domingo, 12 de julho de 2026

Segunda-feira Da XV Semana Comum, Ano Par, 13/07/2026

AMAR COM O AMOR DIVINO  SE EXPRESSA NA GENEROSIDADE E NO DESPOJAMENTO

Segunda-Feira da XV Semana Comum

Primeira Leitura: Is 1,10-17

10 Ouvi a palavra do Senhor, magistrados de Sodoma, prestai ouvidos ao ensinamento do nosso Deus, povo de Gomorra. 11 Que me importa a abundância de vossos sacrifícios? — diz o Senhor. Estou farto de holocaustos de carneiros e de gordura de animais cevados; do sangue de touros, de cordeiros e de bodes, não me agrado.12 Quando entrais para vos apresentar diante de mim, quem vos pediu para pisardes os meus átrios? 13 Não continueis a trazer oferendas vazias! O incenso é para mim uma abominação! Não suporto lua nova, sábado, convocação de assembleia: iniquidade com reunião solene! 14 Vossas luas novas e vossas solenidades, eu as detesto! Elas são para mim um peso, estou cansado de suportá-las. 15 Quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos. Ainda que multipliqueis a oração, eu não ouço: Vossas mãos estão cheias de sangue! 16 Lavai-vos, purificai-vos. Tirai a maldade de vossas ações de minha frente. Deixai de fazer o mal! 17 Aprendei a fazer o bem! Procurai o direito, corrigi o opressor. Julgai a causa do órfão, defendei a viúva.

Evangelho: Mt 10,34-11,1

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 10,34 “Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas sim a espada. 35 De fato, vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra. 36 E os inimigos do homem serão os seus próprios familiares. 37 Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim. 38 Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. 39 Quem procura conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim vai encontrá-la. 40 Quem vos recebe a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. 41 Quem recebe um profeta, por ser profeta, receberá a recompensa de profeta. E quem recebe um justo, por ser justo, receberá a recompensa de justo. 42 Quem der, ainda que seja apenas um copo de água fresca, a um desses pequeninos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa”. 11,1 Quando Jesus acabou de dar essas instruções aos doze discípulos, partiu daí, a fim de ensinar e pregar nas cidades deles.

_____________________

A Oração e o Sacrifício Devem Ser Traduzidos Na Vivência Da Justiça e Da Fraternidade

Ouvi a palavra do Senhor, magistrados de Sodoma, prestai ouvidos ao ensinamento do nosso Deus, povo de Gomorra. Que me importa a abundância de vossos sacrifícios? Estou farto de holocaustos de carneiros e de gordura de animais cevados; do sangue de touros, de cordeiros e de bodes, não me agrado”, disse Deus através do profeta Isaías.

No Sábado passado refletimos sobre a vocação profética de Isaías. Hoje vemos o profeta Isaias atuando com valentia. Ele se faz porta-voz de um Deus que se queixa de Seu povo. No texto de hoje, Isaías citou duas cidades: Sodoma e Gomorra como símbolos de cidades pervertidas; duas cidades destruídas pelo fogo do céu por causa de sua corrupção (Gn 19).

Isaías denuncia a falsidade de um culto considerado um refúgio para praticar mais ainda a maldade. O culto serve apenas como máscara para esconder o mal praticado. Deus declara sua recusa e seu cansaço, não do culto em geral, e sim do culto falso. Quem descuida da justiça, seu culto fica carente de valor. Podemos dizer que, o homem fica de joelho diante de Deus, mas os mesmos pés pisam sobre a dignidade dos outros e dos seus direitos. Fala-se do Deus de amor, mas vive-se na injustiça, na desonestidade, nas discriminação e assim por diante. Canta-se liturgicamente, mas não se vive de acordo com o que se canta. No entanto, o texto continua com uma palavra de esperança: Deus (Yahweh) tem o projeto e o desejo de perdoar: “Vossas mãos estão cheias de sangue! Lavai-vos, purificai-vos. Tirai a maldade de vossas ações de minha frente. Deixai de fazer o mal! Aprendei a fazer o bem! Procurai o direito, corrigi o opressor. Julgai a causa do órfão, defendei a viúva”.

Is 1,10-20, onde se encontra o texto da Primeira Leitura é o primeiro oráculo do Senhor transmitido pelo profeta Isaías que contém uma crítica sobre o culto vazio de sentido, isto é, a boca reza, mas se pratica a injustiça.  Deus quer que se busque o bem e se evite o mal para que o culto tenha sentido. O bem que se busca se identifica com a justiça para com o oprimido, com a viúva e com o órfão (Is 1,16-18). Os gestos exteriores não têm valor enquanto não expressam algo profundo, algo de nosso coração. No entanto, todos esses ritos de holocaustos, sacrifícios, Sábados, peregrinações são ordenados por Deus em Lv 1,1-17; 23,1-8 com maldiçoes para quem não observa esses ritos (Lv 26,14).

Que me importa a abundância de vossos sacrifícios? Estou farto de holocaustos de carneiros e de gordura de animais cevados; do sangue de touros, de cordeiros e de bodes, não me agrado”. Aqui se apresenta a oposição entre o sangue derramado pelos animais sacrificados (Is 1,11) e o sangue de injustiças que mancha as mãos e o coração dos sacrificadores: “Quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos. Ainda que multipliqueis a oração, eu não ouço: Vossas mãos estão cheias de sangue!”  (Is 1,15).

Como se hoje Deus quisesse nos dizer: “Não continuem vindo à missa, se continuam a praticar a injustiça, a desonestidade, a corrupção...”. Até o próprio Jesus nos relembra no Sermão da Montanha: “Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta(Mt 5,23-24). O que mais forte ainda é que Jesus citou textualmente outra passagem do próprio profeta Isaías que  critica o culto vazio, ao dizer: “Hipócrita! É bem de vós que fala o profeta Isaias: ‘Este povo somente me honra com os lábios; seu coração, porém, está longe de mim’” (Mt 5,7-8; Is 29,13).

Apesar disso, Deus chama o povo à conversão: “Lavai-vos, purificai-vos. Tirai a maldade de vossas ações de minha frente. Deixai de fazer o mal! Aprendei a fazer o bem! Procurai o direito, corrigi o opressor. Julgai a causa do órfão, defendei a viúva”. O órfão, a viúva são símbolos dos “economicamente débeis”. O verdadeiro culto que Deus quer é que nossa vida cotidiana seja uma vida de serviço, especialmente dos mais necessitados e débeis. O que Deus recusa é uma liturgia vazia, um culto feito de palavras e muito incenso, mas com “as mãos cheias de sangue”. Trata-se de uma liturgia que não é acompanhada de justiça social. O único remédio é a conversão para Deus.

