terça-feira, 3 de novembro de 2026

Dedicação Da Basílica Do Latrão (Catedral de Roma, 09/11/2026

SOMOS TEMPLO DE DEUS

FESTA DA DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DO LATRÃO

Primeira Leitura: 1Cor 3,9c-11.16-17 (ou Ez 47,1-2.8-9.12)

Irmãos, 9c vós sois construção de Deus. 10 Segundo a graça que Deus me deu, eu coloquei — como experiente mestre de obra — o alicerce, sobre o qual outros se põem a construir. Mas cada qual veja bem como está construindo. 11 De fato, ninguém pode colocar outro alicerce diferente do que está aí, já colocado: Jesus Cristo. 16 Acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós? 17 Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá, pois o santuário de Deus é santo e vós sois esse santuário.

ou

Primeira Leitura: Ez 47,1-2.8-9.12

Naqueles dias, 1o homem fez-me voltar até a entrada do Templo e eis que saía água da sua parte subterrânea na direção leste, porque o Templo estava voltado para o oriente; a água corria do lado direito do Templo, a sul do altar. 2Ele fez-me sair pela porta que dá para o norte, e fez-me dar uma volta por fora, até à porta que dá para o leste, onde eu vi a água jorrando do lado direito. 8Então ele me disse: “Estas águas correm para a região oriental, descem para o vale do Jordão, desembocam nas águas salgadas do mar, e elas se tornarão saudáveis. 9Onde o rio chegar, todos os animais que ali se movem poderão viver. Haverá peixes em quantidade, pois ali desembocam as águas que trazem saúde; e haverá vida onde chegar o rio. 12Nas margens junto ao rio, de ambos os lados, crescerá toda espécie de árvores frutíferas; suas folhas não murcharão e seus frutos jamais se acabarão: cada mês darão novos frutos, pois as águas que banham as árvores saem do santuário. Seus frutos servirão de alimento e suas folhas serão remédio”.

Evangelho: Jo 2,13-25

13 Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 14 No Templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. 15 Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. 16 E disse aos que vendiam pombas: “Tirai isto daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!” 17 Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: “O zelo por tua casa me consumirá”. 18 Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?” 19 Ele respondeu: “Destruí este Templo, e em três dias o levantarei”. 20 Os Judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?” 21 Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo. 22 Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele.

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Novembro é um mês projetado para a eternidade, porque a liturgia agrupa uma serie de festas que tem um profundo sentido escatológico.

A Igreja celebra a solenidade de Todos os Santos no dia primeiro do mês para nos relembrar que somos chamados diariamente à santidade.

Logo no dia 2 de Novembro a Igreja comemora o Dia de Finados e quer nos recordar o sentido pascal da morte que é trânsito dos que descansam em Cristo e esperam o “lugar” da luz e da paz.

Também no mês de Novembro a Igreja celebra as dedicações das basílicas do Salvador/Latrão (9 de novembro) e as de São Pedro e são Paulo (18 de Novembro). Tudo isso nos faz pensarmos através da igreja material, tabernáculo de Deus entre os homens, na Igreja do céu “adornada como uma noiva que sai para receber a esposo”. Esta recordação quer avivar em nós a vinda do Senhor no fim dos tempos.

Uma Pequena História Da Festa

A Basílica do Latrão é um dos primeiros templos que os cristãos puderam erguer depois da época das perseguições. Foi consagrada pelo Papa Silvestre no dia 09/11/324. A festa, que a princípio era celebrada apenas em Roma, passou a ser festa universal no rito romano, em honra dessa igreja chamada “Mãe e Cabeça de todas as igrejas de Roma e de todo o mundo” (Urbis et Orbis) como sinal de amor e de unidade para com a Cátedra de São Pedro. A história desta Basilica evoca a chegada à fé de milhares de pessoas que ali receberam o Batismo.          

Latrão era um palácio, propriedade romana da família dos Laterani. Nos inícios do século IV pertencia a Fausta, esposa do imperador Constantino, que fez a doação desse patrimônio à Igreja. Constantino mandou construir no lugar do palácio (por volta de 324) uma suntuosa basílica em honra a Cristo Redentor que se tornou a catedral de Roma e a primeira basílica patriarcal. No início do século X, sob a gestão do papa Sérgio III (904-911), ela foi consagrada adicionalmente a São João Batista e a São João Evangelista, e desde então é conhecida pelo nome de basílica “São João de Latrão”. Segundo a inscrição, o Papa Clemente XII (1730-1740), conhecido como um papa promotor das artes e das ciências, mandou afixar que essa basílica é a “mãe e cabeça de todas as igrejas da Urbe e do Orbe” (“Mater et Magistra omnium Ecclesiarum”, e “cardo totius urbis et orbis”).          

Nessa basílica foram realizados os cinco concílios ecumênicos: Concílio de Latrão I, o nono concílio (1123); Concílio de Latrão II, o décimo concílio (1139); Concílio de Latrão III, o décimo primeiro concílio (1179); Concílio de Latrão IV, o décimo segundo concílio (1215); e o Concílio de Latrão V, o décimo oitavo concílio (1512-1517).          

A basílica lateranense ocupa lugar único e preponderante entre as basílicas romanas. Nessa basílica os papam haviam residido durante quase mil anos (do tempo de Constantino até o exílio de Avinhão). Depois da morte do papa Bento XI (1303-1304), o conclave se realizou em Perúgia. O Colégio Cardinalício dividira-se em duas facções: a francesa e a italiana. O conclave teve 11 meses de duração. Finalmente foi eleito o candidato dos franceses, Clemente V (1305-1314). Com essa eleição iniciava-se o exílio dos papas em Avinhão, a partir de 1309, que duraria 70 anos. A partir de 1309 o papa passou a residir em Avinhão, França. Somente a partir do Papa Gregório XI (1370-1378: papa francês) começou o retorno para Roma. Gregório XI deixou Avinhão, acompanhado de 13 cardeais, em 13 de setembro de 1376, ingressando solenemente em Roma. A partir de Clemente V começou a dominação francesa. Foram eleitos os papas franceses sucessivamente: João XXII (1316-1334), sucessor de Clemente V; Bento XII (1334-1342); Clemente VI (1342-1352); Inocêncio VI (1352-1362); Urbano V (1362-1370). Este papa decidiu o regresso a Roma, porque também Santa Brígida da Suécia, inclusive Santa Catarina de Siena, solicitara que o fizesse. Mas por causa da pressão dos cardeais franceses esse regresso não teve sucesso, embora esse papa chegasse a entrar em Roma, mas voltou novamente para Avinhão; Gregório XI (1370-1378). Com Gregório XI morreu o último papa francês a ocupar a cátedra de Pedro.           

