terça-feira, 26 de maio de 2026

Quinta-feira Da VIII Semana Comum, Ano Par, 28/05/2026

APROXIMAR-SE DO SENHOR PARA ENXERGAR O SENTIDO DA VIDA E PARA SE TORNAR PEDRAS VIVAS DO SENHOR NO EDIFÍCIO ESPIRITUAL

Quinta-feira Da VIII Semana Comum

Primeira Leitura: 1Pd 2,2-5.9-12

Caríssimos, 2 desejai, como criancinhas recém-nascidas, o leite não adulterado da palavra de Deus, a fim de que por ele cresçais para a salvação. 3 Pois já provastes que o Senhor é bondoso. 4 Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus. 5 Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. 9 o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa. 10 Vós sois aqueles que "antes não eram povo, agora porém são povo de Deus; os que não eram objeto de misericórdia, agora porém alcançaram miserícórdia". 11 Amados, eu vos exorto como a estrangeiros emigrantes: afastai-vos das humanas paixões, que fazem guerra contra vós mesmos. 12 Tende bom procedimento no meio dos gentios. Deste modo, mesmo caluniando-vos, como se fósseis malfeitores, eles poderão observar a vossa boa atuação e glorificar a Deus, no dia de sua visitação.

Evangelho: Mc 10,46-52

Naquele tempo, 46 Jesus saiu de Jericó, junto com seus discípulos e uma grande multidão. O filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo, estava sentado à beira do caminho. 47 Quando ouviu dizer que Jesus, o Nazareno, estava passando, começou a gritar: "Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!" 48 Muitos o repreendiam para que se calasse. Mas ele gritava mais ainda: "Filho de Davi, tem piedade de mim!" 49 Então Jesus parou e disse: "Chamai-o" . Eles o chamaram e disseram: "Coragem, levanta-te, Jesus te chama!" 50 O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. "Eis que nós deixamos tudo e te seguimos". 51 Então Jesus lhe perguntou: "O que queres que eu te faça?" O cego respondeu: "Mestre, que eu veja!" 52 Jesus disse: "Vai, a tua fé te curou". No mesmo instante, ele recuperou a vista.

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Alimentar-nos Da Palavra De Deus Para Sermos Pedras Vivas No Edifício Espiritual

Caríssimos, como criancinhas recém-nascidas, desejai o leite legítimo e puro, que vos vai fazer crescer na salvação. Pois já provastes que o Senhor é bom. Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus. Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. Assim escreveu o autor da Primeira Carta de São Pedro.

O texto da Primeira Leitura faz parte da seção exortativa e doutrinal onde se enfatiza o crescimento do cristão na salvação. A salvação é descrita como degustação da bondade do Senhor (1Pd 2,3).

O texto é muito rico e por isso, é preciso ser meditado em sua totalidade. “Caríssimos, desejai, como criancinhas recém-nascidas, o leite não adulterado da Palavra de Deus”.

Todos nós já vimos bebês recém-nascidos correrem ansiosamente para o seio de suas mães. Pedro deseja essa mesma ânsia para nós em relação à Palavra de Deus!

Ser batizado é ansiar pela Palavra de Deus. Os termos usados ​​sugerem claramente "um leite de palavras", um leite puro, sem adulteração, sem engano. "Leite", na Bíblia, é tradicionalmente um símbolo do melhor alimento. A terra prometida é uma terra que mana leite e mel... e esses também são os alimentos do banquete paradisíaco.

"Para que por meio dele vocês cresçam para a salvação, agora que provaram que o Senhor é bondoso." O cristão é permanentemente regenerado em Cristo, Verbo do Pai, pela meditação e pela vivência da Palavra de Deus. O batismo faz-nos renascer em Cristo uma vez e para sempre, e a meditação e a vivência da Palavra de Deus nos fazem crescer continuamente em Cristo Jesus como pedras vivas no edifício espiritual.

Em seguida o autro da Primeira Carta de Pedro convida: Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus. Aproximar-se do Senhor significa realizar uma comunhão plena com Ele. Para ter a plena comunhão com Ele o cristão deve obedecer a Ele; é ter os mesmos sentimentos do Senhor e as mesmas posturas (1Pd 2,21). Para a prática de qualquer cristão Jesus Cristo deve ser a referência mais importante e a razão principal de qualquer ação e atividade de cada cristão. Seguindo Jesus, Pedra angular, os cristãos tornam-se “pedras vivas” (1Pd 2,5), rejeitados, mas preciosos aos olhos de Deus. Cristãos sofrendo por causa do seguimento de Jesus são capazes de construir o “templo espiritual”, que é a comunidade cristã, símbolo da nova sociedade.

"Eu sou batizado." Assim como o crescimento de uma criança é garantido pelo leite que a nutre, também o nosso crescimento como cristãos batizados é garantido pela assimilação da Palavra de Deus. Assimilando Deus. Crescendo em Deus. Experimentando Deus. O cristão não só fala de Deus, mas principalmente experimenta Deus, tem experiência com Deus. A salvação está vinculada à experiência da bondade do Senhor (1Pd 2,3).

O Cego Bartimeu Que Vê Jesus

O evangelho fala da cura do cego Bartimeu. O evangelista Marcos narra a cura do cego Bartimeu para animar seus leitores a viver um processo que possa mudar suas vidas. Somos também leitores do evangelho de Marcos.

A situação de Bartimeu está descrita com traços bem-elaborados:

1.    Ele é um homem cego, ao que falta luz e orientação. Na ausência da luz, na escuridão da vida, vive-se apalpando.

2.    Bartimeu é um homem sentado, incapaz de caminhar atrás de Jesus.

3.    Bartimeu é um homem à beira do caminho, desencaminhado, fora do caminho de Deus. Mas Deus passa onde nos encontramos.

A experiência do cego Bartimeu pode também, muitas vezes, coincidir com nossa experiência.

·      Somos, às vezes, como “cegos”, sem luz para olhar a vida, como Jesus a olhava. Sem saber onde está o essencial e fundamental para nossa vida e nossa convivência.

 

·      Somos, às vezes, como o cego Bartimeu, instalados numa religião convencional, sem forças para seguir os passos de Jesus para humanizar mais a humanidade ao nosso redor. Esquecemo-nos que ser cristão é SEGUIR a Jesus, isto é, mover-nos, dar passos, caminhar, construir nossa vida sobre a Palavra de Deus. Quase sempre existe um momento na vida no qual se torna penoso continuar caminhando. Caímos na tentação de sentir que é mais cômodo instalar-nos no conformismo, mas também sem nenhuma melhoria na nossa vida. Continuamos a fazer a mesma coisa e ao mesmo tempo esperamos o resultado diferente. É insanidade!

·      Somos, às vezes, como o cego Bartimeu desencaminhados “à beira do caminho” que Jesus percorre sem aceita-Lo como guia de nossa vida.

O que fazer?

A Boa Notícia que o cego Bartimeu quer nos transmitir é que dentro de cada um de nós existe uma fé que pode nos levar a reagir e colocar-nos novamente no verdadeiro caminho.

