sábado, 20 de junho de 2026

Segunda-feira Da XII Semana Comum, Ano Par, 22/06/2026

FÉ NO DEUS ÚNICO NOS LEVA VIVERMOS NA FRATERNIDADE BASEADA NO AMOR MÚTUO

Segunda-Feira Da XII Semana Comum

Primeira Leitura: 2Rs 17,5-8.13-15a.18

Naqueles dias, 5 Salmanasar, rei da Assíria, invadiu todo o país. E, chegando a Samaria, sitiou-a durante três anos. 6 No nono ano de Oséias, o rei da Assíria tomou Samaria e deportou os habitantes de Israel para a Assíria, estabelecendo-os em Hala e nas margens do Habor, rio de Gozã, e nas cidades da Média. 7 Isto aconteceu porque os filhos de Israel pecaram contra o Senhor, seu Deus, que os tinha tirado do Egito, libertando-os da opressão do Faraó, rei do Egito, porque tinham adorado outros deuses. 8 Eles seguiram os costumes dos povos que o Senhor havia expulsado de diante deles, e as leis introduzidas pelos reis de Israel. 13 O Senhor tinha advertido seriamente Israel e Judá por meio de todos os profetas e videntes, dizendo: “Voltai dos vossos maus caminhos e observai meus mandamentos e preceitos, conforme todas as leis que prescrevi a vossos pais e que vos comuniquei por intermédio de meus servos, os profetas”.14 Eles, porém, não prestaram ouvidos, mostrando-se tão obstinados quanto seus pais, que não tinham acreditado no Senhor, seu Deus. 15ª Desprezaram as suas leis e a aliança que tinham feito com seus pais, e os testemunhos com que os havia garantido. 18 O Senhor indignou-se profundamente contra os filhos de Israel e rejeitou-os para longe da sua face, restando apenas a tribo de Judá.

Evangelho: Mt 7,1-5

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1 “Não julgueis para não serdes julgados. 2 Pois com o julgamento com que julgais, sereis julgados, e com a medida com que medirdes, sereis medidos. 3 Por que reparas o cisco que está no olho do teu irmão, quando não percebes a trave que está no teu? 4 Ou como poderás dizer ao teu irmão: ‘Deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando tu mesmo tens uma trave no teu? 5 Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”.

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É Preciso Viver De Acordo Com Os Mandamento Do Senhor Para Não Cair Na Desgraça

A Primeira Leitura nos fala da história do reino de Israel que chega ao fim sem retorno com a destruição de Samaria e a deportação de seus habitantes. Em 722 a.C a ocupação de Samaria pelo rei de Assíria, Salmanasar V (Sargão II segundo documentos assírios) ou Salmaneser (“Salmeneser”, Ass. “sulman” = divindade é líder). Em 701 a.C foi a primeira ocupação de Jerusalém por Senaquerib, rei de Assíria. Em 597 a.C foi a primeira deportação massiva de judeus para Babilônia. Em 586 a.C foi a ocupação de Jerusalém por Nabucodonosor, rei de Babilônia; destruição total e sistemática da cidade e do Templo e a deportação da população para Babilônia.

O texto da Primeira Leitura é uma reflexão para fornecer uma explicação teológica  sobre as últimas causas que provocaram a queda de Samaria. Esta reflexão do redator serve também para Judá (reino do Sul), pois o que diz sobre Israel (reino do Norte) vale também para Judá (2Rs 17,18-20). De fato, pouco mais de um século depois ocorrerá a mesma sorte para o reino do Sul, Judá. O objetivo do redator deuteronomista é uma advertência  para o futuro dos desterrados a fim de não repetir os mesmos pecados, especialmente o pecado da idolatria. Se não se converter do mesmo pecado, o resultado será a destruição inevitavelmente.

Naqueles dias, Salmanasar, rei da Assíria, invadiu todo o país” (território de Samaria), assim lemos na Primeira Leitura. Podemos imaginar o terror dessa invasão: violar, degolar, queimar, roubar, deportar e assim por diante. Não há invasão pacífica. As vítimas são os pequenos e simples. Além disso, um grande número de seus habitantes são deportados por Sargão II nos anos 720 a.C para diferentes lugares do império.

O redator do Livro dos Reis (os redatores deuteronomistas) reflete largamente sobre esses fatos pela importância que tem na história da Aliança de Deus com Seu povo. O redator se interroga sobre as causas do desastre. Para o autor a causa dessa desgraça é esta: “Isto aconteceu porque os filhos de Israel pecaram contra o Senhor, seu Deus, que os tinha tirado do Egito, libertando-os da opressão do Faraó, rei do Egito, porque tinham adorado outros deuses. Eles seguiram os costumes dos povos que o Senhor havia expulsado de diante deles, e as leis introduzidas pelos reis de Israel”.

Os redatores deuteronomista oferecem uma reflexão para todos os desterrados que contém uma explicação e uma advertência para o futuro. Rei assírio foi usado por Deus para mostrar a Israel (reno do Norte) sua desobediência.

O pecado principal do povo eleito é a IDOLATRIA. Este pecado é relembrado várias vezes ao longo do livro. Em sentido próprio e clássico, idolatria é a adoração ou o culto que se tributa a entidades, objetos, imagens ou elementos naturais que se consideram dotados de poder divino ou também a divindades falsas, “vãs aparências” (a palavra “ídolo” provem do grego “eidolon”, significa imagem). No progresso dos estudos bíblicos o termo “idolatria” implica na Bíblia, inclusive, em sentido espiritual: fanatismo, absolutização ou “sacralização” das coisas secundárias que deveriam estar a serviço do homem se convertem em absoluto e tende a dominar a existência e as aspirações humanas. Assim se pode falar de idolatria da busca excessiva de dinheiro, de poder, de sexo e assim por diante.

Segundo a mensagem bíblica, o reconhecimento de Deus é fundamentalmente a negação dos ídolos. Neste sentido, para a Bíblia, o oposto à fé em Deus não é o ateísmo e sim a idolatria. Por isso, a luta contra a idolatria é o tema principal que recorre o Antigo Testamento e sempre se subjaz no Novo Testamento. A história da salvação não é outra coisa que desapegar-se dos ídolos: desde Abraão à Igreja de nossos dias. É tarefa do crente “não correr atrás do vazio” (Jr 2,5) e “guardar-se dos ídolos” (1Jo 5,21) que afastam o crente da fé e do amor. Somente assim o crente poderá servir ao único Deus vivente. O cristão deve se manter num processo de contínua purificação da idolatria: os ídolos do mundo são também nossos ídolos. O ensinamento da Palavra de Deus é que não há ateus e Povo Deus, e sim idólatras e crentes com tentações de idolatria. A Igreja não será contaminada tanto pelo ateísmo por fatal que possa ser, às vezes, como pelos deuses falsos. A mensagem bíblica sobre a idolatria é essencialmente uma mensagem de libertação e de esperança em momentos de crises e de opressão do povo de Israel e das primeiras comunidades cristãs.

