domingo, 21 de junho de 2026

Natividade De São João Batista- Solene, 24/06/2026

SOLENIDADE DA NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA

Primeira Leitura: Is 49, 1-6

1Nações marinhas, ouvi-me, povos distantes, prestai atenção: o Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome; 2fez de minha palavra uma espada afiada, protegeu-me à sombra de sua mão e fez de mim uma flecha aguçada, escondida em sua aljava, 3e disse-me: “Tu és o meu Servo, Israel, em quem serei glorificado”. 4E eu disse: “Trabalhei em vão, gastei minhas forças sem fruto, inutilmente; entretanto o Senhor me fará justiça e o meu Deus me dará recompensa”. 5E agora diz-me o Senhor – ele que me preparou desde o nascimento para ser seu Servo – que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória. 6Disse ele: “Não basta seres meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra”.

Segunda Leitura: At, 13,22-26

Naqueles dias, Paulo disse: 22“Deus fez surgir Davi como rei e assim testemunhou a seu respeito: ‘Encontrei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que vai fazer em tudo a minha vontade’. 23Conforme prometera, da descendência de Davi Deus fez surgir para Israel um Salvador, que é Jesus. 24Antes que ele chegasse, João pregou um batismo de conversão para todo o povo de Israel. 25Estando para terminar sua missão, João declarou: ‘Eu não sou aquele que pensais que eu seja! Mas vede: depois de mim vem aquele, do qual nem mereço desamarrar as sandálias’. 26Irmãos, descendentes de Abraão, e todos vós que temeis a Deus, a nós foi enviada esta mensagem de salvação”.            

Evangelho: Lc 1,57-66.80

57 Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho. 58 Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel, e alegraram-se com ela. 59 No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. 60 A mãe, porém disse: “Não! Ele vai chamar-se João”. 61 Os outros disseram: “Não existe nenhum parente teu com esse nome!” 62 Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. 63 Zacarias pediu uma tabuinha, e escreveu: “João é o seu nome”. E todos ficaram admirados. 64 No mesmo instante, a boca de Za­carias se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus. 65 Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Ju­deia. 66 E todos os que ouviam a notícia ficavam pensando: “O que virá a ser este menino?” De fato, a mão do Senhor estava com ele. 80 E o menino crescia e se fortalecia em espírito. Ele vivia nos lugares desertos, até o dia em que se apresentou publicamente a Israel.

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João Batista, o Precursor Do Senhor

No dia 24 de Junho celebramos a Solenidade do Nascimento de João Batista. João Batista tem um lugar especial dentro da liturgia da Igreja. Seu nascimento tem o grau de solenidade, que é mais alto liturgicamente (na liturgia tem memória facultativa, memória obrigatória, festa e solenidade). Por isso, quando a solenidade de seu nascimento cair no domingo usa-se a liturgia de sua solenidade em vez da liturgia daquele domingo. A Igreja celebra o dia de seu nascimento, coisa que não se faz com os santos. O dia de um santo/santa é celebrado no dia de sua morte considerado como o dia de nascimento para a glória ou para a vida de Deus. No caso de João Batista são celebrados o nascimento (24 de Junho) e seu martírio, sua decapitação (29 de Agosto).

João Batista foi um personagem conhecido em seu tempo. O historiador Flavio Josefo não se esqueceu de citar João Batista na sua obra: “João cognominado Batista era um homem de grande piedade que exortava os judeus a abraçar a virtude, a praticar a justiça e a receber o batismo, depois de se terem tornado agradáveis a Deus, não se contentando em não cometer pecados, mas unindo a pureza do corpo à alma(cf. Flávio Josefo: História dos Hebreus, livro XVIII, Cap.7 n.781).

A festa do Nascimento de são João Batista historicamente é muito popular. O foklore com suas fogueiras, danças, comidas etc. é bem conhecido. A Igreja colocou esta celebração a seis meses exatos antes do nascimento de Jesus (Natal), aplicando o ciclo litúrgico a frase “já está no sexto mês aquela que é tida por esteril” (Lc 1,36).

Para a fé cristã, João Batista é, nada mais e nada menos, o Precursor do Senhor. Seu nome o indica: “Deus se compadeceu” (João) ou “o Senhor manifestou sua benevolência”, enquanto que Jesus significa “Deus salva”. Comentou Santo Agostinho: “João é a voz; mas desde o princípio o Senhor era a Palavra. João era a voz por algum tempo; Palavra desde o princípio, Cristo é Palavra (Verbo) por toda a eternidade” (cf. Santo Agustinho, Obras Completas, Tomo VII, Sermões). Para a fé cristã, isto supõe o fim do Antigo Testamento e o prelúdio do Novo Testamento.

Fixemos hoje na figura austera e heróica de João Batista: as características mais importantes de sua vida que podem nos ajudar em nosso próprio caminho de cristãos.

Primeiro, assumindo as esperanças do povo, João Batista resume todo o Antigo Testamento.

Joao batista sabe recorrer e pôr em destaque toda a esperança e anseio de salvação que estava no coração de seu povo. Sua palavra cegava ao interior das pessoas, suscitando provocação, inquietude, e fazendo que os olhos do povo se abriram para o futuro. Sua palavra sacudia as falsas seguranças do povo contra a fé autêntica. Sua palavra foi “espada cortante” e “flecha polida”. Foi como a palavra de Moisés, como a palavra dos profetas: “Convrtei-vos!”.

Em segundo lugar, João Batista prepara o povo para a vinda de Jesus, o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.

Sua missão foi a de fazer tomar consciência do pecado, preparando, desse modo, os corações dos homens para receber o anúncio do perdão. Ele põe em destaque a escravidão que mantinha o povo prisioneiro e os abria para acolher a Boa Notícia da libertação e da salvação. Provocando questões, ele preparava o povo para escutar um dia a resposta.

A missão de João Batista é a de Precursor, isto é, a missão de levar os homens até Jesus. Consequentemente, a missão do arauto é desaparecer, ficar em segundo plano quando chega aquele que foi anunciado. Um erro grave de qualquer precursor ou evangelizador ou pregador seria deixar que o confundissem com aquele que esperam, ainda que fosse por alguns minutos ou por pouco tempo. A missão de João Batista é a de facilitar e fazer possível o encontro do povo com Jesus, Salvador do mundo. Com simplicidade ele reconhecia a superioridade de Jesus ao dizer: “Aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. De fato, eu não sou digno nem ao menos de tirar-lhe as sandálias” (Mt 3,11). Ou quando, ao final de sua missão, desaparece sem fazer ruído e o faz com gozo, porque “É necessário que Ele cresça e eu dimunuia” (Jo 3,30).

Em terceiro lugar, João Batista é fiel e valente até o fim.

João Batista leva a término sua missão com fidelidade. Escolhido “ nas entranhas maternas” e apesar das dificuldades e as próprias dúvidas, ele segue adiante. Toda sua vida tem a grandeza da missão bem cumprida, realizada sem ostentação. Ele deixa sua vida nessa missão. Seu anúncio do Reino que se aproxima choca com a resistência daqueles que construíram seu próprio reino neste mundo, mesmo sabendo que eles morrerão como qualquer criatura humana. João Batista é encarcerado e com seu próprio sangue selará  seu testemunho. E o faz com valentia.

João Batista é profeta e possui consciência de que foi chamado por Deus para ser Precursor do Messias, Jesus Cristo. Ele conhece e reconhece seu papel como Precursos na história da salvação. Por isso, ele afirma categoricamente: “É preciso que Ele (Messias) cresça e eu diminua” (Jo 3,30). Está longe dele a arrogância, pois a arrogância é um veneno que destrói a pessoa a partir de dentro. Humildemente, João Batista sabe-se servo. Diante de Jesus, o Messias esperado e que chegou, João Batista apresenta o padrão por excelência de humildade: “Eu não sou digno de desamarrar suas sandálias” (Jo 1,27). O arrogante é rebaixado e o humilde é exaltado. A lógica de Deus funciona desde o reverso.

E nós? Celebrando a solenidade do nascimento de João Batista e olhando-nos em sua figura podemos lançar hoje umas perguntas sérias. Porque cada um de nós recebeu uma missão que não pode ser deixada em vão. O dom da fé que recebemos é ao mesmo tempo uma responsabilidade. Ser batizado não é somente para ser cristão sem fazer nada, e sim cada um é batizado para ser “sal da terra” (Mt 5,12) e “ luz do mundo” (Mt 5,14). Em qualquer lugar onde estivermos e para onde formos temos que ser reflexos de Cristo, “Luz do mundo(Jo 8,12).

Portanto, até que ponto, a exemplo de João Batista, sabemos nos aproximar das angústias e aspirações daqueles que estão ao nosso lodo ou dos que trabalham conosco? Muitas das vezes ficamos muito alienados dos que vivem e trabalham conosco. Muitas vezes nossa palavra é fria e impessoal, incapaz de fazer nenhum eco naqueles que a ouvem. Quanto mais barreiras criamos entre nós e os outros, mais difícil seremos contagiados por algo de bom e menos ainda pela autentica fé. Estamos conscientes de que nossa missão, como a de João Batista, é a de facilitar os demais para o encontro com Jesus? Somos capazes, em certos momentos de mantes, de manter uma atitude valente, constante e decidida a exemplo de João Batista? De que maneira levamos a término a missão a nós confiada?