O Bartimeu fica sabendo que Jesus está passando. Ele não quer perder a oportunidade para gritar seguidamente a Jesus: “Tem compaixão de mim, Filho de Davi!”. É abrir-se para a experiência que nos chama a curar nossa vida.

Quando foi chamado, Bartimeu dá três passos que vão mudar totalmente sua vida:

1.    Jogando fora o manto”, porque o impede de encontrar-se com Jesus. Quais são “seus mantos” que impedem você de encontrar-se com Jesus para crescer na vida ou para ser salvo? O que amarra você que o impede de viver com mais alegria, leveza e ânimo?

2.     Bartimeu dá um salto decidido”, embora ainda se mova entre as trevas. Ele tem coragem de dar um salto embora ainda seja cego, porque ele acredita, por antecipação, que Jesus vai abraçá-lo. É preciso termos coragem para fazer muitos saltos na direção de Deus porque Ele vai nos amparar.

3.     Bartimeu se aproxima de Jesus”, isto é, tornar-se próximo de Jesus e recupera sua visão. Ficar distante de Jesus significa uma cegueira total. Para que possamos ver com clareza a vida e seu sentido precisamos nos aproximar de Jesus permanentemente. A partir do momento em que nos distanciarmos de Jesus, tudo se tornará escuro na nossa vida; perde-se o horizonte e por isso, sem saber por que vivemos e para que vivemos?

Quando Jesus pergunta o que quer dele, Bartimeu sabe muito bem do que precisa: “Mestre que eu possa ver novamente”.

Quando alguém começa a ver as coisas de maneira nova e renovada em Jesus, a vida se transforma. Quando uma comunidade, uma pastoral, um movimento recebe a luz de Jesus, ela/ele se converte, muda-se para melhorar, fará saltos de qualidade na vida.

Curado de sua cegueira por Jesus, o cego Bartimeu não só recupera a luz, mas se converte num verdadeiro “seguidor” de Jesus. É esta a cura de que precisamos.

Além de tudo isso, aprendemos do cego Bartimeu que

1.   Ter vida não significa necessariamente viver. Para viver é necessário amar a vida, despertar diariamente de nossa apatia, não submergir na falta de sentido, não deixar-nos arrastar pelas forças negativas.

2.   Somos o que somos e o que nos falta. Somos seres inacabados, chamados a nos renovar e crescer constantemente. Não podemos passar nenhum dia sem crescer em alguma coisa na nossa vida. Nossa vida começa a extinguir-se no momento em que pensamos que tudo terminou para nós. Quando nos aproximarmos de Jesus tudo começa outra vez e tudo se renova. É preciso afastar de nós o “sentir-se acabado”.

3.   Somente vive intensamente quem sabe interessar-se pela vida dos outros, pelo bem dos outros, pela necessidade dos outros. Quem permanece indiferente a tudo aquilo que não sejam suas coisas corre o risco de matar a própria vida. O amor fraterno renova as pessoas. O egoísmo as faz murchar. É importante viver até o fundo, não permanecer na casca ou na superfície.

4.  Felizes os que creem, não porque um dia foram batizados e sim porque descobriram, por experiência, que a fé faz viver e viver bem porque envolve Deus.

P. Vitus Gustama,svd

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Quarta-feira Da VIII Semana Comum, Ano Par, 27/05/2026

SER BATIZADO É SER FILHO NO FILHO DE DEUS PARA SERVIR AO PRÓXIMO

Quarta-Feira da VIII Semana Comum

Primeira Leitura: 1Pd 1,18-25

Caríssimos, 18 sabeis que fostes resgatados da vida fútil herdada de vossos pais, não por meio de coisas perecíveis, como prata ou o ouro, 19 mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha nem defeito. 20 Antes da criação do mundo, ele foi destinado para isso, e neste final dos tempos, ele apareceu, por amor de vós. 21 Por ele é que alcançastes a fé em Deus. Deus o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória, e assim, a vossa fé e esperança estão em Deus. 22 Pela obediência à verdade, purificastes as vossas almas, para praticar um amor fraterno sem fingimento. Amai-vos, pois, uns aos outros, de coração e com ardor. 23 Nascestes de novo, não de uma semente corruptível, mas incorruptível, mediante a palavra de Deus, viva e permanente. 24 Com efeito, “toda a carne é como erva, e toda a sua glória como a flor da erva; secou-se a erva, cai a sua flor. 25 Mas a palavra do Senhor permanece para sempre”. Ora, esta palavra é a que vos foi anunciada no Evangelho.

Evangelho: Mc 10, 32-45

Naquele tempo, 32discípulos estavam a caminho, subindo para Jerusalém. Jesus ia na frente. Os discípulos estavam espantados, e aqueles que iam atrás estavam com medo. Jesus chamou de novo os Doze à parte e começou a dizer-lhes o que estava para acontecer com ele: 33“Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. 34Vão zombar dele, cuspir nele, vão torturá-lo e matá-lo. E depois de três dias ele ressuscitará”. 35Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram a Jesus e lhe disseram: “Mestre, queremos que faças por nós o que vamos pedir”. 36Ele perguntou: “Que quereis que eu vos faça?” 37Eles responderam: “Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda quando estiveres na tua glória!” 38Jesus então lhes disse: “Vós não sabeis o que pedis. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? Podeis ser batizados com o batismo com que vou ser batizado?” 39Eles responderam: “Podemos”. E ele lhes disse: “Vós bebereis o cálice que eu devo beber, e sereis batizados com batismo com que eu devo ser batizado. 40Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. É para aqueles a quem foi reservado”.  41Quando os outros dez discípulos ouviram isso, indignaram-se com Tiago e João. 42Jesus os chamou e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. 43Mas entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande, seja vosso servo; 44e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos. 45Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos”.

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Através do Batismo Somos Resgatados Do Nosso Passado Pelo Precioso sangue De Jesus Cristo

São Pedro continua sua catequese sobre o “Batismo” que lemos no texto da Primeira Leitura de hoje. Esta Carta é uma das melhores preparações ao Batismo para os pais que querem batizar sua criança e que confiam já sua oração ao Senhor.

É também uma das melhores meditações para avivar em nós a graça de nosso Batismo: “Caríssimos, sabeis que fostes resgatados da vida fútil herdada de vossos pais, não por meio de coisas perecíveis, como prata ou o ouro, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha nem defeito”. São Pedro recorda aos batizados e aos recéns-batizados a sorte que eles têm, porque, agora creem em Jesus Cristo, foram resgatados de sua vida antiga e voltaram a nascer de Deus.

Ser “resgatados” significa que alguém pagou o preço, a fiança, por sua libertação. Esse Alguém foi Jesus Cristo que não pagou com uma quantidade de dinheiro e sim com seu próprio sangue.

Com isso mudou a situação dos neófitos: agora põem sua fé e sua esperança em Deus, que ressuscitou Jesus Cristo da morte. Eles voltaram a nascer, não de um pai mortal, e sim do próprio Deus, de sua Palavra viva e duradoura, o Evangelho: “Nascestes de novo, não de uma semente corruptível, mas incorruptível, mediante a palavra de Deus, viva e permanente”.

