segunda-feira, 6 de abril de 2026

Quarta-feira Na Oitava Da Páscoa, 08/04/2026

O SENHOR NÃO NOS ABANDONA, POIS NOS ACOMPANHA COM SUA FORÇA RESSUSCITADA

Quarta-Feira Na Oitava da Páscoa

Primeira Leitura: At 3,1-10

Naqueles dias, 1Pedro e João subiram ao Templo para a oração das três horas da tarde. 2Então trouxeram um homem, coxo de nascença, que costumavam colocar todos os dias na porta do Templo, chamada Formosa, a fim de que pedisse esmolas aos que entravam. 3Quando viu Pedro e João entrando no Templo, o homem pediu uma esmola. 4Os dois olharam bem para ele e Pedro disse: “Olha para nós!” 5O homem fitou neles o olhar, esperando receber alguma coisa. 6Pedro então lhe disse: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!” 7E pegando-lhe a mão direita, Pedro o levantou. Na mesma hora, os pés e os tornozelos do homem ficaram firmes. 8Então ele deu um pulo, ficou de pé e começou a andar. E entrou no Templo junto com Pedro e João, andando, pulando e louvando a Deus. 9O povo todo viu o homem andando e louvando a Deus. 10E reconheceram que era ele o mesmo que pedia esmolas, sentado na porta Formosa do Templo. E ficaram admirados e espantados com o que havia acontecido com ele.

Evangelho: Lc 24,13-35

13Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. 14Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido.15Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. 16Os discípulos, porém, estavam como cegos, e não o reconheceram. 17Então Jesus perguntou: “Que ides conversando pelo caminho?” Eles pararam, com o rosto triste, 18e um deles chamado Cléofas, lhe disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?19Ele perguntou: “Que foi?” Os discípulos responderam: “O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. 20Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 21Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo 23e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. 24Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu”. 25Então Jesus lhes disse: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! 26Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” 27E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele. 28Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. 29Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” Jesus entrou para ficar com eles. 30Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. 31Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. 32Então um disse ao outro: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” 33Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros. 34E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!”  35Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.

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O Cristão Deve Fazer Tudo Em Nome De Cristo Ressuscitado e Leva Somente Cristo Em Seu Coração Para Onde For e Onde estiver

Pedro e João subiram ao Templo para a oração das três horas da tarde”. No início e por algum tempo, os discípulos continuaram fiéis à liturgia do Templo. Eles não compreenderam imediatamente o significado sacerdotal e sacrificial da morte de Jesus, e do rito do "pão e vinho". Certamente, desde o início, celebraram a Ceia como Jesus lhes havia recomendado: “Fazei isto em memória de mim”. Mas, no momento, eles não perceberam ou não captaram que todas as liturgias do Templo serão substituídas.

Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!”. Os Apóstolos não tinham meios econômicos, nem poder social, mas participam na força do Senhor Ressuscitado: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou”. Há uma evidência na pobreza dos Apóstolos. A força salvadora que estava na vida de Jesus agora atua através de sua comunidade, concretamente através dos Apóstolos.

“Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!”. Os Apóstolos são os continuadores de Jesus. Eles são os depositórios do poder taumatúrgico do Messias para fazer milagres. A ação de Jesus não terminou com a sua morte: Deus continua a agir ou continua atuando através da sua presença misteriosa na sua Igreja.

E para sublinhar essa continuidade: Pedro diz as mesmas palavras de Jesus: "Levanta-te e anda..." (Lc 5, 23). Pedro faz o mesmo gesto de Jesus: "tomando-o pela mão..." (Lc 8, 54). E cura a mesma enfermidade, um paralítico e no mesmo lugar... (Mt 21, 14).

Aqui percebemos que os atos dos Apóstolos são os atos de Cristo Ressuscitado. Os Apóstolos fazem tudo em nome de Jesus Ressuscitado e não em nome próprio nem em nome do próprio interesse ou vantagem própria. Os Apóstolos eram pessoas que se escondiam por medo dos judeus e eram calados cheios de medo. Por contraste, depois do Pentecostes se tornaram homens valentes, cheios de luz, de pureza, de desinteresse, de gentileza, de vida interior, de generosidade e assim por diante. A partir de então, eles levam somente Cristo Ressuscitado em seu coração e se deixam guiar por Ele. Por isso, Pedro pode dizer ao mendigo: “O que tenho eu te dou”. Pedro tem vida adentro, tem Cristo dentro de seu coração, tem força dentro dele capaz de levantar um e muitos paralíticos, um ou muitos mortos em nome de Cristo Ressuscitado que habita dentro de seu coração.

A ação de Pedro e João na “porta” do Templo contrasta com a ação dos sacerdotes judeus no interior do Templo. Enquanto os Apóstolos põem em pé um ser humano “defeituoso” e marginalizado da sociedade, os sacerdotes, no interior do Templo, sacrificam um animal perfeito.

O mendigo que pedia esmola para aliviar sua necessidade de um dia, recebeu a cura para o resto de seus dias. Esta cura permite ao mendigo recuperado de sua paralisia, que estava “à porta” do Templo a “entrar” no Templo e proclamar como os demais e junto aos demais as glórias de Deus. O excluído (“à porta”) do Templo passa a ser o incluído do Templo (“entrar”). Este paralitico era levado pelos outros (familiares) para a porta do Templo a fim de mendigar. Mas agora já curado “leva os outros” para Deus com o testemunho do milagre do amor divino na sua vida.

Será que creio na Igreja, depositária dos benefícios de Deus? será que creio eu realmente que Jesus está vivendo na Igreja? É a Sua Palavra que eu ouço, quando se lê a Sagrada Escritura na Missa? É Ele Quem eu encontro quando me confesso sobre meus pecados no Sacramento da Reconciliação?

É uma oportunidade para redescobrir a profundidade misteriosa da "ação Apostólica": o Papa e os bispos continuam a função ou o papel de Pedro e dos Doze.

Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!”.  Através do Batismo o Senhor está em nós e nós estamos no Senhor. A missão de Jesus é a missão da Igreja. “Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!”. É isso que a Igreja repete à humanidade, com tanta frequência paralisada? “Levanta-te!”. A Igreja, seguindo ao Senhor Jesus, quer a grandeza do homem: um homem de pé, um homem ativo, um homem capaz de tomar seu destino em sua mão. “Levanta-te e anda!”.  Esta é a missão da Igreja, de cada cristão e cristã. A Igreja, cada cristão/cristã, seguindo a Jesus e levando o Cristo ressuscitado em seu coração quer e deve querer a grandeza do homem, isto é, o homem de pé, um homem ativo e criativo, um homem capaz de tomar decidir e tomar seu destino. O mendigo que estava prostrado e numa situação de dependência recupera sua dignidade. De pé, ele dá um pulo e começa a andar para dar testemunho sobre a presença da ação do Ressuscitado na sua vida através da mão de Pedro.

