quinta-feira, 16 de julho de 2026

Sábado Da XV Semana Comum, Ano Par, 18/07/2029

JESUS É O AMOR ENCARNADO DE DEUS PARA SALVAR A HUMANIDADE

Sábado da XV Semana Comum

Primeira Leitura: Mq 2,1-5

1 “Ai dos que tramam a iniquidade e se ocupam de maldades ainda em seus leitos! Ao amanhecer do dia, executam tudo o que está em poder de suas mãos. 2 Cobiçam campos, e tomam-nos com violência, cobiçam casas, e roubam-nas. Oprimem o dono e sua casa, o proprietário e seus bens. 3 Isto diz o Senhor: “Eis que tenciono enviar sobre esta geração perversa uma desgraça de onde não livrareis vossos pescoços; não podereis andar de cabeça erguida, porque serão tempos desastrosos. 4 Naquele dia, sereis assunto de uma alegoria, de uma canção triste que diz: ‘Fomos inteiramente devastados; a parte de meu povo que passou a outro por ninguém lhe será restituída; os nossos campos são repartidos entre infiéis’. 5 Por isso, não terás na assembleia do Senhor quem meça com cordel as porções consignadas por sorte”.

Evangelho: Mt 12, 14-21

Naquele tempo, 14 os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus. 15 Ao saber disso, Jesus retirou-se dali. Grandes multidões o seguiram, e ele curou a todos. 16 E ordenou-lhes que não dissessem quem ele era, 17 para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 18 “Eis o meu servo, que escolhi; o meu amado, no qual ponho a minha afeição; porei sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará às nações o direito. 19 Ele não discutirá, nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas praças. 20 Não quebrará o caniço rachado, nem apagará o pavio que ainda fumega, até que faça triunfar o direito. 21 Em seu nome as nações depositarão a sua esperança”.

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Praticamos a Justiça Para Não Tratarmos Injustamente Nossos Irmãos

Ai dos que tramam a iniquidade e se ocupam de maldades ainda em seus leitos! Ao amanhecer do dia, executam tudo o que está em poder de suas mãos. Cobiçam campos, e tomam-nos com violência, cobiçam casas, e roubam-nas. Oprimem o dono e sua casa, o proprietário e seus bens”.

Durante três dias, a partir de hoje, vamos meditar sobre algumas passagens do livro do profeta Miqueias. Seu nome em hebraico significa “Quem é como Yahweh?”. Um nome semelhante é Micael: “Quem é como Elohim?”. O nome é adequado para o homem que perguntou: “Quem, ó Deus, é semelhante a Ti, que perdoas a iniquidade, Te esqueces da transgressão do restante da tua herança?” (Mq 7,18). Em outras palavras, o Deus de Israel é incomparável. Sobre esta ideia é que o profeta Miqueias constrói seu pensamento e sua pregação no seu livro.

Miqueias atuou na primeira metade do século VIII a.C no reino de Judá (reino do Sul) durante os reinados de Jotão, Acaz e Ezequias. Foi, portanto, contemporâneo  de Isaías em Jerusalém e veio um pouco depois dos profetas Amós e Oséias.

Como Amós, também oriundo de uma aldeia, Miqueias utiliza imagens do campo, como os feixes trazidos para a eira e os chacais uivando à noite. Miqueias detesta  as capitais Samaria e Jerusalém. Sobre Jerusalém, ele diz: “Seus ricos estão cheios de violência, seus habitantes mentem e sua língua é falsidade em suas bocas” (Mq 6,12). Por causa disso, ele prediz a destruição da cidade de Jerusalém: “Por isso, por culpa vossa, Sião será arada como um campo, Jerusalém se tornará um lugar de ruínas” (Mq 3,12). Do mesmo modo, ele prediz a destruição da capital do reino de Norte, Samaria (Cf. Mq 1,6.7).

Miqueias é um camponês  de Moreset Gat (mais ou menos 35 km a sudoeste de Jerusalém). Foi chamado por Deus para fazer ouvir Sua palavra nos tempos difíceis anteriores à ruina de Judá. Na sua época os poderosos praticam as injustiças com a cumplicidade dos juízes. Há a falsa pidedade que encobre a injustiça com o culto provocador de falsa segurança. O abismo entre os ricos e os pobres fica cada vez maior. Há a idolatria que se expressa no compromisso com os cultos estrangeiros. Miqueias enfrenta os poderosos de sua época e denuncia com valentias abusos dos poderosos, dos que praticam a iniquidade, que cobiçam os bens alheios, que roubam sempre que podem, que oprimem os demais. Miqueias é um profeta cheio do Espírito do Senhor e de fortaleza para denunciar os crimes praticados contra o povo de Deus: sistema socioeconômico injusto, divisão social em classes, cobiça no coração, esquecimento de Deus e de Sua lei.

A partir dessa situação o profeta Miqueias anuncia o castigo  devastador do Senhor contra Samaria e Jerusalém. Apesar disso, Miqueias vislumbra a esperança: Miqueias quer mostrar que Deus chama o ser humano a mudar, tocando seu coração, com palavras de denúncia e, sobretudo, com palavras de amor e de esperança. O castigo tem função para provocar a conversão. Por isso, o profeta percebe sinais de um futuro diferente: surgirá o rei messiânico, descedente de Davi, do humilde clã de Efrata. O pequeno resto será instrumento de Deus para a purificação. Deste profeta conhecemos, sobretudo, sua oráculo sobre Belém: “Mas tu, Belém-Efrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti sairá para mim aquele que governará Israel (Mq 5,1), que lemos no Advento, porque anuncia que deste pequeno povo sairá Aquele  que apascentará todo o povo de Israel (Mt 2, 6).

Miqueias é um profeta do protesta social, o porta-voz do homem pobre e comum, explorado pelas classes superiores. Ele denuncia o sistem ganancioso e hipócrita: Seus chefes julgam por suborno, seus sacerdotes ensinam por salário e seus profetas vaticinam (profetizam) por dinheiro. E, contudo, se apoiam em Iahweh, dizendo: ‘Não está Iahweh em nosso meio? Não virá sobre nós a desgraça(Mq 3,11). Ele vitupera (censura/repreende severamente) contra os mercadores trapaceiros, com suas balanças e pesos fraudados, e encontra os proprietários de terras que “cobiçam campos e os roubam” (Mq 2,2).

Como os demais profetas, Miqueias é, ao mesmo tempo, violento/duro e pacífico nas suas denúncias. É ameaçador quando denuncia a injustiça ou idolatria, como lemos no texto da Primeira Leitura de hoje. Apesar disso, ele é um profeta cheio de esperança para consolar o povo. Miqueias acredita que a verdadeira fé vem do coração e não de sacrifícios fromais: “Terá Iahweh prazer nos milhares de carbeiros ou nas libações de torrentes de óleo? ... O que Iahweh exige de ti: nada mais do que praticar o direito, gostar do amor e caminhar humildemente com o teu Deus” (Mq 6,7.8).

Apesar de tudo isso, o profeta Miqueias consegue vislumbrar-se a esperança. O castigo serve para provocar a conversão. A o profeta percebe sinais de um futuro diferente: o surgimento do rei messiânico, descendente de Davi que une todas as tribos dispersas e ele imagina a paz reinante até os confins da terra.

