terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

12/02/2026- Quinta-feira Da V Semana Do TComum

É PRECISO TER E MANTER A FÉ NO DEUS ÚNICO PARA NOSSA SALVAÇÃO

Quinta-Feira Da V Semana Comum

Primeira Leitura: 1Rs 11,4-13

4 Quando Salomão ficou velho, suas mulheres desviaram o seu coração para outros deuses e seu coração já não pertencia inteiramente ao Senhor, seu Deus, como o do seu pai Davi. 5 Salomão prestou culto a Astarte, deusa dos sidônios, e a Melcom, ídolo dos amonitas. 6 Ele fez o que desagrada ao Senhor e não lhe foi inteiramente fiel, como seu pai Davi. 7 Foi então que Salomão construiu um santuário para Camos, ídolo de Moab, no monte que está defronte de Jerusalém, e para Melcom, ídolo dos amonitas. 8 Fez o mesmo para todas as suas mulheres estrangeiras, as quais queimavam incenso e ofereciam sacrifícios aos seus deuses. 9 Então o Senhor irritou-se contra Salomão, porque o seu coração tinha-se desviado do Senhor, Deus de Israel, que lhe tinha aparecido duas vezes 10 e lhe proibira expressamente seguir a outros deuses. Mas ele não obedeceu à ordem do Senhor. 11 E o Senhor disse a Salomão: “Já que procedeste assim, e não guardaste a minha aliança, nem as leis que te prescrevi, vou tirar-te o reino e dá-lo a um teu servo. 12 Mas, por amor de teu pai Davi, não o farei durante a tua vida; é da mão de teu filho que o arrebatarei. 13 Não te tirarei o reino todo, mas deixarei ao teu filho uma tribo, por consideração para com meu servo Davi e para com Jerusalém, que escolhi”.

Evangelho: Mc 7,24-30

Naquele tempo, 24 Jesus saiu e foi para a região de Tiro e Sidônia. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava. Mas não conseguiu ficar escondido.25 Uma mulher, que tinha uma filha com um espírito impuro, ouviu falar de Jesus. Foi até ele e caiu a seus pés. 26 A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. 27 Jesus disse: “Deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”.28 A mulher respondeu: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que as crianças deixam cair”.29 Então Jesus disse: “Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu de tua filha”. 30 Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela.

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É Preciso Ser Fiel Ao Único Deus Criador Do Céu e Da Terra

Já que procedeste assim, e não guardaste a minha aliança, nem as leis que te prescrevi, vou tirar-te o reino e dá-lo a um teu servo. Mas, por amor de teu pai Davi, não o farei durante a tua vida; é da mão de teu filho que o arrebatarei. Não te tirarei o reino todo, mas deixarei ao teu filho uma tribo, por consideração para com meu servo Davi e para com Jerusalém, que escolhi”, disse Deus a Salomão infiel.

O reino de Salomão escureceu no final. Ele tinha problemas políticos e econômicos, e dificuldades dentro e fora de suas fronteiras. A divisão que em breve ocorreria entre os reinos do Norte e do Sul já estava sendo apontada. O autor do livro não hesita em atribuir essa decadência ao pecado em que Solomão caiu.

Na sua velhice Salomão se mostrou infiel aos mandamentos de Deus, principalmente o primeiro mandamento do Decálogo. Ele começou a ter uma coração desviado. Desviar o coração significa em Salomão, dar culto a outros deuses.

Por que aconteceu tudo isso? As alianças com outros povos se concretizaram por infinidade de matrimônios do rei Salomão com mulheres estrangeiras, que exigindo ter lugares onde dar culto a seus deuses. As mulheres estrangeiras obrigaram Salomão a construir os santuários onde poder continuar com seus cultos idolátricos. E o coração do rei Salomão se desviou também para esse culto. O pecado do rei Salomão é a idolatria.

Idolatria é a adoração a ídolos que implica em tudo aquilo que se coloca no lugar da adoração a Deus. Essa palavra é uma transliteração do termo grego eidololatria, que é formado por duas palavras: eidolon e latreia. A primeira palavra, eidolon, significa “imagem” ou “corpo”, no sentido de representação da forma de algo ou alguém, seja imaginário ou real. Essa palavra deriva do grego eido, que significa “ver”, “perceber com os olhos”, “conhecer” ou “saber a respeito”, sobretudo transmitindo a ideia de “olhar para algo” e “saber por ver”. A segunda palavra é latreia, e significa “serviço sagrado” no sentido de “prestar culto” ou “adorar”. Quando unimos esses conceitos, podemos entender o significado da palavra idolatria. Assim, a idolatria implica no culto ou adoração a algo ou alguém, tanto material como imaterial, real ou imaginário, que caracteriza a atribuição de honra a falsos deuses, sobretudo pela materialização de tais objetos de adoração em produtos fabricados pelo próprio homem.

Vivemos em uma sociedade completamente contaminada por práticas idólatras. As pessoas elegem como deus qualquer coisa que lhes satisfaça. Diante disso, muita gente se pergunta se é possível se abster completamente das práticas idólatras, num tempo em que até mesmo o próprio estilo de vida é cultuado.

A Bíblia não é senão um processo de descobrimento do rosto de Deus, mas para isso a pedagogia  que usa com frequência é ir esclarecendo o que não é Deus. Segundo a mensagem bíblica, o relacionamento de Deus é, fundamentalmente, a negação dos ídolos. O oposto à fé em Deus, na Bíblia, não é o ateísmo e sim a idolatria. Por isso, a luta contra a idolatria é o tema principal que recorre o Antigo Testamento e está sempre presente no pano de fundo do Novo testamento. A história de salvação, falando biblicamente, não é outra coisa que um desapegar-se dos ídolos: desde Abraão à Igreja de nossos dias; e a tarefa do crente é “não ir atrás do vazio” (Jr 2,5) e “guardar-se dos ídolos” (1Jo 5,21) para servir ao único Deus vivente.

Salomão se esqueceu do primeiro mandamento do Decálogo: “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20,3). Por isso, Deus se encoleriza contra Salomão e lhe anuncia o castigo que seguirá por sua infidelidade. Notemos que o Mandamento não impugna a existência e o poder de outros deuses; ao contrário: conta com eles. Mas sua razão de ser é justamente a preocupação de que Israel volte a se entregar à idolatria diante da liberdade que foi conquistada (saída do Egito e de suas idolatrias para a terra de liberdade).

Jamais podemos fazer alianças com os poderosos mundanos, nem com os malvados sob pena de estar presos em seus males e desvios. Há muitos que, para não perder a amizade ou o apoio dos poderosos deste mundo, buscam razões para justificar o seu mal. Finalmente, eles não estão mais a serviço de Deus, mas dos poderosos. Se somos pessoas consagradas ao Senhor, devemos ser um sinal profético para ajudar os outros na vivência de sua dignidade de filhos e filhas de Deus.

O que significa para você a afirmação da Primeira Leitura: “O coração de Salomão já não pertencia inteiramente ao Senhor, seu Deus”? Será seu coração pertence inteiramente ao Senhor? Qual prova de que seu coração pertence completamente ao Senhor?

Em segundo lugar, é bom lançarmos outras perguntas para aprofundar mais nossa reflexão: Que deuses estranhos aos quais adoramos? Quais são deuses que você adora, mas que no fim de sua vida eles vao deixar você na solidão mortal? Quais são altares construímos para esses deuses em vez de adorar e seguir ao único Deus, Criador do céu e do universo? Em nosso caso não será a multidão de mulheres ou os templos para deuses falsos e sim pode ser o dinheiro ou o desejo de poder ou a ambição ou o pouco controle da sensualidade ou o apego desncontrolado ao dinheiro e assim por diante. São coisas que nos afastam de nosso seguimento de Cristo e de Deus. São coisas que nos leva a dividirmos coração entre o amor a Deus e o amor a esses deuses falsos.

Parecia impossível pensar que Salomão que tinha iniciado seu reinado pedindo humildemente a Deus que lhe concedesse a sabedoria e que construíu o Templo em honra a Javé, poderia cair logo em idolatria e construir templos para outros deuses. Também podemos cair na nossa vida por causa das pequenas coisas não pensadas ou por causa das grandes coisas. Ninguém está seguro. Podemos chegar a negar Cristo como Simão Pedro. É preciso estar em dia nossas orações e nosso exame de consciência para que não caiamos facilmente diante de qualquer tentação.

