segunda-feira, 4 de maio de 2026

Quarta-feira Da V Semana Da Páscoa, 06/05/2026

PERMANECER EM CRISTO É CONDIÇÃO PARA TER UMA VIDA FRUTÍFERA

Quarta-Feira da V Semana da Páscoa

Primeira Leitura: At 15,1-6

1 Naqueles dias, chegaram alguns da Judeia e ensinavam aos irmãos de Antioquia, dizendo: “Vós não podereis salvar-vos, se não fordes circuncidados, como ordena a Lei de Moisés”. 2 Isto provocou muita confusão, e houve uma grande discussão de Paulo e Barnabé com eles. Finalmente, decidiram que Paulo, Barnabé e alguns outros fossem a Jerusalém, para tratar dessa questão com os apóstolos e os anciãos. 3 Depois de terem sido acompanhados pela comunidade, Paulo e Barnabé atravessaram a Fenícia e a Samaria. Contaram sobre a conversão dos pagãos, causando grande alegria entre todos os irmãos. 4 Chegando a Jerusalém, foram recebidos pelos apóstolos e os anciãos, e narraram as maravilhas que Deus tinha realizado por meio deles. 5 Alguns dos que tinham pertencido ao partido dos fariseus e que haviam abraçado a fé levantaram-se e disseram que era preciso circuncidar os pagãos e obrigá-los a observar a Lei de Moisés. 6 Então, os apóstolos e os anciãos reuniram-se para tratar desse assunto.

Evangelho: Jo 15,1-8

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. 2Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. 3Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. 4Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim. 5Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. 7Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. 8Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.

_______________________

Todo fruto de boa obra nasce daquela raiz, que é aquele que por sua graça nos libertou e com seu auxílio faz crescer para que possamos dar mais fruto. Por isso é que, repetindo e explicando o que acima dissera, acrescenta: Eu sou a videira, vós, as varas. Quem permanece em mim (crendo, obedeendo e perseverando) e eu nele (iluminando, socorrendo e concedendo a perseverança), esse (e nenhum outro) dá muito fruto (Alcuíno, In Santo Tomas de Aquino: Catena Aurea, Exposição Contínua Sobre Os Evangelhos vol.4: Evangelho de São João, Ed. Ecclesiae, Campinas,SP,2021 p.439).

A vara (o ramo) da videira é tanto mais desprezivel se for cortada dela, quanto mais gloriosa se nela permanecer. À vara, portanto, convém um de dois destinos: ou a videira, ou o fogo; e se não estiver na videira, estará no fogo. ... Só se deve dizer que as palavras de Cristo permanecem em nós quando cumprimos os seus mandamentos e amamos as suas promessas. Já quando as palavras dele permanecem na memória, mas não se encontram na vida, a vara já não é contada na videira, porque já não puxa da raiz a sua vida (Santo Agostinho. Idem p.440).

____________________________

É Preciso Converter-se Para Ser Verdadeiro Cristão

Durante três dias os Atos dos Apóstolos nos descreverão o que passou na assembleia de Jerusalém, também chamada o Concílio de Jerusalém (At 15,1-35). Participam os dois centros cristãos de maior destaque: Jerusalém e Antioquia. A ação se inicia em Antioquia onde acontece a discussão sobre a obrigação da circuncisão para os pagãos convertidos ao cristianismo. Nada pode ser resolvido em Antioquia. Então Paulo e Bernabé levam a questão para a Igreja-mãe de Jerusalém (At 15,1-4). Dai surge o Concílio de Jerusalém para procurar solução para o problema.

O surgimento do Concílio de Jerusalém passou por três etapas. Na primeira etapa encontra-se um grande problema. Os judeu-cristãos ensinaram que sem a circuncisão dos pagãos convertidos para o cristianismo, como manda a Lei de Moisés, não há salvação para eles (os pagãos convertidos). Ou seja, para ser cristão, um pagão convertido teria que fazer-se ou tornar-se judeu primeiro (circuncisão). Em outras palavras, a questão ou a pergunta que está em jogo é esta: Será que é preciso ser judeu (fazer circuncisão) para ser cristão, ou basta ser batizado (após a manifestação da conversão) para se tornar cristão? É a mesma pergunta paralela: É preciso ser árabe para ser muçulmano? É preciso ser indiano para ser hinduísta ou budista? É preciso ser japonês para ser adepto do Xintoísmo? E assim por diante....

Por isso, lemos a seguinte frase: “Alguns dos que tinham pertencido ao partido dos fariseus e que haviam abraçado a fé levantaram-se e disseram que era preciso circuncidar os pagãos e obrigá-los a observar a Lei de Moisés. Então, os apóstolos e os anciãos reuniram-se para tratar desse assunto”.

Esta é a frase chave para o surgimento do primeiro Concílio da Igreja na história que aconteceu em Jerusalém, que lemos na Primeira Leitura de hoje. Uma certa categoria de cristãos, muito apegada à tradição judaica, chamada de “judaizantes”, tinha muito empenho em permanecer fiel à Lei de Moisés que praticava antes de sua conversão a Jesus. Esses cristãos-judeus queriam impor o costume de Moisés (circuncisão) a todos os convertidos do paganismo.

A questão era de uma extrema gravidade porque manter as obrigações da Lei de Moisés, sobretudo a circuncisão, era desanimar os pagãos, em vez de seguir apenas os ensinamentos de Jesus Cristo. Também era grave porque a fé em Jesus se tornaria insuficiente. A imposição do rito judaico da circuncisão aos pagãos convertidos com a consequente observância de todas as prescrições judaicas põe em discussão a opção cristão.  Ou seja, se a circuncisão é uma condição prévia para ser cristão isto significa que a fé em Jesus Salvador do mundo não basta mais (cf. Jo 3,16). Em outras palavras, a vinda de Jesus para este mundo não seria mais para salvar a humanidade e sim para manter a tradição judaica. Dentro desta linha de pensamento pode-se dizer que o homem não pode ser salvo em Jesus Cristo, pois a condição seria a circuncisão. Ruptura ou compromisso?  Tradição judaica ou a autonomia do cristianismo? A partir dessa questão é que Paulo e Barnabé foram a Jerusalém para tratar do assunto com os Apóstolos e anciãos lá. A síntese da relação aos responsáveis da Igreja de Jerusalém, como escreveu são Lucas (autor dos Atos) não deixa dúvidas de que a Igreja-mãe de Jerusalém só tem de reconhecer e dar a plena aprovação a iniciativa de Paulo e Barnabé de ser cristão sem ser judeus (fazer circuncisão). Esta será a solução.

Depois de identificar o problema vem a segunda etapa. O problema ou a controvérsia ameaçava a unidade da Igreja. Como se resolve? Não de uma maneira disciplinar e sim através de um discernimento mediante o diálogo entre aqueles que percebem a abertura como um dom do Espirito e aqueles que representam o ministério de autoridade. Por esta razão, Paulo e Barnabé decidiram ir a Jerusalém para consultar os Apóstolos e presbíteros sobre a controvérsia.

Em terceira etapa: a resolução e suas consequências. Depois de examinar os diversos aspectos, a assembleia (concílio) toma uma resolução que tem como consequências muito importantes para o desenvolvimento/crescimento da Igreja.

Cada momento de nossa vida sempre traz algo novo. Podemos seguir ou trilhar o mesmo caminho diariamente, mas os acontecimentos são variados ou diferente. Esses acontecimentos clamam nossa atenção e nossa reflexão para que não vivamos em uma maneira linear e sim multidimensional, pois a vida pode ser vista a partir de variedade de ângulos. Altos e baixos que nos acompanham diariamente nossa vida são sinais da vida. É igual o computador ou monitor no CTI de um hospital que registra os batimentos cardíacos do paciente: altos e baixos são sinais de que o paciente está reagindo. A ausência destes altos e baixos mostra que o paciente deixou de reagir mais, e que pode ser um aviso sobre o término de sua caminhada neste mundo. Se soubermos refletir bem sobre os problemas, cedo ou tarde vão nos trazer muita sabedoria e muitas soluções para nossa vida. A solução para os problemas de nossa vida não é um meteoro e sim um mosaico feito de atos e escolhas comuns, planos e reflexões. A vida não para de nos deixar perguntas e vivemos em busca das respostas. Mas cada resposta sempre causa outras perguntas. Estamos em permanente busca de respostas para a vida diária. É bom nos aproximarmos sempre da Luz do Mundo, Jesus Cristo (Jo 8,12) para que nossa vida seja iluminada. Ou na linguagem do Evangelho de hoje é preciso permanecermos em Cristo para podermos produzir muitos frutos bons.

