segunda-feira, 6 de julho de 2026

Quarta-feira Da XIV Semana Comum, Ano Par, 08/07/2026

SER CRISTÃO É SER CHAMADO E ENVIADO PARA FAZER O BEM E SER PARCEIRO DO BEM

Quarta-Feira Da XIV Semana Comum

Primeira Leitura: Os 10,1-3.7- 8.12

1 Israel era uma vinha exuberante e dava frutos para seu consumo; na medida de sua produção erguia os numerosos altares; na medida da fertilidade da terra, embelezava seus ídolos. 2 Com o coração dividido, deve agora receber castigo; o Senhor mesmo derrubará seus altares, destruirá os seus simulacros. 3 Decerto, dirão agora: “Não temos rei; não temos medo do Senhor. Que poderia o rei fazer por nós?” 7 Samaria está liquidada, seu rei vai flutuando como palha em cima da água. 8 Será desmantelada a idolatria dos lugares altos, pecado de Israel; ali crescerão espinhos e abrolhos sobre seus altares; então se dirá aos montes: “Cobri-nos!” e às colinas: “Caí sobre nós!” 12 Semeai justiça entre vós, e colhereis amor; desbravai uma roça nova. É tempo de procurar o Senhor, até que ele venha e derrame a justiça em vós.

Evangelho: Mt 10,1-7

Naquele tempo, 1 Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos maus e de curar todo tipo de doença e enfermidade. 2 Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João; 3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4 Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus. 5 Jesus enviou estes Doze, com as seguintes recomendações: “Não deveis ir aonde moram os pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! 6 Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! 7 Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’”.

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Semeai justiça e colhereis amor. É tempo de procurar o Senhor, até que ele venha e derrame a justiça.

Israel era uma vinha exuberante e dava frutos para seu consumo; na medida de sua produção erguia os numerosos altares; na medida da fertilidade da terra, embelezava seus ídolos. Com o coração dividido, deve agora receber castigo; o Senhor mesmo derrubará seus altares, destruirá os seus simulacros”.

O tema da vinha foi desenvolvido em todo texto bíblico. Israel era uma vinha frondosa (cf. Is 5,1-7; Jr 2,21. Ez 15; 17,6; Sl 80). Jesus utilizará essa imagem tradicional (Mt 21,33; 20,1; Jo 15,1).

Desta vez, o pecado do povo de Israel é descrito, precisamente, com imagens tomadas da vida do campo. O povo eleito era uma vinha que produzia frutos abundantes, mas agora se converteu em campo estéril, pois se esqueceu de Deus e confia apenas nas forças humanas. Consequentemente “Com o coração dividido, deve agora receber castigo; o Senhor mesmo derrubará seus altares, destruirá os seus simulacros. Samaria está liquidada, seu rei vai flutuando como palha em cima da água”.

As imagens da dor vivida pelo profeta Oséias por causa do adultério de sua esposa são insuficientes para descrever o drama do afastamento de Israel de Deus: “Com o coração dividido, deve agora receber castigo”. O profeta recrimina novamente a idolatria (coração dividido). O pecado mais grave de Israel é ter depositado sua confiança fora de Deus, desprezando o espirito da Aliança. Para expressar a profundidade da relação com Deus os profetas empregam o verbo “crer”. O homem da Aliança é, por definição “buscador de Deus”, mendigo da luz que possibilita caminhar ate as fronteiras da terra prometida.

O povo adora ídolos e se esquece do verdadeiro Deus. A idolatria ou traição é fruto de coração dividido, não consagrado ao Deus único que exige coração íntegro (cf. Os 10,2). Um coração dividido possibilita todo tipo de traição. E todo tipo de traição abre espaço para todo tipo de mentira. Onde houve a mentira, não haverá espaço para a mutua confiança que resulta na mútua acusação.

O castigo, baseado no amor e na verdade, exige a destruição do objeto de divisão dos altares e das imagens e momentos idolátricos para voltar a ser feliz de verdade tendo o coração íntegro. Pelo sentido da palavra, feliz é aquele que é capaz de produzir frutos bons na vida para si e para os convívios. Produção de bons frutos abundantemente ou suficientemente sempre causa contentamento naquele que os produz e naqueles que vao saborear esses frutos. Isso se chama felicidade. Em outras palavras, o único remédio é que Israel volte a praticar justiça e se converta a Deus, “seu esposo”: Semeai justiça entre vós, e colhereis amor. É tempo de procurar o Senhor, até que ele venha e derrame a justiça em vós”. E que Israel reconheça sua culpa: “... então se dirá aos montes: ´Cobri-nos!´ e às colinas: ´Caí sobre nós!’”. São palavras que Jesus repetirá em Lc 23,30.

Como aconteceu com Israel, na nossa vida há também nossas condutas duvidosas, coração dividido ou duplo jogo em nosso estilo de vida em nome de interesses, prazeres ou “ própria segurança” sacrificando o verdadeiro que nos traz felicidade perene. Na nossa vida também há momentos em que nos deixamos levar pelo egoísmo ou ambição que sufoca e mata a fraternidade, a justiça, a igualdade e a convivência fraterna que nos deixa isolados dos demais, atitude que acaba nos matando. O egoísmo é um suicídio silencioso.

O convite do profeta Oseias para voltar a Deus é sempre atual para todos nós de qualquer idade: “Semeai justiça entre vós, e colhereis amor. É tempo de procurar o Senhor, até que ele venha e derrame a justiça em vós”.  Quem não admite qualquer dependência de Deus, fica sem a alma magnânima em que o agradecimento e a gratidão fazem parte de uma vida saudável e humana e fraterna. O orgulhoso/arrogante abandona o sentimento religioso. Sentimento religioso se baseia no reconhecimento de que fomos criados (somos criaturas e não Criadores) e de que existe um Deus que cria tudo e cuida de tudo na sua infinita providência. Ontem Oseias dizia: “Quem semeia ventos, acolhe tempestades”. Hoje Oseias nos convida a semear justiça para acolher amor e misericórdia.

A partir da primeira Leitura de hoje vamos fazer o exame de consciência se nós também criamos ídolos para abandonar o Deus verdadeiro, se levantarmos altares para os deuses falsos, se temos um coração dividido como Israel. Ou seja, se decidimos seguir a Jesus com coração íntegro, mas na realidade fazemos mais caso a este mundo e seus critérios de vida, então estamos caminhando para o desmoronamento interior. E a destruição vai progressivamente do interior para o exterior de nossa vida.

É impossível viver sem se comprometer. A autenticidade de seu compromisso com o seu Deus se mede pela sua atitude para com os homens. Na vida não se pode ser neutro e permanecer à margem; ou você  se compromete com o bem ou acaba comprometido com o mal” (René Juan Trossero, psicólogo e escritor argentino).