É Preciso Manter Uma Fé Firme Mesmo Que As Circunstâncias Sejam Impossíveis

Jesus saiu e foi para a região de Tiro e Sidônia...”

Desta vez Marcos nos relata que Jesus deixou a terra de Israel, terra santa e vai a uma terra pagã, considerada sempre “impura” por Israel. Mas para o Senhor nenhuma terra é impura, pois tudo é obra de Suas mãos. Quando criou o universo “Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31). É o homem, com sua maldade que contamina e profana a obra de Deus.

Jesus entrou numa casa (na região de Tiro e Sidônia) e não queria que ninguém soubesse onde ele estava” (Mc 7,24).

Jesus não busca as ações brilhantes exibicionistas. Ele é sempre o Messias discreto. Deus faz as coisas silenciosamente sem muito barulho. Deus se faz presente quando o homem cria o silêncio. Ele não faz barulho nem busca fazê-lo. Deus está “no murmúrio de uma brisa ligeira” (cf. 1Rs 19,21b). Todas as grandes obras sempre foram e são frutos de um silêncio. Coisas vazias sempre fazem barulhos e o barulho sempre faz mal para a vida. Muitas vezes acontece que as palavras dizem tão pouco. Apenas fazem ruído. Somente no silêncio e na solidão é que podemos escutar o essencial. Não há progresso ou crescimento sem reflexão e silêncio. Por isso, o silêncio e a reflexão se tornam o maior luxo para qualquer lugar e época. A verdadeira ação, na verdade, procede dos momentos de silêncio. O silêncio é a plenitude de vida.

“Uma mulher, que tinha uma filha com um espírito impuro, ouviu falar de Jesus”. Nada sabemos a respeito dessa mulhre: o nome dela, a sua história anterior, a maneira como foi levada a procurar o Senhor Jesus. Sem dúvida nenhuma, a mulher que veio ao Senhor Jesus estava passando por uma profunda aflição.

Precisamente, o grandioso do relato do evangelho deste dia é a forma como uma mulher pagã é colocada como modelo de fé entendida no seu sentido mais genuíno e original. Ela se abandona nos braços d’Aquele que vem da parte de Deus e se declara fraca e limitada humanamente diante do problema que afeta a vida de sua filha e conseqüentemente afeta também sua vida como mãe. A tristeza da filha é a tristeza dobrada para a mãe. O sucesso da filha é o sucesso dobrado para a mãe. A mãe reconhece a superioridade e poder de Jesus, mostrando ao mesmo tempo a gravidade do problema de sua filha. O problema de sua filha é insustentável. Na sua declaração essa mulher quer dizer a Jesus: “Sem sua ajuda, Jesus, sem seu poder, é impossível eu sair do meu problema!”. Aquela filha doente não proferiu uma única palavra; mas a sua mãe falou por ela ao Senhor. Por mais desesperador e irremediável que parecesse o caso daquela filha, ela contava com uma mãe que orava. E onde houver uma mãe que ore, aí haverá sempre esperança.

Essa mulher era uma Cananéia, uma pagã, uma estrangeira. Isto quer dizer que se trata de um ser impuro que faz os outros impuros. Mas não para Jesus, pois Ele que é o Santo de Deus (Mc 1,24) não pode fazer-se impuro e sim somente para purificar como fez com o leproso e com os pecadores, com os arrecadadores de impostos (publicanos), com a mulher de hemorragia e com os endemoniados. Agora Jesus está em contato com uma mulher duplamente impura: é uma pagã e mora em terra pagã com uma filha possuída pelo demônio. No entanto ela está ali aos pés de Jesus e lhe suplica que tire de sua filha o demônio.

Jesus não disse que não. Somente Jesus lhe diz que espere, que tenha paciência, que “Deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”.

Por que Jesus usa palavra “pão” aqui, neste texto, enquanto o que está em jogo é a salvação da filha da mulher pagã?

O texto faz parte da seção dos pães no evangelho de Marcos (6,34-8,10), onde se narra duas vezes o milagre de multiplicação dos pães (Mc 6,32-34 e Mc 8,1-10).

Nessa passagem (texto) fala-se da fé que vence qualquer obstáculo e supera qualquer barreira, esclarecendo em que consiste essa fé: é a fé “no pão”. A palavra “pão é, com efeito, a chave da leitura.

Esse pão é expressamente chamado de “pão dos filhos(Mc 7,27); é aquele pão que os irmãos partilham juntos (de onde vem a palavra “companheiro”). É o modo concreto de ser irmão, isto é, chama-os de “filhos” do Pai. Esta fraternidade no “pão dos filhos” é também a única presença do Pai. Essa fraternidade não conhece limites de povo e de raças ou etnias. Se para os judeus existe a contraposição “cães/filhos” e “pagãos/israelitas”, agora aqui vemos que, na realidade, a primeira pessoa a tomar o “pão dos filhos” é exatamente uma “cananeia” (cão), uma pessoa que não pertence ao povo eleito e nem teria direito, pois em Jesus “Deus não faz distinção de pessoas. Pelo contrário, Ele aceita quem O teme e pratica a justiça(At 10,34s). Portanto, esse pão é a própria fé que se traduz em amor fraterno, isto é, pão dos filhos que os irmãos se doam um ao outro. Com efeito, o ponto crucial para o cristão, que é chamado a aprender com essa mulher pgã, é exatamente este: o valor da livre partilha do pão como concreta prática de amor fraterno. No juizo final, de fato, não seremos julgados em vista de nossa fé sem obra e sim exatamente em vista da partilha fraterna do que somos e temos.

Filhos- cachorros”, isto é, judeus- pagãos. “Cachorroé o termo usado para falar dos pagãos e estrangeiros. Jesus recorre a este termo para dar a entender que os pagãos não estão excluídos para sempre do banquete de salvação, do banquete dos filhos. Aqui se trata da salvação e da salvação para todos os povos (cf. Is 2,2-5; 25,6). Mas há um “antes” e um “depois” que São Paulo observará em sua Carta para os romanos (Rm 1,16; cf. At 13,46). Mas Jesus aboliu tudo isso no dia de sua ressurreição ao dizer aos discípulos: “Há que proclamar o arrependimento para a remissão dos pecados a todas as nações, a começar por Jerusalém” (Lc 24,47). Em todo caso, o “depois” se antecipa aqui.

A mulher pagã confia na justiça e na misericórdia de Deus. Ela não perde sua fé mesmo que os obstáculos sejam grandes e desagradáveis. Por isso, ela responde sabiamente a Jesus: “É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que as crianças deixam cair”. Quanta fé nas palavras dessa mulher! Quanta humildade e quanta esperança! Ela chama Jesus de “Senhor”. É o titulo pascal ou pós-pascal, usado somente por essa mulher pagã no Evangelho de Marcos para assinalar que essa mulher tem fé e quando há fé, há admissão para a mesa dos filhos. “Ter fé é assinar uma folha em branco, e deixar que Deus escreva o que quer” (Santo Agostinho). “Ter fé não é somente elevar os olhos a Deus para contemplá-Lo, é também olhar a terra com os olhos de Cristo” (Michel Quoist).

“Não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”. Essa mulher, a princípio, pareceu não ter conseguido coisa alguma, em seu apelo ao Senhor Jesus., porém, pelo contrário a resposta dada por nosso Senhor Jesus foi desencorajadora. Ela não desistiu, mas insistiu em sua petição. Ele solicitou algumas poucas “migalhas” da misericórdia divina. Pela sua fé verdadeira e profunda e pela perseverança na sua oração essa mulher é premiada pela cura de sua filha. “Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu de tua filha”, disse Jesus à mulher.  Fé é crer no que não vemos. O premio da fé é ver o que cremos”, dizia Santo Agostinho (Serm. 43,1,1; cfr. Hb 11,1). A verdadeira fé é uma adesão a uma pessoa (Deus) e não a uma fórmula dogmática. A perseverança na oração fundada na fé forte é um assunto de muita importância na vida cristã.

O evangelho nos mostra a fé de uma mulher que não pertencia ao povo eleito, não pertencia à uma Igreja ou a uma religião, mas tinha confiança e fé no poder de Jesus. Ela pode não pertencer a uma religião ou a uma Igreja, mas ela pertence a Deus pela fé que tem no poder de Deus.