A vida dedicada apenas a cumprir normas rituais para “agradar” a Deus termina por converter-se numa vida estéril, pois o único modo para agradar a Deus é viver na justiça e na fraternidade. Por isso, não podemos confundir nossa fé como um sistema de leis e regras cujo cumprimento dá segurança, que muitas vezes uma falsa segurança. Mas devemos considerar a fé como resposta e aposta decidida e valiosa para trabalhar em favor da fraternidade e da justiça. Isto deve ser o estilo de vida de quem quer seguir a Jesus. Para isso, todos nós somos chamados a nos converter permanentemente. Somente através da conversão é que teremos uma vida fecunda. A conversão é o momento oportuno para o crescimento na direção do bem e do Bem Absoluto que é Deus.

Todos Devem Se Submeter Aos Valores Do Reino

Estamos nas ultimas instruções de Jesus no discurso sobre a missão (Mt 9,36-11,1). Na passagem do Evangelho de hoje Jesus nos mostra quais são as condições para que sejamos Seus discípulos dignos. Radicalidade e discipulado são inseparáveis.

1. Amar Com Amor Divino

Jesus começa a última parte do discurso sobre a missão dizendo: “Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada. Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra...”

Quem acolhe Jesus e seus ensinamentos se encontra, muitas vezes, numa escolha radical, inclusive nos afetos mais íntimos, não para abandoná-los e sim para purificá-los e fazê-los mais autênticos cristãos. O amor do pai e da mãe está inscrito na natureza e é um mandamento de Deus (cf. Dt 20,12; 21,12. veja Mt 15,4; 19,19 e par.). Ao amar os nossos pais reconhecemos neles o dom da vida recebida de Deus através deles. Ao nos fazer nascer para este mundo, os pais são colaboradores do Deus Criador. No entanto, quando os amamos no Senhor, os pais devem estar em comunhão com Deus de Quem depende nossa vida e salvação. Os filhos não podem compactuar com a maldade dos pais nem os pais podem colaborar com a injustiça e a desonestidade dos filhos. Neste sentido, ser verdadeiro cristão e seguir realmente a Jesus podem provocar a oposição de nossos parentes.  Amar a Jesus significa, então, amar intensamente ao Pai do céu que nos entregou Seu Filho para nos salvar (cf. Jo 3,16) e amar com mais convicção àqueles que nos entregaram materialmente a existência.  E os pais, ao amar seus filhos, vivem a paternidade e maternidade que tem sua origem em Deus. Ao amar a Jesus sobre todas as coisas, os pais são capacitados a viver como maior plenitude a doação total de si aos filhos.

O amor preferencial a Jesus, por isso, não elimina o amor humano e sim o sublima, o faz autêntico, o faz ágape, isto é, difusivo, nunca centralizador:Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim. Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim”.  É amar os outros no amor divino para tornar o amor sublime e divino. E o amor de Deus purifica tudo, pois o amor divino é redentor.

Neste contexto, a paz que Jesus traz é uma paz fundada na verdade, na justiça, na honestidade, no amor, na igualdade e assim por diante, por isso cria conflito, divisão e oposição. Mas o cristão tem que ser amigo da verdade em qualquer circunstância. O cristão tem que estar do lado da verdade e do amor. A fé, quando é coerente, nos põe diante das opções decisivas em nossa vida diariamente.

Ser cristão, seguidor de Jesus, não é fácil, e supõe saber renunciar às tentações fáceis nos negócios. A renúncia aos laços do egoísmo humano implica a dor das rupturas e do estranhamento social, mas ao mesmo tempo, produz uma nova rede divina na qual estão implicados o Pai do céu, Jesus e seus enviados e aquele que está disposto a oferecer hospitalidade generosa aos que se comprometem com o projeto de Jesus.           

Por isso, o cristão tem que ser, antes de tudo, uma pessoa livre e responsável. Livre da mentalidade apegada ao lucro em nome da desonestidade. Livre para enfrentar o conflito que suscita o anúncio do Reino de Deus. Livre para se comportar e ser um verdadeiro filho de Deus como Jesus o é. É a liberdade e responsabilidade para assumir a cruz que implica o seguimento de Jesus. Quem foge é porque não está livre.

2. Viver Como Cristão é Viver No Paradoxo                

Paradoxo é um pensamento que vai contra a opinião ou contra o pensamento, porém nele tem verdade. “Quem procura conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim vai encontrá-la” é uma afirmação paradoxal. ”Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só; mas se morre, então produz muito fruto” (Jo 12,24), é outro exemplo da afirmação paradoxal.

Jesus continua seu discurso dizendo: “Quem procurar conservar sua vida, vai perdê-la”. Esta afirmação de Jesus é uma das leis fundamentais da existência: não há que tentar possuir a vida só para si. Há que sair de si mesmo; há que aprender a superar-se. Para viver em Deus temos que aprender a morrer. Para ganhar com Deus, temos que aprender a perder. Para encontrar a liberdade em Deus, temos que aprender a abandonar e a renunciar às nossas liberdades.  No esquecimento de si está a verdadeira vida, a verdadeira felicidade, o verdadeiro crescimento e a plenitude, segundo Jesus. A preocupação pela própria vida e pelos próprios interesses pode levar o cristão a trair a mensagem do evangelho. A busca de segurança e comodidade para a própria existência conduz inevitavelmente para a própria ruína.

Uma existência fechada em si mesma, centrada totalmente em si mesma, se vai esvaziando paulatinamente de sentido e acaba se perdendo. Uma existência que aceita sair de si mesma e de seus interesses, que se vai gastando e consumindo em beneficio dos demais, vai-se enriquecendo e vai-se salvando. Quem não está disposto a dar a vida, está predisposto a tirar a vida de sua fecundidade. Crer na vida eterna é entender esta vida como um viver pelos demais. O sentido da vida não está em nós, em nosso egoísmo, então, e sim no outro, nos outros, na solidariedade. O sentido da vida está no Outro de todos nós que é Deus. Crer na ressurreição é viver já para fazer possível a vida.

3. Dar é Uma Expressão da Riqueza Interior                 

No fim do texto Jesus nos diz: Todo aquele que der ainda que seja somente um copo de água fresca a um destes pequeninos, porque é meu discípulo, em verdade eu vos digo: não perderá sua recompensa”.

Dar significa privar-se de algo, renunciar a algo. Estamos tão condicionados por nossa sociedade industrial e tão inclinados a possuir, a acumular, a consumir apenas. E por isso, “dar” nos parece algo improdutivo; um empobrecimento doloroso que não estamos dispostos a fazer em qualquer momento. Em nossa sociedade, o homem que dá sem receber é um homem pouco prático, sem futuro, sem sentido realista, incapaz de realizar uma operação produtiva. No entanto, o gesto de dar é a expressão mais rica de vitalidade, de força, riqueza e poder criador.

