quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Sexta-feira Da XXX Semana Comum, 30/10/2026

DEUS QUER VIDA PARA TODOS E POR ISSO, CURA QUALQUER PESSOA EM QUALQUER DIA

Sexta-Feira da XXXI Semana Comum

Primeira Leitura: Fl 1,1-11

Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os seus bispos e diáconos: 2 graça e paz a vós da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. 3 Dou graças ao meu Deus, todas as vezes que me lembro de vós. 4 Sempre em todas as minhas orações rezo por vós, com alegria, 5 por causa da vossa comunhão conosco na divulgação do evangelho, desde o primeiro dia até agora. 6 Tenho a certeza de que aquele que começou em vós uma boa obra, há de levá-la à perfeição até ao dia de Cristo Jesus. 7 É justo que eu pense assim a respeito de vós todos, pois a todos trago no coração, porque, tanto na minha prisão como na defesa e confirmação do Evangelho, participais na graça que me foi dada. 8 Deus é testemunha de que tenho saudade de todos vós, com a ternura de Cristo Jesus. 9 E isto eu peço a Deus: que o vosso amor cresça sempre mais, em todo o conhecimento e experiência, 10 para discernirdes o que é o melhor. E assim ficareis puros e sem defeito para o dia de Cristo, 11 cheios do fruto da justiça que nos vem por Jesus Cristo, para a glória e o louvor de Deus.

Evangelho: Lc 14,1-6

1 Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. 2 Diante de Jesus, havia um hidrópico. 3 Tomando a palavra, Jesus falou aos mestres da Lei e aos fariseus: “A Lei permite curar em dia de sábado, ou não?” 4 Mas eles ficaram em silêncio. Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e despediu-o. 5 Depois lhes disse: “Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado?” 6 E eles não foram capazes de responder a isso.

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A Unidade Se Alcança Através Do Caminho Da Humildade e Do Auto-Despojamento

Hoje iniciamos a leitura contínua da Epístola aos Filipenses. É a mais pessoal das cartas de São Paulo, e com o tom muito afetuoso e confidencial. A Carta aos filipenses é uma Carta cheia de carinho por parte de são Paulo, que correponde assim ao afeto que lhe tinha aquela comunidade. A Carta aos Filipenses é o testamento de são Paulo estando ele na prisão domiciliar. A comunidade cristã de Filipos é a primícia  da missão de são Paulo no continente europeu. É a comunidade que são Paulo mais aprecia.

O nome “Filipos” se deve ao rei Filipo II da Macedônia, pai de Alexandre Magno, que no ano 358 a.C., transformou algumas aldeias em uma cidade fortificada a qual deu o seu nome.

Quando Paul, Silas, Timóteo chegam a Filipos, entre os anos 49-51 depois de Cristo (alguns especialistas dizem em torno do ano 49, outros dizem que entre os anos 50-51, na segunda viagem missionária de Paulo), Filipos estava povoada. Havia também nessa cidade um pequeno grupo de judeus, mas não havia nenhuma sinagoga, pois segundo At 16,13, esses judeus tinham que reunir-se “à beira do rio” para orar. Atos dos Aóstolos destaca como protagonista Lidia (At 16,14-15). Segundo At 16,16-40 e 1Ts 2,2 Paulo e seus companheiros se deiveram  por pouco tempo em Filipos. De fato, quando Paulo e seus companheiros  partem dessa cidade, eles já deixam em andamento uma comunidade cristã que cresceu e progrediu admiravelmente e manteve sempre com Paulo alguns laços singulares de carinho e de apoio, mesmo Paulo estando na prisão, inclusive no aspecto material. (cf. 1Cor 4,12; 9,15; 2Cor 11,7-11; 1Ts 2,9).

Segundo os especialistas a Carta aos Filipenses contém três Cartas: a Carta de A e B teriam sido escritas estando na prisão em Éfeso entre os anos 55-56. E Carta C teria sido escrita no ano 57, encontrando-se Paulo em Corinto.

Os Filipenses estão sofrendo uma hostilidade considerável de seus concidadãos (Fl 1,28-30). Paulo vê a capacidade dos Filipenses de resistir seriamente enfraquecida por divisões internas, causadas pelo egoismo e pelo orgulho ou prepotência. Com grande amor, Paulo os incita a trabalharem juntos e a encontrarem  uma unidade mais profunda por meio de altruísmo. Ao mesmo tempo, Paulo desenvolve uma mística do sofrimento, a partir da própria experiência do Evangelho para alertá-los: assim como compartilham de seu sofrimento (na prisão), deveriam compartilhar também da alegria que emana da união profunda com Cristo que esse sofrimento traz.

A Carta gira em torno da ideia  da Koinonia, “participação comum”, “comunhão”: a Koinonia no sofrimento intensifica a união entre o apóstolo e a comunidade; ao mesmo tempo, a Koinonia básica em Cristo deveria modelar e determinar seus relamentos mútuos.

Hoje, através da Primeira Leitura, são Paulo pede aos Filipenses encarecidamente que lhe deem esta grande alegria: “Se existe consolação na vida em Cristo, se existe alento no mútuo amor, se existe comunhão no Espírito, se existe ternura e compaixão, tornai então completa a minha alegria: aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade”.

A comunidade de Filipo, como todas as demais comunidades, deve ter motivos de tensão e divisões. Por isso, são Paula dá esta recomendação. “Aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade”. Os perigos que ameaçam a mensagem da cruz de Cristo podem proceder não somente da parte de fora (judaizantes), mas da parte de dentro também. Dentro da própria comunidade pode haver desunião e divisão porque alguns querem exaltar-se ou ocupar primeiros lugares que é uma manifestação da falta da humildade e do “esvaziamento” que é o caminho de Jesus. A humildade é a virtude bíblica da “kénosis”, isto é, do auto-despojamento, do desapego. Jesus é a personaficação perfeita da “kénosis”, pelo seu auto-despojamento, pela sua forma de ser Servo por amor aos homens. A “kénosis” cristã é o conhecimento existencial da gratuidade. A “kénosis” é todo um empenhamento para dar lugar à riqueza do poder da graça de Deus.

Para pedir a unidade na comunidade de Filipo, são Paulo apela para a experiência dos próprios filipenses. Eles conhecem os bens espirituais que no texto de hoje são mencionados: a experiência do consolo ou do alívio, da ajuda que procede do ágape (amor mútuo na fraternidade), solidariedade comunitária; a experiência da comunhão no Espírito; a experiência do afeto e do amor mútuo entre são Paulo e os Filipenses; experiência do consolo em Cristo que é o resumo de tudo isso.

Os motivos para esta unidade, então, não são somente humanos, isto é a convivência civilizada e sim se apoiam sobretudo na fé: comunhão no Espirito. O Espirito une; o Diabo desune. O Espirito vivifica; o egoísmo sufoca e mata o amor fraterno. O motivo profundo da unidade é a nossa fé no Deus Uno e Trino. Toda divisão é o contra-testemunho de nossa fé na Santíssima Trindade. Toda união e fraternidade é a manifestação de nossa fé na Santíssima Trindade. Somos lembrados permanentemente da importância da união através do sinal da cruz que fazemos no início e no fim de nossas orações individuais e de nossas celebrações.

Os conselhos de são Paulo para os Filipenses valem para nós todos: “Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais importante, e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro”. A comunidade vai melhorar, se cada membro cuktivar essas atitudes. Todos devem cantar de verdade o Salmo Responsorial de hoje (Sl 130): “Senhor, meu coração não é orgulhoso, nem se eleva arrogante o meu olhar; não ando à procura de grandezas, nem tenho pretensões ambiciosas! ”.

Nossos divisões acontecem porque cada um se crê superior aos demais e se preocupa do seu, sem prestar atenção para os necessidades dos outros. Com isso, reina cada vez mais o egoísmo que mata a convivência fraterna. Alegraremos o coração de Deus e nós mesmos seremos mais felizes, se hoje fizermos o possível para reprimir nossas vaidades exageradas e nossas pretensões.

