quarta-feira, 8 de julho de 2026

Sexta-feira Da XIV Semana Comum, Ano Par, 10/07/2026

SER CRISTÃO MISSIONÁRIO É SER SIMPLES, PRUDENTE E PERSEVERANTE NO AMOR

Sexta-Feira Da XIV Semana Comum

Primeira Leitura: Os 14,2-10

Assim fala o Senhor: 2 Volta, Israel, para o Senhor, teu Deus, porque estavas caído em teu pecado. 3 Vós todos, encontrai palavras e voltai para o Senhor; dizei-lhe: “Livra-nos de todo o mal e aceita este bem que oferecemos; o fruto de nossos lábios. 4 A Assíria não nos salvará; não queremos montar nossos cavalos, não chamaremos mais ‘Deuses nossos’ a produtos de nossas mãos; em ti encontrará o órfão misericórdia”. 5 “Hei de curar sua perversidade e me será fácil amá-los, deles afastou-se a minha cólera. 6 Serei como orvalho para Israel; ele florescerá como o lírio e lançará raízes como plantas do Líbano. 7 Seus ramos hão de estender-se; será seu esplendor como o da oliveira, e seu perfume como o do Líbano. 8 Voltarão a sentar-se à minha sombra e a cultivar o trigo, e florescerão com a videira, cuja fama se iguala à do vinho do Líbano. 9 Que tem ainda Efraim a ver com ídolos? Sou eu que o atendo e que olho por ele. Sou como o cipreste sempre verde: de mim procede o teu fruto. 10 Compreenda estas palavras o homem sábio, reflita sobre elas o bom entendedor! São retos os caminhos do Senhor e, por eles, andarão os justos, enquanto os maus ali tropeçam e caem”.

Evangelho: Mt 10, 16-23

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 16 “Eis que eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. 17 Cuidado com os homens, porque eles vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas. 18 Vós sereis levados diante de governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e das nações. 19 Quando vos entregarem, não fiqueis preocupados como falar ou o que dizer. Então naquele momento vos será indicado o que deveis dizer. 20 Com efeito, não sereis vós que havereis de falar, mas sim o Espírito do vosso Pai é que falará através de vós. 21 O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos se levantarão contra seus pais, e os matarão. 22 Vós sereis odiados por todos, por causa de meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. 23 Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo, vós não aca­bareis de percorrer as cidades de Israel, antes que venha o Filho do Homem.

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Somos Chamados a Voltar Ao Deus De Amor: Conversão

Assim fala o Senhor: Volta, Israel, para o Senhor, teu Deus, porque estavas caído em teu pecado... Hei de curar sua perversidade e me será fácil amá-los, deles afastou-se a minha cólera”, assim lemos na Primeira Leitura da conclusão do Livro do profeta Oseias.

Terminamos hoje a leitura do livro do profeta Oseias com perspectivas de reconciliação/conversão e de esperança. Oseias termina seu livro com o canto à conversão ao Deus de amor que lemos no texto da Primeira Leitura de hoje. É esta a expiação que Deus quer: a do coração contrito e obediente que se deixa conduzir e moldar por Deus, e que reconheça que somente em Deus se encontra a Vida e a felicidade, expressas paradisiacamente por um povo agrícola através do uso dos termos no campo: orvalho, florescer, lírio, oliveira, trigo, cipreste, perfume, plantas etc..

O texto que hoje meditamos são as palavras finais da mensagem profética de Oseias. Na realidade, são as únicas palavras de consolo e esperança que aparecem em seus longos quatorze capítulos. Mas Oseias não é um profeta melancólico. É muito mais profunda a mensagem de seu livro sobre o amor fiel de Deus ao povo infiel. O profeta Oseias se oferece a si mesmo como símbolo e matéria de ensinamento. É sua própria vida que tem valor de sinal em meio de um terrível drama, o mais lastimoso de todos os dramas: a traição de sua mulher. Oseias se casou com uma mulher a quem ele ama muito. Mas esta lhe é infiel. Oseias vai atrás dela amando-a para tomá-la de volta como esposa. Este episódio doloroso do profeta, com que começa sua mensagem, se converte no símbolo do amor que Deus tem a seu povo. Israel, com quem Deus se desposou, viveu como uma mulher infiel, como uma prostituta, e consequentemente, provocou o furor e os zelos de seu esposo divino. Este (Deus) continua querendo esta esposa. Se a castiga, é para atrai-la para si e devolver-lhe a alegria do primeiro amor.

“Volta, Israel, para o Senhor, teu Deus, porque estavas caído em teu pecado... Hei de curar sua perversidade e me será fácil amá-los, deles afastou-se a minha cólera”. Pecar é errar alvo. É desandar.  Todo pecado é uma idolatria. Adora-se às coisas de Deus no lugar do Deus das coisas. O homem se esquece que os bens terrenos continuam alheios a ele e por isso jamais vão ser seus companheiros adequados. O homem precisa de Deus e de outro ser humano para alcançar sua felicidade (cf. Gn 2,20) e para se realizar como um ser humano. Dentro deste contexto, o pecado é um retrocesso.

Por isso, podemos entender que o livro do profeta Oseias começa e termina com uma chamada à conversão. Na Bíblia, a noção básica da conversão é a mudança (metanoia). É uma mudança total do próprio modo de pensar e de agir, uma renovação total e integral do eu. É um abandono total em Deus para que possamos produzir bons frutos na convivência. Envolve voltar-se do pecado, da morte e das trevas para a graça, a nova vida e luz. A ação dual de voltar-se leva a pessoa a um novo nível de existência humana. A conversão conduz as pessoas juntas à maturidade espiritual, que se reflete em sua aversão ao mal e sua atração pelo bem. Por isso, o móvel da conversão não é tanto a ameaça de castigo ou de perder a salvação, e sim a fascinação de penetrar na vida do amor trinitário divino, o amor que nos humaniza, diviniza e salva.

Embora a conversão seja experiência individual, o entendimento bíblico é que é sempre relacional. Esta relação é bidirecional, sendo vertical e horizontal. A conversão nos leva a um novo relacionamento com Deus, relação filial, e com outros seres humanos, numa relação de fraternidade. Por isso, o chamado bíblico à conversão é apropriadamente dirigido a comunidades e não simplesmente a indivíduos.

O Salmo Responsorial (Sl 49/50) conhecido como “Miserere” está em sintonia com a Primeira Leitura ao pedir o perdão ao Senhor: “Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa!”. Neste Salmo, o salmista se reconhece pecador por natureza e suplica a Deus que afaste de sua vista seu pecado, e necessita de um novo coração, uma mudança radical do mais íntimo do ser, uma renovação total (conversão) para poder viver na alegria da salvação: Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito! Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso! Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, e minha boca anunciará vosso louvor!”.

