sexta-feira, 15 de maio de 2026

Ascensão Do Senhor, Ano "A", Domingo 17/05/2026

ASCENSÃO DO SENHOR AO CÉU, ANO "A"

Primeira Leitura: At 1,1-11

1 No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo, 2 até o dia em que foi levado para o céu, depois de ter dado instruções pelo Espírito Santo, aos apóstolos que tinha escolhido. 3 Foi a eles que Jesus se mostrou vivo, depois de sua paixão, com numerosas provas. Durante quarenta dias apareceu-lhes falando do Reino de Deus. 4 Durante uma refeição, deu-lhes esta ordem: “Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual vós me ouvistes falar: 5 ‘João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias’”. 6 Então os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: “Senhor, é agora que vais restaurar o Reino de Israel?” 7 Jesus respondeu: “Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com sua própria autoridade. 8Mas recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria, e até os confins da terra”. 9 Depois de dizer isso, Jesus foi levado ao céu, à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo. 10 Os apóstolos continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apareceram então dois homens vestidos de branco, 11 que lhes disseram: “Homens da Galileia, por que ficais aqui parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”.

Segunda Leitura: Ef 1,17-23

Irmãos: 17 O Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer. 18 Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos, 19 e que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente. 20 Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, 21 bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania, ou qualquer título que se possa mencionar, não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. 22 Sim, ele pôs tudo sob seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a Cabeça da Igreja, 23 que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal.

Evangelho: Mt 28,16-20

Naquele tempo, 16 os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. 17 Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram. 18 Então Jesus aproximou-se e falou: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. 19 Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20 e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”.

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Certos teólogos e Padres da Igreja, baseando-se sobre Jo 20,19-23 (Tertuliano, Hipólito, Eusébio, Atanásio, Ambrósio e Jerônimo) concordam que a ascensão de Jesus acontece simultaneamente com a ressurreição. O dia da Páscoa, por isso, não é somente o dia da ressurreição, mas também o dia da ascensão. Esta ideia durou até o fim do século IV. Celebrava-se no assim chamado “Pentecostes”, que durava desde a Páscoa até o dia de Pentecostes, num período festivo de cinquenta dias, a ressurreição, a ascensão e a missão do Espírito Santo como um único mistério festivo. A Igreja primitiva tinha bastante consciência da unidade íntima da ressurreição, ascensão e missão do Espírito Santo. Só a partir do século V (ou no fim do século IV), baseia-se sobre o relato lucano, é que começou a existir uma festa da ascensão no quadragésimo dia após a Páscoa e Pentecostes separadamente como hoje temos costume de celebrar (para ter uma visão maior sobre esse assunto veja Gerhard Lohfink, A Ascensão de Jesus, Paulinas,1977).

A ressurreição, ascensão e pentecostes são vários aspectos do mistério pascal. Se eles são apresentados como momentos diferentes e celebrados como tais na liturgia, é para destacar o rico conteúdo da passagem de Cristo deste mundo para o Pai. A ressurreição ressalta a vitória de Cristo sobre a morte, ascensão, seu retorno ao Pai e a inauguração do reino, e Pentecostes, sua nova forma de presença na história. A Ascensão é apenas uma consequência da ressurreição, a tal ponto que a ressurreição é a verdadeira e real entrada de Jesus na glória. Através da ressurreição, Cristo entra definitivamente na glória do Pai.

Por isso, afirmar que Jesus “subiu ao céu(1Pd 3,22) ou “foi exaltado na glória(1Tm 3,16) é exatamente a mesma coisa que afirmar que ele “ressuscitou”, que foi glorificado, que entrou na glória de Deus. A Ascensão do Senhor não foi uma viagem interplanetária. Não houve nenhum deslocamento no espaço. A ascensão significa a caminhada de Jesus que vai da morte à glória do Pai, caminhada que para nós é invisível e incompreensível. Não é uma caminhada como as que conhecemos pela nossa experiência aqui na terra. Não se pode fixá-lo no tempo, nem medir sua distância, nem se pode dizer se vai nesta ou naquela direção. Tempo, distância, direção, tudo isso vale para as nossas caminhadas terrenas. A caminhada de Jesus até a glória do Pai realiza-se na ressurreição. A ascensão é um evento pascal. A única maneira de transformar a Ascensão em uma partida é entender completamente a diferença radical entre um "desaparecimento e uma partida. Uma partida resulta em uma ausência. Um desaparecimento inaugura uma presença oculta. Através da Ascensão, Cristo tornou-se invisível: Ele entra na participação da onipotência do Pai, foi totalmente glorificado, exaltado, espiritualizado em sua humanidade e, por isso, se encontra mais do que nunca em relação a cada um de nós.

A festa da Ascensão nos dá a oportunidade de reacender cada dia com nova luz a maior das certezas de nossa vida: Jesus está vivo e está conosco todos os dias com seu poder (Mt 28,20). Jesus não foi para um outro lugar, mas permanece na companhia de cada um de nós. Com a Ascensão a sua presença não ficou limitada, mas se multiplicou. Por isso, a nossa esperança não está perdida no espaço, mas baseia-se na confiança depositada na lealdade de um Deus, “o qual faz viver os mortos e chama à existência as coisas que não existem” (Rm 4,17). O Deus da vida é fiel aos homens. Se este é o destino de todo o homem, a morte já não inspira medo. Jesus a transformou num nascimento para a vida com Deus. Todo aquele que tem essa esperança não se deixa ficar olhando para o céu, como fizeram os apóstolos naquele dia, mas, ao contrário, traduz esta esperança em empenho e testemunho.

O Texto Do Evangelho e Seus Detalhes

1. A Narrativa Da Ascensão Se Situa Na Galileia.

Este dado nos remete ao começo da atividade de Jesus (Mt 4,12). O evangelista Mateus faz coincidir o lugar de começo da atividade da Igreja com o começo da atividade de Jesus. Este procedimento está ao serviço de uma intencionalidade precisa: unidade indisolúvel entre Jesus e sua Igreja. Todavia, há algo muito mais do que isso. Para Mateus, Galileia é algo mais do que um dado geográfico. Galileia  é o símbolo dos iludidos e sem horizontes. Ao iniciar sua atividade na Galileia, Jesus devolve a perspectiva (ilusão) e a esperança para o povo nesse lugar. Logo, segundo Mateus, a Igreja tem a mesma missão: devolver a esperança e a perspectiva (ilusão) para uma terra dos iludidos e sem horizontes.

2. “Toda A Autoridade Me Foi Dada No Céu E Sobre A Terra”.

