sábado, 5 de setembro de 2026

Natividade Da Bem-Aventurada Virgem Maria, 08/09/2026

NATIVIDADE DE MARIA, MÃE DO SENHOR, E O DIA DA FUNDAÇÃO DA CONGREGAÇÃO DO VERBO DIVINO (SVD)

Primeira Leitura: Mq 5,1-4a

Assim diz o Senhor: 1“Tu, Belém de Éfrata, pequenina entre os mil povoados de Judá, de ti há de sair aquele que dominará em Israel; sua origem vem de tempos remotos, desde os dias da eternidade. 2Deus deixará seu povo ao abandono, até ao tempo em que uma mãe der à luz; e o resto de seus irmãos se voltará para os filhos de Israel. 3Ele não recuará, apascentará com a força do Senhor e com a majestade do nome do Senhor seu Deus; os homens viverão em paz, pois ele agora estenderá o poder até aos confins da terra, 4ae ele mesmo será a Paz”.

Evangelho: Mt 1,1-16.18-23

1Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. 2Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacó; Jacó gerou Judá e seus irmãos. 3Judá gerou Farés e Zara, cuja mãe era Tamar. Farés gerou Esrom; Esrom gerou Aram; 4Aram gerou Aminadab; Aminadab gerou Naasson; Naasson Gerou Salmon; 5Salmon gerou Booz, cuja mãe era Raab. Booz gerou Obed, cuja mãe era Rute. Obed gerou Jessé. 6Jessé gerou o rei Davi. Davi gerou Salomão, daquela que tinha sido a mulher de Urias. 7Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; 8Asa gerou Josafá; Josafá gerou Jorão; Jorão gerou Ozias; 9Ozias gerou Jotão; Jotão gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; 10Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias. 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, no tempo do exílio na Babilônia. 12Depois do exílio na Babilônia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; 13Zorobabel gerou Abiud; Abiud gerou Eliaquim; Eliaquim gerou Azor; 14Azor gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; 15Eliud gerou Eleazar; Eleazar gerou Mató; Mató gerou Jacó. 16Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo. 18A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo. 20Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: "José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados". 22Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 23"Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco".

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Celebramos hoje (8 de setembro) dois nascimentos: a Natividade da Virgem Maria ,que nas nas Constituições da SVD ela é chamada de “Mãe do Verbo”, e o Nascimento da SVD (Dia da Fundação Da SVD: 8/9/1875).  Qual é o sentido do nascimento de Nossa Senhora? Qual é o sentido do nascimento da SVD? Qual é o sentido de nosso nascimento? Por que nascemos?

À medida em que avançamos em nossas vidas atarefadas e envelhecemos e nos distanciamos do momento do nosso próprio nascimento, poucos de nós param para apreciar o quão milagroso foi aquele momento: o do nascimento. No entanto, para nos compreendermos inteiramente e vivermos uma vida significativa, devemos retornar ao princípio e examinar o sentido de nosso nascimento.

O significado do seu nascimento, do meu nascimento é que você é filho(a) de Deus. Seu nascimento, meu nascimento não foi um acidente. Deus escolhe cada um de nós para realizar uma missão específica neste mundo. Por isso, cada pessoa importa, cada pessoa é insubstituível e irrepetível no seu ser. Mas sou substituível no meu fazer. Dentro desta escolha de Deus sobre nós, cada pequeno momento é significativo e precioso. O nascimento é a maneira de Deus dizer que Ele investiu Sua vontade e energia em cada um de nós. Ao longa de nossa vida temos que nos esforçar para enxergar aquilo que Deus investiu em nós. Sem dúvida, Deus sente enorme júbilo quando você nasce, pois o instante do nascimento realiza Sua intenção em querer você. Em cada um de nós contém todo potencial para todas as futuras realizações. O momento de nosso nascimento marca o começo da nossa missão neste mundo: é transformar o nosso mundo material em veículo de expressão espiritual e de divindade. É esforçar-se durante a vida a fim de ser muito humano para ser muito divino. Por isso, uma pessoa não está plenamente viva e feliz, a não ser que esteja em harmonia com o desígnio superior de sua vida, a não ser que cada pessoa realize sua missão. Consequentemente, podemos estar vivos de forma meramente biológica, ou podemos estar verdadeiramente vivos espiritualmente, pois conectados com Deus.

Dentro deste contexto é o nascimento de Nossa Senhora, o nascimento da SVD para a Igreja. No entanto, para nos compreendermos inteiramente e vivermos uma vida significativa, devemos retornar ao princípio e examinar o sentido de nosso nascimento.