Dentro da chamada à conversão o oráculo final do Livro do profeta Oseias é de esperança, uma esperança fundada no amor gratuito de Deus, um tema que recorre todo o livro. Nesta chamada, Deus anuncia a vitória do amor sobre a cólera, esse amor gratuito que não põe condições: “Serei como orvalho para Israel; ele florescerá como o lírio e lançará raízes como plantas do Líbano”. Oseias utiliza em todo livro figuras e símbolos para expressar o amor mútuo e a alegria do relacionamento amoroso entre Javé e o povo: Javé é o orvalho e haverá novas flores, arvores arraigadas e aromas especiais; haverá abundancia de trigos e vinhos, figuras que se encontram também no Livro Cântico dos Cânticos.

O Livro de Oseias comoveu profundamente aos homens do AT. E não é de estranhar que os evangelistas se inspirem nele e o citem com alguma frequência. A comunidade cristã viu em suas páginas a imagem do amor que Cristo tem à sua Igreja.

Somos chamados a aperfeiçoar nossa existência todos os dias, pois Deus nos inspira a pulsão para o ser-mais e melhor. Por isso, o homem somente é fiel a si mesmo quando aceita transformar-se todos os dias pelo amor de Deus, pois o homem está sempre em processo de amadurecimento. Voltar ao amor é tornar-se divino, pois Deus é Amor (cf. 1Jo 4,8.16). Temos que fazer proposito: romper com toda idolatria em nossa vida, mudar nosso coração, aceitar o amor de Deus. Um coração amoroso torna nossa vida mais leve, pois tudo que se ama é suportável ou carregável. Na alegria do amor, tudo tem solução, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16).

Ser Missionário Do Senhor É  Ser Missionário Prudente, Simples e Perseverante

Estamos ainda no discurso de Jesus sobre a missão (Mt 9,36-11,1).  No texto do evangelho de hoje Jesus nos recorda que a luta do discípulo na missão contra o mal está em desvantagem: “Eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos”. Ovelha” é a presa fácil para o lobo. Ovelha é mansa, indefesa para qualquer ataque. Lobo é feroz, forte e persistente. Os discípulos estão bem advertidos: parecem ser entregues, mansos e sem defesa (como ovelhas) para a brutalidade e a força de seus adversários (como lobos). Jesus não esconde a verdade aos cristãos: o evangelho provoca, muitas vezes, a oposição e perseguição. Isto não espanta Jesus. Ele pede aos cristãos para se manterem valentes como Ele até o fim. Jesus salvou a humanidade comportando-se como ovelha ou na linguagem do evangelista João (Jo 1,29.36) como cordeiro: simples e manso (cf. Mt 11,28-30), e não como lobo.

O ditado popular, criado por Plauto (254-184 a.C) diz que o homem é lobo para outro homem (Homo homini lúpus est). A violência faz muito barulho e o mundo é dominado por ela. Mas o manso (cordeiro) sempre paga as contas. O cristão (cordeiro enviado) não pode expor-se ao mal. O cristão, na missão, precisa se vestir da prudência e na simplicidade. Porém não pode perder o foco de transformar o lobo feroz em lobo amigo, como a profecia do profeta Isaías em que o lobo morará com o cordeiro (Is 11,6-8).

1. Ser Missionário É Ser Prudente

Os cristãos estão no meio do mundo feroz como o lobo pronto para pegar sua presa (ovelha). Por isso, Jesus alerta aos cristãos para que sejam prudentes: “Sede, portanto, prudentes como as serpentes”. 

A palavra “prudente” vem do latim “prudens-prudentis” que significa “precavido, competente”. A prudência é a capacidade de ver, de compenetrar-se e de ajustar-se à realidade. Uma “ovelha prudente” precisa saber como ela deve se comportar no meio de lobos para não virar uma presa fácil. A prudência oferece a possibilidade ou a capacidade de discernir o correto do incorreto, o bom do mau, o verdadeiro do falso, o medo paralisante do medo prudente, o sensato do insensato para que se tenha uma guia correta para cada ação. A prudência é a faculdade que nos permite vermos e aprendermos a realidade como ela é para que possamos nos comportar corretamente ou precisamente. Todo homem sábio vive de acordo com a prudência. Seus pensamentos e atos são guiados pela prudência. A prudência nos mantém na nossa integridade.

2. Ser Missionário É Ser Simples

Jesus também quer que cada cristão seja simples:  Sede simples como as pombas”.

O simples não se louva nem se despreza. Ele é o que é, simplesmente, sem desvios, sem afetação. É a vida sem frases e sem exageros. O simples não simula nada, pois simular a humildade e a simplicidade significa arrogância de quem puxa tudo para seu lado. Santo Agostinho dizia: “Simular humildade é a maior das soberbas” (De sanc. vir. 43,44). O simples é capaz de reduzir o mais complexo ao mais simples. O presente é sua eternidade, e o satisfaz.

A simplicidade aprende a se desprender, acolher o que vem sem nada guardar como coisa sua. Simplicidade é nudez, despojamento, pobreza. Simplicidade é liberdade, leveza, transparência. A simplicidade é a transparência do olhar, pureza do coração, sinceridade do discurso, retidão da alma e do comportamento. A simplicidade é a espontaneidade, a improvisação alegre, desprendimento, desprezo do prevalecer. A simplicidade é o esquecimento de si, é nisso que ele é uma virtude. A simplicidade é a virtude dos sábios e a sabedoria dos santos. Não é por acaso que Jesus faz o seguinte convite: “Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas” (Mt 11,29). Através da simplicidade alcançaremos o repouso para nosso coração ou para nossa vida.

O Reino de Deus se revela na debilidade de Jesus e de seus mensageiros. São Paulo dirá também que é na fraqueza que se revela totalmente a minha força. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo. Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte.(2Cor 12,9-10). Toda a historia da Igreja confirma esta verdade. São os pequenos e humildes que fizeram as maiores obras. Por essa razão, vem a pergunta para cada um de nós: “Será que creio verdadeiramente que a força de Deus é capaz de fazer grandes coisas na minha debilidade e através da minha fraqueza?

O discípulo deve ser pobre em espírito, e deve estar desarmado para possibilitar qualquer diálogo. Ele é somente rico na fé e na validez do anuncio, pois trata-se da Palavra de Deus que tem por objetivo salvar os homens e será a ultima palavra para a humanidade. A missão exige um ambiente de debilidade para forçar o discípulo a ter fé permanentemente em Deus e para tirar qualquer tipo de ilusão como discípulo. É Deus quem opera e não os homens. Os homens são instrumentos nas mãos de Deus.

