terça-feira, 7 de abril de 2026

Sexta-feira Na Oitava Da Páscoa, 10/04/2026

CONTEMOS SEMPRE COM JESUS NOS NOSSOS TRABALHOS PARA TORNÁ-LOS FRUTÍFEROS 

Sexta-Feira Na Oitava Da Páscoa

Primeira Leitura: At 4,1-12

Naqueles dias, depois que o paralítico fora curado, 3Pedro e João ainda estavam falando ao povo, quando chegaram os sacerdotes, o chefe da guarda do Templo e os saduceus. 2Estavam irritados porque os apóstolos ensinavam o povo e anunciavam a ressurreição dos mortos na pessoa de Jesus. 3Eles prenderam Pedro e João e os colocaram na prisão até o dia seguinte, porque já estava anoitecendo. 4Todavia, muitos daqueles que tinham ouvido a pregação acreditaram. E o número dos homens chegou a uns cinco mil. 5No dia seguinte, reuniram-se em Jerusalém os chefes, os anciãos e os mestres da Lei. 6Estavam presentes o sumo Sacerdote Anás, e também Caifás, João, Alexandre, e todos os que pertenciam às famílias dos sumos sacerdotes. 7Fizeram Pedro e João comparecer diante deles e os interrogavam: “Com que poder ou em nome de quem vós fizestes isso?” 8Então, Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: “Chefes do povo e anciãos: 9 hoje estamos sendo interrogados por termos feito o bem a um enfermo e pelo modo como foi curado. 10 Ficai, pois, sabendo todos vós e todo o povo de Israel: é pelo nome de Jesus Cristo, de Nazaré, aquele que vós crucificastes e que Deus ressuscitou dos mortos, que este homem está curado, diante de vós. 11 Jesus é a pedra, que vós, os construtores, desprezastes, e que se tornou a pedra angular. 12 Em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos”.

Evangelho: Jo 21,1-14

Naquele tempo, 1Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: 2Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. 3Simão Pedro disse a eles: “Eu vou pescar”. Eles disseram: “Também vamos contigo”. Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. 4Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. 5Então Jesus disse: “Moços, tendes alguma coisa para comer?” Responderam: “Não”.  6Jesus disse-lhes: “Lançai a rede à direita da barca, e achareis”. Lançaram pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. 7Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu uma roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. 8Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. 9Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão. 10Jesus disse-lhes: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes”. 11Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu. 12Jesus disse-lhes: “Vinde comer”. Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. 13Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe. 14Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos.

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Para Ser Testemunha De Jesus Ressuscitado É Preciso Deixar-se Guiar pelo Espirito Santo

Com a cura do coxo de nascença e o testemunho de Pedro pela cura em nome de Jesus Cristo Ressuscitado começa então o conflito com o judaísmo oficial que tem como consequência a perseguição da Primeira Comunidade cristã de Jerusalém. O modelo desta perseguição é o próprio Jesus Cristo. Quem lê os discursos de despedida de Jesus no Evangelho de são João entende muito bem a predição de Jesus sobre o ódio do mundo contra os cristãos (Cf. Jo 15,18ss; 16,2).

Depois da cura milagrosa do paralítico que pedia esmola na porta do Templo de Jerusalém, Pedro tomou a palavra e anunciou o evangelho da ressureição de Jesus para uma multidão assombrada pelo que havia visto (a cura do paralítico). O milagre da cura do paralítico, por um lado, tem bons efeitos porque se convertem muitos (cinco mil) e por outro lado, há efeitos negativos porque Pedro e João são detidos na prisão por dirigir ao povo o discurso que lemos no dia anterior.

Segundo o relato, quando Pedro estava fazendo seu discurso, “chegaram os sacerdotes, o chefe da guarda do Templo e os saduceus. Estavam irritados porque os apóstolos ensinavam o povo e anunciavam a ressurreição dos mortos na pessoa de Jesus”. São mencionados três grupos: os sacerdotes, o chefe da guarda do Templo e os saduceus. O “chefe da guarda do Templo” era uma das maiores autoridades depois do sumo sacerdote. Ele era encarregado da organização do culto e de manter a ordem dentro do âmbito sagrado para o qual contava com um corpo policial integrado por levitas. Fala também do grupo dos saduceus que constituíam o partido aristocrata sacerdotal que negavam a ressurreição dos mortos. Por isso, o chefe da guarda deteve os apóstolos Pedro e João como causadores do tumulto. Pedro e João ficam na prisão “até o dia seguinte”. E não será única vez. Presos "por ter anunciado a ressurreição"! Presos por ter feito o bem (a cura do paralítico de nascença). Até para fazer o bem, muitas vezes, encontramos dificuldades de quem detém o poder na mão.