Será que como cristão ou cristã eu contribuo para levantar a humanidade de sua paralisia? Será que eu contribuo para libertar os outros de suas "doenças"? Será que eu me apoio na força da ressurreição para pôr-me novamente em pé toda vez caiu, ficou paralisado?

Deixar-se Guiar Pelo Cristo Ressuscitado Para Encontrar o Sentido De Tudo Que Se Passa Na Vida

Depois da morte de Jesus os discípulos se encontram no Cenáculo com a frustração e a opressão de seu coração, o drama interior que estão vivendo. Acreditaram em Jesus e o seguiam, mas seus olhos viram com perplexidade Jesus crucificado como um malfeitor. As palavras que ele dizia três vezes que havia de ressuscitar (Lc 9,22. 44-45; 18,31-34) não encontraram mais credibilidade nos discípulos, pois de fato, até agora Ele não apareceu.

Dois dos discípulos não resistem mais esse clima sufocante, este vazio tão frustrante, e decidem sair do Cenáculo. Os dois discípulos fugiram de Jerusalém decepcionados, se isolaram do resto dos discípulos. Mas quem foge, não é livre. Se eu estiver livre, não vou fazer nenhuma fuga.  Nós esperávamos...”, diziam os dois discípulos de Emaús. Agora não esperam mais nada. Eles entregaram suas vidas para um ideal que os fascinou, e fracassaram totalmente. Eles se afastam da comunidade e vão para Emaús, longe do resto dos discípulos. Para os dois a comunidade não é mais crível e, portanto, não tem sentido de estar juntos na mesma comunidade. Perderam a razão para estar na mesma comunidade. A comunidade não os fascinou mais. Eles fugiram de Jerusalém. Os dois discípulos de Emaús se sentem muito frustrados diante da situação.

Dois discípulos não têm mais esperança. “Nós esperávamos…!”, "Tínhamos esperança..." Essas palavras carregam uma esperança perdida. Pode-se imaginar a decepção deles. Jesus Caminha com eles. Escuta-os. Por seu caminho Jesus veio para encontrar-se com eles esse interessa por suas preocupações.

Na vida de todo ser humano, isso acontece um dia: uma grande esperança perdida, uma morte cruel, uma derrota humilhante, uma grande preocupação, um problema insolúvel, um pecado que causa sofrimento. Humanamente falando, não há saída.

Através do evangelho de hoje Lucas quer nos mostrar que o Senhor Ressuscitado continua a estar presente ainda hoje na nossa vida de fiéis. Apesar do Senhor estar presente nem sempre conseguimos ncontrá-Lo. Lucas quer nos mostrar como podemos encontrar o Senhor Ressuscitado.

 

Lucas parte desta afirmação: “Nós esperávamos…!”, disseram os dois discípulos de Emaús diante da morte de Jesus.  Estas palavras estão cheias de uma esperança perdida ou de decepção. É fácil entendermos a decepção desses homens. Em toda vida humana alguma vez ou várias vezes aconteceu e acontecerá uma grande esperança perdida, uma morte cruel, um fracasso humilhante, uma preocupação, uma questão não solucionada ou não solucionável, um pecado que faz sofrer, uma imprudência que causa uma fatalidade, uma doença incurável, uma traição atrás da outra no casamento, e assim por diante.

Os dois discípulos de Emaús se sentem muito frustrados diante da situação. Frustração é um sentimento de fracasso e decepção que aparece diante de um desejo não realizado ou diante de uma necessidade não satisfeita. Quanto maior for o desejo que quisermos realizar, se ele não for realizado, maior será o grau de frustração que teremos. Quando uma pessoa não conseguir realizar seu desejo aparecerão duas emoções opostas nela: a raiva e tristeza. Uma pessoa frustrada, muitas vezes, se torna violenta, brava, estúpida, grosseira, intolerante, impaciente e assim por diante. Por trás de uma pessoa brava e grosseira, muita das vezes há uma pessoa frustrada.

Os dois discípulos de Jesus se afastaram de Jerusalém indo para Emaús depois da morte do Mestre. A viagem ida para Emaús é triste, em silencio, com sentimentos de derrota e desilusão: “Nós esperávamos...!”

Nisto “O próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles”, comentou o evangelista Lucas. Por seu caminho Jesus vem encontrá-los. E Jesus se interessa por suas preocupações. Jesus jamais nos abandona nas nossas tristezas e sofrimentos. Mas o nome dele deve ser sempre nosso assunto de conversa e de oração para que ele inspire nossas conversas e orações, para que ele possa nos acompanhar. Jesus conhece nossos sofrimentos e nossas decepções. Por isso precisamos nos deixar olhar e interrogar por Jesus: “O que vocês vivem conversando no seu caminho da vida?”. Qual conteúdo de nossa conversa? O que conversamos mais na vida e para que conversamos sobre isso? Precisamos contar tudo para Jesus como expressão de nossa nele embora ele saiba de tudo sobre nossa vida.

Os dois não reconheceram o Caminhante que se junta a eles: “seus olhos estavam cegos, não podiam reconhecê-lo”. Quando estivermos dominados pelas grandes preocupações, acabamos não vendo nada a não ser aquilo que nos preocupa. Perdemos o chão sobre o qual devemos pisar. Perdemos nosso sono. Até não sentimos a presença de pessoas ao nosso lado.

Seus olhos estavam cegos, não podiam reconhecê-lo”. Sempre é difícil reconhecer o Ressuscitado, como no caso de Maria Madalena, sobretudo, quando os olhos estão tristes e fechados. A dos dois se desmoronou. Não creem na ressurreição apesar da informação de algumas mulheres que o túmulo estava vazio. Há um ponto comum nos relatos das aparições do Ressuscitado: os discípulos estão pouco dispostos a crer; duvidam, não esperam a ressurreição, estão desconcertados.

Somente no pão partilhado é que os dois reconheceram que aquele homem que andava com eles era Jesus ressuscitado. O momento do pão partilhado é o momento de fraternidade, de familiaridade, de conversa de igual para igual, de alegria, de risos à vontade, de reconhecer a presença do outro e de ouvi-lo atentamente. São momento tão humanos e por isso, tão divinos. Os dois discípulos reconhecem a presença do Divino no partir do pão. Consequentemente, a viagem de volta para Jerusalém se torna exatamente contrária: os dois discípulos correm pressurosos, cheios de alegria, os olhos enxergam melhor e a inteligência fica aberta para entender as Sagradas Escrituras e ansioso para contar a experiência para os amigos de sua comunidade em Jerusalém. A experiência profunda com o Divino cria comunidade e faz o afastado voltar para a comunidade. A experiência profundo com Deus torna alguém evangelizador.