Além disso, do texto da Primeira Leitura aprendemos que jamais adoramos às coisas criadas no lugar do Deus-criador. Não podemos correr atrás das coisas criadas por Deus e abandonamos o Deus das coisas. Uma pessoa idólatra é uma pessoa vazia por dentro e uma pessoa que não sabe seu próprio lugar neste universo. Ela preenche este vazio com coisas mortais/matérias em vez de deixar Deus conduzir sua vida. Como aconteceu com Israel, se não nos arrependermos de nossos pecados, estamos, na verdade, antecipando nossa total destruição. Podemos, sim, nos reeducar em tudo, pois Deus ainda nos dá oportunidade para isso.

Não Somos Autorizados a Julgar, Mas Ordenados a Amar

O texto do evangelho de hoje pertence ao Sermão da Montanha (Mt 5-7). O Sermão está já na sua conclusão. Nesta conclusão Jesus nos alerta para não julgarmos os outros. Não somos autorizados para julgar e sim somos ordenados para amar (cf. Jo 15,12). Não temos condições para julgar. Somente Deus tem a competência para nos julgar.

“Não julgueis para não serdes julgados. Pois com o julgamento com que julgais, sereis julgados, e com a medida com que medirdes, sereis medidos”. A forma passiva da expressão, aqui, é conhecida como “passiva divina” em que o sujeito desta forma passiva é o próprio Deus. Por isso, a frase completa seria: “Não julgueis para não serdes julgados por Deus”. O julgamento divino, isto é, o ato de separar o trigo do joio, é determinante para a salvação do homem. Na verdade, o próprio homem que se julga pelas próprias opções.

“Não julgueis!” é a ordem que Jesus nos dá para viver no relacionamento com o próximo. Não devo julgar porque o meu julgamento condiciona negativamente o outro. O meu juízo causa pre-juizo ao outro. Além disto, o meu juízo sobre o outro se volta contra mim:Não julgueis para não serdes julgados por Deus”.

O verbo julgar (em grego, krinein) se utiliza aqui em sentido jurídico e equivale a emitir um juízo condenatório sobre uma pessoa, baseando-se nos defeitos que tem. Quem emite este tipo de juízo rompe a relação com a pessoa ajuizada.

Deus não quer isto. Por isso, Jesus coloca um critério que deve ser usado na comunidade cristã (cf. Mt 18,15-18). Quando um cristão perceber algum defeito no outro, ele precisa fixar olhar para os próprios defeitos porque talvez sejam maiores do que os defeitos do outro: “Por que reparas o cisco que está no olho do teu irmão, quando não percebes a trave que está no teu? Ou como poderás dizer ao teu irmão: ‘Deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando tu mesmo tens uma trave no teu?”.  

A análise crítica da própria realidade ajuda o cristão a compreender as fraquezas dos outros em vez de emitir um juízo.  Com a consciência da própria fragilidade, o cristão será movido a compreender e curar a fragilidade do outro. Se não fizer isto é porque este tipo de cristão é hipócrita, isto é, aquele que se acha santo ou perfeito, mas pela emissão do julgamento sobre os outros já revela que é um grande pecador: “Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”.A ignorância mais refinada é a ignorância da própria ignorância”, dizia Santo Agostinho (Confissões, 5,7).  Quanto mais curioso torna-se o homem por conhecer a vida alheia, tanto mais relaxado se torna para consertar a sua própria”, acrescentou Santo Agostinho (Confissões, 10,3).

De qualquer modo, a rigidez e a hipocrisia em julgar são defeitos que podem ser evitadas se um cristão souber fazer a crítica sobre si mesmo. Olhar para a própria consciência e para o próprio modo de viver é algo indispensável para um cristão conviver fraternalmente com os demais. Olhar para a própria casa é a primeira coisa que deve ser feita. Quem fica olhando para a vida alheia é porque não está cuidando da própria vida. A consciência dos próprios limites e debilidades é a medida para uma crítica evangélica. Um verdadeiro cristão jamais adota uma atitude de orgulho, de menosprezo e de superioridade diante dos demais que o leva a uma postura farisaica de condenação e de recriminação dos defeitos dos outros. Precisamos estar conscientes de que o juízo pertence a Deus e não a nós, pobres pecadores.

Resumindo! Há três razões pelas quais não devemos julgar os outros.

·      Primeiramente, o julgamento pertence a Deus e não a nós, pobres pecadores, porque só Deus conhece profundamente o coração de cada ser humano. Constituir-se em juiz dos outros é uma ousadia irresponsável. É uma ousadia de se colocar no lugar de Deus, de se considerar como Deus, de roubar o lugar. Ao julgar, você esta querendo dizer: “Eu sou Deus e você é pecador”.

·       Em segundo lugar, a medida que usarmos para com os outros será usada por Deus contra nós no julgamento final, pois a vida tem seu fim.

·      Em terceiro lugar, todos nós somos imperfeitos. Não somos seres humanos; estamos seres humanos. Julgar provém da nossa própria cegueira que nos impede de ver os nossos próprios defeitos. Ao julgarmos os outros estamos querendo dizer que somos melhores do que os outros. Mas na verdade, ao fazer isto, estamos revelando aos outros que somos piores do que imaginamos. O Senhor nos ordena para nos amarmos mutuamente (cf. Jo 15,12), e não nos autoriza para julgar os demais homens.

Deus não quer qualquer rompimento. Por isso, Jesus mostra o caminho que temos que seguir: o caminho do amor e da compreensão. Somente o amor compreensivo cura as feridas da alma. Mas não significa que sejamos omissos diante dos defeitos dos outros. Somos chamados a dirigir palavras amigas ao outro e convidá-lo a mudar ou a se corrigir pelo seu próprio bem. Com a consciência de nossa fragilidade teremos condições para curar ou remediar a fragilidade de nosso próximo. Precisamos aprender a transformar nossas críticas em sugestões para que a convivência fraterna se torne uma ajuda para o mútuo crescimento. 

“Não julgueis para não serdes julgados (por Deus)” deve servir de alerta e de freio para que nossa palavra não ultrapasse nossas obras, pois “com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos”, diz o Senhor para cada um de nós hoje.