No dia seguinte”, os apóstolos se encontram diante do Sinédrio (Sanhedrin) e Pedro fala pela primeira vez aos dirigentes de Israel. “Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes…”. O autor principal dos “Atos dos Apóstolos” é o Espirito Santo. Os apóstolos são homens que se deixam encher e guiar pelo Espirito Santo. Por causa do Espirito Santo eles se tornam homens extraordinários do Senhor Ressuscitado.

Ficai, pois, sabendo todos vós e todo o povo de Israel: é pelo nome de Jesus Cristo, de Nazaré, aquele que vós crucificastes e que Deus ressuscitou dos mortos, que este homem está curado, diante de vós.”. O Credo é ainda muito simples nessa época e o repete obstinadamente: Creio em Jesus Cristo, crucificado, ressuscitado e ativo hoje no mundo, certamente este é o núcleo de nossa fé. Pedro não responde à interrogação e sim anuncia o nome de Jesus de Nazaré “aquele que vós crucificastes e que Deus ressuscitou dos mortos”. Pedro dá testemunho pela primeira vez diante dos tribunais. Não esqueçamos que “mártir” significa o mesmo que testemunha. Aqui Pedro passa de acusado para ser acusador.

Neste discurso Pedro considera Jesus (“Jesus” significa “Deus salva”) como “Pedra angular”. O termo “pedra” pertence a um campo de linguagem de grande tradição bíblica que sempre tem a ver com: edificar, casa, templo e assim por diante. Os chefes do povo receberam de Deus um encargo concreto: edificar uma casa com pedras vivas. Mas os chefes não souberam o que fazer com uma dessas pedras que é Jesus de Nazaré que Deus destinou como pedra angular do edifício. Aqui Pedra equipara Jesus-Pedra e Jesus-Salvação única. As duas expressões são sinônimas. É preciso contar com Jesus em todos os momentos de nossa vida e de nosso trabalho, pois Ele é Deus que salva. Jesus é “pedra angular” de nossa vida, de nossa família, de nossa Igreja sem a qual tudo será desmoronado.

É interessante anotar que Pedro, porta-voz dos demais apóstolos, aproveita a ocasião para dar testemunho do Jesus Ressuscitado diante das autoridades, sem nenhum medo. “Proclame a Palavra, insista no tempo oportuno e inoportuno, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir”, escreveu São Paulo a Timóteo (2Tm 4,3). Se antes os apóstolos eram vacilantes, agora, diante das autoridades, aparecem admiravelmente decididos e mudados. O amor que Pedro mostrava para Cristo em vida, mas com debilidade, agora se converteu em uma convicção madura e em um entusiasmo valente que o leva a suportar todas as contradições e, por fim, morrerá em Roma, para dar testemunho daquele a quem negou diante da criada. A força do Senhor Ressuscitado invade completamente a vida de Pedro a ponto de perder seu medo para dar seu testemunho sobre Jesus Ressuscitado. Jesus havia dito aos apóstolos que os levariam aos tribunais, mas seu Espirito lhes ajudará (Cf. Lc 12,11-12). Aqui Lucas, o autor dos Atos, se encarrega a nos dizer que Pedro respondeu “cheio de Espírito Santo”.

Pedro sempre prega o mesmo: Cristo Ressuscitado. É de sua convicção e está vivendo essa mesma convicção e comunica este Jesus Ressuscitado aos demais.

Nós também cremos e celebramos sempre o mesmo: Cristo Ressuscitado. Cada ano celebramos a Páscoa, e cada semana celebramos a Eucaristia que é a Páscoa semanal. Não é rotina. É convicção, e é como o motor de toda nossa existência. Temos que ser vida e força para os demais.

