sexta-feira, 16 de outubro de 2026

XXIX Domingo Do Tempo Comum, Ano "A", 18/10/2026

DEUS É SOBERANO E NÓS SOMOS IMAGEM DE DEUS E SUA SEMELHANÇA NESTE MUNDO

XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM “A”

Primeira Leitura: Is 45,1.4-6

1Isto diz o Senhor sobre Ciro, seu Ungido: “Tomei-o pela mão para submeter os povos ao seu domínio, dobrar o orgulho dos reis, abrir todas as portas à sua marcha, e para não deixar trancar os portões. 4Por causa de meu servo Jacó, e de meu eleito Israel, chamei-te pelo nome; reservei-te, e não me reconheceste. 5Eu sou o Senhor, não existe outro: fora de mim não há deus. Armei-te guerreiro, sem me reconheceres, 6para que todos saibam, do oriente ao ocidente, que fora de mim outro não existe. Eu sou o Senhor, não há outro”.

Segunda Leitura:1Ts 1,1-5b

1Paulo, Silvano e Timóteo, à Igreja dos tessalonicenses, reunida em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: a vós, graça e paz! 2Damos graças a Deus por todos vós, lembrando-vos sempre em nossas orações. 3Diante de Deus, nosso Pai, recordamos sem cessar a atuação da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo. 4Sabemos, irmãos amados por Deus, que sois do número dos escolhidos. 5bPorque o nosso Evangelho não chegou até vós somente por meio de palavras, mas também mediante a força que é o Espírito Santo; e isso, com toda a abundância.

Evangelho: Mt 22,15-21

Naquele tempo, 15 os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. 16 Então mandaram os seus discípulos, junto com alguns do partido de Herodes, para dizerem a Jesus: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências. 17 Dize-nos, pois, o que pensas: É lícito ou não pagar imposto a César?” 18 Jesus percebeu a maldade deles e disse: “Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha? 19 Mostrai-me a moeda do imposto!” Levaram-lhe então a moeda. 20 E Jesus disse: “De quem é essa imagem e a inscrição desta moeda?” 21 Eles responderam: “De César”. Jesus então lhes disse: “Devolve pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.

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Deus É Soberano

O tema que parece conferir unidade às leituras deste domingo é a soberania e o senhorio do Senhor. A Primeira Leitura nos apresenta Ciro, rei da Pérsia que governou entre os anos 550 a 530 a.C., e o designa com o título elevado de "ungido do Senhor". De fato, Ciro realizou feitos notáveis ​​em favor de Israel: pôs fim à deportação para a Babilônia, a partir de 538 os israelitas começaram a voltar para a própria pátria, restituiu os objetos de ouro e prata que haviam sido confiscados de Jerusalém por Nabucodonosor, e promulgou o decreto para a reconstrução do Templo de Jerusalém.

O livro de Isaías interpreta esses acontecimentos históricos à luz da soberania de Deus. O Senhor conduz os rumos da história; Ele é o Senhor, e não há outro. Israel compreendeu que o Senhor não é apenas o único Deus de Israel, mas, de fato, o único Deus existente: “Eu sou o Senhor, não há outro”. (1ª Leitura).

O Evangelho narra um encontro muito significativo entre Jesus e os enviados dos fariseus e alguns do partido de Herodes. Estes preparam uma armadilha para Jesus, na tentativa de fazê-lo cair. Apresentam-lhe um dilema, aparentemente insolúvel: “É lícito ou não pagar imposto a César? ”.

Uma pergunta insidiosa. A armadilha foi bem pensada, porque qualquer resposta que Jesus desse, complicaria para ele. Se falasse que não é lícito, Jesus se colocaria contra o poder do império romano, e poderia ser preso. Se respondesse que o imposto é lícito, não só legitimaria a opressão romana, como trairia o povo que sonhava com a independência.

Além disso, o grupo enviado tinha posições opostas sobre o imposto. Para os fariseus, pagar o imposto era um pecado de idolatria, pois César se dizia deus, e a própria moeda trazia seus atributos divinos. Na moeda em questão, de fato, está escrito: Tiberius Caesar Divi Augusti Filius, Augustus (Tibério César, filho do Divino Augusto, Augusto).  Havia, inclusive, entre os fariseus, um grupo radical, chamado zelotas, que combatiam o imposto pela luta armada.

Já os partidários de Herodes defendiam o imposto, porque recebiam altos salários, vindos justamente desses impostos. Para os herodianos, pecado era não pagar o imposto.

Diante da pergunta cheia de ciladas dos seus adversários Jesus diz: “´De quem é esta imagem e a inscrição desta moeda?’ Eles responderam: ‘De César”’.

Depois Jesus oferece uma resposta que surpreende a todos — adversários e discípulos: “Devolva a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Com essas palavras, Jesus não apenas confunde seus adversários, mas também nos ensina o que devemos oferecer a Deus. Ele nos mostra que devemos dar a Deus tudo o que Lhe cabe como Criador e como Senhor da vida e da história e de toda a eternidade. As palavras de Jesus estão repletas de sabedoria divina; mostram-nos quão grande e sagrada é a vida humana, pois ela pertence ao Deus Criador. Instruem-nos sobre o único modo que o homem tem de realizar plenamente a sua humanidade: dando a Deus o que Lhe pertence, oferecendo-Lhe uma homenagem e uma oblação da própria vida, e vivendo na plena doação de si mesmo aos outros, especialmente aos irmãos mais necessitados.

Somos Imagem e Semelhança De Deus

“Devolva a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

Devemos dar a cada um o que lhe é devido. A sabedoria de Jesus nos ensina que há duas formas de poder: uma é o poder terrestre e humano; outra é o poder do céu e divino. Ensina-nos que devemos observar duas obediências: às leis humanas e às leis divinas. Devemos pagar a César a moeda que contém a sua imagem e a inscrição de César, e a Deus o que foi selado com o selo da Sua imagem e semelhança. Nós fomos criados à imagem e a semelhança de Deus. Cada um de nós é a “moeda” do tesouro divino, uma “moeda” que contém a imagem e a inscrição do Imperador divino, Imperador dos imperadores. Por isso, a pergunta que cada um de nós deve fazer é esta: “De quem é esta imagem e esta inscrição que sou eu?”. Sem dúvida nenhuma, cada um deve responder: “De Deus”. Se em mim está a inscrição divina e que sou imagem e semelhança de Deus, por que, então, eu não dou a Deus o que é d´Ele.

Se queremos ser verdadeiramente a imagem de Deus, devemos assemelhar-nos a Cristo, pois Ele é a “imagem” da bondade de Deus e a impressão do Seu ser. E Deus nos destinou a ser imagens do Seu Filho.

