sábado, 7 de março de 2026

09/03/2026- Segunda-feira Da III Semana Da Quaresma

DEUS ESTÁ NO NOSSO COTIDIANO, ATÉ NA NOSSA DOR

Segunda-Feira da III Semana da Quaresma

Primeira Leitura: 2Rs 5,1-15

Naqueles dias, 1Naamã, general do exército do rei da Síria, era um homem muito estimado e considerado pelo seu senhor, pois foi por meio dele que o Senhor concedeu a vitória aos arameus. Mas esse homem, valente guerreiro, era leproso. 2Ora, um bando de arameus que tinha saído da Síria, tinha levado cativa uma moça do país de Israel. Ela ficou a serviço da mulher de Naamã. 3Disse ela à sua senhora: “Ah, se meu senhor se apresentasse ao profeta que reside em Samaria, sem dúvida, ele o livraria da lepra de que padece!” 4Naamã foi então informar o seu senhor: “Uma moça do país de Israel disse isto e isto”. 5Disse-lhe o rei Aram: “Vai, que eu enviarei uma carta ao rei de Israel”. Naamã partiu, levando consigo dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez mudas de roupa. 6E entregou ao rei de Israel a carta, que dizia: “Quando receberes esta carta, saberás que eu te enviei Naamã, meu servo, para que o cures de sua lepra”. 7O rei de Israel, tendo lido a carta, rasgou suas vestes e disse: “Sou Deus, porventura, que possa dar a morte e a vida, para que este me mande um homem para curá-lo de lepra? Vê-se bem que ele busca pretexto contra mim”. 8Quando Eliseu, o homem de Deus, soube que o rei de Israel havia rasgado as vestes, mandou dizer-lhe: “Por que rasgaste tuas vestes? Que ele venha a mim, para que saibas que há um profeta em Israel”. 9Então Naamã chegou com seus cavalos e carros, e parou à porta da casa de Eliseu. 10Eliseu mandou um mensageiro para lhe dizer: “Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e tua carne será curada e ficarás limpo”. 11Naamã, irritado, foi-se embora, dizendo: “Eu pensava que ele sairia para me receber e que, de pé, invocaria o nome do Senhor, seu Deus, e que tocaria com sua mão o lugar da lepra e me curaria. 12Será que os rios de Damasco, o Abana e o Fartar, não são melhores do que todas as águas de Israel, para eu me banhar nelas e ficar limpo?” Deu meia-volta e partiu indignado. 13Mas seus servos aproximaram-se dele e disseram-lhe: “Senhor, se o profeta te mandasse fazer uma coisa difícil, não a terias feito? Quanto mais agora que ele te disse: ‘Lava-te e ficarás limpo”’. 14Então ele desceu e mergulhou sete vezes no Jordão, conforme o homem de Deus tinha mandado, e sua carne tornou-se semelhante à de uma criancinha, e ele ficou purificado. 15aEm seguida, voltou com toda a sua comitiva para junto do homem de Deus. Ao chegar, apresentou-se diante dele e disse: “Agora estou convencido de que não há outro Deus em toda terra, senão o que há em Israel!”

Evangelho: Lc 4,24-30

Jesus, vindo a Nazaré, disse ao povo na sinagoga: 24Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva em Sarepta, na Sidônia. 27E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”. 28Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até o alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

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Um pagão é o beneficiário privilegiado de um gesto milagroso do profeta Eliseu, ou seja, aceita o conselho do profeta Eliseu. O rito do banho (batismo) no Jordão só adquirirá valor por meio da fé de Naamã na Palavra Divina através do profeta Eliseu. Não é o gesto que conta, mas a atitude interior de Naamã. Quanto a nós, é também a fé que nos cura e nos salva. Comentando esta anedota, Jesus dirá um dia (Lc 4, 27) que "havia muitos leprosos em Israel no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi curado senão Naamã, o sírio", estrangeiro, pagão. No Evangelho de hoje, Jesus enfatiza que não é bem-vindo em seu próprio país e lembra que já no Antigo Testamento alguns pagãos, como a viúva de Sarepta e Naamã, o sírio, receberam graças especiais de Deus.

Quando sofro pelos meus pecados, quando me sinto impuro ou egoísta, quando vejo que sou um covarde diante de minhas responsabilidades... tenho um reflexo para ir a Deus, apelar para a graça do meu batismo? Eu também fui lavado pela água que purifica pela Fé.

A Humildade Possibilita Nosso Crescimento Na Fé Em Deus Que Nos Salva

A Primeira Leitura nos relata que Naamã, general sírio, padece uma infecção de pele semelhante à lepra. A doença não quer saber de nossos títulos ou status ou de nosso poder. Todos podemos ser afetados por alguma doença. No leito da doença todo poder cai no chão e todos são chamados de enfermos ou doentes. Tenhamos humildade! Um pouco de humildade nunca faz mal a ninguém.

Através de uma serva israelita (que trabalha para a esposa de Naamã) Naamã, via sua esposa, teve notícia do profeta israelita Eliseu que tem poder para curar a lepra. O general sírio, Naamã, crê que se trata de algum mago ao serviço da corte e acorre a seu rei (rei da Síria) para ir ao encontro do profeta Eliseu. Para isso, o rei sírio manda a carta para o rei de Israel. E o rei de Israel se irrita crendo que se trata de uma emboscada para declarar-lhe a guerra. Mas o profeta Eliseu intervém e se decide a curar o general sírio. Muitas vezes interpretamos algo fora de sua realidade e de sua essência e do seu contexto que nos leva a cometermos muitos erros. Às vezes criamos conflitos desnecessários com os outros porque não verificamos os fatos. Jamais podemos nos deixar levar pelos comentários maldosos ou notícias falsas para não criarmos problemas na convivência com os demais. É preciso irmos à fonte para saber o que se passa na verdade ou de fato.

O profeta Eliseu manda um mensageiro para dizer ao general Naamã: “Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e tua carne será curada e ficarás limpo”. O general Naamã se irrita ao saber da ordem do profeta Eliseu para que Naamã tome banho no rio Jordão sete vezes pela sua cura. E queria desistir. O general queria algo mágico para curá-lo (Eliseu não pode tocar Naamã leproso para não ficar impuro). Mas seus servos conseguiram convencer o general Naamã para obedecer à ordem do profeta Eliseu.

A postura e o monólogo do general sírio não têm desperdício: “Naamã, irritado, foi-se embora, dizendo: ‘Eu pensava que ele sairia para me receber e que, de pé, invocaria o nome do Senhor, seu Deus, e que tocaria com sua mão o lugar da lepra e me curaria. Será que os rios de Damasco, o Abana e o Fartar, não são melhores do que todas as águas de Israel, para eu me banhar nelas e ficar limpo?’. Deu meia-volta e partiu indignado”. Esta reflexão pessoal que o general sírio faz é a linguagem típica de todos os que estão seguros de suas ideias acerca de Deus, de todos nós que estamos seguros do comportamento que Deus deve ter conosco, de todos nós que intentamos sempre impor a Deus nossa própria vontade.

