quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Sábado Da XVIII Semana Comum, Ano Par, 08/08/2026

É PRECISO TER FÉ FIRME NO DEUS ÚNICO EM TODAS AS CIRCUNSTÂNCIAS PARA SUPERAR TUDO NA VIDA

Sábado Da XVIII Semana Comum

Primeira Leitura: Hab 1,12–2,4

1,12 Acaso não existes desde o princípio, Senhor, meu Deus, meu Santo, que não haverás de morrer? Senhor, puseste essa gente como instrumento de tua justiça; criaste-a, ó meu rochedo, para exercer punição. 13 Teus olhos são puros para não veres o mal; não podes aceitar a visão da iniquidade. Por que, então, olhando para os malvados, e vendo-os devorar o justo, ficas calado? 14 Tratas os homens como os peixes do mar, como os répteis, que não têm dono. 15 O pescador pega tudo com o anzol, puxa os peixes com a rede varredoura e recolhe-os na outra rede; com isso, alegra-se e faz a festa. 16 Faz imolação por causa da sua malha, oferece incenso por causa da sua rede, porque com elas cresceu a captura de peixes e sua comida aumentou. 17 Será por isso que ele sempre desembainhará a espada, para matar os povos, sem dó nem piedade? 2,1 Vou ocupar meu posto de guarda e estarei de atalaia, atento ao que me será dito e ao que será respondido à minha denúncia. 2 Respondeu-me o Senhor, dizendo: “Escreve esta visão, estende seus dizeres sobre tábuas, para que possa ser lida com facilidade. 3 A visão refere-se a um prazo definido, mas tende para um desfecho, e não falhará; se demorar, espera, pois ela virá com certeza, e não tardará. 4 Quem não é correto, vai morrer, mas o justo viverá por sua fé”.

Evangelho: Mt 17,14-20

Naquele tempo, 14 chegando Jesus e seus discípulos junto da multidão, um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se e disse: 15 “Senhor, tem piedade do meu filho. Ele é epiléptico, e sofre ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água. 16 Levei-o aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo!” 17 Jesus respondeu: “Ó gente sem fé e perversa! Até quando deverei ficar convosco? Até quando vos suportarei? Trazei aqui o menino”. 18 Então Jesus o ameaçou e o demônio saiu dele. Na mesma hora, o menino ficou curado. 19 Então, os discípulos aproximaram-se de Jesus e lhe perguntaram em particular: “Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?” 20 Jesus respondeu: “Porque a vossa fé é demasiado pequena. Em verdade vos digo, se vós tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha: ‘Vai daqui para lá’ e ela irá. E nada vos será impossível”.

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A Esperança Em Deus Jamais Falha Nem Decepciona

Senhor, meu Deus, meu Santo: Por que, então, olhando para os malvados, e vendo-os devorar o justo, ficas calado? Teus olhos são puros para não veres o mal; não podes aceitar a visão da iniquidade....”., disse o profeta Naum que lemos na Primeira Leitura.

Habacuc é outro profeta pouco conhecido. Não sabemos quase nada desse profeta. Mas suas palavras estão cheias de consolo que nos provocam para uma reflexão sobre a história. O que se sabe, sem dúvida, é que Habacuc viveu e desenvolveu seu ministério nos primórdios do surgimento da Babilônia no poder central do Oriente Próximo, depois que Assíria foi derrotada. Pode colocar-se sua profecia no final do século VII a.C. É a época em que os neobabilônicos, depois que destruíram o império da Assíria, dominaram o Oriente Próximo.

Habacuc” em hebraico significa “abraço”. “Habacuc” deriva de “habaq”. Assim o nome “Habacuc” significaria “aquele que abraça, aquele que luta”.  Pelo que escreveu, deu para saber que Habacuc não era somente profeta, mas também um poeta talentoso. Seu livro se compõe  de uma série de oráculos (Hab 1,2) e uma oração (Hab 3). Do seu livro nos faz recordar os Salmos 4,6 e 7 (Cf. Hab 3,19).

Hababcuc é um profeta que se atreve a interpelar a Deus e “pedir-Lhe contas” sobre a razão pela qual permite o mal no mundo. O profeta lança este tipo de perguntas: A História seria, por acaso, uma sucessão  de opressores? É essa a intervenção de Deus na História? De que lado Deus está? Será que Deus está também do lado dos opressores? Será que Deus escolhe os opressores como instrumento? Mas o profeta Habacuc não se resigna e sim interpela, questiona, protesta, encara o seu Deus.

O profeta resume a resposta de Deus, que convida à paciência e à confiança, porque a história seguirá seu curso: “A visão refere-se a um prazo definido, mas tende para um desfecho, e não falhará; se demorar, espera, pois ela virá com certeza, e não tardará. Quem não é correto, vai morrer, mas o justo viverá por sua fé”. Em outras palavras, em tudo isso, Habacuc encontra a palavra-chave: a fidelidade e confiança (Hab 2,4). A fidelidade do justo corresponde à fidelidade de Deus. Deus é fiel para os seus justos. Hababcuc mantém o seguinte pensamento: O Deus que deu provas de fidelidade no passado é o mesmo Deus em quem o profeta confia. O profeta Habacuc quer nos ensinar que é preciso manter a fidelidade em Deus apesar das dificuldades, pois toda a esperança está em Deus. “Quem não é correto, vai morrer, mas o justo viverá por sua fé(Hab 2,4).

Habacuc quer nos mostrar que em meio das fragilidades e das ruinas, das dificuldades e dos fracassos, o homem considerou sempre Deus como “o Eterno”, o Forte, o Santo, o Imortal: “Acaso não existes desde o princípio, Senhor, meu Deus, meu Santo, que não haverás de morrer?”. E por isso, o homem deve confiar em Deus cegamente. Deus é eternamente o Outro. Há que saber esperar. Com Deus, há que fazer o salto ao desconhecido com firmeza. Porque Deus realiza seu projeto, porém o projeto de Deus “se relizará a seu devido tempo”. Há que atravessar a noite com certeza de que o sol vai aparecer para iluminar vastamente nossa vida.

A mesma pergunta nos vem à mente com frequência, também na atualidade: Por que Deus permite o mal e maldosos e os maus? Por que os malvados perseveram na sua maldade? Por que os inocentes e os justo se tornam vítimas fáceis dos maus e dos malvados? Deus está em que lado? Por que Deus fica em silêncio?

A linguagem dos Salmos nos ensina a mantermos nossa oração na luta entre o bem e o mal, entre os malvados e os humildes e débeis. Nesta luta, Deus está certamente do lado dos débeis: “Pois não esquece o clamor dos infelizes, deles se lembra e pede conta do seu sangue” (Salmo Responsorial). O Salmo Responsorial quer nos recordar que Deus se preocupa com os pobres e está próximo dos angustiados.

