sexta-feira, 29 de maio de 2026

Solenidade Da Santíssima Trindade, Ano "A", Domingo, 31/05/2026

SANTÍSSIMA TRINDADE “A”

I Leitura: Êx 34,4b-6.8-9

Naqueles dias: 4bMoisés levantou-se, quando ainda era noite, e subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe havia mandado, levando consigo as duas tábuas de pedra. 5O Senhor desceu na nuvem e permaneceu com Moisés, e este invocou o nome do Senhor. 6Enquanto o Senhor passava diante dele, Moisés gritou: “Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”. 8Imediatamente, Moisés curvou-se até o chão 9e, prostrado por terra, disse: “Senhor, se é verdade que gozo de teu favor, peço-te, caminha conosco; embora este seja um povo de cabeça dura, perdoa nossas culpas e nossos pecados e acolhe-nos como propriedade tua”.

II Leitura: 2Cor 13,11-13

11Irmãos: Alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco. 12Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo. Todos os santos vos saúdam. 13A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós.

 Evangelho: Jo 3,16-18

16Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.                                            

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Crer No Deus Uno e Trino

O Novo Testamento aceita sem discussão a revelação do monoteísmo que Deus é único (Mc 12,29; Jo 17,3; Gl 3,20; Ef 4,6; 1Tm 2,5). E nós acreditamos em um só Deus. Que Deus é um e único, não há dúvidas.         

Mas não basta crer em um e único Deus. Devemos perguntar de que jeito vive Deus, para podermos questionar a nós mesmos, sobre de que jeito também nós vivemos e convivemos como cristãos. Deus vive do jeito trinitário. Pai Criador, Filho Redentor e Espírito Santo Fortificador se manifestam como a Santíssima Trindade. Na comunhão divina evidencia-se o  modelo para a comunhão na comunidade. Na convivência harmoniosa da Trindade encontra-se o modelo de como os relacionamentos nas comunidades cristãs devem ser construídos. Por isso, cremos que Deus é único, mas não é solidão ou solitário, é comunhão. Crer na Santíssima Trindade significa que a verdade está do lado da comunhão e não da exclusão. Isto implica que tudo se relaciona com tudo. É uma inclusão no relacionamento e na convivência. E por ser central para a nossa vida, a Santíssima Trindade é continuamente invocada em toda a liturgia e em todas as nossas orações. Fomos batizados e a futura geração da Igreja será batizada em nome da Santíssima Trindade. Os nossos pecados são perdoados no sacramento da reconciliação em nome da Santíssima Trindade. E ao começarmos e terminarmos a missa/celebração litúrgica e muitas orações nossas diariamente, inclusive as orações presidenciais da missa, nós invocamos a presença da Santíssima Trindade. E a primeira oração que aprendemos quando éramos criancinhas e que passamos também para outra geração é o sinal da cruz, invocando a presença da Santíssima Trindade. Nossa vida diária é realmente cercada pela Santíssima Trindade. A nossa vida é uma liturgia: ao iniciarmos a vida, fomos batizados em nome da Santíssima Trindade e ao terminarmos a nossa caminhada terrena, mais uma vez, a presença da Santíssima Trindade é invocada: a nossa vida se entrega de volta para a comunhão eterna com a Santíssima Trindade.          

A presença da Santíssima Trindade em todos os momentos de nossa vida nos leva a uma vida serena, pois, na verdade, há alguém que nos envolve, nos abraça e nos cerca por todos os lados e nos ama de verdade. Ninguém nos conhece melhor como Ele nos conhece, pois Ele nos conhece e penetra lá no fundo de nosso coração. Não só isso, também Ele conhece todos os segredos, todos os mistérios e todos os caminhos. N’Ele encontramos respostas para todas as nossas interrogações. Ele é realmente um útero infinito e a última ternura onde todos nós podemos nos refugiar. Com Ele ninguém se sente só, pois Ele é eternamente aberto para nós.          

Quem revela a Santíssima Trindade para nós? É Jesus Cristo. Jesus Cristo é o revelador do mistério da Santíssima Trindade em Deus, como relata o texto de hoje (Pai, Filho e Paráclito). Ele é o verdadeiro autor de uma primeira teologia trinitária. Por meio dele o Pai revelou o que necessitamos saber para nossa salvação; e não haverá outra revelação pública.        

O trecho do Evangelho lido neste domingo pertence ao complexo literário conhecido, em geral, como o “Diálogo com Nicodemos” (cf. Jo 3,1-21). Jo 3,1-21 podemos dividir em três partes: vv.1-3 falam do reconhecimento da autoridade de Jesus, graças a suas obras. O essencial é aceitá-lo como o enviado, como o revelador do Pai, procedente do mundo “de cima”; vv.4-8 falam do novo nascimento. Jesus só pode ser entendido se for nascido “do alto/de cima”. A partir da “carne” (possibilidades da mente humana) não é possível a compreensão de Jesus nem a entrada no Reino de Deus. O novo nascimento é obra do Espírito e do batismo. Sem eles não há salvação nem vida, nem possibilidade de entrar no reino. A única possibilidade de acesso ao mistério cristão é a abertura à fé e à ação do Espírito; e vv. 9-21 se centram na descrição do acontecimento salvífico. A iniciativa procede de Deus, se realiza por meio do Filho que veio do Pai e volta a Ele através da cruz- exaltação. O homem deve tomar uma decisão: ou aceitar o Enviado de Deus ou recusá-lo. E o nosso texto se encontra nesta terceira parte. Limitaremos nossa reflexão somente sobre o texto apresentado como o evangelho deste domingo (Jo 3,16-18). 

O Nosso Deus É Um Deus Apaixonado Pelo Homem         

O texto começa com estas palavras: “Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que crer nele não se perca, mas tenha a vida eterna” (v.16). Deus, em quem acreditamos, não é somente o Criador dos céus e da terra e o princípio de todas as coisas. Mais do que isso, Ele é o Deus que decidiu nos amar incondicionalmente até o fim (Jo 3,16; 13,1). O amor de Deus está cima de toda e qualquer fronteira. Trata-se de um amor que não se economiza.

