quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Sexta-feira Da XXVIII Semana Comum, Ano Par, 16/10/2026

PARA SER VERDADEIROS DISCÍPULOS DE JESUS TEMOS QUE AFASTAR A HIPOCRISIA E COMEÇAR A TESTEMUNHAR JESUS SEM MEDO

Sexta-Feira Da XXVIII Semana Comum

Primeira Leitura: Ef 1,11-14 (Ano Par)

Irmãos, 11 em Cristo nós recebemos a nossa parte. Segundo o projeto daquele que conduz tudo conforme a decisão de sua vontade, nós fomos predestinados 12 a ser, para o louvor de sua glória, os que de antemão puseram a sua esperança em Cristo. 13 Nele também vós ouvistes a palavra da verdade, o evangelho que vos salva. Nele, ainda, acreditastes e fostes marcados com o selo do Espírito prometido, o Espírito Santo, 14 o que é o penhor da nossa herança para a redenção do povo que ele adquiriu, para o louvor da sua glória.

Evangelho: Lc 12,1-7

Naquele tempo, 1 milhares de pessoas se reuniram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. 2 Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido. 3 Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será proclamado sobre os telhados. 4 Pois bem, meus amigos, eu vos digo: não tenhais medo daqueles que matam o corpo, não podendo fazer mais do que isto. 5 Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de tirar a vida, tem o poder de lançar-vos no inferno. Sim, eu vos digo, a este temei. 6 Não se vendem cinco pardais por uma pequena quantia? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. 7 Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais”.

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Somos Chamados a Estar Unidos a Cristo Para Manter a Unidade Entre Nós

Continuamos a acompanhar a leitura da Carta aos Efésios. No texto da Primeira Leitura de hoje, são Paulo escreveu aos Efésios: “Em Cristo fostes marcados com o selo do Espírito prometido, o Espírito Santo, o que é o penhor da nossa herança para a redenção do povo que ele adquiriu, para o louvor da sua glória”.

Neste admirável plano salvador de Deus, por meio de Cristo, são Paulo diz que são compreendidos tanto os judeus como os pagãos. Os judeus são os primeiros em herdar a graça. Mas também os pagãos, “os que de antemão puseram a sua esperança em Cristo. Nele também vós ouvistes a palavra da verdade, o evangelho que vos salva”, têm a mesma sorte. Todos receberam a marca do Espirito, que é “o penhor da nossa herança” final.

A busca da unidade que corre através das aspirações da humanidade, e que parece ser um sonho esplêndido e uma utopia irrealizável  por causa das profundas ruptura que separam as etnias, as nações, se realizou já simbolicamente na reconciliação dos “judeus” e dos “pagãos”, no mesmo Cristo.

A densa passagem da Primeira Leitura que pertence ao entusiasta hino inicial da Carta, está cheia de motivos de esperança. Em primeiro lugar, aparece o Deus Trino em ação: o Pai nos destinou a ser seu povo e propriedade sua, em Cristo fomos salvos, e recebemos o Espirito como zelo e marca.

Em segundo lugar, quem pode pertencer ao povo de Deus? São aqueles que ouviram a Boa Nova e creram nela, e a Boa Nova é que fomos salvos pelo amor de Deus.

Em terceiro lugar, já estamos herdando e já somos salvos, porém está para chegar ainda a salvação definitiva. Enquanto está para chegar a redenção completa, o Espírito é a garantia da herança final que nos aguarda. É preciso seguir ou obedecer ao impulso do Espírito Santo.

Portanto, o texto da Primeira Leitura é uma “leitura cristã” da vida e da história. É uma leitura que teríamos que ter muito nas mãos para que não sejamos contaminados pela visão unicamente humana que o mundo nos oferece. É uma perspectiva que mudará muito nosso ânimo para encarar a realidade dura e difícil, pois o Deus Trino está conosco na nossa história e na nossa vida cotidiana. Não estamos sós, pois Deus nos está próximo e nos incluiu em seu projeto de vida. Por esta razão, o Salmo Responsorial (Sl 32) nos entoa o cântico: “Reta é a palavra do Senhor, e tudo o que ele faz merece fé. Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação que escolheu por sua herança! Dos altos céus o Senhor olha e observa; ele se inclina para olhar todos os homens”.

Unidos a Jesus pela fé e pelo amor, somos herdeiros da glória. Quem ama é porque tem fé em Deus que é amor: “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). Quem tem fé no Deus de amor, deve saber amar e perdoar. O Pai nos derramou o Espirito Santo como garantia de que nos levará sãos e salvos para seu Reino celestial, se vivermos na fé e no amor. Em nós que pertencemos à Igreja de Cristo deve desaparecer qualquer forma de divisão, pois Deus chama à salvação a humanidade inteira e todos nós fomos feitos um só em Cristo. O Senhor nos quer que formemos um só Corpo, tendo Cristo por Cabeça e participemos de um mesmo Espírito. Por isso, não sejamos ocasião de divisão. Deixemo-nos conduzir para a unidade, criando vínculos mais fortes e inquebrantáveis, graças à presença do Espirito Santo em nós. onde houver espaço para o Espírito Santo, ai haverá a unidade. Por isso, não percamos nossa íntima relação com Deus mediante a fé, o amor, e a oração vista como um diálogo em que nos comprometemos a ser sinal da unidade para todos os povos em torno de Cristo, para que Ele nos conduza à possessão de sua Glória da qual quer que sejamos partícipes  para a glória do Deus Pai.

E no Evangelho o Senhor nos convida a anunciarmos sua Palavra tendo como fundo ou base a escuta e a encarnação da mesma em nossa própria vida. Essa Palavra é que nos salva, porém nos salva em comunhão fraterna, na Igreja, sem egoísmo, sem ódio nem divisões inúteis.

Viver Sem Hipocrisia Faz Parte Da Vida Cristã

Com o capítulo 12 do seu evangelho (Lc 12,1-48) o evangelista Lucas volta a falar sobre as instruções de Jesus para seus discípulos, conhecidas como Lições do Caminho (Lc 9,51-13,21), pois são dadas no Caminho para Jerusalém onde Jesus será crucificado e ressuscitado. Com essas lições Jesus vai preparando os discípulos para a vida e missão pós-pascal (cf. Lc 24,45-49; At 1,8). E para a comunidade de Lucas essas instruções servem como um ideal de vida de discipulado.

Neste capitulo 12 Lucas coloca algumas atitudes que devem caracterizar a comunidade dos discípulos, tais como: confiança em Deus em qualquer momento, pois em Deus está o alicerce verdadeiro para sua existência; coragem diante de qualquer ameaça da perseguição ou da repressão violenta e transformar tudo isso em momento de testemunho; liberdade do medo; pobreza, isto é, não se deixar dominar pelos bens materiais, pois sua verdadeira segurança está em Deus; e vigilância responsável, pois os discípulos são homens abertos para o futuro, isto é, viver sem jamais perder perspectivas em qualquer momento e idade. A esperança nos chama a caminhar sem perder o horizonte que só terminará em Deus.

“Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”, alerta Jesus aos discípulos. Hipócrita é o protagonista do coro no grego. É a palavra que exprime, em síntese, os males denunciados por Jesus na casa dos fariseus (Lc 11,37-54).

A hipocrisia é o pecado típico do fariseu (cf. Lc 11,42-44). Hipócrita é permanecer nas trevas, ocultar-se na escuridão. Hipócrita é ser ator de uma peça sem nada a ver com sua própria personalidade ou vida. Hipócrita é resistir ao testemunho; é fazer ouvidos surdos à voz de Jesus Cristo. Hipócrita é aquele que, simulando virtudes, nobres sentimentos e boas qualidades, engana os outros no intuito de conquistar a estima deles. Seu objetivo é obter louvores por uma virtude que não possui. Ele atraiçoa a verdade. Ele é incapaz de confessar sua perversidade interior e corrigi-la, pois ele sempre se refugia na simulação de possuir virtude. Ele não se preocupa em ser bom, mas em ser admirado por alguma virtude que na realidade não possui. Se não tivermos bastante discernimento e capacidade em fazer uma leitura com tranqüilidade de suas atitudes e palavras, facilmente cairemos na tentação de acreditar nele. É preciso confiar desconfiando. É preciso questionar o questionável, perguntar o perguntável para não se precipitar em nada a fim de não pagar caro, mais tarde, por uma atitude não pensada. Desconfie qualquer facilidade prometida.

O discípulo de Jesus, cada cristão, deve proceder sem duplicidade nem mentira. Se alguém contar uma mentira, ele será forçado a contar outras mentiras para apoiar a primeira. A conduta do discípulo deve ser sempre franca, mas sem grosseria, pois a franqueza ou sinceridade mal-empregada se transforma em grosseria; a verdade dita sem caridade pode ter resultado contrário. O cristão deve ser transparente como quem trabalha à luz do dia. Toda sua palavra, toda sua ação deve ser sempre um testemunho público e não para enganar. O discípulo de Jesus, cada cristão é o amigo de Jesus. De Jesus ele recebe confidências e coisas profundas sobre Deus: “Chamei-vos de amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai” (Jo 15,15). Comigo Jesus não tem segredos. Comigo Jesus só fala da verdade, a verdade que liberta (cf. Jo 8,32). Como amigo de Jesus compartilharei também com ele até mesmo sua sorte: perseguição, morte, e ressurreição (cf. Jo 15,18-21; 16, 1-4; 1Jo 3,13).

“Não há nada de escondido”. A hipocrisia consiste no esconder, como Adão, a própria nudez, para que não se reconheça Deus e não se aceite como filho seu. Jesus veio para tirar do homem os véus da mentira e a restituir-lhe à sua verdade de filho infinitamente amado à transparência e à simplicidade.

Se Jesus me revelou tudo sobre o Pai, então eu preciso ser um amigo fiel de Jesus sem medo. O único temor que eu devo ter é o temor de Deus, pois só Deus pode ter a ultima palavra sobre a minha vida e meu destino final: “Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido”. A história pessoal, íntima, e a história comunitária estão nas mãos de Deus. Eu preciso segurar na mão de Deus e seguir adiante, pois eu estou caminhando para o futuro de Deus que já comecei no presente ainda que os caminhos de Deus, muitas vezes, sejam incompreensíveis para a sabedoria humana: “Pois os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são os meus — oráculo do Senhor. Pois tanto quanto o céu acima da terra, assim estão os meus caminhos acima dos vossos e meus pensamentos distantes dos vossos” (Is 55,8-9).

“Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será proclamado sobre os telhados”. O cristão-discípulo deve estar plenamente impregnado da Palavra de Deus, Palavra da verdade desde o íntimo de seu coração, sem dissonância entre aquilo que está no profundo e aquilo que deseja externamente, em uma perfeita coerência entre aquilo que é e aquilo que diz.

“Não tenhais medo daqueles que matam o corpo. ... Não se vendem cinco pardais por uma pequena quantia? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais”.

A frase “Não tenhais medo”, Jesus repete nesta passagem cinco vezes. O medo fundamental a ser vencido é aquele medo da morte, pelo qual satanás domina o mundo (Hb 2,14s) que vem da mentira sobre Deus, que impede o homem de se aceitar como sua criatura, e por isso, faz de si próprio o absoluto.

Ao contrário, temos que ter o temor de Deus. O temor deriva da consciência de nossa pequenez e de nosso pouco valor como criatura. Mas Deus é amor, e o amor cuida de cada pequenino. Por isso, podemos confiar no amor de Deus por nós que conhece até os detalhes de nossa vida: “Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados”. Esta expressão é um sinal do amor de Deus por cada um de nós. Temos como valor infinito o amor de Deus por nós: vale mais do que a vida de seu Filho, valemos o Sangue de Cristo (1Pd 1,18s; 1Cor 6,20; 7,23).

P. Vitus Gustama,svd

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Quinta-feira Da XXVIII Semana Comum, 15/10/2026

SER VERDADEIRO CRISTÃO É SER JUSTO E PURO DE CORAÇÃO E SER BÊNÇÃO PARA OS OUTROS

Quinta-Feira da XXVIII Semana Comum

Primeira Leitura: Ef 1,1-10 (Ano Par)

1Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, aos santos e fiéis em Cristo Jesus: 2a vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 3Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele nos abençoou com toda bênção do seu Espírito em virtude de nossa união com Cristo, no céu. 4Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor. 5Ele nos predestinou para sermos os seus filhos adotivos por intermédio de Jesus Cristo, conforme a decisão da sua vontade, 6para o louvor da sua glória e da graça com que ele nos cumulou no seu Bem-amado.  7Pelo seu sangue, nós somos libertados. Nele, as nossas faltas são perdoadas, segundo a riqueza da sua graça, 8que Deus derramou profusamente sobre nós, abrindo-nos a toda a sabedoria e prudência. 9Ele nos fez conhecer o mistério da sua vontade, o desígnio benevolente que antemão determinou em si mesmo, 10para levar à plenitude o tempo estabelecido e recapitular em Cristo, o universo inteiro: tudo o que está nos céus e tudo o que está sobre a terra.

Evangelho: Lc 11,47-54

Naquele tempo, disse o Senhor: 47 “Ai de vós, porque construís os túmulos dos profetas; no entanto, foram vossos pais que os mataram. 48 Com isso, vós sois testemunhas e aprovais as obras de vossos pais, pois eles mataram os profetas e vós construís os túmulos. 49 É por isso que a sabedoria de Deus afirmou: Eu lhes enviarei profetas e apóstolos, e eles matarão e perseguirão alguns deles, 50 a fim de que se peçam contas a esta geração do sangue de todos os profetas, derramado desde a criação do mundo, 51 desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o santuário. Sim, eu vos digo: serão pedidas contas disso a esta geração. 52 Ai de vós, mestres da Lei, porque tomastes a chave da ciência. Vós mesmos não entrastes, e ainda impedistes os que queriam entrar”. 53 Quando Jesus saiu daí, os mestres da Lei e os fariseus começaram a tratá-lo mal, e a provocá-lo sobre muitos pontos. 54 Armavam ciladas, para pegá-lo de surpresa, por qualquer palavra que saísse de sua boca.

