sábado, 18 de julho de 2026

Segunda-feira Da XVI Semana Comum, Ano Par, 20/07/2026

CRER NUM DEUS MISERICORDIOSO E APRENDER A ENXERGAR DEUS ATRAVÉS DO SINAIS COTIDIANOS

Segunda-Feira Da XVI Semana Comum

Primeira Leitura: Mq 6,1-4.6-8

1 Ouvi o que diz o Senhor: “Levanta-te, convoca um julgamento perante os montes e faze com que as colinas ouçam tua voz”. 2 Ouvi, montes, as razões do Senhor em juízo, escutai-o, fundamentos da terra; a pendência do Senhor é com seu povo, ele disputa em juízo contra Israel. 3 “Povo meu, que é que te fiz? Em que te fui penoso? Responde-me. 4 Eu te retirei da terra do Egito e te libertei da casa da servidão, e pus à tua frente Moisés, Aarão e Maria”. 6 “Que oferta farei ao Senhor, digna dele, ao ajoelhar-me diante do Deus altíssimo? Acaso oferecerei holocaustos e novilhos de um ano? 7 Acaso agradam ao Senhor carneiros aos milhares e torrentes de óleo? Porventura ofertaria eu o meu primogênito, por um crime meu, o fruto do meu sangue pelos pecados da minha vida?” 8 Foi-te revelado, ó homem, o que é o bem, e o que o Senhor exige de ti: principalmente praticar a justiça e amar a misericórdia, e caminhar solícito com teu Deus.

Evangelho: Mt 12,38-42

Naquele tempo, 38 alguns mestres da Lei e fariseus disseram a Jesus: “Mestre, queremos ver um sinal realizado por ti”. 39 Jesus respondeu-lhes: “Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas. 40 Com efeito, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem estará três dias e três noites no seio da terra. 41 No dia do juízo, os habitantes de Nínive se levantarão contra essa geração e a condenarão, porque se converteram diante da pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas. 42 No dia do juízo, a rainha do Sul se levantará contra essa geração, e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Sa­lomão”.

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Chamados a Criar Silêncio Para Ouvir Deus Que Nos Chama à Conversão

Ouvi o que diz o Senhor: ‘Levanta-te, convoca um julgamento perante os montes e faze com que as colinas ouçam tua voz’”, lemos na Primeira Leitura tirada do profeta Miqueias. 

Como já se sabe que “Miqueias”, em hebraico, significa “Quem é como Javé (Yahweh)?”.  Um nome semelhante é “Michael” (Miguel): “Quem é como Elohim?”. Para o profeta Miqueias o Deus de Israel é incomparável, pois Ele perdoa a iniquidade e se esquece da transgressão (Cf. Mq 7,18). Em outras palavras, Deus é misericordioso que está do lado do pecador e não do pecado. Essa ideia proporciona a base para o pensamento e a proclamação do profeta em todo seu livro.

Miqueias viveu em tempos do rei Acaz (736-716 a.C) e Ezequias (716-687 a.C), e, portanto, foi contemporâneo do profeta Isaías, chamado por Deus para fazer ouvir Sua Palavra nos difíceis tempos anteriores à ruina de Judá. Do profeta Miqueias conhecemos, sobretudo, seu oráculo sobre Belém que lemos no Advento, porque anuncia que deste pequeno povo sairá aquele que governará e apascentará Israel (Mq 5,1; Mt 2,6).

Miqueias se enfrenta com os poderosos de sua época e denuncia com valentia seus despropósitos, pois os poderosos abusam do poder, tramam iniquidades, são cobiçados pelos bens alheios, roubam enquanto puderem, oprimem os demais, são idiólatras de si mesmos (egolatria). E,  consequentemente, o profeta Miqueias anuncia-lhes o castigo de Deus.

Miqueias coloca a cena desta denúncia em forma de uma estrutura judicial: O juiz (Deus), o acusador (Deus), e o acusado (o povo). Deus acusa o povo que não correspondeu aos benefícios recebidos de Deus na história de sua salvação até então. Estes benefícios, entre os quais, são a libertação do Egito, a bênção em vez de maldição por parte de Balaão, o mago, a derrota do rei Moab, passagem pelo rio Jordão e posse da terra prometida. A fidelidade de Deus, cerne de toda a história da salvação, exige a fidelidade do povo. Deus quer que o povo guarda bem tudo isso no seu coração (re-cor-dar). A partir da recordaçao  o povo vai compreender a ação de Deus na história do povo eleito. Tudo isso deveria levar o povo a praticar a justiça e a misericórdia para mostrar que o povo está andando com Senhor.                                                            

Miqueias não pode ficar em silêncio diante da infidelidade e das injustiças que são cometidos pelos poderosos (econômicos e políticos) contra Seu povo. O texto de hoje constitui uma chamada à conversão, a fazer o que é reto diante dos olhos do Senhor. Em sua reflexão, Miqueias quer mostrar ao povo a incoerência de seu comportamento diante de Deus. Com este fim, Miqueias se apresenta em primeiro lugar como o porta-voz de Deus diante do país. Deus tem um pleito, uma causa pública com seu povo. O povo, com seu comportamento injusto, mostra não reconhecer a retidão da atuação de Deus em sua história passada quando resgatou o povo da escravidão do Egito. Por isso, Deus lança as seguintes perguntas retóricas: Povo meu, que é que te fiz? Em que te fui penoso? Responda-me!”. O povo não pode ou não consegue responder. Miqueias convoca o povo para que faça sua reflexão: olhar suas próprias injustiças em contraste com a retidão e fidelidade de Deus. A ignorância ou o esquecimento da história, que recorda a atuação de Deus, não justifica o comportamento injusto do povo. A injustiça não é questão de esquecimento. O homem leva consigo o juízo de suas obras, enquanto sabe, e lhe é ensinado quais são obras boas e obras más. Para Miqueias, o culto se torna vazio de sentido, quando se pratica a injustiça social.

Por isso, o que Deus exige, através da boca do Profeta Miqueias, é defender e respeitar o direito e amar a fidelidade ou lealdade que se resumem na fiel e humilde obediência ao Senhor.

Uma experiência profunda com Deus nos leva a não separarmos o ato litúrgico da justiça social para com os pobres e débeis. Por isso, podemos entender a seguinte convocação do profeta Miqueias: “Ouvi o que diz o Senhor: ‘Levanta-te, convoca um julgamento perante os montes e faze com que as colinas ouçam tua voz... Ouvi, montes, as razões do Senhor em juízo, escutai-o, fundamentos da terra’”, assim disse o profeta Miqueias na Primeira Leitura.