O amor de Deus é tão incompreensível e tão apaixonado pelo mundo afastado de Deus que lhe entregou o seu Filho unigênito para que seja salvo. Para o cristianismo primitivo esse modo de falar se relaciona sempre com a cruz (cf. Rm 8,32) que implicitamente se mencionou no v. 14. O amor de Deus não tem limites; ele engloba toda a humanidade. Nenhum sacrifício foi tão grande do que o de Deus: o melhor que Deus tinha para dar, ele deu, seu único Filho, tão amado (cf. 1 Jo 4,7-10). O amor autêntico sempre leva a dar, e, sobretudo, a dar-se a si mesmo. Ele foi dado não só para um grupo ou povo, mas para todos os que põem fé nele, para que eles possam ser resgatados da destruição e abençoados com a vida verdadeira. Se duvidarmos do amor de Deus por nós, recordemos este texto de São João que hoje lemos.           

Uma vez que o amor é o único princípio de vida definitiva, para recebê-lo é preciso dar adesão a Jesus, modelo de amor até ao extremo (Jo 13,1.34). O que Deus pede do homem é somente acreditar no seu Filho amado. E isso não custa nada. Certamente, o objeto da fé, segundo o evangelista João, é um Deus que nos ama. O que custa muito é não acreditar nele; o preço será muito alto. Mais adiante falaremos sobre o juízo/julgamento segundo o quarto Evangelho.     

Deus ama porque ele é amor (1Jo 4,8.16). Até Santo Agostinho chega a dizer que toda a Bíblia (do Gênesis até o Apocalipse) nada mais faz do que “narrar o amor de Deus”. O amor de Deus é a última resposta para todos os “porquês” da Bíblia. Se faz-se a pergunta: por que Deus criou tudo de bom, por que ele se encarnou e por que quis/quer salvar? A única resposta é amor. Tudo quanto Deus faz e fala na Bíblia é amor. O filósofo S. Kierkegaard, impressionado por amor de Deus, diz: “Não importa saber se Deus existe; importa saber que é amor”. E a Bíblia nos dá a garantia disso mesmo: que Deus é amor. Se Deus é amor, então o amor é a essência/origem da realidade, motivo da salvação, meio da comunhão, fonte da atividade, critério da vida e o critério definitivo do juízo. Sobre o amor é que seremos julgados. Se um dia formos condenados, não será por termos amado demais, mas por termos amado de menos. O homem morre, por isso, não quando deixa de viver, mas quando deixa de amar.          

Se realmente nos sabemos amados por Deus, cedo ou tarde chegaremos a amá-lo. Saber que Deus nos ama, nos torna capazes de amar-nos e nos torna perfeitamente dóceis e obedientes ao menor sinal da vontade de Deus e começaremos também a aceitar os outros tal como eles são. No mundo de hoje há mais fome de amor do que do pão. São Bernardo dizia: “porque somos amados, amamos, e porque amamos, nos tornamos dignos de mais amor” (Carta 107,8). Nós nos amamos tal como somos, porque a fé nos convenceu de que Deus nos ama assim. A fé no amor de Deus nos liberta de toda pressão interior e com isso nos leva a um compromisso total.          

O amor de Deus dirige-se, em primeiro lugar “ao mundo” (v.16). Para João, dependendo do seu contexto, “o mundo” pode designar simplesmente o mundo físico/o universo (Jo 17,5.24), os homens em seu conjunto, ou os homens na medida em que eles se opõem à luz divina(cf. Jo 7,7;14,17.27.30;15,18-19;16,8.11.33;17,9.14-16.25). “O mundo” no nosso texto refere-se ao gênero humano de maneira global. “O mundo” se encontra numa situação de decadência. Por si, ele não é capaz de salvar-se. Quem pode salvá-lo é somente o amor de Deus, e por isso ele enviou seu Filho amado para salvá-lo. Em outras palavras, o mundo- humanidade é o objeto do amor de Deus e destinatário da missão do Filho (Jo 3,17;10,36;16,28;17,18; 18,20.37), que consiste, negativamente, em libertá-lo do pecado(Jo 1,29). O plano salvífico de Deus para o homem, que pela cruz de Jesus alcança na fé a vida eterna, tem seu fundamento último no amor imenso de Deus para sua criatura (veja i Jo 4,9; Rm 5,8-10). 

Um Deus Que É Amor Quer Que Vivamos Como Irmãos 

         Deus amou tanto o mundo que entregou seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).        

Através deste texto sabemos que o Deus cristão que se manifesta em Jesus de Nazaré é um Deus que não quer julgar, que não ameaça, que não condena. É um Deus que somente é Pai, que somente é vida, que somente é amor (cf. 1Jo 4,8.16). Deus não impõe a salvação, somente a oferece através de Jesus Cristo, porque a salvação é efeito de seu amor. E o amor respeita sempre a liberdade da pessoa humana. No uso soberano dessa liberdade, o homem pode aceitar ou recusar a salvação que o Pai lhe oferece. Esta é a primeira qualidade de Deus que nós cristãos temos que ter em conta quando queremos falar de nosso Deus. Deus é amor. Seu amor é infinito, sem medida. É um amor que tem uma finalidade clara: a salvação dos homens. É uma salvação que não é somente uma promessa para a vida futura, mas é também uma possibilidade de chegar a ser filhos, a possibilidade de converter este mundo em um mundo de irmãos.        