Deus É Misericordioso: O Impossível Se Torna Possível

Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho”, assim lemos no Evangelho de hoje. Dar à luz um filho para uma mulher é um fato absolutamente normal, embora resulte na alegria para toda a família. Mas o nascimento de João Batista apresenta um aspecto diferente. Os pais eram idosos: a mulher, estéril; portanto, dentro dos limites humanos, uma concepção e um nascimento eram impossíveis. Mas diante de Deus não existem impossíveis e por isso os anciãos receberam o dom de um filho.

Por isso, o nascimento de João Batista é visto como um ato de “misericórdia” do Senhor na vida de Isabel. Na bíblia “misericórdia” não indica apenas a compaixão para com uma pessoa indigna e desprezível (de fato, Zacarias e Isabel eram justos e retos), mas também se refere à generosidade e fidelidade de Deus. Deus quer mostrar como é grande o seu poder, e gratuito o seu amor. O seio estéril de Isabel representa a condição humana sem vida, sem esperança e sem futuro, insustentável, triste e sem vida. E Deus intervém para dar-lhe vida, movido pela misericórdia.

Portanto, no nascimento de João Batista intervém dois fatores: por um lado, a realidade biológica dos pais que se amam (eram idosos e Isabel era estéril). E ao mesmo tempo, influi de uma maneira decisiva o poder de Deus que guia a história dos homens.

Tudo que se fala aqui é uma mensagem de esperança. Com Deus nada é perdido e nada é pequeno; com Deus tudo se torna possível. Será que somos pessoas de esperança? Aquele que tem fé, também tem esperança; aquele que tem esperança tem perseverança e aquele que tem perseverança tem paciência por que ele sabe em quem acredita (cf. 2Tm 1,12) e espera com fé sempre no Senhor.

Por outro lado, o texto quer nos apresentar o lado escuro da fé. Zacarias serve a Deus no Templo. Mesmo assim tem dúvidas diante do anúncio de Deus sobre a gravidez de Isabel, sua esposa apesar de sua idade avançada. Vem a pergunta que serve de reflexão para cada um de nós diante da incredulidade de Zacarias: “Que sentido tinha, então, o rito que com tanta solenidade ele celebrava no Templo? Que sentido tem das missas das quais participamos quase todos os dias se continuamos a duvidar da misericórdia e do poder de Deus na nossa vida?”.

Quando não acreditarmos na força de Deus, somos impedidos de falar dele e de louvar seu nome (ficamos mudos). A partir do momento em que acreditarmos, experimentarmos e vivermos a força de Deus, ninguém e nada nos impedirão de louvarmos Deus, fonte de nossa força. E faremos outros alegres pela nossa presença e pelo modo humano com que falamos com os demais.

Através do nascimento milagroso de João Batista Deus quer dizer a cada um de nós: “Confie em mim!”. Deus nos pede que em cada dúvida, perplexidade e escuridão de nossa vida que saibamos nos entregar nas mãos misericordiosas de Deus e que sejamos fiéis aos seus mandamentos não por medo, mas por amor. Diante do amor de Deus devemos responder com o mesmo amor.  Através do anjo Deus diz a Zacarias: “Não tenhais medo, Zacarias!”. As mensagens e a Palavra de Deus são motivo de paz e de serenidade para quem as escuta com coração aberto e as vive no cotidiano. É verdade que em determinados casos e momentos pode custar aceitar a vontade de Deus, porém, no final da história sempre nos deixa a paz. Por isso, quando há medo e desconfiança temos que recorrer à voz e à Palavra de Deus que nos acalma. Para Deus não há nada, absolutamente nada impossível (cf. Lc 1,37).

Por fim, sobre o nome “João”. Como era costume, os vizinhos e parentes dão por ato que o menino se chamaria como o pai (Tb 1,9). Mas João não poderia se chamar “Zacarias”. Com isso, João não dá simplesmente continuidade à estirpe (tronco de família), mas assinala o início da nova época. Terminou o tempo em que se recordam as promessas (“Zacarias” significa “Deus se recorda” ou “Deus recorda” as suas promessas). Terminou o tempo em que se recordam as promessas, chegou o tempo de ver em ação a bondade de Deus. A questão decisiva é, a partir dessa mudança de nome em não seguir o nome do pai: Qual é a vontade de Deus? Deus nem sempre escolhe o caminho da tradição, o velho costume, a trilha usada. Isabel escolhe o nome de João, pois conhecia, por espírito profético (Jo 1,41), a vontade de Deus. Os parentes julgavam tudo pelos usos e costumes. Isabel percebe o sopro de algo novo. Ela julga de maneira nova. E isto causa estranheza para os que estão totalmente enraizados nas coisas velhas. O Espírito interrompe por caminhos novos pois ele é aquele que renova a face da terra(cf. Ap 21,5), que nem sempre fáceis de compreensão. O Espírito nem sempre sopra segundo os planos dos homens, mas também até contra eles. A vontade e a Palavra de Deus colocam os homens escolhidos perante a necessidade de terem de abandonar a senda rotineira ou o curso normal de uma tradição(cf. Lc 5,39).  Essa atitude radical que destrói as linhas tradicionais de autoridade e continuidade, por certo está bem de acordo com a ação e mensagem de João. Mais tarde ele verá seus correligionários judeus como “raça de víboras” (Lc 3,7;Mt 3,7) que totalmente confiam em sua descendência de Abraão para protegê-los do próximo julgamento, quando na verdade nem a descendência de Abraão, nem a usual rotina do culto, mas apenas o arrependimento individual e boas ações podem salvar alguém da destruição (Lc 3,7-9 par.; Mc 1,4-5;12).

O nascimento dos santos/consagrados constitui alegria para muitos, porque o santo é um dom de Deus à humanidade, é um bem para todos. Todo ato de misericórdia traz a alegria não só a quem o recebe, mas também aos que sabem reconhecê-lo e estão prontos a exaltá-lo. A misericórdia e a alegria são alguns dos temas preferidos e fortes de Lucas. A mensagem da salvação percorre espaços sempre mais vastos. Não basta, por isso, participar nos acontecimentos salvíficos e ouvir falar deles. Os acontecimentos devem ser acolhidos no coração e quem os acolhe deve sintonizar-se interiormente com eles e espalha para os outros.

João significa o Senhor manifestou sua benevolência; Zacarias= Deus se recordou; Isabel (elíseba, Hbr)= Deus é plenitude, perfeição.

P. Vitus Gustama,SVD

Terça-feira Da XII Semana Comum, Ano Par, 23/06/2026

É PRECISO MANTER A  FÉ EM DEUS E VALORIZAR O VALIOSO

Terça-Feira da XII Semana Comum

Primeira Leitura: 2Rs 19,9b-11.14-21.31-35a.36

Naqueles dias, 9b Senaquerib, rei da Assíria, enviou de novo mensageiros a Ezequias para dizer-lhe: 10 Não te seduza o teu Deus, em quem confias, pensando: Jerusalém não será entregue nas mãos do rei dos assírios. 11 Porque tu mesmo tens ouvido o que os reis da Assíria fizeram a todas as nações e como as devastaram. Só tu te vais salvar?” 14 Ezequias tomou a carta da mão dos mensageiros e leu-a. Depois subiu ao templo do Senhor, estendeu a carta diante do Senhor 15 e, na presença do Senhor, fez a seguinte oração: “Senhor, Deus de Israel, que estás sentado sobre os querubins! Tu és o único Deus de todos os reinos da terra. Tu fizeste o céu e a terra. 16 Inclina o teu ouvido, Senhor, e ouve. Abre, Senhor, os teus olhos e vê. Ouve todas as palavras de Senaquerib, que mandou emissários para insultar o Deus vivo. 17 É verdade, Senhor, que os reis da Assíria devastaram as nações e seus territórios; 18 lançaram os seus deuses ao fogo, porque não eram deuses, mas obras das mãos dos homens, de madeira e pedra; por isso os puderam destruir. 19 Mas agora, Senhor, nosso Deus, livra-nos de suas mãos, para que todos os reinos da terra saibam que só tu, Senhor, és Deus”. 20 Então Isaías, filho de Amós, mandou dizer a Ezequias: “Assim fala o Senhor, Deus de Israel: Ouvi a prece que me dirigiste a respeito de Senaquerib, rei da Assíria. 21 Eis o que o Senhor disse dele: A virgem filha de Sion despreza-te e zomba de ti. A filha de Jerusalém meneia a cabeça nas tuas costas. 31 Pois um resto sairá de Jerusalém, e sobreviventes, do monte Sião. Eis o que fará o zelo do Senhor todo-poderoso. 32 Por isso, assim diz o Senhor acerca do rei da Assíria: Ele não entrará nesta cidade, nem lançará nenhuma flecha contra ela, nem a assaltará com escudo, nem a cercará com trincheira alguma. 33 Pelo caminho, por onde veio, há de voltar, e não entrará nesta cidade, diz o Senhor. 34 Protegerei esta cidade e a salvarei em atenção a mim mesmo e a meu servo Davi”. 35ª Naquela mesma noite, saiu o Anjo do Senhor e exterminou no acampamento assírio cento e oitenta e cinco mil homens. 36 Senaquerib, rei da Assíria, levantou acampamento e partiu. Voltou para Nínive e aí permaneceu.

