terça-feira, 10 de dezembro de 2019

13/12/2019
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VIVER DE ACORDO COM A LEI DO SENHOR PARA VIVER NA HARMONIA E NA PAZ
Sexta-feira da II Semana do Advento


Primeira Leitura: Is 48,17-19
17 Assim diz Javé, o teu Redentor, o Santo de Israel: “Eu, o Senhor teu Deus, te ensino coisas úteis, te conduzo pelo caminho em que andas. 18 Ah, se tivesses observado os meus mandamentos! 19 Tua paz teria sido como um rio e tua justiça como as ondas do mar; tua descendência seria como a areia do mar e os filhos do teu ventre como os grãos de areia; este nome não teria desaparecido nem teria sido cancelado de minha presença”.


Evangelho: Mt 11,16-19
Naquele tempo, disse Jesus às multidões: 16 Com quem vou comparar esta geração? São como crianças sentadas nas praças, que gritam para os colegas, dizendo: 17 ‘Tocamos flauta e vós não dançastes. Entoamos lamentações e vós não batestes no peito!’ 18 Veio João, que nem come e nem bebe, e dizem: ‘Ele está com um demônio’. 19 Veio o Filho do Homem, que come e bebe e dizem: ‘É um comilão e beberrão, amigo de cobradores de impostos e de pecadores’. Mas a sabedoria foi reconhecida com base em suas obras”.
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É Preciso Viver De Acordo Com A Lei Do Senhor Para Viver Na harmonia e Na Paz


Continuamos ainda no Livro da Consolação do profeta Isaías (Is 40-55). A Primeira Leitura começa com a seguinte afirmação: “Assim diz Javé, o teu Redentor, o Santo de Israel”. Em nossa linguagem corrente, o termo “redenção” evoca a ideia de “resgate”, isto é, pagar no lugar do outro para resgatá-lo. Certamente, Jesus se põe em nosso lugar e paga duramente nossa justificação (cf. Is 53,4; Mt 8,17).


O mesmo termo, de origem hebraica, tem outro matiz: “Eu, o Senhor, sou teu Redentor, teu ‘Goel’”. No direito tribal primitivo havia um “Goel”: era o homem encarregado de ser responsável pela honra da tribo. Este termo se aplica a Deus para dizer que Deus se compromete no destino dos homens. Deus se compromete totalmente para salvar a humanidade com um amor apaixonado (cf. Jo 3,16). Esse amor se encarna em Jesus Cristo, o Deus conosco (cf. Mt 1,23; 18,20; 28,20).


Além disso na Primeira Leitura (Is 48,17-19) encontramos a reprovação a Israel da parte de Deus para explicar e justificar os sofrimentos e angústias suportados pelos israelitas no exílio na Babilônia: ”Ah, se tivesses observado os meus mandamentos! Tua paz teria sido como um rio e tua justiça como as ondas do mar; tua descendência seria como a areia do mar e os filhos do teu ventre como os grãos de areia; este nome não teria desaparecido nem teria sido cancelado de minha presença”.


O desterro é, para o povo, uma prova ou uma reprovação de Deus a Israel para que o povo Israelita conheça os caminhos de Deus e reconheça as consequências de sua infidelidade. O profeta quer relembrar seus compatriotas que todo pecado priva o homem das bênçãos de Deus. Por isso, toda infidelidade exige o desterro, símbolo da distância ou do afastamento de Deus.


Segundo o profeta, o maior pecado dos israelitas não é quebrar os mandamentos de Deus, e sim considerá-los inúteis para sua vida. Prescindir de Deus, de Sua vontade e de Suas leis leva o homem à solidão sem fim, ao isolamento da paz, pois ninguém está tão solitário do que aquele que vive sem Deus e Suas leis. Trata-se de uma vida sem direção, sem sentido. Deus jamais pode ser considerado como inimigo, ou como Aquele que tira o homem de seu prazer. Ao contrário, Deus é Pai que cuida de cada homem, que sempre estende Sua mão para o homem para que possa viver firmemente e seguramente.