A festa da consagração da Basílica do Latrão que celebramos hoje deve nos levar a revivermos e a pensarmos na unidade de toda a Igreja como Cristo sempre quer: “Que eles sejam um”, assim ele rezou antes de sua morte (cf. Jo 17). A palavra “igreja” em si significa “assembléia”, “comunidade”, “Convocação”. Se a comunidade não existe, os corações se fecham e morrem. Mas a unidade não significa a uniformidade, pois negaria o dom de cada um e empobreceria a convivência. Por isso, Santo Agostinho dizia: “No essencial unidade, na dúvida liberdade, mas em tudo a caridade”. Certamente a autenticidade da comunhão e da comunidade se manifesta no esforço constante de amar seus irmãos e irmãs, com enorme fidelidade, sem julgar nem condenar.

O Sentido Do Templo

Evidentemente, o templo é um lugar de encontro do homem com Deus. O templo é tão antigo como o homem. em todas as civilizações, em todas as culturas das quais temos notícia, aparece, com toda certeza, o templo. O homem é um ser sociável e sensível: necessita coletiva e materialmente ter um lugar para se aproximar de Deus, um lugar no qual seu Deus receba culto e onde pode pacifica e serenamente falar com Ele. 

Os judeus amavam seu Templo com uma verdadeira devoção. Estavam orgulhosos de seu esplendor e de sua grandeza (Cf. Mc 13,1-2; Mt 24,1-2; Lc 21,5-6). Era morada tangível e visível de Deus, o lugar onde se guardava a Arca da Aliança, o lugar em que se sente protegido; sinal concreta da presença divina. 

A grandeza espiritual de Jesus Cristo, seu amor ao Pai, seu conhecimento de Deus era incompatível totalmente com aquela alteração substancial do templo. Nesse templo, esplêndido e precioso, não poderia encontrar-se o Deus que ele conhecia, amava e servia. Era necessário purificar o templo de seu uso comercial. 

São importantes os templos, porém o que verdadeiramente tem importância são as pessoas que recorrem a eles para conversar com Deus. O cristianismo não é uma religião de “coisas sagradas” e sim de “pessoas santas”: “O Templo de Deus é santo; esse templo sois vós” (1Cor 3,16-17). Deus não se manifesta em uns objetos animados (uma pedra, um animal, uma planta, uma imagem, uma construção etc.). Deus se manifesta no homem Jesus de Nazaré e nos crentes que constituímos a Igreja: edifício construído por Deus sobre a pedra angular que é Jesus Cristo. Não se pode pôr outra pedra angular. Jesus Cristo não é um dado arquivado, que pertence à história. Ele continua sendo a pedra angular e cada um de nós é a pedra viva deste edifício.

Nesta mesma linha de pensamento, vale a pena recordar que os primeiros cristãos não tinham “templos” e sim que se reuniam em casas particulares (Cf. At 1,13; 18,7-11; 19,9-10; 20,7-12). Eram eles quem constituíam a “Igreja”.

O texto do evangelho de hoje é lido em função da festa mencionada.  Esse texto se encontra na primeira parte do quarto Evangelho que costuma ser chamada de “Livro dos Sinais” (Jo 2,1-12,50). Chama-se assim porque referem-se aos sete sinais realizados por Jesus (Jo 2,1-11;4,46b-54;5,1-9;6,1-15;6,16-21;9,1-41;11,1-44). Estes sinais são reunidos por evangelista do quarto Evangelho na seção que vai de Jo 2 até Jo 12.          

No quarto Evangelho, como já sabemos, não se fala de milagre (dynamis), fala-se de sinal (semeion). No quarto evangelho usa-se o termo “sinal”. Chama-se de “sinal” porque o espectador/ leitor é obrigado a mergulhar no mistério do sinal para captar seu significado. Os sinais são ações simbólicas que impulsionam o espectador/ leitor a buscar, muito além do episódio concreto, uma realidade mais profunda até a qual aponta o relato narrado. O sinal leva por si ao conhecimento de realidade superior.          

O relato da “purificação do Templo” (X. Léon-Dufour não aceita o uso desta expressão no quarto Evangelho, pois segundo ele, a expressão “purificação do Templo” se usa nos sinóticos e não no quarto Evangelho) ou “substituição do Templo” (Johan Konings usa o termo “suplantar” em vez de “substituir”) se encontra também nos evangelhos sinóticos (cf. Mc 11,15-19; Mt 21,10-17; Lc 19,45-48). Mas o quarto evangelho tem suas próprias acentuações. Os sinóticos colocam este episódio na última semana da atividade de Jesus. O quarto Evangelho o coloca logo no início da vida pública de Jesus. Para o quarto evangelho este episódio é um gesto programático (compare Lc 4,16-30) que, como tal, deve figurar ao princípio da atividade de Jesus.

O episódio é introduzido mediante a afirmação sobre a proximidade da festa judaica da páscoa. Esta forma de mencionar a festa principal dos judeus indica distância e separação entre o objetivo da festa e a prática atual dos judeus, na época. A páscoa era uma festa de libertação. Ela evocava o passo da escravidão à libertação (cf. Ex 12,17;13,10). Em tempos de opressão, o pensamento da libertação se acentuava mais. Ao desviar-se do próprio objetivo da festa (não é mais uma festa de libertação), surgia inevitavelmente a idéia de uma nova libertação. E este era o caso em tempos de Jesus. Além disto, o templo, que é o símbolo e a síntese do sistema religioso, a partir de agora será “substituído” ou suplantado pela presença de Jesus. Não é por acaso que este episódio se coloca logo depois do primeiro sinal (Jo 2,1-11) que simboliza as núpcias de Deus com sua comunidade no tempo final. E desde início de sua atividade Jesus é o “lugar santíssimo” de Deus. 

O Que Tem Por Trás Do Gesto De Jesus?          

Em primeiro lugar, a Páscoa que era uma festa familiar e festa de libertação se transforma numa festa da maior exploração. Os peregrinos que vêm de longe não podem trazer consigo os animais para ser sacrificados. Eles compram os animais no próprio Templo. E os donos dos animais são os latifundiários pertencentes à elite religiosa. A Páscoa para eles é o momento de lucro, pois eles aumentam o preço dos animais exageradamente. E os peregrinos não têm outra opção a não ser comprar esses animais apesar do preço alto. A Páscoa não é mais um momento de celebrar e de reviver a libertação, mas se torna uma festa de exploração. As elites religiosas exploram o povo por meio do culto. O “deus” do Templo, para estas elites religiosas, é o dinheiro. A religião se transforma num instrumento que acoberta a injustiça e exploração. Por isso já não é mais “a casa de meu Pai”, e sim um mercado. Como se vive a religião hoje em dia?                 

Em segundo lugar, quem pode comprar os animais maiores (como boi, ovelhas) são os ricos. Surge aqui outra mentalidade. O sacrifício se torna como que uma moeda pela qual compra-se de Deus a salvação. A salvação não mais depende de dois lados simultaneamente (de Deus que oferece e do homem que corresponde), mas somente do homem que a compra. Isto quer dizer que quem não for capaz de comprar a salvação, ficará fora dela. E os pobres e miseráveis?                 

