morte não é um acidente no plano divino da difusão da vida, e sim precisamente aquilo pelo qual Deus dá sua vida ao homem.

Cada Domingo, na celebração da Eucaristia, renovamos o que começamos no Batismo. Cada batizado é enviado a ser irmão da humanidade. Ainda assim, a experiência comum nos mostra que nossa vida, por muito que tenhamos recebido os sacramentos, tem poucas novidades, poucas mudanças, poucas renovações e inovações no Senhor, está instalada em umas formas habituais de atuar, de pensar que nada demonstram a mudança na vida prática e na convivência fraterna.

O evangelho de hoje é a parte final do discurso de Jesus sobre a missão. Mt colocou aqui diversos elementos que ele tomou de diferentes contextos. Dividimos o texto em duas partes. A primeira parte (vv.37-39) apresenta as exigências que Jesus propõe para quem quer segui-lo. Na segunda parte (vv.40-42) Jesus promete recompensar todos aqueles que acolherem os seus enviados.

I. AS EXIGÊNCIAS DE JESUS (vv.37-49)        

Jesus é terrivelmente exigente. Ele exige renúncia de uma radicalidade inaudita e conclui cada exigência com o mesmo refrão: “não é digno de mim!” Ele pede uma adesão total e indivisível à sua pessoa.

1. A Primeira Exigência: Jesus Deve Ser Preferido Aos Vínculos Humanos Mais Sagrados          

Aquele que ama pai e mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Aquele que ama o filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim” (v.37).           

Jesus usa aqui a palavra mais sagrada: “amar”. Certamente a primeira das renúncias se refere ao que há de mais caro a Deus e aos homens: o amor. O mundo inteiro é fruto do amor de Deus. O amor é o porquê da encarnação de Jesus Cristo. A redenção encontra sua resposta no amor de Deus pela humanidade. Todo o NT se fundamenta no amor. E todos nós reconhecemos que nascemos de um momento fecundo do amor. Nenhum preceito que fira o amor tem legitimidade para Jesus e para os cristãos. No entanto, o primeiro e maior amor se deve a Deus (Mt 22,38), porque de Deus provêm todas as expressões do amor e a Deus retornam todos os nossos gestos de amor. Portanto, Jesus não manda não amar pai e mãe e filhos, mas deve amá-los dentro do grande amor que devemos a Deus e devemos renunciá-los sempre que forem empecilho. Trata-se, então, de estruturar a vida inteira a partir desse amor maior que dá sentido a todos os outros. A partir desse amor maior todos os outros amores se enriquecem. Se amarmos os pais e irmãos com o coração cheio do amor de Deus, esse amor se torna digno de confiança. Por isso, embora Jesus insista nas obrigações de seus seguidores aos pais (Mt 15,3ss) e à família (cf. Mt 5,27ss;19,1ss), contudo esse relacionamento não pode, de modo algum, impedir ou prejudicar a obediência do homem diante das exigências de Deus, o Bem Absoluto, o Maior Amor (cf. Mt 8,21s). Todos devem ser dispostos a qualquer sacrifício quando está em jogo a causa de Deus e a própria salvação. Precisamos estar conscientes de que há amores familiares que matam, principalmente do ponto de vista espiritual. Portanto, vivemos em contínua renúncia e permanente abertura às manifestações do amor de Deus.          

Mas cada um de nós, a partir desta exigência, precisa se perguntar: Que lugar ocupa Jesus na sua vida? Ele ocupa o primeiro lugar ou em segundo lugar na sua vida? 

2. A Segunda Exigência É Carregar A Cruz E Renunciar À Própria Vida          

“Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim”.

“Tomar sua cruz” é uma expressão metafórica para a prontidão para a morte, para o movimento de partida de si mesmo em direção a Deus. Cada partida em direção a Deus sempre representa uma morte de si mesmo. A vida que se entrega a Deus tem algo desse morrer em si e será uma nota característica de nossas mais sinceras intenções em seguir a Jesus. Não se ama a cruz em si mesmo, mas ao seguir a Jesus incondicionalmente encontra-se a cruz.          

Cada história tem sua própria cruz e cada cruz tem sua própria história. Todos nós, de alguma forma, carregamos alguma cruz na nossa vida. Mas existe cruz com Cristo, como também existe cruz sem Cristo. Para alguns, a cruz pode ser vivida como tribulação, para os outros ela pode ser vivida como libertação. A cruz sem Cristo é a cruz-condenação. É a cruz de quem deseja ser um deus. É a cruz que não tem finalidade em si mesmo. É a cruz sem fé, sem amor, sem sentido da vida, sem renúncia por amor. É a cruz de quem deseja viver numa liberdade sem responsabilidade. Jesus Cristo, que foi crucificado, transformou a cruz de castigo em bênção. Por isso, se procuramos Cristo sem sua cruz acabamos encontrando a cruz sem Cristo. Mas se procuramos Cristo com sua cruz acabamos encontrando a salvação. Que tipo de cruz que você carrega: com Cristo ou sem Cristo?          

E Jesus acrescenta: “Quem procura conservar a sua vida, vai perde-la. E quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la” (v.39). Buscar a vida era o ideal dos sábios do Antigo Testamento. Mas Jesus convida a mudar esta sabedoria por outra mais profunda que consiste em imitar sua entrega a fim de alcançar a vida em plenitude: a vida sem fim com Deus. A vida vem de Deus e somente ele é capaz de dar a vida. Se a vida é totalmente de Deus e para Deus, então, todas as vezes que o homem se fecha em si mesmo, ele se desliga da sua fonte, da sua razão de ser e da sua única meta possível. Só salva sua vida quem não confia na sua mortalidade, mas se inclui na imortalidade de Deus; mas isto significa morrer para viver eternamente. Certamente, aqui é que está a grandeza maior do homem. A proposta de Jesus é levar a vida a sério, enfrentar com dignidade os desafios, mas sempre se abrir à fonte da vida: Deus. É preciso sair de si mesmo, ultrapassar-se a si mesmo em direção à vida por excelência: Deus. Se renunciarmos aos nossos interesses pessoais, acolheremos os interesses de Deus. Se renunciarmos às falsas propostas da vida, acolheremos a cruz redentora de cada dia, que nos traz consigo o Cristo Salvador. 

