NÃO TENHAMOS MEDO NA MISSÃO CONFIADA
PORQUE DEUS ESTÁ CONOSCO
XII Domingo Comum “A”
I Leitura: Jr 20, 10-13
Jeremias disse: 10“Eu ouvi as injúrias de tantos
homens e os vi espalhando o medo em redor: ‘Denunciai-o, denunciemo-lo’. Todos
os amigos observam minhas falhas: ‘Talvez ele cometa um engano e nós poderemos
apanhá-lo e desforrar-nos dele’. 11Mas o Senhor está ao meu lado, como forte
guerreiro; por isso, os que me perseguem cairão vencidos. Por não terem tido
êxito, eles se cobrirão de vergonha. Eterna infâmia, que nunca se apaga! 12Ó
Senhor dos exércitos, que provas o homem justo e vês os sentimentos do coração,
rogo-te, me faças ver tua vingança sobre eles; pois eu te declarei a minha
causa. 13 Cantai ao Senhor, louvai o
Senhor, pois ele salvou a vida de um pobre homem das mãos dos maus”.
II Leitura: Rm 05, 12-15
Irmãos: 12 O
pecado entrou no mundo por um só homem. Através do pecado, entrou a morte.
E a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram. 13Na realidade,
antes de ser dada a Lei, já havia pecado no mundo. Mas o pecado não pode ser
imputado, quando não há lei. 14No entanto, a morte reinou, desde Adão até
Moisés, mesmo sobre os que não pecaram como Adão, o qual era a figura provisória
daquele que devia vir. 15Mas isso não quer dizer que o dom da graça de Deus
seja comparável à falta de Adão! A transgressão de um só levou a multidão
humana à morte, mas foi de modo bem
superior que a graça de Deus, ou seja, o dom gratuito concedido através de um
só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos.
Evangelho: Mt 10,26-33
Naquele
tempo, disse Jesus a seus apóstolos: 26 “Não tenhais medo dos homens, pois nada há de
encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido.
27 O que vos digo na escuridão dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do
ouvido, proclamai-o sobre os telhados! 28 Não tenhais medo daqueles
que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que
pode destruir a alma e o corpo no inferno! 29 Não se vendem dois pardais por
algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do
vosso Pai. 30 Quanto a vós, até os
cabelos da vossa cabeça estão contados. 31 Não tenhais medo! Vós valeis mais do
que muitos pardais. 32Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor
diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que
está nos céus. 33 Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o
negarei diante do meu Pai que está nos céus.
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Chave Das Leituras Deste Domingo
A
Primeira Leitura
de hoje (Jr 20, 10-13) faz
parte das Confissoes do profeta Jeremias nas quais o profeta põe em destaque claramente
sua alma ou nas quais a alma lírica do profeta mostra sua grande dor diante da
calúnia e perseguição (Jr 11,18,23; 15,10.15-21; 17,14-18;
18,23; 20,7-17).
No texto que hoje a liturgia utiliza nos fala de uma dura prova religiosa e
política a que foi submetido Jeremias depois da queda de Jerusalém no ano 586
a.C. O que o profeta quer é que Israel reconheça a salvação que somente poderá
vir e unicamente do Deus da Aliança (Jr 20,11).
Apesar de todos os sofrimentos, o profeta
Jeremias confia em Deus (Jr 20,11). Jeremias está convencido de que ele luta ao
lado do mais forte: ao lado de Deus, (Deus é descrito como soldado ou forte
guerreiro). O lamento de Jeremias está carregado de confiança. Ele pede que
triunfe a causa de Deus (Jr 20,12). A confiança na vitória é origem de sua
oração. Jeremias pede a justiça divina e não a vingança humana. Jeremias faz
louvor a Deus, porque está seguro do triunfo de Deus. O profeta sabe esperar,
mantém perseverança e por isso, antecipa a ação de graças (Jr 20,13). Quem
confia totalmente em Deus, apesar das grandes dificuldades, pode antecipar seu
louvor a Deus pela vitória final, pois a palavra final será a Palavra de Deus.