Para Ter Um Trabalho Missionária Frutífera É Necessário Contar Com Jesus e Vestir-se Do Espírito de Serviço

No evangelho de João, Jesus se manifesta pela última vez “no mar de Tiberíade” (Jo 21,1). É a terceira vez que João situa a ação de Jesus no lago as duas ocasiões precedentes estavam relacionadas ao episódio dos pães e dos peixes, imagem que prefiguravam a Eucaristia (Jo 6,1.23.35).

No episódio da pesca (sete discípulos) sobressai Simão Pedro. Mesmo tendo negado ser discípulo do Senhor na Paixão (Jo 18,25), Simão Pedro se encontra ainda com os discípulos do Senhor. Apesar da negação, Simão Pedro é ainda o líder do grupo, pois ele é quem toma a iniciativa quando diz: “Vou pescar”, e os outros seguem, embora seja “noite, quando ninguém pode pescar” (Jo 9,4).

Depois que Jesus morreu, os discípulos voltaram à sua vida anterior como simples pescadores. Pedro foi pescar acompanhado por outros discípulos. Mas foi um fracasso total naquela noite. Nada apanharam. Peixe não pescado para um pescador significa uma ameaça para a sobrevivência, porque a vida deles depende dos peixes.

Creio que qualquer um de nós passou por esse tipo de experiência triste, uma experiência de decepção no trabalho (frustração), no casamento, na educação dos filhos, na vida profissional ou na vida em geral. Felizmente o Senhor conhece nossas decepções, por mais que tentemos escondê-las, e Ele quer se aproximar de nós, embora não reconheçamos sua presença porque não contamos ainda com ele nos nossos planos, conversas e atividades.                

A pesca aqui é figura da missão. A noite, no contexto de atividade, significa a ausência de Jesus que é a Luz do mundo (Jo 8,12). Ou seja, nos seus trabalhos os discípulos não contam com o Senhor. A missão, a iniciativa de Pedro, não produz fruto, pois não conta com Jesus ou não trabalhou no espírito de Jesus, isto é, no espírito de serviço por amor.                 

Já tinha amanhecido e Jesus estava de pé na margem”, comenta o evangelista João. A luz da manhã coincide com a presença de Jesus, na praia, limite entre a terra e o mar, que representa “o mundo” onde se exerce a missão. Jesus fica na terra firme; sua ação se exerce por meio dos discípulos. Concentrados em seu próprio esforço inútil, não reconheceram Jesus. 

A nova forma da presença de Jesus não vai por caminhos de brilho e de poder, nem sequer pelos caminhos de situações extraordinárias. No trabalho duro e infrutuoso de cada dia; na tarefa obscura e monótona (pescar de noite) também é possível encontrar o Senhor. Jesus se interessa pelos problemas de cada dia. A iniciativa de aproximar-se dos apóstolos parte de Jesus mostrando seu interesse pela vida cotidiana com seus problemas (pesca infrutuosa). 

Os apóstolos viram Jesus queestava de na margem” do lago. Ver o Corpo de Cristo ressuscitado não é para os apóstolos uma simples visão passiva de um objeto e sim é uma misteriosa chamada para uma missão: fazer Jesus efetivamente presente em todos os momentos e em todos os homens do mundo atual e futuro. Jesus está na margem do lago e nos chama. Jesus não deveria ter necessidade de nos chamar. Deveríamos nos dirigir até Jesus. Mas Jesus tem piedade de nossa debilidade e nos chama para ouvir suas orientações e para contarmos sempre com Ele em todas as nossas atividades para que elas produzam bons frutos.                

Jesus se aproxima dos discípulos com um termo de afeto: “Moços, tendes alguma coisa para comer?”. Conscientes de seu fracasso, eles contestam secamente: “Não!”. Mas depois que ouviu a Palavra do Senhor: “Lançai a rede à direita da barca, e achareis”, e seguiu a indicação de Jesus, a pesca se tornou imediata e abundante. Seguindo apenas a Pedro com suas iniciativas, a pesca ficou infrutífera. Seguindo as indicações de Jesus, a pesca se torna abundante. 

O Senhor se aproxima de nós quando planejamos nossa ação pastoral para nos convidar a escutarmos sua Palavra e a trabalharmos, não à margem dele e sim conforme Sua vontade, seguindo suas indicações contidas na Sua Palavra. Somente assim poderá acontecer uma “pesca” abundante e totalmente firmes em nossa fé em Jesus Cristo, pois não trabalharemos para nosso brilho e sim para o brilho do Reino de Deus aqui na terra.                 