É Preciso Fazer o Bem Em Qualquer Lugar e Momento

Continuamos escutando as últimas e importantes lições de Jesus na sua última viagem para Jerusalém (Lc 9,58-19,28), pois lá ele será crucificado, morto e glorificado.

Na passagem do evangelho de hoje, Jesus quer nos relembrar que o ser humano é mais sagrado e importante do que qualquer lei por sagrada que ela pareça ser, pois em cada ser humano há o hálito divino (Gn 2,7) que o torna o templo do Espírito Santo (1Cor 3,16-17; 6,19).

“Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus...”, assim o evangelista Lucas nos relatou. Era sábado (shabbat). O Sábado era o dia em que o povo eleito comemorava os grandes benefícios de Deus: a criação (Ex 20,8-11) e a libertação da escravidão do Egito (Dt 5,12-15). Era o dia o qual o Senhor abençoava acima de outros dias da semana (Jubileus 2,31s). Era o dia de reconhecimento de que Deus santificava o povo (cf. Ex 31,13; cf. Hb 4,9). No Sábado os judeus costumavam comer festivamente. Para Jesus, comer significa viver; comer no sábado significa participar da vida de Deus e Deus quer a vida em abundância para todos (Jo 10,10). Logo, é permitido salvar alguém no sábado de sua doença.

E nesse dia (Sábado) os judeus costumavam convidar as pessoas para a refeição festiva, mas não era qualquer convidado. O convidado de honra para a refeição festiva, além de escribas e fariseus, segundo o evangelho de hoje, era Jesus, pois ele era tratado como mestre. Jesus tinha fama na região toda (Lc 7,17). O povo considerava Jesus como o grande profeta (Lc 7,16; 24,19). Durante este tipo de refeição, costumavam aparecer algumas pessoas sem ser convidadas para ver o convidado de honra (cf. Lc 7,37). Podemos entender porque um hidrópico se encontrou nessa refeição.

“Diante de Jesus, havia um hidrópico”, prossegue Lucas. Para os fariseus e escribas qualquer doença era fruto do pecado cometido e consequentemente, era castigado por Deus. E a causa da hidropisia, segundo eles, era a luxúria. Em vez de se concentrar na refeição, os fariseus e escribas ficam olhando para Jesus e o hidrópico para observar o que Jesus vai fazer com o hidrópico, pois curar um doente faz parte dos 39 trabalhos proibidos no Sábado.

Qual é a posição de Jesus diante de um necessitado como esse hidrópico? Ele quer ajudar e curar o hidrópico mesmo sendo proibido, pois no Sábado. Mas antes de curá-lo Jesus lança uma pergunta bem fundamental com o intuito de que os fariseus e escribas possam refletir sobre a pergunta: “A Lei permite curar em dia de sábado, ou não?... Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado?”. Trata-se de uma nova maneira de conceber o “descanso” do Sábado, ou do domingo, no nosso caso, como cristãos. Com essa afirmação Jesus quer dizer aos fariseus e escribas e a todos nós que o Sábado ou o Domingo (para nós) é o dia da benevolência divina, o dia da redenção, da libertação, da misericórdia de Deus para os pobres, os excluídos, os perdidos, os pecadores, da ressurreição (para nós cristãos) e assim por diante. É o dia, por excelência, para fazer o bem, curar, salvar, ajudar, se solidarizar. É um dia de abertura aos demais: vida de família e de comunidade. É um dia de “saber descansar juntos”, cultivando valores humanos importantes. É um dia de caridade para partilhar o que somos e temos. Ao contrário, os fariseus e os escribas se preocupam com o descanso no Sábado e esquecem a vontade salvífica e amorosa de Deus pelo homem.

O homem hidrópico foi libertado por Jesus de sua hidropisia. A cura é sinal bastante evidente de que Deus está com Jesus e que Jesus age em virtude e no poder de Deus (At 10,38). Se curar um doente fosse proibido por Deus no Sábado, o homem não ficaria libertado de sua hidropisia.

Deus “pensa” na salvação do homem eternamente. Cada um de nós, seres humanos, está no pensamento de Deus, desde o princípio, pois o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gn1,26; 3,22b).  Para Deus ninguém é anônimo, pois Ele chama cada um de nós pelo nome (cf. Is 43,1). O nome de cada um de nós está tatuado nas palmas das mãos de Deus (cf. Is 49,16). E o nome significa pessoa. Em cada nome está a missão de cada um. Em função da importância do homem, Deus até enviou seu Filho unigênito para salvar a humanidade (cf. Jo 3,16). E por causa do amor sem limite de Deus pelo ser humano, o salmista chegou a fazer uma pergunta retórica em forma de oração: “Ó Senhor, nosso Deus, como é glorioso vosso nome em toda a terra! Vossa majestade se estende, triunfante, por cima de todos os céus... Quando contemplo o firmamento, obra de vossos dedos, a lua e as estrelas que lá fixastes: Que é o homem, digo-me então, para pensardes nele? Que são os filhos de Adão, para que vos ocupeis com eles?” (Sl 8,2.4-5).

Jesus põe o ser humano acima de qualquer lei por sagrada que ela pareça ser. Que lugar ocupa o ser humano nas nossas atividades pastorais, nos movimentos, na política, na economia e assim por diante? De que maneira tratamos o ser humano que para Deus ele está acima de tudo? As regras são importantes desde que ajudem o ser humano a se desenvolver para viver na sua dignidade. Será que somos escravos das regras e das normas litúrgicas esquecendo o ser humano? Será que ao colocar as normas acima do ser humano, sem querer, manifestamos nosso pouco amor pelas pessoas? Será que sabemos acolher as pessoas ou nos preocupamos com nossas “atividades pastorais?”.

Na sua Carta Apostólica, Dies Domini, o Papa João Paulo II escreveu: “O domingo, de fato, recorda, no ritmo semanal do tempo, o dia da ressurreição de Cristo. É a Páscoa da semana, na qual se celebra a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, o cumprimento n'Ele da primeira criação e o início da « nova criação » (cf. 2 Cor 5,17). É o dia da evocação adorante e grata do primeiro dia do mundo e, ao mesmo tempo, da prefiguração, vivida na esperança, do « último dia », quando Cristo vier na glória (cf. Act 1,11; 1 Tes 4,13-17) e renovar todas as coisas (cf. Ap 21,5).[Dies Domini,no.1]... “Há-de-se implorar a graça da descoberta sempre mais profunda deste dia, não só para viver em plenitude as exigências próprias da fé, mas também para dar resposta concreta aos anseios íntimos e verdadeiros existentes em todo ser humano. O tempo dado a Cristo, nunca é tempo perdido, mas tempo conquistado para a profunda humanização das nossas relações e da nossa vida” (no.7)... “Recebendo o Pão da vida, os discípulos de Cristo preparam-se para enfrentar, com a força do Ressuscitado e do seu Espírito, as obrigações que os esperam na sua vida ordinária. Com efeito, para o fiel que compreendeu o sentido daquilo que realizou, a Celebração Eucarística não pode exaurir-se no interior do templo. Como as primeiras testemunhas da ressurreição, também os cristãos, convocados cada domingo para viver e confessar a presença do Ressuscitado, são chamados, na sua vida quotidiana, a tornarem-se evangelizadores e testemunhas. A oração depois-da-comunhão e o rito de conclusão — a bênção e a despedida — hão-de ser, sob este aspecto, melhor entendidos e valorizados, para que todos os participantes na Eucaristia sintam mais profundamente a responsabilidade que daí lhes advém. Terminada a assembleia, o discípulo de Cristo volta ao seu ambiente quotidiano, com o compromisso de fazer, de toda a sua vida, um dom, um sacrifício espiritual agradável a Deus (cf. Rom 12,1). Ele sente-se devedor para com os irmãos daquilo que recebeu na celebração, tal como sucedeu com os discípulos de Emaús que, depois de terem reconhecido Cristo ressuscitado na « fracção do pão » (cf. Lc 24,30-32), sentiram a exigência de ir imediatamente partilhar com seus irmãos a alegria de terem encontrado o Senhor (cf. Lc 24,33-35)” (n. 45).

