quinta-feira, 30 de abril de 2026

Segunda-feira Da V Semana Da Páscoa, 04/05/2026

CORAÇÃO QUE AMA SE TORNA A MORADA DIVINA

Segunda-Feira da V Semana da Páscoa

Primeira Leitura: At 14,5-18

Naqueles dias, em Icônio, 5 pagãos e judeus, tendo à frente seus chefes, estavam dispostos a ultrajar e apedrejar Paulo e Barnabé. 6 Ao saberem disso, Paulo e Barnabé fugiram e foram para Listra e Derbe, cidades de Licaônia, e seus arredores. 7 Aí começaram a anunciar o Evangelho. 8 Em Listra, havia um homem paralítico das pernas, que era coxo de nascença e nunca fora capaz de andar. 9 Ele escutava o discurso de Paulo. E este, fixando nele o olhar e notando que tinha fé para ser curado, 10 disse em alta voz: “Levanta-te direito sobre os teus pés”. O homem deu um salto e começou a caminhar. 11 Vendo o que Paulo acabara de fazer, a multidão exclamou em dialeto licaônico: “Os deuses desceram entre nós em forma de gente!” 12 Chamavam a Barnabé Júpiter e a Paulo Mercúrio, porque era Paulo quem falava. 13 Os sacerdotes de Júpiter, cujo templo ficava defronte à cidade, levaram à porta touros ornados de grinaldas e queriam, com a multidão, oferecer sacrifícios. 14 Ao saberem disso, os apóstolos Barnabé e Paulo rasgaram as vestes e foram para o meio da multidão, gritando: 15 “Homens, que estais fazendo? Nós também somos homens mortais como vós, e vos estamos anunciando que precisais deixar esses ídolos inúteis para vos converterdes ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe. 16 Nas gerações passadas, Deus permitiu que todas as nações seguissem o próprio caminho. 17 No entanto, ele não deixou de dar testemunho de si mesmo através de seus benefícios, mandando do céu chuvas e colheitas, dando alimento e alegrando vossos corações”. 18 E assim falando, com muito custo, conseguiram que a multidão desistisse de lhes oferecer um sacrifício.

Evangelho: Jo 14,21-26

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 21Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”. 22 Judas – não o Iscariotes – disse-lhe: “Senhor, como se explica que te manifestarás a nós e não ao mundo?” 23 Jesus respondeu-lhe: “Se alguém me ama, guardará minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. 24 Quem não me ama não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou. 25 Isso é o que vos disse enquanto estava convosco. 26 Mas o Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”.

-------------------------------

Deus Ama a Todos, Pois Todos São Seus Filhos

“´Levanta-te direito sobre os teus pés´. O homem deu um salto e começou a caminhar”. Lemos este episódio na Primeira Leitura de hoje.

Levanta-te!”, ordenou Paulo para um paralítico de nascença. Paulo realiza as mesmas maravilhas como Pedro e Jesus. O mesmo tipo de milagre que Pedro havia feito em favor de um mendigo paralítico (um judeu) perto da porta do Templo. E com a mesma ordem: “Levanta-te!”. Mas aqui o beneficiado não é mais um judeu e sim um pagão. Este detalhe é muito importante.

As bênçãos de Deus não são monopólio de uma religião, de uma crença ou de uma Igreja. Os que vão ser salvos não somente os que se encontram dentro de uma igreja ou templo ou somente os adeptos de uma religião ou crença, pois Deus salva quem ama e respeita os outros, quem se preocupa com o bem comum, quem não é egoísta, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). Os que serão salvos não são aqueles que somente decoram sua Sagrada Escritura (Bíblia, Alcorão etc.), mas praticam a maldade contra seu próximo. O próximo é também templo do Espírito Santo (1Cor 3,16-17). O próximo é também o filho de Deus, e por isso, é preciso respeitar sua dignidade de ser filho de Deus e amá-lo como irmão. Por causa do amor fraterno os que estão dentro de uma religião ou crença podem estar fora da salvação, se o amor fraterno estiver ausente entre eles. E os que estão fora da religião ou crença podem ser salvos por Deus por causa do seu amor pelo próximo (cf. Mt 25,31-46). Ninguém é capaz de encurtar a mão de Deus. Ninguém pode prender Deus num templo ou igreja, numa religião ou crença, pois Deus é o Espirito que sopra para onde quer e por quem quiser de acordo com Sua santa vontade. Estejamos atentos por onde o Espirito de Deus sopra. O Sopro de Deus é vida e vivifica. Onde a vida é respeitada, protegida, amada, defendida, lá o Sopro de Deus se manifesta. Deus está onde o amor fraterno circula livremente entre as pessoas. Onde houver o amor fraterno, não haverá fome, nem exclusão, nem discriminação, nem exploração.

Tomemos Cuidado com os Ídolos

Homens, que estais fazendo? Nós também somos homens mortais como vós, e vos estamos anunciando que precisais deixar esses ídolos inúteis para vos converterdes ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe”. Esta foi a reação de Paulo e Barnabé quando o povo de Listra, onde aconteceu a cura do paralítico de nascença, começou a idolatrar esses dois Apóstolos do Senhor.

Santo Tomás de Aquino trata da idolatria como uma espécie do gênero de superstição que é um vício oposto à virtude da religião e consiste em dar honra divina (culto) para coisas que não são Deus ou a Deus mesmo de maneira equivocada (cf. Summa Theol., II-II, q.xciv). É isso que aconteceu com o povo de Listra. A idolatria é uma verdadeira aberração na ordem religiosa e moral já que nela se inverte por completo a ordem dos valores: o Absoluto, Deus, se relativiza, e o relativo (criatura) se absolutiza. O que não é Deus ou o que é inferior a Deus se considera como se fosse deus ou algo divino. O erro está em atribuir às coisas o poder de Deus. Então, elas nos dominam e nos destroem e destroem os outros.

A idolatria não é coisa passada, própria dos homens de tempos escuros e de civilizações primitivas. Os ídolos estão sempre com os homens em qualquer época e lugar. Os ídolos não são de ontem nem de hoje. Os ídolos são puras criações do egoísmo, do medo, da insegurança, da soberba do homem que não encontrou ainda seu centro ou seu norte.

Todas as realidades "feitas pela mão do homem," tudo o que o homem pensa que pode fazer tudo pelo seu próprio poder e força; tudo aquilo que o homem quer ganhar para sua vida em vez de largá-lo em função de sua salvação, tudo isso é ídolo. O problema não consiste em descobrir se eu tenho ou não os ídolos, que eu ponho do meu lado cuidadosamente para minha comodidade e minha satisfação. O problema principal é identificar os meus ídolos a fim de pedir a Deus que me livre deles.

