sexta-feira, 20 de julho de 2018

28/07/2018
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ESPIRITUALIDADE VIVIDA NA PRÁTICA DA JUSTIÇA SOCIAL É UMA MANEIRA DE SER PARCEIRO DO BEM
Sábado da XVI Semana Comum

Primeira Leitura: Jr 7,1-11
1 Palavra comunicada a Jeremias, da parte do Senhor: 2 “Põe-te à porta da casa do Senhor e lá anuncia esta palavra, dizendo: Ouvi a palavra do Senhor, todos vós de Judá, que entrais por estas portas para adorar o Senhor. 3 Isto diz o Senhor dos exércitos, Deus de Israel: Melhorai vossa conduta e vossas obras, que eu vos farei habitar neste lugar. 4 Não ponhais vossa confiança em palavras mentirosas, dizendo: ‘É o templo do Senhor, o templo do Senhor, o templo do Senhor!’ 5 Mas, se melhorardes vossa conduta e vossas obras, se fizerdes valer a justiça, uns com os outros, 6 não cometerdes fraudes contra o estrangeiro, o órfão e a viúva, nem derramardes sangue inocente neste lugar, e não andardes atrás de deuses estrangeiros, para vosso próprio mal, 7 então eu vos farei habitar neste lugar, na terra que dei a vossos pais, desde sempre e para sempre. 8 Eis que confiais em palavras mentirosas, que para nada servem. 9 Como?! Roubar, matar, cometer adultério e perjúrio, queimar incenso a Baal, e andar atrás de deuses que nem sequer conheceis; 10 e depois, vindes à minha presença, nesta casa em que meu nome é invocado, e dizeis: ‘Nenhum mal nos foi infligido’, tendo embora cometido todas essas abominações. 11 Acaso, esta casa, em que meu nome é invocado, tornou-se a vossos olhos uma caverna de ladrões? Eis que também eu vi”, diz o Senhor.


Evangelho: Mt 13,24-30
Naquele tempo, 24 Jesus contou outra parábola à multidão: “O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo. 25 Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora. 26 Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. 27 Os empregados foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?’ 28 O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os empregados lhe perguntaram: ‘Queres que vamos ar­rancar o joio?’ 29 O dono respondeu: ‘Não! pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. 30 Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e o amarrai em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro’”.
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O Culto e a Prática Da Justiça Devem Andar Juntos


Põe-te à porta da casa do Senhor e lá anuncia esta palavra, dizendo: Ouvi a palavra do Senhor, todos vós de Judá, que entrais por estas portas para adorar o Senhor... Se melhorardes vossa conduta e vossas obras, se fizerdes valer a justiça, uns com os outros, não cometerdes fraudes contra o estrangeiro, o órfão e a viúva, nem derramardes sangue inocente neste lugar, e não andardes atrás de deuses estrangeiros, para vosso próprio mal, então eu vos farei habitar neste lugar, na terra que dei a vossos pais, desde sempre e para sempre”, disse Deus para o povo eleito através da boca do profeta Jeremias.


No texto da Primeira Leitura tirado do livro do profeta Jeremias e na continuação do texto, temos dois oráculos diferentes apesar de ser um tema só no fundo. O primeiro, trata diretamente do Templo e da falsa segurança que produz o povo (Jr 7,1-15). O segundo, trata da inutilidade do rogo (intercessão) profético em favor do povo quando este atua de maneira idolátrica (Jr 7,16-20).


De fato, havia uma base real para essa segurança: o templo era o lugar privilegiado da presença divina. A intercessão também sempre foi uma fundação de segurança. Apesar disso, Jeremias agora se apresenta e fala sobre essas duas realidades. Em vez de elogiá-las, ele critica duramente a atitude de falsa segurança e a vã confiança do povo, pois as pessoas continuam como antes: roubo, assassinato, adultério, juramento falso, queimar incenso a Baal, ir atrás de outros deuses. Segundo Jeremias, a chave para a segurança é agir sob a presença do Senhor: praticar justiça, não oprimir o viajante, o órfão e a viúva, não derramar o sangue do inocente, e não seguir deuses estrangeiros.


O Profeta Jeremias é um dos primeiros profetas a enfrentar ou a criticar abertamente o culto formalista do templo em Jerusalém, a crítica que ocorreu em 608 a.C. Pouco tempo depois ele será preso por ter, de certa forma, blasfemado: “Este homem merece a morte porque profetizou contra  esta cidade”, clamaram os sacerdotes e os profetas da corte (Jr 26,11; leia Jr 26). Jesus também será condenado pelo mesmo motivo (cf. Mt 26, 39-61).


Por que é considerada como blasfêmia a crítica de Jeremias contra o culto formalista do Templo em Jerusalém? O profeta Isaías tinha lançado a ideia de que Jerusalém não podia ser destruída porque era o lugar da presença de Deus (cf. Is 37,10-20.33-35). Daí se deduzia a segurança de que essa proteção existiria novamente e incondicionalmente. Enquanto lugar da presença de Deus, o Templo era o centro do poder religioso, além de ser o centro do poder econômico e do poder político. Para os dirigentes do povo, atacar um destes aspectos é atacar o Templo todo, e indiretamente atacar o próprio Deus presente no Templo. Por ser considerado como lugar da presença de Deus, o povo repetia como um talismã a frase: “É o templo do Senhor, o templo do Senhor, o templo do Senhor!”. Trata-se de uma fórmula mágica e uma segurança falsa para libertar-se do perigo. Na conclusão do Sermão da Montanha Jesus criticará, de outra forma, o mesmo conteúdo: “Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21). Segundo o profeta Ezequiel, Deus pode abandonar o Templo por causa dos pecados cometidos (cf. Ez 11,23).


Podemos imaginar, dentro deste contexto, o escândalo causado pela intervenção do profeta Jeremias. Como se alguém ficasse na porta do Vaticano para anunciar sua destruição pelos escândalos acontecidos lá dentro do Vaticano.


Jeremias lança uma crítica dura para a falsa segurança do povo, pois o que Deus pede do povo não é uma fórmula mágica, mas é exigido do povo que melhore a conduta e obras, que faça valer a justiça, que não cometa fraudes contra o estrangeiro, o órfão e a viúva nem derrame sangue inocente no Templo, e não ande atrás de deuses estrangeiros. Somente assim o culto teria sentido. Na verdade, Jeremias não se opõe ao Templo como tal ou à função sacerdotal e sim à prática da injustiça, e ao mesmo tempo continua dizendo: “É o templo do Senhor, o templo do Senhor, o templo do Senhor!”. É uma oração de boca para fora e não sai do coração.