Mas a debilidade não é presunção nem superficialidade nem ingenuidade. “Sejam simples e prudentes”, são as palavras de Jesus. A simplicidade é lealdade, transparência, confiança na verdade e, portanto, é uma recusa de qualquer meio de violência. A prudência é a capacidade e a humildade de valorizar e de levar em consideração as situações concretas. Mas trata-se sempre, por suposto, da prudência de Cristo, não da prudência do mundo baseada em cálculos cínicos, em diplomacia interesseira e de compromisso sempre em busca de uma salvação própria, que é uma manifestação do egoísmo. O egoísmo não convive com o amor, pois o amor leva o homem ao encontro do outro para oferecer-lhe ajuda. O egoísmo devora tudo o que o outro tem.

A oposição e a perseguição vêem, muitas vezes, da própria família: O irmão entregará seu irmão à morte. O pai, seu filho. Os filhos levantar-se-ão contra seus pais e os matarão”. O ódio pode nascer em qualquer pessoa e em qualquer lugar. Jesus nos sugere uma só solução: “Permanecei fieis!”. É conservar a firmeza e o valor, contra toda decepção, contra toda oposição e contra todo fracasso. O que conta é a salvação eterna. Precisamos saber que Jesus está conosco. Na obscuridade do fracasso estamos seguros de que Jesus, com toda certeza, virá e salvará os seus. Mas Jesus nos alerta e nos afirma: “Aquele que perseverar até o fim, será salvo”. Será que sou perseverante em tudo como cristão? Perseverança é a capacidade de resistir até o fim por causa da meta (nobre) a ser alcançada.

3. Ser Missionário É Ser Perseverante

Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo”.          

Perseverar significa a capacidade de resistir diante de cada dificuldade, porque acreditamos que Deus nos sustenta e nos levanta em qualquer situação. Quando você somente acredita na sua própria força, em pouco tempo você vai cair no desespero, pois sua força tem seu limite. Mas se você se apoiar em Deus, a sua força nunca vai ter o fim, pois Deus o abastece com sua graça: “Quando me sinto fraco, na verdade sou forte pois a graça de Deus me sustenta e me levanta”, dizia São Paulo (cf. 2Cor 12,10). Aquele que estiver aberto à graça de Deus para ter a capacidade de resistir e rezar com perseverança para a alcançar, poderá dizer com o Apóstolo Paulo: “Tudo posso nAquele que  me dá força” (Fl 4,13). Com esta fé Deus nos convida a remetermos para nossas forças interiores, como dizia o filósofo romano, Epicteto (55 d.C-135 d.C): Cada dificuldade na vida nos oferece uma oportunidade para nos voltarmos para dentro de nós mesmos e recorrermos aos nossos recursos interiores escondidos ou mesmo desconhecidos. As provações que suportamos podem e devem revelar-nos quais são as nossas forças. As pessoas prudentes enxergam além do incidente em si e procuram criar o hábito de utilizá-lo da maneira mais saudável. Você possui forças que provavelmente desconhece. Encontre a que necessita nesse momento. Use-a(cf. A Arte de Viver, Editora Sextante).          

Esta capacidade não é só para utilizar em casos alarmantes. Ao contrário, só conseguiremos avançar no nosso caminho, se procurarmos aproveitar plenamente as diferentes oportunidades de momento, tendo os olhos sempre postos na meta. Só assim, a nossa capacidade de resistir pode e deve fortalecer-se, mesmo no meio das dificuldades. É aí que ela se torna mais necessária.          

A capacidade de resistir precisa ser sempre renovada na oração. Como cristãos rezamos sem cessar, pedindo a graça da perseverança final. Estamos, todavia, conscientes de que isto leva consigo a disponibilidade para mudar/ nos converter, porque estamos conscientes de que a nossa fidelidade é continuamente posta à prova e de que está exposta a contínuas tentações. 

Aquele que perseverar até o fim, será salvo”. Será que sou perseverante em tudo como cristão? Perseverança é a capacidade de resistir até o fim por causa da meta (nobre) a ser alcançada. Mas será que tenho metas claras para minha vida e minha salvação? Será que eu vivo com objetivo claro? Em tudo que eu fizer e falar deve ter objetivo claro para não fazer por fazer ou falar por falar.

P.Vitus Gustama, SVD

terça-feira, 7 de julho de 2026

Quinta-feira Da XIV Semana Comum, Ano Par, 09/07/2026

SER CRISTÃO É SER MISSIONÁRIO DO AMOR E DA PAZ DE DEUS

Quinta-Feira da XIV Semana Comum

Primeira Leitura: Os 11,1-4.8c-9

Assim fala o Senhor: 1 “Quando Israel era criança, eu já o amava, e desde o Egito chamei meu filho. 2 Quanto mais eu os chamava tanto mais eles se afastavam de mim; imolavam aos Baals e sacrificavam aos ídolos. 3 Ensinei Efraim a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços, mas eles não reconheceram que eu cuidava deles. 4 Eu os atraía com laços de humanidade, com laços de amor; era para eles como quem leva uma criança ao colo, e rebaixava-me a dar-lhes de comer. 8c Meu coração comove-se no íntimo e arde de compaixão. 9 Não darei largas à minha ira, não voltarei a destruir Efraim, eu sou Deus, e não homem; o santo no meio de vós, e não me servirei do terror”.

Evangelho: Mt 10,7-15

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7 “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. 8 Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! 9 Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; 10 nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito a seu sustento. 11 Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hos­pedai-vos com ele até a vossa partida. 12 Ao entrardes numa casa, saudai-a. 13 Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz. 14 Se alguém não vos receber, nem escutar vossa palavra, saí daquela casa ou daquela cidade, e sacudi a poeira dos vossos pés. 15 Em verdade vos digo, as cidades de Sodoma e Gomorra serão tratadas com menos dureza do que aquela cidade, no dia do juízo.

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Nosso Deus é o Verdadeiro Pai Amoroso

Quando Israel era criança, eu já o amava, e desde o Egito chamei meu filho. Ensinei Efraim a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços. Eu os atraía com laços de humanidade, com laços de amor; era para eles como quem leva uma criança ao colo, e rebaixava-me a dar-lhes de comer”, revelou-nos Oseias sobre o Deus amoroso.

Não é difícil ouvir ou ler ou comentar que o Deus do AT é um Deus duro, severo, vingativo, distante, que manda e impõe. É verdade que, às vezes, o povo judeu (parte do povo em certos momentos) imagina assim seu Deus. Mas é verdade também que no AT fala-se de Deus de uma imagem cheia de amor. Não se esqueça que muitas vezes o AT fala de Deus como um marido que ama entranhavelmente, como um pai que cuida incansavelmente de seus filhos. Deus ama com um amor exigente como qualquer verdadeiro amor, mas também com o amor compassivo, aberto ao perdão e nunca para de ter esperança no homem. Este Deus de amor é que o profeta Oséias quer nos mostrar.