O que nos chama atenção, no quarto Evangelho, é o fato de Jesus se dirigir somente aos vendedores de pombas. Para eles é que Jesus diz: “Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio” (v.16). Porque a pomba era o animal sacrificado nos holocaustos (cf. Lv 1,14-17) e nos sacrifícios (Lv 12,8;15,14.29) oferecidos especialmente pelos pobres, por meio dos sacerdotes, para reconciliar-se com Deus e para purificar-se (Lv 5,7;14,22.30-31; cf. Lc 2,44). Os vendedores de pombas são os que, por dinheiro, oferecem aos pobres a reconciliação com Deus, e representam os sacerdotes do Templo que fazem comércio com a graça de Deus. Em outras palavras, a hierarquia sacerdotal explora especificamente os pobres, oferecendo-lhes por dinheiro para ganhar favores ou benefícios de Deus. Eles apresentam Deus como um comerciante, pois convertem a casa de Deus num mercado.                     

Jesus expulsa os vendedores do Templo. Ele quer limpar o templo de todo tipo de exploração e de injustiça. A limpeza do templo é um gesto de profundo simbolismo. O homem deve limpar sempre a morada de Deus que é ele mesmo de todo tipo de “sujeira” através de uma conversão contínua todos os dias de sua vida. O povo de Deus, reunido em nome de Cristo, incorporado à missão de Cristo, é a verdadeira casa ou templo de Deus (1Cor 3,16-17).  O culto verdadeiro consiste na mais profunda união do homem ao divino, na mais pura e incondicional entrega à vontade de Deus no amor ao próximo. Deus somente cabe no homem que, por amor, entrega e gasta a vida pelo bem do próximo e pela sua libertação. O culto do cristão é um culto de Espírito (Jo 4,23). O templo não santifica o nosso culto, e sim nosso amor fraterno santifica nosso culto e a comunidade. Deus habita no próprio ser humano, e não em edifícios (2Cor 6,16). Cada cristão é ele próprio templo de Deus enquanto membro do Corpo de Cristo (1Cor 3,16; 6,19). E as pedras vivas deste edifício espiritual são os que pertencem ao novo povo de Deus. Devemos amar os nossos semelhantes porque são nossos irmãos; e devemos reverenciá-los, pois são filhos de Deus e devemos respeitá-los, pois são templo de Deus. Assim quem desrespeita o ser humano está desrespeitando o próprio Deus e toda a pessoa humana, chamada a ser templo de Deus (1Cor 3,16-17; 6,19).        

O evangelho deste dia, por isso, nos traz de volta a consciência de sermos templo de Deus e de respeitar novamente, como Deus sempre quer, aos outros como habitação de Deus. Além disto, este evangelho nos leva ao arrependimento de tudo que cometemos em relação à dignidade humana desrespeitada, que se expressou através de violência moral- verbal e física, difamação etc. E este arrependimento deve se tornar em conversão sem fim, pois o homem velho dentro de nós sempre tenta nos levar ao passado pecador.

P. Vitus Gustama,svd

XXXII Domingo Do Tempo Comum, Ano A, 08/11/2026


APRENDER A VIVER NA PRUDÊNCIA NA ESPERA DO ENCONTRO DERRADEIRO COM DEUS

 




XXXII DOMINGO DO TEMPO COMUM A

Primeira leitura: Sb 6:12-16

12 A sabedoria é radiante e imarcescível, e facilmente se deixa contemplar e encontrar pelos que a amam e procuram. 13 Ela se antecipa aos que a desejam, sendo a primeira a se fazer conhecer. 14 Quem madruga para ela, não se cansará, pois a encontra sentada à sua porta. 15 Meditar sobre ela é com efeito a perfeição da inteligência, quem lhe consagra sua vigília depressa estará livre de cuidados. 16 Ela mesma procura por toda parte os dignos dela, de boa vontade lhes aparece no caminho e vem ao encontro de todos os desejos.

Segunda leitura: 1Ts 4:13-18

13 Não queremos, irmãos, que fiqueis na ignorância a respeito dos mortos; não vos deixeis tomar pela tristeza, como os outros que não têm esperança. 14 Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também devemos crer que Deus, por meio de Jesus, levará junto com ele os que morreram. 15 Isto vos dizemos segundo a palavra do Senhor: nós, os vivos, os que ficarmos para a vinda do Senhor, não procederemos os que morreram. 16 Isto porque o mesmo Senhor descerá do céu, quando for dado um sinal, o grito do Arcanjo, o toque da trombeta divina, e os mortos ressuscitarão primeiro pelo poder de Cristo.17 Depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles por entre nuvens, nos ares, ao encontro do Senhor, e estaremos para sempre com o Senhor. 18 Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.

Evangelho: Mt 25,1-13

Naquele tempo, disse Jesus, a seus discípulos: 1 O reino dos céus é comparável a dez virgens que saíram com suas lâmpadas ao encontro do esposo. 2 Cinco delas eram imprevidentes e cinco previdentes. 3 As descuidadas, tomando as lâmpadas, não levaram azeite consigo. 4 As prudentes, porém, juntamente com as lâmpadas, levaram vasilhas de azeite. 5 Ora, como o esposo demorava a chegar, todas pegaram no sono e ficaram dormindo. 6 À meia-noite, ouviu-se um grito: ‘Aí vem o esposo. Ide a seu encontro’. 7 Então todas aquelas virgens se levantaram e começaram a preparar as lâmpadas. 8 As descuidadas disseram, então, às prudentes: ‘Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão se apagando’. 9 Mas as prudentes responderam: ‘De jeito nenhum. Poderia acontecer que não baste nem para nós, nem para vós. Em vez disso, ide às vendas e comprai-o’. 10 Enquanto foram comprá-lo, chegou o esposo. As que estavam prontas entraram com ele para a festa do casamento e a porta da sala foi trancada. 11 Finalmente, chegaram também as outras virgens, dizendo: ‘Senhor, Senhor, abre-nos!’ 12 Mas ele respondeu: ‘Eu vos declaro esta verdade: não vos conheço!’ 13 Ficai vigiando, portanto, porque ignorais o dia e a hora.

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Os Três Domingos Do Capítulo 25 Do Evangelho De São Mateus.

Restam apenas três domingos para o término do ano litúrgico A, e a leitura do Evangelho segundo Mateus nos introduz nos três relatos que compõem o capítulo 25. Eles funcionam como um roteiro para avaliar a atuação cristã: será que, com o nosso modo de viver, estamos realmente construindo o novo povo de Deus, iniciado por Jesus? A pregação nestes três domingos deve ser pensada de forma conjunta, para evitar repetições e, ao mesmo tempo, orientar adequadamente a compreensão dos textos.

O percurso poderia ser o seguinte:

* 32º Domingo do Ano “A” (a parábola das dez virgens): Estamos preparados, tendo azeite suficiente para iluminar quando o noivo chegar? É um convite a recordar que a nossa vida terá um fim. Que no fim de nossa peregrinação terrestre haverá o encontro derradeiro com o Senhor: será o encontro feliz ou não encontraremos o Senhor? Viver no banquete eterno ou fica fora deste banquete?