“Façamos o homem à nossa imagem, à nossa semelhança” (Gn 1,26). Deus, o Todo-poderoso, o Invisível, o Incompreensível, o Inestimável, formando o homem do barro, enobreceu-o com a imagem da sua própria grandeza. Mas o que há de semelhança entre o homem e Deus, entre o barro e o espírito? Deus é espírito. Deus soprou no homem o próprio hálito e surgiu o homem, imagem e semelhança de Deus. Então, é um magnífico sinal do seu amor pelo homem o fato de que Deus o agraciou com a imagem da Sua eternidade e semelhança da sua própria vida. A grandeza do homem consiste na sua semelhança com Deus, com a condição de que ele a conserve. Por isso, na medida em que o homem usar retamente as virtudes plantadas nele, ele será semelhante a Deus. Deus nos pede que, antes de tudo, amemos a Deus com todas as nossas forças, porque Ele nos amou primeiro, desde o princípio, antes de sequer existirmos. Amar a Deus é, então, renovar a Sua imagem em nós.

Somos Chamados a Ser Servos De Deus a Exemplo de Ciro, Rei Da Pérsia

“Por causa de meu servo Jacó, e de meu eleito Israel, chamei-te pelo nome; reservei-te, e não me reconheceste”. (Is 45,4)

“Chamei-te pelo teu nome, ainda que não me conhecesses”: Estas palavras, da primeira leitura, extraídas do livro de Isaías, referem-se aos feitos de Ciro em favor de Israel. O profeta vê tudo o que Ciro realizou como parte de um chamado divino; enxerga nele não apenas o rei da Pérsia, mas o ungido do Senhor, isto é, vê nele um instrumento humano a serviço dos desígnios do Deus da história.

Daqui decorrem algumas implicações teológicas importantes: o Senhor não força o livre-arbítrio do rei; contudo, sem que este se dê conta exatamente, Ele guia os seus passos: “Chamei-te pelo teu nome, ainda que não me conhecesses”. Demonstra-se, assim, a iniciativa de Deus na escolha dos seres humanos para salvar outros seres humanos que são filhos e filhas de Deus também.

É Deus quem, primeiramente, vem ao nosso encontro. É Ele, rico em amor e misericórdia, quem não se esquece de nós. Não se esquece daquela criatura que Ele mesmo criou no início dos tempos, mas que d’Ele se afastou por causa do pecado. É Deus quem, com entranhas de uma mãe, sente ternura pelos seus filhos e filhas.

Por outro lado, convém sublinhar a importância da mediação da criatura. Ao afirmarmos que Deus é o protagonista principal, não podemos ignorar o papel de intermediários que os seres humanos desempenham no desenrolar da história. Na verdade, não são os homens que, por suas qualidades, se lançam ao cumprimento de uma missão; é, antes, a missão dada por Deus que os transforma em pessoas capazes de levar adiante essa tarefa.

Esse modo de agir de Deus repete-se na história de cada ser humano: "Eu te chamei pelo teu nome... embora tu não me conhecesses". Ao nos chamar pelo nome, o Senhor revela seus pensamentos de bondade para conosco, pois os pensamentos de Deus são de paz e não de aflição, de união e não de divisão, de fraternidade e não de inimizade. Nosso nome, pronunciado de forma doce e firme por Deus, adquire sentido e um valor transcendente. Nossa pequena vida, em certo sentido, tornou-se sagrada desde o dia em que Deus pronunciou o nosso nome.

Contudo, muitas vezes, tem-se a impressão de que não conhecemos bem ainda o Senhor; parece que, embora Deus pronuncie o nosso nome, não sabemos quem Ele é, nem quais são os seus planos e intenções sobre nossa vida. Caminhamos pela vida com desconfiança, diante do mal que existe ao nosso redor e dentro de nós mesmos. Caminhamos temerosos diante da perplexidade da situação e diante da perspectiva da morte, da inevitável transitoriedade do mundo e das criaturas, e da ação das forças do mal. É, portanto, necessário, mais do que nunca, ouvir Deus que pronuncia o nosso nome com amor, mas também com autoridade. Ele nos confere um título, coloca-nos de pé e nos dá uma tarefa a realizar. Ele vence o mal com o bem e faz de nós instrumentos do bem, tal como fez com Ciro.

Nosso Senhor é o Único Deus

“Eu sou o Senhor, não há outro”.

Devemos reconhecer que o Senhor é Deus e que não há outro além d´Ele. Reconhecer que Ele tem em suas mãos os fios da história e que o seu poder e a sua bondade já atuam, ainda que de modo misterioso, neste mundo, preparando-o para a sua transformação final. Somente em Cristo alcançamos a plena realidade do "ungido do Senhor": aquele que liberta definitivamente o seu povo da escravidão, da morte e do pecado. Em Cristo, conhecemos a bondade do Pai, pois Ele nos revela a face amorosa do Pai.

Se Deus é o Senhor, o único Deus, e não há outro, cabe ao homem, a cada um de nós, louvá-Lo, agradecer-Lhe, pedir-Lhe dons e solicitar o Seu perdão.

O louvor a Deus deve estar sempre em nossos lábios, porque Ele é Deus e nós somos as Suas criaturas. O fim da nossa existência é louvar e glorificar a Deus, pois Ele é o Senhor digno de todo louvor. São tantos os benefícios de Deus para com o homem que o louvor brota espontaneamente de nossos lábios. “Como poderei retribuir ao Senhor todo o bem que Ele me fez? Elevarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor”. (Sl 116,12s). Visto que fomos criados à imagem de Deus, a nossa vida não deveria ser outra coisa senão um cântico de louvor ao Senhor pelo Seu imenso amor. Santo Agostinho dizia: "Assim como César exige a sua imagem na tua moeda, da mesma forma Deus exige a sua própria imagem na tua alma. 'Dai a César', diz Ele, 'o que é de César'. O que César exige de ti? A sua própria imagem. O que o Senhor exige de ti? A sua própria imagem. Mas a imagem de César está na moeda; a imagem de Deus, por sua vez, está em ti mesmo. Se choras ao perder a moeda, porque perdeste a imagem de César, não deverias chorar quando adoras ídolos, visto que eles ultrajam em ti a imagem de Deus?"

“Devolva a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. O homem e a mulher foram criados à imagem e à semelhança de Deus. Como Imagem de Deus nenhuma pessoa humana pode ser usada e abusada, explorada e alienada em nome do poder mundano, e do prazer passageira. Uma pessoa humana é um ser cheio de dignidade, pois nele habita o próprio Deus (cf. 1Cor 3,16-17). A consciência de ser a Imagem de Deus torna o cristão responsável para defender o irmão quando sua dignidade é pisada ou explorada em nome dos bens materiais ou do poder mundano. É necessário que nós nos encharcemos de Deus, para que possamos levar dentro de nós "o que é de Deus" e isso nos marca toda a vida.