Na Segunda Leitura (Rm 05, 12-15),
especialmente no versículo 12 do texto, são Paulo coloca o problema do
pecado original: “O pecado entrou no
mundo por um só homem. Através do pecado, entrou a morte. E a morte passou para
todos os homens, porque todos pecaram”. São Paulo deduz que o pecado entrou
na humanidade por meio dessa falta inicial. Por isso, fala da obra redentora de
Cristo, estabelecendo um paralelo entre Adão e Cristo: Adão é o portador da
ruina, e anti-Adão, Jesus Cristo, é o autor da salvação para muitos: “A transgressão de um só levou a multidão
humana à morte, mas foi de modo bem superior que a graça de Deus, ou seja, o
dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em
abundância sobre todos”.
Cristo, com sua obediência e seu sacrifício
anula a desobediência de Adão, libertando-nos não somente da culpa, mas
oferecendo-no a graça de Deus “em abundância”. O pecado provocou uma oferta de
graça que é mais abundante do necessário, graças a Jesus Cristo que se entregou
por nós todos.
Na Terceira Leitura, de são Mateus (Mt 10,26-33)
somos exortados a fazer uma confissão animada da fé, inclusive nas
perseguições. Jesus é realista, e sabe que nem seus discípulos serão bem
acolhidos, nem sua mensagem encontrará sempre os homens bem dispostos a
escutá-la. Ao contrário, seus apóstolos encontrarão muitas vezes oposição,
porém não deverão ter medo: “Não tenhais
medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de
escondido que não seja conhecido.
Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos
pardais”
(Mt 10,26.31). Onde Cristo está, está a vida e o porvir. Cristo cuida de nós
até dos mínimos detalhes. O pregador perseguido está sob os cuidados do Pai.
O apóstolo cristão, se ele propõe a mensagem de
Cristo sem encontrar dificuldades, terá que se perguntar sinceramente se sua
palavra não está alinhada com o estilo e os desejos deste mundo, traindo a
verdade de Cristo. Uma pregação cristã que sempre se preocupa em agradar o
mundo, seguindo as modas, não vale nada. É uma traição aos verdadeiros
ensinamentos de Cristo. e Jesus nos relembra que Ele confessará (defenderá) no
céu os discípulos que Lhe confessam na terra. A pregação se sintetiza,
portanto, numa autentica confissão de Jesus, o Messias.
Estendamos um pouco mais nossa meditação
sobre o texto do Evangelho de hoje!
Olhar e Entrar No Contexto Do
Texto Do Evangelho De Hoje
O texto do
Evangelho de hoje faz parte do discurso do Senhor sobre a missão. O anúncio deve fazer ao pé do ouvido e do
alto dos telhados sem nenhum medo. Em tudo devemos levar em conta a
providência divina.
Falávamos no Domingo anterior da chamada
(vocação dos Doze) que nos dirige Jesus a cada um de nós: “Segue-me!”. E
dizíamos que esta chamada não nos afeta isoladamente e sim como membros de uma
comunidade de seguidores do Evangelho. Cada um de nós é chamado, mas todos nós
necessitamos uns dos outros para dar nossa resposta, em nossa vida de cada dia,
para a chamada amorosa do Senhor Jesus. Hoje, seguindo o Evangelho de Mateus,
somos recordados de um aspecto desta chamada de Jesus Cristo que não podemos
esconder e não seria honesto esconder, que não seria puro esconder. A missão é
difícil, mas não tenhamos medo, pois quem nos chama é Aquele que criou o
universo (Jo 1,3).
Uma das características mais evidentes da
pregação de Jesus Cristo é a de sua claridade, isto é, não esconde
absolutamente nada que a coisa é difícil, que fazer o que Ele diz custa, que
não prega um caminho fácil e sim duro e exigente. Seguir o caminho do Evangelho
é difícil.
Mas Jesus Cristo não é um pregador que queria
assutar. O que necessitamos é escutar, em sua claridade e em sua força, a
Palavra de Jesus Cristo. A FORÇA e a
CLARIDADE da PALAVRA DE DEUS! A Palavra de Deus é clara, pois nada se esconde e
ao mesmo tempo poderosa. Ele nos diz que seguir seu caminho é difícil, mas
acrescenta imediatamente: NÃO TENHAIS MEDO!