Somos confrontados diariamente para fazer a escolha entre Deus e os ídolos: dinheiro, fama, poder, sexo etc. e esta escolha deve ser renovada constantemente. Todos os nossos hábitos e escolhas determinam nosso destino. No hábito e na escolha diariamente está escondido meu destino. Verifiquemos se nossos hábitos e escolhas são dignas de serem vividos ou urgentemente devemos larga-los antes eles determinem nosso futuro destrutivo.

Aquele Que Ama Se Transforma Em Morada De Deus Neste Mundo

O texto do evangelho de hoje faz parte da conversa de Jesus com os seus discípulos na véspera de sua morte, na Última Ceia, e faz parte do longo discurso de despedida de Jesus de seus discípulos (Jo 13-17).

A morte de Jesus vai ser um ir ao encontro do Pai celeste. Esse modo novo de ver situação, especialmente da morte, deve constituir para os discípulos motivos de alegria e não de medo, pois Jesus Cristo não vai abandoná-los. O Santo Espírito vai acompanhá-los no mundo, uma nova forma da presença de Jesus no meio deles. E este Espírito Santo vai facilitar os discípulos na compreensão das palavras de Jesus, que até então sem condições para encontrar seu sentido. Jesus é o próprio Evangelho e o Mensageiro de Deus, o Profeta e a Palavra de Deus e é Deus (cf. Jo 1,13). Em Jesus e por Ele tudo ficou dito, tudo o que Deus tinha que nos dizer. Mas nem tudo ficou compreendido. Por isso, a nova presença de Jesus no Santo Espírito vai ajudar os discípulos a compreenderem tudo que foi dito por Jesus e sobre Jesus.

Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama”. Jesus disse no evangelho de hoje. Jesus repete esta frase como se fosse um refrão (Jo 14,15.21.23.24). É digno de observar que Jesus não usa o “vós” (discípulos). O “vós é substituído pelo uso da terceira pessoa: Quem...”,  “se alguém...”, “... a ele”. Com o uso da terceira pessoa abre-se a possibilidade para qualquer pessoa (fora do círculo dos discípulos) se tornar discípulos do Filho (Jesus) e ter parte em Sua Vida.

Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama.  ... Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada”. Precisamos levar em conta sobre quem toma a iniciativa do amor. Foi Deus que manifesta o amor aos homens quando enviou Seu Filho para salvar o mundo (Jo 3,16). Na Primeira Carta de João podemos ler: “Amamos porque Deus nos amou primeiro(1Jo 4,19). Amar a Jesus é o centro do cristianismo, cumprimento do mandamento (cf. Dt 6,5).

Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama”. Amar a Jesus aqui significa, concretamente, acolher e viver Sua Palavra. “Acolher” ou “guardar” os Mandamentos de Jesus significa torna-los próprios e vive-los. E acrescentou: “... esse quem me ama”. O amor é o princípio e o fim de observar os Mandamentos do Senhor. O amor faz viver como o Senhor que ama até o fim (Jo 13,1). Ou seja, viver como o Senhor significa realizar o amor na vida cotidiana.

Quem ama será amado por meu Pai” é a outra afirmação do Senhor. O Pai ama todos os homens (Jo 3,16) sem excessão. Porém, somente quem ama o Filho e viver conforme seus mandamentos, experimenta o amor do Pai por Ele. Somente quem ama conhece o amor com o qual foi amado. Sem amor por Jesus, não existe conhecimento dele, nem do Pai, nem do Espírito (cf. 1Jo 4,8).

Jesus nos convida a uma comunhão vital: nossa fé e nosso amor a Jesus nos introduzem num admirável intercâmbio. Se tivermos fé e amor, o próprio Deus fará Sua morada em nós e nos converteremos em templos de Deus e de Seu Espírito. O amor nos une a Deus e aos irmãos, nossos próximos. A fé no Deus, que nos ama, nos leva a lutarmos até o fim pelo bem de todos por amor, a exemplo de Jesus. A evidência que nos comprova de que amamos Jesus é viver seus ensinamentos que se resumem no amor fraterno (cf. Jo 15,12). Só quem ama o Filho e os irmãos experimenta o amor do Pai (Jo 14,21).

“... e nós viremos a ele”. A vinda de Deus, Pai e Filho, será a vinda do Espírito (Jo 14,26), própria de quem ama o Filho e os irmãos (cf. 1Jo 4,7). Não somente haverá a vinda de Deus na vida de quem ama, mas “e nele faremos a nossa morada”. A morada de Deus entre os homens é aquela do amor. O amor é a aliança definitiva de Deus. Quem ama a Jesus torna-se templo de Deus, lugar da sua presença: tem em si o Filho que está no Pai e o Pai que está no Filho, pois os dois são um só (cf. Jo 10,30). O amor vivido por nós torna nossa vida morada do Filho e do Pai.

Deus faz sua morada em nós em virtude de uma dupla exigência: guardar sua palavra e amá-lo de verdade no próximo (amor fraterno). Deus está presente em cada um de nós na medida em que ama o próximo. A morada de Deus, a casa de Deus, sua residência já não é um templo, Deus não mora na parede das igrejas, e sim que sou eu mesmo morada de Deus na medida em que vivencio o amor fraterno, na medida em que sou fiel à palavra de Jesus. Em outras palavras, o amor cria comunhão e comunidade tanto no nível humano como no nível divino. Com efeito, sem o amor não haveria nenhuma comunhão com os outros e consequentemente com Deus, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16).

Mas esta presença de Deus no homem não é estática; é a presença de seu Espírito, seu dinamismo de amor e vida que faz o homem participar de Seu próprio amor. Se Deus faz sua morada no coração de quem ama, isto significa que Deus se afasta de mim quando houver em mim o desamor, a injustiça, o ódio, a exploração dos irmãos, a falta de perdão e assim por diante.

Por isso, não basta ficar-me no nível de ideias, de sentimentalismo, de pensamentos e sim que esse novo pensamento, essas novas ideias tenham que provocar em mim uma mudança de vida. Não basta abrir a mente, tenho que abrir também a porta de meu coração, de minha vida vivendo o amor fraterno para tornar-me morada de Deus. O homem que ama é um homem divinizado. “Sem amor o rico se torna pobre; com amor o pobre se torna rico” (Santo Agostinho). A prática cristã do amor é o sinal mais claro e evidente de nossa pertença à Igreja de Jesus. Quem ama como Jesus amou, entra no recinto do amor de Deus Pai e mergulha no mistério salvador de Deus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada”. Amar a Jesus é deixar-se guiar por suas palavras e inspirar-se em seu modo de viver. Ele vive por amor e para o amor. É um amor universal que não exclui ninguém. Quem se entrega a este projeto de amor será transformado em morada de Deus.