Os filhos desse Deus, que é amor, devem sempre querer o bem dos outros independentemente de seus atos contra eles. O cristão é sempre convidado a fazer uma passagem do amor afetivo, cujo campo é limitado para as pessoas queridas ou as da mesma família, para o amor efetivo que sempre quer o bem do outro fora deste círculo. É fazer circular o bem além dos limites familiares e dos limites de pessoas queridas. Não podemos ter uma autêntica experiência religiosa a não ser a partir da ótica de amor. Quem não ama, diz a carta de São João, não pode dizer que conhece a Deus. Nós conhecemos a Deus e o reconhecemos como Pai, quando conhecemos e reconhecemos aos demais homens como irmãos. Na experiência da fraternidade, da amizade, da comunidade, sentimos a presença do Espírito de amor que nos impulsiona a nos sentirmos irmãos de Cristo, filhos de Deus nele. Quando a vida de um cristão se constrói sobre o egoísmo, ele não pode invocar a Deus de amor em seu favor. O encontro do homem com Deus é impossível se está separado do encontro do homem com o homem no amor. Somente vivemos se convivemos, porque somos imagem do Deus trino, comunidade de amor. Se o homem aceitar a dimensão da fraternidade e da igualdade na convivência com os demais, ele será irmão dos outros e filho de Deus de amor. Se recusar esta dimensão, ele será uma pessoa egoísta e insensível aos problemas da justiça. Não é a inteligência que nos faz pessoas e humanos, mas a relação de amor.

O Juízo No Quarto Evangelho          

O amor jamais condena, o amor sempre salva. Deus é é o modelo mais completo de doação. Deus nos ama através de seu Filho (Jo 3,16), para que nós também sejamos amados. A doação do amor de Deus se multiplica em todos aqueles e aquelas que acreditam em Jesus 

Deus mantém a sua oferta de amor, vida e salvação embora com o risco do desprezo do homem, cuja liberdade Deus respeita, inclusivamente na opção pelo pecado. O pecado é uma ruptura da aliança de amor com Deus; é uma escolha das trevas. Qual consequência de tudo isso?      

Quem crê nele não é julgado; quem não crê, já está julgado” (v.18). O juízo (krisis, em grego) indica, como implica a própria etimologia do termo grego, um processo de separação e de discriminação. Em alguns textos, “julgar” e “juízo” significam “discernir” ou “fazer justiça” (cf. Jo 9,39). Mas, na maioria, prevalece o aspecto negativo, a condenação (cf. Jo 3,17-18;12,47).          

Segundo a fé tradicional, o juízo/julgamento pertence ao futuro (juízo final). Enquanto o quarto Evangelho acentua a atualidade do juízo. É a opção presente pró ou contra à luz divina. Segundo o evangelista João, o homem não deve esperar por um juízo final. Ele deve decidir sua salvação aqui e agora. A responsabilidade pela autocondenação do homem não pode ser colocada sobre “o Salvador do mundo” (Jo 4,42;1Jo 4,14). Se Jesus veio para que aqueles que nele creem não morram, como os que rejeitam seu presente de vida podem evitar a morte? A Escritura em nenhum lugar sugere que todos devem ser salvos, queiram ou não; fica implícito que aqueles que insistem em dar as costas à salvação de Deus, serão privados dela. A pessoa que despreza Cristo, ou o considera indigno de sua confiança, julga a si mesmo, não a Cristo. Ele não precisa esperar até o dia do julgamento final (conforme a fé tradicional); o veredicto sobre ele já foi pronunciado. Se seguir a fé tradicional que afirma o julgamento final, a partir do quarto evangelho, ele servirá somente para confirmar o julgamento já decidido. Mas para aqueles que acreditam em Jesus, não há esta condenação. Ao contrário, eles se tornam filhos de Deus (Jo 1,12).   

Em última análise o que decide é a responsabilidade pessoal, isto é, a aceitação ou a rejeição de Cristo pela fé ou pela incredulidade, pela luz ou pela trevas, pela verdade ou pela mentira, pelo amor ou pelo egoísmo.          

O que nos salva é o amor de Deus precedeu nosso amor por ele. Mas pelo fato de eu ser amado por amor apaixonado de Deus, eu não posso fechar-me em mim mesmo. O amor chama o amado a se abrir aos outros. Neste sentido, mais do que sentimento ou emoção, o amor é um compromisso. Por amor que Jesus veio ao mundo para nos salvar até ao extremo desse amor: a morte na cruz. Madre Teresa de Calcutá disse: “Ao olharmos para a cruz de Jesus, sabemos como ele nos amou. Ao participarmos e olharmos para a eucaristia, sabemos como Jesus nos ama”. Sozinho o amor pode melhorar o mundo.

P. Vitus Gustama,SVD

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Sábado Da VIII Semana Comum, Ano Par, 30/05/2026

A AUTORIDADE DE JESUS DIANTE DOS ADVERSÁRIO

Sábado Da VIII Semana Comum

Primeira Leitura: Judas 17.20b-25

17 Vós, porém, amados, lembrai-vos das palavras preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo. 20b Edificai-vos sobre o fundamento da vossa santíssima fé e rezai, no Santo Espírito, 21 de modo que vos mantenhais no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna. 22 E a uns, que estão com dúvidas, deveis tratar com piedade. 23 A outros, deveis salvá-los arrancando-os do fogo. De outros ainda deveis ter piedade, mas com temor, aborrecendo a própria veste manchada pela carne... 24 Àquele que é capaz de guardar-vos da queda e de apresentar-vos perante a sua glória irrepreensíveis e jubilosos, 25 ao único Deus, nosso Salvador, por Jesus Cristo, nosso Senhor: glória, majestade, poder e domínio, desde antes de todos os séculos, e agora, e por todos os séculos. Amém.