* 33º Domingo do Ano “A” (a parábola dos talentos): Fazemos frutificar, para o Reino de Deus, todas as nossas potencialidades, ou as guardamos apenas para nós mesmos? Ou temos sempre aquela tentação da procrastinação em que obedecemos mais às nossas emoções ou às nossas razões? O que temos produzido de bom para o bem comum como cristãos a partir de nossas potencialidades?

* Cristo Rei, XXXIV Domingo (o juízo final): Que tipo de azeite devemos ter preparado, e o que significa fazer frutificar os talentos? O critério fundamental para tudo isso é o bem daqueles que precisam de nós, pois é nos necessitados que o Senhor, o Rei, está presente. Seremos julgados sobre o amor. Se formos, um dia, condenados, não por termos amado demais e sim por termos amado de menos. Ateu é aquele que não ama nem pratica o bem. Por isso, tem cristãos ateus como tem também ateus cristãos. O homem morre não quando deixa de viver e sim quando deixa de amar. O homem vive não quando respira e sim quando ama e perdoa.

Os capítulos 24-25 do evangelho de Mateus constituem o quinto e o último discurso do Evangelho. Este quinto discurso é conhecido como o “Discurso escatológico” (discurso apocalíptico). Mt elabora notavelmente o discurso escatológico de Mc (Mc 13) e o amplia com uma série de parábolas e com uma impressionante descrição do julgamento final (Mt 25,31-46), cuja principal intenção é orientar os cristãos sobre como preparar a segunda vinda do Senhor (Parusia). Mt não trata, como em Mc, dos sinais que precederam a destruição do Templo e sim da vinda do Filho do Homem e das atitudes necessárias com que os discípulos devem preparar esta vinda.           

Com o discurso escatológico Mt quer responder à situação em que a sua comunidade vive. Por um lado, a comunidade vê que a segunda vinda do Senhor Jesus se atrasa, enquanto diante dela aparece a história como espaço para o compromisso (Não podemos nos esquecer que este discurso é uma elaboração do discurso de Mc 13. Na comunidade de Mc, a destruição de Jerusalém e do Templo que ocorreu no ano 70 d.C., resultou em surgimento de uma onda de entusiasmo apocalíptico. Os profetas fáceis interpretaram o acontecimento como um sinal de que o fim do mundo estava próximo).

Por outro lado, o evangelista contempla com preocupação os sinais de abandono, preguiça espiritual, relaxamento moral, rotina e esfriamento que começam a aparecer na comunidade. Nesta situação, Mt descobre que aquelas palavras de Jesus contém um profundo ensinamento e servem de exortação para os cristãos. A exortação se fundamenta numa profunda convicção: a vinda do Filho do Homem é certa, porém, não acontecerá em seguida, isto é, o momento da vinda é incerto ou desconhecido. Por isso, chegou o momento de preparar-se para este grande acontecimento vivendo segundo os ensinamentos de Jesus.           

A linguagem destes capítulos pode provocar temor. Mas, na verdade, trata-se de uma linguagem apocalíptica que era relativamente freqüente entre alguns grupos judeus e cristãos. Chama-se de linguagem apocalíptica porque tem como objetivo manifestar uma revelação escondida (apocalypsis). Em muitas ocasiões esta revelação é dirigida a grupos ou comunidades que vivem uma situação de perseguição, com a intenção de animá-los e encorajá-los em suas lutas e tribulações. Por isso, não há motivo nenhum de alguém ver nestes textos uma ameaça e sim, uma mensagem de esperança e de ânimo para não se entregar.          

O “discurso apocalíptico” de Mt pode-se dividir em duas partes. A primeira (Mt 24,1-35) segue, com pequenos variantes, o texto de Mc (Mc 13) e trata de identificar os sinais que precedem e acompanham a vinda do Filho do Homem. A segunda, própria de Mt (Mt 24,36-25,46) mostra as atitudes com que os cristãos devem preparar esta vinda.          

A parábola das dez virgens é, complementa, a parábola do servo fiel e do infiel que a antecede imediatamente (Mt 24,45-51). Ela, então, está muito relacionada com a parábola precedente. Esta parábola se encontra somente em Mt. Pela sua introdução, a parábola é qualificada como parábola do Reino: “...O Reino de Deus é como...” (v.1). E pela introdução, a parábola não se refere à espera da vinda do Senhor, e sim a chegada do Reino. Mas pelo contexto em que se encontra, ela tem ligação com a vinda final de Cristo (parusia).          

Esta parábola, se olharmos do ponto de vista da prudência, pois a parábola trata das cinco virgens prudentes (phronimoi) e outras cinco insensatas (morai), nos faz lembrar também da conclusão do Sermão da Montanha que compara um homem néscio a um homem prudente (Mt 7,24-27). Na literatura sapiencial o prudente é aquele que age de acordo com as exigências de Deus; o insensato, ao contrário, age conforme sua cabeça. E sabedoria sempre leva vantagem sobre a loucura (cf. Ecl 2,12-17). Da conclusão do Sermão da Montanha sabemos que um que é néscio construiu a casa sobre a areia e o outro que é prudente sobre a rocha. A casa do néscio desmoronou, pois sem nenhuma base sólida, enquanto a do outro fica firme diante da tempestade, pois foi construída sobre a rocha. Nesta parábola encontra-se novamente o contraste entre prudente e néscio. Sabemos que a prudência determina o que é necessário escolher e o que é necessário evitar.  Ela separa a ação do impulso. “A prudência é um amor que escolhe com sagacidade”, dizia Santo Agostinho. Prudentes são aqueles que escutam a Palavra de Deus e a praticam. Ao contrário, néscios são aqueles que a escutam, mas não vivem de acordo com a Palavra de Deus. As cinco virgens levam o azeite suficiente, pensando na chegada atrasada do noivo, enquanto que as outras cinco não pensam nisso. Como é importante estar preparado, tanto para as surpresas agradáveis como para as desagradáveis na vida. Como um time de futebol, que deve pensar na vitória, mas deve-se preparar que o time adversário possa jogar melhor. Normalmente, quem pensa nisto tudo, sofre menos.          

O azeite é a Palavra de Deus vivida no dia a dia que se resume no amor. Diz Santo Agostinho: “Coisa grande, verdadeiramente muito grande significa o azeite(óleo). Só pode ser amor” (Aliquid magnum significat oleum, valde magnum. Putas non caritas est?). “Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que pratica a vontade de meu Pai que está nos céus”, concluiu o Sermão da Montanha (Mt 7,21). E aqui nesta parábola lemos que as cinco virgens insensatas gritam: “Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!” (v.11). Mas a porta continua fechada. Quem vive segundo a Palavra de Deus tem a chave na mão para abrir a porta (do céu). As palavras da profissão “Senhor, Senhor” só salvam quem as professa, se viver de acordo com essa profissão. Chamamos e professamos Deus de Senhor porque queremos que ele assenhore nossa vida, e guie nossos atos e decisões, que ele seja o centro de nossa vida, que a vontade dele prevaleça na nossa vida, pois tudo que Deus quer é só salvar. Quem de nós não quer ser salvo?           