A Primeira Leitura de hoje fala da primeira etapa: a identificação do problema na Igreja. Não se parece este problema ao que vivemos hoje em relação à inculturação do cristianismo em contextos não ocidentais? A Igreja não passou pelo mesmo problema em que o ocidente considerava a cultura local como uma cultura inferior? Não há certas comunidades cristãs ou certos sacerdotes que obrigam os pais a colocarem o nome de um santo para o primeiro nome para poder batizar uma pessoa, pois outros nomes são estranhos ou não dignos? Como resolvemos as tensões surgidas dos grupos que atuam na Igreja?

O discernimento é sempre uma via aconselhavel para verificar o que é verdadeiro e o que é não o é.O discernimento leva a reconhecer e a sintonizar-se com a ação do Espírito, em uma autêntica obediência espiritual. Por esta via, torna-se abertura para a novidade, coragem para sair, resistência à tentação de reduzir o novo ao já conhecido. O discernimento é uma atitude autenticamente espiritual. Enquanto obediência ao Espírito, o discernimento é, sobretudo, escuta, que pode tornar-se também um estímulo encorajador para a nossa ação, bem como capacidade de fidelidade criativa à única missão desde sempre confiada à Igreja. O discernimento faz-se, desta forma, um instrumento pastoral capaz de identificar estradas viáveis a serem propostas aos jovens de hoje, além de oferecer para a missão orientações e sugestões que não sejam predefinidas, mas fruto de um percurso que permita seguir o Espírito. Esta estrada assim estruturada convida a abrir e não a fechar, a pôr algumas questões e a fazer reflexões sem sugerir respostas predeterminadas, a vislumbrar alternativas e a procurar oportunidades(XV Assembleia Geral Ordinária Do Sinodo Dos Bispos, 28 de outubro de 2018: Os Jovens, A Fé E O Discernimento Vocacional, n.2).

A Relação Pessoal Com Jesus É Frutífera

O Evangelho deste dia nos situa numa ceia de despedida de Jesus de seus discípulos (Jo 13-17). Por isso, os gestos e as palavras de Jesus, neste contexto, representam as suas últimas indicações e recomendações, os seus últimos “testamentos”. Os discípulos recebem essas orientações para poderem continuar no mundo a missão de Jesus. Nasce, assim, a comunidade da Nova Aliança, alicerçada no serviço (cf. Jo 13,1-17) e no amor (cf. Jo 13,33-35), que pratica as obras de Jesus, animada pelo Espírito Santo (cf. Jo 14,15-26).

1. Conectar Minha Vida Na Vida de Jesus Para Produzir Bons Frutos

Eu sou a videira e vós, os ramos”, diz Jesus. “Eu sou” é uma forma de revelação, que remete ao nome do Deus Salvador, dado a Moisés (Ex 3,14). Jesus a aplica a Si mesmo (cf. Jo 6,35; 8,12; 10,7.9; 10,11; 11,25; 14,6).

Eu sou a videira e vós, os ramos”. É uma comparação simples, mas profunda que nos oferece muitas sugestões para a vida cristã. Videira e ramos são uma única planta: têm a mesma seiva e produzem o mesmo fruto. Por isso, o ramo não vive sem o tronco. O ramo, para viver, precisa receber a seiva do tronco permanentemente, sem a qual morrerá.

Nesta metáfora encontramos uma maravilhosa certeza de nossa vida: que estamos enraizados em Alguém que nos dá vida, estabilidade e força para lutar e ter sucesso na luta: Jesus Cristo. Jesus vem para nos dar vida em abundância (Jo 10,10). Com esta metáfora, rica de sugestões, o Senhor fala de sua união profunda com aqueles que se unem a Ele, que O amam e observam suas Palavras (cf. Jo 15,14)

Além disso, esta imagem serve para sublinhar a comunicação e circulação de vida divina que existe entre Jesus e aqueles que nele crêem. A vida de Deus passa a circular na vida daqueles que aceitam Jesus e vivem de acordo com seus ensinamentos. Trata-se de uma relação que nos liga, na sua dimensão mais profunda, a Jesus. Jesus vive e é para todos os crentes o único autor da vida e o princípio de sua organização. Jesus é a seiva, a raiz e o fundamento da vida do crente. Eu preciso viver conectado com Cristo para viver profundamente e abundantemente.

Eu sou a videira e vós, os ramos”. Entre Jesus e o cristão há uma comunhão de vida. Se assim é, os cristãos se alimentam e crescem com a mesma vida de Jesus Cristo, como os ramos que se alimentam da seiva que vem do tronco. Nossa ação surge daquilo que somos: unidos ao Filho, somos filhos e podemos dar frutos de amor fraterno. Quem se alimenta dos ensinamentos de Jesus acaba sendo vida para os demais. Quem se alimenta dos ensinamentos de Cristo vive e pensa sempre no bem e na salvação de todos como a seiva passa para todos os ramos a fim de alimentá-los.

2. Estar Unido a Cristo é a Condição Para Ter Uma Vida Frutífera

Aquele que permanece em mim e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5; cf. Gl 2,20; 5,24;6,14;Fl 1,21;3,8.12;Ef 4,24;Cl 2,6;3,1). Se nossa vida e seus frutos dependem de Jesus Cristo, isso significa que permanecer unido a Jesus Cristo é uma condição sine qua non (incondicionalmente). Permanecer em Cristo é a condição para ter a capacidade de produzir muitos frutos para Deus e para os outros. Jesus é “a verdadeira videira”, de onde brotam os frutos da justiça, do amor, de verdade e da paz; é n’Ele e nas suas propostas que os homens podem encontrar a vida verdadeira. A vida enraizada em Cristo faz com que produzamos algo de bom e de útil para a humanidade. Jesus quer que produzamos o que tem a ver com vida para os demais. Para isso só há uma condição: estar sempre ligado a Cristo.

3.  O Cristão Pertence ao Senhor

Eu sou a videira e vós, os ramos”, diz-nos o Senhor. Tenho que estar consciente de que eu pertenço ao Senhor. Eu sou do Senhor. Eu vivo por causa do Senhor. Eu devo falar e agir em nome do Senhor. Eu devo fazer aquilo que tem a ver com a vontade do Senhor que se resume no amor fraterno. O cristão não é nem deve ser um ser isolado e não pode ficar isolado dos outros. O cristão pertence ao Senhor e está com o Senhor. O cristão não é solitário e sim solidário. Cada cristão é membro de um corpo – o Corpo místico de Cristo. A sua vocação é seguir Cristo, integrado numa família de irmãos que partilha a mesma fé, percorrendo em conjunto o caminho do amor. A vivência da fé é sempre uma experiência comunitária. É no diálogo e na partilha com os irmãos que a nossa fé nasce, cresce e amadurece, e é na comunidade, unida por laços de amor e de fraternidade, que a nossa vocação se realiza plenamente.

O que pode interromper a nossa união com Cristo e tornar-nos ramos secos e estéreis é quando conduzirmos a nossa vida por caminhos de egoísmo, de isolamento, de ódio, de injustiça, de divisão; quando nos fecharmos em esquemas de autossuficiência, de comodismo e de instalação. Ninguém cresce sem o outro.

4. É Necessária Uma Poda Permanente Para Poder Produzir Bons Frutos

“Todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda”. Qualquer vinhateiro não tem medo de cortar alguns ramos ou folhas para que toda a seiva se concentre nuns determinados ramos para que produzam frutos abundantes e de qualidade.

Os ramos não têm vida própria e não podem produzir frutos por si próprios; necessitam da seiva do tronco. Para que não nos tornemos “ramos” secos, temos que ter coragem de cortar o que não presta em nossa vida. Não tenha medo de eliminar uma dor pequena em função de retirada da dor maior. Não deixemos nenhuma coisa negativa crescer em nós, para não destruirmos nossa vida lentamente. Deixemos somente o bem crescer em nós para que sejamos o bem para os outros. Não podemos viver no comodismo em nome do prazer que nos esmaga e oprime. Vivamos na sinceridade, na retidão, na bondade, na verdade, no amor, na caridade e assim por diante. Somos não pelos bens que possuímos, nem pelo cargo que ocupamos nem pelo poder que temos e sim pelos valores que vivemos. Para isso, precisamos podar o que não é o bem nem faz bem para nossa vida e a vida das pessoas ao nosso redor. A poda é uma atividade positiva: elimina fatores de morte, fazendo que o cristão seja cada vez mais autêntico, mais livre, tenha capacidade maior de entrega e aumente sua eficácia. É um corte purificador, produtivo e libertador.         

Algumas perguntas para a revisão de nossa vida: Que parte do meu modo de viver que está seca? Que parte da minha maneira de viver e de pensar que precisa ser podada? Como cristão, de que minha vida cristã se alimenta?