A afirmação de Jesus é, na verdade, um convite ao progresso interior que nos torna semelhantes a Deus pela fidelidade à palavra, e faz reconhecer, nesta fidelidade, a morada das pessoas divinas. O amor fraterno nos aproxima de Deus. A partir do momento em que alguém amar, ele será a nova morada de Deus.

Se em Jo 14,3 Jesus disse que iria preparar para os fiéis uma morada no céu, agora neste texto (vv.22-23) fica claro que a morada do Pai e de Jesus no meio de nós começa aqui e agora, na medida em que observamos o mandamento de Jesus: mandamento do amor fraterno. Se no passado Deus se manifestava em lugares e fenômenos naturais, agora fica muito claro que as pessoas que amam como Jesus são manifestação da presença de Deus. Assim, a separação entre o homem e Deus é superada, e a busca do Pai, tema essencial do Discurso é satisfeita pelo próprio Pai. O nosso Deus não é o Deus distante, mas aquele que se aproxima do homem e vive com ele, formando uma comunidade com os homens, objeto do seu amor.

Por isso, buscar a Deus não exige ir encontrá-lo fora de próprio homem, mas deixar-se encontrar e amar por Ele. A “morada” de Deus está em nós mesmos e entre nós, se estivermos unidos a Jesus e ao Pai na fidelidade e na prática do mandamento do amor. A resposta ao amor a Jesus se expressa no amor aos outros homens (guardar minha palavra). E o Pai e Jesus respondem à fidelidade do discípulo dando-lhe a experiência de sua companhia e seu contato pessoal.

Toda vez que alguém, ao escutar a mensagem do amor, a repete para si mesmo e a põe em prática, insere-se na família de Deus e passa a ser, com Jesus, uma manifestação de Deus ao mundo. A comunidade cristã e o “mundo”, então, distinguem-se entre si pela presença ou ausência do amor. O amor se torna a razão de diferença entre os discípulos e o mundo, entre o cristão e não cristão. Sem amor, o homem continua carnal, incapaz da autêntica experiência de Deus. Deus escolhe para sempre viver no coração que ama. E “Se Deus é por nós, quem será contra nós? “(Rm 8,31b)

Jesus também nos convida a permanecermos atentos ao Espírito, nosso verdadeiro Mestre, a memória de Cristo, a memória para os cristãos. Como memória de Cristo o Espírito vai nos revelando a profundidade de Deus que nos conecta com Cristo: “O Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”. Esse Espírito tem uma função de “pedagogo” de nossa fé porque ele é quem nos prepara para o encontro com Cristo e com o Pai e ele é quem suscita nossa fé e nosso amor. Ele desperta a memória da Igreja.

P. Vitus Gustama,svd

V Domingo Da Páscoa, Ano "A", 03/05/2026

JESUS: CAMINHO, VERDADE E VIDA

V DOMINGO DA PÁSCOA DO ANO “A”                                                  

I Leitura: At 6,1-7

1Naqueles dias, o número dos discípulos tinha aumentado, e os fiéis de origem grega começaram a queixar-se dos fiéis de origem hebraica. Os de origem grega diziam que suas viúvas eram deixadas de lado no atendimento diário. 2Então os Doze Apóstolos reuniram a multidão dos discípulos e disseram: “Não está certo que nós deixemos a pregação da Palavra de Deus para servir às mesas. 3Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria, e nós os encarregaremos dessa tarefa. 4Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra”. 5A proposta agradou a toda a multidão. Então escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; e também Filipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas e Nicolau de Antioquia, um grego que seguia a religião dos judeus. 6Eles foram apresentados aos apóstolos, que oraram e impuseram as mãos sobre eles. 7Entretanto, a Palavra do Senhor se espalhava. O número dos discípulos crescia muito em Jerusalém, e grande multidão de sacerdotes judeus aceitava a fé.

II Leitura: 1Pd 2,4-9m

Caríssimos: 4Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus. 5Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. 6Com efeito, nas Escrituras se lê: “Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e magnífica; quem nela confiar, não será confundido”. 7A vós, portanto, que tendes fé, cabe a honra. Mas, para os que não creem, “a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular, 8pedra de tropeço e rocha que faz cair”. Nela tropeçam os que não acolhem a Palavra; esse é o destino deles. 9Mas vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa.

Evangelho: Jo 14,1-12

 Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1” Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. 2Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós 3e, quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. 4E, para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. 5Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” 6Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”. 8Disse Felipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” 9Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? 10Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai”.

-----------------------          

O texto do evangelho de hoje se encontra no contexto do grande discurso da despedida de Jesus de seus discípulos (Jo 13,31-17,26; cf. também Gn 47,29-49; Js 22-24; At 20,17-38 onde se encontra outro tipo de discurso de despedida).                  

O texto lido neste dia é tirado dos “discursos de despedida” que Jesus dirigiu aos seus discípulos durante a última ceia, palavras que agora são dirigidas à Igreja (Jo 13,1-17,26). O discurso de despedida em Jo 14 onde se encontra o texto lido neste dia gira em torno de dois verbos: “Eu vou” e “volto”: “Eu vou preparar um lugar para vós e.... voltarei e vos levarei comigo...” (Jo 14,2b.13). A salvação aqui é entendida como a união com Jesus nas “moradas” do Pai. O “Eu vou” indica o “lugar” para onde vai (Jo 14,1-17) e o caminho para chegar a este “lugar”: Jesus é o Caminho para chegar ao Pai. Aqui o “Volto(Jo 14,18-27) se refere à Páscoa. A Páscoa supera a orfandade dos discípulos. Consequentemente, os discípulos precisam ter fé em Deus e em Jesus Cristo: “Credes em Deus, crede também em mim” (Jo 14,1b). Quando os discípulos crerem em Jesus Cristo, eles farão inclusive obras maiores do que as dele (Jo 14,12), a obra de Jesus no transcorrer do tempo, isto é, eles vão anunciar a conversão para que os outros tenham também a oportunidade de viver nas moradas celestes. 

Qualquer discurso de despedida sempre tem um tom de tristeza. Ao fazer esse discurso Jesus quer preparar os seus discípulos para os momentos mais difíceis de sua missão na ausência física de Jesus. Para Jesus o único meio para superar as dificuldades é a fé: “Crede em Deus, crede também em mim”. Somente por meio de Jesus é que o homem pode atingir Deus na fé (cf. Jo 5,38; 8,46ss; 12,44-50). Jesus vai partir para a casa do Pai a fim de preparar o lugar para os seus discípulos. Trata-se, por isso, de uma mensagem consoladora para os seus. Lá há muitas moradas. E Jesus lhes prometeu: “Virei novamente e vos tomarei...” (Jo 14,3b). A ausência física de Jesus preparará o encontro escatológico.