Evangelho: Mc 11,27-33

Naquele tempo, 27 Jesus e os discípulos foram de novo a Jerusalém. Enquanto Jesus estava andando no Templo, os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os anciãos aproximaram-se dele e perguntaram: 28 "Com que autoridade fazes essas coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso?" 29 Jesus respondeu: "Vou fazer-vos uma só pergunta. Se me responderdes, eu vos direi com que autoridade faço isso. 30 O batismo de João vinha do céu ou dos homens? Respondei-me". 31 Eles discutiam entre si: "Se respondermos que vinha do céu, ele vai dizer: 'Por que não acreditastes em João?' 32 Devemos então dizer que vinha dos homens?" Mas eles tinham medo da multidão, porque todos, de fato, tinham João na qualidade de profeta. 33 Então eles responderam a Jesus: "Não sabemos". E Jesus disse: "Pois eu também não vos digo com que autoridade faço essas coisas".

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Somos Chamados a Estar Vigilantes Diante Dos Falsos Doutrinas

Hoje lemos na Primeira Leitura um dos escritos mais breves do Novo Testamento: a Carta de São Judas. Carta de São Judas tem apenas 25 versículos. Não sabemos com segurança quem é seu autor. Não parece ser o apóstolo são Judas. Talvez seja Judas, o irmão de são Tiago e portanto, primo de Jesus, que sucedeu são Tiago como responsável da comunidade de Jerusalém. Seguramente pertence ao tempo imediatamente depois dos apóstolos.

Nesta pequena Carta são Judas adverte a todos para não seguirem ensinamentos falsos e inaceitáveis, pois capazes de criar divisão dentro da própria comunidade. Segundo o autor dessa Carta, aqueles que seguem as doutrinas falsas e inaceitáveis são comparados com “os anjos caídos”, “nuvens sem água que os ventos levam”, “arvores sem frutos” (cf. vv. 11-13). Além disso, nessa Carta, o autor encoraja os leitores para não terem medo diante das dificuldades e desafios, pois Deus vai guardar Seus fieis (v. 24). É preciso ter fé em Deus (v.20). Mas, ao mesmo tempo, o autor pede que andemos pelo caminho de indulgência: “Vocês, porém, amados, construam sobre o alicerce da santíssima fé que vocês têm; rezem movidos pelo Espírito Santo; mantenham-se no amor de Deus, esperando que a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo lhes dê a vida eterna. Procurem convencer os vacilantes: salvem a uns, arrancando-os do fogo; tenham compaixão de outros, mas com temor. Detestem até a roupa contaminada pelos instintos egoístas dos ímpios..." (vv. 20-23).

Lemos os versículos finais, em que o autor anima os cristãos a manter-se fieis em sua fé, sem fazer caso dos desvios. Por uma parte, vê-se claramente que fala das três pessoas da Trindade: “Movidos pelo Espírito Santo; mantenham-se no amor de Deus, esperando que a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo lhes dê a vida eterna”. Também parece como se quisesse reunir num mesmo programa de vida as três virtudes teologais: “Construam sobre o alicerce da santíssima que vocês têm. ... mantenham-se no amor de Deus, esperando que a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo lhes dê a vida eterna”.

Cada geração cristã necessita permanecer alerta diante dos falsos mestres e dos movimentos que não vem do Espirito de Deus. Por isso, é preciso manter-se vigilante e exercer com sabedoria o oportuno discernimento, guiado pelo magistério dos que Cristo pus como pastores e responsáveis na comunidade. O próprio Jesus nos alerta na conclusão do Sermão da Montanha com as seguintes palavras: “Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abrolhos? Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má, bons frutos. Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo. Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7, 15-20).

Faremos bem em escutar são Judas em seu dinâmico programa: continuar edificando solidamente a fé, manter o amor, deixar-nos ganhar pela esperança, apioar-nos em Deus que é “Aquele que é capaz de guardar-vos da queda e de apresentar-vos perante a sua glória irrepreensíveis e jubilosos”. E em tempos que corremos, tão difíceis como os primeiros, temos que nos ajudar mutuamente, apoiando-nos diante das dificuldades por amor.

Jesus Vive e Fala Com Autoridade

A cena do evangelho de hoje é continuação da do texto anterior em que Jesus fez um gesto profético ao expulsar os mercadores e cambistas do Templo. Diante desse gesto profético os três poderes: o poder religioso (Sumos sacerdotes), o poder ideológico (mestres da Lei) e o poder econômico (os anciãos) lançam a seguinte pergunta: “Com que autoridade fazes essas coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso?".

Jesus, com suas obras e com sua palavra, já havia respondido a esta pergunta. Ele já havia demonstrado ter uma autoridade superior à dos mestres habituais (Mc 1,21-28) e uma autoridade de origem divina, como corresponde ao Filho do Homem (Mc 2,1-12.27).

As autoridades pedem conta a Jesus de sua autoridade (exousía): “Com que autoridade fazes essas coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso?". Ou seja, “Quem te deu autoridade para fazer tais coisas?”. A pergunta das autoridades nos leva ao ínício do Evangelho de Marcos, quando aqueles que encontravam com Jesus, Lhe viam e escutavam: “Estavam espantados com o seu ensinamento, pois Ele os ensinava como quem tem autoridade (exousía) e não como os escribas” (Mc 1,22). Por isso, perguntavam-se espontaneamente: “Que é isto? Um novo ensinamento com autoridade!” (Mc 1,27). Os chefes religiosos não suportam que um simples rabino (Jesus), não formado nas escolas tradicionais, que procede, além disso, da escura Galileia (Mt 4,16), seja admirado e amado pelo povo. Por isso, acusam Jesus de receber seu poder de Satanás (Mc 3,22); depois pretendem que lhes dê um sinal do céu (Mc 8,11); por último, aqui, interrogam-Lhe diretamente, pedindo-Lhe que apresente seus credenciais. É uma ironia, pois umas autoridades que carecem de autoridade pedem a Jesus contas da autoridade que eles não a têm.

A cena do evangelho de hoje é singular, pois Jesus Cristo responde a uma pergunta com outra pergunta. "Com que autoridade fazes essas coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso?", perguntam os adversários de Jesus. Ao que Jesus responde com outra pergunta: “O batismo de João vinha do céu ou dos homens? Respondei-me". Jesus não lhes pergunta qualquer coisa; Ele lhes pergunta por João Batista.