A religião sempre teve o perigo de servir para tranquilizar as consciências, para dar segurança falsa, para produzir vã confiança, para justificar maneiras de viver alienadas e injustas. Na verdade, deveria ser o contrário: manter o homem em atitude de insegurança e de busca; movê-lo a um compromisso sério de fidelidade ao Senhor, fidelidade que se demonstra na recusa de valores que, absolutizados, alienam e escravizam a própria pessoa; no respeito profundo pelo homem; na justiça pelos oprimidos e marginalizados. Este é o papel de uma religião.


Se quisermos mostrar nossa fé aos outros não digamos em quantas verdades acreditamos; precisamos mostrar aos outros como vivemos. Não nos transformamos em crentes ou fieis quando mudamos nossa forma de pensar e sim quando mudamos nossa forma de viver. Quando deixamos de acreditar em Deus com nossa forma de viver, começaremos a venerar muitos ídolos. Se nosso Deus só vende seguros para depois da morte e não tem respostas para esta vida, muitos não vão querer partilhar de nossa fé. Creio que muitos ateus não se opõem a Deus e sim se opõem às caricaturas de Deus que os crentes ou fieis lhes mostram.Há o risco de que alguns momentos de oração se tornem uma desculpa para evitar de dedicar a vida à missão, porque a privatização do estilo de vida pode levar os cristãos a refugiarem-se nalguma falsa espiritualidade” (Papa Francisco: Exortação Apostólica Evangelii Gaudium n.262).


Ser Parceiro Do Bem É Uma Forma Mais Eficaz Para Conter e Acabar Com o Avanço Do Mal


Estamos no discurso de Jesus sobre o Reino de Deus em parábolas. Desta vez Jesus nos conta a parábola sobre o joio no meio de trigo. O joio é uma planta da família das gramíneas (lolium temulentum) que cresce no meio do trigo que dificilmente se distingue do bom trigo durante o seu crescimento; só se vê a diferença nas espigas. As espigas do trigo alimentam o homem (animal), enquanto que o joio produz uma espiga de grãos escuros de efeito altamente tóxico. Mas, na verdade, não há necessidade saber da espécie de erva parasita que Jesus fala nessa parábola; basta saber que se trata de uma planta nociva.


Esta parábola conta uma cena da vida cotidiana: o dono do campo que semeia a boa semente, o inimigo que prejudica o campo de trigo ao semear o joio, as relações entre o patrão e os empregados. Tudo parece normal, exceto a surpreendente reação do dono do campo: deixar que ambos (joio e trigo) cresçam juntos. A atitude do dono, evidentemente, chama a atenção dos ouvintes, porque a atitude normal é arrancar logo o joio para que o trigo possa crescer saudavelmente a fim de produzir boas espigas. O dono sabe que o joio pode impedir ou dificultar o crescimento do trigo, mas os dois parecem muito ao princípio e é possível que ao arrancar o joio, arranquem também o trigo. O dono quer que se espere o tempo da colheita para separar o trigo do joio.


Evidentemente a parábola do joio orienta-se para o fim dos tempos, pois ela trata do juízo final, que introduz o Reino de Deus. Nesta parábola rejeita-se expressamente a ideia duma separação antes do tempo ou uma precipitação e exorta-se à paciência até chegar o tempo da colheita. Os homens não estão absolutamente em condição de fazer esta separação (v.29), pois ao fazer separação que é a competência de Deus, os homens cairiam em erros de julgamento e os dois (joio e trigo) acabam morrendo juntos, pois quem julga o outro, cai também no julgamento (Mt 7,1).


Infelizmente a tendência espontânea dos homens é a de repartir a humanidade em duas categorias: os bons e os maus. E os maus sempre são os outros e os bons sempre somos nós. Por isso, somos intolerantes para as faltas alheias, mas muito amigos de nos auto-justificarmos e muito ligeiros a desculpar-nos. Que as bênçãos de Deus caiam sobre nós e nossa família, e as maldições sobre os maus, sobre os inimigos. Com isso, somos maus do mesmo jeito. Com esta atitude os homens, no fundo até inconsciente, tem uma tendência espontaneamente sectária e intolerante. O outro o amedronta enquanto não se tornou seu “semelhante”. O mal e o bem não estão só fora de nós, mas dentro do nosso coração. Ao esquecermos isto, nos constituímos juízes dos outros. Ninguém pode ter a presunção de ser trigo limpo, porque ninguém é tão bom que não tenha algum joio. Somente Deus é bom plenamente (Mc 10,18).


Através desta parábola Jesus quer revelar também a paciência de um Deus que adia o julgamento (vv.28-30) a fim de deixar ao pecador o tempo para se converter. Apesar de ter na sua mão todo o poder, Deus se mostra tolerante e paciente para com a sua criatura, o homem, que é débil, limitado e pecador. Ele não exclui ninguém do Reino: todos são convocados até o último minuto, todos podem entrar nele. A cólera não é a última palavra da manifestação divina. O perdão sempre prevalece. A paciência divina está aberta para todos aqueles se convertem.


Por sua atitude durante toda a sua vida, Jesus encarna a paciência de Deus em relação aos pecadores. Não existe pecado que não possa ser perdoado por Deus, se o pecador se converter; nenhum pecado arranca o homem do poder misericordioso de Deus.


O segredo desta paciência de Jesus é o amor. Jesus ama o Pai com o mesmo amor com que é amado, pois é o Filho. Jesus ama os homens com o mesmo amor com que o Pai os ama. Talvez a expressão joanina seja melhor para descrever o amor de Jesus: “... amou-os até o fim” (Jo 13,1). Jesus ama os homens até em seu pecado. Foi o pecado dos homens que conduziu Jesus à cruz. No momento supremo em que o desígnio divino parece comprometido pela atitude dos homens, o amor se faz totalmente misericordioso: ”Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34). Jesus, realmente, amou os homens até o fim.


Por ser membro do Corpo de Cristo, todos nós temos a missão de encarnar a paciência de Jesus. É na paciência que se conquista a vida (Lc 21,19). A paciência não é passividade. Por isso, ela é uma virtude dos fortes e prudentes.


