JESUS,
ÁGUA VIVA, SE ENCONTRA COM A SAMARITANA QUE TEM SEDE
3ºDOMINGO
DA QUARESMA ANO “A”
I Leitura: Êx
17,3-7
Naqueles dias,
3 o povo, sedento de água, murmurava contra Moisés e dizia: “Por que nos
fizeste sair do Egito? Foi para nos fazer morrer de sede, a nós, nossos filhos
e nosso gado?” 4 Moisés clamou ao Senhor, dizendo: “Que farei por este povo?
Por pouco não me apedrejam!” 5 O Senhor disse a Moisés: “Passa adiante do povo
e leva contigo alguns anciãos de Israel. Toma a tua vara com que feriste o rio
Nilo e vai. 6 Eu estarei lá, diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb.
Ferirás a pedra e dela sairá água para o povo beber”. Moisés assim fez na
presença dos anciãos de Israel. 7 E deu àquele lugar o nome de Massa e Meriba,
por causa da disputa dos filhos de Israel e porque tentaram o Senhor, dizendo:
“O Senhor está no meio de nós ou não?”
II
Leitura: Rm 5,1-2.5-8
Irmãos: 1
Justificados pela fé, estamos em paz com Deus, pela mediação do Senhor nosso,
Jesus Cristo. 2Por ele tivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos
firmes e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus. 5E a esperança não
decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo
Espírito Santo que nos foi dado. 6Com efeito, quando éramos ainda fracos,
Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado. 7Dificilmente alguém morrerá por
um justo; por uma pessoa muito boa, talvez alguém se anime a morrer. 8Pois bem,
a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda
pecadores.
Evangelho: Jo
4,5-15.19b-26.39a.40-42
Naquele tempo, 5
Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacó
tinha dado ao seu filho José. 6 Era aí que
ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço. Era
por volta de meio-dia. 7 Chegou uma mulher
de Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber”. 8 Os discípulos
tinham ido à cidade para comprar alimentos. 9
A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de
beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato, os judeus não se dão com
os samaritanos. 10 Respondeu-lhe Jesus: “Se
tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma
lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”. 11 A
mulher disse a Jesus: “Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde
vais tirar água viva? 12 Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o
poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?” 13 Respondeu Jesus: “Todo aquele que bebe desta
água terá sede de novo. 14 Mas quem beber da
água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se
tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. 15 A mulher disse a Jesus: “Senhor, dá-me dessa
água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la”. 19b “Senhor, vejo que és um profeta!” 20 Os nossos pais adoraram neste monte, mas vós
dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar”. 21
Disse-lhe Jesus: “Acredita-me, mulher: está chegando a hora em que nem neste
monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22 Vós
adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem
dos judeus. 23 Mas está chegando a hora, e é
agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade.
De fato, estes são os adoradores que o Pai procura.
24 Deus é espírito, e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e
verdade”. 25 A mulher disse a Jesus: “Sei
que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar. Quando ele vier, vai nos fazer
conhecer todas as coisas”. 26 Disse-lhe
Jesus: “Sou eu, que estou falando contigo”. 39ª
Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus. 40 Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de
Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. 41 E muitos outros creram por causa da sua
palavra. 42 E disseram à mulher: “Já não
cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este
é verdadeiramente o salvador do mundo”.
--------------------------
Nos evangelhos, Jesus sempre se aproxima
das pessoas, pois Ele é relacional. Ele se isola somente quando conversa com o Pai.
Para poder conversar com os outros, Ele precisa conversar com o Pai. Em Jesus
há uma necessidade de conversar, interagir, e ser fonte de água viva para vivificar
quem, em seus desertos pessoais, aceita conversar com Ele. Ele sempre caminha
em direção às pessoas que se isolavam em seus desertos e lhes apresenta uma
proposta de vida. Como a água Jesus faz surgir vida por onde Ele passa. Ele ficou
no poço para conversar com a mulher samaritana no seu deserto pessoal.
No quarto
Evangelho são
narrados vários encontros
paradigmáticos de Jesus: com os primeiros discípulos,
com Nicodemos, com
o enfermo de Betesda, com o cego de nascença (próximo domingo) etc., como
também o encontro
com a samaritana
e os samaritanos no evangelho
deste domingo. Em
cada encontro
existe diálogo. É o fruto do diálogo é a
mudança de vida.
Estes encontros
nos convidam a fazer
uma contemplação, de maneira especial,
o encontro de Jesus com
a mulher samaritana.
Quanto mais
longa e aprofundada for a contemplação, mais
inesquecível será a experiência
do nosso encontro
com Jesus.