II. A PROMESSA DE JESUS A QUEM ACOLHE SEUS ENVIADOS/MISSIONÁRIOS (vv.40-42)        

 Quem recebe um profeta, por ser profeta, receberá a recompensa de profeta. E quem recebe um justo, por ser justo, receberá a recompensa de justo... até um copo de água fresca dada a um dos pequeninos não perderá a sua recompensa” (vv.41-42). 

Encontramos aqui, pelo menos, três grupos na comunidade de Mateus. Os profetas exerciam um ministério itinerante que consistia, sobretudo, na pregação; eram homens suscitados por Deus. Os justos eram homens de virtude comprovada na comunidade, quer pela sua vida exemplar, quer pela fé praticada na caridade. Eram homens fiéis aos mandamentos de Deus. Os pequeninos eram os simples discípulos de Jesus, não ocupavam nenhuma posição destacada na comunidade.          

Qual será a recompensa prometida por Jesus? O texto não especifica a recompensa. Mas se olharmos para o cap. 25 de Mateus, saberemos que uma obra boa feita para os mais insignificantes, mesmo sem consideração de quem ele é ou sem saber se está servindo a Cristo nele, a recompensa será grande: a alegria eterna (Mt 25,31-46). Na atitude adotada diante de um pobre, mostramos a verdadeira generosidade de nosso coração. Partilhar o que temos para os mais pobres é uma forma de prolongar a generosidade do Deus-Criador que criou tudo gratuitamente para os homens. Nós que acreditamos no Deus-Criador devemos manter viva esta generosidade através da partilha daquilo que temos e somos.          

Que as pessoas percebam a marca do amor de Deus nos nossos gestos, palavras e obras para que possam acreditar que Deus existe e que esse Deus é Amor. Assim seja.

P. Vitus Gustama,SVD

São Pedro e São Paulo, Solenidade, Domingo, 28/06/2026

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO

Primeira Leitura: At 12,1-11

Naqueles dias, 1 o rei Herodes prendeu alguns membros da Igreja, para torturá-los. 2 Mandou matar à espada Tiago, irmão de João. 3 E, vendo que isso agradava aos judeus, mandou também prender a Pedro. Eram os dias dos Pães ázimos. 4 Depois de prender Pedro, Herodes colocou-o na prisão, guardado por quatro grupos de soldados, com quatro soldados cada um. Herodes tinha intenção de apresentá-lo ao povo, depois da festa da Páscoa. 5 Enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja rezava continuamente a Deus por ele. 6 Herodes estava para apresentá-lo. Naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes; e os guardas vigiavam a porta da prisão. 7 Eis que apareceu o anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela. O anjo tocou o ombro de Pedro, acordou-o e disse: “Levanta-te depressa!” As correntes caíram-lhe das mãos. 8 O anjo continuou: “Coloca o cinto e calça tuas sandálias!” Pedro obedeceu e o anjo lhe disse: “Põe tua capa e vem comigo!” 9 Pedro acompanhou-o, e não sabia que era realidade o que estava acontecendo por meio do anjo, pois pensava que aquilo era uma visão. 10 Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão abriu-se sozinho. Eles saíram, caminharam por uma rua e logo depois o anjo o deixou. 11 Então Pedro caiu em si e disse: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!”.

Segunda Leitura: 2Tm 4,6-8.17-18

Caríssimo: 6 Quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. 7 Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. 8Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa. 17 Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. 18 O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém.

Evangelho: Mt 16,13-19

Naquele tempo, 13 Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” 14 Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. 15 Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” 16 Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. 17 Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18 Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. 19 Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”.

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Celebramos neste domingo a festa de duas colunas principais da Igreja: São Pedro e São Paulo. Os dois são figuras singulares na história da Igreja e modelos de vida para todos os cristãos. Porém nunca podemos pensar que os dois sejam “super-heróis”, pois eram seres humanos frágeis e limitados como todos os seres humanos. No entanto, eles se entregaram inteiramente nas mãos de Deus e se deixaram modelar pelo Senhor Jesus. Como vasos de barro os dois carregavam o maior tesouro de todos os tesouros: Jesus, o Salvador da humanidade.

Por isso, Pedro e Paulo vivem na dependência absoluta de Jesus. Não realizam a missão por conta de suas próprias forças, sabedoria e competência. Os dois dependem exclusivamente da graça de Deus: “É pela graça de Deus que sou o que sou(1Cor 15,10).

Os dois servem o mesmo Cristo embora de maneira diferente. Não há uma maneira só para servir Cristo e sua Igreja. Cada um dos dois tem suas qualidades. Mas como seres humanos eles também têm suas debilidades ou fraquezas. No entanto essas debilidades jamais deixam os dois de servir o Senhor e Sua Igreja.

O modo de viver e de exercer a missão de Pedro e Paulo nos leva a pensarmos que a primeira missão de todo seguidor de Cristo é consagrar-se totalmente a Jesus: “Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim(Gl 2,20). Pedro e Paulo não se economizam em sua missão e em sua entrega a Jesus: “Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo(Jo 21,17). Dessa maneira Pedro e Paulo caminham como pessoas habilitadas por Deus.

1. Quando Sou Fraco, Então É Que Sou Forte         

Estas palavras foram ditas pelo próprio Paulo na sua Segunda Carta aos Corinthians (2Cor 12,10). O “Quando sou fraco, então é que sou forte” reflete a vida destes dois grandes santos: Pedro e Paulo.        