Não sabemos como, mas um dia o joio será separado do trigo, e o peixe ruim não terá a mesma sorte que os bons peixes. Deus ensina seu profeta  e a todos nós  a respeitar os tempos: continuar lutando contra o mal, mas sem desanimar ou querer queimar etapas.

Fé Firme Em Deus e Oração Perseverante Resultam Em Algo Extraordinário

’Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?’. Jesus respondeu: ‘Porque a vossa fé é demasiado pequena. Em verdade vos digo, se vós tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha: ‘Vai daqui para lá’ e ela irá. E nada vos será impossível’”.

O texto do evangelho de hoje quer responder à questão fundamental da Igreja depois da Páscoa: Como continuar a missão de Jesus, pois fisicamente Ele se ausentou definitivamente?

O tema do texto é a falta de fé e a fraca fé que tornam discípulos impotentes diante de certas situações. Para quem tem fé nada é impossível, pois a fé é a obediência ao Pai que pede para escutar o Filho sobre a montanha na Transfiguração (Mt 17,20). Quem escuta Jesus já venceu o mal. A fé, que consiste na escuta e na realização da Palavra Divina (Mt 7,21.24) torna presente o Ausente. A impotência é devida à falta de fé. Quem escuta Jesus se torna como Ele e pode realizar as suas mesmas obras, a primeira de todas é exatamente vencer o espírito de incredulidade, raiz de toda a perversão e mal.

O episódio de um pai que se dirigiu a Jesus para pedir socorro, narrado no texto do evangelho de hoje, se encontra nos evangelhos sinóticos (Mt, Mc e Lc); um episódio que aconteceu logo depois da transfiguração. Ao descer da montanha da transfiguração, Jesus se encontra com um grupo de seus apóstolos que não foram capazes de curar um epiléptico. Jesus atribui o fracasso por causa de sua pouca fé. Não souberam confiar em Deus.

Quantas vezes fracassamos em nosso empenho por falta de fé. Tendemos a pôr a confiança em nossas forças, em nossos meios, em nossas técnicas,  nas instituições. E não contamos com Deus e com seu Santo Espírito. Mas ter fé não é ficar com braços cruzados e esperar que Deus trabalhe por nós. A colaboração humana na graça oferecida por Deus sempre resulta num milagre.

É curioso que o homem em questão, na cena do Evangelho de hoje, em vez de se dirigir diretamente a Jesus, dirigiu-se primeiro aos discípulos para pedir ajuda pela cura de seu filho. Não tendo conseguido nada deles, ele se dirigiu logo ao seu Mestre. O que se segue é o diálogo de Jesus com seus discípulos.

O sofrimento do filho desse pai é atribuído ao demônio: “Jesus o ameaçou e o demônio saiu dele”. A enfermidade se identifica com um demônio. Esse “demônio” em Mateus representa qualquer ideologia ou projeto contrário ao plano de Deus (cf. Mt 16,23) que cega o homem e o faz paralisado ou sem ação. “O filho doente” representa o povo oprimido por essa ideologia que procura periodicamente (epiléptico) todos os meios, até os meios violentos (fogo, água) para sair de sua situação. No entanto todos são ineficazes.

O pai se dirige a Jesus com fé. Sua fé se expressa através do gesto: de joelho (atitude diante da divindade), e através da profissão: ele chama Jesus de “Senhor”, um título pós-pascal. Ele quer sair de sua situação (cura de seu filho). E quem pode salvá-lo de sua situação é Jesus que é o Senhor: “Um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se e disse: ‘Senhor, tem piedade do meu filho. Ele é epiléptico, e sofre ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água. Levei-o aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo!’”.

Diante do relatório e do pedido do pai, a resposta de Jesus é bastante dura: “Ó gente sem fé e perversa! Até quando deverei ficar convosco? Até quando vos suportarei?”.

A paixão do Messias já se inicia não tanto pelas dores corporais, mas pelas dores provocadas pelo profundo sofrimento espiritual. Trata-se do impacto da descrença e da falta de fé da parte dos discípulos apesar das lições dadas a eles e das obras operadas por Jesus em função da libertação das pessoas.  Os discípulos ainda fazem parte da “geração incrédula e perversa”, pois eles continuam com a idéia dos homens (Mt 16,23), ou seja, ainda professam o messianismo dos letrados, sem depositar sua fé em Jesus, o Deus-Conosco (Mt 1,23; 18,20; 28,20), e por isso são incapazes de libertar o povo. Diante deles, Jesus libertou o menino de seu mal: ”’Trazei aqui o menino’. Então Jesus o ameaçou e o demônio saiu dele. Na mesma hora, o menino ficou curado”.

Diante da pergunta sobre o porquê da incapacidade dos discípulos em curar o menino, Jesus deu-lhes uma grande lição sobre a importância da fé: “Em verdade vos digo, se vós tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha: ‘Vai daqui para lá’ e ela irá. E nada vos será impossível”. Com suas palavras, Jesus sublinha, sobretudo, a necessidade da fé para poder vencer o mal.

A fé é onipotente porque nos une ao Onipotente. A fé é o ponto de apoio em Deus. A fé nos dá um poder incrível, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, como podemos verificar na vida de tantos homens e mulheres ao longo da história da Igreja. A fé nos permite rezar de modo eficaz. Segundo Jesus, a verdadeira fé faz desaparecer qualquer impossibilidade, faz qualquer um caminhar na vida com serenidade e paz, com alegria profunda como uma criança nas mãos de sua mãe. A verdadeira fé liberta qualquer um do desapego de todas as coisas. Além disso, é importante para nossa vida comunitária ter em conta que a fé em Deus nos abre muitas possibilidades e qualidades que estão escondidas e adormecidas. Ao assumir pessoalmente a fé, começaremos a ser conscientes de nossas grandes reservas humanas, as quais devem ser postas para o serviço aos demais.

Em verdade vos digo, se vós tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha: ‘Vai daqui para lá’ e ela irá. E nada vos será impossível”. Há que tomar a sério essas palavras do Senhor. Efetivamente não se trata de remover as montanhas materiais. Mas pela fé podemos realizar outras tarefas que não são menos difíceis: remover montanhas de orgulho e de prepotência, de egoísmo, de covardia, de comentários maldosos, de comodismos, de falta de solidariedade e de partilha, etc., mudar de coração, de hábitos negativos instalados no nosso coração para podermos entrar em relação com Deus e com os irmãos, nossos próximos. A fé, tal como é considerada aqui por Jesus, é uma fonte de audácia, de iniciativa. A fé, tal como Jesus a vê, é uma força: triunfa sobre o impossível, duplica as forças do homem para superar o impossível do ponto de vista humano, é um “poder de Deus” para a salvação de qualquer pessoa que crê.