Por esta imensa graça do Batismo queremos louvar e glorificar nosso Deus com o salmista do Salmo Responsorial de Hoje (Sl 147): “Glorifica o Senhor, Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! Pois reforçou com segurança as tuas portas, e os teus filhos em teu seio abençoou. A paz em teus limites garantiu e te dá como alimento a flor do trigo. Ele envia suas ordens para a terra, e a palavra que ele diz corre veloz. Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos”.

Porém, São Pedro quer que os cristãos tirem desta convicção uma consequência concreta: “Pela obediência à verdade, purificastes as vossas almas, para praticar um amor fraterno sem fingimento. Amai-vos, pois, uns aos outros, de coração e com ardor”. Se todos nós nascemos do próprio Deus, então todos nós somos irmãos. Deus é o Pai-Nosso.

Além disso, este texto da Carta de são Pedro, cheio de uma perspectiva tão otimista, deve motivar nossa vida cristã. Colocamos nassa fé e esperança em Deus, e temos motivos abundantes para esta confiança, pois nascemos outra vez do amor do próprio Deus, não do amor de uns pais mortais. Fomos resgatados pelo sangue de Cristo: valemos muito, cada um de nós, aos olhos de Deus, porque pagou um preço muito alto por nós.

O texto da Primeira Leitura deve mudar radicalmente também nossa vida. Essa Palavra viva de Deus que lemos, acolhemos e meditamos nos quer regenerar dia após dia, ifundundo-nos sua força transformadora. Outras palavras e doutrinas que podemos gostar são caducas “como a flor da erva; secou-se a erva, cai a sua flor”. A Palavra de Deus é firme: Se construirmos nossa vida sobre ela, edificamos para sempre: “A Palavra do Senhor permanece para sempre. Ora, esta palavra é a que vos foi anunciada no Evangelho”.

Será que tenho consciência plena da graça do meu Batismo? Será que eu agradeço a Deus pelo dom do Batismo? Será que eu estou consciente do valor que sou eu diante dos olhos de Deus?

Ser batizado é, no fundo, “estar disposto a obedecer a Deus, a “fazer a vontade de Deus por amor”, a “adotar o projeto de Deus sobre o mundo”, a “ser um verdadeiro filho para Deus e irmão para os outros”. O Batismo, consequentemente não é tão somente um privilégio ou uma graça, mas também é uma responsabilidade. O Batismo é um compromisso. Batizar é viver adotando o projeto de Deus. Ser batizado é “corresponder” a Deus; estabelecer uma “correspondência” entre nós e Deus. Corresponder a Deus é amar. Ser batizado é deixar que a Palavra de Deus fique “semeada” em nós.

Somos Chamado a Ir Atrás de Jesus Diariamente

1. Jesus Que Está Na Frente de Nossa Caminhada Nos Chama Continuamente a Segui-Lo (Mc 10,32-34)

O texto do evangelho de hoje nos diz, em primeiro lugar, que Jesus e os seus discípulos “estavam a caminho”. E a meta desta caminhada é explicitamente mencionada: Jerusalém (11,11). Sem dúvida, Jesus já visitou Jerusalém várias vezes, mas somente desta vez ele a visitou como Messias. E Jesus é descrito como uma pessoa que está marchando determinadamente para seu destino: “Estavam a caminho para subir a Jerusalém” (v.32). Com a descrição de “estar a caminho”, Marcos quer nos dizer que seguir a Jesus significa colocar-se em marcha e andar atrás de Jesus, pois quem anda na frente de Jesus, se perde ou fica desorientado. Trata-se de um caminhar no qual há avanços e retrocessos, clarezas e obscuridades.

Em segundo lugar, o texto também nos relata que Jesus vai à frente dos discípulos (v.32b). O verbo usado aqui por Marcos é  ir à frente”. Este “ir à frente” servirá para expressar a promessa da ressurreição: Jesus Ressuscitado irá novamente à frente dos discípulos, como guia e pastor, na Galiléia (14,28; 16,7). E os discípulos terão que encontrar Jesus Ressuscitado na Galileia onde Ele se encontra. A imagem de Jesus que “vai à frente” é a imagem do Servo que se entrega. É o cumprimento daquilo que lemos no quarto canto do Servo de Deus: “Se ele oferece a sua vida como sacrifício pelo pecado, certamente verá uma descendência, prolongará os seus dias” (Is 53,10). Trata-se de um anúncio de morte, mas cheio de esperança, pois fala-se da ressurreição. 

Podemos ver também neste “ir à frente” de Jesus uma mensagem de esperança e de certeza para quem acredita em Jesus. Para tudo de bom que fazemos e queremos fazer Jesus abre o caminho apesar das “subidas” que nos fazem perdermos fôlego. Mas tendo consciência de que Jesus está andando na nossa frente, ganharemos novas forças ou renovaremos nossas forças para continuar a acompanhar Jesus no seu caminho de salvação. O Jesus na frente nos chama continuamente para caminhar sem desistência e sem desânimo apesar de nossos medos e fraquezas: “Os discípulos estavam espantados, e aqueles que iam atrás estavam com medo” (Mc 10,32b).

2. Ambição Pelo Poder Obscurece o Seguimento e Mata o Espírito de serviço (Mc 10,35-45)

Apesar de Jesus estar na nossa frente não faltam tentações de desviarmos do Seu caminho. Uma dessas tentações é a ambição pelo poder mundano. Uma pessoa com a ambição viciada pelo poder é capaz de recorrer à violência para alcançar seu objetivo. Este tipo de pessoa não se preocupa em ser justo. Ele não suporta competidores nem rivais e tenta eliminá-los de qualquer maneira. Poder é uma palavra mágica que encanta, arruína e corrompe a tantos mortais. Os que são viciados pelo poder manipulam e oprimem, especialmente, os débeis: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam”. Quanta atualidade nesta imagem! Quanta tristeza se muitos deles presumem de ser cristãos.

Depois que os discípulos ouviram o terceiro anúncio da Paixão, novamente, como depois do segundo, surge uma discussão entre os discípulos sobre o primeiro posto, sobre a preeminência na comunidade. Para os discípulos esta discussão lhes importava. Eles estão como que cegos para enxergar o caminho trilhado por Jesus e que eles devem trilhar também como discípulos do Senhor: Mestre, deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda quando estiveres na tua glória!”.

Seguir a Jesus, fazer-se servo como Jesus se torna difícil quando entra na vida de qualquer cristão a sede pelo primeiro posto, pelo poder como poder, não como serviço entendido como doação de si mesmo aos demais até o sacrifício total da própria vida a exemplo de Jesus.