Ser pagão não depende da pertença ou não a uma religião ou a uma Igreja. Ser pagão se define a partir do modo de viver. Por isso, há cristãos pagãos como também há pagãos cristãos. Há cristãos que perdem com facilidade sua fé e vive sem esperança. São “cristãos” pagãos. Há muitos que são considerados pagãos pelos outros, como a mulher Cananéia, mas acreditam no poder de Deus incondicionalmente. São “pagãos” cristãos.

A mulher Cananéia não perde sua fé, não protesta, não se revolta ainda que experimente a humilhação. Ela conseguiu o que pedia, pois ela se abandonava totalmente nos braços de Deus e encarava todos os tipos de obstáculos e dificuldades. Santo Agostinho dizia que muitos não conseguem o que pedem porque são maus de coração e por isso, eles têm que ser, primeiramente, bons. Ou muitos não conseguem o que pedem porque pedem malmente, sem insistência no lugar de fazê-lo com paciência, com humildade, com fé e por amor. Há que esforçar-se por pedir o que bom para todos. A mulher Cananéia é boa mãe, pede algo bom, e pede bem. Através do evangelho de hoje o Senhor quer nos mover a termos fé e perseverança e a vivermos na esperança porque Deus nos ama. Deus se vence com fé e não com orgulho. De Deus se obtém tudo com confiança. Em Deus sempre encontra uma acolhida quando cada um se aproxima com humildade e não com auto-suficiência.

Essa mulher é um modelo acabado de fé e oração unidas. Ela chama Jesus de “Senhor”, um título dado a Jesus pós-pascal. Sua fé é orientada para a libertação do próximo, nesse caso de sua filha. E sua oração cumpre aquilo que Jesus pede: a fé, confiança, perseverança e sem desfalecimento.

Ela nos ensina que a fé e a oração devem andar juntas. Quem tem fé em Deus precisa rezar. E quem reza, precisa ter fé. A fé é a atitude básica de qualquer crente, de qualquer cristão, pois ela é a resposta nossa diante da oferta do amor de Deus para nós. A oração evidencia, por sua vez, a presença e a vitalidade de nossa fé em Deus.

Ali onde há a fé, Jesus atua. E fé, aqui, significa convencimento de que Jesus é a Vida e o Caminho (cf. Jo 14,6) e confiança nele. Hoje somos convidados a examinar se nossa fé é verdadeira e firme, se temos Jesus presente em nossa vida, se confiamos nele em qualquer situação de nossa vida.

P. Vitus Gustama,svd

11/02/2026- Quarta-feira Da V Semana Do TComum

O DEUS DA GENEROSIDADE QUER QUE NOSSO CORAÇÃO SEJA PURO E GENEROSO

Quarta-Feira da V Semana Comum

Primeira Leitura: 1Rs 10,1-10

Naqueles dias, 1 a rainha de Sabá, tendo ouvido falar – para a glória do Senhor – da fama de Salomão, veio prová-lo com enigmas. 2 Chegou a Jerusalém com numerosa comitiva, com camelos carregados de aromas, e enorme quantidade de ouro e pedras preciosas. Apresentou-se ao rei Salomão e expôs-lhe tudo o que tinha em seu pensamento. 3 Salomão soube responder a todas as suas perguntas: para ele nada houve tão obscuro que não pudesse esclarecer. 4 Quando a rainha de Sabá viu toda a sabedoria de Salomão, a casa que tinha construído, 5 os manjares da sua mesa, os cortesãos sentados em ordem à mesa, as diversas classes dos que o serviam e suas vestes, os copeiros, os holocaustos que ele oferecia no templo do Senhor, ficou pasmada e disse ao rei: 6 “Realmente era verdade o que eu ouvi no meu país a respeito de tuas palavras e de tua sabedoria! 7 Eu não queria acreditar no que diziam, até que vim e vi com os meus próprios olhos, e reconheci que não me tinham dito nem a metade. Tua sabedoria e tua riqueza são muito maiores do que a fama que chegara aos meus ouvidos. 8 Feliz a tua gente, felizes os teus servos que gozam sempre da tua presença e que ouvem a tua sabedoria! 9 Bendito seja o Senhor, teu Deus, a quem agradaste, que te colocou sobre o trono de Israel, porque o Senhor amou Israel para sempre, e te constituiu rei para governares com justiça e equidade”. 10 Depois, ela deu ao rei cento e vinte talentos de ouro e grande quantidade de aromas e pedras preciosas. Nunca mais foi trazida tanta quantidade de aromas como a que a rainha de Sabá deu ao rei Salomão.

Evangelho: Mc 7, 14-23

Naquele tempo, 14Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: “Escutai todos e compreendei: 15o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. 16Quem tem ouvidos para ouvir ouça”. 17Quando Jesus entrou em casa, longe da multidão, os discípulos lhe perguntaram sobre essa parábola. 18Jesus lhes disse: “Será que nem vós compreendeis? Não entendeis que nada do que vem de fora e entra numa pessoa pode torná-la impura, 19porque não entra em seu coração, mas em seu estômago e vai para a fossa?” Assim Jesus declarava que todos os alimentos eram puros. 20Ele disse: “O que sai do homem, isso é que o torna impuro. 21Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, 22adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. 23Todas estas coisas más saem de dentro e são elas que tornam impuro o homem”.

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Tudo o Que Somos e Temos Pertencem a Deus: Bendito Seja Nosso Deus

Bendito seja o Senhor, teu Deus, a quem agradaste, que te colocou sobre o trono de Israel, porque o Senhor amou Israel para sempre, e te constituiu rei para governares com justiça e equidade”. É a oração da rainha de Sabá na sua visita ao rei Salomão.

Continuamos a acompanhar a leitura sobre o rei Salomão. O nome Salomão está associado à palavra que significa “paz” (Shalom), com a qual compartilha as mesmas consoantes. O nome “Salomão” tem ligação com o nome da cidade de Davi, Jerusalém, com a qual também compartilha três consoantes. Essas duas identificações lembram as características desse rei de Israel e de Judá que são mais bem conhecidas: um reino pacifico presidido por um monarca mundialmente famoso por sua sabedoria em manter tal estado de paz; e uma cidade próspera que atraía a riqueza e o poder de todas as nações ao redor e cuja prosperiedade foi resumida na construção da Casa de Deus, o magnifico Templo de Jerusalém. Esses mesmos elementos foram lembrados no Novo Testamento, onde Jesus se referiu à sabedoria de Salomão que atraiu a rainha de Sabá (Mt 12,42; Lc 11,31) e onde o Templo de Salomão foi preservado nos nomes dados a partes do Santuário construído por Herodes (Jo 10,23; At 3,11; 5,12). Salomão foi bem-sucedido no aspecto de possuir um coração entendido, isto é, sabe ouvir as outras pessoas para fazer os julgamentos mais sábios e compartilhar com outros sua sabedoria. O Novo Testamento, no entanto, também menciona as consequências desastrosas desses aspectos gloriosos da vida de Salomão (Mt 6,29; Lc 12,27). Aos poucos, Salomão não teve sucesso em ouvir e obedecer à vontade de Deus. Isto quer nos dizer que nenhuma quantidade de sabedoria, iluminação ou sensibilidade para com os outros jamais substitui um coração voltado para Deus. Deus é a fonte de toda sabedoria.

Em 1Rs 9,10-10,29 narram-se a sabedoria, a fama, o prestígio e a glória do rei Salomão. Toda esta seção está estruturada em torno do episódio da rainha de Sabá (1Rs 10,1-13) que contribui para ressaltar o prestígio internacional de Salomão, fundamentado em sua sabedoria, suas obras, esplendor e riqueza de seu reino. Em outras palavras, Salomão chega ao topo de sua glória. A sabedoria e a prudência de Salomão estão entre os "valores humanos"... Este encontro entre o Rei de Israel e uma rainha de uma terra distante ao sul do Egito possui grande significado na Bíblia. Salomão adotou uma política de abertura: formou uma aliança com o Faraó (1 Reis 3:1); convocou especialistas estrangeiros para construir o Templo de Deus (1 Reis 9:10-24); e concluiu acordos comerciais com Tiro (1 Reis 9:10-28). E, acima de tudo, procurou integrar o conhecimento humano de sua época ao pensamento religioso de seu povo.