Por isso, o tema central do trecho do evangelho de hoje é o ensinamento joanino que quer nos mostrar que “Jesus é o caminho que leva ao Pai aqueles que creem nele”.

Meditemos alguns pontos do evangelho deste dia!          

1.  MEDO - FÉ

          

O texto começa com as seguintes palavras de Jesus, em forma de o imperativo: “Que o coração de vocês não se perturbe”. Esta frase sublinha a situação dos discípulos, tomados de medo, quando o Mestre anunciou-lhes sua muito próxima partida. Este imperativo se repetirá no v.27. O início e o fim formam, então, uma inclusão literária que sublinha o convite a não se perturbar. O próprio Jesus experimentou o sentimento de profunda tristeza na morte de Lázaro (Jo 11,33), na sua entrada em Jerusalém: “Minha alma está agora conturbada...” (Jo 12,27), e  no  anúncio da traição de Judas: “Tendo dito isso, Jesus perturbou-se interiormente e declarou: ‘Em verdade, em verdade, vos digo, um de vós me entregará’” (Jo 13,21).          

A palavra grega “tarássesthai” é muito mais forte do que perturbar-se. Significa aquele estado psíquico, quando nos “invade o pavor da morte” (Sl 54,5), quando o nosso coração se sente “mortalmente ferido” (Sl 108,22). Jesus sabe que, perante sua morte iminente na cruz, os discípulos ficarão abalados ou apavorados. Por isso, Jesus quer que os seus discípulos não sejam dominados pela angústia frente a separação e a morte iminente do Mestre.

Mas como superar esse sentimento?          

O medo ou perturbação está na raiz da imobilidade (Creio que a maioria das pessoas já experimentou o horrível sentimento de angústia e perturbação; e por isso não terá dificuldade de entender as palavras de Jesus). Os medrosos recusam-se a agir e a buscar vias de saída. E eles são levados a esconder-se, a fugir, a evitar o confronto com a realidade. O medo pode deixar-nos perturbados e raivosos (um animal fica muito mais furioso quando se sentir ameaçado) e pode levar-nos à depressão e ao desespero. E vivemos, infelizmente, no mundo cuja agenda é a de medo e de poder mundano que é capaz de fazer tudo neste mundo.          

Não se perturbe o vosso coração” ou “Não tenhais medo” é a voz que mais necessitamos ouvir permanentemente para onde formos, onde estivermos e em qualquer situação em que nos encontrarmos. É a voz do Senhor. É voz que traz paz no coração. Essa voz foi ouvida por Zacarias quando o Anjo Gabriel apareceu para ele no templo (Lc 1,13); essa voz foi ouvida por Maria na anunciação (Lc 1,30); essa voz foi ouvida pelos pastores em Belém (Lc 2,10); essa voz foi ouvida pelos discípulos do barco numa noite acompanhada pelas ondas revoltadas (Mt 14,27); essa voz também foi ouvida pelas mulheres que foram até o sepulcro de Jesus e viram que a pedra estava removida (Mt 28,10). Há ainda, sem dúvida, muitos exemplos similares que podem-se encontrar na Bíblia.         

Não tenha medo” ou “Não se perturbe” é o motivo de fundo do discurso de despedida de Jesus. O discurso pretende ajudar os discípulos a reconhecer seus motivos de fé e coragem. E, certamente, a Bíblia conhece somente um meio pelo qual o coração humano se pode defender do medo: A fé em Deus. Só Deus é a Rocha. E Jesus Cristo é a Pedra angular para vida dos cristãos e os próprios cristãos são pedras vivas que formam o edifício espiritual na linguagem da Segunda leitura deste domingo. As outras seguranças puramente humanas desiludem: “Crede em Deus, crede também em mim” (Jo 13,1b), tranquiliza Jesus os seus discípulos. Mesmo vivendo em meio a um mundo mortal, mas o pavor da morte deixa de ser aterrador para quem crê em Jesus. Como Jesus que se abandonou totalmente na onipotência do Pai, o discípulo é convidado a abandonar-se nas mãos de Deus. Crer nele, com toda a nossa busca e nosso empenho, significa deixar-nos assumir e atrair por ele (Jo 12,32); significa não só andar por seu caminho, mas receber da sua vida, e ter em si a força da sua verdade que é a ressurreição. É importante que no seu caminhar cada cristão não deixe de olhar para Cristo, que não deixe de crer em Cristo com uma fé viva, forte como pedra e operante, que Cristo seja para ele a pedra angular sobre a qual assenta toda a sua existência. 

Muitos cristãos se afastaram de sua prática religiosa porque não se sentem "pedras vivas" da Igreja. Não percebem sua pertença a Cristo e à Igreja como algo existencial que toca as fibras mais íntimas de sua alma. A sua fé é parte da sua vida. O homem tem sempre necessidade de Deus e da salvação que nos é oferecida em Cristo através do seu corpo, que é a Igreja. O homem e a mulher de hoje precisam, como em outros tempos, sentir-se "parte viva desta Igreja" ou sentir-se “pedras vivas “ da Igreja.

E Jesus dá os motivos pelos quais os discípulos não devem ter medo:

1.    Os discípulos não ficarão separados dele, pois ele retornará para tomá-los consigo (v.3);

2.    As preces deles serão ouvidas (vv.12-13);

3.    O Paráclito virá a eles e preencherá o vazio que Jesus deixou (Jo 14,16-17.26);

4.    Jesus mesmo voltará (Jo 14,18);

5.    E o Pai e o Filho farão sua morada no discípulo(Jo 14,23). 

O retorno de Jesus não acontece somente na Parusia esperada pela fé tradicional; é também o retorno do Senhor hoje, percebido na experiência da fé: no amor (Jo 14,21), no dom do Espírito (Jo 14,16-17), na oração eficaz (Jo 14,13-14) e na paz (Jo 14,27).          

Não tenha medo” ou “Não se perturbe” é a voz do Senhor. E a voz do Senhor é a voz que anuncia uma maneira completamente nova de ser, um estar na morada do amor, a morada do Senhor. A morada do amor é a morada de Cristo, o lugar onde conseguimos pensar, falar e agir à maneira de Deus e não à maneira de um mundo repleto de medo. A partir dessa morada, a voz do amor continua proclamando: “Não tenham medo”.          

2. CASA/LAR          

Jesus diz: “Não se perturbe o vosso coração...na casa do meu Pai há muitas moradas”. O vocabulário “CASA” ou “LARevoca afeto, convivência, intimidade, familiaridade sem formalidade. O lar é o lugar ou espaço onde não precisamos ter medo, mas temos ocasião de renunciar às nossas defesas e sermos livres, livres de inquietação, livres de tensões, livres de pressões. No lar é que temos ocasião de rir e chorar, de abraçarmo-nos, dormir longamente e sonhar com tranquilidade. A palavra “lar” reúne numa imagem de uma ampla série de sentimentos e emoções.  Mas quando uma casa perde sua qualidade como um lar, os moradores preferem ficar na rua. A casa, assim, se torna um hotel que somente serve para dormir e não para morar.           