“Na sua glória”, glória (doxa) como em 8,38 e 13,26. Os dois irmãos são motivados mais pela ambição egoísta do que pela idéia clara sobre o que eles querem: “Vós não sabeis o que estais pedindo” (38b). Eles não sabem “o que estão pedindo” (v.38), mas “sabem” de que modo a classe dirigente age (v.42). Os dois pensam no prêmio e não no caminho. Além disso, seu pedido egoísta por uma alta posição mostra que eles continuam concentrados mais em sua grandeza pessoal do que no serviço humilde para qual Jesus chamou os Doze (9,33-50).      

É uma ocasião apropriada para Jesus transmitir lição sobre discipulado (42-45): “Entre vocês não deverá ser assim...”. Em seguida ele propõe um outro tipo de autoridade, que é o anti-poder, mediante imagens e modelos sociais inequívocos para seu tempo e o ambiente antigo: o servo (diakonos: pessoa que serve à mesa) e o escravo (doulos: pessoa na situação mais baixa do que um servidor). Quem “serve à mesa” e, mais ainda, quem é “escravo de todos” tem como preocupação principal o atender às necessidades dos outros.  Quando sirvo alguém, não me rebaixo, mas sirvo à vida e busca a chave para suscitar vida nas pessoas. 

Quando a Igreja é fiel a este modelo, a sua vida comunitária reflete a própria vida de Jesus (cf. Fl 2,5-11). Assim, a Igreja se torna uma presença profética no mundo, e tem força para denunciar estruturas injustas e o uso do poder para dominar e tiranizar, da mesma forma que Jesus o fazia naquela sociedade na qual vivia. Por isso, como é triste quando cristãos se esquecerem desta exigência de Jesus na vida familiar ou na comunidade; ou silenciam diante de injustiças na sociedade e compactuam com um poder dominador. A grandeza dos cristãos-discípulos está na capacidade de servir e na dedicação ao serviço. O essencial para qualquer autoridade ou responsável na comunidade cristã é que ele seja mais servo do que chefe: um servidor de Deus e das pessoas para que todos cresçam no amor e na verdade.       

Em nosso íntimo, infelizmente, existe um pequeno tirano que quer o poder e prestígio e que se agarra a isso; quer dominar, ser superior, controlar. Teme qualquer crítica, qualquer controle: é o único a ter razão, mandando tudo e em tudo, conservando ciosamente seu poder de quere dominar. “Quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos” é o recado permanente de Jesus para todos nós. 

O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos”, concluiu Jesus no evangelho de hoje. Essa é uma das declarações de Jesus que deveriam ser cuidadosamente entesouradas nas mentes de todos os verdadeiros cristãos. Esse é um dos textos bíblicos que provam, de forma inegável, o caráter expiatório da morte do Senhor Jesus Cristo. A morte de Jesus Cristo foi o pagamento das dívidas dos homens pecaminosos a um Deus todo-santo. Jesus Cristo levou os nossos pecados em seu próprio Corpo, sobre o madeiro (cruz). O Senhor colocou sobre Ele a iniquidade de todos nós. Quando Ele morreu, Ele morreu por nós. Quando sofreu, Ele sofreu no nosso lugar. Quando seu Sangue foi derramado, foi como preço pelas nossas almas. É verdade que somos pecadores, mas Jesus Cristo levou sobre si os nossos pecados. É verdade que somos pobres devedores, mas Jesus Cristo pagou todos os nossos débitos. Que todos nós conheçamos e vivamos esse privilégio, mediante uma experiência de todo o coração e andemos na bendita liberdade dos filhod e filhas de Deus. 

O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos”. São palavras bem pensadas que manifestam com que consciência Jesus vai ao encontro de seu destino. Este estilo de vida é que dá a Jesus o sentido de sua morte. O texto diz: “Como resgate para muitos”. Jesus se vê como o “Justo Sofredor” cuja morte-martírio se converte em sacrifício de salvação para todos. Jesus me resgatou sacrificando-se. Jesus me salvou oferecendo sua vida como resgate. De que maneira eu posso “resgatar” meu próximo? Sou capaz de me sacrificar para que o próximo possa viver?

P. Vitus Gustama,svd

Terça-feira Da VIII Semana Comum, 26/05/2026, Ano Par

SEGUIR A JESUS PARA FORMAR UMA COMUNIDADE DE IRMÃOS ONDE HÁ UM PAI COMUM E TUDO É PARTILHADO

Terça-Feira Da VIII Semana Comum

Primeira Leitura: 1Pd 1,10-16

Caríssimos, 10 esta salvação tem sido objeto das investigações e meditações dos profetas. Eles profetizaram a respeito da graça que vos estava destinada. 11 Procuraram saber a que época e a que circunstâncias se referia o Espírito de Cristo, que estava neles, ao anunciar com antecedência os sofrimentos de Cristo e a glória consequente. 12 Foi-lhes revelado que, não para si mesmos, mas para vós, estavam ministrando estas coisas, que agora são anunciadas a vós por aqueles que vos pregam o evangelho em virtude do Espírito Santo, enviado do céu; revelações essas, que até os anjos desejam contemplar! 13 Por isso, aprontai a vossa mente; sede sóbrios e ponde toda a vossa esperança na graça que vos será oferecida na revelação de Jesus Cristo. 14 Como filhos obedientes, não modeleis a vossa vida de acordo com as paixões de antigamente, do tempo da vossa ignorância. 15 Antes, como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder. 16 Pois está na Escritura: “Sede santos, porque eu sou santo”.

Evangelho: Mc 10,28-31

Naquele tempo, 28começou Pedro a dizer a Jesus: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. 29Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna. 31Muitos que agora são os primeiros serão os últimos. E muitos que agora são os últimos serão os primeiros”.

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Viver Em Cristo é Viver o Presente Lucidamente Com o Olhar Para o Futuro Salvífico

Começamos a acompanhar a leitura contínua da Primeira Carta de São Pedro. Esta Carta foi escrita até o ano 64, depois das Carta de São Paulo (que foram escritas entre o ano 50 e 64), mas estas cartas foram escritas antes dos evangelhos que foram escritos entre o ano 64 e 90.

Os estudiosos não estão seguros de que Pedro seja o autor da Carta de são Pedro. Uma das razões disso é a qualidade literária da Carta tanto pelo grego utilizado, como pelo estilo e utilização da tradução grega do Antigo Testamento, não corresponde a um pescador da Galileia pouco instruído. O autor se deve a um autor desconhecido que quer amparar-se sob o nome de Pedro, certamente prestigioso nas primeiras gerações do cristianismo.

Se no texto anterior (1Pd 1,3-9) o autor da Carta de são Pedro falava da herança e da esperança que Deus nos concede em Sua misericórdia, hoje continua com o tema, mas ele situa este tema em três etapas:

·      No passado, os profetas do Antigo Testamento, inspirados já pelo Espirito de Jesus, escrutavam o futuro e “Eles profetizaram a respeito da graça que vos estava destinada”, porque “Foi-lhes revelado que, não para si mesmos, mas para vós”.

·      Agora, no presente, os pregadores cristãos, também inspirados pelo Espirito, nos anunciam a Boa Notícia: que em Jesus Cristo, em sua morte e ressurreição, cumpre-se tudo o que foi anunciado antes.