Segundo a tradição, o rei Salomão tinha um harém (grupo constituído por esposas, concubinas etc. que habitam um lugar nma casa de um sultão) bem numeroso: 700 princesas e 300 concubinas. Mesmo que esta estatítica fosse pouco exagerada, nem por isso poderíamos acusar Salomão de incontinência sexual, pois a posse de numerosas mulheres era, nesse tempo, uma questão de riqueza e notoriedade, mais do que da decadência dos costumes.

A sabedoria e a fama de Salomão atraem visitas de estrangeiros. Desta vez a visita da rainha de Sabá.

Apesar das riquezas, da fama, da sabedoria e do prestígio que Salomão tem, o autor sagrado se cuida muito bem em afirmar que tudo isso se deve a Deus. O autor põe nos lábios da rainha visitante esta confissão: “Bendito seja o Senhor, teu Deus, a quem agradaste, que te colocou sobre o trono de Israel, porque o Senhor amou Israel para sempre, e te constituiu rei para governares com justiça e equidade”.

Somente a Deus seja dada toda a honra e toda a glória. A rainha de Seba somente reconhece a sabedoria de Salomão? Acaso ela não chega a reconhecer o Deus dos israelitas, a quem ela eleva uma oração que bendiz seu Santo Nome? Ninguém pode se orgulhar de si mesmo, porque o que temos e somos que não recebemos de Deus? E se recebemos tudo isso, por que ficamos arrogantes como se não o tivéssemos recebido de Deus? Salomão não era sábio por natureza, mas porque Deus o fez sábio para colocá-lo diante de seu povo (pois ele pediu a Deus a sabedoria), de tal maneira que ele guia o povo como se o próprio Deus o guiasse. Deus sabe de tudo que o nosso mundo precisa. Por isso é que Deus nos conceda todos os carismas que a Igreja precisa para continuar a obra salvadora de Deus, e que, de acordo com a graça recebida, nos coloquemos ao serviço uns dos outros, não nos vangloriando, mas reconhecendo que todo dom perfeito vem de Deus. É saber atribuir nossos êxitos a Deus.

Se com nossas virtudes humanas e cristãs podemos fazer algo útil ao nosso redor, bendito seja nosso Deus, pois Ele é o único que nos deu o que temos e somos, tempo e oportunidade. Por tudo o que temos e somos devemos jamais podemos decepcionar o Deus-generoso que nos dá tudo de graça por amor. Quando praticarmos o bem ou ajudarmos os necessitados não devemos ter intenção de atrair a atenção e para receber o aplauso das pessoas, e sim para merecer o sorriso e a aprovação de Deus, porque com os talentos que nos deu - seja um ou dois ou cinco - fizemos algo pelo bem de todos como Deus que “faz nascer o seu sol igualmente sobre os maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos” (Mt 5,45). Oxalá, possamos ouvir no final: "Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!” (Mt 25,21).

Além disso, precisamos aprender da rainha de Sabá a saber reconhecer e louvar as qualidades de outras pessoas, agradecer às pessoas que convivem conosco, reconhecer seus êxitos e seus méritos, interessar-nos por suas coisas e escutá-las. Tudo isso é uma das coisas mais finas que podemos fazer, mas que mais nos custam. Elogiar alguém no dia de sua morte parece ser mais fácil do que elogiar alguém enquanto estiver vivo. Temos facilidade de receber o elogios vindos dos outros e nos custa elogiarmos os outros. É bom recordarmos a queixa de Jesus: A Rainha do Sul se levantará no Julgamento juntamente com esta geração e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Mas aqui está mais do que Salomão (Mt 12,42). Levamos a sério e aproveitamos bem a sabedoria que nos ensina cada dia, sobretudo, nas leituras da missa, o autentico Mestre que Deus nos enviou, Jesus Cristo?

Evangelho e Sua Mensagem

Em Mc 7,1-23 há três cenas: Jesus, de um lado, e, os escribas e os fariseus, de outro lado, numa controvérsia (Mc 7,1-13); Jesus- multidão (Mc 7,14-15) e Jesus- discípulos (Mc 7,17-23). Mas o ensinamento de Jesus tem como objetivo educar seus discípulos para que tenham um senso crítico sobre as tradições de seu povo a fim de colocar em destaque a lei e a vontade de Deus.

O texto do evangelho de hoje começa com a seguinte frase: “Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: Escutai todos e compreendei...”. A frase chamou a multidãoé um verdadeiro ato de convocação. Jesus faz isso de maneira concisa e incisiva, e convida a multidão para pensar sobre aquilo que ele vai dizer a fim de entendê-lo. Não era fácil mudar a mentalidade daqueles que estavam ali, escutando Jesus. O grande problema não é colocar coisas novas na cabeça e sim tirar as coisas velhas da cabeça. A cultura ou a sabedoria nunca ocupam espaço

Depois que atacou a hipocrisia dos fariseus que honram Deus apenas com os lábios enquanto que seu coração está longe d’Ele, agora Jesus expõe para todos o princípio sobre o santo e o profano: o que separa o homem de Deus não é o que procede de fora dele: O que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior.  E Marcos acrescentou: “Assim Jesus declarava que todos os alimentos eram puros”.

O livro de Levítico (AT) enumera uma serie de animais que são tabu para o Povo eleito. Comê-los significava tornar-se impuro e impedia a pessoa de participar no culto de Deus (cf. Lv 11). Semelhante proibição está em contradição coma palavra de Deus a Noé: “Tudo o que se move e vive vos servirá de alimento...” (Gn 9,3). No entanto, era necessário o povo eleito aceitar a proibição para se defender dos cultos pagãos que usavam amplamente determinados animais. Por isso, não comê-los se convertia num sinal de que o povo eleito queria viver separado dos cultos pagãos e disponível ao culto a Deus.

Jesus não discute essa boa vontade e sim a forma de conceber o “puro” e o “impuro”. Por isso, Jesus declara: O que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior”.  A lei de Deus não é algo exterior e sim algo presente em nosso interior, em nosso coração que nos faz tomarmos atitudes e darmos respostas adequadas para o viver de cada dia. O puro e o impuro não devem ser procurados fora do homem, mas no seu coração. Dessa maneira, Jesus está em perfeita sintonia com os profetas; não se opõe à Lei e sim a aprofunda, a espiritualiza e vai à raiz do mal. Há uma impureza muito maior e a única que realmente se afasta de Deus: quando o homem se decide, livremente, pelo mal. Esta é a impureza que deve ser eliminada da vida ou do coração do homem.

Quando se fala do “coração”, deve ser entendido no sentido de toda a interioridade da pessoa, o centro da vida, das decisões e do encontro pessoal com Deus. Se o coração for bom, os gestos de relacionamento humano obedecem aos imperativos de humanizar, de fraternizar e de santificar a convivência. A pureza do agir depende da pureza do coração. Mas se o coração for mau, a vida é envenenada pela insatisfação, pela inveja, pelo ciúme, pela disputa, pela discriminação, pelo sensualismo, pelas más intenções e assim por adiante. Para Jesus, o teste decisivo para saber se o coração está perto de Deus é o comportamento fraterno para com o próximo. O coração é o lugar onde o homem se revela e onde Deus se revela. Em outras palavras pode-se dizer que a vida cristã se resume em uma palavra: AMOR. Mas o conceito do amor tem sido tão manipulado e profanado que requer uma clarificação para dissipar possíveis confusões. O amor, núcleo da vida cristã é uma atitude. Consiste em uma entrega total e desinteressada de nossa pessoa a Deus e ao próximo. A antítese do amor cristão é o ritualismo que utiliza Deus e os demais para o proveito próprio, ou um ritualismo que se desliga dos compromissos com a vida e com os problemas humanos. A relação com Deus não depende da observância de normas ou de gestos religiosos, mas da atitude fraterna para com os demais seres humanos.