Diante do surpreendente resultado da pesca que é abundante, o discípulo predileto logo reconhece Jesus: “É o Senhor!”. Pedro (cf. Jo 13,23; 18,15; 20,2), que não está ainda disposto a dar a vida com Jesus, não O reconhece. Para indicar a mudança de atitude de Pedro é utilizada aqui uma linguagem simbólica: a oposição entre desnudez-vestido e a ação de atirar-se para a água: “Pedro vestiu a roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar”. Para o primeiro simbolismo, a chave está na frase de Jesus no lava-pés: “Jesus levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido(Jo 13,4-5). Essa toalha para Jesus significava seu serviço até a morte por amor (cf. Jo 13,1). Pedro estava nu. Isto significa que não tinha adotado a atitude de Jesus, não servia por amor e por isso, a missão não produz fruto. Com a fraseatirou-se ao mar”, Pedro agora mostra sua disposição a dar a vida como Jesus. Agora é que Pedro começou a entender o significado do lava-pés que ele não o entendia (cf. Jo 13,6-10). Jesus tinha dito a Pedro no lava-pés: “Agora não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás(Jo 13,7). É agora que Pedro entendeu o significado do gesto de Jesus. Pedro é o único que se atirou ao mar, por ser o único que negou Jesus. Nessa narração Jesus, não responde ao gesto de Pedro, mas se dirige ao grupo.

Aqui aprendemos que Jesus chamou os apóstolos e conhece seus defeitos. Mas Jesus confiou neles e os formou com paciência e contou com o tempo para fazê-los idôneos para a missão que eles deviam desempenhar. Através do batismo também recebemos do Senhor a tarefa de levar adiante a missão de apresentar os outros para o Senhor apesar de sermos pessoas cheias de fraquezas e defeitos. Servir com amor e por amor cura nossas fraquezas e torna-nos mais amorosos para os outros. E o amor torna os outros bons. O Senhor continua contando com nossa colaboração. Cabe a nós ser bons canais pelos quais chega a graça de Deus para os outros e ser facilitadores da ação do Espírito Santo no nosso próximo.                  

O grupo dos discípulos viu o fogo e a comida que Jesus preparou. Isto significa que Jesus é o pão da vida (Jo 6,51) para nossa vida. Sem ele nada poderemos fazer (Jo 15,5).                 

Na praia Jesus pede o fruto do trabalho: “Moços, tendes alguma coisa para comer?”. dois alimentos: aquilo que Jesus lhes oferece que é sua própria pessoa, sua vida: “Tomai todos e comei! Isto é o Meu Corpo!”, e aquilo que os discípulos oferecem a Jesus: o amor exercido na missão os leva ao dom de si que alimenta a comunidade. Cada um oferece sua qualidade em função da consolidação da comunidade e em função do bem de todos. Em cada Eucaristia devem estar presentes o dom de Jesus aos seus e o dom de uns aos outros. E “Todos nós recebemos da Sua plenitude graça sobre graça”, diz o prólogo de João (Jo 1,16).                 

Será que estamos com a veste de Jesus na nossa vida diária como cristãos? Ou precisamos “nos atirar ao mar da vida de Jesus, como Pedro, para que nossa vida se torne um bem para os outros? Será que contamos com Jesus nas nossas atividades pastorais e missionárias? Quem não contar com Deus é porque não sabe contar. Contar com Jesus nas nossas atividades e servir com amor e por amor torna nosso trabalho frutífero.