A partir de tudo que foi dito vem a pergunta: De que maneira nós vivemos o nosso Domingo, que é o Dia do Senhor e também é o dia da Igreja? Nós simplesmente cumprimos preceito ao ir à igreja aos domingos ou será que temos consciência de que vamos escutar as lições do Senhor através de Sua Palavra proclamada e medita durante a celebração dominical para colocarmos em prática a Palavra escutada?

Para Rezar e Refletir:

“Quando contemplo o firmamento, obra de vossos dedos, a lua e as estrelas que lá fixastes: Que é o homem, digo-me então, para pensardes nele? Que são os filhos de Adão, para que vos ocupeis com eles? Ó Senhor, nosso Deus, como é glorioso vosso nome em toda a terra!” (Sl 8).

“Que é o homem, de quem cuidas? Um ponto de poeira num cosmos de luz. Mas, no ponto que sou eu, há outra criação ainda mais maravilhosa do que o firmamento e as estrelas. O prodígio do meu corpo, o segredo das minhas células, o relâmpago que há nos meus nervos, o palácio do meu coração... E a animação da minha alma, a centelha do meu entendimento, o frêmito do meu sentimento, o pilar da minha fé. O milagre que está dentro de mim, bem como a Sua assinatura a ele aposta. Sorrio em reconhecimento quando vejo que fizeste de mim o rei da tua criação, inferior tão-somente, a Ti mesmo. Conheço a minha pequenez e a minha grandeza, a minha dignidade e a minha insignificância... Grande é o Teu nome, ó Senhor, por toda a terra... Quando encontro uma dificuldade na vida e penso em Ti, não é para pedir-Te que a remova, mas para que me dês forças para enfrentá-la; não é para impor-Te a minha solução, mas para que eu tome a Tua como minha. Eis por que És a minha fortaleza: porque És o meu ser” (Carlos G. Vallés: Busco Tua Face, Senhor. Ed. Loyola). 

P. Vitus Gustama,svd

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Quinta-feira Da XXX Semana Comum, Ano Par, 29/10/2026

É PRECISO ANUNCIAR O EVANGELHO DA PAZ COM A ARMADURA DE DEUS

Quinta-Feira da XXX Semana Comum

Primeira Leitura: Efésios 6,10-20 (Ano Par)

10 Finalmente, irmãos, fortalecei-vos no Senhor, e na força de seu poder. 11 Revesti-vos da armadura de Deus, para poderdes resistir às insídias do diabo. 12 Pois o nosso combate não é contra o sangue nem contra a carne, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra os Espíritos do Mal, que povoam as regiões celestiais. 13 Revesti, portanto, a armadura de Deus, a fim de que no dia mau possais resistir e permanecer firmes em tudo. 14 De pé, portanto! Cingi os vossos rins com a verdade, revesti-vos com a couraça da justiça 15 e calçai os vossos pés com a prontidão em anunciar o Evangelho da paz. 16 Tomai o escudo da fé, o qual vos permitirá apagar todas as flechas ardentes do Maligno. 17 Tomai, enfim, o capacete da salvação e o gládio do espírito, isto é, a Palavra de Deus. 18 Com preces e súplicas de vária ordem, orai em todas as circunstâncias, no Espírito, e vigiai com toda a perseverança, intercedendo por todos os santos. 19 Orai também por mim, para que a palavra seja posta em minha boca para anunciar corajosamente o mistério do Evangelho, 20 do qual sou embaixador acorrentado. Possa eu, como é minha obrigação, proclamá-lo com toda a ousadia.

Evangelho: Lc 13, 31-35

31 Naquela hora, alguns fariseus aproximaram-se e disseram a Jesus: “Tu deves ir embora daqui, porque Herodes quer te matar”. 32 Jesus disse: “Ide dizer a essa raposa: eu expulso demônios e faço curas hoje e amanhã; e no terceiro dia terminarei o meu trabalho. 33 Entretanto, preciso caminhar hoje, amanhã e depois de amanhã, porque não convém que um profeta morra fora de Jerusalém. 34 Jerusalém, Jerusalém! Tu que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes eu quis reunir teus filhos, como a galinha reúne os pintinhos debaixo das asas, mas tu não quiseste! 35 Eis que vossa casa ficará abandonada. Eu vos digo: não me vereis mais, até que chegue o tempo em que vós mesmos direis: Bendito aquele que vem em nome do Senhor”.

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A Força De Deus, Que Está Na Verdade e Na Justiça, e a Oração Permanente São Meios Eficazes Contra o Espírito Do Mal

Ao final da Carta aos Efésios, o Apóstolo exorta aos cristãos para “o combate espiritual” e “a oração”. Dois conselhos sempre válidos para todos os tempos e lugares.

A vida humana é um combate, uma luta. Os modernos falam de “conflitos” e de “lutas”. Mas para o Apóstolo Paulo, a luta é muito mais profunda do que parece segundo as análises politicas ou simplesmente humanas. Trata-se de um combate “contra forças espirituais invisíveis”. No coração do mundo existem “mais forças que nós”, umas forças que estão “acima de nós”. O pior erro seria ignorar essas forças. No mundo há forças subterrâneas, movimentos incontroláveis, influências  imprevisíveis, droga, violência, poluição, controle econômico em nome do lucro, mesmo que haja muitas vítimas humanas e vários sofrimentos para a maioria.

Em outras palavras, o inimigo irreconciliável da verdade, da justiça e da paz não é outra senão a mentira, a injustiça e a guerra que reinam no homem e entre os homens e os seduzem. O cristão não é o homem que se coloca à margem deste combate. Nem tampouco o homem que vive unicamente na verdade, na justiça e na paz. Mas exatamente, o crente é o homem que não deixa jamais de buscar e de reconhecer a verdade, a justiça e a paz. O combate tem lugar no interior da vida do homem e, ao mesmo tempo, na convivência com os demais.

Para descrever a vida cristã em forma breve, clara e atrativa, o Apóstolo Paulo considera cada cristão como um guerreiro bem armado para resistir ao inimigo e para combatê-lo, ao mesmo tempo. A armadura de Deus da qual o cristão tem que se vestir está constituída pela verdade e a justiça, pela oração a fim de poder anunciar “o Evangelho da paz”.

Tudo isso requer um compromisso de força total, de combate contínuo. “Revesti-vos da armadura de Deus, para poderdes resistir às insídias do diabo”.   A armadura é o equipamento completo do soldado de infantaria. Usando metaforicamente, trata-se aqui não de armas materiais, pois o combate é contra diabo. O autor da Carta quer que os Efésios estejam preparados para o combate espiritual. Porém, a armadura deve vir de Deus para que possam chegar ao fim, pois trata-se de uma luta contra os adversários bem diferentes: os principados, as potestades e as dominações. Todos estes poderes estão acima de todas as ordens dos anjos, mas estão de baixo de Cristo Ressuscitado (Ef 1,21). O Autor da Carta os apresenta abertamente como forças inimigas de Deus, a serviço do Diabo, isto é, daquele que desune o homem de Deus e do homem entre si. Estes poderes são chamados expressamente de “espírito do mal” que se lançam sobre  os seguidores d´Aquele que já os venceu na Cruz. Basta permanecer em Jesus Ressuscitado é estes poderes serão vencidos. Por isso, no fundo é o Cristo Ressuscitado a “armadura de Deus” que vence tudo. Por isso, o autor da Carta aconselha: “Revesti, portanto, a armadura de Deus, a fim de que no dia mau possais resistir e permanecer firmes em tudo”. Estando com Cristo a vitória final está garantida. A vitória é sempre de Deus.

Quais são as armaduras dos cristãos contra o diabo? Os itens apresentados por são Paulo são retirados do modelo do soldado pronto para a batalha:

·      O cinturão da verdade. A verdade é a norma segura de conduta. Uma das armas mais poderosas que qualquer cristão deve ter é a arma da verdade, pois o Deus em quem ele acredita é a Verdade: “Eu sou o Caminho, a VERDADE e a vida” (Jo 14,6). Falar a verdade e viver conforme a verdade é um belo ato para qualquer cristão. Porém, a verdade tem que ser dita com caridade, pois o objetivo do cristão não é machucar o outro com a verdade e sim salvar outro mostrando a verdade.