Na Bíblia, os montes são um dos lugares escolhidos para os encontros com Deus: Monte de Sinai, Monte de Tabor, Monte Sião, Monte do Carmelo, Monte das bem-aventuranças e assim por diante. Todas as montanhas de Palestina desempenharam um papel do simbolismo do encontro com Deus. Na montanha se encontra o ar mais puro, mais vivificante, o silêncio fecundo, de grandes espaços; a impressão de imutabilidade, de fortaleza, de um vigor superior à fragilidade humana. Montanha é o lugar de topo, próximo do céu, lugar para o qual há que subir para ter uma visão ampla sobre a realidade. Montanha é o lugar onde há silêncio para possibilitar  o diálogo com Deus para que se alcance o vigor superior às fragilidades humanas e as visõe s de mediocridade. Ver tudo a partir de Deus ganha uma visão ampla sobre a vida e seus acontecimentos. Para esta situação é que o povo é convocado. No texto de hoje, Deus toma as montanhas como testemunha para o juízo que quer fazer contra Seu povo: “Ouvi, montes, as razões do Senhor em juízo, escutai-o, fundamentos da terra”.

Os perigos do poder e do dinheiro continuam sendo atuais. Em nosso mundo e nosso tempo continuamos presenciando a exploração e o abandono dos débeis, dos pobres, dos últimos, e presenciamos as injustiças flagrantes, as corrupções desenfreadas cometidas frequentemente, o abuso do poder para o próprio interesse da parte dos poderosos e dos políticos sem escrúpulo. Todo corrupto é preguiçoso, pois ele não quer trabalhar muito para ganhar muito. Ele trabalha o mínimo possível para ganhar o máximo por meios desonestos.

Precisamos estar conscientes de que a vida leva em si mesma os próprios princípios da retidão, pois a vida é um dom de Deus, veio do Deus Justo e fiel. A vida vinda de Deus é pura e imaculada. Por isso, a injustiça não é questão de esquecimento, pois o homem leva consigo o juízo de suas obras e sabe quais são as obras boas que devem ser feitas e as obras más que devem ser evitadas: “Foi-te revelado, ó homem, o que é o bem, e o que o Senhor exige de ti: principalmente praticar a justiça e amar a misericórdia, e caminhar solícito com teu Deus”. A lei de Deus não está escrita em um papel e sim no coração do homem. Nenhum homem é capaz de se mentir a si mesmo. O próprio homem é a testemunha da própria vida. Se a vida que vem de Deus é pura e imaculada, logo a vida deve voltar para Deus do jeito que veio: pura e imaculada. Fora disso significa a exclusão da salvação eterna.

Tudo Na Vida Fala De Deus. É Preciso Criar o Silêncio Para Captar Seu Significado

“Mestre, queremos um sinal realizado por Ti”. Este é o pedido dos escribas e fariseus para Jesus. É uma pergunta com intenção de investigar Jesus e até de refutar Jesus.

Percebendo a malícia dos escribas e fariseus, Jesus logo os chama de “geração má e adúltera”. “Geração má” é a geração que pratica a maldade, que não aceita a compaixão e a justiça. É “Geração adúltera”, porque, para manter os privilégios, essa geração adulterava a lei (Is 10,1-2) e oprimia o povo (Mt 23,1ss). O adultério, na crítica de Jesus, é toda a alteração dos princípios fundamentais da justiça para obter ganhos. É sacrificar a justiça em nome do dinheiro.

“... nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas”. O sinal de Jonas serve de paradigma para os os escribas e fariseus (investigadores). No livro de Jonas conta-se que Jonas prefere morrer a aceitar a proposta de Deus de ir até Nínive para converter os ninivitas. Para Jonas, os ninivitas merecem a morte, a vingança e o ódio, porque eles dominaram o Reino de Samaria em 722 a.C. Por isso, aqui, Jonas serve de o arquétipo do judeu duro, como os escribas e fariseus em geral, vingativo e sem espaço para o perdão. Jonas chegou a fazer tentativa de suicidar ao jogar-se ao mar do que ir a Nínive para converter aquela cidade. Mas Deus quer salvar todos os homens e quer a conversão de todos antes que o julgamento final aconteça.

Em profeta Jonas encontram-se duas coisas opostas. Encontra-se a resistência do homem diante de Deus. Mas encontra-se também a misericórdia infinita de Deus por todos. Em Deus não encontra a inimizade, pois "Deus é amor" (1Jo 4,8.16). No fim da caminhada Jonas reconhece a misericórdia de Deus. Jonas, contra a sua vontade, foi profeta da misericórdia. Jesus é maior do que Jonas, pois Jesus é a própria misericórdia de Deus que se doa para salvar todos os homens.

Sempre estamos tentados em fazer para Deus esta pergunta: “Senhor, queremos um sinal realizado por Ti”. Além disso, queremos ainda mais fazer uma ladainhas de perguntas para Deus. Por que Deus não escreveu seu Nome no céu para o ser humano ler e acreditar nele sem dificuldade? Por que Ele não nos dá uma prova expressa de Sua existência de maneira que nossa dúvida se torne impossível? Assim os ateus, os pagãos e os adeptos de qualquer religião ficariam tranquilos? Por que Deus não faz, então, este sinal? Simplesmente porque Deus não é o que pensamos.

A imagem de Deus que temos nem sempre é o próprio Deus. Até acontece muitas vezes que ficamos mais com uma suposta imagem de Deus do que com o próprio Deus. Agarramos, muitas vezes, uma suposta imagem de Deus do que o próprio Deus.  Deus é um Deus de amor (1Jo 4,8.16), e estamos sempre tentados a atribui-lhe outro papel. Deus não quer ser servidor dos caprichos dos homens. Deus é diferente e é o Diferente por excelência.

O sinal de Deus, por excelência, é a morte de Jesus na cruz por amor aos homens (Jo 3,16; 13,1) e a sua ressurreição, pois Deus é a Vida (Jo 14,6). É o mistério pascal de Jesus Cristo.

Pedimos “sinais” a Deus.  E ele nos dá muitos sinais na nossa vida; mas não sabemos vê-los nem sabemos interpretá-los ou não temos tempo para interpretar os sinais de Deus na nossa vida. Não há nenhum dia em que Deus não dê sinal para cada um de nós. O mundo e a história estão cheios de sinais de Deus. Um dos objetivos da “revisão de vida” é o de aprender uns dos outros a ver e a ler os sinais de Deus nos acontecimentos e na própria vida de cada um de nós. Deus trabalha no mundo. Nele é que o mistério pascal continua se realizando. Deus nos dá sinais, mas são sinais discretos e não espetaculares. É preciso ter muita serenidade para captar e entender os sinais de Deus na nossa vida e os sinais que estão ao nosso redor.

Deus está tão próximo de Deus. “Estava no mundo e o mundo não O conheceu”, escreveu são João (Jo 1,10). Deus continua atuando nos olhos dos que choram pela dignidade pisada pelos demais homens, nos que sofrem por serem justos, honestos, e verdadeiros; nos que trabalham pela paz apesar da resistência diante da reconciliação; em quantos trabalham pela erradicação da fome e da pobreza apesar da exploração e da corrupção de alguns grupos insensíveis às questões sociais; em todo o homem e a mulher que procuram Deus com coração sincero apesar das dores encontradas na vida. A sua vontade de rezar e de meditar a Palavra de Deus é sinal de que o Espírito de Deus continua atuando em você. O Espírito de Deus continua atuando em você quando reza por si e pelos outros; Ele está em quantos estão sempre prontos para ajudar quem está em necessidade. Numa palavra, em tudo o que é bondade e amor, paz e bem porque tudo isto é reflexo e semente do sinal básico do sacramento perene do próprio Deus. Em tudo que aconteceu e acontece e acontecerá na nossa vida Deus quer nos dizer alguma coisa a respeito de nossa salvação, mas que nem sempre sabemos criar o silêncio para ouvir a mensagem de Deus. O silêncio é o vazio fecundo que possibilita a presença do Eterno, ou da Plenitude na nossa vida.