Quando damos algo de verdade, nos experimentamos a nós mesmos cheios de vida com capacidade de enriquecer os outros, ainda que seja em grau muito modesto. Dar significa estar vivo e ser rico. Quem tem muito e não sabe dar, não é rico. É um homem pequeno, impotente, empobrecido, por muito que possua. Precisamos aprender a dar nossa alegria, nossa compreensão, esperança, amor e assim por diante para que nossa vida seja cada vez mais rica em Deus.

Todo aquele que der ainda que seja somente um copo de água fresca a um destes pequeninos, porque é meu discípulo, em verdade eu vos digo: não perderá sua recompensa”.  Damos algo ou nos damos não para ganhar recompensa, mas é a parte essencial do ser cristão a exemplo de Jesus “passou a vida fazendo o bem” (At 10,38). Dar é a expressão da minha riqueza interior e o meu despojamento. Trata-se de um caminho de libertação das garras da ganância.  

P. Vitus Gustama,svd

sexta-feira, 10 de julho de 2026

XV Domingo Do Tempo Comum, Ano "A", 12/07/2026

SER CRISTÃO É SER SEMEADOR DO BEM ENQUANTO ESTIVER AQUI NESTE MUNDO


XV Domingo Comum ANO A

Primeira Leitura: Is 55,10-11

Isto diz o Senhor: 10 “Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, 11 assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”.

Segunda Leitura: Rm 8,18-23

Irmãos: 18 Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós.  19 De fato, toda a criação está esperando ansiosamente o momento de se revelarem os filhos de Deus. 20 Pois a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua livre vontade, mas por sua dependência daquele que a sujeitou; 21 também ela espera ser libertada da escravidão da corrupção e, assim, participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus. 22 Com efeito, sabemos que toda a criação, até o tempo presente, está gemendo como que em dores de parto. 23 E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo.

Evangelho: Mt 13,1-23

1Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galiléia. 2Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. 3E disse-lhes muitas coisas em parábolas: 'O semeador saiu para semear. 4Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram. 5Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. 6Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz. 7Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. 8Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente. 9Quem tem ouvidos, ouça!' 10Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: 'Por que tu falas ao povo em parábolas?' 11Jesus respondeu: 'Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado. 12Pois à pessoa que tem, será dado ainda mais, e terá em abundância; mas à pessoa que não tem, será tirado até o pouco que tem. 13É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque olhando, eles não vêem, e ouvindo, eles nóo escutam, nem compreendem. 14Deste modo se cumpre neles a profecia de Isaías: `Havereis de ouvir, sem nada entender. Havereis de olhar, sem nada ver. 15Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos, nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure'. 16Felizes sois vós, porque vossos olhos vêem e vossos ouvidos ouvem. 17Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes,  e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram. 18Ouvi, portanto, a parábola do semeador: 19Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho. 20A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; 21mas ele não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando chega o sofrimento ou a perseguição, por causa da palavra, ele desiste logo. 22A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto. 23A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta.'

-------------------------------

Uma das Palavras-chave das leituras deste domingo é ouvir e praticar a Palavra de Deus inseparavelmente. Não basta ouvir. O ouvir exige o praticar. Ouvir e praticar sua Palavra é o desejo de Deus: “Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”. (Is 55,10-11). De certa forma pode-se dizer que praticar a Palavra de Deus é ser discípulo, pois na prática da Palavra de Deus revela-se o ser discípulo. Negativamente, pode-se dizer que muito discurso, mas pouca vivência da Palavra de Deus, revela uma relação de hipocrisia com Deus (cf. Mt 7,21-27).

Às vezes ou muitas vezes, o cristianismo está cheio de palavras formosas; mas nem sequer são o mais importante. No cristianismo, o mais importante são os fatos, os fatos de vida, as demonstrações práticas de que cremos em um Deus Pai e Amor. No cristianismo, o mais importante são os testemunhos vivos de que confiamos tanto em Deus a ponto de não termos medo de nada e de ninguém neste mundo. O mais importante no cristianismo é a fraternidade vivida dia a dia, junto a cada homem e sua necessidade concreta, sua dor pessoal, sua necessidade básica e específica. É ser semeador do bem , da bondade, do amor, da compaixão, da paz, da solidariedade, da fraternidade, e assim por diante, em qualquer lugar e momento. Por isso, Orígenes dizia: “Tu que segues a Cristo e o imitas, tu que vives na Palavra de Deus.... não é um lugar onde há que buscar o santuário e sim nos atos, na vida, nos costumes... Se são de acordo com a vontade de Deus, pouco importa que estes em casa, ou na rua, pouco importa, inclusive, que te encontres no teatro; se serves ao Verbo de Deus, estás no Santuário, sem dúvida alguma!”.

Em cada um de nós Deus semeia tudo o que é bom e útil para a vida e a convivência. Se nosso coração  estiver cheio de “pedras”, isto é um coração duro e insensível, nada crescerá de bom em nós. Se nosso coração estiver cheio de “espinhos”, isto é, um hábito de machucar todos os que nos aproximarem, então morrerá em pouco tempo tudo o que é bom em nós. Se tivermos o hábito de pisar sobre os outros (semente encontrada na estrada), dificilmente teremos uma vida fraterna e igualitária. Somente no coração bom e amoroso é que crescem as virtudes que alimentam a convivência.

Portanto, é necessário acolher a Palavra e estar aberto para as suas exigências. A Palavra de Deus escutada não é descartável, isto é, não é para ser esquecida ou jogada fora de nossa vida. A Palavra de Deus proclamada, escutada e meditada precisa ser semeada nos espaços onde vivemos e trabalhamos. Sejamos “terreno fértil” e transformemos a vida dos outros em “terreno fértil” para a Palavra de Deus! Somente assim criaremos a vida fraterna e a convivência amorosa.

A Palavra De Deus É Nossa Força

“... a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”.

A palavra é um dom. Ela é o principal meio de comunicação. A palavra é uma negação do isolamento. Ela é o meio para nos aproximarmos uns dos outros. De certa forma, podemos dizer que a palavra é a expressão de nós mesmos.

Deus se manifestou e expressou seu amor através da Palavra: “No princípio era a Palavra. A Palavra estava com Deus. A Palavra era Deus” (Jo 1,1-2). A Palavra de Deus é como nossa, mas é muito mais: viva, dotada de poder, fecunda: “A palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”, disse o Senhor (Is 55,11). A Palavra de Deus é vida, pois por ela tudo foi criado: “Tudo foi feito por meio dela e sem ela nada foi feito” (Jo 1,3). Por ela recebemos a salvação (nova criação) e por ela, presente nos sacramentos da Igreja, somos salvos constantemente.