A intenção primordial e central
de todo o relato do evangelho
deste domingo é encontrar
a resposta à pergunta
“Quem é Jesus?”. Resposta
que só
é encontrada depois de muita busca e
de muito diálogo.
O itinerário do discípulo
de Jesus até chegar
à profissão de fé
plena tem de superar
uma série de obstáculos:
preconceitos, hábitos
adquiridos, preocupações materiais, incompreensões
e mal-entendidos.
O Evangelho deste domingo pode-se dividir em algumas partes
para facilitar nossa reflexão:
(1)vv.1-6: descrevem o local e o horário
onde acontece o encontro/diálogo; (2)vv.7-26
descrevem o diálogo entre Jesus e a Samaritana(vv.7-15:
sobre a água;
vv.16-18: sobre o marido;
vv.19-25: sobre o lugar
da adoração); (3) vv.27-30: descrevem o resultado
do diálogo na pessoa
da Samaritana; (4)vv.31-38: descrevem o resultado
do diálogo na pessoa
de Jesus; (5)vv. 39-42: descrevem o resultado da missão
de Jesus na Samaria.
1. Onde, Com Quem E Quando
Se Realiza O Diálogo? (vv.1-6)
A vida nômade
dos patriarcas passava dum poço a outro, e
os mais célebres
entre eles
foram os que furaram, para suas famílias e seu gado, poços providos de água
abundante. Certamente o encontro entre Jesus e a Samaritana acontece no poço de
Jacó que se localiza perto de Siquém na região dos samaritanos. Segundo os
dados arqueológicos, esse poço de Jacó esteve em uso desde o ano 1000 a .C até
500 d.C. Mas a única relação de Jacó com poço encontra-se em Gn 29,2-10 em que
se narra seu encontro com Raquel em Harã num poço do qual Jacó tira a pedra que
cobria o poço e dá de beber ao gado (veja também Nm 21,16-18 no qual fala-se de
poço). A palavra grega traduzida aqui por poço é “pegé”
que significa fonte ou “olho da água”. Ao dizer que Jesus está sentado na
beira do poço, o evangelista João quer antecipar o tema da “água viva” que acaba
para sempre a sede de todos os que a beberem. Só bebendo da fonte do conhecimento e do amor do
Pai revelado em Jesus Cristo poderão os homens saciar sua sede de eternidade.
A região da Samaria (chamada de Samaria por causa de sua
capital) foi fundada pelo rei Omri (886-875
a.C. cf. 1Rs 16,24). No ano 722 a .C., os assírios
apoderaram-se dela e deportaram uma parte dos habitantes e instalaram colonos
ou migrantes não- judeus. Por isso, os judeus consideravam os samaritanos como um povo impuro porque seu
sangue estava contaminado pelo de outros povos estrangeiros. Tudo o que um samaritano toca se
torna impuro para um judeu. Por isso, para um judeu não existia injúria pior do que ser comparado com
um samaritano. Um rabino não podia falar publicamente com uma mulher (imagine
sozinhos); muito menos de temas religiosos. Até um rabino de então havia dito
que é melhor queimar a Bíblia(a Lei) do que entregá-la a uma mulher. E
Jesus dialoga com uma mulher samaritana. Para um judeu há aqui um duplo grave erro
de Jesus. Primeiro, porque a conversa a sós entre pessoas de sexos diferentes
não era bem-vista naquele mundo. Segundo, porque essa mulher com quem Jesus
conversa pertence ao povo samaritano.
Isto quer nos dizer que, em
primeiro lugar, Jesus
põe um fim a qualquer discriminação na convivência humana. Por isso, os seus seguidores devem ser
promotores da fraternidade universal. Em segundo lugar, a
Palavra de Deus que é criadora, não se dirige a nós somente quando somos
perfeitos. A Samaritana é uma mulher que é excluída, que é excomungada, porque
se relaciona com deuses pagãos. É interessante ver que Jesus escolhe uma mulher como esta para dialogar
e para ensinar a prece profunda. Talvez porque os seus ouvidos não estejam
fechados pela certeza de ter razão, pela certeza de ser a melhor, pela certeza
de possuir a Verdade. A
Samaritana é imagem de quem não tem a verdade, mas ela a busca e se deixa levar
por Jesus (que é a Verdade, cf. Jo 14,6) que vem sentar-se à borda do poço.