Nossa tarefa neste mundo não é a de repartir os homens entre os bons e os maus, mas a de revelar o amor misericordioso de Deus. Ninguém por si tem o direito de se constituir critério para o seu irmão. Não o irmão justo é o nosso critério, mas o Deus santo e misericordioso. Aqui na terra, o trigo está sempre misturado com o joio, e a linha de demarcação entre um e outro passa em todo homem. O cristão e a cristã são chamados a exercer sua função como pedra insubstituível na construção do Corpo de Cristo (Igreja) e a cooperar de modo original na realização da história da salvação. Quando o cristão não se tornar mais o sinal do amor de Deus, a missão automaticamente degrada-se em propaganda ou em tentativa de autopromoção. Para isso, temos que nos renovar sem cessar por dentro através do alimento da Palavra de Deus e da Palavra que se faz carne na Eucaristia.


Além disso, essa parábola serve de exortação para todos os cristãos. Deus deixa conviver os bons com os maus, sem pressa de fazer juízo. E nessas circunstâncias não sabemos se fazemos parte do grupo dos bons ou do dos maus; se somos do trigo ou do joio. Mas como Deus tem paciência, sempre é tempo de tentarmos produzir alguma coisa positiva, e rendermos para a vida presente para vivermos na vida eterna.


Portanto, precisamos estar conscientes de que o bem e o mal são duas realidades que aparecem juntos em nossa vida porque brotam da mesma fonte: o coração. Da abundância do coração fala a boca, o que sai de dentro é o que faz boa ou má à pessoa. Isto nos faz viver verdadeiramente em constante contradição interna como reconhece Paulo: “Realmente não consigo entender o que faço; pois não pratico o que quero, mas faço o que detesto” (Rm 7,15). Não há ninguém tão bom que não tenha algo de mau, e não há ninguém tão mau que não tenha algo de bom. Quem opta por fazer o bem sabe que tem que enfrentar o mal em todas suas formas.
 
P. Vitus Gustama,svd
27/07/2018
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SOMOS CHAMADOS A SEMEAR A BONDADE
Sexta-Feira Da XVI Semana Comum


Primeira Leitura: Jr 3,14-17
14 ”Convertei-vos, filhos, que vos tendes afastado de mim, diz o Senhor, pois eu sou vosso Senhor; vou tomar-vos, um de uma cidade e dois de uma família, e vos reconduzirei a Sião; 15 eu vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentarão com clarividência e sabedoria. 16 Quando vos tiverdes multiplicado e crescerdes na terra, naqueles dias, diz o Senhor, não se falará mais da ‘arca da aliança do Senhor’; ela não virá à memória de ninguém, não se lembrarão dela, não a procurarão nem fabricarão outra. 17 Naquele tempo, chamarão Jerusalém Trono do Senhor, em torno dela se reunirão, em nome do Senhor, todos os povos; eles não se deixarão mais levar pelas inclinações de um coração mau”.


Evangelho: Mt 13,18-23
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 18 “Ouvi a parábola do semeador: 19 Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho. 20 A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; 21 mas ele não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando chega o sofrimento ou a perseguição, por causa da palavra, ele desiste logo. 22 A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto. 23 A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem outro sessenta e outro trinta”.
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Deus Nos Ama e Quer Nossa Volta Aos Seus Braços Apesar De Nosso Afastamento Dele


Convertei-vos, filhos, que vos tendes afastado de mim, pois eu sou vosso Senhor; vou tomar-vos, um de uma cidade e dois de uma família, e vos reconduzirei a Sião; eu vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentarão com clarividência e sabedoria”. É a fala do Senhor para quem se afasta d´Ele, quem lemos na Primeira Leitura.


Percebe-se o contexto histórico do Exílio, da dispersão. O profeta Jeremias anuncia o retorno dos deportados. Anuncia-se o reencontro com todos na cidade santa Jerusalém.


O tema do “reencontro” faz parte do desejo profundo da humanidade. O ser humano é um ser vincular. O vínculo é a medula de sua existência. Para tornar-nos aptos, competentes, necessitamos, imprescindívelmente, de colaboração e de ajuda dos outros. O vínculo nos leva a termos o sentimento de pertença. Através da vivência desse sentimento de pertença aprendemos a receber algo de bom dos outros e a dar aos outros o que temos de bom. O perigo, hoje em dia, é esquecer-se desta consciência de pertença e acreditar que somente sou eu o centro de tudo e que os outros devem viver para mim e girar em torno de mim. Conseqüentemente, nós nos convencemos de que sejamos melhores que os outros. É preciso fazer desaparecer essa forma de egoísmo destruidor para que renasça o amor fraterno que nos ensina a receber e a dar. Todos na comunidade são chamados a partilhar seus dons e receber os dos outros e a descobrir a altura e a profundidade da sabedoria, da beleza e do amor de nosso Deus que criou tudo por amor. Quando não se procura a glória de Deus e sim a própria glória, a rivalidade e a competição se instalam, suscitando a inveja na comunidade. E a inveja, por sua vez, gera o ódio e a guerra, e consequentemente acontecerá a dispersão e divisão. Quando não há mais união, nada pode ser alcançado.


Mas o profeta Jeremias não só anuncia o reencontro na cidade santa, Jerusalém, mas também a vinda do Messias. Por isso, ele usa a expressão “naqueles dias” ou “naquele tempo”: “Quando vos tiverdes multiplicado e crescerdes na terra, naqueles dias, diz o Senhor, não se falará mais da ‘arca da aliança do Senhor’; ela não virá à memória de ninguém, não se lembrarão dela, não a procurarão nem fabricarão outra”.


A Arca da Aliança era o objeto de culto mais sagrado: um cofre de madeiras preciosas no qual estavam guardadas as “Tábuas da Lei” de Moisés, o símbolo mais explícito da Presença de Deus no Templo. Em 587 a.C junto com o Templo a Arca foi queimada pelos invasores caldeus.


Segundo Jeremias, de agora em diante, a Presença de Deus estará no coração da comunidade: “Naquele tempo, chamarão Jerusalém Trono do Senhor, em torno dela se reunirão, em nome do Senhor, todos os povos”.  Deus não está em nenhum objeto e sim se encontra onde se vivem relações interpessoais na união fraterna baseada no amor.


Nós cristãos lemos esta profecia do profeta Jeremias sabendo que, em Jesus, Deus fez sua morada entre nós (Cf. Jo 1,14). E antes de se despedir nos assegura: “Eu estarei convosco até o fim do mundo” (Mt 28,29). Não vemos o Senhor com os olhos nus, mas o Senhor ressuscitado está conosco ao longo do nosso caminho neste mundo. Se acontecer que nós desandamos o caminho que nos afasta do Senhor, ouçamos antetamente a Palavra de Deus: “Convertei-vos, filhos, que vos tendes afastado de mim, pois eu sou vosso Senhor”. seja qual for nossa situação, sempre é possível o regresso, o retorno a Deus, nosso Pai.