Pedro foi chamado de homem de pouca fé (Mt 14,31), de Satanás (Mt 16,23). Ele falhou em vigiar e orar junto com Jesus apesar do aviso de Jesus (cf. Mt 26,37-44;Mc 14,33-41). No momento da prisão de Jesus, numa atitude impetuosa, cortou a orelha de Malco, empregado do sumo sacerdote (Jo 18,10). No pátio de Caifás, a determinação de Pedro (cf. Mt 26,33-35) entrou em colapso, não diante de um tribunal, mas diante da pergunta de uma jovem empregada. Ele negou ser discípulo de Jesus (Mt 26,58.69-75).

Mas apesar de tudo, ele reconhece que somente Jesus tem palavras de vida eterna (Jo 6,69). Ele sempre encabeça a lista dos discípulos (cf. Mt 10,2;Mc 3,16;Lc 6,14). Faz parte do círculo mais íntimo dos discípulos (Mc 5,37;9,2;13,3;Lc 8,51), e é o primeiro entre os discípulos (Mt 16,23;Jo 21,19). Ele admite sua ignorância (Mt 15,15;Lc 12,41; cf. também Jo 13,6-10 sobre o lava-pés) e a própria pecaminosidade (Lc 5,8). Ele questiona sobre o perdão e é advertido sobre as consequências do não- perdão (Mt 18,21-35).          

Uma piedosa tradição conta que, durante a perseguição cruel de Nero, Pedro saía de Roma, abandonando a própria comunidade cristã em busca de um lugar mais seguro. Junto às portas da cidade, cruzou-se com Jesus que carregava a Cruz. Quando Pedro lhe perguntou: “Aonde vais, Senhor (Quo vadis, Domine)?” ouviu a resposta do Mestre: “Vou a Roma para deixar-me crucificar novamente”. Pedro entendeu a lição e voltou para a cidade onde o esperava a sua cruz. Um historiador antigo refere que Pedro pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por sentir-se indigno de morrer como o seu Mestre, de cabeça para o alto. Apesar das suas fraquezas, Pedro foi fiel a Cristo, até dar a vida por Ele.          

Ficamos perguntando, por que Pedro, homem que demonstra um pouco de volubilidade e que tem tantos defeitos, foi eleito por Jesus para ser rocha sobre a qual edifica sua Igreja e para apascentar as ovelhas de Jesus? (cf. Jo 21,5-17). Até o próprio Pedro questiona Jesus sobre essa eleição (cf. Jo 21,21). Será que, ao reconhecer os próprios defeitos e fraquezas, Pedro terá condições de compreender os defeitos e fraquezas dos outros sem condená-los, mas ajudá-los a saírem destes? Pois aquele que já passou por uma experiência de miséria, normalmente, sabe repartir o que tem para quem não tem nada para viver. Nunca podemos compreender completamente os mistérios de Deus. Oscar Wilde dizia: “Todo santo tem um passado e todo pecador tem um futuro”. Talvez o profeta Isaías tenha razão quando coloca estas palavras na boca de Deus: “Pois meus pensamentos não são os vossos, e o vosso modo de agir não é meu... meus pensamentos ultrapassam os vossos(Is 55,8.9b). Por isso, junto com o salmista podemos rezar: “Ensina-me, Senhor, vosso caminho...!” (Sl 26,11), pois “os caminhos de Deus são perfeitos(2Sm 22,31).          

Paulo também passou por uma experiência dolorosa antes de conhecer Jesus Cristo. A queda de Paulo na estrada de Damasco foi a linha divisória para sua vida entre antes e depois (At 9,1ss). Essa queda é a chave geral para entender Paulo e toda a sua luta incansável.          

Paulo sempre foi um homem profundamente religioso, judeu praticante, irrepreensível na mais estrita observância da Lei (Fl 3,6;At 22,3) cheio de zelo pelas tradições paternas (Gl 1,14). Para defender essas tradições, chegou a perseguir os cristãos e isso com o apoio do Sinédrio.          

Mas na estrada de Damasco Paulo, em vez de perseguir, ele foi perseguido por Cristo. A entrada de Jesus na vida de Paulo não foi pacífica, mas sim de uma maneira violenta.          

Deus não pediu licença a Paulo. Ele entrou e o derrubou (At 9,4;22,7;26,14). Caído no chão, Paulo se entregou. Lucas não diz que Paulo caiu do cavalo, mas “cai por terra”, porque essa é a fraseologia usada em alguns textos bíblicos para descrever a reação humana diante da manifestação divina. Paulo é interpelado duas vezes pelo seu nome hebraico, transcrito em grego: “Saoúl, Saoúl” (v.4). A repetição do nome corresponde ao esquema de diálogos de revelação aos patriarcas bíblicos: Abraão, Jacó, Moisés (Gn 22,1;46,2;Ex 3,4). A novidade na experiência de Paulo é a pergunta: “Por que você me persegue?” (v.4). Ela revela uma situação singular. Aquele que fala com Paulo, no contexto de uma luz divina, se identifica com aqueles que Paulo está perseguindo (v.5 cf). A identificação de Jesus com os seus discípulos perseguidos coloca Paulo diante de uma escolha sem alternativas (cf. Mt 25,40.45). Ele precisa mudar radicalmente os seus projetos.          

Uma luz o envolveu (v.3) e era tão forte que Paulo ficou cego. Ele começou a enxergar até que Ananias interveio para dar-lhe o sentido da sua aceitação na Igreja e da certeza de caminhar na via que leva a Deus. Paulo ressuscitou no exato momento em que foi acolhido na comunidade como irmão(v.18).          