P. Vitus Gustama,svd

sexta-feira, 19 de junho de 2026

XII Domingo Do Tempo Comum, Ano "A", 21/06/2026

NÃO TENHAMOS MEDO NA MISSÃO CONFIADA PORQUE DEUS ESTÁ CONOSCO

XII Domingo Comum “A” 

I Leitura: Jr 20, 10-13

Jeremias disse: 10“Eu ouvi as injúrias de tantos homens e os vi espalhando o medo em redor: ‘Denunciai-o, denunciemo-lo’. Todos os amigos observam minhas falhas: ‘Talvez ele cometa um engano e nós poderemos apanhá-lo e desforrar-nos dele’. 11Mas o Senhor está ao meu lado, como forte guerreiro; por isso, os que me perseguem cairão vencidos. Por não terem tido êxito, eles se cobrirão de vergonha. Eterna infâmia, que nunca se apaga! 12Ó Senhor dos exércitos, que provas o homem justo e vês os sentimentos do coração, rogo-te, me faças ver tua vingança sobre eles; pois eu te declarei a minha causa. 13 Cantai ao Senhor, louvai o Senhor, pois ele salvou a vida de um pobre homem das mãos dos maus”.

II Leitura: Rm 05, 12-15

Irmãos: 12 O pecado entrou no mundo por um só homem. Através do pecado, entrou a morte. E a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram. 13Na realidade, antes de ser dada a Lei, já havia pecado no mundo. Mas o pecado não pode ser imputado, quando não há lei. 14No entanto, a morte reinou, desde Adão até Moisés, mesmo sobre os que não pecaram como Adão, o qual era a figura provisória daquele que devia vir. 15Mas isso não quer dizer que o dom da graça de Deus seja comparável à falta de Adão! A transgressão de um só levou a multidão humana à morte, mas foi de modo bem superior que a graça de Deus, ou seja, o dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos.

Evangelho: Mt 10,26-33

Naquele tempo, disse Jesus a seus apóstolos: 26 “Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. 27 O que vos digo na escuridão dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados! 28 Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno! 29 Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai. 30 Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão contados. 31 Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais. 32Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. 33 Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus.

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Chave Das Leituras Deste Domingo

A Primeira Leitura de hoje (Jr 20, 10-13) faz parte das Confissoes do profeta Jeremias nas quais o profeta põe em destaque claramente sua alma ou nas quais a alma lírica do profeta mostra sua grande dor diante da calúnia e perseguição (Jr 11,18,23; 15,10.15-21; 17,14-18; 18,23; 20,7-17). No texto que hoje a liturgia utiliza nos fala de uma dura prova religiosa e política a que foi submetido Jeremias depois da queda de Jerusalém no ano 586 a.C. O que o profeta quer é que Israel reconheça a salvação que somente poderá vir e unicamente do Deus da Aliança (Jr 20,11).

Apesar de todos os sofrimentos, o profeta Jeremias confia em Deus (Jr 20,11). Jeremias está convencido de que ele luta ao lado do mais forte: ao lado de Deus,  (Deus é descrito como soldado ou forte guerreiro). O lamento de Jeremias está carregado de confiança. Ele pede que triunfe a causa de Deus (Jr 20,12). A confiança na vitória é origem de sua oração. Jeremias pede a justiça divina e não a vingança humana. Jeremias faz louvor a Deus, porque está seguro do triunfo de Deus. O profeta sabe esperar, mantém perseverança e por isso, antecipa a ação de graças (Jr 20,13). Quem confia totalmente em Deus, apesar das grandes dificuldades, pode antecipar seu louvor a Deus pela vitória final, pois a palavra final será a Palavra de Deus.

Na Segunda Leitura (Rm 05, 12-15), especialmente no versículo 12 do texto, são Paulo coloca o problema do pecado original: “O pecado entrou no mundo por um só homem. Através do pecado, entrou a morte. E a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram”. São Paulo deduz que o pecado entrou na humanidade por meio dessa falta inicial. Por isso, fala da obra redentora de Cristo, estabelecendo um paralelo entre Adão e Cristo: Adão é o portador da ruina, e anti-Adão, Jesus Cristo, é o autor da salvação para muitos: “A transgressão de um só levou a multidão humana à morte, mas foi de modo bem superior que a graça de Deus, ou seja, o dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos”.

Cristo, com sua obediência e seu sacrifício anula a desobediência de Adão, libertando-nos não somente da culpa, mas oferecendo-no a graça de Deus “em abundância”. O pecado provocou uma oferta de graça que é mais abundante do necessário, graças a Jesus Cristo que se entregou por nós todos.

Na Terceira Leitura, de são Mateus (Mt 10,26-33) somos exortados a fazer uma confissão animada da fé, inclusive nas perseguições. Jesus é realista, e sabe que nem seus discípulos serão bem acolhidos, nem sua mensagem encontrará sempre os homens bem dispostos a escutá-la. Ao contrário, seus apóstolos encontrarão muitas vezes oposição, porém não deverão ter medo: “Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais” (Mt 10,26.31). Onde Cristo está, está a vida e o porvir. Cristo cuida de nós até dos mínimos detalhes. O pregador perseguido está sob os cuidados do Pai.

O apóstolo cristão, se ele propõe a mensagem de Cristo sem encontrar dificuldades, terá que se perguntar sinceramente se sua palavra não está alinhada com o estilo e os desejos deste mundo, traindo a verdade de Cristo. Uma pregação cristã que sempre se preocupa em agradar o mundo, seguindo as modas, não vale nada. É uma traição aos verdadeiros ensinamentos de Cristo. e Jesus nos relembra que Ele confessará (defenderá) no céu os discípulos que Lhe confessam na terra. A pregação se sintetiza, portanto, numa autentica confissão de Jesus, o Messias.

Estendamos um pouco mais nossa meditação sobre o texto do Evangelho de hoje!

Olhar e Entrar No Contexto Do Texto Do Evangelho De Hoje

O texto do Evangelho de hoje faz parte do discurso do Senhor sobre a missão.   O anúncio deve fazer ao pé do ouvido e do alto dos telhados sem nenhum medo. Em tudo devemos levar em conta a providência divina.

Falávamos no Domingo anterior da chamada (vocação dos Doze) que nos dirige Jesus a cada um de nós: “Segue-me!”. E dizíamos que esta chamada não nos afeta isoladamente e sim como membros de uma comunidade de seguidores do Evangelho. Cada um de nós é chamado, mas todos nós necessitamos uns dos outros para dar nossa resposta, em nossa vida de cada dia, para a chamada amorosa do Senhor Jesus. Hoje, seguindo o Evangelho de Mateus, somos recordados de um aspecto desta chamada de Jesus Cristo que não podemos esconder e não seria honesto esconder, que não seria puro esconder. A missão é difícil, mas não tenhamos medo, pois quem nos chama é Aquele que criou o universo (Jo 1,3).

Uma das características mais evidentes da pregação de Jesus Cristo é a de sua claridade, isto é, não esconde absolutamente nada que a coisa é difícil, que fazer o que Ele diz custa, que não prega um caminho fácil e sim duro e exigente. Seguir o caminho do Evangelho é difícil.