·      Todavia, fica outra perspectiva, a perspectiva do futuro: aprontai a vossa mente; sede sóbrios e ponde toda a vossa esperança na graça que vos será oferecida na revelação de Jesus Cristo”.

O autor da Carta de são Pedro, em função de tudo isso, quer que os cristãos se controlem, que vivam na obediência, que não se deixem modelar pelos desejos de antes e sim que vivam na santidade, imitando a santidade do mesmo Deus: Sede santos, porque eu sou santo”.

Em outras palavras, o autor da Carta nos dá duas advertências no texto lido hoje. A Primeira advertência é sobre uma vida sóbria: “Aprontai a vossa mente (cingi os rins de vossa mente); sede sóbrios e ponde toda a vossa esperança na graça que vos será oferecida na revelação de Jesus Cristo”. Precisamente por causa da redenção que nos coube, urge tornar-se sóbrios. Trata-se aqui de um combater, labutar e peregrinar espiritual. Na volta do Senhor estejam todos vigilantes e preparados. A vigilância se expressa na sobriedade, na oração perseverante e no serviço ao irmão.

A segunda advertência é a chamada à santidade: “Como filhos obedientes, não modeleis a vossa vida de acordo com as paixões de antigamente, do tempo da vossa ignorância. Antes, como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder. Pois está na Escritura: ‘Sede santos, porque eu sou santo’”. A autor enfatiza a conversão de nossos pecados. É o retorno para o nosso empenho moral. Todo pecado é a desobediência à vontade de Deus. Para o cristão o obedecer começa no dia de seu Batismo. Dai por diante, cabe-lhe seguir o chamado de Deus e as Sua sendas. A Carta de são Pedro considera a antiga vida pagã dos cristãos como tempo da ignorância. Conhecimento de Deus, frequentemente, na Sagrada Escritura, é sinônimo de culto de Deus que se concretiza na santificação da vida.

Nos cristãos vivemos entre a memória e a profecia, entre o ontem e o amanhã. E sobretudo na vivência do presente, do hoje, atentos aos valores fundamentais de nossa salvação, a salvação que nos oferece Deus por Cristo, a comunhão em sua vida. Se olharmos de onde viemos e para onde vamos, viveremos mais lucidamente nosso presente. Não somente porque nossa existência está transida de esperança, mas também porque assumimos com decisão o compromisso de viver vigilantes com disponibilidade absoluta guiados por Cristo.

Cada Eucaristia nos faz exercitar esta atitude de memória do passado, da profecia aberta ao futuro e da celebração vivencial do presente: “Todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha” (1Cor 11,26). Por isso, a Eucaristia, como a luz da Palavra e a força da comunhão, vai-nos ajudando a ordenarmos nossos pensamentos, a irmos crescendo na unidade interior de toda a pessoa, em marcha do ontem para o amanhã, vivendo o hoje com serenidade e empenho. A Eucaristia é nosso melhor “viático”, nosso alimento para o caminho até chegar ao banquete eterno.

Viver Como Cristãos É Viver Como Uma Família Em Que Tudo É Partilhado

O texto do evangelho de hoje, como também o do dia anterior, se encontra na parte central do evangelho de Marcos (Mc 8,22-10,52). Este conjunto começa com a cura do cego (8,22-26) e termina com a mesma (10,46-52). Com isso Marcos quer nos mostrar que os discípulos continuam com sua incompreensão diante da missão de Jesus.

No início e no fim desta seção, Marcos coloca o tema de fé como dom de Deus. A fé faz ver quem é Jesus e faz entender o sentido da vida e de nossa presença neste mundo. Desde o começo da atividade pública de Jesus, Marcos mostrou-nos a cegueira dos discípulos. Mas Jesus fará tudo para, pouco a pouco, tirar a cegueira dos discípulos. A visão clara que se tem de Jesus não vem de uma só vez. Mas, aos poucos, com a ajuda de Jesus, vamos vendo com mais clareza e com maior nitidez quem é Jesus e o que significa seguir a este Jesus neste mundo. A fé também faz ver o caminho que Jesus trilhou e que devemos trilhar. Assim a seção começa e termina com a cura de um cego (8,22-26; 10,46-52). E essas duas curas têm uma função simbólica: para mostrar a cegueira dos discípulos. Elas também lembram o leitor de que é Jesus quem faz possível a fé daqueles que acreditam nele e O seguem no caminho.

No evangelho do dia anterior (Mc 10,17-27) o jovem rico recusou o convite de Jesus para que ele vendesse tudo que tinha para depois dar tudo aos pobres a fim de segur a Jesus. Em vez de seguir a Jesus, Àquele que tem “as palavras da vida eterna” (Jo 6,68b), o jovem rico foi embora triste porque tinha muitos bens, e não quis partilhá-los nem com os necessitados (pobres). Depois que ele foi embora, Jesus pronunciou esta frase para os discípulos: Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!”.

Os discípulos ficaram espantados diante da afirmação de Jesus. Para os discípulos seguir a Jesus significa enriquecer-se de bens materiais. Por isso ficaram assustados com as palavras de Jesus: “Então, quem pode ser salvo?” (Mc 10,26). Ao que Jesus respondeu: Aos homens é impossível, mas não a Deus, pois para Deus tudo é possível” (Mc 10,27). Para Jesus o caminho da vida consiste em enriquecer-se diante de Deus, e não enriquecer-se de bens passageiros que um dia vamos deixar. Só quem sabe perder a vida neste mundo por causa do evangelho (valores) vai recuperá-la na vida eterna. Salvar-se não está nas mãos do homem, mas é um dom gratuito de Deus e não pode merecer-se. Somente quando for acolhido o evangelho e viver-se na graça é que conduz a pessoa à vida eterna. Trata-se de uma vida sustentada pela força de Deus.

Ao ouvir a afirmação de Jesus, Pedro também perguntou a Jesus: Eis que nós deixamos tudo e te seguimos. E o evangelista Mateus explicita ou acrescenta a seguinte frase: “O que é que vamos receber?” (Mt 19,27). Pedro já abandonou tudo, desapegou-se de tudo para se aderir a Jesus e quer saber de Jesus qual será a recompensa do seguimento.

O que é que tem no fundo ou por trás da frase de Pedro? Está seu conceito político e interesseiro do Messianismo. Os discípulos buscam postos de honra, recompensas humanas, soluções econômicas e políticas. Eles querem transformar Jesus em empresário para resolver sua carência econômica.

É preciso saber que Jesus e seus discípulos estão a caminho (caminho) para Jerusalém. Os discípulos esperam que Jesus vá a Jerusalém para se sentar no trono de Davi e que, quando isso acontecer e o Reino de Deus for instaurado, recebam a recompensa que lhes é devida. Por isso, perante as afirmações de Jesus Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!”, a sua exclamação “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos, situa-se entre a preocupação e a expectativa (será que teremos recompensa humana ao seguir a Jesus?).