P. Vitus Gustama,svd

Quinta-feira Na Oitava Da Páscoa, 09/04/2026

O SENHOR NOS DÁ A PAZ E ABRE NOSSA INTELIGÊNCIA  QUANDO SEU NOME É ASSUNTO DE NOSSA CONVERSA

Quinta-Feira Na Oitava da Páscoa

Primeira Leitura: At 3,11-26

Naqueles dias, 11 como o paralítico não deixava mais Pedro e João, todo o povo, assombrado, foi correndo para junto deles, no chamado “Pórtico de Salomão”. 12 Ao ver isso, Pedro dirigiu-se ao povo: “Israelitas, por que vos espantais com o que aconteceu? Por que ficais olhando para nós, como se tivéssemos feito este homem andar com nosso próprio poder ou piedade? 13 O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, o Deus de nossos antepassados glorificou o seu servo Jesus. Vós o entregastes e o rejeitastes diante de Pilatos, que estava decidido a soltá-lo. 14 Vós rejeitastes o Santo e o Justo, e pedistes a libertação para um assassino. 15 Vós matastes o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos, e disso nós somos testemunhas. 16 Graças à fé no nome de Jesus, este Nome acaba de fortalecer este homem que vedes e reconheceis. A fé que vem por meio de Jesus lhe deu perfeita saúde na presença de todos vós. 17 E agora, meus irmãos, eu sei que vós agistes por ignorância, assim como vossos chefes. 18 Deus, porém, cumpriu desse modo o que havia anunciado pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo haveria de sofrer. 19 Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos, para que vossos pecados sejam perdoados. 20 Assim podereis alcançar o tempo do repouso que vem do Senhor. E ele enviará Jesus, o Cristo, que vos foi destinado. 21 No entanto, é necessário que o céu o receba, até que se cumpra o tempo da restauração de todas as coisas, conforme disse Deus, nos tempos passados, pela boca de seus santos profetas. 22 Com efeito, Moisés afirmou: ‘O Senhor Deus fará surgir, entre vossos irmãos, um profeta como eu. Escutai tudo o que ele vos disser. 23 Quem não der ouvidos a esse profeta, será eliminado do meio do povo’. 24 E todos os profetas que falaram, desde Samuel e seus sucessores, também eles anunciaram estes dias. 25 Vós sois filhos dos profetas e da aliança, que Deus fez com vossos pais, quando disse a Abraão: ‘Através da tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra’. 26 Após ter ressuscitado o seu servo, Deus o enviou em primeiro lugar a vós, para vos abençoar, na medida em que cada um se converta de suas maldades”.

Evangelho: Lc 24,35-48

Naquele tempo, 35os discípulos contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão. 36Ainda estavam falando, quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: “A paz esteja convosco!” 37Eles ficaram assustados e cheios de medo, pensando que estavam vendo um fantasma. 38Mas Jesus disse: “Por que estais preocupados, e por que tendes dúvidas no coração? 39Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho”. 40E dizendo isso, Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés. 41Mas eles ainda não podiam acreditar, porque estavam muito alegres e surpresos. Então Jesus disse: “Tendes aqui alguma coisa para comer?” 42Deram-lhe um pedaço de peixe assado. 43Ele o tomou e comeu diante deles. 44Depois disse-lhes: “São estas as coisas que vos falei quando ainda estava convosco: era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. 45Então Jesus abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as Escrituras, 46e lhes disse: “Assim está escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia 47e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sereis testemunhas de tudo isso”.

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Reconhecer-se Pecador Para Que o Poder de Deus Possa Atuar-se

Israelitas, por que vos espantais com o que aconteceu? Por que ficais olhando para nós, como se tivéssemos feito este homem andar com nosso próprio poder ou piedade?”. Assim fala Pedro aos israelitas depois que o paralítico voltou a andar.

At 3,11-26 é o segundo discurso oficial de Pedro dirigido aos judeus que ocorreu no Templo, sob o pórtico de Salomão, onde se reúne a gente a discutir e onde ensinam os mestres. Trata-se, portanto, e o ambiente muito solene

Israelitas, por que vos espantais com o que aconteceu? Por que ficais olhando para nós, como se tivéssemos feito este homem andar com nosso próprio poder ou piedade?”. Pedro é sempre quem toma a palavra em nome do grupo dos discípulos. Nestas palavras Pedro sempre atribui seu poder de cura a Jesus. Pedro não usurpa o poder de Jesus. O "poder" para fazer o paralítico andar não é o poder de Pedro. O poder que ele exerce vem de Cristo. Ele reconhece que é um homem pecador, nem mais piedoso nem mais santo do que qualquer outro. Se o Senhor Ressuscitado atua através de Pedro para qualquer milagre, é porque o próprio Pedro se esvazia de si para que o poder do Ressuscitado se manifeste nele e através dele para o bem da humanidade. É uma lição também de humildade e de honestidade contra todo tipo de vaidade, de exibicionismo e de arrogância.