Jesus tirou o mal do menino no texto do evangelho de hoje. Nossa luta contra o mal, o mal que há dentro de nós e o mal dos demais, somente pode ser eficaz quando se baseia na força de Deus. Somente em união com Cristo é que se pode libertar o mundo de todo mal. Não se trata de fazer gestos mágicos ou de pronunciar palavras que tem eficácia por si só. Quem salva e quem liberta é Deus e nós, somente se permanecermos unidos e Deus pela oração. Esta é uma das lições que Jesus nos dá hoje.

O que acontece é que muitas vezes nossa fé é débil, como a fé dos discípulos. Os discípulos encontraram dificuldade em libertar os outros de seus males porque confiaram apenas em suas próprias forças. Muitas vezes nos fracassamos, como os discípulos de Jesus, porque confiamos somente nas nossas próprias forças e nos esquecemos de nos apoiar em Deus.

Para que nossa fé permaneça fé é preciso nutri-la com a oração. A oração, por sua vez, consiste em pensar em Deus amando-o, eleva-nos para o mesmo Deus, a partir de qualquer circunstância. É a oração que nos permite abrir o cofre dos favores divinos, pois nos põe em contacto com o Deus vivo a quem, segundo o ensinamento de Jesus, dizemos: “Faça-se a tua vontade”. Este abandono a Deus é importante para nós, pois Ele sabe o que mais nos convém ou não convém. Rezamos não para mudar Deus e sim para mudar quem reza de acordo com a vontade ou o plano de Deus sobre o ser humano. Quem não reza erra muito o caminho.

P. Vitus Gustama,svd

Sexta-feira Da XVIII Semana Comum, Ano Par, 07/08/2026

AS CONDIÇÕES PARA SER CRISTÃO CONVICTO E CONSCIENTE

Sexta-Feira da XVIII Semana Comum

Primeira Leitura: Na 2,1.3;3,1-3.6-7

2,1 “Eis sobre os montes os passos de um mensageiro, que anuncia a paz. Ó Judá, celebra tuas festas, cumpre tuas promessas: nunca mais Belial pisará teu solo; ele foi aniquilado. 3 O Senhor há de restaurar a grandeza de Jacó, assim como a grandeza de Israel, pois os ladrões os saquearam e devastaram suas videiras. 3,1 Ai de ti, cidade sanguinária, cheia de imposturas, cheia de espoliação e de incessante rapinagem. 2 Estalo de chicotes, fragor de rodas, cavalos relinchando, ringir de carros impetuosos, cavaleiros à carga, 3 espadas brilhando e lanças reluzentes, trucidados sem conta, mortos aos montes; cadáveres sem fim, tropeça-se sobre os corpos. 6 Farei cair sobre ti tuas abominações, e te lançarei em rosto merecidos insultos; de ti farei um exemplo. 7 Assim, todos os que te virem, fugirão para longe, dizendo: ‘Nínive está em ruínas! Quem terá compaixão dela? Onde achar quem a console?’”

Evangelho: Mt 16,24-28

Naquele tempo, 24 Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga. 25 Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. 26 De fato, de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro mas perder a sua vida? Que poderá alguém dar em troca de sua vida? 27 Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta. 28 Em verdade vos digo: Alguns daqueles que estão aqui não morrerão antes de verem o Filho do Homem vindo com seu Reino”.

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Deus Tem a Última Palavra Sobre o Homem Mesmo Que Este Pareça Ser Poderoso

Ó Judá, celebra tuas festas, cumpre tuas promessas: nunca mais Belial pisará teu solo; ele foi aniquilado. O Senhor há de restaurar a grandeza de Jacó, assim como a grandeza de Israel, pois os ladrões os saquearam e devastaram suas videiras”. São Palavras do profeta Naum que lemos na Primeira Leitura.

Naum” em hebraico significa “Consolado” que se converte em “Consolador” do povo, specialmente em época do sombria. O livro do profeta Naum é muito curto: tem apenas três capítulos. Ele exercia sua função como profeta em torno dos anos 663 a 612 a.C. Naum era contemporâneo do profeta Jeremias. A mensagem do livro de Naum é dura. Naum anuncia que Deus não tem a compaixão contra os opressores do povo. No entanto, a profecia de Naum se limita a afirmar que o Deus fiel não abandona Judá. Assim como Deus salvou os israelitas da escravidão do Egito, assim também os oprimidos pela Assíria.

A ideia fundamental da pregação do profeta Naum é, então, a justiça divina que se exerce sobre todos os opressores. O profeta centra sua atenção no castigo de Nínive, capital da nação opressora, por excelência, Assíria. Durante um século e meio, o exército assírio foi o pesadelo para as pequenas nações da costa siro-fenício-palestina. Nínive não é apenas a capital de um país poderoso, mas também o símbolo do orgulho e da violência, dos “poderosos” de toda ordem.

Mas agora Assíria chegou seu momento final. A descrição do profeta Naum sobre o fim da Assíria opressora é viva e vigorosa, sem perder a beleza literária: “Ai de ti, cidade sanguinária, cheia de imposturas, cheia de espoliação e de incessante rapinagem... Farei cair sobre ti tuas abominações, e te lançarei em rosto merecidos insultos; de ti farei um exemplo”.

Uma vez cumprida a justiça divina sobre a opressora, a injusta Assíria, o profeta Naum entoa um cântico de exultação a Judá, convidando a gozar-se das boas novas que traz o mensageiro da paz: “Eis sobre os montes os passos de um mensageiro, que anuncia a paz. Ó Judá, celebra tuas festas, cumpre tuas promessas: nunca mais Belial pisará teu solo; ele foi aniquilado”.

Nínive é um tipo de cidade que quer dominar o mundo. Mas não pode durar diante de Deus por causa de sua maldade. Nínive hoje toma outros nomes: são todas as potências que no seio dos sistemas econômicos atuais se aproveitam do dinheiro e da mentira ou fake News para praticar a corrupção, para roubar dinheiro público, para oprimir os débeis, para se aproveitar dos indefesos e inocentes e assim por diante. O pior é que eles usam até as Sagradas Escrituras para convencer o povo, mesmo que eles não vivam conforme ensinam as Sagradas Escrituras. O profeta Naum quer nos relembrar que o julgamento divino vai pesar sobre os injustos, opressores, violentos, pois maltratar um ser humano significa maltratar o próprio Criador. Nisto entendemos que os direitos humanos são também os direitos divinos (cf. Mt 25,40.45).