Esta parábola é contada por Mt para fazer a advertência à própria comunidade e também para as comunidades cristãs em qualquer lugar e tempo. Todas as dez virgens são escolhidas para esperar e aguardar a mesma coisa: a vinda do noivo. Mas algumas perdem a esperança e a persistência muito cedo. A comunidade mateana, embora acredite na mensagem, começa a perder a fé por causa da demora do dia do Senhor. Como conseqüência, vem o declínio e a apatia no cumprimento das exigências evangélicas. Por isso, esta parábola tem como motivo opor-se a esse declínio ou à apatia da comunidade. Ele enfatiza que nunca se sabe, nem se pode ter certeza sobre o fim da história. O que a comunidade precisa fazer é manter a esperança e estar pronta em todos os momentos para a chegada do Senhor. Por isso, no fim da parábola, Mt pede que a comunidade esteja sempre vigilante(v.13), pois o Senhor pode chegar no momento menos esperado (à meia noite. v. 6). Para Mt, estar vigilante e preparado significa escutar e colocar em prática as palavras de Jesus que podem resumir-se no mandamento do amor. A verificação da autêntica vigilância e da esperança cristãs consiste no cumprimento do mandamento do amor.  Vigiar significa dar-se conta da realidade, estar atento ao essencial. Evita-se assim uma fuga da responsabilidade do presente.

A mensagem de Mt é, por isso, esta: o atraso da volta de Jesus não pode levar ao adormecimento e ao descuido, nem pode levar os cristãos a ficarem relaxados nos seus compromissos. Ao contrário, a certeza da vinda do Senhor e incerteza do momento da chegada devem motivá-los a assumir seus compromissos com as palavras de Jesus ativamente. A comunidade cristã deve se preparar para o futuro salvífico através do cumprimento fiel das exigências de Deus reveladas por Cristo.          

As cinco virgens prudentes estão de prontidão e prestam atenção às coisas essenciais. Enquanto as cinco insensatas pensam em tudo, menos naquilo que, de fato, tem importância. Acontece também em nossos dias, talvez em todos os tempos, a mesma coisa. Há pessoas que perdem o rumo por causa das coisas efêmeras: dinheiro, poder, prazeres etc. e não se dão conta de estarem perdendo um tempo valioso, não se lembram dos valores autênticos como caridade, justiça, paz, verdade, reconciliação etc. pelos quais vale a pena comprometer-se. O homem tão pendente das coisas passageiras que lhe falta interesse pelas de Deus. “Diz o insensato em seu coração: Não há Deus” (Sl 13,1). O homem tão ocupado com as mil coisas que não deixam mais do que efêmeras satisfações que se esgotam logo que se produzem, e que não tem tempo para Deus. Um sábio diz que há esquecimento por falta de memória, mas há esquecimento por falta de amor. Esquecemos de Deus não por falta de memória, mas por falta de amor para com ele. Não é fácil imaginar que uma pessoa que ama se esqueça daquilo que agrada ao ser amado. Quantos se interessam hoje em dia por averiguar quais razões que Deus terá tido para os chamar à vida, em vez de qualquer outra das inúmeras criaturas que poderiam ter nascido em seu lugar?  Na íntima consciência, a cada instante, está iminente a eternidade do Deus santo, que será nosso Salvador, ou...nosso Juiz. O perigo é que, sem luz, por falta de azeite, na hora da verdade podemos nos encontrar, tal como as cinco virgens insensatas, na rua e diante de uma recusa aterradora: “Em verdade Eu vos digo: Não vos conheço!” (v.12). Todos nós somos convidados, como as dez virgens, a participar da celebração do casamento de Jesus com a humanidade. Contudo, devemos estar conscientes de que a porta estará aberta para uns e fechada para outros. Não é que Deus não queira, mas a opção pessoal é que determina a entrada ou não na sala do banquete eterna com Jesus, o noivo celeste.          

O que nos chama a nossa atenção é o aparente egoísmo e aparente falta de solidariedade das cinco virgens prudentes que não dividiram seu azeite para as insensatas. E a aparente falta de amor do noivo que não abriu a porta para as cinco insensatas também chama a nossa atenção. A parábola quer destacar uma responsabilidade pessoal que não é substituível por ninguém diante de Deus no fim dos tempos. Ninguém pode prestar contas em nome de ninguém diante de Deus nesse momento. Cada um é único diante do Deus único. As qualidades interiores, as qualidades do espírito que temos ou não as temos, não podem ser emprestadas ou repartidas diante da seriedade do momento. É insubstituível o compromisso pessoal da vigilância.          

O juízo particular é tema que desperta não só responsabilidade, mas também esperança e otimismo. Deus não empurra ninguém para o céu ou para o inferno. É a própria pessoa quem decide sobre isso durante sua vida. Não é um sentença divina que vai declarar a pessoa culpada ou inocente, mas sim é a atitude, é o modo de vida da pessoa que vão condicionando sua opção por Deus. O juízo particular é processo histórico que a própria pessoa vai tecendo.  Este pensamento nos leva a perguntar sobre o destino do companheiro ou da companheira que está ao nosso lado. Quem ele/ela é? Será que ele/ela tem azeite suficiente até a chegada do noivo celeste? Será que a porta estará aberta para ele/ela? A mesma pergunta é dirigida para cada um de nós. Temos um desejo comum: que a porta esteja aberta para nós na hora da verdade. Mas para isso, que tenhamos a chave desta porta na nossa mão.

Somos Chamados a Viver Com Sabedoria

“Meditar sobre a sabedoria é a perfeição da inteligência, quem lhe consagra sua vigília depressa estará livre de cuidados. Quem madruga para ela, não se cansará, pois a encontra sentada à sua porta”.

O que é sabedoria? A palavra “sabedoria” provém do latim “sapere” que quer dizer ter inteligência, ser compreendido. Mas propriamente significa ter gosto, exercer o sentido do gosto, ter este ou aquele sabor, capacidade desenvolvida de saborear. Etimologicamente, da palavra “sapere” derivam duas palavras: “saber” e “sabor”, duas palavras que indicam o mesmo: um saber que sabe saboreando a vida. É um saber que saboreia o fruto da vida, não um saber teórico sobre a vida. É o testemunho do experimentado, a experiência da vida mesma, de seu sabor de viver.

A sabedoria é reunir o gosto pela vida. A sabedoria é refinar o gosto pela vida. Com a sabedoria a existência se torna mais saborosa, pois a sabedoria se alimenta pelos valores. Com a sabedoria o homem é capaz de dar respostas adequadas e magníficas para cada momento.

Segundo Confúcio, o sábio chinês que viveu quinhentos anos antes de Cristo, o comportamento do sábio é como a água: é destituído de sabor, mas a todos agrada; carece de forma, mas se adapta com simplicidade e ordem às mais variadas figuras.