Evangelho: Mt 7,6.12-14

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 6 "Não lanceis aos cães as coisas santas, não atireis aos porcos as vossas pérolas, para que não as calquem com os seus pés, e, voltando-se contra vós, vos despedacem. 12 Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a lei e os profetas. 13 Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram. 14 Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram”.

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É Preciso Abandonar a Arrogância e Começar a Confiar Em Deus Em Todos Os momentos Da Vida

Lemos na Primeira Leitura uma carta de provocação ou ultimato de Senaquerib, rei assírio, dirigida ao rei de Judá, Ezequias: “Não te seduza o teu Deus, em quem confias, pensando: Jerusalém não será entregue nas mãos do rei dos assírios. Porque tu mesmo tens ouvido o que os reis da Assíria fizeram a todas as nações e como as devastaram. Só tu te vais salvar?”.

A Primeira Leitura faz parte da história do reino de Judá até a queda de Jerusalém (2Rs 18,1-25,30).

Senaquerib, que governou Assíria entre os anos 704-681 a.C, é o sucessor de seu pai, rei Sargão II. Segundo os anuais assírios (narração de sucessos organizada ano por ano), o rei Senaquerib empreendeu uma expedição contra Judá em 701 a.C. Seu exército chegou ao território filisteu pela costa fenícia, derrotou o Egito, e de volta, atacou Judá, enquanto outro exército se dirigiu a Jerusalém (cf. Is 10,28-32). Segundo esses anuais Senaquerib ampliou seu domínio sobre 46 cidades e deportou grande número de pessoas e cercou Ezequias em Jerusalém.

Ezequias, o 13º Rei de Judá, governou entre os anos 726-697 a.C. Ele sucedeu seu pai, o rei Acaz (2Res 18,2). Ezequias Reinou conjuntamente com seu pai de 729 a 715 a.C e, com a idade de 25 anos, tornou-se rei absoluto. A sua história podemos ler em 2Rs 18-20; Is 36-39 e 2Cr 29-32. Segundo os dados que nos apresenta a Bíblia, Ezequias levou a cabo uma reforma religiosa. Ele voltou a centralizar o culto em Jerusalém e eliminou os demais cultos. Apesar disso, ele não foi brilhante em sua carreira política.

A carta do rei Senaquerib dirigida ao rei de Judá, Ezequias, demonstra a arrogância do rei Senaquerib. Senaquerib é uma encarnação da arrogância. Sabemos que um arrogante sempre se acha como o centro e a norma de tudo e de todos. Livre de qualquer subordinação, ele pretende que tudo esteja sujeito a si próprio. Um arrogante é egoísta, pois ele coloca sua pessoa no centro de tudo. Ele é injusto, pois ele não respeita os direitos dos outros. Ele reconhece apenas um direito: o seu. Ele é ingrato. A gratidão sempre envolve o reconhecimento de que uma mão nos ajudou a ser o que somos. Para um arrogante, ele é fruto de si próprio. Ele não permite compartilhar. O mérito é somente dele, embora alguém o tenha ajudado. Ele é imoral, pois ele é incapaz de admitir vínculos morais para os seus comportamentos, pois acha-se superior a todas as pessoas e a todas as leis. Seus atos não precisam respeitar moral alguma, mas ele impõe aos outros normas e comportamentos morais. Ele também fanfarrão, pois está sempre falando de si, atribuindo para si mesmo elogios, forças, conquistas e assim por diante. Ele prepotente, arrogante, insolente e violento.

A reação de Ezequias diante da Carta de Senaquerib é recorrer a Deus na oração. Trata-se de um gesto emocionante. É um gesto que se repete em todas as épocas. Nós recorremos a Deus para expor-lhe nossas angustias, nossas preocupações, nossos medos e assim por diante. Senhor, Deus de Israel, que estás sentado sobre os querubins! Tu és o único Deus de todos os reinos da terra. Tu fizeste o céu e a terra. Inclina o teu ouvido, Senhor, e ouve. Abre, Senhor, os teus olhos e vê. Ouve todas as palavras de Senaquerib, que mandou emissários para insultar o Deus vivo. É verdade, Senhor, que os reis da Assíria devastaram as nações e seus territórios; 18 lançaram os seus deuses ao fogo, porque não eram deuses, mas obras das mãos dos homens, de madeira e pedra; por isso os puderam destruir. Mas agora, Senhor, nosso Deus, livra-nos de suas mãos, para que todos os reinos da terra saibam que só tu, Senhor, és Deus”, assim rezou o rei Ezequias.

Nesta oração encontramos uma exposição das “verdades” do credo deuteronomista que confessa sua fé no Deus único (no monoteísmo que o profeta Isaias vai pregar e defender), e ao mesmo tempo a resposta do rei Ezequias diante dos mensageiros do rei Senaquerib. A oração apresenta a seguinte estrutura: invocação a Deus como Criador e Senhor do universo, descrição do poder assírio e as ofensas cometidas contra Deus, reconhecimento de que os outros deuses não valem nada e a petição a Deus para que intervenha e manifeste seu poder sobre os povos.

A resposta positiva de Deus vem ao povo por meio do profeta Isaías:  Assim diz o Senhor acerca do rei da Assíria: Ele não entrará nesta cidade, nem lançará nenhuma flecha contra ela, nem a assaltará com escudo, nem a cercará com trincheira alguma. Pelo caminho, por onde veio, há de voltar, e não entrará nesta cidade”. Durante um século, Judá se livrará do pior. Efetivamente, a história nos ensina que a cidade de Jerusalém foi salva pela chegada de um exército egípcio e também por uma epidemia de peste que exterminou o exército de Senaquerib e o obrigou a ir embora da cidade.

Fica para nós uma lição de que quando um povo ou uma pessoa puser toda sua confiança em Deus, sucederão coisas surpreendentes vindas de Deus, cedo ou tarde. Ainda que não haja uma relação direta entre o pecado e as desgraças ou entre a virtude e os prêmios imediatos, mas nós seremos melhores suficientes, se formos fieis a nossos melhores princípios e valores. Consequentemente, a sociedade, a Igreja, a comunidade e a família vão ser melhores. Quando colocarmos nossos interesses dentro dos interesses maiores, saberemos experimentar o que significa a verdadeira renúncia. Renunciar não é um ato negativo e sim uma opção por aquilo que é superior na escala de valores. Renunciar é, por isso, um momento de crescimento e de amadurecimento.

Além disso, continuamos sabendo pela experiência e pela história geral que as bravatas ou fanfarronice dos poderosos como a carta de Senaquerib não são a última palavra. Pela história lemos ou vemos que as ideologias e os impérios foram-se derrubando que pareciam invencíveis. Muitas ideologias se tornaram apenas uma história, pois não tem poder de ficar para sempre. É uma lição no nível político e social e também no nível familiar e pessoal.  É oportuno aprendermos também dos erros dos outros para o nosso crescimento. É bem verdade que os defeitos dos outros, muitas vezes, são os nossos defeitos enxergados nos outros. Nunca devemos adotar a atitude de arrogância, pois a arrogância é o início de uma destruição da própria vida e da vida alheia. Revestir-se da humildade é antídoto contra a arrogância. A humildade é o terreno fértil onde a graça de Deus cresce em nós. O humilde reverencia ao Sagrado. Quanto mais ricos e poderosos formos, mais deveremos ser modestos, por respeito aos pobres e aos excluídos e lembrando que todos seremos iguais perante a morte, julgados segundo o amor. A humildade é próprio dos santos, e também a passagem obrigatória para ter a experiência mística. A humildade é ser verdadeiro diante de Deus a fim de acolher o dom de seu amor.

Evangelho: Saber Valorizar o Valioso

Estamos no fim do Sermão da Montanha (Mt 5-7). A passagem do evangelho que serve para nossa meditação de hoje é outra parte da conclusão do Sermão da Montanha (Mt 7). No texto de hoje Jesus nos dá três lições importantes para nossa vida: viver na prudência; em cada ato praticado, o outro deve ser levado em consideração (regra de outro); e o esforço na luta pela salvação (porta estreita).

No texto de hoje Jesus começa sua lição com as seguintes palavras: “Não deis aos cães as coisas santas, nem atireis vossas pérolas aos porcos; para que eles não as pisem e, voltando-se contra vós, vos estraçalhem” (Mt 7,6). Esta sentença enigmática, própria de Mateus, não tem nenhuma relação, ao parecer, com o que precede nem com o que segue (alguns especialistas colocariam o v.6 dentro do conjunto de Mt 7,1-4). Mas o que mais importante para nós é a lição escondida nessa sentença.

Cães e porcos eram animais impuros para os judeus. A quem, então, Jesus se refere quando fala de cães e de porcos? Muitos interpretam que cães e porcos representam os pagãos. Na verdade, os cães e os porcos não designam aqui categorias particulares de homens: pagãos, fariseus, certas pessoas desviadas, hereges e assim por diante. Cães e porcos ilustram bem, aqui, duas recusas características do Evangelho: primeiro, a inconsciência dos que em nenhum momento pressentem (não percebem) o valor do Evangelho, e segundo, a violência perigosa dos que, decepcionados por não encontrar nele (no Evangelho) um alimento de seu gosto, se voltam contra os que propõem a vida de acordo com o Evangelho. Ainda que os discípulos não excluam ninguém de seu amor (Mt 5,38.43-48), mas eles têm que tomar cuidado com aqueles que buscam somente seu próprio interesse e cometem a injustiça contra o próximo. O conselho de Jesus no v.6 se encontra paralelamente no Livro dos Provérbios (Antigo Testamento): Quem censura um mofador, atrai sobre si a zombaria; o que repreende o ímpio, arrisca-se a uma afronta. Não repreendas o mofador, pois ele te odiará. Repreende o sábio e ele te amará” (Pr 9,7-8).