Muitas vezes, somos fiscais do comportamento alheio como os fariseus, gente sempre pronta a julgar, a criticar, a condenar o próximo a partir de detalhes, muitas vezes, mínimos. Às vezes são até pessoas aparentemente boas, que acabam estragando a convivência porque adoram exibir o seu estrito cumprimento de todas as regras, sociais e religiosas, com o intuito de diminuir os demais.Seja humilde para evitar o orgulho, mas voe alto para alcançar a sabedoria”, dizia Santo Agostinho (In ps. 130,12). Muitas vezes também nós andamos a toda hora medindo a piedade alheia pelos padrões das nossas próprias normas, sem perceber que, ao fazermos isso, estamos bloqueando o acolhimento, o testemunho de comunhão e de fraternidade que são alguns dos valores importantes na Igreja e na vida cotidiana. Precisamos estar conscientes de que a dignidade da pessoa humana não consiste em parecer bom, mas em ser bom. “É mais fácil simular virtudes do que possuí-las. Por isso, o mundo está cheio de farsantes”, dizia Santo Agostinho (De mor. Eccl. Cath. 1,12). Tudo é puro quando sai de um coração limpo. Mas tudo pode ser inútil, se for contaminado pela vaidade, pelo exibicionismo ou pela hipocrisia. Por isso, a conversão do coração e as vitórias interiores sempre são necessárias, pois elas acabam melhorando a conduta de qualquer um de nós e a qualidade de nossa convivência.          

Honrar a Deus de verdade, para Jesus, não é apenas estar em dia com os regulamentos/regras nem seguir devoções particulares. Honrar a Deus é fazer prevalecer a caridade fraterna, estar ao lado dos que sofrem que nos exigem gestos concretos de bondade e de amor para com eles. A vida no Espírito é antes uma realidade interior. A partir daí, o exterior é manifestação de uma verdade mais profunda. A comunidade não se cria por decreto, mas nasce quando as pessoas têm um coração que sabe amar e respeitar aos outros e quando fazem circular um espírito novo, de união e de preocupação mútua pelo crescimento dos outros.         

Se quisermos cumprir a lei de Deus, devemos ter em vista sempre, em primeiríssimo lugar, os objetivos do projeto de Deus. Deus quer mais vida, mais amor, mais compaixão e misericórdia, mais partilha, mais igualdade e mais justiça. Esse é o critério mais evangélico para avaliar a legitimidade de nossa vida cristã e do nosso modo de seguir a lei. Somos Igreja para nos ajudarmos uns aos outros a crescer, não para virarmos fiscais das virtudes e da vida alheias. Somos chamados a construir um mundo mais humano e fraterno, pois Deus é o Pai de todos. “É preciso amar os homens não pela simpatia que nos inspiram nem pelas qualidades que apreciamos, mas porque Deus os ama” (Martin Luther King).

P. Vitus Gustama,svd

domingo, 8 de fevereiro de 2026

10/02/2026- Terça-feira Da V Semana Do TComum

É PRECISO VIVER DE ACORDO COM O CORAÇÃO RETO E INDIVISÍVEL, POIS SOMOS TEMPLO DE DEUS

Terça-Feira Da V Semana Comum

Primeira Leitura: 1Rs 8,22-23.27-30

Naqueles dias, 22 Salomão pôs-se de pé diante do altar do Senhor, na presença de toda a assembleia de Israel, estendeu as mãos para o céu e disse: 23 “Ó Senhor, Deus de Israel, não há Deus igual a ti nem no mais alto dos céus, nem aqui embaixo na terra; tu és fiel à tua misericordiosa aliança com teus servos, que andam na tua presença de todo o seu coração. 27 Mas será que Deus pode realmente morar sobre a terra? Se os mais altos céus não te podem conter, muito menos esta casa que eu construí! 28 Mas atende, Senhor meu Deus, à oração e à súplica do teu servo, e ouve o clamor e a prece que ele faz hoje em tua presença. 29 Teus olhos estejam abertos noite e dia sobre esta casa, sobre o lugar do qual disseste: ‘Aqui estará o meu nome!’ Ouve a oração que o teu servo te faz neste lugar. 30 Ouve as súplicas de teu servo e de teu povo Israel, quando aqui orarem. Escuta-os do alto da tua morada, no céu, escuta-os e perdoa!

Evangelho: Mc 7,1-13

Naquele tempo, 1os fariseus e alguns mestres da Lei vieram de Jerusalém e se reuniram em torno de Jesus. 2Eles viam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as terem lavado. 3Com efeito, os fariseus e todos os judeus só comem depois de lavar bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. 4Ao voltar da praça, eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre.  5Os fariseus e os mestres da Lei perguntaram então a Jesus: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?” 6Jesus respondeu: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. 7De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. 8Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”. 9E dizia-lhes: “Vós sabeis muito bem como anular o mandamento de Deus, a fim de guardar as vossas tradições. 10Com efeito, Moisés ordenou: ‘Honra teu pai e tua mãe’. E ainda: ‘Quem amaldiçoa o pai ou a mãe deve morrer’. 11Mas vós ensinais que é lícito alguém dizer a seu pai e à sua mãe: ‘O sustento que vós poderíeis receber de mim é Corban, isto é, Consagrado a Deus’. 12E essa pessoa fica dispensada de ajudar seu pai ou sua mãe. 13Assim vós esvaziais a Palavra de Deus com a tradição que vós transmitis. E vós fazeis muitas outras coisas como estas”.

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Somos Templo Vivo De Deus

Salomão pôs-se de pé diante do altar do Senhor, na presença de toda a assembleia de Israel, estendeu as mãos para o céu e disse: ... ‘Ouve a oração que o teu servo te faz neste lugar. Ouve as súplicas de teu servo e de teu povo Israel, quando aqui orarem. Escuta-os do alto da tua morada, no céu, escuta-os e perdoa!’”. É uma pequena parte da oração do rei Salomão.

A Primeira Leitura de hoje fala da oração do rei Salomão dirigida a Deus. Em sua oração Salomão reconhece que a presença de Deus no templo construído pelo sucessor de Davi é uma nova mostra de sua fidelidade. Isto lhe dá confiança para pedir que Deus continue a ser fiel a Suas promessas, exigindo solenemente, de acordo com a doutrina deuteronômica que os descendentes de Davi sigam o exemplo de fidelidade que o rei lhes deixou.

A unidade central de 1Rs 8 está constituída pela longa e magnifica oração de Salomão, considerada como uma amplição das ideias contidas em seu discurso anterior (1Rs 8,15-21). Nesta oração domina a teologia da aliança. Assegura-se a benevolência de Deus para Israel em virtude do pacto contraído no Sinai sob a condição de que Israel corresponda com o cumprimento da Lei.

É impressionante a postura do jovem rei, Salomão, diante do povo; ele eleva os braços ao céu, dirigindo-se a Deus no Templo recém-edificado, numa oração solene em nome de todos. Diante de um povo que se considera propriedade de Deus, Salomão se sente rei e ao mesmo tempo sacerdote.

Lemos no texto da Primeira Leitura uma seleção da formosa oração de Salomão que no livro de Reis aparece bastante longa. Salomão dá graças a Deus por Sua fidelidade. Ele reconhece que Deus não necessita de templos nem pode ficar encerrado neles. Salomão está consciente de que Deus é transcendente, o Todo Outro e, ao mesmo tempo, está próximo também de seu povo. Salomão termina sua oração pedindo a Deus, por si mesmo e por todos os membros de su povo presente e futuro, que Deus preste sempre atenção e escute as orações que são dirigidas a Ele neste Templo.

Na sua oração, Salomão não só pensa nas próprias necessidades, mas também nas necessidades do povo presente e da futura geração. É uma boa lição! Às  vezes, somos bastante egoístas nas nossas orações, pois pedimos a Deus que atenda às nossas próprias necessidades. Esquecemos os outros de nosso lado no mesmo templo/igreja, como também os outros se esquecem de nós. Entramos e saímos de nosso templo egoístas. Salomao nos ensina a pensarmos e a orarmos também pelas necessidades dos outros, pelos menos dos membros da mesma comunidade. fomos batizados para ser luz do mundo e sal da terra. O cristão existe para os outros. o cristão é católico, isto é, é uma pessoa com um coração universal.       

Todas as religiões dão importância ao lugar sagrado, lugar de oração e de encontro com a divindade. Os judeus tiveram, durante o tempo de sua peregrinação pelo deserto, sua “tenda de encontro”, e depois este Templo de Jerusalém.