Fraudes, violências, injustiça, barbárie, brutalidade não são privilégios daquele tempo. Tudo isso continua a acontecer em qualquer lugar e tempo, inclusive no nosso tempo. Mas o profeta Naum deixa bem claro que os grandes poderes do mundo não são eternos. Eles têm sua validade no tempo. Qualquer poder neste mundo tem seu tempo limitado. Assíria dominava, amontoava, oprimia, humilhava, principalmente, os pequenos, mas um dia caiu em pedaços e despareceu da história, assim como outros impérios que um por um foi caindo e desaparecendo, mas a história continua.

Feliz seja quem tem Deus na sua vida, pois Deus vai ter a última palavra sobre a humanidade. Todos podem não acreditar em Deus para continuar a praticar o mal e a maldade, mas o julgamento final é inevitável para todos.O julgamento será sem misericórdia para quem não pratica a misericórdia. A misericórdia  desdenha o julgamento” (Tg 2,13).

Preço e Consequências Do Seguimento

Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la”.

As exigências do seguimento de Jesus das quais fala o evangelho deste dia são repetidas seis vezes com variantes maiores e menores nos quatro evangelhos (Mt 16,24ss; Mc 8,34ss; Lc 9,23s; Jo 12,24ss; Lc 14,27; Mt 10,38s). Essa repetição nos indica a importância dada pela Igreja dos apóstolos a essas exigências.

Os discípulos já fizeram uma opção inicial por Jesus. Agora, diante das implicações do seguimento se encontram diante de uma situação da escolha definitiva. Para ser discípulo de Jesus não é suficiente a chamada; é necessária uma resposta clara depois de ter consciência das condições que a chamada impõe.           

Ao apresentar para os discípulos as condições do seguimento, Jesus não impõe, mas propõe: “Se alguém quer...”. São João Crisóstomo comentou: “Ele disse: Eu não forço nem obrigo ninguém a me seguir, deixo a cada um dono de sua própria escolha; por isso, digo: Se alguém quer...”. O seguimento não é uma imposição. Todos têm a liberdade de aceitar ou de recusar. Mas quem quer seguir verdadeiramente a Jesus, tem que assumir as exigências propostas por ele. Tudo tem que ser tomado na base da liberdade, da obediência da fé e por amor.       

A primeira condição é a renúncia a si mesmo: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo...” (v.24).

Renunciar a si mesmo” ou “negar-se a si mesmo significa o seguidor deixa de encontrar  nele mesmo seu centro (egoísmo). Somente aquele que não se encerra em si mesmo pode verdadeiramente realizar em plenitude sua própria vida em Deus. Pela renúncia e pela cruz, Jesus não propõe uma destruição e sim um desenvolvimento, uma expansão total e eterna. Por isso, renunciar a si mesmo ou negar-se a si mesmo leva a pessoa a deixar encontrar em si mesma “seu centro” (egoísmo), mas aberta diante de Deus e do próximo. A renúncia não tem seu fim em si mesma. A renúncia é a condição de uma vida em plenitude. A própria vida se converte em uma vida de entrega com a possibilidade de sofrimento (cruz) sem nenhum tipo de gratificação humana, pois a vida se entrega unicamente Àquele que é capaz de dar sentido.

Por isso, renunciar a si mesmo não significa uma resignação cansada diante da vida nem uma “entrega dos pontos” nem por falta de opções. Antes de tudo significa a libertação da própria liberdade do egoísmo a que estava atada e que agora se entrega inteiramente a Deus. O seguidor é chamado a colocar o próprio eu no centro do interesse do Reino de Deus. O centro de sua vida está doravante na vontade de Deus, manifestada para ele na pessoa e na missão de Jesus Cristo. E esta entrega tem de ser livre para poder ser feita na alegria, no entusiasmo e na generosidade. O seguidor é chamado à renúncia, a arriscar a própria vida, porque só assim poderá, como Cristo, chegar à glória que é a meta de todo caminho da cruz. Mas toda renúncia deve ter como base o amor. O sacrifício, a renúncia de si mesmo que não seja animado pelo amor, que não seja uma manifestação de amor, que não seja uma expressão de doação de si mesmo, que não leve à comunhão com os outros é apenas uma tortura auto-infligida. A renúncia que Jesus pede não é uma ação negativa. Ele pede amor, doação de si mesmo. Tudo tem que ser feito por amor. Sem o amor, viveremos uma vida dupla. E este tipo de vida, não traz a alegria verdadeira nem para si nem para os outros. Renunciar a si mesmo é que faz qualquer um discípulo ou seguidor de Jesus.          

A segunda condição é o “carregar a sua cruz”: “Se alguém quer me seguir, tome a sua cruz e me siga” (v.24b). Ser cristão não significa curtir a dor. “Carregar a cruz” é uma expressão que os primeiros cristãos utilizaram muito para expressar sua união com Jesus na sua morte e ressurreição. É uma expressão relacionada ao mistério pascal de Jesus Cristo. A cruz de Jesus é o maior sinal de seu amor por nós.

Viver  fielmente os ensinamento de Jesus pode ter conseqüências de sofrimento. Quem vive de acordo com a justiça e a honestidade, será perseguido por quem vive na corrupção, na desonestidade e na injustiça. Ser verdadeiro seguidor de Jesus jamais será isento de sofrimento ou cruz. Não dá para parar de sofrer se o cristão viver fielmente de acordo com os ensinamentos de Jesus Cristo.. A Igreja de Jesus é também a Igreja dos mártires. A cruz é a consequência de colocar o bem acima de qualquer interesse pessoal. É uma morte do eu para que o outro possa viver. Jesus pede ao seguidor o esvaziamento total de si mesmo, até a morte física, se for preciso. Quem não tiver esta disponibilidade, ainda não é verdadeiramente seguidor de Cristo. Todo aquele que quer seguir a Jesus incondicionalmente deve estar pronto para percorrer todos os passos da Paixão, pois o “mundo” tenta crucificar e eliminar os seguidores de Cristo por todos os meios, como aconteceu com Jesus.          

Depois dessas condições, Jesus mostra os motivos em forma de ditos paradoxais.          

Em primeiro lugar Jesus afirma que quem buscar egoisticamente, a todo custo, usando quaisquer meios, aproveitar, gozar e conservar a própria vida acaba desperdiçando-a e perdendo-a: “Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la”.  (Mt 16,25; cf. Mt 10,39; Mc 8,35; Lc 9,25;17,33; Jo 12,25).