Todos Nós Somos Missionários Da Misericórdia

Terminada a série de milagres narrados depois do Sermão da Montanha, entramos agora no segundo dos cinco grandes discursos de Jesus no evangelho de Mateus chamado o Discurso missionário que abrange Mt 9,36-11,1.

Há cinco grande discurso de Jesus no evangelho de Mateus:

·      Mt 5,1-7,28: Sermão da Montanha;

·      Mt 9,36-11,1: Discurso missionário;

·      Mt 13,1-52: Discurso sobre o Reino em parábolas;

·      Mt 18,1-35: Discurso sobre a vida comunitária/Igreja;

·      Mt 24,1-25,46: Discurso sobre o Julgamento final/ a Vinda do Filho do Homem.

Notemos que a missão em Mt não se limita apenas aos doze, mas para todos aqueles que queriam seguir a Jesus. Por isso, neste discurso sobre a missão não se fala nem da partida dos doze (Mc 6,12-13; Lc 9,6) nem do seu regresso (Mc 6,30; Lc 9,10). O discurso sobre a missão não é endereçado para a multidão e sim para os discípulos que serão enviados. Podemos dizer que este discurso serve como um tipo de “manual” para os seguidores de Jesus na tarefa de exercer a missão neste mundo. Todos os batizados são missionários. Cada batizado é discípulo-missionário.

O texto do evangelho de hoje nos fala da constituição dos Doze Apóstolos. Doze tribos. Doze Apóstolos. Doze colunas da Igreja. O doze simboliza a unidade e a totalidade do povo eleito. Em Mateus o número Doze é símbolo da comunidade cristã em sua totalidade, considerada como o novo Israel. Em Mt 28,16, em vez dos “Doze” aparecem “Os Onze discípulos. O Onze representa esta comunidade com exclusão do antigo Israel (Judas) que rejetou o Messias. Os Doze são os Apóstolos e discípulos do Senhor, as testemunhas de Sua vida, iluminados com sua mensagem. Sua missão será propagar a Boa Nova de Cristo, revelar o rosto de Deus, Pai misericordioso e que os homens devem viver na fidelidade ao Senhor. A missão se baseia sobre a compaixão: Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor (Mt 9,36). É uma da razões pelas quais Jesus escolheu os Doze para acompanhar de perto a vida e a missão atividade de Jesus.

É interessante observar que Jesus não buscou primeiro reunir pessoas ilustres, e sim pessoas disponíveis, capazes de segui-Lo até o fim. São aqueles que darão sua vida por Ele. Os doze foram chamados/escolhidos (Mt 10,1) para ser enviados (Mt 10,5). Precisamente, “apóstolos” significa “enviados, mandados”. A vocação e a missão estão sempre juntas.  A vocação de ser filho realiza-se, na verdade, na missão para com os irmãos, especialmente irmãos necessitados: “Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel!”. Os apóstolos foram as primeiras testemunhas de Jesus, dos quais estiveram com o Mestre desde o “batismo de João até o dia em que subiu ao céu” (At 1,22); são o “fundamento” de nossa fé (cf. Ef 2,20). Jesus chama para si operários que continuarão a fazer e a dizer tudo o que Ele, antes deles,fez e disse. Nasce a Igreja, que tem nos Doze a raiz; essa Igreja é apostólica, não somente porque é fundada sobre os apóstolos, ms porque é feita de apóstolos, de filhos enviados aos irmãos, especialmente aos irmãos necessitados.

Por outro lado, tanto a chamada (vocação) quanto a missão são comunitárias: Os Doze representam as doze tribos de Israel, são nomeados em duplas e serão mandados dois a dois (Mc 6,7). A comunidade é ponto de partida e de chegada da missão: realiza-se na fraternidade. Somente quem é irmão, é filho (de Deus), e somente quem é filho, se faz irmão dos outros.

Os Doze são enviados a levar às doze tribos a Palavra do Filho: “Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! ”. Mas depois dessa primeira etapa da missão os Doze serão enviados a todos os povos: “Ide, pois, e fazei discípulos todos os povos...” (Mt 28,19)

O papel essencial dos escolhidos é expulsar os “espíritos imundos” e “curar os homens” de seus males. Em outras palavras são enviados para fazer o bem e destruir o mal. São chamados para ser parceiros do bem e enviados em busca de outros parceiros do bem para que o bem avance. É para ajudar os que estão abandonados para serem parceiros também do bem. É compadecer-se com eles. Todos são chamados a tirar o bem que tem dentro de cada um para partilhá-lo com os outros homens para que o homem prossiga na paz e no desenvolvimento em todos os aspectos de sua vida.               

Judas Iscariotes faz parte de seu grupo. Ele também foi enviado para a missão, uma grande missão. Jesus tomou esse risco ao confiar a responsabilidade de sua obra para pobres humanos. dentro do homem há possibilidade para o bem ou para o mal. Por isso, há que rezar sempre por aqueles que têm responsabilidade na Igreja. Cada um de nós também tem uma missão, cada um é responsável, em uma parte da obra de salvação de Jesus. Mas cada batizado tem que ter seus momentos para para fazer um autoexame a fim de descobrir mais cedo as tendências negativas que causam a destruição da própria pessoa e da convivência, especialmente da obra salvífica do Senhor. 

Jesus é muito consciente da amplitude de sua obra. É necessário ter muito tempo. Sem pressa Jesus limita a missão no momento só dentro do território de Israel. Ele mesmo, durante sua vida terrena, se limitou ao que podia fazer: dirigir-se às ovelhas agarradas da casa de Israel. Mais tarde ele enviaria os discípulos pelo mundo inteiro (Mt 28,18-20). Em outras palavras, é preciso arrumar primeiro a casa. É preciso evangelizar os que estão dentro de casa para depois evangelizar os que estão fora dela que nem sempre é fácil. É o desafio de cada missionário-evangelizador.

A constituição do Novo Israel (12 apóstolos) tem uma dupla finalidade: “estar com Jesus” e “ser enviados a proclamar o Reino de Deus”. O envio é o objetivo principal da constituição dos Doze. Jesus assinala a seus discípulos sua tarefa no mundo dando-lhes seu próprio poder, poder que se estende ao anúncio da proximidade do Reino e a cura de toda enfermidade. Suas palavras ficam confirmadas com uma atividade libertadora que se expressa como “expulsar espíritos imundos”.

Para os discípulos eleitos, Jesus os chama “apóstolos”, ou seja, “enviados”. Sua missão vai ser antes de tudo: “Ide! Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo”. Mas este anúncio deve ir acompanhado de fatos: “ expulsar espíritos imundos, curar toda enfermidade”. A oferta da salvação é dada, em primeiro lugar, para Israel. ao final do Evangelho de Mateus, o Senhor dará a ordem: “Ide e fazei discípulos todas as nações!”.                 