Para nós, cristãos, a novidade radical foi a pessoa de Cristo, que além de ser o sacerdote e a vítima e o altar, também Ele é apresentado como o autêntico Templo do encontro com Deus: “’Destruí este templo, e em três dias eu o levantarei’. ...Ele falava do templo do seu corpo(Jo 2,19.21). Os cristãos, desde o princípio deram mais importância à comunidade do que ao edifício (cf. 1Cor 3,16-17; 6,19; 1Pd 2,4-5). Os cristãos entenderam o lugar de culto, sobretudo, como “domus ecclesiae”, a casa da comunidade, considerando a própria comunidade como lugar privilegiado da presença de Cristo: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles(Mt 18,20).

Não há nada que seja impossível para Deus. A Ele não podem conter os céus dos céus. Deus não habita em um coração manchado de pecados. Por isso, devemos ser morada digna para Deus. Para isso, devemos, com amor de filhos fieis, viver numa contínua conversão a Ele, aprendendo a cumprir de todo coração Sua vontade que consiste no amor a Ele e ao próximo como amamos a nós mesmos. Deus sempre está disposto a escutar nossas orações como Pai compassivo e misericordioso.

Evangelho e Sua Mensagem

Lendo o texto do evangelho de hoje logo percebemos qual foi a situação por trás do texto. O evangelista Marcos sente a necessidade de explicar quais eram os costumes dos fariseus e quase de todos os judeus (Mc 7,3-4). Isto nos mostra que Marcos escreveu seu evangelho para cristãos que não eram da origem judaica. Marcos está falando para uma comunidade cristã a fim de comunicar um ensinamento muito importante de Jesus.

O ensinamento parte da pergunta dos escribas e dos fariseus vindos de Jerusalém: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?”. Na mentalidade do judaismo, Israel era o povo consagrado por Deus (Dt 7,6; 14,2 Dn 7,23.27). Para Israela, todos os demais povos eram profanos, isto é, não estavam vinculados, como Israel, ao verdadeiro Deus. E para a interpretação dos fariseus, a maneira de manter-se no âmbito do sagrado era a observância da Lei. A observância da Lei, para os fariseus, expressa a vontade de Deus. Consequentemente, pertenciam ao povo “santo/consagrado” os que observavam fielmente  a Lei. Os que não observavam a Lei minusiosamente eram considerados “profanos”, separados de Deus. Mais ainda: para um fariseu, o contato com as pessoas “profanas” colocava em perigo a própria consagração a Deus. Daí a importância da purificação das mãos. Dentro deste contexto é que podemos entender a pergunta dos fariseus: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?”.

Jesus, colocando-se na linha dos antigos profetas, cita o profeta Isaias e depois, Moises, para rebater seus adversários: “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos”.

Na expressão de Jesus há antíteses: “lábios- coração”, “render culto- preceitos humanos”. Na primeira antítese se descreve a exterioridade, a aparência. Trata-se de uma vida não vivida na intimidade ou na profundidade do coração. Este tipo de vida é chamada de vida hipócrita, pois o externo não corresponde com o que há no coração e nas aspirações humanas. Na segunda antítese  se descreve um culto hipócrita porque está regido pelos preceitos humanos que abandonam (Mc 7,8), anulam (Mc 7,9) e esvaziam (Mc 8,13) os mandamentos de Deus.

“Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim”. Com esta afirmação Jesus quer colocar em destaque a moral do coração e não somente a moral das ações. Somente de um homem devidamente ordenado, de um homem de coração limpo é que podem proceder ações morais e éticas. Uma pessoa íntegra, de coração indivisível sabe se governar e se controlar, sabe ser justo e honesto.  Aquele que não é capaz de governar a si mesmo não será capaz de governar os outros (Mahatma Gandhi). É uma chamada para a retidão de intenção ou a retidão do coração. Quando o coração está em desordem, então a conduta se torna cega. Nisto consiste um esforço contínuo de purificação. Para Jesus o primeiro dever do homem é ter a consciência limpa ou o coração puro. “Faz de teu coração um tribunal e senta-te nele como juiz de ti mesmo. Tua memória seja o promotor, tua consciência a testemunha, e o temor de Deus, o juiz” (Santo Agostinho: Serm. 351, 4,7). Portanto, não se trata somente de fazer as coisas de coração e sim de fazer coisas que procede do coração reto e limpo. Para Jesus o coração tem que estar limpo para que possa estar em disposição para captar a vontade de Deus, uma vontade que não é simplesmente letra escrita. Não basta superar a hipocrisia e o formalismo; a interiorização pede algo mais que sentimento de sinceridade.

O coração reto do qual fala Jesus não é feito somente de coragem, de fidelidade e de boa memória sobre todos os ensinamentos. O coração é feito de disponibilidade, entendendo com isso a liberdade e a intuição. Trata-se de criar uma situação interior capaz de conhecer a Deus, ao verdadeiro Deus, capaz de ler de novo a vontade de Deus. O coração é o lugar onde Deus se revela, não simplesmente o lugar onde se percebe a obrigatoriedade de um esquema já existente e onde se encontra a coragem de repeti-lo. o coração é a parte do ser humano que Deus principalmente observa na religião. A cabeça pendente e os joelhos dobrados, a fisionomia séria e a postura rígida não são suficientes para fazer um adorador espiritual. Os olhos de Deus penetram mais longe e mais profundo. Deus requer aquela adoração que parte do próprio coração. Deus diz a cada um de nós: “Dá-me, filho meu, o teu coração (Pv 23,26).

O olho humano pode não detectar qualquer defeito em nossa adoração. Os nossos vizinhos poderão pensar de nós como modelos daquilo que um crente deve ser. A nossa voz pode ser a mais ouvida no louvor a Deus e na oração, porém tudo será pior do que nada aos olhos do Senhor, se os nossos corações estiverem distantes d´Ele.

Assim no texto do evangelho de hoje Jesus reprova o espírito farisaico: a confusão entre o rigorismo minucioso na observância da moral e da fidelidade a Deus. A minuciosidade nem sempre é sinal da fidelidade. Jesus também reprova artimanhas casuísticas na interpretação dos deveres morais, um defeito que leva a um duplo desequilíbrio: complicar a observância da lei especialmente para a gente simples e tranqüilizar a consciência dos astutos que intentam salvar o esquema da lei descuidando de sua substância. Jesus também critica a confiança nas próprias obras acima do amor de Deus que nos chega gratuitamente. Aquele que se gloria pelas próprias obras, e não pelo amor gratuito de Deus e pela sua misericórdia, tem pretensão inútil de ser Deus para si próprio.

Para tudo isto, o evangelho assume uma dupla tarefa: pôr em evidência qual é o centro da lei: é a caridade. “Atente para que a sua prática religiosa não seja mais importante do que seu Deus e seu próximo(René Juan Trossero). O egoísmo devora o que o outro tem; o amor oferece ao outro o que lhe falta. Segundo, considerar a obediência do homem à lei como resposta ao gesto salvífico e gratuito de Deus e não a lei por lei. A lei ou as normas devem me ajudar a me aproximar de Deus.  Em outras palavra, não são as normas que produzem a graça de Deus e sim a graça de Deus é que produz disciplina e normas para o homem. A graça de Deus ordena minha vida e me coloca em uma disciplina. Atrás de tudo isto há uma advertência fundamental de Jesus que serve de fio condutor para todo o capitulo 7 de Marcos: todas as formas de legalismo são sempre uma forma de recusar a Deus. O legalismo farisaico nasce de uma incompreensão de Deus e oferece uma razão para recusá-Lo; de fato foi um motivo para recusar a Jesus.

Os homens verdadeiros e autênticos podem ser aplaudidos ou condenados, amados ou odiados, mas sempre despertam nossa admiração. Quem vive na retidão tem como critério a verdade e a caridade. A verdade dita com caridade convence até os ateus em tudo. A verdade dita com caridade humaniza nossa maneira de falar e de tratar dos assuntos mais complicados. “O amor e a verdade estão tão unidos entre si que é praticamente impossível separá-los. São como duas faces da mesma medalha(Mahatma Gandhi). É preciso ter um coração indivisível e íntegro para ter uma ação ética.

Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”, disse Jesus citando o profeta Isaías. Através desta afirmação Jesus quer nos dizer que o mandamento de Deus e as tradições dos homens têm que ser considerados como duas coisas distintas. Os dois não estão no mesmo plano e por isso, não podem ser colocados no mesmo patamar, pois o mandamento de Deus é perene e as tradições dos homens são provisionais.