Nascimento de Maria, Mãe do Senhor Jesus

No dia 08 de setembro celebramos a festa da Natividade de Nossa Senhora. Nada nos diz o Novo Testamento sobre o nascimento de Maria. Nem sequer nos dá a data ou o nome de seus pais. Tudo o que sabemos a respeito do nascimento de Maria se encontra no Evangelho Apócrifo de Tiago segundo o qual Ana, sua mãe, se casou com um proprietário rural chamado Joaquim, Galileu de Nazaré. Joaquim era descendente da família real de Davi. Joaquim e Ana era um casa justo diante de Deus, isto é, viviam fielmente os mandamentos de Deus. Porém, levavam vinte anos de matrimonio e o filho tão sonhado não chegava. Os hebreus consideravam a esterilidade como uma prova do castigo de Deus. Eram, por isso, menosprezados. No Templo, Joaquim ouvia as murmurações sobre os dois (Joaquim e Ana) como indignos de entrar na casa de Deus. Porém, Ana intensificou suas orações, implorando a graça de ter um filho. Por causa de suas orações perseverantes, Joaquim e Ana foram premiados com o nascimento de uma filha única, Maria. Nasceu uma santa, fruto da misericórdia de Deus pelas orações assíduas de Joaquim e Ana. O nascimento de Maria fez possível a ação de Deus no mundo. De fato, percebemos que Deus não abandona a humanidade. Com a Colaboração de Maria, através da ação divina, o Deus distante se torna o Deus-Presente em cada momento de nossa vida: “Estou com vocês todos os dias até o fim do mundo (Mt 28,20). O tempo é, então, carregado da ação salvífica de Deus. A história carrega consigo os sinais de Deus que o ser humano precisa decifrar seu sentido em cada momento.

Nos textos litúrgicos escolhidos para honrar hoje a Maria não se fala na natividade de Maria: um fato que ficou no anonimato. Nos desígnios de Deus, a humildade, o silêncio, o passar despercebido, é uma atitude habitual. Porém, não cabe dúvida de que existe uma estreita relação entre nascimento de Jesus e o de Maria. Por seuSim” ao projeto de Deus, por seu amor e seus cuidados, por sua no Deus libertador é que Deus põe nela Sua morada. E por sua esperança é que Maria encarna as esperanças de seu povo.

Sobre Maria, Mãe de Jesus, a quem tinha muito amor e devoção, Santo Arnaldo Janssen, fundador da SVD (e mais duas congregações femininas: SSpS e SSpS da Adoração Perpétua) dizia: “A relação de Maria com a Santíssima Trindade é a de filha, mãe e esposa. De todas as filhas da terra ela foi a escolhida do Pai celeste. O Filho Eterno a elegeu como mãe para que pudesse assumir a carne humana. O Espírito Santo a amou como esposa e fez dela um vaso santo e eleito das divinas graças. A humildade da Rainha dos Anjos foi uma virtude marcante. Ela que disse: "Eis aqui a escrava do Senhor”. Temos de aprender de Maria, de quem a escritura fala:” Ela guardava todas estas palavras em seu coração” (Lc 2,19)”.

A lista de pessoas na genealogia que lemos no Evangelhos deste dia contém alguns dos mais significativos nomes como também alguns nomes que têm má fama; contém tanto pecadores como santos. Deus é aquele que cumpre seus propósitos através daqueles que outros considerariam como não importantes e facilmente esquecíveis. Deus se serve tanto de instrumentos fracos como de instrumentos saudáveis, pois o agente principal da salvação é o próprio Deus. Mt coloca na genealogia quatro mulheres de má fama:

·      Tamar: Uma cananéia, estrangeira que teve caso com o sogro, Judá.

·      Raab: Era uma verdadeira prostituta, mas que protegeu os espiões israelitas que tornou possível a conquista de Jericó (Josué 2).

·      Rute: Foi outra estrangeira, uma moabita que se relacionou com Booz cujo resultado foi o nascimento de uma criança que seria o avô do Rei Davi.

·      Betsabé: É uma vítima da luxúria de Davi, de quem nasceu Salomão, sucederia a Davi na monarquia.

Mateus quer nos relembrar e transmitir um Deus que não hesitou em usar a torpeza tanto quanto a nobreza, a impureza tanto quanto a pureza, homens a quem o mundo ouviu atentamente e mulheres que o mundo censurou.

Este Deus continua a trabalhar em cada um de nós com a mesma mistura e continua a nos surpreender. Tudo isso mostra que Deus está no comando da história. Ele é o agente principal e o homem é apenas um colaborador. Deus pode nos usar como Seus instrumentos apesar de sermos pecadores, fracos, incapacitados e assim por diante. Mas que tenhamos uma disponibilidade de Maria para servir a esse Deus que nos compreende profundamente nossos limites e limitações e fraquezas. Servir é uma adoração em ação, é uma continuação da minha adoração. Servir é suscitar a vida no outro. Quem não vive para servir não serve para viver tanto para si próprio como para os demais.

Nascimento Da Congregação Do Verbo Divino

No dia 5 de outubro de 2003 o papa João Paulo II canonizou os padres Arnaldo Janssen e José Freinademetz.    

Pe. Arnaldo Janssen é o fundador da Congregação do Verbo Divino no dia 08 de Setembro de 1875, e mais tarde mais duas congregações femininas: as Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS, 8/12/1889) e as Missionárias Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua (08/12/1896). Pe. Arnaldo nasceu no dia 15/11/1837. É o segundo filho de uma família de onze irmãos em Goch, uma pequena cidade alemã da Baixada Renância, junto à fronteira holandesa.       

Os pais, Gerhard Janssen e Anna Katharina Janssen, educaram seus filhos numa atmosfera de profunda fé e oração.

·      A mãe foi, acima de tudo uma mãe orante no sentido mais pleno da palavra.

·      E o pai, tinha uma profunda adoração à Santíssima Trindade e especialmente ao Espírito Santo.

·      Na oração da tarde a família lia muitas vezes o Prólogo do Evangelho de João.

·      O rosário era rezado fielmente.

·      Além disso, era uma prática comum ler, em voz alta, revistas das missões e das atividades missionárias durante encontro da família, à noite. A família já tinha um grande interesse pelas missões.

