quarta-feira, 11 de março de 2026

12/03/2026- Quinta-feira Da III Semana Da Quaresma

ESCUTAR DEUS E SUA PALAVRA PARA ESTAR DO LADO DO BEM CONTRA O ESPÍRITO DO MAL

Quinta-Feira da III Semana da Quaresma

I Leitura: Jr 7,23-28

Assim fala o Senhor: 23 Dei esta ordem ao povo dizendo: Ouvi a minha voz, assim serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; e segui adiante por todo o caminho que eu vos indicar para serdes felizes. 24 Mas eles não ouviram e não prestaram atenção; ao contrário, seguindo as más inclinações do coração, andaram para trás e não para a frente, 25 desde o dia em que seus pais saíram do Egito até ao dia de hoje. A todos enviei meus servos, os profetas, e enviei-os cada dia, começando bem cedo; 26 mas não ouviram e não prestaram atenção; ao contrário, obstinaram-se no erro, procedendo ainda pior que seus pais. 27 Se falares todas essas coisas, eles não te escutarão, e, se os chamares, não te darão resposta. 28 Dirás, então: Esta é a nação que não escutou a voz do Senhor, seu Deus, e não aceitou correção. Sua fé morreu, foi arrancada de sua boca.'

Evangelho: Lc 11,14-23

Naquele tempo 14 Jesus estava expulsando um demônio que era mudo. Quando o demônio saiu, o mudo começou a falar, e as multidões ficaram admiradas. 15 Mas alguns disseram: 'É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios.' 16 Outros, para tentar Jesus, pediam-lhe um sinal do céu. 17 Mas, conhecendo seus pensamentos, Jesus disse-lhes: 'Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra. 18 Ora, se até Satanás está dividido contra si mesmo, como poderá sobreviver o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. 19 Se é por meio de Belzebu que eu expulso demônios, vossos filhos os expulsam por meio de quem? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. 20 Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus. 21 Quando um homem forte e bem armado guarda a própria casa, seus bens estão seguros. 22 Mas, quando chega um homem mais forte do que ele, vence-o, arranca-lhe a armadura na qual ele confiava, e reparte o que roubou. 23 Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa.

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Escutar a Palavra De Deus Para Viver Frutífero

Ouvi a minha voz, assim serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; e segui adiante por todo o caminho que eu vos indicar para serdes felizes”, assim fala o Senhor através da boca do profeta Jeremias. É uma das expressões mais perfeitas da Aliança. O Deus do povo eleito é também o Deus da alainça. É uma pertença reciproca: “Serei vosso Deus e vós sereis o meu povo”.

Escutar é uma das chamadas constantes da Sagrada Escritura. Quando você fala, não há novidade porque você vai dizer aquilo que você já sabe. Quando você escuta, sempre há possibilidade de receber algo novo para sua vida. Nisto consiste a importância da escuta. Escutar significa fazer próprio o que se proclama e o que se escuta. Escutar também significa atender, ir assimilando o que se ouve, reconstruir interiormente o conteúdo da mensagem. Escutar é a primeira forma de fé e de oração, antes que dizer palavras ou entoar cantos. Escutar é uma das atitudes mais cristãs. Somente os que têm a humildade é que são capazes de escutar. O autossuficiente e o prepotente não sabem escutar e não querem escutar. Ouvir profundamente significa escutar as palavras, os pensamentos, a tonalidade dos sentimentos, o significado pessoal, até mesmo o significado que subjaz às intenções conscientes, até os gritos enterrados muito abaixo da superfície do interlocutor. O povo eleito é formado pela escuta da Palavra de Deus. E a maior das tragédias na Bíblia é causada pela falta da escuta da Palavra de Deus. Quando nos abrirmos para o discurso divino, aprenderemos que nós somos escuta, dom e que nos realizamos na gratuidade.

Mas, em vez de escutar Deus, o povo fez seu próprio caminho fora de Deus: “Mas eles não ouviram e não prestaram atenção; ao contrário, seguindo as más inclinações do coração, andaram para trás e não para a frente”. É a queixa amarga de Deus por meio do profeta Jeremias. É uma contra seu povo Israel porque não cumpre a Aliança que havia feito entre Deus e seu povo. Trata-se de uma acusação que clama o céu. Muitas tragédias aconteceram na vida de uma pessoa por falta da escuta ou não levou em consideração o alerta vindo de quem tem mais conhecimento e experiência. Mas quando eu ecutar atentamente à Palavra de Deus, minha vida terá mais direção certa. Jesus é a Palavra Divina, o Verbo Divino. Caminhando com Ele que é o próprio Caminho (Jo 14,6), jamais errarei o caminho.