Ao enviá-los Jesus dá-lhes o poder. Mas este poder deve ser entendido como um dom de autoridade (latim: autoridade: augere =crescer. Somente tem autoridade aquele que é capaz de fazer o outro crescer). E a autoridade tem as seguintes características: 1). Está orientado por inteiro ao ministério apostólico, ou para o serviço do bem e não para dominar ou mandar e desmandar: expulsar o mal, fazer o bem, pregar o Reino. É um dom completamente missionário. Por isso, não se trata de nenhum poder de direção ou de governo. 2). É uma autoridade conferida, mas não abandonada por Jesus a seus discípulos. 3). Jesus reconhece que haverá oposição por causa de interesses. A autoridade dada aos Doze é a própria autoridade de Jesus, isto é, aquela que vence o mal com o bem. É a autoridade somente para fazer o bem. Se assim for, não haverá o abuso do poder. A verdade e o amor vencerão a mentira (o demônio é pai da mentira: Jo 8,44) e o egoísmo, pois todos viverão no amor fraterno.                 

Nem todos são sucessores dos apóstolos, mas todos são seguidores de Jesus e por isso, devem continuar, cada um em seu ambiente, a missão que cada um recebeu no batismo. Todos nós formamos a Igreja “apostólica” e “missionária”. Por isso, não vamos à missa para ir à missa. Que a missa é, de uma parte, a expressão de nossa fé, de nossa esperança e de nossa caridade. Mas de outra parte, a missa é sempre um imperativo, uma exigência para fazer operativa nossa fé, nossa esperança e nossa caridade. Por isso, quando finaliza a missa, começa a realidade na vida; quando termina a celebração eucarística ou qualquer reunião eclesial, deve começar nosso compromisso cristão; quando termina a missa, deve começar a missão. Se não a missa careceria de sentido.   

Somos chamados por Jesus Cristo para estar com ele a fim de aprendermos a ser parceiros do bem. Somos enviados depois do encontro com ele para fazer o bem e em busca dos novos parceiros do bem. A alma da missão é caridade. A única coisa que nos faz bem é fazer o bem. A vida não é uma luta para superar os outros, mas uma missão a ser exercida para dar o melhor de nós para a humanidade conforme os talentos recebidos de Deus. Estamos aqui neste mundo com um objetivo único, com um objetivo nobre que nos permitirá manifestar nosso mais alto potencial enquanto, ao mesmo tempo, acrescentamos valor às vidas das pessoas que estão a nossa volta. Descobrir a própria missão significa trazer mais de você mesmo para o trabalho, para a convivência e concentrar-se nas coisas que você sabe fazer melhor e dar sempre o melhor de você para os outros sem esperar nada em troca.  

Todos os dias Jesus nos chama. Toda chamada é um convite. E isso implica uma certa iniciativa e interesse por parte de que o realiza. Na passagem dos discípulos de Emaús, vemos como Jesus caminhava junto a eles, mesmo assim não eram capazes de reconhecer a presença do Senhor. quantas vezes, Jesus caminha conosco e não somos capazes de descobri-Lo. E Ele que toma a iniciativa, convida e chama. Ele sai ao nosso encontro para conversar conosco e nos convidar. Quando Jesus elegeu os Doze, em cada um deles, estávamos representados como cristãos. Diz o evangelho que os chamou por seu nome. 

Cada dia Jesus nos chama por nosso nome. Jesus o faz através de múltiplas maneiras: algum sacramento, o testemunho de tantas pessoas, os eventos/acontecimentos da vida cotidiana. O mundo necessita da luz do cristianismo e de cada cristão, reflexo de Cristo. Quanto paz, alegria, amor e vida se reflete em quem contempla Deus. Quando Jesus disse aos Doze: “Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’”, Ele nos convida a nos concentrarmos mais nos necessitados, nas almas atribuladas pelo pecado. Por isso, nossa mensagem deve ser uma mensagem de salvação; é uma mensagem de confiança, de esperança e de alegria; é uma mensagem transformadora; é uma mensagem capaz de tocar até o fundo do coração; é uma mensagem que interpela. Uma mensagem capaz de levantar as pessoas de suas quedas para seguir adiante com o Senhor rumo a uma vida glorificada. Sejamos apóstolos da esperança e da felicidade. Não caiamos na tentação de ser pregadores da desgraça. Deus se encarnou e transformou nosso tempo em tempo da graça e nossa vida vida em oportunidade para a salvação. Deus se fez homem para nos tornar divinos. Cada ato de caridade, de bondade, de solidariedade, de compaixão é um ato divino que se torna uma ordem para cada cristão e para cada pessoa de boa vontade: Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo”. É uma chamada para sair de nosso cantinho de sossego ao encontro de um irmão necessitado. Não esqueçamos a seguinte frase do Papa Francisco: O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena, este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado”. (Evangelii Gaudium, n.2).

P. Vitus Gustama, SVD

Terça-feira Da XIV Semana Comum, Ano Par, 07/07/2026

SOMOS PROLONGAMENTO DO AMOR MISERICORDIOS DE DEUS


Terça-Feira da XIV Semana Comum

Primeira Leitura: Os 8,4-7.11- 13

Assim fala o Senhor: 4 Eles constituíram reis sem minha vontade; constituíram príncipes sem meu consentimento; sua prata e seu ouro serviram para fazer ídolos e para sua perdição. 5 Teu bezerro, ó Samaria, foi jogado ao chão; minha cólera inflamou-se contra eles. Até quando ficarão sem purificar-se? 6 Esse bezerro provém de Israel; um artesão fabricou-o, isso não é um Deus; será feito em pedaços esse bezerro da Samaria. 7 Semeiam ventos, colherão tempestades; se não há espiga, o grão não dará farinha; e, mesmo que dê, estranhos a comerão. 11 Efraim ergueu muitos altares em expiação do pecado, mas seus altares resultaram-lhe em pecado. 12 Eu lhes deixei, por escrito, grande número de preceitos, mas estes foram considerados coisa que não lhes toca. 13 Gostam de oferecer sacrifícios, imolam carnes e comem; mas o Senhor não os recebe. Antes, o Senhor lembra seus pecados e castiga suas culpas: eles deverão voltar para o Egito.

Evangelho: Mt 9,32-38

Naquele tempo, 32 apresentaram a Jesus um homem mudo, que estava possuído pelo demônio. 33 Quando o demônio foi expulso, o mudo começou a falar. As multidões ficaram admiradas e diziam: “Nunca se viu coisa igual em Israel”. 34 Os fariseus, porém, diziam: “É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios”. 35 Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, e curando todo o tipo de doença e enfermidade. 36 Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: 37 “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38 Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!”

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Para Viver Feliz e Com Sentido É Preciso Voltar a Adorar o Verdadeiro Deus

 

No texto da Primeira Leitura de hoje, o profeta Oséias interpreta o sentido teológico dos grandes acontecimentos que afetam interna e externamente a vida do pequeno reino de Israel. Suas palavras explicam a iminente chegada do exército do rei assírio, Tiglat-Píleser III (subiu ao trono em 745 a.C), excelente militar, e é desejoso de ampliar seu império, e que vai exigir de Israel o pagamento de imposto anual.