São as primeiras palavras de Jesus no Evangelho de hoje (Mt 28,18b). Estas palavras são uma revelação. Com estas palavras Jesus declara que Ele é o cumprimento da profecia de Daniel (Dn 7,13-14). O poder de Deus é criativo e libertador.

O onipotente Messias não aspira fazer da comunidade humana universal o seu império. Ser discípulo é entrar em uma nova relação com o Pai, o Filho e o Espírito de Deus. Essa relação relativiza e está muito acima de todas as formas de convivência humana, sejam elas fascistas ou democráticas. Somente quem seguiu Mateus passo a passo desde o início poderá entender o que significa ser discípulo e que o mandato de Jesus não tem nada de propagandístico.

Este “domínio universal” do Senhor Ressuscitado é a raiz de onde brota a universalidade da missão. Todo o breve discurso de Jesus ressuscitado está dominado pela ideia de plenitude e universalidade. O adjetivo “todo” aparece quatro vezes no texto: todo o poder, todos os povos, todo o que foi ordenado, todos os dias. A ideia da missão universal estava também no Antigo Testamento, porém na ordem da espera (a missão universal era uma esperança reservada para o tempo messiânico). Aqui está na ordem do cumprimento (a missão universal é um fato).

3. A Missão De Fazer Discípulos:

“... ide e fazei discípulos meus todos os povos...”.

O fim da missão é “fazer discípulos” (Mt 28,19ª). A expressão é interessante; contém todo o significado que "discípulo" ("machetes") tem no evangelho (de Mateus). É talvez a definição mais sintética e correta da existência cristã: o cristão é um discípulo. Não se trata de oferecer uma mensagem, mas de estabelecer uma relação íntima com Cristo (Mestre); um relacionamento pessoal e acompanhamento. Os discípulos dos rabinos não colocavam em primeiro lugar o relacionamento pessoal com o mestre, mas a doutrina que o mestre ensinava. Não é assim no evangelho; o discípulo liga-se à pessoa do Mestre e compromete-se a partilhar o seu projeto de vida.

4. O Batismo e O Ensinamento Em Fazer Discípulos: O Batismo e o Ensinamento.

Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”.

O Batismo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo não é uma mera fórmula. A expressão grega “baptizein eis tò ónoma tou...” indica uma relação para com a pessoa nomeada pela qual o baizado entra na esfera de possessão e de proteção dela. É o único lugar no Novo Testamento onde aparece a fórmula trinitária no batismo. Em geral se fala do batismo “em nome de Jesus” (cf. Mt 6,3; Gl 3,27; 1Cor 10,2; At 2,38; 8,16; 10,48; 19,5).

batizando-os em nome de...”. O nome na Bíblia é muito mais do que designação acidental de alguém. O nome participa da honra e da própria intimidade do sujeito. O nome tem o poder da própria pessoa. O nome é a pessoa. Onde está o nome, aí está a pessoa. Onde “o nome de Deus é pronunciado sobre nós, Ele mesmo está no nosso meio” (cf. Jr 14,9).

A segunda (Ensinamento) é de particular importância no Evangelho de Mateus. Jesus se define como Mestre em polêmica com maus mestres, como os escribas e fariseus (Mt 5,19; 15,9). Somente em nossa passagem é dito que os discípulos devem, por sua vez, ensinar; mas eles não são mestres, mas permanecem como discípulos. Pode parecer paradoxal: discípulos e mestres simultaneamente. Eles não ensinam nada de si mesmos, mas apenas "tudo o que ele lhes ordenou". É um ensinamento com a mais absoluta fidelidade e dependência; nasceu da escuta.

5. Uma Presença  Divina Permanentemente.

Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”, promete Jesus Ressuscitado. Com esta afirmação do Senhor, Mateus encerra seu evangelho. Trata-se de um final com surpresa: o Senhor Ressuscitado não se foi e sim que veio para permanecer com sua Igreja. A expressão “Emanuel”, “Deus Conosco” Mateu coloca no início (Mt 1,23), no meio (Mt 18,20) e no fim do seu evangelho (Mt 28,20). Deus está conosco e nós estamos com Deus diariamente. Quando, na história bíblica, Deus confia uma missão a alguém, assegura ao homem comprometido a sua assistência eficaz: Não tenhas medo, eu estarei contigo. Essa assistência é garantia de eficiência e incentivo à humilde audácia. Graças à promessa do Senhor de estar conosco até o fim do mundo, temos uma garantia lá no céu (ascensão) a carne que Ele tomou de nós (Jo 1,14) e aqui em baixo: o Espírito Santo que habita em nós. O Céu possui o Corpo Sagrado e a Terra recebeu o Espírito Santo ( cf. Jo 20,22).

Dentro do tema da presença permanente de Deus na vida dos cristãos, São Paulo faz três pedidos para a comunidade de Éfeso como também para todas as comunidades cristãs em qualquer lugar e tempo, que leomos na Segunda Leitura (Ef 1,17-23): Primeiro, a sabedoria para reconhecer a Deus todos os dias; segundo, a iluminação dos olhos do coração para conhecer sua herança; terceiro, a compreensão do poder de Deus agindo em Jesus, isto é, o poder de Deus que fez Jesus ressuscitar dentre os mortos e o fez assentar-se à sua direita nos céus, numa posição acima de qualquer outro nome. Cristo é a Cabeça da Igreja (Corpo de Cristo). A Igreja (Corpo de Cristo) depende absolutamente de Cristo (Cabeça) para sua existência. Por isso, a Igreja não existe para si mesma e sim para estabelecer a vontade de Deus na terra. (veja no. 7)

Outros Pontos De Nossa Reflexão Sobre A Festa Da Ascensão Do Senhor:

1. Enquanto o evangelista Lucas mostra Jesus caminhar quase constantemente até Jerusalém para culminar ali sua Páscoa, o evangelista Mateus faz o os discípulos de Jesus “sair” de Jerusalém para centrarem sua missão na Galileia que Jesus lhes confia. Com isso, o evangelista Mateus quer enfatizar que o Templo e a Cidade santa de Davi, Jerusalém, perderam seu significado e que somente Jesus é o Novo Templo, e que o Ressuscitado é o centro de tudo. 