Jesus se encontra à
beira do poço. É aí que Jesus espera por nós. Ele espera por nós na origem de
nosso ser, onde exatamente há possibilidade de aprender a vida em seu primeiro
movimento, em sua gratuidade. Alguns consideram o poço como
símbolo do coração humano. Trata-se, por isso, de descer em suas profundezas para descobrir aí a
nascente. No poço
acontece o encontro entre a nossa sede que nunca termina e Jesus que se
apresenta como a água da vida que mata a nossa sede para sempre. Nós buscamos aquilo que é passageiro
que em vez de satisfazer a nossa sede, cria mais outra, e Jesus se apresenta
como o eterno diante de nossa busca.
Será que temos coragem de fazer o encontro com Jesus nesse
poço? Mas onde está o meu poço para onde sempre vou em busca de algo para satisfazer
meus desejos? Será que posso enxergar a presença de Jesus à beira do poço para
onde eu sempre vou para satisfazer a minha sede? E este poço, para onde sempre
vou em busca da “água”, será que satisfaz minha sede? Será que no fundo de meus
desejos há anseios desconhecidos? Preciso descobrir os meus anseios atrás dos
meus desejos. “Hoje, mesmo sem saber expressar desse modo o que buscam, são
muitos os que querem ver, conhecer e encontrar Jesus. Na verdade, ele é a
resposta aos anseios mais profundos do ser humano...” (Projeto Nacional de Evangelização 2004-2007: Queremos ver
Jesus- Caminho, Verdade e Vida no.4.1).
O encontro acontece na “hora sexta”, contada a partir do nascer do sol,
seria meio-dia. Nesta
hora a Samaritana vai buscar a água. As mulheres geralmente vão tirar água em
grupos na hora mais fresca do dia. Ir buscar água ao meio-dia não era normal. Alguns intérpretes veem na hora
do meio-dia um simbolismo da plenitude da luz que é Jesus; e na “fadiga” de
Jesus, uma alusão à Paixão. É a sexta hora, o meio-dia. Hora em que não há sombra. É a hora da
lucidez, em que é possível ver-se a si mesmo numa luz mais límpida. Nesta hora
tudo se revela, pois tudo se torna claro. É o momento de uma lucidez que deixa
poucas possibilidades para a mentira, porque nada se esconde.
2. Diálogo De Jesus Com A Samaritana (vv.7-26)
2.1. O Diálogo Sobre A Água:
Deus Pede Para Dar: (vv.7-15)
Nesta hora, na hora sexta (meio
dia) Jesus se encontra à beira do poço de Jacó e neste mesmo horário a
Samaritana se aproxima do poço para tirar a água. Jesus pede a água para a
samaritana: “Dá-me
de beber”. Este pedido é o
verdadeiro paradoxo. É o verdadeiro mistério. É a absoluta novidade. Aquele que
transformou a água em melhor vinho está pedindo a água. É o paradoxo de um Deus,
que é capaz de tudo, se torna necessitado e mendigo. É o mistério de um Deus
que se torna ser humano, necessitado como qualquer ser humano, para ter um
pretexto de encontrá-lo e de dar-lhe a água que apaga de vez a sua sede. É o
mistério de um Deus que pede para poder dar.
“Cada vez que eu venho para Te falar, na verdade eu venho para Te escutar.
Fala-me da Vida, preciso Te escutar. Fala-me da verdade, que vai me libertar.
Cada vez que eu venho para oferecer, na verdade eu venho para receber. Dá-me o Pão
da Vida, que vai me alimentar. Dá-me a água viva, que vai me saciar”, diz a
música. (“Fala-me Da Vida” que José
Acácio Santana compus). É o grande paradoxo! É a água que pede para ser bebida.
É a nascente que tem sede de ser bebida. Os Antigos diziam que Jesus era uma
fonte que tinha sede de ser bebida.
Santo
Agostinho dizia: “’Jesus,
cansado do caminho, sentou-Se à beira do poço. Era quase a hora sexta’. Eis que
já começam os mistérios. Pois, não é sem motivo que Jesus esteja cansado, não é
sem motivo que a força de Deus Se canse; não é sem motivo que ceda ao cansaço
Aquele por quem se refazem os que estão cansados; não é sem motivo que esteja
cansado Aquele em cujo abandono nós nos cansamos e, em cuja presença, somos
reconfortados. ... A força de Cristo te
criou, a fraqueza de Cristo te recriou. A força de Cristo fez com que o que não
era existisse, e a fraqueza de Cristo fez com que o que existia não perecesse. Em
Sua força, criou-nos; em Sua fraqueza, procurou-nos” (In Serm. 15, 6).
Na origem de uma experiência espiritual, existe, muitas
vezes, essa descoberta que não somos nós que procuramos Deus, mas é Deus quem
nos procura. Mas como é difícil para um ser humano deixar-se encontrar, e deixar-se
amar. O caminho é longo para chegar a este ponto. “Dá-me
de beber”! Não somos nós que procuramos Deus, que procuramos a
verdade. É Deus, é a verdade que nos procuram. É a Vida que nos procura. É a
Vida que busca dar-se a nós, através de nós. Através do poço que somos.