Mas Jesus Cristo não é um pregador que queria assutar. O que necessitamos é escutar, em sua claridade e em sua força, a Palavra de Jesus Cristo. A FORÇA e a CLARIDADE da PALAVRA DE DEUS! A Palavra de Deus é clara, pois nada se esconde e ao mesmo tempo poderosa. Ele nos diz que seguir seu caminho é difícil, mas acrescenta imediatamente: NÃO TENHAIS MEDO!

Somos lembrados antecipadamente sobre o tema do evangelho de hoje através da Primeira Leitura do livro do profeta Jeremias. Jeremias viveu tempos difíceis, quando tudo - no povo judeu - parecia estar desmoronando. A tentação é fechar-nos, esconder-nos em nossa fraqueza. E assim, desistimos de nos aventurar no caminho que Jesus Cristo nos propõe. Mas então a palavra de Jeremias saiu vigorosamente em nome de Deus: não confie em si mesmo, mas no Senhor. Porque o Senhor é como um soldado forte que luta com os fracos e oprimidos.Senhor está ao meu lado, como forte guerreiro; por isso, os que me perseguem cairão vencidos. Por não terem tido êxito, eles se cobrirão de vergonha”, disse Jeremias.

Trabalhar pelo Reino de Deus, por um mundo mais fraterno, justo e honesto é o trabalho que Jesus Cristo nos propõe porque é SEU trabalho, SUA luta, SEU caminho. Por isso, Ele é o forte soldado que luta em nós.

O cristão é chamado a esta luta constante, não contra ninguém e sim contra toda injustiça, contra todo mal; contra tudo o que não respeitar os direitos de cada homem, os direitos dos mais pequenos, os direitos de cada povo, de cada etnia e assim por diante. Se um homem é tratado injustamente pela cor de sua pele ou pelas suas ideias, ou por sua língua, ou por sua situação social etc., ali o cristão deve lutar, SEM MEDO, diz Jesus, porque é Deus quem combate nesta luta dolorosa e difícil, mas que cremos que conseguirá sua vitória plena.

1. Não Tenhamos Medo dos Fundamentalistas Religiosos

“Não Tenhais medo!”

O medo é uma das emoções fundamentais do viver humano que todo homem experimenta em várias situações da própria existência, ainda que em diferentes modalidades e intensidades. O medo surge quando o homem se sente diante de uma ameaça e julga não estar em condições de contrapor ao perigo iminente por falta de aparatos adequados defensivos.

Os textos do AT em que se descreve ou evoca o medo são muito numerosos. Essa experiência se apresenta tanto em nível individual como coletivo. O medo nasce quando um perigo é reconhecido como tal. O medo é uma emoção que pode levar a reações contrastantes: o sejueito pode fugir (cf. 1Sm 17,24; Is 10,29.31; Jr 26,21; 445,3; 2Sm 46,5) ou permanecer petrificado (cf.Ex 15,16), gritar (cf. Is 10,30; Jr 47,2) ou tornar-se incapaz de dizer uma palavra (cf. Gn 45,3; 2Sm 3,11), responder com agressão (cf. Ex 1,8-16; Js 10,1-4) ou render-se sem tentar reagir (cf. 2Rs 10,1-5; Jr 47,3;51,30, etc.). O medo é uma experiência que se deve atravessar e da qual se deve sair, sem ser por ela vencidos. Por isso, a importância, na visão bíblica, das exortações a não temer (cf. Gn 15,1; Ex 14,13-14; Dt 1,29-30; Is 41,10.13; Jr 30,10, etc.). As exortações constituem uma palavra autorizada que intervém para encorajar, manifestando uma presença (divina) capaz de socorrer e de fazer sair da solidão, na relação com a alteridade que salva. Com a consciência da ajuda divina, se verifica então no sujeito uma mudança, uma diferente percepção da realidade, um novo modo de avaliar a periculosidade de ameça e consequentemente uma nova capacidade de enfrentar a situação (cf. Jz 6,12-16; 1Sm 17,34-37; Is 7,2-4; 2Cr 20,20-22; 32,5-). Além disso, no medo revela-se a verdade de que o ser humano faz experiência do ser criatura e da fragilidade constitutiva de seu ser e se confessa criatura mortal. Somos criaturas expostas sujeitas a qualquer perigo e ameaça.

No NT fala-se também do medo não tanto quanto como no AT. O medo aparece principalmente diante da irrupção de Deus na realidade humana e diante de suas manifestações (cf. Mt 27,54; 28,4; Lc 1,12; 2,29; Hb 12,21; Ap11,11), diante dos milagres e dos vários sinais operados por Jesus e por seus discípulos (cf. Mt 9,8; 17,6; Mc 1,27; 4,41; Lc4,36; 5,26; 8,25.35.37; At 2,43; 5,5.11, etc.), diante do inexplicável de sua ressurreição (cf. Mt 28,8; Mc 16,8) e, em todo caso, na presença do mistéri, enquanto indecifrável e incompreensível. Por isso, são frequentes as exortações para não temer diante da manifestação do divino, na descoberta de uma presença benévola e salvífica (cf. Mt 14,27; 17,7; 28,5; Mc 6,50; 16,6; Lc 1,13.30; 2,10; Jo 6,20; Ap 1,17, etc.). Para NT, se Deus venceu a morte, vence também todo e qualquer  medo humano. Em seu projeto de salvação e de misericórdia, com o acontecimento pascal, a vida definitivamente triunfa; e a morte, vencida e privada de seu veneno (cf. 1Cor 15,55), deve dar lugar ao dom de si. Quando tudo isso finalmente se torna real na vida de cada cristão, então não haverá mais espaço para o medo, especialmente para o medo da morte. Ao contrário, haverá apenas espaço para o amor e “no amor não existe temor; ao contrário, o perfeito amor expulsa o temor(1Jo 4,18).

A unidade temática e o tom das palavras de Jesus no texto do Evangelho de hoje (o texto faz parte do discurso sobre a missão) estão marcados pela tríplice exortação a não ter medo (Mt 10,26.28.31).

A quem não deve ter medo? Não se trata dos homens em geral e sim dos homens religiosos (cf. Mt 10,25; 9,34). São os homens do fundamentalismo religioso que os Doze não devem ter medo. É a oposição religiosa que Mateus foi fazendo aparecer ao longo dos capítulos oito e nove como contra-personagem de Jesus.

Quem não deve ter medo? Os apóstolos não devem ter medo. Em Mateus o termo “Apóstolos” designa a totalidade dos discípulos de Jesus e que Mateus reduz significativamente a Doze: frente ao velho Israel das doze tribos, o Novo Israel dos Doze. O “Doze” representa a totalidade dos discípulos de Jesus.