A expressão “as coisas santas” designa com freqüência no Antigo Testamento as viandas (alimento) oferecidas em sacrifício e que somente os fieis podiam consumir “... para a expiação quando de sua tomada de posse e sua consagração. Estrangeiro algum comerá deles, porque são coisas santas(Ex 29,33-34; cf. Lv 2,3;22,10.16; Nm 18,8.19).

O paralelismocoisas santas - pérolas demonstra que a primeira dessas expressões deve ser entendida como uma imagem que designa o que é infinitamente precioso e pertence exclusivamente a Deus. “As pérolas” são imagem daquilo que tem um grande valor ou precioso (cf. Mt 13,46).

Não deis aos cães as coisas santas, nem atireis vossas pérolas aos porcos; para que eles não as pisem e, voltando-se contra vós, vos estraçalhem!”. Através deste conselho Jesus nos ensina a vivermos na prudência.    “A prudência é o olho de todas as virtudes”, dizia Pitágoras. Ser prudente é a primeira lição do evangelho de hoje.

A palavra “prudência” provém do latim “prudens-entis” que, na acepção própria, significa precavido, competente. Prudência é virtude que faz prever, e procura evitar as inconveniências e os perigos; cautela, precaução. A prudência é a capacidade de ver, de compenetrar-se e de ajustar-se à realidade. A prudência oferece a possibilidade de discernir o correto do incorreto, o bom do mau, o verdadeiro do falso, o sensato do insensato a fim de guiar o bom rumo de nossas ações. O prudente jamais se precipita no falar nem no agir sem conhecimento da causa ou da realidade. Tendo conhecimento da causa ou da realidade ele fala com cautela. A prudência é a faculdade que nos permite vermos e aprendermos a realidade tal como é. A prudência é o modo de viver dos sábios, pois o homem sábio é sempre guiado pela prudência. Por isso, o sábio dificilmente machuca os outros.

A segunda lição que Jesus nos dá hoje é esta: “Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas” (Mt 7,12). Trata-se de uma regra de conduta e é considerada como a regra de ouro. A regra de ouro já era conhecida na antiguidade. Em Heródoto lemos: “Não quero fazer aquilo que censuro no próximo(Heródoto, 3,142,3). Na sabedoria de Confúcio (551 antes de Cristo) lemos: “Não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem a você”. Encontramos também esta regra nos ditos do famoso rabi Hillel: “Não faças a ninguém aquilo que te é desagradável; isso é toda a Torá, ao passo que o mais é explicação; vai e aprende!”.

Esta regra de ouro nos ensina que em tudo que falarmos (comentarmos) ou fizermos a vida e a dignidade do outro devem ser levadas em consideração. Às vezes acontece que machucamos muito os outros porque ainda temos muitas feridas dentro de nós que ainda não são curadas. E muitas vezes avaliamos o outro a partir de nossas feridas e não a partir da própria realidade das coisas. Por trás de uma pessoa brava e grosseira, há uma pessoa frustrada.

O verdadeiro cristão faz muito mais além da regra de ouro. Ele é chamado e é enviado a fazer o bem ao próximo independentemente da retribuição ou do reconhecimento. Ele sempre age com um amor gratuito e de qualidade sem medir esforços, porque ele tem consciência clara de que ele é amado por Deus deste modo. Ele é sempre solicito e serviçal. Trata-se de a opção ou do estilo de vida com Deus traduzido na convivência fraterna com os demais. Todo trato cordial e fraterno jamais se baseia na lei de retribuição muito menos acontece por mera formalidade. O cristão existe para fazer o bem, e se não o fizer deixará de existir em Jesus Cristo que “passou a vida fazendo o bem” (At 10,38).

A terceira lição dada por Jesus no evangelho deste dia é esta: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso é o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele! Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida! E são poucos os que o encontram”! (Mt 7,13-14). Estas palavras de Jesus recordam aquilo que Moisés falou, no Livro de Deuteronômio, para o povo eleito quando acabou de expor a Lei: “Olha que hoje ponho diante de ti a vida com o bem, e a morte com o mal. Mando-te hoje que ames o Senhor, teu Deus, que andes em seus caminhos, observes seus mandamentos, suas leis e seus preceitos, para que vivas e te multipliques, e que o Senhor, teu Deus, te abençoe na terra em que vais entrar para possuí-la.  Se, porém, o teu coração se afastar, se não obedeceres e se te deixares seduzir para te prostrares diante de outros deuses e adorá-los, eu te declaro neste dia: perecereis seguramente e não prolongareis os vossos dias na terra em que ides entrar para possuí-la, ao passar o Jordão.  Tomo hoje por testemunhas o céu e a terra contra vós: ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a I tua posteridade, amando o Senhor, teu Deus, obedecendo à sua voz e permanecendo unido a ele. Porque é esta a tua vida e a longevidade dos teus dias na terra que o Senhor jurou dar a Abraão, Isaac e Jacó, teus pais” (Dt 30,15-20). 

Moisés falou de vida e de morte; Jesus, que já olha mais para além da vida neste mundo, fala de “vida e perdição”. Moisés mandou para “escolher o caminho”; Jesus manda “entrar pela porta estreita”, tomar o caminho que leva à vida. Moisés fala desta vida; Jesus fala da vida eterna da qual alcançarão os que seguem a senda estreita.

“Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida!”.  O verbo grego para “apertado” usado em particípio se usa também para indicar aflição, tribulação e perseguição. São os obstáculos  que tem que ser superados quando se recorre “a senda estreita”.

Não percamos a ideia de “caminho”. A vida do cristão se concebe como um “caminho” (cf. At 9,2;13,10;18,25 etc.). Não se improvisa, recorre-se pouco a pouco com uma tensão contínua até o Pai. O amor nos faz encontrarmos Deus face a face um dia. Não precisaremos mais da fé e da esperança no momento em que estivermos face a face com Deus na eternidade. Como disse um pregador: “A fé e a esperança nos levam até a porta do céu. Mas o que nos faz entrar nele é o amor, pois ‘Deus é amor’ (1Jo 4,8.16)”. 

“Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida!”.  No Evangelho de João Jesus se apresenta como porta: “Eu sou a porta; quem entrar por mim será salvo” (Jo 10,9). O cristão se esforça por ser fiel a Deus e aos princípios evangélicos como solidariedade, fraternidade, igualdade, justiça, amor, bondade, solidariedade em vez de egoísmo, agressividade, violência. A santidade é a forma normal de viver os ensinamentos de Cristo no cotidiano. Mas para tudo isto se exige muito esforço. “Deus não condena quem não pode fazer o que quer, mas quem não quer fazer o que pode”, dizia Santo Agostinho (Serm. 54,2).

P. Vitus Gustama,svd

sábado, 20 de junho de 2026

Segunda-feira Da XII Semana Comum, Ano Par, 22/06/2026

FÉ NO DEUS ÚNICO NOS LEVA VIVERMOS NA FRATERNIDADE BASEADA NO AMOR MÚTUO

Segunda-Feira Da XII Semana Comum

Primeira Leitura: 2Rs 17,5-8.13-15a.18

Naqueles dias, 5 Salmanasar, rei da Assíria, invadiu todo o país. E, chegando a Samaria, sitiou-a durante três anos. 6 No nono ano de Oséias, o rei da Assíria tomou Samaria e deportou os habitantes de Israel para a Assíria, estabelecendo-os em Hala e nas margens do Habor, rio de Gozã, e nas cidades da Média. 7 Isto aconteceu porque os filhos de Israel pecaram contra o Senhor, seu Deus, que os tinha tirado do Egito, libertando-os da opressão do Faraó, rei do Egito, porque tinham adorado outros deuses. 8 Eles seguiram os costumes dos povos que o Senhor havia expulsado de diante deles, e as leis introduzidas pelos reis de Israel. 13 O Senhor tinha advertido seriamente Israel e Judá por meio de todos os profetas e videntes, dizendo: “Voltai dos vossos maus caminhos e observai meus mandamentos e preceitos, conforme todas as leis que prescrevi a vossos pais e que vos comuniquei por intermédio de meus servos, os profetas”.14 Eles, porém, não prestaram ouvidos, mostrando-se tão obstinados quanto seus pais, que não tinham acreditado no Senhor, seu Deus. 15ª Desprezaram as suas leis e a aliança que tinham feito com seus pais, e os testemunhos com que os havia garantido. 18 O Senhor indignou-se profundamente contra os filhos de Israel e rejeitou-os para longe da sua face, restando apenas a tribo de Judá.

Evangelho: Mt 7,1-5

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1 “Não julgueis para não serdes julgados. 2 Pois com o julgamento com que julgais, sereis julgados, e com a medida com que medirdes, sereis medidos. 3 Por que reparas o cisco que está no olho do teu irmão, quando não percebes a trave que está no teu? 4 Ou como poderás dizer ao teu irmão: ‘Deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando tu mesmo tens uma trave no teu? 5 Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”.