2. “Homens da Galileia, por que ficais aqui parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”. É o recado de dois anjos para os discípulos. “Por que ficais aqui parados, olhando para o céu?”. Há aqui uma forma de luta de Cristo contra a tentação que os discípulos experimentam na sua missão: omissão diante da realidade que necessita de uma recuperação. Submergir-se na realidade do mundo, anunciar o Reino, proclamar ao mundo Jesus Cristo como Ressuscitado é a missão dos discípulos. Nenhum cristão, nenhum discípulos do Senhor tem direito de tirar da fé seu caráter de comunicável. Mesmo que seja difícil o testemunho, ninguém pode iludir-se. Crer em Jesus Cristo é ter consciência de ser testemunha enviada pelo Senhor. A fé, ao ser vivida, se faz testemunho. Basta viver a fé, essa vivência se transforma em testemunho, mesmo que, quem a vive, não fale nenhuma palavra, mas o modo de viver de acordo com os ensinamentos de Jesus Cristo já é um grande testemunho.

O olhar que dirigimos ao mundo pode converter-se em chamamento. Nosso mundo de hoje é mais propenso ao lamento que ao compromisso, pois é mais fácil e simples queixar-se do que remediar algo. É mais fácil criticar de longe do que oferecer solução inserindo-se na realidade necessitada de um remédio.

Diante da tentação de ficar-se extasiado (como aconteceu também no monte Tabor durante a transfiguração), agora o mandato é premente: “Sereis minhas testemunhas” para que “ao nome de Jesus todo joelho se dobre nos céus, sobre a terra e debaixo da terra, e que toda língua proclame que o Senhor é Jesus Cristo para a glória de Deus Pai (Fl 2,10-11).

A celebração da Ascensão do Senhor urge-nos a passar da comodidade (comodismo) dos bons sentimentos à realidade dos fatos, mesmo chegando a complicar nossa vida por amor de Cristo e dos irmãos mais necessitados. Somente assim cumpriremos como discípulos de Jesus a tarefa de tornar real em nosso mundo Cristo, nossa esperança e salvação.

3. Jesus subiu aos céus e está sentado à direita de Deus, Pai Todo-poderoso: “Quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim” (Jo 12,32). A elevação na Cruz significa e anuncia a elevação na Ascensão ao céu. É seu começo. Jesus Cristo, o único Sacerdote da Aliança nova e eterna não “entrou num santuário feito por mão humana, réplica do verdadeiro, e sim no próprio céu, a fim de comparecer, agora, diante da face de Deus a nosso favor” (Hb 9,24).

4. Precisamos Adorar O Nosso Senhor E Mais Nada         

No encontro os discípulos reconheceram Cristo imediatamente e prostraram-se diante de Jesus para adorá-lo, demonstrando sua fé nele como Filho de Deus. 

A palavra “adoração” indica o gesto de submissão dos discípulos que se dispõem a escutar as ordens do Ressuscitado. Ao nascer Jesus foi adorado pelos magos (Mt 2,11), no ministério público ele foi adorado pelos próprios discípulos e enfermos, e na ascensão Jesus recebeu a mesma adoração dos discípulos (Mt 28,17). Ao prostrarem-se diante de Jesus, agora eles o adoram não somente como o Senhor dos elementos, mas também o Senhor deles e o Senhor do mundo. A adoração presta-se somente a uma divindade. E Jesus é Deus: “No princípio era o Verbo e o Verbo era Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,1.14).          

Neste mundo não faltam aqueles que se consideram “Senhores”, pois têm poder na mão, mas que são criaturas limitadas em todos os sentidos. E muitas vezes nós mesmos adoramos a estes senhores ou somos obrigados a adorá-los porque escondemos, por trás disso, algum interesse. Muitas vezes temos mais medo deles do que do próprio Deus que vai julgar todo mundo. A partir da linguagem bíblica e do sentido da palavra “adoração”, precisamos respeitar qualquer autoridade, mas não para adorá-la, pois a adoração presta-se apenas a uma divindade. Quando começarmos a adorar qualquer criatura, seremos idólatras e nossa vida vai cair no nada, pois aquele que está cheio de criatura está vazio de Deus, e aquele que está cheio de Deus porque está vazio de criatura. Será que esse mesmo Jesus continua sendo o Senhor de nossa vida e de nossas decisões e o ponto de referência de nossos atos? Ou adoramos outros deuses, outros senhores ou criaturas? 

5. O Poder de Jesus Sobre o Céu e a Terra                     

Jesus recebeu todo o poder no céu e sobre a terra. Ao falar do poder de Jesus que ele recebeu, devemos estar conscientes de que a verdadeira natureza do poder de Cristo, não é um exercício de dominação sobre os homens, mas como uma capacidade operativa de proclamar as exigências da vontade de Deus, de libertar os pecadores da escravidão do seu passado de culpa, de romper os grilhões dos prisioneiros das forças diabólicas da morte e da destruição, de denunciar as religiões feitas de hipocrisia e de interesse. Em outras palavras, é um poder de realizar o Reino de Deus no mundo.          

Existe um poder que destrói e existe também um poder que cria. O poder que cria dá vida, gozo e paz. É liberdade e não escravidão, vida e não morte, transformação e não coerção. O poder que cria restaura relacionamentos e concede dom da integridade a todos. O poder que cria é o poder que procede de Deus cuja marca é o amor. E o amor exige que o poder seja usado para o bem de todos. Em Cristo, o poder é usado para destruir o mal de forma que o amor possa redimir o bem. O poder que cria produz união. Para criar essa união é preciso ouvir juntos à voz do Senhor em nossos lares, em nossas igrejas, em nossos negócios, em nossas comunidades, em nossos encontros etc..          

Ao contrário disso, nada é mais perigoso do que o poder a serviço da arrogância. A arrogância nos faz pensar que estamos certos e os outros estão errados. O único que está certo é Jesus Cristo. O restante de nós precisa reconhecer suas próprias fraquezas e fragilidades e buscar aprender através da correção dos outros. Se não o fizermos, o poder pode conduzir pelo caminho de destruição. O poder destrutivo destrói relacionamentos, a confiança, o diálogo e a integridade. 

6. A Partir Da Ascensão Tudo Nesta Vida É Passageira 

Tudo o que acontece nesta terra é provisional: os fracassos, os sofrimentos, as tristeza e assim por diante. Também todas as alegrias que existem neste mundo são provisionais: os momentos que gostaríamos eternizar. Não existe lugar definitivo aqui neste mundo. O lugar definitivo não está aqui. Também nossos bens, tudo o que possuímos é provisional. Não poderemos levar nada conosco. Tudo o que não partilhamos com os outros perdemos. Tudo o que guardamos para nós somente, tudo o que intentamos conservar com nossas próprias forças, se desfazer em nossas mãos. Tudo o que conservamos com carinho, tudo o que consideramos mais valioso de nossa vida, o perderemos se não pusermos ao serviço dos irmãos: bens materiais, tempo, conhecimento. 