O ressuscitado está presente nos três grandes momentos em que os discípulos de Emaús o encontraram: na Fração do Pão, na Proclamação de Sua Palavra e na Comunidade. São precisamente os três momentos primordiais de nossa celebração: a Comunidade reunida, a Palavra proclamada e escutada e a Eucaristia recebida como alimento. Os três “sacramentos” do Senhor ressuscitado.

Em outras palavras, o relato do evangelho de Lucas foi elaborado totalmente para nos ensinar como podemos reconhecer Jesus, como podemos avançar lentamente da dúvida, do desespero para a fé.

O primeiro método, para reconhecer Jesus é preciso tomar contato, profundamente, cordialmente, com as Escrituras, com a Palavra de Deus.Jesus, começando por Moisés e passando pelos profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele”. O AT esclarece o NT. O projeto de Deus prossegue sem ruptura. O que se realiza em Jesus Cristo é o que Deus previa desde a eternidade. Por isso, precisamos ler e reler a Palavra de Deus com a oração e com o coração, sem os quais jamais conseguiríamos a inspiração divina para entender o que está escrito nas Escrituras.

A segunda experiência para reconhecer Jesus é preciso participar da Eucaristia, da fração do pão. “Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus”. A Eucaristia é o sacramento, o sinal eficaz da presença de Cristo ressuscitado. É o grande mistério da fé, embora aparentemente seja um sinal muito pobre, um sinal muito modesto materialmente: pão e vinho. Pobre, materialmente, mas são essenciais para a vida humana. Através destes dois elementos (pão e vinho), estamos diante do Sagrado que quer nos tocar para nos alimentar e salvar. É o sacramento da fraternidade onde todos se alimentam do mesmo Pão eucarístico e do mesmo Cálice. É o momento de humanização, pois todos são comensais. É a vida de Jesus sacrificada para a nossa salvação. É o nosso verdadeiro alimento na caminhada rumo ao céu, à comunhão plena no banquete eterno com Deus. A eucaristia é o céu aqui na terra. Ir à missa é ir ao céu. A Eucaristia é o banquete celeste antecipado já aqui na terra. Não vamos à missa para cumprir preceitos e sim vamos ao céu ao participarmos da Eucaristia que é o banquete celeste.

Na celebração eucarística há duas Mesas inseparáveis: a Mesa da Palavra (Liturgia da Palavra) e a Mesa da Eucaristia (Liturgia da Eucaristia).No princípio era Palavra e a Palavra se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,1.14). As duas são da mesma importância. Na Mesa da Palavra Deus tem sua Palavra para nos alimentar. Deus sempre tem uma palavra para cada participante da celebração eucarística. E na Mesa da Eucaristia, o Senhor nos alimenta com seu Corpo e seu Sangue. Já que as duas Mesas são da mesma importância, então devemos dar-lhes a atenção de maneira igual e com a mesma reverência. Essas duas mesas se encontram no texto do evangelho de hoje. Jesus nutre, primeiro, os dois discípulos com Sua Palavra (Sagrada Escritura) para depois alimentá-los com o Pão da vida, Pão partilhado na mesa comum.

Depois desses dois sinais isto é, a Palavra e a Fração do Pão, no mesmo instante, os dois discípulos voltaram para Jerusalém para contar essa experiência para os demais discípulos. Isto nos mostra que Jesus se encontra na comunidade reunida em Seu nome e que fala de Seu nome (cf. Mt 18,20).

Além disso, a volta dos dois discípulos com tanta pressa para comunidade também tem outro nome: missão. Cada encontro pessoal com o Senhor Jesus move a pessoa a ir ao encontro dos outros para contar esse encontro, para partilhar a riqueza desse encontro. Ninguém pode somente ficar quieto em seu lugar contemplando Cristo ressuscitado. Há que pôr-se em caminho e marchar até os outros irmãos para que juntos formemos uma comunidade de irmãos baseada no amor e no respeito mútuo e anunciemos a esperança de que a vida humana tem futuro em Deus ao vivermos no presente como irmãos e irmãs, alimentados pelo Pão da Palavra e pelo Pão Eucarístico.

A experiência dos dois discípulos de Emaús nos mostra que a Páscoa não é uma recordação. É salvação, é vida hoje e aqui para você, para mim, para todos nós. Temos, sim, nossas decepções em relação à comunidade. Mas se escutarmos atentamente e profundamente a Palavra de Deus e nos alimentarmos de Seu Corpo e Sangue, não tem como não formar uma comunidade de irmãos. Os dois discípulos de Emaús há muita coisa a nos ensinar sobre como devemos ser a Igreja. Para construir ou reconstruir uma comunidade de discipulado necessitamos fazer uma experiência profunda com o Ressuscitado. Para nos tornarmos evangelizadores do Ressuscitado, necessitamos conversar com Ele longamente.

P. Vitus Gustama,svd

Terça-feira Na Oitava Da Páscoa, 07/04/2026

O QUE VOCÊ ESTÁ PROCURANDO NESTA VIDA E PARA QUÊ?

Terça-Feira Na Oitava da Páscoa

Primeira Leitura: At 2,36-41

No dia de Pentecostes, Pedro disse aos judeus: 36 “Que todo o povo de Israel reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes”. 37 Quando ouviram isso, eles ficaram com o coração aflito, e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Irmãos, que devemos fazer?” 38Pedro respondeu: “Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados. E vós recebereis o dom do Espírito Santo. 39 Pois a promessa é para vós e vossos filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar para si”. 40 Com muitas outras palavras, Pedro lhes dava testemunho, e os exortava, dizendo: “Salvai-vos dessa gente corrompida!” 41Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o batismo. Naquele dia, mais ou menos três mil pessoas se uniram a eles.

Evangelho: Jo 20, 11-18

Naquele tempo, 11Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. 12Viu, então, dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. 13Os anjos perguntaram: “Mulher, por que choras?” Ela respondeu: ”Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. 14Tendo dito isto, Maria voltou-se para trás e viu Jesus, de pé. Mas não sabia que era Jesus. 15Jesus perguntou-lhe: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” Pensando que era o jardineiro, Maria disse: “Senhor, se foste tu que o levaste dize-me onde o colocaste, e eu o irei buscar”. 16Então Jesus disse: “Maria!” Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: “Rabuni” (que quer dizer: Mestre). 17Jesus disse: “Não me segures. Ainda não subi para junto do Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. 18Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito.