Jesus, com sua paciência, continua educando os discípulos e lhes garante: Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna”. O que mais resalta aqui é que por uma realidade deixada o discípulo receberá todas e cem vezes mais, número que enfatiza a riqueza daquilo que se recebe na nova casa, que o mesmo é dizer na comunidade cristã, numa multiplicidade e riqueza de relações. No entanto, embora se deixe o pai (v. 29), deste não se recebe nenhum cêntuplo (cem vezes mais), recordando que, nesta nova realidade familiar, um só é o Pai de todos: o único Deus (cf. Mc 10,18).

Mas Jesus deixa bem claro para todos os seguidores que toda essa rriqueza, como recompensa, será recebida com perseguições (v. 30) que fazem parte integrante da fidelidade a Ele e ao Evangelho. Jesus não quer que permaneça qualquer sombra de dúvida de que a fidelidade à vontade de Deus, que caracteriza os membros desta família (Mc 3,35), é portadora de sofrimento e perseguição.

Aqui se confrontam a vontade dos discípulos com o projeto de Deus. Nisto, o acolhimento do Evangelho implica a conversão permanente, que é uma atitude permanente do coração e da nova vida em Jesus Cristo.

A afirmação de Jesus vale para qualquer pessoa que se adere a Jesus e que se dedica à propagação do evangelho de Jesus. Jesus assegura que no Reino ou na nova sociedade, na nova família não haverá miséria, pois vivem na partilha, na solidariedade, na compaixão, na fraternidade. Nessa nova família não haverá domínio, nem desigualdade nem superioridade nem poder. Por isso, na segunda afirmação de Jesus a palavra “pai” não se menciona que é símbolo do poder ou de autoridade. Em Mateus podemos entender o sentido dessa afirmação quando Jesus disse: Quanto a vós, não permitais que vos chamem ‘Rabi’, pois um só é o vosso Mestre e todos vós sois irmãos. A ninguém na terra chameis ‘Pai’, pois um só é o vosso Pai, o celeste(Mt 23,8-9). Chamar Deus de Pai leva a pessoa a viver a fraternidade na convivência com os demais, pois todos são filhos e filhas de Deus (cf. 1Jo 3,1-2).

Necessitamos dos bens materiais como meio na nossa vida, pois uma pessoa pode rezar ou meditar durante horas, mas no fim ela precisará dum pedaço de pão e dum copo de água. Mas reparamos que os bens materiais sempre são alheios a nós. Eles nunca serão nossos amigos. A vida feliz está na partilha, na solidariedade, na fraternidade, na compaixão, no amor mútuo, na caridade e assim por diante. A partilha é a alma do projeto de Jesus Cristo. Ele nos chama para segui-lo nessa direção. No evangelho de Marcos Jesus e seu Espírito vão ajudando os discípulos para que cheguem à maturidade de sua fé. Somente depois da ressurreição (Páscoa) eles vão se entregar também gratuito e generosamente ao serviço de Jesus Cristo e da comunidade até sua morte, pois eles captaram o sentido da mensagem de Jesus.

A resposta de Jesus diante da pergunta de Pedro é esperançosa e misteriosa, ao mesmo tempo: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida e, no mundo futuro, a vida eterna”. Não se trata de quantidades aritméticas (cem vezes). A resposta se refere à nova família que se cria em torno de Jesus: deixamos um irmão e encontramos cem irmãos (irmãs). O laço desta nova família está na prática da vontade de Deus que consiste na prática do bem e na vivência do amor fraterno: “Quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mc 3,35).

Quantos irmãos e irmãs leigos, quantos pastores, quantos médicos e enfermeiros sem fronteiras e as demais pessoas de boa vontade que entregam sua melhor força e tempo para trabalhar pelo bem dos irmãos da comunidade e fora da comunidade e para ajudar os sofredores em todos os sentidos! Quantos sacerdotes, quantos religiosos e religiosas, quantas pessoas consagradas que não formaram a própria família, mas não por isso que deixaram de amar. Ao contrário, eles estão plenamente disponíveis para todos, movidos de um amor universal. Todos esses irmãos e irmãs são reflexos da generosidade de Jesus Cristo neste mundo. Jesus está presente nesses irmãos e irmãs, se quisermos perguntar onde está Jesus Cristo (cf. Mt 25,31-46). Jesus promete já desde agora uma grande satisfação e promete a vida eterna: “receberá cem vezes mais agora, durante esta vida e, no mundo futuro, a vida eterna”. Mas o verdadeiro amor supõe sacrifício, cruz e perseguição, porém, vale a pena! A Páscoa salvadora passa pelo caminho da Cruz da Sexta-Feira Santa. A vida do cristão não termina na Sexta-Feira Santa. Ela termina na ressurreição. A força da ressurreição dá força e anima o cristão para encarar a cruz da Sexta-Feira Santa. Jesus nos mostrou isso.

P. Vitus Gustama,svd

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe Da Igreja, segunda-feira após Pentecostes, 25/05/2026

MEMÓRIA DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA, MÃE DA IGREJA


Segunda-feira Após Pentecostes

Primeira Leitura: Gn 3,9-15.20

9 O Senhor Deus chamou Adão, dizendo: “Onde estás?” 10 E ele respondeu: “Ouvi tua voz no jardim, e fiquei com medo porque estava nu; e me escondi”. 11 Disse-lhe o Senhor Deus: “E quem te disse que estavas nu? Então comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer?” 12 Adão disse: “A mulher que tu me deste por companheira, foi ela que me deu do fruto da árvore, e eu comi”. 13 Disse o Senhor Deus à mulher: “Por que fizeste isso?” E a mulher respondeu: “A serpente enganou-me e eu comi”. 14 Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais selvagens! Rastejarás sobre o ventre e comerás pó todos os dias da tua vida! 15 Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. 20 E Adão chamou à sua mulher “Eva”, porque ela é a mãe de todos os viventes.

Evangelho: Jo 19,25-34

Naquele tempo, 25 perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. 26 Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, este é o teu filho”. 27 Depois disse ao discípulo: “Esta é a tua mãe”. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo. 28 Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a Escritura se cumprisse até o fim, disse: “Tenho sede”. 29 Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus. 30 Ele tomou o vinagre e disse: “Tudo está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. 31 Era o dia da preparação para a Páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene. Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e os tirasse da cruz. 32 Os soldados foram e quebraram as pernas de um e depois do outro que foram crucificados com Jesus. 33 Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; 34 mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.

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Razão Da Memória

A memória da Virgem Maria, Mãe da Igreja, foi incluída no Calendário romano pelo Papa Francisco através do Decreto: Ecclesia Mater, publicado pela Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, no dia 11 de Fevereiro de 2018.