A cura do general Naamã faz parte de uma série de milagres do profeta Eliseu. O que quer se enfatizar nesta narrativa é o poder universal do Deus de Israel, que socorre inclusive os inimigos de seu povo, e seu senhorio absoluto sobre a história. Por isso, a resposta do profeta Eliseu para o rei de Israel, que se irrita, oferece uma das chaves do relato: reconhecer que existe um profeta em Israel (2Rs 5,6-7). Profeta é aquele que fala em nome de seu Deus.  A cura de Naamã será o primeiro passo para a conversão, pois equivale a reconhecer Deus que age e se manifesta por meio de seu enviado (profeta): “Agora estou convencido de que não há outro Deus em toda terra, senão o que há em Israel!”, disse Naamã para o profeta Eliseu.

Naamã é símbolo típico de uma classe de homens difíceis de convencer. Naamã tem suas ideias claras e ordenadas. Afinal, ele é um general. Um general sabe sempre o que quer e suas ideias não para serem discutidas e sim obedecidas ou acatadas. Deus não chama oposições, nem valoriza currículo ou título, nem aceita fichas. Deus sai ao encontro de todos os que O procuram com coração sincero e mostra-se a eles nos acontecimentos mais inesperados da vida. Moisés o descobriu em uma sarça que ardia sem se consumir. O importante é saber ver, saber olhar com novos olhos, ter o coração limpo para poder ver ou experimentar a Deus.

O menos importante é o rio e o número de banhos. O importante é fazer o que Deus quer, e como Deus quer. Sempre queremos fazer as coisas do nosso jeito, mesmo quando tentamos cumprir a vontade de Deus. E tudo termina no fracasso.

Vemos no Evangelho sobre como os nazarenos tentam Deus e querem utilizar Jesus: Tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum, faze-o também aqui em tua pátria!” (Lc 4,23). O homem quase sempre busca a Deus para servir-se d´Ele. Quando não é útil, ele o recusa. Deus se aproxima somente dos simples e humildes.

Deus não é uma máquina; Ele é Alguém, uma Pessoa sempre original que inesperadamente entra em nossa vida. Somos hálitos de Deus; templo do Espirito Santo. Deus rompe esquemas, destrói tranquilidades falsas e coloca sempre o homem diante do grande risco da fé, como aconteceu com Naamã.

E Deus sempre usa pessoas para nos alertar, a exemplo da serva israelita sobre a existência de um profeta em Israel, os próprios servos de Naamã que lhe dizem: “Senhor, se o profeta te mandasse fazer uma coisa difícil, não a terias feito? Quanto mais agora que ele te disse: ‘Lava-te e ficarás limpo”’.

São palavras cheias de cordialidade e de convencimento e de razoabilidade! Tudo isso é para nos convencer de que é mais razoável confiarmos em Deus do que em nós mesmos. Muitas vezes criamos dificuldade para entrar pelos caminhos reais da humildade. A humildade é o início para nossa conversão. A humildade nos aproxima da grandeza e da própria Grandeza que é Deus. Às vezes viramos artistas do circo: procuramos os números mais difíceis e complicados para receber os aplausos da plateia. Até os pecadores mais endurecidos não resistem diante de quem tem a virtude da humildade.

Nem sempre queremos mudar. Apenas pensamos em mudança quando estamos mal (necessidade), ou quando sonhamos com alguma coisa melhor (desejo) ou tememos uma piora (medo). General Naamã desceu de seu burro: burro de seu orgulho, e ouve a sugestão dos servos. Naamã se despojou de sua vontade própria e aceitou a vontade de Deus. A sua humildade o levou para a cura de sua doença de pele e o leva a acreditar em Deus. A arrogância nos impede de enxergarmos a presença de Deus e ignoramos preciosa ajuda dos outros, pois sempre nos achamos. A humildade nos capacita a enxergarmos a presença de Deus que nos cura e salva.

Como Naamã, muitos gostariam de impor suas condições a Deus, para levá-Lo a sério e para acreditar n´Ele. Mas é Deus quem tem a palavra. E Deus não convoca oposições, nem valoriza o currículo, nem aceita fichas. Deus sai ao encontro de todos aqueles que O procuram com coração sincero, e mostra-se a eles nos acontecimentos mais inesperados da vida. Moisés O descobriu em uma sarça que queimava sem ser consumida. O importante é saber ver, saber olhar com novos olhos, ter o coração limpo para poder ver Deus.

Deus Se Encontra No Cotidiano De Nossa Vida e De Nossa Convivência

Estamos nos começos da atividade pública de Jesus na versão de Lucas. O autor nos apresenta Jesus como o Messias no qual se cumprem todas as promessas do Antigo Testamento (Lc 4,21).

O texto do evangelho de hoje nos narra que Jesus se encontra novamente em sua terra, Nazaré e se apresenta aos seus conterrâneos numa Sinagoga no dia de Sábado. Ele veio a Nazaré para dizer-lhes que com sua vinda ao mundo se inaugurou a salvação que o profeta Isaias profetizava (Is 61,1-2). Mas com isso, o evangelista Lucas adverte que as palavras de Jesus, mesmo que sejam palavras cheias da graça de Deus que causam até a admiração dos próprios nazarenos (Lc 4,22), encontram dificuldade para entrar no coração de seus conterrâneos. A razão dessa recusa é o conhecimento que os nazarenos têm sobre Jesus e sua família em Nazaré. E por isso, é difícil para os nazarenos acreditarem naquilo que Jesus prega na sinagoga: “Não é este o filho de José?” (Lc 4,22). Os nazarenos não podiam compreender que um carpinteiro fosse um enviado de Deus, muito menos o Messias. Os nazarenos pensam que o verdadeiramente grande e divino deve estar bastante distante da vida cotidiana dos homens.

A vida cotidiana não se deixa inquietar pelo extraordinário, inclusive a busca do extraordinário, a caça do milagres ameaça aquilo que tem o aspecto cotidiano onde Deus se revela, e deixa Seu recado para cada pessoa humana. Muitos correm atrás dos famosos e sabem de tudo sobre sua vida até nos seus detalhes. Muitos vão ao encontro dos ídolos e os defendem, até são capazes de morrer por eles. Muitas vezes queremos ver nos famosos ou ídolos aquilo que nós mesmos não conseguimos alcançar ou realizar. Muitos querem se identificar com eles e não querem tirar deles algo positivo para a própria vida. Os que correm atrás dos famosos e dos ídolos acabam não vivendo a própria vida. Se eu não viver minha vida quem é que vai vivê-la? Se eu não melhorar a minha vida, quem é que vai melhorá-la? Se eu não viver o meu hoje na sua profundidade, quando é que vou começar a viver? Os outros podem me ajudar naquilo que são capazes de fazer, mas nunca na minha vida em sua totalidade. O mundo é uma projeção de nossa psique individual coletada numa tela global. O mundo é ferido ou curado em função de cada ato e pensamento que tivermos. Se eu me recusar a encarar os problemas mais profundos que me impedem de fazer as coisas, o mundo também ficará impedido de evoluir. Se eu avançar na melhoria do meu empenho para o bem de todos, será minha ajuda para mudar ou melhorar o mundo.