Jesus não quer que nossa fé se baseie unicamente nas coisas maravilhosas (milagres etc.), e sim na Sua Palavra: “Se vocês não vissem sinais, não acreditariam(Jo 4,48). Temos sorte do dom da fé. Para crer em Jesus Cristo não necessitamos de milagres novos. Basta ter a fé, seremos felizes (Jo 20,29; cf. Hb 11,1). Sua ressurreição é suficiente para qualquer cristão. A ressurreição de Jesus é o maior de todos os milagres que nos leva a termos a esperança de que temos um futuro com Deus. A fé não é ciosa de provas exatas, nem se apóia em novas aparições nem em milagres espetaculares ou em revelações pessoais. Jesus já nos felicitou: “Felizes os que crêem sem terem visto” (Jo 20,29). Deus está muito mais no nosso coração do que na nossa cabeça. O coração sente aquilo que os olhos não vêem. Deus cabe no nosso coração e não na nossa cabeça.

O Concilio Vaticano II, através de um dos seus famosos documentos, chamado Gaudium et Spes, afirma: é dever da Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho; para que assim possa responder, de modo adaptado em cada geração, às eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida presente e da vida futura, e da relação entre ambas. É, por isso, necessário conhecer e compreender o mundo em que vivemos, as suas esperanças e aspirações, e o seu caráter tantas vezes dramático” (GS, no.4).

P. Vitus Gustama,svd

sexta-feira, 17 de julho de 2026

XVI Domingo Do Tempo Comum, Ano "A", 19/07/2026

CONFIEMOS EM DEUS, POIS ELE TEM A ÚLTIMA PALAVRA PARA NOSSA VIDA: PALAVRA QUE SALVA

XVI Domingo Comum Ano “A”

Primeira Leitura: Sb 12,13.16-19

13 Não há, além de ti, outro Deus que cuide de todas as coisas e a quem devas mostrar que teu julgamento não foi injusto. 16 A tua força é princípio da tua justiça, e o teu domínio sobre todos te faz para com todos indulgente. 17 Mostras a tua força a quem não crê na perfeição do teu poder; e nos que te conhecem, castigas o seu atrevimento. 18 No entanto, dominando tua própria força, julgas com clemência e nos governas com grande consideração; pois, quando quiseres, está ao teu alcance fazer uso do teu poder. 19 Assim procedendo, ensinaste ao teu povo que o justo deve ser humano; e a teus filhos deste a confortadora esperança de que concedes o perdão aos pecadores.

Segunda Leitura: Rm 8,26-27

Irmãos: 26 O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza. Pois nós não sabemos o que pedir nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis. 27 E aquele que penetra o íntimo dos corações sabe qual é a intenção do Espírito. Pois é sempre segundo Deus que o Espírito intercede em favor dos santos

Evangelho: Mt 13,24-43

Naquele tempo, 24Jesus contou outra parábola à multidão: “O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo. 25Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora. 26Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. 27Os empregados foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?’ 28O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os empregados lhe perguntaram: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’ 29O dono respondeu: ‘Não! Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. 30 Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!’” 31Jesus contou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. 32Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem ninhos em seus ramos”. 33Jesus contou-lhes ainda uma outra parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”. 34Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, 35para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo”. 36Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!” 37Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. 38O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. 39O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifeiros são os anjos. 40Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: 41o Filho do Homem enviará seus anjos, e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; 42e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí haverá choro e ranger de dentes. 43Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”.

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Um Olhar Geral Sobre As Leituras Deste Domingo

A onipotência e a paciência de Deus é o tema que aparece com claridade na liturgia deste domingo.

O Evangelho deste Domingo nos oferece novamente a imagem de um semeador para nos falar do Reino de Deus (o evangelista Mateus usa a expressão “o reino dos céus” para não pronunciar o nome de Deus em função do respeito que os judeus tem para com Deus). O semeador lança boa semente no campo. Mas, à noite, o inimigo semeia joio, uma planta nociva e venenosa. Os trabalhadores, indignados pela astúcia do inimigo, querem arrancar o mais rapidamente o joio que ameaça o crescimento do trigo. Porém o dono do campo impede que façam isso, pois existe o risco de que, junto ao joio, se arranque também o trigo. É a morte certa para os dois sem nenhuma oportunidade para o trigo produzir grãos. Os servos são proibidos pelo agricultor de arrancar o joio. Aqui se revela o centro da parábola. Ou seja, a paciência. No final o próprio agricultor fará esse ato (separação). Trata-se de um convite a viver a paciência diante da presença da maldade no campo do Reino de Deus.

Este semeador generoso com a boa  semente e paciente diante da adversidade não desejada, é o Filho do Homem (Jesus Cristo) que semeia a boa semente, que são os cidadãos do Reino de Deus. Jesus não exclui os pecadores (os maus), mas os procura; corre atrá deles e, solícito, os acolhe. Jesus segue o pecador e com amor Ele persegue os desanimados e lhes dá tempo para uma conversão sincera. Basta os pecadores acolherem o convite do Senhor é que o joio (o mau) transformará em trigo (o bom). Deus quer salvar todos. Quem deseja a salvação  deve ter um coração disposto para a conversão. O poder de Deus é infinito e também sua paciência. Não permite que ceifadores arranquem o joio. Ao contrário, ele os convida a ter paciência até o tempo da colheita. O trigo deverá crescer junto ao joio e todos deverão seguir o exemplo da paciência do semeador. Precisamente porque Ele é todo-poderoso e tem em sua mão os destinos do mundo é que ele tem paciência e misericórdia com todos.

O texto do Livro de Sabedoria, que lemos na Primeira Leitura (Sb 12,13.16-19), chega à mesma conclusão depois de perguntar-se sobre a razão pela qual Deus se mostra tão misericordioso em relação ao Egito (Sb 11,15-20) e Canaã (Sb 12,1-11): Não há, além de ti, outro Deus que cuide de todas as coisas... A tua força é princípio da tua justiça, e o teu domínio sobre todos te faz para com todos indulgente”.

E no texto da Segunda Leitura, tirado da Carta aos Romanos (Rm 8,26-27), são Paulo nos mostra como o Espirito Santo vem em ajuda de nossa debilidade e nos ensina a rezar(orar) como devemos. Através da ação deo Espirito Santo, quando estiver aberto a Ele, o cristão chega a compreender o atuar misericordioso de Deus. Somente o Espirito Santo que sonda os corações sabe suscitar o sentimento e a oração apropriada diante da Santidade de Deus.