P. Vitus Gustama,svd

Terça-feira Da V Semana Da Páscoa, 05/05/2026

A PAZ QUE CRISTO QUER NOS DAR

Terça-Feira da V Semana da Páscoa

Primeira Leitura: At 14,19-28

Naqueles dias, 19 de Antioquia e Icônio chegaram judeus que convenceram as multidões. Então apedrejaram Paulo e arrastaram-no para fora da cidade, pensando que ele estivesse morto. 20 Mas, enquanto os discípulos o rodeavam, Paulo levantou-se e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu para Derbe com Barnabé. 21 Depois de terem pregado o Evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, Icônio e Antioquia. 22 Encorajando os discípulos, eles os exortavam a permanecer firmes na fé, dizendo-lhes: “É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus”. 23 Os apóstolos designaram presbíteros para cada comunidade. Com orações e jejuns, eles os confiavam ao Senhor, em quem haviam acreditado. 24 Em seguida, atravessando a Pisídia, chegaram à Panfília. 25 Anunciaram a palavra em Perge, e depois desceram para Atália. 26 Dali embarcaram para Antioquia, de onde tinham saído, entregues à graça de Deus, para o trabalho que haviam realizado. 27 Chegando ali, reuniram a comunidade. Contaram-lhe tudo o que Deus fizera por meio deles e como havia aberto a porta da fé para os pagãos. 28 E passaram então algum tempo com os discípulos.

Evangelho: Jo 14,27-31ª

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 27Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. 28 Ouvistes que eu vos disse: ‘Vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. 29Disse-vos isto, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis. 30Já não falarei muito convosco, pois o chefe deste mundo vem. Ele não tem poder sobre mim, 31amas, para que o mundo reconheça que eu amo o Pai, eu procedo conforme o Pai me ordenou”.

-----------------------------------        

Exortação Para Ser Perseverante Na Fé Em Todos Os Momentos

É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus(At 14,22).

O texto da Primeira Leitura é a conclusão da Primeira viagem missionária de São Paulo. Essa viagem durou três anos aproximadamente entre os anos 45 e 48. Aconteceu quinze anos depois da morte e ressurreição de Jesus. Foi uma primeira experiência da evangelização em terra pagã.

Lemos na Primeira Leitura do dia anterior que Paulo e Barnabé, depois que um paralítico de nascença foi curado, foram tratados como se fossem deuses. Na Primeira Leitura de hoje Paulo é apedrejado até quase morto. Paulo e seus companheiros experimentam que o Reino de Deus padece violência e que não é fácil pregá-lo neste mundo. Mas não se deixam atemorizar. Eles continuam a evangelizar. Eles não querem desistir de tudo que é digno para o ser humano: sua salvação. Eles saíram de Listra para pregar em outras cidades. Eles são incansáveis em levar adiante a Palavra de Deus. A Palavra de Deus não pode ficar muda nem presa.

Para os seus discípulos, Paulo dá o seguinte conselho: “É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus”.  A aflição é um dos temas essenciais de São Paulo. A fé não suprime a tribulação. O sofrimento acompanha o cristão, como qualquer ser humano, mas seu sofrimento pode ter sentido, pois o cristão sabe que é um passo, um momento doloroso que conduz ao Reino, à felicidade total junto a Deus quando é consequência da evangelização ou de algo digno de lutar. De fato, Deus age conosco, em nossas provações, como agiu em seu Filho unigênito, Jesus Cristo. Deus manifesta Sua presença sem nos poupar da dor, para que, lutando com nossa fé contra o mal, possamos como Ele testemunhar que a vida é mais forte do que a morte.  Devemos crer na ressurreição, isto é, na vida gloriosa em Deus, não somente para o outro mundo, mas também nos momentos de dor, de aflição, de luto, e de morte nas passagens mais importantes de nossa vida.  Andar com o Bem Supremo (Deus) não tem como não encarar o mal e os maus nesta vida. Mais tarde São Paulo vai escrever para Timóteo: “Todos os que quiserem viver piedosamente, em Jesus Cristo, terão de sofrer a perseguição” (2Tm 3,12).

Nossas experiências dolorosas sempre escondem uma sabedoria que necessitamos decifrá-la. Elas tornam possível entendermos  os sofrimentos de nossos semelhantes ou de nossos próximos. Com isso, passamos a ser bons curadores ou bons conselheiros uns dos outros porque já vivenciamos a dor. No entanto, a cura  só é possível depois que a dor foi reconhecida, abraçada internamente e depois libertada pela pessoa ferida. A dor exige paciência, mas nos promete prazeres futuros. Temos muitas lições a aprender na vida e, sem dúvida, cada uma delas virá acompanhada de uma pontada de dor.

Com este conselho Paulo fortalecia o ânimo dos discípulos, alentando-os a estarem perseverantes na fé. A fé não é um tesouro que um dia se recebe e fica como tal até a morte. A fé é uma vida que pode consolidar-se ou debilitar-se, que pode crescer ou morrer. Paulo está consciente disso e por isso, ele alerta: “É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus”. Quando Deus nos chama é porque Ele sabe como cuida de nós, apesar das dificuldades. Por isso, é precisa ter muita fé em Deus que nos ama.

A fé é a entrega pessoal, o submetimento total a Deus do entendimento para crer, da vontade para praticar somente o bem, e do coração para amar. Trata-se não somente de crer em algo e sim de crer em Alguém, de crer em Deus. Temos fé perfeita quando existe a entrega da vontade a Deus para viver somente de acordo com a vontade de Deus, pois a vontade de Deus é salvadora. A fé está sempre unida à esperança e à caridade, pois a fé é garantia do que se espera (Hb 11,1) e se expressa em obras de amor (Gl 5,6). Por isso, a fé perfeita é fruto da verdadeira conversão. Mas por si só, o homem não pode converter-se. Ele precisa do auxílio de Deus: “Faze-me voltar e voltarei, porque Tu és Javé, meu Deus” (Jr 31,18). Nesta volta (conversão) Deus “abre o coração” (At 16,14) ao homem.

“A fé nasce no encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela o seu amor: um amor que nos precede e sobre o qual podemos apoiar-nos para construir solidamente a vida. Transformados por este amor, recebemos olhos novos e experimentamos que há nele uma grande promessa de plenitude e se nos abre a visão do futuro. A fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece-nos como luz para a estrada orientando os nossos passos no tempo” (Papa Francisco: Carta Encíclica: Lumen Fidei n.4).

Viver Na Colegialidade

Os apóstolos designaram presbíteros para cada comunidade. Com orações e jejuns, eles os confiavam ao Senhor, em quem haviam acreditado”.

Na constituição de um grupo de anciãos (presbíteros) percebemos o sinal da colegialidade em que os apóstolos designam anciãos para conduzir a comunidade local cuja tarefa é assegurar a fidelidade da comunidade. Os anciãos designados são símbolo da unidade, construtores da unidade (cf. Cl 2,19).

Aqui vemos a relação entre a Igreja local (comunidades presididas pelos anciãos/presbíteros) e a Igreja universal (conduzida pelos apóstolos). Na prática judaica, ao contrário, cada comunidade da Diáspora elege um grupo de anciãos para governa-la, sobretudo no plano material (cf. At 11,30).

O bispo e sua diocese são sinais da unificação universal para a condição de viver a colegialidade. O vigário/pároco e sua paróquia realizam a mesma exigência vivendo o presbitério em união plena com o bispo local com seus sacerdotes.

A constituição dos presbíteros nos mostra que a própria fé não pode ser vivida somente individualmente. É necessário vive-la em Igreja, com os outros. Será que eu compartilho minha fé com outras pessoas? Que sentido tem para mim a Igreja? Como eu participo da comunidade local?

A Paz Que Cristo Quer Nos Dar

Continuamos a acompanhar o “discurso” de despedida de Jesus de seus discípulos (Jo 13-17). Ao se despedir de seus discípulos, Jesus lhes dá a sua paz: “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz; não vo-la dou como o faz o mundo. Que o vosso coração não se perturbe nem se intimide” (v.27).

Paz (Shalom, em hebraico, ou eirene, em grego) é uma fórmula ancestral e tradicional de saudação e de despedida entre os orientais até o dia de hoje. Os judeus na atualidade se saúdam com “Shalom” (paz), ou se perguntam: “mi shelomkha?” (Como está?) que literalmente pode ser traduzido “como está tua paz?”. Ao se despedir se desejam shalom u-berakhah (paz e bênção).      

Paz (Shalom) que é a saudação habitual entre os judeus tem uma grande densidade de significado, pois este termo não significa apenas a ausência de conflitos ou a tranquilidade da alma, mas também a saúde, a prosperidade, a felicidade em plenitude. A palavra “Shalom” talvez possa ser traduzida com uma expressão que todos nós desejamos aos outros: “Tudo de bom”. “All the best” para os da língua inglesa. Neste sentido, pode-se dizer que a paz é “o” dom que contémDesejar a paz significa desejar tudo de bom para o próximo, pois deseja-se tudo de bom para o próximo. Desejar “Shalom” é desejar a alguém uma harmonia com tudo, com todos e com o Todo por excelência que é o próprio Deus.          

