terça-feira, 19 de maio de 2026

Sexta-feira Da VII Semana Da Páscoa, 22/05/2026

AMOR É O FUNDAMENTO DE TODA A MISSÃO E A ATIVIDADE PASTORAL

Sexta-Feira da VII Semana da Páscoa

Primeira Leitura: At 25,13b-21

Naqueles dias, 13b o rei Agripa e Berenice chegaram a Cesareia e foram cumprimentar Festo. 14 Como ficassem alguns dias aí, Festo expôs ao rei o caso de Paulo, dizendo: “Está aqui um homem que Félix deixou como prisioneiro. 15 Quando eu estive em Jerusalém, os sumos sacerdotes e os anciãos dos judeus apresentaram acusações contra ele e pediram-me que o condenasse. 16 Mas eu lhes respondi que os romanos não costumam entregar um homem antes que o acusado tenha sido confrontado com os acusadores e possa defender-se da acusação. 17 Eles vieram para cá e, no dia seguinte, sem demora, sentei-me no tribunal e mandei trazer o homem. 18 Seus acusadores compareceram diante dele, mas não trouxeram nenhuma acusação de crimes de que eu pudesse suspeitar. 19 Tinham somente certas questões sobre a sua própria religião e a respeito de um certo Jesus que já morreu, mas que Paulo afirma estar vivo. 20 Eu não sabia o que fazer para averiguar o assunto. Perguntei então a Paulo se ele preferia ir a Jerusalém, para ser julgado lá. 21 Mas Paulo fez uma apelação para que a sua causa fosse reservada ao juízo do Augusto Imperador. Então ordenei que ficasse preso até que eu pudesse enviá-lo a César.

Evangelho: Jo 21,15-19

Jesus manifestou-se aos seus discípulos 15e, depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros”. 16E disse de novo a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro disse: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas”. 17Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas. 18Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir”.19Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou: “Segue-me”.

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Jesus Cristo Está Vivo e Vive Como Companheiro De Nossa Caminhada Diária

Estamos nas últimas páginas do Livro dos Atos dos Apóstolos. Estas páginas finais citam um certo número de figuras históricas. Um deles é Festo. Festo, como todos os personagens romanos que aparecem no livro dos Atos dos Apóstolos, se mostra respeitoso da lei e desejoso de que triunfe a justiça. O que nos interessa é como Festo resume a discussão entre são Paulo e os judeus. Trata-se de assuntos de religião: “Tinham somente certas questões sobre a sua própria religião e a respeito de um certo Jesus que já morreu, mas que Paulo afirma estar vivo” (At 25,9).

O novo governador romano na Judéia, Porcio Festo, mantém Paulo sob custódia em Cesaréia, para onde foi transferido para maior segurança. E aproveita a visita do rei Agripa e sua irmã Berenice para explicar o caso deste Paulo, um dos mais curiosos que herdou de seu predecessor Félix.

O itinerário da Igreja através do cativeiro de Paulo, cidadão romano, é gradualmente confirmado pela grande história de Roma. A prisão de são Paulo, o grande evangelizador incansável, torna a Igreja de Cristo conhecida pelas grandes autoridades históricas. Esses encontros são importantes: governadores, oficiais, soldados, são conhecidos pelos documentos civis da época.

Em Cesareia (Marítimo), por exemplo, uma inscrição foi recentemente encontrada indicando o assento ocupado por "Pôncio Pilatos" quando ele assistiu às apresentações teatrais.

Na mesma cidade de Cesaréia, Paulo encontrou o governador Félix, logo o governador Festo, depois Agripa e Berenice. Essa mesma Berenice que logo será a amante de Tito, general romano, vencedor de Jerusalém no ano 75 depois de Cristo. O Evangelho, que começou na escuridão de umas províncias distantes, vai se aproximando de Roma, capital do Império: mas, por estradas muito tortas, através de um cativo! Paradoxalmente São Paulo é um prisioneiro que faz o Evangelho de Jesus Cristo conhecido por muitos, especialmente pelas autoridades importantes da história civil. Deus sabe tirar o bem do mal, a bondade da maldade, o amor do ódio. Desta maneira e de tantas outras Deus salva a humanidade.

Em Cesareia, o governador, com a mente lógica de um Funcionário oficial romano nos resume o essencial do “expediente” de são Paulo: “Tinham somente certas questões (discussões) sobre a sua própria religião e a respeito de um certo Jesus que já morreu, mas que Paulo afirma estar vivo”.

Um certo Jesus está vivo”. Este é o essencial neste texto. Para o Governador trata-se apenas de “um certo Jesus”. Há ceticismo nessa fórmula, da parte do Governador. Era já a postura “despreocupada e cética” de Pilatos ao perguntar: “O que é a verdade?”. Agora “um certo Jesus”.

Pelo contrário, para são Paulo, esse Jesus é um “Vivente”. Para são Paulo Jesus não é “um certo homem”. Para ele, Jesus é seu Companheiro de rota, sua razão de viver: “Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fl 1,21). Por isso, ele acrescenta: “Julgo como perda todas as coisas em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor” (Fl 3,8). São Paulo vive com esse “Vivente”. São Paulo recebe sua visita em seus cativeiros. Jesus Ressuscitado fala para são Paulo e são Paulo O escuta.

Para são Paulo, a ressurreição não é somente um artigo do Credo, ou somente uma afirmação dogmática. Para ele é uma experiência vivida: “Tu ressuscitaste ao terceiro dia e Tu vives comigo”. Por isso é que são Paulo suporta todos os golpes e perseguições. E acima de tudo, ele não se cansa de pregar o Cristo Ressuscitado: “Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se impõe. Ai de mim, se não anunciar o Evangelho!” (1Cor 9,16).

Este “Vivente”, este Ressuscitado encontramos de modo especial na Eucaristia: “Este é o Meu Corpo, Este é Meu Sangue”. É Jesus que nos mantém firmes nas provações. É por Ele que cada cristão deve estar disposto a dar sua vida quando for necessária. Tenhamos certeza de que Jesus está conosco todos os dias, mesmo nos nossos sofrimentos (Cf. Mt 28,20).

A Alma Da Evangelização É O Amor Fraterno

O Jo 21 foi acrescentado ao evangelho de João provavelmente depois de uma primeira redação deste evangelho. As dificuldades de ordem literária e exegética são bastante importantes, mas cabe a possibilidade de não se afastar da realidade, figurando-se que este capítulo foi estruturado depois da morte de Pedro, e antes da morte de João, no momento em que o tema da sucessão já foi plantado.

Mas não se trata de um acréscimo. Jo 21 pode ser considerado como um epílogo do Evangelho de João. O evangelho de João começa com um prólogo onde se apresenta a “pré-história de Jesus”: o Verbo eterno de Deus, vida e luz do mundo, tornou-se carne (Jo 1,1-18). A narrativa do Evangelho nos apresenta “a história de Jesus, Verbo encarnado”: a sua carne nos revelou o Pai e dou-nos a possibilidade de nos tornar filhos de Deus. O epílogo (Jo 21) nos apresenta “a história depois de Jesus”: os discípulos continuam a sua obra e o testemunham pelo mundo.