Diante daquilo que está por ver e por vir, no horizonte da esperança, não cabem medos nem chantagens de segurança nem conservadorismo. Paradoxalmente, pode-se dizer que o único seguro diante da vinda do Senhor (rei messiânico) é o êxodo, a aventura do êxodo, é ser missionário. Como dizem os profetas e os poetas, há que fazer caminho andando. A fé é confiança na promessa de Deus. É esperança. E a esperança está sempre na nossa frente que nos chama a caminharmos e a sairmos de nosso cantinho para sermos missionários da esperança. É sair de nosso pecado ao encontro da salvação oferecida por Deus. É sair de nossa mesquinhez ao encontro do horizonte maior. O homem de esperança sempre acredita que tudo pode. Nesse “poder” há força. A esperança sempre repousa num poder que possibilita a transformação da existência de si e dos outros ao redor. Afinal, não podemos esquecer esta verdade: “Quando tudo desmorona ao nosso redor ou dentro de nós, Cristo permanece firmemente ao nosso lado para nos sustentar”. São Paulo tem razão ao nos dizer: “Cristo é nossa esperança” (Col 1,27).

O texto da Primeira Leitura de hoje (Mq 2,1-5) é uma denúncia direita contra os opressores. Miqueias, como os outros profetas, não deixam de denunciar a exploração, a opressão e o acúmulo de bens mediante  processos ilegais.

Os perigos do poder e do dinheiro continuam sendo atuais. Também em nosso mundo na atualidade muitos cometem a mesma coisa: as injustiças flagrantes, os abusos cínicos do poder contra os pobres e inocentes, a roubalheira sem escrúpulos, o desvio do dinheiro público para o próprio interesse e assim por diante. Todos os corruptos, no fundo, são preguiçosos, pois não querem trabalhar. Eles se aproveitam do poder para ser ricos rapidamente de maneira desonesta. “Esta é uma das tentações constantes da humanidade: apegando-se ao dinheiro por considerar que está dotado de uma força invencível, cai-se na ilusão de poder ‘comprar também a morte’, distanciando-a de si mesmo”, dizia o Papa são João Paulo II em sua audencia no dia 28 de Outubro de 2004. Deus não quer que separemos o culto litúrgico da justiça social.

O espírito de cobiça contrista os corações, dificulta as relações com os demais, esfria a fraternidade humana, cria conflitos com os demais, despersonaliza o indivíduo ao torná-lo escravo e não o senhor de seu dinheiro e torna impossível o seguimento de Cristo. O dinheiro merece ser conquistado, mas  sempre no poder do Espírito de Deus. Assim o dinheiro torna-se um instrumento útil de serviço. Portanto, se você tem dinheiro acumulado, pergunte-se como o ganhou e como o usa. Se você continua acumulando mais dinheiro do que precisa para viver, sabe para que o faz?

Viver Para Amar e Amar Para Salvar

Continuamos com as controvérsias entre Jesus e as autoridades do seu tempo. Nos versículos anteriores do texto do evangelho deste dia Mt relatou a atividade de Jesus de curar muitos doentes no Sábado, dia sagrado para os judeus. Relatou-se que Jesus curou um homem de mão seca dentro da sinagoga (cf. Mt 12,9-13). Era proibido curar no Sábado, o dia sagrado. Para Jesus o sagrado é o ser humano (cf. 1Cor 3,16-17) e não o dia de sábdo. Por isso, para Jesus salvar um ser humano está acima de qualquer lei religiosa, por mais sagrada que ela pareça ser. A lei religiosa existe em função do ser humano. Naturalmente os dirigentes do povo desaprovaram a atividade de Jesus. Por isso, decidiram matá-lo.

A hostilidade dos fariseus (Mt 12,14) é o ponto terminal do relato referido à atividade de Jesus durante o Sábado numa sinagoga. Diante da hostilidade, Jesus muda seu espaço: “Ao saber disso, Jesus retirou-se dali”, mas continua curando a todos. Sua missão é ajudar, socorrer e reviver a todos aqueles que se encontram ameaçadas na sua dignidade.

A maneira de atuar de Jesus é totalmente contrária à maneira de atuar dos fariseus. Observemos o contraste nesta controvérsia entre Jesus e seus adversários: Os adversários planejam matar Jesus, e Jesus planeja um serviço de caridade, de amor e de proximidade dos necessidades. Os adversários tomam atitudes violentas, e Jesus cumpre a visão profética de bendizer e de apreciar todos os detalhes da bondade que estão ao Seu alcance. O mal e o bem, chocando-se mutuamente, caminham em paralelo. O objeto da ação é o mesmo homem tanto para o bem como para o mal. Um coração que ama se enfrenta com um coração maldoso. Jesus será vítima disso, mas Deus bota a vida onde o homem põe a morte. Por isso, Jesus será ressuscitado por Deus, Seu Pai.

Jesus não lhes responde com ações violentas. Como verdadeiro Servidor de Deus, Jesus busca que a verdade brilhe sobre as trevas da morte e da miséria. A missão de Jesus é pacifista, solidária e defensora da justiça e do direito. Somente de um homem assim, sem pretensões mundanas é que o povo pode esperar a salvação.

Por que os dirigentes do povo defendem tanto a lei supostamente sagrada e não defende o ser humano, que é o filho de Deus, templo do Espírito Santo, segundo São Paulo? (cf.1Cor 3,16-17). É por causa do império dos interesses econômicos e sociais. Quando o dinheiro se torna o objetivo da vida de uma pessoa, ela não admite rivais.  E se tiver rivais, será eliminado. Quem se entrega ao dinheiro, não consegue ver mais ninguém senão a si mesmo. O dinheiro se revela uma arma mais letal do que as armas nucleares, quando usado unicamente em vista dos interesses de alguns. É por isso que Jesus disse que, ou se serve a Deus, ou se serve ao dinheiro (cf. Mt 6,24). Quem se preocupa com a própria glória não se preocupa com o bem do outro.

Jesus age como um profeta: falar em nome de Deus na defesa da igualdade e da fraternidade, embora Jesus seja mais do que um profeta, pois ele é a encarnação do amor de Deus, Ele é o Deus-Conosco (Mt 1,23; 18,20; 28,20). Os profetas do Antigo Testamento com muita freqüência se atiram contra as prepotências dos ricos em relação aos pobres, por sensibilidade social, mas, sobretudo, por sensibilidade teológica no sentido de que as injustiças entre os homens quebram a relação com Deus. O mal que se faz ao homem é mal feito a Deus (cf. Mt 25,40.45).

O verdadeiro objetivo da vida ou da missão de Jesus é amar para salvar (Jo 3,16). Esse objetivo se expressa da seguinte maneira: “Não quebrará o caniço rachado, nem apagará o pavio que ainda fumega, até que faça triunfar o direito”. Jesus veio não para desencorajar e sim para encorajar. Ele veio não para ameaçar o fraco com condenação e sim com a compreensão. Jesus veio não para apagar “o pavio que ainda fumega” e sim para fortalecer sua luz a fim de clarear mais. Por isso, “Em seu nome as nações depositarão a sua esperança”. Tudo em Jesus era manifestar o amor de Deus para os homens. Logo, tudo na vida de cada cristão deve ser a manifestação do amor de Deus, porque o amor humaniza e diviniza, cria a fraternidade e a comunhão, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16).