Ao se despedir dos discípulos, Jesus não lhes deseja a paz, mas ele lhes a paz: “Eu vos deixo a paz”, e insiste: “Eu vos dou a minha paz”. Jesus nos dá a “sua” paz. Trata-se da paz messiânica, plenitude de toda bênção. É a paz que nasce do amor (Jo 14,15-23) e floresce na alegria (Jo 14,28b). 

Portanto, aqui, quando se trata de paz, não se trata de um simples augúrio de paz, mas de um verdadeiro dom. A paz é um dom, vem do alto: não surge da decisão do homem. Por isso, não pode reduzir-se ao nível de sentimento. Trata-se de uma palavra que salva, que vai à raiz, lá onde está a origem da verdadeira paz (a origem do mal). A paz de Jesus tem como efeito banir/expulsar do coração dos discípulos todo e qualquer resquício/resíduo de perturbação ou de temor que leva ao imobilismo. Possuindo o dom da paz de Jesus, todos os seguidores de Cristo devem manter-se imperturbáveis, sem se deixar intimidar diante das dificuldades. Assim pensada, a paz de Jesus consiste numa força divina que não deixa os discípulos rompam a comunhão com Jesus. É Jesus mesmo, presente na vida dos discípulos, sustentando lhe a caminhada, sempre disposto a seguir adiante com alegria, rumo à casa do Pai, apesar das adversidades que deverão enfrentar. Dizendo “vai em paz”, Jesus cura a hemorroíssa (Lc 8,48) e perdoa os pecados à pecadora (Lc 7,50). A paz de Jesus nasce da vitória sobre o pecado e suas consequências. A paz de Jesus funda-se no amor fraterno e na justiça. A paz de Jesus, por isso, rejeita toda espécie de idolatria que coloca criatura no lugar de Deus e submete o ser humano a um regime de opressão. João enfatiza que Jesus é o mediador da paz; é neste sentido que Jesus a qualifica de “minha”. Os verbos estão no presente, sublinhando, assim, a realidade atual e a duração indefinida do dom. O Filho dispõe a paz que, segundo a Bíblia, só Deus pode conceder. A paz caracteriza os tempos messiânicos (Sl 72,7). O Messias tem por nome “o Príncipe da Paz” (Is 9,5s). A aliança escatológica é uma “aliança de paz” (Is 66,12). Todo o NT se mostra herdeiro dessa tradição para acentuar a reconciliação com Deus (At 10,36; Rm 5,1; Ef 2,14-17; Cl 1,20 etc.).          

Mas não dou a paz como o mundo a dá”, disse Jesus. E m que consiste a paz do mundo? A paz que o mundo oferece prescinde de Deus e se funda num projeto contrário ao dele. Aí, se encontram a injustiça, a concentração de bens à custa da exploração alheia, o desrespeito pelo ser humano. É o império do egoísmo que idolatra pessoas e coisas, e transforma os indivíduos em seus escravos. Por isso, é uma paz que conduz à morte eterna. Segundo o mundo, para ter paz todos tem que se preparar para a guerra. “Si vis pacem, para bellum!” (Ditado latino). “Se desejas a paz, prepara-te para a guerra”. “Devemos amar a paz sem odiar os que fazem a guerra”, dizia Santo Agostinho (Serm. 357,1).          

Quando o homem esquece o seu destino eterno, e o horizonte de sua vida se limita à existência terrena, contenta-se com uma paz fictícia, com uma tranquilidade exterior. Jesus qualifica este tipo de paz como a paz que o mundo dá. Recuperar a paz perdida é uma das melhores manifestações de nossa caridade para com os que estão à nossa volta. Onde houver amor também haverá a paz. Com efeito, a verdadeira paz é o fruto do amor a Deus e ao próximo. 

Deus em quem acreditamos é um Deus da paz; não quer a desordem, a rebelião ou tumulto. Deus está pela ordem como estada normal das coisas, e esta ordem equivale à paz. É o mesmo Deus que na cena da criação põe ordem no caos inicial (Gn 1,1ss), dando a entender que “criar” é em primeiro término ordenar o caos inicial, separando o céu da terra etc. para evitar a confusão. A paz, entendido neste sentido, se apresenta como estado normal das coisas onde cada uma ocupa seu devido lugar. Quando cada elemento ocupar seu próprio lugar haverá a ordem e consequentemente haverá a paz. “A paz é a tranquilidade da ordem”, dizia Santo Agostinho. 

PARA REFLETIR:

·   A fraternidade é uma dimensão essencial do homem, sendo ele um ser relacional. A consciência viva desta dimensão relacional leva-nos a ver e tratar cada pessoa como uma verdadeira irmã e um verdadeiro irmão; sem tal consciência, torna-se impossível a construção duma sociedade justa, duma paz firme e duradoura. E convém desde já lembrar que a fraternidade se começa a aprender habitualmente no seio da família, graças, sobretudo, às funções responsáveis e complementares de todos os seus membros, mormente do pai e da mãe. A família é a fonte de toda a fraternidade, sendo por isso mesmo também o fundamento e o caminho primário para a paz, já que, por vocação, deveria contagiar o mundo com o seu amor” (Papa Francisco: Mensagem Para a Celebração Do XLVII Dia Mundial Da Paz De 2014).

·   Depois do Pai-Nosso se dá a paz. Que grande sacramento se esconde nesse rito. Deixa que teu beijo seja a expressão de teu amor. Não sejas Judas, que beijou Cristo com os lábios, mas já o havia traído em seu coração (Santo Agostinho: Serm. Dennis 6,3).

P. Vitus Gustama,svd

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Segunda-feira Da V Semana Da Páscoa, 04/05/2026

CORAÇÃO QUE AMA SE TORNA A MORADA DIVINA

Segunda-Feira da V Semana da Páscoa

Primeira Leitura: At 14,5-18

Naqueles dias, em Icônio, 5 pagãos e judeus, tendo à frente seus chefes, estavam dispostos a ultrajar e apedrejar Paulo e Barnabé. 6 Ao saberem disso, Paulo e Barnabé fugiram e foram para Listra e Derbe, cidades de Licaônia, e seus arredores. 7 Aí começaram a anunciar o Evangelho. 8 Em Listra, havia um homem paralítico das pernas, que era coxo de nascença e nunca fora capaz de andar. 9 Ele escutava o discurso de Paulo. E este, fixando nele o olhar e notando que tinha fé para ser curado, 10 disse em alta voz: “Levanta-te direito sobre os teus pés”. O homem deu um salto e começou a caminhar. 11 Vendo o que Paulo acabara de fazer, a multidão exclamou em dialeto licaônico: “Os deuses desceram entre nós em forma de gente!” 12 Chamavam a Barnabé Júpiter e a Paulo Mercúrio, porque era Paulo quem falava. 13 Os sacerdotes de Júpiter, cujo templo ficava defronte à cidade, levaram à porta touros ornados de grinaldas e queriam, com a multidão, oferecer sacrifícios. 14 Ao saberem disso, os apóstolos Barnabé e Paulo rasgaram as vestes e foram para o meio da multidão, gritando: 15 “Homens, que estais fazendo? Nós também somos homens mortais como vós, e vos estamos anunciando que precisais deixar esses ídolos inúteis para vos converterdes ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe. 16 Nas gerações passadas, Deus permitiu que todas as nações seguissem o próprio caminho. 17 No entanto, ele não deixou de dar testemunho de si mesmo através de seus benefícios, mandando do céu chuvas e colheitas, dando alimento e alegrando vossos corações”. 18 E assim falando, com muito custo, conseguiram que a multidão desistisse de lhes oferecer um sacrifício.

Evangelho: Jo 14,21-26

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 21Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”. 22 Judas – não o Iscariotes – disse-lhe: “Senhor, como se explica que te manifestarás a nós e não ao mundo?” 23 Jesus respondeu-lhe: “Se alguém me ama, guardará minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. 24 Quem não me ama não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou. 25 Isso é o que vos disse enquanto estava convosco. 26 Mas o Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”.

-------------------------------

Deus Ama a Todos, Pois Todos São Seus Filhos

“´Levanta-te direito sobre os teus pés´. O homem deu um salto e começou a caminhar”. Lemos este episódio na Primeira Leitura de hoje.

Levanta-te!”, ordenou Paulo para um paralítico de nascença. Paulo realiza as mesmas maravilhas como Pedro e Jesus. O mesmo tipo de milagre que Pedro havia feito em favor de um mendigo paralítico (um judeu) perto da porta do Templo. E com a mesma ordem: “Levanta-te!”. Mas aqui o beneficiado não é mais um judeu e sim um pagão. Este detalhe é muito importante.