Nossa vida não é feita para ser guardada e sim para ser entregue e doada. Amar não é “sentir emoção”, não é desejar possuir o outro. Amar é esquecer-se de si mesmo para dar-se ao outro. Isso supõe muita renúncia. Toda vez que alguém tomar para si o outro, ele deixa de amá-lo. Não podemos dizer que amamos o outro quando queremos dizer somente para desfrutar do outro. Isso seria apenas amar a nós mesmos. Amaremos de verdade quando formos capazes de nos renunciar, de nos esquecer, de morrer a nós mesmo em beneficio daqueles aos quais amamos. Quem amou muito e até o fim foi Jesus (cf. Jo 13,1; 15,13). E somos chamados de seguidores de Jesus. Somos cristãos, isto é, somos de Cristo. 

Querer guardar para si a própria vida é o caminho mais seguro para perdê-la. Pelo contrário, quem vive em função do serviço desinteressado aos outros na bondade e no amor, ele acaba encontrando a vida na sua plenitude, acaba ganhando a vida eterna. A vida só se encontra, doando-a. O próprio Jesus é o exemplo desta doação. Ele se doou até o fim a Deus e aos homens. O homem muitas vezes somente dá um pouco de sua vida. O verdadeiro cristão se doa tudo por amor.          

No v. 26 Jesus repete o paradoxo anterior: “De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida?” Possuir os bens deste mundo não seria um mal em si mesmo, mas torna-se o maior dos males quando, por causa de tais posses, o cristão é impedido de seguir a Cristo ou de viver os valores do Reino de Deus. Jesus, certamente, rejeitou o “mundo inteiro” que o Tentador lhe oferecera, pois o preço da oferta era a idolatria (Mt 4,8s). “Desapeguemos o coração de todas as criaturas. Quem está agarrado a alguma coisa da terra, ainda que mínima, nunca poderá voar e unir-se todo a Deus” (S. Afonso de Ligório). Ainda que alguém ganhasse o mundo inteiro (riqueza, glória, poder), a vida é efêmera. Na ótica da fé, todas as riquezas do mundo são insignificantes quando o que está em jogo é a vida em plenitude (eterna) que Jesus oferece aos que o seguem.

Jesus nos ensina o caminho do amor. Não há amor verdadeiro sem renúncia. Para amar tem que aprender a sacrificar-se. Quem busca a si mesmo e seus próprios interesses, nunca experimentará o verdadeiro amor que faz feliz a alma. Somente poderemos ser cristãos se nos amarmos uns aos outros (cf. Jo 15,12). Amar de verdade supõe o sofrimento, supõe cruz. uma boa maneira de fazê-lo é servir aos outros ao meu redor com pequenos detalhes e não queixando-me diante dos inconvenientes típicos de cada jornada.          

O fundamento último da nossa opção pelo seguimento incondicional de Cristo é a certeza, dada pela fé, de que o Filho do Homem virá um dia na sua glória (v.27). Ele terá a última palavra sobre o homem. Essa palavra será uma palavra da graça divina para quem segue a Jesus incondicionalmente por amor. O juízo final torna-se, então, a medida para avaliar a existência histórica e ao mesmo tempo a bússola que orienta a vida do cristão nas escolhas justas e sensatas na vida diária neste mundo.

P. Vitus Gustama,svd

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Transfiguração Do Senhor, 06/08/2026

TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR NA NOSSA VIDA

I Leitura:  Dn 7,9-10.13-14

9 Eu continuava olhando até que foram colocados uns tronos, e um Ancião de muitos dias aí tomou lugar. Sua veste era branca como neve e os cabelos da cabeça, como lã pura; seu trono eram chamas de fogo, e as rodas do trono, como fogo em brasa. 10 Derramava-se aí um rio de fogo que nascia diante dele; serviam-no milhares de milhares, e milhões de milhões assistiam-no ao trono; foi instalado o tribunal e os livros foram abertos. 13 Continuei insistindo na visão noturna, e eis que, entre as nuvens do céu, vinha um como filho do homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença. 14 Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá.

II Leitura: 2Pd 1,16-19

Caríssimos, 16 não foi seguindo fábulas habilmente inventadas que vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, mas sim, por termos sido testemunhas oculares da sua majestade. 17 Efetivamente, ele recebeu honra e glória da parte de Deus Pai, quando do seio da esplêndida glória se fez ouvir aquela voz que dizia: “Este é o meu Filho bem-amado, no qual ponho o meu bem-querer”. 18 Esta voz, nós a ouvimos, vinda do céu, quando estávamos com ele no monte Santo. 19 E assim se nos tornou ainda mais firme a palavra da profecia, que fazeis bem em ter diante dos olhos, como lâmpada que brilha em lugar escuro, até clarear o dia e levantar-se a estrela da manhã em vossos corações.

Evangelho: Mt 17,1-9

Naquele tempo, 1 Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. 2 E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. 3 Nisto apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. 4Então Pedro tomou a palavra e disse: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias”. 5 Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!” 6 Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito assustados e caíram com o rosto em terra. 7 Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantai-vos, e não tenhais medo”. 8 Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. 9 Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos”.

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Os evangelhos que relatam o episódio da Transfiguração do Senhor querem nos dizer que Jesus que caminha até a Cruz, é realmente o Senhor. Precisamente, neste Jesus que caminha até a Cruz encontramos o cumprimento de todas as esperanças. A transfiguração se transforma na revelação não somente do que será Jesus depois da Cruz, mas ao longo de sua viagem para Jerusalém. A transfiguração de Jesus revela a verdadeira natureza de Jesus como Senhor (título pós-pascal). A transfiguração quer revelar aos discípulos que atrás da Cruz há a glória. E para os discípulos, representados por Pedro, João e Tiago, é concedida a graça de contemplar a glória de Jesus, por um instante. A transfiguração é a Páscoa antecipada por um instante.

Para o evangelista Mateus a cena da transfiguração de Jesus tem um sentido teológico profundo: Deus mais uma vez, revela a glória messiânica de Jesus. Jesus é identificado como “o meu Filho amado”. É a mesma fórmula do Batismo (cf. Mt 3,17), influenciada por Is 42,1 e Sl 2,7. A fórmula final “Escutai-O” é uma alusão clara a Dt 18,15, um texto que anunciava o envio de um novo Moisés encarregado de transmitir as palavras de Deus. Na perspectiva de Mateus, Jesus é esse novo Moisés. Ele deve formar o novo povo de Deus e revelar a esse novo povo os segredos de Deus (cf. Jo 15,15b).

Reflitamos alguns pontos do texto do evangelho sobre a transfiguração na versão do evangelho de Lucas!

1. Jesus Na Alta Montanha

Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha

No Antigo Testamento a montanha é o lugar preferido do encontro com o Deus santo. Jesus se encontra na alta montanha com os três discípulos. Esta expressão não quer sublinhar apenas que Jesus está na presença de Deus. Os evangelistas querem nos dizer que Deus está na presença de Jesus. Jesus deixa-nos entrever o mistério de Deus na sua existência igual à nossa. Jesus se deixa habitar por Deus e por isso, ele se torna uma presença divina diante dos homens.