 

Para o profeta Oséias tudo isso é o fruto do pecado da idolatria, tanto religiosa (cultual) como política, do povo de Israel. Israel busca sua segurança e seu apoio fora de Deus: no Egito, lugar de sua escravidão. E a idolatria religiosa/cultual (adoração a Baal) é praticada pelo povo de Israel. Segundo Oséias o castigo é apresentado como consequência natural do pecado e não como resultado de um juízo externo e arbitrário. Israel recusa o Senhor porque recusa o bem (Os 8,2). Para Oséias, o culto se torna vão se não é acompanhado pela prática do bem. As discrepâncias entre o culto e a moral/ética são provocativas:Efraim ergueu muitos altares em expiação do pecado, mas seus altares resultaram-lhe em pecado. Gostam de oferecer sacrifícios, imolam carnes e comem; mas o Senhor não os recebe” (Os 8,11.13). É a mesma denúncia de Jesus na conclusão do Sermão da Montanha: “Nem todo o que diz: ‘Senhor, Senhor!, entrará no Reino dos céus, e sim o que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21). Mas o Deus de ira que Oseias apresenta é também um Deus de amor e de misericórdia, que trata a seu povo como o pai trata a seu filhinho: “Não darei curso ao ardor de minha cólera, já não destruirei Efraim, porque sou Deus e não um homem, sou o Santo no meio de ti, e não gosto de destruir" (Os 11,9).

 

Quando falamos de idolatria, espontaneamente se pensa em algumas estatuetas de madeira, barro ou pedra, às quais os idólatras adoram, apesar de saberem que não são deuses, mas são feitas por suas próprias mãos. Mas, na verdade, todos somos idólatras quando erguemos altares e prestamos atenção aos deuses que criamos para nós mesmos. Não serão estatuetas, mas serão dinheiro, poder, prazer, o êxito, uma ideologia ... Somos idólatras quando damos aos valores secundários a importância que somente merecem os últimos lugares na nossa vida e então, falta-nos o primeiro e principal mandamento: "Você não terá outro deus além de Mim", diz o Senhor.

 

Quem semeia ventos, colhe tempestades, a curto ou longo prazo. O Salmo Responsorial (Sl 113B), não sem ironia, descreve esta falha básica: "São os deuses pagãos ouro e prata, todos eles são obras humanas. Têm boca e não podem falar, têm olhos e não podem ver; têm nariz e não podem cheirar, tendo ouvidos, não podem ouvir. Têm mãos e não podem pegar, têm pés e não podem andar. Como eles serão seus autores, que os fabricam e neles confiam”. Eles são ídolos que são inúteis e, no entanto, existem pessoas que continuam a adorá-los e a confiar neles.

 

Assim fala o Senhor: Eles constituíram reis sem minha vontade; constituíram príncipes sem meu consentimento... “. Os reis não são mais por dinastia e sim por assassinatos.

 

O profeta Oseias nos propõe uma série de perguntas que nos ajudam a olharmos para nossa realidade atual. Quem detecta a autoridade em nosso povo? Temos eleito os poderes da sociedade pensando em suas capacidades para governar nosso povo segundo o plano de Deus ou segundo o plano ético? O que prevalece na nossa Igreja de hoje, autoridades que se preocupam pelos pobres, pelos que sofrem, seguindo a opção de Deus e de Jesus Cristo, ou poderíamos dizer que foram eleitas sem contar com o Senhor? Em que se utiliza o dinheiro, em construir novos altares, em fabricar novos ídolos? Nós nos apoiamos nas coisas que fabricamos ou no Senhor? Estas e muitas perguntas que nos propõe o texto de Oseias que lemos hoje servem para nos ajudar a esclarecer se rompemos a aliança com Deus ou se permanecemos nela.

 

Sua prata e seu ouro serviram para fazer ídolos e para sua perdição... Até quando ficarão sem purificar-se?”, assim continua a denúncia de Oseias.

 

O povo de Isarel, apesar de todas as manifestações de amor que recebeu de Deus, rompeu sua aliança. O povo se torna idólatra. Com sua prata e seu ouro, eles se tornaram ídolos para sua destruição. O profeta Oseias considera que os valores do povo estão se perdendo e Deus perde também seu lugar no povo.

 

Gostam de oferecer sacrifícios, imolam carnes e comem; mas o Senhor não os recebe”. Este é o problema de um culto que não transcende na vida, uma religiosidade popular vazia de conteúdo. Os altares se tornam um lugar para pecar, porque em seus cultos o povo está traindo seu Deus. uma fé que não se traduz na prática da justiça e da caridade fraterna. Trata-se de um culto alienado de uma vida ética e de uma caridade fraterna.

 

O profeta fala em nome de Deus para condenar a contaminação da religião autêntica pela idolatria e pelos demais pecados sociais. O estrito monoteísmo pouco a pouco vai se misturando com as práticas pagãs. Pelo fato de viver entre populações cananeias os hebreus consentem no que vão introduzindo elementos do culto de Baal.

 

O profeta Oseias enumera alguns dos grandes pecados de Israel em sua infidelidade à Aliança com Deus: não contam com Deus; não pedem conselho; constroem-se ídolos, touros e bezerros como no tempo de Jeroboão, para adorá-los em vez de adorar ao verdadeiro Deus; decadência moral (“prostituição sagrada”).

 

Por isso, o profeta Oseias anuncia o castigo: “Semeiam ventos, colherão tempestades... Efraim ergueu muitos altares em expiação do pecado, mas seus altares resultaram-lhe em pecado”.

 

Baal era um deus da fecundidade da natureza simbolizado por um touro. Em sua honra tinham lugar frenéticos de ritos sexuais (a “prostituição sagrada”). Essas concepções religiosas naturalistas eram, por desgraça, muito populares porque davam a impressão de ser uma súplica ao deus da fecundidade para obter abundantes colheitas e rebanhos saudáveis assim como o nascimento de muitos filhos nas famílias como sinal da benção de Deus. Com efeito, a esterilidade era sinal da maldição de Deus pelos supostos pecados cometidos. Os sacerdotes de Javé, do Deus verdadeiro e único, estavam tentados de consentir essas práticas, explorando assim as tendências populares mais elementares.

 

Confiar no “Baal” ou no “bezerro de ouro” é fiar-se em ídolos que “têm boca e não falam, têm olhos e não veem” (Sl 115). Na verdade, a atitude de fundo não é de fé, uma vez que só são dignas de fé as pessoas e um Deus pessoal. Ou melhor dizer que é uma atitude de busca de segurança para a qual seria preciso “manipular” o deus correspondente, neste caso, o deus da fertilidade, para que lhes mandasse a chuva ou protegesse suas colheitas e seus rebanhos, a atitude que reflete uma relação com Deus de tipo mercantil: “dou-te para que me dês, dá-me para que eu creia”.