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Partilhar o Pão Material e o Pão Eucarístico São Frutos Da Verdadeira Conversão. 

Há dois pontos importantes da Primeira Leitura de hoje: Primeiro, o anúncio cristão primitivo/primeiro anúncio (At 2,22-36). O que se fala nesta primeira parte é o convite a escutar e a citação da Escritura.  Segundo, em função deste anúncio vem o convite à conversão para depois ser batizado (At 2,37-39). A morte de Jesus e a sua glorificação (ressurreição) assinalam o início do tempo novo, o tempo do Espírito Santo prometido pelos profetas para os “últimos tempos”. Para entrar neste novo tempo é preciso converter-se.

Que todo o povo de Israel reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes.... Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados. E vós recebereis o dom do Espírito Santo. Pois a promessa é para vós e vossos filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar para si”. É a continuação da pregação do apóstolo Pedro no dia de Pentecostes que lemos na Primeira Leitura de hoje.

Neste discurso de Pentecostes, conforme Lucas escreveu, após a síntese do querigma primitivo/ anúncio primitivo (Querigma significa o primeiro anúncio da Boa-Nova do acontecimento Jesus de Nazaré realizado na força do Espírito Santo, baseado no testemunho pessoal dos apóstolos), vem uma solene proclamação e a resposta humana.

A ação de Deus na Ressurreição faz Jesus aparecer plenamente como Senhor. Confessar que Jesus é o Senhor é o resumo da confissão de fé mais primitiva de todas. Naturalmente não é que Cristo começa a ser Senhor na Ressurreição, pois “no Princípio o Verbo era Deus” (Jo 1,1). Mas em tal Ressurreição o Ser-Senhor de Cristo é totalmente revelado. Seu triunfo sobre a morte, sobre o pecado e sobre as negatividades humanas é evidente. Nesse aspecto, é um apelo a ser reconhecido como tal pelos homens. Aquele que era menos reconhecido no seu Senhorio, agora com a sua Ressurreção fica evidente que Jesus Cristo é o Senhor (cf. Fl 2,11). A ressurreição de Jesus é a última intervenção decisiva de Deus

Que todo o povo de Israel reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes....”. É preciso que meditemos esta fórmula essencial da nossa fé. Deus fez de Jesus o Senhor! A ressurreição, que eles testemunharam, mudou radicalmente a visão que tinham dele: eles o consideravam um homem excepcional, um profeta, o filho de Deus, mas tudo permanecia vago em suas mentes. A ressurreição foi a descoberta relâmpago: Jesus é "Senhor", participa do ser de Deus, é Deus! Jesus Cristo é o “Meu Senhor e Meu Deus” (Jo 19), e “..vós O crucificastes”.

Esta é a dimensão mais importante do anúncio da Páscoa. Tudo isso não é dito para surpreender ou discutir, mas para salvar. Para que todos os homens se abram a esta ação de Deus.

O autor dos Atos quer nos dizer que a comunidade primitiva cumpre a essencial função de evangelizar. Nem então e nem hoje se trata de um mero proselitismo para que aumente o número dos adeptos da instituição-Igreja e sim para facilitar o encontro de Cristo com o homem de nosso tempo, porque a Igreja não é a luz e sim testemunha da Luz que é o próprio Cristo. A Igreja reflete a luz do próprio Senhor ressuscitado ao contemplá-la. Por isso, quando ficamos longe da verdadeira Luz, viveremos apagados como uma Igreja.

A fidelidade ao ensino dos Apóstolos é fidelidade ao Evangelho. As primeiras testemunhas do Senhor Ressuscitado (Apóstolos) não se anunciam a si mesmas. Eles proclamam Jesus de Nazaré como a Palavra definitiva que Deus dirigiu à humanidade e que ressuscitou.

Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes...”, disse Pedro. Na ressureição o Ser-Senhor de Cristo se revela plenamente. Seu triunfo sobre a morte, sobre o pecado e sobre as negatividades humanas ficam patentes. Neste sentido é uma interpelação para ser reconhecido como tal pelo homem se quiser viver uma vida plena que não conhece a morte eterna.

O reconhecimento leva consigo a conversão: “Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados”, disse Apóstolo Pedro aos presentes. Pedro usa seu discurso para questionar e chamar os presentes para um novo estilo de vida. O encontro com o Ressuscitado, Senhor Jesus Cristo, é uma experiência definitiva de Deus. Por causa disso, as pessoas que aceitam Jesus são batizadas na nova comunidade de crentes e se tornam parte do novo povo de Deus.

Os crentes não se distinguem dos outros porque usam uniformes ou porque assumem práticas misteriosas. Os seguidores de Jesus se diferenciam pela maneira de viver diferente: compartilham tudo em comunidade e são fiéis aos ensinamentos do Mestre Jesus Cristo como fruto de sua conversão. Eles compartilham o que têm. A propriedade individual entra no serviço da comunidade, não para o conforto dos crentes, mas como uma maneira concreta de servir ao Evangelho, servindo aos mais pobres. A comunidade se reúne para orar e compartilhar o pão. Não é a sociedade de mútuo elogio nem a autoafirmação absolutista. É a congregação dos fiéis que compartilham o pão da mesa e o pão da Eucaristia. O louvor ao Senhor nasce de um sentimento de gratidão e fraternidade, e não de um intimismo religiosa.

Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados”. O pecado é sempre um afastamento. Com o pecado se estabelecem distâncias, se abandona a casa paterna e a comunhão fraterna. Por Jesus sabemos que o Pai continua nos esperando nossa volta. Para Deus não importa o tempo do afastamento d´Ele e quantos pecados que cometemos. O que importa para Deus é a nossa volta a Ele.

Converter-se é, em hebraico como também em latim, voltar-se, voltar: o homem volta para Deus, porque Deus o chama. É uma voz que salva a distância e supera os obstáculos para voltar a criar presença e intimidade. A conversão é um retorno. Jesus ilustra de maneira inesquecível essa imagem do retorno com a maravilhosa parábola do filho pródigo (cf. Lc 15,11-32).

A conversão implica um duplo movimento. O movimento do pecador que se volta para Deus. Este movimento cria a liberdade. E o movimento de Deus que abre o caminho do retorno. O movimento de Deus que se chama a Graça que salva o afastado que volta.