Por que não deve ter medo? Há três razões para o novo Povo de Deus não deve ter medo dos fundamentalistas religiosos. Primeira, a concepção religiosa de Jesus seguirá adiante apesar da oposição também religiosa dos fundamentalistas (Mt 10,26-27). Segunda, estes fundamentalistas religiosos recorrerão, inclusive, a métodos mortais (Mt 10,28ª). Mas a integridade física não dá a medida da pessoa. A integridade pessoal não se esgota com a integridade física. A integridade pessoal não pode ser eliminada nem sequer pela arma mortífera do fundamentalista religioso. Não é a este a quem tem que ter medo e sim a Deus, porque é Deus quem dá a verdadeira medida da pessoa (Mt 10,28b). Deus é Pai. A perda da integridade física não deve assustar os discípulos em nome da verdade e do amor. Esta perda tem um sentido e Deus não está ausente (Mt 10,29-31). Terceira razão para não ter medo é que o próprio Jesus é a garantia para o novo Povo: “Todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus” (Mt 10,32-33).

2. Não Tenhamos Medo Dos Que Se Acham “Poderosos”, Pois Somente Deus é Onipotente

Precisamos saber que Mateus escreveu seu evangelho durante a década de 80 durante a qual reinava o imperador Domiciano (anos 81 a 96) que não tolerava o cristianismo. Consequentemente crescia a hostilidade, que rapidamente se converteria em perseguição organizada contra o cristianismo (no ano 95, por iniciativa de Domiciano, começa uma terrível perseguição contra os cristãos em todos os territórios do império romano).       

A comunidade cristã a quem Mateus destinou o seu Evangelho era uma comunidade com grande zelo missionário, pronta em levar a Boa Nova de Jesus a todos os homens. Mas ao mesmo tempo teve que conviver com as dificuldades e as perseguições. Os cristãos de sua comunidade estavam perturbados e confusos diante desta situação e a tentação de desistir de tudo. Por esta razão, Mateus elaborou uma espécie de “manual do missionário cristão”, para mostrar que a atividade missionária fazia parte inseparável da vida cristã. Em outras palavras, ser cristão é ser missionário (cf. Ad Gentes n.2, Concílio Vaticano II).      

Pregar e viver de acordo com os valores que Jesus nos deixou como seus ensinamentos atrai a perseguição daqueles são contra a estes valores. A perseguição atinge os cristãos por causa de seu amor por Deus e da fidelidade à Sua Palavra: “... todos os que quiserem viver com piedade em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3,12) e pela humanidade. O desígnio do Pai é um desígnio de amor universal, que não discrimina ninguém, pois o mandamento novo é amar a todos os homens (Jo 13,34s), inclusive os inimigos (Mt 5,44). O próprio Jesus, obedecendo, até a morte da cruz, manifesta que o amor é mais forte do que o ódio e que uma morte tão sobrecarregada com o pecado dos homens também pode mudar definitivamente de sentido. 

O texto de hoje, portanto, tem o objetivo de suscitar o ânimo nos discípulos diante das situações aparentemente maiores do que sua força. Mas apenas aparentemente, pois há uma força superior a todas as forças e todos os obstáculos: o próprio Deus que vai ter a última palavra sobre todos os homens (cf. Mt 25,31-45).

Quem são os novos fundamentalistas religiosos e os que se acham “deuses” de hoje? Quais são métodos que eles usam para obrigar os outros a ter crença que eles têm? Dentro da Igreja existem também os fundamentalistas religiosos? Que comportamento e método os seguidores do Senhor devem adotar para os fundamentalistas religiosos? Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” é o estilo de vida que Jesus Cristo deixou para todos os que querem ser seus seguidores (Jo 13,34-35; 15,12). O amor é o nome próprio de Deus (cf. 1Jo 4,8.16) e “seremos julgados sobre o amor no entardecer de nossa vida” (São João da Cruz). 

Outras Mensagens Da Palavra De Deus Deste Domingo Para Nossa Vida Cotidiana

1. Levar Em Conta Os Nossos Medos De Cada Dia 

Não tenhais medo!”. É a palavra do Senhor neste domingo. 

No nosso mundo cada vez mais tecnológico e prometedor há algo inevitável e crescente em nós: o medo. 

Temos medo de ir a uma rua deserta, de entrar num portão com um desconhecido atrás de nós, de subir num elevador com um estranho, de entrar na nossa porta com alguém de longe observando nossa entrada. Temos medo do porvir diante da crise econômica, política e social. Os pais têm medo de que seus filhos possam se drogar ou são levados para o mundo de crime. Temos medo do desastre nuclear, da arma biológica que estão na sombra da humanidade atual. Temos também medo de viver em muitas ocasiões, pois viver significa comprometer-se, decidir-se, definir-se. E quase sempre preferimos nos manter numa discreta penumbra sem arriscar uma segurança que temos medo de perder. Temos medo daquilo que os outros pensam de nós, de perder prestígio. Por isso, em muitas ocasiões não somos capazes de adotar uma decisão valente diante de uma determinada situação. Temos medo de perder emprego, de perder um ente querido. Temos medo de ser abandonados pelos demais homens. Temos medo de morrer, e assim por diante. 

Todos nós experimentamos o medo e isso é normal. Mas o que temos que evitar é que nosso medo não se torne tóxico capaz de durar toda a vida. 

O medo é sempre acompanhado pela imaginação. O medo alimenta a imaginação. Ao imaginarmos o pior, o medo começa a nos dominar. O medo que começa a nos dominar é capaz de paralisar nossa vida.

Ninguém gosta de sentir medo. Mas é preciso que nosso medo não cresça mais do que nós. Para isso, precisamos eliminar os medos sem fundamentos. Quanto mais pensarmos em uma coisa, mais isso fará parte de nossa realidade. Não pensemos no medo para que o medo não pense em nós. Por isso, em vez de dizer: “Preciso deixar de pensar nessa ideia”, temos que substituir este pensamento por outro mais positivo. 

Por incrível que pareça, geralmente, o medo significa que estamos avançando. O medo é companheiro dos conquistadores e renovadores, dos inventores e das pessoas sucedidas. O medo mostra que os conquistadores estão fazendo algo novo, que estão saindo da zona de conforto para uma vida totalmente renovada e avançada. Mais tarde, os medrosos vão usufruir o produto/resultados dos renovadores da humanidade. Os gênios normalmente são condenados precipitadamente, mas mais tarde serão reconhecidos.   Cada desafio nos permite e nos chama a darmos um passo maior do que antes. Avançar não significa não sentir medo e sim ir para o novo e o melhor apesar dos temores que possamos sentir. 