 

Como na época do profeta Oseias, um dos problemas de nosso tempo é a contaminação da fé autêntica pelo materialismo: o ouro, a prata, a sexualidade, que são ídolos também em nosso tempo; são ídolos ilusórios  incapazes de satisfazer a fome profunda do homem e no homem. Quem sabe se nossa sociedade de “consumismo” que é também uma sociedade de “prazer” não contém em seu seio sua própria destruição. As pessoas carentes de todo ideal nobre e profundo vão se destruindo aos poucos para desaparecer um dia sem deixar nada de bom que possa se perpetuar nos que ficam.

 

Viver De Acordo Com A Palavra de Deus

 

1. Palavra Na Nossa Vida Cotidiana

 

A primeira parte do evangelho de hoje fala da cura de um mudo que logo em seguida ele começou a falar.

 

Deus criou o homem dotado de fala. A palavra é um dos grandes meios de comunicar-se com os irmãos. A palavra é um dos meios que nos vincula aos outros. A palavra pontua nossa vida cotidiana. A palavra é também algo que nos liga a nós mesmos. Quantas vezes, ao acordar de manhã ou em determinadas situações na nossa vida cotidiana, nós falamos a nós mesmos, pelo menos mentalmente. A palavra nos acompanha quase o tempo todo, até mesmo, paradoxalmente, o silêncio, que se tornou tão raro no mundo moderno, tem significado por causa dela. Há profissões que usam menos palavra. Mas há também profissões que trabalham com palavra e dependem da palavra para transmitir sua mensagem ou seu ponto de vista sobre algo na vida ou na sociedade. A palavra está no âmago de nossa vida pessoal, familiar, social e profissional. Já imaginou se você pudesse contar quantas palavras ditas diariamente por você? Creio que você mesmo ficaria assustado ou admirado por tantas palavras ditas em vão, ao mesmo tempo por tantas palavras que saíram de sua boca que ajudaram tantas pessoas por terem sido boas! Milhares e milhares de pessoas mudaram de qualidade de vida por causa da palavra ouvida de outras pessoas ou lida em um bom livro. Cada palavra representa uma realidade ou um mundo contido nela. Você já pensou quantos mundos contidos numa frase que pronunciamos ou escrevemos? Mas será que cada frase pronunciada ou escrita representa mesmo a realidade ou inventamos frases e frases para enganar os outros? Será que em cada frase contém a verdade? Será que levamos em conta a caridade e a fraternidade ao soltar/pronunciar ou ao escrever alguma frase?

 

A reação negativa dos fariseus é amarga: “É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios”. São pessoas incapazes de sair de seus esquemas mentais. Tradicionalistas e legalistas, os fariseus não conseguem ver em Jesus a revelação da bondade e misericórdia de Deus. Para os fariseus, Jesus não pode vir de Deus porque sua forma de atuar choca com as tradições sãs e com o conhecimento de Deus que é, para eles, o único verdadeiro.  Por isso, o poder extraordinário de Jesus pode ser concebido como algo diabólico para os fariseus. Mas diante da crítica dos fariseus Jesus não reage. Simplesmente Jesus continua fazendo bem para as pessoas ao seu redor que estão em necessidade (cf. At 10,38).  Criticar quem faz o bem e pratica a bondade é negar a Deus da bondade.

 

2. Cada Batizado Deve Ser Prolongamento da Palavra de Deus Encarnada

 

Deus quer que o homem se comunique. Se alguém não se comunicar, se está sempre quieto ou mudo, é sinal de que alguma coisa está errada nele fisicamente, ou psiquicamente ou espiritualmente. A fala é dom de Deus, tanto que São João, no Prólogo de seu evangelho dá um título muito significativo a Jesus: Palavra ou Verbo (Jo 1,1-14). Jesus é a Palavra de Deus para nós; é a comunicação de Deus para nós. Através de Jesus é que Deus fala conosco: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14).  O próprio Pedro, no seu discurso no livro dos Atos dos Apóstolos, nos disse: “Deus enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a boa nova da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos” (At 10,36). Como é que opera a Palavra de Deus na vida do homem? O autor da Carta aos Hebreus responde: “A palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração. Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas” (Hb 4,12-13).  Mas nem a boca santa de Jesus que emite a Palavra de Deus terá qualquer efeito na nossa vida, se nós estivermos surdos a ela.

 

É bom notar que seremos também julgados pelas palavras que dizemos ou pronunciamos sobre os outros, além dos atos que praticamos. O livro de Provérbio nos alerta: “Nas muitas palavras não falta ofensas; quem retém os lábios é prudente” (Pr 10,19). “A boca dos justos é fonte de vida, mas a boca dos ímpios encobre violência” (Pr 10,11). Da mesma forma são Tiago nos diz: “Aquele que não peca no falar é realmente um homem perfeito, capaz de frear todo o seu corpo” (Tg 3,2b). Que nossas palavras não ultrapassem nossos atos para não sermos chamados de mentirosos ou falsos. Por isso, São Tiago nos alerta: “Tornai-vos praticantes da Palavra(de Deus) e não simples ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1,22).

 

A cura do mudo no texto do evangelho de hoje se refere àquele que não quer escutar a voz de Deus, que não quer seguir Seu projeto porque há outras coisas que o ensurdecem. Biblicamente o surdo-mudo (o termo grego “kôphos” significa surdo, mudo e surdo-mudo) é aquele que perde o contato com sua própria realidade de filho de Deus. Ele vive paralisado porque está privado da comunicação com o único que o faz livre: Deus (através de Sua Palavra).

 

A Igreja, isto é, todo batizado, é responsável pelo Evangelho de Jesus no mundo (cf. Mt 28,18-20). O anúncio da Palavra de Deus define sua missão no mundo. Todos os batizados hão de realizar sua vida na fidelidade à Palavra de Deus. Todos os batizados devem construir a casa de sua vida sobre a Palavra de Deus para que ela seja firme como construir uma casa sobre a rocha (cf. Mt 7,24-25). Cada batizado deve ser pessoa da palavra de Deus, isto é, sua palavra deve ser palavra que edifica e leva os outros para Deus. Cada batizado deve ser encarnação da Palavra de Deus.

 

3. Até Para Fazer o Bem Encontramos Dificuldades

 

Jesus veio ao mundo unicamente para fazer o bem, como pregou o Apóstolo Pedro: “Vós sabeis como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder, como ele andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos do demônio, porque Deus estava com ele” (At 10,38). Mas sabemos muito bem que até para fazer o bem encontramos dificuldades e críticas como aconteceu com Jesus no texto do evangelho de hoje. Jesus libertou um surdo de sua mudez e começou a falar. Jesus foi criticado por causa disso: “Os fariseus, porém, diziam: É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios” (Mt 9,34). Mas “a acusação teológica (dos fariseus) não é mais que um pretexto que apenas dissimula sua sede de autoridade sobre o povo”, comentou P. Bonnard. Atrás de uma acusação ou crítica há interesse. Mas a questão é esta: que tipo de interesse?