Somos lembrados antecipadamente sobre o tema do
evangelho de hoje através da Primeira Leitura do livro do profeta Jeremias.
Jeremias viveu tempos difíceis, quando tudo - no povo judeu - parecia estar
desmoronando. A tentação é fechar-nos, esconder-nos em nossa fraqueza. E assim,
desistimos de nos aventurar no caminho que Jesus Cristo nos propõe. Mas então a
palavra de Jeremias saiu vigorosamente em nome de Deus: não confie em si mesmo, mas no Senhor.
Porque o Senhor é como um soldado forte que luta com os fracos e oprimidos.
“Senhor está ao meu lado, como forte guerreiro;
por isso, os que me perseguem cairão vencidos. Por não terem tido êxito, eles
se cobrirão de vergonha”, disse Jeremias.
Trabalhar pelo Reino de Deus, por um mundo mais
fraterno, justo e honesto é o trabalho que Jesus Cristo nos propõe porque é SEU
trabalho, SUA luta, SEU caminho. Por isso, Ele é o forte soldado que luta em
nós.
O cristão é chamado a esta luta constante, não
contra ninguém e sim contra toda injustiça, contra todo mal; contra tudo o que
não respeitar os direitos de cada homem, os direitos dos mais pequenos, os
direitos de cada povo, de cada etnia e assim por diante. Se um homem é tratado
injustamente pela cor de sua pele ou pelas suas ideias, ou por sua língua, ou
por sua situação social etc., ali o cristão deve lutar, SEM MEDO, diz Jesus,
porque é Deus quem combate nesta luta dolorosa e difícil, mas que cremos que
conseguirá sua vitória plena.
1. Não Tenhamos Medo dos Fundamentalistas Religiosos
“Não Tenhais medo!”
O medo é uma das emoções fundamentais do viver
humano que todo homem experimenta em várias situações da própria existência,
ainda que em diferentes modalidades e intensidades. O medo surge quando o homem
se sente diante de uma ameaça e julga não estar em condições de contrapor ao perigo
iminente por falta de aparatos adequados defensivos.
Os
textos do AT
em que se
descreve ou evoca o medo são muito numerosos. Essa experiência se apresenta
tanto em nível individual como coletivo. O medo nasce quando um perigo é
reconhecido como tal. O medo é uma emoção que pode levar a reações
contrastantes: o sejueito pode fugir (cf. 1Sm 17,24; Is
10,29.31; Jr 26,21; 445,3; 2Sm 46,5) ou permanecer
petrificado (cf.Ex
15,16), gritar (cf.
Is 10,30; Jr 47,2) ou
tornar-se
incapaz de dizer uma palavra (cf. Gn 45,3; 2Sm
3,11), responder
com agressão (cf.
Ex 1,8-16; Js 10,1-4) ou
render-se
sem tentar reagir (cf. 2Rs 10,1-5; Jr
47,3;51,30, etc.).
O medo é uma experiência que
se deve atravessar e da qual se deve sair, sem ser por ela vencidos. Por isso,
a importância, na visão bíblica, das exortações a não temer (cf. Gn 15,1; Ex
14,13-14; Dt 1,29-30; Is 41,10.13; Jr 30,10, etc.). As exortações
constituem uma palavra autorizada que intervém para encorajar, manifestando uma
presença (divina) capaz de socorrer e de fazer sair da solidão, na relação com
a alteridade que salva. Com a consciência da ajuda divina, se verifica então no
sujeito uma mudança, uma diferente percepção da realidade, um novo modo de
avaliar a periculosidade de ameça e consequentemente uma nova capacidade de
enfrentar a situação (cf.
Jz 6,12-16; 1Sm 17,34-37; Is 7,2-4; 2Cr 20,20-22; 32,5-). Além disso, no medo revela-se a verdade de
que o ser humano faz experiência do ser criatura e da fragilidade constitutiva
de seu ser e se confessa criatura mortal. Somos criaturas expostas
sujeitas a qualquer perigo e ameaça.