As montanhas na vida de Jesus são diversamente consideradas pelos sinóticos (Mc, Mt, Lc). Todos eles concordam em mostrar que Jesus gostava de retirar-se à montanha para orar (Mt 14,23; Lc 6,12; 9,28) e que ali ele busca um refúgio contra a publicidade ruidosa (Jo 6,15).

Para o evangelista Mateus, as montanhas da Galileia são o lugar privilegiado das manifestações do Salvador. A vida de Jesus está marcada por duas cenas sobre a montanha. No início de sua vida pública Satanás oferece a Jesus o poder sobre o mundo inteiro (Mt 4,8). E ao fim de sua missão terrena, Jesus confere a seus discípulos o poder que recebeu do Pai (Mt 28,16). Entre estas duas cenas, também é em tal montanha ou em outra Jesus ensina as multidões (Mt 5,1), cura muitos doentes e lhes dá um pão maravilhoso (Mt 15,29...) e finalmente, aparece transfigurado, como lemos no texto do Evangelho de hoje (Mt 17,1s). Nenhuma destas montanhas leva um nome preciso. Como se o discípulos de Jesus fosse libertado contra a tentação de plantar para sempre sua tenda em alguma destas montanhas. Jesus vincula sua mensagem não a um lugar da terra e sim à sua pessoa.

Na montanha se encontra o silêncio. Neste silêncio é que Jesus se comunica com o Pai. A função do silêncio é nos mergulharmos na comunhão divina e nos pôr numa situação em que o próprio Deus possa se revelar a nós. Deus habita o silêncio porque sua vitalidade interior é “silêncio”. Nosso comportamento de silêncio sublinha a urgência de nosso coração habitar em Deus para contemplar sua luminosidade. Fazer silêncio gera uma sede viva da Palavra. O silêncio é o ambiente normal no que se vive e se desenvolve a comunhão com Deus.

2. Quem Anda Com o Senhor Se transfigura e Experimenta a Glorificação

A transfiguração é uma mensagem da esperança com intenção de animar qualquer um de nós em qualquer situação onde nos encontramos.

Jesus percebe o desânimo dos seus discípulos por causa das dificuldades. Com Jesus eles são criticados, muitos os recusaram. Além disso, ainda ouviram de Jesus três vezes o anúncio da morte iminente de Jesus com muito sofrimento. Com certeza, surge uma pergunta no seu coração: Será que vale a pena seguir esse Jesus que se diz o Messias esperado?

Para resolver o problema do desânimo dos discípulos Jesus leva os três representantes para o topo de uma montanha: Pedro, Tiago e João. No topo da montanha é que Jesus se transfigura diante deles. Com essa transfiguração Jesus quer dizer aos três: quando caminha comigo, mesmo que enfrente muitas dificuldades, muitas críticas, bastante recusas, experimentará a vida glorificada, terá uma vida transfigurada. Jesus quer lhes dizer: “Comigo não tenham medo de nada e de ninguém, pois a minha Palavra será a última palavra! ”. Quando as forças humanas se esgotarem, a fé em Jesus vai surgi-las novamente.

3. Deus Quer Ficar Em Nossa Casa e Habitar Em Nosso Coração

É bom estarmos aqui, Senhor. Vamos fazer três tendas: uma para Ti, outra para Moises e outra para Elias”, disse Pedro a Jesus. O projeto da tenda de Pedro responde ao desejo inconsciente de ter Deus a distância, de marcar limite da presença de Deus em lugares e tempos bem definidos. Mas Deus não aceita nosso jogo. Com sua encarnação Deus escolheu outro jogo, que é muito mais sério: o jogo de nossa realidade de todos os dias.

Jesus não aceita pousada para ele. A hospitalidade que Ele pretende é a doméstica. Por isso, ele, com seus discípulos, desceu da montanha.

É curioso como o homem se preocupa sempre em construir algum lugar para Deus para deixar Deus instalado, para imobilizar Deus num lugar. Ao contrário, Deus desceu para a terra precisamente para habitar na casa do homem. Deus não habita nas paredes de uma igreja. Ele quer instalar-se em nossa casa, em sua casa, em minha casa. Deus quer instalar-se em nossa vida, em cada família, no centro de nossos trabalhos cotidianos. Que adiante visitarmos Deus nas igrejas que construímos, se Ele não tem nenhum cantinho na sua casa, na sua família, no nosso trabalho, nas nossas conversas? As igrejas que construímos deve ser manifestação de nossa vida de fraternidade, mostrando que somos todos irmãos e irmãs de Jesus, filhos e filhas do mesmo Pai celeste. O coração do homem é o lugar preferido de Deus. Um coração que ama é a melhor morada de Deus: “Se alguém me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada” (Jo 14,23). Se cada um tiver lugar para Deus na sua família, essa família vai experimentar também a transfiguração, a glorificação.

4. É Preciso Escutarmos a Jesus Permanentemente Para Orientar Nossa Vida e Para Termos a Paz

Este é o meu Filho, o amado, escutai-O

Na verdade, cada um de nós é vítima da agressão externa de hordas de palavras, de sons muito altos, de clamores que ensurdecem o nosso coração, o nosso dia e até mesmo, às vezes, a nossa própria noite. A pessoa que expulsa de seus pensamentos o Deus vivo, Aquele que é o único capaz de encher todos os espaços, o Único capaz de satisfazer seus anseios se torna uma pessoa vazia. Para preencher esse vazio, ele quer só barulho, pois aquilo que não temos dentro de nós somos obrigados a buscá-lo fora de nós.

A voz do Pai do céu fala para nós hoje sobre Jesus: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!”.  Por que precisamos escutar a Jesus permanentemente? Porque ele tem uma palavra para mim, para minha família, para meu casamento, para meu trabalho, para meus problemas, para minha angústia, para minha depressão, para minha confusão até para a minha doença e dor e assim por diante. Eu posso escutar esta palavra no silêncio e na paz. Eu preciso me alimentar desta escuta para que eu cresça na fé e me realize como pessoa muita humana.

Para termos a capacidade e uma atitude de escuta, temos que saber primeiro criar o silêncio. O silêncio possibilita a presença da eternidade. Todas as obras primas da história foram frutos do silêncio. Quem fala muito é porque não tem tempo para pensar. E a Palavra de Deus nos diz que quem fala muito a possibilidade de pecar é muito grande, pois no falar muito está o pecado. O silêncio nos ajuda a calarmos em nós a fantasia para viver a vida na sua profundidade, na sua originalidade que é dom de Deus.