O texto da Primeira Leitura nos assegura que, com Deus, temos solução, que com Deus este mundo tem solução, que com Deus a juventude de hoje tem solução, que com Deus nossa comunidade tem solução. Por parte de Deus, a porta está aberta, como os braços do pai para o filho pródigo. Os planos de Deus são de alegria e de vida: “Então a virgem dançará alegremente, também o jovem e o velho exultarão; mudarei em alegria o seu luto, serei consolo e conforto após a guerra”, lemos no Salmo Responsorial tirado do próprio livro do profeta Jeremias (Jr 31).


Somos Bons Sementes De Deus Neste Mundo


Jesus nos dá hoje um exemplo da interpretação espiritual necessária para entender o significado da parábola do semeador. Jesus compara os homens com quatro tipos/classes de terreno: a mesma semente, a mesma Palavra de Deus, mas dá resultados mais ou menos profundos conforme a resposta de cada pessoa à Palavra de Deus ou à semente semeada por Deus.


O evangelho é uma palavra viva porque o Autor do evangelho, Aquele que nos fala através das palavras proclamadas está vivo Hoje: Jesus Ressuscitado. Ele se dirige a nós pessoal e comunitariamente. Por isso, o evangelho não é uma coleção de ideias ou uma coleção de pensamentos bons apenas. O evangelho é o encontro com Alguém. Se nós acreditamos que Jesus ressuscitou e por isso, está vivo, o evangelho é sempre atual, pois trata-se das Palavras de Quem está conosco Hoje. Por isso, é preciso dar ouvido e abrir o coração para Aquele que está falando sobre nós aqui e agora, Hoje. Seria falta de respeito, falta de educação, falta de sensibilidade humana não prestar atenção para aquele que está falando, muito mais ainda para Aquele que é o nosso Salvador. Por isso, cada um há que perguntar ao Senhor na sua meditação e oração: O que eu descobri de ti, Senhor, através da passagem do evangelho proclamada para mim hoje?


Alguns começaram a meditar a Palavra de Deus com entusiasmo e alegria, pois no início encontraram nela consolação. Porém, é necessário perseverar. Não basta seguir o Senhor, quando isto parece agradável e fácil. É preciso também seguir o Senhor nas provações com perseverança, pois “aquele que perseverar até o fim, esse será salvo”, assim o Senhor prometeu (Mt 10,22). Um conhecimento profundo de Deus somente se adquire com uma longa e incansável frequência com o evangelho, lido, meditado e voltar a meditá-lo. O Senhor não se contenta com nossos fervores passageiros. Ele espera nossas fidelidades perseverantes.


E no seguimento do Senhor, há que saber escolher. “Ninguém pode servir a dois senhores. Com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o segundo. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro”, alerta-nos o Senhor (Mt 6,24). O descobrimento de Deus é uma maravilhosa aventura que implica muita renúncia e nossa entrega e nosso compromisso total: as preocupações mundanas, o prazer desenfreado, o afã de riqueza podem sufocar a Palavra de Deus. A riqueza promete muito, mas também decepciona muito.


Não há diploma sem estudo. Não há vitória sem luta. Não há colheita sem semear a semente e trabalhar pelo seu crescimento. Jesus fala de outra maneira: “A semente que caiu em terra boa é aquele que ouve a Palavra e a compreende. Esse produz fruto” (Mt 13,23). Um grão de trigo que colocamos num terreno fértil é capaz de produzir centenas de grãos. Então, depende de nós. Depende de mim. Depende de você. Tudo que Deus criou era bom (cf. Gn 1,1ss). Você foi criado por Deus. Logo você é bom. Consequentemente, você é capaz de fazer algo de bom para os outros. Seja você um terreno fértil transformando suas fraquezas em adubo para seu próprio crescimento e para o bem de todos. Se não conseguir produzir um por cem, você pode produzir um por sessenta ou um por trinta. Repito: a única coisa que nos faz crescer e nos faz bem e faz bem para os outros é fazer o bem. Não pode deixar para amanhã o bem que você deve fazer hoje mesmo, pois Deus quer você hoje e não amanhã e por isso, Ele fala para você diariamente.


“O importante é semear: Pouco, muito, tudo... Semeie seu sorriso, para que resplandeça ao redor de você. Semeie suas energias, para enfrentar as batalhas da vida. Semeie sua coragem, para reerguer a coragem do outro. Semeie seu entusiasmo, sua fé, seu amor para encorajar quem acha tudo perdido. Semeie as coisas mínimas, aquilo que não conta mas com amor. Semeie e tenha confiança: Cada grão enriquecerá um cantinho da terra” (desconhecido).
 
P. Vitus Gustama,SVD
SÃO JOAQUIM E SANT´ANA, 26/07/2018
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SER JUSTO PERSEVERANTE
SÃO JOAQUIM E SANTA ANA
Pais de Nossa Senhora
26 de Julho


Primeira Leitura: Eclo 44,1.10-15
1 Vamos fazer o elogio dos homens famosos, nossos antepassados através das gerações. 10 Estes são homens de misericórdia; seus gestos de bondade não serão esquecidos. 11 Eles permanecem com seus descendentes; seus próprios netos são sua melhor herança. 12 A descendência deles mantém-se fiel às alianças, 13 e, graças a eles, também os seus filhos. Sua descendência permanece para sempre, e sua glória jamais se apagará. 14 Seus corpos serão sepultados na paz e seu nome dura através das gerações. 15 Os povos proclamarão a sua sabedoria, e a assembleia vai celebrar o seu louvor.


Evangelho: Mt 13,16-17
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 16 “Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. 17 Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejavam ver o que vedes, e não viram, desejavam ouvir o que ouvis, e não ouviram”.
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A devoção à Santa Ana é mais popular e mais antiga que a de São Joaquim. No dia 25 de Julho de 550 em Constantinopla (a atua cidade turca de Istambul) se dedicou uma basílica à Santa Ana, desde então, as Igrejas orientais celebraram sua festa nesta data. Séculos mais tarde a devoção se difundiu no Ocidente, mas a celebração se colocou no dia seguinte, isto é, no dia 26 de Julho. Em 1584 a festa foi fixada para toda a Igreja, tanto nos países orientais como nos ocidentais.


O culto de São Joaquim se introduziu mais tarde no século XIV, na época em que se popularizou o culto de São José e se consolidou dois séculos mais tarde. A festa de São Joaquim era celebrada no dia 20 de Março. Mais tarde, em 1738 foi trasladada a 15 de Agosto (Assunção de Nossa Senhora). Mas a reforma litúrgica do do Concílio Vaticano II, em 1969, uniu a comemoração dos pais de Nossa Senhora numa data só: 26 de Julho.