Nossa vida sobre a terra deve ser uma constante Ascensão, isto é, deve ser uma constante superação, um progresso, uma maduração. Viver é dar passos adiante, alcançar novas metas, aproximar-se da plenitude. As imagens que indicam as possibilidades da vida humana são a semente que cresce, o caminho a percorrer, a meta a ser alcançada. A vida é um projeto que se vai perfilando, mas que nunca se acaba. Para manter a esperança temos ter sempre presente a meta que queremos alcançar. Ao dizer que Jesus subiu aos céus ou foi levado ao céu, o texto bíblico quer nos dizer que a vida de Jesus alcançou a plenitude, pois ele sempre a viveu em função do bem, da bondade, do amor, da compaixão. A vida de Jesus foi uma vivida em Deus que se traduziu no amor sem limite ao ser humano, especialmente aos necessitados. 

7. Deus Está Conosco Todos Os Dias

Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”. 

O evangelho de Mateus quer nos transmitir uma certeza de que Jesus é a presença permanente de Deus na vida da humanidade, na vida de cada um de nós. Através da certeza de que Deus está sempre conosco Mateus quer dizer para cada cristão que ninguém tem mais direito de dizer que está só ou solitário, pois Deus veio para ficar com cada um de nós para sempre. Deus nunca deixa de atuar em cada um de nós mesmo quando cada um se encontra no meio da escuridão das dúvidas, no meio das angústias e das provações. Precisamos ouvir no silêncio de nossas orações e meditações o que Jesus nos diz: Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20). E por nossa vez, devemos passar esta certeza aos demais através de nossa paciência e tranquilidade em encarar a vida e seus acontecimentos. O homem é portador de Deus. A presença divina no outro converte os direitos humanos em direitos divinos.

P. Vitus Gustama,svd

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Sábado Da VI Semana Da Páscoa,16/04/2026

A ORAÇÃO NOS APROXIMA DE DEUS E NOS TORNA ALEGRES E SERENOS

Sábado da VI Semana da Páscoa

Primeira Leitura: At 18,23-28

(22 Paulo viajou até Cesaréia, subiu a Jerusalém e saudou a comunidade e logo em seguida desceu a Antioquia). 23 Paulo permaneceu algum tempo em Antioquia. Em seguida, partiu de novo, percorrendo sucessivamente as regiões da Galácia e da Frígia, fortalecendo todos os discípulos. 24 Chegou a Éfeso um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria. Era um homem eloquente (poderoso), versado nas Escrituras. 25 Fora instruído no caminho do Senhor e, com muito entusiasmo, falava e ensinava com exatidão a respeito de Jesus, embora só conhecesse o batismo de João. 26 Então, ele começou a falar com muita convicção na sinagoga. Ao escutá-lo, Priscila e Áquila tomaram-no consigo e, com mais exatidão, expuseram-lhe o caminho de Deus. 27 Como ele estava querendo passar para a Acaia, os irmãos apoiaram-no e escreveram aos discípulos para que o acolhessem bem. Pela graça de Deus, a presença de Apolo aí foi muito útil aos fiéis. 28 Com efeito, ele refutava vigorosamente os judeus em público, demonstrando pelas Escrituras que Jesus é o Messias.

Evangelho: Jo 16, 23-28

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 23b “Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará. 24 Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa. 25 Disse-vos estas coisas em linguagem figurativa. Vem a hora em que não vos falarei mais em figuras, mas claramente vos falarei do Pai. 26Naquele dia pedireis em meu nome, e não vos digo que vou pedir ao Pai por vós, 27pois o próprio Pai vos ama, porque vós me amastes e acreditastes que eu vim da parte de Deus. 28Eu saí do Pai e vim ao mundo; e novamente parto do mundo e vou para o Pai”.

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É Preciso Cada Cristão Empenhar-se Para o Bem Da Igreja/Comunidade

Começa outra viagem apostólica de Paulo, a terceira, sempre de Antioquia, seu lugar de referência, e passa pelas comunidades “encorajando os discípulos”. O centro desta viagem estará localizado em Éfeso. Sobre Paulo o versículo anterior (v.22) do texto de hoje nos diz: “Paulo viajou até Cesaréia, subiu a Jerusalém e saudou a comunidade e logo em seguida desceu a Antioquia” (At 18,22). Esta informação é importante. Nessa época, a comunhão e a unidade da Igreja não se fazem, sobretudo, por regras legais, mas sim por uma intensa “comunicação de experiências e orações”. Cada "Igreja" está em comunicação com as outras. Em todos elas se proclama a mesma Palavra e a mesma Fé.

Mas a leitura de hoje é como um parêntese na história de Paulo, porque se refere a Apolo. Apolo era um judeu que se formou em Alexandria de Egito e era experto na Escritura (AT). Como homem “instruído”, recebeu formação de “nível universitário” em retórica na valorizada educação grega. Lucas diz que Apolo era “poderoso” no uso das Escrituras. “Poderoso” era um termo retórico para lógica e persuasão.   Ele pregou Jesus como Messias, embora ainda fosse discípulo de João Batista.

Em relação a Apolo Lucas disse que ele era “um homem eloquente” ou “poderoso”. Apolo aprendeu a arte da habilidade nos debates em sua educação secular e usava isso de maneira excelente para ensinar que Jesus era o Messias Prometido. Ele era um judeu-cristão, apologista e debatedor. Ele combinava seu conhecimento vasto sobre o AT com sua educação secular na arte da retórica.

Em Éfeso, o leigo Apolo teve a sorte de conhecer algumas pessoas, colaboradoras de Paulo, que o acolheram e o ajudaram a se formar melhor. E assim encontraram um bom catequista e pregador de Cristo, a quem a comunidade de Antioquia concedeu um voto de confiança, confiando-lhe uma missão que não era fácil na Grécia.

Inicialmente, Apolo pregava na sinagoga de Éfeso, onde foi ouvido por Áquila e Priscila, um casal muito amigo de São Paulo, dois grandes ministros da Igreja primitiva em Corinto. Áquila e Priscila convidaram Apolo para visitá-los em Corinto. Apolo fortaleceu grandemente a comunidade cristã de Corinto.

Mais uma vez somos convidados a ter o coração aberto, a saber reconhecer o bem onde ele está. Ninguém tem o monopólio da verdade. O critério não tem que ser idade ou sexo ou etnia ou se você pertence ou não ao clero. É verdade que Cristo confiou a responsabilidade final e o ensino decisivo aos apóstolos e seus sucessores. Mas a história da primeira comunidade nos ensina que este ministério deve ser feito também com a mente aberta, sabendo reconhecer os sinais da voz do Espírito também nos leigos e em toda a comunidade.