 

4. Ser Compassivo Como Cristo

 

A segunda parte do texto do evangelho de hoje (Mt 9,35-38), na verdade, é uma introdução para o discurso de Jesus sobre a missão  (Mt 9,35-10,16).

 

Esta segunda parte fala da compaixão de Jesus pela multidão: “Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas...”. Jesus sempre se compadece pelos que sofrem como o mudo no evangelho de hoje. A compaixão é uma das características de Deus.

 

Uma verdadeira compaixão não olha o necessitado de cima para baixo (sentimento de superioridade), mas é capaz de padecer-com, sentir-com para daí atuar. Cada compaixão sempre tem a ver com o deixar aproximar-se, prestar atenção, sentar-se à mesma mesa, chamar pelo nome, perceber a necessidade, oferecer a ajuda. A compaixão é comover-se até as entranhas, solidarizar-se profundamente, sentir-se a partir de outrem; é sofrer com (Latim: pati + cum, compaixão = sofrer com). A compaixão requer que estejamos com as pessoas que sofrem e dispostos a partilhar nosso tempo com elas. É estar no lugar do outro para sentirmos o que ele sente e ajudar no que puder dentro do limite da capacidade. Por isso, pode-se dizer que a verdadeira compaixão é muito humana e divina simultaneamente. Quando compartilhamos nosso coração e tempo com uma pessoa que sofre, uma parte do sofrimento dela será aliviada. Vamos deixar o resto com Deus desde que façamos nossa parte até o limite de nossa capacidade. Somos seguidores do Deus da Compaixão que se tornou carne em Jesus Cristo. A compaixão deve se tornar carne também em nós.

 

P. Vitus Gustama,svd

sábado, 4 de julho de 2026

Segunda-feira Da XIV Semana Comum, Ano Par, 06/07/2026

JESUS, O AMOR ENCARNADO DO PAI, É FIEL E MISERICORDIOSO

Segunda-Feira da XIV Semana Comum

Primeira Leitura: Os 2,16.17b-18.21-22

Assim fala o Senhor: 16 Eis que eu a vou seduzir, levando-a à solidão, onde lhe falarei ao coração; 17b e ela aí responderá ao compromisso, como nos dias de sua juventude, nos dias da sua vinda da terra do Egito. 18 Acontecerá nesse dia, diz o Senhor, que ela me chamará ‘Meu marido’, e não mais chamará ‘Meu Baal’. 21 Eu te desposarei para sempre; eu te desposarei conforme as sanções da justiça e conforme as práticas da misericórdia. 22 Eu te desposarei para manter fidelidade e tu conhecerás o Senhor.

Evangelho: Mt 9, 18-26

18 Enquanto Jesus estava falando, um chefe aproximou-se, inclinou-se profundamente diante dele, e disse: “Minha filha acaba de morrer. Mas vem, impõe tua mão sobre ela e ela viverá”. 19 Jesus levantou-se e o seguiu, junto com os seus discípulos. 20 Nisto, uma mulher que sofria de hemorragia há doze anos veio por trás dele e tocou a barra do seu manto. 21 Ela pensava consigo: “Se eu conseguir ao menos tocar no manto dele, ficarei curada”. 22 Jesus voltou-se e, ao vê-la, disse: “Coragem, filha! A tua fé te salvou”. E a mulher ficou curada a partir daquele instante. 23 Chegando à casa do chefe, Jesus viu os tocadores de flauta e a multidão alvoroçada, 24 e disse: “Retirai-vos, porque a menina não morreu, mas está dormindo”. E começaram a caçoar dele. 25 Quando a multidão foi afastada, Jesus entrou, tomou a menina pela mão, e ela se levantou. 26 Essa notícia espalhou-se por toda aquela região.

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Deus É Fiel e Misericordiosa

A partir de hoje até a próxima sexta-feira refletimos sobre o profeta Oseias nas Primeiras Leituras.

O profeta Oseias vive no reino do Norte (Israel) durante o governo do rei Jeroboão II (782-753 a.C), pouco depois que o profeta Amós, seu contemporâneo. A atuação profética de Oseias coincide com a de Amós, no início, e com a de Isaías e Miqueias, no final. Com o Jerobão II, o reino do Norte passa por um período de prosperidade, mas, ao mesmo tempo, reinam-se também a injustiça social e a corrupção. Neste período os ricos exploram e oprimem os pobres. Além da crise social e política, há crise religiosa: a idolatria, isto é, a adoração a Baal, deus feníciocananeu da natureza e da fertilidade, e a adoração do bezerro feito de ouro mandado fazer pelo rei Jeroboão I que foi a razão da divisão do reino de Salomão.

Para entender a mensagem do profeta Oséias é preciso levar em consideração os outros dois dados principais: o culto a Baal (foi mencionado anteriormente) e a infidelidade de Gômer, esposa do profeta Oséias.

Quando os israelitas chegaram à Palestina, depois de longos anos nos deserto vindo do Egito, são um povo de pastores seminômades. A imagem de Deus que eles tinham era a de um Deus de pastores (cf. Sl 22/23) que protegia suas migrações e guiava-os pelo caminho e salvava-os no combate contra tribos e povos vizinhos. Quando se estabeleceram em Canaâ, eles se tornaram agricultores e não mais pastores. Consequentemente, a imagem de Deus como Pastor perdeu sentido. E Assiria que dominava Palestina adorava Baal que é o deus especialista da agricultura. Os israelitas aceitaram o culto a Baal embora implicasse práticas muito degradantes, como a “prostituição sagrada”. Nisto, o profeta Oséias critica duramente os israelitas, pois Yahweh é um Deus pessoal e intransigente que não permite competição de nenhum outro deus.

Oséias se casou com uma jovem normal, mas que posteriormente lhe foi infiel e esta foi embora com outro homem. A infeliz experiência matrimonial de Oseias, homem amante e apaixonado, serviu de pano de fundo para um aprofundamento na relação de Deus com seu povo.

Para o profeta Oseias, a mulher prostituta com quem Oséias deverá se casar é, na realidade, o país (Israel) prostituido e afastado do Senhor. A linguagem de prostituição é usada para descrever a infidelidade de Israel (idolatria) e o amor inquebrantável de Deus. O amor de Deus pelo povo é eterno (cf. Jr 31,3), apesar da infidelidade da parte do povo.

Chama a atenção o fato de que, no início do livro do profeta Oseias, Javé mande que o profeta Oseias se case com uma “prostituta”. A partir dos estudos existentes, o mais verossímil é pensar que Oseias se casou com uma jovem normal que, posteriormente, lhe foi infiel, indo embora com outro.