As bênçãos de Deus não são monopólio de uma religião, de uma crença ou de uma Igreja. Os que vão ser salvos não somente os que se encontram dentro de uma igreja ou templo ou somente os adeptos de uma religião ou crença, pois Deus salva quem ama e respeita os outros, quem se preocupa com o bem comum, quem não é egoísta, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). Os que serão salvos não são aqueles que somente decoram sua Sagrada Escritura (Bíblia, Alcorão etc.), mas praticam a maldade contra seu próximo. O próximo é também templo do Espírito Santo (1Cor 3,16-17). O próximo é também o filho de Deus, e por isso, é preciso respeitar sua dignidade de ser filho de Deus e amá-lo como irmão. Por causa do amor fraterno os que estão dentro de uma religião ou crença podem estar fora da salvação, se o amor fraterno estiver ausente entre eles. E os que estão fora da religião ou crença podem ser salvos por Deus por causa do seu amor pelo próximo (cf. Mt 25,31-46). Ninguém é capaz de encurtar a mão de Deus. Ninguém pode prender Deus num templo ou igreja, numa religião ou crença, pois Deus é o Espirito que sopra para onde quer e por quem quiser de acordo com Sua santa vontade. Estejamos atentos por onde o Espirito de Deus sopra. O Sopro de Deus é vida e vivifica. Onde a vida é respeitada, protegida, amada, defendida, lá o Sopro de Deus se manifesta. Deus está onde o amor fraterno circula livremente entre as pessoas. Onde houver o amor fraterno, não haverá fome, nem exclusão, nem discriminação, nem exploração.

Tomemos Cuidado com os Ídolos

Homens, que estais fazendo? Nós também somos homens mortais como vós, e vos estamos anunciando que precisais deixar esses ídolos inúteis para vos converterdes ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe”. Esta foi a reação de Paulo e Barnabé quando o povo de Listra, onde aconteceu a cura do paralítico de nascença, começou a idolatrar esses dois Apóstolos do Senhor.

Santo Tomás de Aquino trata da idolatria como uma espécie do gênero de superstição que é um vício oposto à virtude da religião e consiste em dar honra divina (culto) para coisas que não são Deus ou a Deus mesmo de maneira equivocada (cf. Summa Theol., II-II, q.xciv). É isso que aconteceu com o povo de Listra. A idolatria é uma verdadeira aberração na ordem religiosa e moral já que nela se inverte por completo a ordem dos valores: o Absoluto, Deus, se relativiza, e o relativo (criatura) se absolutiza. O que não é Deus ou o que é inferior a Deus se considera como se fosse deus ou algo divino. O erro está em atribuir às coisas o poder de Deus. Então, elas nos dominam e nos destroem e destroem os outros.

A idolatria não é coisa passada, própria dos homens de tempos escuros e de civilizações primitivas. Os ídolos estão sempre com os homens em qualquer época e lugar. Os ídolos não são de ontem nem de hoje. Os ídolos são puras criações do egoísmo, do medo, da insegurança, da soberba do homem que não encontrou ainda seu centro ou seu norte.

Todas as realidades "feitas pela mão do homem," tudo o que o homem pensa que pode fazer tudo pelo seu próprio poder e força; tudo aquilo que o homem quer ganhar para sua vida em vez de largá-lo em função de sua salvação, tudo isso é ídolo. O problema não consiste em descobrir se eu tenho ou não os ídolos, que eu ponho do meu lado cuidadosamente para minha comodidade e minha satisfação. O problema principal é identificar os meus ídolos a fim de pedir a Deus que me livre deles.

Somos confrontados diariamente para fazer a escolha entre Deus e os ídolos: dinheiro, fama, poder, sexo etc. e esta escolha deve ser renovada constantemente. Todos os nossos hábitos e escolhas determinam nosso destino. No hábito e na escolha diariamente está escondido meu destino. Verifiquemos se nossos hábitos e escolhas são dignas de serem vividos ou urgentemente devemos larga-los antes eles determinem nosso futuro destrutivo.

Aquele Que Ama Se Transforma Em Morada De Deus Neste Mundo

O texto do evangelho de hoje faz parte da conversa de Jesus com os seus discípulos na véspera de sua morte, na Última Ceia, e faz parte do longo discurso de despedida de Jesus de seus discípulos (Jo 13-17).

A morte de Jesus vai ser um ir ao encontro do Pai celeste. Esse modo novo de ver situação, especialmente da morte, deve constituir para os discípulos motivos de alegria e não de medo, pois Jesus Cristo não vai abandoná-los. O Santo Espírito vai acompanhá-los no mundo, uma nova forma da presença de Jesus no meio deles. E este Espírito Santo vai facilitar os discípulos na compreensão das palavras de Jesus, que até então sem condições para encontrar seu sentido. Jesus é o próprio Evangelho e o Mensageiro de Deus, o Profeta e a Palavra de Deus e é Deus (cf. Jo 1,13). Em Jesus e por Ele tudo ficou dito, tudo o que Deus tinha que nos dizer. Mas nem tudo ficou compreendido. Por isso, a nova presença de Jesus no Santo Espírito vai ajudar os discípulos a compreenderem tudo que foi dito por Jesus e sobre Jesus.

Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama”. Jesus disse no evangelho de hoje. Jesus repete esta frase como se fosse um refrão (Jo 14,15.21.23.24). É digno de observar que Jesus não usa o “vós” (discípulos). O “vós é substituído pelo uso da terceira pessoa: Quem...”,  “se alguém...”, “... a ele”. Com o uso da terceira pessoa abre-se a possibilidade para qualquer pessoa (fora do círculo dos discípulos) se tornar discípulos do Filho (Jesus) e ter parte em Sua Vida.

Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama.  ... Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada”. Precisamos levar em conta sobre quem toma a iniciativa do amor. Foi Deus que manifesta o amor aos homens quando enviou Seu Filho para salvar o mundo (Jo 3,16). Na Primeira Carta de João podemos ler: “Amamos porque Deus nos amou primeiro(1Jo 4,19). Amar a Jesus é o centro do cristianismo, cumprimento do mandamento (cf. Dt 6,5).

Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama”. Amar a Jesus aqui significa, concretamente, acolher e viver Sua Palavra. “Acolher” ou “guardar” os Mandamentos de Jesus significa torna-los próprios e vive-los. E acrescentou: “... esse quem me ama”. O amor é o princípio e o fim de observar os Mandamentos do Senhor. O amor faz viver como o Senhor que ama até o fim (Jo 13,1). Ou seja, viver como o Senhor significa realizar o amor na vida cotidiana.

Quem ama será amado por meu Pai” é a outra afirmação do Senhor. O Pai ama todos os homens (Jo 3,16) sem excessão. Porém, somente quem ama o Filho e viver conforme seus mandamentos, experimenta o amor do Pai por Ele. Somente quem ama conhece o amor com o qual foi amado. Sem amor por Jesus, não existe conhecimento dele, nem do Pai, nem do Espírito (cf. 1Jo 4,8).

Jesus nos convida a uma comunhão vital: nossa fé e nosso amor a Jesus nos introduzem num admirável intercâmbio. Se tivermos fé e amor, o próprio Deus fará Sua morada em nós e nos converteremos em templos de Deus e de Seu Espírito. O amor nos une a Deus e aos irmãos, nossos próximos. A fé no Deus, que nos ama, nos leva a lutarmos até o fim pelo bem de todos por amor, a exemplo de Jesus. A evidência que nos comprova de que amamos Jesus é viver seus ensinamentos que se resumem no amor fraterno (cf. Jo 15,12). Só quem ama o Filho e os irmãos experimenta o amor do Pai (Jo 14,21).

“... e nós viremos a ele”. A vinda de Deus, Pai e Filho, será a vinda do Espírito (Jo 14,26), própria de quem ama o Filho e os irmãos (cf. 1Jo 4,7). Não somente haverá a vinda de Deus na vida de quem ama, mas “e nele faremos a nossa morada”. A morada de Deus entre os homens é aquela do amor. O amor é a aliança definitiva de Deus. Quem ama a Jesus torna-se templo de Deus, lugar da sua presença: tem em si o Filho que está no Pai e o Pai que está no Filho, pois os dois são um só (cf. Jo 10,30). O amor vivido por nós torna nossa vida morada do Filho e do Pai.

Deus faz sua morada em nós em virtude de uma dupla exigência: guardar sua palavra e amá-lo de verdade no próximo (amor fraterno). Deus está presente em cada um de nós na medida em que ama o próximo. A morada de Deus, a casa de Deus, sua residência já não é um templo, Deus não mora na parede das igrejas, e sim que sou eu mesmo morada de Deus na medida em que vivencio o amor fraterno, na medida em que sou fiel à palavra de Jesus. Em outras palavras, o amor cria comunhão e comunidade tanto no nível humano como no nível divino. Com efeito, sem o amor não haveria nenhuma comunhão com os outros e consequentemente com Deus, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16).