Como cristãos seguidores de Cristo, nós temos em Jesus nosso espelho para podermos nos ver melhor ou para comprovar se aprendemos ou não as principais lições de nosso Mestre Jesus. Temos que fazer chegar para as pessoas a mensagem de amor de Jesus. Mas não devemos impor, e sim propor, não gritar e sim anunciar motivando, respeitando a situação de cada pessoa.

Por isso, como cristãos, nós devemos ser contrários a toda a forma de luta violenta, mas também devemos agir energicamente com todas as iniciativas e meios não violentos, para afirmar a justiça, o respeito pelos direitos humanos, pela fraternidade, pela dignidade de cada pessoa e pela caridade no mundo. Podemos combater o pecado sem eliminar o pecador, pois Deus odeia o pecado, mas não se cansa de perdoar quem se converte: “Porventura, tenho Eu prazer na morte do ímpio? Porventura, não alcançará ele a vida se ele se converter de seus maus caminhos?(Ez 18,23). A missão de cada cristão, a exemplo do mestre Jesus, é pacifista, solidária e defensora da justiça e do direito. É “Não quebrar o caniço rachado, nem apagar o pavio que ainda fumega, até que faça triunfar o direito”. Como Filho do Pai celeste que tem o mesmo Espírito e veio para salvar, Jesus é o Servo dos irmãos (Mc 10,45). Ele está sempre atento às pessoas, às suas fragilidades e incertezas, e oferece esperança a todos.

P. Vitus Gustama,svd

terça-feira, 14 de julho de 2026

Sexta-feira Da XV Semana Comum, Ano Par, 17/07/2026

A DIGNIDADE DO SER HUMANO E SUA SALVAÇÃO SÃO SUPERIORES DO QUE QUALQUER LEI HUMANA

Sexta-Feira da XV Semana Comum

Primeira Leitura: Is 38,1-6.21-22.7-8

1 Naqueles dias, Ezequias foi acometido de uma doença mortal. Foi visitá-lo o profeta Isaías, filho de Amós, e disse-lhe: “Isto diz o Senhor: Arruma as coisas de tua casa, pois vais morrer e não viverás”. 2 Então Ezequias virou o rosto contra a parede e orou ao Senhor, dizendo: 3 Peço-te, Senhor, te lembres de que tenho caminhado em tua presença, com fidelidade e probidade de coração, e tenho praticado o bem aos teus olhos”. Ezequias prorrompeu num grande choro. 4 A palavra do Senhor foi dirigida a Isaías: 5 “Vai dizer a Ezequias: Isto diz o Senhor, Deus de Davi, teu pai: ‘Ouvi a tua oração, vi as tuas lágrimas; eis que vou acrescentar à tua vida mais quinze anos, 6 vou libertar-te das mãos do rei da Assíria, junto com esta cidade, que ponho sob minha proteção’. 21 Então, Isaías ordenou que fizessem uma cataplasma de massa de figos e a aplicassem sobre a ferida, que ele ficaria bom. 22 Perguntou Ezequias: “E qual é o sinal de que hei de subir à casa do Senhor?” 7 “Este é o sinal que terás do Senhor, de que ele cumprirá a promessa que fez: 8 Eis que farei recuar dez graus a sombra dos graus que já desceu no relógio solar de Acaz”. De fato, a marca do sol recuara dez graus dos que ela tinha descido.

Evangelho: Mt 12,1-8

1 Naquele tempo, Jesus passou no meio de uma plantação num dia de sábado. Seus discípulos tinham fome e começaram a apanhar espigas para comer. 2 Vendo isso, os fariseus disseram-lhe: “Olha, os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido fazer em dia de sábado!” 3 Jesus respondeu-lhes: “Nunca lestes o que fez Davi, quando ele e seus companheiros sentiram fome? 4 Como entrou na casa de Deus e todos comeram os pães da oferenda que nem a ele nem aos seus companheiros era permitido comer, mas unicamente aos sacerdotes? 5 Ou nunca lestes na Lei, que em dia de sábado, no Templo, os sacerdotes violam o sábado sem contrair culpa alguma? 6 Ora, eu vos digo: aqui está quem é maior do que o Templo. 7 Se tivésseis compreendido o que significa: ‘Quero a misericórdia e não o sacrifício’, não teríeis condenado os inocentes. 8 De fato, o Filho do Homem é senhor do sábado”.

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Deus Ouve a Oração De Quem Confia N´Ele

O texto da Primeira Leitura fala da enfermidade e da cura do rei Ezequias (Cf. 2Rs 20,1-11).

A Primeira Leitura nos relatou que o rei Ezequias (716-687 a.C: cf. 2Rs18,1-8), um soberano justo e amigo do profeta Isaías ficou afetado por uma grave enfermidade (não se fala do nome da doença), que o profeta Isaías declarou como mortal.  Ezéquias dirigindo-se a Deus com uma oração a Deus: “Peço-te, Senhor, te lembres de que tenho caminhado em tua presença, com fidelidade e probidade de coração, e tenho praticado o bem aos teus olhos”. Como rei, Ezequias é muito melhor do que seu pai, o rei Acaz. Faz-nos muito bem ler essas coisas na Bíblia, um livro inspirado por Deus. Faz-nos bem saber que Deus não se surpreende com a nossa falta de esperança, nem com as nossas orações. Faz-nos bem ver aquele homem que, aparentemente condenado, não se resigna, mas se apega à vida e suplica a Deus.

A oração do rei Ezequias reflete a ideia da retribuição vigorante na época. Segundo esta concepção para a retidão de conduta, Deus dá como presente bênção divina, prosperidade e vida longa. Na sua avaliação, o rei Ezequias não praticou nada de errado na sua vida. Por isso, ele pede um tipo de recompensa. A retidão de sua vida parece exigir de Deus a bênção, inclusive bens materiais e uma vida longa.

Na sua oração o rei Ezequias chorou com abundantes lágrimas. Notícia da morte sempre nos afeta e mexe com nossos sentimentos e emoções. Todos lutam para que a doença fique longe, mesmo sabendo que morrer é o acontecimento universal a que todos nós temos de chegar. Começamos a morrer assim que nascemos.

E Deus ouviu a oração do rei Ezequiase através do profeta Isaías. O rei Ezequias recebe a cura imediata de Deus, a ampliação de quinze anos de sua vida e a libertação de Jerusalém do poder assírio (cf. 2Rs 20,5-6). Deus atrasa o relógio da morte do rei Ezequias por sua retidão. É bom sabermos que Deus aparentemente muda de ideia. E ver que os mesmos lábios que acabaram de anunciar a morte agora a negam e anunciam a cura por causa da fé profunda de quem pede a cura.

Ler essas coisas da Bíblia, Livro inspirado por Deus, como lemos hoje na Primeira Leitura, nos faz bem. Saber que Deus não se estranha de nossas faltas de esperança nem de nossa oração, tudo isso nos faz bem. A oração do rei Ezequias nos faz bem. Ele nos ensina que nossa situação pode parecer algo morto ou mortal, mas Deus põe vida onde há sinal de morte para aqueles que confiam n´Ele. A nossa força também se encontra na oração de muita fé em Deus apesar de nossa situação aparentemente sem saída, como aconteceu com o rei Ezequias. Procuramos manter nossas orações para poder manter nossas forças. Rezar é permanecer na presença de Deus com as mãos abertas e com o coração aberto para não sermos agarrados pelas mãos do mundo que nos escravizam.