A Palavra de Deus tem força: possui uma potência total para transformar os corações. Porém, mesmo tendo muita potência, a Palavra de Deus nunca se impõe e sim se propõe. Quem aceitar a viver segundo a Palavra de Deus produzirá muitos bons frutos. A Palavra de Deus cresce e frutifica no coração aberto. Viver a Palavra de Deus é viver com o próprio Deus. E viver com o próprio Deus é viver na luz: tudo será iluminado na nossa vida.

A liturgia é uma verdadeira fonte da Palavra. É a grande oportunidade para penetrar no mistério de Deus para nos transformar em homens novos segundo Jesus Cristo. A Igreja vive tanto do Pão da Palavra (Mesa da Palavra) como do Pão da vida (Mesa da Eucaristia). Por isso, as duas mesas (Mesa da Palavra e a da Eucaristia) recebem a mesma reverência. Somos nutridos, primeiro, pela Palavra de Deus (No princípio era a Palavra). Depois somos nutridos pelo Pão da Vida (e a Palavra  se fez carne).

A palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”, disse o Senhor.

Há palavras que transformaram uma vida inteira com sua mensagem. Um bom livro é capaz de abrir horizontes e possibilitar novos caminhos. Uma boa palestra pode reestruturar uma vida. Para os antigos, o discípulos era como um recipiente que recolhia e retinha avidamente todas as palavras do mestre sem que deixasse escapar nenhuma. Isto significa que as palavras do mestre estavam cheias de sentido. As palavras de muito conteúdo são frutos do silêncio, da meditação e as observação atenta da vida de cada dia.

Se a palavra tem uma potência para transformar a vida das pessoas, então precisamos recuperar o valor da palavra, pois a palavra é como a semente, ao ser espalhada, resulta em uma plantinha. A palavra é como a chuva que cai na terra e a fecunda.

Cuidar Da Natureza É Cuidar Do Futuro; Salvar a Natureza É Salvar o Próprio Homem

Sabemos que toda a criação, até o tempo presente, está gemendo como que em dores de parto. E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo”.

Realmente no mundo há todo tipo de dor. E a própria natureza se submete a uma situação absurda. Pensemos nas guerras que destroem bosques, plantações, e as pessoas que na sua maioria é inocente. Pensemos também na contaminação por causa dos resíduos químicos jogados na natureza que destroem e matam as plantas e os seres vivos nela e nos seus rios.

Este sofrimento e a morte são gemidos e dores de todos. Cada cristão e cada pessoa de boa vontade deve voltar a ter consciência de que ele é a terra, o pó. O ser humano faz parte integral da terra: Ele veio dela, vive e sobrevive por causa dela. E um dia o ser humana se integrará à terra (do pó viemos e ao pó voltaremos). Como seria vida sem o oxigênio quando não sobrassem nenhuma árvore na natureza? Como seria a vida sem a água, quando os rios ficassem secos? Todos vão perceber que o dinheiro, o ouro, a prata etc. não podem ser comidos. Cuidar do meio ambiente é cuidar de nós mesmos, pois fazemos parte dele. E a terra é criada por Deus. Somos de Deus, pertencemos a Ele.

Na sua Carta Encíclica, Laudato Si, o Papa Francisco nos alerta: “Quando os seres humanos destroem a biodiversidade na criação de Deus; quando os seres humanos comprometem a integridade da terra e contribuem para a mudança climática, desnudando a terra das suas florestas naturais ou destruindo as suas zonas húmidas; quando os seres humanos contaminam as águas, o solo, o ar.... tudo isso é pecado. Porque um crime contra a natureza é um crime contra nós mesmos e um pecado contra Deus” (n.8).

Temos que estar conscientes de que a destruição ou o abuso desconsiderado da natureza é um problema moral. Não somos os donos deste planeta, e sim os cultivadores deste mundo. Não somente não devemos destruir a natureza nem contaminá-la e sim deixa-la mais limpa e habitável. O pecado contra nossa paz é matar os seres vivos pelo gosto de matar; todo tipo de guerra; provocar ou permitir desastres ecológicos; pôr em perigo as condições de vida humana para o futuro; não manter uma relação harmoniosa entre o homem e a natureza; não esforçar-se para salvaguardar a casa comum (nosso planeta) e assim por diante. As principais ameaças à nossa sobrevivência já não vêm da natureza externa e sim de nossa natureza humana interna. São nossas hostilidades, nosso descaso, o egoísmo, o orgulho/a arrogância, prepotência e a ignorância deliberada que põem o mundo em perigo. Se não conseguirmos domar e transmutar o potencial da alma humana para o mal, nós estaremos perdidos e faremos perdida até nossa própria família. O homem está tão intimamente unido à criação que não pode ter para ele a salvação que não seja também a salvação da natureza ou da criação.

Mas não podemos perder a esperança, pois a nossa esperança não é algo e sim Alguém: Jesus Cristo Ressuscitado, o Rei do Universo: “Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós.  De fato, toda a criação está esperando ansiosamente o momento de se revelarem os filhos de Deus”, escreveu São Paulo aos romanos. Pois bem, o olhar do cristão é esperançoso por causa de Cristo que venceu a morte. A ressurreição do Senhor e o dom do Espirito apontam para a aurora de um mundo novo. Deus quer trabalhar em nós e através de nós neste mundo.

O cristão deve ser um homem convertido e transfigurado para se tornar filho de Deus cuja missão é salvar a criação para que ele também seja salvo. O homem convertido e transfigurado em Cristo alcançará sua liberdade, sua dignidade e sua primeira beleza. Por meio dele tudo se converterá em algo divino. A presença do homem transfigurado em Cristo transfigura a natureza ao seu redor. 

O Cristão É Chamado a Semear o Bem Na Sua Passagem Neste Mundo

Mt 13, onde se encontra o texto do Evangelho proclamado neste Domingo, é o terceiro dos cinco discursos de Jesus no Evangelho de Mateus (vamos ler este capitulo também nos próximos domingos).  Mt 13 é o discurso sobre o mistério ou a natureza do Reino dos Céus em parábolas.

As parábolas têm uma função didática. Elas são comparações que ensinam ou transmitem uma verdade sobre o Reino de Deus. As parábolas contêm “os segredos do Reino de Deus”. Para captar seu sentido, é preciso estar em sintonia com Jesus, pois o Reino se faz presente nele (Mt 13,10). 