A sabedoria simplesmente significa a capacidade de fazer as escolhas corretas, de tomar as decisões certas, de escolher os valores verdadeiros que conduzem o homem à sua realização, e à sua felicidade e à sua salvação. A sabedoria é um tipo de "luz" que indica caminhos e que permite discernir as opções corretas a tomar. É ela que permite ao homem gozar os bens terrenos com maturidade e equilíbrio, sem obsessão e sem cobiça, colocando-os no seu devido lugar e não deixando que sejam eles conduzirem a vida do homem e ditarem as suas opções.

O "sábio" é aquele que, reconhecendo a sua finitude e debilidade, se coloca nas mãos de Deus, escuta as suas propostas, aceita os seus desafios, e segue os caminhos que ele indica através de Sua Palavra, pois “a Palavra de Deus é viva, eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes... Ela julga os pensamentos e as intenções do coração. E não há criatura que possa ocultar-se diante dela. Tudo está nu e descoberto aos seus olhos, e é a ela que devemos prestar contas” (Hb 4,12-13).

Em geral, o homem sábio não diz sua sabedoria e sim a vive. Sábio irradia sentido da vida e da convivência. O sábio é uma testemunha de vida e não professor. O sábio testemunha uma experiência, ensina o que vive, não o que sabe. Em outras palavras, ele sabe viver testemunhando a vida. Não é por acaso que a Primeira Leitura nos diz: “Meditar sobre a sabedoria é a perfeição da inteligência”.

Portanto, falando biblicamente, não é a sabedoria a suma de conhecimentos científicos por muito amplos, técnicos e diversificados que estes sejam. Sábio é aquele que faz próprios os pensamentos de Deus e os desejos de Sua vontade. Sábio é aquele que possui um conhecimento experiencial do amor de Deus e, à luz deste amor, ele julga todo o acontecer humano; julga a própria vida e as próprias decisões e as obras, consequentemente. À margem da verdade e da busca sincera da verdade, não há sabedoria possível.

Somos Chamados a Viver Com Prudência

O Evangelho deste domingo nos relata que as cinco virgens prudentes estão de prontidão e prestam atenção para as coisas essenciais para sua vida e a salvação. Enquanto as cinco insensatas pensam em tudo, menos naquilo que, de fato, tem importância para sua vida e sua salvação. As cinco virgens que fazem banquete com o Senhor querem nos dizer: “Vivam com prudência em cada momento de sua vida!”.

O que é prudência? A palavra “prudência” provém do latim “prudens-prudentis” que significa “precavido, competente”. A prudência é a capacidade de ver, de compenetrar-se e de ajustar-se à realidade. O homem prudente está sempre atento para agir corretamente e falar sabiamente.

A prudência nos oferece a possibilidade e a capacidade de discernir o correto do incorreto, o bom do mau, o verdadeiro do falso, o sensato do insensato para guiar o bom rumo de nossas ações. A prudência é o que separa a ação do impulso, o herói do desmiolado (sem juízo). A prudência determina o que é necessário escolher e o que é necessário evitar. Ele não se deixa levar pelo prazer e sim pelo sentido das coisas e das escolhas. “A prudência é um amor que escolhe com sagacidade”, dizia Santo Agostinho. É a faculdade que nos permite vermos e aprendermos a realidade tal como é. O homem prudente é atento, não apenas ao que acontece, mas também ao que pode acontecer. Ele é atento, e presta atenção. Prudência é um saber viver real.

O homem sábio é sempre guiado pela prudência. A sabedoria nos empurra para aprender sempre de novo. “O conhecimento instrui; a sabedoria transforma” (Walter Riso). “Quando não se aprende, a sinceridade vira grosseria; a valentia vira desobediência; a constância vira caprichosa teimosia; a humanidade vira estupidez; a sabedoria vira confusão e a veracidade vira ruína”, dizia Confúcio. 

Temos um desejo comum: que a porta do céu esteja aberta para nós na hora da verdade. Mas para isso, que tenhamos a chave desta porta em uma mão e com o óleo de amor fraterno em outra mão.

Resumindo....

O noivo da parábola é Cristo que chega numa hora desconhecida. Ele vem em qualquer momento para nos buscar e levar (Cf. Jo 14,3).

As virgens representam os homens e as mulheres que compõem a humanidade. Alguns vivem na permanente vigilância através de sua dedicação para as obras boas pelo bem da humanidade. Outros se deixam levar pelo prazer do mundo; eles vivem com as lâmpadas sem azeite, o que dificulta a vida quando a noite chegar.

O período entre a espera e a chegada do esposo é a vida dada por Deus para cada um dos homens e mulheres. A responsabilidade recai sobre cada um. Neste período vivemos para o bem ou para o mal. Mas o mal não futuro. O bem tem futuro. O tempo somente eterniza o que é bom, certo, justo, digno, amoroso, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16).

Uma coisa importante que a parábola das dez virgens quer nos recordar é esta: não podemos nos preocupar com o secundário, com o que tem menos importância e até, por vezes nenhuma. Ao contrário, jamais podemos, nem devemos nos esquecer do essencial, isto é, daquilo que se refere ao Senhor e ao amor pelo próximo. O resto vale a pena ser abandonado. Examinemos na presença do Senhor o que é realmente o principal ou o essencial na nossa vida nestes momentos. Se o Senhor viesse hoje ao nosso encontro, Ele nos acharia vigilantes, esperando-O com as mãos cheias de boas obras?

A fé é olhar para a frente. A fé é a conversão para o Senhor que vem, e que está vindo. Porque a fé é o êxodo da antiga escravidão e partida para a terra prometida.  O medo do desconhecido nos leva a refugiar-se no hábito e na rotina, desconfiar da mudança, rejeitar até o novo pelo simples fato de ser assim. "Melhor mau conhecido do que é bom saber". No entanto, o evangelho é novidade, anúncio e proclamação do nunca visto. É por isso que a mesma coisa daqueles que escutam o evangelho é abrir e ser confiantemente surpreso e não julgar tudo e condená-lo pelos preconceitos e costumes em que se sente seguro. Para os cristãos, afinal, e depois de tudo, aquele que vem não é algo, e sim o Senhor. Ele nos convidou para casamentos eternos.

P. Vitus Gustama,SVD

Sábado Da XXXI Semana Comum, Ano Par, 07/11/2026

USAR OS BENS COM GRATIDÃO SEM SER POSSUIDOS POR ELES

Sábado Da XXXI Semana Comum

Primeira Leitura: Filipenses 4,10-19 (Ano Par)

Irmãos, 10 grande foi minha alegria no Senhor, porque afinal vi florescer seu afeto por mim. Na verdade estava sempre vivo, mas faltava-lhe oportunidade de manifestar-se. 11 Não é por necessidade minha que vos digo, pois aprendi muito bem a contentar-me em qualquer situação. 12 Sei viver na miséria e sei viver na abundância. Eu aprendi o segredo de viver em toda e qualquer situação, estando saciado ou passando fome, tendo de sobra ou sofrendo necessidade. 13 Tudo posso naquele que me dá força. 14 No entanto fizestes bem em compartilhar as minhas dificuldades. 15 Filipenses, bem sabeis que, no início da pregação do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma Igreja, a não ser a vossa, se juntou a mim numa relação de crédito. 16 Já em Tessalônica, mais de uma vez, me enviastes aquilo de que eu precisava. 17 Não que eu procure presentes, porém, o que eu busco é o fruto que cresça no vosso crédito. 18 Agora, tenho tudo em abundância. Tenho até de sobra, desde que recebi de Epafrodito o vosso donativo, qual perfume suave, sacrifício aceito e agradável a Deus. 19 O meu Deus proverá esplendidamente com sua riqueza a todas as vossas necessidades, em Cristo Jesus.