Não devemos ter medo do medo que é a fobia. Para vencer o medo temos que aprender a reconhecê-lo, a colocá-lo em palavras e a falar sobre aquilo que desperta medo em nós. Devemos olhar nossos medos de frente e não cobri-los, pois mesmo que fujamos, os medos continuarão nos acompanhar. É melhor verificarmos até que ponto temos realmente medo. Cuidado com nossos medos, pois eles roubam nossos sonhos e realizações! Onde o medo se torna dominador, a sabedoria não funciona. Façamos que nossos medos tenham medo de nós mesmos adotando novos modos de viver, saindo com coragem de nosso cantinho que nos paralisa para viver uma vida nova e renovada. Não tenhamos medo da mudança. Ela assusta, mas pode ser chave daquela porta pela qual você quer entrar. Tenhamos certeza de que somos maiores e mais fortes do que nossos medos, pois o Senhor está conosco (cf. Mt 28,20) 

2. Levar Em Conta o Verdadeiro Medo Que o Senhor Nos Fala No Evangelho De Hoje 

O Senhor Jesus quer que os cristãos estejam livres do medo principal. Ele fala do medo mais íntimo, mais profundo: o medo de perder a vida eterna (perda da salvação): Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!” É um medo compreensível para o qual o Senhor promete Sua assistência que é palpável ao longo da história da Igreja: “Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais(Mt 10,30-31; cf. Mt 28,20). 

Por um lado Jesus nos exorta: “Temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!”. Por outro lado ele nos recorda: “Todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus”. 

A vida ou a morte, a salvação ou a perdição definitiva de cada cristão depende da postura que ele toma diante de Jesus Cristo durante sua vida aqui neste mundo. O reconhecimento ou confissão pública que cada cristão faz de Cristo corresponde a um reconhecimento que Cristo faz do cristão diante do Pai do céu: o destino final de cada cristão depende da palavra de reconhecimento ou de negação que Cristo pronuncia sobre ele diante do Pai celeste. 

Quando tivermos uma plena consciência disso, não teremos dificuldade em viver aquilo que Jesus Cristo disse hoje: “O que vos digo na escuridão dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados!”. 

Encontramos aqui dois níveis do anúncio que se expressam em dois termos: “ao pé do ouvido” e “do alto dos telhados”. Jesus quer que façamos os dois simultaneamente para que o anúncio seja completo.

O anúncio “ao pé do ouvido” é aquele anúncio que fazemos para quem está próximo de nós, para aqueles que convivem conosco, para os mais íntimos, para nossa própria família, que nem sempre é fácil, pois todos conhecem nossas fraquezas e bloqueios, além de nossas capacidades. Vamos nos preocupar com a salvação dos membros  de nossa família. Vamos arrumar a casa para depois ampliar nosso anúncio para o maior alcance. 

Por isso, não basta que cada cristão procure ser fiel a Jesus no íntimo de seu coração e no testemunho constante junto a quem nos conhece pessoalmente. O anúncio “ao pé do ouvido” deve se tornar um anúncio “do alto dos telhados”, deve se tornar público. O mundo precisa reconhecer nos cristãos uma força transformadora a favor da justiça, da paz e da fraternidade. Sem isso, os cristãos perderão a credibilidade diante do mundo ou sociedade (cf. Mt 5,13-16). 

3. Levar Em Conta a Providência Divina

Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais(Mt 10,30-31; cf. Mt 28,20).

Na criação por amor, a vida é chamada a ser tão duradoura como o amor que a gerou, pois o amor não abandona aquele que ele gerou; seria como abandonar-se a si mesmo. Tudo isto simplesmente chama-se a PROVIDENCIA DIVINA. 

Salvar é criar e recriar continuamente. Somos fruto do amor de Deus. O Criador poderia contentar-se com dar existência às coisas, abandonando-as a sua sorte. Mas Deus que gera vida por amor continuará amando o que ele gerou, pois ali persiste de alguma maneira sua própria vida. 

Se Deus tem carinho e cuidado para as coisas mínimas como cabelos e pardais, quanto mais para os homens criados à imagem e semelhança de Deus. O evangelista Mateus quer nos transmitir a certeza de que Deus está conosco até o fim dos tempos (Mt 28,20). 

Pela certeza da companhia permanente de Deus e pela sua providência para o nosso cotidiano, a fé pede valentia e se vive num conjunto de disposições (constância, perseverança, ânimo, etc.) que formam juntas a fortaleza. A profissão da fé há de ser vista como um caminho que se cria caminhando. O caminho não é fácil. A reação espontânea é a negação do esforço e o refúgio na facilidade. A exortação se situa, então, no progresso da fé. É evidente a existência de obstáculos, mas o êxito é dos corajosos ou audaciosos, os renovadores ou inovadores. Cabe aqui um catálogo de atitudes: saber valorizar a fé como dom, estabelecer uns meios adequados para vive-la, ter um plano de vida e observá-la, ter sentido de esperança, incluir na normalidade a possível incompreensão e assim por diante. A vida do próprio Senhor Jesus, de Maria, a mãe do Senhor e de todos os santos não foi fácil. Todos eles são nosso modelos na luta de cada dia. 

Comentário de Santo Agostinho sobre o Evangelho de hoje: As palavras divinas que lemos nos encoraja a não temer temendo e a temer não temendo. Quando o evangelho foi lido vós sois advertidos que Deus nosso Senhor, antes de morrer por nós, quis que nos mantivéssemos firmes; porém, animando-nos a não temer e exortando-nos a temer. Disse, pois, ‘Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma!’ (Mt 10,28). Ai, nos animou a não temer. Vede agora onde nos exorta a temer: ‘Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!’. Portanto, temamos para não temer. Parece que o medo vai associado à covardia; parece que o medo é próprio dos débeis, não dos fortes. Porém, vede o que diz a Escritura: ‘O temor do Senhor é a esperança de fortaleza’ (Pr 14,26). Temamos para não temer, isto é, temamos prudentemente, para não temer infrutuosamente. Os santos mártires... temendo não temeram: temendo a Deus, desdenharam aos homens”.

P. Vitus Gustama,SVD

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Sábado Da XI Semana Comum, Ano Par, 20/06/2026