Mas esta presença de Deus no homem não é estática; é a presença de seu Espírito, seu dinamismo de amor e vida que faz o homem participar de Seu próprio amor. Se Deus faz sua morada no coração de quem ama, isto significa que Deus se afasta de mim quando houver em mim o desamor, a injustiça, o ódio, a exploração dos irmãos, a falta de perdão e assim por diante.

Por isso, não basta ficar-me no nível de ideias, de sentimentalismo, de pensamentos e sim que esse novo pensamento, essas novas ideias tenham que provocar em mim uma mudança de vida. Não basta abrir a mente, tenho que abrir também a porta de meu coração, de minha vida vivendo o amor fraterno para tornar-me morada de Deus. O homem que ama é um homem divinizado. “Sem amor o rico se torna pobre; com amor o pobre se torna rico” (Santo Agostinho). A prática cristã do amor é o sinal mais claro e evidente de nossa pertença à Igreja de Jesus. Quem ama como Jesus amou, entra no recinto do amor de Deus Pai e mergulha no mistério salvador de Deus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada”. Amar a Jesus é deixar-se guiar por suas palavras e inspirar-se em seu modo de viver. Ele vive por amor e para o amor. É um amor universal que não exclui ninguém. Quem se entrega a este projeto de amor será transformado em morada de Deus.

A afirmação de Jesus é, na verdade, um convite ao progresso interior que nos torna semelhantes a Deus pela fidelidade à palavra, e faz reconhecer, nesta fidelidade, a morada das pessoas divinas. O amor fraterno nos aproxima de Deus. A partir do momento em que alguém amar, ele será a nova morada de Deus.

Se em Jo 14,3 Jesus disse que iria preparar para os fiéis uma morada no céu, agora neste texto (vv.22-23) fica claro que a morada do Pai e de Jesus no meio de nós começa aqui e agora, na medida em que observamos o mandamento de Jesus: mandamento do amor fraterno. Se no passado Deus se manifestava em lugares e fenômenos naturais, agora fica muito claro que as pessoas que amam como Jesus são manifestação da presença de Deus. Assim, a separação entre o homem e Deus é superada, e a busca do Pai, tema essencial do Discurso é satisfeita pelo próprio Pai. O nosso Deus não é o Deus distante, mas aquele que se aproxima do homem e vive com ele, formando uma comunidade com os homens, objeto do seu amor.

Por isso, buscar a Deus não exige ir encontrá-lo fora de próprio homem, mas deixar-se encontrar e amar por Ele. A “morada” de Deus está em nós mesmos e entre nós, se estivermos unidos a Jesus e ao Pai na fidelidade e na prática do mandamento do amor. A resposta ao amor a Jesus se expressa no amor aos outros homens (guardar minha palavra). E o Pai e Jesus respondem à fidelidade do discípulo dando-lhe a experiência de sua companhia e seu contato pessoal.

Toda vez que alguém, ao escutar a mensagem do amor, a repete para si mesmo e a põe em prática, insere-se na família de Deus e passa a ser, com Jesus, uma manifestação de Deus ao mundo. A comunidade cristã e o “mundo”, então, distinguem-se entre si pela presença ou ausência do amor. O amor se torna a razão de diferença entre os discípulos e o mundo, entre o cristão e não cristão. Sem amor, o homem continua carnal, incapaz da autêntica experiência de Deus. Deus escolhe para sempre viver no coração que ama. E “Se Deus é por nós, quem será contra nós? “(Rm 8,31b)

Jesus também nos convida a permanecermos atentos ao Espírito, nosso verdadeiro Mestre, a memória de Cristo, a memória para os cristãos. Como memória de Cristo o Espírito vai nos revelando a profundidade de Deus que nos conecta com Cristo: “O Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”. Esse Espírito tem uma função de “pedagogo” de nossa fé porque ele é quem nos prepara para o encontro com Cristo e com o Pai e ele é quem suscita nossa fé e nosso amor. Ele desperta a memória da Igreja.

P. Vitus Gustama,svd

V Domingo Da Páscoa, Ano "A", 03/05/2026

JESUS: CAMINHO, VERDADE E VIDA

V DOMINGO DA PÁSCOA DO ANO “A”                                                  

I Leitura: At 6,1-7

1Naqueles dias, o número dos discípulos tinha aumentado, e os fiéis de origem grega começaram a queixar-se dos fiéis de origem hebraica. Os de origem grega diziam que suas viúvas eram deixadas de lado no atendimento diário. 2Então os Doze Apóstolos reuniram a multidão dos discípulos e disseram: “Não está certo que nós deixemos a pregação da Palavra de Deus para servir às mesas. 3Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria, e nós os encarregaremos dessa tarefa. 4Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra”. 5A proposta agradou a toda a multidão. Então escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; e também Filipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas e Nicolau de Antioquia, um grego que seguia a religião dos judeus. 6Eles foram apresentados aos apóstolos, que oraram e impuseram as mãos sobre eles. 7Entretanto, a Palavra do Senhor se espalhava. O número dos discípulos crescia muito em Jerusalém, e grande multidão de sacerdotes judeus aceitava a fé.

II Leitura: 1Pd 2,4-9m

Caríssimos: 4Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus. 5Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. 6Com efeito, nas Escrituras se lê: “Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e magnífica; quem nela confiar, não será confundido”. 7A vós, portanto, que tendes fé, cabe a honra. Mas, para os que não creem, “a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular, 8pedra de tropeço e rocha que faz cair”. Nela tropeçam os que não acolhem a Palavra; esse é o destino deles. 9Mas vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa.

Evangelho: Jo 14,1-12

 Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1” Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. 2Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós 3e, quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. 4E, para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. 5Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” 6Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”. 8Disse Felipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” 9Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? 10Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai”.

-----------------------          

O texto do evangelho de hoje se encontra no contexto do grande discurso da despedida de Jesus de seus discípulos (Jo 13,31-17,26; cf. também Gn 47,29-49; Js 22-24; At 20,17-38 onde se encontra outro tipo de discurso de despedida).                  

O texto lido neste dia é tirado dos “discursos de despedida” que Jesus dirigiu aos seus discípulos durante a última ceia, palavras que agora são dirigidas à Igreja (Jo 13,1-17,26). O discurso de despedida em Jo 14 onde se encontra o texto lido neste dia gira em torno de dois verbos: “Eu vou” e “volto”: “Eu vou preparar um lugar para vós e.... voltarei e vos levarei comigo...” (Jo 14,2b.13). A salvação aqui é entendida como a união com Jesus nas “moradas” do Pai. O “Eu vou” indica o “lugar” para onde vai (Jo 14,1-17) e o caminho para chegar a este “lugar”: Jesus é o Caminho para chegar ao Pai. Aqui o “Volto(Jo 14,18-27) se refere à Páscoa. A Páscoa supera a orfandade dos discípulos. Consequentemente, os discípulos precisam ter fé em Deus e em Jesus Cristo: “Credes em Deus, crede também em mim” (Jo 14,1b). Quando os discípulos crerem em Jesus Cristo, eles farão inclusive obras maiores do que as dele (Jo 14,12), a obra de Jesus no transcorrer do tempo, isto é, eles vão anunciar a conversão para que os outros tenham também a oportunidade de viver nas moradas celestes. 

Qualquer discurso de despedida sempre tem um tom de tristeza. Ao fazer esse discurso Jesus quer preparar os seus discípulos para os momentos mais difíceis de sua missão na ausência física de Jesus. Para Jesus o único meio para superar as dificuldades é a fé: “Crede em Deus, crede também em mim”. Somente por meio de Jesus é que o homem pode atingir Deus na fé (cf. Jo 5,38; 8,46ss; 12,44-50). Jesus vai partir para a casa do Pai a fim de preparar o lugar para os seus discípulos. Trata-se, por isso, de uma mensagem consoladora para os seus. Lá há muitas moradas. E Jesus lhes prometeu: “Virei novamente e vos tomarei...” (Jo 14,3b). A ausência física de Jesus preparará o encontro escatológico.

Por isso, o tema central do trecho do evangelho de hoje é o ensinamento joanino que quer nos mostrar que “Jesus é o caminho que leva ao Pai aqueles que creem nele”.

Meditemos alguns pontos do evangelho deste dia!          

1.  MEDO - FÉ

          

O texto começa com as seguintes palavras de Jesus, em forma de o imperativo: “Que o coração de vocês não se perturbe”. Esta frase sublinha a situação dos discípulos, tomados de medo, quando o Mestre anunciou-lhes sua muito próxima partida. Este imperativo se repetirá no v.27. O início e o fim formam, então, uma inclusão literária que sublinha o convite a não se perturbar. O próprio Jesus experimentou o sentimento de profunda tristeza na morte de Lázaro (Jo 11,33), na sua entrada em Jerusalém: “Minha alma está agora conturbada...” (Jo 12,27), e  no  anúncio da traição de Judas: “Tendo dito isso, Jesus perturbou-se interiormente e declarou: ‘Em verdade, em verdade, vos digo, um de vós me entregará’” (Jo 13,21).          