Assim, foi no contexto da família que a semente da vida de oração de Arnaldo foi semeada. E ele a nutriu e desenvolveu ao longo da vida.       

Na época da fundação da SVD aconteceu um choque entre a Igreja e o governo, entre a hierarquia e o poder público (o Kulturkampf) no tempo do Imperador Guilherme II e o Prussiano Otto Bismarck, chanceler alemão e inimigo político do catolicismo. Durante 1874-1875 cinco dos onze Bispos estavam na prisão. Por meio das “Leis de Maio” as autoridades esperavam quebrar a resistência dos católicos mas sua oposição se tornou cada vez mais forte do que nunca.        

Pe. Arnaldo Janssen sabia ler os sinais dos tempos e dar resposta viáveis aos desafios de sua época a partir de sua vida de fé. Ele reconheceu a situação como vinda da mão de Deus, de Sua Divina Providência e estava disposto a ser seu instrumento. Uma vez que percebesse uma ação como Vontade de Deus, não perdia de vista seu objetivo e a decisão de realizá-lo. 

Por isso, no decreto de sua Beatificação em 1975, o Papa Paulo VI louvava sua perseverança na busca incansável da Vontade de Deus dizendo: “Aberto aos sinais dos tempos e atento, procurava a Vontade do Senhor... Uma vez que reconhecesse o chamado do alto, deixava tudo, esquecia-se de si mesmo e dedicava todo o seu ser na sua realização...”           

Tudo começou em Steyl, uma pequena aldeia da Holanda. Humanamente falando, foi difícil descobrir sua grandeza. A maioria das pessoas duvidaram de suas habilidades e qualificações. Até um bispo disse: “Arnaldo Janssen ou é um louco ou é um santo”. Com toda a sua humildade disse no início da fundação: “Se é que a casa der alguma coisa, agradeceremos a Deus; se fracassar, aí resta-nos bater no peito, reconhecendo que não fomos dignos da graça”. Ele foi digno.

O Nome Da Congregação 

Na Breve Regra de maio-junho de 1876, diz o primeiro parágrafo: “A Congregação leva o nome de Sociedade do Verbo Divino”. O parágrafo sexto estabelece: “Das três veneradas Pessoas da Santíssima Trindade há de se venerar especialmente o ‘Verbo Divino’. Isso pelas seguintes razões:

·      1). O Verbo Divino é a Pessoa do nosso divino Salvador, que pretendemos seguir na via da sua doação ao Pai Celeste e aos seus trabalhos apostólicos.

·      2). O Verbo Divino é: “A luz que ilumina cada pessoa que vem a este mundo”, sobre a qual o missionário deve edificar, sabendo que sua pregação terá força somente com a ajuda da Palavra Divina, que faz surgir do nada o céu e a terra.

·      3). O Verbo Divino é “A Sabedoria incriada da qual provém também toda luz da sabedoria humana”, e neste enfoque em especial os professores da Congregação devem venerá-lo e cultivar as ciências sagradas no espírito dos antigos santos mestres.

·      4). O Verbo espiritual dá-se à alma em alimento na Santa Eucaristia, assim vem a ser “Fruitio Dei” (= O Manjar de Deus). É chamado também “Panis angelorum” (Pão dos Anjos), pois na glória é o seu alimento. Assim é muito válido aplicar ao Verbo Divino a feliz metáfora “Manjar Divino”.

Durante a sua vida, ele enviou missionários para a Ásia e Oceania; África-Madagascar; América e no próprio continente EUROPEU.

Os primeiros missionários da SVD chegou ao Brasil no dia 16/03/1895 (enviados vinte anos depois da fundação da SVD) em Cachoeira de Santa Leopoldina, ES: Pe. Francisco Dold e Francisco Tollinger. Em 04/03/1898 o bispo diocesano da Vitória, ES, dom João Batista Correa Neri criou a paróquia de Cachoeira de Santa Leopoldina, com sede provisório em Tirol.

Estas são as características do nosso fundador, Arnaldo Janssen:

·      Busca incansável da Vontade de Deus;

·      Profunda vida de oração: Suas decisões eram fruto de oração sincera e genuína, que sustentava sua perseverança e tenacidade em segui-las. ”Quem reza, prende a Terra ao Céu”, dizia ele.

·      Vida de fé e união com Deus: por meio destas, ele via o mundo e a vontade de Deus. Era capaz de perceber as necessidades do futuro da Igreja. Com uma visão do mundo além dos limites da Província geográfica, ele provou estar bem além do seu tempo.

·      Sinceridade nas suas observações: ele insistia com seus colaboradores para serem dignos de confiança, co-responsáveis.

·      Caridade e humildade: Quando criticado e combatido, ficava calado em vez de contestar a seus rivais.

·      Amor à verdade: ele era correto em todas as suas palavras e ações.

·      Visão clara: na seleção de candidatos, manteve os seguintes critérios que julgava essenciais à vida religiosa: Amor à oração e união com Deus; Humildade como sinal da verdadeira adesão ao Senhor; e Amor aos companheiros na prontidão de servir aos outros.

Santo Arnaldo Janssen tinha muita devoção à Nossa Senhora. Para a fundação das congregações ele escolheu as festas de Nossa Senhora. Para a fundação da SVD, ele escolheu o dia da festa da natividade de Nossa Senhora: 08 de Setembro de 1875, e mais tarde mais duas congregações femininas: para as Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS), ele escolheu a festa da Imaculada Conceição de Maria: 8/12/1889 e, assim também para as Missionárias Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua: 08/12/1896.