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É Preciso Viver De Acordo Com Os Mandamento Do Senhor Para Não Cair Na Desgraça

A Primeira Leitura nos fala da história do reino de Israel que chega ao fim sem retorno com a destruição de Samaria e a deportação de seus habitantes. Em 722 a.C a ocupação de Samaria pelo rei de Assíria, Salmanasar V (Sargão II segundo documentos assírios) ou Salmaneser (“Salmeneser”, Ass. “sulman” = divindade é líder). Em 701 a.C foi a primeira ocupação de Jerusalém por Senaquerib, rei de Assíria. Em 597 a.C foi a primeira deportação massiva de judeus para Babilônia. Em 586 a.C foi a ocupação de Jerusalém por Nabucodonosor, rei de Babilônia; destruição total e sistemática da cidade e do Templo e a deportação da população para Babilônia.

O texto da Primeira Leitura é uma reflexão para fornecer uma explicação teológica  sobre as últimas causas que provocaram a queda de Samaria. Esta reflexão do redator serve também para Judá (reino do Sul), pois o que diz sobre Israel (reino do Norte) vale também para Judá (2Rs 17,18-20). De fato, pouco mais de um século depois ocorrerá a mesma sorte para o reino do Sul, Judá. O objetivo do redator deuteronomista é uma advertência  para o futuro dos desterrados a fim de não repetir os mesmos pecados, especialmente o pecado da idolatria. Se não se converter do mesmo pecado, o resultado será a destruição inevitavelmente.

Naqueles dias, Salmanasar, rei da Assíria, invadiu todo o país” (território de Samaria), assim lemos na Primeira Leitura. Podemos imaginar o terror dessa invasão: violar, degolar, queimar, roubar, deportar e assim por diante. Não há invasão pacífica. As vítimas são os pequenos e simples. Além disso, um grande número de seus habitantes são deportados por Sargão II nos anos 720 a.C para diferentes lugares do império.

O redator do Livro dos Reis (os redatores deuteronomistas) reflete largamente sobre esses fatos pela importância que tem na história da Aliança de Deus com Seu povo. O redator se interroga sobre as causas do desastre. Para o autor a causa dessa desgraça é esta: “Isto aconteceu porque os filhos de Israel pecaram contra o Senhor, seu Deus, que os tinha tirado do Egito, libertando-os da opressão do Faraó, rei do Egito, porque tinham adorado outros deuses. Eles seguiram os costumes dos povos que o Senhor havia expulsado de diante deles, e as leis introduzidas pelos reis de Israel”.

Os redatores deuteronomista oferecem uma reflexão para todos os desterrados que contém uma explicação e uma advertência para o futuro. Rei assírio foi usado por Deus para mostrar a Israel (reno do Norte) sua desobediência.

O pecado principal do povo eleito é a IDOLATRIA. Este pecado é relembrado várias vezes ao longo do livro. Em sentido próprio e clássico, idolatria é a adoração ou o culto que se tributa a entidades, objetos, imagens ou elementos naturais que se consideram dotados de poder divino ou também a divindades falsas, “vãs aparências” (a palavra “ídolo” provem do grego “eidolon”, significa imagem). No progresso dos estudos bíblicos o termo “idolatria” implica na Bíblia, inclusive, em sentido espiritual: fanatismo, absolutização ou “sacralização” das coisas secundárias que deveriam estar a serviço do homem se convertem em absoluto e tende a dominar a existência e as aspirações humanas. Assim se pode falar de idolatria da busca excessiva de dinheiro, de poder, de sexo e assim por diante.

Segundo a mensagem bíblica, o reconhecimento de Deus é fundamentalmente a negação dos ídolos. Neste sentido, para a Bíblia, o oposto à fé em Deus não é o ateísmo e sim a idolatria. Por isso, a luta contra a idolatria é o tema principal que recorre o Antigo Testamento e sempre se subjaz no Novo Testamento. A história da salvação não é outra coisa que desapegar-se dos ídolos: desde Abraão à Igreja de nossos dias. É tarefa do crente “não correr atrás do vazio” (Jr 2,5) e “guardar-se dos ídolos” (1Jo 5,21) que afastam o crente da fé e do amor. Somente assim o crente poderá servir ao único Deus vivente. O cristão deve se manter num processo de contínua purificação da idolatria: os ídolos do mundo são também nossos ídolos. O ensinamento da Palavra de Deus é que não há ateus e Povo Deus, e sim idólatras e crentes com tentações de idolatria. A Igreja não será contaminada tanto pelo ateísmo por fatal que possa ser, às vezes, como pelos deuses falsos. A mensagem bíblica sobre a idolatria é essencialmente uma mensagem de libertação e de esperança em momentos de crises e de opressão do povo de Israel e das primeiras comunidades cristãs.

Além disso, do texto da Primeira Leitura aprendemos que jamais adoramos às coisas criadas no lugar do Deus-criador. Não podemos correr atrás das coisas criadas por Deus e abandonamos o Deus das coisas. Uma pessoa idólatra é uma pessoa vazia por dentro e uma pessoa que não sabe seu próprio lugar neste universo. Ela preenche este vazio com coisas mortais/matérias em vez de deixar Deus conduzir sua vida. Como aconteceu com Israel, se não nos arrependermos de nossos pecados, estamos, na verdade, antecipando nossa total destruição. Podemos, sim, nos reeducar em tudo, pois Deus ainda nos dá oportunidade para isso.

Não Somos Autorizados a Julgar, Mas Ordenados a Amar

O texto do evangelho de hoje pertence ao Sermão da Montanha (Mt 5-7). O Sermão está já na sua conclusão. Nesta conclusão Jesus nos alerta para não julgarmos os outros. Não somos autorizados para julgar e sim somos ordenados para amar (cf. Jo 15,12). Não temos condições para julgar. Somente Deus tem a competência para nos julgar.

“Não julgueis para não serdes julgados. Pois com o julgamento com que julgais, sereis julgados, e com a medida com que medirdes, sereis medidos”. A forma passiva da expressão, aqui, é conhecida como “passiva divina” em que o sujeito desta forma passiva é o próprio Deus. Por isso, a frase completa seria: “Não julgueis para não serdes julgados por Deus”. O julgamento divino, isto é, o ato de separar o trigo do joio, é determinante para a salvação do homem. Na verdade, o próprio homem que se julga pelas próprias opções.

“Não julgueis!” é a ordem que Jesus nos dá para viver no relacionamento com o próximo. Não devo julgar porque o meu julgamento condiciona negativamente o outro. O meu juízo causa pre-juizo ao outro. Além disto, o meu juízo sobre o outro se volta contra mim:Não julgueis para não serdes julgados por Deus”.

O verbo julgar (em grego, krinein) se utiliza aqui em sentido jurídico e equivale a emitir um juízo condenatório sobre uma pessoa, baseando-se nos defeitos que tem. Quem emite este tipo de juízo rompe a relação com a pessoa ajuizada.

Deus não quer isto. Por isso, Jesus coloca um critério que deve ser usado na comunidade cristã (cf. Mt 18,15-18). Quando um cristão perceber algum defeito no outro, ele precisa fixar olhar para os próprios defeitos porque talvez sejam maiores do que os defeitos do outro: “Por que reparas o cisco que está no olho do teu irmão, quando não percebes a trave que está no teu? Ou como poderás dizer ao teu irmão: ‘Deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando tu mesmo tens uma trave no teu?”.  

A análise crítica da própria realidade ajuda o cristão a compreender as fraquezas dos outros em vez de emitir um juízo.  Com a consciência da própria fragilidade, o cristão será movido a compreender e curar a fragilidade do outro. Se não fizer isto é porque este tipo de cristão é hipócrita, isto é, aquele que se acha santo ou perfeito, mas pela emissão do julgamento sobre os outros já revela que é um grande pecador: “Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”.A ignorância mais refinada é a ignorância da própria ignorância”, dizia Santo Agostinho (Confissões, 5,7).  Quanto mais curioso torna-se o homem por conhecer a vida alheia, tanto mais relaxado se torna para consertar a sua própria”, acrescentou Santo Agostinho (Confissões, 10,3).

De qualquer modo, a rigidez e a hipocrisia em julgar são defeitos que podem ser evitadas se um cristão souber fazer a crítica sobre si mesmo. Olhar para a própria consciência e para o próprio modo de viver é algo indispensável para um cristão conviver fraternalmente com os demais. Olhar para a própria casa é a primeira coisa que deve ser feita. Quem fica olhando para a vida alheia é porque não está cuidando da própria vida. A consciência dos próprios limites e debilidades é a medida para uma crítica evangélica. Um verdadeiro cristão jamais adota uma atitude de orgulho, de menosprezo e de superioridade diante dos demais que o leva a uma postura farisaica de condenação e de recriminação dos defeitos dos outros. Precisamos estar conscientes de que o juízo pertence a Deus e não a nós, pobres pecadores.

Resumindo! Há três razões pelas quais não devemos julgar os outros.

·      Primeiramente, o julgamento pertence a Deus e não a nós, pobres pecadores, porque só Deus conhece profundamente o coração de cada ser humano. Constituir-se em juiz dos outros é uma ousadia irresponsável. É uma ousadia de se colocar no lugar de Deus, de se considerar como Deus, de roubar o lugar. Ao julgar, você esta querendo dizer: “Eu sou Deus e você é pecador”.