Depois da cura do paralítico (veja a Primeira Leitura do dia anterior), Pedro aproveita a boa disposição do povo para dirigir-lhes uma nova catequese sobre Jesus em cujo nome curou o paralítico. Seus ouvintes são judeus. Por isso, Pedro argumenta a partir do AT, isto é, a partir dos anúncios de Moisés e dos profetas mostrando a “continuidade” entre “Deus de nossos pais” e os acontecimentos atuais. O discurso de Pedro ajuda os ouvintes a lerem a história como História de Salvação que culmina em Cristo Jesus, e depois da vinda do Espirito Santo, na constituição da comunidade messiânica reunida em torno do Senhor Ressuscitado, Autor da vida.

O Messias anunciado já veio e é o próprio Jesus de Nazaré a quem Israel recusou. Pedro interpela com uma linguagem muito direta aos judeus: “Vós o entregastes e o rejeitastes diante de Pilatos, que estava decidido a soltá-lo. Vós rejeitastes o Santo e o Justo, e pedistes a libertação para um assassino. Vós matastes o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos, e disso nós somos testemunhas”. Trata-se de uma coisa sínica: indultou ou perdoou a um assassino (Barrabás) e matou o Autor da Vida (Jesus de Nazaré)! Mas Pedro anuncia que através de sua ressurreição, Jesus se converteu num Salvador de todos e portanto todos têm que se converter a Ele: “Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos, para que vossos pecados sejam perdoados. Assim podereis alcançar o tempo do repouso que vem do Senhor...  Após ter ressuscitado o seu servo, Deus o enviou em primeiro lugar a vós, para vos abençoar, na medida em que cada um se converta de suas maldades”.

Por que ficais olhando para nós, como se tivéssemos feito este homem andar com nosso próprio poder ou piedade?”, perguntou Pedro retoricamente aos judeus. Há pouco tempo Pedro negou ser discípulo de Jesus (Cf. Mt 26,69-75). Agora ele sabe que é pecador. Ele se reconhece pecador, nem mais piedoso nem mais santo do que qualquer pessoa. Por isso, com toda a humildade ele reconhece que o poder para fazer o paralitico voltar a andar não é seu poder. O poder que maneja procede de Cristo. Pedro está tão unido a Cristo a ponto de se tornar instrumento muito eficaz de Jesus para acontecer o milagre na vida do paralítico que voltou a andar. “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!”. Pedro sabe que com sua própria força, ele jamais poderia fazer nada de grandeza como este milagre. Ele tem somente Cristo em quem se apoia totalmente. Em nome de Jesus é que o paralítico voltou a viver uma vida de um homem normal com seu direito de ir e de vir livremente.

Até neste ponto precisamos pedir ao Senhor a ajuda para que possamos exercer qualquer tarefa na Igreja do Senhor com humildade. A humildade faz todos nós reconhecermos nossos limites e limitações. Este reconhecimento torna-nos mais responsáveis naquilo que devemos fazer. A exemplo de Pedro precisamos nos apoiar sempre no Senhor Ressuscitado para que possamos ser seus instrumento eficaz para ajudar quem se encontra paralisado na vida, isto, aquele que perdeu o horizonte desta vida. Ser intermediário da graça de Deus significa deixar passar por nossas vidas os benefícios que Deus quer por meio de nós. Isto se chama “ministério”.

Coragem De Ser Testemunha Do Cristo Ressuscitado, Autor Da Vida

Vós matastes o Autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos, e disso nós somos testemunhas”, disse Pedro aos judeus. Neste discurso Pedro enfatiza que a morte de Jesus foi o resultado da vontade dos judeus de tirá-lo para sempre da convivência. E a ressurreição de Jesus é uma resposta de Deus à condenação feita pelos judeus para mostrar que tudo que Jesus fez e disse era a vontade de Deus.