Por isso, Escutar atentamente à Palavra Divina é uma coisa mais séria, requer uma certa dose de interesse, de preocupação, de atenção. Há que parar-se para detectar o que ouvimos, para clarificá-lo, para assimilá-lo e para respondê-lo. Escutar é um exercício humano para certa categoria. Muitas vezes acontece que ouvimos mas não escutamos.

Um dos grandes temas da Escritura é a escuta da Palavra de Deus. Na Bíblia, a escuta é uma palavra–chave que caracteriza toda a tradição do povo hebraico. O povo foi formado pela escuta da Palavra de Deus, assim como o próprio cristianismo foi formado pela escuta da palavra do Senhor Jesus Cristo. Cada piedoso e observante israelita, para se compenetrar da vontade de Deus, repete dia a dia esta frase: “Escutai, ó Israel”, conhecida como “Shemah (Dt 6,4; Mc 12,29), que desde o fim do século I d. C não deixou de ser rezado de manhã e à tarde. Por trás da palavra “Shemah”, que convida Israel a se colocar numa atitude de escuta, proclama-se solenemente a unidade de Deus que causa a união plena e total de Israel com o Senhor.

Escutar é a primeira forma de fé e de oração, antes que dizer palavras ou entoar cantos. Escutar é uma das atitudes mais cristãs. Somente os que têm a humildade é que são capazes de escutar. O autossuficiente e o orgulhoso não sabem escutar e não querem escutar. Quem não aprender a escutar e a perguntar, não poderá ir longe nem pode crescer na vida.

Certamente a Boa Notícia consiste no fato de que Deus tem uma palavra para mim, para minha família, para meu casamento, para meu trabalho, para meus problemas e dificuldades e assim por diante, e eu posso e preciso escutar esta palavra no silêncio e na paz. Eu devo me alimentar desta escuta, para que eu cresça na fé e me realize como pessoa. Na escuta da Palavra de Deus Eu cresço junto a tantos outros que, como eu, formam a Igreja que caminha, escutando a Palavra de Deus. O drama do homem, na verdade, consiste em não escutar a Deus e a Sua Palavra, não escutar os bons conselhos, não escutar as boas orientações, não escutar os alertas (leia Dt 18,16.19).

Estamos no tempo da Quaresma. É um tempo forte para nos abrirmos para Deus (oração, meditação, reflexão etc.), para nos abrirmos para os outros (obra de caridade, a esmola) e para nos abrirmos para nós mesmos (jejum, autocontrole a fim de dar maior espaço para Deus na nossa). São três pilares de nossa Quaresma. É bom cada um se perguntar: será que me esforço para esta abertura? Se não, a Páscoa deste ano será mais uma páscoa na minha vida, sem novidade nem renovação dentro de mim. E será cumprida em nós a Palavra de Deus em forma de um crítica forte: “Esta é a nação que não escutou a voz do Senhor, seu Deus, e não aceitou correção. Sua fé morreu, foi arrancada de sua boca”. Que nossa fé não morra em nós. E por isso ela precisa ser alimentada pela escuta, pela oração, pela obra de caridade e pelo jejum que expressa nosso autocontrole.

“... segui adiante por todo o caminho que eu vos indicar para serdes felizes”. O Senhor da aliança é também o Senhor do direito e da obediência, não o dos sacrifícios e holocaustos. A libertação do povo oprimido no Egito foi um primeiro ato de justiça de Deus, ao qual  se deve corresponder com obediência. Os profetas sempre alertaram o povo sobre isso. Mas infelizmente o povo não quis ouvir a voz deles. Não obedecer a Deus e seus mandamentos tem como resultado a tragédia na vida do povo em geral e na vida de cada um,de modo especial. Chegou a hora de cada um converter-se.

É Preciso Estar Unido a Cristo Para Combater Todos Os Tipos de Demônio Na nossa Sociedade

A história se repete no tempo de Jesus. Israel foi surdo à Palavra de Deus através das palavras do profeta Jeremias. E os contemporâneos de Jesus foram cegos aos sinais do Mestre.

Em Lc 11,14-54, onde se encontra o texto do Evangelho de hoje, encontra-se a oposição no Caminho de Jesus.

Jesus veio para expulsar o demônio do egoísmo que divide, o espírito demoníaco que luta contra a força do Espírito de partilha e de fraternidade que há dentro de cada pessoa e de cada comunidade. Ele veio para expulsar o demônio do individualismo que se coloca contra as correntes solidárias na sociedade. Ele veio para destruir os demônios com o poder de Deus e implantar Seu Reino de justiça e de paz.

O texto do evangelho de hoje começa com a seguinte afirmação: “Jesus estava expulsando um demônio que era mudo”. O demônio mudo nos destrói na nossa essência, pois o homem é feito para escutar Deus e responder Seus apelos. O homem é o parceiro de Deus, depositório de sua Palavra. O espírito mudo é o contrário daquele do Filho: é o egoismo ao invés do amor, é divisão ao invés de comunhão, ciúme ao invés de louvor, desolação ao invés de consolação, trevas ao invés de luz, a morte ao invés de vida. Ao invés de falar e comunicar ao Pai celeste, fecha-se ao Pai e desune os irmãos. Jesus veio para eliminar do homem este espírito mudo.