·      A couraça da justiça. A justiça da qual se fala aqui é a justiça que vem de Deus e que só tem valor diante d´Ele. Na Carta aos Filipenses, são Paulo descreve bem do que se trata desta justiça ao escrever: “Esforço-me por estar em Cristo, não pela minha justiça, que vem da Lei, e sim pela justiça que vem de Deus e se alicerce na fé” (Fl 3,9). A ideia bíblica de justiça ou de retidão geralmente expressa conformidade com todas as áreas da vida de Deus. Quando os homens aderem à vontade de Deus, eles são considerados justos ou retos. Jesus ensinou que aqueles que conformam suas vidas aos seus ensinamentos também são justos, retos. A justiça é questão de amor. Com efeito, a maior injustiça, que podemos ou possamos cometer, acontece quando não amamos mais os outros. Porque todas as outras injustiças são fruto ou consequência da falta de amor. “Jesus viveria e morreria em vão se não conseguisse ensinar-nos a ordenar toda a nossa vida pela eterna lei do amor” (M. Gandhi).

·      As sandálias da prontidão. Anunciar o Evangelho é a dimensão apostólica de toda a vida autenticamente cristã. As sandálias usadas eram o sinal de que se estava pronto para marchar, para uma longa viagem, para enfrentar vários tipos de terrenos. O cristão deve estar pronto para anunciar o Evangelho.

·       Escudo da fé. A fé aqui é o conhecimento do ensinamento de Cristo e a adesão à sua Pessoa. A fé consiste na disponibilidade a deixar-se incessantemente transformar pela chamada de Deus. A fé é separação dos ídolos, do diabo para voltar ao Deus vivo, através de um encontro pessoal. “A fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece-nos como luz para a estrada orientando os nossos passos no tempo” (Papa Francisco: Lumen Fidei, Carta Encíclica).

·      O capacete da salvação.  A esperança da salvação mantém a lucidez e a força do Espírito na espera da vitória final (1Ts 5,5). O objetivo de nosso combate contra o diabo é a nossa salvação.

·      A espada do Espírito.  A última arma, a espada do Espírito é a Palavra de Deus, a revelação contida no Evangelho (1Ts 2,13). A Palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4,12). 

As forças invisíveis estão sempre em ação. Dai a necessidade dessas armaduras.

Além disso, os cristãos devem ser homens de muita oração com uma vigilância permanente: “Com preces e súplicas de vária ordem, orai em todas as circunstâncias, no Espírito, e vigiai com toda a perseverança, intercedendo por todos os santos”. A oração é o segredo da forças dos homens dinâmicos. A oração é imprescindível na vida de cada cristão quando ele vive seriamente a verdade do seu ser como cristão. A oração é indispensável e necessária, porque é o clima em que nasce e amadurece a fé e a vida. A oração fortalece a esperança cristã que não podemos confundir com a simples espera de algo que se realize. A esperança cristã consiste na certeza de conseguir um dia o anseio mais íntimo e verdadeiro de nosso coração apesar de todas as situações e contradições que façam difícil manter esta atitude. É uma esperança que respeita o “tempo de Deus”, mas que nos leva a trabalharmos para adiantá-lo.  Se a oração é a forma habitual de alimentar nossa comunhão com Deus e com os homens, deixar de orar significa deixar de ter o “sentido de Deus” nos acontecimentos e deixar-nos alienados d’Ele. Se um cristão não rezar, vai errar muito o caminho.

Viver Para Anunciar o Bem Até O Fim Da Vida

Continuamos a acompanhar Jesus no seu Caminho para Jerusalém. Durante esse Caminho Jesus vai dando suas ultimas e importantes lições para seus discípulos. São Lições do Caminho (Lc 9,51-19,28) e portanto, para todos os cristãos em todos os tempos. Para Lucas, Jerusalém é tudo: onde acontece a cena da morte, da ressurreição, do nascimento da Igreja, e da expansão missionária.

É interessante notar, no evangelho de hoje, que os fariseus, que muitas vezes atacam Jesus de várias maneiras, desta vez, querem salvar sua vida ao lhe dizer: “Tu deves ir embora daqui, porque Herodes quer te matar”. Os que estão no poder consideram Jesus como um homem perigoso e por isso, querem eliminá-lo, embora Jesus apenas ajude as pessoas na sua dignidade. E Herodes seria capaz de fazer isso (matar), pois ele já mandou decapitar João Batista alguns meses antes (cf. Lc 3,19).

O poder destrói a integridade; destrói a confiança; destrói dialogo; e destrói a relacionamentos. O poder sempre anda lado a lado com a soberba e o orgulho. “A soberba odeia a companhia! O orgulhoso procura por todos os meios brilhar solitário”, dizia Sant Agostinho (Epist. 140,42). Não há nada que nos isole dos outros tanto quanto o poder. Até mesmo a conversa humana comum é destruída pelo poder. Por causa do poder vivemos o drama do diálogo perdido. Por isso, vemos esse drama trágico entre maridos e mulheres, entre pais e filhos, entre patrões e empregados e assim por diante.

Os que têm sede do poder se preocupam com o poder-sobre do que com o poder-fazer. Querem mandar em tudo e em todos. Eles se preocupam na tomada do poder e não na dissolução do poder.  “Quem manda aqui sou eu” é a frase favorita de quem adora ao poder. “A transformação do poder-fazer em poder-sobre implica a ruptura do fluxo social do fazer. Os que exercem o poder-sobre separam o feito do fazer de outros e o declaram seu. A apropriação do feito é ao mesmo tempo a apropriação dos meios de fazer, e isso permite aos poderosos controlar o fazer dos fazedores. Os fazedores (os humanos, entendidos como ativos) estão separados assim de seu feito, dos meios de fazer e do próprio fazer. Qualquer tentativa de mudar a sociedade envolve o fazer, a atividade. O fazer, por sua vez, envolve a capacidade de fazer, o poder-fazer. Muitas vezes usamos a palavra “poder” nesse sentido, como algo bom, como quando uma ação junto com outros (uma manifestação ou inclusive um bom seminário) nos dá uma sensação de poder. O poder neste sentido tem seu fundamento no fazer: é o poder-fazer.” (John Holloway).

O pecado do poder consiste no desejo de ser mais do que aquilo para o qual fomos criados. “O homem foi criado para viver de acordo com a Verdade. Não viver como foi criado é viver na mentira permanente”, dizia Santo Agostinho (De civ. Dei 14, 4,1). “Aproximar-se de Deus é assemelhar-se a Ele. Afastar-se d’Ele é deformar-se” (Santo Agostinho. In ps 34,2,6).

Na sua resposta, diante desta ameaça, Jesus mostra aos fariseus (e Herodes) que ele próprio é quem decide seu caminho a seguir; Ele não se intimida pelos poderosos: “Ide dizer a essa raposa: eu expulso demônios e faço curas hoje e amanhã; e no terceiro dia terminarei o meu trabalho. Entretanto, preciso caminhar hoje, amanhã e depois de amanhã, porque não convém que um profeta morra fora de Jerusalém”. Raposo é um animal medroso que só caça de noite e foge quando chegar a madrugada e corre rapidamente por causa de um pequeno perigo. Na gíria aramaica “raposa” tem um duplo sentido: animal astuto e animal insignificante em oposição a “leão”. Aqui a palavra “raposa” se aplica à pessoa insignificante e buliçosa/ inquieta que não merece respeito. Herodes é chamado de “raposa” para dizer que ele é um tipo de pessoa covarde, hipócrita que não quer se responsabilizar pela morte de Jesus, e Pilatos vai também nessa direção na condenação de Jesus (cf. Lc 23,6-12).