A experiência da infidelidade da esposa serve para Oseias como base para denunciar as relações do povo com Javé (Yhwh). Isso nos leva para uma importante constatação de que as experiências vividas por um crente em determinado nível de sua personalidade afetam a pessoa em sua globalidade e por conseguinte em sua experiência de fé, como Oseias que experimenta a infidelidade em nível psicológico-existencial. Este salto dado permite Oseias ter um olhar de fé em termos de infidelidade na relação entre o povo com Javé. Oseias nos ensina que é necessário descobrirmos a ação de Deus em nossa vida cotidiana e fazermos dela o caminho “normal” de nosso crescimento total para que tenhamos uma sabedoria de viver nosso cotidiano. Oseias descreverá este Deus com imagens belíssimas e claríssimas no seu livro.

Por isso, há duas críticas ou denúncias que o profeta lança contra o povo e os dirigentes do povo: Primeira, a idolatria cultual que consiste na adoração de Baal com seus ritos de fertilidade e na adoração do bezerro de ouro construído por Jerobão I em Samaria em torno do ano 930 a.C em tempos de Elias e Eliseu (compare Ex 32). Segunda crítica/denúncia: a idolatria política que consiste na tentação de Israel de buscar a salvação fora de Deus, conretamente, nas alianças com a Assíria e o Egito, potências militares no momento. Em vez de confiar em Deus, o povo se alia às potências políticas estrangeiras.

Oseias que significa “Deus/Javé salva”, começa sua atividade profética nos últimos anos do rei Jerobão II (782-753), no reino do Norte, pouco depois que o profeta Amós, seu contemporâneo, foi expulso do reino do Norte (veja as reflexões da semana anterior sobre Amós).

Quando chegam à Palestina (vindo do Egito), os israelitas se tornam um povo de pastores seminômades. A imagem divina que possuíam era a de um Deus de pastores que protegia suas migrações, guiava-os pelo caminho e salvava-os no combate contra tribos e povos vizinhos (cf. Sl 23). Mas quando se estabeleceram em Canaã, mudaram parcialmente de profissão, tornando-se agricultores. Muitos dos israelitas não podiam conceber que um Deus de pastores pudesse ajudá-los a cultivar a terra, enviar-lhes a chuva, garantir-lhes estações propícias e uma boa colheita. O deus especialista da agricultura era o cananeu Báal. Os israelitas aceitaram esse culto, embora implicasse práticas muito degradantes, como a “prostituição sagrada”.

Mas Javé (Yhwh) é um Deus pessoal e intransigente, que não permite competição de nenhum tipo: “Acontecerá nesse dia, diz o Senhor, que ela me chamará ‘Meu marido’, e não mais chamará ‘Meu Baal’”.

Em “aquele dia”, é tão impreciso como seguro. A expressão “eu te desposarei” é três vezes repetida no texto lido hoje para fazer notar a importância da intenção divina em salvar os homens, apesar de sua infidelidade, e a solenidade do ato baseado na misericórdia. De modo que “não mais chamará ‘Meu Baal’ e sim ‘Meu marido’”.

Aqui quem paga o preço da infidelidade do povo é o próprio Javé. Oseias coloca cinco presentes de Javé que são essenciais para a felicidade e a santidade do povo: “Direito e justiça” divinas para com o povo que é “esposa infiel”; retidão”: Javé buscará sempre o reto como norma de suas ações; “amor constante”, não somente afetividade ou sentimento e sim afetividade que implica solidariedade, lealdade e assistência; “misericórdia porque Javé sabe das debilidades humanas e por isso, saberá compreender e perdoar a fragilidade inata do povo; e finalmente, “fidelidade”: Javé será um Deus-Esposo em quem sempre pode fiar e confiar. Trata-se de uma mensagem cheia de esperança para quem não vê sua situação sem saída. Deus é fiel porque Ele é fiel para si próprio. É como a água que continua sendo água mesmo que o homem a maltrate.

JESUS É O DEUS-CONOSCO QUE SALVA

1. Um Chefe Que Suplica A Jesus Pela Filha Morta: Jesus É A Ressurreição E A Vida

Os dois episódios no evangelho de hoje (uma menina morta que voltou a viver, e uma mulher curada de sua hemorragia) se encontram também em Marcos (Mc 5,21-43) e em Lucas (Lc 8,40-56).

Em Mateus, no primeiro episódio, aquele que se aproxima de Jesus que suplica pela filha morta não tem nome. Simplesmente ele é “um chefe. Não se diz que é um chefe de uma sinagoga como em Marcos e Lucas nos quais se fala de Jairo. Este chefe que manifesta sua fé em Jesus nos leva ao episódio do centurião que pediu a cura para seu empregado (Mt 8,5-13). Mas o caso do chefe é grave, pois trata-se da filha morta.

Neste primeiro episódio do evangelho deste dia Jesus se encontra, então, diante da morte de uma menina, e o pai desta pede a Jesus para impor sua mão sobre ela a fim de ela voltar a viver: “Minha filha acaba de morrer. Mas vem, impõe tua mão sobre ela e ela viverá”. Trata-se de um pobre chefe esmagado pela dor: a morte de sua filha. O homem pede a Jesus para impor as mãos sobre a filha morta. “A imposição de mãosera um gesto de Jesus ao curar os enfermos; sugere a “transmissão” da saúde ou da vida, e revela o caráter religioso, e não formalmente terapêutico , da cura.

Há situações diante das quais a força humana (chefe) fica impotente, como diante da morte. Nessas situações só a fé é que pode nos ajudar, como fez o pai da menina falecida. É algo surpreendente a confiança posta por esse homem em Jesus. É uma verdadeira fé no impossível: fé no poder de Jesus de fazer sua filha voltar a viver. Lá onde a força humana terminar, a fé a continuará. Jesus não se resiste a este tipo de oração. “Jesus se levantou e o seguiu junto com seus discípulos”, assim relatou Mateus.

Quando chegou à casa da menina morta, Jesus disse à multidão: “Retirai-vos porque a menina não morreu e sim está dormindo”.  Jesus quer dizer que para ele e para o poder de Deus a morte não significa mais que um sono ligeiro. Morrer é descansar em paz nos braços do Pai celeste. Da mesma maneira Jesus também falou de Lázaro morto: “Nosso amigo Lázaro está dormindo e vou despertá-lo” (Jo 11,11). A morte para Deus não é um poder insuperável. As coisas têm um aspecto muito distinto diante do olhar de Deus e diante da experiência do homem. Mas se aprendermos a olhar tudo a partir de Deus, então a morte perderá seu caráter arrepiante. Para Jesus, a morte não tem o caráter temível e definitivo. Para ele, a morte é uma espécie de “sono” do qual Deus tem o poder de despertar. Se para Jesus a morte não tem nenhum caráter temível, pois é apenas uma passagem para a vida eterna, deve ser também para quem quiser segui-lo. O cristão é chamado a proteger a vida no seu início, na sua duração e no seu término na história, pois Deus é a Vida por excelência e por isso, chama todos à vida, especialmente para aqueles que vivem no desespero e na falta de esperança. A menina morta voltou a viver por causa do poder de Jesus.