Depois que Jesus expulsou de uma pessoa um demônio que era mudo, os adversários de Jesus o acusaram dizendo: “É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios”. Quando ficam sem meios justos para criticar Jesus (ad rem), os adversários atacam a pessoa de Jesus (ad hominem) através dos meios injustos. Eles atribuem o poder de Jesus para expulsar os demônios não a Deus e sim ao Satanás. Mas os simples percebem, que através da ação de Jesus que liberta as pessoas de suas prisões, o Reino de Deus chegou. Jesus não só salva a alma, mas a pessoa inteira.

Contra a esta acusação Jesus responde com algumas intervenções ou alguns ditos.

Primeira intervenção: “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra”.

Segunda intervenção: “Se até Satanás está dividido contra si mesmo, como poderá sobreviver o seu reino?”.

Satanás não pode estar em contra de si mesmo, assim como um reino não pode estar dividido, tampouco Satanás pode estar dividido.

Depois vem a parábola do homem forte que muito mais armado do que aquele que guarda a casa e por isso, consegue derrotar o guarda da casa.

Com esta parábola o texto quer nos dizer que Jesus veio para expulsar o Satanás e dificultar sua obra e despojar sua casa, pois Jesus é muito mais forte do que qualquer Satanás. A ação de Jesus e a dos que O seguem sempre produzem unidade, paz, bondade, misericórdia, perdão, liberdade e libertação, atenção aos demais, que são as características das ações evangélicas. São Paulo, na sua carta aos gálatas, escreveu: “Vós fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para prazeres carnais. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade, porque toda a lei se encerra num só preceito: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5,13-14). Segundo São Paulo, os que têm o espírito evangélico possuem as seguintes características: “Os frutos do Espírito são: amor, alegria, paz, generosidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, continência” (cf. Gl 5,13-21. 22-23). Quando encontrarmos estas características em nós e em nossas ações, poderemos estar seguros de que estaremos diante de um espírito evangélico. Pelo contrário, “se vos mordeis e vos devorais, vede que não acabeis por vos destruirdes uns aos outros?” (Gl 5,15).

Outros pensamentos para nossa reflexão:

1. Importância da Unidade                      

Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra”, diz o Senhor. Nesta controvérsia Jesus sublinha a importância da unidade. Pela história sabemos que a guerra civil destrói mais os impérios do que os ataques exteriores. Quem usar a “ação de dividirpara atacar será destruído pela mesma divisão que recairá contra suas próprias tropas. Coração dividido é o coração ferido. O Corpo Eucarístico o qual comungamos torna cada um Corpo de Cristo para os outros.

A unidade é a expressão e a prova mais evidente do amor. Quem estiver unido com Cristo que está unido ao Pai, jamais será causador da desunião e da divisão entre os cristãos ou entre as pessoas; ele buscará sempre a reconciliação. A comunhão com Cristo é impossível sem a vivência do amor fraterno. Assim como o amor fraterno cria unidade, assim também a comunhão com Jesus deve criar a comunhão entre os cristãos.

2. Estar do lado da justiça, do bem e da verdade é estar do lado de Jesus

Quem não está comigo, está contra mim; quem não recolhe comigo, espalha”, alerta-nos o Senhor hoje.

Na sua pregação o Apóstolo Pedro deu seu testemunho sobre Jesus ao dizer que Ele “passa a vida fazendo o bem(At 10,38). Apesar disso Jesus enfrentou muitas oposições. Muitos se consideravam proprietários das boas obras, do poder divino, e demonizavam aquelas pessoas que não atuavam segundo seus parâmetros. Eles davam esmolas ou conselhos com intuito de ter o bom nome, o prestígio e a admiração (cf. Mt 23,1-36). Quando Jesus veio para dar sua vida generosamente sem esperar nada em troca, eles o consideraram comodemônio”, “Belzebu”. Era uma maneira fácil que eles encontraram para desprestigiar e eliminar o oponente, neste caso, Jesus. No entanto, Jesus os enfrentou com a verdade, o bem e a justiça.

Na atualidade continua sendo corrente a prática de demonizar o oponente, de desprestigiá-lo para aumentar o brilho próprio. Pois, atuar a favor dos demais sem buscar o bom nome e o prestígio é uma coisa que não chama a atenção de ninguém.