A tripla enumeração: “hoje, amanhã, e o terceiro dia” / “hoje, amanhã e depois de amanhã” serve para englobar um período de tempo largo e completo, isto é, o que resta de sua vida publica, durante o qual Jesus prosseguirá libertando o povo de todo tipo de ideologias contrárias ao plano de Deus (“expulsando demônios”) e de todo tipo de doenças morais e físicas que impede o povo de segui-lo com liberdade e dignidade humana (“curando”) até o fim de sua missão terrena (“terminarei meu trabalho”). Jesus não faz sua missão pela metade. Ele vive sua vida na totalidade e não pela metade. Jesus alcança a perfeição humana entregando sua vida para a salvação de todos.

A partir de Jesus aprendemos que precisamos fazer as coisas pelo bem de todos até onde nossa capacidade permitir. Quando cumprirmos nossa missão até onde a capacidade permitir, seremos pessoas realizadas e as outras serão beneficiadas.

Jerusalém que significa “cidade da paz” faz o contrário. Em vez de viver para criar a paz, Jerusalém provoca a violência: “Jerusalém, Jerusalém! Tu que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados!”, lamenta Jesus. Jerusalém não vive de acordo com seu nome: “cidade da paz”. Talvez possamos dizer isto, na linguagem de Santo Agostinho, para nosso contexto: “O nome de cristão traz em si a conotação de justiça, bondade, integridade, paciência, castidade, prudência, amabilidade, inocência e piedade. Como podes explicar a apropriação de tal nome se tua conduta mostra tão poucas dessas muitas virtudes?” (De vit. christ. 6).

Pelo Batismo nos é confiada a missão de proclamar a Boa Nova de salvação. No cumprimento fiel dessa missão não podemos dar-nos descanso: “Eu faço curas hoje e amanhã; e no terceiro dia terminarei o meu trabalho. Preciso caminhar hoje, amanhã e depois de amanhã”. São Paulo escreveu ao Timóteo: “Prega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir” (2Tm 4,2). Não podemos enterrar as oportunidades, pois precisamos viver para fazer o bem (cf. At 10,38). Eu preciso fazer o bem hoje, amanhã e depois de amanhã (em todos os dias da minha vida). Nisto alcançarei a minha perfeição humana.

P. Vitus Gustama,svd

Santos Simão e Judas, Apóstolos, festa, 28/10/2026

JUDAS TADEU E SIMÃO-APÓSTOLOS

SER CRISTÃO É SER ENVIADO DO SENHOR E SER FATOR DA UNIDADE

Primeira Leitura: Ef 2,19-22

Irmãos, 19 já não sois mais estrangeiros nem migrantes, mas concidadãos dos santos. Sois da família de Deus. 20 Vós fostes integrados no edifício que tem como fundamento os apóstolos e os profetas, e o próprio Jesus Cristo como pedra principal. 21 É nele que toda a construção se ajusta e se eleva para formar um templo santo no Senhor. 22 E vós também sois integrados nesta construção, para vos tornardes morada de Deus pelo Espírito.

Evangelho: Lc 6,12-19

12 Naqueles dias, Jesus foi à montanha para rezar. E passou a noite toda em oração a Deus. 13 Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de apóstolos: 14 Simão, a quem impôs o nome de Pedro, e seu irmão André; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; 15 Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelota; 16 Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, aquele que se tornou traidor. 17Jesus desceu da montanha com eles e parou num lugar plano. Ali estavam muitos dos seus discípulos e grande multidão de gente de toda a Judeia e de Jerusalém, do litoral de Tiro e Sidônia. 18 Vieram para ouvir Jesus e serem curados de suas doenças. E aqueles que estavam atormentados por espíritos maus também foram curados. 19 A multidão toda procurava tocar em Jesus, porque uma força saía dele, e curava a todos.

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No dia 28 de outubro a Igreja celebra a festa dos Apóstolos Simão, o Cananeu, e Judas Tadeu (que não se deve confundir com Judas Iscariotes), juntos. Nos evangelhos e nos Atos dos Apóstolos, os dois estão sempre juntos na lista dos Apóstolos, um ao lado do outro (cf. Mt 10, 4; Mc 3, 18; Lc 6, 15; At 1, 13). Não há muitos dados a respeitos dos dois.

O nome “Simão” é usado como forma grega do nome hebraico “Simeão”, que significa “Ouvindo”. Existem nove personagens com esse nome no Novo Testamento: irmão de Jesus, (Mt 13,55; Mc 6,3), irmão de André (Mt 10,2; Mc 3,16; Lc 6,14 etc.), um fariseu (Lc 7), o zelote (At 1 e nas listas dos apóstolos nos evangelhos sinóticos), o leproso (Mt 26,6; Mc 14,3), Iscariotes (Jo 6,71; 13,2.26), Cireneu (Mt 27,32; Lc 23,26), o mágico (At 8,9), o curtidor (At 9,43; 10,6.17.32)

No Evangelho de Mateus Simão tem qualitativa de “cananeu”. Em hebraico o verbo “qanà” significa “ser zeloso”. Não é por acaso que o evangelho de Lucas chama-o de “zelota” ou “zelote” ou “dedicado”. Ser zeloso, aqui, significa ser dedicado no serviço total a Deus e no serviço do povo para o qual foi eleito (cf. Ex 20,5; 1Rs 19,10: Elias se dedica totalmente ao Deus único, defensor do monoteísmo). Esse nome (Zelote) descrevia seu caráter ou sua lealdade, tanto no passado como no presente

O segundo Apostolo cuja festa nós celebramos também neste dia é Judas Tadeu (mais popular do que Simão, por ser considerado, popularmente, como santo das causas e coisas impossíveis). Os evangelhos Mateus e Marcos chamam esse Apostolo com um nome só: “Tadeu” (Mt 10,3; Mc 3,18); Lucas chama-o com dois nomes: “Judas de Tiago” ou “Judas filho de Tiago” (Lc 6,16; At 1,13).

Sobre o Apóstolo Judas Tadeu, também, temos muito poucos dados. O evangelista João registrou a pergunta desse Apostolo para Jesus, cuja atualidade jamais perdida: “Senhor, por que te manifestarás a nós e não ao mundo?” (Jo 14,22: durante a Última Ceia). De fato, o Ressuscitado não se manifestou aos seus adversários para mostrar que quem vence é sempre Deus e quem está com Deus (cf. Rm 8,31-39). Deus continua respeitando a liberdade do homem, mas continua espera a volta de cada homem com misericórdia (cf. Lc 15,11-32). O caminho de Deus é totalmente diferente dos caminhos dos homens (cf. Is 55,8). O homem gosta de se exibir (cf. Mt 23,1-12). Deus prefere o caminho simples, sem barulho (cf. 1Rs 19,1-18; Mt 11,25-28). Segundo Jesus, na sua resposta à pergunta de Judas, Deus se manifesta e faz Sua morada no coração que sabe amar: “Se alguém me ama, guardará minha palavra e o meu Pai o amará e a ele viremos e nele estabeleceremos morada” (Jo 14,23). O amor no coração nos faz percebermos a presença de Deus. “Amando ao próximo tu limpas os olhos para ver a Deus” (Santo Agostinho. In Joan. 17,8).

Uma das Cartas do NT, chamadas cartas “católicas” (porque não são destinadas para determinada comunidade ou Igreja), é atribuída a Judas Tadeu (Carta de São Judas tem apenas 25 versículos). Nesta pequena Carta Judas Tadeu adverte a todos para não seguirem ensinamentos falsos e inaceitáveis, pois capazes de criar divisão dentro da própria comunidade. Segundo o autor dessa Carta, aqueles que seguem as doutrinas falsas e inaceitáveis são comparados com “os anjos caídos”, “nuvens sem água que os ventos levam”, “arvores sem frutos” (cf. vv. 11-13). Alem disso, nessa Carta, o autor encoraja os leitores para não terem medo diante das dificuldades e desafios, pois Deus vai guardar Seus fieis (v. 24). É preciso ter fé em Deus (v.20). Mas, ao mesmo tempo, o autor pede que andemos pelo caminho de indulgência: “Vocês, porém, amados, construam sobre o alicerce da santíssima fé que vocês têm; rezem movidos pelo Espírito Santo; mantenham-se no amor de Deus, esperando que a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo lhes dê a vida eterna. Procurem convencer os vacilantes: salvem a uns, arrancando-os do fogo; tenham compaixão de outros, mas com temor. Detestem até a roupa contaminada pelos instintos egoístas dos ímpios..." (vv. 20-23).