Jo 21 é composto por duas partes principais bem articuladas em que se retomam os temas fundamentais de vida de Jesus que já ressoam na vida dos discípulos. A primeira parte (Jo 21,1-14) mostra os discípulos na missão que no início sem resultado positivo por não contar com o Senhor, mas, depois, com a presença do Senhor no meio deles a missão se torna frutífera, e culmina na Eucaristia. A segunda parte (Jo 21,15-19) reabilita Pedro e o seu papel pastoral, baseado no amor e no seguimento fiel, harmonizando-o com o papel do discípulo amado, testemunha do amor (Jo 21,20-23). Jesus cumpriu a obra como Filho de Deus: amar os irmão com o mesmo amor do Pai (Jo 3,16; 13,1). Jesus pede aos discípulos representados por Pedro a amarem os os outros do jeito que Jesus os amou. Ou seja, a Igreja deve continuar a missão  cuja base é o amor fraterno.

Aqui (Jo 21) é destacada a importância de Pedro como o primeiro entre as partes.O que mais atrai sobre nós aquela benevolência que vem do alto é o cuidado com o próximo. O Senhor, pondo de lado todos os outros, fala a Pedro exímio entre os apóstolos, a boca de todos os discípulos e a cabeça de todo o colégio; por isso, riscada a negação, delega-lhe a prelazia dos irmãos. E nem mesmo o censura pela negação, mas diz: ‘Se me amas, põe-te à testa dos teus irmãos, e mostra agora o teu fervente amor de que o tempo inteiro deste prova; e a vida que disseste que darias por mim, dá agora pelas minha ovelhas’” (São João Crisóstomo In Santo Tomás de Aquino: Catena Aurea Vol.4, Evangelho de São João, Ecclesiae, Campinas-SP, 2021 pp.564-565).

Cada aparição de Cristo Ressuscitado aos seus apóstolos, especialmente em São João, sempre termina com uma “transmissão de poderes”. São João coloca intencionalmente esta transmissão depois da ressurreição (ao contrário de Mt 16,13-20) para deixar bem claro que os poderes missionários da Igreja é a irradiação da gloria do ressuscitado (“todo poder foi me dado... ide, pois”: Mt 28,18-19), e não para o uso próprio nem para a autopromoção ou para dominar os demais.

O diálogo do Senhor Ressuscitado com Pedro enfatiza três assuntos ligados entre si: o amor, o pastoreio e o seguimento até o martírio. E esse diálogo acontece logo depois da refeição comunitária. Nesse diálogo Jesus se dirige a Pedro chamando-o pelo nome de sua ascendência: “Simão de João”. Ao usar o nome de Pedro Jesus dirige-lhe três perguntas num tom pessoal e solene: “Simão, filho de João, tu me amas?”. O Senhor não pergunta a Pedro sobre sua intelectualidade e a capacidade de organização, embora sejam necessárias. A pergunta principal é se Pedro tem capacidade de amar as ovelhas do Senhor (“minhas ovelhas”). Tendo amor no coração, Pedro encontrará a maneira como cuidar das ovelhas do Senhor. Quem ama de verdade sempre tem jeito para tudo.

Simão, filho de João, tu me amas?”, pergunta o Senhor a Pedro. Santo Agostinho comentou: “O Senhor perguntou três vezes para que a tríplice confissão apagasse a tríplice negação”. Jesus ressuscitado cura no mais fundo da alma de Pedro as feridas causadas nele pela sua tríplice negação (cf. Jo 18,17.25.27). Ao ser perguntado “pela terceira vez” por Jesus se Pedro O amava, Pedro ficou triste. Pedro reconhece sua infidelidade, mas não pode negar a existência de seu amor por Jesus: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”. Ao responder na terceira vez, Pedro mostra que não se apoia mais nas suas forças, no seu saber e na sua vontade e sim no saber e na bondade do Senhor: “Tu sabes tudo”. Ao mesmo tempo Pedro afirma a verdade do seu amor ao Senhor e se deixa verificar seu amor por aquele que “sabe tudo”: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo apesar das minhas fraquezas e limitações”.

Somente depois da purificação de seu amor é que Jesus confere a Pedro o ofício de pastor de toda a Igreja: um ofício feito no amor e por amor ao Senhor e às ovelhas do Senhor (povo de Deus). As ovelhas das quais Pedro deve cuidar são as ovelhas de Jesus: “minhas ovelhas”.  Apascenta minhas ovelhas como minhas, não como tuas”, comentou Santo Agostinho. 

Então, antes de transmitir o “poder de apascentar” o povo de Deus (“minhas ovelhas”) Cristo Ressuscitado pergunta a Pedro se ele ama a Jesus com o amor ágape. “Ágape” é uma palavra grega que significa o amor que se dirige unicamente para o outro, incondicional, e que não espera nada em troca. É uma doação pura de si mesmo. É um amor sem motivos, isto é, amar por amar. Para servir e trabalhar com e para o Senhor pelo bem dos demais é necessário ter amor puro no coração. Quem tem amor no coração, vai tratar bem aos outros. Jesus morreu por amor aos homens (Jo 13,1; 15,14). A Igreja de Cristo conduzida por Pedro e seus sucessores deve se converter em sacramento visível do ágape, do amor fraterno, de doção de si. Cada líder na Igreja do Senhor, desde o Papa até aos agentes pastorais, deve ser transformado em líder de amor. Por isso, é sempre um desafio de todos os dias.

O amor é o fundamento de toda pastoral. Por isso, Jesus não pergunta a Pedro se ele superou sua crise, se foi submetido a uma terapia psicológica para recuperar a autoestima, se fez algum curso de liderança, se sabe manejar situações de conflito, se domina as dinâmicas de animação comunitária, se domina as técnicas pastorais, e sim Jesus o confronta com o fundamento de todo seguimento e de todo cuidado pastoral: o amor a Jesus e a sua comunidade, a decisão de entregar a própria vida para que os outros tenham vida (cf. Jo 10,10). Quem ama de verdade não compactua com a maldade, com a injustiça, etc., porque amor é responsabilidade. Todas as injustiças são consequências da falta de amor.

Sim, Senhor, eu te amo”, responde Pedro. “Apascenta as minhas ovelhas”, diz Jesus a Pedro. A intimidade da fé e a resposta de amor de Pedro não são escritas para ser saboreadas sentimentalmente, e sim para ser transformadas em responsabilidade. “Se me amas, Pedro, então, apascenta as minhas ovelhas”. O amor a Jesus se transforma em responsabilidade de cuidar dos demais, pois eles são de Jesus (“minhas ovelhas”). Ao dizer que ama a Deus, o homem se transforma em responsável pelos outros. Amor e responsabilidade são, para Jesus, uma moeda de dois lados.