Nossa pergunta, neste momento, é a mesma pergunta da
samaritana: O que é que pode, verdadeiramente, acalmar nosso
desejo? De que, realmente, temos sede. O que é este cântaro de onde
pode jorrar a Água Viva?
Mas a samaritana tem uma reação de recuo: “Como tu, que és
um judeu, pedes de beber a mim, que sou uma samaritana? ” (v.9).
Como, és tu, que pertences à classe dos eleitos, falas a mim, uma excluída? Em
sentido mais profundo: como
é que tu, que és um ser infinito, te diriges a mim, que sou finita e limitada?
A Samaritana fica espantada com o comportamento de Jesus. Ela não conhece ainda Jesus, mas
descobriu que o homem que está falando com ela não é como os outros homens. É
um homem completamente livre dos preconceitos, convenções e proibições que
oprimem e marginalizam as pessoas.
Através deste diálogo com a
Samaritana percebemos o que Jesus quer nos transmitir. Ele não se fecha dentro
da “sua religião” nem dentro da “sua raça/etnia” nem dentro da “sua geografia”.
Ele é para todos. Apesar de não ser uma pessoa judia e não praticante da
religião judaica, nesta Samaritana existe o “dom de Deus” segundo Jesus (v.14). É para esta mulher que Jesus
revela, primeiramente, a sua condição de Messias (v.26). Esta atitude
ecumênica de Jesus tinha muita importância para a comunidade de João no fim do
primeiro século (mais adiante falaremos deste assunto).
Jesus não responde diretamente ao pedido de explicação da
Samaritana sobre seu comportamento. Jesus a conduz a uma compreensão cada vez mais profunda do mistério de
sua pessoa e de sua missão através de símbolos que a Samaritana não os
compreende. “Se tu conhecesses o
dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a
ele, e ele te daria água viva” (v.10), diz Jesus à Samaritana. Com isto
Jesus vai se revelando, aos poucos, à Samaritana sobre quem ele é. Para conhecer Jesus, a
Samaritana tem que superar o nível da separação étnica e os conflitos
históricos. A conversa é lenta e Jesus respeita as dificuldades pessoais
e tem muita paciência para com a Samaritana para que ela seja capaz de superar
a questão do seu imaginário. Jesus leva a Samaritana para um conhecimento
maior, isto é, conhecer o amor de Deus que supera todos os conhecimentos.
“Ele te daria água viva”. A água
viva, não uma água estagnada, não uma água engarrafada que fresca durante um
momento, mas água viva. Em
uma região onde a água é rara, uma nascente, um poço se torna símbolo de vida.
A água é dispensável para
o homem, pois não pode viver sem ela. Sem água não há vida, pois até mesmo as
plantas dela têm necessidade. Como bem se sabe que no deserto, como em
outros lugares, água
e vida são sinônimos. Onde há água encontram-se marcas de vida, mas a sua ausência é sinal de
morte. Para os orientais, especialmente, a água que sacia a sede, purifica, dá
vida, fecundando e fazendo frutificar, é o símbolo natural das necessidades
mais fundamentais do homem. Já no AT, o símbolo da “água viva”, a água
de manancial em oposição à água estancada, é usado por Jeremias para expressar
a infidelidade de Israel (Jr
2,13; cf. Sl 36,9). Por isto tudo, falar de água viva é falar de
vida em abundância. Onde a água passa, nada se torna deserto.
Usado por Jesus, o
símbolo da “água viva” expressa para o evangelista a plenitude de tudo o que
Jesus significa. Quando Jesus diz que dá a água viva, ele quer dizer que
dá a vida, a verdadeira vida, a vida eterna junto de Deus. Jesus vem, certamente, ao nosso
encontro pelos nossos caminhos oferecendo-nos o amor do Pai, porque sabe, e
como sabe, que sem ele não podemos viver (cf. Jo 15,5). A “água viva” que ele nos
oferece é tão necessária para a nossa vida eterna quanto a água para a vida
natural. Quando
Jesus vem ao nosso encontro, espera por nós, toma a iniciativa do diálogo e nos
pede algo, é para dar-nos muito mais: dar-se a si mesmo, o revelador e o
portador do amor do Pai.