Quando Israel era criança, eu já o amava, e desde o Egito chamei meu filho. Ensinei Efraim a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços. Eu os atraía com laços de humanidade, com laços de amor; era para eles como quem leva uma criança ao colo, e rebaixava-me a dar-lhes de comer”.

Através destas palavras o profeta Oseias nos revelou a natureza de Deus no Antigo Testamento. No início de seu livro (Os 2), o profeta Oseias nos revelou o Deus-esposo. No texto de hoje, ele nos revelou o Deus-Pai amoroso. O amor é expresso com toda ternura da revelação pai-filho-criança: ensina-lhe a andar, carrega-o nos braços, cuida dele, alimenta-o, beija-o com todo carinho. Falando humanamente, nenhum pai poupa seu amor, seu esforço pelo filho, pois para o pai, o filho é ele. O sucesso do filho é o sucesso do pai. A tristeza do filho é a tristeza do pai. Este Deus-Pai amoroso será revelado por Jesus, no NT, como Abbá, o Paizinho. Sentimos uma ternura enorme ao chamar Deus de Paizinho, pois nos tornamos uma criancinha no colo desse Abbá, não para ficar na infantilidade e sim para sentir uma grande proteção e um profundo amor desste Deus por nós todos. Somos amados por Deus e por isso, devemos amar aos outros, por nossa vez. A vida sem amor mal parece valer esforço. Sem amor, a vida se torna vazia de sentido.

Se antes o amor de Deus pelo povo é comparado ao amor conjugal (do marido para a esposa), agora Oseias descreve este amor com traços bem ternos de um pai ou de uma mãe pelo filho que leva nos braços, a quem acaricia e beija, a quem ensina a andar, a quem atrai com laços de amor. Trata-se de um amor que se manifesta sob todas as formas de ternura. Da mesma forma que os pais mimam o filho, o levam nos braços, o dão de comer e mais tarde o ensinam seus primeiros passos, assim também se comporta Deus com seu “filho eleito”, Israel 

Mas este filho agora é infiel. O povo rompeu a aliança que havia prometido guardar: “Quanto mais eu os chamava tanto mais eles se afastavam de mim”. Geralmente, como os pais não recebem nenhum agradecimento, assim também Deus não receberá mais que ingratidão por parte de seu filho, Israel. O Senhor “os atraía com laços de humanidade, com laços de amor”, mas são precisamente esses laços que impulsionam o filho a libertar-se deles e fazer-se independente: não dos pais humanos e sim de Deus: “Quanto mais eu os chamava tanto mais eles se afastavam de mim; imolavam aos Baals e sacrificavam aos ídolos”.

O que fará Deus agora? O profeta Oseias, refletindo sobre sua própria incapacidade de condenar a sua mulher infiel, descreve com traços muito humanos esse amor de Deus: “Meu coração comove-se no íntimo e arde de compaixão. Não darei largas à minha ira”, disse o Senhor. A razão mais impressionante disso: “Eu sou Deus, e não homem; o santo no meio de vós, e não me servirei do terror”. O próprio de Deus não é castigar e sim amar e perdoar. Deus é um verdadeiro “amigo” que está no meio de seu povo (Cf. Jo 15,14-15).

Mas Deus como Pai que quer envolver o filho com laços de amor, se encontra agora “prisioneiro” desses mesmo laços, porque não somente tem amor e sim que é o amor (cf. 1Jo 4,8.16). Porque “sou Deus e não homem”, Deus não pode irritar-se, não pode destruir, não pode abandonar o filho infiel que saiu da casa como o filho pródigo, mas deve esperá-lo, correr ao seu encontro, abraçá-lo e dar uma festa em sua honra (cf. Lc 15,11-32). O estilo de Deus não é o estilo vingativo do homem. A apelação surpreendente à sua santidade, à sua radical distinção de tudo e de todos é a mais forte garantia de um amor sem retrocesso. Este amor é o amor ágape que conhece uma direção só: o bem e salvação do outro. Toda a pregação de Oseias prepara esta afirmação que fará eco em outros profetas: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca” (Is 49,15). 

A proclamação de Oseias sobre o amor de Deus que sai ao encontro do homem na dupla relação de matrimônio e filiação, de um Deus que ama simplesmente porque é Deus, e não é homem, constitui um dos capítulos mais ricos da teologia veterotestamentária. É uma antecipação daquela doutrina joanina que considera o amor como essência e realidade de Deus (1Jo 4,8.16). Somente quem tem experiência de amor pode ter experiência deste Deus que é o primeiro em amar (1Jo 4,19). Amar criadoramente significa estar presente a favor dos homens. Deus é amor e se compromete pessoalmente em favor dos homens, o amor que precede ao homem. Amor é caminho para Deus e caminho para a realização. Amar é, portanto, questão de qualidade de vida. Poe este caminho não há outro caminho para chegar até Deus. 

Nós Somos Missionários Do Amor De Deus Neste Mundo

Com o texto do Evangelho de hoje, continuamos a acompanhar o discurso de Jesus sobre a missão (Mt 9,36-11,1).  Na passagem do evangelho de hoje Jesus dá algumas instruções para seus discípulos na tarefa de proclamar a Boa Nova. 

Primeiramente, Jesus disse aos discípulos: “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos céus está próximo’”. Jesus coloca em primeiro lugar o anúncio da Boa Nova. Onde quer que ande um seguidor de Jesus deve falar somente das coisas boas, da esperança, da fraternidade, da igualdade e assim por diante. O evangelizador é aquele que sempre leva adiante o que é bom e o que é certo e o que edifica. Um seguidor não pode perder tempo em falar ou em discutir coisas que nada edificam a humanidade. Qualquer cristão não pode desperdiçar o tempo com coisas fúteis e inúteis, pois para ele cada minuto é o minuto da graça de Deus (Kairós) que jamais voltará.  A vida vivida apenas para satisfazer a própria vida nunca satisfaz a vida de ninguém. Não há melhor exercício para fortalecer o coração do que estender o braço para baixo para erguer pessoas esmagadas pelo peso da vida vivida diariamente. O propósito verdadeiro de nossa existência é fazer uma vida válida, bem feita e útil. Praticar e pregar o bem fazem parte da vida de um cristão! Esta é a tarefa principal de qualquer cristão. Tudo o mais virá depois: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas outras coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6,33). 