·       Em segundo lugar, a medida que usarmos para com os outros será usada por Deus contra nós no julgamento final, pois a vida tem seu fim.

·      Em terceiro lugar, todos nós somos imperfeitos. Não somos seres humanos; estamos seres humanos. Julgar provém da nossa própria cegueira que nos impede de ver os nossos próprios defeitos. Ao julgarmos os outros estamos querendo dizer que somos melhores do que os outros. Mas na verdade, ao fazer isto, estamos revelando aos outros que somos piores do que imaginamos. O Senhor nos ordena para nos amarmos mutuamente (cf. Jo 15,12), e não nos autoriza para julgar os demais homens.

Deus não quer qualquer rompimento. Por isso, Jesus mostra o caminho que temos que seguir: o caminho do amor e da compreensão. Somente o amor compreensivo cura as feridas da alma. Mas não significa que sejamos omissos diante dos defeitos dos outros. Somos chamados a dirigir palavras amigas ao outro e convidá-lo a mudar ou a se corrigir pelo seu próprio bem. Com a consciência de nossa fragilidade teremos condições para curar ou remediar a fragilidade de nosso próximo. Precisamos aprender a transformar nossas críticas em sugestões para que a convivência fraterna se torne uma ajuda para o mútuo crescimento. 

“Não julgueis para não serdes julgados (por Deus)” deve servir de alerta e de freio para que nossa palavra não ultrapasse nossas obras, pois “com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos”, diz o Senhor para cada um de nós hoje.

P. Vitus Gustama,svd

sexta-feira, 19 de junho de 2026

XII Domingo Do Tempo Comum, Ano "A", 21/06/2026

NÃO TENHAMOS MEDO NA MISSÃO CONFIADA PORQUE DEUS ESTÁ CONOSCO

XII Domingo Comum “A” 

I Leitura: Jr 20, 10-13

Jeremias disse: 10“Eu ouvi as injúrias de tantos homens e os vi espalhando o medo em redor: ‘Denunciai-o, denunciemo-lo’. Todos os amigos observam minhas falhas: ‘Talvez ele cometa um engano e nós poderemos apanhá-lo e desforrar-nos dele’. 11Mas o Senhor está ao meu lado, como forte guerreiro; por isso, os que me perseguem cairão vencidos. Por não terem tido êxito, eles se cobrirão de vergonha. Eterna infâmia, que nunca se apaga! 12Ó Senhor dos exércitos, que provas o homem justo e vês os sentimentos do coração, rogo-te, me faças ver tua vingança sobre eles; pois eu te declarei a minha causa. 13 Cantai ao Senhor, louvai o Senhor, pois ele salvou a vida de um pobre homem das mãos dos maus”.

II Leitura: Rm 05, 12-15

Irmãos: 12 O pecado entrou no mundo por um só homem. Através do pecado, entrou a morte. E a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram. 13Na realidade, antes de ser dada a Lei, já havia pecado no mundo. Mas o pecado não pode ser imputado, quando não há lei. 14No entanto, a morte reinou, desde Adão até Moisés, mesmo sobre os que não pecaram como Adão, o qual era a figura provisória daquele que devia vir. 15Mas isso não quer dizer que o dom da graça de Deus seja comparável à falta de Adão! A transgressão de um só levou a multidão humana à morte, mas foi de modo bem superior que a graça de Deus, ou seja, o dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos.

Evangelho: Mt 10,26-33

Naquele tempo, disse Jesus a seus apóstolos: 26 “Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. 27 O que vos digo na escuridão dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados! 28 Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno! 29 Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai. 30 Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão contados. 31 Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais. 32Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. 33 Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus.

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Chave Das Leituras Deste Domingo

A Primeira Leitura de hoje (Jr 20, 10-13) faz parte das Confissoes do profeta Jeremias nas quais o profeta põe em destaque claramente sua alma ou nas quais a alma lírica do profeta mostra sua grande dor diante da calúnia e perseguição (Jr 11,18,23; 15,10.15-21; 17,14-18; 18,23; 20,7-17). No texto que hoje a liturgia utiliza nos fala de uma dura prova religiosa e política a que foi submetido Jeremias depois da queda de Jerusalém no ano 586 a.C. O que o profeta quer é que Israel reconheça a salvação que somente poderá vir e unicamente do Deus da Aliança (Jr 20,11).

Apesar de todos os sofrimentos, o profeta Jeremias confia em Deus (Jr 20,11). Jeremias está convencido de que ele luta ao lado do mais forte: ao lado de Deus,  (Deus é descrito como soldado ou forte guerreiro). O lamento de Jeremias está carregado de confiança. Ele pede que triunfe a causa de Deus (Jr 20,12). A confiança na vitória é origem de sua oração. Jeremias pede a justiça divina e não a vingança humana. Jeremias faz louvor a Deus, porque está seguro do triunfo de Deus. O profeta sabe esperar, mantém perseverança e por isso, antecipa a ação de graças (Jr 20,13). Quem confia totalmente em Deus, apesar das grandes dificuldades, pode antecipar seu louvor a Deus pela vitória final, pois a palavra final será a Palavra de Deus.

Na Segunda Leitura (Rm 05, 12-15), especialmente no versículo 12 do texto, são Paulo coloca o problema do pecado original: “O pecado entrou no mundo por um só homem. Através do pecado, entrou a morte. E a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram”. São Paulo deduz que o pecado entrou na humanidade por meio dessa falta inicial. Por isso, fala da obra redentora de Cristo, estabelecendo um paralelo entre Adão e Cristo: Adão é o portador da ruina, e anti-Adão, Jesus Cristo, é o autor da salvação para muitos: “A transgressão de um só levou a multidão humana à morte, mas foi de modo bem superior que a graça de Deus, ou seja, o dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos”.

Cristo, com sua obediência e seu sacrifício anula a desobediência de Adão, libertando-nos não somente da culpa, mas oferecendo-no a graça de Deus “em abundância”. O pecado provocou uma oferta de graça que é mais abundante do necessário, graças a Jesus Cristo que se entregou por nós todos.

Na Terceira Leitura, de são Mateus (Mt 10,26-33) somos exortados a fazer uma confissão animada da fé, inclusive nas perseguições. Jesus é realista, e sabe que nem seus discípulos serão bem acolhidos, nem sua mensagem encontrará sempre os homens bem dispostos a escutá-la. Ao contrário, seus apóstolos encontrarão muitas vezes oposição, porém não deverão ter medo: “Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais” (Mt 10,26.31). Onde Cristo está, está a vida e o porvir. Cristo cuida de nós até dos mínimos detalhes. O pregador perseguido está sob os cuidados do Pai.

O apóstolo cristão, se ele propõe a mensagem de Cristo sem encontrar dificuldades, terá que se perguntar sinceramente se sua palavra não está alinhada com o estilo e os desejos deste mundo, traindo a verdade de Cristo. Uma pregação cristã que sempre se preocupa em agradar o mundo, seguindo as modas, não vale nada. É uma traição aos verdadeiros ensinamentos de Cristo. e Jesus nos relembra que Ele confessará (defenderá) no céu os discípulos que Lhe confessam na terra. A pregação se sintetiza, portanto, numa autentica confissão de Jesus, o Messias.

Estendamos um pouco mais nossa meditação sobre o texto do Evangelho de hoje!

Olhar e Entrar No Contexto Do Texto Do Evangelho De Hoje

O texto do Evangelho de hoje faz parte do discurso do Senhor sobre a missão.   O anúncio deve fazer ao pé do ouvido e do alto dos telhados sem nenhum medo. Em tudo devemos levar em conta a providência divina.

Falávamos no Domingo anterior da chamada (vocação dos Doze) que nos dirige Jesus a cada um de nós: “Segue-me!”. E dizíamos que esta chamada não nos afeta isoladamente e sim como membros de uma comunidade de seguidores do Evangelho. Cada um de nós é chamado, mas todos nós necessitamos uns dos outros para dar nossa resposta, em nossa vida de cada dia, para a chamada amorosa do Senhor Jesus. Hoje, seguindo o Evangelho de Mateus, somos recordados de um aspecto desta chamada de Jesus Cristo que não podemos esconder e não seria honesto esconder, que não seria puro esconder. A missão é difícil, mas não tenhamos medo, pois quem nos chama é Aquele que criou o universo (Jo 1,3).

Uma das características mais evidentes da pregação de Jesus Cristo é a de sua claridade, isto é, não esconde absolutamente nada que a coisa é difícil, que fazer o que Ele diz custa, que não prega um caminho fácil e sim duro e exigente. Seguir o caminho do Evangelho é difícil.

Mas Jesus Cristo não é um pregador que queria assutar. O que necessitamos é escutar, em sua claridade e em sua força, a Palavra de Jesus Cristo. A FORÇA e a CLARIDADE da PALAVRA DE DEUS! A Palavra de Deus é clara, pois nada se esconde e ao mesmo tempo poderosa. Ele nos diz que seguir seu caminho é difícil, mas acrescenta imediatamente: NÃO TENHAIS MEDO!