No NT fala-se também do medo
não tanto quanto como no AT. O medo aparece principalmente diante da irrupção de Deus na realidade
humana e diante de suas manifestações (cf. Mt 27,54; 28,4; Lc 1,12; 2,29; Hb
12,21; Ap11,11),
diante dos milagres e
dos vários sinais operados por Jesus e por seus discípulos (cf. Mt 9,8; 17,6; Mc
1,27; 4,41; Lc4,36; 5,26; 8,25.35.37; At 2,43; 5,5.11, etc.), diante do inexplicável de sua
ressurreição (cf.
Mt 28,8; Mc 16,8)
e, em todo caso, na presença do mistéri, enquanto indecifrável e
incompreensível. Por isso, são
frequentes as exortações para não temer diante da manifestação do divino, na
descoberta de uma presença benévola e salvífica (cf. Mt 14,27; 17,7; 28,5;
Mc 6,50; 16,6; Lc 1,13.30; 2,10; Jo 6,20; Ap 1,17, etc.). Para NT, se Deus venceu a morte,
vence também todo e qualquer medo
humano. Em seu projeto de salvação e de misericórdia, com o acontecimento
pascal, a vida definitivamente triunfa; e a morte, vencida e privada de seu
veneno (cf.
1Cor 15,55),
deve dar lugar ao dom de
si. Quando tudo isso finalmente se torna real na vida de cada cristão,
então não haverá mais espaço para o medo, especialmente para o medo da morte.
Ao contrário, haverá apenas espaço para o amor e “no amor não existe temor; ao contrário, o perfeito amor expulsa o temor”
(1Jo 4,18).
A unidade temática e o tom das palavras de
Jesus no texto do Evangelho de hoje (o texto faz parte do
discurso sobre a missão) estão
marcados pela tríplice
exortação a não ter medo (Mt
10,26.28.31).
A quem não deve ter medo?
Não se trata dos homens em geral e sim dos homens religiosos (cf.
Mt 10,25; 9,34). São
os homens do fundamentalismo religioso que os Doze não devem ter medo. É a
oposição religiosa que Mateus foi fazendo aparecer ao longo dos capítulos oito
e nove como contra-personagem de Jesus.
Quem não deve ter medo?
Os apóstolos não devem ter medo. Em Mateus o termo “Apóstolos” designa a
totalidade dos discípulos de Jesus e que Mateus reduz significativamente a
Doze: frente ao velho Israel das doze tribos, o Novo Israel dos Doze. O “Doze”
representa a totalidade dos discípulos de Jesus.
Por que não deve ter medo? Há três razões para o
novo Povo de Deus não deve ter medo dos fundamentalistas religiosos. Primeira, a concepção religiosa de Jesus
seguirá adiante apesar da oposição também religiosa dos fundamentalistas (Mt
10,26-27). Segunda, estes fundamentalistas religiosos recorrerão,
inclusive, a métodos mortais (Mt 10,28ª). Mas a integridade física não dá a
medida da pessoa. A integridade pessoal não se esgota com a integridade física.
A integridade pessoal não pode ser eliminada nem sequer pela arma mortífera do
fundamentalista religioso. Não é a este a quem tem que ter medo e sim a Deus,
porque é Deus quem dá a verdadeira medida da pessoa (Mt 10,28b). Deus é Pai. A
perda da integridade física não deve assustar os discípulos em nome da verdade
e do amor. Esta perda tem um sentido e Deus não está ausente (Mt 10,29-31). Terceira razão para não ter medo é que o
próprio Jesus é a garantia para o novo Povo: “Todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me
declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. Aquele, porém,
que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está
nos céus” (Mt 10,32-33).
2.
Não Tenhamos Medo Dos Que Se Acham “Poderosos”, Pois Somente Deus é Onipotente
Precisamos saber que Mateus escreveu seu
evangelho durante a década de 80 durante a qual reinava o imperador Domiciano
(anos 81 a 96) que não tolerava o cristianismo. Consequentemente crescia a
hostilidade, que rapidamente se converteria em perseguição organizada contra o
cristianismo (no ano 95, por iniciativa de Domiciano, começa uma terrível
perseguição contra os cristãos em todos os territórios do império romano).