Devemos estar conscientes de que o essencial para nossa vida, felizmente, está no aspecto cotidiano da vida que os olhos têm dificuldade para enxergar. Esta é uma das mensagens que Deus quer nos transmitir através de Sua encarnação. Quem diria que o Salvador do mundo pudesse nascer de uma mulher comum e de um lugar desconhecido como Nazaré? Como é bom termos os olhos de Deus para perceber e captar Sua presença na cotidianidade da vida. Como é bom termos o coração de Isabel para sentir a presença do Senhor que está em Maria (Lc 1,41-45). Como é bom termos os olhos de Simeão e da profetiza Ana que enxergam facilmente a presença d’Aquele que traz a salvação para o mundo numa criança recém-nascida (Lc 2,29-32). Como é bom termos a simplicidade dos pastores de Belém que vão com pressa ao encontro do Salvador recém-nascido depois que ouviram a mensagem do Anjo do Senhor (Lc 2,8-18). Como é bom termos a intuição do discípulo amado que logo percebe a presença do Senhor ressuscitado (Jo 21,7). Quem enxerga a presença de Deus na vida cotidiana é uma pessoa feliz e nunca será mais a mesma pessoa. “Cristo se fez temporal para que tu sejas eterno (Santo Agostinho: In epist. Joan. 2,10).

Em Nazaré os conterrâneos de Jesus exigem que Jesus faça também milagres no meio deles. Mas nenhum milagre acontece. Exigir de Deus um milagre significa querer impor a Deus nossa vontade e nos esquecermos de que o milagre é um dom livre da parte de Deus. A que exige milagres não é a verdadeira . A exige total superação do plano meramente humano (cf. Lc 8,21). Se faltar isso, torna-se difícil a prática da obediência cristã. Se vivermos realmente de acordo com a Palavra de Deus nós vamos encontrar muitas surpresas boas para nossa vida, pois “a é a antecipação daquilo que se espera (Hb 11,1).

A expressão de Jesus “Nenhum profeta é bem recebido em sua pátrianos lembra quanto somos rebeldes em aceitar que alguém de nosso meio, cujas “virtudes e milagres” cremos conhecer, se torne juiz de nossa ação, mesmo que seja em nome de Deus.

Se os nazarenos, que fazem parte do Povo eleito, recusam a presença de um profeta na pessoa de Jesus, a primeira leitura nos apresenta um homem pagão, Naamã, que acredita na Palavra de Deus através da boca do profeta Eliseu.

Naamã era chefe do exército do Rei de Síria, guerreiro forte e valente, de um país pagão em constante guerra com Israel. Mas agora está sofrendo de lepra. E sabemos muito bem que quando uma pessoa sofre, não se pergunta por sua religião. Seu sofrimento clama uma ajuda de quem for. Neste momento pode se saber até que ponto alguém tem compaixão e solidariedade.

Uma jovem judia levada como escrava que não guarda rancor ou mágoa oferece ajuda: “Ah, meu senhor, se se apresentasse ao profeta que reside em Samaria, sem dúvida ele o livraria da lepra de que padece”. Essa jovem representa uma pessoa que ama sem fronteiras e sem exceção. Apesar de ela sofrer a escravidão, seu amor pelo seu patrão Naamã que padece de lepra faz com que ela ofereça ajuda.

A lei do amor abrange e orienta todo comportamento humano. Jesus fez do amor o sinal característico de seus discípulos (cf. Jo 13,35: 15,12). Juntar as mãos para rezar é bom; abri-las para ajudar os outros é melhor. Por isso, todas as manhãs de nossa vida nós devemos nos perguntar: o que posso fazer de bom hoje para os outros?

Naamã é um homem cheio de esperança e aceitou o conselho e foi procurar o profeta Eliseu. Uma pessoa cuja vida não é sustentada e iluminada pela esperança é uma pessoa desamparada e sem ponto de apoio. Ao obedecer às palavras do profeta para se purificar no rio Jordão Naamã voltou curado. Não é o gesto de ir algumas vezes ao rio Jordão é que conta, e sim a atitude interior de Naamã que se chama fé e a entrega total à vontade de Deus.

A fé liberta e salva. A fé faz alguém caminhar na direção de Deus e na direção do bem que deve ser feito em favor dos demais homens. Tenhamos fé firme em Deus e saibamos esperar que, nas circunstancias difíceis, Deus nos mostre o que devemos dizer e fazer. “Tenhamos a absoluta confiança de que, sendo fieis, a vontade de Deus se fará, não somente apesar dos obstáculos, mas graças a esses mesmos obstáculos” (Charles de Foucauld). E “deixemos Deus conduzir a nossa pequena embarcação; se ela Lhe for útil, Ele a preservará do naufrágio(São Vicente de Paula).

Além disso, para quem tem fé precisa ter muita humildade para voltar-se a Deus a fim de receber d’Ele a cura dos males a exemplo do General Naamã. A humildade nos aproxima mais das pessoas e de Deus. A humildade nos faz mais irmãos e mais humanos. Mantenhamos humildes, como General Naamã, pois uma salvação pode ser recebida através de instrumentos simples e insignificantes como a escrava judia que ajudou seu patrão, General Naamã para sair de seu problema. “Observa a arvore. A fim de crescer para cima, primeiro cresce para baixo. Primeiro, finca sua raiz na humildade da terra para depois lançar suas grimpas ao alto do céu(Santo Agostinho: In Serm. 117,17).

P. Vitus Gustama,svd

sexta-feira, 6 de março de 2026

III Domingo Da Quaresma, Ano "A", 08/03/2026

JESUS, ÁGUA VIVA, SE ENCONTRA COM A SAMARITANA QUE TEM SEDE

3ºDOMINGO DA QUARESMA ANO “A”

I Leitura: Êx 17,3-7

Naqueles dias, 3 o povo, sedento de água, murmurava contra Moisés e dizia: “Por que nos fizeste sair do Egito? Foi para nos fazer morrer de sede, a nós, nossos filhos e nosso gado?” 4 Moisés clamou ao Senhor, dizendo: “Que farei por este povo? Por pouco não me apedrejam!” 5 O Senhor disse a Moisés: “Passa adiante do povo e leva contigo alguns anciãos de Israel. Toma a tua vara com que feriste o rio Nilo e vai. 6 Eu estarei lá, diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb. Ferirás a pedra e dela sairá água para o povo beber”. Moisés assim fez na presença dos anciãos de Israel. 7 E deu àquele lugar o nome de Massa e Meriba, por causa da disputa dos filhos de Israel e porque tentaram o Senhor, dizendo: “O Senhor está no meio de nós ou não?”