Pe. Vitus Gustama,SVD

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Sábado Da XXVIII Semana Comum, 17/10/2026

NOSSA SALVAÇÃO DEPENDE DE NOSSA LEALDADE A CRISTO ATÉ O FIM

Sábado da XXVIII Semana Comum

Primeira Leitura: Efésios 1,15-23

Irmãos, 15 desde que soube da vossa fé no Senhor Jesus e do vosso amor para com todos os santos, 16 não cesso de dar graças a vosso respeito, quando me lembro de vós em minhas orações. 17 Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer. 18 Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos, 19 e que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente. 20 Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, 21 bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa nomear não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. 22 Sim, ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a Cabeça da igreja, 23 que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal.

Evangelho: Lc 12, 8-12

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 8 “Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, o Filho do Homem também dará testemunho dele diante dos anjos de Deus. 9 Mas aquele que me renegar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus. 10 Todo aquele que disser alguma coisa contra o Filho do Homem será perdoado. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado. 11 Quando vos conduzirem diante das sinagogas, magistrados e autoridades, não fiqueis preocupados como ou com que vos defendereis, ou com o que direis. 12 Pois, nessa hora, o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer”.

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O Espirito De Sabedoria Nos Ajuda a Conhecer Deus e O sentido De Nossa Vida

“Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer”.

Continuamos nossa reflexão sobre a Carta aos Efésios que já começou no dia anterior.

Dentro do contexto de ação de graças ao Pai, o autor da Carta aos Efésios pede a Deus que conceda aos Efésios “um espírito de sabedoria e revelação” para conhece-Lo, pois o “Pai da glória” é o princípio da salvação operada em Cristo e o princípio da luz que é necessária para conhecê-Lo. Sem a luz nada se vê! Sem a luz ninguém saber onde está o abismo. Não se trata de dotes intelectuais para conhecer uma verdade abstrata, e sim trata-se do dom de sabedoria que leva ao conhecimento e à aceitação dos desígnios amorosos da vontade de Deus. Conhecer é também, biblicamente, amar; é ver Deus com os olhos do coração por uma fé eminentemente prática.

A palavra “sabedoria” provém do latim “sapere” que quer dizer ter inteligência, ser compreendido. Mas propriamente significa ter gosto, exercer o sentido do gosto, ter este ou aquele sabor, capacidade desenvolvida de saborear. A sabedoria é reunir o gosto pela vida. A sabedoria é refinar o gosto pela vida. Com a sabedoria a existência se torna mais saborosa, pois a sabedoria se alimenta pelos valores. Com a sabedoria o homem é capaz de dar respostas adequadas e magníficas. Segundo Confúcio, o sábio chinês que viveu quinhentos anos antes de Cristo, o comportamento do sábio é como a água: é destituído de sabor, mas a todos agrada; carece de forma, mas se adapta com simplicidade e ordem às mais variadas figuras.

Concretamente, o autor pede que os Efésios conheçam: Em primeiro lugar, a esperança para a qual foram chamados. Em segundo lugar, a herança que é a riqueza da glória que esperam. Em terceiro lugar, o poder de Deus que se manifestou na exaltação de Jesus Ressuscitado e agora atua nos crentes até que eles sejam ressuscitados como nosso Senhor Jesus Cristo. A experiência cristã do dinamismo da salvação sustenta a atitude da esperança dos crentes apesar de qualquer tipo de dificuldade.

Em outras palavras, a sabedoria que o autor pede a Deus para os Efésios é esse dom sobrenatural já conhecido pelos sábios do Antigo Testamento (Cf. Provérbio 3,13-18), porém é ampliada consideravelmente em sua definição, pois não é somente a prática da Lei, o conhecimento da vontade divina sobre o mundo, nem tampouco uma explicação do mundo, e sim, a revelação do destino do homem: “Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer” (Ef 1,17) e da herança da glória que resulta disso (Ef 1,14), em total contraste com a miséria da ressistencia humana (Rm 8,20) e por último, é o descobrimento do poder de Deus, manifestado já na ressurreiçã de Cristo: “Deus manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus” (Ef 1,20), que garante nossa própria configuração.

Pedimos a Deus o espirito de sabedoria porque somente Deus pode revelar ao homem o sentido de sua presença de passagem aqui no mundo e o destino final depois de sua passagem neste mundo. Sem encontrar esse sentido, o homem é torturado e angustiado pela morte que o espera, pois no leito da morte todos se nivelam. A morte acaba com a diferença e a desigualdade. Porém,  a ressurreição de Jesus Cristo muda o sentido e o destino do homem. Em Jesus e com Jesus não vivemos mais para morrer e sim, morremos para viver eternamente; a vida não pertence mais à morte e sim, a morte pertence à vida: “Ora, se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com Ele, pois sabemos que Cristo, tendo ressurgido dos mortos, já não morre, nem a morte terá mais domínio sobre ele. Morto, Ele o foi uma vez por todas pelo pecado; porém, está vivo, continua vivo para Deus! Portanto, vós também considerai-vos mortos ao pecado, porém vivos para Deus, em Cristo Jesus” (Rm 6,8-11).

Por esta razão, no texto da Primeira Leitura de hoje, o autor da Carta aos Efésios afirma: “Deus manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa nomear não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro”.

O autor da Carta apresenta Cristo vitorioso como sinal da sabedoria do plano de Deus e de sua força poderosa. É um vibrante elogio de Cristo triunfador: é Cristo na glória e Deus que o ressuscitou dentre os mortos, colocou-o a sua direita e pus tudo sob seus pés. Sobretudo, Deus constituiu Cristo Cabeça da Igreja que é seu Corpo, da Igreja que é a plena realização de Cristo (pleroma). A Igreja é o lugar privilegiado da atividade de Deus e de Cristo na ação do Santo Espírito. A Igreja pode ser chamada de rebanho de Cristo, povo de Deus, família santa, esposa de Cristo, templo do Espírito, novo Israel. A cabeça desta Igreja é o próprio Cristo.

Esta glória triunfante de Cristo é esperança para todos nós, pois o que pertence a Cristo, pertence também aos fieis, e em Cristo vitorioso vemos também nossa vitória final que é a nossa herança.

Ser Testemunha De Cristo e De Seus Ensinamentos Para Ser Reconhecido Na Vida Eterna

“Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, o Filho do Homem também dará testemunho dele diante dos anjos de Deus”.

Continuamos acompanhando Jesus na Sua última viagem para Jerusalém, pois ele será morto nessa cidade. Ao Mesmo tempo continuamos a ouvir Suas últimas e mais importantes lições para nossa vida de cristãos (Lc 9,51-19,28). Hoje Jesus nos dá a lição sobre a importância do testemunho dos seus ensinamentos, pois tudo isso tem conseqüências para a vida eterna (salvação).

Nos versículos anteriores do texto do evangelho de hoje (Lc 12,1-7) Jesus animava o discípulo, cada cristão, a ser valente (sem medo) na hora de dar testemunho, isto é, ser discípulo fiel até o fim, porque Deus cuidaria dos seus filhos até nos mínimos detalhes (até os cabelos estão todos contados por Deus).