3. Vida cristã como um combate permanente contra o poder do mal

No evangelho de hoje, Jesus nos apresenta a vida cristã como um combate: “Quem não está comigo, está contra mim; quem não recolhe comigo, espalha. Ele nos apresenta que há dois poderes sempre em guerras: o poder divino e o poder de Belzebu ou o poder do mal. Estamos, às vezes, obrigados a constatar que o mal tem raízes extremamente profundas por causa das forças destruidoras e violentas que aparentemente, nenhum homem é capaz de dominar.  O poder de Belzebu ou do mal, conforme o evangelho de hoje, prende as pessoas (se tornam presos do poder do mal) e cria a mudez nas pessoas (lei de silêncio). Este poder faz com que as pessoas sejam incapacitadas de se comunicar com os demais e com o mundo, não permite diálogo e relacionamento (viver no isolamento). É como o mudo no evangelho de hoje. O poder divino em Jesus suscita consciência crítica nas pessoas, são chamadas e capacitadas a se dialogar com os outros na igualdade e na fraternidade, a entrarem em relacionamento com as outras pessoas e com o Deus que liberta. O evangelho quer nos dizer que é preciso voltarmos para Jesus e vivermos seus ensinamentos e estarmos vigilantes para que o poder do mal não nos surpreende em qualquer momento.

Portanto, o evangelho de hoje nos convida a estarmos do lado de Jesus, isto é, do lado do bem, da verdade e da justiça, não para adquirir ganâncias pessoais e sim para ser as mãos de Deus que atuam eficazmente no mundo. Por isso, o mundo de hoje exige que lutemos contra o mal com as armas da verdade, do bem, da honestidade, da solidariedade e da justiça. Não podemos combater o mal com suas próprias armas: a violência somente gera violência, e a manipulação ideológica somente gera opressão, polarização e desequilíbrio mental. Lutar para acumular os bens e o poder é uma ilusão, pois tudo isso termina no leito da morte. Um morto não tem título nem poder nem status social. No leito da morte tudo se iguala como na hora do parto. Somos chamados a conviver como irmãos em que um cuida do outro; um protege o outro; um se preocupa com a dignidade do outro.  Necessitamos combater o mal como o fez Jesus: com a bondade e generosidade de um Deus que defende incondicionalmente a vida das pessoas humanas e sua dignidade como seres humanos. O cristianismo e o mal e a maldade são incompatíveis. Fazer o bem permanentemente significa que estamos no Reino da verdade, da justiça e da caridade que é o Reino de Deus. Para viver uma vida autenticamente humana, temos que nos amar muito com a verdade, a justiça, o bem e a caridade que são, em certo modo, coisas sagradas que requerem ser tratadas com amor e respeito e são os valores que têm a marca de eternidade.

  1. Como eu era miserável! E Tu, Senhor, tocavas na minha chaga viva, a fim de que eu deixasse tudo e me convertesse a Ti, que estás acima de todas as coisas (Santo Agostinho: Confissões VI, 6)

2.    O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, e sim por aquelas que permitem a maldade. (Albert Eisntein).

  1. O mal não pode vencer o mal. Só o bem pode fazê-lo (Leon Tolstoi).

4.    Quem faz o bem, conquista paz interior (ditado judaico).

5.    Ver o bem e não fazê-lo é sinal de covardia (Confúcio)

P. Vitus Gustama,svd

segunda-feira, 9 de março de 2026

11/03/2026- Quarta-feira Da III Semana Da Quaresma

É PRECISO SEGUIR OS MANDAMENTOS DO SENHOR PARA NÃO SER ESCRAVOS DOS NOSSOS ERROS OU PECADOS

Quarta-Feira da III Semana da Quaresma

I Leitura: Dt 4,1.5-9

Moisés falou ao povo, dizendo: 1 'Agora, Israel, ouve as leis e os decretos que eu vos ensino a cumprir, para que, fazendo-o, vivais e entreis na posse da terra prometida que o Senhor Deus de vossos pais vos vai dar. 5 Eis que vos ensinei leis e decretos conforme o Senhor meu Deus me ordenou, para que os pratiqueis na terra em que ides entrar e da qual tomareis posse. 6 Vós os guardareis, pois, e os poreis em prática, porque neles está vossa sabedoria e inteligência perante os povos, para que, ouvindo todas estas leis, digam: 'Na verdade, é sábia e inteligente esta grande nação! 7 Pois, qual é a grande nação cujos deuses lhe são tão próximos como o Senhor nosso Deus, sempre que o invocamos? 8 E que nação haverá tão grande que tenha leis e decretos tão justos, como esta lei que hoje vos ponho diante dos olhos? 9 Mas toma cuidado! Procura com grande zelo não te esqueceres de tudo o que viste com os próprios olhos, e nada deixes escapar do teu coração por todos os dias de tua vida; antes, ensina-o a teus filhos e netos.

Evangelho: Mt 5,17-19

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 17 “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas”. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18 Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da lei, sem que tudo se cumpra. 19 Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus”.