Tudo isto a parábola quer nos mostrar algo evidente no mundo que vivemos. Junto ao bem e aos cidadãos do Reino, a boa semente, existe o mal e existem também os operadores da iniquidade, que existem pessoas que se deixam arrastar pelo mal, pela corrupção, pela roubalheira, pela injustiça, e assim por diante.

Diante desta situação, surge, espontaneamente, em nossos corações, como nos empregados da parábola, o desejo de pôr rápida solução para as pessoas em questão, eliminando-as de nossa convivência. Os empregados da parábola não aprecem dispostos a tolerar uma situação que exigirá deles paciência, discernimento, prudência e moderação. A parábola quer nos mostrar que a onipotência de Deus se manifesta em sua misericórdia. O juízo sobre o coração humano, por seu caráter absoluto e definitivo, corresponde somente a Deus que sonda ou perscruta o coração humano. E o juízo de Deus se reserva para o final dos tempos. Por isso, podemos entender que, na sua primeira Carta aos Coríntios, são Paulo nos adverte: “Não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então cada um receberá de Deus o louvor que merece” (1Cor 4,5).

Mas quem é fraco e débil, reage com violência e prepotência diante de qualquer perigo ou ameaça que lhe afeta. Paradoxalmente, a violência e a prepotência revelam muito mais nossa fraqueza do que nossa força. São Paulo tinha razão ao escrever: “Quando me sinto fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,10b). O reconhecimento da fraqueza revela a existência da força em nós; o reconhecimento de nossos pecados mostra que existe a santidade crescente em nós.

O tempo de Deus é, para nós, o tempo de crescimento e de esperança com muita paciência diante do sofrimento. O semeador e os trabalhadores devem armar-se de paciência e acompanhar de perto o crescimento de suas plantas, sabendo em todo caso, que a colheita está assegurada pela onipotência de Deus. A paciência dos trabalhadores nasce da paciência de Deus e de sua misericórdia que não fica desesperado jamais e sempre propõe e repropõe as vias da salvação. O Livro de Sabedoria o expressa de maneira clara e sintética sobre a atitude de Deus: Assim procedendo, ensinaste ao teu povo que o justo deve ser humano; e a teus filhos deste a confortadora esperança de que concedes o perdão aos pecadores” (Sb 11,9).

Nisto compreendemos o sentido da parábola do grão de mostarda e a do fermento. Estas parábola são uma chamada entusiasta à fé e à esperança. O Reino de Deus tem origens minúsculas. Jesus semeou a Palavra durante, mais ou menos, três anos para um grupo de pessoas simples humildes em um lugar escuro do império. No entanto, daquelas origens humildes veio à luz uma realidade esplêndida. Esta lei evangélica continua tendo vigência para nosso tempo e para qualquer tempo e lugar. Tudo aquilo que é feito por Deus nasce no pequeno, no simples para que se manifeste que é Deus, não o homem, quem dá fecundidade e bom êxito para a tarefa de evangelização. O joio (fracasso) não poderá jamais o fruto total da colheita. Há que seguir semeando! Há que olhar para o futuro com muita esperança e fé em Deus, sem reter-se no passado. Há que vencer o mal com o bem. Quanto maiores forem as sombras que cobrem o mundo, tanto maior deve ser a presença dos cristãos, cidadãos do Reino. Trata-se da presença da boa semente capaz de embelezar a humanidade. Não percamos tempo nas murmurações, lamentações, críticas. Nossa vida aqui neste mundo é o  tempo dado por Deus para semear o que bom. Não nos preocupemos com pessoas vão usufruir da bondade semeada e sim semear e semear. Quantas mangueiras cujas mangas comemos, quantos coqueiros cujos cocôs saboreamos e tantas outras plantas que foram plantadas por nossos pias ou nossos antepassados que não estão mais aqui neste mundo, no entanto usufruímos sua bondade. Semeemos!

Um Olhar Especial Sobre O Evangelho Deste Domingo

O Reino de Deus É Um Acontecimento Cotidiano

Estamos ainda no terceiro discurso de Jesus sobre o Reino dos Céus em parábola (Mt 13). O Reino dos Céus é como...”, assim Jesus disse.

O Reino de Deus se parece como uma rede que se joga no mar e apanha todo tipo de peixes. Quando está cheia se arrasta para a margem. O Reino de Deus se parece como um tesouro escondido num campo que, ao encontrá-lo, o homem vende tudo o que tem para comprar o campo onde se encontra o tesouro. O Reino de Deus se parece como uma semente de mostarda que o homem semeou no campo que vira uma planta maior onde os pássaros podem fazer seus ninhos. O Reino de Deus se parece como o fermento que uma mulher mistura com a massa e esta cresce. Tudo isso quer nos dizer uma coisa: O Reino de Deus se parece sempre a um sucesso. Confiar em Deus sempre termina na salvação que é o sucesso maior para um ser humano.

O Reino de Deus não é um lugar, nem uma coisa, nem uma organização imponente. Por isso, o Reino de Deus não está circunscrito geograficamente, nem institucionalmente, nem sequer pode dizer-se com precisão. O Reino de Deus é um acontecimento, é algo que sucede em qualquer parte dentro deste mundo. Para entrar nele não é necessário mudar de profissão, nem sair de um lugar para outro lugar ou de uma Igreja para outra Igreja, nem abandonar o mundo. O mais importante e essencial é mudar de vida, pois o Reino de Deus é uma vida nova, uma vida com Deus, uma vida de amor fraterno, uma vida de justiça, uma vida de igualdade, uma vida de sucesso, uma vida de salvação. O princípio desta vida está em Deus. Deus tem a iniciativa, pois Ele quer nos salvar por amor. Cristo é o princípio e a origem deste acontecimento que chamamos Reino de Deus. A partir de Cristo, algo passa no mundo, ainda que ninguém o note, pois o Reino de Deus acontece no silêncio. No silêncio Deus tem oportunidade para nos falar e para falar sobre nós. No silêncio da Cruz, no silêncio da semente que se morre, no silêncio do fermento que fermenta a massa. Do silêncio sai o resultado surpreendente para a humanidade. O silêncio é o início de uma obra prima.

Semente/grão, massa, fermento e pão, rede e peixe, tesouro incalculável encontrado. Tudo isto tem a ver com a vida do homem, com sua subsistência. Toda vez que Deus fala, toda vez que a Palavra de Deus é proclamada é porque tudo tem a ver com a salvação do homem, tem a ver com sua felicidade, sua paz, sua esperança e o sentido de sua vida neste mundo.

Onde há um homem que viva para os demais, onde há um homem que defenda a justiça, onde há uma mulher que se sacrifique para que um ser possa viver, onde há um enfermo que sofra com esperança e fé, onde há médico e enfermeiro que se dedique heroicamente para recuperar a saúde do paciente, onde há um jovem que busque a verdade, que busque um caminho correto, um ancião que olhe com serenidade o futuro, um governante ou político que reconheça seus erros para dar o melhor para a sociedade, e assim por diante, ali não passam somente coisas da vida; ali acontece o Reino de Deus.