Os dois Apóstolos nos ajudam a vivermos nossa fé incansavelmente apesar das aparências poderosas das situações e dificuldades que encontramos na nossa vida. Deus é bom e Ele é amor, e por isso, podemos confiar nele em todos os momentos de nossa vida.

“Vós fostes integrados no edifício que tem como fundamento os apóstolos e os profetas, e o próprio Jesus Cristo como pedra principal”, escreveu São Paulo aos Efésios. Os apóstolos e os profetas são o cimento sobre o qual foi edificado o novo povo de Deus pela sua pregação e doutrina. Os profetas dos quais se fala são os do Novo Testamento que desempenharam uma papel importante similar aos dos apóstolos. Por isso os profetas aqui são colocados depois dos apóstolos.

Mas o próprio Cristo é a pedra angular da nova “casa de Deus”. Pedra angular é aquela sobre a qual um edifício está alicerçado. A pedra angular tem função de dar coesão e firmeza para os fundamentos e une as diversas partes. Dizer que Cristo é “pedra angular” significa que sobre Ele que está alicerçado o edifício da Igreja que tem poder de sustentar e consolidar os fundamentos e une entre si os dois povos que o formam (judeus-cristãos). Em Cristo se ergue e vai crescendo o edifício que é a Igreja para formar um templo consagrado ao Senhor.

Se Cristo é o fator importante (pedra angular) que une e dá firmeza ao todo, logo ser cristão significa ser fator da unidade. Os cristãos devem estar ausentes de qualquer atitude diabólica, isto é, a atitude que desune. Unir e reunir são termos que teologicamente significam salvar. Esta união é o objeto da oração de Cristo na sua despedida de seus discípulos (Cf. Jo 17,11b.20-23)

A passagem do Evangelho de hoje é lida em função da festa dos dois Apóstolos que narra a instituição solene dos Doze.

 “Jesus subiu ao monte”, assim Lucas começou seu relato. Monte é o lugar das grandes decisões, um lugar solitário propício para a oração, um lugar de amplos horizontes de onde se vê longe. Jesus nos ensina a aprendermos a ampliar nosso horizonte. Quanto mais subirmos, mais ampla será a visão que teremos. Para isso, temos que ter coragem de subir, de sair de nosso canto de sempre, sem medo. É aprender a ver a vida de maneira multiangular.  Eu posso fracassar em um modo de atuar, mas não significa que eu seja um fracassado para minha vida inteira. Deus me dá oportunidade para adotar outra maneira de viver tirando lição da maneira que eu vivi. O conservador não tem futuro porque não aceita novidade e teme por aquilo que é novo. Mas o mundo continua mudando e eu continuo parado e paralisado.

“Jesus subiu ao monte para rezar”. Na escolha dos Doze Apóstolos Jesus entra em oração, porque ele não pode ser movido pelos critérios humanos que não sejam aqueles do Reino de Deus. Simpatia, riqueza, de uma família nobre e assim por diante não entram como critério. Jesus quer alguém como apóstolo. A palavra “apóstolo” vem do grego que significa “enviado”. “Apóstolo” era um termo de caráter jurídico na época. O Apóstolo era o representante plenipotenciário de quem o enviava. Neste caso Jesus precisa ter muito discernimento para escolher quem realmente pode representá-lo como enviado. O sucesso da obra de Jesus depende do bom empenho do seu enviado. O apóstolo é o prolongamento do Senhor neste mundo. Jesus falará e agirá no mundo através de cada apóstolo.

A oração é tão importante na escolha dos apóstolos a ponto de Lucas nos relatar que Jesus “passou a noite toda em oração a Deus”. Alguns especialistas interpretam que a palavra “noite” aqui quer indicar a perplexidade que invade Jesus. E a oração é meio de clarificação a fim de que Deus dê luz verde naquilo que Jesus quer realizar com a ajuda dos apóstolos para a salvação do mundo. Por isso, Lucas nos relatou que Jesus não escolheu seus apóstolos à noite e sim ao amanhecer: “Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de apóstolos”. Há aqui o objetivo da oração de Jesus durante toda a noite: Sua Igreja. É o projeto que apesar de tudo continua durando até hoje (cf. Mt 16,18). Por isso, a instituição dos Doze é um momento solene para a história da Igreja, particularmente, e para a história da humanidade de modo geral.

Segundo alguns especialistas a expressão “ao amanhecer” indica que a oração obteve resultados positivos, pois não se pode tomar decisões enquanto alguém estiver nas trevas ou na perplexidade de uma escuridão de vida (“noite”). Estar na oração significa estar com Deus. E estar com Deus é estar com a luz que ilumina tudo na nossa vida (“amanhecer”). Aqui percebemos que a oração tem uma função de clarear nossa visão sobre tudo na nossa vida.

Os Doze não são grandes personalidades. É o estilo de Deus que vai escolhendo para sua obra pessoas débeis, mas que se esforçam para dar o melhor de si para salvação do mundo, pois agente principal desta obra continua sendo o próprio Deus. A lista dos que foram escolhidos como apóstolos se abre com Pedro e se fecha com Judas. Pedro representa fidelidade apesar das fraquezas. Judas representa infidelidade e se desespera. Pedro e Judas, símbolos de fidelidade e infidelidade, resumem a historia da Igreja e a historia pessoal de cada discípulo. O importante é que não cerremos nossa relação com Jesus com uma traição.                

Os Apóstolos já cumpriram sua missão. E por causa dos missionários próximos de nós, conhecemos Jesus. Não podemos deixar morrer na nossa mão está missão. Precisamos ser apóstolos do Senhor e fazer os outros apóstolos. Ser apóstolo não é trazer os outros para si e sim orientá-los para o encontro pessoal com Jesus, o Salvador. 

P. Vitus Gustama,svd

domingo, 25 de outubro de 2026

Terça-feira Da XXX Semana Comum, Ano Par, 27/10/2026

A PALAVRA DE DEUS TEM PODER DE TRANSFORMAR VIDA MATRIMONIAL E NOSSA VIDA COTIDIANA EM UMA VIDA DO AMOR MÚTUO

Terça-Feira da XXX Semana Comum

Primeira Leitura: Efésios 5,21-33 (Ano Par)

Irmãos, 21 vós, que temeis a Cristo, sede solícitos uns para com os outros. 22 As mulheres sejam submissas aos seus maridos como ao Senhor. 23 Pois o marido é a cabeça da mulher, do mesmo modo que Cristo é a cabeça da Igreja, ele, o Salvador do seu Corpo. 24 Mas como a Igreja é solícita por Cristo, sejam as mulheres solícitas em tudo pelos seus maridos. 25 Maridos, amai as vossas mulheres, como o Cristo amou a Igreja e se entregou por ela. 26 Ele quis assim torná-la santa, purificando-a com o banho da água unida à Palavra. 27 Ele quis apresentá-la a si mesmo esplêndida, sem mancha nem ruga nem defeito algum, mas santa e irrepreensível. 28 Assim é que o marido deve amar a sua mulher, como ao seu próprio corpo. Aquele que ama a sua mulher ama-se a si mesmo. 29 Ninguém jamais odiou a sua própria carne. Ao contrário, alimenta-a e cerca-a de cuidados, como o Cristo faz com a sua Igreja; 30 e nós membros do seu corpo! 31 Por isso o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne. 32 Este mistério é grande, e eu o interpreto em relação a Cristo e à Igreja. 33 Em todo caso, cada um, no que lhe toca, deve amar a sua mulher como a si mesmo; e a mulher deve respeitar o seu marido.