Hoje Jesus nos dá outro motivo para sermos intrépidos (corajosos) na vida cristã de cada dia: o próprio Jesus dará testemunho a nosso favor diante da presença de Deus (Pai), no dia do juízo (final). Isto quer nos dizer que nossa autêntica existência e nossa sorte definitiva, sorte escatológica, depende da opção que fazemos por Jesus neste mundo: “Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, o Filho do Homem também dará testemunho dele diante dos anjos de Deus”. O julgamento de Deus será realizado a partir da lealdade ou deslealdade a Cristo na nossa vida diária neste mundo. Em outra parte do evangelho Jesus expressa o mesmo pensamento de outra forma: “Quem não está comigo, está contra mim” (Lc 11,23). Quem se colocar a favor de Jesus nesta vida, pode ter certeza de que Jesus estará ao seu lado para defendê-lo no juízo (final).

Mas renegar Jesus neste mundo significa a perda definitiva (não será reconhecido por Jesus diante de Deus Pai): “Mas aquele que me renegar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus”.  O homem se destrói ao renegar Jesus e seus ensinamentos. Querendo salvar sua vida ao renegar Jesus o homem acaba por perdê-la (cf. Lc 9,24-26). O gesto de renegar Jesus é, na verdade, uma expressão da falta de fé. E renegar Jesus na terra significa recusá-lo de ser defensor do cristão no juízo (final).

A partir da afirmação de Jesus no evangelho de hoje percebemos claramente que ninguém crê impunemente. Ao mesmo tempo, o texto quer nos relembrar que nossa conduta diária deve corresponder à nossa fé. Consequentemente, a fé é para a vida e não algo meramente privado.

Jesus sabe que em determinadas situações a fé do cristão é posta em xeque. Nessas situações a vida do cristão é que está em jogo. Mas tendo uma fé forte e coragem suficiente e tendo diante dos olhos o reconhecimento de Jesus no juízo, o cristão será capaz de testemunhar sua fé, sem medo, publicamente. No juízo constante, implacável do mundo contra Jesus, quem tiver o valor de optar por Jesus, terá a seu favor o testemunho de Jesus no juízo de Deus contra o mundo (cf. Lc 9,26; Mc 8,38; Jo 16,6-11).

O texto do evangelho quer também nos relembrar que quando vivermos fielmente os ensinamentos de Cristo, nós seremos perseguidos: “Todos os que quiserem viver piedosamente, em Jesus Cristo, serão perseguidos” (2Tm 3,12). O próprio Jesus nos avisa em outro evangelho sobre a mesma sorte ao dizer: “Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que vós. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia” (Jo 15,18-19). Para o cristão a perseguição não é um acidente de percurso e sim, sinal de fidelidade aos ensinamentos de Cristo.

Mas Jesus nos consola e fortalece com a presença de outro protagonista que Jesus apresenta para o cristão no momento em que sua fé é posta em xeque é o Espírito de Deus: “Quando vos conduzirem diante das sinagogas, magistrados e autoridades, não fiqueis preocupados como ou com que vos defendereis, ou com o que direis. Pois, nessa hora, o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer”. Assim se completa a aproximação do Deus Trino na vida do cristão. O Pai que não se esquece de nós, Jesus que nos defenderá no juízo (final) e o Espírito Santo que nos inspirará quando estivermos diante dos magistrados e autoridades para dar razão de nossa fé. O Espírito Santo é quem dará ao cristão forças para proclamar, com destemor, sua fé. Somente no Espírito Santo se pode confessar que Jesus é o Senhor.

Quem renega esta fé, peca contra o Espírito, e por isso, já não tem salvação porque a fé acompanhada com as obras salva o homem: ”Todo aquele que disser alguma coisa contra o Filho do Homem será perdoado. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado”.

“Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado”. É um pecado imperdoável, não porque Deus não o perdoa, mas porque quem o comete rejeita a conversão. É o endurecimento na cegueira de quem acredita ver e rejeita o dom da visão (Jo 9,41-cego de nascença). É o pecado de quem não se reconhece pecador e necessitado do perdão (Lc 18,9-14).  Blasfemar contra o Espírito Santo não é uma ação acidental, ocasional ou uma simples ofensa ao Espírito. Trata-se de uma opção existencial e fundamental contra toda a revelação de Deus em Jesus Cristo que consiste na atividade salvífica de Deus para o homem.  O Espírito divino continua manifestando e revelando a vontade de Deus através de múltiplas maneiras e diversos acontecimentos na vida do homem. Esta frase nos adverte sobre a possibilidade de apostasia de alguns cristãos. E esta expressão quer nos transmitir muito mais como uma advertência pastoral do que uma afirmação teológica. O comportamento de Deus para o homem não é de um juiz e sim de um Pai que perdoa, desde que o homem volte novamente aos braços do Pai, pois Deus nãos se cansa de perdoar (cf. Lc 15,11-32).

Nos momentos em que sentimos medo por algo porque a vida é dura, será bom que recordemos estas palavras de Jesus, afirmando o amor concreto que o Deus Trino nos tem para nos ajudar. Jesus acalmou tempestade, curou enfermidades e ressuscitou os mortos. Era o sinal desse amor de Deus que já está atuando em nosso mundo. Conseqüentemente, esse poder também nos alcança. Portanto, não temos motivos para nos deixar levar pelo medo ou pela angústia. “Quando vos conduzirem diante das sinagogas, magistrados e autoridades, não fiqueis preocupados como ou com que vos defendereis, ou com o que direis. Pois, nessa hora, o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer” (Lc 12,11-12). “Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, não podendo fazer mais do que isto” (Lc 12,4). “Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, o Filho do Homem também dará testemunho dele diante dos anjos de Deus” (Lc 12,8).

P. Vitus Gustama,svd

Sexta-feira Da XXVIII Semana Comum, Ano Par, 16/10/2026

PARA SER VERDADEIROS DISCÍPULOS DE JESUS TEMOS QUE AFASTAR A HIPOCRISIA E COMEÇAR A TESTEMUNHAR JESUS SEM MEDO

Sexta-Feira Da XXVIII Semana Comum

Primeira Leitura: Ef 1,11-14 (Ano Par)

Irmãos, 11 em Cristo nós recebemos a nossa parte. Segundo o projeto daquele que conduz tudo conforme a decisão de sua vontade, nós fomos predestinados 12 a ser, para o louvor de sua glória, os que de antemão puseram a sua esperança em Cristo. 13 Nele também vós ouvistes a palavra da verdade, o evangelho que vos salva. Nele, ainda, acreditastes e fostes marcados com o selo do Espírito prometido, o Espírito Santo, 14 o que é o penhor da nossa herança para a redenção do povo que ele adquiriu, para o louvor da sua glória.