Portanto, vale a pena cada um se perguntar: De que modo você escuta Jesus Cristo diariamente? Quais são seus momentos de silêncio e de escuta da Palavra de Deus no seu dia a dia? Você é uma pessoa que sabe escutar os outros? Escutar o outro também faz parte da espiritualidade cristã.

Jesus foi transfigurado. A transfiguração do homem é um sonho tão antigo quanto a humanidade. Na cena da transfiguração de Jesus o verbo se usa na voz passiva: “foi transfigurado”. Isto significa que o sujeito que transfigura o homem é o próprio Deus. Na cena que contemplamos, Deus realiza na nossa terra, na nossa história a transfiguração ou a glorificação de quem vive dentro da vontade ou plano de Deus. Na vivência da Palavra de Deus fielmente, a fragilidade de nossa carne receberá a investidura da glória de Deus. No corpo transfigurado de Jesus de Nazaré estamos contemplando a transfiguração da nossa humanidade. Vale a pena seguir a Jesus para chegar à transfiguração de nossa vida.

Há várias maneiras para uma pessoa transformar-se. A pessoa pode transformar-se com uma ideia positiva e muito feliz, com uma surpresa agradável, a tal ponto de perder a cor, conservando uma face tranquila e quase infantil. A partir da ideia bíblica, a transfiguração tem esse último sentido, em que o divino, fazendo-se ver de modo palpável e feliz, transforma a pessoa de tal modo que ela chega até a perder peso e levitar. Dizem que os santos, que adquirem alto grau de mística, passam por experiência semelhante, de levitação e transfiguração.

Quais são momentos que você cria diariamente para que o divino possa se revelar para os outros através de sua vida? Quais são momentos de “montanha” (silêncio para se comunicar com o divino) na sua vida diária?

P. Vitus Gustama,svd

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Quarta-feira Da XVIII Semana Comum, Ano Par, 05/08/2026

COM FÉ TUDO SE ALCANÇA, POIS DEUS NOS AMA ETERNAMENTE

Quarta-Feira da XVIII Semana Comum

Primeira Leitura: Jr 31,1-7

1 “Naquele tempo, diz o Senhor, serei Deus para todas as tribos de Israel, e elas serão meu povo”. 2 Isto diz o Senhor: “Encontrou perdão no deserto o povo que escapara à espada; Israel encaminha-se para o seu descanso”. 3 O Senhor apareceu-me de longe: “Amei-te com amor eterno e te atraí com a misericórdia. 4 De novo te edificarei, serás reedificada, ó jovem nação de Israel; de novo teus tambores ornarão as praças e sairás entre grupos de dançantes. 5 Hás de plantar vinhas nos montes de Samaria; os cultivadores hão de plantar e também colher. 6 Virá o dia em que gritarão os guardas no monte Efraim: ‘Levantai-vos, vamos a Sião, vamos ao Senhor, nosso Deus’. 7 Isto diz o Senhor: Exultai de alegria por Jacó, aclamai a primeira das nações; tocai, cantai e dizei: ‘Salva, Senhor, teu povo, o resto de Israel’”.

Evangelho: Mt 15,21-28

Naquele tempo, 21 Jesus retirou-se para a região de Tiro e Sidônia. 22 Eis que uma mulher cananeia, vindo daquela região, pôs-se a gritar: “Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim: minha filha está cruelmente atormentada por um demônio!” 23 Mas, Jesus não lhe respondeu palavra alguma. Então seus discípulos aproximaram-se e lhe pediram: “Manda embora essa mulher, pois ela vem gritando atrás de nós”. 24 Jesus respondeu: “Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel”. 25 Mas, a mulher, aproximando-se, prostrou-se diante de Jesus, e começou a implorar: “Senhor, socorre-me!” 26 Jesus lhe disse: “Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-los aos cachorrinhos”. 27 A mulher insistiu: “É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!” 28 Diante disso, Jesus lhe disse: “Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!” E desde aquele momento sua filha ficou curada.

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Deus Nos Ama Com Amor Eterno

Amei-te com amor eterno e te atraí com a misericórdia, são palavras cheias de ânimo que o Senhor transmite ao povo através do profeta Jeremias. Jeremias quer que o povo não perca a esperança. O golpe do desterro vai ser duro, mas os caminhos de Deus continuam sendo caminhos de salvação e de reconstrução.

Amei-te com amor eterno e te atraí com a misericórdia”, diz o Senhor ao povo eleito. Trata-se de uma linguagem entranhável. Deus é o Deus da Aliança que ama e que ajuda. Deus jamais se esquece dos seus. Deus nos amou antes de nascermos. Ele nos chamou à vida não para nos condenar e sim para nos dar a salvação eterna.

Quando ficamos longe do Senhor é porque pecamos. Não haverá a paz entre nós e Deus, se houver a paz entre nós e o pecado. Mas apesar de nossos pecados Deus quer que voltemos a Ele, como o filho pródigo, que reconhecendo seu pecado, decidiu voltar para seu pai com muita esperança de ser um dos empregados dele. Essa volta já demonstra que o filho decidiu parar de fazer o que destrói sua vida. Deus, apesar das ruinas que causamos sobre nossa vida e a vida dos demais, quer nos restaurar, pois o amor de Deus por nós é o amor eterno.

Amei-te com amor eterno e te atraí com a misericórdia”. “Deus nos ama” é a certeza de nossa vida e a fonte de nossa alegria de recomeçar nossa vida apesar de sua história escura. Precisamos nos deixar amar por Deus. Deixar-se amar por Deus é uma maneira de amar a Deus. Quando nos deixarmos amar por Deus seremos capazes de amar o próximo e deixaremos de cometer o pecado.

É Preciso Ter Fé No Deus Que Ama a Todos

’Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!’. E desde aquele momento sua filha ficou curada”.

O encontro com a mulher Cananéia vem provocar a reflexão dos discípulos feita no texto anterior do evangelho lido neste dia (Mt 15,14-20). No texto anterior se afirma que se o que sai de dentro que é impuro, a mulher não pode ser impura pelo fato de ser estrangeira (não faz parte do povo eleito). Para os discípulos, a mulher pode contaminar o grupo dos discípulos porque ela é estrangeira (pagã). Jesus não aceita esta proposta, pois Ele veio para cuidar também das ovelhas perdidas da casa de Israel.

1. A Salvação Trazida Por Jesus é Universal

O que tem por trás do relato sobre a cura da filha de uma mulher cananéia é a chegada do Evangelho aos pagãos. Neste relato usam-se os termos “cananéia”, apelativo dado à mulher cuja filha estava doente e “cachorro”. No Antigo Testamento o apelativo “cananéia”  designa os pagãos. Do mesmo modo o termo “cachorro” (animal impuro), que é para os judeus tem um sentido pejorativo, designa os pagãos (impuros).