É inútil procurar na Bíblia os pais de Nossa Senhora. Os quatro evangelhos canônicos guardam absoluto silêncio sobre os pais de Maria. Nem sequer seus nomes foram transmitidos. Mt e Lc escreveram sobre a genealogia de Jesus, Maria é citada, mas seus pais não são citados.


Para saber sobre os pais de Maria temos que recorrer aos evangelhos apócrifos, ingênuos relatos pela imaginação fervorosa dos primeiros cristãos para completar com isso os silêncios dos evangelhos canônicos. Dificilmente saber até que ponto esses relatos são verdadeiros. Por isso são chamados de apócrifos, isto é, não é de uso publico.


Mas em cada história ou historinha sempre tem alguma lição. Segundo o evangelho apócrifo de São Tiago, os dois, Joaquim e Ana, eram da mesma tribo: Tribo de Judá. Quando tinha 20 anos, Joaquim casou-se com Ana. Durante os 20 anos de matrimônio os dois não geraram nenhum descendente. Não ter descendência, na época, era sinal da maldição de Deus e por isso, era uma vergonha pública. Por outro lado, os dois eram pessoas honradas, temerosas de Deus, generosas em suas ofertas para o Templo.


Paradoxalmente, Joaquim e Ana eram justos e puros de toda mancha de pecado. Levavam uma vida pidedosa diante de Deus e diante dos homens. Tinham uma conduta inocente, isto é, livre de qualquer maldade. Imunes de calúnia e cheios de piedade. Zelosos em oração, em jejum e abstinência, cheios de caridade. Formavam uma família assídua ao Templo. No entanto, não tinham filho até então que tanto desejavam. Mesmo assim continuavam apostar na misericórdia de Deus.


Um dia, quando Joaquim estava para fazer sua oferta no Templo, um escriba chamado Ruben parou os passos de Joaquim e lhe disse: “Não és digno de apresentar tuas oferendas enquanto não tiver tua descendência”. Aflito e humilhado, Joaquim se retirou ao deserto para orar a fim de que Deus pudesse dar de presente um descendente. Ana, a esposa, também começou a se vestir de saco e cilício para pedir a mesma graça. Ana rezou assim: “Ó Deus de nossos pais! Escutai-me e bendizei-me à maneira que bendissestes o seio de Sara, dando-lhe como filho Isaac”.


A humilde suplica de Ana obteve uma resposta de Deus. Um anjo do Senhor anunciou-lhe que eles teriam descendente. Ao mesmo tempo Joaquim, encontrado no deserto, recebeu a mesma mensagem e imediatamente voltou para sua casa com grande alegria para estar com sua esposa, Ana.


Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejavam ver o que vedes, e não viram, desejavam ouvir o que ouvis, e não ouviram”, assim lemos no Evangelho.


O cumprimento das promessas da salvação é a visão. A visão de Deus é o desejo dos profetas e dos justos no AT. Mas não tiveram privilégios de ver Deus. Mesmo assim, eles creram e apostaram sua vida pela Palavra da Aliança. O hoje dos discípulos tem a unicidade da bem-aventurança privilegiada de ver e escutar a própria Vida por excelência, a Salvação em ato, a Palavra encanada: Jesus, Deus-conosco, o Emanuel.


De certa forma, podemos dizer que Joaquim e Ana têm privilégio de ver o fruto da salvação: o nascimento da filha deles, Maria, que se esperava por tanto tempo. A graça de Deus pode tardar, mas nunca falha, porque Deus é cheio de misericórdia.


Não importa se você está num lugar bem deserto ou simplesmente em sua casa, se você fizer uma humilde súplica ao Senhor por uma causa nobre, cedo ou tarde, o Senhor vai atender seu pedido. Tenha paciência porque “o relógio” de Deus é diferente de nosso relógio. Simplesmente vamos nos abandonar nas mãos de Deus mesmo que tenhamos que enfrentar todo tipo de humilhação e dificuldade. Isso se chama fé. Se lutarmos por uma causa nobre, cedo ou tarde o tempo vai nos revelar quem está com razão. No casal Joaquim e Santana, encontramos um grande paradoxo: um casal justo, mas estéril. A esterilidade, de acordo com o costume na época, é uma negação para a condição de ser justo. “Se os dois fossem justos, teriam que ter filhos. Não tendo filhos é porque não são justos”. Essa era a lógica da época. Mas, no fim da história, Deus sempre tem a ultima palavra. Mesmo que tenha sido tarde, o justo casal, Joaquim e Ana, foi premiado por Deus uma filha chamada Maria, Mãe de nosso Salvador, Jesus Cristo.


Praticar a justiça é ser imparcial em tudo o que você faz. É ver com seus próprios olhos e não julgar algo pelo que os outros lhe dizem. A justiça significa que a pessoa recebe o que merece. Todos devem receber o que é lhe legítimo. É justo que as pessoas recebam uma punição quando fizeram o que não é justo. Também é certo que nos recompensamos quando agimos bem. Ser justo é defender seus direitos e os dos outros. Ser justo é investigar a verdade por si mesmo, aceitando o que os outros dizem apenas como uma opinião individual. Investigue os fatos com seus próprios olhos.  Quando você é justo, você age sem preconceitos, vendo cada um como a pessoa que é. Você é justo quando não toma decisões sobre os outros com base na sua etnia, nacionalidade, religião ou sexo, ou porque são ricos ou pobres e sim na base da justiça e do amor. “Diante da justiça de Deus não há distinção”, escreveu São Paulo no texto da Primeira Leitura de hoje. Quando você é justo, você admite seus próprios erros e aceita as consequências. Quando você é justo, você se defende quando é verdade e defende os outros quando eles estão certos. Quando se pratica a justiça não se faz fofocas nem críticas de costas. Ser justo é ser de Deus. E a vida dos justos está nas mãos de Deus.


Segundo o evangelho apócrifo, depois que entregou Maria para Deus no Templo, Ana se afastou silenciosamente e sumiu para sempre. Sua missão terminou. Com esta marca heróica de desprendimento os apócrifos encerraram o capitulo dedicado aos pais da Virgem Maria.


Ana é uma mulher paciente e humilde. Durante 20 anos ela sofreu sem queixa a tremenda humilhação da esterilidade. Mas suas orações são tão suaves e humildes que fazem o Senhor inclinar para ouvi-las. Sua longa provação não endureceu seu coração, pois ela acredita fielmente no poder de Deus.