Evangelho: Lc 12,1-7

Naquele tempo, 1 milhares de pessoas se reuniram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. 2 Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido. 3 Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será proclamado sobre os telhados. 4 Pois bem, meus amigos, eu vos digo: não tenhais medo daqueles que matam o corpo, não podendo fazer mais do que isto. 5 Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de tirar a vida, tem o poder de lançar-vos no inferno. Sim, eu vos digo, a este temei. 6 Não se vendem cinco pardais por uma pequena quantia? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. 7 Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais”.

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Somos Chamados a Estar Unidos a Cristo Para Manter a Unidade Entre Nós

Continuamos a acompanhar a leitura da Carta aos Efésios. No texto da Primeira Leitura de hoje, são Paulo escreveu aos Efésios: “Em Cristo fostes marcados com o selo do Espírito prometido, o Espírito Santo, o que é o penhor da nossa herança para a redenção do povo que ele adquiriu, para o louvor da sua glória”.

Neste admirável plano salvador de Deus, por meio de Cristo, são Paulo diz que são compreendidos tanto os judeus como os pagãos. Os judeus são os primeiros em herdar a graça. Mas também os pagãos, “os que de antemão puseram a sua esperança em Cristo. Nele também vós ouvistes a palavra da verdade, o evangelho que vos salva”, têm a mesma sorte. Todos receberam a marca do Espirito, que é “o penhor da nossa herança” final.

A busca da unidade que corre através das aspirações da humanidade, e que parece ser um sonho esplêndido e uma utopia irrealizável  por causa das profundas ruptura que separam as etnias, as nações, se realizou já simbolicamente na reconciliação dos “judeus” e dos “pagãos”, no mesmo Cristo.

A densa passagem da Primeira Leitura que pertence ao entusiasta hino inicial da Carta, está cheia de motivos de esperança. Em primeiro lugar, aparece o Deus Trino em ação: o Pai nos destinou a ser seu povo e propriedade sua, em Cristo fomos salvos, e recebemos o Espirito como zelo e marca.

Em segundo lugar, quem pode pertencer ao povo de Deus? São aqueles que ouviram a Boa Nova e creram nela, e a Boa Nova é que fomos salvos pelo amor de Deus.

Em terceiro lugar, já estamos herdando e já somos salvos, porém está para chegar ainda a salvação definitiva. Enquanto está para chegar a redenção completa, o Espírito é a garantia da herança final que nos aguarda. É preciso seguir ou obedecer ao impulso do Espírito Santo.

Portanto, o texto da Primeira Leitura é uma “leitura cristã” da vida e da história. É uma leitura que teríamos que ter muito nas mãos para que não sejamos contaminados pela visão unicamente humana que o mundo nos oferece. É uma perspectiva que mudará muito nosso ânimo para encarar a realidade dura e difícil, pois o Deus Trino está conosco na nossa história e na nossa vida cotidiana. Não estamos sós, pois Deus nos está próximo e nos incluiu em seu projeto de vida. Por esta razão, o Salmo Responsorial (Sl 32) nos entoa o cântico: “Reta é a palavra do Senhor, e tudo o que ele faz merece fé. Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação que escolheu por sua herança! Dos altos céus o Senhor olha e observa; ele se inclina para olhar todos os homens”.

Unidos a Jesus pela fé e pelo amor, somos herdeiros da glória. Quem ama é porque tem fé em Deus que é amor: “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). Quem tem fé no Deus de amor, deve saber amar e perdoar. O Pai nos derramou o Espirito Santo como garantia de que nos levará sãos e salvos para seu Reino celestial, se vivermos na fé e no amor. Em nós que pertencemos à Igreja de Cristo deve desaparecer qualquer forma de divisão, pois Deus chama à salvação a humanidade inteira e todos nós fomos feitos um só em Cristo. O Senhor nos quer que formemos um só Corpo, tendo Cristo por Cabeça e participemos de um mesmo Espírito. Por isso, não sejamos ocasião de divisão. Deixemo-nos conduzir para a unidade, criando vínculos mais fortes e inquebrantáveis, graças à presença do Espirito Santo em nós. onde houver espaço para o Espírito Santo, ai haverá a unidade. Por isso, não percamos nossa íntima relação com Deus mediante a fé, o amor, e a oração vista como um diálogo em que nos comprometemos a ser sinal da unidade para todos os povos em torno de Cristo, para que Ele nos conduza à possessão de sua Glória da qual quer que sejamos partícipes  para a glória do Deus Pai.

E no Evangelho o Senhor nos convida a anunciarmos sua Palavra tendo como fundo ou base a escuta e a encarnação da mesma em nossa própria vida. Essa Palavra é que nos salva, porém nos salva em comunhão fraterna, na Igreja, sem egoísmo, sem ódio nem divisões inúteis.

Viver Sem Hipocrisia Faz Parte Da Vida Cristã

Com o capítulo 12 do seu evangelho (Lc 12,1-48) o evangelista Lucas volta a falar sobre as instruções de Jesus para seus discípulos, conhecidas como Lições do Caminho (Lc 9,51-13,21), pois são dadas no Caminho para Jerusalém onde Jesus será crucificado e ressuscitado. Com essas lições Jesus vai preparando os discípulos para a vida e missão pós-pascal (cf. Lc 24,45-49; At 1,8). E para a comunidade de Lucas essas instruções servem como um ideal de vida de discipulado.

Neste capitulo 12 Lucas coloca algumas atitudes que devem caracterizar a comunidade dos discípulos, tais como: confiança em Deus em qualquer momento, pois em Deus está o alicerce verdadeiro para sua existência; coragem diante de qualquer ameaça da perseguição ou da repressão violenta e transformar tudo isso em momento de testemunho; liberdade do medo; pobreza, isto é, não se deixar dominar pelos bens materiais, pois sua verdadeira segurança está em Deus; e vigilância responsável, pois os discípulos são homens abertos para o futuro, isto é, viver sem jamais perder perspectivas em qualquer momento e idade. A esperança nos chama a caminhar sem perder o horizonte que só terminará em Deus.

“Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”, alerta Jesus aos discípulos. Hipócrita é o protagonista do coro no grego. É a palavra que exprime, em síntese, os males denunciados por Jesus na casa dos fariseus (Lc 11,37-54).