II Leitura: Rm 5,1-2.5-8

Irmãos: 1 Justificados pela fé, estamos em paz com Deus, pela mediação do Senhor nosso, Jesus Cristo. 2Por ele tivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus. 5E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6Com efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado. 7Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa muito boa, talvez alguém se anime a morrer. 8Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.

Evangelho: Jo 4,5-15.19b-26.39a.40-42

Naquele tempo, 5 Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. 6 Era aí que ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço. Era por volta de meio-dia. 7 Chegou uma mulher de Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber”. 8 Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. 9 A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato, os judeus não se dão com os samaritanos. 10 Respondeu-lhe Jesus: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”. 11 A mulher disse a Jesus: “Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar água viva? 12 Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?” 13 Respondeu Jesus: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. 14 Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. 15 A mulher disse a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la”. 19b “Senhor, vejo que és um profeta!” 20 Os nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar”. 21 Disse-lhe Jesus: “Acredita-me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22 Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. 23 Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura. 24 Deus é espírito, e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade”. 25 A mulher disse a Jesus: “Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar. Quando ele vier, vai nos fazer conhecer todas as coisas”. 26 Disse-lhe Jesus: “Sou eu, que estou falando contigo”. 39ª Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus. 40 Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. 41 E muitos outros creram por causa da sua palavra. 42 E disseram à mulher: “Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o salvador do mundo”.

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Nos evangelhos, Jesus sempre se aproxima das pessoas, pois Ele é relacional. Ele se isola somente quando conversa com o Pai. Para poder conversar com os outros, Ele precisa conversar com o Pai. Em Jesus há uma necessidade de conversar, interagir, e ser fonte de água viva para vivificar quem, em seus desertos pessoais, aceita conversar com Ele. Ele sempre caminha em direção às pessoas que se isolavam em seus desertos e lhes apresenta uma proposta de vida. Como a água Jesus faz surgir vida por onde Ele passa. Ele ficou no poço para conversar com a mulher samaritana no seu deserto pessoal.

No quarto Evangelho são narrados vários encontros paradigmáticos de Jesus: com os primeiros discípulos, com Nicodemos, com o enfermo de Betesda, com o cego de nascença (próximo domingo) etc., como também o encontro com a samaritana e os samaritanos no evangelho deste domingo. Em cada encontro existe diálogo. É o fruto do diálogo é a mudança de vida.

Estes encontros nos convidam a fazer uma contemplação, de maneira especial, o encontro de Jesus com a mulher samaritana. Quanto mais longa e aprofundada for a contemplação, mais inesquecível será a experiência do nosso encontro com Jesus.        

A intenção primordial e central de todo o relato do evangelho deste domingo é encontrar a resposta à perguntaQuem é Jesus?”. Resposta que é encontrada depois de muita busca e de muito diálogo. O itinerário do discípulo de Jesus até chegar à profissão de plena tem de superar uma série de obstáculos: preconceitos, hábitos adquiridos, preocupações materiais, incompreensões e mal-entendidos.         

O Evangelho deste domingo pode-se dividir em algumas partes para facilitar nossa reflexão: (1)vv.1-6: descrevem o local e o horário onde acontece o encontro/diálogo; (2)vv.7-26 descrevem o diálogo entre Jesus e a Samaritana(vv.7-15: sobre a água; vv.16-18: sobre o marido; vv.19-25: sobre o lugar da adoração); (3) vv.27-30: descrevem o resultado do diálogo na pessoa da Samaritana; (4)vv.31-38: descrevem o resultado do diálogo na pessoa de Jesus; (5)vv. 39-42: descrevem o resultado da missão de Jesus na Samaria.

1. Onde, Com Quem E Quando Se Realiza O Diálogo? (vv.1-6)          

A vida nômade dos patriarcas passava dum poço a outro, e os mais célebres entre eles foram os que furaram, para suas famílias e seu gado, poços providos de água abundante. Certamente o encontro entre Jesus e a Samaritana acontece no poço de Jacó que se localiza perto de Siquém na região dos samaritanos. Segundo os dados arqueológicos, esse poço de Jacó esteve em uso desde o ano 1000 a .C até 500 d.C. Mas a única relação de Jacó com poço encontra-se em Gn 29,2-10 em que se narra seu encontro com Raquel em Harã num poço do qual Jacó tira a pedra que cobria o poço e dá de beber ao gado (veja também Nm 21,16-18 no qual fala-se de poço). A palavra grega traduzida aqui por poço é “pegé” que significa fonte ou “olho da água”. Ao dizer que Jesus está sentado na beira do poço, o evangelista João quer antecipar o tema da “água viva” que acaba para sempre a sede de todos os que a beberem. Só bebendo da fonte do conhecimento e do amor do Pai revelado em Jesus Cristo poderão os homens saciar sua sede de eternidade.          

A região da Samaria (chamada de Samaria por causa de sua capital) foi fundada pelo rei Omri (886-875 a.C. cf. 1Rs 16,24). No ano 722 a .C., os assírios apoderaram-se dela e deportaram uma parte dos habitantes e instalaram colonos ou migrantes não- judeus. Por isso, os judeus consideravam os samaritanos como um povo impuro porque seu sangue estava contaminado pelo de outros povos estrangeiros. Tudo o que um samaritano toca se torna impuro para um judeu. Por isso, para um judeu não existia injúria pior do que ser comparado com um samaritano. Um rabino não podia falar publicamente com uma mulher (imagine sozinhos); muito menos de temas religiosos. Até um rabino de então havia dito que é melhor queimar a Bíblia(a Lei) do que entregá-la a uma mulher. E Jesus dialoga com uma mulher samaritana. Para um judeu há aqui um duplo grave erro de Jesus. Primeiro, porque a conversa a sós entre pessoas de sexos diferentes não era bem-vista naquele mundo. Segundo, porque essa mulher com quem Jesus conversa pertence ao povo samaritano.       

Isto quer nos dizer que, em primeiro lugar, Jesus põe um fim a qualquer discriminação na convivência humana. Por isso, os seus seguidores devem ser promotores da fraternidade universal. Em segundo lugar, a Palavra de Deus que é criadora, não se dirige a nós somente quando somos perfeitos. A Samaritana é uma mulher que é excluída, que é excomungada, porque se relaciona com deuses pagãos. É interessante ver que Jesus escolhe uma mulher como esta para dialogar e para ensinar a prece profunda. Talvez porque os seus ouvidos não estejam fechados pela certeza de ter razão, pela certeza de ser a melhor, pela certeza de possuir a Verdade. A Samaritana é imagem de quem não tem a verdade, mas ela a busca e se deixa levar por Jesus (que é a Verdade, cf. Jo 14,6) que vem sentar-se à borda do poço.          