Jesus chama Pedro pelo seu nome original “Simão, filho de João”. E Pedro escuta atentamente a voz do Senhor. Seu coração foi crescendo em maturidade e agora compreende que Jesus não é o Messias político que ele esperava (Jo 13,37; 18,10) e sim o ser humano generoso que dá sua vida em serviço à humanidade deprimida e abandonada (Jo 15,13.15). Agora Pedro se encontra disponível para seguir a Jesus, o Caminho, não sob seus próprios interesses e sim animado pelo Espírito do Ressuscitado. A tríplice pergunta e afirmação são uma rememoração do itinerário do discípulo. Pedro partiu de uma adesão fervorosa, chegou à negação (Jo 18,27), passou pela dura experiência da morte de Jesus e agora chega a um novo ponto de partida. A adesão de Pedro não é simples militância e sim é amor entranhável por um ser humano que lhes ensinou o verdadeiro caminho para Deus: o caminho de amor que se transforma em serviço à comunidade:Apascenta minhas ovelhas”. As ovelhas pertencem ao Senhor; o povo é de Deus. O próprio Senhor é o verdadeiro Pastor das ovelhas (cf. Jo 10). O bom tratamento para as ovelhas significa o bom tratamento para Deus. O mau tratamento para as ovelhas significa o mau tratamento para Deus, pois as ovelhas são do Senhor. Todos são chamados a cuidar das ovelhas do Senhor. Cuidar significa amar, alimentar, guiar e proteger.

As perguntas feitas a Pedro são dirigidas a toda a Igreja, a cada cristão e, portanto, a mim e a você. “Quando é lida esta leitura, cada cristão sofre o interrogatório no coração”, dizia Santo Agostinho. O amor é a única realidade consistente, que permanece e dá consistência a tudo. Aquele que foi enviado por amor e para amar a humanidade (Jo 3,16) e que nos ama até o fim (Jo 13,1) nos pergunta sobre nosso amor ao Senhor e às ovelhas do Senhor. Tendo amor no coração ao Senhor e às ovelhas do Senhor, tudo se tornará obra prima e tudo se eleva até Deus.

Em silêncio neste dia Jesus chama cada um de nós por nosso nome original e pergunta: “Você me ama mais do que qualquer pessoa e qualquer coisa do mundo e em qualquer situação?”. Ele não nos pergunta se temos condições de assumir uma tarefa ou não, e sim se amamos verdadeiramente o Senhor que se expressa no amor às ovelhas do Senhor (toda pessoa humana). Primeiro é amar. Depois é servir. Servir sem amor transforma qualquer um em escravo. Servir com amor transforma cada um de nós em parceiro do Senhor. Podemos dar sem amar, mas não podemos amar sem dar. Aquele que semeia cortesia colhe amizade, e aquele que planta delicadeza colhe amor. O amor é firme com rocha em que as ondas do ódio batem em vão. O verdadeiro amor nos eleva até Deus, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). “Quanto mais amas, mais alto tu sobes” (Santo Agostinho).

Reflitamos sobre as seguintes palavras de Alguns Padres da Igreja a Respeito do texto do Evangelho de hoje:

1.     Os que apascentam as ovelhas de Cristo com ânimo de fazê-las propriedade sua e não de Cristo, manifestam claramente que amam a si mesmos e não a Cristo; desempenham a missão recebida movidos pela cobiça da glória, do domínio, da posse, e não movidos pelo amor de obedecer, ajudar ou agradar a Deus... Demonstra que tens amor ao Pastor amando as ovelhas, pois também as ovelhas são membros do Pastor” (Santo Agostinho).

2.    A estas palavras Pedro não acrscenta mais nenhu; respondeu, afinal, apenas o que sabia de si mesmo, pois, como não enxergava o coração alheio, não podia saber quanto os outros o amavam. Segue: Apascenta as minhas ovelhas, isto é, “seja o serviço do amor apascentar o rebanho do Senhor, tal como foi indício do medo de negar o pastor” (Santo Agostinho: In Santo Tomás de Aquino: Catena Aurea Vol.4, Evangelho de São João, Ecclesiae, Campinas-SP, 2021 p.565).

3.    Houve alguns servos infiéis, que dividiram o rebanho de Cristo, e com seus furtos adquiriram algumas cabeças de gado; e ouvimo-los dizer: “Aquelas ovelhas são minhas; que queres com minhas ovelhas? Ai de ti se eu te encontrar perto das minhas ovelhas”. Se nós chamamos as ovelhas de nossas e eles as chamam de suas, Cristo perdeu suas ovelhas (Idem. p 566).

4.    “Apascentar as ovelhas” é alentar os que creem em Cristo para que não percam a fé; é prover-lhes subsídios para as necessidades terrenas, se precisarem; é prestar-lhes exemplos de virtudes além da palavra da pregação; é resistir aos inimigos da fé e corrigir os súditos desgarrados (Alcuíno, Idem. p 566).

P. Vitus Gustama,svd

Quinta-feira Da VII Semana Da Páscoa, 21/05/2026

UNIDADE NA FÉ E NO AMOR É PRIMORDIAL PARA O TESTEMUNHO CRISTÃO

Quinta-Feira da VII Semana da Páscoa

Primeira Leitura: At 22,30; 23,6-11

Naqueles dias, 22,30 querendo saber com certeza por que Paulo estava sendo acusado pelos judeus, o tribuno soltou-o e mandou reunir os chefes dos sacerdotes e todo o conselho dos anciãos. Depois fez trazer Paulo e colocou-o diante deles. 23,6 Sabendo que uma parte dos presentes eram saduceus e a outra parte eram fariseus, Paulo exclamou no conselho dos anciãos: “Irmãos, eu sou fariseu e filho de fariseus. Estou sendo julgado por causa da nossa esperança na ressurreição dos mortos”. 7 Apenas falou isso, armou-se um conflito entre fariseus e saduceus, e a assembleia se dividiu. 8 Com efeito, os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito, enquanto os fariseus sustentam uma coisa e outra. 9 Houve, então, uma enorme gritaria. Alguns doutores da Lei, do partido dos fariseus, levantaram-se e começaram a protestar, dizendo: “Não encontramos nenhum mal neste homem. E se um espírito ou anjo tivesse falado com ele?” 10 E o conflito crescia cada vez mais. Receando que Paulo fosse despedaçado por eles, o comandante ordenou que os soldados descessem e o tirassem do meio deles, levando-o de novo para o quartel. 11 Na noite seguinte, o Senhor aproximou-se de Paulo e lhe disse: “Tem confiança. Assim como tu deste testemunho de mim em Jerusalém, é preciso que tu sejas também minha testemunha em Roma”.

Evangelho: Jo 17,20-26

Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao céu e rezou, dizendo: 20“Pai santo, eu não te rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela sua palavra; 21para que todos sejam um como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, e para que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste. 22Eu dei-lhes a glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um: 23eu neles e tu em mim, para que assim eles cheguem à unidade perfeita e o mundo reconheça que tu me enviaste e os amaste, como me amaste a mim. 24Pai, aqueles que me deste, quero que estejam comigo onde eu estiver, para que eles contemplem a minha glória, glória que tu me deste porque me amaste antes da fundação do universo. 25Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes também conheceram que tu me enviaste. 26Eu lhes fiz conhecer o teu nome, e o tornarei conhecido ainda mais, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu mesmo esteja neles”.