Todos nós podemos ter algo de fariseus em nossa conduta. Por exemplo, se realmente damos mais valor ao formalismo exterior, às práticas externas do que à fé interior. Ou se damos mais importância a normas humanas, às vezes insignificantes, acima da caridade ou da justiça. O cristão, como Jesus Cristo, somente tem que amar. Nada mais! essa é a verdadeira fidelidade ao Deus de amor e de misericórdia.

Portanto, sempre é bom ouvirmos e meditarmos permanentemente sobre o alerta do Senhor no Evangelho de hoje, citando o profeta Isaías: “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos”.

Para ser lembrado: Somente de um homem devidamente ordenado e de coração puro é que podem proceder ações morais e éticas. É uma chamada para a retidão de intenção e ação.

P. Vitus Gustama,svd

sábado, 7 de fevereiro de 2026

09/02/2026- Segunda-feira Da V Semana Do TComum

DEUS ESTÁ NO MEIO DE NÓS: É PRECISO TOCAR E DEIXAR-SE TOCAR POR ELE

Segunda-Feira Da V Semana Comum

Primeira Leitura: 1Rs 8,1-7.9-13

Naqueles dias, 1 Salomão convocou para junto de si, em Jerusalém, todos os anciãos de Israel, todos os chefes das tribos e príncipes das famílias dos filhos de Israel, a fim de transferir da cidade de Sião, que é Jerusalém, a arca da aliança do Senhor. 2 Todo o Israel reuniu-se em torno de Salomão, no mês de Etanim, ou seja, no sétimo mês, durante a festa. 3 Vieram todos os anciãos de Israel, e os sacerdotes tomaram a arca 4 e carregaram-na junto com a tenda da reunião, como também todos os objetos sagrados que nela estavam; quem os carregava eram os sacerdotes e os levitas. 5 O rei Salomão e toda a comunidade de Israel, reunida em torno dele, imolavam diante da arca ovelhas e bois em tal quantidade, que não se podia contar nem calcular. 6 E os sacerdotes conduziram a arca da aliança do Senhor ao seu lugar, no santuário do templo, ao Santo dos Santos, debaixo das asas dos querubins, 7 pois os querubins estendiam suas asas sobre o lugar da arca, cobrindo a arca e seus varais por cima. 9 Dentro da arca só havia as duas tábuas de pedra, que Moisés ali tinha deposto no monte Horeb, quando o Senhor concluiu a aliança com os filhos de Israel, logo que saíram da terra do Egito. 10 Ora, quando os sacerdotes deixaram o santuário, uma nuvem encheu o templo do Senhor, 11 de modo que os sacerdotes não puderam continuar as funções porque a glória do Senhor tinha enchido o templo do Senhor. 12 Então Salomão disse: “O Senhor disse que habitaria numa nuvem, 13 e eu edifiquei uma casa para tua morada, um templo onde vivas para sempre”.

Evangelho: Mc 6, 53-56

Naquele tempo, 53tendo Jesus e seus discípulos acabado de atravessar o mar da Galileia, chegaram a Genesaré e amarraram a barca. 54Logo que desceram da barca, as pessoas imediatamente reconheceram Jesus. 55Percorrendo toda aquela região, levavam os doentes deitados em suas camas para o lugar onde ouviam falar que Jesus estava. 56E, nos povoados, cidades e campos onde chegavam, colocavam os doentes nas praças e pediam-lhe para tocar, ao menos, a barra de sua veste. E todos quantos o tocavam ficavam salvos.

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Templo De Jerusalém e a Arca Da Aliança: Momento Da União Nacional Na Presença De Deus

Naqueles dias, Salomão convocou para junto de si, em Jerusalém, todos os anciãos de Israel, todos os chefes das tribos e príncipes das famílias dos filhos de Israel, a fim de transferir da cidade de Sião, que é Jerusalém, a arca da aliança do Senhor. Todo o Israel reuniu-se em torno de Salomão...”.

Uma das grandes realizações de Salomão foi a conclusão de um dos projetos de seu pai Davi: construir um templo para Deus. Convém recordarmos a trágica história desse Templo de Jerusalém.

·      Em 960 a.C: Salomão constrói um templo grandioso.

·      Em 586 a.C: este Templo é destruído por Nabucodonosor.

·      Em 516 a.C: é reconstruído depois do retorno do exílio de Babilônia.

·      10 anos antes de Jesus Cristo: Herodes, o Grande, reconstrói o Templo. Ali onde Jesus, aos doze anos, encontra os doutores da Lei. Ali também vai orar em peregrinação da Páscoa, todos os anos. Ali pronuncia vários grandes discursos.

·      Em 66 d.C: os exércitos de Tito incendiam o Templo.

·      Em 132: edificam-se ali vários templos em honra de Júpiter.

·      Em 687: se constrói uma Mesquita muçulmana na explanada do Templo.

·      No século XVI: se edificou a Mesquita atual

O mais característico do reinado de Salomão é que construiu o Templo de Jerusalém, o que Davi tinha querido edificar, mas que as circunstâncias e a voz do profeta, aconselharam para deixar mais tarde a realização da construção.

Este templo, inaugurado uns mil anos antes de Cristo, foi destruído por Nabucodonosor quatro centos anos mais tarde, e logo reconstruído várias vezes. Nos tempos de Jesus o Templo estava em seu esplendor (cf. Mc 13,1-2; Mt 24,1-2; Lc 21,5-6). Mas logo no ano 66 d.C, os exércitos de Tito o destruíram novamente. Agora em seu lugar há uma grande Mesquita (muçulmana).

Hoje lemos sobre como Salomão organizou a solene e festiva trasladação da Arca da Aliança para dentro do Templo na festa da dedicação do Templo recém-construido. A Arca da Aliança acompanhou o povo em sua época nômade pelo deserto e que logo havia depositado em vários templos e casas. A Arca da Aliança com as duas tábuas da Lei de Moisés é agora levada ao Templo, como símbolo da continuidade com o período das peregrinações, apesar de que o povo já tinha se assentado definitivamente. A trasladação da Arca da Aliança coincide com a festa dos Tabernáculos ou a festa das tendas (1Rs 8,2. Cf. Lv 26,29-43).

Quando a Arca é introduzida no Templo, Deus toma posse de sua casa. A nuvem (1Rs 8,9), associada à glória de Deus, é a manifestação sensível da presença do Senhor (cf. Ex 14,20; 19,16; 24,15-17). A partir dai, o povo de Israel está consciente de que o Templo é a sede da presença divina; o Templo é a “casa” de Deus. Essa fé do povo isarelita na presença de Deus em seu Templo é a razão do culto que aí é celebrado e das iniciativas dos fieis. A certeza de que Deus residia no Templo, a devoção para com a “casa de Deus” frequentemente são expressas nos Salmos, cujas ligações com o culto e com o Templo são evidentes. Mas essa presença de Deus no meio de seu povo é uma graça e será retirada se o povo for infiel.

Deus, que tomou posse de seu santuário com a entrada da Arca, se apresenta, ao mesmo tempo, como um Deus escondido (na nuvem) e um Deus manifestado (na luminosidade da glória).

Além de toda a assembleia de Israel que se encontra presente nesta festa (1Rs 8,2.5.13.22), têm um papel preeminente os conselhos de anciãos, os chefes de tribos, os chefes de famílias e, teoricamente, os sacerdotes e o rei (1Rs 8,1). Eles representam “todo o Israel” e legitimam o Templo de Salomão como santuário nacional. O Templo, a santa Habitação, continuará o centro da piedade judaica.

Se os judeus estavam orgulhosos de seu Templo e da Arca da Aliança, nós temos, todavia, mais motivos para apreciar nossas igrejas como edifício sagrado onde podemos conversar com tranquilidade com Deus. É preciso respeitar o silêncio sagrado. Somente fala com autoridade quem aprende a calar-se no momento certo e quem aprecia o silêncio. As nossas palavras somente terão conteúdo densamente, se forem frutos de um silencio profundo.Todas as obras primas são fruto de um longo silêncio. Não há obra maravilhosa em todos os setores da vida que não sejam fruto de um silêncio.

Sabemos e temos consciência de que Deus está presente em todas partes do universo. Mas ter um espaço adequado, convenientemente separado do espaço profano nos ajuda para nossa oração e para a reunião da comunidade e para nosso encontro com Deus.