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Para alcançar a meta temos que respeitar o processa, seguir fielmente as normas, viver disciplinados e superar os obstáculos e desafios, pois a meta nos chama para alcançar. Na vida normal, ninguém ganha sem trabalhar. Ninguém tem diploma sem estudar, ninguém chega à perfeição sem lutar contra suas fraquezas e limitações. Uma árvore para dar frutos no tempo certo, ela tem que deixar muitas folhas velhas cairem no chão para dar lugar às novas folhas. A maturidade se alcança através de vários processos difíceis. Viver sem meta é viver sem rumo. Para quem sabe para onde vai, somente um ônibus serve na rodoviária para ele. Mas para quem não sabe para onde vai, qualquer ônibus na rodoviária serve para ele, porém nunca chegará ao endereço certo.

A meta da Quaresma é a celebração da vida ressuscitada, a Páscoa, a passagem da morte para a vida. Será minha Quaresma tem sentido para poder celebrar solenemente minha Páscoa deste ano? Em que melhorei durante a Quaresma para celebrar minha Páscoa dignamente?

Moisés exorta o seu povo, às vésperas de entrar na terra prometida, a viver segundo a vontade de Deus, a cumprir a sua parte na aliança que firmaram com Deus: devem viver segundo os seus mandamentos. A Aliança se concretiza em normas de vida.

Às vezes Jesus no Evangelho critica as interpretações exageradas que os mestres de seu tempo fazem da disciplina. Mas hoje ele a defende, dizendo que os mandamentos de Deus devem ser cumpridos em Jesus Cristo. Ele não veio para abolir a lei. Em todo caso, dar-lhe plenitude, aperfeiçoá-lo.

A Quaresma é o tempo de uma volta decidida a Deus, isto é, aos seus ensinamentos, aos seus caminhos, aqueles que Ele nos mostra todos os dias com a sua palavra, sem selecionar apenas o que gostamos. A Quaresma é um tempo de obras, de mudança de vida: É o tempo de abertura para Deus (oração), de abertura para o próximo (caridade/esmola) e o tempo para a abertura para mim mesmo (jejum). É tempo de agir: colocar a oração na vida e a vida na oração. Ninguém reza sem ser punido pela própria oração. Quem quiser pedir a paz para o Senhor significa que ele se compromete em ser construtor da paz, e assim por diante.

Na Quaresma propusemos orientar nossa conduta diária de acordo com a Palavra de Deus. Que se note algo de mudança em nossas vidas para uma vida melhor e mais fraterna porque nos preparamos para a Páscoa, que é vida nova com Cristo e como Cristo.

É Preciso Viver De acordo Com As Leis De Deus Para Se Chegar à Pátria Celeste, Nossa Casa Comum

Agora, Israel, ouve as leis e os decretos que eu vos ensino a cumprir, para que, fazendo-o, vivais e entreis na posse da terra prometida que o Senhor Deus de vossos pais vos vai dar. Eis que vos ensinei leis e decretos conforme o Senhor meu Deus me ordenou, para que os pratiqueis na terra em que ides entrar e da qual tomareis posse”, disse Moisés ao povo de Israel.

Moisés, tendo saído da escravidão do Egito, está às portas da Terra prometida. Moisés é peregrino pelo deserto, conversador com Deus no Sinai, receptor dos mandamentos ou das Tábuas da Lei. É grande mensageiro de Deus. Segundo o relato, hoje se encontra próximo do Jordão numa montanha que lhe permite contemplar as portas da Terra prometida. E o Senhor o trouxe até aqui, mas não lhe concede entrar na possessão da Terra Prometida. São mistérios da eleição divina.

Por isso, o texto do Livro de Deuteronômio que lemos hoje tem algo de “Testamento espiritual de Moisés”, e com isso, se encerra (chega a sua plenitude) o Pentateuco ou Livro da Lei. Quando o Pentateuco se encerra, o que vem posteriormente será explicação histórica dos ensinamentos já dados e recebidos.

Depois de enumerar os principais fatos do deserto a partir do Sinai nos quais se mostrou a especialíssima providência de Deus para o povo hebreu (cf. Dt 3), Moisés exorta ao povo sobre o cumprimento da lei divina, recordando a situação privilegiada dos hebreus a ser eleitos por Deus entre todos os povos sobre a face da terra, podendo somente ele se aproximar da divindade num grau de intimidade desconhecida por outros povos. Os mandamentos da lei são a encarnação da sabedoria e prudência com que deve proceder o povo de Deus.

Moisés convida o povo a fazer uma reflexão a partir das experiências para descobrir nelas a providência divina, e a não se esquecer nunca da mão de Deus que ajudou o povo na travessia do deserto rumo à Terra Prometida. Em cada experiência Deus sempre deixa seu recado ou apresenta seu apelo. Basta parar para meditar ou refletir sobre cada experiência de cada dia a fim de tirar lição ou recado de Deus, pois não há experiência que não tenha apelo de Deus. Somente quando criamos o silêncio é que Deus começa a falar para nós. Não há nada que possa ser escutado ou percebido com nitidez numa agitação sem fim. Quem corre demais não dá para ouvir bem o grito de outras pessoas.