Proclamai que o reino de Deus está próximo”. Muitas vezes se busca Deus demasiadamente longe. De fato ele está próximo de nós; Ele está conosco (Mt 28,20). Deus está ali; naquele cantinho mais secreto da tua vida, aonde ninguém chega, em que uma voz que não sabes donde vem, nem para onde vai, te diz o que não querias ouvir, te recorda o que desejarias ter esquecido, te profetiza o que nunca desejarias saber. Nessa voz que não ouves, mas que te desaprova. Nessa voz que não é tua, mas que nasce em ti e que nem o sono, nem o barulho, nem a bebida, nem a carne conseguem fazer calar(Juan Arias: O Deus Em Quem Não Creio). O Deus que Jesus revela é um Deus próximo, um Deus amoroso. Por isso, jamais eu estou sozinho, inclusive quando me sinto abandonado ou solitário, nem na minha doença nem na minha morte capazes de me separar de Deus, pois Deus está comigo (Cf. Rm 8,35-39). Para poder proclamar aos demais sobre a bondade, a proximidade da presença de Deus, o cristão-missionário há que ter feito a experiência do Deus próximo em si mesmo pessoalmente. Quem se torna próximo de Deus, vai ser próximo dos outros homens. Um coração afastado de Deus nos torna distantes dos outros. 

 Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios”.  A atividade dos apóstolos, pode-se dizer que, é uma atividade trapéutica. Jesus já tinha feito tudo isso: Ele curou os enfermos (Mt 8,5-15); purificou os leprosos (Mt 8,2-4); ressuscitou os mortos (Mt 9,23-25); expulsou os demônios (Mt 8,28-34). O cristão-missionário é aquele que distribui benefícios, aquele que faz o irmão crescer e viver a vida dignamente, aquele que leva a paz; aquele que nutre a vida dos outros; aquele que protege a vida em todas as suas instâncias. O cristão é aquele que, ao imitar seu Mestre Jesus, passa a vida fazendo o bem  para onde for, onde estiver e com quem estiver (cf. At 10,38). O cristão é aquele que pratica o bem nos momentos oportunos e inoportunos. Não diríamos que fosse fácil. Mas não estamos aqui neste mundo sem um propósito determinado. As atividades diárias  são os caminhos ou meios pelos quais somos convidados a fazer o bem. Com o bem praticado criamos um impacto no ambiente físico, mental e emocional da comunidade ou do grupo ao qual pertencemos. 

“Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem o dom é  bastão, porque o operário tem direito a seu sustento”. O cristão tem que ser dom para os outros. O dom é vitória sobre a possessão e sobre o egoísmo. O ouro e a prata (os bens materiais) nunca vão ser nossos amigos. Os bens continuam sendo alheios a nós. Eles são necessários, mas apenas como meios para facilitar nosso trabalho. A sua utilidade para nossa vida terminará assim que terminar nossa passagen neste mundo. O ser humano tem que gostar do ser humano e usar os bens, e não pode usar o ser humano porque gosta dos bens materiais. É preciso que o cristão esteja despojado, sem ser dominado pela coisa morta. Despojamento é todo um empenho para dar lugar à riqueza do poder da graça de Deus. Despojamento nos torna imunes contra as ciladas da prepotência e da senção de se sentirmos poderosos. Deus só oferecerá a riqueza da Sua graça ao que saiba despojar-se de si mesmo e das coisas materiais. Despojamento é o ponto de encontro com Deus e com os outros irmãos. “O bem tende sempre a comunicar-se. Toda a experiência autêntica de verdade e de beleza procura, por si mesma, a sua expansão; e qualquer pessoa que viva uma libertação profunda adquire maior sensibilidade face às necessidades dos outros. E, uma vez comunicado, o bem radica-se e desenvolve-se. Por isso, quem deseja viver com dignidade e em plenitude, não tem outro caminho senão reconhecer o outro e buscar o seu bem”, escreveu o Papa Francisco (Exortação Apostólica, Evangelii Gaudium n.9). 

Não leveis nem sacola”: geralmente o dinheiro é a segurança do rico; a sacola é a segurança do pobre, pois na sacola o pobre põe e repõe suas provisões. Nem em tudo isso o cristão põe sua segurança. “Nem duas túnicas”: a primeira túnica é tua; a segunda não é tua, e sim do irmão que não tem nada para vestir-se. Evita-se assim a mentalidade materialista. É preciso crer mais no Deus das coisas, e não somente nas coisas de Deus (ouro e prata). “Nem sandálias”: as sandálias são para os homens libertados e livres (cf. Lc 15,22). O cristão é o servidor/servo da Palavra (cf. Lc 1,38) cuja missão é transmiti-la aos irmãos. “Nem cajado”: cajado é o prolongamento da mão que permite alcançar o inalcançável. Ter cajado é sinal de poder de quem tem mais posses que se usa, muitas vezes, para dominar os outros, especialmente os mais pobres. O cajado de Deus é a Cruz que salva todos, pois na Cruz se revela o amor ilimitado e incondicional de Deus por todos os homens. 

Na sua instrução, Jesus pede aos discípulos para que vivam despojados: não levar nem ouro, nem prata, nem sandálias, nem bastão. Estas exigências parecem estar tomadas das normas estabelecidas para participar do culto a Deus no templo: “que ninguém entre no templo com bastão, sapatos nem com a bolsa de dinheiro”. Partindo desta norma judaica se diria simplesmente que os discípulos, na realização de sua tarefa evangelizadora devem fazer a mesma coisa diante de Deus e devem viver como estando na presença de Deus, sabendo que o êxito da missão depende de Deus. 

A expressão “Estar desarmados e despojados” é usada para enfatizar que a obra é de Deus e não de um ser humano. Este estilo é chamado de “pobreza evangélica” que não se apóia unicamente nos meios materiais e nas técnicas, e sim na ajuda de Deus e na força de Sua palavra. Nós devemos confiar mais na força de Deus do que em nossas qualidades ou meios técnicos. O homem que se deixa conquistar pelo despojamento, deixa de estar alienado ou agarrado a qualquer coisa. O despojamento se torna um encontro libertador consigo próprio. ”Não andes averiguando quanto tens, mas o que tu és”, dizia Santo Agostinho (Serm. 23,3). 

Recebestes de graça, de graça dai!”. Além de ter uma vida despojada, o cristão deve ser generoso e viver na gratuidade. O cristão-missionário deve atuar com desinteresse econômico, não buscando seu próprio proveito. Todos sabem que quanto mais se tem, mais se quer. A felicidade ficará cada vez mais distante quando o ser humano começar a criar mais necessidades. O espírito materialista é como beber a água salgada: quanto mais você beber, mais sede você terá. Aquele que sabe reduzir ao mínimo suas necessidades encontra uma alegria e uma liberdade maior. Possuído ou dominado pelas coisas o homem perde sua liberdade. “Onde só o amor serve e não a necessidade, a escravidão se torna liberdade” (Santo Agostinho. In ps. 99,8).