“Em suas casas, dotadas de igrejas ou capelas, e nos jardins e grutas, podiam ser vistas numerosas imagens da Mãe de Deus. Constantemente recomendava a veneração à Maria. Promovia o Rosário…doou milhares de Rosários aos hóspedes e especialmente aos participantes dos retiros em Steyl. Criou até mesmo Confrarias do Rosário nas igrejas de Steyl e de São Gabriel (Austria). Com uma predileção especial, considerava Maria como a Filha do Pai celestial, Mãe do Divino Filho, e antes de tudo, como a Esposa do Espírito Santo” (Vademecum SVD, 2009 p.77- versão portuguesa).

Algumas frases seguintes de Santo Arnaldo Janssen falam sobre Maria

1.      Vamos a Maria! Ela é a flor maravilhosa do Gênero Humano, que floresce diante do trono de Deus.

2.      Maria tornou-se a menina dos olhos da Santíssima Trindade, depois de Cristo, a mais abençoada entre todos os filhos dos homens.

3.      Devemos aprender de Maria, de quem a Escritura diz: Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração (Lc 2,19). Reflitamos, portanto, sobre todas as boas lições e exortações que recebemos, bem como sobre toda e qualquer leitura piedosa, homilia ou conferência, especialmente, os bons conselhos que um superior ou um outro membro de nossa comunidade nos tenha dado.

4.      Maria é o lírio da Santíssima Trindade.

5.      Coração de Maria é reflexo fiel do coração de Jesus.        

A chave para entender o caráter de Arnaldo Janssen é seu sentido e seu juízo cem por cento religiosos. Para ele era normal olhar e julgar todas as coisas de um ponto de vista normal sobrenatural.        

Neste dia citei algumas das frases de Arnaldo Janssen para nossa meditação:

1.    Sabemos muito bem que com as forças que possuímos não podemos resolver os nossos problemas. Esperamos em Deus, nosso Senhor, que nos vá conceder tudo o que for necessário, fazendo de nós o que melhor lhe convier. Se sair algo de bom desta casa, vamos atribuir à graça de Deus. Se não sair nada de bom, vamos bater, humildes, no peito e reconhecer que fomos indignos da graça de Deus” ( foi dita na inauguração da casa missionário).

2.    ”Se não formos um só coração e uma só alma, a obra não poderá prosperar”.

3.    ”A amabilidade é a palavra que anima, levanta, consola e fortalece. Assim como o orvalho refresca e embeleza as plantas que murcham”.

4.    ”O verdadeiro amor e a autêntica confiança em Deus são a base de todo trabalho em equipe”.

5.    Quanto mais santa é uma obra, tanto maiores as dificuldades, normalmente, se apresentam”.

6.    Se não nos tornamos pequenos, não podemos agradar a Deus. Esta é a grande lição de Natal”.

7.    ”Que a santa vontade de Deus seja bendita para sempre! Temos que adorar esta vontade e abraçá-la com amor, se queremos agradar a Deus. Peço ao bom Deus que nos permita reconhecer sua santa vontade e nos conceda uma alegre serenidade em cumpri-la. Senhor, seja feita sempre a vossa vontade! A batalha da vida consiste em sacrificar muito daquilo que tínhamos desejado e planejado. Mesmo que a vontade de Deus não corresponda aos nossos próprios desejos, ela é sempre proveitosa para nós”.        

8.    A vontade de Deus é sempre salutar, mesmo quando não corresponde aos nossos desejos”.

9.    ”Quando tudo se desagrega, é sinal de que algo de novo está para surgir”.

10.                 ”No vigor da graça do Espírito Santo tudo se torna possível”.

11.                 Quem não está disposto a sofrer, não receberá a graça de trabalhar por Deus”.

12.                 Aqui na terra não podemos amar a Deus genuinamente sem dor e sofrimento. Nós amadurecemos não só por meio do trabalho, mas também aprendendo a sofrer. Deus quer que o bem se desenvolva lentamente e no meio de dificuldades. As cruzes que Deus nos manda são pedaços da Cruz de Cristo para o bem de seus servos. As cruzes são golpes que Deus manda para aqueles que ama. Temos que aceitá-las com amor e gratidão, apesar da dor que nos provocam, porque são anúncios das graças que Deus quer nos dar. Lembrem-se de que o dia de Páscoa veio depois da Sexta-feira Santa”

13.                 ”Quem ama a Deus, confia Nele; quem não confia Nele, não O ama”.

14.                 Não são as longas orações e sim as ações generosas que comovem o coração de Deus”.

15.                 ”Para nós, pobres homens, o vigoroso amor do Espírito Santo é sólida base de confiante esperança”.

16.                 O anúncio do Evangelho é a primeira e a mais sublime das obras de caridade”.

17.                 ”Não sei o que o futuro me reserva, mas confio em Deus”.

18.                 “A confiança é a chave do incomensurável tesouro de Deus. A confiança em Deus é a virtude da qual o missionário deve haurir toda força e todo auxílio. O missionário deve ser um autêntico herói da confiança em Deus”.

19.                 ”Como um filho deixa-se levar pela mão de Deus, a santidade consiste numa absoluta entrega a ele. É impossível que Deus traia a nossa confiança”.