Paulo ganhou novos olhos. Ele via as mesmas coisas de sempre: a vida, as pessoas, a Bíblia, o povo, a sinagoga, o trabalho e tudo que pertencia ao seu mundo. Mas a nova experiência do amor de Deus em Jesus(Rm 8,39) mudou os olhos, e o ajudou a descobrir novos valores que antes não via. A visão de Deus é luz, mas para a carnalidade do homem é motivo de espanto e faz com que o homem perceba toda a escuridão em que se encontra. Em contato com Deus que é luz, o homem se reconhece que é trevas.                 

O nascimento de Paulo, segundo 1Cor 15,8, para Cristo não foi normal. Deus o fez nascer de maneira forçada. Paulo foi arrancado de dentro de seu mundo, como se arranca uma criança do seio da mãe por meio de uma operação.          

A partir da experiência de Damasco, Paulo não consegue confiar naquilo que ele faz por Deus, mas só naquilo que Deus fez por ele. Já não coloca sua segurança na observância da Lei, mas sim no amor de Deus por ele(Gl 2,20s;Rm 3,21-26). Essa experiência chama-se Gratuidade. Essa foi a marca de experiência de Paulo na estrada de Damasco que renova por dentro todo o seu relacionamento com Deus. Essa experiência da gratuidade do amor de Deus vai dar rumo à vida de Paulo e vai sustentá-lo nas coisas que virão. Essa experiência é a nova fonte da sua espiritualidade que faz brotar nele uma “poderosa energia”(Cl 1,29), energia muito mais forte e muito mais exigente do que a sua vontade anterior de praticar a Lei e de conquistar a justificação. Essa experiência levou Paulo a desocupar o barraco da sua vida para deixar Jesus entrar nela.  Ele cresce tanto no amor de Cristo, a ponto de dizer: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”(Gl 2,20). Essa “desapropriação” de si mesmo, porém, não lhe tira a liberdade. Pelo contrário, ele diz: “É para a liberdade que Cristo nos libertou”(Gl 5,1;2,4). A experiência da gratuidade do amor de Deus faz Paulo suportar lutas e perseguições, viagens e canseira, o peso do dia-a-dia(2Cor 11,23-27); sofrer com aqueles que sofrem(2Cor 11,29). Essa experiência mudou os olhos de Paulo e o ajudou a descobrir novos valores que antes não via.          

Pálido, doente e acabado, Paulo foi levado a um vale solitário chamado Aquae Salviae em Roma. Seu corpo foi açoitado pela última vez. Inclinou a cabeça à espera da espada que o conduziria ao martírio. O lugar onde ele foi martirizado, hoje chama-se Tre Fontane como recordação de Cabeça de Paulo que por três vezes bateu no chão antes de parar no instante dramático da morte. Realizou, assim, o único desejo de sua vida: estar com seu Senhor e Mestre Jesus Cristo: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).          

O Deus do Evangelho e da misericórdia é Aquele que no instante em que me faz compreender que errei completamente com relação a Ele, porque me coloquei em seu lugar, demonstra-me a sua misericórdia ao perdoar-me e me dá confiança ao chamar-me ao seu serviço, confiando-me a sua própria Palavra.          

Este instante resume para Paulo tudo o que ele sabia de Deus de maneira errada. O escuro se torna claro, o violento se torna misericordioso.          

O evento de Damasco é algo tão rico que devemos aproximar-nos com muita humildade e reverência, convencidos de que compreendemos pouco, que sabemos pouco com relação a isto, mas que poderemos conhecer muito mais pela graça de Deus. Então, compreenderemos melhor a nós mesmos, o caminho da nossa vida e as nossas conversões.          

A experiência de Paulo nos faz perguntar: “Quando foi que me converti? Existe em minha vida um “quando” da conversão ao qual posso referir-me como momento histórico? Mesmo que não tenha havido um “quando” temporal, certamente aconteceram momentos de mudança, de transformação, de crise que nos levaram a uma nova compreensão do mistério de Deus.          

Se nunca realizamos a fundo esta mudança de mentalidade que é essencial para a vida cristã, ainda não chegamos a compreender o que é a novidade do caminho cristão. Se não compreendo bem as coisas ditas sobre Paulo, provavelmente é difícil que compreenda o que aconteceu em mim.           

2. Pedro E Paulo Revelam Face Institucional E Carismática Da Igreja

Pedro e Paulo são chamados as duas colunas da Igreja. Os dois revelam, de maneira expressiva, as duas faces da Igreja: a institucional e a carismática. Por um lado, a Igreja é um dom que recebemos de Cristo e da Tradição. Aqui não se inventa nem se acrescenta; acolhe-se com gratidão. Entretanto ela pode conter perigos; favorece a acomodação, facilmente se incorre no legalismo, no moralismo e na rigidez dogmática que impede ou suspeita de toda novidade. Pedro corporifica a face institucional da Igreja. Mas estes limites são superados ou equilibrados por outra face: a face carismática. Porque, a Igreja é resposta humana, criatividade face aos desafios de cada geração, adaptação aos valores das culturas, inovação nos modos de pensar a fé, de rezar a Deus e de viver o Evangelho. Mas esta face tem também seus limites: a invenção não pode adulterar a substância da fé apostólica; cumpre guardar uma fidelidade essencial ao espírito de Jesus e dos Apóstolos. Paulo corporifica a face carismática da Igreja. A Igreja que hoje possuímos é fruto desta síntese feliz. A festa de Pedro e Paulo nos quer recordar os bons frutos que nos vêm desta tensão conservando a unidade dentro da pluralidade. 

3. Pedro e Paulo Nos Trazem a Mensagem da Esperança 

Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte”, contou-nos São Paulo sua experiência (2Cor 12,10). 

As duas figuras, Pedro e Paulo, nos trazem uma mensagem de esperança. Na vida podemos ter muitos defeitos e fraquezas até chegamos a ponto de não conseguirmos sair deles, mas ninguém pode escapar do amor de Deus desde que acolhamos este amor com muita humildade. Pedro e Paulo são testemunhas de tudo isto. Como se os dois quisessem nos dizer: “Não desista! Tudo tem seu tempo e sua solução, pois Deus te ama”.           