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Durante alguns dias da semana vamos ler e refletir sobre a Carta aos Efésios. A Carta foi escrita depois que numerosos pagãos se haviam incorporados à Igreja formada  no início por cristãos convertidos do judaísmo.

Muitos especialistas concordam que a Carta aos Efésios não foi escrita por são Paulo, e sim por um discípulo seu, muitos anos depois da morte de são Paulo, porém continua refletindo sobre a doutrina de são Paulo. Essa opinião se baseia na linguagem, no estilo e no conteúdo da Carta. A linguagem e o estilo da Carta aos Efésios são  mais solenes e complicados em comparação às Cartas escritas pelo próprio são Paulo: 1Ts, Rm, 1 e 2Cor, Gl, Fl e Fm. A doutrina sobre Cristo parece ser mais desenvolvida nesta Carta, especialmente sobre a significação de sua morte e de sua exaltação à direita do Pai.

Em relação à Igreja, nas Cartas escritas por são Paulo como Coríntios, Gálatas e Romanos, a palavra “Igreja” se refere à Igreja local. Na Carta aos Efésios o que prevalece é a Igreja universal na qual se integram judeus e gentios. Ou seja, em Ef, a Igreja é vista como um fenômeno universal, cósmico em extensão e influência, corporificando toda a criação (Ef 1,21-23; 3,9-11), enquanto nas Cartas protopaulinas predomina a visão da Igreja como comunidade local ( veja 1Cor q,2; Gl 1,2 Fm 2). Em Ef se encontram os judeus e os gentios juntos reconciliados “ambos com Deus em um só corpo, por meio da Cruz” (Ef 2,16), tornando-se “um só ser humano novo” (Ef 2,15), porque agora foi “derrubado o muro da separação” (Ef 2,14).

Isso nos leva à conclusão de que o problema dos judaizantes e influêntes, que aparece na Carta aos Gálatas, parece que já está superado. E nesta Carta Cristo é a cabeça que comunica a vida aos cristãos, e os une num conjunto orgânico e vital. E a ideia principal é a união dos membros com a cabeça, que é o próprio Cristo. E destacam-se duas visões idealistas sobre a Igreja em duas cartas (Colossenses e Efésios): a santidade e o amor. A santidade vem de sua condição como Corpo de Cristo cuja cabeça é Cristo. Está em destaque também o amor à Igreja. Cristo amou profundamente a Igreja e se entregou por ela (Ef 5,25). Esse amor será suficiente forte para assegurar a sobrevivência da Igreja.

Em relação ao tema sobre o matrimônio, em Ef 5,21-23 (fundamento bíblico do sacramento do matrimônio) é o mais completo e profundo do que em 1Cor 7.

A data provável da composição da Carta aos Efésios entre os anos 61-63 depois de Cristo. E o lugar de composição é Roma, onde o apóstolo Paulo se encontra nestas datas prisioneiro.

Apesar de não ser escrita pelo próprio são Paulo “Para valorizar de verdade Efésios (Ef) há que lê-la em voz alta. Esta obra do Novo Testamento transborda de linguagem de oração, adoração e celebração. Impressiona o ouvinte com passagens comovedoras e com outros que parecem hinos majestosos. É um texto excelente para ilustrar a estreita conexão entre o Novo Testamento e a assembleia cultual. A palavra grega neotestamentária ‘ekklesia’, que habitualmente se traduz como ‘Igreja’, de fato, tem o sentido literal de ‘assembleia’. É uma palavra que aparece frequentemente em Efésios. ... De todas as obras paulinas, esta é que mostra maior interesse pela Igreja universal” (Margaret Y. MacDonald: Efesios, in Comentario Bíblico Internacional  p.1521).

O início da Carta, que lemos na Primeira Leitura, é um hino entusiástico ao plano salvífico de Deus: uma grande bênção tanto para cima como para baixo. Bendizemos a Deus, porque ele nos abençoou antes com todos os tipos de bênçãos, em Cristo Jesus. Por isso, este início constitui a parte doutrinal da Carta. Começa com um hino, no quel coloca em destaque a ação do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Deus, levado pelo seu amor, nos vivificou em Cristo (Ef 2,1-10). E fez dos judeus e pagãos um só povo (Ef 2,11-22).

Tudo é iniciativa de Deus, que nos predestinou desde a eternidade para sermos seus filhos, para sermos salvos por Cristo. Tudo isso, segundo a densa fórmula de Paulo, sempre acontece "na pessoa de Cristo", isto é, porque estamos unidos ao seu Filho Jesus, em quem Deus pensa "recapitular todas as coisas no céu e na terra".

Em poucas linhas, este início diz qual é a riqueza do projeto de Deus, centrado em Cristo Jesus, que representa para nós a maior sorte: nada menos do que ser filhos no Filho. Se realmente acreditamos nisso - que Deus nos ama, que ele pensou em nós antes de existirmos, que nos incorporou ao destino de seu Filho, que nos perdoou, que, portanto, também nos fez filhos em sua família, e aquela destinada à plena salvação - não deveríamos mudar nossa maneira de viver todos os dias?

Claro que isso nos compromete, porque ele espera uma resposta: "ele nos escolheu na pessoa de Cristo para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele por amor".

O tom eufórico de Paulo também é retomado pelo Catecismo da Igreja Católica (CIC 1077-1083), que, quando começa a apresentar o mistério da celebração cristã, canta precisamente esta solene bênção de Paulo, e depois passa um tempo descrevendo brevemente em que consiste essa bênção. “Abençoar” é uma ação divina que dá a vida e da qual o Pai é a fonte. Sua bênção é ao mesmo tempo palavra e dom (“bene-dictio”, “eu-logia”). Aplicado ao homem, este termo significará a adoração e a entrega ao seu Criador, na ação de graças. Desde o início até a consumação dos tempos, toda a obra de Deus é bênção. ... Desde o começo, Deus abençoa os seres vivos, especialmente o homem e a mulher...” (CIC,1078-1080).

Portanto, tempos que manter nossa consciência de que somos todos abençoados de Deus. Vivamos como tal e sejamos bênção para todos onde estivermos e para onde formos.

É Preciso Purificarmos Nosso Coração De Todo Tipo de Podridão Para Voltar a ser justos

Continuamos a acompanhar as Lições do Caminho dadas por Jesus durante sua última viagem para Jerusalém (Lc 9,51-19,28), pois nessa cidade Ele será crucificado, morto e glorificado.