A hipocrisia é o pecado típico do fariseu (cf. Lc 11,42-44). Hipócrita é permanecer nas trevas, ocultar-se na escuridão. Hipócrita é ser ator de uma peça sem nada a ver com sua própria personalidade ou vida. Hipócrita é resistir ao testemunho; é fazer ouvidos surdos à voz de Jesus Cristo. Hipócrita é aquele que, simulando virtudes, nobres sentimentos e boas qualidades, engana os outros no intuito de conquistar a estima deles. Seu objetivo é obter louvores por uma virtude que não possui. Ele atraiçoa a verdade. Ele é incapaz de confessar sua perversidade interior e corrigi-la, pois ele sempre se refugia na simulação de possuir virtude. Ele não se preocupa em ser bom, mas em ser admirado por alguma virtude que na realidade não possui. Se não tivermos bastante discernimento e capacidade em fazer uma leitura com tranqüilidade de suas atitudes e palavras, facilmente cairemos na tentação de acreditar nele. É preciso confiar desconfiando. É preciso questionar o questionável, perguntar o perguntável para não se precipitar em nada a fim de não pagar caro, mais tarde, por uma atitude não pensada. Desconfie qualquer facilidade prometida.

O discípulo de Jesus, cada cristão, deve proceder sem duplicidade nem mentira. Se alguém contar uma mentira, ele será forçado a contar outras mentiras para apoiar a primeira. A conduta do discípulo deve ser sempre franca, mas sem grosseria, pois a franqueza ou sinceridade mal-empregada se transforma em grosseria; a verdade dita sem caridade pode ter resultado contrário. O cristão deve ser transparente como quem trabalha à luz do dia. Toda sua palavra, toda sua ação deve ser sempre um testemunho público e não para enganar. O discípulo de Jesus, cada cristão é o amigo de Jesus. De Jesus ele recebe confidências e coisas profundas sobre Deus: “Chamei-vos de amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai” (Jo 15,15). Comigo Jesus não tem segredos. Comigo Jesus só fala da verdade, a verdade que liberta (cf. Jo 8,32). Como amigo de Jesus compartilharei também com ele até mesmo sua sorte: perseguição, morte, e ressurreição (cf. Jo 15,18-21; 16, 1-4; 1Jo 3,13).

“Não há nada de escondido”. A hipocrisia consiste no esconder, como Adão, a própria nudez, para que não se reconheça Deus e não se aceite como filho seu. Jesus veio para tirar do homem os véus da mentira e a restituir-lhe à sua verdade de filho infinitamente amado à transparência e à simplicidade.

Se Jesus me revelou tudo sobre o Pai, então eu preciso ser um amigo fiel de Jesus sem medo. O único temor que eu devo ter é o temor de Deus, pois só Deus pode ter a ultima palavra sobre a minha vida e meu destino final: “Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido”. A história pessoal, íntima, e a história comunitária estão nas mãos de Deus. Eu preciso segurar na mão de Deus e seguir adiante, pois eu estou caminhando para o futuro de Deus que já comecei no presente ainda que os caminhos de Deus, muitas vezes, sejam incompreensíveis para a sabedoria humana: “Pois os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são os meus — oráculo do Senhor. Pois tanto quanto o céu acima da terra, assim estão os meus caminhos acima dos vossos e meus pensamentos distantes dos vossos” (Is 55,8-9).

“Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será proclamado sobre os telhados”. O cristão-discípulo deve estar plenamente impregnado da Palavra de Deus, Palavra da verdade desde o íntimo de seu coração, sem dissonância entre aquilo que está no profundo e aquilo que deseja externamente, em uma perfeita coerência entre aquilo que é e aquilo que diz.

“Não tenhais medo daqueles que matam o corpo. ... Não se vendem cinco pardais por uma pequena quantia? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais”.

A frase “Não tenhais medo”, Jesus repete nesta passagem cinco vezes. O medo fundamental a ser vencido é aquele medo da morte, pelo qual satanás domina o mundo (Hb 2,14s) que vem da mentira sobre Deus, que impede o homem de se aceitar como sua criatura, e por isso, faz de si próprio o absoluto.

Ao contrário, temos que ter o temor de Deus. O temor deriva da consciência de nossa pequenez e de nosso pouco valor como criatura. Mas Deus é amor, e o amor cuida de cada pequenino. Por isso, podemos confiar no amor de Deus por nós que conhece até os detalhes de nossa vida: “Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados”. Esta expressão é um sinal do amor de Deus por cada um de nós. Temos como valor infinito o amor de Deus por nós: vale mais do que a vida de seu Filho, valemos o Sangue de Cristo (1Pd 1,18s; 1Cor 6,20; 7,23).

P. Vitus Gustama,svd

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Quinta-feira Da XXVIII Semana Comum, 15/10/2026

SER VERDADEIRO CRISTÃO É SER JUSTO E PURO DE CORAÇÃO E SER BÊNÇÃO PARA OS OUTROS

Quinta-Feira da XXVIII Semana Comum

Primeira Leitura: Ef 1,1-10 (Ano Par)

1Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, aos santos e fiéis em Cristo Jesus: 2a vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 3Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele nos abençoou com toda bênção do seu Espírito em virtude de nossa união com Cristo, no céu. 4Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor. 5Ele nos predestinou para sermos os seus filhos adotivos por intermédio de Jesus Cristo, conforme a decisão da sua vontade, 6para o louvor da sua glória e da graça com que ele nos cumulou no seu Bem-amado.  7Pelo seu sangue, nós somos libertados. Nele, as nossas faltas são perdoadas, segundo a riqueza da sua graça, 8que Deus derramou profusamente sobre nós, abrindo-nos a toda a sabedoria e prudência. 9Ele nos fez conhecer o mistério da sua vontade, o desígnio benevolente que antemão determinou em si mesmo, 10para levar à plenitude o tempo estabelecido e recapitular em Cristo, o universo inteiro: tudo o que está nos céus e tudo o que está sobre a terra.

Evangelho: Lc 11,47-54

Naquele tempo, disse o Senhor: 47 “Ai de vós, porque construís os túmulos dos profetas; no entanto, foram vossos pais que os mataram. 48 Com isso, vós sois testemunhas e aprovais as obras de vossos pais, pois eles mataram os profetas e vós construís os túmulos. 49 É por isso que a sabedoria de Deus afirmou: Eu lhes enviarei profetas e apóstolos, e eles matarão e perseguirão alguns deles, 50 a fim de que se peçam contas a esta geração do sangue de todos os profetas, derramado desde a criação do mundo, 51 desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o santuário. Sim, eu vos digo: serão pedidas contas disso a esta geração. 52 Ai de vós, mestres da Lei, porque tomastes a chave da ciência. Vós mesmos não entrastes, e ainda impedistes os que queriam entrar”. 53 Quando Jesus saiu daí, os mestres da Lei e os fariseus começaram a tratá-lo mal, e a provocá-lo sobre muitos pontos. 54 Armavam ciladas, para pegá-lo de surpresa, por qualquer palavra que saísse de sua boca.

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Durante alguns dias da semana vamos ler e refletir sobre a Carta aos Efésios. A Carta foi escrita depois que numerosos pagãos se haviam incorporados à Igreja formada  no início por cristãos convertidos do judaísmo.