A Samaritana não duvida em pedir a Jesus desta água: “Senhor, dá-me dessa água para que eu não tenha mais sede
e nem tenha de vir aqui para tirá-la” (v.15). A mulher não entende o
que Jesus quer dizer. É sempre assim que acontece nos diálogos de Jesus: as pessoas não sabem se livrar de
sua cegueira. A
mulher tenta pedir a Jesus a solução do problema dela. E a resposta de Jesus
ultrapassa o pedido, pois ele não se limita a responder ao ser humano, mas quer
fazê-lo crescer.
O primeiro nível no qual
a mulher samaritana busca apaziguar o seu desejo é o da água material. São as
riquezas e as posses materiais. Num primeiro tempo do nosso
caminho, pensamos que estaremos em paz se possuirmos um certo número de
riquezas, um certo número de posses, uma certa quantidade de prazer. Nós
observamos bem o que se passa, que quanto mais possuímos, mais desejamos
possuir. Quanto mais nós bebemos desta água, mais temos sede. Mesmo, se
por um momento, nossa sede se acalmou. Por isso, Jesus diz: “Aquele que bebe desta água terá sede novamente”
(v.13). O que apazigua o
desejo durante um momento torna-se a si mesmo o começo de outro desejo. Nada podemos matar a sede humana com as coisas
passageiras. No
homem existe um anseio infinito que somente o Infinito pode satisfazer
plenamente. Muitas vezes, o homem, que é finito, ignora o que possa ser esse
Infinito.
Jesus oferece uma outra água que
possa apaziguar o desejo da samaritana, o nosso desejo: “Aquele que bebe da água que eu lhe darei, não terá mais sede”.
Jesus anuncia algo novo: uma água que ainda não foi bebida debaixo do sol:
Jesus, água viva. Jesus afirma que existe uma vida, um apaziguamento, que não
são dependentes das circunstâncias exteriores, pois a felicidade é o estado de
alma. Enquanto não tivermos encontrado a felicidade dentro de nós, não será
possível encontrá-la no exterior. Sabemos que existem pessoas felizes em todas
as circunstâncias, até mesmo desfavoráveis, mesmo não tendo tudo de que
precisam, e pessoas que têm “tudo para serem felizes” e, no entanto, vivem em
uma autêntica insatisfação. É possível conhecer uma felicidade que não é
dependente dos objetos da felicidade? Na maior parte do tempo nós somos felizes
por causa de nossa saúde, por causa de uma posse. Nossa felicidade depende de
uma realidade externa, e no entanto continuamos insatisfeitos. Por isso, hoje
Jesus nos convida a conhecer uma felicidade não- dependente: não dependente das
circunstâncias, não dependente dos acontecimentos. Uma felicidade que seja uma
fonte no interior de nós mesmos. E mesmo se os acontecimentos externos são
nefastos, muito difíceis, podemos sempre provar desta fonte. Esta fonte é o
próprio Senhor Jesus Cristo, “Água viva”. Ele é a fonte que satisfaz a nossa
sede e a nossa sede nunca esgota essa
fonte.
Mas devemos saber que enquanto
somos seres humanos, não há felicidade plena, completa e perfeita neste mundo.
O esforço de cada dia nos permitirá, pelo menos, possuir uma felicidade
razoavelmente satisfatória. Um pedaço de felicidade cada dia. Cada momento feliz é um tijolo que se coloca
na construção da felicidade. Por isso, o importante é que cada um encontre
esses pedaços de felicidade todos os dias e os carregue com muito cuidado, sem
culpar o outro pelos momentos infelizes que temos.
Nós todos conhecemos algumas
pessoas, das quais dizemos que têm tudo para serem felizes, mas não são. E nós
conhecemos também pessoas que não têm nada para serem felizes, nenhum deste
objetos com os quais identificamos a felicidade e, no entanto, testemunham uma paz interior.
2.2. Diálogo Sobre O
Marido (vv.16-18)
Jesus tenta com que a samaritana entre neste desejo,
pedindo-lhe que vá buscar seu marido: “Vai,
chama teu marido e volta aqui”(v.16). “Eu
não tenho marido” (v.17), assim ela diz. “Falaste bem: ‘não tenho marido’, pois tiveste cinco maridos e o que
agora tens não é teu marido; nisto falaste a verdade”, diz Jesus (17b-18).
As interpretações se dividem. Alguns autores acreditam que essa mulher era uma
prostituta e que havia trocado cinco maridos e nesse momento convivia com um
último, mas que também não era seu marido. Mas ao encontrar o Messias, ela se
converteu. Assim ela é o símbolo da convertida, missionária e anunciadora do
evangelho. Mas muitos estudiosos concordam que os cinco maridos representam
cinco deuses pagãos. A referência reporta-se à formação do povo samaritano.