Deus conta com o tempo para formar cada um de nós, seus instrumentos, como conta também com a nossa boa vontade. Se tivermos a boa vontade de Pedro e de Paulo, se formos dóceis à graça de Deus, iremos convertendo-nos em instrumentos idôneos para servir o Mestre e para levar a cabo a missão que nos confiou. Até os acontecimentos que parecem mais adversos, os nossos próprios erros e vacilações, se recomeçarmos uma vez e outra, se abrirmos o coração ao Senhor e às pessoas capacitadas na direção espiritual, haverão de ajudar-nos a estar mais perto do Senhor que não se cansa de suavizar os nossos modos rudes e toscos. É provável que, em momentos difíceis de nossa vida, cheguemos a ouvir como Pedro: “Homem de pouca fé, por que duvidaste?” (Mt 14,31). E veremos Jesus ao nosso lado, estendendo-nos a mão para nos ajudar.

4. Quem é Jesus Para Mim?

“E vós, quem dizeis que eu sou?”. É a pergunta que cada um deve responder como seguidor de Cristo. Pedro e Paulo já responderam a mesma pergunta com sua vida e seu testemunho. 

“E vós, quem dizeis que eu sou?”. Podemos saber e crer em muitos fatos da vida de Jesus, mas não significa que tenhamos a experiência com Ele. O cristianismo jamais consiste em saber sobre Jesus, mas sempre consiste em conhecer Jesus. Pela origem da palavra, o verbo “conhecer” quer dizer “com-nascer”, nascer com, fazer-se um com outro. Somente conhecemos o outro, entregando-nos a ele e aceitando que ele se entregue a nós. A experiência não é uma recordação. A experiência é um ato ou algo que nos acontece e transforma nossa atitude e nosso modo de viver e de perceber a vida e as pessoas.                

A experiência que o cristão deve ter em relação a Jesus é a experiência de Jesus ressuscitado, isto é, do Cristo vivo aqui e agora, ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13,8) e que continua nos acompanhando diariamente (cf. Mt 28,20). Não se trata de uma experiência histórica, mas uma experiência trans-histórica, pessoal e intransferível.        

Sem essa experiência pessoal com Jesus, o cristianismo se reduzirá a uma religião de um livro cheio de recordações da vida de uma pessoa no passado. O cristianismo não é uma religião do livro, mas uma religião da Palavra viva que é ouvida, experimentada e percebida em sua força transformadora por quem tem “ouvidos para escutar” e o coração aberto para sentir que nos permite abrirmos à transcendência. Esta experiência nos leva a vivermos um conjunto de experiências tais como o amor a Deus e ao próximo, a solidariedade e a compaixão, o perdão e a reconciliação, a verdade e a veracidade, a fidelidade, a abertura ao novo, a liberdade e assim por diante. Neste sentido o cristão é aquele que está sempre ligado consigo mesmo, com seu próximo, com o mundo e com o Divino.       

Todos nós recebemos, de diversas maneiras, uma chamada concreta para servir o Senhor. E ao longo da vida chegam-nos novos convites para segui-lo, e temos de ser generosos com Ele em cada novo encontro. Temos de saber perguntar a Jesus na intimidade da oração, como São Paulo: “Que devo fazer, Senhor? Que queres que eu deixe por Ti? Em que desejas que eu melhore? Neste momento da minha vida, que posso fazer por Ti?         

Pedimos hoje a São Pedro e ao Apóstolo dos pagãos, Paulo, um coração como o deles, para sabermos passar por cima das pequenas humilhações ou dos aparentes fracassos que acompanham necessariamente a ação apostólica, ou a nossa vida em geral. E dizemos a Jesus que estamos dispostos a conviver com todos, a oferecer a todos a possibilidade de conhecê-lo e amá-lo, sem nos importarmos com os sacrifícios nem pretendermos êxitos imediatos. Assim seja!

P. Vitus Gustama,svd

Sábado Da XII Semana Comum, Ano Par, 27/06/2026

UM “PAGÃO” QUE ENSINA O CRENTE A CRER NO PODER DA PALAVRA DE DEUS  E A SERVIR AO PRÓXIMO

Sábado da XII Semana Comum

Primeira Leitura: Lamentações 2,2.10-14.18-19

2 O Senhor destruiu sem piedade todos os campos de Jacó; em sua ira deitou abaixo as fortificações da cidade de Judá; lançou por terra, aviltou a realeza e seus príncipes. 10 Sentados no chão, em silêncio, os anciãos da cidade de Sião espalharam cinza na cabeça, vestiram-se de saco; as jovens de Jerusalém inclinaram a cabeça para o chão. 11 Meus olhos estão machucados de lágrimas, fervem minhas entranhas; derrama-se por terra o meu fel diante da arruinada cidade de meu povo, vendo desfalecerem tantas crianças pelas ruas da cidade. 12 Elas pedem às mães: “O trigo e o vinho, onde estão?” E vão caindo como derrubadas pela morte nas ruas da cidade, até expirarem no colo das mães. 13 Com quem te posso comparar, ou a quem te posso assemelhar, ó cidade de Jerusalém? A quem te igualarei, para te consolar, ó cidade de Sião? Grande como o mar é tua aflição; quem poderá curar-te? 14 Teus profetas te fizeram ver imagens falsas e insensatas, não puseram a descoberto a tua malícia, para tentar mudar a tua sorte; ao contrário, deram-te oráculos mentirosos e atraentes. 18 Grite o teu coração ao Senhor, em favor dos muros da cidade de Sião; deixa correr uma torrente de lágrimas, de dia e de noite. Não te concedas repouso, não cessem de chorar as pupilas de teus olhos. 19 Levanta-te, chora na calada da noite, no início das vigílias, derrama o teu coração, como água, diante do Senhor; ergue as mãos para ele, pela vida de teus pequeninos, que desfalecem de fome em todas as encruzilhadas.