“Entrando numa casa, saudai-a: Paz a esta casa. Se aquela casa for digna, descerá sobre ela vossa paz; se, porém, não o for, vosso voto de paz retornará a vós”. Paz (Shalom) que é a saudação habitual entre os judeus tem uma grande densidade de significado, pois este termo não significa apenas a ausência de conflitos ou a tranquilidade da alma, mas também a saúde, a prosperidade, a felicidade em plenitude, harmonia com tudo e com todos. A palavra “Shalom” talvez possa ser traduzida com uma expressão que todos nós desejamos aos outros: “Tudo de bom”. “All the best” para os da língua inglesa. Desejar a paz significa desejar tudo de bom para o próximo. Desejar “Shalom” é desejar a alguém uma harmonia com tudo, com todos e com o Todo por excelência que é o próprio Deus. 

O cristão jamais pode ser uma pessoa agressiva verbal e fisicamente. A serenidade produz outra serenidade. Cada sorriso gera outro sorriso. O cristão deve propor a Boa Nova e não se pode impor: os homens ficam livres. A tarefa do cristão-missionário é oferecer a paz e a alegria. Dar alento. O cristão deve saber que o trabalho não é forçar de qualquer maneira, nem Jesus fez isso. A tarefa do cristão-missionário é formular a proposta clara e convincente e logo deixa para a liberdade do homem. 

A missão está marcada pela constante ameaça dos anti-valores da sociedade e pela oposição dos filhos das trevas. Os verdadeiros lobos são aqueles que sacrificam seus irmãos para obter benefícios pessoais. Os evangelizadores não podem ser ingênuos diante deles. Os cristãos devem manter sua simplicidade, mas acompanhada pela prudência para agir sabiamente e eficazmente: “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas”. 

Em resumo: o cristão deve ser despojado, simples, pacífico, prudente e desarmado. Só com estas qualidades ele convence qualquer um para ser parceiro do bem e para ganhar novos evangelizadores. A verdadeira felicidade não consiste em possuir o que se ama, mas em amar o que se deve possuir (Santo Agostinho: In ps. 26,2,7).                         

P. Vitus Gustama, SVD

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Quarta-feira Da XIV Semana Comum, Ano Par, 08/07/2026

SER CRISTÃO É SER CHAMADO E ENVIADO PARA FAZER O BEM E SER PARCEIRO DO BEM

Quarta-Feira Da XIV Semana Comum

Primeira Leitura: Os 10,1-3.7- 8.12

1 Israel era uma vinha exuberante e dava frutos para seu consumo; na medida de sua produção erguia os numerosos altares; na medida da fertilidade da terra, embelezava seus ídolos. 2 Com o coração dividido, deve agora receber castigo; o Senhor mesmo derrubará seus altares, destruirá os seus simulacros. 3 Decerto, dirão agora: “Não temos rei; não temos medo do Senhor. Que poderia o rei fazer por nós?” 7 Samaria está liquidada, seu rei vai flutuando como palha em cima da água. 8 Será desmantelada a idolatria dos lugares altos, pecado de Israel; ali crescerão espinhos e abrolhos sobre seus altares; então se dirá aos montes: “Cobri-nos!” e às colinas: “Caí sobre nós!” 12 Semeai justiça entre vós, e colhereis amor; desbravai uma roça nova. É tempo de procurar o Senhor, até que ele venha e derrame a justiça em vós.

Evangelho: Mt 10,1-7

Naquele tempo, 1 Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos maus e de curar todo tipo de doença e enfermidade. 2 Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João; 3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4 Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus. 5 Jesus enviou estes Doze, com as seguintes recomendações: “Não deveis ir aonde moram os pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! 6 Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! 7 Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’”.

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Semeai justiça e colhereis amor. É tempo de procurar o Senhor, até que ele venha e derrame a justiça.

Israel era uma vinha exuberante e dava frutos para seu consumo; na medida de sua produção erguia os numerosos altares; na medida da fertilidade da terra, embelezava seus ídolos. Com o coração dividido, deve agora receber castigo; o Senhor mesmo derrubará seus altares, destruirá os seus simulacros”.

O tema da vinha foi desenvolvido em todo texto bíblico. Israel era uma vinha frondosa (cf. Is 5,1-7; Jr 2,21. Ez 15; 17,6; Sl 80). Jesus utilizará essa imagem tradicional (Mt 21,33; 20,1; Jo 15,1).

Desta vez, o pecado do povo de Israel é descrito, precisamente, com imagens tomadas da vida do campo. O povo eleito era uma vinha que produzia frutos abundantes, mas agora se converteu em campo estéril, pois se esqueceu de Deus e confia apenas nas forças humanas. Consequentemente “Com o coração dividido, deve agora receber castigo; o Senhor mesmo derrubará seus altares, destruirá os seus simulacros. Samaria está liquidada, seu rei vai flutuando como palha em cima da água”.

As imagens da dor vivida pelo profeta Oséias por causa do adultério de sua esposa são insuficientes para descrever o drama do afastamento de Israel de Deus: “Com o coração dividido, deve agora receber castigo”. O profeta recrimina novamente a idolatria (coração dividido). O pecado mais grave de Israel é ter depositado sua confiança fora de Deus, desprezando o espirito da Aliança. Para expressar a profundidade da relação com Deus os profetas empregam o verbo “crer”. O homem da Aliança é, por definição “buscador de Deus”, mendigo da luz que possibilita caminhar ate as fronteiras da terra prometida.

O povo adora ídolos e se esquece do verdadeiro Deus. A idolatria ou traição é fruto de coração dividido, não consagrado ao Deus único que exige coração íntegro (cf. Os 10,2). Um coração dividido possibilita todo tipo de traição. E todo tipo de traição abre espaço para todo tipo de mentira. Onde houve a mentira, não haverá espaço para a mutua confiança que resulta na mútua acusação.

O castigo, baseado no amor e na verdade, exige a destruição do objeto de divisão dos altares e das imagens e momentos idolátricos para voltar a ser feliz de verdade tendo o coração íntegro. Pelo sentido da palavra, feliz é aquele que é capaz de produzir frutos bons na vida para si e para os convívios. Produção de bons frutos abundantemente ou suficientemente sempre causa contentamento naquele que os produz e naqueles que vao saborear esses frutos. Isso se chama felicidade. Em outras palavras, o único remédio é que Israel volte a praticar justiça e se converta a Deus, “seu esposo”: Semeai justiça entre vós, e colhereis amor. É tempo de procurar o Senhor, até que ele venha e derrame a justiça em vós”. E que Israel reconheça sua culpa: “... então se dirá aos montes: ´Cobri-nos!´ e às colinas: ´Caí sobre nós!’”. São palavras que Jesus repetirá em Lc 23,30.

Como aconteceu com Israel, na nossa vida há também nossas condutas duvidosas, coração dividido ou duplo jogo em nosso estilo de vida em nome de interesses, prazeres ou “ própria segurança” sacrificando o verdadeiro que nos traz felicidade perene. Na nossa vida também há momentos em que nos deixamos levar pelo egoísmo ou ambição que sufoca e mata a fraternidade, a justiça, a igualdade e a convivência fraterna que nos deixa isolados dos demais, atitude que acaba nos matando. O egoísmo é um suicídio silencioso.