1. A Parábola Do Semeador É Uma Mensagem De Esperança                     

Esta parábola é uma resposta de Jesus ao pessimismo dos fariseus a respeito do insucesso de sua missão até então (a sua pregação encontra a resistência e a oposição da parte dos fariseus). Nesse contexto evidentemente havia crise da credibilidade que envolvia a pessoa de Jesus e sua pregação messiânica. Duvidava-se de que Jesus fosse o Messias e que se pudesse confiar no Reino pregado por ele. Jesus quer recuperar a confiança das pessoas, especialmente dos discípulos através da parábola do Semeador. 

A parábola do Semeador, por isso, é uma parábola de confiança. Jesus acredita firmemente que sua força salvífica terá fruto no futuro apesar dos obstáculos e dificuldades como a fraqueza, a aparente derrota e o insucesso. Esta parábola é um apelo a confiar no Reino de Deus manifestado na palavra e ação de Jesus. A confiante ação do semeador (Jesus) que espalha com mãos cheias a semente interpela o ouvinte a sair dos seus medos para abrir-se à novidade de Jesus. Com a força salvífica de Jesus os obstáculos e dificuldades serão superados, pois a Palavra de Deus será a última palavra para a vida e a salvação do homem. 

As palavras humanas (nossas palavras) são apenas palavras e que muitas vezes estão longe de nossos atos ou de nossa vida (separação entre o que se fala e se faz). Não é assim com Deus. O termo “dabar” em hebraico significa simultaneamente palavra e ato (veja Gn 24,66; Jz 6,29;Am 3,7). E através do relato da criação em Gênesis sabemos como é poderosa a Palavra de Deus. Para a Palavra de Deus, não há obstáculo que não possa ser atravessado. O que Deus diz, acontece instantaneamente (Gn 1,6.9.11.14). Nada pode resistir a Palavra poderosa de Deus (Is 55,10s). A Palavra de Deus, o poder de Deus superará frustrações na nossa vida quando depositamos nossa confiança nela em qualquer situação de nossa vida. Em outras palavras, a parábola do Semeador é uma mensagem de otimismo e de esperança, como o cristianismo é uma religião de otimismo. 

Jesus está querendo dizer aos discípulos: ânimo! Não tenham medo! Apesar do fracasso aparente e de sua presença oculta, o resultado final será maravilhoso e incalculável, pois a Palavra de Deus supera a palavra humana. 

2. É Preciso Que Sejamos Bom Terreno Para Produzirmos Bons Frutos          

Na parábola, as sementes caídas em terra boa produzem frutos de forma diferenciada: 100 por 1; 60 por 1; 30 por 1. O que isso quer nos dizer? Isso quer nos dizer que não há um padrão numérico para medir frutos de um trabalho evangelizador. Por isso, não cabe a nós ficar frustrados quando esperávamos 100, mas produzimos apenas 10. O importante é que saibamos dar o melhor de nós. Que produzamos frutos bons. Não tem muita importância se produzimos muito ou pouco. Não sejamos terrenos estéreis. 

Nesta parábola a acentuação não está na semente, mas no solo. Porque a semente, a Palavra de Deus, é eficaz em si (a iniciativa de Deus que oferece ao homem). Porém, para produzir fruto depende também do tipo de solo, ou da capacidade de aceitar e de colaborar com essa semente. A eficácia da palavra é condicionada pelo tipo de acolhimento que os ouvintes lhe reservam. Somente no coração dócil e perseverante é que a Palavra de Deus pode produzir muitos frutos bons.

A parábola fala de algumas sementes que caíram à beira do caminho comidas pelos pássaros. Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra que morrem em seguida. Outras sementes ainda caíram no meio dos espinhos que impossibilita seu crescimento e sua sobrevivência. 

As sementes comidas pelos pássaros nos lembram das pessoas que pensam que viver de acordo com a Palavra de Deus, que viver ajudar a Igreja do Senhor é somente para os fracos, vencidos e velhos. Elas tiram do seu caminho aquilo que, na verdade, pode edificar sua vida. Elas preferem o consumismo desenfreado. Elas preferem o caminho da autossuficiência e o resto elas tiram de seu caminho sem nenhuma verificação sobre seu valor para sua vida. Mas esta autossuficiência termina sua força no leito da morte. Feliz seja aquele que vive de acordo com a Palavra de Deus, pois até na dor ele sente a presença de Deus que o ama incondicionalmente. 

As sementes caídas no terreno pedregoso e por isso, sem raiz profunda que as faz morrerem nos lembram das pessoas que no início do caminho cristão estão cheias de entusiasmo, mas com um coração inconstante. Como resultado, eles ficam desanimados diante de qualquer contrariedade, dificuldade ou perseguição. São pessoas que não nutrem seu coração com a Palavra de Deus, e por isso, perdem coragem para encarar as dificuldades. Uma fé verdadeira vive em todos os tipos de situação e no fim ela vence tudo (cf. 1Jo 5,4; Hb 11,1).   

As sementes caídas e crescidas entre os espinhos e que morrem por sufoco nos faz lembrar naquelas pessoas que ferem (como espinho) os que convivem com elas por causa do materialismo desenfreado, do comodismo. Quantas pessoas, que se dizem “religiosas”, fazem do dinheiro, do poder, da fama, do êxito profissional ou social o verdadeiro “deus” que sacrifica os outros em nome do “deus dinheiro, e do poder”. Os valores do Reino, como a solidariedade, a caridade, a compaixão, a justiça, a honestidade, a igualdade, a partilha etc. não valem para elas. Mas não se pode esquecer de que os bens materiais continuam sendo alheios a nós mesmo sendo necessários. O ser humano para se tornar mais humano precisa de outro ser humano. Sufocar o outro, como espinhos sufocam outras plantas, significa sufocar a própria vida. Ninguém é uma ilha. 

A parábola chama nossa atenção para outro detalhe: apesar de todas as dificuldades (os pássaros, as pedras, os espinhos) há sempre terreno fértil que produz muitos frutos. Jesus quer nos dizer que jamais desistimos de semear o bem, de partilhar o que se tem para o bem de todos apesar das dificuldades neste trabalho. Sempre há resultado: 100%, 60% ou 30%. Apesar do barulho da minoria que faz mal, os bons neste mundo são numerosos. O mal não tem futuro com Deus; somente o bem tem futuro com Deus. Porém, precisamos estar conscientes de que até para fazer o bem encontramos dificuldades e obstáculos. Se olharmos apenas para os pássaros que se preocupam com o próprio prazer, para os espinhos que só machucam e para as pedras que não deixam nada crescer, teremos tentação de desistir de tudo. Mas se tivermos consciência de que há terreno fértil, ganharemos mais forças e ânimo para continuar a semear o que é bom, digno e verdadeiro. Mesmo que ao redor exista a indiferença, a crítica pelo bem praticado, que não valorize o esforço e a boa vontade, mesmo assim, nada deve impedir de nós continuarmos a semear o bem. Somente vence quem persevera no trabalho de semear o bem, pois ele está com Deus e Deus esta com ele. Nosso trabalho de cada dia é semear, semear e semear o bem no nosso caminho. 