Jesus se encontra à beira do poço. É aí que Jesus espera por nós. Ele espera por nós na origem de nosso ser, onde exatamente há possibilidade de aprender a vida em seu primeiro movimento, em sua gratuidade. Alguns consideram o poço como símbolo do coração humano. Trata-se, por isso, de descer em suas profundezas para descobrir aí a nascente. No poço acontece o encontro entre a nossa sede que nunca termina e Jesus que se apresenta como a água da vida que mata a nossa sede para sempre. Nós buscamos aquilo que é passageiro que em vez de satisfazer a nossa sede, cria mais outra, e Jesus se apresenta como o eterno diante de nossa busca. 

Será que temos coragem de fazer o encontro com Jesus nesse poço? Mas onde está o meu poço para onde sempre vou em busca de algo para satisfazer meus desejos? Será que posso enxergar a presença de Jesus à beira do poço para onde eu sempre vou para satisfazer a minha sede? E este poço, para onde sempre vou em busca da “água”, será que satisfaz minha sede? Será que no fundo de meus desejos há anseios desconhecidos? Preciso descobrir os meus anseios atrás dos meus desejos. “Hoje, mesmo sem saber expressar desse modo o que buscam, são muitos os que querem ver, conhecer e encontrar Jesus. Na verdade, ele é a resposta aos anseios mais profundos do ser humano...” (Projeto Nacional de Evangelização 2004-2007: Queremos ver Jesus- Caminho, Verdade e Vida no.4.1).          

O encontro acontece na “hora sexta”, contada a partir do nascer do sol, seria meio-dia. Nesta hora a Samaritana vai buscar a água. As mulheres geralmente vão tirar água em grupos na hora mais fresca do dia. Ir buscar água ao meio-dia não era normal. Alguns intérpretes veem na hora do meio-dia um simbolismo da plenitude da luz que é Jesus; e na “fadiga” de Jesus, uma alusão à Paixão. É a sexta hora, o meio-dia. Hora em que não há sombra. É a hora da lucidez, em que é possível ver-se a si mesmo numa luz mais límpida. Nesta hora tudo se revela, pois tudo se torna claro. É o momento de uma lucidez que deixa poucas possibilidades para a mentira, porque nada se esconde. 

2. Diálogo De Jesus Com A Samaritana (vv.7-26) 

2.1. O Diálogo Sobre A Água: Deus Pede Para Dar: (vv.7-15)          

Nesta hora, na hora sexta (meio dia) Jesus se encontra à beira do poço de Jacó e neste mesmo horário a Samaritana se aproxima do poço para tirar a água. Jesus pede a água para a samaritana: “Dá-me de beber”.  Este pedido é o verdadeiro paradoxo. É o verdadeiro mistério. É a absoluta novidade. Aquele que transformou a água em melhor vinho está pedindo a água. É o paradoxo de um Deus, que é capaz de tudo, se torna necessitado e mendigo. É o mistério de um Deus que se torna ser humano, necessitado como qualquer ser humano, para ter um pretexto de encontrá-lo e de dar-lhe a água que apaga de vez a sua sede. É o mistério de um Deus que pede para poder dar. “Cada vez que eu venho para Te falar, na verdade eu venho para Te escutar. Fala-me da Vida, preciso Te escutar. Fala-me da verdade, que vai me libertar. Cada vez que eu venho para oferecer, na verdade eu venho para receber. Dá-me o Pão da Vida, que vai me alimentar. Dá-me a água viva, que vai me saciar”, diz a música. (“Fala-me Da Vida” que  José Acácio Santana compus). É o grande paradoxo! É a água que pede para ser bebida. É a nascente que tem sede de ser bebida. Os Antigos diziam que Jesus era uma fonte que tinha sede de ser bebida. 

Santo Agostinho dizia: “’Jesus, cansado do caminho, sentou-Se à beira do poço. Era quase a hora sexta’. Eis que já começam os mistérios. Pois, não é sem motivo que Jesus esteja cansado, não é sem motivo que a força de Deus Se canse; não é sem motivo que ceda ao cansaço Aquele por quem se refazem os que estão cansados; não é sem motivo que esteja cansado Aquele em cujo abandono nós nos cansamos e, em cuja presença, somos reconfortados.  ... A força de Cristo te criou, a fraqueza de Cristo te recriou. A força de Cristo fez com que o que não era existisse, e a fraqueza de Cristo fez com que o que existia não perecesse. Em Sua força, criou-nos; em Sua fraqueza, procurou-nos” (In Serm. 15, 6). 

Na origem de uma experiência espiritual, existe, muitas vezes, essa descoberta que não somos nós que procuramos Deus, mas é Deus quem nos procura. Mas como é difícil para um ser humano deixar-se encontrar, e deixar-se amar. O caminho é longo para chegar a este ponto. “Dá-me de beber”! Não somos nós que procuramos Deus, que procuramos a verdade. É Deus, é a verdade que nos procuram. É a Vida que nos procura. É a Vida que busca dar-se a nós, através de nós. Através do poço que somos.          

Nossa pergunta, neste momento, é a mesma pergunta da samaritana: O que é que pode, verdadeiramente, acalmar nosso desejo? De que, realmente, temos sede. O que é este cântaro de onde pode jorrar a Água Viva?          

Mas a samaritana tem uma reação de recuo: “Como tu, que és um judeu, pedes de beber a mim, que sou uma samaritana? ” (v.9). Como, és tu, que pertences à classe dos eleitos, falas a mim, uma excluída? Em sentido mais profundo: como é que tu, que és um ser infinito, te diriges a mim, que sou finita e limitada? A Samaritana fica espantada com o comportamento de Jesus. Ela não conhece ainda Jesus, mas descobriu que o homem que está falando com ela não é como os outros homens. É um homem completamente livre dos preconceitos, convenções e proibições que oprimem e marginalizam as pessoas.          

Através deste diálogo com a Samaritana percebemos o que Jesus quer nos transmitir. Ele não se fecha dentro da “sua religião” nem dentro da “sua raça/etnia” nem dentro da “sua geografia”. Ele é para todos. Apesar de não ser uma pessoa judia e não praticante da religião judaica, nesta Samaritana existe o “dom de Deus” segundo Jesus (v.14). É para esta mulher que Jesus revela, primeiramente, a sua condição de Messias (v.26). Esta atitude ecumênica de Jesus tinha muita importância para a comunidade de João no fim do primeiro século (mais adiante falaremos deste assunto).          