20.                 ”É preciso aguentar qual valoroso soldado no lugar em que a Divina Providência nos colocou”.

21.                 ”Aprendemos algo de extraordinária importância para o desenvolvimento de nossa obra, nesta primeira construção. Futuramente, quando uma obra for idealizada não devemos perguntar: Há dinheiro? e sim: É necessária?”

22.                 Quem vive sempre unido a Deus, o mundo lhe pertence e cada dia é um milagre”.

23.                 Sejamos católicos da cabeça aos pés”.

24.                 ”Cada um de nós deve esforçar-se para amar verdadeiramente o Espírito Santo com todo o coração e trabalhar para promover a glória dele em outros. Tudo é possível pelo poder da graça do Espírito Santo”.

25.                 “Com o corpo e alma eu me ofereci em total sacrifício ao Espírito Santo e pedi a graça de reconhecer a grandeza de seu amor e de viver e morrer para ele. Que me ajude a passar por esta vida sem pecar e a cumprir perfeitamente a santa vontade de Deus em tudo”.

26.                 ”Devemos considerar o pecado mortal como o pior assassino, porque mata em nós a vida divina, e ao homem de verdadeiro filho de Deus transforma em filho do demônio. A graça santificante, porém, extingue o pecado grave e restitui a vida divina da graça”.

27.                 ”Pela graça santificante habita em nossa alma a Santíssima Trindade, que nos faz participar de sua misteriosa vida divina. Para conservar essa vida, é necessário que seja sustentada. A Santa Comunhão é o maravilhoso alimento. O Santíssimo Sacramento do altar é a árvore da vida, cujos frutos os nossos protoparentes não chegaram a saborear. Em virtude deste sacramento, recebemos coragem, força e perseverança para a grande caminhada até a pátria celeste”.

28.                 ”A Santíssima Trindade pela graça santificante penetra a alma como um raio de luz que atravessa o cristal, como o fogo que abrasa o ferro. Deus deseja morar no coração humano para fazê-lo puro, feliz e santo, para ali depositar a plenitude dos tesouros divinos”.

29.                 ”Que o nosso coração seja como um altar de onde o sacrifício de agradecimento suba incessantemente a Deus”.

30.                 ”Que Deus santo e imortal seja cada vez mais adorado em toda a terra. Viva Deus Uno e Trino em nossos corações!”

P. Vitus Gustama,svd

Segunda-feira Da XXIII Semana Comum, Ano Par, 07/09/2026

O BEM DO HOMEM ESTÁ ACIMA DE QUALQUER LEI POR SAGRADA QUE ELA PAREÇA SER

Segunda-Feira da XXIII Semana Comum

Primeira Leitura: 1Cor 5,1-8 (Ano Par)

Irmãos, 1 é voz geral que está acontecendo, entre vós, um caso de imoralidade; e de imoralidade tal que nem entre os pagãos costuma acontecer: um dentre vós está convivendo com a própria madrasta. 2 No entanto, estais inchados de orgulho, ao invés de vestirdes luto, a fim de que fosse tirado do meio de vós aquele que assim procede? 3 Pois bem, embora ausente de corpo, mas presente em espírito, eu julguei, como se tivesse aí entre vós, esse tal que tem procedido assim: 4 Em nome do Senhor Jesus — estando vós e eu espiritualmente reunidos com o poder do Senhor nosso, Jesus—, 5 entregamos tal homem a Satanás, para a ruína da carne, a fim de que o espírito seja salvo, no dia do Senhor. 6 Vós vos gloriais sem razão! Acaso ignorais que um pouco de fermento leveda a massa toda? 7 Lançai fora o fermento velho, para que sejais uma massa nova, já que deveis ser sem fermento. Pois o nosso cordeiro pascal, Cristo, já está imolado. 8 Assim, celebremos a festa, não com velho fermento, nem com fermento de maldade ou de perversidade, mas com os pães ázimos de pureza e de verdade.

Evangelho: Lc 6,6-11

Aconteceu num dia de sábado que, 6 Jesus entrou na sinagoga, e começou a ensinar. Aí havia um homem cuja mão direita era seca. 7 Os mestres da Lei e os fariseus o observavam, para ver se Jesus iria curá-lo em dia de sábado, e assim encontrarem motivo para acusá-lo. 8 Jesus, porém, conhecendo seus pensamentos, disse ao homem da mão seca: “Levanta-te, e fica aqui no meio”. Ele se levantou, e ficou de pé. 9 Disse-lhes Jesus: “Eu vos pergunto: O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?” 10 Então Jesus olhou para todos os que estavam ao seu redor, e disse ao homem: “Estende a tua mão”. O homem assim o fez e sua mão ficou curada. 11 Eles ficaram com muita raiva, e começaram a discutir entre si sobre o que poderiam fazer contra Jesus.

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Viver De Acordo Com a Moral Cristã e Correção Fraterna

Irmãos, é voz geral que está acontecendo, entre vós, um caso de imoralidade; e de imoralidade tal que nem entre os pagãos costuma acontecer: um dentre vós está convivendo com a própria madrasta”, escreveu são Paulo duramente para a comunidade de Corinto.

Nos capítulos 5 e 6 da Primeira Carta aos Coríntios, são Paulo trata de dois problemas que surgiram dentro da comunidade que eram verdadeiramente escândalos, pois “de imoralidade tal que nem entre os pagãos costuma acontecer”. Em 1Cor 5 são Paulo fala do escândalo de ordem moral (convivência marital com a madastra). Trata-se do pecado de luxúria.  E em 1Cor 6 fala do escândalo contra a fraternidade.