Evangelho: Lc 13,18-21

Naquele tempo, 18 Jesus dizia: “A que é semelhante o Reino de Deus, e com que poderei compará-lo? 19 Ele é como a semente de mostarda, que um homem pega e atira no seu jardim. A semente cresce, torna-se uma grande árvore e as aves do céu fazem ninhos nos seus ramos”. 20 Jesus disse ainda: “Com que poderei ainda comparar o Reino de Deus? 21 Ele é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”.

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Imitar o Amor De Cristo Pela Igreja Nas Matrimoniais e nas outras relações fraternais

O autor da Carta aos Efésios continua com as recomendações ou exortações sobre a vida de cada dia. Desta vez ele fala sobre as relações entre marido e mulher (matrimônio).

“Sejam as mulheres solícitas em tudo pelos seus maridos. Maridos, amai as vossas mulheres, como o Cristo amou a Igreja e se entregou por ela”. O convite ao mútuo amor no matrimônio se baseia na vontade originária de Deus no Gênesis, quando criou o homem e a mulher e quis que os dois fossem “uma só carne”. Por isso, “cada um, no que lhe toca, o marido deve amar a sua mulher como a si mesmo; e a mulher deve respeitar o seu marido”.

O matrimônio cristão é também uma opção radical e irrevogável, imagem da opção de Cristo por sua Igreja. A primeira vista, este texto paulino parece definir a superioridade do homem sobre a mulher. É evidente que a imagem não se pode levar até o extremo de dizer que o marido salva a mulher no mesmo sentido que Cristo salva a Igreja e seus membros. O marido não é “cabeça” de sua mulher no mesmo sentido em que Cristo o é da Igreja.

Há que ter em conta a evoluição antropológica e social das pessoas como da família. Hoje o matrimônio é entendido muito mais em termos de complementariedade e corresponsabilidade. Mas na sociedade na qual, de fato, viviam os primeiros cristãos, a superioridade do homem era absoluta.

Tendo em conta esta superioridade, que são Paulo não define e sim que consta, o que esta passagem inculca é que a autoridade do marido deve ser um serviço de amor e de proteção, imitação do de Jesus Cristo para com sua Igreja. O marido deve amar sua esposa até a morte e considerá-la não como um objeto e sim como o próprio corpo: “O marido deve amar a sua mulher, como ao seu próprio corpo. Aquele que ama a sua mulher ama-se a si mesmo” (Ef 5,29).

“Maridos, amai as vossas mulheres, como o Cristo amou a Igreja e se entregou por ela. Ele quis assim torná-la santa, purificando-a com o banho da água unida à Palavra”. O autor da Carta aos Efésios não sentia dificuldade em trazer a imagem da Igreja como Esposa de Cristo. O profeta Oseias, para descrever as exigências da Aliança, já havia recorrido a esta imagem de Deus, Esposo de seu povo, e já havia desenvolvido o tema com realismo (Os 2,18-22). Em sua Segunda Carta aos Coríntios, são Paulo vê em Cristo o esposo, e na Igreja a esposa (2Cor 11,2). Na Carta aos Efésios, vê Cristo como Cabeça, e a Igreja como Corpo. É uma nova maneira de expressar a unidade entre Deus e seu povo; é um modo de expressao totalmente novo. Por outra parte, a nova imagem utilizada por são Paulo não era uma criação artificial de sua imaginação. Na Bíblia, e segundo o que nos diz o Gênesis, a esposa é o corpo de seu esposo: “Eis agora aqui o osso de meus ossos e a carne de minha carne porque foi tomada do homem” (Gn 2,23-24). Por isso, depois de citar esta passagem do Gênesis, são Paulo declara que este mistério é grande, e o diz pensando em Cristo e na Igreja.

São Paulo entende a união entre homem e mulher da perspectiva de Deus, e portanto, afirma que “Aquele que ama a sua mulher ama-se a si mesmo”, porque “é a própria carne”. Mas, sobretudo, ele a relaciona com o amor que se tem mutuamente Cristo e a Igreja: “Este mistério é grande, e eu o interpreto em relação a Cristo e à Igreja”. Este “tipo” da união do homem e a mulher que encontramos no Gênesis, se realiza na união de Cristo e sua Igreja e, por sua vez, o amtrimônio encontra hoje sua verdadeira realização em conformidade com esta união de Cristo e sua Igreja.

O amor de Cristo a sua Igreja não é precisamente romântico: Cristo o demonstrou na sua entrega na morte na cruz por amor à humanidade. Ai éstá a razão  de ser do mútuo amor para são Paulo entre o marido e a esposa.

O matrimônio é destinado a reproduzir a relação entre Cristo e Sua Igreja, e como Cristo é a cabeça da Igreja, tal deve ser o marido para a mulher. São Paulo não está querendo dizer que o marido seja autoritário em relação à mulher. Por isso, ele acrescenta: “Como Cristo, o Salvador do seu corpo”. Isto significa que a posição do marido como “cabeça” ou “comando” deve estar endereçada à “salvação” da mulher, como faz Cristo em relação à Igreja. A “submissão” endereçada à mulher da qual São Paulo fala deve ser sempre entendida no sentido do amor e do serviço e não no sentido da escravidão.

Como Cristo e a Igreja formam um só corpo, do mesmo modo marido e esposa, comprometidos numa comunidade de amor, formam um só corpo: “Por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua mulher e serão dois numa só carne” (Ef 5,31).

A expressão “uma só carne” aqui usada por Paulo não alude só à união carnal dos esposos, mas a toda a sua vida conjugal, feita de um empenho quotidiano na vivência do amor, da fidelidade e da partilha de toda a existência. “Os esposos, feitos à imagem de Deus e estabelecidos numa ordem verdadeiramente pessoal, estejam unidos em comunhão de afeto e de pensamento e com mútua santidade, de modo que, seguindo a Cristo, princípio da vida, se tornem, pela fidelidade do seu amor, através das alegrias e sacrifícios da sua vocação, testemunhas daquele mistério de amor que Deus revelou ao mundo com a sua morte e ressurreição” (Gaudium et Spes, 52).

Em nossas relações comunitárias: de família ou de vida religiosa ou de atividade paroquial, deveríamos aceitar este critério profundo: ver Cristo nos demais, imitar Cristo em sua entrega por amor. Todos, tanto casados como não casados, quando comungamos o “Cristo entregue por”, devemos também aprender seu amor de entrega pelos demais. O entregar por amor pelos demais deve-se notar durante o dia nas relações entre marido e esposa, entre filhos e pais, entre irmaos ou companheiros de trabalho e de vida da comunidade. Se não, será uma Eucaristia que não produz os frutos que Cristo esperava.

Portanto, hoje sentimos como é necessário ajudar as pessoas a conhecerem a pessoa de Jesus, e a encarar a vida conjugal como uma vocação, ou seja, como um chamamento a viver o Amor do Reino neste estado de vida. Continuamos na obrigação de educar para um amor capaz de assumir compromissos definitivos. Isso se faz para valorizar a confiança mútua, a fidelidade ao outro e a si mesmo, para dar uma chance à felicidade que estava no plano de Deus desde o começo. Não vemos casamento indissolúvel como uma obrigação a ser carregada, e sim como um direito que não deve ser sacrificado num mundo que fez do descartável um modo de vida. Responsabilidade, desejo de fidelidade, seriedade na palavra empenhada têm muito a ver com o direito de ser e fazer feliz.

O ser humano foi criado à imagem de Deus por amor. O casal humano é chamado por Deus a tornar-se o primeiro lugar de encarnação deste movimento de amor. O amor humano, sob todas as suas formas, não nasceu dos acasos da evolução biológica. É dom de Deus. Quando os homens recusarem este dom, impedirão Deus de imprimir neles a sua imagem. O casamento indissolúvel é um grito para todas as pessoas ao redor que existe o amor. É o mesmo que dizer: Deus existe, pois ele é Amor (1Jo 4,8.16).

A Palavra De Deus Vivida Tem Poder De Transformar Nossa Vida

Continuamos acompanhando Jesus no seu caminho para Jerusalém, durante o qual escutamos Suas últimas e importantes lições para nossa vida como cristãos (Lc 9,51-19,28).