E a passagem do evangelho de hoje nos apresenta a ultima parte do conjunto de acusações de Jesus (Lc 11,37-54) contra os dirigentes oficiais judeus, os fariseus e os escribas porque eles invertem o valor das coisas. Eles vivem uma vida dupla. São denunciados pela incoerência de sua vida. As palavras de Jesus têm um tom de denúncia e por isso, trata-se de a voz de um profeta.

Nesta ultima parte encontramos os mais terríveis acusações, pois a religião dos fariseus não só camufla a morte espiritual, mas também mostra uma oposição radical aos verdadeiros porta-vozes de Deus, pois esses profetas foram assassinados. Não se pode considerar verdadeira uma religião, uma crença que usa de violência contra aos demais seres humanos. Cada verdadeira religião, cada verdadeira Igreja, cada crença verdadeira deve transformar seus adeptos em irmãos e irmãs da humanidade. Cada verdadeira religião, cada verdadeira Igreja deve manter sua função profética contra qualquer injustiça social, contra qualquer desigualdade, contra qualquer violência e assim por diante. A denúncia de Jesus, apesar de conter toda verdade, provoca o ódio feroz nos seus adversários e o próprio Jesus será vítima da própria denúncia. “Os que discutem mais que defendem a verdade, utilizam mais as desculpas que os argumentos, não se preocupam com a verdade, mas com seu próprio triunfo”, dizia Santo Agostinho (Epist. 238,2).

Mas a verdade vencerá, e o tempo vai mostrar toda a verdade, pois a verdade tem seu próprio caminho. Dia virá, indeterminado, porém seguro, em que Deus pedirá contas da consciência que destruímos, da pobreza que geramos e das vidas que prejudicamos, das desuniões e da polarização que produzimos,  do sangue de todos os profetas que derramamos, de todos os inocentes, sacrificados aos interesses humanos em virtude da inteligência mal empregada e da defesa de uma lei supostamente sagrada. O sagrado é o próprio ser humano, pois ele é o templo de Deus (cf. 1Cor 3,16-17; cf. Mt 25,40.45).

“Ai de vós, porque construís os túmulos dos profetas; no entanto, foram vossos pais que os mataram. Com isso, vós sois testemunhas e aprovais as obras de vossos pais, pois eles mataram os profetas e vós construís os túmulos. (...) Sim, eu vos digo: serão pedidas contas disso a esta geração” (Lc 11, 47-48. 51b). Enquanto os profetas anunciam a Palavra de Deus, os mestres da lei a falsificam, sufocando-a com infinitas prescrições. Se mataram os que anunciavam a Palavra, os profetas, os próprios dirigentes do povo também vão matar a própria Palavra divina que é Jesus Cristo.

Os escribas crêem honrar os profetas assassinados fazendo-lhes esplêndidos sepulcros. Ou seja, os fariseus estão dispostos a honrar os profetas mortos, mas não fazem caso para os profetas vivos. Eles tratam os profetas de seu tempo igual ao tratamento que os seus antepassados faziam contra os verdadeiros profetas. Em outras palavras, na realidade, eles seguem o mesmo caminho (eles vão matar Jesus). Eles matarão Jesus em nome de sua interpretação sobre a lei. Possuidores da chave da ciência eles fecham o caminho da salvação aos que confiam neles e os seguem como guias. Eles preferem seus próprios caminhos ao caminho de Deus.

Ao denunciar a perseguição e a morte dos profetas antigos, Jesus denuncia antecipadamente a injustiça praticada contra Ele, no futuro próximo, exatamente, por aqueles que buscam agradar a Deus e cultivam uma suposta santidade. Isto nos mostra que a recitação de um credo e a prática do culto sem o compromisso de uma conduta coerente eticamente é um ópio que adormece a própria consciência. É um grande alerta a todos que se dizem religiosos ou fieis para que a prática religiosa não seja mais importante do que o próprio Deus e o próximo.

Que falta que os profetas nos fazem! E o Evangelho insiste: os profetas foram perseguidos, acusados e derramaram seu sangue, foram assassinados (Lc 11,49). O mundo precisa verdadeiramente dos homens e das mulheres que profetizam, isto é, que anunciam o bem e denunciam o mal e tudo que é desumano. Em um lugar e em um tempo em que carece o transcendente, o divino; em um tempo onde tantos filhos de Deus, os inocentes estão maltratados e crucificados pela fome, pela exploração, pela injustiça, pela desesperança, em um lugar onde a verdade é silenciada e distorcida, somente as vozes proféticas podem dizer algo transparente, crível capaz de chegar até o coração de cada pessoa para transformá-lo em um coração sincero, em um coração de irmão. Se nos faltarem os profetas, o testemunho cristão será opaco, sua voz será inexpressiva, suas atividades serão infecundas e frustrantes. São Paulo nos adverte: “Não extingais o Espírito; não desprezeis as profecias. Discerni tudo e ficai com o que é bom. Guardai-vos de toda espécie de mal” (1Ts 5,19-22). Necessitamos de profetas dentro da própria Igreja e fora dela da mesma forma.

“Ai de vós, mestres da Lei, porque tomastes a chave da ciência. Vós mesmos não entrastes, e ainda impedistes os que queriam entrar”.  Os escribas dominam as Sagradas Escrituras. Possuidores da chave da ciência, os escribas fecharam a salvação aos que põem neles sua confiança e os seguem como guias. Eles preferem os próprios caminhos ao caminho de Deus. Mas não basta compreender a Palavra de Deus. É preciso abrir toda essa riqueza para que seja desfrutada por todos. Deus nos confiou a riqueza de Seu amor, de Sua vida, de Seu perdão, de Sua salvação não para que escondamos e sim para que todos conheçam toda essa riqueza a fim de que sua vida tenham sentido apesar de tudo, como a perseguição. Não basta construir templos. É necessário viver o Evangelho. É necessário que a salvação seja parte de nossa própria vida de cada dia. A fé nos move para que mudemos nossos critérios de acordo com a Palavra de Deus a fim de que sejamos sinais do amor de Deus para os demais.

Nós nos reunimos em torno de Cristo na celebração de Seu mistério pascal para assumirmos nossa própria responsabilidade. Quem somente participa (= assistir) da missa sem nenhuma capacidade de produzir fruto, se faz responsável, não somente, da morte de Jesus, mas também do mal que continua dominando muitos ambientes de nosso mundo.

Não basta construir templos, casas de assistência social, fundar clubes ou associações de ajuda solidária. É necessário viver o Evangelho. É necessário confessar Jesus Cristo. Na sua primeira homilia, logo depois de sua eleição, o Papa Francisco disse: “Podemos caminhar o que quisermos, podemos edificar um monte de coisas, mas se não confessarmos Jesus Cristo, está errado. Tornar-nos-emos uma ONG sócio-caritativa, mas não a Igreja, Esposa do Senhor... Quando não se confessa Jesus Cristo, faz-me pensar nesta frase de Léon Bloy: ‘Quem não reza ao Senhor, reza ao diabo’. Quando não confessa Jesus Cristo, confessa o mundanismo do diabo, o mundanismo do demônio”. A Igreja de Cristo não pode ficar na somente promoção social como uma filantropia. Mas é necessário fazer que a salvação faça parte de nossa própria vida para que possamos levá-la também aos demais.