Nestes dois capítulos (1Cor 5-6) percebemos que nem tudo foi luzes nas primeiras comunidades cristãs, porque houve também sombras: pecadores e pecados. A reação de são Paulo é bem firme e bem grave, pois a situação é grave: “Esses não herdarão o Reino de Deus(1Cor 6,9-10). Nesta afimação está a chamada à conversão contínua. São Paulo compreende, desculpa e sabe tomar decisão firme diante de uma situação não conveniente para um cristão, pois a vida cristã é algo para ser levada a sério, pois somos membros de Cristo (1Cor 6,15) e do Espirito Santo de Deus que habita em nós (1Cor 3,16-17; 6,19-20). Trata-se de um ensinamento precioso e muito atual.

O texto da Primeira Leitura nos mostra que na comunidade de Corinto não tinha apenas as divisões internas, mas também uma série de desordens morais. Se as desordens morais do tipo apresentado no texto de hoje que é a convivência marital com a mulher do próprio pai (relação com madastra). Um caso de incesto, neste caso o casamento ou concubinato com a madrasta, era condenado tanto pelos judeus (Lv 18,8; 20,11) quanto pelos gentios (Caio, Inst. 1,63). Se   era inconcebível entre os pagãos, quanto mais numa comunidade cristã, como a de Corinto. O caso continua sendo grave porque tanto a lei judaica, como a romana, como a moral cristã proíbem terminantemente tal convivência.

São Paulo decide escrever para a comunidade de Corinto sobre o caso, pois ele acha estranho que entre os Coríntios se permita sem maior oposição diante dessa desordem moral no seio da comunidade: “Um dentre vós está convivendo com a própria madrasta. No entanto, estais inchados de orgulho, ao invés de vestirdes luto, a fim de que fosse tirado do meio de vós aquele que assim procede?”.  Para são Paulo o culpado de tal delito deve ser excluído da comunidade cristã e a própria comunidade é encarregada para esta decisão.

E o próprio são Paulo manifesta sobre um membro da comunidade que pratica o delito (convivência marital com a própria madastra) com a reprovação: “Em nome do Senhor Jesus — estando vós e eu espiritualmente reunidos com o poder do Senhor nosso, Jesus—, entregamos tal homem a Satanás, para a ruína da carne, a fim de que o espírito seja salvo, no dia do Senhor(1Cor 5,4-5). É uma frase difícil de interpretar. Não se fala no texto se o pai ainda estava vivo ou se já morreu. O texto também não manifesta nenhum interesse se a madastra não era cristã. Mas são Paulo toma esta medida, por drástica que pareça, com uma intenção medicinal: “Entregamos tal homem a Satanás, para a ruína da carne, a fim de que o espírito seja salvo, no dia do Senhor(Cf. Mt 18,6.8-9).

Aqui são Paulo já insinua claramente que o pecado de um cristão e a reconciliação do pecador são algo de toda a Igreja. Com efeito, os pecados não são assunto particular entre o pecador e Deus. A comunidade eclesial tem, segundo são Paulo, a responsabilidade de urgir e confirmar fraternalmente e ministerialmente a santidade de seus membros, por meio de sacramentos. Quando a santidade for quebrada por algum membro, a comunidade tem responsabilidade de alertá-lo e corrigi-lo fraternal e ministerialmente (Cf. Mt 18,15-18). Este é o sentido eclesial do sacramento da Penitência que são Paulo quer nos recordar.

Uma das mensagens do texto para nós é que a comunidade deve sentir-se corresponsável do bem de cada um de seus membros. Quando detecta uma falta grave, deve exercer a correção fraterna como Jesus nos ensinou no Evangelho (Cf. Mt 18,15-18: correção fraterna). Purificar-se é um dever da comunidade.

São Paulo põe a comparação do pão ázimo, sem fermento, que é o que os judeus usavam, e continuam usando para a Páscoa. E ele aplica essa imagem à comunidade, que deve ser toda ela “pão ázimo”, sem “fermento de maldade ou de perversidade”, e sim um pão “azimo de pureza e de verdade”. Nós cristãos sempre vivemos na Páscoa, porque Cristo é o Cordeiro Pascal que foi imolado para nossa salvação.

O motivo é que uma situação assim vai contra os valores básicos da ética humana, e, sobretudo, a ética cristã. Há fatos maus, pontualmente, porque todos nós somos débeis e pecadores e, portanto, dispostos à tolerância. Mas aqui se trata de situações continuadas, públicas, de incoerência grave com a identidade cristã, que podem se tornar contigiosas para toda a comunidade cristã, pois “um pouco de fermento leveda a massa toda”. Às vezes, o “fermento velho”, que pode contagiar toda a comunidade, se refere a problemas ideológicos. Outras, como no texto de hoje, se refere a atitudes de moral.