A palavra grega “tarássesthai” é muito mais forte do que perturbar-se. Significa aquele estado psíquico, quando nos “invade o pavor da morte” (Sl 54,5), quando o nosso coração se sente “mortalmente ferido” (Sl 108,22). Jesus sabe que, perante sua morte iminente na cruz, os discípulos ficarão abalados ou apavorados. Por isso, Jesus quer que os seus discípulos não sejam dominados pela angústia frente a separação e a morte iminente do Mestre.

Mas como superar esse sentimento?          

O medo ou perturbação está na raiz da imobilidade (Creio que a maioria das pessoas já experimentou o horrível sentimento de angústia e perturbação; e por isso não terá dificuldade de entender as palavras de Jesus). Os medrosos recusam-se a agir e a buscar vias de saída. E eles são levados a esconder-se, a fugir, a evitar o confronto com a realidade. O medo pode deixar-nos perturbados e raivosos (um animal fica muito mais furioso quando se sentir ameaçado) e pode levar-nos à depressão e ao desespero. E vivemos, infelizmente, no mundo cuja agenda é a de medo e de poder mundano que é capaz de fazer tudo neste mundo.          

Não se perturbe o vosso coração” ou “Não tenhais medo” é a voz que mais necessitamos ouvir permanentemente para onde formos, onde estivermos e em qualquer situação em que nos encontrarmos. É a voz do Senhor. É voz que traz paz no coração. Essa voz foi ouvida por Zacarias quando o Anjo Gabriel apareceu para ele no templo (Lc 1,13); essa voz foi ouvida por Maria na anunciação (Lc 1,30); essa voz foi ouvida pelos pastores em Belém (Lc 2,10); essa voz foi ouvida pelos discípulos do barco numa noite acompanhada pelas ondas revoltadas (Mt 14,27); essa voz também foi ouvida pelas mulheres que foram até o sepulcro de Jesus e viram que a pedra estava removida (Mt 28,10). Há ainda, sem dúvida, muitos exemplos similares que podem-se encontrar na Bíblia.         

Não tenha medo” ou “Não se perturbe” é o motivo de fundo do discurso de despedida de Jesus. O discurso pretende ajudar os discípulos a reconhecer seus motivos de fé e coragem. E, certamente, a Bíblia conhece somente um meio pelo qual o coração humano se pode defender do medo: A fé em Deus. Só Deus é a Rocha. E Jesus Cristo é a Pedra angular para vida dos cristãos e os próprios cristãos são pedras vivas que formam o edifício espiritual na linguagem da Segunda leitura deste domingo. As outras seguranças puramente humanas desiludem: “Crede em Deus, crede também em mim” (Jo 13,1b), tranquiliza Jesus os seus discípulos. Mesmo vivendo em meio a um mundo mortal, mas o pavor da morte deixa de ser aterrador para quem crê em Jesus. Como Jesus que se abandonou totalmente na onipotência do Pai, o discípulo é convidado a abandonar-se nas mãos de Deus. Crer nele, com toda a nossa busca e nosso empenho, significa deixar-nos assumir e atrair por ele (Jo 12,32); significa não só andar por seu caminho, mas receber da sua vida, e ter em si a força da sua verdade que é a ressurreição. É importante que no seu caminhar cada cristão não deixe de olhar para Cristo, que não deixe de crer em Cristo com uma fé viva, forte como pedra e operante, que Cristo seja para ele a pedra angular sobre a qual assenta toda a sua existência. 

Muitos cristãos se afastaram de sua prática religiosa porque não se sentem "pedras vivas" da Igreja. Não percebem sua pertença a Cristo e à Igreja como algo existencial que toca as fibras mais íntimas de sua alma. A sua fé é parte da sua vida. O homem tem sempre necessidade de Deus e da salvação que nos é oferecida em Cristo através do seu corpo, que é a Igreja. O homem e a mulher de hoje precisam, como em outros tempos, sentir-se "parte viva desta Igreja" ou sentir-se “pedras vivas “ da Igreja.

E Jesus dá os motivos pelos quais os discípulos não devem ter medo:

1.    Os discípulos não ficarão separados dele, pois ele retornará para tomá-los consigo (v.3);

2.    As preces deles serão ouvidas (vv.12-13);

3.    O Paráclito virá a eles e preencherá o vazio que Jesus deixou (Jo 14,16-17.26);

4.    Jesus mesmo voltará (Jo 14,18);

5.    E o Pai e o Filho farão sua morada no discípulo(Jo 14,23). 

O retorno de Jesus não acontece somente na Parusia esperada pela fé tradicional; é também o retorno do Senhor hoje, percebido na experiência da fé: no amor (Jo 14,21), no dom do Espírito (Jo 14,16-17), na oração eficaz (Jo 14,13-14) e na paz (Jo 14,27).          

Não tenha medo” ou “Não se perturbe” é a voz do Senhor. E a voz do Senhor é a voz que anuncia uma maneira completamente nova de ser, um estar na morada do amor, a morada do Senhor. A morada do amor é a morada de Cristo, o lugar onde conseguimos pensar, falar e agir à maneira de Deus e não à maneira de um mundo repleto de medo. A partir dessa morada, a voz do amor continua proclamando: “Não tenham medo”.          

2. CASA/LAR          

Jesus diz: “Não se perturbe o vosso coração...na casa do meu Pai há muitas moradas”. O vocabulário “CASA” ou “LARevoca afeto, convivência, intimidade, familiaridade sem formalidade. O lar é o lugar ou espaço onde não precisamos ter medo, mas temos ocasião de renunciar às nossas defesas e sermos livres, livres de inquietação, livres de tensões, livres de pressões. No lar é que temos ocasião de rir e chorar, de abraçarmo-nos, dormir longamente e sonhar com tranquilidade. A palavra “lar” reúne numa imagem de uma ampla série de sentimentos e emoções.  Mas quando uma casa perde sua qualidade como um lar, os moradores preferem ficar na rua. A casa, assim, se torna um hotel que somente serve para dormir e não para morar.           

As muitas moradas que o Senhor nos diz, significam a disposição do Deus-Pai para acolher a todos, sem exceção. A finalidade da vinda de Jesus a este mundo, certamente, é para estabelecer uma comunhão eterna entre Deus e os homens. Quem chegar na casa do Pai, será recebido pelo Pai cujo coração sempre é grande. Cada um tem sempre um lugar no coração do Pai. Esse lugar de acolhida será preparado por Jesus, que nos precederá. Com uma tal certeza, pode-se deixar de lado todo receio, todo tipo de medo. O céu é a garantia para quem crê em Jesus. Suas palavras elucidam e tranquilizam as nossas dúvidas e preocupação. Acolhidas na fé, essas palavras surtirão o efeito tranquilizador desejado. Por isso, O Senhor nos diz: “Tendes fé em Deus, tendes fé em mim também”.          

Se fomos feitos à imagem do Pai, o nosso coração dever ser grande também como o coração do Pai para os demais. Por isso, cada um deve-se interrogar: “Quem é que ainda não tem lugar no meu coração? Ainda há possibilidade de ele (ela) ter um espaço no meu coração?”. Quem acolhe o outro será acolhido pelo Pai do céu na sua morada. 

3. A VIDA É UMA CAMINHADA À CASA DO PAI E JESUS É O CAMINHO: Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida          

A movimentação para a “casa do meu Pai” evoca, como consequência lógica, o tema do “caminho”.  A meta da caminhada de todos nós é, certamente, a “casa do pai”, nossa casa comum, a comunhão plena e eterna com o Deus-Pai. Assim, a nossa vida se torna uma caminhada, uma peregrinação. Essa peregrinação somente terminará na Casa do Pai.          

Mas para alcançar a “casa do Pai” qual será o caminho a seguir? A única resposta é Jesus: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim” (v.6). O “Eu Sou” é muito denso para o evangelho de são João (Quarto Evangelho). No “Eu Sou”, são João coloca três substantivos: o Caminho, a Verdade e a Vida. Enquanto Filho que faz toda a vontade do Pai por amor a Ele e aos irmãos, Jesus é “o caminho” da salvação, porque nos revela “a verdade” de Deus e do homem; e é “a vida”, porque nos dá o amor que é a vida do próprio Deus: “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). De fato, Jesus é a vida de tudo o que existe (Jo 1,4), possui e comunica a vida como o Pai (Jo 5,26). Para o evangelista João, o caminho não é uma estrada e sim uma pessoa para seguir; a verdade não é um conceito, mas um homem a ser encontrado; a vida não é um dado biológico e sim um amor a ser amado, pois no amor está a salvação. O amor é o resumo da vida eterna, e portanto é o critério do julgamento final (cf. Mt 25,36ss). 