P. Vitus Gustama,svd

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Quarta-feira Da XXVIII Semana Comum, Ano Par, 14/10/2026

VIVER NO ESPÍRITO DO SENHOR É VIVER NO AMOR E NA JUSTIÇA

Quarta-Feira da XXVIII Semana Comum

Primeira Leitura: Gálatas 5,18-25 (Ano Par)

Irmãos, 18 se sois conduzidos pelo Espírito, então não estais sob o jugo da Lei. 19 São bem conhecidas as obras da carne: fornicação, libertinagem, devassidão, 20 idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, ciúmes, iras, intrigas, discórdias, facções, 21 invejas, bebedeiras, orgias, e coisas semelhantes a estas. Eu vos previno, como aliás já o fiz: os que praticam essas coisas não herdarão o reino de Deus. 22 Porém, o fruto do Espírito é: caridade, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, lealdade, 23 mansidão, continência. Contra estas coisas não existe lei. 24 Os que pertencem a Jesus Cristo crucificaram a carne com suas paixões e seus maus desejos. 25 Se vivemos pelo Espírito, procedamos também segundo o Espírito, corretamente.

Evangelho: Lc 11,42-46

Naquele tempo, disse o Senhor: 42 “Ai de vós, fariseus, porque pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as outras ervas, mas deixais de lado a justiça e o amor de Deus. Vós deveríeis praticar isso, sem deixar de lado aquilo. 43 Ai de vós, fariseus, porque gostais do lugar de honra nas sinagogas, e de serdes cumprimentados nas praças públicas. 44 Ai de vós, porque sois como túmulos que não se veem, sobre os quais os homens andam sem saber”. 45 Um mestre da Lei tomou a palavra e disse: “Mestre, falando assim, insultas-nos também a nós!” 46 Jesus respondeu: “Ai de vós também, mestres da Lei, porque colocais sobre os homens cargas insuportáveis, e vós mesmos não tocais nessas cargas, nem com um só dedo”.

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Viver Segundo o Proceder Da Carne e Do Espírito

“Os que pertencem a Jesus Cristo crucificaram a carne com suas paixões e seus maus desejos. Se vivemos pelo Espírito, procedamos também segundo o Espírito, corretamente”.

No texto da Primeira Leitura, o último dia de nossa reflexão sobre a Carta aos Gálatas, são Paulo nos apresenta o duplo caminho (teologia do duplo caminho) que, de alguma forma, afeta a vida dos cristãos, ou dos homens em geral.

São Paulo, como bom mestre espiritual e sofredor humano experiente, sabe pela experiência que uma dupla tensão interior nos coloca em suspense.

Uma é a tensão ou o peso da carne. Quando ele fala da "carne", refere-se às nossas próprias forças, às nossas fragilidades como criatura humana, à mentalidade meramente humana, que nos leva àquela lista impressionante de tendências pecaminosas no terreno da impureza e idolatria, a falta de controle de nós mesmos e as falhas no relacionamento com os outros. “Carne”, aqui, é símbolo de todos os aspectos negativos ou não bem regulados na vida, desde o ódio ou vingança até o insaciável apetite sexual.

Quem é vítima continuada do proceder “segundo carne”, acaba perdendo o gosto e interesse pelos valores do espirito, por exemplo, o valor da solidariedade e gratuidade, e que morre no fogo do egoísmo.

Outra é a tensão ou elevação do espírito, símbolo de todo proceder honrado, tanto aspecto do próprio equilíbrio, harmonia, fortaleza interior, como o amor e a solicitude pelos demais, e da glória de Deus, nosso Pai.

A primeira tensão nos afoga. A segunda tensão nos liberta. A primeira nos degrada. A segundo nos enobrece. A primeira nos cega. A segundo nos ilumina.

Os Cristãos São Relembrados Para Viver Segundo o Espírito De Deus

“O fruto do Espírito é: caridade, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, lealdade, mansidão, continência. Se vivemos pelo Espírito, procedamos também segundo o Espírito, corretamente”.

Em 2Cor 3,17, são Paulo escreve uma frase lapidar: “O Senhor é o Espírito e onde está o Esírito do Senhor existe liberdade”. Na Carta aos Gálatas são Paulo fala do Espírito e da liberdade como duas realidades inseparáveis.  Foi Cristo que nos libertou (Gl 5,1), mas o Espírito quem autoriza e torna eficaz em cada um de nós essa liberdade. O Apóstolo Paulo nos convida a nos deixar guiar pelo Espirito. Cristo nos libertou, mas é o Espirito quem faz eficaz essa liberdade em nosso interior. Deixar-se guiar pelo Espirito de Deus significa viver no amor, na alegria, na paz, na longanimidade, na benignidade, na bondade, na lealdade, na mansidão, e na continência que são os frutos do Espirito Santo. Isto é viver segundo o Espirito, na liberdade dos filhos e das filhas de Deus. Isto é viver de verdade! Isto é vida!

Vivamos pelo Espirito! Se o Espirito nos guia, façamos obras de amor e de misericórdia! Se o Espirito nos guia, estendamomos nossas mãos aos que necessitam de nossa ajuda! Se o Espirito nos guia, enxerguemos o rosto de Deus nos rosto dos pobres e necessitados! Se o Espirito nos guia, pensemos tanto em nós como nos outros a fim de ter uma convivência fraterna de filhos e filhas de Deus.

Hoje temos uma boa oportunidade para fazer um bom exame de consciência. Cada um precisa examinar-se, se , na verdade,”os que pertencem a Jesus Cristo crucificaram a carne com suas paixões e seus maus desejos”. Vamos nos perguntar se caímos em inveja e rivalidade, em rancores e em ódios e assim por diante? Se nos deixamos levar pelos zelos e as inimizades, não estamos vivendo segundo Cristo e sim segundo a carne.

Ao contrário, como cristãos, que vamos amadurecendo nossa vida de fé, devemos marchar atrás do Espírito, porque vivemos pelo Espirito já desde o Batismo e temos que verificar se há, na nossa vida, os frutos do Espirito: caridade, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, lealdade, mansidão, continência.