Os leigos, afortunadamente cada vez mais têm um papel importante na tarefa da evangelização encomendada para toda a Igreja.É um dos slogans mais comprometedores do Vaticano II, baseado na “nova” eclesiologia da Lumen Gentium.

Apolo permaneceu algum tempo em Corinto e engajou-se numa obra promissora. Os que converteram por meio do seu ministério, quando começaram a surgir divisões após o retorno dele a Éfeso, viam a si mesmos como pertencentes a Apolo, em termos seculares. Logicamente, os outros se consideravam seguidores de São Paulo. Este problema podemos ler em 1Cor 1-4. Ciúmes e rivalidades entre professores eram exatamente o que mestres e discípulos seculares faziam, com o espirito competitivo, na luta pela reputação de suas escolas e por maior influência nas assembleias políticas (1Cor 3,1.3; Cf. 1Cor,1,11).

Em 1Cor 4,6, São Paulo condena a divisão ou a competição entre ele e Apolo e chama tal atitude de “imatura” e “mundana”. São Paulo revela as funções distintas de cada um, destacando que um plantava e outro regava, cooperando conjuntamente para o crescimento da Igreja/Comunidade, pois apenas Deus pode fazer crescer (1Cor 3,5-6). Tanto São Paulo como Apolo eram de tal estrutura espiritual, que nenhum dos dois reagiu ao jogo de poder dos coríntios, mas continuaram empenhados em prol do bem da Igreja/Comunidade.

O ciúme é tóxico. O ciúme acontece quando sentimos medo de perder algo. Pode-se ter ciúme de uma pessoa amada, do trabalho. Um bebê/criança pode ter ciúme da mãe ou do pai quando estes falam com outras crianças. Pode-se ter ciúme dos amigos. O circuito do ciúme funciona da seguinte maneira: em primeiro lugar, sentir a ameaça. A pessoa ciumenta sente que há um terceiro que pode ser real ou imaginário que vem rouba seu amor, seu trabalho, seu amigo(a). Em segundo lugar, o ciumento gosta de controlar seu parceiro, vigiar, revisar, seguir para descobrir a prova. Em terceiro lugar, o ciumento gosta de proibir seu parceiro, em termos de se vestir, de amizades, e assim por diante. Em quarto lugar, o ciumento é capaz de pedir perdão ao seu parceiro até que apareça um terceiro para voltar tudo outra vez.

A partir da vida de Apolo e São Paulo, será que somos capazes de usar bem nossa capacidade acadêmica para evangelizar os outros ou somente para o uso próprio? Será que se repete nas nossas comunidades, como em Corinto, em que há seguidores de uns sacerdotes e há também seguidores de outros padres? Será que no próprio sacerdote há ciúmes de outro sacerdote? É preciso que cada um se empenhe para o bem da Igreja a exemplo de Apolo e São Paulo.

Rezar Em Nome Do Senhor

Continuamos a acompanhar o discurso de despedida de Jesus de seus discípulos segundo o quarto Evangelho/Evangelho de João (Jo 13-17).

No Evangelho de hoje, Jesus continua a aprofundar tanto a sua relação com o Pai como as consequências que esta união tem para os seus seguidores: desta vez a respeito da oração.

Agora que Jesus "volta ao Pai", para Aquele que o enviou ao mundo, promete aos seus discípulos que a oração que eles dirigirem ao Pai em nome de Jesus será eficaz. O Pai e Cristo estão intimamente unidos. Os seguidores de Jesus, estando unidos a ele, estão também unidos ao Pai. O próprio Pai nos ama, porque aceitamos a Cristo. E por isso a nossa oração não pode ser ignorada. Mas precisamos entender que uma oração não “atendida” por Deus é uma forma de nós atender corretamente. Deus sempre nos dá o que é certo para nossa salvação.

A eficácia da nossa oração por Cristo explica-se pelo fato de nós, que cremos n'Ele, permanecermos "incardinados" no seu caminho de regresso ao Pai: a nossa união com Jesus, o Mediador, é, em última análise, união com o Pai. Dentro dessa misteriosa união é que faz sentido a nossa oração de cristãos e de filhos.

O texto do evangelho de hoje começa com a seguinte expressão: “Em verdade, em verdade vos digo...”. Toda vez que Jesus quer falar algo importante, ele usa essa fórmula solene. Hoje ele fala sobre a importância de fazer a oração com fé, isto é, fazê-la em nome de Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará. Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa”.

“Se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará. Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa”. Jesus quer que os discípulos façam seus pedidos em seu nome. A expressão “pedir em meu nome” significa pedir na fé em Jesus; significa suplicar ao Pai enquanto discípulo de Jesus mediante a fé que o reconheceu como Filho do Pai. Aqui a oração se torna uma participação no diálogo divino onde a conversa é desprovida de qualquer pretensão, pois a oração é o momento de participação no diálogo divino isto é, no diálogo entre o Filho e o Pai. Para o evangelista João aqui está o sentido da verdadeira oração. Na participação desse diálogo a vontade suprema de Deus ocupa o lugar importante na oração. Daqui a pouco Jesus nos dará o seu Espírito: unidos a Ele, em seu nome, obtemos tudo.

Além disso, na participação do diálogo divino percebemos algo importante que Jesus quer nos transmitir: que a oração é a fonte de gozo, de expansão, e de equilíbrio: “pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa”. Orar/rezar é estar na contemplação, no repouso em Deus. Estar na oração é estar no mundo de Deus, tão próximo de nós na oração. Estar no mundo de Deus é estar na alegria plena e na serenidade. A verdadeira oração sempre nos causa alegria e nos dá a serenidade sabendo que Deus nos ama no Filho (Jo 3,16), que ama cada um até o fim (Jo 13,1) Cada um precisa fazer isso permanentemente. É impossível experimentar o mundo divino na oração no lugar dos outros; cada um há que experimentar esse mundo por si mesmo.

“Pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa”. A oração é fonte de gozo, fonte de expansão, fonte de equilíbrio. Rezar é repousar em Deus. Na oração nós nos aproximamos do mundo divino para iluminar nosso mundo de cada dia. É preciso rezarmos permanentemente para que nossa alegria seja completa e permanente. Até agora Jesus nos indica o caminho para chegar à nossa alegria plena: através do amor fraterno (cf. Jo 15,9-11) e através da oração (Jo 16,24). Orar e amar permanentemente nos mantém na alegria plena.