As muitas moradas que o Senhor nos diz, significam a disposição do Deus-Pai para acolher a todos, sem exceção. A finalidade da vinda de Jesus a este mundo, certamente, é para estabelecer uma comunhão eterna entre Deus e os homens. Quem chegar na casa do Pai, será recebido pelo Pai cujo coração sempre é grande. Cada um tem sempre um lugar no coração do Pai. Esse lugar de acolhida será preparado por Jesus, que nos precederá. Com uma tal certeza, pode-se deixar de lado todo receio, todo tipo de medo. O céu é a garantia para quem crê em Jesus. Suas palavras elucidam e tranquilizam as nossas dúvidas e preocupação. Acolhidas na fé, essas palavras surtirão o efeito tranquilizador desejado. Por isso, O Senhor nos diz: “Tendes fé em Deus, tendes fé em mim também”.          

Se fomos feitos à imagem do Pai, o nosso coração dever ser grande também como o coração do Pai para os demais. Por isso, cada um deve-se interrogar: “Quem é que ainda não tem lugar no meu coração? Ainda há possibilidade de ele (ela) ter um espaço no meu coração?”. Quem acolhe o outro será acolhido pelo Pai do céu na sua morada. 

3. A VIDA É UMA CAMINHADA À CASA DO PAI E JESUS É O CAMINHO: Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida          

A movimentação para a “casa do meu Pai” evoca, como consequência lógica, o tema do “caminho”.  A meta da caminhada de todos nós é, certamente, a “casa do pai”, nossa casa comum, a comunhão plena e eterna com o Deus-Pai. Assim, a nossa vida se torna uma caminhada, uma peregrinação. Essa peregrinação somente terminará na Casa do Pai.          

Mas para alcançar a “casa do Pai” qual será o caminho a seguir? A única resposta é Jesus: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim” (v.6). O “Eu Sou” é muito denso para o evangelho de são João (Quarto Evangelho). No “Eu Sou”, são João coloca três substantivos: o Caminho, a Verdade e a Vida. Enquanto Filho que faz toda a vontade do Pai por amor a Ele e aos irmãos, Jesus é “o caminho” da salvação, porque nos revela “a verdade” de Deus e do homem; e é “a vida”, porque nos dá o amor que é a vida do próprio Deus: “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). De fato, Jesus é a vida de tudo o que existe (Jo 1,4), possui e comunica a vida como o Pai (Jo 5,26). Para o evangelista João, o caminho não é uma estrada e sim uma pessoa para seguir; a verdade não é um conceito, mas um homem a ser encontrado; a vida não é um dado biológico e sim um amor a ser amado, pois no amor está a salvação. O amor é o resumo da vida eterna, e portanto é o critério do julgamento final (cf. Mt 25,36ss). 

Jesus é o único mediador. Jesus é a única resposta à angustia religiosa da humanidade. Ele nos ensina a sentir o anseio pela verdadeira vida. A casa do Pai é alcançada, portanto, na medida em que cada cristão pauta seu agir pela verdade proclamada por Jesus. E assim usufrui a vida cuja plenitude encontra-se no término do caminho, que é Jesus Cristo. Importa apenas que cada cristão siga fielmente esse Caminho que é guia seguro para chegar à casa do Pai.          

“Eu Sou O Caminho”. De acordo com o Antigo Testamento, a Lei era o caminho, a verdade e a vida para o povo. Praticando a Lei, as pessoas acreditavam poder chegar a Deus(Caminho), pois sentiam que nela Deus comunicava seu projeto e caminhava fielmente com o povo aliado(Verdade), conduzindo-o à posse da promessa(Vida).          

Para o Evangelho de João e para todos nós cristãos, o caminho não é mais a Lei, mas é uma Pessoa. Esta pessoa é Jesus Cristo. Jesus é o único Caminho; existindo desde sempre em Deus (Jo1,1), ele se tornou um de nós (Jo 1,14). Sua vida e sua prática conduzem a humanidade ao encontro definitivo com Deus. Ele é o Caminho para o Pai porque na sua pessoa nos revela Deus, e no exemplo da sua vida e na luz da sua palavra nos mostra o itinerário a seguir para a nossa realização definitiva como filhos de Deus e irmãos dos homens. Para conhecer o caminho e encontrar sua trajetória certa que conduz à vida basta olhar para Jesus e sua prática. “O problema de muitos não é viverem extraviados ou desencaminhados. Simplesmente vivem sem caminho, perdidos numa espécie de labirinto: andando e retrocedendo pelos mil caminhos que, a partir de fora, as senhas e modas do momento lhes vão indicando. ... Quem caminha seguindo os passos de Jesus poderá continuar deparando com problemas e dificuldades, mas está no caminho certo que conduz ao Pai. É essa a promessa de Jesus” (José Antonio Pagola, teólogo espanhol).          

Ele é a Verdade em virtude de nele residir plenamente a realidade divina e que realizou nele a plenitude da realidade humana. Com sua atividade em favor do homem (Jo 10,37s), que manifesta o amor de Deus, revela ao mesmo tempo a verdade sobre Deus e sobre o homem. A verdade é, por isso, a lealdade absoluta de Deus frente aos homens, de maneira que o homem pode confiar cegamente na sua palavra, na sua promessa, na sua lealdade. O homem que confia na palavra e na revelação divina e que conta com ela na vida prática, vivendo segundo a verdade com fé, torna-se participante da verdade de Deus. Jesus é a Verdade no meio da mentira do mundo, porque ele é a revelação exata do Pai.          

No que se trata do termo “Vida (Eu sou a Vida), no evangelho de João este termo tem um significado inesgotável. Jesus, que recebe a plenitude do Espírito (Jo 1,32s), possui a plenitude da vida divina e dispõe dela, como o Pai (Jo 5,21.26; 17,2). A missão de Jesus é comunicar vida ao homem e vida em abundância (Jo 10,10), vida definitiva e indestrutível (Jo 10,28;17,2). Por isso, Jesus é a Vida porque a possui em plenitude e pode comunicá-la para quem acredita nele. Ele é a Vida em plenitude e sem fim num mundo de morte e autodestruição, e, por isso, podemos entrar em comunhão com o Deus vivo através dele.          