Evangelho: Lc 16,9-15

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 9 “Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas. 10 Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes. 11 Por isso, se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? 12 E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso? 13 Ninguém pode servir a dois senhores: porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. 14 Os fariseus, que eram amigos do dinheiro, ouviam tudo isso e riam de Jesus. 15 Então Jesus lhes disse: “Vós gostais de parecer justos diante dos homens, mas Deus conhece vossos corações. Com efeito, o que é importante para os homens, é detestável para Deus”.

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Saber Ajudar e Agradecer Torna a Vida e a Convivência Agradáveis

“Tenho até de sobra, desde que recebi de Epafrodito o vosso donativo, qual perfume suave, sacrifício aceito e agradável a Deus. O meu Deus proverá esplendidamente com sua riqueza a todas as vossas necessidades, em Cristo Jesus”, escreveu são Paulo aos Filipenses que lemos na Primeira Leitura de hoje.

Hoje lemos o final da Carta aos Filipenses. São Paulo dedica esta última página de sua Carta aos Filipenses para agradecer-lhes a ajuda material enviada por meio de Epafrodito para a prisão onde são Paulo está detido. Com esta ajuda são Paulo fica muito contente porque os Filipenses se lembram dele. Aparentemente, a iniciativa da ajuda partiu dos próprios Filipenses e não do pedido do Apóstolo Paulo. Por tal espontaneidade são Paulo agradece aos Filipenses: “Tenho até de sobra, desde que recebi de Epafrodito o vosso donativo, qual perfume suave, sacrifício aceito e agradável a Deus”.

Quem vive profundamente a vida como dom vive na permanente gratidão. O agradecimento é muitas vezes o único que podemos dar a Deus por tudo que temos e somos. Quem não dá graças a Deus é porque ainda não viveu a vida como um puro dom de Deus. O que você tem e é que não seja de Deus, a não ser seu pecado? Dizia Santo Agostinho: “Nada é nosso, a não ser o pecado que possuímos. Pois que tens tu que não tenhas recebido (de Deus)?”.

Uma das principais chaves para alcançar a felicidade é saber agradecer. O agradecimento supõe a capacidade enxergar algo positivo em tudo que vivemos. Um coração agradecido nos dá condições de olhar a vida com mais alegria e confiança. Saber agradecer é saber ver que há espaço para esperança e bondade no mundo. Para os que sabem para que serve a sua vida, sabem também agradecer e não perdem o ânimo; enquanto os outros se arrasam pela vida de mau humor. Não existe um só dia em que Deus não nos conceda alguma graça particular e extraordinária. Pare e verifique! Agradecer é uma atitude própria de quem tem dignidade. Quem não sabe agradecer está mal preparado para conviver.

 

A ação de graças contém e expressa um misto de sentimentos de louvor, agradecimento e reconhecimento diante de Deus por causa dos seus benefícios. Saber agradecer já é ver o mundo de outro jeito, saber ver que há espaço para esperança e bondade no mundo. Um coração agradecido nos dá condições de olhar a vida com mais alegria e confiança. Saber agradecer é saber ver que há espaço para esperança e bondade no mundo. Para os que sabem para que serve a sua vida, sabem também agradecer e não perdem o ânimo, enquanto os outros se arrasam pela vida de mau humor. Não existe um só dia em que Deus não nos conceda alguma graça particular e extraordinária. Pare e verifique! Agradecer é uma atitude própria de quem tem dignidade. Quem não sabe agradecer está mal preparado para conviver.

Porém, são Paulo aproveita também o momento de agradecimento para mostrar aos Filipenses sua atitude diante dos bens materiais. São Paulo quer também deixar bem claro que ele não busca de qualquer forma dinheiro (ser ganancioso). Neste sentido ele não tem necessidade dos Filipenses, pois aprendeu a se virar, quer precise ou não: “Não é por necessidade minha que vos digo, pois aprendi muito bem a contentar-me em qualquer situação. Sei viver na miséria e sei viver na abundância. Eu aprendi o segredo de viver em toda e qualquer situação, estando saciado ou passando fome, tendo de sobra ou sofrendo necessidade. Tudo posso naquele que me dá força”. Só ele sabe a que preço custou-lhe manter, de fato, fidelidade a esse princípio. Até agora, saiu de todas as dificuldades. É precisamente isso, sem que seja necessário procurar profundidades teológicas, o que indica ao explicar: "Tudo posso naquele que me dá força". Ele tem certeza de que neste momento ele também teria se organizado.

Os seres humanos já foram descritos como animais que falam, animais que riem, animais que usam ferramentos ou animais que brincam. No entanto, somos sobretudo animais que trabalham. As tarefas que executamos, o trabalho pelo qual somos remunerados, são profundamente importantes para nós. Neste sentido, o trabalho é uma bênção. Quando encontramos um trabalho que podemos amar e executar da melhor forma possível, conquistamos uma vitória na vida.

É preciso esforçar-se para aprender a fim de poder se virar em qualquer situação. Quando sabemos, precisamos ensinar os outros. Quando não sabemos, precisamos aprende dos outros. É preciso aprender a trabalhar, a perguntar, a pesquisar e assim por diante. Ninguém nasce como sábio. Através do trabalho o homem se distingue de outras criaturas. Com o trabalho o homem ganha seu pão de cada dia para sustentar a vida que é sagrado. Por isso, o trabalho é também sagrado. Também através do trabalho o homem mostra seu caráter social, pois entra em contato com os outros. O trabalho também é o lugar de encontro social. Através do trabalho o homem se transcende, pois o homem se esforça todos os dias para se superar. São Paulo sabe muito bem disso.

Esta Carta de são Paulo nos serve para valorizar os favores que os outros nos fazem para que aprendamos a ajudar os outros na sua necessidade. Uma das coisas que mais agradecemos é que os outros nos visitem e nos ajudem quando estamos enfermos ou em alguma situação como a de são Paulo na prisão. Uma presença no fortalece no momento de enfermidade ou de uma “perda” de um ente-querido.

Para são Paulo, esta caridade é verdadeira liturgia, culto que agrada a Deus mais que os cantos e as festas: o que fizeram os Filipenses para são Paulo é “perfume suave, sacrifício aceito e agradável a Deus”.

Ao mesmo tempo, o texto da Primeira Leitura de hoje é também uma lição para que tenhamos uma atitude de uma certe indiferença diante dos bens materiais. Os bens materiais são necessários, mas nunca serão nossos amigos, pois eles continuam alheios a nós. Podemos possuir as coisas, mas elas não podem nos possuir para que não percamos nossa liberdade interior. Não sou mais do que o gerente de tudo que me foi confiado por Deus e tudo continua pertencendo a Deus. Não tenho direito de menosprezar os dons de Deus. Um dia terei que prestar contas das riquezas que não foram desenvolvidas ou não foram multiplicadas para o bem dos necessitados.