O convite do profeta Oseias para voltar a Deus é sempre atual para todos nós de qualquer idade: “Semeai justiça entre vós, e colhereis amor. É tempo de procurar o Senhor, até que ele venha e derrame a justiça em vós”.  Quem não admite qualquer dependência de Deus, fica sem a alma magnânima em que o agradecimento e a gratidão fazem parte de uma vida saudável e humana e fraterna. O orgulhoso/arrogante abandona o sentimento religioso. Sentimento religioso se baseia no reconhecimento de que fomos criados (somos criaturas e não Criadores) e de que existe um Deus que cria tudo e cuida de tudo na sua infinita providência. Ontem Oseias dizia: “Quem semeia ventos, acolhe tempestades”. Hoje Oseias nos convida a semear justiça para acolher amor e misericórdia.

A partir da primeira Leitura de hoje vamos fazer o exame de consciência se nós também criamos ídolos para abandonar o Deus verdadeiro, se levantarmos altares para os deuses falsos, se temos um coração dividido como Israel. Ou seja, se decidimos seguir a Jesus com coração íntegro, mas na realidade fazemos mais caso a este mundo e seus critérios de vida, então estamos caminhando para o desmoronamento interior. E a destruição vai progressivamente do interior para o exterior de nossa vida.

É impossível viver sem se comprometer. A autenticidade de seu compromisso com o seu Deus se mede pela sua atitude para com os homens. Na vida não se pode ser neutro e permanecer à margem; ou você  se compromete com o bem ou acaba comprometido com o mal” (René Juan Trossero, psicólogo e escritor argentino).

Todos Nós Somos Missionários Da Misericórdia

Terminada a série de milagres narrados depois do Sermão da Montanha, entramos agora no segundo dos cinco grandes discursos de Jesus no evangelho de Mateus chamado o Discurso missionário que abrange Mt 9,36-11,1.

Há cinco grande discurso de Jesus no evangelho de Mateus:

·      Mt 5,1-7,28: Sermão da Montanha;

·      Mt 9,36-11,1: Discurso missionário;

·      Mt 13,1-52: Discurso sobre o Reino em parábolas;

·      Mt 18,1-35: Discurso sobre a vida comunitária/Igreja;

·      Mt 24,1-25,46: Discurso sobre o Julgamento final/ a Vinda do Filho do Homem.

Notemos que a missão em Mt não se limita apenas aos doze, mas para todos aqueles que queriam seguir a Jesus. Por isso, neste discurso sobre a missão não se fala nem da partida dos doze (Mc 6,12-13; Lc 9,6) nem do seu regresso (Mc 6,30; Lc 9,10). O discurso sobre a missão não é endereçado para a multidão e sim para os discípulos que serão enviados. Podemos dizer que este discurso serve como um tipo de “manual” para os seguidores de Jesus na tarefa de exercer a missão neste mundo. Todos os batizados são missionários. Cada batizado é discípulo-missionário.

O texto do evangelho de hoje nos fala da constituição dos Doze Apóstolos. Doze tribos. Doze Apóstolos. Doze colunas da Igreja. O doze simboliza a unidade e a totalidade do povo eleito. Em Mateus o número Doze é símbolo da comunidade cristã em sua totalidade, considerada como o novo Israel. Em Mt 28,16, em vez dos “Doze” aparecem “Os Onze discípulos. O Onze representa esta comunidade com exclusão do antigo Israel (Judas) que rejetou o Messias. Os Doze são os Apóstolos e discípulos do Senhor, as testemunhas de Sua vida, iluminados com sua mensagem. Sua missão será propagar a Boa Nova de Cristo, revelar o rosto de Deus, Pai misericordioso e que os homens devem viver na fidelidade ao Senhor. A missão se baseia sobre a compaixão: Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor (Mt 9,36). É uma da razões pelas quais Jesus escolheu os Doze para acompanhar de perto a vida e a missão atividade de Jesus.

É interessante observar que Jesus não buscou primeiro reunir pessoas ilustres, e sim pessoas disponíveis, capazes de segui-Lo até o fim. São aqueles que darão sua vida por Ele. Os doze foram chamados/escolhidos (Mt 10,1) para ser enviados (Mt 10,5). Precisamente, “apóstolos” significa “enviados, mandados”. A vocação e a missão estão sempre juntas.  A vocação de ser filho realiza-se, na verdade, na missão para com os irmãos, especialmente irmãos necessitados: “Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel!”. Os apóstolos foram as primeiras testemunhas de Jesus, dos quais estiveram com o Mestre desde o “batismo de João até o dia em que subiu ao céu” (At 1,22); são o “fundamento” de nossa fé (cf. Ef 2,20). Jesus chama para si operários que continuarão a fazer e a dizer tudo o que Ele, antes deles,fez e disse. Nasce a Igreja, que tem nos Doze a raiz; essa Igreja é apostólica, não somente porque é fundada sobre os apóstolos, ms porque é feita de apóstolos, de filhos enviados aos irmãos, especialmente aos irmãos necessitados.

Por outro lado, tanto a chamada (vocação) quanto a missão são comunitárias: Os Doze representam as doze tribos de Israel, são nomeados em duplas e serão mandados dois a dois (Mc 6,7). A comunidade é ponto de partida e de chegada da missão: realiza-se na fraternidade. Somente quem é irmão, é filho (de Deus), e somente quem é filho, se faz irmão dos outros.

Os Doze são enviados a levar às doze tribos a Palavra do Filho: “Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! ”. Mas depois dessa primeira etapa da missão os Doze serão enviados a todos os povos: “Ide, pois, e fazei discípulos todos os povos...” (Mt 28,19)

O papel essencial dos escolhidos é expulsar os “espíritos imundos” e “curar os homens” de seus males. Em outras palavras são enviados para fazer o bem e destruir o mal. São chamados para ser parceiros do bem e enviados em busca de outros parceiros do bem para que o bem avance. É para ajudar os que estão abandonados para serem parceiros também do bem. É compadecer-se com eles. Todos são chamados a tirar o bem que tem dentro de cada um para partilhá-lo com os outros homens para que o homem prossiga na paz e no desenvolvimento em todos os aspectos de sua vida.               

Judas Iscariotes faz parte de seu grupo. Ele também foi enviado para a missão, uma grande missão. Jesus tomou esse risco ao confiar a responsabilidade de sua obra para pobres humanos. dentro do homem há possibilidade para o bem ou para o mal. Por isso, há que rezar sempre por aqueles que têm responsabilidade na Igreja. Cada um de nós também tem uma missão, cada um é responsável, em uma parte da obra de salvação de Jesus. Mas cada batizado tem que ter seus momentos para para fazer um autoexame a fim de descobrir mais cedo as tendências negativas que causam a destruição da própria pessoa e da convivência, especialmente da obra salvífica do Senhor. 