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Fé No Senhor Ressuscitado e Na Ressurreição Nos Fortalece Em Todas As Situações

Irmãos, eu sou fariseu e filho de fariseus. Estou sendo julgado por causa da nossa esperança na ressurreição dos mortos”, disse são Paulo.

A história de são Paulo está indo para o fim. Em Pentecostes do ano 57, são Paulo chegou em Jerusalém. Alguns judeus lhe acusaram de não seguir os costumes de Moisés abandonando a circuncisão e outros ritos ancestrais (At 2,21: somente quem invocar o nome do Senhor será salvo, e não em seguir os ritos ancestrais). De fato, são Paulo, estando no Templo de Jerusalém para orar, é perseguido aos gritos pelos judeus: “Este é o homem que ensina contra nosso povo, contra a Lei e contra este Lugar” (At 21,28). A polícia romana intervém e conduz são Paulo à fortaleza. Desta vez seu cativeiro durará vários anos, em Jerusalém, em Cesareia Marítimo, capital romana de Palestina, e depois, ficará preso em Roma. A prisão de Paulo sob a responsabilidade de Roma é o primeiro passo para a meta final do seu perrcurso missionário: Roma. Ir a Roma, o centro do Império, para Paulo foi um sonho pessoal e apostólico de muitos anos. Mais tarde, já em Roma, em seu segundo cativeiro, será preso e levado à morte, no final de sua longa e frutífera carreira de apóstolo.

Diante do Sinédrio (Grande Conselho) são Paulo pronuncia, com muita sabedoria, uma frase que causa a divisão entre os saduceus e os fariseus: Irmãos, eu sou fariseu e filho de fariseus. Estou sendo julgado por causa da nossa esperança na ressurreição dos mortos”.

São Paulo sabe que é uma questão de controvérsia entre as duas grandes correntes religiosas da época: o partido dos Saduceus não crê na ressurreição; o partido dos Fariseus crê na ressurreição. Isto provoca um barulhos no “Grande Conselho”: “Com efeito, os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito, enquanto os fariseus sustentam uma coisa e outra. Houve, então, uma enorme gritaria” (At 23,8). O próprio Jesus nos ensinou a conjugar a inocência e a astúcia para conseguir que o bem triunfe sobre o mal. Paulo nos dá exemplo de uma audácia e inteligência para praticar o bem em qualquer momento.

Esta grande habilidade de são Paulo foi mais uma ocasião de pregar sua fé: “Cristo ressuscitou!”. Ele não perde nenhuma oportunidade para pregar o Cristo ressuscitado, pois sua fé no Cristo ressuscitado está muito enraizado (Cf. 1Cor 15; 2Cor 5,1-10). O próprio são Paulo viu o Cristo Ressuscitado no caminho para Damasco (Cf. At 9,1-9). A fé na ressurreição faz com que são Paulo perde o medo de ser perseguido e martirizado, pois ele acredita que ele será ressuscitado. A fé na ressurreição dá a são Paulo a força para suportar todas as angústias e os golpes. Em uma de suas Cartas, são Paulo nos conta o número de golpes recebidos e as prisões sofridas (cf. 2Cor 11,23-25).

A teologia da esperança nos leva à verdade que nós existimos no mundo, mas acima do mundo, no tempo, mas acima do tempo. O nosso Credo termina com uma afirmação de esperança: “Creio na ressurreição da carne e na vida eterna”. E o prefácio da missa pelos falecidos destaca a crença cristã: “Senhor, para os que creem em vós, a vida não é tirada, mas transformada...”. Fomos criados para além dos horizontes materiais, pois somos o templo do Espírito de Deus (1Cor 3,16-17). A fé na ressurreição nos convida a valorizar o tempo e a boa convivência fraterna, a praticar o bem e a bondade para deixarmos marcas positivas no próximo, pois o Senhor em quem acreditamos passou a vida fazendo o bem (Cf. At 10,38). Deus está no ato de amar e de praticar a bondade.

O próprio Cristo Ressuscitado vem ao encontro de são Paulo, na sua aflição, para lhe dar ânimo: “Tem confiança. Assim como tu deste testemunho de mim em Jerusalém, é preciso que tu sejas também minha testemunha em Roma”. Por isso é que são Paulo suporta todos os golpes encontrados na sua vida e na sua pregação.

O tema da “aflição” é um dos temas dominantes das Cartas de são Paulo. Não era somente um tema intelectual, teórico próprio do sermão. Era uma experiência vivida pelo próprio são Paulo. Sua valentia, sua fé forte que nos parecem tão extraordinárias provém de sua contato cotidiano com o Senhor Jesus Cristo. Quem mantiver o contato com o Cristo Ressuscitado, as aflições se transformarão em forças e em testemunho para seguir adiante. Em Cristo Ressuscitado encontramos uma força extraordinária. Por isso, é preciso manter o contato com o Senhor ressuscitado para jamais perdermos forças na vivência de nossa fé na ressurreição.

Como cidadão romano, vendo que será difícil ser absolvido em Jerusalém devido à tensão que se criou à sua volta, são Paulo apela para o seu direito de ser julgado em Roma. À noite ouve em visão a voz do Senhor: “Tem confiança. Assim como tu deste testemunho de mim em Jerusalém, é preciso que tu sejas também minha testemunha em Roma”. No fundo, ir a Roma, centro do império, foi durante anos um sonho pessoal e também apostólico para Paulo. É por isso que ele apela a César, e ele faz o possível para sair ileso do tumulto de Jerusalém contra ele. Uma coisa é dar testemunho de Cristo, e outra é aceitar a morte certa nas mãos dos judeus. Mais tarde, já em Roma, em seu segundo cativeiro, será preso e levado à morte, ao final de sua longa e frutífera carreira de Apóstolo.

Às vezes, a comunidade cristã também tem que saber defender seus direitos, denunciando injustiças e tentando superar os obstáculos que se opõem à evangelização, que é sua missão fundamental. E isso, não tanto para vantagens pessoais, mas para que a Palavra não fique acorrentada e possa continuar se expandindo no mundo. O próprio Jesus nos ensinou a combinar inocência e astúcia para garantir que o bem triunfe sobre o mal. Paulo nos dá um exemplo de ousadia e inteligência que lhe permitiram fazer todo o bem que fez. 

Jesus Rezava Também Pelos Futuros Cristãos

Estamos na terceira e última parte da oração de Jesus no seu discurso de despedida (Jo 13-17) que lemos no Evangelho de hoje.