Quem é este “chefe”? Ele não tem nome nem determinada função (se é chefe de sinagoga ou se é chefe dos judeus ou se é chefe do sinédrio). Ele é simplesmente um chefe.  Pode ser qualquer um de nós, pois, de alguma forma, cada um é chefe: seja dentro da família, seja fora dela (na sociedade). Uma pessoa pode ser muito importante (“chefe”) entre os homens ou muito poderosa do ponto de vista humano, mas ela precisa também de salvação. O poder mundano não salva, pois diante da morte tudo que é humano cai no chão. O brilho falso tem seu fim. Somente Deus salva e nos garante a vida eterna. Do ponto de vista humano, paradoxalmente, o aparente superpotente ou superpoderoso é, na verdade, impotente. Mas “quando me sinto fraco, então é que sou forte”, escreveu São Paulo à comunidade de Corinto (2Cor 12,10).

Um ser humano precisa de outro ser humano para possibilitar seu crescimento como ser humano. Podemos possuir tudo que o mundo tem a oferecer em termos de status, realizações e bens, no entanto, sem nos sentirmos integrados, tudo isso parece vazio e inútil. A integração (viver em comunidade como irmãos/família) sugere calor, compreensão e abraço. Quando ficamos isolados, estamos propensos a ser prejudicados. Sentir-se integrada mantém a pessoa em equilíbrio. Sempre que há distância, há também anseio.

E o ser humano, enquanto criatura, precisa do Salvador que dá sentido para tudo na sua vida. Por isso, Santo Agostinho dizia: “Ninguém está tão só do que aquele que vive sem Deus. E, o homem, para onde se dirija, sem se apoiar em Deus só encontrará a dor”. Nas suas Confissões, Santo Agostinho rezou: “Fizeste-nos para Ti, Senhor, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti. Dá-me, Senhor, saber e compreender qual seja o primeiro: invocar-Te ou louvar-Te; conhecer-Te ou invocar-Te. Mas quem Te invocará sem Te conhecer? (...) Que eu Te busque, Senhor, invocando-Te; e que eu Te invoque, crendo em Ti: Tu nos foste anunciado” (Conf. 1,1).

2. Mulher Curada Da Hemorragia

Dentro do primeiro episódio Mateus insere outro episodia: uma mulher que sofria de hemorragia há doze anos. Em primeiro lugar, essa mulher não tem nome, nem se menciona sua família nem sua tradição. Menciona-se, além disso, seus doze anos de sofrimento! O número “doze” aplicado aos anos de sua enfermidade é clara alusão a Israel. A mulher enferma representa, então, o povo que para que seja salvo (cura) é preciso renunciar à Lei para entrar contato direto com Jesus. Jesus seria “impuro”, isto é, não tem acesso a Deus (salvação) por seu contato com os “pecadores” (Mt 9,10-13). Mas Jesus é Emanuel, Deus-Conosco (Mt 1,23; 18,20; 28,20) que vem para salvar. Para encontrar a salvação nele é preciso se aderir a ele e fazer contato com ele.

Segundo o texto do evangelho de hoje essa mulher não pede nada e não diz nada a Jesus, mas quer fazer tudo (ter cura) a escondidas. Mas ela mostra sua fé total em Jesus. A fé dessa mulher é comparável à do chefe do primeiro episódio; sua certeza de cura é total. Ela somente pensa e silenciosamente se aproxima de Jesus para tocar a barra do seu manto: “Se eu conseguir ao menos tocar no manto dele, ficarei curada”, pensou essa mulher. Jesus tinha curado o leproso com seu contato (Mt 8,15).

A mulher que sofre de hemorragia se aproxima e toca a orla do manto de Jesus. Este gesto era proibido na cultura judaica. Uma mulher não podia olhar para um homem em público, muito menos tocá-lo. A situação fica pior ainda porque a mulher está com a hemorragia que pode causar a impureza legal para a pessoa tocada. Por ser mulher e pela sua enfermidade essa mulher estava duplamente excluída. Mas ela não quer saber das proibições. Ela quer encontrar-se com Jesus e tocar seu manto. Ela não quer ser escrava das regras e dos costumes desumanos. Pois de fato, as regras culturais e de culto a afasta da convivência e da salvação.

Quantas pessoas são escravas das regras. A graça produz as regras, mas as regras não produzem a salvação, pois elas são apenas meios e não o fim. Os costumes que não salvam, não podem ser mantidos.

Jesus reconhece nessa mulher a fé que transforma sua situação triste em alegria por encontrar o Salvador, Jesus: “Coragem, filha! A tua fé te salvou”. A cura-salvação não é um toque mágico e sim um encontro de pessoa com Jesus. É um encontro com Jesus na fé que salva e somente depois do encontro pessoal com Jesus é que vem a afirmação: “A tua fé te salvou”. E Jesus se dirige à mulher chamando-a de “filha”. O termo “filha” coloca essa mulher em relação à “filha” do chefe. Ambas são figuras de Israel. A partir de então, a mulher voltou a viver sua vida saudavelmente.

Os dois (chefe cuja filha estava morta e a mulher que sofria de hemorragia há doze anos) se aproximam de Jesus com muita fé e obtêm o que pedem. Eles confiam, se apóiam e se abandonam totalmente em Jesus.  E receberam uma resposta adequada da parte de Jesus: a volta da filha para a vida e a cura da mulher sofrida de hemorragia de longos anos. Por causa da fé eu preparo o espaço necessário para que Deus possa atuar. A fé é sempre e continua sendo a condição e o fundamento da ação salvadora de Deus no homem. A novidade do Reino trazido por Jesus não é somente a cura, mas principalmente a ressurreição ou a salvação.

A dor daquele pai e o sofrimento daquela mulher podem ser um bom símbolo de todos os nossos males, pessoais e comunitários.  Também agora, como em sua vida terrena, Jesus nos quer atender e nos encher de sua força e de sua esperança. É preciso manter nosso contato diário com Jesus para que sejamos vivos e salvos. Na Eucaristia ele mesmo se dá como alimento, para que, quando nos aproximamos dele e o recebemos com fé, possa curar também nossos males. Mas a cura-salvação não é um toque mágico e sim um encontro de pessoas com Jesus. É o encontro com Jesus na fé que cura e salva, e somente depois do encontro é que Jesus diz as seguintes palavras: “A tua fé te salvou!”. Fé é crer no que não vemos. O prêmio da fé é ver o que cremos” (Santo Agostinho: In Serm. 43,1,1).

P. Vitus Gustama,svd

Quarta-feira Da XIV Semana Comum, Ano Par, 08/07/2026

SER CRISTÃO É SER CHAMADO E ENVIADO PARA FAZER O BEM E SER PARCEIRO DO BEM Quarta-Feira Da XIV Semana Comum Primeira Leitura: Os 10,1-3.7-...