Na oração não há distância entre nós e Deus. A distância é abolida. Na oração, entre o mundo invisível e o mundo visível não há muros de separação. A oração faz com que a terra se aproxima do céu, a humanidade se une à divindade. Na oração há uma comunicação direta entre quem reza e Deus. Da terra sobem sem cessar orações de amor e de fé. E do céu descem sem cessar graças e palavras divinas de amor. Na oração nossa fé no amor de Deus por nós aumenta, pois mesmo que façamos nossos pedidos a Deus erradamente, Deus sempre dá algo corretamente pela nossa salvação. Deus atende aquilo que nos salva. Porém, temos que estar conscientes de que sempre que nós rezamos de verdade, a nossa oração é eficaz, não porque modificamos Deus, mas porque nos modificamos. O mais difícil da oração não é tanto saber se Deus nos escuta, mas conseguirmos que nós O escutemos.

Orar ou rezar é como entrar na esfera de Deus. De um Deus que quer nossa salvação, pois já nos ama antes de nos dirigirmos a Ele, como quando tomamos o sol que já estava brilhando. Ao entrarmos em sintonia com Deus, por meio de Cristo e seu Espírito, nossa oração coincide com a vontade salvadora de Deus e nesse momento nossa oração já é eficaz.

“Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará”. Na oração entramos nas profundezas de Deus e nos deixamos envolver pelo mistério da Santíssima Trindade. Na fé cristã a oração é sempre trinitária, pois se dirige ao Pai no Espírito através do Filho. É do Pai que vem o dom pelo Filho no Espírito Santo. A oração é o momento e o acontecimento trinitário. Nossa orações e celebrações sempre começam com o sinal da cruz de carater trinitário e termina com o mesmo: Fazendo o sinal da Cruz, rezamos: em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Jesus veio do mundo divino/celeste onde reina o amor que nos envolve inteiramente: “Eu saí do Pai e vim ao mundo; e novamente parto do mundo e vou para o Pai”.  É o mundo em que as relações entre as Pessoas (Santíssima Trindade) são totalmente satisfatórias, profundas e perfeitas. É o mundo onde o amor é rei e faz todos felizes. Jesus veio para nos revelar quem é nosso Deus? Deus é Pai, Deus é amor, Deus nos ama.

Portanto, para que nossa alegria seja completa e nossa felicidade seja plena temos que aprender a amar e a orar permanentemente. Amamos os outros para que nos tornemos divinos. O divino nos dá a alegria, pois o divino nos salva. E “só se ama verdadeiramente o próximo quando se ama a Deus no próximo, seja porque Deus já vive nele, seja para que Deus viva nele. Isto é amor” (Santo Agostinho: Serm. 336,1,1). Oramos para que estejamos na esfera divina e consequentemente, nossa alegria será completa. Quer ser alegre? Ame e reze permanentemente!

Senhor, preciso de ti para não me apoiar nas muletas que limitam a liberdade, nem em algo que hoje me estimula e amanhã me prostra até o pó e lama. Abre-me o coração ao teu projeto e dá-me força para encaixá-lo em minha vida. Que assim seja!

P. Vitus Gustama,svd

terça-feira, 12 de maio de 2026

Sexta-feira Da VI Semana Da Páscoa, 15/05/2026

A TRISTEZA SE TRANSFORMA EM ALEGRIA NA COMPONHIA DO SENHOR



Sexta-Feira da VI Semana da Páscoa

Primeira Leitura: At 18,9-18

Estando Paulo em Corinto, 9 uma noite, o Senhor disse-lhe em visão: “Não tenhas medo; continua a falar e não te cales, 10 porque eu estou contigo. Ninguém te porá a mão para fazer mal. Nesta cidade há um povo numeroso que me pertence”. 11 Assim Paulo ficou um ano e meio entre eles, ensinando-lhes a Palavra de Deus. 12 Na época em que Galião era procônsul na Acaia, os judeus insurgiram-se em massa contra Paulo e levaram-no diante do tribunal, 13 dizendo: “Este homem induz o povo a adorar a Deus de modo contrário à Lei”. 14 Paulo ia tomar a palavra, quando Galião falou aos judeus, dizendo: “Judeus, se fosse por causa de um delito ou de uma ação criminosa, seria justo que eu atendesse a vossa queixa. 15 Mas, como é questão de palavras, de nomes e da vossa Lei, tratai disso vós mesmos. Eu não quero ser juiz nessas coisas”. 16 E Galião mandou-os sair do tribunal. 17 Então todos agarraram Sóstenes, o chefe da sinagoga, e espancaram-no diante do tribunal. E Galião nem se incomodou com isso. 18 Paulo permaneceu ainda vários dias em Corinto. Despedindo-se dos irmãos, embarcou para a Síria, em companhia de Priscila e Áquila. Em Cencréia, Paulo rapou a cabeça (cortou os cabelos), pois tinha feito uma promessa.

Evangelho: Jo 16,20-23

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. 21A mulher, quando deve dar à luz, fica angustiada porque chegou a sua hora; mas, depois que a criança nasceu, ela já não se lembra dos sofrimentos, por causa da alegria de um homem ter vindo ao mundo. 22Também vós agora sentis tristeza, mas eu hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria. 23aNaquele dia, não me perguntareis mais nada”.

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O Senhor Jamais Abandona Seus Mensageiros

A meta da ação missionária de Paulo são sempre os centros mais importantes de uma cidade. Agora será Corinto, "a cidade dos mares", uma ponte entre o Oriente e o Ocidente, capital da província romana da Acaia e um florescente centro comercial. Em um ano e meio, seguramente, Paulo fundou a Igreja, que seria a destinatária de duas de suas principais cartas. A história destaca o dramático rompimento com a sinagoga (At 18,5-7), as angústias do início e o extraordinário sucesso da missão (At 18,8-11) e a perseguição dos judeus, que conduzirão Paulo diante do procônsul Gálio (At 18,12-17). Este episódio permite datar os acontecimentos, quase com certeza, no ano 52 depois de Cristo. Na parte final da história (At 18,18-28) a ação muda de cenário. Paulo volta a Antioquia na Síria, onde conclui a segunda viagem (At 18,18-22) e inicia a terceira, que faria de Éfeso a base de suas operações missionárias (At 18,23-28).

Depois de Filipos e Atenas, São Paulo foi para a terceira cidade da Europa que recebeu o Evangelho: Corinto. Corinto era uma cidade mais importante da Grécia e sede do governador romano, o prôconsul e centro comercial de primeira ordem. Por isso, era um lugar muito estratégico para a evangelização. Corinto foi reconstruída por César em 44 a.C depois de sua destruição por obra de Lúcio Múmio em 146 a.C (Lucius Mummius Achaicus foi eleito cônsul em 146 a.C).