Além disso, a presença eucarística de Jesus Cristo que quer que participemos sacramentalmente de seu Corpo e seu Sangue na comunhão, e que prolonga esta presença no sacrário, sobretudo, para a comunhão dos enfermos ou moribundos, dá a nossas igrejas uma dignidade nova e entranhável. Cristo Jesus eucarístico é uma presença privilegiada, um sacramento visível de sua contínua e invisível proximidade como Senhor Ressuscitado. É nosso “viático”, alimento para o caminho.

Mas, Deus não somente habita no Templo. Sua morada especial somos nós mesmos (cf. 1Cor 3,16-17). Ele nos consagrou como seus. Por isso, a glória de Deus deve resplandecer desde nosso próprio interior. A partir de sua encarnação, Deus veio viver entre nós. Já não é a nuvem que O representa e sim ele próprio no meio de seus. A partir de Sua presença em nós, nós nos convertemos em um sinal d´Ele no meio de nossos irmãos. Donsequentemente, devemos respeitar e reverenciar o outro, pois ele é templo do Espirito Santo. Jamais podemos esquecer o homem-templo. Devemos respeitar simultaneamente o homem-templo e espaço-templo onde podemos rezar ou conversar com Deus e ouvi-Lo em silêncio.

O Evangelho e Sua Mensagem

O texto do evangelho de hoje pode ser qualificado na categoria de “sumário” ou síntese que o evangelista Marcos faz, de vez em quando, para resumir um período de atividade de Jesus e para unir as distintas partes de seu relato. Nesse sumário Jesus não toma nenhuma iniciativa nem se põe, como tantas outras vezes, a ensinar (cf. Mc 6,34). As pessoas se aproximam de Jesus para ser curadas por Ele.

Marcos nos relatou que Jesus visitou a região de Genesaré. “Genesaréé figura da periferia do judaísmo, à margem da instituição judaica. Jesus entra em qualquer núcleo da população por pequeno que seja, pois Jesus é “Deus que visitou seu povo” (Lc 1,68; 7,16). Na região de Genesaré não se encontram os endemoninhados, isto é, fanatismos destruidores. Encontra-se mal (Mc 1,32;2,17): os enfermos que vivem excluídos pela sociedade legalista que espiritualmente mata todos os que padecem algum tipo de mal físico.

Anteriormente Jesus fez o milagre da multiplicação dos pães.  E esse milagre despertou o entusiasmo popular. Jesus e seus discípulos querem sair desse entusiasmo e vão para algum lugar para descansar. Mas Jesus e seus discípulos não têm como escapar das multidões. Jesus acaba as atendendo e deixa o descanso para mais tarde. Isto se chama a disponibilidade baseada na misericórdia. A misericórdia é sinônima de partilha íntima da dor dos que sofrem, dos desprezados, dos marginalizados ou excluídos. Por isso, a misericórdia cura e liberta. A verdadeira misericórdia obriga à ação. O preço da misericórdia divina é infinito: a encarnação de Deus em Jesus Cristo e sua morte salvadora na cruz.

“... levavam os doentes deitados em suas camas para o lugar onde ouviam falar que Jesus estava”, assim relatou o evangelista Marcos.

A enfermidade e os sofrimentos acompanham a vida do homem permanentemente e o situa numa terrível insegurança. Tudo isso simboliza a fragilidade da condição humana submetida aos riscos inesperados e imprevisíveis. A enfermidade contradiz o desejo de absoluto e de solidez que todos nós temos. Por isso é que a enfermidade guarda sempre uma significação religiosa mesmo para o homem moderno.

Em nossos dias a cura das enfermidades corresponde à ciência médica. Mas os antigos, em todas as civilizações do mundo, deram à enfermidade e à cura um significado religioso. As pessoas enfermas recorreram a Deus para ser curadas. Hoje em dia a primeira reação de quem se encontra enfermo é procurar ou chamar médico. Mas se refletirmos profundamente nós perceberemos que o homem com a inteligência que Deus lhe deu, e que combate o mal através de ajuda, de remédios capazes de curar etc. continua sendo um dom de Deus. A vocação de ser médico e enfermeiro é maravilhosa ao serviço da humanidade. Deus quer cuidar dos enfermos através de seus filhos médicos e enfermeiros.

Todos quantos tocavam Jesus, ficavam salvos”.  Esta frase tem um peso teológico. “Salvaré ato próprio de Deus em relação ao homem. Por isso, esta frase vai muito além de uma simples cura. Toda proximidade de Jesus possibilita a passagem do homem para a nova condição de vida. Trata-se de uma total restauração do homem que se aproxima de Jesus com fé. A fé é simples: as pessoas querem tocar Jesus para ficar curadas de seus males. Para ser tocado, o homem precisa se aproximar de Deus e deixar-se tocar por Deus. As pessoas dos contornos levavam os enfermos para Jesus para que pudessem tocar, ao menos, a barra de sua veste.  As pessoas, na sua simplicidade, acreditavam que somente o contato direto com Jesus é que se sentiam afetadas pelo poder de Jesus. Dessa maneira ficavam curadas.

Com estas curas o evangelista Marcos quer nos mostrar o efeito mais notável do anúncio do Reino de Deus: a Graça. A graça de Deus nos devolve a alegria de viver, pois em Deus encontramos o sentido de nossa vida, inclusive de nossas dores e enfermidade e nos dá esperança de estar em comunhão plena com Deus um dia. No seu ato de libertação Jesus nos apresenta o plano maravilhoso de seu Pai: o amor gratuito de Deus Pai para com o ser humano. Este amor gratuito não pode ser comprado nem exigido nem é resposta aos méritos que alguém crê ter acumulado. Diante da graça anunciada e vivenciada por Jesus, o sistema religioso de seu tempo, que se baseava na acumulação de méritos, entra em crise. Os pobres, os marginalizados e excluídos, por outro lado, são os maiores beneficiados pela proposta revolucionária de Jesus, pois são mais disponíveis e abertos diante da graça de Deus.

O amor gratuito, que Deus nos tem, desperta nossa consciência de que vivemos num mundo de gratuidade que nos faz vivermos agradecidos e gratos permanentemente ou nos faz vivermos uma vida eucarística. E essa consciência nos leva a ajudarmos gratuitamente os que se encontram “enfermos” nesta vida. Da experiência cotidiana percebemos que os que ajudam mais os outros, sem esperar nada de troca, são mais felizes do que os demais. “Quando perguntamos pela bondade de um homem, não perguntamos por suas crenças ou esperanças, mas por seus amores” (Santo Agostinho: De fide, spe et char. 31).

Todos quantos tocavam Jesus, ficavam salvos”. Nós, cristãos, temos que aprender a “tocar” Jesus, a não perder nenhuma maneira o contato direto com Jesus, porque Ele é a fonte do que somos e daquilo que dá sentido à nossa vida. Somente tocando Jesus, encontraremos a força para seguir adiante nesta vida e para segui-Lo pelos caminhos da vida.

Há, pelo menos, dois caminhos para nos encontrarmos com Jesus e tocá-Lo. Um é através da Eucaristia e da leitura e da escuta da Palavra de Deus. Em cada Palavra proclamada e meditada há sempre alguma palavra para minha vida se eu estiver aberto diante dela. Há sempre uma palavra que toca minha vida ou minha maneira de viver. Na Eucaristia a Palavra de Deus se faz alimento para minha peregrinação nesta terra rumo à casa do Pai, nosso lar definitivo.  Outra maneira é nos aproximarmos dos nossos irmãos e irmãs, especialmente dos mais pobres e desamparados, dos que sofrem. Eles são, hoje, sacramentos viventes da presença de Jesus no meio de nós (Mt 25,40.45). O contato físico, real, diário, com eles nos fará experimentar, sem dúvida nenhuma, a humanidade viva e real de Jesus que nos cura de nossas enfermidades.

O Senhor nos recebe em sua Casa e nos alimenta com sua Palavra e Seu Pão eucarístico. Mas ele nos envia para que demos testemunho de nossa fé, alimentando os demais com nosso amor gratuito para que eles possam voltar a viver com mais vigor como filhos e filhas amados do Pai.

P. Vitus Gustama,svd

12/02/2026- Quinta-feira Da V Semana Do TComum

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