Para toda a Igreja de Rito Romano, O Papa Francisco estabelece que a memória de Maria, Mãe da Igreja torne-se obrigatória nas segundas-feiras depois do Pentecostes. Para o Papa Francisco, a Virgem Maria é Mãe de Cristo e com Cristo é Mãe da Igreja: “De certa forma, este fato, já estava presente no modo próprio do sentir eclesial a partir das palavras premonitórias de Santo Agostinho e de São Leão Magno. De fato, o primeiro diz que Maria é a mãe dos membros de Cristo porque cooperou, com a sua caridade, ao renascimento dos fiéis na Igreja. O segundo, diz que o nascimento da Cabeça é, também, o nascimento do Corpo, o que indica que Maria é, ao mesmo tempo, mãe de Cristo, Filho de Deus, e mãe dos membros do seu corpo místico, isto é, da Igreja. Estas considerações derivam da maternidade divina de Maria e da sua íntima união à obra do Redentor, que culminou na hora da cruz”, diz o Decreto.

A Mãe, que estava junto à cruz (cf. Jo 19, 25), aceitou o testamento do amor do seu Filho e acolheu todos os homens, personificado no discípulo amado, como filhos a regenerar à vida divina, tornando-se a amorosa Mãe da Igreja, que Cristo gerou na cruz, dando o Espírito. Por sua vez, no discípulo amado, Cristo elegeu todos os discípulos como herdeiros do seu amor para com a Mãe, confiando-a a eles para que estes a acolhessem com amor filial, continuou o Decreto.

Para o Papa Francisco, através desta Memória a vida cristã pode crescer se for enraizada no mistério da Cruz, na Eucaristia e no SIM incondicional da Virgem Maria: “Esta celebração ajudará a lembrar que a vida cristã, para crescer, deve ser ancorada no mistério da Cruz, na oblação de Cristo no convite eucarístico e na Virgem oferente, Mãe do Redentor e dos redimidos”, finalizou o Decreto.

Quando fala sobre Maria, a Mãe da evangelização, na sua exortação apostólica Evangelii Gaiudium, o Papa Francisco escreveu: “Como Mãe de todos, (Maria) é sinal de esperança para os povos que sofrem as dores do parto até que germine a justiça. Ela é a missionária que Se aproxima de nós, para nos acompanhar ao longo da vida, abrindo os corações à fé com o seu afeto materno. Como uma verdadeira mãe, caminha connosco, luta connosco e aproxima-nos incessantemente do amor de Deus. Através dos diferentes títulos marianos, geralmente ligados aos santuários, compartilha as vicissitudes de cada povo que recebeu o Evangelho e entra a formar parte da sua identidade histórica. Muitos pais cristãos pedem o Batismo para seus filhos num santuário mariano, manifestando assim a fé na ação materna de Maria que gera novos filhos para Deus. É lá, nos santuários, que se pode observar como Maria reúne ao seu redor os filhos que, com grandes sacrifícios, vêm peregrinos para A ver e deixar-se olhar por Ela. Lá encontram a força de Deus para suportar os sofrimentos e as fadigas da vida. Como a São João Diego, Maria oferece-lhes a carícia da sua consolação materna e diz-lhes: ‘Não se perturbe o teu coração. (...) Não estou aqui eu, que sou tua Mãe?’” (n.286).

No seu livro A Alegria De Ser Discípulo (Ed. Best Seller, Rio de Janeiro,2017 p.138), o Papa Francisco escreveu: “Nossa peregrinação de fé está inseparavelmente ligada a Maria desde que Jesus, ao morrer na cruz, deu-a a nós como nossa Mãe, dizendo: ‘Eis aí tua mãe!’ (Jo 19,27). Essas palavras servem como um testamento, legando uma mãe ao mundo. A partir desse momento, a Mãe de Deus também se tornou nossa Mãe! Quando a fé dos discipulos foi muito testada por dificuldades e incertezas, Jesus os confiou a Maria, que foi a primeira a acreditar e cuja fé nunca falhou. A “mulher” se tornou nossa mãe quando ela perdeu seu divino Filho. Seu coração sofrido se ampliou para dar espaço a todos os homens e mulheres – todos, sejam bons ou maus -, e ela os ama como amava Jesus. A mulher que nas bodas de Caná, na Galileia, deu sua cooperação chei de fé para que as maravilhas de Deus pudessem ser exibidas ao mundo, manteve no Calvário, viva, a chama da fé na ressurreição de seu Filho, e ela comunica isso a cada pessoa, com carinho materno. Maria se torna, dessa forma, uma fonte de esperança e de alegria verdadeira”.

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As leituras são escolhidas em função desta Memória: Gn 3,9-15.20 (Primeira Leitura) e Jo 19,25-34 (Evangelho).

O Gn 3 se refere à situação criada pelo pecado original. Deus intervém como um Juiz no quadro de um processo. Deus interroga os culpáveis, estabelece as responsabilidades e fixa as sanções.

Onde Tu Estás

Onde estás?”. Esta é a primeira pergunta primordial de Deus aos homens (a segunda pergunta: “Onde está teu irmão” ?). Por que Deus pergunta ao homem “Onde estás”, pois Deus é onisciente (além de ser onipresente e onipotente? Deus não fez essa pergunta para conhecer algo que não o soubesse, e sim para induzir Adão a tomar consciência da situação em que se encontrava. Ao perguntar “Onde estás”, na realidade o Senhor queria dizer-lhe: “Em que estado te encontras em tua relação comigo, com tua companheira, com o mundo onde vives”?. Esta pergunta vale para qualquer um de nós na atual situação em que vivemos.

Adão e Eva, os primeiros pais, pensaram que comendo o fruto daquela árvore proibida seriam como deuses, isto é, creram e escolheram e desejaram ser eles mesmos os donos de tudo, o critério último de tudo.

Quando o Gênesis nos narra que Deus proibiu comer da árvore da ciência do bem e do mal, nos quer dizer que Deus não queria que os homens se considerassem os proprietários particulares do bem e do mal; não queria que este ou aquele homem chegasse a dizer: “Isso é bom, e isso é mau, porque eu o digo, porque eu quero, porque isso vai ser bom para mim e os demais que me compreendam e me aguentem!”. O plano de Deus, o projeto de Deus, era outro, e não abandonava pelos caminhos da autossuficiência e da insolidariedade e sim pelos caminhos do amor, da partilha, da paz e da harmonia.

E os homens, desde o princípio, romperam este projeto de Deus, e assim estraga ou deforma toda a história humana, pois sem amor, sem paz e sem ordem não haverá a harmonia. “A paz é a tranquilidade da ordem”, dizia Santo Agostinho. E esta ruptura, esta marca que desde o princípio os homens puseram na história, chegou até nós. É isso que chamamos “pecado original” e origina outros pecados. Somos também marcados, de muitas formas, por essa ruptura, esse mal, esse pecado: queremos ser dono de nossa vida, esquecendo-nos que a vida é um dom maior recebido de Deus. O ser humano é um ser vincular. O vínculo é a medula de sua existência. Para tornar-nos aptos, competentes, necessitamos, imprescindivelmente, de colaboração e de ajuda dos outros. O vínculo nos leva a termos o sentimento de pertença. Através da vivência desse sentimento de pertença aprendemos a receber algo de bom dos outros e a dar aos outros o que temos de bom.