Jesus é o único mediador. Jesus é a única resposta à angustia religiosa da humanidade. Ele nos ensina a sentir o anseio pela verdadeira vida. A casa do Pai é alcançada, portanto, na medida em que cada cristão pauta seu agir pela verdade proclamada por Jesus. E assim usufrui a vida cuja plenitude encontra-se no término do caminho, que é Jesus Cristo. Importa apenas que cada cristão siga fielmente esse Caminho que é guia seguro para chegar à casa do Pai.          

“Eu Sou O Caminho”. De acordo com o Antigo Testamento, a Lei era o caminho, a verdade e a vida para o povo. Praticando a Lei, as pessoas acreditavam poder chegar a Deus(Caminho), pois sentiam que nela Deus comunicava seu projeto e caminhava fielmente com o povo aliado(Verdade), conduzindo-o à posse da promessa(Vida).          

Para o Evangelho de João e para todos nós cristãos, o caminho não é mais a Lei, mas é uma Pessoa. Esta pessoa é Jesus Cristo. Jesus é o único Caminho; existindo desde sempre em Deus (Jo1,1), ele se tornou um de nós (Jo 1,14). Sua vida e sua prática conduzem a humanidade ao encontro definitivo com Deus. Ele é o Caminho para o Pai porque na sua pessoa nos revela Deus, e no exemplo da sua vida e na luz da sua palavra nos mostra o itinerário a seguir para a nossa realização definitiva como filhos de Deus e irmãos dos homens. Para conhecer o caminho e encontrar sua trajetória certa que conduz à vida basta olhar para Jesus e sua prática. “O problema de muitos não é viverem extraviados ou desencaminhados. Simplesmente vivem sem caminho, perdidos numa espécie de labirinto: andando e retrocedendo pelos mil caminhos que, a partir de fora, as senhas e modas do momento lhes vão indicando. ... Quem caminha seguindo os passos de Jesus poderá continuar deparando com problemas e dificuldades, mas está no caminho certo que conduz ao Pai. É essa a promessa de Jesus” (José Antonio Pagola, teólogo espanhol).          

Ele é a Verdade em virtude de nele residir plenamente a realidade divina e que realizou nele a plenitude da realidade humana. Com sua atividade em favor do homem (Jo 10,37s), que manifesta o amor de Deus, revela ao mesmo tempo a verdade sobre Deus e sobre o homem. A verdade é, por isso, a lealdade absoluta de Deus frente aos homens, de maneira que o homem pode confiar cegamente na sua palavra, na sua promessa, na sua lealdade. O homem que confia na palavra e na revelação divina e que conta com ela na vida prática, vivendo segundo a verdade com fé, torna-se participante da verdade de Deus. Jesus é a Verdade no meio da mentira do mundo, porque ele é a revelação exata do Pai.          

No que se trata do termo “Vida (Eu sou a Vida), no evangelho de João este termo tem um significado inesgotável. Jesus, que recebe a plenitude do Espírito (Jo 1,32s), possui a plenitude da vida divina e dispõe dela, como o Pai (Jo 5,21.26; 17,2). A missão de Jesus é comunicar vida ao homem e vida em abundância (Jo 10,10), vida definitiva e indestrutível (Jo 10,28;17,2). Por isso, Jesus é a Vida porque a possui em plenitude e pode comunicá-la para quem acredita nele. Ele é a Vida em plenitude e sem fim num mundo de morte e autodestruição, e, por isso, podemos entrar em comunhão com o Deus vivo através dele.          

A condição para receber a vida definitiva e indestrutível e possui-la definitivamente é a adesão a Jesus em sua condição de Homem levantado ao alto (Jo 3,14s) e de Filho único de Deus (Jo 13,16). O Homem levantado ao alto é o modelo de homem que dá sua vida a fim de salvar os homens da morte (Jo 3,14). E Jesus é o Filho único de Deus, o dom que prova o amor de Deus para com a humanidade (Jo 3,16). A condição para receber a vida é, por isso, reconhecer o amor de Deus manifestado na morte de Jesus e, vendo nele o modelo de Homem, o Filho único de Deus, tomar este amor por norma da própria vida (Jo 13,34). A adesão a Jesus e à sua prática em favor da vida faz com quem as pessoas se tornem filhas de Deus, formando só uma família com Jesus e o Pai. Para conhecer o Pai e para chegar até Ele faz-se necessário comprometer-se com a prática do Filho.          

Esta aceitação e adesão encontra-se no evangelho de João com várias expressões: escutar a voz do Filho de Deus (Jo 5,25), aproximar-se dele (Jo 6,37ss), aceitar as suas exigências (Jo 6,63.68), comer o pão da vida(Jo 6,35,53s), comer a sua carne e bebe o seu sangue(Jo 6,45), viver seu mandamento(Jo 15,12) etc..          

Por isso, a esta altura, o Evangelho já aponta para a missão de cada cristão, para aquele que segue a Jesus Cristo: estar a serviço da vida, doando-se totalmente para que a vida aconteça. A prova de que amamos Jesus é amar os outros e dar a vida pela vida dos homens.

4. Ver, Conhecer e Crer          

Se me conhecestes, conhecereis também a meu Pai”, diz Jesus. “Senhor, mostra-nos o Pai...”, suplica Filipe. “Quem me vê, vê o Pai”, responde Jesus (Jo 14,7-9).          

Na linguagem bíblica “conhecer” (ginosko) não expressa apenas uma apreensão intelectual, mas uma experiência, uma relação íntima entre duas pessoas. Ele pertence ao vocabulário da Aliança (Cf.p.ex., Jr 24,7;31,34). Por isso, o termo “conhecer” é usado também para falar da relação (sexual) entre o esposo e a esposa (cf. Gn 4,1.17.25; Lc 1,34, etc.).                                                                           

Quem me vê, vê o Pai”.Ver” Deus exprime o profundo desejo que habita o homem, e em particular, o israelita. No quarto evangelho, “ver o Filho” significa a compreensão de seu mistério pessoal (Jo 6,40; cf. 1,29;9,37;12,21). Aplicado ao Pai, “ver” não exprime uma percepção ótica, como se Deus pudesse ser objeto de nossa visão, mas uma apreensão na fé que tem a força de uma evidência. “Ver o Senhor” se trata de uma experiência de revelação, a experiência de uma Presença indubitável e vivificadora (cf. Gn 32,31;Ex 24,10;Nm 14,14;Is 6,1.5;52,8), como um cego que acredita na existência do sol ou do fogo por sentir seu calor.          

No evangelho de João, a tríade que formam os verbos ver, conhecer e crer é intercambiável, equivalente, quase sinônimo. O “conhecer” da fé, segundo pensamento bíblico que João reflete aqui, é, antes de tudo, contato e experiência pessoal de Deus através de seu Filho Cristo Jesus, totalmente identificado com o Pai no seu ser, querer e atuar.          

A contemplação do Pai na pessoa e obra do Filho torna-se extensiva à conduta do cristão que se converte, por sua vez, em sinal da presença de Deus no mundo.          

Será que Jesus é realmente o único Caminho para nós, ou optamos por outros caminhos? Ao optar por outros caminhos devemos saber já as consequências. Que saibamos perseverar sempre no caminho que nos leva ao Deus-Pai: Jesus Cristo, o Caminho, a Verdade e a Vida. 

As Palavras de alguns Padres da Igreja sobre o Evangelho deste domingo (veja: Santo Tomás de Aquino: Catena Aurea, Exposição Contínua Sobre Os Evangelhos, Vol.4: Evangelho de São João. Ed Ecclesiae, Campinas-SP 2021,pp.413ss): 

1.   São João Crisósto (In Ioannem): A fé que tendes em mim e no Pai que me gerou é mais poderosa que todos os acontecimentos vindouros; e nenhuma das futuras dificuldades pode prevalecer contra ela. Com isto, Nosso Senhor também prova a sua natureza divina, porque traz à luz o que todos tinham na mente, e por isso diz: Não se turbe o vosso coração. 

2.  Santo Hilário (De Trinitate): Não vos desviará por veredas incertas e intransitáveis Aquele que é o Caminho; nem vos logrará com falsidades Aquele que é a Verdade; nem vos abandonará no engano da morte Aquele que é a Vida.

3.  Teofilacto: Quando te empenhas na ação, Cristo se torna para ti o Caminho; quando persistes na contemplação, Cristo se torna para ti a Verdade. A Vida, por sua vez, está ligada tanta à ação quanto à contemplação; convém, afinal, sair e pregar o Evangelho para merecer o futuro século.

P. Vitus Gustama,svd

Quarta-feira Da V Semana Da Páscoa, 06/05/2026

PERMANECER EM CRISTO É CONDIÇÃO PARA TER UMA VIDA FRUTÍFERA Quarta-Feira da V Semana da Páscoa Primeira Leitura: At 15,1-6 1 Naqueles ...