O Salmo Responsorial (Sl 38) está em sintonia com a oração do rei Ezequias: Eu dizia: É necessário que eu me vá no apogeu de minha vida e de meus dias; para a mansão triste dos mortos descerei, sem viver o que me resta dos meus anos. Não verei o Senhor Deus sobre a terra dos viventes nunca mais; nunca mais verei um homem neste mundo! Minha morada foi à força arrebatada, desarmada como a tenda de um pastor. Qual tecelão, eu ia tecendo a minha vida, mas agora foi cortada a sua trama. Ó Senhor, meu coração em vós espera; por vós há de viver o meu espírito, curai-me e conservai a minha vida”.

Nossa oração é sempre escutada por Deus como a oração do rei Ezequias. Toda oração é sempre eficaz. Mas nem sempre percebemos a resposta de Deus. Ficamos presos naquilo que pedimos a Deus, e ao mesmo tempo, ficamos cegos diante daquilo que Deus nos deu como resposta. A oração nos põe em sintonia com Deus que quer a salvação de todos. A oração é uma percepção da realidade que logo se desabrocha em louvor, em adoração, em agradecimento e em pedido de piedade Àquele que é a origem do ser. Por isso, quem sabe viver conscientemente, sabe também rezar bem e conscientemente. E quem sabe rezar bem, também sabe viver conscientemente. A oração é mais do que recitar umas fórmulas, é, sobretudo, uma convicção íntima de que Deus é nosso Pai e que quer nosso bem, como filhos e filhas dele, mesmo que aparentemente nossas orações “não sejam atendidas”. A oração que não foi atendida é uma forma de Deus atender nosso pedido, pois Deus tem a sabedoria infinita. Tem ou não tem resposta para nossa oração é sempre uma resposta da parte de Deus que conhece todos os mistérios.

A Vida Humana É Maior Do Que Qualquer Lei                                          

Com este capitulo (Mt 12) começam as controvérsias entre Jesus e os fariseus. Desta vez a controvérsia gira em torno da observância do Sábado.

A observância do Sábado era entre os principais mandamentos. O Sábado foi uma das observâncias  mais especificas do judaísmo; identificava os judeus e distinguia-se dos gentios e se tornou um sinal de autentico judaísmo. Era tão importante como todos os mandamentos juntos. Todo trabalho era proibido (cf. Dt 5,14). Tinha uma lista de 39 trabalhos proibidos no Sábado. E cada um desses 39 trabalhos proibidos se desdobrava em mais seis, ao todo 234 atividades proibidas. Transgredir o Sábado podia levar o acusado à condenação. A punição prevista chegava à pena de morte (cf. Ex 31,12-17; 35,1-3). Durante o exílio na Babilônia observar o Sábado era um sinal da identidade israelita entre os gentios. 

Na verdade inicialmente observar o Sábado tinha como finalidade o descanso humano, para celebrar a libertação humana (interpretação da tradição deuteronomista. Cf. Dt 5,12-15). Mais tarde na tradição sacerdotal (cf. Ex 20,8-11), o descanso sabático tinha como finalidade imitar o repouso de Deus ao findar-se a obra da Criação. Com essa interpretação o Sábado passou a ser considerado como dia a ser “santificado”, dedicado a Deus e ao culto. 

Na verdade, ao comentar Ex 31,13-14, os rabinos permitiam realizar trabalho em Sábado, se fosse em função de socorrer alguém em extremo perigo de vida. Eles diziam: “O homem não foi feito para o mundo, mas o mundo para o homem”. Ou: “O Sábado foi entregue a vós, não vós ao Sábado” (Simeão ben Menaxa, em 180 a.C, na época dos Macabeus). Na mesma linha está o Segundo Livro dos Macabeus: “Não foi por causa do Lugar que o Senhor escolheu o povo e sim por causa do povo, o Lugar” (2Mc 5,19). 

Na interpretação dos fariseus sobre a observância do Sábado o que conta é a Lei. Os fariseus julgam o atuar humano a partir da lei e o julgam sob o aspecto que afeta a um preceito determinado, não a lei em seu conjunto. Os fariseus sabem que no Sábado pode-se comer, mas não se pode “colher”. Para eles cortar as espigas é colher. Logo este ato é considerado como trabalho e por isso, é proibido. Daí a pergunta deles: “Olha, os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido fazer em dia de sábado!”. Ama menos quem se preocupa apenas com a lei e não com a dignidade do ser humano.

Jesus, na sua interpretação sobre a observância do Sábado, destaca a importância máxima ou o valor máximo do ser humano. Toda a atividade de Jesus tem como centro o ser humano e sua salvação. Para Jesus o que conta é o homem. Em nome da importância máxima do homem Jesus cita o profeta Oseías: “Quero a misericórdia e não o sacrifício” (Os 6,6). Com esta citação Jesus destaca a dignidade do homem diante de Deus. Em nome de um ser humano necessitado de libertação e de salvação Jesus é capaz de “transgredir” uma lei por mais sagrada que ela pareça ser, como o Sábado. Em nome do ser humano por amor Deus Pai enviou Seu Filho unigênito a fim de salvar a humanidade (cf. Jo 3,16). Em nome do ser humano e sua salvação, Jesus aceita ser perseguido, crucificado e morto. O preço de nossa salvação é o sangue de Jesus derramado na Cruz. Ao olhar para a Cruz de Jesus sabemos logo o quanto Jesus nos amou. E o mesmo Jesus continua se oferecendo como alimento para todos os seus seguidores, pois Ele continua nos amando. Por isso, ao participar da Eucaristia sabemos o quanto Jesus nos ama, pois Ele nos alimenta com seu próprio Corpo para podermos fazer nossa caminhada rumo à comunhão plena com nosso Deus e para que sejamos vida para os outros. A Eucaristia é nosso “Viático”, isto é, nosso alimento para nossa viagem nesse mundo rumo ao encontro derradeiro com Deus. 

Por causa da grandeza do homem e de sua dignidade entre outras criaturas o Salmista fez a seguinte oração: “Quando contemplo o firmamento, obra de vossos dedos, a lua e as estrelas que lá fixastes: Que é o homem, digo-me então, para pensardes nele? Que são os filhos de Adão, para que vos ocupeis com eles? Entretanto, vós o fizestes quase igual aos anjos, de glória e honra o coroastes. Destes-lhe poder sobre as obras de vossas mãos, vós lhe submetestes todo o universo” (Sl 8,4-7). 

“Que é o homem de quem cuidas Tu, Senhor? Um ponto de poeira num cosmos de luz. (...) Sorrio em reconhecimento quando vejo que fizeste de mim o rei da tua criação, inferior, tão-somente, a Ti mesmo. Conheço a minha pequenez e a minha grandeza, a minha dignidade e a minha insignificância... Grande é o Teu Nome, ó Senhor, por toda a terra” (Carlos G. Valles. Busco Tua Face, Senhor: Salmos para contemplação. Ed.Loyola). 

Sao Boaventura colocou na boca de Deus as seguintes palavras sobre o ser humano: "Quando te criei, pus sobre tua fronte a imagem da minha divindade, adaptei-me à imagem da tua humanidade quando te quis redimir; tu, pois, que cancelaste a imagem da minha divindade, impressa na tua fronte quando foste criado, retém ao menos na mente a imagem da tua humanidade, impressa em mim quando quis redimir-te; se não soubeste ficar qual tal te criei, sabe ao menos reter-me como eu fiz quando de novo te criei". 