Nesta oração Jesus se lembra dos futuros cristãos: “Pai santo, eu não te rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela sua palavra. Que todos sejam um”. Jesus, depois de ter suplicado pelos discípulos presentes, pede as mesmas coisas para aqueles que acreditarão n´Ele por intervenção da Palavra. Entre estes estamos também nós, os atuais leitores do Evangelho. Jesus pede, também pelos discípulos futuros, que sejam “um”. O ser um no amor revela na terra a santidade de Deus, único Pai de todos. Na união entre os irmãos, conhece-se o Pai e o seu amor. “Que todos sejam um como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti”. Este pedido mostra que  a origem e o modelo da nossa união é aquela entre Pai e Filho, expressa aqui como imanência recíproca: quem ama é morada do amado, habitado por quem o acolhe. Ambos vivem da mesma vida, vivem imersos no mesmo amor.

Os discípulos da primeira geração receberam diretamente a palavra ou os ensinamentos do próprio Jesus. Eles aceitam e acreditam nos ensinamentos de Jesus e por isso passam a fazer parte da missão de Jesus: Como tu me enviaste ao mundo, assim também eu os enviei ao mundo” (Jo 17,18).

A palavra dada ou passada para os discípulos da primeira geração continua a atuar no mundo através de outras gerações, fruto da missão dos primeiros discípulos. E sempre haverá pessoas que pelo testemunho dos cristãos (testemunho e anúncio) passam a acreditar em Jesus, como o Salvador do mundo. Para estas pessoas é que Jesus rezou. Neste sentido nós éramos objeto de oração de Jesus. Quem bom que Jesus rezou por nós. Que bom que Jesus pensava em nós. Isso nos dá força e ânimo para continuar nossa missão como cristãos que atuamos como a luz do mundo e o sal da terra (cf. Mt 5,13-14).

Na sua oração Jesus tem em vista a Igreja de todos os tempos. Neste contexto, quando Jesus rezou: “Para que todos sejam um” podemos entender este “todos” na sua dimensão de tempo e espaço. A unidade na fé como questão primordial faz uma ligação profunda entre a Igreja cristã primitiva com a Igreja de todos os tempos e lugares. A fé no mesmo Senhor é que torna crível qualquer comunidade que usa o nome “cristão” diante do mundo.

O centro da oração de Jesus é a súplica pela unidade dos discípulos. E tem seu princípio e modelo na união entre o Pai e o Filho e tem seu objetivo e finalidade: dar testemunho de Jesus e ajudar a crer. A comunidade somente pode alcançar a unidade se ela permanecer na união com Jesus. Quem não está unido a Cristo, cria divisão dentro de si próprio e entre as pessoas. A unidade da comunidade é condição prévia para a união com o Pai e Jesus. Consequentemente, a unidade dos cristãos é o sinal vivo da unidade de Cristo com seu Pai.

Além disso, a unidade é a expressão e a prova mais evidente do amor. Porque esta unidade pela qual Jesus suplica ao Pai somente é possível quando os membros da comunidade se amam de tal maneira que cada um se entrega aos demais sem limite. Aqueles que não amam não podem ter conhecimento e um trato verdadeiro com Deus. Por isso, é essencial recordar que a comunhão com Jesus é impossível sem o amor fraterno. Assim como o amor fraterno cria unidade, assim a comunhão com Jesus deve criar a comunhão entre os cristãos.

A unidade perfeita é o único argumento capaz de convencer a humanidade. Santo Agostinho dizia: “Quem abandona a unidade faz-se desertor da caridade. E se deserta da caridade, mesmo que possua tudo o mais, se reduz a nada” (Serm. 88,18,21). Consequentemente, o cristão deixará de ser pessoa crível. “A soberba gera a divisão. A caridade, a comunhão”, acrescentou Santo Agostinho. (Serm. 46,18). Se for assim, conseqüentemente, o cristão deixará de ser pessoa crível no mundo (cf. Mt 5,13bc). A «divisão contradiz abertamente a vontade de Cristo, e é escândalo para o mundo, como também prejudica a santíssima causa da pregação do Evangelho a toda a criatura ». (Unitatis Redintegratio,1 do Concilio Vaticano II)

Esta unidade, efeito visível de um amor incondicional, se manifesta num serviço que chega até o dom da própria vida. Este amor-unidade vivido na comunidade provocará a fé do mundo. Quem ama tende a transformar-se no amado. O amor leva a querer estar sempre juntos.  O amor supõe uma participação. Por isso, podemos nos aproximar de Deus pela experiência humana do amor e da unidade. Toda mensagem cristã perde todo seu valor se prescindir do amor. A unidade da comunidade não é em primeiro lugar um problema de organização, ou um problema social, e sim uma realidade espiritual. São Paulo enfatiza bastante este aspecto espiritual ao dizer: “Sede humildes, pacíficos, pacientes, suportai-vos mutuamente no amor, procurai conservar a unidade do espírito pelos laços da paz. Um corpo e um espírito, como vos foi dada uma esperança comum pela vossa vocação, um Senhor, uma fé, um batismo, um Deus e Pai de todos que está acima de todos e em todos” (Ef 4,3-6).

Conseqüentemente, a própria comunidade cristã não é a garantia para a unidade, no sentido de que a comunidade cristã não é a fonte da unidade. Somente pela união constante com Jesus é que a comunidade cristã pode alcançar a unidade entre seus membros e testemunhá-la para o mundo. Isto significa que a unidade é uma dádiva de Cristo presente na comunidade. Santo Inácio de Antioquia escreveu: “O Senhor adverte e diz: ‘Quem não está comigo, está contra mim, e quem não ajunta comigo, dispersa’. Quem quebra a paz e a unidade de Cristo, age contra Cristo; quem de qualquer maneira procura ajuntar fora da Igreja, divide a Igreja de Cristo... Quem não mantém esta unidade, não obedece à lei de Deus, não mantém a fé em Deus, no Pai e no Filho, não mantém a vida e a salvação (A unidade da Igreja católica, cap. 6). Na Bíblia o verbo “unir” /“reunir” é sinônimo de “salvar”. Tanto que a missão de Cristo como Bom pastor é reunir os homens em “um só rebanho”, isto é, um só Povo de Deus (cf. Jo 10,14-16).

A Páscoa, centrada durante sete semanas na vida nova de Cristo e no dom do seu Espírito, deve produzir em nós o fruto da unidade. Devemos progredir na unidade: em nosso ambiente doméstico, na comunidade eclesial local, e também em nossa compreensão e aproximação com outras confissões cristãs, como já nos comissionou o Vaticano II.

Na Eucaristia invocamos duas vezes a presença do Espírito (Epiclese). O primeiro, sobre os dons do pão e do vinho, para que os converta por nós no Corpo e no Sangue de Cristo (na consagração). A segunda invocação é sobre a comunidade. E o que se pede ao Espírito em relação à comunidade é: “E nos vos suplicamos que, participando do Corpo e do Sangue de Cristo, sejamos reunidos pelo Espírito Santo num só corpo(II Oraçao Eucarística); “... alimentando-nos com o Corpo e o Sangue do vosso Filho, sejamos repletos do Espírito Santo e nos tornemos em Cristo um só corpo e um só espírito(III Oração eucarística). O mesmo pedido se encontra em outras orações eucarísticas.