Quem se encontra com Jesus profundamente se transforma em missionário do Senhor

Maria Madalena está diante do túmulo, chorando. O motivo de seu pranto é a completa ausência de Jesus, que não apenas morreu, mas cujo corpo também desapareceu. É a tristeza que Jesus havia predito aos seus discípulos: "Vocês chorarão e se lamentarão, mas o mundo se alegrará. Vocês se entristecerão, mas a tristeza de vocês se transformará em alegria." (Jo 16,20). Maria Madalena é a comunidade nupcial que busca e chora por seu Esposo, o amor de sua alma: Jesus Cristo.

No Evangelho deste dia, Maria Madalena procura o Jesus terreno, enquanto que ele está em outro nível, e por isso ela não O encontra. É uma busca em vão. É como procurar um morto na sua vida terrena, enquanto que ele está em outro nível. Jesus Cristo, como o Ressuscitado, está no outro nível, digamos, no nível superior. Se ele está no nível superior, então precisamos aumentar nosso nível para podermos encontrá-Lo.

Maria Madalena pensa que o lugar certo para encontrar Jesus é o túmulo. No entanto, enquanto ela continuar procurando lá, nunca O encontrará. "Por que procurais entre os mortos aquele que vive?" É preciso voltar-se para ver Jesus, que está de pé, como convém a uma pessoa viva; estar de pé é o oposto de estar deitado (Jo 20,12), a postura dos mortos. Ela teria reconhecido um Jesus morto, mas não o reconhece como vivo. Essa cegueira de Maria será posteriormente refletida na de Tomé. Essas duas figuras mostram a comunidade presa à concepção da morte como um evento definitivo.

Maria Madalena necessita de algum meio para chegar até Jesus da fé, o Jesus Ressuscitado. O meio que a ajuda são os Anjos, mensageiros de Deus: “Mulher, por que choras?”. Os anjos perguntam a razão pela qual Maria Madalena chora. Será que realmente ela tem razão para chorar? Esta pergunta convida Maria a fazer uma reflexão. “O que você está procurando através deste choro? O que você está procurando nas suas conversas, no seu sofrimento? O que você está procurando no seu falar e no seu fazer?”

O ser humano enquanto estiver vivo, permanecerá perguntador do seu estar no mundo e do estar dos outros no mundo. O sentido da vida só se encontrará quando o homem se interrogar, interrogar e ser interrogado.

A partir do momento em que Maria Madalena começa a procurar o Jesus Ressuscitado, o próprio Senhor se revela a ela e a chama pelo nome: “Maria!”. Ele chama Maria Madalena pelo nome: “Maria!”. Jesus conhece nosso nome e nos chama pelo nome (cf. Is 43,1) e o nome de cada um de nós está gravado na palma da mão de Deus (cf. Is 49,16). Eu não sou anônimo para Deus, mesmo que as pessoas não saibam do meu nome e não me conheçam.

Somente um conhecido, parente, pessoa da família nos chama pelo nome. O cristão é chamado a transformar o outro em círculo da família de Deus chamando-o pelo nome, isto é, fazer com que o outro se sinta em casa, se sinta irmão.

Maria!”. É assim que Jesus chamou Maria que estava confusa. Isto significa que a superação da visão puramente humana, por causa da fé, permite qualquer um encontrar o Senhor que faz a morte morrer. Quando estivermos livres, do ponto de vista espiritual, então, brotarão as palavras e as ações justas do centro do nosso ser e o Espírito de Deus falará e operará através de nós. De fato, depois do encontro com o Jesus Ressuscitado, Maria Madalena se converte em missionária para anunciar a notícia maravilhosa de que Jesus ressuscitou. Isto significa que cada encontro verdadeiro com o Senhor em cada celebração ou em cada eucaristia sempre resulta na transformação do participante em missionário do Senhor Ressuscitado.

A resposta de Maria Madalena: "Raboni, meu Senhor", um título usado para mestres, conecta este momento à cena em que Marta diz à sua irmã: "O Mestre está aqui e está chamando você". Ao mesmo tempo, "Raboni" poderia ser usado por uma mulher dirigindo-se ao marido. Assim, os dois aspectos da cena se combinam: a linguagem nupcial expressa a relação amorosa que une a comunidade a Jesus, mas esse amor é concebido em termos de discipulado, ou seja, de seguir.

O que Estamos Procurando Nesta Vida?

Maria Madalena era uma mulher libertada de sete demônios por Jesus (Lc 8,2). Tão profundo e tão decisivo foi o primeiro encontro com Jesus que tornou a vida de Maria Madalena uma busca incessante do Bem Maior que é Jesus Cristo como relatou o evangelho deste dia. Somente busca o Bem Maior aquele que foi encontrado pelo Bem Maior.

No texto do evangelho de hoje o Jesus Ressuscitado dirigiu a seguinte pergunta a Maria Madalena: “Mulher a quem procuras?” (Jo 20,15b). Chamam nossa atenção duas coisas. A primeira é que esta pergunta-chave é precedida por outra pergunta: “Mulher, por que choras?”. Como se a intensidade da busca/procura fosse proporcional à magnitude da perda. Somente choramos por aquilo que nos afeta profundamente, seja por causa da tristeza profunda, seja por causa da alegria profunda, ou seja por causa da partida de uma pessoa tão amada deste mundo. O pranto de Maria Madalena é um certificado de um amor direto ao coração. Choramos por causa de alegria profunda, como também choramos por causa de uma tristeza profunda. O choro é a única linguagem capaz de expressar tudo que sentimos profundamente que nenhuma outra língua ou linguagem capaz de expressá-lo.

O que nos chama também atenção é a mudança de termos. Para o pranto se busca uma causa: “Por que choras?”. Ou “Por qual razão tu choras” ou o que te causou o choro? (Alegria, tristeza?) O que se busca na pergunta é a causa do pranto.

Mas para a busca se faz referência a uma pessoa: “A quem procuras?”. Maria Madalena não busca um ideal, não busca um sentido, pois tudo isto vem por acréscimo. Maria Madalena busca Aquele que, olhando-a de outra maneira, restituiu-a em sua dignidade de mulher. Ela busca Aquele a Quem seguia pelos caminhos da Galileia em companhia de outros homens e mulheres. Ela busca Aquele que foi cravado em uma madeira e abandonado quase por todos, exceto ela e a própria mãe de Jesus e algumas outras pessoas (cf. Jo 19,25). Ela busca Aquele que lhe garante um futuro seguro. Ela busca Aquele que não acaba com o tempo, Aquele que não conhece o fim. Ela busca Aquele que tem a última palavra para sua vida e sua morte. Ela busca Aquele que é capaz de lhe dar a serenidade apesar de estar no meio das tempestades desta vida.