O Salmo Responsorial de hoje (Sl 1), que soa repetidamente na nossa missa, continua nos convidando, desde séculos, a escolher os caminhos de Deus e não os caminhos do mundo: “Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar”. Não é, certamente, o apego à Lei que são Paulo critica na Carta aos Gálatas como contabilidade de méritos e sim os mandamentos de Deus que cumprimos pela fé e pelo amor, movidos pelo Espírito de Cristo. se quisermos ser felizes eternamente, sigamos o caminho do bem, não fazendo obras pecaminosas, não ofendendo Deus nem o próximo. O malvado, ao contrário, tomou o caminho da perdição, pois seu coração está muito longe de Deus, longe do bem. diante de nós se apresentam esses dois caminhos: o do bem e o do mal. Cada um tem liberdade diante dos dois caminhos para escolher, porém os resultados são diferentes ou opostos. Sabemos, como aconteceu com são Paulo, que muitas vezes fazemos o mal que não desejamos, e não fazemos o bem que desejamos (Cf. Rm 7,19-20), pois nossa concupiscência nos arrasta. Por isso, recorramos ao Senhor para que nos fortaleça com sua Graça e com seu Espirito de modo que possamos nos comportar como filhos e filhas de Deus.

Jesus, homem livre pelo Espirito, continua respendendo, no texto do Evangelho de hoje, aos fariseus e mestres da lei que não conhecem o caminho interior do Espirito e lhe acusam. por não observar as abluções antes de comer. A liberdade espiritual de Jesus se manifesta se manifesta em palavras duras para os que vivem como escravos do externo, o ritual, as cargas sem sentido. As três “ais” mostram que a coisa é muito grave. Os “ais” de Jesus descrevem as formas da ausência  do Deus da vida no âmbito dos dirigentes religioso.

E esses “ais” valem para todos os tempos e lugares e servem como advertência a todos os homens e mulheres que se dizem religiosos. Toda atitude que encobre interesses e egoísmos pessoais sob o manto da religiosidade vicia a raiz da próprio vida e coloca em uma senda que, em vez de se aproximar de Deus, afasta mais de Deus.

Se, de alguma maneira, somos “doutores da lei”, porque ensinamos catequese ou educamos ou pregamos, pensemos bem se merecemos também os “ais” de Jesus. Podemos cair no escrúpulo de cuidar até os mínimos detalhes exteriores, enquanto descuidamos os valores fundamentais como o amor a Deus e ao próximo. Os “ais” de Jesus são uma expressão de dor e, ao mesmo tempo, uma advertência que devemos levar a sério se não quermos nos excluir do Reino de Deus.

Lição Do Caminho: Quem Ama, Pratica a Justiça E a Caridade

Continuamos a ouvir as ultimas e importantes lições de Jesus no Seu caminho para Jerusalém (Lc 9,51-19,28). Hoje Jesus nos dá a lição sobre a importância da vivência da justiça e da caridade inseparavelmente. Sem a prática da justiça e da caridade todos os atos religiosos (oração, dízimo, esmola, ritos etc.) ficariam carentes de sentido.

“Ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as hortaliças e deixais de lado a justiça e o amor de Deus. Estas coisas era preciso fazer, sem deixar de lado aquelas” (Lc 11,42).

O texto anterior (Lc 11,37-41) nos mostra que a verdadeira pureza de vida não consiste em observar todas as regras de purificação externa (cuidar apenas da aparência) que resulta na hipocrisia (viver como um ator diante de uma platéia) e sim em amar a Deus que se traduz na caridade fraterna e no respeito pelo outro. Chegamos até Deus através do próximo (cf. Mt 25,31-45). Eu sou ocasião de salvação para o outro e o outro é ocasião de salvação para mim.

No texto do evangelho proclamado neste dia Jesus volta a criticar os fariseus (e os escribas) porque invertem o valor das coisas. Pagar o dízimo faz parte da religiosidade do povo. É o que os fariseus fazem. Pagar dízimo é oferecer uma parte dos produtos aos irmãos para indicar que tudo vem de Deus (Dt 26,1-15). Mas eles acham que com o pagamento do dízimo eles poderiam ficar tranqüilos diante de Deus (como se comprasse Deus com algo tão terreno). No entanto, os fariseus não se preocupam em amar a Deus verdadeiramente e em praticar a justiça para com o próximo. Conseqüentemente, o pagamento de dízimo carece de sentido e se torna um exibicionismo. Eles continuam a praticar a injustiça contra o próximo e a cultivar a vanglória. Deste jeito, eles vivem como hipócritas. “Ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as hortaliças e deixais de lado a justiça e o amor de Deus. Estas coisas era preciso fazer, sem deixar de lado aquelas”, são palavras de Jesus com um tom profético que denuncia a injustiça e o desamor contra o próximo.

Jesus quer tirar os fariseus e escribas de seu pecado e os leva à conversão. O pecado dos fariseus está em colocar escrupulosamente a importância nas normas insignificantes enquanto desprezam o essencial; em querer aparecer como reprováveis para serem honrados como piedosos (cf. Mt 23,6-7; Mc 12,38-39). Nessa advertência de Jesus está seu convite para todos os seus seguidores. Os discípulos de Jesus (cristãos) devem valorizar as coisas segundo sua importância. Não devem desprezar o pequeno por ser pequeno, mas devem centrar seu esforço no fundamental: a justiça e o amor a Deus e ao irmão.

“... deixais de lado a justiça e o amor de Deus”. Amor e justiça andam como uma moeda de dois lados. Quem ama, pratica a justiça. Quem não ama, pratica a injustiça. Com efeito, todas as injustiças são conseqüências da falta de amor. Você comete a maior injustiça quando não ama. Toda a maldade é o fruto da falta de amor. Por isso, o mais importante não é você ser reconhecido socialmente e sim seu comportamento com as pessoas (amor e respeito) e com as causas justas.

A caridade (amor) é sempre maior do que a justiça. A justiça é o reconhecimento do direito do outro. Dar ao outro o que é dele é a justiça. A caridade (amor) é dar ao outro o que é meu. Mas para dar ao outro o que é meu, eu preciso respeitar o que é do outro. O Papa Bento XVI, na sua encíclica Caritas In Veritate escreveu: “A caridade supera a justiça, porque amar é dar, oferecer ao outro do que é ‘meu’; mas nunca existe sem a justiça, que induz a dar ao outro o que é ‘dele’, o que lhe pertence em razão do seu ser e do seu agir. Não posso ‘dar’ ao outro do que é meu, sem antes lhe ter dado aquilo que lhe compete por justiça. Quem ama os outros com caridade é, antes de mais nada, justo para com eles. A justiça não só não é alheia à caridade, não só não é um caminho alternativo ou paralelo à caridade, mas é ‘inseparável da caridade’, é-lhe intrínseca. A justiça é o primeiro caminho da caridade...”  (no.6).

O amor sempre oferece ao outro o que lhe falta, mas o egoísmo devora tudo que o outro tem. E nunca o egoísmo é tão prejudicial, como quando se disfarça de amor. Quem não sabe se amar, não cresce. Quem não aprende a amar, não deixa que os outros cresçam. O amor nunca morre porque é o nome próprio de Deus (1Jo 4,8.16), isto é, Sua própria essência. As caricaturas do amor é que não duram muito tempo. A felicidade está em amar e em ser amado. Somos felizes quando amamos e quando somos amados. O ardor do amor abre os corações.