Conforme o texto da Primeira Leitura de hoje, em Corinto é que, numa visão noturna, o Senhor falou para São Paulo: “Não tenhas medo; continua a falar e não te cales, porque eu estou contigo”. “Eu estou contigo” é uma expressão vinda de Deus quando envia uma pessoa para uma missão.

Em cada Carta de são Paulo, para não dizer em cada capítulo de suas cartas é muito dificilmente não encontrar o nome de Jesus ou algo referente a Jesus. Não era simplesmente uma maneira de falar. A citação do nome de Jesus ou algo referente a Jesus quer nos mostrar que São Paulo e Jesus viviam juntos. Esta união era tão profunda que São Paulo chegou a escrever: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim(Gl 2,20). Jesus e São Paulo continuamente se comunicavam um ao outro. Como São Paulo, os primeiros cristãos estavam convencidos da presença de Cristo e esta convicção constituía sua força. Nas dificuldades cotidianas eles se agarravam nesta certeza. Esta certeza deve servir também a todos nós cristãos, pois o próprio Senhor nos promete uma presença permanente na nossa vida de cada dia (Mt 28,20).

Com a visão noturna de São Paulo, que lemos na Primeira Leitura, Lucas, o autor dos Atos, quer revelar a seus leitores a promessa ou projeto do Senhor: “Não tenhas medo; continua a falar e não te cales, porque eu estou contigo”.

As palavras que o Senhor disse a São Paulo, numa visão noturna, são palavras que mais vezes se escutam tanto no AT como no NT, dirigidas às pessoas das quais Deus escolheu para ser testemunhas no mundo: “Não temas!”. Ouviram o próprio Moisés (Dt 31,6), Josué (Js 1,9), Jeremias (Jr 1,8), Isaías (Is 41,10; 43,5) e a Virgem Maria (Lc 1,30), e agora São Paulo.

Sentir medo não é errado porque somos criaturas expostas a perigos e ameaças. Os nossos medos são um sinal de alarme que podem nos ajudar a evitarmos o perigo e nos criam prudência. O que se evita é o medo exagerado. Sabemos pela experiência que o resultado do medo (exagerado) é a imobilidade. Quando estamos envolvidos pelo medo (exagerado), não conseguimos avançar. O medo nos deixa de termos novos pensamentos, de vivermos novas experiências e de conhecermos novas personalidades, pois ficamos trancados no nosso isolamento.

Por que “Não tenha medo!”? Sabemos pela experiência que o resultado do medo é a imobilidade. Quando estamos envolvidos pelo medo, não conseguimos avançar. O medo nos deixa de termos novos pensamentos, de vivermos novas experiências e de conhecermos novas personalidades. Por causa do medo, tudo o que a vida está pronta a nos oferecer passa sem ser percebido. De fato, a vida é uma série de oportunidades para o crescimento emocional, espiritual e intelectual, e nenhuma oportunidade para ação está além de nossa capacidade.

Paulo como os antigos profetas escolhidos por Deus para efetuar uma missão no certo momento em que se encontravam os profetas, pode encarar as resistências e perseguições com coragem e liberdade porque o “Senhor está com ele”. Isto quer nos dizer que quando fizermos a vontade de Deus, quando vivermos de acordo com os ensinamentos de Jesus Cristo, podemos ter certeza de que não vamos lutar sozinhos e sim com Jesus Cristo. E Se Deus é por nós, quem será contra nós? .... Nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor”, escreveu São Paulo aos romanos (Rm 8,31.38-39).

Não tenhas medo; continua a falar e não te cales, porque eu estou contigo”. Temos direito de desconfiar na Palavra de Deus? Temos direito de ficar desanimados porque nos aparece que nossa sociedade está desordenada, sem justiça social e cheia de corrupção? Temos direito de ter medo diante das dificuldades onde nos encontramos no momento, enquanto Deus continua conosco?

Quem Acredita Em Deus Seu Sofrimento Será Transformado Em Alegria

Continuamos acompanhando o longo discurso de despedida de Jesus de seus discípulos no evangelho de João (Jo 13-17). Como qualquer despedida, o tom é sempre melancólico. Mas em cada despedida há sempre as últimas recomendações ou lições dadas ou deixadas por aquele que vai partir para que os que ficam não vivam desamparados ou desorientados.

“Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. ... vós agora sentis tristeza, mas eu hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria. Naquele dia, não me perguntareis mais nada”, disse Jesus aos discípulos no evangelho de hoje. A promessa que Jesus faz para seus discípulos de voltar a vê-los em breve se refere às aparições do Ressuscitado, a sua presença entre os seus por meio do Espírito, a experiência pessoal do encontro com ele na vida de cada um (experiência de Emaús): “... eu hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará,

“Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria.”. Nos versículos 20 a 22 aparecem várias vezes a palavra “tristeza” e “alegria”. Mas a alegria é muito maior do que a tristeza, pois a alegria que vem da Cruz é invencível, pois trata-se de amor e de vida que vence o ódio e a própria morte. O discípulo diante da cruz está triste, como uma mulher à qual chegou a hora do parto. Mas diante da Cristo ressuscitado a tristeza é superada. Para são Paulo, a alegria é sinal de que habita em nós o Espírito Santo, pois a alegria é um dos frutos do Espírito Santo (cf. Gl 5,22-23)

O sofrimento e a dor, a alegria e a tristeza, o sucesso e o fracasso, o nascimento e a morte, o sorriso e o choro moram no mesmo homem. O famoso escritor libanês, Khalil Gibran, escreveu no seu livro O Profeta:Quando estiverdes alegres, olhai no fundo de vosso coração, e achareis que o que vos deu tristeza é aquilo mesmo que vos está dando alegria. E quando estiverdes tristes, olhai novamente no vosso coração e vereis que, na verdade, estais chorando por aquilo mesmo que constituiu vosso deleite... A alegria e a tristeza vêm sempre juntas; e quando uma está sentada à vossa mesa, lembrai-vos de que a outra dorme em vossa cama”.