O fruto da Eucaristia é a unidade, ou deve produzir a unidade nas pessoas que comungam o Corpo e o Sangue de Cristo.

Então, Verdade, Unidade e Amor são três palavras que, segundo o evangelista João na oração neste capitulo 17, sintetizam a missão e a tarefa da comunidade cristã e de cada cristão no mundo. A autêntica oração cristã que é um abrir-se à vontade de Deus não é somente um pedido e sim uma oferenda, consagração e resposta. O cristão existe para os demais: para aproximar-se dos demais, para unir, para dialogar, para servir, para libertar, para trabalhar no grande projeto de salvação que não é dos cristãos e sim de Deus. 

A última petição de Jesus por todos os cristãos, seus discípulos é que estes estejam um dia com ele no céu: “Pai, quero que, onde eu estou, estejam comigo aqueles que me deste, para que vejam a minha glória que me concedeste, porque me amaste antes da criação do mundo”.  Equivale a pedir para eles a vida definitiva.  Para sermos cidadãos do céu temos que viver na terra na verdade, na unidade e no amor.

Em cada celebração, em cada Eucaristia celebrada temos que pedir o perdão ao Senhor pelas divisões e desunião que criamos dentro da Igreja do Senhor. Se o Senhor rezou tanto pela unidade dos cristãos, temos rezar pela mesma e procurar sempre a reconciliação. “Pouco importa quanto fazes tu, o que importa é quanto amas. A medida do amor é o amor sem medida. Quando se enfraquece o amor, também se enfraquece o fervor” (Santo Agostinho).

P. Vitus Gustama,svd

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Quarta-feira Da VII Semana Da Páscoa, 20/05/2026

SER CRISTÃO SER FATOR DA UNIDADE, DA ALEGRIA, DA SANTIFICAÇAO E DA VERDADE

Quarta-Feira da VII Semana da Páscoa

Primeira Leitura: At 20,28-38

Naqueles dias, Paulo disse aos anciãos da Igreja de Éfeso: 28 “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos colocou como guardas, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o sangue do seu próprio Filho. 29 Eu sei, depois que eu for embora, aparecerão entre vós lobos ferozes, que não pouparão rebanho. 30 Além disso, do vosso próprio meio aparecerão homens com doutrinas perversas que arrastarão discípulos atrás de si. 31 Por isso, estai sempre atentos: lembrai-vos de que, durante três anos, dia e noite, com lágrimas, não parei de exortar a cada um em particular. 32 Agora entrego-vos a Deus e à mensagem de sua graça, que tem poder para edificar e dar a herança a todos os que foram santificados. 33 Não cobicei prata, ouro ou vestes de ninguém. 34 Vós bem sabeis que estas minhas mãos providenciaram o que era necessário para mim e para os que estavam comigo. 35 Em tudo vos mostrei que, trabalhando deste modo, se deve ajudar os fracos, recordando as palavras do Senhor Jesus, que disse: ‘Há mais alegria em dar do que em receber’”. 36 Tendo dito isto, Paulo ajoelhou-se e rezou com todos eles. 37 Todos, depois, prorromperam em grande pranto, e lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam, 38 aflitos, sobretudo por lhes haver ele dito que não tornariam a ver-lhe o rosto. E o acompanharam até o navio.

Evangelho: Jo 17,11b-19

Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos para o céu e rezou, dizendo: 11b “Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um assim como nós somos um. 12 Quando eu estava com eles, guardava-os em teu nome, o nome que me deste. Eu os guardei e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição, para se cumprir a Escritura. 13Agora, eu vou para junto de ti, e digo estas coisas, estando ainda no mundo, para que eles tenham em si a minha alegria plenamente realizada. 14Eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os rejeitou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo. 15Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. 16Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo. 17Consagra-os na verdade; a tua palavra é verdade. 18Como tu me enviaste ao mundo, assim também eu os enviei ao mundo. 19Eu me consagro por eles, a fim de que eles também sejam consagrados na verdade”.

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A Igreja É O Povo Dos Redimidos Pelo Precioso Sangue De Jesus Cristo

Continuamos com o discurso de despedida de são Paulo aos presbíteros de Éfeso em Mileto (At 20,17-38). O texto da Primeira Leitura de hoje é a segunda parte do discurso (a primeira parte foi lida no dia anterior: At 20,17-27).

 

Esta segunda parte do discurso de despedida de são Paulo está consagrada, sobretudo, aos deveres pastorais de seus sucessores na direção da Igreja de Éfeso. Ou seja, a segunda parte do discurso de despedida de são Paulo, antes do emocionante adeus junto ao barco, se refere ao futuro da comunidade e à atuação de seus responsáveis.

A primeira frase é muito densa: “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos colocou como guardas, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o sangue do seu próprio Filho” (At 20,28). Ou seja:

·  A comunidade ou a Igreja é de Deus Pai;

·  Que foi adquirido ou comprado com o Sangue de seu Filho, Jesus;

·  Foi o Espírito Santo quem colocou esses presbíteros como responsáveis e pastores da comunidade;

·  Tem que ter cuidado de eles mesmos e do rebanho a eles confiado.

O protagonista é DeusTrino, por uma parte: “Agora entrego-vos a Deus e à mensagem de sua graça...” (At 20,32).

Por outra parte, a comunidade. Os pastores foram nomeados para que cuidem da comunidade, libertando-a dos perigos que a espreitam: lobos ferozes deformarão a doutrina e tentarão arrastar os discípulos. Os bons pastores devem estar alertas, como o próprio são Paulo sempre esteve. Além disso, eles devem ser desinteressados no aspecto econômico: “Não cobicei prata, ouro ou vestes de ninguém”. Mais uma vez são Pablo é dado como exemplo, porque ele nunca quis ser um fardo para a comunidade. E cita algumas palavras de Jesus que não aparecem nos Evangelhos: "Há mais alegria em dar do que em receber (At 20,35b).

O quadro que traça são Paulo de uma comunidade cristã continua tendo uma atualidade admirável.

Seu ponto de referência tem que continuar sendo Deus: “Agora entrego-vos a Deus”. Mas também nas mãos de uns pastores responsáveis, que têm que dedicar-se, com vigilância e amor, a cuidar da comunidade, animando-a, defendendo-a dos perigos, dando exemplo de entrega generosa.

Toda comunidade, baseada na Palavra e na graça de Deus, sentindo-se animada pelo Espírito de Jesus, deve ter a “construir-se/edificar” e “dar a herança a todos os que foram santificados” (At 20,32), com um sentido de pertença mútua e de corresponsabilidade.