Por isso, com sinceridade, vamos nos perguntar: que tipo de terreno somos nós? Terreno pedregoso, cheio de espinhos ou terreno bom? Qual fruto que temos produzido até agora? Sabemos muito bem que a eficácia da Palavra é condicionada pelo tipo de acolhimento que os ouvintes lhe reservam. A audição superficial que é acompanhada pela inconstância nas dificuldades e pelo fato de ceder às tentações, a palavra permanece estéril e pode ser morta. 

3. Para o Exame De Consciência Sobre Nossa Atuação Como Cristãos: Que Tipo De Terreno Você É?

“É de se notar que, assim como na terra má havia três classes, a saber, a que estava junto ao caminho, a pedregosa e a cheia de espinhos, assim também há três classes de terra boa: a que produz cem, a que produz sessenta e a que produz trinta” (São Jerônimo). 

Nenhuma terra má produz algo de bom. Ao contrário, a terra boa sempre produz algo bom em certa quantidade de acordo com o grau de sua fertilidade. Por isso, uma terra produz trinta, outra produz sessenta e outra ainda produz cem. No Reino de Deus não existe trabalho inútil; nada se malgasta. O ênfase não está na produção ou no fruto abundante que cada um faz, e sim o esforço cheio de esperança como o semeador que semeia com a esperança de que possa ter uma boa colheita. Nunca temos certeza de um resultado final. Só podemos ter certeza de nosso esforço que éo segredo para avançar e crescer na vida. Um esforço honesto nos permitirá algum tipo de progresso ou de crescimento. Quando trabalhamos com amor e executarmos nosso trabalho da melhor forma, conquistaremos uma vitória na vida e conquistaremos novos bons parceiros. 

Como a semente que cresce diariamente até dar seus frutos, assim também a nossa vida. A vida é um processo. Aprendemos, crescemos e avançamos para nossas metas pouco a pouco. A escolha de pararmos de progredir cabe a nós também. Às vezes até é necessário que façamos um breve período de descanso quando estamos percorrendo um caminho pedregoso e espinhoso. Contudo, é necessário, em seguida, retomarmos a jornada para começar de novo o processo de crescimento ou de evolução.

P. Vitus Gustama,svd

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Sábado Da XIV Semana Comum, Ano Par, 11/07/2026

SER PERMANENTE DISCÍPULO E PORTAVOZ DE DEUS PARA SITUAÇÃO CONCRETA DO POVO

Sábado da XIV Semana Comum

Primeira Leitura: Is 6,1-8

1 No ano da morte do rei Ozias, vi o Senhor sentado num trono de grande altura; o seu manto estendia-se pelo templo. 2 Havia serafins de pé a seu lado; cada um tinha seis asas, duas cobriam-lhes o rosto, duas, os pés e, com duas, eles podiam voar. 3 Eles exclamavam uns para os outros: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está repleta de sua glória”. 4 Ao clamor dessas vozes, começaram a tremer as portas em seus gonzos e o templo encheu-se de fumaça. 5 Disse eu então: “Ai de mim, estou perdido! Sou apenas um homem de lábios impuros, mas eu vi com meus olhos o rei, o Senhor dos exércitos”. 6 Nisto, um dos serafins voou para mim, tendo na mão uma brasa, que retirara do altar com uma tenaz, 7 e tocou minha boca, dizendo: “Assim que isto tocou teus lábios, desapareceu tua culpa, e teu pecado está perdoado”. 8 Ouvi a voz do Senhor que dizia: “Quem enviarei? Quem irá por nós? Eu respondi: “Aqui estou! Envia-me”.

Evangelho: Mt 10,24-33

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 24 “O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor. 25 Para o discípulo, basta ser como o seu mestre, e para o servo, ser como o seu senhor. Se ao dono da casa eles chamaram de Belzebu, quanto mais aos seus familiares! 26 Não tenhais medo deles, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. 27 O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados! 28 Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno! 29 Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai. 30 Quanto a vós, até os cabelos da cabeça estão todos contados. 31 Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais. 32 Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. 33 Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus.

_________________

Deus Nos Chama A pesar De Nossas Fraquezas Para Ser Sua Porta-voz

Durante alguns dias, a partir de hoje, vamos meditar sobre alguns textos do livro do profeta Isaias. Ele é contemporâneo do profeta Oseias, mas Isaias profetiza no reino do Sul, em Jerusalém.

O livro tem 66 capítulos. Segundo os estudos (dos especialistas), nem todo o livro atribuído a Isaías. Por isso, o livro tem três grandes partes: o Primeiro Isaías (Proto-Isáias): Is 1-39, são texto atribuídos a um profeta (Isaías) do século VIII a.C. O Segundo Isaías (Deutero-Isaías): Is 40-55 do Século VI a.C. Estes capítulos foram produzidos durante o exílio na Babilônia por um(s) profeta(s) anônimo(s).  Por fim, o Terceiro Isaías (Trito-Isaías): Is 56-66, parte que foi escrita no período pós-exílico (entre sec. V/IV a.C). A redação final do livro do profeta Isaías deve ter acontecido por volta de 400 a.C, ou depois deste ano.

Isaías (Heb. “salvação de Deus”) era um jovem de uns vinte e quatro ou vinte e cinco anos, de uma família nobre de Jerusalém, quando foi chamado por Deus para ser Sua portavoz em meio do povo durante o ano da morte do rei Ozias, ou seja no ano 740 a.C. Para a chamada de Deus, Isaias responde prontamente, depois de ter sido purificado por um dos serafins: “Aqui estou! Envia-me”. Toda a sua vida esteve vinculada a Jerusalém, cidade que ele amava e censurava.  

Isaías é modelo de homem religioso que, a partir da experiência profunda e intensa com Deus, lhe capacita a interpretar toda a sua vida e a vida da sociedade a partir do olhar de Deus. Sua vocação como profeta começa através desta experiência profunda de Deus.  Através dessa experiência é que Isaías dá resposta: “Aqui estou! Envia-me”. A partir dessa experiência, Isaías percebe todas as circunstancias e tem capacidade de julgar as posições. Isaias percebe que a raiz da injustiça social se encontra no próprio coração do homem e nas estruturas sociais. Por isso, Isaias faz suas duras críticas francamente tanto contra as autoridades, funcionários, juízes e conselheiros (Is 1,22-23; 3,14-15) como também contra a corrupção generalizada na administração da justiça. Por causa da injustiça social e a corrupção generalizada, o culto se transforma em hipocrisia e se torna vazio de sentido que Isaias também critica (Is 1,10-15; 29,13-14).