O caso-João é fundamental. Com efeito, Jesus se sente na linha com a missão de seu Precursor (João Batista). Porém, para afrontar bem a questão, é necessário fazer uma distinção sobre o conceito de “autoridade”. Trtata-se de “autoridade humana” ou de “autoridade divina”? É João um verdadeiro enviado de Deus ou atuou por iniciativa própria? Esta é a questão e Jesus lhes diz que quem é João Batista para eles?

Os adversários de Jesus estão ali não para buscar a verdade sobre Jesus e sim para procurar alguma armadilha a fim de eliminá-Lo. Portanto, a atuação dos adversários de Jesus está na linha da falsidade. Mc quer mostrar aqui para os leitores a cegueira espiritual dos sacerdotes e escribas e a desonestidade dos incrédulos.  Quanta cegueira spiritual pode ter nos corações daqueles que ocupam elevados cargos eclesiásticos! Além disso, notemos que como a inveja e a incredulidade levam os homens a pôr em descrédito a comissão recebida por aqueles que trabalham para Deus. O leitor já percebe, por antecipação, a razão da futura morte de Jesus na Cruz.

Quando um profeta nos desafia numa direção que abala os nossos hábitos mentais ou o nosso conforto ou os nossos interesses, em vez de nos perguntarmos se isso vem de Deus, rapidamente começamos a desacreditar o profeta, para não ter que ouvi-lo a exemplo dos adversários de Jesus. Acontece-nos sempre que no nosso caminho vemos ou ouvimos vozes proféticas que revelam a nossa preguiça e os nossos fracassos, ou nos encorajam para caminhos mais exigentes. Ignoramos o profeta, muitas vezes. Não percebemos o que Deus estava tentando nos dizer.

Há perguntas feitas em busca de respostas. Há perguntas feitas também para derrubar o outro. Mas há perguntas para nos questionar em que há verdade e por isso, não somos capazes de responder no momento a exemplo dos adversários de Jesus: “O batismo de João vinha do céu ou dos homens? Respondei-me". Mas a principal pergunta que Mc faz implicitamente para o leitor, todos nós é a seguinte: “Quem é Jesus? Quem é Jesus para mim? Queremos verdadeiramente conhecer o Senhor? Qual é o motivo principal de acreditarmos em Jesus? Quais são as consequências da fé em Jesus Cristo? Devemos nos examinar sobre a verdade de nosso seguimento, pois muitos querem ser cristãos, mas não querem seguir a Jesus.

No caminho do seguimento de Jesus são necessárias verdadeiras perguntas e respostas sinceras. Para Marcos, Jesus é o ungido de Deus e por isso, suas palavras, atos e obras estão cheios da força do Espírito de Deus. Além disso, Jesus é o Deus que salva, o Filho de Deus. E por isso, Jesus é livre de si mesmo, do egoismo e da procura do poder e do sucesso. Ele simplesmente quer nos salvar.

P. Vitus Gustama,svd

Sexta-feira Da VIII Semana Comum, 29/05/2026

VIVER COMO CRISTÃOSFRUTÍFEROS NO TEMPO DE DEUS (KAIRÓS)

Sexta-Feira Da VIII Semana Comum

 

Primeira Leitura: 1Pd 4,7-13

Caríssimos, 7 o fim de todas as coisas está próximo. Vivei com inteligência e vigiai, dados à oração. 8 Sobretudo, cultivai o amor mútuo, com todo o ardor, porque o amor cobre uma multidão de pecados. 9 Sede hospitaleiros uns com os outros, sem reclamações. 10 Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um ponha à disposição dos outros o dom que recebeu. 11 Se alguém tem o dom de falar, proceda como com palavras de Deus. Se alguém tem o dom do serviço, exerça-o como capacidade proporcionada por Deus, a fim de que, em todas as coisas, Deus seja glorificado, em virtude de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o poder, pelos séculos dos séculos. Amém. 12 Caríssimos, não estranheis o fogo da provação que se alastra entre vós, como se algo de estranho vos estivesse acontecendo. 13 Alegrai-vos por participar dos sofrimentos de Cristo, para que possais também exultar de alegria na revelação da sua glória.

 

Evangelho: Mc 11, 11-26

                                                                      

Tendo sido aclamado pela multidão, 11 Jesus entrou, no Templo, em Jerusalém, e observou tudo. Mas, como já era tarde, saiu para Betânia com os doze. 12 No dia seguinte, quando saíam de Betânia, Jesus teve fome. 13 De longe, ele viu uma figueira coberta de folhas e foi até lá ver se encontrava algum fruto. Quando chegou perto, encontrou somente folhas, pois não era tempo de figos. 14 Então Jesus disse à figueira: "Que ninguém mais coma de teus frutos". E os discípulos escutaram o que ele disse. 15 Chegaram a Jerusalém. Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no Templo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. 16 Ele não deixava ninguém carregar nada através do Templo. 17 E ensinava o povo, dizendo: "Não está escrito: 'Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos'? No entanto, vós fizestes dela uma toca de ladrões". 18 Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei ouviram isso e começaram a procurar uma maneira de o matar. Mas tinham medo de Jesus, porque a multidão estava maravilhada com o ensinamento dele. 19 Ao entardecer, Jesus e os discípulos saíram da cidade. 20 Na manhã seguinte, quando passavam, Jesus e os discípulos viram que a figueira tinha secado até a raiz. 21 Pedro lembrou-se e disse a Jesus: "Olha, Mestre: a figueira que amaldiçoaste secou". 22 Jesus lhes disse: "Tende fé em Deus. 23 Em verdade vos digo, se alguém disser a esta montanha: 'Levanta-te e atira-te no mar', e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá. 24 Por isso vos digo, tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o recebestes, e assim será. 25 Quando estiverdes rezando, perdoai tudo o que tiverdes contra alguém, para que vosso Pai que está nos céus também perdoe os vossos pecados".[26]

 

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Viver Sobriamente e Sabiamente Na Espera Da Vinda Do Senhor

 

O texto da Primeira Leitura que lemos hoje é a última passagem da Primeira Carta de São Pedro.