Por isso, não é em tom de legislador e sim de pregador, ao estilo dos profetas e livros sapienciais, Moisés se apresenta exortando o povo a guardar os preceitos divinos. Há três coisas destacadas nesta exortação parenética (de cunho moral-ético):

1.    A presença de Deus em meio de Israel e Sua prontidão para escutar Israel (Dt 4,1-4).

2.    Israel recebeu de Deus uma lei santa. Nenhum outro povo a tem (Dt 4,5-14). Com efeito, apesar de ser povo pequeno e insignificante em comparação aos outros povos ao redor que são de cultura superior, Israel tem uma lei com um conteúdo religioso inatingível pelos povos mais cultos da antiguidade. Sua lei, aperfeiçoada pela revelação evangélica (“Não vim para abolir”) veio a ser a norma religiosa do mundo civilizado. Por isso, os judeus da diáspora se gloriavam de ter uma dogmática e moral religiosa superior à dos próprios gregos (helenistas).

3.    Recorda-se a teofania de Sinai em que o povo ouviu a voz de Deus, mas não O vira, figuras das quais os hebreus estavam acostumados a ver nos templos egípcios para representar os deuses com figuras zoomórficas. Javé (Deus) é imaterial, e portanto, não deve representá-Lo sob nenhuma figura sensível (Dt 4,15-20).

O cumprimento dos mandamentos de Deus é o que fará possível que o povo eleito entre na Terra prometida, porque é sinal de que o povo permanece fiel à Aliança. O mesmo Deuteronômio já aponta o perigo de que o povo pode se esquecer dos fatos salvíficos de Deus e cair no legalismo.

Em pleno tempo da Quaresma e sob a luz da mensagem da Palavra de Deus é bom fazermos uma pergunta: Estamos vivendo o sentido da Quaresma escutando a Palavra de Deus e vivendo conforme ela? O progresso sempre exige a disciplina. Um povo, pela experiência, que se esqueceu dos mandamentos de Deus o conduziu sempre à escravidão. Por não querer viver segundo Deus, terminaram sendo escravos de seus próprios erros e traições. Somos eleitos de Deus, filhos e filhas de Deus. Por isso, jamais podemos ser escravos de nossos erros e pecados. A consciência plena de ser eleito de Deus, de ser filho/filha de Deus nos capacita a nos levantar de nossas quedas de cada dia. É preciso manter nossa filiação divina para não sermos escravos de coisas mundanas que nos trazem apenas sofrimento, inclusive para as pessoas que nos amam.

A Lei Suprema de Jesus É o Amor Fraterno

O texto do evangelho deste dia faz parte do Sermão da Montanha (Mt 5-7). Os três versículos lidos neste dia servem como introdução para as grandes antíteses entre a justiça legal e a nova justiça trazida por Jesus (Mt 5,21-48).

Não penseis que vim abolir a lei e os profetas, mas vim para dar-lhes pleno cumprimento”. Para o evangelista Mateus o tema do cumprimento é essencial (Mt 24,24-35; 26,56). Para Mateus tudo que está escrito na Lei e nos profetas (todo o AT) tem um valor profético e deve “cumprir-se” historicamente até o mínimo pormenor em Jesus Cristo (cf. Mt 1,22; 2,15-17; 4,14; 8,17; 13,35 etc.). Todas as profecias e todos os anúncios do Antigo Testamento levam para seu cumprimento em Jesus Cristo, Palavra do Pai que se fez carne (cf. Jo 1,14). O AT tem sentido a partir de Jesus Cristo em quem tudo se cumpriu. E Jesus Cristo é a encarnação do amor misericordioso de Deus por nós todos.  E “nada é pequeno quando o amor é grande”, dizia Santa Teresinha do Menino Jesus. Os detalhes do amor, por pequenos que eles sejam, não podem ser eliminados. Jesus veio não só levar a Lei e os profetas à sua perfeição, mas também assegurar a realização dessa lei entendida como profecia da proximidade de Deus. Se no AT (Lei e Profeta) Deus apenas fala através dos profetas, no NT essa palavra se torna carne em Jesus e habita no meio de nós (Jo 1,14).