E a justiça não é questão de números e quantidades e sim de amor. Você pratica a justiça não é com o objetivo de alcançar a perfeição para si e sim para que você não trate seu irmão (próximo) injustamente. Se você buscar a justiça escutando seus irmãos, você se sentirá em dívida todos os dias. “O amor é a única dívida que mesmo depois de paga nos mantém como devedores” (Santo Agostinho).

Portanto, o ser humano cresce, a comunidade e a comunhão se criam, a fraternidade se vive quando o amor e a justiça têm voz e vez nas relações interpessoais. Outras coisas são importantes, mas o amor e a justiça são muito mais importantes e são essenciais para quem acredita verdadeiramente em Deus. Por isso, jamais podemos deixar de lado a justiça e o amor de Deus na nossa vida como cristãos. Praticamos a justiça para que o irmão não seja tratado injustamente. E nada compromete tanto como o amor, pois o amor é o nome próprio de Deus (cf. 1Jo 4,8.16) e seremos julgados a partir do amor fraterno que praticamos ou deixamos de praticar (cf. Mt 25,40.45).

P. Vitus Gustama,svd

domingo, 11 de outubro de 2026

Terça-feira Da XXVIII Semana Comum, Ano Par, 13/10/2026

A HIPOCRISIA E DIGNIDADE HUMANA:

VIVER NA VERDADE E NA DIGNIDADE AFASTA  A HIPOCRISIA

Terça-Feira Da XXVIII Semana Comum

Primeira Leitura: Gálatas 5,1-6 (ano Par)

Irmãos, 1 é para a liberdade que Cristo nos libertou. Ficai pois firmes e não vos deixeis amarrar de novo ao jugo da escravidão. 2 Eis que eu, Paulo, vos digo que Cristo não será de nenhum proveito para vós, se vos deixardes circuncidar. 3 Mais uma vez, atesto a todo homem circuncidado que ele está obrigado a observar toda a Lei. 4 Vós que procurais a vossa justificação na Lei rompestes com Cristo, decaístes da graça. 5 Quanto a nós, que nos deixamos conduzir pelo Espírito, é da fé que aguardamos a justificação, objeto de nossa esperança. 6 Com efeito, em Jesus Cristo, o que vale é a fé agindo pela caridade; observar ou não a circuncisão não tem valor algum.

Evangelho: Lc 11,37-41

Naquele tempo, 37 enquanto Jesus falava, um fariseu convidou-o para jantar com ele. Jesus entrou e pôs-se à mesa. 38 O fariseu ficou admirado ao ver que Jesus não tivesse lavado as mãos antes da refeição. 39 O Senhor disse ao fariseu: “Vós, fariseus, limpais o copo e o prato por fora, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades. 40 Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior? 41 Antes, dai esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para vós”.

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A Caridade Fraterna É o Caminho Certo Para Chegar Até Deus

“Quanto a nós, que nos deixamos conduzir pelo Espírito, é da fé que aguardamos a justificação, objeto de nossa esperança. Com efeito, em Jesus Cristo, o que vale é a fé agindo pela caridade; observar ou não a circuncisão não tem valor algum”.

A Primeira Leitura continua com o tema da liberdade: as últimas frases de ontem são também as primeiras de hoje: “É para a liberdade que Cristo nos libertou. Ficai pois firmes e não vos deixeis amarrar de novo ao jugo da escravidão”.

Para são Paulo, um sinal da volta ao antigo seria a circuncisão. Voltar a dar importância à circuncisão, que os cristãos praticamente já abandonaram, é o sinal de que também se está querendo voltar a toda a Lei antiga, e, portanto, “Cristo não será de nenhum proveito para vós, se vos deixardes circuncidar”, escreveu são Paulo. Aqui dá para perceber que os judaizante voltam a incitar os cristãos para a prática da circuncisão. Sempre é o mesmo argumento de são Paulo: por a esperança de salvação nas práticas religiosas ou morais é ter a pretensão de alcançar a justificação por si mesmo. Consequentemente, avinda de Cristo a este mundo “não será de nenhum proveito”.

“É para a liberdade que Cristo nos libertou. Ficai pois firmes e não vos deixeis amarrar de novo ao jugo da escravidão”. Como noção jurídica-política, a liberdade distingue-se da escravatura. No NT, a liberdade que “possuímos em Cristo Jesus” (Gl 2,4; 4,31) significa uma libertação redentora do “espírito de escravidão e de medo” (Rm 8,15). Há tríplice de libertação: 1) do pecado (Rm 6,18-23; 8,2; Jo 8,31-36; etc); 2) da lei que, pela sua própria formulação, provoca o desejo de pecar (At 15,10; Rm 7,3s; 8,2; Gl 2,4; 5,1.13); 3) da morte, o “salário do pecado” (Rm 6,23; 7,9-11; 1Cor 15,56).

“É para a liberdade que Cristo nos libertou. Ficai pois firmes e não vos deixeis amarrar de novo ao jugo da escravidão”. Não podemos evoluir e criar a não ser que nos sintamos livres para fazê-lo. Nosso progresso será proporcional à liberdade que sentimos de respirar, de nos mover, de viver a vida plenamente. Mas ninguém está livre até todos estarmos livres. Ninguém evolui emocionalmente, intelectualmente ou espiritualmente se sua energia está sendo gasta para cintrolar alguém. Só com a liberdade encontraremos alegria no trabalho, no lar e com os amigos e as demais pessoas. Viver com liberdade interior, com liberdade de filhos, é deixar-se mover pelo Espírito de Cristo, e não por um legalismo exagerado, que Jesus já criticou nos fariseus, que confiavam mais nas práticas externas e nos próprios méritos do que na graça de Deus.

Com efeito, “Vós que procurais a vossa justificação na Lei rompestes com Cristo, decaístes da graça”, escreveu são Paulo. O essencial é não romper com Cristo. O essencial é estar agregado a Cristo, crer que tudo vem d´Ele (Cf. Jo 1,3.16-17).

A palavra chave para toda esta questão é “graça”. O termo grego usado por são Paulo significa “dom gratuito e gozoso”. A graça é a ação de Deus em nós. A graça é a presença ativa de Deus na nossa vida cotidiana. É um dinamismo divino que atua no núcleo de nossa vida. Deus nos precede sempre através de sua graça. Deus salva o homem não por seus méritos e sim por puro amor ao qual aderimos pela fé, a esperança e a caridade.

Como resposta adequada para a graça de Deus é a fé que se traduz na prática da caridade fraterna e não a prática da circuncisão. Por isso, são Paulo insiste: “O que vale é a fé agindo pela caridade; observar ou não a circuncisão não tem valor algum”. Trata-se de uma fórmula esplêndida, densa e cheia de compromisso. O que mais importante não é a circuncisão e sim a prática da caridade. A prática da caridade é a expressão ou concretização da fé em Jesus Cristo. Jesus está com aquele que pratica a caridade. Não há nada mais exigente do que o amor fraterno. Numa família, os filhos não podem obedecer ou atuar por medo de castigo. Eles devem obedecer e atuar, sim, por amor e pela corresponsabilidade. A fonte da santidade não está na fiel observância dos mandamentos ou da Lei, e sim no amor gratuito e salvador de Deus. Por esse caminho, o caminho de amor, não há outro caminho para chegar até Deus, pois “a caridade é o pleno cumprimento da lei” (Rm 13,10).