A comunidade cristã a quem Mateus destinou o
seu Evangelho era uma comunidade com grande zelo missionário, pronta em levar a
Boa Nova de Jesus a todos os homens. Mas ao mesmo tempo teve que conviver com
as dificuldades e as perseguições. Os cristãos de sua comunidade estavam
perturbados e confusos diante desta situação e a tentação de desistir de tudo.
Por esta razão, Mateus elaborou uma espécie de “manual do missionário cristão”,
para mostrar que a atividade missionária fazia parte inseparável da vida
cristã. Em outras palavras, ser cristão é ser missionário (cf. Ad Gentes n.2, Concílio Vaticano
II).
Pregar e viver de acordo com os valores que
Jesus nos deixou como seus ensinamentos atrai a perseguição daqueles são contra
a estes valores. A perseguição atinge os cristãos por causa de seu amor por
Deus e da fidelidade à Sua Palavra: “... todos
os que quiserem viver com piedade em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm
3,12) e pela humanidade. O desígnio do Pai é um desígnio de amor universal, que
não discrimina ninguém, pois o mandamento novo é amar a todos os homens (Jo
13,34s), inclusive os inimigos (Mt 5,44). O próprio Jesus, obedecendo, até a
morte da cruz, manifesta que o amor é mais forte do que o ódio e que uma morte
tão sobrecarregada com o pecado dos homens também pode mudar definitivamente de
sentido.
O texto de hoje, portanto, tem o objetivo de
suscitar o ânimo nos discípulos diante das situações aparentemente maiores do
que sua força. Mas apenas aparentemente, pois há uma força superior a todas as
forças e todos os obstáculos: o próprio Deus que vai ter a última palavra sobre
todos os homens (cf. Mt 25,31-45).
Quem são os novos fundamentalistas religiosos e
os que se acham “deuses” de hoje? Quais são métodos que eles usam para obrigar
os outros a ter crença que eles têm? Dentro da Igreja existem também os
fundamentalistas religiosos? Que comportamento e método os seguidores do Senhor
devem adotar para os fundamentalistas religiosos? “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”
é o estilo de vida que Jesus Cristo deixou para todos os que querem ser seus
seguidores (Jo 13,34-35; 15,12). O amor é o nome próprio de Deus (cf. 1Jo
4,8.16) e “seremos julgados sobre o amor no entardecer de nossa vida” (São João
da Cruz).
Outras Mensagens Da
Palavra De Deus Deste Domingo Para Nossa Vida Cotidiana
1.
Levar Em Conta Os Nossos Medos De Cada Dia
“Não tenhais medo!”. É a
palavra do Senhor neste domingo.
No nosso mundo cada vez mais tecnológico e
prometedor há algo inevitável e crescente em nós: o medo.
Temos medo de ir a uma rua deserta, de entrar
num portão com um desconhecido atrás de nós, de subir num elevador com um
estranho, de entrar na nossa porta com alguém de longe observando nossa
entrada. Temos medo do porvir diante da crise econômica, política e social. Os
pais têm medo de que seus filhos possam se drogar ou são levados para o mundo
de crime. Temos medo do desastre nuclear, da arma biológica que estão na sombra
da humanidade atual. Temos também medo de viver em muitas ocasiões, pois viver
significa comprometer-se, decidir-se, definir-se. E quase sempre preferimos nos
manter numa discreta penumbra sem arriscar uma segurança que temos medo de
perder. Temos medo daquilo que os outros pensam de nós, de perder prestígio.
Por isso, em muitas ocasiões não somos capazes de adotar uma decisão valente
diante de uma determinada situação. Temos medo de perder emprego, de perder um
ente querido. Temos medo de ser abandonados pelos demais homens. Temos medo de
morrer, e assim por diante.
Todos nós experimentamos o medo e isso é normal.
Mas o que temos que evitar é que nosso medo não se torne tóxico capaz de durar
toda a vida.