Neste discurso São Paulo recorda, então, aos responsaveis da comunidade, em primeiro lugar, o caráter sagrado do cargo como presbítero ligado à vida trinitária (At 20,28). Em segundo lugar, são Paulo lhes anuncia os perigos que ameaçam a comunidade e por isso, ele exige a vigilância constante da parte dos presbíteros (At 20,29-31). E por fim, são Paulo implora a graça de Deus (At 20,32.36) antes de fazer-lhes algumas recomendações para que sejam despojados da ganância ou da avareza (At 20,33-35).

São Paulo relaciona o cargo pastoral (presbítero) com a vida trinitária: o Espirito Santo promove homens (presbíteros) para que cumpram a tarefa de guardiões na Igreja do Pai, que foi adquirida pelo Sangue do Filho: “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos colocou como guardas, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o sangue do seu próprio Filho”.

Quando são Paulo se dirige aos Anciãos de Mileto em Éfeso, a função dos presbíteros não é muito precisa, pois para “presbíteros” ou “anciãos” são Paulo lhes chamam também de “epíscopos” (episcopoi), “supervisor” ou “guardiões” e além disso, eles devem “apascentar” um rebanho que é o trabalho de um pastor. No entanto, a relação entre seu cargo pastoral e a vida trinitária é bem clara. Por isso, é um cargo sagrado. São Paulo gosta de sumários trinitários nos quais o Pai toma a iniciativa da vocação de salvação, o Espirito Santo a realiza mediante sua obra santificadora, fazendo-os partícipes da glória do Filho (Cf. 2Ts 2,13-14; 1Cor 6,19-20; 2Cor 13,13; Ef 1,3-14; 4,4-6; Tito 3,4-6 etc.).

Independentemente de não ter precisão sobre a função dos presbíteros neste discurso de despedida de são Paulo, o texto quer enfatizar que, em primeiro lugar, a Igreja é realmente o povo dos redimidos, libertados pela Sangue de Jesus Cristo muito mais eficaz do que o sangue do cordeiro pascal do AT. Em segundo lugar, a Igreja é a esfera onde o Espirito Santo exerce, de maneira privilegiada, sua ação santificadora da humanidade; a Igreja é, finalmente, a herança particular que o Pai reserva para manifestar a glória de Seu nome. Logo, cada batizado deve viver de tal maneira que a glória de Deus se reflita nele.

E para realizar este triple desígnio, precisamente, a Trindade confia a Igreja a homens (presbíteros). Estes devem comunicar a santidade do Espírito Santo a seu próximo, devem responder proteger e salvar seus irmãos (próximo), pois Cristo derramou Seu sangue para salvar a Igreja e devem velar pela integridade do domínio do Pai.

Como consequência desta essência trinitária do cargo pastoral devem ter algumas atitudes e responsabilidades nos seus dirigentes. Em primeiro lugar, a vigilância diante daqueles que usurpam o domínio divino através da doutrina falsa: inimigos externos (At 20,29). Estes judaizantes querem introduzir seu legalismo no seio da comunidade cristã (cf. Gl 2,4; 2Cor 11,4; Mt 7,15; 24,5; Jo 10,1-12). Há também inimigos internos que favorecem as seitas que confundem o Evangelho e seus raciocínios: “Do vosso próprio meio aparecerão homens com doutrinas perversas que arrastarão discípulos atrás de si” (At 20,30). Em suas Cartas são Paulo alerta seus destinatários a respeito desse perigo (Gl 1,6-9; 4,17; 5,7-12; Rm 16,17-18; Cl 2,4-8; Ef 4,14; 5,6; 2Tm 2,14-18 etc.).

Além da vigilância, são Paulo pede para ter a confiança no poder da Palavra e da graça divina: “Agora entrego-vos a Deus e à mensagem de sua graça, que tem poder para edificar e dar a herança a todos os que foram santificados” (At 20,32). Já na primeira parte do discurso, são Paulo demonstrou como ele não se deixava dominar pelo medo e como ele assumia suas responsabilidades com valentia (At 20,20.27). Por isso, são Paulo pede que seus sucessores adotem esta atitude também: que tenham consciência de sua própria debilidade, mas confiança no poder da Palavra de Deus.

E finalmente, o despojamento: “Não cobicei prata, ouro ou vestes de ninguém. Vós bem sabeis que estas minhas mãos providenciaram o que era necessário para mim e para os que estavam comigo. Em tudo vos mostrei que, trabalhando deste modo, se deve ajudar os fracos, recordando as palavras do Senhor Jesus, que disse: ‘Há mais alegria em dar do que em receber’” (At 20,33-35). São Paulo sempre vive independente economicamente, sem sobrecarregar o povo a ele confiado (cf. At 16,11-15). Agora ele justifica esse desinteresse em nome do valor teológico de seu ministério. Ele vive despojado para ficar livre a fim de atender melhor os mais pobres, porque a Palavra de Deus é suficientemente potente nele. Através do despojamento aprender a viver a vida na sua simplicidade. Simplicidade é o desprendimento de tudo e de si mesmo. Simplicidade é liberdade, leveza. Se alguém não for despojado, pobre do espírito, terá, inconscientemente, tendência a executar a obra que tem a fazer para a sua própria satisfação e não para a glória de Deus.

Somos Protegidos Por Jesus Que Intercede Por Nós Ao Pai

O texto do Evangelho proclamado hoje faz parte do discurso da despedida de Jesus de seus discípulos. O longo discurso de despedida de Jesus (Jo 13-17) termina com uma oração. Lemos neste dia a segunda parte desta oração.

Esta segunda parte de sua oração, Jesus se dirige ao Pai com uma expressão inusitada, nunca usada em outro lugar do Novo Testamento: Pai santo...” (Jo 17,11b). O Pai é chamado “santo”. “Santo” significa separado, diverso, outro. Deus é santo porque se distingue do “mundo”, do sistema de pecado e de morte, e a ele se opõe. É atributo exclusivo de Deus, pois somente Ele é santo. O adjetivo “santo” não mostra apenas a qualificação de Deus ou seu atributo, mas este adjetivo também significa atividade no sentido de que Deus atrai os homens para a esfera divina. Deus quer que todos nós sejamos santos: “Sede santos, porque Eu sou santo” (Lv 11,44). A qualificação santo, aquele que é separado, não afasta o Pai da realidade humana. Em Jesus Cristo o Pai vive entre nós para santificar aqueles que O acolhem: “O Verbo era Deus... O Verbo se fez carne e habita entre nós(Jo 1,1.14).

“... guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um assim como nós somos um”, acrescentou Jesus. O nome é a presença, a pessoa.

A segunda parte da oração de Jesus se centra em três pontos principais: Viver na verdade, viver na unidade e viver no mundo sem ser do mundo.

A Palavra de Deus é verdade. O cristão deve viver na verdade. Jesus transmite esta palavra a seus discípulos para que sejam consagrados na verdade: “Consagra-os na verdade: a verdade é a tua Palavra. Assim como Tu Me enviaste ao mundo, Eu também os envio ao mundo. Eu consagro-Me por eles, a fim de que também eles sejam consagrados na verdade” (Jo 17,17-19). Na Bíblia a verdade é sinônimo de lealdade, fidelidade, firmeza, segurança. Para são João “verdade” significa a realidade divina que consiste no amor sem limite do Pai pela humanidade (cf. Jo 3,16) e a humanidade reconhece esta realidade. Toda a atividade de Jesus é a atividade de amor e por isso, a atividade vivificante. Jesus é a Verdade (cf. Jo 14,6) porque nele reside a realidade divina.