O evangelho deste domingo apresenta três parábolas do Reino: a do trigo e joio com a explicação da parábola (vv.24-30.36-43); e a dupla parábola do grão de mostarda e do fermento (vv.31-35).

O Joio No Meio Do Trigo: a Paciência de Deus É a Salvação Do Homem         

A parábola do joio é exclusiva de Mateus (encontra-se também no Evangelho apócrifo de são Tomé). O termo grego para o joio, de origem semita, é “zizánion”. O joio é uma planta da família das gramíneas (lolium temulentum) que cresce no meio do trigo que dificilmente se distingue do bom trigo durante o seu crescimento; só se vê a diferença nas espigas. As espigas do trigo alimentam o homem (animal), enquanto o joio produz uma espiga de grãos escuros de efeito altamente tóxico. Mas, na verdade, não há necessidade saber da espécie de erva parasita que Jesus fala nessa parábola; basta saber que se trata de uma planta nociva.         

Esta parábola conta uma cena da vida cotidiana: o dono do campo que semeia a boa semente, o inimigo que prejudica o campo de trigo ao semear o joio, as relações entre o patrão e os empregados. Tudo parece normal, exceto a surpreendente reação do dono do campo: deixar que ambos (joio e trigo) cresçam juntos. A atitude do dono, evidentemente, chama a atenção dos ouvintes, porque a atitude normal é arrancar logo o joio para que o trigo possa crescer saudavelmente a fim de produzir boas espigas (bons grãos). O dono sabe que o joio pode impedir ou dificultar o crescimento do trigo, mas os dois parecem muito ao princípio e é possível que ao arrancar o joio, arranquem também o trigo. O dono quer que se espere o tempo da colheita para separar o trigo do joio.           

Evidentemente a parábola do joio orienta-se para o fim dos tempos, pois ela trata do juízo final, que introduz o Reino de Deus. Nesta parábola rejeita-se expressamente a ideia duma separação antes do tempo, e exorta-se à paciência até chegar o tempo da colheita. Os homens não estão absolutamente em condição de fazer esta separação (v.29), pois ao fazer separação que é a competência de Deus, os homens cairiam em erros de julgamento, e os dois (joio e trigo) acabam morrendo juntos, pois quem julga o outro, cai também no julgamento (Mt 7,1).          

Infelizmente a tendência espontânea dos homens é a de repartir a humanidade em duas categorias: os bons e os maus. E os maus sempre são os outros e os bons sempre somos nós. Por isso, somos intolerantes para as faltas alheias, mas muito amigos de nos autojustificarmos, e muito ligeiros a desculpar-nos. Que as bênçãos de Deus caiam sobre nós e nossa família, e as maldições sobre os maus, sobre os inimigos, sobre os criminosos e corruptos, ladrões e bandidos. Com isso, somos maus do mesmo jeito. Com esta atitude os homens, no fundo até inconsciente, tem uma tendência espontaneamente sectária e intolerante. O outro o amedronta enquanto não se tornou seu “semelhante”. O mal e o bem não estão só fora de nós, mas dentro do nosso coração. Ao esquecermos isto, nos constituímos juízes dos outros. Ninguém pode ter a presunção de ser trigo limpo, porque ninguém é tão bom que não tenha algum joio. Somente Deus é bom plenamente (Mc 10,18).          

Através desta parábola Jesus quer revelar também a paciência de um Deus que adia o julgamento (vv.28-30) a fim de deixar ao pecador o tempo para se converter. A porta da misericórdia está aberta até os últimos minutos da vida do homem. Apesar de ter na sua mão todo o poder, Deus se mostra tolerante e paciente para com a sua criatura, o homem, que é débil e pecador. Ele não exclui ninguém do Reino: todos são convocados até o último minuto, todos podem entrar nele até no último minuto de sua vida (cf. Lc 23,40-43). A cólera não é a última palavra da manifestação divina. O perdão sempre prevalece sobre quem se converte. A paciência divina está aberta para todos aqueles se convertem.           

Por sua atitude durante toda a sua vida, Jesus encarna a paciência de Deus em relação aos pecadores. Não existe pecado que não possa ser perdoado por Deus, se o pecador se converter; nenhum pecado arranca o homem do poder misericordioso de Deus. O perdão de Deus deixa as sombras para trás na vida do homem. Perdão é o momento de entrar na luz divina diante da qual tudo se torna claro.

A paciência de Jesus causa escândalo porque testemunha um amor a Deus e à humanidade baseado na total abnegação ou no desprendimento. Aceitar os laços de amor que Jesus oferece à humanidade implica, por sua vez, aceitar essa exigência de pobreza radical. Mas as pessoas temem renunciar a tudo porque sentem que perderão tudo. Jesus nos convida a perder tudo para ganhar tudo quando nos revela, por meio de sua vida e morte, o mistério da paciência divina.          

Ou seja, o segredo desta paciência de Jesus é o amor. Jesus ama o Pai com o mesmo amor com que é amado, pois é o Filho. Jesus ama os homens com o mesmo amor com que o Pai os ama. Talvez a expressão joanina seja melhor para descrever o amor de Jesus: “...amou-os até o fim” (Jo 13,1). Jesus ama os homens até em seu pecado. Foi o pecado dos homens que conduziu Jesus à cruz. No momento supremo em que o desígnio divino parece comprometido pela atitude dos homens, o amor se faz totalmente misericordioso: “Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem(Lc 23,34). Jesus, realmente, amou os homens até o fim. Segundo o evangelista Lucas, a última palavra de Jesus para o homem é o perdão. A última palavra de Jesus para o Deus Pai é a entrega total de sua vida: “Pai, em tuas mãos entrego meu espirito”.          

Por ser membro do Corpo de Cristo, todos nós temos a missão de encarnar a paciência de Jesus. É na paciência que se conquista a vida (Lc 21,19). A paciência não é passividade. A paciência é resistir com firmeza. A paciência é o período entre o semear e o colher. A paciência é uma virtude dos fortes e prudentes.          

Nossa tarefa neste mundo não é a de repartir os homens entre os bons e os maus, embora ninguém escape da tentação de intolerância e da impaciência, mas a de revelar o amor misericordioso de Deus. Ninguém por si tem o direito de se constituir critério para o seu irmão. Não o irmão justo é o nosso critério, mas o Deus santo e misericordioso. Aqui na terra, o trigo está sempre misturado com o joio, e a linha de demarcação entre um e outro passa em todo homem. O cristão e a cristã são chamados a exercer sua função como pedra insubstituível na construção do Corpo de Cristo e a cooperar de modo original na realização da história da salvação. Quando o cristão não se tornar mais o sinal do amor de Deus, a missão automaticamente degrada-se em propaganda ou em tentativa de autopromoção. Para isso, temos que nos renovar sem cessar por dentro através do alimento da Palavra de Deus e da Palavra que se faz carne na Eucaristia.          