O mais importante é a limpeza ou purificação permanente de nosso coração para que ele o amor permaneça intacto nele, como enfatiza o Evangelho deste dia.

No Coração Puro Não Há a Hipocrisia Nem o Exibicionismo

O texto do evangelho de hoje nos apresenta a questão sobre a purificação (ato de se tornar puro). E os fariseus davam máxima importância ao cumprimento dos preceitos e ritos da purificação.  Sem relação direta com a moralidade, a pureza assegura a aptidão legal para alguém poder participar do culto (cf. Lv 11-16). A pureza cultual inclui a limpeza física. Antes de comer, por exemplo, os comensais devem lavar as mãos (cf. Mc 7,2). Este rito faz parte da limpeza física para se afastar do que é sórdido ou das imundícies (cf. Dt 23,13ss). A maior parte das impurezas são apagadas pela ablução do corpo ou das vestes (cf. Ex 19,10; Lv 17,15s), ou por sacrifícios expiatórios (cf. Lv 12,6s).

A partir desse conceito (sobre a pureza) vem a pergunta: quem é puro perante Deus? Para os fariseus , os puros são aqueles que guardam os preceitos de purificação cultual; aqueles que limpam a parte externa dos pratos e dos cálices.

“Vós fariseus, limpais o copo e o prato por fora, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades”, assim Jesus disse aos fariseus. Os fariseus se importam com o exterior e não com o interior da pessoa. Eles se descuidam da pureza da consciência. Trata-se de uma vida na aparência, de uma vida incoerente. A maneira de viver assim é conhecida como hipocrisia. Os fariseus são chamados de insensatos por Jesus.

“Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior?”. Deus só dá importância para a pureza ética que Jesus prega para todos. Quando a consciência estiver livre da injustiça e de qualquer atitude imoral, então o homem ou a mulher fica puro diante de Deus e fica livre para realizar-se. Todo mandamento de Deus se refere à relação ética e ao amor fraterno. A partir da vida ética e da convivência fraterna é que se joga e se julga a fidelidade daquele que se diz crente.

É importante ter a pureza do coração para podermos ver Deus em suas obras e para ver o outro como irmão, irmã, filhos e filhas de Deus. Uma coisa que não nos ajuda a crescermos na santidade e na fraternidade é maximizar o que não é importante e minimizar o que é importante. Hoje em dia, como no tempo de Jesus, muitos dão muita importância para a exterioridade. Das coisas verdadeiramente importantes, edificantes e dignificantes dependerá nossa vida moral.

“Antes, dai esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para vós”. Para Jesus a pureza interior é adquirida ou alcançada através da esmola e das obras de caridade. O coração se torna puro através da vivencia fraterna que inclui a ajuda aos necessitados. O amor fraterno torna puro o coração humano. O coração é puro quando o amor fraterno é vivido. Como diz São Paulo aos romanos: “A caridade é o pleno cumprimento da lei” (Rm 13,10). Por isso, Santo Agostinho dizia: “Ama e faze o que quiseres” (In epist. Ad Gal. 57,6,1). A glória da vida consiste em amar, perdoar, dar, servir e assim por diante.

A maneira de viver dos fariseus que se preocupam apenas com o exterior é uma maneira de viver como hipócrita. A palavra hipócrita designava no mundo grego antigo o ator que, com uma máscara e um disfarce, assumia uma personalidade alheia. O ator representa um papel, não o que ele é inteiramente. É apresentação sem representação. Fingia diante do público ser outra pessoa freqüentemente sem nada a ver com a sua própria personalidade, porque trabalhava para a plateia. Ele não vivia sua própria identidade.

Todo hipócrita é exibicionista. Na verdade, um exibicionista é uma pessoa de personalidade superficial, fútil e sem sólidos ideais. Ele vive mendigando louvores e os procura de todas as maneiras. Ele se preocupa mais em ostentar do que em ser alguma coisa. Sua preocupação é colocar-se em evidência, ser notado, elogiado. Tudo o que ele faz é na perspectiva de algum louvor. Ele considera bons ou maus os seus atos não por estarem de acordo ou não com as normas éticas, mas por serem capazes ou não de atrair a atenção e despertar admiração.         

Segundo o Evangelho de hoje hipócrita é aquele que vive só na aparência e longe da verdade. É aparentar ser bom, sem sê-lo. É uma incoerência de vida. É uma duplicidade, um fingimento. Ele extremamente se apresenta como um homem religioso, alguém que faz questão de proferir palestras bonitas sobre o amor, sobre a paz, sobre o respeito para com os outros, quando ninguém o vê viver assim. É aquele que vive de etiqueta, mas continua pagando dívidas sem fim.         

A hipocrisia, que tenta esconder atrás da fachada limpa a podridão interior, não convém ao cristão que é chamado a viver e proclamar publicamente a palavra recebida de Jesus. O Senhor quer que tenhamos diante d’Ele e diante dos outros uma única vida, sem disfarces e mentiras, pois n’Ele mesmo encontramos a plenitude da unidade de vida, a mais profunda união entre as palavras e as obras. A verdade é sempre um reflexo de Deus e deve ser tratada com muito respeito. Ao buscar sempre a verdade, fugindo da duplicidade ou da hipocrisia, o cristão se torna uma pessoa honrada e respeitada. A falta de veracidade que se manifesta na mentira ou na hipocrisia ou na falta de unidade de vida, revela uma discórdia interior. Por isso, o Senhor diz no Sermão da Montanha: “Seja o vosso Sim, sim e o vosso Não, não. O que passa disso vem do Maligno” (Mt 5,37).          

A dignidade da pessoa humana não consiste em parecer bom, mas em ser bom. O verniz encobre o mal, mas não o suprime. O hipócrita não percebe que tudo que vem de fora não atinge o seu interior e que essa satisfação proveniente da aprovação dos outros é efêmera, superficial e inútil.         

Se deixarmos crescer o medo de ser nós mesmos, acabaremos não sabendo quem nós somos. É preciso saber assumir-se ou tomar conta de si. Nunca seremos autenticamente nós enquanto estivermos subordinados à opinião e às expectativas dos outros. A nossa riqueza consiste em que sejamos nós mesmos e não em que nos pareçamos com os outros ou com o que os outros esperam de nós. Os homens verdadeiros e autênticos podem ser aplaudidos ou condenados, amados ou odiados, mas sempre despertam nossa admiração.

P. Vitus Gustama,svd

Sexta-feira Da XXVIII Semana Comum, Ano Par, 16/10/2026

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