Quando Cristo pede ao Pai que consagre seus discípulos na verdade, ele quer dizer com isto que sejam santificados no plano da realidade absoluta, que a vida dos discípulos seja governada no amor, com e por amor, pois o verdadeiro amor é a realidade divina (1Jo 4,8.16). Para são João os discípulos devem alcançar o mesmo nível da santidade de Deus, já que são colocados por Cristo no mesmo plano de Deus (veja também Mt 5,48); são filhos de adoção eleitos pelo Pai e dados por ele ao Filho. Esta consagração na verdade, este acesso à santidade do Pai deve proporcionar-lhes a plenitude da alegria, a mesma alegria de Cristo: “Agora vou para junto de Ti. Entretanto, continuo a dizer estas coisas neste mundo, para que eles possuam toda a minha alegria” (Jo 17,13). 

Consagrar” tem o mesmo significado que “santificar”. A ideia cristã de santidade é chamada à transcendência e também separação. Santificar significa eleger e separar. Os que recebem a Verdade ficam santificados, isto é, separados e eleitos para cumprir no mundo e diante do mundo uma missão em nome de Deus. O cristão é um homem como todos os demais, mas é um consagrado de Deus.

Mas os discípulos de Jesus ou os cristãos têm que viver e permanecer na unidade entre eles, como o Pai e o Filho são um: “Pai santo, guarda-os em teu Nome, o Nome que Me deste, para que eles sejam um, assim como Nós somos um” (Jo 17,11b). Este é um tema querido para são João. O tema sobre a unidade será desenvolvido nos próximos versículos (17,21-24). Certamente esta unidade que deve formar os discípulos entre si é a mesma unidade entre o Pai e Jesus. Se o mal divide e mata, o amor une e faz viver com segurança. A verdadeira santidade que o Pai quer dos seus filhos é a unidade no amor: uma fraternidade em que toda diversidade é acolhida e toda miséria é objeto de misericórdia. Ao permanecer nesta unidade os cristãos podem permanecer também na verdade, isto é, na realidade eterna absoluta. Santo Agostinho dizia: “Os que vivem em discórdia não louvam o Senhor. E, portanto, tampouco o Senhor os abençoa. Seus lábios desfiam louvores, mas seus corações o maldizem. Quem abandona a unidade se faz desertor da caridade”. O Senhor nos quer fraternalmente unidos pelo amor que procede dele (cf. Jo 15,12). “Guarda-os em Teu Nome”. Aqui “nome” significa pessoa, seu ser, sua presença e seu agir.

Como qualquer pessoa, o cristão vive no mundo sem ser do mundo e por isso, está acima do mundo: “Eles não pertencem ao mundo, como Eu não pertenço ao mundo. A palavra “mundo” aparece 11 vezes nos vv.11 a 19. Para o evangelista João, como para todo o NT, “mundo”, neste contexto, não se refere a este planeta onde habitamos e sim ao conjunto das três grandes ambições humanas: a ambição inerente à condição humana (concupiscência humana), a ambição dos olhos e a arrogância da fortuna, como afirma o próprio São João na sua primeira Carta: “Porque tudo o que há no mundo — a concupiscência humana, a cobiça dos olhos e a ostentação da riqueza — não vem do Pai, mas do mundo” (1Jo 2,16).  No entanto, os discípulos de Cristo, os cristãos não devem ser puritanos, no sentido de separar-se ou fugir do mundo e sim devem ser puros, no sentido de não deixar-se contaminar pelo ambiente hostil. O cristão deve trabalhar como o fermento: discreto, mas efetivo. É saber-se posicionar como cristão. A presença de um cristão no mundo deve ser uma presença interrogante e profética.

Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo”.  O cristão não é uma pessoa isolada do mundo ou que se afasta do mundo. Sua vocação peculiar e indispensável é estar inserta no mundo onde realizara sua missão profética. Ele é chamado a ser o sal da terra e a luz do mundo (cf. Mt 5,13.14). O mundo é o único cenário onde cada cristão ou cada ser humano decide sua salvação ou sua condenação. A comunidade cristã está no mundo não para se afastar dele e sim para dar testemunho de um caminho de salvação. Este testemunho deve ser verificado em sua opção pelo Deus da vida que se concretiza no serviço aos mais simples e excluídos da sociedade.

Para os presbíteros o que isto significa?  O Concilio Vaticanos II afirma: “Os presbíteros, tirados dentre os homens e constituídos a favor dos homens nas coisas que se referem a Deus, para oferecerem dons e sacrifícios pelos pecados, convivem fraternalmente com os demais homens... Não poderiam ser ministros de Cristo se não fossem testemunhas e dispensadores de uma vida diferente da terrena, e nem poderiam servir aos homens se permanecessem alheios à sua vida e às suas situações” (Presbyterorum Ordinis no.3, sobre o Ministério e a Vida dos presbíteros).

Para os leigos: “Uma vez que é próprio do estado dos leigos viverem no meio do mundo e dos negócios seculares, eles próprios são chamados por Deus a exercerem aí o seu apostolado, à maneira de fermento, com entusiasmo e espírito cristão” (Apostolicam Actuositatem no.2, sobre o Apostolado dos Leigos, do Concilio Vaticano II).

Portanto, Jesus pede ao Pai por nós para que não sejamos perdidos neste mundo, sejamos unidos, tenhamos alegria, sejamos preservados do mal e santificados na verdade. O conteúdo dessa oração serve como guia de nossa vida diária. Negativamente podemos dizer que nós cristão não podemos ser causadores da desunião, da tristeza, do escândalo e da falsidade. Fortalecidos por estes dons do Pai podemos ser enviados para o mundo.

Hoje o Senhor nos reúne em torna do Altar para participarmos de sua Vida e de seu Espírito. Através de sua oração o Senhor nos quer fraternalmente unidos pelo amor que procede dele. O Senhor nos quer não somente fraternalmente unidos, mas Ele quer também que trabalhemos constantemente pela unidade, de tal forma que o amor, que procede dele e que habita em nosso coração, nos faça autênticos construtores de unidade e não de divisão. Ele nos ama e quer que sejamos um só rebanho sob um só Pastor, Jesus Cristo. Santificados pela Palavra de Deus somos enviados ao mundo para santificá-lo e não para destruí-lo.

P. Vitus Gustama,svd

Sexta-feira Da VII Semana Da Páscoa, 22/05/2026

AMOR É O FUNDAMENTO DE TODA A MISSÃO E A ATIVIDADE PASTORAL Sexta-Feira da VII Semana da Páscoa Primeira Leitura: At 25,13b-21 Naquele...