Além disso, essa parábola serve de exortação para todos os cristão. Deus deixa conviver os bons com os maus, sem pressa de fazer juízo. E nessas circunstâncias não sabemos se fazemos parte do grupo dos bons ou do dos maus; se somos do trigo ou do joio. Mas como Deus tem paciência, sempre é tempo de tentarmos produzir alguma coisa positiva, e rendermos para a vida presente e para a vida eterna. Além disso, a conversão é um trabalho silencioso de cada dia. Deus está sempre esperando nossa volta, como o pai que espera a volta do filho pródigo. 

Para Refletir:

·      ’Porém, enquanto os homens dormiam, veio seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e foi-se’. Com estas palavras nos faz ver que o erro vem depois da verdade, como atesta o decorrer dos fatos. Assim, depois dos profetas vieram os falsos profetas, depois dos apóstolos os falsos apóstolos, e depois de Cristo, o Anticristo.” (São João Crisóstomo In Homiliae in Matthaeum, hom. 46,1).

·      “Quando algum cristão no seio da Igreja for pego num pecado digno de anátema, seja anatematizado onde não houve perigo de cisma, e faça-se com amor, não a fim de eliminá-lo, mas de corrigi-lo. Mas se ele não reconhecer nem se corrigir através da penitência, ele mesmo irá para fora e será separado da comunhão da Igreja por sua própria vontade. Por isso o Senhor, como dissesse: Deixai crescer uma e outra coisa até à ceifa, acrescentou a razão nas palavras seguintes: para que talvez  não suceda que, arrancando o joio, arranqueis juntamente com ele o trigo.” (Santo Agostinho In Contra epistolam Parmeniani, 3,2);

A Dupla Parábola Do Grão De Mostarda E Do Fermento: Com Deus Tudo Terminará Com Sucesso         

As duas parábolas (grão de mostarda e fermento) são muito parecidas em seu conteúdo e sua forma. A mostarda é uma planta que atinge facilmente uma altura de mais de dois metros e é cultivada por causa de seus grãos. As sementes são muito pequenas: não mais de um milímetro de comprimento. O fermento é bem conhecido no mundo culinário para fermentar a massa a fim de que ela cresça mais depressa.  Um pouco de fermento pode fazer crescer uma grande quantidade de massa.      

O aspecto mais chamativo nestas duas parábolas é o contraste que existe entre a situação inicial e o resultado final. Um grão de mostarda, sendo a mais pequena das sementes, pode fazer surgir uma “árvore” grande, e o mesmo acontece com o fermento que tem capacidade para fazer fermentar uma grande quantidade de massa.          

Através destas parábolas, Jesus fala da presença do Reino que está começando a chegar: embora sua presença seja germinal e sua aparência seja insignificante, mas leva dentro de si uma força transformadora e seu crescimento será irreversível. Ambas as parábolas acentuam a desproporção entre os princípios insignificantes do Reino e o seu esplendoroso final. Ainda assim, cada uma das parábolas tem seu matiz próprio: a do grão de mostarda fala do crescimento do Reino em extensão, e a do fermento em intensidade. Jesus quer nos dizer que o Reino de Deus é uma realidade oculta e quase imperceptível no seu desenvolvimento, tão lento que os nossos olhos não podem vê-lo no instante em que se está produzindo. Só com comprovações distanciadas no tempo podemos verificar o seu crescimento, como se passa com as crianças e as plantas.          

Com estas parábolas o Senhor quer, então, difundir esperança e ânimo a seus discípulos e todos os seus seguidores. Os seguidores não devem admitir nunca o desalento nem o pessimismo derrotista. O Reino de Deus chega indefectivelmente, graças a Cristo ressuscitado e ao seu Espírito. Esta é o fundamento de nossa esperança. É importante que ninguém segure eternamente a semente na mão, deve plantá-la para torná-la uma árvore; como também o fermento, deve misturá-lo com a massa, para torná-lo junto com a massa em pão saboroso.          

Por outro lado, Jesus justifica seu modo de evangelizar que não correspondia às expectativas de triunfalismo e espetaculariedade com que os judeus imaginavam a irrupção do Reino de Deus na era messiânica. O crescimento do Reino de Deus segue um processo desconcertante para a nossa impaciência e intolerância. Ele não permite o derrotismo pessimista nem o desespero, porque o êxito final é de Deus, que tem nas suas mãos as chaves da história humana. Não cabe ao cristão ficar decepcionado porque o resultado não aparece logo. Não é o jardineiro que faz crescer a árvore e as flores: ele rega, aduba e protege, mas a força vem de dentro, da própria semente. O jardineiro não pode parar de plantar, regar, adubar e proteger. Todos nós somos jardineiros da semente do Reino de Deus.

P. Vitus Gustama,SVD

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Sábado Da XV Semana Comum, Ano Par, 18/07/2029

JESUS É O AMOR ENCARNADO DE DEUS PARA SALVAR A HUMANIDADE

Sábado da XV Semana Comum

Primeira Leitura: Mq 2,1-5

1 “Ai dos que tramam a iniquidade e se ocupam de maldades ainda em seus leitos! Ao amanhecer do dia, executam tudo o que está em poder de suas mãos. 2 Cobiçam campos, e tomam-nos com violência, cobiçam casas, e roubam-nas. Oprimem o dono e sua casa, o proprietário e seus bens. 3 Isto diz o Senhor: “Eis que tenciono enviar sobre esta geração perversa uma desgraça de onde não livrareis vossos pescoços; não podereis andar de cabeça erguida, porque serão tempos desastrosos. 4 Naquele dia, sereis assunto de uma alegoria, de uma canção triste que diz: ‘Fomos inteiramente devastados; a parte de meu povo que passou a outro por ninguém lhe será restituída; os nossos campos são repartidos entre infiéis’. 5 Por isso, não terás na assembleia do Senhor quem meça com cordel as porções consignadas por sorte”.

Evangelho: Mt 12, 14-21

Naquele tempo, 14 os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus. 15 Ao saber disso, Jesus retirou-se dali. Grandes multidões o seguiram, e ele curou a todos. 16 E ordenou-lhes que não dissessem quem ele era, 17 para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 18 “Eis o meu servo, que escolhi; o meu amado, no qual ponho a minha afeição; porei sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará às nações o direito. 19 Ele não discutirá, nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas praças. 20 Não quebrará o caniço rachado, nem apagará o pavio que ainda fumega, até que faça triunfar o direito. 21 Em seu nome as nações depositarão a sua esperança”.

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Praticamos a Justiça Para Não Tratarmos Injustamente Nossos Irmãos

Ai dos que tramam a iniquidade e se ocupam de maldades ainda em seus leitos! Ao amanhecer do dia, executam tudo o que está em poder de suas mãos. Cobiçam campos, e tomam-nos com violência, cobiçam casas, e roubam-nas. Oprimem o dono e sua casa, o proprietário e seus bens”.