Aqui Pedro dá a Jesus um título pouco habitual: “Autor da Vida” (cf. Jo 1,1-4). O milagre sobre o paralítico que voltou a andar é um sinal de que Jesus é o Dono da vida, isto é, aquele que conduz o povo à liberdade e às salvação. Como Autor da Vida nenhum poder humano será capaz de destruir Jesus. Jesus continua a ser o Vitorioso, o Vivente por excelência. Por isso, vale a pena crer em Jesus se quisermos viver uma vida em abundância, uma vida divina que quando encontrar a morte, a supera. Comungar o Corpo do Senhor significa entrar em comunhão de Vida. Mas esta comunhão de vida transforma o comungante em defensor e protetor da própria vida e da vida alheia em qualquer instância e circunstâncias. Se Jesus é o Autor da Vida, isto significa a vida que tem em outra pessoa pertence ao Senhor. Agredir uma vida significa agredir o próprio Autor da vida. Tratar mal a uma vida significa tratar mal ao próprio Autor da vida.

É Preciso Deixar Jesus No Centro De Nossa Vida e Convivência Para Que A Paz Do Senhor Permaneça

Ainda os discípulos estavam falando, quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: ´A paz esteja convosco! ´”. A cena do texto do evangelho lido neste dia é a continuação da cena do evangelho do dia anterior. O relato começa com o testemunho dos discípulos de Emaús, isto é, aqueles que em sua trajetória viveram a experiência pessoal do encontro com o Senhor ressuscitado no caminho e na fração do pão. É a experiência que enche seus corações e os impulsiona a anunciarem ou contarem a grande notícia de que Jesus vive e vive realmente.                         

Durante a partilha dessa experiência, Jesus aparece no meio deles e os saúda com o Shalom (paz): “A paz esteja convosco!”. É preciso deixar o Senhor ocupar o lugar central (estar no meio) na nossa vida como cristãos para que tudo possa funcionar de acordo com a vontade de Deus e para que haja a paz. A liturgia sempre nos recorda quando o sacerdote saúda: “O Senhor esteja convosco!”. Ao que a assembleia responde: “Ele está no meio de nós”. Para que tudo dê certo, não marginalizemos Jesus Cristo, pois o lugar d´Ele é no centro de nossa vida.

Em que consiste a paz que Jesus nos oferece? A paz que o Senhor ressuscitado nos oferece não consiste na tranquilidade que se sente quando um está plácido e comodamente está sentado ou vive sem que ninguém ou nada o incomode. A paz de Cristo ressuscitado que nos oferece consiste em saber que somos amados, protegidos e compreendidos por Deus. Trata-se de uma relação harmoniosa com Deus, com o próximo, consigo próprio, e com a natureza. Quando cada elemento ocupa seu próprio lugar e desempenha seu próprio papel responsavelmente, haverá a paz. Os discípulos recebem o Shalom do ressuscitado. Mas receber a paz de Deus não é suficiente. É preciso viver o Shalom, isto é, viver em harmonia com todos. A harmonia sempre cria uma beleza. As cores que se colocam harmoniosamente nos apresentam uma beleza admirável. Dizia Santo Agostinho: “Não basta ser pacifico. É necessário ser promotor da paz. Não basta estar disposto a perdoar ou ignorar os inimigos, é preciso amá-los e ter compaixão... Deves amar a paz sem odiar os que fazem a guerra (Serm. 357,1).

Na Eucaristia o Senhor se faz presente entre nós para nos manifestar todo o amor que ele nos tem. A partir desse amor é que Ele nos concede seu perdão e sua paz. Ao participar da Eucaristia, nós devemos nos sentir amados por ele. Por isso, a participação na Eucaristia nos compromete a darmos testemunho da vida nova que Deus infundiu em nós. Devemos, portanto, ser construtores da paz. Trata-se de uma paz que brota do amor sincero que nos faça próximos do nosso próximo em suas angustias e esperanças, como Jesus que aparece, repentinamente, no meio dos discípulos.

Depois da ressurreição Jesus apareceu no meio dos discípulos que estavam com o medo. Mas sem dúvida nenhuma, o assunto entre eles era sobre Jesus. E Jesus tinha prometido aos discípulos: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou Eu no meio deles” (Mt 18,20). Cada conversa sobre Jesus e assuntos ligados a ele, Jesus está presente para dar o Shalom, a paz e para acalmar qualquer situação por fervente que ela pareça ser. Ele está presente para dar ajuda em cada conversa sobre ele e sobre os seus ensinamentos. Jesus aparece no momento em que a experiência individual começa a ser coletiva, comunitária em Jesus, sem destruir a experiência pessoal/individual. O Ressuscitado é a força que interpela à comunidade e é experiência de unidade. Por isso, desta vez, Jesus é reconhecido na comunidade reunida em Seu nome.