O Salmo Responsorial de hoje (Sl 5) nos fala de Deus que não quer o mal: “Não sois um Deus a quem agrade a iniquidade, não pode o mau morar convosco; nem os ímpios poderão permanecer perante os vossos olhos. Detestais o que pratica a iniquidade e destruís o mentiroso. Ó Senhor, abominais o sanguinário, o perverso e enganador. Mas exulte de alegria todo aquele que em vós se refugia; sob a vossa proteção se regozijem, os que amam vosso nome!”. Jesus que nos ensinou o perdão e a correção fraterna, também pronunciou umas palavras: “Se nem mesmo à Igreja der ouvido, trata-o como o gentio ou o publicano” (Mt 18,17), e “melhor lhe fora ser lançado ao mar com uma pedra de moinho enfiada no pescoço do que escandalizar um só destes pequeninos” (Lc 17,1-6).

São Paulo quer nos relembrar que somos criaturas novas em Cristo. Nós, que estamos unidos a Cristo por meio da fé e do Batismo, não podemos continuar vivendo sob o sinal do pecado; não podemos facilitar a convivência de Cristo e do diabo dentro de nós, pois a presença de um exclui a do outro. Aquele que pertence a Cristo deve ser o fermento novo capaz de fazer fermentar a massa para convertê-la em alimento bom para todos. A Igreja deve alimentar toda a humanidade com as esperanças de salvação. Devemos ser um sinal de Cristo ressuscitado. Somos homens novos pela presença do Espirito de Deus em nós. Por isso, quando nos dermos conta de que o mal começa a nos apropriar, teremos que iniciar imediatamente um processo de conversão para voltar ao Senhor com sinceridade, e não podemos ficar numa hipocrisia religiosa, dando ao Senhor o culto, enquanto nosso coração está longe d´Ele. Se somos de Cristo, então não podemos ir atrás da maldade e sim atrás do Espirito de Deus que nos conduzirá à Verdade plena e nos converterá em testemunhas autenticas do amor e da misericórdia que Deus tem para todos. Deus nos ama até o extremo apesar de nossos grandes pecados (cf. Jo 3,16). Ele não quer a morte do pecador e sim que ele se converta e viva. Ele continua nos comunicando sua vida na Eucaristia, fonte de amor, de vida e de salvação para nós, como também em outros sacramentos da Igreja. unidos a Cristo temos que passar a vida fazendo o bem a todos. Assim a Igreja de Cristo será no mundo um sinal de amor misericordioso e libertador de Deus, que sara as feridas que o pecado, a marginalização, o desprezo, a perseguição injusta, a pobreza ou a enfermidade causaram em muitos irmãos nossos. Mas quem permanece no pecado, está se excluindo da misericórdia de Deus que nos manifestou em seu Filho, Jesus Cristo.

É Preciso Praticar o Bem Em Qualquer Lugar e Tempo e Para Qualquer Pessoa

O que é permitido fazer no Sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?”.

Multiplicamos os lugares e coisas sagradas para nos eximirmos de reverenciar o homem, que é o mais sagrado sobre a terra. Rasgamos nossas roupas quando alguém profana um templo, e nos tornamos insensíveis diante da profanação diária do homem. Não endeuse as pessoas notáveis, esquecendo que toda pessoa é sagrada”, escreveu René Juan Trossero, escritor e psicólogo argentino.

Estamos na parte do evangelho de Lucas onde se encontram cinco discussões ou controvérsias entre Jesus, de um lado, e os fariseus e escribas, do outro lado (Lc 5,17-6,11). Jesus é Aquele que vem para dar o perdão àqueles que O acolhem com fé e simplicidade (Lc 5,17-26). Para os fariseus e escribas quem pode perdoar é somente Deus. Ao perdoar o paralítico, segundo eles, Jesus está blasfemando (Lc 5,21). Jesus é Aquele que vem como “médico” que cura os males e acolhe os pecadores para mostrar-lhes o caminho de Deus, possibilitando-lhes, assim, a conversão (Lc 5,27-32). Os fariseus e escribas não aceitam o comportamento de Jesus ao comer e beber com os cobradores de impostos e os pecadores (Lc 5,30), pois isso mostraria o nivelamento das relações. Para eles os publicanos e os pecadores têm que ser excluídos da convivência, pois são perdidos da Lei de Deus. Nas outras três controvérsias Jesus mostra o caminho da liberdade em oposição ao legalismo dos fariseus e escribas: Jesus mostra qual é o significado do verdadeiro jejum (Lc 5,33-39), como deve se comportar diante da vida em jogo (fome e doente) mesmo que esse comportamento esteja contrário à lei sabático (Lc 6,1-11), mostrando que o sábado foi feito para o homem e não o contrário (cf. Lc 6,5). Em nome do homem que necessita da salvação Jesus é capaz de “transgredir” a lei por sagrada que ela pareça ser.

“O que é permitido fazer no Sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?”. A omissão do bem é um mal. Não praticar o mal não significa que alguém pratique o bem. Mas quem pratica o bem se afasta do mal. É fácil odiar o mau por ser mau. O difícil é amá-lo por ser homem(Santo Agostinho. Epist. 153,3).

Não é fácil suportar na terra Aquele que declara o fim da falsidade, da opressão, do legalismo, da religião fácil e cômoda, da religião que se preocupa apenas com as regras ou com os preceitos e não com a necessidade vital de um ser humano. É muito difícil aceitar alguém como Jesus que coloca a pessoa humana acima de qualquer lei religiosa e de qualquer atividade. O “defeito” de Jesus é fazer o bem para qualquer pessoa e em qualquer situação e lugar sem se preocupar com a lei religiosa. Jesus passou a vida fazendo o bem, pois “Deus estava com Ele”, assim disse Pedro na sua pregação (At 10,38). Em nome do bem que deve ser realizado, Jesus não quer saber das leis por sagradas que elas pareçam ser nem quer saber se o dia é o de preceito ou não. Em nome de um ser humano necessitado de libertação, Jesus não quer saber das conseqüências por graves que elas sejam como a morte na cruz. Em nome de um ser humano necessitado de libertação Jesus é capaz de “transgredir” uma lei que para o ser humano é sagrada. Para Jesus o que é sagrado é o ser humano, pois ele é o filho de Deus e é o templo do Espírito Santo (1Cor 3,16-17).