Quero a misericórdia e não o sacrifício”, diz-nos Jesus hoje. O culto e a vida, a oração e a convivência fraterna devem andar de mãos dadas. Trazemos nossa vida para nossa oração e levamos para a vida nossa oração na convivência fraterna. 

Toda a atividade na Igreja do Senhor está em torno das pessoas e não em torno do trabalho. Na Igreja do Senhor, jamais pode ser colocada a pessoa de lado em função do trabalho. Trabalhamos na Igreja em função das pessoas e sua salvação e não em função do próprio trabalho. As pastorais e os movimentos existem para alcançar esse objetivo. Por isso, a seguinte pergunta permanece como um alerta: Se Jesus coloca o ser humano como o centro de sua atividade, qual é o lugar do homem, das pessoas nas nossas atividades pastorais e profissionais? “Quero a misericórdia e não o sacrifício”. A Bíblia não é o simples código de normas culturais ou morais e sim a história da “louca paixão” de Deus pelo homem (cf. Jo 3,16), de sua ternura que se espalha sobre todas as criaturas (Sl 145,9). Tudo aquilo que existe na natureza e na história tem somente um “porquê”: a misericórdia eterna de Deus. A norma fundamental: “sede santos, porque Eu sou santo(Lv 11,44), é traduzida por Jesus: “Sede misericordiosos como o Pai(Lc 6,36), perfeitos na misericórdia (Mt 5,45-48).

P.Vitus Gustama, SVD

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Bem-Aventurada Virgem Maria Do Monte Carmelo, 16/07/2026

BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA DO MONTE CARMELO

16 de Julho

Primeira Leitura: Zc 2,14-17

14 “Rejubila, alegra-te, cidade de Sião, eis que venho para habitar no meio de ti, diz o Senhor. 15 Muitas nações se aproximarão do Senhor, naquele dia, e serão o seu povo. Habitarei no meio de ti, e saberás que o Senhor dos exércitos me enviou a ti. 16 O Senhor entrará em posse de Judá, como sua porção na terra santa, e escolherá de novo Jerusalém. 17 Emudeça todo mortal diante do Senhor, ele acaba de levantar-se de sua santa habitação”.

Evangelho: Mt 12, 45-50

Naquele tempo, 46 enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. 47 Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo”. 48 Jesus perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” 49 E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. 50 Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

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AVE MARIA

 

“O céu se alegra e a terra sorri, quando o coração diz: Ave Maria.

Satanás foge para longe e todo o inferno estremece, quando o coração diz: Ave Maria.

O mundo parece pequeno e a carne vibra, quando o coração diz: Ave Maria.

A tristeza foge, a alegria sorri, quando o coração diz: Ave Maria.

A tibieza desparece e o amor reaparece, quando o coração diz: Ave Maria.

A devoção aumenta e a compunção nasce, quando o coração diz: Ave Maria.

A esperança jorra e o consolo cresce, quando o coração diz: Ave Maria.

A alma inteira revive e o amor se enternece, quando o coração diz: Ave Maria.

Eu dobro os joelhos diante de vós, ó Maria, ó Virgem, ó Mãe repleta de suavidade, e vos digo e repito com reverência e devoção: Ave Maria, Ave! Recebei esta piedosa saudação e com ela recebei-me, ó Mãe, em vosso regaço”. 

(Tomás de Kempis In A Imitação Da Bem-Aventurada Virgem Maria, Ed. Vozes, 2024, Petrópolis, RJ pp.22-23)

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Nossa Senhora Do Carmelo

O Monte Carmelo é o Monte de Maria. Parece que Deus tinha uma predileção por proclamar seus pronunciamentos do alto de montanhas: Sinai, Tabor, Monte das Bem-aventuranças, Gólgota...

A festa litúrgica deste dia, estendida a toda a Igreja em 1726 por Sua Santidade Bento XIII, comemora a narrativa bíblica que entrelaça Elias, o Monte Carmelo e Maria.

O povo de Israel havia pecado novamente. Deus enviou Elias para puni-los. Este profeta, em cujo coração e em cujos lábios ardia o fogo da adoração ao verdadeiro Deus, ao Deus único fechou os céus com o poder de sua oração. Durante três anos e meio, nenhuma gota de chuva caiu sobre a terra. Arrependido, Elias retornou para interceder por eles, e o Senhor ouviu sua oração. Elias subiu ao cume do Monte Carmelo. Prostrou-se no chão e orou fervorosamente. Ordenou ao seu servo que olhasse para o mar. O servo subiu e olhou. Não havia nada. Subiu sete vezes. O sétimo versículo diz: "Uma pequena nuvem, do tamanho da mão de um homem, apareceu subindo do mar... E em pouco tempo o céu se cobriu de nuvens e vento, e caiu uma grande chuva."

Alguns autores, especialmente a partir do século XIV, viram nessa pequena nuvem, em figuras ou tipos bíblicos, a Virgem Imaculada, “mediadora” universal. A Igreja aceitou essa interpretação em sua liturgia.

A interpretação simbólica da pequena nuvem, que é simplesmente uma bela imagem representando a humilde e pura Virgem Maria como “Medianeira” universal de todas as graças por meio de sua divina maternidade, contribuiu para a profunda devoção mariana que permeia a história, a liturgia e a espiritualidade do Carmelo desde suas origens.

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Celebramos neste dia (16 de julho) a festa de Nossa Senhora do Carmo (Carmelo). “Karmel”, em hebraico significa “Jardim”. Esta festa nos traslada espontaneamente para a terra da Bíblia, para o monte Carmelo (cf. Is 35,2; Ct 7,6; Am 1,2). O Carmelo sempre foi um monte sagrado. No século IX antes de Cristo, o profeta Elias converteu esse lugar no refúgio da fidelidade ao Deus único (monoteísmo) e no lugar dos encontros entre o Senhor e seu povo (cf. 1Rs 18,39). Durante as Cruzadas, os ermitãos cristãos se recolheram nas grutas daquele monte emblemático, até que no século XIII formaram uma família religiosa à qual o patriarca Alberto de Jerusalém deu uma regra em 1209, confirmada pelo Papa Honório III (1216-1227) em 30 de Janeiro de 1226. O mesmo Papa também confirmou o reconhecimento de outras ordens: os dominicanos (22 de dezembro de 1216) e os franciscanos (29 de dezembro de 1223).

O Monte Carmelo está situado na planície de Galileia, perto de Nazaré, onde viveu Maria, a Mãe do Senhor que conservava tudo em seu coração (cf. Lc 2,51). Por isso, a Ordem do Carmelo se põe desde suas origens sob a proteção da Mãe dos contemplativos. Do Carmelo receberá São João da Cruz a inspiração para fazer de sua subida, o Monte da Perfeição Evangelica, Monte repleto de paz e doçura e de santidade. É natural que no século XVI, os dois doutores da Igreja e reformadores da Ordem, Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz converteram o Monte Carmelo no sinal do caminho para Deus.

Desde aqueles ermitãos que se estabeleceram no monte Carmelo, os carmelitas se distinguiram por sua profunda devoção à Santíssima Virgem Maria.