A condição para receber a vida definitiva e indestrutível e possui-la definitivamente é a adesão a Jesus em sua condição de Homem levantado ao alto (Jo 3,14s) e de Filho único de Deus (Jo 13,16). O Homem levantado ao alto é o modelo de homem que dá sua vida a fim de salvar os homens da morte (Jo 3,14). E Jesus é o Filho único de Deus, o dom que prova o amor de Deus para com a humanidade (Jo 3,16). A condição para receber a vida é, por isso, reconhecer o amor de Deus manifestado na morte de Jesus e, vendo nele o modelo de Homem, o Filho único de Deus, tomar este amor por norma da própria vida (Jo 13,34). A adesão a Jesus e à sua prática em favor da vida faz com quem as pessoas se tornem filhas de Deus, formando só uma família com Jesus e o Pai. Para conhecer o Pai e para chegar até Ele faz-se necessário comprometer-se com a prática do Filho.          

Esta aceitação e adesão encontra-se no evangelho de João com várias expressões: escutar a voz do Filho de Deus (Jo 5,25), aproximar-se dele (Jo 6,37ss), aceitar as suas exigências (Jo 6,63.68), comer o pão da vida(Jo 6,35,53s), comer a sua carne e bebe o seu sangue(Jo 6,45), viver seu mandamento(Jo 15,12) etc..          

Por isso, a esta altura, o Evangelho já aponta para a missão de cada cristão, para aquele que segue a Jesus Cristo: estar a serviço da vida, doando-se totalmente para que a vida aconteça. A prova de que amamos Jesus é amar os outros e dar a vida pela vida dos homens.

4. Ver, Conhecer e Crer          

Se me conhecestes, conhecereis também a meu Pai”, diz Jesus. “Senhor, mostra-nos o Pai...”, suplica Filipe. “Quem me vê, vê o Pai”, responde Jesus (Jo 14,7-9).          

Na linguagem bíblica “conhecer” (ginosko) não expressa apenas uma apreensão intelectual, mas uma experiência, uma relação íntima entre duas pessoas. Ele pertence ao vocabulário da Aliança (Cf.p.ex., Jr 24,7;31,34). Por isso, o termo “conhecer” é usado também para falar da relação (sexual) entre o esposo e a esposa (cf. Gn 4,1.17.25; Lc 1,34, etc.).                                                                           

Quem me vê, vê o Pai”.Ver” Deus exprime o profundo desejo que habita o homem, e em particular, o israelita. No quarto evangelho, “ver o Filho” significa a compreensão de seu mistério pessoal (Jo 6,40; cf. 1,29;9,37;12,21). Aplicado ao Pai, “ver” não exprime uma percepção ótica, como se Deus pudesse ser objeto de nossa visão, mas uma apreensão na fé que tem a força de uma evidência. “Ver o Senhor” se trata de uma experiência de revelação, a experiência de uma Presença indubitável e vivificadora (cf. Gn 32,31;Ex 24,10;Nm 14,14;Is 6,1.5;52,8), como um cego que acredita na existência do sol ou do fogo por sentir seu calor.          

No evangelho de João, a tríade que formam os verbos ver, conhecer e crer é intercambiável, equivalente, quase sinônimo. O “conhecer” da fé, segundo pensamento bíblico que João reflete aqui, é, antes de tudo, contato e experiência pessoal de Deus através de seu Filho Cristo Jesus, totalmente identificado com o Pai no seu ser, querer e atuar.          

A contemplação do Pai na pessoa e obra do Filho torna-se extensiva à conduta do cristão que se converte, por sua vez, em sinal da presença de Deus no mundo.          

Será que Jesus é realmente o único Caminho para nós, ou optamos por outros caminhos? Ao optar por outros caminhos devemos saber já as consequências. Que saibamos perseverar sempre no caminho que nos leva ao Deus-Pai: Jesus Cristo, o Caminho, a Verdade e a Vida. 

As Palavras de alguns Padres da Igreja sobre o Evangelho deste domingo (veja: Santo Tomás de Aquino: Catena Aurea, Exposição Contínua Sobre Os Evangelhos, Vol.4: Evangelho de São João. Ed Ecclesiae, Campinas-SP 2021,pp.413ss): 

1.   São João Crisósto (In Ioannem): A fé que tendes em mim e no Pai que me gerou é mais poderosa que todos os acontecimentos vindouros; e nenhuma das futuras dificuldades pode prevalecer contra ela. Com isto, Nosso Senhor também prova a sua natureza divina, porque traz à luz o que todos tinham na mente, e por isso diz: Não se turbe o vosso coração. 

2.  Santo Hilário (De Trinitate): Não vos desviará por veredas incertas e intransitáveis Aquele que é o Caminho; nem vos logrará com falsidades Aquele que é a Verdade; nem vos abandonará no engano da morte Aquele que é a Vida.

3.  Teofilacto: Quando te empenhas na ação, Cristo se torna para ti o Caminho; quando persistes na contemplação, Cristo se torna para ti a Verdade. A Vida, por sua vez, está ligada tanta à ação quanto à contemplação; convém, afinal, sair e pregar o Evangelho para merecer o futuro século.

P. Vitus Gustama,svd

Sábado Da IV Semana Da Páscoa, 02/05/2026

PERMANECER EM CRISTO PARA ESTAR COM O PAI ETERNAMENTE NO CÉU

Sábado da IV Semana da Páscoa

Primeira Leitura: At 13,44-52

44 No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra de Deus. 45 Ao verem aquela multidão, os judeus ficaram cheios de inveja e, com blasfêmias, opunham-se ao que Paulo dizia. 46 Então, com muita coragem, Paulo e Barnabé declararam: “Era preciso anunciar a palavra de Deus primeiro a vós. Mas, como a rejeitais e vos considerais indignos da vida eterna, sabei que nos vamos dirigir aos pagãos. 47 Porque esta é a ordem que o Senhor nos deu: ‘Eu te coloquei como luz para as nações, para que leves a salvação até os confins da terra’”. 48 Os pagãos ficaram muito contentes, quando ouviram isso, e glorificaram a Palavra do Senhor. Todos os que eram destinados à vida eterna, abraçaram a fé. 49 Desse modo, a palavra do Senhor espalhava-se por toda a região. 50 Mas os judeus instigaram as mulheres ricas e religiosas, assim como os homens influentes da cidade, provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território. 51 Então os apóstolos sacudiram contra eles a poeira dos pés, e foram para a cidade de Icônio. 52 Os discípulos, porém, ficaram cheios de alegria e do Espírito Santo.

Evangelho: Jo 14,7-14

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 7“Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”. 8Disse Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” 9Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai”? 10Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai, 13e o que pedirdes em meu nome, eu o realizarei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. 14Se pedirdes algo em meu nome, eu o realizarei.