Se em Lc 11 Jesus nos revelou a nossa filiação divina, em Lc 13, onde se encontra o texto do evangelho de hoje, revela-se para nós como devemos viver esta filiação divina no tempo presente. O tempo presente é o único tempo que nã está oculto, é a ocasião para nos convertermos.

Para darmos conta da presença do Reino de Deus e de sua ação na nossa vida no tempo presente é preciso voltarmos o olhar para aquilo que não conta: Deus realiza seu desígnio com aquilo que é pequeno, desprezível w nulo (1Cor 2,4ss).

O fermento do Reino tem características oposta ao fermento dos fariseus: no lugar do medo da morte (Lc 12,1ss), deve dar luga ao amor do Pai que nos salva (Lc 12,32ss); no lugar de acúmulo, deve dar lugar para o dom (Lc 12,13ss; 22ss); no lugar do ladrão que rouba a vida (Lc 12,39), deve dar lugar ao noivo que bate porta (Lc 12,35).

As duas pequenas parábolas (a semente de mostarda e o fermento) querem sublinhar claramente que a graça de Deus cresce em extensão (grão de mostarda) e em intensidade (fermento na massa). No entanto, elas não sublinham apenas sobre o crescimento, mas também sobre todo estado final que apontam para um valor escatológico. Elas servem, por isso, para animar qualquer cristão, qualquer comunidade para não desistirem em levar adiante a causa de Jesus apesar de se sentirem tão pequenos no meio dos “poderosos” deste mundo, pois no final Deus é quem tem a última palavra.

“O Reino de Deus é como a semente de mostarda, que um homem pega e lançou no seu jardim. A semente cresce, torna-se uma grande árvore e as aves do céu fazem ninhos nos seus ramos” (Lc 13,19), assim Jesus disse-nos hoje. Lançar semente à terra é um gesto absolutamente natural, apaixonante e misterioso. É um gesto de esperança e de aventura. Basta a semente estar na terra, começa, então, em segredo e em silêncio uma serie de maravilhas, pouco importa que o semeador se preocupe ou não com a semente. Cada semente lançada na terra surge a esperança no coração do semeador de ver a semente brotar e crescer em alguns dias. O semeador é aquele que crê na vida, que tem confiança no porvir. E ao ver a semente que se transformou em plantinha, a alegria inunda o coração do semeador a ponto de ele “conversar” com a plantinha quase diariamente. E com cuidado ele vai capinar ao redor dela para facilitar o crescimento saudável da plantinha a fim de ela dar bons frutos. O semeador é aquele semeia a mãos cheias para que a vida se multiplique que se transforma em alimento para cada família. O semeador é aquele que investe no porvir.

Jesus está consciente de estar fazendo isto: semear, lançar, esperar com paciência!  Ele empreende uma obra que tem porvir. Ele semeia a Palavra de Deus em cada coração. E aquele que escuta e se deixa guiar pela Palavra de Deus, vai produzir muitos bons frutos para a convivência fraterna.                

A Palavra de Deus tem dentro de si uma força misteriosa que apesar dos obstáculos encontrados no seu caminho vai germinar e dar fruto. Com esta parábola Jesus quer sublinhar a força intrínseca da graça e da intervenção de Deus.                 

“O Reino de Deus é como a semente de mostarda, que um homem pega e atira no seu jardim. A semente cresce, torna-se uma grande árvore e as aves do céu fazem ninhos nos seus ramos”.

A semente tem uma força vital invisível, mas irresistível, germina segundo a sua natureza e expressa, mesmo morrendo, toda a sua potencialidade de vida. A semente cresce somente se morre (Jo 12,24). Este é o seu mistério: produz a vida para além da morte. E “A semente cresce, torna-se uma grande árvore...”. É a árvore da cruz, cujas águas transforma em jardim o deserto do homem (Ap 22). E “as aves do céu fazem ninhos nos seus ramos”. São imagem de todos os povos (Dn 4,9), que acorrem para se abrigar na árvore que é o verdadeiro Israel. Sobre ele, pássaros e andorinhas encontram morada (Sl 84,4): todas as nações desejam ser acolhidas (Zc 8,20-23) e declaram que aí está a sua casa (Sl 87,7) é mais bela imagem da “catolicidade” do Reino, onde cada um encontra o seu ninho.

Além disso, ao falar da pequenez de uma semente como a de mostarda, Jesus quer nos convidar a rever os nossos critérios de atuação e a nossa forma de olhar o mundo e os nossos irmãos. Por vezes, naquilo que é pequeno, débil e aparentemente insignificante é que Deus se revela (cf. Mt 11,25-28). Deus está nos pequenos, nos humildes, nos pobres, nos que renunciaram a esquemas de triunfalismo e de ostentação; e é deles que Deus se serve para transformar o mundo.

“O Reino de Deus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”, acrescentou Jesus. Esta comparação tem em conta a potência de transformação do fermento apesar de sua invisibilidade: assim que o fermento se mistura com a massa, a massa se transforma em tamanho maior  para se transformar em pão para a mesa de cada família: os começos são modestos, mas o resultado final é surpreendente.

Através das duas parábolas, Jesus quer nos dar lição de que, quando contamos com Deus, os meios podem ser muito pequenos, como a pequena semente de mostarda ou como o fermento, mas podem produzir frutos inesperados, não proporcionados nem a nossa organização nem a nossos métodos e instrumentos. A força da Palavra de Deus vem do próprio Deus e não de nossas técnicas. Quando em nossa vida há uma força interior, ou há espaço para Deus a eficácia do trabalho cresce notavelmente. Por isso, quando essa força interior é o amor que Deus nos tem, ou seu Espírito ou a Graça salvadora de Cristo ressuscitado, então, o Reino de Deus germina e cresce poderosamente. O que devemos fazer é colaborar com nossa liberdade. Mas o protagonista é Deus. Necessitamos trabalhar com o olhar posto em Deus, sem impaciência, sem exigir frutos a curto prazo, sem absolutizar nossos méritos, meios e técnicas e sem demasiado medo ao fracasso. Há que ter paciência como a tem o lavrador esperando a colheita.                 

O evangelho de hoje nos ajuda a entendermos como conduz Deus nossa história. Não teríamos que nos orgulhar nunca, como se o mundo se salvasse por nossas técnicas, métodos e esforços. Não podemos esquecer aquilo que São Paulo nos aconselhou: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer. Assim, nem o que planta é alguma coisa nem o que rega, mas só Deus, que faz crescer. O que planta ou o que rega são iguais; cada um receberá a sua recompensa, segundo o seu trabalho.  Nós somos operários com Deus. Vós, o campo de Deus, o edifício de Deus. Segundo a graça que Deus me deu, como sábio arquiteto lancei o fundamento, mas outro edifica sobre ele. Quanto ao fundamento, ninguém pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo” (1Cor 3,6-11).                  

Os frutos da graça de Deus se produzem às ocultas, em pequenos gestos e projetos bem simples sem que ninguém se dê conta. Nossa tarefa é semear a bondade constantemente, catar um pedaço de felicidade diariamente para compartilhá-la com aqueles que não conseguiram catar nenhum pedaço. A fé vivida na obediência à vontade de Deus é capaz de operar uma transformação total da pessoa, uma reestruturação de todo o ser, como a semente que se transforma totalmente em uma planta. Nos fatos aparentemente irrelevantes, na simplicidade e normalidade de cada dia, na insignificância dos meios, esconde-se o dinamismo de Deus que atua na história e que oferece aos homens caminhos de salvação e de vida plena. Não podemos deixar nenhum dia sem semear a bondade nos corações de pessoas.

P. Vitus Gustama,svd

Sexta-feira Da XXX Semana Comum, 30/10/2026

DEUS QUER VIDA PARA TODOS E POR ISSO, CURA QUALQUER PESSOA EM QUALQUER DIA Sexta-Feira da XXXI Semana Comum Primeira Leitura: Fl 1,1-11 ...