Somos lembrados antecipadamente sobre o tema do evangelho de hoje através da Primeira Leitura do livro do profeta Jeremias. Jeremias viveu tempos difíceis, quando tudo - no povo judeu - parecia estar desmoronando. A tentação é fechar-nos, esconder-nos em nossa fraqueza. E assim, desistimos de nos aventurar no caminho que Jesus Cristo nos propõe. Mas então a palavra de Jeremias saiu vigorosamente em nome de Deus: não confie em si mesmo, mas no Senhor. Porque o Senhor é como um soldado forte que luta com os fracos e oprimidos.Senhor está ao meu lado, como forte guerreiro; por isso, os que me perseguem cairão vencidos. Por não terem tido êxito, eles se cobrirão de vergonha”, disse Jeremias.

Trabalhar pelo Reino de Deus, por um mundo mais fraterno, justo e honesto é o trabalho que Jesus Cristo nos propõe porque é SEU trabalho, SUA luta, SEU caminho. Por isso, Ele é o forte soldado que luta em nós.

O cristão é chamado a esta luta constante, não contra ninguém e sim contra toda injustiça, contra todo mal; contra tudo o que não respeitar os direitos de cada homem, os direitos dos mais pequenos, os direitos de cada povo, de cada etnia e assim por diante. Se um homem é tratado injustamente pela cor de sua pele ou pelas suas ideias, ou por sua língua, ou por sua situação social etc., ali o cristão deve lutar, SEM MEDO, diz Jesus, porque é Deus quem combate nesta luta dolorosa e difícil, mas que cremos que conseguirá sua vitória plena.

1. Não Tenhamos Medo dos Fundamentalistas Religiosos

“Não Tenhais medo!”

O medo é uma das emoções fundamentais do viver humano que todo homem experimenta em várias situações da própria existência, ainda que em diferentes modalidades e intensidades. O medo surge quando o homem se sente diante de uma ameaça e julga não estar em condições de contrapor ao perigo iminente por falta de aparatos adequados defensivos.

Os textos do AT em que se descreve ou evoca o medo são muito numerosos. Essa experiência se apresenta tanto em nível individual como coletivo. O medo nasce quando um perigo é reconhecido como tal. O medo é uma emoção que pode levar a reações contrastantes: o sejueito pode fugir (cf. 1Sm 17,24; Is 10,29.31; Jr 26,21; 445,3; 2Sm 46,5) ou permanecer petrificado (cf.Ex 15,16), gritar (cf. Is 10,30; Jr 47,2) ou tornar-se incapaz de dizer uma palavra (cf. Gn 45,3; 2Sm 3,11), responder com agressão (cf. Ex 1,8-16; Js 10,1-4) ou render-se sem tentar reagir (cf. 2Rs 10,1-5; Jr 47,3;51,30, etc.). O medo é uma experiência que se deve atravessar e da qual se deve sair, sem ser por ela vencidos. Por isso, a importância, na visão bíblica, das exortações a não temer (cf. Gn 15,1; Ex 14,13-14; Dt 1,29-30; Is 41,10.13; Jr 30,10, etc.). As exortações constituem uma palavra autorizada que intervém para encorajar, manifestando uma presença (divina) capaz de socorrer e de fazer sair da solidão, na relação com a alteridade que salva. Com a consciência da ajuda divina, se verifica então no sujeito uma mudança, uma diferente percepção da realidade, um novo modo de avaliar a periculosidade de ameça e consequentemente uma nova capacidade de enfrentar a situação (cf. Jz 6,12-16; 1Sm 17,34-37; Is 7,2-4; 2Cr 20,20-22; 32,5-). Além disso, no medo revela-se a verdade de que o ser humano faz experiência do ser criatura e da fragilidade constitutiva de seu ser e se confessa criatura mortal. Somos criaturas expostas sujeitas a qualquer perigo e ameaça.

No NT fala-se também do medo não tanto quanto como no AT. O medo aparece principalmente diante da irrupção de Deus na realidade humana e diante de suas manifestações (cf. Mt 27,54; 28,4; Lc 1,12; 2,29; Hb 12,21; Ap11,11), diante dos milagres e dos vários sinais operados por Jesus e por seus discípulos (cf. Mt 9,8; 17,6; Mc 1,27; 4,41; Lc4,36; 5,26; 8,25.35.37; At 2,43; 5,5.11, etc.), diante do inexplicável de sua ressurreição (cf. Mt 28,8; Mc 16,8) e, em todo caso, na presença do mistéri, enquanto indecifrável e incompreensível. Por isso, são frequentes as exortações para não temer diante da manifestação do divino, na descoberta de uma presença benévola e salvífica (cf. Mt 14,27; 17,7; 28,5; Mc 6,50; 16,6; Lc 1,13.30; 2,10; Jo 6,20; Ap 1,17, etc.). Para NT, se Deus venceu a morte, vence também todo e qualquer  medo humano. Em seu projeto de salvação e de misericórdia, com o acontecimento pascal, a vida definitivamente triunfa; e a morte, vencida e privada de seu veneno (cf. 1Cor 15,55), deve dar lugar ao dom de si. Quando tudo isso finalmente se torna real na vida de cada cristão, então não haverá mais espaço para o medo, especialmente para o medo da morte. Ao contrário, haverá apenas espaço para o amor e “no amor não existe temor; ao contrário, o perfeito amor expulsa o temor(1Jo 4,18).

A unidade temática e o tom das palavras de Jesus no texto do Evangelho de hoje (o texto faz parte do discurso sobre a missão) estão marcados pela tríplice exortação a não ter medo (Mt 10,26.28.31).

A quem não deve ter medo? Não se trata dos homens em geral e sim dos homens religiosos (cf. Mt 10,25; 9,34). São os homens do fundamentalismo religioso que os Doze não devem ter medo. É a oposição religiosa que Mateus foi fazendo aparecer ao longo dos capítulos oito e nove como contra-personagem de Jesus.

Quem não deve ter medo? Os apóstolos não devem ter medo. Em Mateus o termo “Apóstolos” designa a totalidade dos discípulos de Jesus e que Mateus reduz significativamente a Doze: frente ao velho Israel das doze tribos, o Novo Israel dos Doze. O “Doze” representa a totalidade dos discípulos de Jesus.

Por que não deve ter medo? Há três razões para o novo Povo de Deus não deve ter medo dos fundamentalistas religiosos. Primeira, a concepção religiosa de Jesus seguirá adiante apesar da oposição também religiosa dos fundamentalistas (Mt 10,26-27). Segunda, estes fundamentalistas religiosos recorrerão, inclusive, a métodos mortais (Mt 10,28ª). Mas a integridade física não dá a medida da pessoa. A integridade pessoal não se esgota com a integridade física. A integridade pessoal não pode ser eliminada nem sequer pela arma mortífera do fundamentalista religioso. Não é a este a quem tem que ter medo e sim a Deus, porque é Deus quem dá a verdadeira medida da pessoa (Mt 10,28b). Deus é Pai. A perda da integridade física não deve assustar os discípulos em nome da verdade e do amor. Esta perda tem um sentido e Deus não está ausente (Mt 10,29-31). Terceira razão para não ter medo é que o próprio Jesus é a garantia para o novo Povo: “Todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus” (Mt 10,32-33).

2. Não Tenhamos Medo Dos Que Se Acham “Poderosos”, Pois Somente Deus é Onipotente

Precisamos saber que Mateus escreveu seu evangelho durante a década de 80 durante a qual reinava o imperador Domiciano (anos 81 a 96) que não tolerava o cristianismo. Consequentemente crescia a hostilidade, que rapidamente se converteria em perseguição organizada contra o cristianismo (no ano 95, por iniciativa de Domiciano, começa uma terrível perseguição contra os cristãos em todos os territórios do império romano).       

A comunidade cristã a quem Mateus destinou o seu Evangelho era uma comunidade com grande zelo missionário, pronta em levar a Boa Nova de Jesus a todos os homens. Mas ao mesmo tempo teve que conviver com as dificuldades e as perseguições. Os cristãos de sua comunidade estavam perturbados e confusos diante desta situação e a tentação de desistir de tudo. Por esta razão, Mateus elaborou uma espécie de “manual do missionário cristão”, para mostrar que a atividade missionária fazia parte inseparável da vida cristã. Em outras palavras, ser cristão é ser missionário (cf. Ad Gentes n.2, Concílio Vaticano II).      

Pregar e viver de acordo com os valores que Jesus nos deixou como seus ensinamentos atrai a perseguição daqueles são contra a estes valores. A perseguição atinge os cristãos por causa de seu amor por Deus e da fidelidade à Sua Palavra: “... todos os que quiserem viver com piedade em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3,12) e pela humanidade. O desígnio do Pai é um desígnio de amor universal, que não discrimina ninguém, pois o mandamento novo é amar a todos os homens (Jo 13,34s), inclusive os inimigos (Mt 5,44). O próprio Jesus, obedecendo, até a morte da cruz, manifesta que o amor é mais forte do que o ódio e que uma morte tão sobrecarregada com o pecado dos homens também pode mudar definitivamente de sentido. 

O texto de hoje, portanto, tem o objetivo de suscitar o ânimo nos discípulos diante das situações aparentemente maiores do que sua força. Mas apenas aparentemente, pois há uma força superior a todas as forças e todos os obstáculos: o próprio Deus que vai ter a última palavra sobre todos os homens (cf. Mt 25,31-45).