Jesus não responde diretamente ao pedido de explicação da Samaritana sobre seu comportamento. Jesus a conduz a uma compreensão cada vez mais profunda do mistério de sua pessoa e de sua missão através de símbolos que a Samaritana não os compreende. “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva” (v.10), diz Jesus à Samaritana. Com isto Jesus vai se revelando, aos poucos, à Samaritana sobre quem ele é. Para conhecer Jesus, a Samaritana tem que superar o nível da separação étnica e os conflitos históricos. A conversa é lenta e Jesus respeita as dificuldades pessoais e tem muita paciência para com a Samaritana para que ela seja capaz de superar a questão do seu imaginário. Jesus leva a Samaritana para um conhecimento maior, isto é, conhecer o amor de Deus que supera todos os conhecimentos.          

“Ele te daria água viva”. A água viva, não uma água estagnada, não uma água engarrafada que fresca durante um momento, mas água viva. Em uma região onde a água é rara, uma nascente, um poço se torna símbolo de vida. A água é dispensável para o homem, pois não pode viver sem ela. Sem água não há vida, pois até mesmo as plantas dela têm necessidade. Como bem se sabe que no deserto, como em outros lugares, água e vida são sinônimos. Onde há água encontram-se marcas de vida, mas a sua ausência é sinal de morte. Para os orientais, especialmente, a água que sacia a sede, purifica, dá vida, fecundando e fazendo frutificar, é o símbolo natural das necessidades mais fundamentais do homem. Já no AT, o símbolo da “água viva”, a água de manancial em oposição à água estancada, é usado por Jeremias para expressar a infidelidade de Israel (Jr 2,13; cf. Sl 36,9). Por isto tudo, falar de água viva é falar de vida em abundância. Onde a água passa, nada se torna deserto.   

Usado por Jesus, o símbolo da “água viva” expressa para o evangelista a plenitude de tudo o que Jesus significa. Quando Jesus diz que dá a água viva, ele quer dizer que dá a vida, a verdadeira vida, a vida eterna junto de Deus. Jesus vem, certamente, ao nosso encontro pelos nossos caminhos oferecendo-nos o amor do Pai, porque sabe, e como sabe, que sem ele não podemos viver (cf. Jo 15,5). A “água viva” que ele nos oferece é tão necessária para a nossa vida eterna quanto a água para a vida natural. Quando Jesus vem ao nosso encontro, espera por nós, toma a iniciativa do diálogo e nos pede algo, é para dar-nos muito mais: dar-se a si mesmo, o revelador e o portador do amor do Pai.          

A Samaritana não duvida em pedir a Jesus desta água: “Senhor, dá-me dessa água para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la” (v.15). A mulher não entende o que Jesus quer dizer. É sempre assim que acontece nos diálogos de Jesus: as pessoas não sabem se livrar de sua cegueira. A mulher tenta pedir a Jesus a solução do problema dela. E a resposta de Jesus ultrapassa o pedido, pois ele não se limita a responder ao ser humano, mas quer fazê-lo crescer. 

O primeiro nível no qual a mulher samaritana busca apaziguar o seu desejo é o da água material. São as riquezas e as posses materiais. Num primeiro tempo do nosso caminho, pensamos que estaremos em paz se possuirmos um certo número de riquezas, um certo número de posses, uma certa quantidade de prazer. Nós observamos bem o que se passa, que quanto mais possuímos, mais desejamos possuir. Quanto mais nós bebemos desta água, mais temos sede. Mesmo, se por um momento, nossa sede se acalmou. Por isso, Jesus diz: “Aquele que bebe desta água terá sede novamente” (v.13). O que apazigua o desejo durante um momento torna-se a si mesmo o começo de outro desejo. Nada podemos matar a sede humana com as coisas passageiras. No homem existe um anseio infinito que somente o Infinito pode satisfazer plenamente. Muitas vezes, o homem, que é finito, ignora o que possa ser esse Infinito.          

Jesus oferece uma outra água que possa apaziguar o desejo da samaritana, o nosso desejo: “Aquele que bebe da água que eu lhe darei, não terá mais sede”. Jesus anuncia algo novo: uma água que ainda não foi bebida debaixo do sol: Jesus, água viva. Jesus afirma que existe uma vida, um apaziguamento, que não são dependentes das circunstâncias exteriores, pois a felicidade é o estado de alma. Enquanto não tivermos encontrado a felicidade dentro de nós, não será possível encontrá-la no exterior. Sabemos que existem pessoas felizes em todas as circunstâncias, até mesmo desfavoráveis, mesmo não tendo tudo de que precisam, e pessoas que têm “tudo para serem felizes” e, no entanto, vivem em uma autêntica insatisfação. É possível conhecer uma felicidade que não é dependente dos objetos da felicidade? Na maior parte do tempo nós somos felizes por causa de nossa saúde, por causa de uma posse. Nossa felicidade depende de uma realidade externa, e no entanto continuamos insatisfeitos. Por isso, hoje Jesus nos convida a conhecer uma felicidade não- dependente: não dependente das circunstâncias, não dependente dos acontecimentos. Uma felicidade que seja uma fonte no interior de nós mesmos. E mesmo se os acontecimentos externos são nefastos, muito difíceis, podemos sempre provar desta fonte. Esta fonte é o próprio Senhor Jesus Cristo, “Água viva”. Ele é a fonte que satisfaz a nossa sede e  a nossa sede nunca esgota essa fonte.          

Mas devemos saber que enquanto somos seres humanos, não há felicidade plena, completa e perfeita neste mundo. O esforço de cada dia nos permitirá, pelo menos, possuir uma felicidade razoavelmente satisfatória. Um pedaço de felicidade cada dia.  Cada momento feliz é um tijolo que se coloca na construção da felicidade. Por isso, o importante é que cada um encontre esses pedaços de felicidade todos os dias e os carregue com muito cuidado, sem culpar o outro pelos momentos infelizes que temos.          

Nós todos conhecemos algumas pessoas, das quais dizemos que têm tudo para serem felizes, mas não são. E nós conhecemos também pessoas que não têm nada para serem felizes, nenhum deste objetos com os quais identificamos a felicidade e,  no entanto, testemunham uma paz interior. 