Quando Palestina foi invadida pelos sarracenos (árabes), os Carmelitas tiveram que abandonar o Monte Carmelo. Enquanto cantavam o cântico Salve apareceu lhes a Virgem Maria e lhes prometeu que seria sua Estrela do Mar, pela analogia da beleza do Monte Carmelo que se alça como uma estrela junto ao mar Mediterrâneo. A ordem se difundiu pela Europa, e a Estrela do Mar lhe acompanhou e a Ordem foi se propagando pelo mundo e eram chamados de “Irmãos de Nossa Senhora do Monte Carmelo”. Em sua profissão religiosa se consagravam a Deus e a Maria, e tomavam o habito em sua honra, como lembrança (aviso) de que suas vidas pertencem a ela, e por ela a Cristo. A busca da sabedoria, a escuta da Palavra de Deus e o cumprimento da vontade de Deus são temas que iluminam o sentido mais verdadeiro da devoção à Virgem do Carmelo segundo a mais pura e genuína tradição da Ordem do Carmelo.

Simon Stock, nomeado superior da Ordem dos Carmelitas (1245), compreendeu que sem a intervenção da Virgem Maria, a Ordem teria vida curta. Recorreu a Maria a qual chamou de “Flor do Carmelo” e “Estrela do Mar” e pus a Ordem sob seu amparo, suplicando-lhe sua proteção para toda a comunidade. Na resposta à sua oração, no dia 16 de Julho de 1251 apareceu-lhe a Virgem Maria (em Cambridge na Inglaterra) e deu-lhe o escapulário para a Ordem com a seguinte promessa: “Este deve ser um sinal e privilégio para ti e para todos os Carmelitas: quem morre com o escapulário não sofrerá o fogo eterno”.

Nós nos comunicamos por símbolos, bandeiras, emblemas, escudos e uniformes que nos identificam. As comunidades religiosas levam seu habito ou outro sinal ou símbolo como sinal de sua consagração a Deus. Os leigos que desejam associar-se aos religiosos no caminho da santidade podem usar escapulários, miniatura de habito, com rosário e a medalha milagrosa. São Afonso Ligório disse: “Os homens se orgulham quando os outros usam sua uniforme, e a Virgem está satisfeita quando seus servidores usam seu escapulário como prova de que se dedicaram a seu serviço, e são membros da família da Mãe de Deus”. O escapulário foi instituído pela Igreja como sacramental e sinal que nos ajuda a viver santamente e a aumentar nossa devoção e que propicia a renúncia ao pecado.

Por isso, é preciso que estejamos conscientes de que o escapulário de Nossa Senhora do Carmo, como qualquer outro, não é um objeto para uma proteção mágica (um amuleto); nem uma garantia automática de salvação; nem uma dispensa para não ouvir as exigências da vida cristã. O escapulário é um sinal “forte” aprovado pela Igreja desde séculos que representa nosso compromisso de seguir a Jesus como Maria: abertos a Deus e a sua vontade, guiados pela fé, pela esperança e pelo amor, ser próximos dos necessitados, orando constantemente e descobrindo Deus presente em todas as circunstâncias, ser um sinal que alimenta a esperança do encontro com Deus na vida eterna.

Quem usa o escapulário deve estar consciente de sua consagração a Deus e à Virgem Maria e ser consciente em seus pensamentos, palavras e obras. Maria, a Mãe do Senhor foi a primeira discípula de Jesus Cristo, pois ela viveu segundo a Palavra de Deus: “Eis me aqui a Serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua Palavra” (Lc 1,38). Para são João da Cruz a Virgem Maria foi sempre dócil aos impulsos do Espírito Santo, pois “jamais teve impressa na alma forma de alguma criatura, nem se moveu por ela; mas sempre agiu sob a moção do Espírito Santo” (III Subida 2,10). E para Santa Teresa de Jesus Maria “estava sempre firme na fé” (VI Moradas 7,14), cheia de “tão grande fé e sabedoria” que sempre aceitou em sua vida os caminhos de Deus, escutando humildemente a Palavra (cf. Conceitos do Amor de Deus 6,7).

Mensagem Do Evangelho

O evangelho lido neste dia é escolhido em função da festa de Nossa Senhora do Carmo. No episódio do Evangelho de hoje é revelada a passagem da fraternidade-familiaridade puramente natural para a espiritual que Maria vive já, pois ela é Aquela que afirma: “Eis aqui a Serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua Palavra” (Lc 1,38).

Maria é a mãe de Jesus por causa do seu “sim” total e absoluto, dado um dia à Palavra de Deus. “Faça-se em mim segundo a Tua Palavra(Lc 1,37). Maria guarda cada Palavra e a medita em seu coração (Lc 2,19). Ela leva a Palavra a Isabel, e seu anúncio é tão rico que transborda em um cântico chamado “Magnificat” (Lc 1,46-55). Maria é o coração bom que retém para irradiar a Palavra de Deus e produz fruto com constância. Maria foi um “sim” à Luz e deu a luz a Luz do mundo (Jo 8,12). Maria escuta a Palavra de Deus, medita-a e vive de acordo com esta Palavra. Pela escuta e vivência da Palavra Maria se torna de Deus e do Povo de Deus.

Não é por acaso que na passagem do evangelho de hoje Jesus pergunta e afirma: “Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos. Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe (Mt 12,50). A pergunta não significa um desprezo de Jesus aos seus parentes ou familiares. Ninguém amou Sua mãe melhor que Ele. E nenhuma mãe amou melhor seu Filho, Jesus Cristo, Deus-Conosco do que a própria Maria, a mãe de Jesus. Com esta pergunta Jesus quer nos revelar algo muito importante: o discípulo, cada cristão, cada cristã que vive os ensinamentos de Jesus é um parente de Jesus. Jesus oferece aos homens a qualitativa intimidade de sua família. A família humana de Jesus viveu conforme a vontade de Deus: José que criou Jesus era chamado de “o justo”, aquele que vive segundo os mandamentos de Deus (cf. Mt 1,19). Maria, a Mãe de Jesus foi chamada pelo anjo de “cheia de graça” (cf. Lc 1,28) e ela viveu a vida conforme a vontade de Deus: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua palavra(Lc 1,38).  Por isso, a família humana de Jesus serve de exemplo para todas as famílias humanas. Que é possível formar uma família de Deus nesta terra quando Jesus se torna o centro de todos e quando todos vivem de acordo com a Palavra de Deus. A única maneira de salvar a família humana é transformá-la em família de Deus, família que vive de acordo com os mandamentos de Deus.

Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos. Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Trata-se de uma família ou uma comunidade de Deus, e por isso, de uma comunidade de salvação. A pergunta não significa um desprezo de Jesus aos seus parentes ou familiares. Ninguém amou Sua mãe melhor do que o próprio Jesus. E nenhuma mãe amou melhor seu Filho, Jesus, do que a própria Maria. Jesus oferece aos homens a qualitativa intimidade de sua família. A família humana de Jesus viveu conforme a vontade de Deus: José que criou Jesus era chamado de “o justo”, aquele que vive segundo os mandamentos de Deus (cf. Mt 1,19). Maria, a Mãe de Jesus foi chamada pelo anjo do Senhor de “cheia de graça” (cf. Lc 1,28) e “Bendita entre as mulheres” e a “Mãe do meu Senhor” por Isabel (Lc 1,42-43).

Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe, disse Jesus. A nova família formada por Jesus supera as medidas da família natural por causa da vivência da Palavra de Deus. Maria, a Serva (Lc 1,38), a discípula que se entrega por completo a fim de que se cumpra a vontade de Deus é o grande exemplo desta comunhão familiar com Jesus através do vínculo da Palavra divina escutada e vivida. O ciristão gera em si mesmo Jesus mediante o cumprimento da Palavra de Deus. Os frutos da participação no Reino anunciado por Jesus são: a fraternidade, a maternidade, comunhão de todos na mesma fé, na mesma esperança e no mesmo amor.

Maria concebeu Jesus antes com a fé que em seu seio virginal. Maria acreditou e logo foi mãe. Todos nós, cristãos, temos algo de filhos gerados no amor e algo de mães e irmãos gerados na fé que nos faz filhos no Filho de Deus, Jesus Cristo. Vivamos como Maria: creiamos em Cristo, vivamos com Ele e n’Ele, e assim contribuiremos a gerar filhos para Deus.

A Virgem Maria, Nossa Senhora do Carmo, nos ensina a vivermos abertos diante de Deus e de Sua vontade, manifestada nos acontecimentos da vida; a escutarmos a voz ou a Palavra de Deus na Bíblia e na vida, para meditá-la, pondo depois em prática as exigências desta voz; a orarmos fielmente sentindo Deus presente em todos os acontecimentos; a vivermos próximos de nossos irmãos e a sermos solidários com eles em suas necessidades. A Mãe do Senhor e nossa mãe (cf. Jo 19,26-27) jamais nos abandona, pois somos seus filhos no seu Filho Jesus Cristo. Nenhuma mãe normal é capaz de abandonar seu filho. Imagine a Mãe do Senhor! “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte. Amém!”.

P. Vitus Gustama, SVD

Quarta-feira Da XV Semana Comum, Ano Par, 15/07/2026

DEUS SE REVELA AOS  SIMPLES E HUMILDES E LHES DÁ SUA FORÇA

V Semana Comum

Primeira Leitura: Is 10,5-7.13-16

Assim fala o Senhor: 5 “Ai de Assur, vara de minha cólera, bastão em minhas mãos, instrumento de minha indignação! 6 Eu o envio contra uma nação ímpia e ordeno-lhe, contra um povo que me excita à ira, que o submeta à pilhagem e ao saque, que o calque aos pés como lama nas ruas. 7 Mas ele assim não pensava, seu propósito não era esse; pelo contrário, sua intenção era esmagar e exterminar não poucas nações. 13 Pois diz o rei da Assíria: ‘Realizei isso pela força de minha mão e com minha sagacidade, pois tenho experiência; aboli as fronteiras dos povos, saqueei seus tesouros, e derrubei de golpe os ocupantes de altos postos; 14 minha mão espalmou como um ninho a riqueza dos povos; e como se apanha uma ninhada de ovos, assim ajuntei eu os povos da terra, e não houve quem batesse asa ou abrisse o bico e desse um pio’. 15 Mas acaso gloria-se o machado, em detrimento do lenhador que com ele corta? Ou se exalta a serra contra o serrador que a maneja? Como se a vara movesse quem a levanta e um bastão erguesse aquele que não é madeira. 16 Por isso, enviará o Dominador, Senhor dos exércitos, contra aqueles fortes guerreiros o raquitismo; e abalará sua glória com convulsões que queimam como fogo”.

Evangelho: Mt 11,25-27

25 Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27 Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.

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É Preciso Se Submeter Ao Poder De Deus Que Não Destrói, Mas Salva

Ai de Assur, vara de minha cólera, bastão em minhas mãos, instrumento de minha indignação! Eu o envio contra uma nação ímpia e ordeno-lhe, contra um povo que me excita à ira, que o submeta à pilhagem e ao saque, que o calque aos pés como lama nas ruas”, assim é o oráculo do Senhor através da boca do profeta Isaías.

No texto da Primeira Leitura, o profeta Isaías fala da falta da compreensão por parte do povo sobre o desígnio de Deus. Em vez de ser fiel à Aliança estabelecida por Deus, o povo eleito substitui a Aliança divina pela busca do poder no império de Assíria, com planos criminais e imperialistas de dominação.

Uma das ideias básicas do profeta Isaías e dos profetas do AT é que Deus é quem conduz a história a seu modo, e não os que, à primeira vista, parecem ser os protagonistas ou poderosos.

Hoje lemos as palavras cheias de críticas do profeta Isaias contra o assírio Senaquerib que com seus exércitos chega a crer todo-poderoso. E Deus se serve destes personagens estrangeiros para purificar e fazer amadurecer seu povo, Israel. Para Deus Assíria e seus exércitos são “a vara de minha ira”, a vara com que Deus castiga o filho (Israel) rebelde. E mais tarde, Deus se servirá de Ciro para facilitar a volta de seu povo do exílio de Babilônia para Israel.

O que Deus não permite é que estes “instrumentos” (Assíria, Babilônia ect.) se creiam independentes e se orgulhem de seu poder. As comparações são muito expressivas: “Acaso gloria-se o machado, em detrimento do lenhador que com ele corta? Ou se exalta a serra contra o serrador que a maneja? Como se a vara movesse quem a levanta e um bastão erguesse aquele que não é madeira”, assim disse Deus pela boca do profeta Isaías. Assíria que exerce sua missão de castigar o povo de Israel, receberá, por sua sua vez, o castigo pela sua arrogância. Notamos que a arrogância faz parte da ignorância, pois o arrogante sempre se crê poderoso e sempre se crê com razão. Mas infelizmente, os arrogantes também envelhecem e morrem e experimentam a destruição.

Sabemos muito bem também que o poder mundano necessita destruir os outros (rivais ou inimigos) para se afirmar mais. Mas o poder é irônico, pois Não há poder que não seja humano. É por isso que o poder é tão irritante, quando é o dos outros, e tão delicioso, quando é nosso” (André Comte-Sponville).

O poder, a prepotência  e a ignorância estão de mãos dadas: “Realizei isso pela força de minha mão e com minha sagacidade, pois tenho experiência; aboli as fronteiras dos povos, saqueei seus tesouros, e derrubei de golpe os ocupantes de altos postos; minha mão espalmou como um ninho a riqueza dos povos; e como se apanha uma ninhada de ovos, assim ajuntei eu os povos da terra, e não houve quem batesse asa ou abrisse o bico e desse um pio”, assim disse o rei da Assíria.

O arrogante é aquele que tem um excesso de confiança em si mesmo, no que diz, no que faz, nas decisões que toma. Para o arrogante, tudo que faz é perfeito; ele é perfeito; ele é Deus e faz tudo certo. Nada nem ninguém podem falar algo contra. O excesso de confiança não dá margem para melhorar. Soberbo, vaidoso exageradamente, arrogante, presunçoso, endeusado, imodesto, pedante, petulante, narcisista, autossuficiente são sinônimos de uma mesma palavra: arrogante/orgulhoso/prepotente. Quando fala dos outros, o arrogante o faz com o desprezo. A prepotência ou a arrogância é o pai de todos os vícios. A arrogância faz parte da vida de pessoas desequilibradas. O arrogante termina, em muitas ocasiões, humilhado.