Evangelho: Mt 8,5-17

Naquele tempo, 5 quando Jesus entrou em Cafarnaum, um oficial romano aproximou-se dele, suplicando: 6 “Senhor, o meu empregado está de cama, lá em casa, sofrendo terrivelmente com uma paralisia”. 7 Jesus respondeu: “Vou curá-lo”. 8 O oficial disse: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado. 9 Pois eu também sou subordinado e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: ‘Vai!’, e ele vai; e a outro: ‘Vem!’, e ele vem; e digo a meu escravo: ‘Faze isto!’, e ele faz”. 10 Quando ouviu isso, Jesus ficou admirado, e disse aos que o seguiam: “Em verdade, vos digo: nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé. 11 Eu vos digo: muitos virão do Oriente e do Ocidente, se sentarão à mesa no Reino dos Céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó, 12 enquanto os herdeiros do Reino serão jogados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes”. 13 Então, Jesus disse ao oficial: “Vai! E seja feito como tu creste”. E, naquela mesma hora, o empregado ficou curado. 14 Entrando Jesus na casa de Pedro, viu a sogra dele deitada e com febre. 15 Tocou-lhe a mão, e a febre a deixou. Ela se levantou, e pôs-se a servi-lo. 16 Quando caiu a tarde, levaram a Jesus muitas pessoas possuídas pelo demônio. Ele expulsou os espíritos, com sua palavra, e curou todos os doentes, 17 para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías: “Ele tomou as nossas dores e carregou as nossas enfermidades”.

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Em Deus Encontramos a Proteção e a Salvação

Lemos em 2Rs 24,8-17 (Primeira Leitura da Quinta-Feira passada) a conquista de Jerusalém pelo rei babilônico, o Templo de Jerusalém destruído e os elites deportados para Babilônia. Em épocas anteriores, Deus interviera para livrar o Povo eleito do ataque dos sírios (Is 7,1-9) e mais recente, das tropas de Senaquerib (2Rs 19).

Desta vez (que lemos também na Primeira leitura), na leitura dos deuteronomistas, Deus se colocou contra o povo que foi infiel a Ele. Segundo a tradição deuteronomista o estado atual do povo responde a uma lógica: o mau comportamento termina com o mau resultado. Logo, o sofrimento é merecido. Segundo este paradigma, os inimigos não são culpáveis e sim são instrumentos de Deus e fizeram o que a lógica ordenava. Neste sentido, Deus é inteiramente justo com seu povo. Podemos dizer que, a partir da lógica deuteronomista, o âmbito da dor não faz parte da realidade, ou melhor dizer, não fica totalmente integrada, tão somente é uma nota adicional ao drama que se vive ou à infidelidade que se pratica contra Deus.

Os profetas, entre eles o profeta Jeremias (Jr 25,9;26,9;28,14), tinham anunciado o desastre causado pelo pecado e pela persistência do povo no pecado (Jr 22,3). A destruição de Jerusalém, que é a sede das promessas de Deus, de sua presença e de sua justiça, significa, para o povo eleito, uma ruptura de toda a fé acumulada durante séculos.

Dentro deste contexto, podemos entender o conteúdo do Salmo Responsorial de hoje (Sl 73/74): Senhor, por que razão nos rejeitastes para sempre e vos irais contra as ovelhas do rebanho que guiais? Recordai-vos deste povo que outrora adquiristes, desta tribo que remistes para ser a vossa herança, e do monte de Sião que escolhestes por morada! Dirigi-vos até lá para ver quanta ruína: no santuário o inimigo destruiu todas as coisas; puseram fogo mesmo em vosso santuário! Rebaixaram, profanaram o lugar onde habitais! Recordai vossa Aliança!.

A Primeira Leitura de hoje é tirada do Livro das Lamentações. É muito conveniente que ao terminar a seção histórica do Livro dos Reis, a Igreja nos proponha uma página de um “homen inspirado” que escreveu as Lamentações. Quem escreveu as Lamentações é um grande poeta cujo coração é bastante sensível e é um homem de Deus. Ele se solidariza com a desgraça do povo, inclusive quenado este povo é culpável.

O Livro das Lamentações é breve: somente tem cinco capítulos. Trata-se de uma coleção de cinco poemas anônimos em torno ao tema comum da queda de Jerusalém.

O texto que lemos na Primeira Leitura de hoje é um canto patético de dor: a cidade destruída, os anciãos silenciosos, as lágrimas nos olhos de todos, as crianças mortas e as crianças desfalecidas de fome, o povo destinado ao desterro e assim por diante. Mas o autor do Livro convida o povo a dirigir-se a Deus com sua oração e suas mãos erguidas para o céu, que se resume no Salmo Responsorial de hoje: “Recordai-vos deste povo que outrora adquiristes, desta tribo que remistes para ser a vossa herança, e do monte de Sião que escolhestes por morada! Recordai vossa Aliança!”.

Como os judeus, temos que erguer nossas mãos até Deus e lamentar-nos de situações dramáticas de nossa época. Hoje em dia, há muita abundância em certos países, mas ao mesmo tempo há muitíssimas crianças que gritaram pedindo pão e moradia, especialmente as crianças refugiadas vítimas de guerras civis e suas mães não sabem o que fazer. Sem a ajuda de Deus e o socorro da humanidade, todas as crianças serão condenadas a partir deste mundo antes do tempo. Quando refletirmos e interpretarmos nossa história pessoal de dor ou as desgraças da comunidade cristã (muitos cristãos foram assassinados pelos fanáticos de outras crenças) ou da sociedade humana a partir da fé, todos nos tornaremos mais humildes e recorreremos a Deus como maior confiança, pois somente Deus tem as chaves da história e continua querendo nossa salvação. Muitos dos Salmos que lemos ou rezamos nos servem para expressar também nossos sentimentos e nos ajudam a lermos a história com sentido religioso e por isso, nunca perderemos nossa esperança em Deus que nos ama. O milagre dos milagres é o olhar amoroso de Deus para mim, para você, para nós todos e para a humanidade em geral. Confiamos neste olhar amoroso de Deus e estar dentro deste olhar amoroso.