Porém, não se trata agora de ficarmos assim, lamentando por estar marcados desse modo, pois precisamente nossa fé nos diz que Deus não quis para sempre esta marca, esta ruptura. Deus não permitiu que os homens fossem condenados para sempre a não poder nos levantar do mal que desde o princípio nos ata. E por isso, ao final da mesma leitura que nos fala da condenação dos primeiros pais, escutamos o anúncio que Deus diz: da estirpe da mulher, ia surgir alguém capaz de destruir o mal e a morte, e de refazer a vida dos homens. Alguém, um homem como nós, Jesus Cristo. Com Cristo será criado novamente o caminho do amor, da paz e da unidade entre os homens. Ele, Jesus Cristo, um homem como nós, um homem que é o Filho de Deus, reconstrói esse caminho: amando totalmente até o fim (Jo 13,1) a ponto de dar a vida pela nossa salvação.

Fomos salvos por Jesus Cristo, que é o Filho de Maria. Por Jesus Cristo, que se fez presente neste mundo graças ao amor, à fidelidade, à generosidade daquela Virgem de Nazaré que se chamava MARIA, e que hoje recordamos nesta Memória, como Mãe da Igreja, de todos, e portanto, Mãe de cada um de nós em particular. Sua atitude de disponibilidade, de colaboração na obra redentora, de confiança incondicional em Deus e de esperança ativa torna Maria um modelo que merece ser seguido pelos cristãos, por todos nós.

Eis Tua Mãe, Eis Teu Filho

Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa”.

A Mãe de Jesus aparece, no evangelho de João, somente em Caná (Jo 2,1-12) e aqui, no texto do evangelho de hoje: abre e fecha “a hora” da glória do Filho. Em três versículo, é mencionada seis vezes como “mãe”, cinco diretamente e uma indiretamente, com o pronome “a”.  O Evangelista a chama duas vezes de “mãe” e outras duas de “sua mãe” (de Jesus), enquanto Jesus a chama “tua mãe” quando a apresenta ao discípulo amado que “a acolhe”. O evangelista quer assim sugerir que “sua” Mãe se torna “tua” Mãe para ti leitor do evangelho de João.

Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena...”. “Estar junto a cruz de Jesus” é uma expressão única em todo o Novo Testamento. É a posição de quem contempla o Filho do Homem elevado; a posição do discípulo que, na cruz, vê o mistério de Deus e do homem.

Desde o início, o Evangelho de João noz conduzia a estar junto à cruz de Jesus (Jo 3,14). Aqui, no texto do evangelho de hoje, vemos que “Deus amou o mundo que deu o seu Filho unigênito” (Jo 3,16); e aqui conhecemos o “Eu sou” (Jo 8,28) e, vencido o chefe deste mundo, somos atraídos para Ele (Jo 12,31s).

Mulher, eis o teu filho/ Eis tua mãe”. São as últimas palavras que Jesus dirige à mãe e ao discípulo amado, no evangelho de João. Maria e o discípulo se amam reciprocamente  com o mesmo amor com o qual Jesus os amou, o mesmo que Pai e Filho têm entre eles e para com todos: é a realização do Mandamento do amor. A entrega recíproca de Mãe e filho contém todo o mistério do céu e da terra, de Deus e do homem, do homem em Deus e de Deus no homem.

A nível simbólico específico, Maria de Nazaré, chamada mulher, é a noiva, o Israel que aguarda o esposo (noivo). Agora que ela veio, torna-se mãe e gera o homem novo, o povo messiânico, a Igreja. É a Igreja que deve viver e ser governada no amor e por amor. O discípulo é confiado à mulher como filho e a mulher é confiada ao discípulo como mãe.

No Evangelho de João, Maria aparece somente duas vezes. Primeiro, Maria atua na realização do primeiro sinal de Jesus (transformou a água em vinho), em Caná, ao inaugurar a missão pública de Jesus (Jo 2,1-11). Segundo, Maria permanece ao pé da cruz, no momento da morte de Jesus, no final de sua missão nesse mundo (Jo 19,25-27). Ao colocar Maria no início e no final da missão de Jesus, João está dizendo que ela tem um lugar especial na vida de Jesus, pois se faz presente nos momentos mais importantes da vida de Jesus. Aqui Maria se apresenta como uma verdadeira discípula de Jesus: fiel até o fim, não se entrega às dificuldades e aos sofrimentos, não se desanima diante dos desafios. Ela é uma mulher muito valente porque ela tem muito fé e amor no coração. Quando se tem fé e amor no coração tudo se encara com serenidade, pois “Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas que por todos nós O entregou, como não nos dará também com Ele todas as coisas?... Quem nos separará do amor de Cristo?(Rm 8,31-32.35).

Depois de interiorizar a Palavra de Deus, vamos fazer as seguintes perguntas:

·      Quais são mulheres que estavam ao da cruz de Jesus? Por que essas mulheres não tinham medo de ninguém nem de nada em acompanhar Jesus até ser crucificado, enquanto a maioria dos discípulos abandonou Jesus? Que tipo de mulher essas?

·      O que sentiu Maria no seu coração ao ver seu Filho sofrer terrivelmente e ser crucificado como inocente?

·      Quais palavras que Jesus dirigiu à Sua Mãe, Maria, da cruz? O que essas palavras significam para nós hoje e para nossas famílias?

·      O único discípulo que acompanhava Jesus era o discípulo que Jesus amava chamado, conforme a tradição, João. Por que esse discípulo se mostrou fiel a Jesus até o fim apesar das dificuldades e dos sofrimentos?

·      Quais palavras que, da cruz, Jesus dirigiu ao discípulo amado? O que essas palavras significam para nós hoje, e para nossas famílias?

·      O que aprendemos dessas mulheres e do discípulo amado?

Quando na fé se dá espaço ao absoluto primado de Deus, a consequência lógica de ser habitado, de ser amado por Deus é sair de si, viver o êxodo sem regresso, que é o amor. O acolhimento da gratuidade do amor eterno torna-se a doação gratuita de tudo que se recebeu. Quem crê e vive da fé, tem capacidade de olhar para fora, aprecia o dom e o comunica. Certamente, respeitamos o dom de Deus quando nos tornamos arca irradiante e quando o restituímos a Deus, que nos estende a mão nos nossos irmãos. Nisto tudo, Maria é nosso grande espelho.

Virgem e Mãe Maria,

Vós que, movida pelo Espírito,

Acolhestes o Verbo da vida

Na profundidade da vossa fé humilde,

Totalmente entregue ao Eterno,

Ajudai-nos a dizer o nosso ‘sim’

Perante a urgência, mais imperiosa do que nunca,

De fazer ressoar a Boa Nova de Jesus

(Papa Francisco: Evangelii Gaudium).

P. Vitus Gustama,SVD

Quinta-feira Da VIII Semana Comum, Ano Par, 28/05/2026

APROXIMAR-SE DO SENHOR PARA ENXERGAR O SENTIDO DA VIDA E PARA SE TORNAR PEDRAS VIVAS DO SENHOR NO EDIFÍCIO ESPIRITUAL Quinta-feira Da VIII...