Usar Os Bens Materiais Sem Ser Usados e Dominados Por Eles

Continuamos a escutar as ultimas lições do Senhor no seu caminho para Jerusalém (Lc 9,51-19,28). E estamos na segunda parte de Lc 16 onde podemos encontrar o convite de Jesus a usarmos o dinheiro ou os bens materiais corretamente. É o tema central de todo capítulo 16 deste Evangelho.        

O dinheiro é uma faca de dois gumes, conforme se usa para o bem ou para o mal, isto é, para Deus e para os outros, ou apenas para si próprio, excluindo os outros. Para viver como filhos da luz (cf. Lc 16,1-8), como filhos de Deus, temos de ser irmãos dos outros, algo impossível para o que idolatra o dinheiro. Uma vez um economista escreveu: “Capitalismo é um sistema que funciona, porque se baseia no egoísmo humano”. E sabemos que o egoísmo é o contrário do plano de Deus, pois a alma do projeto de Jesus Cristo é a partilha. Com efeito, o Reino de Deus se alicerça no amor que produz a justiça e transborda em fraternidade e partilha para que todos tenham liberdade e vida (cf. Jo 10,10). O reino do dinheiro, ao usá-lo erradamente, repousa no egoísmo que produz a injustiça e transborda em não-fraternidade e não-partilha, que dá origem ao poder que oprime e que dá origem à riqueza que explora. O dinheiro dá muito “poder” para quem o tem. E normalmente o dinheiro é usado para oprimir os mais fracos e pode ser usado para qualquer tipo de crime.          

A advertência de Jesus sobre o perigo do dinheiro não é exclusivamente para os ricos. É para todos, pois todos têm o impulso natural que leva cada um a desejar alguma coisa ou dinheiro. O dinheiro é um deus que tem altar em quase todos os corações, tanto num adulto realista como num jovem idealista, tanto no rico como no pobre, tanto no leigo como no religioso/sacerdote. Até as crianças são educadas para ganhar dinheiro ao escolher bem uma profissão futura. Além disso, muitas vezes as brigas numa comunidade, seja familiar, seja civil, seja eclesial, surgem ou partem desse deus que se chama dinheiro. Por isso, Martinho Lutero observou astutamente: “Três conversões são necessárias: a conversão do coração, a da mente e a da bolsa”.          

A segunda parte deste texto começa dizendo: “E eu vos digo: Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas” (v.9). Dinheiro significa patrimônio, bens, recursos. O problema é o que fazer ou o que faço com o dinheiro.  Usar “o dinheiro da iniqüidade” para fazer amigos é metáfora de “dar esmolas”, isto é, dar aos necessitados. “vocês serão recebidos nas moradas eternas” é a promessa de Deus. A palavra “dexontai” (grego) é empregada aqui na forma passiva e refere-se ao ato de Deus (veja também Lc 6,32-36; 14,7-14). Por isso, podemos ler da seguinte maneira: “Usai o dinheiro injusto para fazer amigos (=esmola) para serdes recebidos por Deus nas moradas eternas” (cf. Mt 25,34-40). “Os famintos, os maltrapilhos, os mendigos, os peregrinos, os prisioneiros, os doentes... são teus “batedores” no Reino dos céus”, dizia Santo Agostinho (Serm. 11,6).         

Esta segunda parte termina com esta frase: “Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (v.13b; cf. também Mt 6,24). Aqui não há meio-termo: ou servir ao Senhor Deus ou servir ao senhor dinheiro. Um é incompatível com o outro, porque cada um tem as suas próprias regras. E não se diga que o Evangelho é ingênuo, porque ele não está criticando uma cédula de dinheiro, mas o capital, o acúmulo de dinheiro. “Servir a Deus” é uma dependência que nos faz livres para servir aos mais necessitados, enquanto que “servir ao dinheiro” é uma escravidão que esmaga à pessoa e perverte nossas relações com Deus e com os demais, como descreve a parábola do rico e Lázaro (Lc 16,19-31). O dinheiro pode se transformar num ídolo e por seu caráter totalizante impede o serviço autêntico a Deus e ao próximo.

Em seguida, Jesus afirma: “Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes” (Lc 16,10). Todos os bens deste mundo, por mais que valham, são, na realidade, uma coisa “pequena”. Neste sentido, a fidelidade no mínimo consiste no “administrar” os bens como “meios” para “partilhar” com os irmãos, especialmente, com os mais necessitados. A infidelidade consiste, ao contrário, em “possuir” os bens como “fim” e em “acumulá-los”, mas que no fim da história de cada possuidor dos bens, tudo será deixado neste mundo. O cofre não acompanha o caixão e vice-versa. Fiel é quem se confia no Senhor e cumpre a sua vontade. O injusto é contrário de fiel, isto é, aquele que não se confia no Senhor, o Criador de todas as coisas e não cumpre a sua vontade.

Reflitamos:

Em primeiro lugar, Se você deprecia o dinheiro dos outros, pergunte-se se não o adoraria caso ele fosse seu. Não admiro o seu desprendimento pelo dinheiro que lhe falta por você não saber ganhá-lo com seu esforço; mas sim o admira se você é generoso com o dinheiro que ganha com seu trabalho. E se você tem dinheiro acumulado, pergunte-se como o ganhou e como o usa. Se você continua acumulando mais dinheiro do que precisa para viver, sabe para que você o faz? Os bens um dia nos escapam. Por isso, podemos ter os bens materiais, mas eles não podem nos possuir. 

Em segundo lugar, “O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena, este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado”. (Papa Francisco: Evangelii Gaudium n.2). “Posso dizer que as alegrias mais belas e espontâneas, que vi ao longo da minha vida, são as alegrias de pessoas muito pobres que têm pouco a que se agarrar. Recordo também a alegria genuína daqueles que, mesmo no meio de grandes compromissos profissionais, souberam conservar um coração crente, generoso e simples. De várias maneiras, estas alegrias bebem na fonte do amor maior, que é o de Deus, a nós manifestado em Jesus Cristo. Não me cansarei de repetir estas palavras de Bento XVI que nos levam ao centro do Evangelho: ‘Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo’” (Idem n.7). 

“Possuamos as coisas terrenas sem deixar-nos possuir por elas. Que não nos deslumbre sua multiplicação nem nos afunde sua carência. Façamos que com elas nos sirvam sem fazer-nos seus servidores” (Santo Agostinho: Epist. 15,2).

P. Vitus Gustama,svd

Dedicação Da Basílica Do Latrão (Catedral de Roma, 09/11/2026

SOMOS TEMPLO DE DEUS FESTA DA DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DO LATRÃO Primeira Leitura: 1Cor 3,9c-11.16-17 (ou Ez 47,1-2.8-9.12) Irmãos, 9c v...