Quando os assírios tomaram o Reino da Norte (722 a. C) e deportaram a maioria
dos habitantes, eles trouxeram cinco povos de outros lugares para ocupar essas
terras. Esses povos são: Babilônia, Cuta, Ava, Emat e Sefarvaim (cf. 2Rs
17,29-41). E em quase todos os povos antigos, ao mudarem-se para outro
lugar/país, tinham direito de levar consigo os seus deuses, suas divindades e
cultos. Nas novas terras eles conservavam seus princípios religiosos originais.
Aconteceu também quando esses cinco povos mudaram-se para a Samaria. O nome
hebraico usado para Deus era o mesmo para falar do marido: ba’al =
senhor(marido ou Deus). Com a vinda dos estrangeiros, os samaritanos (que eram
judeus) viram sua religiosidade confundida, e sua fidelidade a Deus (Javé)
sofreu muitos abalos. Por isso, o Senhor/Deus (marido) que a mulher possuía não
era bem o seu, pois a fé, os compromissos da eleição e da fidelidade às
tradições se haviam perdido. Outros
pensam nas cinco nações que oprimem Israel: egípcios, assírios, babilônios,
gregos e romanos. Orígenes pensou que se tratasse dos cinco livros sagrados ou
rolos da Lei, o Pentateuco, os únicos livros sagrados conservados pelos
samaritanos. Mas qualquer seja a interpretação, todas as interpretações têm o
mesmo objetivo: nenhum deus, ou outra nação, outro livro sagrado é capaz de
satisfazer toda a busca de felicidade dos samaritanos.
2.3. Diálogo Sobre O Lugar
Da Adoração (vv.19-25)
Motivada pela revelação de Jesus, a Samaritana começa a
chamar Jesus de Profeta (um título de missão) que mais tarde ela o chama de
Messias e Salvador do mundo: “Senhor,
vejo que és um profeta...”(v.19). Ao ver que Jesus conhece toda sua vida
pessoal e religiosa e moral, a Samaritana deixa cair todas as defesas. Não
recorre à agressão, nem à mentira, nem ao disfarce. A admiração e o respeito
tomam conta dela, e entrega-se desarmada confessando: “Senhor, vejo que és um
profeta”.
E a Samaritana acrescenta: “Nossos pais adoraram sobre esta montanha, mas vós dizeis: é em
Jerusalém que está o lugar onde é preciso adorar” (v.20). Agora o diálogo
passa para outro conteúdo: adoração e verdadeira religião. A samaritana faz uma
pergunta; uma pergunta que, às vezes, pode ser a nossa: onde está a verdadeira
religião? Está sobre a montanha? Qual é maneira certa de entrar em relação com
o Absoluto?
Jesus afirma: “Crê, mulher, vem a hora em que nem sobre
esta montanha nem em Jerusalém adorareis o Pai”(v.21). Esta é uma palavra
muito forte e que talvez tenhamos dificuldade de escutar. Porque nós
gostaríamos que a verdade estivesse numa igreja, que a verdade estivesse nesta
ou naquela religião. Sem querer dizemos: a verdade está em nós. A heresia está
nos outros. Jesus procura libertar a Samaritana de qualquer idolatria. Jesus
ensina-lhe a não idolatrar um lugar de culto particular, tempo ou monte santo.
Essa idolatria se chama a idolatria espiritual porque impõe limites, “confina”
Deus a uma forma, a um lugar. Deus pode estar na igreja ou em qualquer lugar
santo, mas a igreja ou um lugar santo não é a prisão de Deus. Deus não é a obra
de mão de homens. Ao contrário, o homem é a obra da mão de Deus (cf. Gn
1,26-27;2,7).
Por isso, devemos aprender a
encontrar a Deus em lugares totalmente inesperados e desconhecidos; em meio a
povos com outras crenças ou entre os não-crentes; para além dos muros das
igrejas e dos templos e lugares sagrados; em toda atividade que tenha como
propósito o serviço à pessoa e à comunidade.
Como deve-se adorar a Deus? “Mas
vem a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão em espírito e verdade, pois tais são os adoradores que o
Pai procura. Deus é espírito e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito
e verdade”, diz Jesus à Samaritana (vv.23-24).
Mas o que é que adorar? No sentido antigo do termo, é
alguém que orienta seu desejo para a fonte de todo Ser. É a homenagem ritual
prestada à divindade. Portanto, se queremos conhecer a fonte do nosso ser, o
Pai, Aquele que gera o mundo, nós temos que escutar o Espírito de Deus. A
importância não está sobre esta montanha ou em Jerusalém, nesta religião ou na
outra. O importante é estarmos conscientes no Sopro de Deus que nos habita e
estarmos vigilantes, despertos.