Por isso, aquele que é marginalizado e excluído é colocado no meio (Lc 6,8). Ao ser colocado no meio, o homem necessitado se torna centro para todos. A salvação de um ser humano deve ser prioritária. Como se Jesus quisesse dizer aos presentes: “Em tudo o ser humano deve ser levado em consideração e deve ser o foco de qualquer atividade pastoral, social, política...”.  Aquele que estava à margem, segundo os critérios da sociedade, está no meio pelos critérios de Jesus. Por este tipo de pessoas é que Jesus veio para salvar. E Jesus o curou mesmo sendo num sábado, o dia sagrado para os seus contemporâneos. Para Jesus a libertação dos necessitados é mais importante do que todas as regras sabáticas por mais sagradas que elas pareçam ser. O amor pelo ser humano para Jesus é a exigência absoluta de sua vida (cf. Rm 13,10). O amor é que norteia toda a atividade de Jesus mesmo que ele seja odiado por isso. Podemos entender a pergunta feita por Jesus para todos os presentes para que seja refletida: “O que é permitido fazer no Sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?” (Lc 6,9). O livro de Provérbio diz: “Não negues um favor a quem necessita, se tu podes fazê-lo(3,27). ... “O desejo dos justos é somente o bem, a esperança dos ímpios é a cólera(11,23).

As características essenciais do homem na Bíblia são descritas com três elementos essenciais: a vista, o coração e a mão. A vista é a inteligência para enxergar o verdadeiro e belo. O coração é a vontade para amar o verdadeiro e o belo. A mão é a liberdade para executar o bem.

No evangelho de hoje, dentro das carcaterísticas bíblicas sobre o homem, o evangelista Lucas coloca o seguinte detalhe: “Aí havia um homem cuja mão direita era seca(Lc 6,6b). Nas culturas antigas, a mão direita simbolizava o poder de fazer o bem. E a mão esquerda simbolizava o poder de fazer o mal. No julgamento final, segundo o evangelho de Mateus, os que praticarem o bem (as ovelhas), ficarão do lado direito (cf. Mt 25,33-40) e os cabritos (os que deixam de praticar o bem) ficarão do lado esquerdo (cf. Mt 25,41-45). No Credo rezamos: “Jesus subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso”. Até para cumprimentar alguém normalmente apertamos a mão direita.

Ao dizer que aquele homem estava com a mão direita seca, Lucas quer nos dizer que esse homem estava impossibilitado de praticar o bem. Somente a mão esquerda é que estava funcionando, isto é, as suas obras não eram boas do ponto de vista moral e ético. É provável que as pessoas o evitassem. Ninguém quer se relacionar com as pessoas más a não ser que tenha algum interesse mau também.

Jesus veio para encontrar o homem excluído. As suas mãos pregadas no lenho de nosso mal libertam a nossa mão paralisada pelo pecado. Ao libertar nossa mão das garrras do pecado somos livres para fazer aquilo que Deus quer de nós: fazer o bem em qualquer lugar e tempo, e para qualquer pessoa. Em cada pessoa que encontramos nesta vida está escondida nela alguma dor. Temos que tratar qualquer pessoa com muito respeito.

Mas em vez de afastar esse homem da convivência, Jesus o chamou para ficar no meio de todos, não para envergonhá-lo e sim para salvá-lo ou para libertá-lo de todas as obras de maldade e que todos são chamados a ser parceiros do bem. Para isso, o ser humano tem que ocupar o lugar central nas atividades e não os interesses mesquinhos muito menos usar a religião para marginalizar os outros.

A partir do evangelho de hoje cada um de nós precisa se perguntar: que lugar ocupa o ser humano nas minhas atividades diárias, tanto pessoal como profissionalmente? Será que sou capaz de “transgredir” uma norma religiosa em função da libertação de um ser humano, de uma vida sem sentido?  Se a mão direita simbolizava o poder de fazer o bem e a mão esquerda, o poder de fazer o mal, qual “mão” que está funcionando mais na minha vida: a mão direita ou a mão esquerda? Você tem certeza de que você estará sentado à direita do Pai quando chegar sua hora de partir deste mundo? “A caridade cristã é tridimensional. Pratica-se na terra pelas boas obras e busca ajudar a quem necessita: eis a sua profundidade. Sofre as adversidades pacientemente e persevera na verdade: eis sua extensão. Tudo faz com vistas a obter a vida eterna: esta é sua magnitude” (Santo Agostinho. Epist. 140,25).

P. Vitus Gustama,svd

Natividade Da Bem-Aventurada Virgem Maria, 08/09/2026

NATIVIDADE DE MARIA, MÃE DO SENHOR , E O DIA DA FUNDAÇÃO DA CONGREGAÇÃO DO VERBO DIVINO (SVD) Primeira Leitura: Mq 5,1-4a Assim diz o ...