Jesus é muito consciente da amplitude de sua obra. É necessário ter muito tempo. Sem pressa Jesus limita a missão no momento só dentro do território de Israel. Ele mesmo, durante sua vida terrena, se limitou ao que podia fazer: dirigir-se às ovelhas agarradas da casa de Israel. Mais tarde ele enviaria os discípulos pelo mundo inteiro (Mt 28,18-20). Em outras palavras, é preciso arrumar primeiro a casa. É preciso evangelizar os que estão dentro de casa para depois evangelizar os que estão fora dela que nem sempre é fácil. É o desafio de cada missionário-evangelizador.

A constituição do Novo Israel (12 apóstolos) tem uma dupla finalidade: “estar com Jesus” e “ser enviados a proclamar o Reino de Deus”. O envio é o objetivo principal da constituição dos Doze. Jesus assinala a seus discípulos sua tarefa no mundo dando-lhes seu próprio poder, poder que se estende ao anúncio da proximidade do Reino e a cura de toda enfermidade. Suas palavras ficam confirmadas com uma atividade libertadora que se expressa como “expulsar espíritos imundos”.

Para os discípulos eleitos, Jesus os chama “apóstolos”, ou seja, “enviados”. Sua missão vai ser antes de tudo: “Ide! Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo”. Mas este anúncio deve ir acompanhado de fatos: “ expulsar espíritos imundos, curar toda enfermidade”. A oferta da salvação é dada, em primeiro lugar, para Israel. ao final do Evangelho de Mateus, o Senhor dará a ordem: “Ide e fazei discípulos todas as nações!”.                 

Ao enviá-los Jesus dá-lhes o poder. Mas este poder deve ser entendido como um dom de autoridade (latim: autoridade: augere =crescer. Somente tem autoridade aquele que é capaz de fazer o outro crescer). E a autoridade tem as seguintes características: 1). Está orientado por inteiro ao ministério apostólico, ou para o serviço do bem e não para dominar ou mandar e desmandar: expulsar o mal, fazer o bem, pregar o Reino. É um dom completamente missionário. Por isso, não se trata de nenhum poder de direção ou de governo. 2). É uma autoridade conferida, mas não abandonada por Jesus a seus discípulos. 3). Jesus reconhece que haverá oposição por causa de interesses. A autoridade dada aos Doze é a própria autoridade de Jesus, isto é, aquela que vence o mal com o bem. É a autoridade somente para fazer o bem. Se assim for, não haverá o abuso do poder. A verdade e o amor vencerão a mentira (o demônio é pai da mentira: Jo 8,44) e o egoísmo, pois todos viverão no amor fraterno.                 

Nem todos são sucessores dos apóstolos, mas todos são seguidores de Jesus e por isso, devem continuar, cada um em seu ambiente, a missão que cada um recebeu no batismo. Todos nós formamos a Igreja “apostólica” e “missionária”. Por isso, não vamos à missa para ir à missa. Que a missa é, de uma parte, a expressão de nossa fé, de nossa esperança e de nossa caridade. Mas de outra parte, a missa é sempre um imperativo, uma exigência para fazer operativa nossa fé, nossa esperança e nossa caridade. Por isso, quando finaliza a missa, começa a realidade na vida; quando termina a celebração eucarística ou qualquer reunião eclesial, deve começar nosso compromisso cristão; quando termina a missa, deve começar a missão. Se não a missa careceria de sentido.   

Somos chamados por Jesus Cristo para estar com ele a fim de aprendermos a ser parceiros do bem. Somos enviados depois do encontro com ele para fazer o bem e em busca dos novos parceiros do bem. A alma da missão é caridade. A única coisa que nos faz bem é fazer o bem. A vida não é uma luta para superar os outros, mas uma missão a ser exercida para dar o melhor de nós para a humanidade conforme os talentos recebidos de Deus. Estamos aqui neste mundo com um objetivo único, com um objetivo nobre que nos permitirá manifestar nosso mais alto potencial enquanto, ao mesmo tempo, acrescentamos valor às vidas das pessoas que estão a nossa volta. Descobrir a própria missão significa trazer mais de você mesmo para o trabalho, para a convivência e concentrar-se nas coisas que você sabe fazer melhor e dar sempre o melhor de você para os outros sem esperar nada em troca.  

Todos os dias Jesus nos chama. Toda chamada é um convite. E isso implica uma certa iniciativa e interesse por parte de que o realiza. Na passagem dos discípulos de Emaús, vemos como Jesus caminhava junto a eles, mesmo assim não eram capazes de reconhecer a presença do Senhor. quantas vezes, Jesus caminha conosco e não somos capazes de descobri-Lo. E Ele que toma a iniciativa, convida e chama. Ele sai ao nosso encontro para conversar conosco e nos convidar. Quando Jesus elegeu os Doze, em cada um deles, estávamos representados como cristãos. Diz o evangelho que os chamou por seu nome. 

Cada dia Jesus nos chama por nosso nome. Jesus o faz através de múltiplas maneiras: algum sacramento, o testemunho de tantas pessoas, os eventos/acontecimentos da vida cotidiana. O mundo necessita da luz do cristianismo e de cada cristão, reflexo de Cristo. Quanto paz, alegria, amor e vida se reflete em quem contempla Deus. Quando Jesus disse aos Doze: “Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’”, Ele nos convida a nos concentrarmos mais nos necessitados, nas almas atribuladas pelo pecado. Por isso, nossa mensagem deve ser uma mensagem de salvação; é uma mensagem de confiança, de esperança e de alegria; é uma mensagem transformadora; é uma mensagem capaz de tocar até o fundo do coração; é uma mensagem que interpela. Uma mensagem capaz de levantar as pessoas de suas quedas para seguir adiante com o Senhor rumo a uma vida glorificada. Sejamos apóstolos da esperança e da felicidade. Não caiamos na tentação de ser pregadores da desgraça. Deus se encarnou e transformou nosso tempo em tempo da graça e nossa vida vida em oportunidade para a salvação. Deus se fez homem para nos tornar divinos. Cada ato de caridade, de bondade, de solidariedade, de compaixão é um ato divino que se torna uma ordem para cada cristão e para cada pessoa de boa vontade: Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo”. É uma chamada para sair de nosso cantinho de sossego ao encontro de um irmão necessitado. Não esqueçamos a seguinte frase do Papa Francisco: O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena, este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado”. (Evangelii Gaudium, n.2).

P. Vitus Gustama, SVD

Sexta-feira Da XIV Semana Comum, Ano Par, 10/07/2026

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