Durante três dias, a partir de hoje, vamos meditar sobre algumas passagens do livro do profeta Miqueias. Seu nome em hebraico significa “Quem é como Yahweh?”. Um nome semelhante é Micael: “Quem é como Elohim?”. O nome é adequado para o homem que perguntou: “Quem, ó Deus, é semelhante a Ti, que perdoas a iniquidade, Te esqueces da transgressão do restante da tua herança?” (Mq 7,18). Em outras palavras, o Deus de Israel é incomparável. Sobre esta ideia é que o profeta Miqueias constrói seu pensamento e sua pregação no seu livro.

Miqueias atuou na primeira metade do século VIII a.C no reino de Judá (reino do Sul) durante os reinados de Jotão, Acaz e Ezequias. Foi, portanto, contemporâneo  de Isaías em Jerusalém e veio um pouco depois dos profetas Amós e Oséias.

Como Amós, também oriundo de uma aldeia, Miqueias utiliza imagens do campo, como os feixes trazidos para a eira e os chacais uivando à noite. Miqueias detesta  as capitais Samaria e Jerusalém. Sobre Jerusalém, ele diz: “Seus ricos estão cheios de violência, seus habitantes mentem e sua língua é falsidade em suas bocas” (Mq 6,12). Por causa disso, ele prediz a destruição da cidade de Jerusalém: “Por isso, por culpa vossa, Sião será arada como um campo, Jerusalém se tornará um lugar de ruínas” (Mq 3,12). Do mesmo modo, ele prediz a destruição da capital do reino de Norte, Samaria (Cf. Mq 1,6.7).

Miqueias é um camponês  de Moreset Gat (mais ou menos 35 km a sudoeste de Jerusalém). Foi chamado por Deus para fazer ouvir Sua palavra nos tempos difíceis anteriores à ruina de Judá. Na sua época os poderosos praticam as injustiças com a cumplicidade dos juízes. Há a falsa pidedade que encobre a injustiça com o culto provocador de falsa segurança. O abismo entre os ricos e os pobres fica cada vez maior. Há a idolatria que se expressa no compromisso com os cultos estrangeiros. Miqueias enfrenta os poderosos de sua época e denuncia com valentias abusos dos poderosos, dos que praticam a iniquidade, que cobiçam os bens alheios, que roubam sempre que podem, que oprimem os demais. Miqueias é um profeta cheio do Espírito do Senhor e de fortaleza para denunciar os crimes praticados contra o povo de Deus: sistema socioeconômico injusto, divisão social em classes, cobiça no coração, esquecimento de Deus e de Sua lei.

A partir dessa situação o profeta Miqueias anuncia o castigo  devastador do Senhor contra Samaria e Jerusalém. Apesar disso, Miqueias vislumbra a esperança: Miqueias quer mostrar que Deus chama o ser humano a mudar, tocando seu coração, com palavras de denúncia e, sobretudo, com palavras de amor e de esperança. O castigo tem função para provocar a conversão. Por isso, o profeta percebe sinais de um futuro diferente: surgirá o rei messiânico, descedente de Davi, do humilde clã de Efrata. O pequeno resto será instrumento de Deus para a purificação. Deste profeta conhecemos, sobretudo, sua oráculo sobre Belém: “Mas tu, Belém-Efrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti sairá para mim aquele que governará Israel (Mq 5,1), que lemos no Advento, porque anuncia que deste pequeno povo sairá Aquele  que apascentará todo o povo de Israel (Mt 2, 6).

Miqueias é um profeta do protesta social, o porta-voz do homem pobre e comum, explorado pelas classes superiores. Ele denuncia o sistem ganancioso e hipócrita: Seus chefes julgam por suborno, seus sacerdotes ensinam por salário e seus profetas vaticinam (profetizam) por dinheiro. E, contudo, se apoiam em Iahweh, dizendo: ‘Não está Iahweh em nosso meio? Não virá sobre nós a desgraça(Mq 3,11). Ele vitupera (censura/repreende severamente) contra os mercadores trapaceiros, com suas balanças e pesos fraudados, e encontra os proprietários de terras que “cobiçam campos e os roubam” (Mq 2,2).

Como os demais profetas, Miqueias é, ao mesmo tempo, violento/duro e pacífico nas suas denúncias. É ameaçador quando denuncia a injustiça ou idolatria, como lemos no texto da Primeira Leitura de hoje. Apesar disso, ele é um profeta cheio de esperança para consolar o povo. Miqueias acredita que a verdadeira fé vem do coração e não de sacrifícios fromais: “Terá Iahweh prazer nos milhares de carbeiros ou nas libações de torrentes de óleo? ... O que Iahweh exige de ti: nada mais do que praticar o direito, gostar do amor e caminhar humildemente com o teu Deus” (Mq 6,7.8).

Apesar de tudo isso, o profeta Miqueias consegue vislumbrar-se a esperança. O castigo serve para provocar a conversão. A o profeta percebe sinais de um futuro diferente: o surgimento do rei messiânico, descendente de Davi que une todas as tribos dispersas e ele imagina a paz reinante até os confins da terra.

Diante daquilo que está por ver e por vir, no horizonte da esperança, não cabem medos nem chantagens de segurança nem conservadorismo. Paradoxalmente, pode-se dizer que o único seguro diante da vinda do Senhor (rei messiânico) é o êxodo, a aventura do êxodo, é ser missionário. Como dizem os profetas e os poetas, há que fazer caminho andando. A fé é confiança na promessa de Deus. É esperança. E a esperança está sempre na nossa frente que nos chama a caminharmos e a sairmos de nosso cantinho para sermos missionários da esperança. É sair de nosso pecado ao encontro da salvação oferecida por Deus. É sair de nossa mesquinhez ao encontro do horizonte maior. O homem de esperança sempre acredita que tudo pode. Nesse “poder” há força. A esperança sempre repousa num poder que possibilita a transformação da existência de si e dos outros ao redor. Afinal, não podemos esquecer esta verdade: “Quando tudo desmorona ao nosso redor ou dentro de nós, Cristo permanece firmemente ao nosso lado para nos sustentar”. São Paulo tem razão ao nos dizer: “Cristo é nossa esperança” (Col 1,27).

O texto da Primeira Leitura de hoje (Mq 2,1-5) é uma denúncia direita contra os opressores. Miqueias, como os outros profetas, não deixam de denunciar a exploração, a opressão e o acúmulo de bens mediante  processos ilegais.

Os perigos do poder e do dinheiro continuam sendo atuais. Também em nosso mundo na atualidade muitos cometem a mesma coisa: as injustiças flagrantes, os abusos cínicos do poder contra os pobres e inocentes, a roubalheira sem escrúpulos, o desvio do dinheiro público para o próprio interesse e assim por diante. Todos os corruptos, no fundo, são preguiçosos, pois não querem trabalhar. Eles se aproveitam do poder para ser ricos rapidamente de maneira desonesta. “Esta é uma das tentações constantes da humanidade: apegando-se ao dinheiro por considerar que está dotado de uma força invencível, cai-se na ilusão de poder ‘comprar também a morte’, distanciando-a de si mesmo”, dizia o Papa são João Paulo II em sua audencia no dia 28 de Outubro de 2004. Deus não quer que separemos o culto litúrgico da justiça social.