 

A Carta de São Pedro aborda uns “deveres” muito concretos dos cristãos em suas relações habituais da vida corrente:

·      Deveres dos “cidadãos” em relação às autoridades civis.

·      Deveres dos “escravos” ou dos “empregados” em relação aos patrões.

·      Deveres dos esposos em relação ao cônjuge.

·      Deveres dos homens a respeito de todos os irmãos.

 

Lemos hoje uma parte muito pequena do final desta Carta.

 

Nos escritos da primeira geração se nota a crença de que o fim do mundo estava próximo e que a volta gloriosa do Ressuscitado era iminente. Às vezes seus autores argumentam a partir desta convicção: “Caríssimos, o fim de todas as coisas está próximo. Vivei com inteligência e vigiai, dados à oração. Sobretudo, cultivai o amor mútuo, com todo o ardor, porque o amor cobre uma multidão de pecados. Sede hospitaleiros uns com os outros, sem reclamações. Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um ponha à disposição dos outros o dom que recebeu”.

Seja quando for o fim do mundo, um cristão deve olhar para a frente e viver vigilante que é contrário da rotina, preguiça ou embotamento mental. Se olhar para trás é para tirar a lição e não para ficar preso no passado triste, pois não tem mais volta. Tudo passou e passará!

Por isso, os conselhos de Pedro nos oferecem um programa muito sábio de vida: ter o espirito disposto à oração, levar um estilo de vida sóbrio e moderado, manter firme o amor mútuo, praticar a hospitalidade, pôr a disposição da comunidade as próprias qualidades. E tudo é para a glória de Deus e a felicidade e a salvação dos homens.

Esta Carta é dirigida aos recéns-batizados. O autor lembrou sua pertença a um povo e mostra-lhes como o batismo os transformou à semelhança de Cristo (1Pd 3,18-4,7). Resta-lhes dar testemunho desta transformação na vida cotidiana.

Este testemunho será, sobretudo, o da caridade fraterna que se manifesta de duas maneiras particulares. Primeiramente, no acolhimento mútuo ou na hospitalidade. A hospitalidade supera os limites que separam os homens. É recepção ou tratamento afável, cortês; amabilidade, gentileza. Hospitaleiro é aquele que oferece hospedagem por bondade ou caridade. Para os homens da antiguidade a hospitalidade era sagrada. Gregos, judeus e romanos praticavam, da mesma maneira, a hospitalidade, pois acreditavam que, no visitante, o próprio Deus batia à sua porta para entrar (Cf. Hb 13,2). E acreditavam que Deus presentearia o anfitrião com dádivas divinas.

O segundo campo de aplicação da caridade fraterna é a maneira de celebrar a Eucaristia na qual cada carisma ou dom se acomodará ao do vizinho para permitir a edificação de uma assembleia única, sinal de reunião universal que Deus realiza na humanidade (Cf. 1Pd 4,10-11; 1Cor 12). Nesta reunião universal ninguém é superior a ninguém, pois cada um oferece seu dom para a edificação da comunidade. Se alguém tem o dom da fala, que ele seja um porta-voz de Deus! Se ele tem o dom do serviço, que o cumpra com a força o que Deus lhe dá! Deus está aqui, presente, aparece incessantemente. Nossos “carismas”, dons recebidos, procedem de Deus. Por isso, não podemos guarda-los zelosamente para nós mesmos.

Em outras palavras, ser batizado é comprometer-se a amar! A caridade cobre nossos pecados, e Deus vê a caridade: “Sobretudo, cultivai o amor mútuo, com todo o ardor, porque o amor cobre uma multidão de pecados”. Ser batizado é ser acolhedor: “Sede hospitaleiros uns com os outros, sem reclamações”.

Ser Cristão É Ser Frutífero Diante De Deus:

Figueira Estéril e Nós

“De longe, Jesus viu uma figueira coberta de folhas e foi até lá ver se encontrava algum fruto. Quando chegou perto, encontrou somente folhas, pois não era tempo de figos”.

A figueira (como a vinha) é símbolo de Israel. Especialmente é figura do templo (capital Jerusalém), das autoridades de Jerusalém; sua aparência é frondoso (uma figueira com muitas folhas). O templo ou a instituição vai desaparecer e Jesus quer salvar o que puder (Jesus foi até lá ver se encontrava algum fruto). A aparência da figueira é enganosa. É a aparência que oculta ou esconde a esterilidade. É um esplendor sem fruto. Jesus queria encontrar algo (fome), porém não há nada encontrado.

Vista de longe (v.13ª) a figueira aparenta algo que, por perto, não corresponde (v.13b). a culpa é das folhas, que, pelo aparato que criam, sugerem uma vitalidade que, depois, não se revela nos frutos. Do mesmo modo, também o aparato do templo enche o olho de quem o visita (13,1), mas, na verdade, tornou-se antro de salteadores (11,17)

O texto diz que “não era tempo de figos.  O termo “Kairós”, traduzido por “tempo”, refere-se ao momento oportuno remetendo, neste contexto, para a chegada da plenitude da história que se dá com a vinda de Jesus que é o mesmo dizer, a vinda do Reino de Deus.

Não era tempo de figos.  Esta expressão significa não dar fruto enquanto poderia ter dado. O tempo não usado é o tempo estéril, isto é, nada se produz de bom do tempo dado por Deus. Você não pode possuir o tempo, mas você pode usá-lo. Você não pode guardar o tempo, mas você pode aproveitá-lo. Porque uma vez você perder o tempo, ele jamais vai voltar para você. Em cada instante cada um de nós é uma possibilidade: ou para o bem, ou para o mal.