2.2. Diálogo Sobre O Marido (vv.16-18)          

Jesus tenta com que a samaritana entre neste desejo, pedindo-lhe que vá buscar seu marido: “Vai, chama teu marido e volta aqui”(v.16). “Eu não tenho marido” (v.17), assim ela diz. “Falaste bem: ‘não tenho marido’, pois tiveste cinco maridos e o que agora tens não é teu marido; nisto falaste a verdade”, diz Jesus (17b-18). As interpretações se dividem. Alguns autores acreditam que essa mulher era uma prostituta e que havia trocado cinco maridos e nesse momento convivia com um último, mas que também não era seu marido. Mas ao encontrar o Messias, ela se converteu. Assim ela é o símbolo da convertida, missionária e anunciadora do evangelho. Mas muitos estudiosos concordam que os cinco maridos representam cinco deuses pagãos. A referência reporta-se à formação do povo samaritano. Quando os assírios tomaram o Reino da Norte (722 a. C) e deportaram a maioria dos habitantes, eles trouxeram cinco povos de outros lugares para ocupar essas terras. Esses povos são: Babilônia, Cuta, Ava, Emat e Sefarvaim (cf. 2Rs 17,29-41). E em quase todos os povos antigos, ao mudarem-se para outro lugar/país, tinham direito de levar consigo os seus deuses, suas divindades e cultos. Nas novas terras eles conservavam seus princípios religiosos originais. Aconteceu também quando esses cinco povos mudaram-se para a Samaria. O nome hebraico usado para Deus era o mesmo para falar do marido: ba’al = senhor(marido ou Deus). Com a vinda dos estrangeiros, os samaritanos (que eram judeus) viram sua religiosidade confundida, e sua fidelidade a Deus (Javé) sofreu muitos abalos. Por isso, o Senhor/Deus (marido) que a mulher possuía não era bem o seu, pois a fé, os compromissos da eleição e da fidelidade às tradições se haviam perdido.  Outros pensam nas cinco nações que oprimem Israel: egípcios, assírios, babilônios, gregos e romanos. Orígenes pensou que se tratasse dos cinco livros sagrados ou rolos da Lei, o Pentateuco, os únicos livros sagrados conservados pelos samaritanos. Mas qualquer seja a interpretação, todas as interpretações têm o mesmo objetivo: nenhum deus, ou outra nação, outro livro sagrado é capaz de satisfazer toda a busca de felicidade dos samaritanos. 

2.3. Diálogo Sobre O Lugar Da Adoração (vv.19-25)          

Motivada pela revelação de Jesus, a Samaritana começa a chamar Jesus de Profeta (um título de missão) que mais tarde ela o chama de Messias e Salvador do mundo: “Senhor, vejo que és um profeta...”(v.19). Ao ver que Jesus conhece toda sua vida pessoal e religiosa e moral, a Samaritana deixa cair todas as defesas. Não recorre à agressão, nem à mentira, nem ao disfarce. A admiração e o respeito tomam conta dela, e entrega-se desarmada confessando: “Senhor, vejo que és um profeta”.          

E a Samaritana acrescenta: “Nossos pais adoraram sobre esta montanha, mas vós dizeis: é em Jerusalém que está o lugar onde é preciso adorar” (v.20). Agora o diálogo passa para outro conteúdo: adoração e verdadeira religião. A samaritana faz uma pergunta; uma pergunta que, às vezes, pode ser a nossa: onde está a verdadeira religião? Está sobre a montanha? Qual é maneira certa de entrar em relação com o Absoluto?         

Jesus afirma: “Crê, mulher, vem a hora em que nem sobre esta montanha nem em Jerusalém adorareis o Pai”(v.21). Esta é uma palavra muito forte e que talvez tenhamos dificuldade de escutar. Porque nós gostaríamos que a verdade estivesse numa igreja, que a verdade estivesse nesta ou naquela religião. Sem querer dizemos: a verdade está em nós. A heresia está nos outros. Jesus procura libertar a Samaritana de qualquer idolatria. Jesus ensina-lhe a não idolatrar um lugar de culto particular, tempo ou monte santo. Essa idolatria se chama a idolatria espiritual porque impõe limites, “confina” Deus a uma forma, a um lugar. Deus pode estar na igreja ou em qualquer lugar santo, mas a igreja ou um lugar santo não é a prisão de Deus. Deus não é a obra de mão de homens. Ao contrário, o homem é a obra da mão de Deus (cf. Gn 1,26-27;2,7).          

Por isso, devemos aprender a encontrar a Deus em lugares totalmente inesperados e desconhecidos; em meio a povos com outras crenças ou entre os não-crentes; para além dos muros das igrejas e dos templos e lugares sagrados; em toda atividade que tenha como propósito o serviço à pessoa e à comunidade.          

Como deve-se adorar a Deus?  Mas vem a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão em espírito e verdade, pois tais são os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade”, diz Jesus à Samaritana (vv.23-24).          

Mas o que é que adorar? No sentido antigo do termo, é alguém que orienta seu desejo para a fonte de todo Ser. É a homenagem ritual prestada à divindade. Portanto, se queremos conhecer a fonte do nosso ser, o Pai, Aquele que gera o mundo, nós temos que escutar o Espírito de Deus. A importância não está sobre esta montanha ou em Jerusalém, nesta religião ou na outra. O importante é estarmos conscientes no Sopro de Deus que nos habita e estarmos vigilantes, despertos.          

Adorar em espírito e verdade”. Espírito” (pneuma) para João significa o que pertence ao mundo celeste em contraposição ao mundo terreno. O homem terreno não tem, por suas próprias forças, acesso ao reino celeste (Jo 3,31). Deus só pode ser adorado como Pai por aqueles que possuem o espírito que os faz filhos de Deus, que os faz nascer do alto. Para o encontro verdadeiro e autêntico com Deus é necessário que a força de Deus eleve o homem, faça dele uma nova criação, seja penetrado pelo Espírito de Deus. Por isso, a adoração em espírito não é o culto interior, espiritualista, individual, contraposto ao culto externo e público.          

E “em verdade”. A adoração “em verdade” não se opõe à falsa adoração. “Verdade” é, para João, a realidade de Deus revelada em Jesus Cristo, nas suas palavras, nas suas ações, e na sua pessoa. A verdadeira adoração do Pai pressupõe, por conseguinte, a acolhida da palavra de Jesus, a fé em Jesus. O novo culto é verdadeiro porque procede da revelação de Deus em Jesus Cristo. Só com a revelação de Jesus, com a presença de Jesus, pode haver “verdadeiros adoradores”, porque os que creem em Jesus são regenerados pelo Espírito e vivem a relação com o Pai na atitude filial de Jesus.  Para que haja “verdadeiros adoradores”, é necessário a ação do Espírito que faz nascer “de novo, do alto” (Jo 3,3-8). A presença de Jesus acaba com o dilema sobre o lugar da adoração a Deus. Com Ele vem a hora em que os lugares de culto do passado por mais veneráveis que tenham sido, vão perder sua importância. O verdadeiro culto de adoração começa a realizar-se em Jesus (cf. Jo 2,13-22 em que Jesus fala do seu corpo ressuscitado como o novo templo). O lugar onde se revela o Pai, o lugar do novo e verdadeiro culto é doravante e para sempre, Jesus Cristo, o único caminho para chegar ao Pai. A nova adoração, que é expressa no futuro (adorarão) não será simplesmente a Deus, mas ao “Pai”, e não está mais vinculada a lugares (“nem...nem...”).          