O medo é sempre acompanhado pela imaginação. O
medo alimenta a imaginação. Ao imaginarmos o pior, o medo começa a nos dominar.
O medo que começa a nos dominar é capaz de paralisar nossa vida.
Ninguém gosta de sentir medo. Mas é preciso que
nosso medo não cresça mais do que nós. Para isso, precisamos eliminar os medos
sem fundamentos. Quanto mais pensarmos em uma coisa, mais isso fará parte de
nossa realidade. Não pensemos no medo para que o medo não pense em nós. Por
isso, em vez de dizer: “Preciso deixar de pensar nessa ideia”, temos que
substituir este pensamento por outro mais positivo.
Por incrível que pareça, geralmente, o medo
significa que estamos avançando. O medo é companheiro dos conquistadores e
renovadores, dos inventores e das pessoas sucedidas. O medo mostra que os
conquistadores estão fazendo algo novo, que estão saindo da zona de conforto
para uma vida totalmente renovada e avançada. Mais tarde, os medrosos vão
usufruir o produto/resultados dos renovadores da humanidade. Os gênios
normalmente são condenados precipitadamente, mas mais tarde serão
reconhecidos. Cada desafio nos permite e nos chama a darmos
um passo maior do que antes. Avançar não significa não sentir medo e sim ir
para o novo e o melhor apesar dos temores que possamos sentir.
Não devemos ter medo do medo que é a fobia.
Para vencer o medo temos que aprender a reconhecê-lo, a colocá-lo em palavras e
a falar sobre aquilo que desperta medo em nós. Devemos olhar nossos medos de frente
e não cobri-los, pois mesmo que fujamos, os medos continuarão nos acompanhar. É
melhor verificarmos até que ponto temos realmente medo. Cuidado com nossos
medos, pois eles roubam nossos sonhos e realizações! Onde o medo se torna
dominador, a sabedoria não funciona. Façamos que nossos medos tenham medo de
nós mesmos adotando novos modos de viver, saindo com coragem de nosso cantinho
que nos paralisa para viver uma vida nova e renovada. Não tenhamos medo da
mudança. Ela assusta, mas pode ser chave daquela porta pela qual você quer
entrar. Tenhamos certeza de que somos maiores e mais fortes do que nossos
medos, pois o Senhor está conosco (cf. Mt 28,20)
2. Levar Em Conta o Verdadeiro Medo Que o Senhor Nos
Fala No Evangelho De Hoje
O Senhor Jesus quer que os cristãos estejam
livres do medo principal. Ele
fala do medo mais íntimo, mais profundo: o medo de perder a vida eterna (perda
da salvação): “Não tenhais medo daqueles que matam o corpo,
mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a
alma e o corpo no inferno!” É um medo compreensível para o qual o Senhor
promete Sua assistência que é palpável ao longo da história da Igreja: “Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça
estão contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais” (Mt
10,30-31; cf. Mt 28,20).
Por um
lado Jesus nos exorta: “Temei aquele que
pode destruir a alma e o corpo no inferno!”. Por outro lado ele nos recorda: “Todo aquele que se declarar a meu favor
diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que
está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o
negarei diante do meu Pai que está nos céus”.
A vida
ou a morte, a salvação ou a perdição definitiva de cada cristão depende da
postura que ele toma diante de Jesus Cristo durante sua vida aqui neste mundo. O reconhecimento ou
confissão pública que cada cristão faz de Cristo corresponde a um
reconhecimento que Cristo faz do cristão diante do Pai do céu: o destino final
de cada cristão depende da palavra de reconhecimento ou de negação que Cristo
pronuncia sobre ele diante do Pai celeste.
Quando tivermos uma plena consciência disso,
não teremos dificuldade em viver aquilo que Jesus Cristo disse hoje: “O que vos digo na escuridão dizei-o à luz do
dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados!”.
Encontramos aqui dois
níveis do anúncio que se expressam em
dois termos: “ao pé do ouvido” e “do alto dos telhados”.
Jesus quer que façamos os dois simultaneamente para que o anúncio seja
completo.