DIARIAMENTE TEMOS QUE ESCOLHER ENTRE O VERDADEIRO DEUS E OS ÍDOLOS

Sábado da XI Semana Comum

Primeira Leitura: 2Cr 24,17-25

17 Depois da morte de Joiada, os chefes de Judá vieram prostrar-se diante do rei Joás, que, atraído por suas lisonjas, se deixou levar por eles. 18 Os chefes de Judá abandonaram o templo do Senhor, o Deus de seus pais, e prestaram culto a troncos sagrados e a imagens esculpidas, atraindo a ira divina sobre Judá e Jerusalém por causa desse crime. 19 O Senhor mandou-lhes profetas para que se convertessem a ele. Porém, por mais que estes protestassem, não lhe queriam dar ouvidos. 20 Então o Espírito de Deus apoderou-se de Zacarias, filho do sacerdote Joiada, e ele apresentou-se ao povo e disse: “Assim fala Deus: Por que transgredis os preceitos do Senhor? Isto não vos será de nenhum proveito. Porque abandonastes o Senhor, ele também vos abandonará”. 21 Eles, porém, conspiraram contra Zacarias e mataram-no a pedradas por ordem do rei, no pátio do templo do Senhor. 22 O rei Joás não se lembrou do bem que Joiada, pai do profeta, lhe tinha feito, e matou o seu filho. Zacarias, ao morrer, disse: “Que o Senhor veja e faça justiça!” 23 Ao cabo de um ano, o exército da Síria marchou contra Joás, invadiu Judá e Jerusalém, massacrou os chefes do povo, e enviou toda a presa de guerra ao rei de Damasco. 24 Na verdade, o exército da Síria veio com poucos homens, mas o Senhor entregou nas mãos deles um exército enorme, porque Judá tinha abandonado o Senhor, o Deus de seus pais. Assim, os sírios fizeram justiça contra Joás. 25 Quando eles se retiraram, deixando-o gravemente enfermo, seus homens conspiraram contra ele, para vingar o filho do sacerdote Joiada, e mataram-no em seu leito. Ele morreu e foi sepultado na cidade de Davi, mas não no sepulcro dos reis.

Evangelho: Mt 6, 24-34

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 24 “Ninguém pode servir a dois senhores: pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. 25 Por isso eu vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir. Afinal, a vida não vale mais do que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa? 26 Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Vós não valeis mais do que os pássaros? 27 Quem de vós pode prolongar a duração da própria vida, só pelo fato de se preocupar com isso? 28 E por que ficais preocupados com a roupa? Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. 29 Porém, eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. 30 Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, não fará ele muito mais por vós, gente de pouca fé? 31 Portanto, não vos preocupeis, dizendo: O que vamos comer? O que vamos beber? Como vamos nos vestir? 32 Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso. 33 Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo. 34 Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia, bastam seus próprios problemas”.

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Temos Que Escolher Entre o Verdadeiro Deus ou os Ídolos e Assumir As Consequências Desta Escolha

Depois da morte de Joiada, os chefes de Judá vieram prostrar-se diante do rei Joás, que, atraído por suas lisonjas, se deixou levar por eles. Os chefes de Judá abandonaram o templo do Senhor, o Deus de seus pais, e prestaram culto a troncos sagrados e a imagens esculpidas, atraindo a ira divina sobre Judá e Jerusalém por causa desse crime”, assim lemos na Primeira Leitura de hoje do Segundo Livro das Crônicas.

Sabemos através da Primeira leitura do dia anterior que Joás começou a reinar com apenas sete anos de idade e reinou Judá em torno de quarenta anos, um período relativamente longo (Joás reinou de 885 até 839 a.C).

O sumo sacerdote Joiada, que salvou Joás do massacre de Atália e o ungiu como rei de Judá (depois que Atália foi morta), vivia e agia como pai e conselheiro para o rei Joás e o reinado de Joás prosperou com uma notória restauração da vida social e religiosa. Mas quando o sumo sacerdote Joiada morreu, que ajudava Joás a subir ao trono, Joás se esqueceu dos bons conselhos de Joiada e seguiu os conselhos de outros que o conduziram novamente para a idolatria.

Mas não faltam os profetas de Deus. Zacarias, profeta de Deus, filho do sumo sacerdote Joiada, recriminou a mudança de conduta do rei Joás e denunciou o abandono de Deus por Joás que será castigado com a retirada do favor divino: “Porque abandonastes o Senhor, Ele também vos abandonará”. Infelizmente, Zacarias foi assassinado no Templo por ordem de Joás por causa desta denúncia. Mais tarde Jesus vai relembrar esse episódio para seus contemporâneos (cf. Mt 23,34-35).

O autor do Livro das Crônicas interpretou a invasão da Síria como castigo divino: Deus entregou o “grande” exército de Judá nas mãos do “pequeno” exército sírio (2Cr 24,24).

Toda a história do mundo está cheia de conflitos entre “o verdadeiro Deus” e “os ídolos” que o homem fabrica. Evidentemente, é mais tranquilizador fabricar um “deus” à sua própria necessidade do que encontrar-se diante do verdadeiro Deus que é sempre Outro e que questiona o comportamento não ético do homem e sua atitude desumana no tratamento aos outros (cf. Mt 25,40.45). Precisamente a característica de Deus é questionar o modo desumano do viver do homem com os demais.

Não julguemos com demasiada severidade nossos antepassados de ter adorado “árvores sagrados” e “vários ídolos”. Também temos hoje nossos ídolos. O dinheiro, o êxito social, a vaidade, a fama, o prazer, a ambição, a escravidão de ideologias: tudo isso pode ser nosso ídolo particular. Estejamos atentos que cedo ou tarde tudo isso vai arruinar nossa vida. Tudo o que absolutizamos e damos uma importância excessiva: um objeto, uma pessoa, uma ideologia, o conforto, o dinheiro, o prazer, a saúde, a beleza é nosso ídolo. Adoramos coisas de Deus e não o Deus das coisas. Procuramos os milagres de Deus e não o Deus dos milagres. Como resultado, nossa vida terminará na tragédia. Quem procura as coisas mais do que o Deus das coisas, acaba sendo contado entre as coisas. O ser humano para tornar-se mais humano, tem que gostar das pessoas e amá-las. E gostar das pessoas e amá-las significa honrar o próprio Deus que se identifica com qualquer ser humano (cf. Mt 25,40.45). O ser humano é a passagem obrigatória para chegar até Deus. Podemos não encontrar Deus durante a vida, mas não tem que como não cruzarmos com as pessoas diariamente com as quais Deus se identifica.

Entre Servir a Deus e Ao Dinheiro

Estamos ainda acompanhando o Sermão da Montanha (Mt 5-7). O evangelho de hoje é, na verdade, outra explicação sobre a primeira bem-aventurança: “Bem-aventurados os pobres no espírito”. A pobreza no espírito é uma disposição interior que nos permite nos rebaixarmos e converter os outros em amigos. Somente veremos o outro como rival ou inimigo se tivermos algo a defender. Mas se dissermos: “Minha casa é tua, minha alegria é tua alegria, minha tristeza é tua tristeza e minha vida é tua vida”, não teremos nada a proteger ou defender, porque não teremos nada a perder, e sim tudo por partilhar. A pobreza interior é instrumento da hospitalidade.

No evangelho de hoje Jesus afirma: Ninguém pode servir a dois senhores... Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.   É outro modo de falar sobre a necessidade de escolher entre os “tesouros da terra” e os “tesouros do céu”. No texto do evangelho de hoje se encontra a palavra “Mammon” (aramaico), término que personifica o dinheiro, mas no sentido de algo demoníaco. Em hebraico “Mammon” é ma´amun, que tem a mesma raiz de emuná (): trata-se de algo no qual se confia, a substância sobre a qual se fundamenta a existência.  O Dinheiro, com maiúscula (o dinheiro como ídolo, como razão de ser), é a potencia de escravidão. São Paulo nos relembra: “A raiz de todos os males é o amor ao dinheiro(1Tm 6,10). Jesus quer que não nos tornemos escravos do Dinheiro, mas quer nos ver livres. Podemos possuir o dinheiro, mas ele não pode nos possuir para não perdermos nossa liberdade.

Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. Servir a Deus significa colaborar com Ele, atuar em comunhão com Ele. Jesus quer que seus discípulos decidam optar por uma causa só: a causa de Deus ou a causa do Dinheiro. O valor de cada uma dessas causas depende da forma como cada uma delas trata o ser humano.

A causa do Dinheiro trata o ser humano como uma mercadoria, como uma coisa negociável que deve ser posta ao serviço do lucro ou benefício de uma minoria. A causa de Deus, pelo contrário, trata o ser humano como seu objetivo central, principalmente se o ser humano se encontra oprimido ou desumanizado. Deus assume a causa do ser humano como sua própria causa (cf. Jo 3,16), porque o ser humano é Seu filho e em Jesus multiplicou os motivos de sua identificação com a Humanidade.

A causa do Dinheiro é a causa do lucro, do benefício, e é a causa dos poderosos. A causa de Deus, ao contrário, é a causa da justiça e da fraternidade, e por isso, é a causa que está a favor de quem sofre as injustiças e por isso, está a favor dos injustiçados, dos empobrecidos, dos marginalizados, dos excluídos. Quem luta por esta causa está lutando com Deus e por isso, está com Deus.

Quem se põe somente ao serviço da causa do dinheiro não deve estranhar-se de que na terra se multiplicam os seres humanos sem alimento e sem vestido, sem moradia e sem saúde, sem segurança e sem educação e assim por diante. Mas quem põe sua vida ao serviço da causa de Deus, mais tarde acolherá o fruto da fraternidade e da justiça. E o alimento, o vestido, a moradia, a educação, a saúde, a segurança nunca faltarão numa sociedade de irmãos governada pela igualdade e a solidariedade. A Igreja cristã primitiva experimentou tudo isso (cf. At 4,32-37).

Jesus nos apresenta outro estilo de vida para todos os cristãos: a confiança em Deus, em oposição à excessiva preocupação pelo dinheiro: “Procurai primeiro o Reino de Deus e sua justiça; o resto vos será dado por acréscimo”. Para Jesus esta deve ser a atitude básica de cada cristão. Trata-se de colocar tudo na escala de valores. Por isso, Jesus não nos diz “procurai unicamente o Reino de Deus”, e sim “procurai primeiro o Reino de Deus...”. Com isso Jesus não exclui o resto, mas coloca o resto no seu lugar apropriado. Cristo sabe muito bem que nós não somos pássaros nem lírios, e que nós necessitamos ganhar a vida com diligência e trabalho, mas descobrindo a cada passo a providência amorosa de Deus e confiando-nos totalmente ao Pai do céu, sem angústia obsessiva pela aquisição de coisas para a manutenção cotidiana. Se Deus vela com solicitude sobre criaturas tão insignificantes como os pássaros e as flores, quanto mais sobre os homens, seus filhos, todos nós que colaboramos na Sua obra.

É Preciso Abandonar-se ao Pai Celeste Que Nos Ama

Além disso, Jesus quer libertar seus seguidores da inquietude através da consagração da própria vida a Deus e da fidelidade na busca do Reino de Deus: “Não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir. Afinal, a vida não vale mais do que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa? Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Vós não valeis mais do que os pássaros? ... Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam... Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo”.

Jesus nos convida a criarmos a paz e a serenidade através da contemplação da natureza criada por Deus. Não temos ir para alguma lugar para aprender a fazer a contemplação. Nos pássaros e nas flores Jesus contempla Seu Pai. Jesus introduz no seu ensinamento a palavra “Pai” para que o cristão tenha o sentimento de confiança filial capaz de tranquilizar sua natural inquietude.

Se Deus vela com solicitude sobre as criaturas tão frágeis como são os pássaros e as flores no campo, que são pouco mais do que nada, e nada fazem, que cuidados não terá Deus em relação às criaturas mais dignas, suas obras primas que são os homens? Cristo quer nos libertar de nossa inquietação exagerada para que possamos nos consagrar total e fielmente à procura daquilo que nos dignifica e nos diviniza: o Reino de Deus e sua justiça. A atitude de um cristão diante de Deus deve ser semelhante à situação de uma criança que é serena e tranquila porque seu pai e sua mãe pensam nela e a amam.

 “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça”, Jesus nos relembra. Jesus não quer nos afastar das tarefas e responsabilidades terrenas, mas Ele nos recorda o essencial. É assegurar primeiro o que é essencial em cada jornada. Aquilo que eu estou buscando é essencial? Aquilo que estou fazendo é essencial? Aquilo que estou comentando é essencial?

Não fará vosso Pai muito mais por vós, gente de pouca fé?”. A confiança e o abandono nas mãos do Pai celeste que Jesus nos pede hoje é a fé n’Aquele a quem servimos e por quem nos sentimos amados. Deus sabe muito bem de que necessitamos de muitas coisas para a subsistência de cada dia que se fundamenta no dinheiro, fruto de nosso trabalho honesto e nos bens que com o dinheiro se adquirem. Por isso, no texto anterior, Jesus nos ensinou a rezar: “Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia”.

Mas esta confiança em Deus não nos isenta de nossa responsabilidade nas tarefas temporais, não nos permite desinteressarmos do nosso compromisso cristão no mundo. Se nós acreditamos que Deus é absoluto em tudo, então o resto é relativo ou é apenas meio ou instrumento e não o fim.

Por isso, Jesus nos alerta: “Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. Dinheiro é um deus que tem seu altar em cada coração humano. Ninguém está isento de servir ao deus- dinheiro. Mas Santo Agostinho dizia: “Se tu pensas em Deus com parâmetros carnais, tua mente se converterá em uma fábrica de ídolos”. “Amando a Deus nos tornamos divinos; amando ao mundo nos tornamos mundanos. O amor ao mundo corrompe a alma; o amor ao Criador do mundo a purifica. O homem não se torna bom por possuir coisas boas. Ao contrário, o homem bom torna boas as coisas que possui, ao usá-las bem”, acrescentou Santo Agostinho.

Jesus nos relembra que os pássaros se esforçam por comer e não se dedicam para acumular. A preocupação obsessiva pelos bens materiais impede qualquer homem de viver na paz e na serenidade.

P. Vitus Gustama, SVD

Segunda-feira Da XII Semana Comum, Ano Par, 22/06/2026

FÉ NO DEUS ÚNICO NOS LEVA VIVERMOS NA FRATERNIDADE BASEADA NO AMOR MÚTUO Segunda-Feira Da XII Semana Comum Primeira Leitura: 2Rs 17,5-8....