Dentro dos sofrimentos e das alegrias ou com eles, nós crescemos ou avançamos na vida. Até se soubermos aproveitá-los o nosso crescimento fica acelerado e nossa maturidade nos aproxima bem cedo. Eles fazem parte de ingredientes para saborear a vida na sua plenitude, como cada rosa que tem seus espinhos, mas os espinhos não tiram a beleza de uma rosa. Todo sofrimento por amor nos faz crescer na nossa maturidade. O filósofo romano, Epicteto escreveu: “Cada dificuldade na vida nos oferece uma oportunidade para nos voltarmos para dentro de nós mesmos e recorrermos aos nossos recursos interiores escondidos ou mesmo desconhecidos. As provações que suportamos podem e devem revelar-nos quais são as nossas forças... Você possui forças que provavelmente desconhece(Arte de Viver, p.37, Sextante: Rio de Janeiro,2000). E a Palavra de Deus veio certamente para despertar essa força misteriosa que temos dentro de nós para superar as nossas “paralisias”.

Jesus anuncia para os discípulos sua morte iminente como uma partida para o Pai (Jo 16,5). Consequentemente, os discípulos ficarão tristes por causa da ausência física de Jesus. Mas Jesus afirma que a tristeza dos discípulos é apenas uma passagem. Ele evoca a imagem de uma mulher parturiente: “A mulher, quando deve dar à luz, fica angustiada porque chegou a sua hora; mas, depois que a criança nasceu, ela já não se lembra dos sofrimentos, por causa da alegria de um homem ter vindo ao mundo”. Na Bíblia as dores do parto caracterizam um “castigo” terrível (Gn 3,16; Jr 4,31; 6,24; 13,21). No entanto, são as únicas dores que têm um sentido porque trazem uma nova vida ao mundo. Para os discípulos os sofrimentos são de caráter passageiro, pois sofrem em nome de Jesus que é a vida de suas vidas (Jo 14,6; 11,25), como uma mãe parturiente que sofre em nome de uma vida que está para vir ao mundo. Trata-se, paradoxalmente, de um sofrimento que tem sabor de alegria ou uma dor fecunda.

Para quem está com o Senhor os sofrimentos desta vida não são sofrimentos de agonia e sim são sofrimentos de parto que conduzem à vida, são sofrimentos fecundos que fertilizam nossa vida de salvação. Com o Senhor e no Senhor todo sofrimento é fecundo. Com o Senhor cada sofrimento faz nascer uma nova visão cada vez maior sobre a vida que vivemos. Se o coração se alegra, se alegra todo o homem desde sua raiz mais profunda.

E Jesus promete aos discípulos: “Ninguém vos poderá tirar a vossa alegria”. Trata-se da alegria que nunca se acaba, pois é a alegria eterna vinda do Senhor. É a promessa daquele que venceu a morte. As tristezas de cada dia podem acontecer, as tribulações podem nos cercar, mas nada nem ninguém possa nos tirar do caminho da Vida e do amor de Cristo por nós. Deus é por nós (cf. Rm 8,35-39). Nossa alegria nasce da serena certeza de que somos queridos do Senhor infinitamente, amados em todas as nossas limitações e fraquezas. É a alegria de saber que nossa vida tem sentido e tem futuro. Por isso, a falta de alegria profunda, no fundo, é sinal da falta de fé, sinal da falta de profundidade na vida de fé. Um cristão triste é, verdadeiramente, um triste cristão.

De início, o sofrimento nos parece sempre grande demais. Porém, o sentido de qualquer sofrimento é levar-nos ao nosso limite para nos fazer descobrir novas forças.   Aprendamos da mulher-mãe da qual fala o evangelho de hoje. Nela concorrem sucessivamente tristeza-dor e triunfante alegria, porque o dom da maternidade é muito grande. Assim também nós, filhos e filhas de Deus, discípulos e discípulas de Cristo, caminharemos da provação-sofrimento-tristeza para a alegria-consolo, fecundidade do gozo no Espírito de Deus. A força de Deus é tal que é capaz de nos encher de serenidade e confiança, enquanto a provação, ao contrário, tenta nos impor um sentimento de fracasso e o desejo de perecer.

Tenhamos confiança; o Senhor sempre está conosco. O Senhor quer que através de cada um de nós surja uma nova humanidade onde haja menos dor, menos pobreza, menos tristeza, menos angústia, menos exploração dos menos favorecidos, menos injustiças sociais, menos vícios que minem a saúde das pessoas e a paz familiar. O Senhor continua nos enviando para que possamos gerar uma autêntica alegria cristã. Mas temos que estar conscientes de que para gerar um homem novo e renovado nos custará grandes sofrimentos, perseguições e incompreensões. Na vida o que é valioso custa muito. Não há nada que seja valioso que seja dado de graça. Ninguém cresce sem aprender a morrer de muitas coisas na vida. Mas o Senhor quer que sejamos fortes, valentes, seguros e que confiemos n’Ele e caminhemos atrás de suas pegadas. E quem crê em Jesus Cristo deve ser o primeiro em trabalhar pelo bem de todos.

Ninguém vos poderá tirar a vossa alegria” é a Palavra do Senhor hoje para todos nós. Para isso, temos que viver de acordo com os ensinamentos de Cristo que se resumem no amor fraterno, pois quem ama o próximo, não vai fazer mal contra ele. A vivência do amor fraterno nos traz uma alegria plena, pois trata-se de estar com o Deus de amor (cf. Jo 15,9-11). Além disso, o segredo desta alegria plena está na seguinte oração: “Inspirai, ó Deus, as nossas ações e ajudai-nos a realizá-las, para que em Vós comece e termine aquilo que fizermos(Coleta/oração do dia da Quinta-Feira após as Cinzas).

Vamos tentar descobrir a seguinte verdade: O modo como você começa seu dia determina o modo como você passará o restante dele. Os seus primeiros trinta minutos depois de acordar são os minutos mais importantes e valiosos do dia porque têm uma enorme influência na qualidade de cada minuto que segue. Tenha apenas pensamentos puros e conceba apenas coisas boas para que seu dia tenha uma continuidade maravilhosa. Seja simples porque a simplicidade é a virtude dos sábios, e a sabedoria dos santos. Não pense no mal para que o mal não pense em você. Mas pense no bem para que o bem pense em você. “Contemple o bem, e persiga-o, como se não pudesse alcançá-lo; contemple o mal e evite-o, como evitaria colocar a mão em água fervente” (Confúcio: Aforismos de Confúcio).

Então, comece bem seu dia e você nunca mais será o mesmo. Além disso, pela comunhão, Cristo morto e ressuscitado se faz nossa força para passar triunfalmente pelo sofrimento que encontramos na vida como ele próprio venceu a morte.

P.Vitus Gustama, SVD

Ascensão Do Senhor, Ano "A", Domingo 17/05/2026

ASCENSÃO DO SENHOR AO CÉU, ANO "A" Primeira Leitura: At 1,1-11 1 No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jes...