Jesus não apenas cumpre o que está escrito na AT, mas Ele o aperfeiçoa. Ele não apenas mantém a Lei, mas dá um sentido mais amplo; Ele vai ao espírito da lei. Por isso, nas antíteses encontramos a seguinte expressão: “Ouvis o que foi dito aos antigos... Eu, porém, vos digo...” (Mt 5,21ss). A lei é válida para todas as pessoas e serve para ajudar as pessoas a chegarem à salvação. Mas quando for manipulada e escravizar as pessoas, então a lei poderá ser desobedecida. Nenhuma lei pode proibir alguém de fazer o bem pelo próximo no dia santo (Sábado). Por isso, várias vezes, Jesus cura os doentes até no dia de Sábado que é proibido para os fariseus e os escribas. Jesus convida os escribas e fariseus a refletirem sobre a seguinte pergunta: “Pergunto-vos se no Sábado é permitido fazer o bem ou o mal; salvar a vida, ou deixá-la perecer?” (Lc 6,9).

“Não penseis que vim abolir a lei e os profetas, mas vim para dar-lhes pleno cumprimento”. A justiça dos fariseus se limita à observância da lei. Os fariseus chegam a divinizar a lei. Eles colocam a lei acima da necessidade e a salvação do homem. Eles até censuram Jesus por curar os doentes no dia de Sábado. Fanáticos obsessivos do cumprimento da lei eles colocam a vontade de Deus em elementos secundários, que não buscavam de modo algum o estabelecimento de uma sociedade mais fraterna, igualitária e justa. Pensam que ao cumprir todas as leis e normas possam agradar a Deus. Mas, na verdade, o que agrada a Deus é o amor fraterno.

Por isso, o que Jesus faz é mostrar um Deus que desaprova a injustiça e a desigualdade, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). Deus se dirige aos homens como uma pessoa amada, chamando cada homem por seu nome (Is 43,1) e o nome de cada um é gravado na palma da mão de Deus (Is 49,16). E o amor transforma tudo em obra prima, até as coisas pequenas e seus detalhes. O amor de cada dia é feito de detalhes e não tanto de coisas solenes e heroicas. Por esta razão, encontra-se a seguinte fórmula no AT como uma fórmula ritual: “Escutai, ó Israel!”. É escutar Deus para viver na plenitude. Por isso, escutar Deus é coisa mais prudente e mais inteligente para o ser humano. Ao escutar Deus, sua Palavra será para nós nossa sabedoria e um alimento para nosso espírito. Sua maneira de ver impregnará nosso modo de ver a vida e as pessoas. Quando pararmos de escutar a Palavra de Deus, seremos escravos de nossos erros, um atrás do outro erro.

Não penseis que vim abolir a lei e os profetas, mas vim para dar-lhes pleno cumprimento. A lei é boa, pois ela ordena aquilo que faz crescer a vida e proibe o que a diminui. Os profetas sempre recordam a lei do Senhor e denuncia as transgreções e ao mesmo tempo promete um coração novo e um Espírito novo que nos faz finalmente andar no caminho de Deus. A lei é necessária em toda a sociedade civil ou Estado de direito para tornar possível a convivência. A existência da lei é uma afirmação da coexistência dos bons e dos maus. Para proteger os bons e para os maus não avançarem, a lei é necessária, da bondade e da maldade, do bem e do mal. Caso contrário, a lei do mais forte é que reinaria na convivência, e os mais fracos ficariam sem vez nem voz. Mas quando o amor se tornar o mandamento para todos, todos viverão como irmãos, pois o amor é o cumprimento pleno de todas as leis (cf. Rm 13,10).

A comunidade cristã católica tem uma lei de governo: o Direito Canônico. Mas a Igreja e o cristão sabem que sua lei primeira e básica é o evangelho de Jesus que consiste no amor fraterno. A Igreja não anuncia a lei e sim o Evangelho. E a essência do Evangelho é o amor. O amor, de fato, não faz mal a ninguém: o amor é o pleno cumprimento da lei (Rm 13,10).

A lei para os cristãos tem uma função pedagoga: educar o cristão progressivamente no amor fraterno: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, a não ser o amor recíproco, porque aquele que ama o seu próximo cumpriu toda a lei (Rm 13,8).  Quanto mais cresce teu amor, maior é tua perfeição. A perfeição da alma é o amor”, dizia Santo Agostinho (In epist. Joan. 9,2). Quando o cristão ou qualquer ser humano de boa vontade chegar à sua maturidade e perfeição no amor fraterno, ele não se sente coagido pela lei; quando o amor reinar o coração e a vida do cristão a lei para ele é dispensável, pois “a caridade é o pleno cumprimento da lei” (Rm 13,10).  Dizia Santo Agostinho: “Ama e faze o que quiseres(In epist. Joan.7,8) eQuanto mais amas, mais alto sobes(In ps. 83,10). Amor é o meio mais rápido pelo qual o homem chega até Deus. São João da Cruz no final da Subida escreveu: “Por aqui nãocaminho; que para o justo nãolei”. Mas quando o amor se quebra, a lei se impõe. Jesus é o primeiro que vive o amor.