O relato nos mostra que, sendo judeu, Jesus abre o diálogo para os pagãos, pois Ele foi enviado para salvar toda a humanidade. Por sua vez, os pagãos, representados pela mulher cananéia, reconhecem a messianidade de Jesus ao chamá-Lo de “Senhor e Filho de Davi” (Mt 15,22.25) e O adoram como Deus: “A mulher, aproximando-se, prostrou-se diante de Jesus, e começou a implorar: “Senhor, socorre-me!” (Mt 15,25).  Prostrar-se” é uma expressão de adoração.

Para enfatizar mais ainda o papel de Jesus como o Salvador da humanidade o texto usa também o termo “pão” que no relato tem um sentido simbólico: “Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-los aos cachorrinhos”. A mulher insistiu: “É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!”.  Comer as migalhas que caem da mesa dos filhossignifica receber de Jesus o dom da cura para a filha da cananéia. O pão alimenta e sustenta a vida. Jesus é Aquele que sustenta a vida da humanidade, pois Ele é a própria vida e o Pão da vida (Jo 11,25; 14,6; cf. Jo 6,35.41.48.51.55).

’Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!’. E desde aquele momento sua filha ficou curada”. a fé dessa mulher é grande, diferentemente da fé dos discípulos, que é fraca (Mt 8,26; 14,31). A fé dessa mulher é grande como a fé daquele soldado pagão que provoca a admiração de Jesus (Mt 8,10). A distância cachorrinho/filho é demolida pela fé. A fé profunda acaba com a distância entre o Céu e a terra, entre Deus e o homem.

2. Uma Pagã Que Nos Ensina a Termos Fé Em Jesus

O grandioso do relato do evangelho deste dia é a forma como uma mulher pagã é colocada como modelo de fé em seu sentido mais genuíno e original. Ela se abandona nos braços d’Aquele que vem da parte de Deus (Jesus Cristo) e se declara fraca e limitada humanamente diante do problema que afeta a vida de sua filha e consequentemente afeta também sua vida como mãe. Em uma família ninguém sofre sozinho. A mãe reconhece a superioridade e poder de Jesus, mostrando ao mesmo tempo a gravidade do problema que afeta sua própria filha. O problema de sua filha é insustentável. Na sua declaração essa mulher quer dizer a Jesus: “Sem Sua ajuda, Jesus, sem Seu poder, é impossível sair do meu problema!”.

Essa mulher era uma Cananéia, uma pagã, uma estrangeira. Jesus põe a prova sua fé usando uma frase que se utilizava para desprezar os estrangeiros ou os pagãos: “cachorro”. Mas ela, confiada na justiça e na misericórdia de Deus, responde sabiamente a Jesus: “Mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa dos seus donos”. Pela sua fé verdadeira e profunda e pela perseverança na sua oração essa mulher é premiada por Jesus: a cura de sua filha.

O evangelho nos mostra a fé de uma mulher que não pertencia ao povo eleito, não pertencia à uma Igreja ou a uma religião, mas tinha confiança e fé no poder de Jesus. Ela pode não pertencer a uma religião ou a uma Igreja, mas ela pertence a Deus pela fé que tem no poder do Deus-Encarnado, Jesus Cristo. Será que os que estão dentro da Igreja têm mais fé do que os que estão fora da Igreja? Será que os que estão dentro da Igreja são mais cristãos do que os que estão fora da Igreja? Será que os que estão dentro da Igreja são mais humanos, gentis e educados do que os que estão fora da Igreja? Será que os que estão dentro da Igreja são mais perseverantes na fé do que os que estão fora da Igreja? Será que, por causa da fé e do amor, os que são considerados fora da Igreja na verdade estão dentro da Igreja e os que são considerados dentro da Igreja na verdade estão fora da Igreja? Será.....? “Todos somos mais ateus do que acreditamos e mais crentes do que pensamos. Acho que os ateus não se opõem a Deus, mas às criaturas de Deus que os fiéis lhe mostram (René Juan Trossero).

Ser pagão não depende da pertença ou não a uma religião ou a uma Igreja. Ser pagão se define a partir do modo de viver. Por isso, há cristãos-pagãos como também há pagãos- cristãos. Há cristãos que perdem com facilidade sua fé e vivem sem esperança. São “cristãos” pagãos. Há muitos que são considerados pagãos pelos outros, como a mulher Cananéia, mas acreditam no poder de Deus incondicionalmente. São “pagãos” cristãos.

A mulher Cananéia não perde sua fé, não protesta, não se revolta ainda que encare a humilhação: ser chamada de cachorro. Ela conseguiu o que pedia, pois ela se abandonava totalmente nos braços de Deus e encarava todos os tipos de obstáculos e dificuldades. Santo Agostinho dizia que muitos não conseguem o que pedem porque são maus de coração e por isso, eles têm que ser, primeiramente, bons. Ou muitos não conseguem o que pedem porque pedem malmente, sem insistência no lugar de fazê-lo com paciência, com humildade, com fé e por amor. Há que esforçar-se por pedir o que bom para todos. A mulher Cananéia é boa mãe, pede algo bom e pede bem. Através do evangelho de hoje o Senhor quer nos mover a termos fé e perseverança e a vivermos na esperança porque Deus nos ama. Deus se vence com fé e não com orgulho. De Deus se obtém tudo com confiança. Em Deus sempre encontra uma acolhida quando cada um se aproxima com humildade e não com autossuficiência.

Essa mulher é um modelo acabado de fé e oração unidas. Ela chama Jesus de “Senhor”, um título dado a Jesus pós-pascal. Sua fé é orientada para a libertação do próximo, nesse caso de sua filha. E sua oração cumpre aquilo que Jesus pede: a fé, confiança, perseverança e sem desfalecimento.

Ela nos ensina que a fé e a oração devem andar juntas. Quem tem fé em Deus precisa rezar. E quem reza, precisa ter fé. A fé é a atitude básica de qualquer crente, de qualquer cristão, pois ela é a resposta nossa diante da oferta do amor de Deus para nós. A oração evidencia, por sua vez, a presença e a vitalidade de nossa fé em Deus.

Pe. Vitus Gustama,SVD

Sábado Da XVIII Semana Comum, Ano Par, 08/08/2026

É PRECISO TER FÉ FIRME NO DEUS ÚNICO EM TODAS AS CIRCUNSTÂNCIAS PARA SUPERAR TUDO NA VIDA Sábado Da XVIII Semana Comum Primeira Leitura:...