Quem são os novos fundamentalistas religiosos e os que se acham “deuses” de hoje? Quais são métodos que eles usam para obrigar os outros a ter crença que eles têm? Dentro da Igreja existem também os fundamentalistas religiosos? Que comportamento e método os seguidores do Senhor devem adotar para os fundamentalistas religiosos? Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” é o estilo de vida que Jesus Cristo deixou para todos os que querem ser seus seguidores (Jo 13,34-35; 15,12). O amor é o nome próprio de Deus (cf. 1Jo 4,8.16) e “seremos julgados sobre o amor no entardecer de nossa vida” (São João da Cruz). 

Outras Mensagens Da Palavra De Deus Deste Domingo Para Nossa Vida Cotidiana

1. Levar Em Conta Os Nossos Medos De Cada Dia 

Não tenhais medo!”. É a palavra do Senhor neste domingo. 

No nosso mundo cada vez mais tecnológico e prometedor há algo inevitável e crescente em nós: o medo. 

Temos medo de ir a uma rua deserta, de entrar num portão com um desconhecido atrás de nós, de subir num elevador com um estranho, de entrar na nossa porta com alguém de longe observando nossa entrada. Temos medo do porvir diante da crise econômica, política e social. Os pais têm medo de que seus filhos possam se drogar ou são levados para o mundo de crime. Temos medo do desastre nuclear, da arma biológica que estão na sombra da humanidade atual. Temos também medo de viver em muitas ocasiões, pois viver significa comprometer-se, decidir-se, definir-se. E quase sempre preferimos nos manter numa discreta penumbra sem arriscar uma segurança que temos medo de perder. Temos medo daquilo que os outros pensam de nós, de perder prestígio. Por isso, em muitas ocasiões não somos capazes de adotar uma decisão valente diante de uma determinada situação. Temos medo de perder emprego, de perder um ente querido. Temos medo de ser abandonados pelos demais homens. Temos medo de morrer, e assim por diante. 

Todos nós experimentamos o medo e isso é normal. Mas o que temos que evitar é que nosso medo não se torne tóxico capaz de durar toda a vida. 

O medo é sempre acompanhado pela imaginação. O medo alimenta a imaginação. Ao imaginarmos o pior, o medo começa a nos dominar. O medo que começa a nos dominar é capaz de paralisar nossa vida.

Ninguém gosta de sentir medo. Mas é preciso que nosso medo não cresça mais do que nós. Para isso, precisamos eliminar os medos sem fundamentos. Quanto mais pensarmos em uma coisa, mais isso fará parte de nossa realidade. Não pensemos no medo para que o medo não pense em nós. Por isso, em vez de dizer: “Preciso deixar de pensar nessa ideia”, temos que substituir este pensamento por outro mais positivo. 

Por incrível que pareça, geralmente, o medo significa que estamos avançando. O medo é companheiro dos conquistadores e renovadores, dos inventores e das pessoas sucedidas. O medo mostra que os conquistadores estão fazendo algo novo, que estão saindo da zona de conforto para uma vida totalmente renovada e avançada. Mais tarde, os medrosos vão usufruir o produto/resultados dos renovadores da humanidade. Os gênios normalmente são condenados precipitadamente, mas mais tarde serão reconhecidos.   Cada desafio nos permite e nos chama a darmos um passo maior do que antes. Avançar não significa não sentir medo e sim ir para o novo e o melhor apesar dos temores que possamos sentir. 

Não devemos ter medo do medo que é a fobia. Para vencer o medo temos que aprender a reconhecê-lo, a colocá-lo em palavras e a falar sobre aquilo que desperta medo em nós. Devemos olhar nossos medos de frente e não cobri-los, pois mesmo que fujamos, os medos continuarão nos acompanhar. É melhor verificarmos até que ponto temos realmente medo. Cuidado com nossos medos, pois eles roubam nossos sonhos e realizações! Onde o medo se torna dominador, a sabedoria não funciona. Façamos que nossos medos tenham medo de nós mesmos adotando novos modos de viver, saindo com coragem de nosso cantinho que nos paralisa para viver uma vida nova e renovada. Não tenhamos medo da mudança. Ela assusta, mas pode ser chave daquela porta pela qual você quer entrar. Tenhamos certeza de que somos maiores e mais fortes do que nossos medos, pois o Senhor está conosco (cf. Mt 28,20) 

2. Levar Em Conta o Verdadeiro Medo Que o Senhor Nos Fala No Evangelho De Hoje 

O Senhor Jesus quer que os cristãos estejam livres do medo principal. Ele fala do medo mais íntimo, mais profundo: o medo de perder a vida eterna (perda da salvação): Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!” É um medo compreensível para o qual o Senhor promete Sua assistência que é palpável ao longo da história da Igreja: “Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais(Mt 10,30-31; cf. Mt 28,20). 

Por um lado Jesus nos exorta: “Temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!”. Por outro lado ele nos recorda: “Todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus”. 

A vida ou a morte, a salvação ou a perdição definitiva de cada cristão depende da postura que ele toma diante de Jesus Cristo durante sua vida aqui neste mundo. O reconhecimento ou confissão pública que cada cristão faz de Cristo corresponde a um reconhecimento que Cristo faz do cristão diante do Pai do céu: o destino final de cada cristão depende da palavra de reconhecimento ou de negação que Cristo pronuncia sobre ele diante do Pai celeste. 

Quando tivermos uma plena consciência disso, não teremos dificuldade em viver aquilo que Jesus Cristo disse hoje: “O que vos digo na escuridão dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados!”. 

Encontramos aqui dois níveis do anúncio que se expressam em dois termos: “ao pé do ouvido” e “do alto dos telhados”. Jesus quer que façamos os dois simultaneamente para que o anúncio seja completo.

O anúncio “ao pé do ouvido” é aquele anúncio que fazemos para quem está próximo de nós, para aqueles que convivem conosco, para os mais íntimos, para nossa própria família, que nem sempre é fácil, pois todos conhecem nossas fraquezas e bloqueios, além de nossas capacidades. Vamos nos preocupar com a salvação dos membros  de nossa família. Vamos arrumar a casa para depois ampliar nosso anúncio para o maior alcance. 

Por isso, não basta que cada cristão procure ser fiel a Jesus no íntimo de seu coração e no testemunho constante junto a quem nos conhece pessoalmente. O anúncio “ao pé do ouvido” deve se tornar um anúncio “do alto dos telhados”, deve se tornar público. O mundo precisa reconhecer nos cristãos uma força transformadora a favor da justiça, da paz e da fraternidade. Sem isso, os cristãos perderão a credibilidade diante do mundo ou sociedade (cf. Mt 5,13-16). 

3. Levar Em Conta a Providência Divina

Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais(Mt 10,30-31; cf. Mt 28,20).

Na criação por amor, a vida é chamada a ser tão duradoura como o amor que a gerou, pois o amor não abandona aquele que ele gerou; seria como abandonar-se a si mesmo. Tudo isto simplesmente chama-se a PROVIDENCIA DIVINA. 

Salvar é criar e recriar continuamente. Somos fruto do amor de Deus. O Criador poderia contentar-se com dar existência às coisas, abandonando-as a sua sorte. Mas Deus que gera vida por amor continuará amando o que ele gerou, pois ali persiste de alguma maneira sua própria vida. 

Se Deus tem carinho e cuidado para as coisas mínimas como cabelos e pardais, quanto mais para os homens criados à imagem e semelhança de Deus. O evangelista Mateus quer nos transmitir a certeza de que Deus está conosco até o fim dos tempos (Mt 28,20). 

Pela certeza da companhia permanente de Deus e pela sua providência para o nosso cotidiano, a fé pede valentia e se vive num conjunto de disposições (constância, perseverança, ânimo, etc.) que formam juntas a fortaleza. A profissão da fé há de ser vista como um caminho que se cria caminhando. O caminho não é fácil. A reação espontânea é a negação do esforço e o refúgio na facilidade. A exortação se situa, então, no progresso da fé. É evidente a existência de obstáculos, mas o êxito é dos corajosos ou audaciosos, os renovadores ou inovadores. Cabe aqui um catálogo de atitudes: saber valorizar a fé como dom, estabelecer uns meios adequados para vive-la, ter um plano de vida e observá-la, ter sentido de esperança, incluir na normalidade a possível incompreensão e assim por diante. A vida do próprio Senhor Jesus, de Maria, a mãe do Senhor e de todos os santos não foi fácil. Todos eles são nosso modelos na luta de cada dia. 

Comentário de Santo Agostinho sobre o Evangelho de hoje: As palavras divinas que lemos nos encoraja a não temer temendo e a temer não temendo. Quando o evangelho foi lido vós sois advertidos que Deus nosso Senhor, antes de morrer por nós, quis que nos mantivéssemos firmes; porém, animando-nos a não temer e exortando-nos a temer. Disse, pois, ‘Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma!’ (Mt 10,28). Ai, nos animou a não temer. Vede agora onde nos exorta a temer: ‘Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!’. Portanto, temamos para não temer. Parece que o medo vai associado à covardia; parece que o medo é próprio dos débeis, não dos fortes. Porém, vede o que diz a Escritura: ‘O temor do Senhor é a esperança de fortaleza’ (Pr 14,26). Temamos para não temer, isto é, temamos prudentemente, para não temer infrutuosamente. Os santos mártires... temendo não temeram: temendo a Deus, desdenharam aos homens”.

P. Vitus Gustama,SVD

Natividade De São João Batista- Solene, 24/06/2026

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