Merecem nossa atenção e nossa meditação para duas perguntas essenciais encontradas no evangelho de João para nossa vida e nossa peregrinação neste mundo: “O que realmente você está procurando neste mundo?”. Esta pergunta é feita por Jesus logo no início do evangelho de João: “Que estais procurando?” (Jo 1,37). É a pergunta dirigida aos primeiros discípulos no evangelho de João. 

Parece-me que dedicamos bastante tempo de nossa vida em função da procura do “o quê” de nossa vida. Uma vez Oscar Wilde escreveu: Neste mundo só há duas tragédias: uma é não se conseguir o que se quer, a outra é conseguir”. Mas no fim confessamos que o dinheiro e o poder não satisfazem aquela fome sem nome que temos na alma. Carl Gustav Jung escreveu no seu livro: O Homem Moderno à Procura de Uma alma, escreveu: “O problema de cerca de um terço de meus pacientes não é diagnosticado clinicamente como neurose, mas resulta da falta de sentido de suas vidas vazias. Isto pode ser definido como a neurose geral de nossa época”.

O que nos frustra e tira nossa alegria de viver é a ausência do significado de nossa vida. Nossa alma não está sedenta de poder, de fama, de popularidade, de conforto, de propriedades e assim por diante. O dinheiro e o poder não satisfazem aquela fome sem nome que está no fundo de nosso coração. A partir do momento em que procurarmos as coisas terrenas, permaneceremos no nível inferior. Por isso, São Paulo nos alerta: “Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus: tende gosto pelas coisas do alto” (Cl 3,1-2). Cada cristão e pessoas de boa vontade são convidados a entrar na ótica da fé na pessoa do Senhor.

Nossa alma tem fome do significado da vida, ou de aprendermos a viver de tal modo que nossa existência ou nossa passagem neste mundo tenha importância ou significado capaz de modificar ou de melhorar o mundo, pelo menos, o mundo que está ao nosso redor. Mesmo que tenhamos muita riqueza ou influência do ponto de vista de poder, cedo ou tarde temos que nos deparar com esta pergunta: O que devo fazer da minha vida? será que nossa existência tem um propósito além do simples existir? Será que aquele que morreu viveu essencialmente? Todos os itens de nossa lista de desejos podem ser alcançados, mas mesmo assim nos sentimos vazios. O que falta para nossas vidas, não importa o que conseguimos alcançar material, social ou profissionalmente, é o sentimento de significar alguma coisa para nossa vida que nos dá uma alegria permanente e nos dá ânimo para continuar lutando.

Através dessa primeira pergunta o evangelista João nos dirige para a pergunta essencial que ele coloca no fim do seu evangelho. A pergunta é esta: “A quem procuras?”. De fato, as coisas, as riquezas, os bens materiais mesmo que os possuamos, eles continuam sendo alheios a nós. Eles jamais serão nossos próximos. No fim confessamos que estamos procurando Alguém capaz de nos salvar de uma vida vazia. A resposta que o evangelista nos dá é Jesus: “Jesus fez ainda, diante de seus discípulos, muitos outros sinais, que não se acham escritos neste livro. Esses, porém, foram escritos para crerdes que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20,30-31; cf. Jo 10,10; 14,6). Se nos encontrarmos na escuridão, Ele é a Luz do mundo (Jo 8,12); se a morte nos ameaça para nos eliminar para sempre, Ele é a ressurreição e a vida (Jo 11,25), se ficarmos perdidos nesta vida, basta voltar para Ele, pois Ele é o Caminho (Jo 14,6); se ficarmos com medo por causa de tantas tribulações, Ele é o Vencedor do mundo (Jo 14,33); se andarmos sozinhos e perdidos como ovelhas perdidas sem que haja alguém para nos procurar, Ele é o Bom Pastor (Jo 10,11-15). Ele não nos deixa sozinhos, pois Ele é o nosso amigo (Jo 15,13-14), e assim por diante.

O que estais procurando?” e “A quem estais procurando?”. “O que estais procurando?”. Trata-se de uma pergunta essencial em função da busca do essencial. É uma pergunta ao mesmo tempo existencial e essencial. Esta pergunta é dirigida para pessoas que estão em busca, que andam inquietas, que se interrogam sobre o essencial nesta vida.  No fundo, todos nós estamos sempre na busca de algo mais e por isso sempre insatisfeitos.  Esta pergunta de Jesus nos obriga a refletirmos sobre o que realmente e essencialmente estamos procurando nesta vida, se um dia nossa caminhada neste munda terminará.O homem, enquanto estiver vivo, permanecerá um perguntador. Ninguém pode dar sentido à própria vida a não ser interrogar, interrogar-se sobre o seu estar no mundo e ser interrogado pelos outros sobre o seu modo de viver, pois o homem não somente vive, mas convive. Para aprender a viver é preciso aprender a conviver. Nossa vida está cercada por outras vidas. Viver significa completar-se, desenvolver-se e crescer por meio de “algo outro”.

“O que estais procurando?” e “A quem estais procurando?”. Como é que você pode colocar em equilíbrio estas duas perguntas na sua vida cotidiana para que sua vida realmente tenha sentido? Você enfatiza mais na pergunta “O que estais procurando?” ou A quem estais procurando?. “Amando a Deus nos tornamos divinos; amando ao mundo nos tornamos mundanos. Não Andes averiguando quanto tu tens, mas o que tu és(Santo Agostinho).

P. Vitus Gustama,svd

domingo, 5 de abril de 2026

Segunda-feira Na Oitava Da Páscoa, 06/04/2026

SER CRISTÃO É SER ANUNCIADOR DA VIDA, DA ALEGRIA E DA ESPERANÇA

Segunda-Feira Na Oitava  Da Páscoa

Primeira Leitura: At 2,14.22-32

No dia de Pentecostes, 14 Pedro de pé, junto com os onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão: 22 “Homens de Israel, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus, junto de vós, pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou, por meio dele, entre vós. Tudo isto vós bem o sabeis. 23 Deus, em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue pelas mãos dos ímpios, e vós o matastes, pregando-o numa cruz. 24 Mas Deus ressuscitou a Jesus, libertando-o das angústias da morte, porque não era possível que ela o dominasse. 25 Pois Davi dele diz: ‘Eu via sempre o Senhor diante de mim, pois está à minha direita para eu não vacilar. 26 Alegrou-se por isso meu coração e exultou minha língua e até minha carne repousará na esperança. 27 Porque não deixarás minha alma na região dos mortos nem permitirás que teu Santo experimente corrupção. 28 Deste-me a conhecer os caminhos da vida e a tua presença me encherá de alegria’. 29 Irmãos, seja-me permitido dizer com franqueza que o patriarca Davi morreu e foi sepultado e seu sepulcro está entre nós até hoje. 30Mas, sendo profeta, sabia que Deus lhe jurara solenemente que um de seus descendentes ocuparia o trono. 31 É, portanto, a ressurreição de Cristo que previu e anunciou com as palavras: ‘Ele não foi abandonado na região dos mortos e sua carne não conheceu a corrupção’. 32 Com efeito, Deus ressuscitou este mesmo Jesus e disto todos nós somos testemunhas”.