Um “Pagão” Que Tem Fé Em Deus

Ontem lemos o relato da cura do leproso, quando Jesus desceu do Monte do Sermão. Hoje escutamos mais dois milagres: em favor do empregado de um centurião  e da sogra de Pedro. Ontem Jesus curava um leproso, um recusado pela sociedade. Hoje atende a um estrangeiro. Jesus tem uma admirável liberdade diante das normas convencionais de seu tempo. Jesus transmite a salvação de Deus como e quando quer.

Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado”. São as palavras que pronunciamos......

Segundo Mateus, o primeiro milagre operado por Jesus, que é a cura do leproso, foi para um membro do povo de Deus. O segundo milagre foi em favor de um pagão. Tudo é um programa. O movimento missionário da Igreja já está presente nesse segundo milagre. A salvação de Deus não está reservada para uns poucos. Deus ama a todos os homens; seu amor rompe as barreiras que levantamos entre nós. Jesus fez seu segundo milagre em favor de um oficial romano, em favor de um pagão. E os romanos eram mal vistos pelo Povo eleito. 

Senhor, meu empregado está de cama, paralitico”, disse o centurião a Jesus. O militar é “pagão”, romano, ou seja, da potência ocupante. Mas a graça não depende do homem se é um judeu ou romano, e sim de sua atitude de fé. E o centurião dá mostras de uma grande fé e humildade. A fé abre as portas que conduzem à proximidade de Deus e de seu Filho, Jesus Cristo. O milagre possibilita também a descobrir Deus dentro da própria humanidade. Jesus, com seus milagres, cura a humanidade de dentro, tira as barreiras que põem a exclusão e a marginalização, e aproxima o ser humano para Deus. O milagre dos milagres é o olhar amoroso de Deus para a humanidade que busca a libertação.

O oficial romano não pertence a uma Igreja ou a uma religião, ou ao Povo eleito, porém se comporta como um verdadeiro homem de Deus. Ele se comporta muito humano com os outros, especialmente com aquele que no olhar da sociedade não tem importância para se tratar daquela maneira. Por isso, esse oficial romano é um verdadeiro e autêntico homem de Deus. O homem de Deus trata o outro de maneira humana, pois o outro é o filho de Deus, templo do Espírito Santo (cf. 1Cor 3,16-17). Por essa razão, podemos encontrar os cristãos em qualquer religião, crença ou grupo, pois “Vós os reconhecereis pelos seus frutos” (Mt 7,16.20). Com efeito, o paganismo não depende da pertença ou não a uma religião. O paganismo depende do modo de viver e de se comportar com os demais homens. Por isso, um cristão pode ser um pagão por causa do seu modo de viver não cristão. E aquele que se diz pagão pode ser um verdadeiro cristão se ele comportar-se como o oficial romano que se preocupa com o bem do outro e acredita no poder de Deus. Em outras palavras, existem os cristãos pagãos como existem também os pagãos cristãos a partir do modo de viver e de conviver.                 

Ao atender esse oficial “pagão” Jesus quer nos mostrar que ele não aceita nossas divisões, nem nossos racismos nem nossas discriminações. O coração de cada seguidor de Jesus deve ser universal e missionário, como o próprio coração de seu Mestre, Jesus Cristo. E cada cristão deve reconhecer e aceitar com facilidade qualquer pessoa do bem, independentemente de sua crença.        

Senhor, meu empregado está de cama, paralitico”. A oração desse homem serve de exemplo para nós. Ele expõe simplesmente a situação; descreve a doença. E o mais notável é que ele pede em favor do outro, de seu empregado. É uma oração de intercessão. Será que eu rezo somente por mim mesmo e somente pela minha família? Será que tem lugar na minha vida uma oração de intercessão? Será que eu rezo pelos outros, especialmente pelos necessitados e por aqueles dos quais não gosta de mim ou por aqueles das quais eu não gosto? (cf. Mt 5,43-47).

O Senhor sente em todo caso o grito de sofrimento, apesar de o doente não estar presente. O Senhor não é insensível. Sua reação é imediata: "Vou curá-lo".

Mas é impressionante a profunda humildade desse oficial ao dizer a Jesus: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado”. Este pagão é muito consciente de que a lei judaica o recusa por ser pagão. Ele não quer pôr Jesus em uma situação de “impureza legal”. Por isso, ele quer evitar que Jesus entre em sua casa. “Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado“, diz o oficial a Jesus. Este homem valoriza a Palavra de Jesus, porque a Palavra de Deus está cheia de autoridade e de poder. O que interessa ao evangelista Mateus é algo muito distinto: a força da Palavra de Jesus que atua ou opera em quem crê. O oficial romano estava muito seguro do poder de Jesus, e por isso, ele disse: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado”. Ele olha para Jesus como quem tem autoridade em Sua palavra, pois entende que a enfermidade e o mal têm que obedecer a Ele assim como os soldados obedecem ao seu general: “Pois eu também sou subordinado e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: ‘Vai!’, e ele vai; e a outro: ‘Vem!’, e ele vem; e digo a meu escravo: ‘Faze isto!’, e ele faz”. Para ele, Jesus Cristo é um grande “general” de todas as forças do universo. É uma maravilhosa comparação. O mais maravilhoso ainda é o tamanho da fé desse oficial romano.