“Adorar
em espírito e verdade”. “Espírito” (pneuma) para João
significa o que pertence ao mundo celeste em contraposição ao mundo terreno.
O homem terreno não tem, por suas próprias forças, acesso ao reino celeste
(Jo 3,31). Deus só pode
ser adorado como Pai por aqueles que possuem o espírito que os faz filhos de
Deus, que os faz nascer do alto. Para o encontro verdadeiro e autêntico com
Deus é necessário que a força de Deus eleve o homem, faça dele uma nova
criação, seja penetrado pelo Espírito de Deus. Por isso, a adoração em
espírito não é o culto interior, espiritualista, individual, contraposto ao
culto externo e público.
E “em verdade”. A adoração “em verdade” não se opõe
à falsa adoração. “Verdade”
é, para João, a realidade de Deus revelada em Jesus Cristo, nas suas palavras,
nas suas ações, e na sua pessoa. A verdadeira adoração do Pai pressupõe, por
conseguinte, a acolhida da palavra de Jesus, a fé em Jesus. O novo culto é verdadeiro porque
procede da revelação de Deus em Jesus Cristo. Só com a revelação de Jesus, com a presença de Jesus,
pode haver “verdadeiros adoradores”, porque os que creem em Jesus são
regenerados pelo Espírito e vivem a relação com o Pai na atitude filial de
Jesus. Para que haja “verdadeiros adoradores”, é
necessário a ação do Espírito que faz nascer “de novo, do alto” (Jo
3,3-8). A presença de Jesus acaba com o dilema sobre o lugar da adoração a
Deus. Com Ele vem a hora
em que os lugares de culto do passado por mais veneráveis que tenham sido, vão
perder sua importância. O verdadeiro culto de adoração começa a realizar-se em Jesus (cf. Jo 2,13-22 em que Jesus fala do seu corpo ressuscitado como o novo
templo). O lugar onde se revela o Pai, o lugar do novo e
verdadeiro culto é doravante e para sempre, Jesus Cristo, o único caminho para
chegar ao Pai. A nova adoração, que é expressa no futuro (adorarão) não será
simplesmente a Deus, mas ao “Pai”, e não está mais vinculada a lugares (“nem...nem...”).
A afirmação “Deus é Espírito” (v.24) não é
uma definição de Deus, um enunciado da essência divina, mas é uma afirmação do tipo de
relação de Deus com os homens, do modo como ele se manifesta aos homens, do
mesmo tipo que as afirmações “Deus é luz” (1Jo 1,5) ou “Deus é amor”(1Jo
4,8.16). O que a expressão quer dizer neste caso é que a relação de Deus com os
homens é mediada pelo Espírito que ele mesmo dá.
A Samaritana não reconhece
imediatamente Jesus. Mas confessa sua esperança messiânica (v.25). Não sabe
ainda que o verdadeiro Messias está diante dela. Respondendo à sua busca, Jesus
se revela a ela como o Messias esperado: “Sou eu que estou falando contigo”(v.26).
Esta revelação direta de Jesus é o clímax de todo o diálogo. A expressão “Sou Eu” é uma fórmula de
revelação de Deus no AT (cf. Ex 3,14).
2.4.
O Resultado Do Diálogo Na Pessoa Da Samaritana (vv.27-30)
Depois da auto-revelação de Jesus
para ela, a Samaritana, esquecendo sua jarra, correu para a cidade para
transmitir aos outros o que ela descobriu na pessoa de Jesus (vv.28-29). Ela
não confessa imediatamente sua fé, mas sai correndo para anunciar aos outros
que encontrou o Messias.
O que tem por trás deste relato? O evangelho de João foi escrito
no fim do primeiro século. Nas suas linhas e entrelinhas transparecem os traços
de uma comunidade cristã aberta, acolhedora e pluralista. A comunidade que
transparece no texto supõe como normal que mulheres tenham liderança na
comunidade e anunciem a Boa Nova, até com maior resultado que os homens (vv.8.27).
Por causa da palavra desta mulher, muitos se converteram. O texto nos transmite
também que os samaritanos participam da vida comunitária e aceitam Jesus como
Messias (v.29) e o aceitam como “o Salvador do mundo”(v.42). E os samaritanos
vão ao encontro de Jesus movidos pelo testemunho da Samaritana e reconhecem a
identidade de Jesus e o confessam como Salvador do mundo.
Isto quer nos dizer que o acesso
à fé dá-se através do testemunho. E o testemunho, por sua vez, só tem força
para conduzir ao encontro de Jesus quando é dado por alguém que fez a
experiência do encontro pessoal com Jesus.