Ana é uma mulher generosa, pois ela pede para ter descendente e o gozo de dar com alegria sua filha para o Senhor. E sua filha Maria será capaz de entregar-se à vontade de Deus totalmente: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua Palavra” (Lc 1,38). Ana é uma mulher abnegada, disposta a desprender-se de sua filha para dá-la aos outros.


Pedimos aos pais de Nossa Senhora que todos nós tenhamos o espírito de perseverança no bem que devemos fazer, na oração que devemos fazer, na pratica de caridade, em ser justo em tudo apesar dos obstáculos encontrados no caminho. Mas a graça de Deus nos potencia para ultrapassar os obstáculos a exemplo do justo casal, Joaquim e Ana.


Neste dia também celebramos O DIA DOS AVÓS.  É o dia de agradecimentos por nossos avós que nos deram nossos pais. É o dia de ação de graças pela vida, pelos cuidados, pelos desvelos, pelos sofrimentos, pelos sacrifícios, pelos esbanjamentos de amor e carinho de nossos avós para nossos pais e para nós. Pela indiscritivel ajuda em nossa educação e na formação de nossa personalidade.


Celebrar a festa dos avós é como um dever de agradecimento, um ato de amor, uma devolução de ternura, e sobretudo, uma ação de graças respeitosa e alegre para fazer todos eles arrancarem seu melhor sorrisonesta celebração íntima e familiar onde eles voltam a ser protagonistas neste dia dos avós.


A sensibilidade da sociedade atual nos pede que se estabeleça um reconhecimento público, universal e particular de cada neto por seus avós, os pais de nossos pais. Elogiar a figura dos avós é tributar um carinho particular pela pessoa impostante de nossas recordações de infância, personagens simpáticos.


Os pais anciãos, elevados para a categoria de avós, merecem a expressão mais fina, gentil e carinhosa dos nestos. Esta fineza embeleza a vida humana, enriquece o mundo e constitui um prestígio para os corações agradecidos. Os netos e os avós unidos neste amor recíproco são autênticos mensageiros da paz.


O idoso não há-de ser considerado apenas objeto de atenção, solidariedade e serviço. Também ele tem um valioso contributo a prestar ao Evangelho da vida. Graças ao rico património de experiência adquirido ao longo dos anos, o idoso pode e deve ser transmissor de sabedoria, testemunha de esperança e de caridade” (João Paulo II em a Carta Enciclica: Evangelium Vitae n. 94).


O Papa Francisco faz questão de chamar nossa atenção sobre a existência dos anciãos/idosos e de sua importância na nossa vida: “Os anciãos são homens e mulheres, pais e mães que antes de nós percorreram o nosso próprio caminho, estiveram na nossa mesma casa, combateram a nossa mesma batalha diária por uma vida digna. São homens e mulheres dos quais recebemos muito. O idoso não é um alieno. O idoso somos nós: daqui a pouco, daqui a muito tempo, contudo inevitavelmente, embora não pensemos nisto. E se não aprendermos a tratar bem os anciãos, também nós seremos tratados assim. Nós, idosos, somos todos um pouco frágeis. No entanto, alguns são particularmente débeis, muitos vivem sozinhos, marcados por uma enfermidade. Outros dependem de curas indispensáveis e da atenção dos outros. Daremos por isso um passo atrás, abandonando-os ao seu destino? Uma sociedade sem proximidade, onde a gratuitidade e o afago sem retribuição — inclusive entre estranhos — começam a desaparecer, é uma sociedade perversa. Fiel à Palavra de Deus, a Igreja não pode tolerar estas degenerações. Uma comunidade cristã em que a proximidade e a gratuitidade deixassem de ser consideradas indispensáveis perderia juntamente com elas também a sua alma. Onde não há honra pelos idosos não há porvir para os jovens” (Audiência Geral, Quarta-feira, 4 de Março de 2015).
 
P. Vitus Gustama,svd
SÃO TIAGO MAIOR, 25/7/2018
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VIVER UMA VIDA APOSTÓLICO NO SERVIÇO AOS IRMÃOS COMO ESTILO DE VIDA


Primeira Leitura: 2Cor 4,7-15
Irmãos, 7 trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós. 8 Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos entre os maiores apuros, mas sem perder a esperança; 9 perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados; 10 por toda a parte e sempre levamos em nós mesmos os sofrimentos mortais de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossos corpos. 11 De fato, nós, os vivos, somos continuamente entregues à morte, por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossa natureza mortal. 12 Assim, a morte age em nós, enquanto a vida age em vós. 13 Mas, sustentados pelo mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: “Eu creio e, por isso, falei”, nós também cremos e, por isso, falamos, 14certos de que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também com Jesus e nos colocará ao seu lado, juntamente convosco. 15 E tudo isso é por causa de vós, para que a abundância da graça em um número maior de pessoas faça crescer a ação de graças para a glória de Deus.


Evangelho: Mt 20,20-28
20 Naquele tempo, a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. 21 Jesus perguntou: “O que tu queres?” Ela respondeu: “Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”. 22 Jesus, então, respondeu-lhes: “Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” Eles responderam: “Podemos”. 23 Então Jesus lhes disse: “De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou”. 24 Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. 25 Jesus, porém, chamou-os e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. 26 Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; 27 quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28 Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”.
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Sobre Apóstolo São Tiago Maior


Hoje celebramos a festa de são Tiago Maior. O apóstolo Tiago Maior é irmão de João. Ele ocupa o segundo lugar logo depois de Pedro (Mc 3, 17), ou o terceiro lugar depois de Pedro e André no Evangelho de Mateus (Mt 10, 2; Lc 6,14) e de Lucas (6, 14), ou depois de Pedro e de João (At 1,13). Ele faz parte do grupo dos três discípulos privilegiados (Pedro, Tiago e João) que foram admitidos por Jesus em momentos importantes da sua vida, especialmente na Transfiguração de Jesus (Mc 9,2-13; Mt 17,1-13; Lc 9,28-36) e no horto do Getsêmani (Mc 14,32-41; Mt 26,36-46; Lc 22,39-46).


Uma tradição sucessiva, que remonta pelo menos a Isidoro de Sevilha, relata que São Tiago Maior permaneceu algum tempo na Espanha para evangelizar aquela importante região que fazia parte do Império Romano. Mas outra tradição disse que o seu corpo teria sido transportado para a cidade de Santiago de Compostela na Espanha onde até hoje essa cidade continua sendo um lugar de veneração e objeto de peregrinações.