Muitos especialistas concordam que a Carta aos Efésios não foi escrita por são Paulo, e sim por um discípulo seu, muitos anos depois da morte de são Paulo, porém continua refletindo sobre a doutrina de são Paulo. Essa opinião se baseia na linguagem, no estilo e no conteúdo da Carta. A linguagem e o estilo da Carta aos Efésios são  mais solenes e complicados em comparação às Cartas escritas pelo próprio são Paulo: 1Ts, Rm, 1 e 2Cor, Gl, Fl e Fm. A doutrina sobre Cristo parece ser mais desenvolvida nesta Carta, especialmente sobre a significação de sua morte e de sua exaltação à direita do Pai.

Em relação à Igreja, nas Cartas escritas por são Paulo como Coríntios, Gálatas e Romanos, a palavra “Igreja” se refere à Igreja local. Na Carta aos Efésios o que prevalece é a Igreja universal na qual se integram judeus e gentios. Ou seja, em Ef, a Igreja é vista como um fenômeno universal, cósmico em extensão e influência, corporificando toda a criação (Ef 1,21-23; 3,9-11), enquanto nas Cartas protopaulinas predomina a visão da Igreja como comunidade local ( veja 1Cor q,2; Gl 1,2 Fm 2). Em Ef se encontram os judeus e os gentios juntos reconciliados “ambos com Deus em um só corpo, por meio da Cruz” (Ef 2,16), tornando-se “um só ser humano novo” (Ef 2,15), porque agora foi “derrubado o muro da separação” (Ef 2,14).

Isso nos leva à conclusão de que o problema dos judaizantes e influêntes, que aparece na Carta aos Gálatas, parece que já está superado. E nesta Carta Cristo é a cabeça que comunica a vida aos cristãos, e os une num conjunto orgânico e vital. E a ideia principal é a união dos membros com a cabeça, que é o próprio Cristo. E destacam-se duas visões idealistas sobre a Igreja em duas cartas (Colossenses e Efésios): a santidade e o amor. A santidade vem de sua condição como Corpo de Cristo cuja cabeça é Cristo. Está em destaque também o amor à Igreja. Cristo amou profundamente a Igreja e se entregou por ela (Ef 5,25). Esse amor será suficiente forte para assegurar a sobrevivência da Igreja.

Em relação ao tema sobre o matrimônio, em Ef 5,21-23 (fundamento bíblico do sacramento do matrimônio) é o mais completo e profundo do que em 1Cor 7.

A data provável da composição da Carta aos Efésios entre os anos 61-63 depois de Cristo. E o lugar de composição é Roma, onde o apóstolo Paulo se encontra nestas datas prisioneiro.

Apesar de não ser escrita pelo próprio são Paulo “Para valorizar de verdade Efésios (Ef) há que lê-la em voz alta. Esta obra do Novo Testamento transborda de linguagem de oração, adoração e celebração. Impressiona o ouvinte com passagens comovedoras e com outros que parecem hinos majestosos. É um texto excelente para ilustrar a estreita conexão entre o Novo Testamento e a assembleia cultual. A palavra grega neotestamentária ‘ekklesia’, que habitualmente se traduz como ‘Igreja’, de fato, tem o sentido literal de ‘assembleia’. É uma palavra que aparece frequentemente em Efésios. ... De todas as obras paulinas, esta é que mostra maior interesse pela Igreja universal” (Margaret Y. MacDonald: Efesios, in Comentario Bíblico Internacional  p.1521).

O início da Carta, que lemos na Primeira Leitura, é um hino entusiástico ao plano salvífico de Deus: uma grande bênção tanto para cima como para baixo. Bendizemos a Deus, porque ele nos abençoou antes com todos os tipos de bênçãos, em Cristo Jesus. Por isso, este início constitui a parte doutrinal da Carta. Começa com um hino, no quel coloca em destaque a ação do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Deus, levado pelo seu amor, nos vivificou em Cristo (Ef 2,1-10). E fez dos judeus e pagãos um só povo (Ef 2,11-22).

Tudo é iniciativa de Deus, que nos predestinou desde a eternidade para sermos seus filhos, para sermos salvos por Cristo. Tudo isso, segundo a densa fórmula de Paulo, sempre acontece "na pessoa de Cristo", isto é, porque estamos unidos ao seu Filho Jesus, em quem Deus pensa "recapitular todas as coisas no céu e na terra".

Em poucas linhas, este início diz qual é a riqueza do projeto de Deus, centrado em Cristo Jesus, que representa para nós a maior sorte: nada menos do que ser filhos no Filho. Se realmente acreditamos nisso - que Deus nos ama, que ele pensou em nós antes de existirmos, que nos incorporou ao destino de seu Filho, que nos perdoou, que, portanto, também nos fez filhos em sua família, e aquela destinada à plena salvação - não deveríamos mudar nossa maneira de viver todos os dias?

Claro que isso nos compromete, porque ele espera uma resposta: "ele nos escolheu na pessoa de Cristo para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele por amor".

O tom eufórico de Paulo também é retomado pelo Catecismo da Igreja Católica (CIC 1077-1083), que, quando começa a apresentar o mistério da celebração cristã, canta precisamente esta solene bênção de Paulo, e depois passa um tempo descrevendo brevemente em que consiste essa bênção. “Abençoar” é uma ação divina que dá a vida e da qual o Pai é a fonte. Sua bênção é ao mesmo tempo palavra e dom (“bene-dictio”, “eu-logia”). Aplicado ao homem, este termo significará a adoração e a entrega ao seu Criador, na ação de graças. Desde o início até a consumação dos tempos, toda a obra de Deus é bênção. ... Desde o começo, Deus abençoa os seres vivos, especialmente o homem e a mulher...” (CIC,1078-1080).

Portanto, tempos que manter nossa consciência de que somos todos abençoados de Deus. Vivamos como tal e sejamos bênção para todos onde estivermos e para onde formos.

É Preciso Purificarmos Nosso Coração De Todo Tipo de Podridão Para Voltar a ser justos

Continuamos a acompanhar as Lições do Caminho dadas por Jesus durante sua última viagem para Jerusalém (Lc 9,51-19,28), pois nessa cidade Ele será crucificado, morto e glorificado.

E a passagem do evangelho de hoje nos apresenta a ultima parte do conjunto de acusações de Jesus (Lc 11,37-54) contra os dirigentes oficiais judeus, os fariseus e os escribas porque eles invertem o valor das coisas. Eles vivem uma vida dupla. São denunciados pela incoerência de sua vida. As palavras de Jesus têm um tom de denúncia e por isso, trata-se de a voz de um profeta.