Em uma pessoa de inteligência equilibrada não há abrigo para a arrogância, pois se submete à constatação da verdade. Uma pessoa de inteligência equilibrada reconhece suas próprias limitações que a torna humilde, e a humildade a faz aprender mais e por isso, ela cresce cada vez mais. A partir do momento em que somos capazes de romper com o excesso de confiança em nós mesmos (o contrário do arrogante) e estamos prontos para sair da estagnação, teremos clareza para focar nos novos objetivos e conquistar cada um dos sonhos. Pessoa simples e humilde conta com Deus e com suas capacidades conjuntamente.

Somos Chamados a Ser Pequeninos Para Que Deus Se Revele a Nós

Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos”.

Para entender o sentido do texto lido neste dia é preciso ler o texto precedente no qual Jesus condena as cidades da Galiléia (cf. Mt 11,20-24). Por esta razão, para manter a continuação do narrativo Mateus usa a expressão “Por esse tempo”, “en ekeinoi toi kairõi (Mt 11,20). Mateus emprega neste texto o termo “kairós que aqui significa mais do que simplesmente “tempo”. É um tempo determinado, oportuno e decisivo. É o tempo de Deus. É o tempo da graça. É o tempo da salvação. Por isso, a conotação escatológica é bem clara neste texto.                 

No texto precedente Jesus dirige sua condenação às três cidades: Corazim, Betsaida e Cafarnaum, que são sede de escolas rabínicas e, por conseguinte, centros de cultura religiosa. Por ser centros de cultura religiosa, seus membros se enchem de autossuficiência e orgulho que lhes impedem de descobrir as ações divinas que se realizam por meio das obras de Jesus. Santo Agostinho perguntava retoricamente: “Se tu estás preocupado com tua própria glória, como poderás interessar-te seriamente pelo bem dos demais?” (In ps. 37,8). Os sábios e os entendidos são, neste contexto, todos aqueles que com sua atitude irresponsável não são capazes de aceitar as intervenções de Deus na história. Sua soberba lhes impede de aceitar e de perceber a manifestação divina. “A alma do soberbo está cheia, mas de ar(Sto. Agostinho In ps. 39,28). Por isso, o mesmo Santo Agostinho deu o seguinte conselho: “Para tu alcançares as alturas necessitas de uma escada. Para alcançares a altura da grandeza, usa a escada da humildade(Serm. 96,3). E "Quanto mais humildes, maiores" (In ps. 146,16)                 

Mesmo assim, Deus, apresentado como “Senhor do céu e da terra” continua sua obra criadora na história. Se Deus é apresentado como “Senhor do céu e da terra”, isto significa que não há outro “senhor” que seja maior do que Deus. Todos os demais são criaturas, simplesmente. O poder humano é temporário. A sabedoria humana é limitada. Quem estiver em sintonia com o Espírito de Deus, captará a presença de Deus nesta vida ou na história. O desígnio de Deus (do Pai) encontra sua realização em outros sujeitos que são classificados como “gente simples”.                   

No texto do evangelho de hoje Jesus louva a Deus em uma oração de ação de graças: “Eu Te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra...”. É uma oração de ação de graças. É um louvor. O coração de Jesus transborda de agradecimento ao Pai.                 

O louvor se refere principalmente a Deus. Um cristão é vivo quando ergue o olhar para algo maior do que qualquer criatura, e o louva. Ao louvar a Deus, o homem olha tudo além de si mesmo. O homem louva porque percebeu sua vida e seu sentido e a beleza do mundo a partir de Deus, e louva a Deus por tudo de bom que existe. O louvor é sinal de uma alma saudável e sempre faz bem para a alma. O louvor relativiza os problemas cotidianos. O homem que louva sempre ganha nova força para superar os problemas diários. O louvor é uma maneira de ver o mundo sob a nova luz que é a luz de Deus. quem vive louvando a Deus vive feliz e sereno.                     

Somente quando estivermos serenos é que percebemos a beleza da vida. A serenidade é a expressão da tranquilidade vivida com gratidão por nos sentirmos amparados por Deus e em Deus. A serenidade oferece e garante a justa perspectiva das coisas. Diante da glória e da bondade do Deus misericordioso qualquer sofrimento ou dificuldade perde o seu caráter ameaçador. 

Jesus louva a Deus com o seguinte motivo: “... porque escondestes estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos(Mt 11,25).Estas coisas” das quais o texto fala se referem às obras messiânicas de Jesus das quais o capítulo inteiro fala por ocasião da pergunta dos enviados de João Batista (cf. Mt 11,2-6).

Os pequeninos dos quais Jesus fala são os que se sabem necessitados e limitados. Esta é a razão pela qual eles abrem seu coração à misericórdia divina. Sempre necessitamos ser amados por Deus e pelos homens, pois somente o amor é que nos faz crescer e chegar à maturidade como pessoa. A simplicidade e a humildade são a porta de entrada ao conhecimento de Deus. Se não fizermos este primeiro passo, avançaremos na direção da falsidade e ficaremos cheios de vangloria. As pessoas simples, as de coração humilde, são as que sabem entender os sinais da proximidade de Deus. Elas têm um coração sem demasiadas complicações. Os humildes têm um coração limpo e simples que lhes permite ver tudo com os olhos de Deus. É a pureza de coração, a ausência de todo interesse distorcido que nos permite discernirmos as coisas de Deus na nossa vida e na história. Jesus chama bem-aventurados os que têm o coração puro: Bem-aventurados os puros do coração, porque verão a Deus (Mt 5,8).                

O simples não se louva nem se despreza. Ele é o que é, sem desvios, sem afetação, faz o que faz, mas não vê nisso matéria para discursos ou para comentários. É a vida sem mentiras, sem exagero, sem grandiloquência. Ele acolhe o que vem, sem nada guardar como coisa sua. Ele ocupa-se do real, não de si. Por isso, a vida de um simples é leve.         

Deus quer que os homens não se ocupem de si mesmos para que ele possa ter espaço neles para Sua graça, pois aquele que se enche de si não sobra espaço nem para Deus nem para os outros. Em outras palavras, que os homens voltem a ser simples.          

Deus se revela certamente àquele que se despoja de si mesmo e de tudo, ao simples, àquele que vive segundo o Espírito, àquele que tem um olhar e o coração limpos. O coração limpo e a ausência de todo interesse torcido permitem o simples discernir a ação de Deus na história. Os simples são os que, ao se esvaziarem de si mesmos, se abrem a Cristo e aos irmãos. Por isso, eles são preferidos de Deus. A atitude dos simples é, portanto, a alternativa diante da obstinada petulância dos soberbos.  Não é por acaso que Mahatma Gandhi dizia: “Como Deus se encontra mais freqüentemente entre suas criaturas mais humildes do que entre os poderosos, esforço-me por me colocar no nível das primeiras- o que só se pode fazer colocando-se a seu serviço. Daí minha paixão pelo serviço das classes oprimidas. Servir é a minha religião. Não me inquieto com o futuro”.

Eu Te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra porque escondestes estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos”. Que esta oração de Jesus seja um grande motivo para voltarmos a viver no louvor e na simplicidade, pois uma vida de louvor a Deus e uma vida vivida na simplicidade é uma vida leve, alegre, animada e cheia de esperança.

P.Vitus Gustama, SVD

Sábado Da XV Semana Comum, Ano Par, 18/07/2029

JESUS É O AMOR ENCARNADO DE DEUS PARA SALVAR A HUMANIDADE Sábado da XV Semana Comum Primeira Leitura: Mq 2,1-5 1 “ Ai dos que tramam a...