No texto da Primeira Leitura Deus quer chamar atenção do homem sobre a importância de Suas leis. As leis do Senhor existem não para impor um jugo insuportável nem para oprimir o homem com carga pesada. Deus deu Sua leis para o homem como sinal ou luz para sua caminhada e para marcar o caminho da paz, da justiça e da felicidade: “Eu, o Senhor teu Deus, te ensino coisas úteis, te conduzo pelo caminho em que andas”. A lei do Senhor é uma direção para o homem a fim de chegar a sua realização plena.


Consciente ou inconscientemente vivemos obedecendo as leis da própria vida. Se subirmos numa árvore, temos que subir com segurança, pois existe a lei da gravidade. A lei da sobrevivência nos obriga a nos alimentarmos e a bebermos algum líquido. Para uma nave espacial chegar a qualquer outro planeta, os cientistas devem obedecer à lei espacial. Isto significa que para vivermos com segurança e para termos paz, temos que viver de acordo com as leis, especialmente os mandamentos do Senhor. Não há liberdade sem regra ou lei. Deus tem apenas Dez Mandamentos que Jesus os resume em um só: amor que tem três direções: Deus, o próximo e a si mesmo. Somente quem sabe se valorizar, valoriza o outro. Quem sabe se respeitar, respeita o outro. Quem aprende a se amar, ama o outro. Para viver em paz, em harmonia, em comunhão de irmão o homem deve aprender a amar Deus, o próximo e a si mesmo. Por este caminho não há outro caminho melhor. Por este mandamento não há outro mandamento mais redentor do que este.


Quanto Mais Se Aproxima Da Natureza Mais se Encontra O Sentido Da Vida


Jesus é um grande observador da vida cotidiana e da natureza. Ele contempla tudo e nada escapa de seu olhar. Seu olhar é atento, penetrante e sensível para tudo e diante de tudo. Jesus é uma pessoa que está sempre ligada com tudo e está conectado com o Pai do céu, simultaneamente. Ele observa tudo: a natureza (árvores, aves, flores, plantações, chuva, relâmpago, etc.), as atividades dos homens como agrícola, pescaria, agropecuária (ovelha, cabrito, cordeiro etc.), construir casas, casamento, banquete etc. para depois tirar alguma lição para a própria vida das pessoas de seu tempo. Basta ler todas as parábolas de Jesus logo confirmaremos a verdade de tudo o que foi dito. Para Jesus a vida cotidiana com seus acontecimentos e a natureza servem como se fosse um grande livro divino onde ele lê página por página, dia após dia, suas mensagens ou suas lições para a própria vida do homem.


Desta vez Jesus nos conta sua observação sobre a atitude de crianças que brincam nas praças. Com certeza, um dia ele observou as crianças que brincavam em uma praça que repetiam o seguinte refrão durante a brincadeira: “Tocamos flauta e vós não dançastes. Entoamos lamentações e vós não batestes no peito!”. Um dia ele usou essa observação para falar do comportamento de seus contemporâneos diante de João Batista e diante do próprio Jesus.


João Batista, como o Precursor do Senhor, se apresenta como um homem austero, que não comia comidas cotidianas nem bebia bebida alcoólica. João Batista não se deixa dominar pelas coisas e sim domina as coisas. Ele comia apenas gafanhotos e o mel silvestre e se vestia de pele de camelo. Por causa disso, seus contemporâneos que tem mentalidade hedonista e que procuram a todo o custo o prazer consideram João Batista como “louco”.