O anúncio “ao pé do ouvido” é aquele anúncio que fazemos
para quem está próximo de nós, para aqueles que convivem conosco, para os mais
íntimos, para nossa própria família, que nem sempre é fácil, pois todos
conhecem nossas fraquezas e bloqueios, além de nossas capacidades. Vamos nos
preocupar com a salvação dos membros de
nossa família. Vamos arrumar a casa para depois ampliar nosso anúncio para o
maior alcance.
Por isso, não basta que cada cristão procure
ser fiel a Jesus no íntimo de seu coração e no testemunho constante junto a
quem nos conhece pessoalmente. O anúncio “ao pé do ouvido” deve se tornar um
anúncio “do
alto dos telhados”, deve se tornar público. O mundo precisa
reconhecer nos cristãos uma força transformadora a favor da justiça, da paz e
da fraternidade. Sem isso, os cristãos perderão a credibilidade diante do mundo
ou sociedade (cf. Mt 5,13-16).
3.
Levar Em Conta a Providência Divina
“Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça
estão contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais”
(Mt 10,30-31; cf. Mt
28,20).
Na criação por amor, a vida é chamada a ser tão
duradoura como o amor que a gerou, pois o amor não abandona aquele que ele
gerou; seria como abandonar-se a si mesmo. Tudo isto simplesmente chama-se a PROVIDENCIA DIVINA.
Salvar é criar e recriar continuamente. Somos
fruto do amor de Deus. O Criador poderia contentar-se com dar existência às
coisas, abandonando-as a sua sorte. Mas Deus que gera vida por amor continuará
amando o que ele gerou, pois ali persiste de alguma maneira sua própria vida.
Se Deus tem carinho e cuidado para as coisas
mínimas como cabelos e pardais, quanto mais para os homens criados à imagem e
semelhança de Deus. O evangelista Mateus quer nos transmitir a certeza de que
Deus está conosco até o fim dos tempos (Mt 28,20).
Pela certeza da companhia permanente de Deus e
pela sua providência para o nosso cotidiano, a fé pede valentia e se vive num
conjunto de disposições (constância, perseverança, ânimo, etc.) que formam
juntas a fortaleza. A profissão da fé há de ser vista como um caminho que se
cria caminhando. O caminho não é fácil. A reação espontânea é a negação do
esforço e o refúgio na facilidade. A exortação se situa, então, no progresso da
fé. É evidente a existência de obstáculos, mas o êxito é dos corajosos ou
audaciosos, os renovadores ou inovadores. Cabe aqui um catálogo de atitudes:
saber valorizar a fé como dom, estabelecer uns meios adequados para vive-la,
ter um plano de vida e observá-la, ter sentido de esperança, incluir na
normalidade a possível incompreensão e assim por diante. A vida do próprio
Senhor Jesus, de Maria, a mãe do Senhor e de todos os santos não foi fácil.
Todos eles são nosso modelos na luta de cada dia.
Comentário
de Santo Agostinho sobre o Evangelho de hoje: “As palavras
divinas que lemos nos encoraja a não temer temendo e a temer não temendo. Quando
o evangelho foi lido vós sois advertidos que Deus nosso Senhor, antes de morrer
por nós, quis que nos mantivéssemos firmes; porém, animando-nos a não temer e
exortando-nos a temer. Disse, pois, ‘Não tenhais medo daqueles que matam o
corpo, mas não podem matar a alma!’ (Mt 10,28). Ai, nos animou a não temer.
Vede agora onde nos exorta a temer: ‘Pelo contrário, temei aquele que pode
destruir a alma e o corpo no inferno!’. Portanto, temamos para não temer.
Parece que o medo vai associado à covardia; parece que o medo é próprio dos
débeis, não dos fortes. Porém, vede o que diz a Escritura: ‘O temor do Senhor é
a esperança de fortaleza’ (Pr 14,26). Temamos para não temer, isto é, temamos
prudentemente, para não temer infrutuosamente. Os santos mártires... temendo
não temeram: temendo a Deus, desdenharam aos homens”.
P.
Vitus Gustama,SVD