-------------------------

Estejamos Conscientes De Que a Inveja É Capaz De Destruir e Matar o Próximo

A Primeira Leitura fala da expansão da Igreja no território não judeu que já tem como início em At 10-11. Lucas registra não somente o sucesso da evangelização na terra pagã, mas muito mais do que isso: os pagãos dão uma certa preferência ao cristianismo. Isso causa a inveja nos judeus. A pregação da mensagem dá lugar, como em outras ocasiões, para a perseguição pela qual Paulo e Barnabé são obrigados a ir para outro lugar para levar a mensagem de Cristo. Mas não se trata de obra dos dois (Paulo e Barnabé) e sim da obra do Espirito que os enche de alegria e força para prosseguir na evangelização.

O que se enfatiza no texto de hoje é a função da “Palavra”. Por quatro vezes ocorre a seguinte expressão: “A Palavra de Deus ou do Senhor”. O ponto de separação entre judeus e pagãos não passa mais pela Lei e sim pela Palavra de Deus, isto é, o anúncio de salvação feito pelos missionários. Ou seja, trata-se daquela vida plena e definitiva inaugurada por Jesus ressuscitado (At 13,48).

Mas em qualquer lugar onde a mensagem de salvação de Cristo for proclamada ou anunciada, há sempre os que a aceitam e os que a recusam. Há recusa pacifica, mas há também recusa acompanhada pela perseguição e blasfêmias.

No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra de Deus. Ao verem aquela multidão, os judeus ficaram cheios de inveja e, com blasfêmias, opunham-se ao que Paulo dizia”. Assim registrou Lucas sobre o sucesso de Paulo e Barnabé no trabalho missionário em Antioquia de Pisídia e a reação negativa da parte dos judeus por esse sucesso.

“Ao verem aquela multidão, os judeus ficaram cheios de inveja”. A inveja é a tristeza pelo bem alheio. O invejoso tem sempre os olhos fixos nos outros, sofrendo amargamente com a satisfação que nele têm, tendo sentimentos de aversão quando percebe que os outros estão bem ou estão numa situação cada vez melhor. A inveja é filha de uma soberba. O invejoso não tolera os sucessos dos outros, não admite que os outros possuam qualidades iguais ou superiores às suas. Ele sempre teme ser superado pelos outros. Ele sofre quando percebe que seu rival possui uma cota maior do que a sua. A inveja é uma profunda raiva produzida pela conquista dos outros. “O número dos que nos invejam confirma nossas capacidades” (Oscar Wilde). A inveja é um desejo de vingança, de destruição, de ódio. Muitas mortes aconteceram por inveja. A inveja tenta destruir os outros por meio da perseguição. A inveja é um sentimento destrutivo de alguém que pretende tirar o que você conseguiu. A inveja coloca qualquer um num plano de contínua insatisfação e de queixa permanente. A inveja nasce da sensação de que nunca o invejoso nunca vai ter o que o outro possui. “A inveja é uma declaração de inferioridade” (Napoleão Bonaparte).

Quem tem uma alma grande sempre se preocupa com o bem de todos. Uma pessoa de bem sempre faz do sucesso do outro como inspiração para que ela consiga alcançar aquilo que uma pessoa sucedida alcançou. Uma pessoa de bem se esforça para aprender a atravessar o processo, a ter vontade e coragem, força e inteireza para percorrer o caminho de sucesso. Uma pessoa de bem admira. Um invejoso está sempre com o mau olhar no sucesso alheio. Uma pessoa de bem olha para aprender. Um invejoso olha para destruir o sucedido.

A inveja dos judeus, da qual fala o texto, não deve ser entendida apenas num plano banal, isto é, o medo de perder os clientes que também dão uma contribuição finaceira à sinagoga, mas também num plano teológico no sentido de que os membros do antigo povo de Deus  temem perder os seus privilégios étnico-religiosos, o monopólio das promessas salvíficas, destinadas ao povo judeu. Por isso, pode-se entender o motivo pelo qual eles usam as “blasfêmeas” contra Paulo. As “blasfêmias” devem ser entendidas como recusa escandalizada de Jesus, um messias cruficado que para eles é um insulto a Deus (cf. At 26,11).

Porém, a perseguição jamais pode parar o dinamismo espiritual que se origina da própria “Palavra de Deus” que traz vida e salvação para todos os homens. Por isso, Paulo e Bernabé não se cansam em anunciar a Palavra de Deus.

Conhecer Jesus É Conhecer Deus

“Quem me viu, viu o Pai... Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim”. O texto do evangelho lido neste dia faz parte do discurso de despedida de Jesus de seus discípulos no evangelho de João (Jo 13-17).

Quando Jesus disse aos discípulos: “Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”, logo Filipe pediu: Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!”. Jesus é o Caminho para conhecer a verdade e para ver o rosto do Pai no rosto do Filho, pois os dois são um só (Jo 10,30). Essa verdade é o amor infinitamente do Pai (cf. Jo 3,16; 13,1) que se manifesta na Cruz. Essa verdade é que nos liberta e nos dá a vida.

O pedido de Filipe para Jesus mostrar o Pai tem um tom de ousadia do ponto de vista judaico. Segundo a visão bíblica é impossível ver Deus e ao mesmo tempo o homem, que viu Deus, permanece vivo (Cf. Ex 33,20). Por isso é que, na Bíblia, todas as pessoas ficaram apavoradas diante de qualquer manifestação divina (teofania), pois há possibilidade de morrer.

Diante da pergunta de Filipe, Jesus responde que o Pai não é acessível ao olhar comum. O Pai é acessível através de uma contemplação (contemplar significa olhar, observar com atenção para descobrir seu significado). E a contemplação se apoia no sinal por excelência: o Filho, Jesus Cristo e suas obras, pois Jesus é a Palavra de Deus feita carne (cf. Jo 1,14; Mt 1,23). Jesus é tão unido ao Deus Pai a ponto de ser reflexo total de Deus diante dos homens. Jesus e o Pai são um só (cf. Jo 14,10; 17,21-22). Para contemplar o Pai é preciso descobrir o mistério do Filho: descobrir sua relação com o Pai, seu papel mediador e a significação de suas obras. Todas as obras de Jesus apontam para Deus. Jesus está tão unido ao Pai a ponto de dizer: “Eu estou no Pai e o Pai está em mim” (Jo 14,10). Tudo de Jesus fala do Pai ou leva o homem ao Pai. Entre Jesus e o Pai há uma total sintonia. O último critério de identificação e sintonia são as obras. E a obra da redenção feita por Jesus nos faz compreendermos Deus como um Pai cheio de amor, de ternura e de misericórdia para nós (cf. Jo 3,16).

E esta contemplação do Pai na pessoa e na obra do Filho deve ser estendida nas obras de cada cristão: “Quem acredita em mim, fará as obras que eu faço(Jo 14,12). A vida e as obras de cada cristão devem levar os outros a contemplarem Deus, devem ter uma função de levar as pessoas para Deus. As obras boas que o cristão faz falam por si de Deus para o mundo. Desse modo cada cristão se converterá em sinal da presença do Pai no mundo que aponta sempre para Deus. Além disso, neste sentido pedir “em nome de Jesus” (Jo 14,14) equivale, efetivamente, a solicitar a presença de Cristo no atuar do cristão para que ele possa ser verdadeiramente sinal da presença de Deus no mundo.