Evangelho: Mt 28,8-15

Naquele tempo, 8as mulheres partiram depressa do sepulcro. Estavam com medo, mas correram com grande alegria, para dar a notícia aos discípulos. 9De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse: “Alegrai-vos!” As mulheres aproximaram-se, e prostraram-se diante de Jesus, abraçando seus pés. 10Então Jesus disse a elas: “Não tenhais medo. Ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão”. 11Quando as mulheres partiram, alguns guardas do túmulo foram à cidade, e comunicaram aos sumos sacerdotes tudo o que havia acontecido. 12Os sumos sacerdotes reuniram-se com os anciãos, e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, 13dizendo-lhes: “Dizei que os discípulos dele foram durante a noite e roubaram o corpo, enquanto vós dormíeis. 14Se o governador ficar sabendo disso, nós o convenceremos. Não vos preocupeis”. 15Os soldados pegaram o dinheiro, e agiram de acordo com as instruções recebidas. E assim, o boato espalhou-se entre os judeus, até o dia de hoje.

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Jesus Ressuscitou e Está Conosco

Através do livro dos Atos dos Apóstolos, são Lucas nos relata os trinta primeiros anos da Igreja até o ano 63 d.C. Nos cinco primeiros capítulos dos Atos veremos o nascimento da Igreja em Jerusalém. Nos capítulos seis a onze contemplaremos a expansão da Igreja até Samaria e Síria. Finalmente, a partir do capitulo doze, graças à atividade missionaria de São Paulo, o Evangelho se estende por todo o Oriente Médio e Grécia.

Mas atrás dos “atos” dos Apóstolos há somente um “ator” principal é o Senhor vivente, glorificado, ressuscitado que atua por sua Igreja. O dinamismo extraordinário da Igreja dos primeiros tempos provem por inteiro da convicção, da Fé, que animava os primeiros cristãos: Jesus ressuscitou, Jesus está vivo, Jesus está presente entre nós. Perdeu o medo nos Apóstolos ao verem o Senhor Ressuscitado.

Por esta razão o livro dos Atos dos Apóstolos é lido como prolongamento da Páscoa. Durante os cinquenta dias do tempo pascal descobrimos que a ressurreição de Jesus Cristo não é apenas um maravilhoso fato do passado e sim que esta Ressurreição é um mistério atual que perdura sempre, um dinamismo vital que atua continuamente no nosso hoje.

No dia de Pentecostes, Pedro de pé, junto com os onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão”. “Pedro põe-se de pé”. Esta expressão é uma expressão com alto conteúdo simbólico. Ela mostra a transformação de um estado de prostração e de temor num salto decisivo para frente. Esta expressão mostra que as situações são encaradas a partir de agora por mais difíceis que elas sejam, pois a força do Ressuscitado entrou na vida de Pedro e na dos outros Apóstolos. O Espirito do Ressuscitado é o que dá a força e inspira as palavras e as atitudes oportunas.

Anteriormente, há poucos dias, Pedro, assustado diante dos guardas e criadas do palácio de Pilatos, jura não conhecer Jesus Cristo. Mas agora, depois do acontecimento de Pentecostes, Pedro começa a dar uma série de testemunhos diante do povo e logo diante das autoridades sem nenhum medo, que lemos ao longo desta semana. Pedro e os demais apóstolos cresceram muito na fé por causa da ressurreição de Jesus e o envio de seu Espirito em Pentecostes.

Esta primeira pregação de Pedro é uma catequese clara e contundente sobre a pessoa de Jesus dirigida precisamente aos habitantes de Jerusalém, os que haviam estado diretamente implicados na morte de Jesus: “Vós matastes Jesus, pregando-o numa cruz. Mas Deus ressuscitou a Jesus, libertando-o das angústias da morte, porque não era possível que ela o dominasse”. Com valentia, Pedro proclama a ressurreição de Jesus diante do povo no dia de Pentecostes. Pedro quer recordar os israelitas o que eles fizeram com Jesus de Nazaré. Apesar do juízo injusto, a morte ignominiosa e a difamação pública de seu nome, Deus quis realizar seus desígnios em Jesus. Pela ressurreição a autenticidade da prática de Jesus é confirmada.

Quantas pessoas na história e atualmente, homens e mulheres, que seguindo o exemplo de Jesus estão dispostas a dar sua vida pelos necessitados em nome Jesus ressuscitado. A fé madura nos permite abrirmos mãos de nossos privilégios em função da salvação de outros irmãos que se encontram em séria necessidade de viver dignamente.

Viver Na Alegria Da Ressurreição Para Poder Dar Testemunho Do Amor Deus Por nós

Estamos na festa da ressurreição. Através da ressurreição de Jesus, Deus quer nos dizer que quem ama, acaba sempre vencendo, como Jesus; e que não fomos feitos para as lágrimas com tristeza sem fim, pois somos chamados à vida ressuscitada. Que a morte não destrói nossa vocação de vida plena, pois Jesus venceu a morte. A ressurreição é a morte da própria morte (cf. 1Cor 15,55). Que a em Jesus Cristo não é absurda. Que o testemunho da comunidade primitiva é verdadeiro. Quem ama, como Jesus amou, sabe e tem certeza de que sempre há futuro. Que nós temos um futuro com Deus desde que vivamos de acordo com os ensinamentos de Jesus. Que a palavra chave para nossa vida não é a morte e sim a ressurreição; não é a violência ou ódio e sim o amor que nunca morre, poisDeus é amor” (1Jo 4,8.16). Que andar atrás de Jesus significa ter um futuro garantido. Deus sempre prepara o melhor no fim para quem caminhar atrás de Jesus apesar das cruzes encontradas no caminho

Hoje através do evangelho lido neste dia escutamos a voz do ressuscitado. São três palavras de futuro que vão ser repetidas com acentos diversos durante os próximos dias:

1. “Alegrai-Vos”.