O espírito de cobiça contrista os corações, dificulta as relações com os demais, esfria a fraternidade humana, cria conflitos com os demais, despersonaliza o indivíduo ao torná-lo escravo e não o senhor de seu dinheiro e torna impossível o seguimento de Cristo. O dinheiro merece ser conquistado, mas  sempre no poder do Espírito de Deus. Assim o dinheiro torna-se um instrumento útil de serviço. Portanto, se você tem dinheiro acumulado, pergunte-se como o ganhou e como o usa. Se você continua acumulando mais dinheiro do que precisa para viver, sabe para que o faz?

Viver Para Amar e Amar Para Salvar

Continuamos com as controvérsias entre Jesus e as autoridades do seu tempo. Nos versículos anteriores do texto do evangelho deste dia Mt relatou a atividade de Jesus de curar muitos doentes no Sábado, dia sagrado para os judeus. Relatou-se que Jesus curou um homem de mão seca dentro da sinagoga (cf. Mt 12,9-13). Era proibido curar no Sábado, o dia sagrado. Para Jesus o sagrado é o ser humano (cf. 1Cor 3,16-17) e não o dia de sábdo. Por isso, para Jesus salvar um ser humano está acima de qualquer lei religiosa, por mais sagrada que ela pareça ser. A lei religiosa existe em função do ser humano. Naturalmente os dirigentes do povo desaprovaram a atividade de Jesus. Por isso, decidiram matá-lo.

A hostilidade dos fariseus (Mt 12,14) é o ponto terminal do relato referido à atividade de Jesus durante o Sábado numa sinagoga. Diante da hostilidade, Jesus muda seu espaço: “Ao saber disso, Jesus retirou-se dali”, mas continua curando a todos. Sua missão é ajudar, socorrer e reviver a todos aqueles que se encontram ameaçadas na sua dignidade.

A maneira de atuar de Jesus é totalmente contrária à maneira de atuar dos fariseus. Observemos o contraste nesta controvérsia entre Jesus e seus adversários: Os adversários planejam matar Jesus, e Jesus planeja um serviço de caridade, de amor e de proximidade dos necessidades. Os adversários tomam atitudes violentas, e Jesus cumpre a visão profética de bendizer e de apreciar todos os detalhes da bondade que estão ao Seu alcance. O mal e o bem, chocando-se mutuamente, caminham em paralelo. O objeto da ação é o mesmo homem tanto para o bem como para o mal. Um coração que ama se enfrenta com um coração maldoso. Jesus será vítima disso, mas Deus bota a vida onde o homem põe a morte. Por isso, Jesus será ressuscitado por Deus, Seu Pai.

Jesus não lhes responde com ações violentas. Como verdadeiro Servidor de Deus, Jesus busca que a verdade brilhe sobre as trevas da morte e da miséria. A missão de Jesus é pacifista, solidária e defensora da justiça e do direito. Somente de um homem assim, sem pretensões mundanas é que o povo pode esperar a salvação.

Por que os dirigentes do povo defendem tanto a lei supostamente sagrada e não defende o ser humano, que é o filho de Deus, templo do Espírito Santo, segundo São Paulo? (cf.1Cor 3,16-17). É por causa do império dos interesses econômicos e sociais. Quando o dinheiro se torna o objetivo da vida de uma pessoa, ela não admite rivais.  E se tiver rivais, será eliminado. Quem se entrega ao dinheiro, não consegue ver mais ninguém senão a si mesmo. O dinheiro se revela uma arma mais letal do que as armas nucleares, quando usado unicamente em vista dos interesses de alguns. É por isso que Jesus disse que, ou se serve a Deus, ou se serve ao dinheiro (cf. Mt 6,24). Quem se preocupa com a própria glória não se preocupa com o bem do outro.

Jesus age como um profeta: falar em nome de Deus na defesa da igualdade e da fraternidade, embora Jesus seja mais do que um profeta, pois ele é a encarnação do amor de Deus, Ele é o Deus-Conosco (Mt 1,23; 18,20; 28,20). Os profetas do Antigo Testamento com muita freqüência se atiram contra as prepotências dos ricos em relação aos pobres, por sensibilidade social, mas, sobretudo, por sensibilidade teológica no sentido de que as injustiças entre os homens quebram a relação com Deus. O mal que se faz ao homem é mal feito a Deus (cf. Mt 25,40.45).

O verdadeiro objetivo da vida ou da missão de Jesus é amar para salvar (Jo 3,16). Esse objetivo se expressa da seguinte maneira: “Não quebrará o caniço rachado, nem apagará o pavio que ainda fumega, até que faça triunfar o direito”. Jesus veio não para desencorajar e sim para encorajar. Ele veio não para ameaçar o fraco com condenação e sim com a compreensão. Jesus veio não para apagar “o pavio que ainda fumega” e sim para fortalecer sua luz a fim de clarear mais. Por isso, “Em seu nome as nações depositarão a sua esperança”. Tudo em Jesus era manifestar o amor de Deus para os homens. Logo, tudo na vida de cada cristão deve ser a manifestação do amor de Deus, porque o amor humaniza e diviniza, cria a fraternidade e a comunhão, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16).

Como cristãos seguidores de Cristo, nós temos em Jesus nosso espelho para podermos nos ver melhor ou para comprovar se aprendemos ou não as principais lições de nosso Mestre Jesus. Temos que fazer chegar para as pessoas a mensagem de amor de Jesus. Mas não devemos impor, e sim propor, não gritar e sim anunciar motivando, respeitando a situação de cada pessoa.

Por isso, como cristãos, nós devemos ser contrários a toda a forma de luta violenta, mas também devemos agir energicamente com todas as iniciativas e meios não violentos, para afirmar a justiça, o respeito pelos direitos humanos, pela fraternidade, pela dignidade de cada pessoa e pela caridade no mundo. Podemos combater o pecado sem eliminar o pecador, pois Deus odeia o pecado, mas não se cansa de perdoar quem se converte: “Porventura, tenho Eu prazer na morte do ímpio? Porventura, não alcançará ele a vida se ele se converter de seus maus caminhos?(Ez 18,23). A missão de cada cristão, a exemplo do mestre Jesus, é pacifista, solidária e defensora da justiça e do direito. É “Não quebrar o caniço rachado, nem apagar o pavio que ainda fumega, até que faça triunfar o direito”. Como Filho do Pai celeste que tem o mesmo Espírito e veio para salvar, Jesus é o Servo dos irmãos (Mc 10,45). Ele está sempre atento às pessoas, às suas fragilidades e incertezas, e oferece esperança a todos.

P. Vitus Gustama,svd

Segunda-feira Da XVI Semana Comum, Ano Par, 20/07/2026

CRER NUM DEUS MISERICORDIOSO E APRENDER A ENXERGAR DEUS ATRAVÉS DO SINAIS COTIDIANOS Segunda-Feira Da XVI Semana Comum Primeira Leitura:...