Graças ao Apóstolo São Tiago, como a outros Apóstolos a Boa Noticia de salvação chega até nós hoje. Por nossa vez não podemos deixar a Palavra de Deus morrer em nossas mãos. Precisamos ser apóstolos na atualidade.


Mensagem da Festa do Apostolo São Tiago Maior


Sempre que celebramos a festa de um apóstolo, fazemos memória do fato fundacional da Igreja. Nossa Igreja é chamada a Igreja apostólica e nossa fé é a fé apostólica, fé que foi nos transmitida pelos apóstolos, testemunhas oculares da vida de Jesus. Falar da fé apostólica significa que nossa fé, nossa esperança, nossa vida de comunidade tem como base a experiência dos apóstolos que estiveram perto de Jesus e o acompanharam até a morte e testemunharam sua ressurreição. Falar da “fé apostólica” significa sentir-se parte de uma longa cadeia de homens e mulheres que em muitos lugares e de muitas maneiras foram atraídos por esse Jesus que os apóstolos conheceram e viveram a mesma experiência que eles viveram e transmitiram aos demais. Falar da fé apostólica significa que tudo que cremos e vivemos não é algo que foi inventado. A fé que os apóstolos viveram e que é transmitida para nós hoje.


O Novo Catecismo da Igreja Católica no artigo 857 afirma: “A Igreja é apostólica, porque está fundada sobre os Apóstolos. E isso em três sentidos: Primeiro, -foi e continua a ser construída sobre o «alicerce dos Apóstolos» (Ef 2, 20), testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo. Segundo, -guarda e transmite, com a ajuda do Espírito Santo que nela habita, a doutrina, o bom depósito, as sãs palavras recebidas dos Apóstolos. Terceiro -continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos Apóstolos até ao regresso de Cristo, graças àqueles que lhes sucedem no ofício pastoral: o colégio dos bispos, assistido pelos presbíteros, em união com o sucessor de Pedro, pastor supremo da Igreja: ‘Pastor eterno, não abandonais o vosso rebanho, mas sempre o guardais e protegeis por meio dos santos Apóstolos, para que seja conduzido através dos tempos, pelos mesmos chefes que pusestes à sua frente como representantes do vosso Filho, Jesus Cristo’”.

E no artigo 869 do mesmo Catecismo lê-se: “A Igreja é apostólica: está edificada sobre alicerces duradouros, que são os Doze apóstolos do Cordeiro; é indestrutível; é infalivelmente mantida na verdade: Cristo é quem a governa por meio de Pedro e dos outros apóstolos, presentes nos seus sucessores, o Papa e o colégio dos bispos”.

E os apóstolos são as testemunhas da ressurreição de Jesus Cristo; são testemunhas de que para aquele que aceita Jesus Cristo não conhece a morte, pois ressuscitará como Jesus Cristo ressuscitou. Os apóstolos são proclamadores do triunfo de Jesus sobre a morte, portanto, são os primeiros anunciadores da salvação para todos os homens. E os apóstolos faziam tal proclamação com valentia, sem medo porque era fruto da convicção profunda que produz a verdadeira fé.  Como diz São Paulo: “Sustentados pelo mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: ‘Eu creio e, por isso, falei’, nós também cremos e, por isso, falamos, certos de que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também com Jesus e nos colocará ao seu lado” (2Cor 4,13-14). Quando você tem realmente convicção de uma coisa, você jamais se entregará. Você vai lutar até o fim. Assim foi a vida dos apóstolos. A valentia e a ousadia dos apóstolos não se detinham nem sequer diante das ameaças dos poderosos porque estavam com uma grande convicção da ressurreição do Senhor. São Tiago foi o primeiro de todos a pagar com sua própria vida a intrepidez de seu testemunho. São Tiago aceitou beber o cálice do Senhor. Consequentemente, teve que aprender a servir, a viver desprendido de si mesmo até dar a vida por sua fé e sua dedicação pelo bem comum.

Nós somos encarregados de continuar no mundo esse mesmo testemunho dos apóstolos. Somos chamados e enviados a ser testemunhas da ressurreição, da vida sem fim. Se nós acreditamos realmente na ressurreição, devemos respeitar a vida, a nossa própria e a dignidade da vida dos outros no seu início, na sua duração e no seu fim na história. Quem desrespeita a própria vida e a vida dos outros, nega a ressurreição. Se realmente acreditamos na ressurreição temos que ter certeza de que a vida não termina aqui, pois a vida é de Deus (cf. Jo 11,25; 14,6). Se acreditamos realmente na ressurreição devemos ter certeza de que os que nos precederam estão em comunhão conosco e intercedem por nós como nossos irmãos. Se realmente acreditamos na ressurreição não devemos prolongar nossa tristeza pelo falecimento de nosso irmão/ nossa irmã, nosso pai/nossa mãe, marido/esposa, filho/filha, pois eles apenas voltaram para a casa do Pai (cf. Jo 14,1-6). Se acreditamos realmente na ressurreição, devemos ter certeza de que o amor dos que nos precederam para a eternidade não morre, pois o amor é o nome próprio de Deus: “Deus é amor”, disse são João (1Jo 4,8.16). São Paulo escreveu: “Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós” (Rm 8, 11). E o Novo Catecismo da Igreja Católica afirma: “Crer na ressurreição dos mortos foi, desde o princípio, um elemento essencial da fé cristã. A ressurreição dos mortos é a fé dos cristãos: é por crer nela que somos cristãos” (Artigo 991):

Portanto, devemos revisar com seriedade a nossa fé na ressurreição e a qualidade de nossa maneira de testemunhar essa fé: se nosso testemunho realmente provém de uma convicção interior ou não. A prova disto é a nossa perseverança em tudo a exemplo dos apóstolos.

Por isso, ser cristão, como lição tirada do evangelho deste dia, não pode ser um pretexto para situar-se bem no mundo, para ficar nos primeiros postos ou posições, como pediram os dois irmãos, Tiago e João. Se viver desta maneira, a religião é capaz de cair no perigo de fanatismo e na violência. Ser cristão é seguir Jesus Cristo. Seguir Cristo significa acompanhá-lo em cada momento. É adotar a vida dele na nossa vida e sua missão na nossa missão.

O maior perigo para qualquer cristão, especialmente para aqueles que trabalham na Igreja do Senhor é o mesmo: converter a autoridade em poder e domínio e não em serviço. Quem busca o poder, e uma vez no poder será difícil perceber e achar que está errado. Toda autoridade que se exerce como poder e não como serviço tiraniza e oprime. Quem exerce a autoridade puramente como serviço ao irmão e à comunidade tem um mérito extraordinário. O poder já é perigoso, muito mais ainda super-poderoso.