A alegria é um sinal de harmonia interior, de equilíbrio e saúde psicológica. “A alegria é sinal inequívoco de que a vida triunfa” (Henri Bérgson). Isto nos indica também que a falta de alegria é sinal de que a vida está bloqueada.  A alegria é um “sim” espontâneo para a vida que brota de dentro de nós; é um sim para aquilo que somos.

“Alegrai-vos!”. O convite de Jesus à alegria não é um conselho e sim uma ordem para ser cumprida. O anúncio de alegria do Crucificado ressuscitado é o centro da fé cristã, porque o Jesus crucificado e colocado no sepulcro venceu a morte e nos comunica a sua alegria, isto é, a alegria de que a vida não termina com a morte para quem permanece em Jesus Ressuscitado.  Com efeito, a ressurreição de Jesus é a antecipação da ressurreição para aqueles que creem em Jesus Cristo (Jo 11,25). Na verdade, toda a mensagem de Jesus é uma mensagem de alegria. A alegria do Evangelho é o próprio Jesus crucificado-ressuscitado em que Deus se mostra como Aquele que nos ama apesar de tudo. A alegria do homem é a alegria de Deus.

A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria (Papa Francisco: Exortação Apostólica: Evangelii Gaudium n.1).Quem arrisca, o Senhor não o desilude; e, quando alguém dá um pequeno passo em direcção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada. Este é o momento para dizer a Jesus Cristo: «Senhor, deixei-me enganar, de mil maneiras fugi do vosso amor, mas aqui estou novamente para renovar a minha aliança convosco. Preciso de Vós. Resgatai-me de novo, Senhor; aceitai-me mais uma vez nos vossos braços redentores». Como nos faz bem voltar para Ele, quando nos perdemos! Insisto uma vez mais: Deus nunca Se cansa de perdoar, somos nós que nos cansamos de pedir a sua misericórdia. Aquele que nos convidou a perdoar ‘setenta vezes sete’ (Mt 18, 22) dá-nos o exemplo: Ele perdoa setenta vezes sete. Volta uma vez e outra a carregar-nos aos seus ombros. Ninguém nos pode tirar a dignidade que este amor infinito e inabalável nos confere. Ele permite-nos levantar a cabeça e recomeçar, com uma ternura que nunca nos defrauda e sempre nos pode restituir a alegria. Não fujamos da ressurreição de Jesus; nunca nos demos por mortos, suceda o que suceder. Que nada possa mais do que a sua vida que nos impele para diante!” (idem no.3). No meio de nossas tristezas, o Ressuscitado nos chama à alegria. A nossa alegria consiste em ter certeza de que com Jesus tudo termina na vitória, na ressurreição apesar de tudo. Temos muita necessidade de estar conscientes desta certeza. A alegria tem uma relação com o amor. Nossa alegria correra como um riacho enquanto não deixarmos secar sua fonte, que é o amor.

Alegria! Este é o grito que atravessa os séculos e cruza continentes e fronteiras. Alegria, porque Jesus crucificado ressuscitou e o homem começa a ter um futuro seguro em e com Deus. Alegria para as crianças que acabam de nascer para começar sua jornada de vida, e para os anciãos que se perguntam para onde vão seus anos; alegria para os que rezam na paz das igrejas e para os que cantam nas discotecas; alegria para os solitários que consomem sua vida no silêncio e para os que gritam seu gozo na cidade.

Quem tem Deus, sua vida tem futuro garantido. Por isso, a alegria é a característica do cristão que vive na esperança, na expectativa e na certeza da ressurreição; que vive na certeza de uma vitória final que será realizada apesar dos sofrimentos, dos fracassos aparentes e da morte no presente: “Penso, com efeito, que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que deverá revelar-se a nós(Rm 8,18).

2. “Não Tenhais Medo”.

As primeiras mulheres mereceram ouvir: ‘Eu vos saúdo’, para que a maldição da mulher Eva fosse nestas mulheres desfeita” (São Jerônimo)

Sentir medo não é errado porque somos criaturas expostas a perigos e ameaças. Os nossos medos são um sinal de alarme que podem nos ajudar a evitarmos o perigo. O imprudente suprime o medo e se atira inutilmente ao perigo. O covarde teme tudo, se paralisa e não se atreve a correr nenhum risco. O homem sadio sabe usar seus medos para agir prudentemente. Aqueles que, para educar e governar, despertam o medo, não educam nem governam; submetem.

Não há nada que nos paralise mais do que o medo. Muitas vezes somos dominados pelo medo. Quem pode nos transmitir a confiança da qual necessitamos? Somente o Ressuscitado: “No mundo vocês terão tribulações, mas tenha coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33b). Quando colocarmos nosso medo nas mãos de Jesus Ressuscitado, nos tornaremos mais prudentes do que paralisados: “Sejam prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas” (Mt 10,16). A prudência é a capacidade de ver, de compenetrar-se e de ajustar-se à realidade. Segundo sua origem latina a palavra “prudência” (prudens-entis) significa precavido, competente. A prudência oferece a possibilidade de discernir o correto do incorreto, o bom do mau, o verdadeiro do falso, do sensato do insensato, para guiar o bom rumo de nossas ações. O homem sábio é sempre guiado pela prudência.

3. “Ide Anunciar...”.

A ressurreição inaugura uma urgência. Acomodados em nossas seguranças de sempre significa que cavamos nossa própria tumba. Quando nos pomos em caminho, a força do Ressuscitado nos restaura.

O evangelho nos relatou que diante do Ressuscitado as mulheres se prostraram reconhecendo a divindade em Jesus. Prostrar-se significa adorar. Jesus transformou essas mulheres em anunciadoras da Boa Notícia da ressurreição. Isto significa que a adoração e a missão, a oração e o anúncio são uma moeda de dois lados, sempre andam de mãos dadas. Aquele que adora a Deus deve ser ao mesmo tempo um anunciador e parceiro da Palavra de Deus, do bem, seja através de palavras, seja através do modo de viver, seja através das boas obras. Sejamos missionários da vida ressuscitada e vitoriosa. Não tenhamos medo das cruzes, pois a vitória já está anunciada antecipadamente. Estar consciente disso significa não faltará força para lutar até o fim em nome da vida que é o próprio Deus (Jo 11,25; 14,6).

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 

P. Vitus Gustama,svd

Quarta-feira Na Oitava Da Páscoa, 08/04/2026

O SENHOR NÃO NOS ABANDONA , POIS NOS ACOMPANHA COM SUA FORÇA RESSUSCITADA Quarta-Feira Na Oitava da Páscoa Primeira Leitura: At 3,1...