A visão ou a experiência mística do jovem Isaias é uma cena solene, uma teofania, na qual se destaca a grandeza e a santidade de Deus, rodeado de anjos, com uma encenação idealizada da liturgia do céu. Os anjos cantam "Santo, santo, santo, o Senhor dos exércitos".

Toda profecia autêntica nasce de uma experiência particular do divino (experiência mística). Através dela, os profetas conhecem a dimensão divina das coisas. Isaias é o homem do sentido incomparável de Deus: com os olhos de Deus contempla os acontecimentos transtornados da época. Não se pode isolar esta visão da vida de Isaias; é uma experiência fundamental que impregna toda sua conduta posterior. Todo ele deve fazer-se sinal: os fatos especificarão a dimensão humana, mas terá que fazer ver a dimensão divina das coisas. A vocação não é um fato que se pode situar num ponto dado de uma vez para sempre: é projeto divino sobre toda uma vida; é fidelidade, amor sem retorno. 

Tudo isso quer nos dizer que é Deus Quem toma sempre a iniciativa. Deus fala no coração do homem para se posicionar de acordo com a vontade de Deus diante de uma situação concreta do povo. É sua santidade e sua grandeza e seu amor ao povo que põem em marcha a dinâmica de uma vocação: a vocação à vida sacerdotal ou religiosa, ou simplesmente, a vocação para assumir alguma responsabilidade/cargo numa comunidade ou num grupo/pastoral/movimento e assim por diante. 

No texto da vocação do profeta Isaías, cuidadosamente trabalhado, lemos o primeiro dos grandes relatos típicos de vocação profética, a que seguiram os de Jeremias e Ezequiel. Seu denso conteúdo teológico recebe força de uma disposição literária simples: introdução (v.1ª), teofania (vv. 1b-5), investidura (vv. 6-7), missão (vv.8-11), e consequências da missão (vv.12-13). 

A introdução situa a Palavra de Deus na história, em um ponto preciso do tempo e do espaço. A história é o lugar do encontro e por isso, se menciona o ano da morte do rei Ozias e o lugar, Jerusalém. As “palavras” de Deus são os autênticos acontecimentos da história. Deus fala e manda falar conforme a situação do povo em tempo e espaço precisos. É um sinal evidente de que Deus jamais abandona seu povo.

Na teofania (manifestação divina), Deus aparece como um rei: sentado sobre o trono, rodeado de misteriosas figuras áulicas que destacam a impenetrabilidade da esfera divina e sua diferença da esfera humana. Estão belamente harmonizados os componentes do binômio “santidade” (transcendência) e “esplendor” (imanência) que definem Deus de Israel como um Deus Salvador. Deus é transcendente, mas é, ao mesmo tempo, Emanuel, Deus-Conosco que caminha com com o povo e se preocupa com este. 

Na investidura-missão, o profeta Isaias é apanhado pela palavra de Deus: “Ai de mim, estou perdido! Sou apenas um homem de lábios impuros, mas eu vi com meus olhos o rei, o Senhor dos exércitos”. Mas um dos anjos purifica os lábios de Isaías. A purificação dos lábios demonstra a transcendência da investidura-missão: todo ele terá que converter em sinal; terá que fazer ver a dimensão divina das coisas.

No texto de hoje Deus é chamado três vezes santo: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está repleta de sua glória”.

Quantos de nós e de nossos fieis, ao cantar o “Santo, santo, santo” do princípio da oração eucarística (após o prefácio), sabem que se unem ao grito dos serafins do Templo? A conclusão do prefácio menciona os coros celestiais: “unidos aos anjos, vossos mensageiros, vos louvamos, cantando...” ; ou “nós nos unimos à multidão dos anjos e arcanjos, cantando...”; ou “ nós nos unimos aos anjos e a todos os santos, cantando..”. Mas quem pensa neles?

Os ocidentais tendem a pensar que na liturgia Deus se faz presente na terra. Os orientais, mais fieis à mentalidade bíblica, creem muito além, pois acreditam firmemente que na liturgia a Igreja da terra se une à do céu. Nosso verdadeiro Templo (cf. 1Cor 3,16-17) é a humanidade glorificada de Cristo, que está sentado à direira do Pai. Nossas assembleias ou a comunidade em oração, deve efetuar o salto necessário, começando por reconhecer a distancia infinita entre Deus e nós, salvos pelo mistério de Cristo, o Deus-Conosco. Esta distância, a visão de Isaias a expressa em termos de santidade-pecado, binômio que não deve entender-se tanto no sentido moral (Deus é bom, nós somos maus), mas principalmente em sentido ontológico. O AT o expressa como um terror sagrado: “Ai de mim!” ou no evangelho se expressa nas palavras de Simão Pedro: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou pecador!” (Lc 5,8). Há um respeito para com Deus e para com o que o representa que é necessário manter.

O Deus de Isaías é o “santo de Israel”. Mas Deus, tanto do AT como o do NT quando se aparece convida sempre o homem a superar o temor inicial, convertendo-o em amor filial. Começamos a Eucaristia (no prefácio) proclamando a santidade de Deus, e concluímos, antes de comungar, atrevendo-nos dizer a Deus como Pai Nosso. É uma combinação da transcendência e a imanência de Deus. Deus está no céu, mas Ele é o Pai Nosso, o Deus-Conosco. Deus é todo santo e todo-poderoso, mas é também o Deus próximo.

Este Deus quer comunicar Sua vida a todos e para isso é necessária nossa colaboração. Oxalá este Deus encontre em cada um de nós uma disponibilidade generosa como em Isaias: “Aqui estou! Envia-me”.

O Evangelho e Sua Mensagem Para Nós

Continuamos ainda a acompanhar o discurso de Jesus sobre a missão. O evangelista Mateus tem plena consciência de que cada discípulo é missionário. E para ser missionário tem que ser discípulo. É preciso estar com o Senhor para, depois, ser seu missionário. Ser cristão é ser discípulo-missionário do Senhor.

Na passagem do Evangelho deste dia, como as do anterior dentro contexto do discurso, Jesus continua dando Suas instruções sobre a maneira com que os discípulos-missionários devem se comportar na missão.

1. Ser Cristão é Ser Eterno Discípulo do Mestre Jesus

“O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor”. 