Deste texto aprendemos qual o grande perigo envolvido na falta de frutos e na formalidade nas coisas espirituais. A figueira estéril é uma lição que deveria falar em alto e bom som para as consciências de todos os que se dizem cristãos. Rica em folhas de formalidade religiosa, mas estéril quanto a todos os frutos do Espírito (cf. Gl 5,22-24). Naquela figueira há uma voz dirigida a todos os cristãos, em todos os séculos e em todos os lugares do mundo. Nessa figueira encontramos uma advertência contra uma profissão de fé cristã, desacompanhada de doutrinas sãs e a falta de vivência da fé professada. O cristão deste tipo um dia se tornará um cristão ressecado e portanto, estéril. Ele ocupa o tempo de Deus (kairós) sem utilizá-lo para o bem comum ou a salvação de todos.

Quão bom seria para todos os cristãos, todos os batizados que se contentam com o nome de que vivem, enquanto, na realidade estão mortos (ressecados), se ao menos quisessem contemplar os seus rostos refletidos no espelho dessa passagem da Bíblia, nessa figueira ressecada.

Pe. Vitus Gustama,SVD

terça-feira, 26 de maio de 2026

Quinta-feira Da VIII Semana Comum, Ano Par, 28/05/2026

APROXIMAR-SE DO SENHOR PARA ENXERGAR O SENTIDO DA VIDA E PARA SE TORNAR PEDRAS VIVAS DO SENHOR NO EDIFÍCIO ESPIRITUAL

Quinta-feira Da VIII Semana Comum

Primeira Leitura: 1Pd 2,2-5.9-12

Caríssimos, 2 desejai, como criancinhas recém-nascidas, o leite não adulterado da palavra de Deus, a fim de que por ele cresçais para a salvação. 3 Pois já provastes que o Senhor é bondoso. 4 Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus. 5 Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. 9 o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa. 10 Vós sois aqueles que "antes não eram povo, agora porém são povo de Deus; os que não eram objeto de misericórdia, agora porém alcançaram miserícórdia". 11 Amados, eu vos exorto como a estrangeiros emigrantes: afastai-vos das humanas paixões, que fazem guerra contra vós mesmos. 12 Tende bom procedimento no meio dos gentios. Deste modo, mesmo caluniando-vos, como se fósseis malfeitores, eles poderão observar a vossa boa atuação e glorificar a Deus, no dia de sua visitação.

Evangelho: Mc 10,46-52

Naquele tempo, 46 Jesus saiu de Jericó, junto com seus discípulos e uma grande multidão. O filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo, estava sentado à beira do caminho. 47 Quando ouviu dizer que Jesus, o Nazareno, estava passando, começou a gritar: "Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!" 48 Muitos o repreendiam para que se calasse. Mas ele gritava mais ainda: "Filho de Davi, tem piedade de mim!" 49 Então Jesus parou e disse: "Chamai-o" . Eles o chamaram e disseram: "Coragem, levanta-te, Jesus te chama!" 50 O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. "Eis que nós deixamos tudo e te seguimos". 51 Então Jesus lhe perguntou: "O que queres que eu te faça?" O cego respondeu: "Mestre, que eu veja!" 52 Jesus disse: "Vai, a tua fé te curou". No mesmo instante, ele recuperou a vista.

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Alimentar-nos Da Palavra De Deus Para Sermos Pedras Vivas No Edifício Espiritual

Caríssimos, como criancinhas recém-nascidas, desejai o leite legítimo e puro, que vos vai fazer crescer na salvação. Pois já provastes que o Senhor é bom. Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus. Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. Assim escreveu o autor da Primeira Carta de São Pedro.

O texto da Primeira Leitura faz parte da seção exortativa e doutrinal onde se enfatiza o crescimento do cristão na salvação. A salvação é descrita como degustação da bondade do Senhor (1Pd 2,3).

O texto é muito rico e por isso, é preciso ser meditado em sua totalidade. “Caríssimos, desejai, como criancinhas recém-nascidas, o leite não adulterado da Palavra de Deus”.

Todos nós já vimos bebês recém-nascidos correrem ansiosamente para o seio de suas mães. Pedro deseja essa mesma ânsia para nós em relação à Palavra de Deus!

Ser batizado é ansiar pela Palavra de Deus. Os termos usados ​​sugerem claramente "um leite de palavras", um leite puro, sem adulteração, sem engano. "Leite", na Bíblia, é tradicionalmente um símbolo do melhor alimento. A terra prometida é uma terra que mana leite e mel... e esses também são os alimentos do banquete paradisíaco.

"Para que por meio dele vocês cresçam para a salvação, agora que provaram que o Senhor é bondoso." O cristão é permanentemente regenerado em Cristo, Verbo do Pai, pela meditação e pela vivência da Palavra de Deus. O batismo faz-nos renascer em Cristo uma vez e para sempre, e a meditação e a vivência da Palavra de Deus nos fazem crescer continuamente em Cristo Jesus como pedras vivas no edifício espiritual.

Em seguida o autro da Primeira Carta de Pedro convida: Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus. Aproximar-se do Senhor significa realizar uma comunhão plena com Ele. Para ter a plena comunhão com Ele o cristão deve obedecer a Ele; é ter os mesmos sentimentos do Senhor e as mesmas posturas (1Pd 2,21). Para a prática de qualquer cristão Jesus Cristo deve ser a referência mais importante e a razão principal de qualquer ação e atividade de cada cristão. Seguindo Jesus, Pedra angular, os cristãos tornam-se “pedras vivas” (1Pd 2,5), rejeitados, mas preciosos aos olhos de Deus. Cristãos sofrendo por causa do seguimento de Jesus são capazes de construir o “templo espiritual”, que é a comunidade cristã, símbolo da nova sociedade.