A afirmação “Deus é Espírito” (v.24) não é uma definição de Deus, um enunciado da essência divina, mas é uma afirmação do tipo de relação de Deus com os homens, do modo como ele se manifesta aos homens, do mesmo tipo que as afirmações “Deus é luz” (1Jo 1,5) ou “Deus é amor”(1Jo 4,8.16). O que a expressão quer dizer neste caso é que a relação de Deus com os homens é mediada pelo Espírito que ele mesmo dá.          

A Samaritana não reconhece imediatamente Jesus. Mas confessa sua esperança messiânica (v.25). Não sabe ainda que o verdadeiro Messias está diante dela. Respondendo à sua busca, Jesus se revela a ela como o Messias esperado: “Sou eu que estou falando contigo”(v.26). Esta revelação direta de Jesus é o clímax de todo o diálogo.  A expressão “Sou Eu” é uma fórmula de revelação de Deus no AT (cf. Ex 3,14). 

2.4. O Resultado Do Diálogo Na Pessoa Da Samaritana (vv.27-30)          

Depois da auto-revelação de Jesus para ela, a Samaritana, esquecendo sua jarra, correu para a cidade para transmitir aos outros o que ela descobriu na pessoa de Jesus (vv.28-29). Ela não confessa imediatamente sua fé, mas sai correndo para anunciar aos outros que encontrou o Messias.           

O que tem por trás deste relato? O evangelho de João foi escrito no fim do primeiro século. Nas suas linhas e entrelinhas transparecem os traços de uma comunidade cristã aberta, acolhedora e pluralista. A comunidade que transparece no texto supõe como normal que mulheres tenham liderança na comunidade e anunciem a Boa Nova, até com maior resultado que os homens (vv.8.27). Por causa da palavra desta mulher, muitos se converteram. O texto nos transmite também que os samaritanos participam da vida comunitária e aceitam Jesus como Messias (v.29) e o aceitam como “o Salvador do mundo”(v.42). E os samaritanos vão ao encontro de Jesus movidos pelo testemunho da Samaritana e reconhecem a identidade de Jesus e o confessam como Salvador do mundo.          

Isto quer nos dizer que o acesso à fé dá-se através do testemunho. E o testemunho, por sua vez, só tem força para conduzir ao encontro de Jesus quando é dado por alguém que fez a experiência do encontro pessoal com Jesus.  O processo da fé começa pela escuta e acolhida da palavra proclamada por um testemunho externo, mas só se torna fé pessoal na experiência da relação pessoal com Jesus Cristo. Quando nós fazemos a experiência do “Eu sou”, quando fazemos a experiência desta fonte de Água Viva, podemos nos voltar para as realidades, mas seremos livres em relação a elas.

2.5. O resultado do diálogo na pessoa de Jesus (vv.31-38)          

Nestes versículos há o diálogo entre Jesus e seus discípulos. Os discípulos sugerem que Jesus coma (v.31). Diante desta sugestão, Jesus responde: “Tenho um alimento que vós não conheceis! Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e levar a cumprimento a sua obra”(vv.32.34). Os discípulos não entendem aquilo que Jesus está lhes dizendo (v.33). O diálogo é um jogo que evidencia a incompreensão humana diante do mistério de Deus. O ser humano é incapaz de crer e de compreender Deus. Mas Deus sempre tem a paciência em satisfazer as aspirações dos homens e as suscita. Deus sempre leva o homem para a luz para ele poder ver tudo como Deus o vê. E Jesus aproveita a incompreensão dos discípulos para fazer uma de suas mais elevadas revelações. No v. 34 descobrimos a consciência que Jesus tem de si mesmo, suas relações com Deus, seu modo de entender a própria existência. A sua vida é uma total obediência ao Pai.         

 E nós, como seguidores de Jesus que obedeceu totalmente à vontade do Pai, vivemos realmente segundo a vontade de Deus? Seguimos aquilo que Jesus nos orientou? 

2.6. O Resultado Da Missão De Jesus Na Samaria (vv.39-42)          

O resultado da missão de Jesus na Samaria se resume nestas frases: “Muitos samaritanos daquela cidade creram em Jesus por causa da palavra da mulher que testemunhou....’Não é mais por causa do que tu contaste que cremos; nós mesmos o ouvimos, e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo’” (vv.39.42). Mais uma vez João enfatiza que a salvação se destina a todos. As barreiras de qualquer preconceito caíram diante de Jesus. Os samaritanos se converteram e acolheram Jesus no meio deles. A conversão dos samaritanos antecipa a conversão dos pagãos futuramente que a comunidade depois de Jesus experimentará.          

Jesus atende ao pedido dos samaritanos para ficar com eles durante dois dias. Com isto, o evangelista quer acentuar a prontidão para a fé dos samaritanos, em contraste com os judeus de Jerusalém (cf. Jo 2,18.20;4,1-3) e com os galileus (cf. 4,44;6,30s.41.52). A fé dos samaritanos é também mais profunda e mais firme, até o ponto de superar o escândalo causado pela origem histórico do Revelador: um judeu.           

As implicações para todos nós cristãos são muitas, umas delas são:

1.    Todos nós, mulheres e homens, fomos chamados ao apostolado para convidar outras pessoas para que descubram o rosto verdadeiro de Deus e o próprio rosto, própria identidade.

2.    Não anunciamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo.

3.     Manter um diálogo que não fique no intercâmbio de palavras, mas que vá até a partilha solidária das situações da vida dos demais sem nenhum preconceito. Desta forma esperamos encontrar o outro e juntos descobrir a Jesus e experimentar por que ele é salvador, Água Viva que dá vida a todos nós.

4.    E por fim, nossa pergunta, neste momento, é a mesma pergunta da samaritana:

O que é que pode, verdadeiramente, acalmar nosso desejo ou nossos anseios? De que, realmente, temos sede nesta vida? O que é este cântaro de onde pode jorrar a Água Viva? Quais são os preconceitos que devemos superar para estabelecer um verdadeiro diálogo?  Há diálogos que matam. Há diálogos que trazem a vida. Qual resultado que obtemos nos nossos diálogos? De que maneira Jesus questiona a nossa maneira de ler a realidade como ele questionou a maneira da Samaritana de ver a realidade? Em que pontos a pedagogia de Jesus nos questiona, provoca ou critica? Em que pontos a ação evangelizadora de Jesus e da Samaritana nos questiona e em que pontos nos confirma? Em que pontos o ecumenismo de Jesus e da Samaritana nos questionam? Em que pontos a leitura que Jesus e a Samaritana fazem da Bíblia questiona ou confirma a nossa maneira de ler a Bíblia?

Pe. Vitus Gustama,SVD

09/03/2026- Segunda-feira Da III Semana Da Quaresma

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