Mestre e discípulos estão relacionados entre si pela função de ensinar e de aprender. Diante de Jesus, seu Mestre, os seguidores são discípulos. Os discípulos têm que viver a doutrina de Jesus e cumprir as Suas ordens. O cristão basta ser discípulo, mas o seu ser deve ser o do Mestre Jesus, isto é, viver o modo de viver de Jesus, optar por aquilo que Jesus optou, lutar pela causa de Jesus. Isto requer uma aprendizagem contínua, pois Jesus como a própria Palavra de Deus sabe mais do que qualquer seguidor dele. Cada cristão, como discípulo do Senhor deve estar com o espírito aberto para qualquer ensinamento ou revelação do seu Mestre, Jesus. Cada cristão deve pôr-se para a escuta, seguir a escola do Mestre Jesus e escutar Sua palavra. Um discípulo jamais deixará de aprender do seu mestre. Em relação a Jesus, seu grande Mestre, os cristãos jamais poderão ser considerados como “formados”, mas permanentes discípulos, sempre aprenderão, sempre encontrarão novidades no seu discipulado. O Mestre Jesus ressuscitado continua ensinando os cristãos através de Seu Santo Espírito (cf. Jo 16,12-13).

2. A fé firme em Deus, Nosso Pai, Expulsa o Medo e Mantém-nos Prudentes

Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!”.

Aqui Jesus nos relembra que o poder dos homens é limitado: “Podem matar o corpo, mas não podem matar a alma!”. O poder do homem não vai além, jamais além da vida terrena (o corpo). O que representa propriamente o valor, a esperança da vida eterna (a alma), nenhum poder humana é capaz de destruí-lo. A perda da vida terrena não tem comparação com a perda da vida eterna. Mas quem tem poder para ambas as coisas (corpo e alma, terreno e eterno): Deus Nosso Senhor. É Deus quem devemos ter temor. O temor de Deus nos torna livres, pois o temor gera confiança em Deus.

A fé expulsa o medo, ao mesmo tempo ensina o fiel a ser prudente (cf. Mt 10,16). A consciência de estar nas mãos do Senhor e de participar de Seu destino torna o discípulo corajoso, mas prudente: a prudência para conhecer o inimigo e a avaliação prática de sua periculosidade para agir sabiamente, mas sem perder a simplicidade.

Não é o êxito imediato diante dos homens que conta e sim o êxito de nossa missão diante dos olhos de Deus que vê, não somente as aparências, e sim o interior e o esforço que fazemos. Quando nos sentimos filhos do Pai celeste e irmãos dos demais filhos de Deus e testemunhas de Jesus, nada nem ninguém podem nos destruir, nem sequer as perseguições e a morte. Todos nós estamos nas mãos de Deus!

3. Diante Dos Olhos De Deus Somos Valiosos

Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais. Até os cabelos da cabeça estão todos contados.

Por três vezes Jesus nos repete para não termos medo. Para Jesus, Deus está presente nos menores acontecimentos de nossa vida de cada dia. Deus está por dentro de tudo. Deus sabe de tudo e se interessa por todas as Suas criaturas e ama todas as criaturas, porque são suas. Com muita mais razão Deus se interessa por todos os homens e mulheres que são Sua imagem e semelhança e seus filhos e filhas muito amados razão pela qual Ele enviou seu Filho unigênito para salvá-los (cf. Jo 3,16). Por isso, Jesus afirma: “Vós valeis mais do que muitos pardais”. Até os detalhes de nossa vida Deus sabe: até os cabelos de nossa cabeça estão todos contados por Deus. Todos nós estamos nas mãos de Deus. Se Deus cuida até dos pardais, os pequenos animais e o lírio no campo, quanto mais seus fiéis que somos nós todos. Eu estou sob a providência divina, eu estou nas mãos de Deus, eu estou com Deus em todos os momentos da minha vida, aconteça o que acontecer.

Quando colocarmos nosso medo nas mãos de Jesus Ressuscitado, nos tornaremos mais prudentes do que paralisados. A prudência é a capacidade de ver, de compenetrar-se e de ajustar-se à realidade. A prudência oferece a possibilidade de discernir o correto do incorreto, o bom do mau, o verdadeiro do falso, do sensato do insensato, para guiar o bom rumo de nossas ações. O homem sábio é sempre guiado pela prudência.

4. Somos Chamados e Enviados Como Voz do Senhor

“O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que vós escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados!”.  

Estas imagens evocam a ideia de confidência: Jesus nos fala baixo, a meia voz, junto ao ouvido. É preciso escutar Jesus que fala ao nosso ouvido, que fala em silêncio. Ele fala no nosso ouvido porque quer confiar algo valioso para nós. E tudo que Ele fala e nos ensina temos que proclamar para os outros. Somos voz do Senhor para os outros. Devemos ser praticantes do bem nos tempos oportunos e inoportunos.

Não podemos continuar calados diante da dor, diante da injustiça e da opressão que vivem nossos irmãos. Não podemos deixar-nos silenciar nem ser diferentes diante da situação da pobreza e exploração, diante da desonestidade e corrupção que sofrem nossas comunidades. Jesus foi crucificado para nos salvar. Somos chamados a salvar nossos irmãos.

Mas ser voz do Senhor tem seus riscos fatais. A comunidade cristã leva uma mensagem que, às vezes ou muitas vezes, choca contra os interesses de certas pessoas e de certos setores. Mas com a força do Espírito de Deus que nos assiste, não nos cansemos nem podemos ter vergonha de dar testemunho de Cristo e continuemos a anunciar a Boa Nova da salvação que Deus nos ofereceu.

Jesus foi objeto de contradições (cf. Lc 2,34-35) e acabou sua vida na Cruz. Mas nunca cedeu, não desanimou e continuou a fazer ouvir Sua voz profética, anunciando e denunciando apesar de que sabia que incomodava os poderosos por causa de seus interesses afetados. Desta maneira Jesus salvou a humanidade e foi elevado à glória da ressurreição. “O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor”. Se vivermos piedosamente todos os ensinamentos de Jesus não tem como sermos perseguidos. Mas o bem que fazemos, a honestidade que praticamos, a partilha que vivemos tem a marca divina. “Temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!”, isto é, o próprio Deus que nos ama até nos detalhes.

P. Vitus Gustama,svd

Segunda-feira Da XV Semana Comum, Ano Par, 13/07/2026

AMAR COM O AMOR DIVINO   SE EXPRESSA NA GENEROSIDADE E NO DESPOJAMENTO Segunda-Feira da XV Semana Comum Primeira Leitura: Is 1,10-17 1...