Na Igreja de Cristo todos nós somos chamados a servir no espírito de Jesus. Servir é adorar a Deus em ação. Servir é fazer algo de bom sem esperar nada de troca ou de reconhecimento. Uma Igreja que não serve, não serve para nada. Servir pela salvação dos demais é o centro do cristianismo. O poder e o serviço se excluem. A ambição de poder é o câncer do serviço. O poder pode servir para muitas coisas, mas não serve para tornar bons os homens. Geralmente os maus líderes produzem os maus funcionários. A competitividade na Igreja do Senhor faz desaparecer a solidariedade, a compaixão, a igualdade e a colaboração. A competitividade sempre torce para que a vida do outro não dê certo para que ele possa estar em destaque solitariamente para ser adorado pelos demais. O cristão existe para os outros e é batizado para os outros.

Não é a missão de Cristo na terra situar seus seguidores nos melhores postos e conceder honras, e sim salvar os homens com um amor que jamais morre.Toda autoridade na Igreja é fazer os outros crescerem no bem e para salvar as pessoas. 

Pequena Mensagem Dos Textos 
  1. O pedido da mãe em favor de seus filhos Tiago e João é o fruto de um pensamento no reino temporal em que há honras, dignidades, privilégios, primeiros lugares em tudo e assim por diante. Mas não é a missão de Jesus Cristo situal seus amigos nos melhores postos e conceder honras e honrarias e sim salvar os homenes com um amor que não se detém diante da morte e morte de cruz. Aquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos, também ressuscitará e premiará em seu dia os que agora seguem os passos de Jesus.
     
    Poderíamos resumir o Evangelho de hoje com o seguinte pensamento: o modelo do Reino, e, portanto, dos que o pregam, não será o do poder politico e sim do serviço tal como Jesus o entende e o realiza em sua vida. O modelo que Jesus propõe é o do “servidor” (diakonos), e “escravo” dos demais. A novidade deste modelo é o serviço aos demais: para os judeus era uma honra chamar-se servidores de Deus, mas não dos homens.
     
    E este serviço que Jesus propõe tem um modelo muito claro: Ele próprio. Com suas últimas palavras Jesus corrige um concepção errônea que poderia ter sobre sua pessoa e ao mesmo tempo se apresenta como modelo do serviço que lava até os pés dos apóstolos (cf. Jo 13,1-20; Mc 10,45). Com uma frase negativa: “Eu não fim para...” e logo com outra frase positiva: “e sim para dar sua vida...”, Jesus indica que Ele será o verdadeiro Servo de Javé e que Sua morte terá sentido de ser para todos os homens uma libertação (resgate) para levar uma vida nova. Para Jesus o serviço não é somente um conjunto de pequenas boas obras de ajuda aos demais. Para ele o que conta é a atitude de serviço como atitude de vida: “Eu vim para servir”. Ou seja, desejar sempre uma vida gozosa e plena para todos e orientar toda a atividade para consegui-la: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Servir torna-se, então, um estilo de vida, e não é apenas uma atividade em determinado momento da vida diante dos demais.
     
    O serviço pode produzir até a morte de quem serve, mas será a vida para os demais. Jesus foi morto por ter servido a todos até o fim por amor (Cf. Jo 13,1). A vida inteira de Jesus foi um serviço, uma entrega pessoal de amor. Nos misteriosos caminhos de Deus, o sofrimento de um justo por causa do serviço vivido até a morte se torna uma dinâmica geradora de vida nova para todos. Jesus Cristo demonstrou, com a sua Paixão, Morte e Ressurreição, a verdade desta afirmação. Por essa absoluta fidelidade ao amor, por essa entrega plena, os homens são arrebatados até a esfera divina.
     
    O caminho da conversão dos Doze, em particular de Tiago e João, é uma chamada para todos nós. Também nós podemos mudar. Podemos, sim, fazer o melhor na Igreja em que não há governantes nem súditos, poderosos e escravos, uns lá em cima e outros lá em baixo.
     
    Para que isto possa acontecer, temos que voltar ao Evangelho de Jesus Cristo. Cada cristão deve marchar pelo caminho do Mestre, que não veio para ser servido e sim para servir e dar sua vida pela salvação dos homens. Esta plena solidariedade com os homens e a entrega da vida por eles é o programa permanente de todos os cristãos. Dar a vida significa projetar a existência inteira como doação.
     
    Mas não é fácil viver essa missão, pois “trazemos esse tesouro em vasos de barro...”.
     
    O “tesouro” que a passagem alude é o conhecimento, a experiência de Jesus ressuscitado. Este é o incomparável dom que levamos em “vasos de barro”, expressão que pode fazer referência à debilidade da pessoa do próprio Paulo (cf. 2Cor 12,7-10; Gl 4,14) ou talvez, ao próprio corpo do homem saído de barro segundo a tradição de Gn 2,7. A pregação da fé se faz a partir da própria limitação do homem. Essa limitação faz o cristão recorrer sempre ao Senhor para pedir ajuda.
     
    Paulo sabe muito bem que sem a graça de Deus ele cairia ao fracasso total. A debilidade do que crê não é sintoma de fracasso e sim lugar da manifestação de Deus. Na debilidade de Jesus como ser humano se manifesta a glória do Pai. A Igreja, cada cristão anuncia o Evangelho não a partir do poder e sim da distância do poder, pois o Evangelho só pode ser anunciado com credibilidade a partir da Cruz onde aparece a verdade crua.
     
    São Tiago aceitou beber o cálice do Senhor. Com efeito, São Tiago teve que aprender a servir, a viver desprendido de si mesmo, como Cristo, até dar a vida por sua fé. Que a recordação do sangue derramdo de São Tiago seja para nós uma força para continuarmos a testemunhar uma vida dedicada ao bem.
     
    Além disso, ser cristão não pode ser um pretexo para situar-se bem no mundo, para alcançar primeiros postos pela ambição de poder a fim de ter privilégios desmedidos. Quando a religião se degrada, a fé facilmente se torna uma pseudo-crença e cai no perigo de fanatismo.
     
    Celebrar a Eucaristia é comer o pão e beber o cálice. Com esse gesto de comunhão significamos nossa comunhão com Jesus e com os irmãos. Comungamos, então, com a causa de Jesus. Assim damos sentido à nossa fé e nos envolvemos na missão da Igreja, fundada sobre os apóstolos. 
P.Vitus Gustama, SVD