Somente para aquele que não sabe qual é o destino de sua vida não existe um caminho certo e seguro. Mas se ao final de nossa existência terrena queremos estar com Cristo gozando da gloria do Pai, não há outro caminho a não ser o próprio Cristo. Nele nos é manifestado nosso Deus como Pai amoroso e misericordioso, próximo de nós e disposto a nos salvar e nos e a nos levar a participarmos de Sua vida eterna. Não somente as palavras de Jesus que nos fazem entendermos quem é Deus para nós, mas também suas obras nos fazem experimentarmos o amor que Deus tem para nós. Ir atrás das pegadas de Cristo é caminhar com Sua Igreja, Sua esposa que é a pegada de Seu amor e de Sua entrega que Ele deixou para a humanidade para que possa ir ao encontro definitivo com o Pai com segurança.

Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras”, disse Jesus a Filipe. Jesus era um homem de Nazaré de carne e de osso, que pisava o solo de Palestina, um homem que tinha amigos, relacionamentos humanos, que comia e bebia com seus amigos, que tinha cansaço, fome e sede. Mas era um homem equilibrado por excelência. Era um homem humilde (Mt 11,29). Era um homem sem ambição nem orgulho, pois toda vez que a multidão queria torná-lo rei, ele se afastava para estar em contato com o Pai no silencio e na oração prolongada (cf. Jo 6,15). Era um homem que se rebaixava diante de seus amigos para lavar-lhes seus pés (cf. Jo 13,1-20). Mas esse homem é, ao mesmo tempo, estava em comunhão plena com Deus, se identificava com Deus, que fazia tudo conforme a vontade de Deus: “Eu estou no Pai e o Pai está em mim”. Jesus era um homem cheio de Deus. As suas amizades com outras pessoas não atrapalhavam sua comunhão plena com Deus. Ao contrário, era tão profunda sua comunhão com Deus a ponto de ter sido tão profunda também sua amizade com o homem (cf. Jo 15,15). Por ter sido o homem de Deus, Jesus era um homem do povo e para o povo.

Ser cristão é ser outro Cristo no mundo. Se Cristo Jesus era um homem cheio de Deus, logo cada cristão deve ser uma pessoa cheia de Deus. Se Cristo Jesus foi o homem de Deus e por isso, era um homem do povo e para o povo, logo o cristão deve ser também um homem de Deus para que se torne um homem do povo e para o povo. Consequentemente, nenhum cristão pode ser uma pessoa egoísta e isolada. Cada cristão é de Cristo e o Cristo é do povo: “Vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (1Cor 3,23).

Quem acredita em mim, fará as obras que eu faço e fará ainda maiores do que essas” (Jo 14,12). Não se trata das obras maiores do que as que Jesus fez. Mas trata-se da expansão de sua mensagem por todo o mundo. Jesus limitou sua atividade em Palestina com um pequeno número de discípulos. Agora, através das obras boas praticadas pelos cristãos espalhados pelo mundo Cristo se faz presente no mundo. Nossas obras se tornarão maiores, se as fizermos no espírito de Cristo e não de acordo com o nosso gosto. Toda obra no espírito de Jesus tem como objetivo edificar os outros na sua dignidade. É ser vida para os demais como Cristo é vida dada a todos nós.  Ao fazer as obras pelo bem de todos, o cristão poderá aplicar para si a frase de Jesus de outra maneira: “Eu estou em Cristo e Cristo está mim”. Ser cristão significa ser outro Cristo. Se o mundo não percebe na minha maneira de viver e de proceder que sou cristão é porque eu não estou mais em Cristo nem Cristo está em mim. Desta maneira Santo Agostinho tinha razão ao dizer: “De que vale ter o nome de cristão se tua vida não é cristã? Há muitos que se denominam médicos e não sabem curar. Muitos se dizem vigilantes noturnos não fazem mais que dormir a noite inteira. Assim também muitos se chamam cristãos, mas não o são em seus atos. Em sua vida, moral, fé, esperança e caridade são muito diferentes do que declara seu nome (In epist. Joan. 4,4).

Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!”, pediu Filipe a Jesus. Em outras palavras: Onde está Deus? No seu livro O Deus Em Quem Não Creio, Juan Arias dá algumas respostas. “Deus está na tua vida vazia. É tudo o que desejarias lá meter para a encher... Deus é o sol que desejarias ver brilhar quando as trevas irromperam nos teus olhos... Está naqueles olhos cheios de luz que, só ao olhá-los e amá-los, te tornaram mais criança, mais inocente, mais livre, mais poeta e mais concreto; mais terno e mais seguro; menos “tu” e mais “próximo”. Deus está nessa sede de limpeza que faz sentir a tua boca seca e pegajosa, depois de qualquer infecção do espírito ou da carne. Está à porta de cada desilusão; são essas mãos invisíveis em que não crês, mas que desejarias apertar, cheias de fidelidade, quentes de compreensão, eletrizadas por um afeto que resiste ao tempo...Deus está no palpitar intato de cada novo ser...Está no conjunto de sentimentos que vibram em todo o ser da mulher que acaba de ser mãe...Deus está ali; naquele cantinho mais secreto da tua vida, aonde ninguém chega, em que uma voz que não sabes donde vem, nem para onde vai, te diz o que não querias ouvir, te recorda o que desejarias ter esquecido, te profetiza o que nunca desejarias saber. Nessa voz que não ouves, mas que te desaprova. Nessa voz que não é tua, mas que nasce em ti e que nem o sono, nem o barulho, nem a bebida, nem a carne conseguem fazer calar...Está nesse abismo profundo da tua incredulidade...Está na paz do lago sereno das tuas lágrimas quando te reconcilias com a tua consciência e que te dá a sensação de renasceres...Deus está nessa força misteriosa que nos mantém vivos, que nos impede de enlouquecer, que nos evita o suicídio depois de certas provas dramáticas da vida, depois de certos desgostos mais cruéis e trágicos do que a morte...Deus está sobretudo onde reina o amor”.

Cristão, onde está teu Deus? Mostra-nos teu Deus é o pedido do mundo para cada cristão. Qual sua resposta?

P. Vitus Gustama,svd

Segunda-feira Da V Semana Da Páscoa, 04/05/2026

CORAÇÃO QUE AMA SE TORNA A MORADA DIVINA Segunda-Feira da V Semana da Páscoa Primeira Leitura: At 14,5-18 Naqueles dias, em Icônio, 5 ...