Pela fé na Sua Palavra Jesus elogia esse homem: “Em verdade, vos digo: em ninguém em Israel encontrei tanta fé”. Jesus constata que somente um “pagão” acredita sem hesitação no poder da Palavra (Mt 27,54). De duas coisas o Senhor fica maravilhado: de nossa fé (Mt 8,10; 27,54) e da nossa falta de fé (Mc 6,6). Radicalmente, a liberdade se exprime na fé e na desconfiança em Deus. Aqui, neste texto, é a fé de quem se considera pagão. Mas se comporta como um verdadeiro cristão. A fé em Deus, antes de estar em nossos atos, está no acreditar na eficácia de sua Palavra em nosso favor.                 

Jesus põe em contraste a incredulidade dos seus contemporâneos judeus com a fé do pagão: “Em verdade, vos digo: em ninguém de Israel encontrei tanta fé”. O tamanho da fé do “pagão” não se encontra no meio do Povo eleito. A fé que se encontra no “pagão” não se encontra naqueles que se dizem fieis ou crentes.  O “pagão” ensina o crente a acreditar na Palavra de Deus, pois ela é eficaz. É uma grande ironia! A fé que Jesus exige é um impulso de confiança e de abandono pelo qual o homem renuncia a apoiar-se em seus pensamentos e em suas forças para abandonar-se à Palavra e ao poder de Aquele em quem acredita. 

Antes de receber o Corpo do Senhor na comunhão, repetimos a frase desse oficial romano: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha morada. Dize uma só palavra, serei salvo”. A Eucaristia quer curar nossas debilidades. O próprio Senhor Jesus se faz nosso alimento e nos comunica sua vida: “O Pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo. Quem come minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna” (Jo 6,51.54). A vida de Cristo que recebemos na comunhão deve transformar nossa vida em vida para os demais homens. O oficial romano nos ensina a nos preocuparmos com o bem do outro e a crermos no poder eficaz da Palavra de Deus.

A Cura E O Serviço

O segundo milagre é a cura da sogra de Pedro. A sogra de Pedro se encontra com a febre. Para os antigos, as doenças, e principalmente a febre, eram obra do demônio ou de origem demoníaca (cf. Lc 13,11-16), que suga a saúde das pessoas que resulta na diminuição da capacidade de viver e de usufruir a vida na sua plenitude (“está de cama”, prostrada).         

Jesus se mostra, aqui, solidário com a humanidade sofrida: Jesus “Tocou-lhe a mão, e a febre a deixou. Ela se levantou, e pôs-se a servi-lo.” . A força da solidariedade sempre causa o reerguimento de quem estiver prostrado sobre o peso de problemas da vida.          

O “tomar pela mão” e “fazer levantarsão duas expressões usadas em cenas de ressurreição. O termo “levantar-se” também significa “ressurgir da morte” (cf. Mc 14,28; 12,26). E o mesmo termo será usado no anúncio da ressurreição do próprio Jesus (Mc 16,6). Em outras palavras, o gesto de Jesus de levantar a sogra de Simão antecipa a vitória de Jesus sobre a morte e por isso, antecipa também nossa ressurreição. A expressão “tomar pela mão” também tem um significado como um gesto típico da salvação de Deus quando resolve levantar o seu povo abatido (cf. Is 41,13;42,6;45,1; Sl 73,23-24).          

Jesus ajuda a sogra de Simão a se levantar que a impedia de servir, de fazer o bem, pois, de fato, logo depois, “ela passou a servi-los”. Isto significa que a sogra de Simão, mulher ressuscitada, vai começar a fazer parte da casa de Jesus ou do grupo dos seus discípulos. Aqui a sogra de Simão que foi curada representa todos os pequeninos levantados por Jesus (a mulher era desvalorizada).

A palavra grega que a Bíblia geralmente traduz como “servir” é DIAKONEIN, que significa o serviço à mesa. Isto significa que quem serve à mesa serve à vida, nutre o outro com vida, atrai vida para o outro. É despertar vida. É atrair vida nas pessoas. Servir é, portanto, algo vital, isto é, algo que tem a ver com a vida. Quando sirvo alguém, não me rebaixo, mas sirvo à vida e busca a chave para suscitar vida nas pessoas. Quando eu pronunciar as palavras cheias de esperança para os outros, estarei praticando o verdadeiro serviço. Se eu conseguir despertar no outro a capacidade de recomeçar a vida, de despertar a esperança no outro, pois o Senhor está conosco, estarei praticando o verdadeiro serviço. Jesus nos diz: “Quem quiser ser grande, seja vosso servidor; e quem quiser ser o primeiro dentre vós, seja o servo de todos”. Grande é aquele que desperta a vida, a fé, a esperança e o amor no outro. 

Para o Senhor, se alguém quiser triunfar na vida deverá saber amar, sair de seu narcisismo, abrir os olhos e ser sensível ao sofrimento dos outros e despertar vida nos outros. Ninguém é triunfador se não torna a vida dos outros mais feliz e melhor, isto é, mais frutífera. O risco de todo triunfador deste mundo, e não ao estilo de Jesus, é cair derrotado por sua falta de amor ao próximo, especialmente ao mais necessitado. O amor tornado serviço é o caminho para alcançar a plenitude humana. O que nos faz mais humanos é o cuidado e a proteção do fraco, do necessitado, do ancião, do desvalido, do excluido. A espiritualidade cristã é encontrar Deus no irmão, sobretudo, no pequeno. Trata-se de fazer-se próximo do desvalido, do desconhecido, do machucado pela vida, do fraco, dos que sentimos afastados. Portanto, O importante não é em qual Deus acreditamos e sim a que Deus servimos.

P.Vitus Gustama, SVD

XIII Domingo Do Tempo Comum, Ano "A", 28/06/2026

AS EXIGÊNCIAS   E AS RECOMPENSAS DO SEGUIMENTO XIII Domingo Comum “A” I Leitura: 2Re 4,8-11.14-16ª Certo dia, o profeta Eliseu passou ...