A dúvida e o medo dos discípulos são evidentes, como em todas as aparições do Ressuscitado. E Jesus tem que acalmá-los: “Por que estais preocupados e por que tendes dúvidas no coração?”. Para acabar com a dúvida dos discípulos Jesus come com eles. Mas a comunidade deve ter algo para oferecer a Jesus, é algo que os alimenta diariamente: o peixe: “Tendes aqui alguma coisa para comer?”, pergunta-lhe Jesus. “Deram-lhe um pedaço de peixe assado”, comenta o evangelista Lucas. Será que temos algo a oferecer a Jesus ou somente pedimos algo de Jesus? O que devemos oferecer a Jesus é aquilo que nos sustenta e dignifica diariamente. A partir daquilo que oferecemos a Jesus é que podemos alimentar a multidão faminta de tudo.

O fruto da presença de Jesus no meio dos discípulos que conversam sobre ele é a abertura do entendimento, o horizonte ampliado sobre a vida: “Jesus abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as Escrituras”, assim comenta o evangelista Lucas. A inteligência nos capacita a resolvermos os problemas, pois a inteligência é o conjunto de funções psíquicas e psicofisiológicas que contribuem para o conhecimento, para a compreensão da natureza das coisas e do significado dos fatos. Estar aberto a Deus e conversar com Deus permanentemente nos leva a compreendermos tudo na nossa vida, pois o próprio Deus abrirá nossa inteligência.

Nós podemos também reconhecer Jesus na fração do pão eucarístico, na Palavra bíblica proclamada, meditada e partilhada, e na comunidade reunida em Seu nome partilhando o que se tem para quem é carente em tudo. Nós necessitamos, como a Primeira Comunidade, de uma catequese especial para que seja aberto nosso entendimento a fim de entendermos a vida e as coisas que acontecem nela, pois nada escapa do olhar de Deus quando deixamos que ele tenha espaço nas nossas conversas, e quando seu lugar está bem no meio de nós. Em cada Eucaristia ele aparece no meio de nós e é o principal alimento no qual se encontra a força necessária para nossa vida. Ao se alimentar da Eucaristia, cada um deve se converter em força para os outros, especialmente para aqueles que não têm mais ânimo para lutar, pois estão céticos em tudo e sobre tudo na vida. Estas pessoas precisam escutar novamente a promessa infalível de Jesus: “No mundo vocês terão tribulações, mas tenha coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33b). Cada cristão deve se converter nesta frase: “Não tenha medo! Jesus venceu o mundo”. O cristão é aquele que acalma e serena os outros, pois ele sabe que está sempre com o Jesus ressuscitado.

A Palavra (Mesa da Palavra) e o Pão (Mesa da Eucaristia) são a presença constante do Ressuscitado na Sua Igreja. Somos bem alimentado tanto pela Palavra como pelo Corpo do Senhor.  Com a primeira (Palavra)  se explica a promessa de Deus e nos toca o coração. Com o segundo (Pão)  nos abre os olhos sobre sua realização e se mostra no dom de si que se torna alimento para nossa vida como peregrinos para a eternidade. Com os olhos da fé na Fração do Pão e na força de sua Palavra é que saiamos da celebração para dar testemunho de Cristo na vida. Aos Apóstolos, a última palavra que lhes dirige é esta: “Vós sereis testemunhas de tudo isso”. Desde princípio, ser apóstolo é ser testemunha da ressurreição de Jesus Cristo (At 1,22). Ser cristão é ser testemunha de que viver a vida com Deus e com todas as suas consequências é uma vida vitoriosa, uma vida que não termina na morte, e sim na ressurreição com Jesus. Deus pode tardar, mas nunca falha. Atrás da cruz de Jesus está a vida sem fim. Precisamos ter um olhar penetrante além dos sentidos para entender o recado de Deus.

P. Vitus Gustama,svd

 

Sexta-feira Na Oitava Da Páscoa, 10/04/2026

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