Amor sem limite a Deus e ao irmão é a plenitude da lei de Cristo (cf. Rm 13,10). Todas as celebrações e todas as atividades na Igreja de Cristo têm uma função: para que todos cresçam cada vez mais no amor fraterno. Sem o amor fraterno tudo careceria de sentido. O amor faz qualquer um feliz e leva alguém à alegria completa. É a promessa do Senhor: “Disse-vos essas coisas (mandamento do amor) para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa” (Jo 15,11). Nãofelicidade onde nãoamor” (Santo Agostinho).

Sair Do Coração Frio e Pequeno Para o Magnânimo

Quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus”.

Hoje Jesus, diante do povo que O escuta, pede para ir mais além. A vida é mais que o mínimo. O mínimo não enche o coração. No mínimo sou um autômato que repete gestos sem alma.  O cumprir apenas e ficar somente no cumprir, tira minha criatividade e liberdade. Se eu ficar parado apenas no cumprir, eu coloco freio no meio crescimento. Jesus me convida a ser magnânimo, de coração grande e espaçoso para todos. No coração espaçoso se joga minha vida e salvação. Jesus não quer que eu faça apenas o correto, o adequado, o justo. Não quer que eu cumpra simplesmente o meu dever. Ele quer que eu ande e viva segundo os mandamentos do Senhor que se resumem no amor incondicional para o próximo, inclusive para o inimigo. Minha inquietude permanece se eu ficar fazendo apenas o que os outros me pedem, e depois me afasta assim que cumprir o que me pedirem. A chave da vida, como sempre, está na forma de olhar para a vida e descobrir nela minha missão. No fim vou descobrir que a medida da verdadeira vida é o amor sem medida. Jesus me diz que tenho que sentir e pensar como faz Deus. E que vale pouco cumprir a norma e ser correto diante da lei, se tenho o coração frio para com o próximo. Seguir os mandamentos do Senhor significa, portanto, que eu quero sentir como o Senhor, quero pensar como Ele, quero caminhar como Ele, quero amar como Ele ama. Deixando-me o coração, sem preocupar-me somente de pecar ou não pecar, de respeitar os limites, de proteger minha fama. O Senhor quer que eu não guarde nada para mim e sim quer que eu ame mais e mais. Nisto consiste meu verdadeiro ser de cristão. Jesus apela para a generosidade da minha vida. Viver com uma alma generosa é a única maneira de viver de verdade. É o único que me faz livre. Assim viveu Jesus. O Senhor pede que me deixo modelar por Ele para ter sua delicadeza de sentimentos e para minha vida exterior e minha vida interior sejam uma só.

A Eucaristia da qual participamos é um compromisso para sermos pessoas que, renovadas e revestidas de Cristo, nos faz caminharmos pela vida como aquelas pessoas que proclamam a verdade, o bem, o amor como uma entrega a favor dos demais, deixando de lado ou abandonando totalmente aqueles caminhos que nos fazem nos destruirmos uns aos outros ou pisotear os direitos das classes mais desprotegidas. O Senhor pede que sejamos fieis à Sua lei, a Lei do amor que não somente nos faz colocar Deus sobre todas as coisas, mas ao mesmo tempo nos levar a querermos bem para os outros. Os cristãos devem se converter em sinal de amor para os outros (cf. Jo 13,35). Se fomos feitos à imagem e à semelhança de Deus, então nosso modo de viver não deve apagar essa imagem. Se essa imagem for apagada em nós, ninguém vai dizer que somos de Cristo. São Paulo nos relembra através destas frases: Somos para Deus o perfume de Cristo entre os que se salvam e entre os que se perdem” (2Cor 2,15). E acrescentou: “Vós sois uma carta de Cristo... escrita não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, em vossos corações” (2Cor 3,3).

Pedimos a Deus a graça para que os outros possam ler algo de Cristo em nossa vida. Para isso, é necessário que o amor fraterno circule dentro de nós e entre nós, poistodos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35).

É preciso lermos e meditarmos a Palavra de Deus, porque o próprio Senhor nos afirma: “Antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da lei, sem que tudo se cumpra”. Essa Palavra pode acontecer seu cumprimento na vida de cada um de nós. Basta colocá-la em prática, pois Da mesma forma como a chuva e a neve, que caem do céu e para lá não voltam sem antes molhar a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, a fim de produzir semente para o semeador e alimento para quem precisa comer, assim acontece com a Minha Palavra que sai de Minha boca: ela não volta para mim sem efeito, sem ter realizado o que Eu quero e sem ter cumprido com sucesso a missão para a qual Eu a mandei (Is 55,10-11).

P. Vitus Gustama,svd

12/03/2026- Quinta-feira Da III Semana Da Quaresma

ESCUTAR DEUS E SUA PALAVRA PARA ESTAR DO LADO DO BEM CONTRA O ESPÍRITO DO MAL Quinta-Feira da III Semana da Quaresma I Leitura: Jr 7,23...