O processo da fé começa pela escuta e acolhida da palavra proclamada por
um testemunho externo, mas só se torna fé pessoal na experiência da relação
pessoal com Jesus Cristo. Quando nós fazemos a experiência do “Eu sou”, quando
fazemos a experiência desta fonte de Água Viva, podemos nos voltar para as realidades,
mas seremos livres em relação a elas.
2.5.
O resultado do diálogo na pessoa de Jesus (vv.31-38)
Nestes versículos há o diálogo
entre Jesus e seus discípulos. Os discípulos sugerem que Jesus coma (v.31).
Diante desta sugestão, Jesus responde: “Tenho um alimento que vós não
conheceis! Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e levar a
cumprimento a sua obra”(vv.32.34). Os discípulos não entendem aquilo que Jesus
está lhes dizendo (v.33). O diálogo é um jogo que evidencia a incompreensão
humana diante do mistério de Deus. O ser humano é incapaz de crer e de
compreender Deus. Mas Deus sempre tem a paciência em satisfazer as aspirações
dos homens e as suscita. Deus sempre leva o homem para a luz para ele poder ver
tudo como Deus o vê. E Jesus aproveita a incompreensão dos discípulos para
fazer uma de suas mais elevadas revelações. No v. 34 descobrimos a consciência
que Jesus tem de si mesmo, suas relações com Deus, seu modo de entender a
própria existência. A sua vida é uma total obediência ao Pai.
E nós, como seguidores de Jesus que obedeceu
totalmente à vontade do Pai, vivemos realmente segundo a vontade de Deus?
Seguimos aquilo que Jesus nos orientou?
2.6.
O Resultado Da Missão De Jesus Na Samaria (vv.39-42)
O resultado da missão de Jesus na
Samaria se resume nestas frases: “Muitos samaritanos daquela cidade creram em
Jesus por causa da palavra da mulher que testemunhou....’Não é mais por causa
do que tu contaste que cremos; nós mesmos o ouvimos, e sabemos que este é
verdadeiramente o Salvador do mundo’” (vv.39.42). Mais uma vez João enfatiza
que a salvação se destina a todos. As barreiras de qualquer preconceito caíram
diante de Jesus. Os samaritanos se converteram e acolheram Jesus no meio deles.
A conversão dos samaritanos antecipa a conversão dos pagãos futuramente que a
comunidade depois de Jesus experimentará.
Jesus atende ao pedido dos
samaritanos para ficar com eles durante dois dias. Com isto, o evangelista quer
acentuar a prontidão para a fé dos samaritanos, em contraste com os judeus de
Jerusalém (cf. Jo 2,18.20;4,1-3) e com os galileus (cf. 4,44;6,30s.41.52). A fé
dos samaritanos é também mais profunda e mais firme, até o ponto de superar o
escândalo causado pela origem histórico do Revelador: um judeu.
As implicações para todos nós
cristãos são muitas, umas delas são:
1. Todos nós, mulheres e homens,
fomos chamados ao apostolado para convidar outras pessoas para que descubram o
rosto verdadeiro de Deus e o próprio rosto, própria identidade.
2. Não anunciamos a nós mesmos, mas
a Jesus Cristo.
3. Manter um diálogo que não fique no intercâmbio
de palavras, mas que vá até a partilha solidária das situações da vida dos
demais sem nenhum preconceito. Desta forma esperamos encontrar o outro e juntos
descobrir a Jesus e experimentar por que ele é salvador, Água Viva que dá vida
a todos nós.
4. E por fim, nossa pergunta, neste
momento, é a mesma pergunta da samaritana:
O que é
que pode, verdadeiramente, acalmar nosso desejo ou nossos anseios? De que,
realmente, temos sede nesta vida? O que é este cântaro de onde pode jorrar a
Água Viva? Quais são os preconceitos que devemos superar para estabelecer um
verdadeiro diálogo? Há diálogos que
matam. Há diálogos que trazem a vida. Qual resultado que obtemos nos nossos
diálogos? De que maneira Jesus questiona a nossa maneira de ler a realidade
como ele questionou a maneira da Samaritana de ver a realidade? Em que pontos a
pedagogia de Jesus nos questiona, provoca ou critica? Em que pontos a ação
evangelizadora de Jesus e da Samaritana nos questiona e em que pontos nos
confirma? Em que pontos o ecumenismo de Jesus e da Samaritana nos questionam? Em
que pontos a leitura que Jesus e a Samaritana fazem da Bíblia questiona ou confirma
a nossa maneira de ler a Bíblia?
Pe.
Vitus Gustama,SVD