Nesta ultima parte encontramos os mais terríveis acusações, pois a religião dos fariseus não só camufla a morte espiritual, mas também mostra uma oposição radical aos verdadeiros porta-vozes de Deus, pois esses profetas foram assassinados. Não se pode considerar verdadeira uma religião, uma crença que usa de violência contra aos demais seres humanos. Cada verdadeira religião, cada verdadeira Igreja, cada crença verdadeira deve transformar seus adeptos em irmãos e irmãs da humanidade. Cada verdadeira religião, cada verdadeira Igreja deve manter sua função profética contra qualquer injustiça social, contra qualquer desigualdade, contra qualquer violência e assim por diante. A denúncia de Jesus, apesar de conter toda verdade, provoca o ódio feroz nos seus adversários e o próprio Jesus será vítima da própria denúncia. “Os que discutem mais que defendem a verdade, utilizam mais as desculpas que os argumentos, não se preocupam com a verdade, mas com seu próprio triunfo”, dizia Santo Agostinho (Epist. 238,2).

Mas a verdade vencerá, e o tempo vai mostrar toda a verdade, pois a verdade tem seu próprio caminho. Dia virá, indeterminado, porém seguro, em que Deus pedirá contas da consciência que destruímos, da pobreza que geramos e das vidas que prejudicamos, das desuniões e da polarização que produzimos,  do sangue de todos os profetas que derramamos, de todos os inocentes, sacrificados aos interesses humanos em virtude da inteligência mal empregada e da defesa de uma lei supostamente sagrada. O sagrado é o próprio ser humano, pois ele é o templo de Deus (cf. 1Cor 3,16-17; cf. Mt 25,40.45).

“Ai de vós, porque construís os túmulos dos profetas; no entanto, foram vossos pais que os mataram. Com isso, vós sois testemunhas e aprovais as obras de vossos pais, pois eles mataram os profetas e vós construís os túmulos. (...) Sim, eu vos digo: serão pedidas contas disso a esta geração” (Lc 11, 47-48. 51b). Enquanto os profetas anunciam a Palavra de Deus, os mestres da lei a falsificam, sufocando-a com infinitas prescrições. Se mataram os que anunciavam a Palavra, os profetas, os próprios dirigentes do povo também vão matar a própria Palavra divina que é Jesus Cristo.

Os escribas crêem honrar os profetas assassinados fazendo-lhes esplêndidos sepulcros. Ou seja, os fariseus estão dispostos a honrar os profetas mortos, mas não fazem caso para os profetas vivos. Eles tratam os profetas de seu tempo igual ao tratamento que os seus antepassados faziam contra os verdadeiros profetas. Em outras palavras, na realidade, eles seguem o mesmo caminho (eles vão matar Jesus). Eles matarão Jesus em nome de sua interpretação sobre a lei. Possuidores da chave da ciência eles fecham o caminho da salvação aos que confiam neles e os seguem como guias. Eles preferem seus próprios caminhos ao caminho de Deus.

Ao denunciar a perseguição e a morte dos profetas antigos, Jesus denuncia antecipadamente a injustiça praticada contra Ele, no futuro próximo, exatamente, por aqueles que buscam agradar a Deus e cultivam uma suposta santidade. Isto nos mostra que a recitação de um credo e a prática do culto sem o compromisso de uma conduta coerente eticamente é um ópio que adormece a própria consciência. É um grande alerta a todos que se dizem religiosos ou fieis para que a prática religiosa não seja mais importante do que o próprio Deus e o próximo.

Que falta que os profetas nos fazem! E o Evangelho insiste: os profetas foram perseguidos, acusados e derramaram seu sangue, foram assassinados (Lc 11,49). O mundo precisa verdadeiramente dos homens e das mulheres que profetizam, isto é, que anunciam o bem e denunciam o mal e tudo que é desumano. Em um lugar e em um tempo em que carece o transcendente, o divino; em um tempo onde tantos filhos de Deus, os inocentes estão maltratados e crucificados pela fome, pela exploração, pela injustiça, pela desesperança, em um lugar onde a verdade é silenciada e distorcida, somente as vozes proféticas podem dizer algo transparente, crível capaz de chegar até o coração de cada pessoa para transformá-lo em um coração sincero, em um coração de irmão. Se nos faltarem os profetas, o testemunho cristão será opaco, sua voz será inexpressiva, suas atividades serão infecundas e frustrantes. São Paulo nos adverte: “Não extingais o Espírito; não desprezeis as profecias. Discerni tudo e ficai com o que é bom. Guardai-vos de toda espécie de mal” (1Ts 5,19-22). Necessitamos de profetas dentro da própria Igreja e fora dela da mesma forma.

“Ai de vós, mestres da Lei, porque tomastes a chave da ciência. Vós mesmos não entrastes, e ainda impedistes os que queriam entrar”.  Os escribas dominam as Sagradas Escrituras. Possuidores da chave da ciência, os escribas fecharam a salvação aos que põem neles sua confiança e os seguem como guias. Eles preferem os próprios caminhos ao caminho de Deus. Mas não basta compreender a Palavra de Deus. É preciso abrir toda essa riqueza para que seja desfrutada por todos. Deus nos confiou a riqueza de Seu amor, de Sua vida, de Seu perdão, de Sua salvação não para que escondamos e sim para que todos conheçam toda essa riqueza a fim de que sua vida tenham sentido apesar de tudo, como a perseguição. Não basta construir templos. É necessário viver o Evangelho. É necessário que a salvação seja parte de nossa própria vida de cada dia. A fé nos move para que mudemos nossos critérios de acordo com a Palavra de Deus a fim de que sejamos sinais do amor de Deus para os demais.

Nós nos reunimos em torno de Cristo na celebração de Seu mistério pascal para assumirmos nossa própria responsabilidade. Quem somente participa (= assistir) da missa sem nenhuma capacidade de produzir fruto, se faz responsável, não somente, da morte de Jesus, mas também do mal que continua dominando muitos ambientes de nosso mundo.

Não basta construir templos, casas de assistência social, fundar clubes ou associações de ajuda solidária. É necessário viver o Evangelho. É necessário confessar Jesus Cristo. Na sua primeira homilia, logo depois de sua eleição, o Papa Francisco disse: “Podemos caminhar o que quisermos, podemos edificar um monte de coisas, mas se não confessarmos Jesus Cristo, está errado. Tornar-nos-emos uma ONG sócio-caritativa, mas não a Igreja, Esposa do Senhor... Quando não se confessa Jesus Cristo, faz-me pensar nesta frase de Léon Bloy: ‘Quem não reza ao Senhor, reza ao diabo’. Quando não confessa Jesus Cristo, confessa o mundanismo do diabo, o mundanismo do demônio”. A Igreja de Cristo não pode ficar na somente promoção social como uma filantropia. Mas é necessário fazer que a salvação faça parte de nossa própria vida para que possamos levá-la também aos demais.

P. Vitus Gustama,svd

XXIX Domingo Do Tempo Comum, Ano "A", 18/10/2026

DEUS É SOBERANO E NÓS SOMOS IMAGEM DE DEUS E SUA SEMELHANÇA NESTE MUNDO XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM “A” Primeira Leitura: Is 45,1.4-6 ...