"Eu sou batizado." Assim como o crescimento de uma criança é garantido pelo leite que a nutre, também o nosso crescimento como cristãos batizados é garantido pela assimilação da Palavra de Deus. Assimilando Deus. Crescendo em Deus. Experimentando Deus. O cristão não só fala de Deus, mas principalmente experimenta Deus, tem experiência com Deus. A salvação está vinculada à experiência da bondade do Senhor (1Pd 2,3).

O Cego Bartimeu Que Vê Jesus

O evangelho fala da cura do cego Bartimeu. O evangelista Marcos narra a cura do cego Bartimeu para animar seus leitores a viver um processo que possa mudar suas vidas. Somos também leitores do evangelho de Marcos.

A situação de Bartimeu está descrita com traços bem-elaborados:

1.    Ele é um homem cego, ao que falta luz e orientação. Na ausência da luz, na escuridão da vida, vive-se apalpando.

2.    Bartimeu é um homem sentado, incapaz de caminhar atrás de Jesus.

3.    Bartimeu é um homem à beira do caminho, desencaminhado, fora do caminho de Deus. Mas Deus passa onde nos encontramos.

A experiência do cego Bartimeu pode também, muitas vezes, coincidir com nossa experiência.

·      Somos, às vezes, como “cegos”, sem luz para olhar a vida, como Jesus a olhava. Sem saber onde está o essencial e fundamental para nossa vida e nossa convivência.

 

·      Somos, às vezes, como o cego Bartimeu, instalados numa religião convencional, sem forças para seguir os passos de Jesus para humanizar mais a humanidade ao nosso redor. Esquecemo-nos que ser cristão é SEGUIR a Jesus, isto é, mover-nos, dar passos, caminhar, construir nossa vida sobre a Palavra de Deus. Quase sempre existe um momento na vida no qual se torna penoso continuar caminhando. Caímos na tentação de sentir que é mais cômodo instalar-nos no conformismo, mas também sem nenhuma melhoria na nossa vida. Continuamos a fazer a mesma coisa e ao mesmo tempo esperamos o resultado diferente. É insanidade!

·      Somos, às vezes, como o cego Bartimeu desencaminhados “à beira do caminho” que Jesus percorre sem aceita-Lo como guia de nossa vida.

O que fazer?

A Boa Notícia que o cego Bartimeu quer nos transmitir é que dentro de cada um de nós existe uma fé que pode nos levar a reagir e colocar-nos novamente no verdadeiro caminho.

O Bartimeu fica sabendo que Jesus está passando. Ele não quer perder a oportunidade para gritar seguidamente a Jesus: “Tem compaixão de mim, Filho de Davi!”. É abrir-se para a experiência que nos chama a curar nossa vida.

Quando foi chamado, Bartimeu dá três passos que vão mudar totalmente sua vida:

1.    Jogando fora o manto”, porque o impede de encontrar-se com Jesus. Quais são “seus mantos” que impedem você de encontrar-se com Jesus para crescer na vida ou para ser salvo? O que amarra você que o impede de viver com mais alegria, leveza e ânimo?

2.     Bartimeu dá um salto decidido”, embora ainda se mova entre as trevas. Ele tem coragem de dar um salto embora ainda seja cego, porque ele acredita, por antecipação, que Jesus vai abraçá-lo. É preciso termos coragem para fazer muitos saltos na direção de Deus porque Ele vai nos amparar.

3.     Bartimeu se aproxima de Jesus”, isto é, tornar-se próximo de Jesus e recupera sua visão. Ficar distante de Jesus significa uma cegueira total. Para que possamos ver com clareza a vida e seu sentido precisamos nos aproximar de Jesus permanentemente. A partir do momento em que nos distanciarmos de Jesus, tudo se tornará escuro na nossa vida; perde-se o horizonte e por isso, sem saber por que vivemos e para que vivemos?

Quando Jesus pergunta o que quer dele, Bartimeu sabe muito bem do que precisa: “Mestre que eu possa ver novamente”.

Quando alguém começa a ver as coisas de maneira nova e renovada em Jesus, a vida se transforma. Quando uma comunidade, uma pastoral, um movimento recebe a luz de Jesus, ela/ele se converte, muda-se para melhorar, fará saltos de qualidade na vida.

Curado de sua cegueira por Jesus, o cego Bartimeu não só recupera a luz, mas se converte num verdadeiro “seguidor” de Jesus. É esta a cura de que precisamos.

Além de tudo isso, aprendemos do cego Bartimeu que

1.   Ter vida não significa necessariamente viver. Para viver é necessário amar a vida, despertar diariamente de nossa apatia, não submergir na falta de sentido, não deixar-nos arrastar pelas forças negativas.

2.   Somos o que somos e o que nos falta. Somos seres inacabados, chamados a nos renovar e crescer constantemente. Não podemos passar nenhum dia sem crescer em alguma coisa na nossa vida. Nossa vida começa a extinguir-se no momento em que pensamos que tudo terminou para nós. Quando nos aproximarmos de Jesus tudo começa outra vez e tudo se renova. É preciso afastar de nós o “sentir-se acabado”.

3.   Somente vive intensamente quem sabe interessar-se pela vida dos outros, pelo bem dos outros, pela necessidade dos outros. Quem permanece indiferente a tudo aquilo que não sejam suas coisas corre o risco de matar a própria vida. O amor fraterno renova as pessoas. O egoísmo as faz murchar. É importante viver até o fundo, não permanecer na casca ou na superfície.

4.  Felizes os que creem, não porque um dia foram batizados e sim porque descobriram, por experiência, que a fé faz viver e viver bem porque envolve Deus.

P. Vitus Gustama,svd

Solenidade Da Santíssima Trindade, Ano "A", Domingo, 31/05/2026

SANTÍSSIMA TRINDADE “A” I Leitura: Êx 34,4b-6.8-9 Naqueles dias: 4bMoisés levantou-se, quando ainda era noite, e subiu ao monte Sinai, c...