Na verdade, a vida de João Batista é uma crítica severa sobre o hedonismo e o consumismo sem freio que causam tristeza para tantas pessoas que acabam vivendo uma vida solitária mesmo que se encontrem no meio da multidão ou no meio de uma festa, e que sacrificam tantas pessoas em nome do seu prazer. Nosso coração não está sedento de prazer, de poder, de fama, de riqueza e sim de sentido. O que nos frustra e tira a alegria de viver é a falta ou a ausência de significado de nossa vida. Não passamos a ser felizes perseguindo a felicidade. Nós nos tornamos felizes vivendo uma vida que signifique alguma coisa. Geralmente, as pessoas mais felizes que conhecemos são aquelas que se esforçam para serem generosas, solidárias, compassivas, prestativas, atenciosas, confiáveis, mansas, amorosas... Quem desejar fazer a experiência da verdadeira e autentica alegria, deve aprender primeiro a renunciar à intemperança e aos prazeres efêmeros, deixar de pensar só em si mesmo e nos seus interesses. Ao fazer alguém feliz, nós seremos felizes verdadeiramente.


Jesus veio com seu projeto de felicidade (cf. Mt 5,1-12), trouxe a vida em abundância para todos (cf. Jo 10,10), anunciou a igualdade (cf. Mt 20), pois todos são filhos e filhas de Deus, e por isso, comia e bebia com os excluídos da sociedade (pecadores, publicanos, prostitutas, doentes etc.). Ele anunciava um Deus que é bom, que é amor, que não exclui nem castiga quem errou, que convida para a festa com Ele todos os homens sejam bons sejam maus (Mt 22,10; Mt 5,45). É um Deus da misericórdia. “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. O mistério da fé cristã parece encontrar nestas palavras a sua síntese. Tal misericórdia tornou-se viva, visível e atingiu o seu clímax em Jesus de Nazaré.... Precisamos sempre contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado.” (Papa Francisco: Bula Vultus Misericordiae n.1 e 2). Em outras palavras, Jesus ensina os homens o passo de dança alegre da vida como um prelúdio da felicidade celeste no banquete eterno com Deus de Amor (cf. 1Jo 4,8.16). Mas por causa de sua maneira de viver e de conviver, Jesus é chamado de “comilão” e “beberrão”.


Diante do comportamento de seus contemporâneos Jesus deu uma resposta cheia de sabedoria: “Mas a sabedoria foi reconhecida com base em suas obras”.  Trata-se de um provérbio.


Quando se fala da sabedoria no mundo grego, e também em nosso mundo, pensa-se simplesmente na ciência. O mundo da Bíblia pensa de maneira distinta. A sabedoria, sem qualificativo nenhum, é a sabedoria de Deus. Com ela faz-se referência ao plano de Deus sobre o mundo e sua execução através dos homens eleitos por Deus para realizá-lo.


Com o provérbio “Mas a sabedoria foi reconhecida com base em suas obras”, o evangelista Mateus quer afirmar que, tanto João Batista como Jesus são agentes na realização do plano de Deus. A conduta dos dois pode parecer equivocada e ser julgada como tal pelos dirigentes do povo judeu na sua época, mas as obras dos dois (João Batista e Jesus) demonstram que estão na linha da verdade e, portanto, os equivocados são os próprios gerentes do povo. A obra salvadora que Jesus levou até o fim no mundo demonstra que aqueles que O recusaram não tinham razão, pois Jesus é a sabedoria de Deus, pois Ele é o Verbo de Deus.


O retrato de muitos cristãos que não levam a sério os ensinamentos de Jesus em suas vidas pode ser, em parte, o mesmo que os dirigentes do povo na época de Jesus. Há pessoas insatisfeitas crônicas, que se refugiam em suas críticas ou veem somente o mau na história e nas pessoas e sempre se queixam. A insatisfação crônica conduz a pessoa ao perfeccionismo. Uma pessoa perfeccionista considera inaceitável qualquer coisa que não seja perfeito. O perfeccionismo é capaz de roubar a felicidade e a alegria de viver.


Somos chamados a ser excelentes e não perfeccionistas. Excelência é a habilidade de melhorar continuamente. Estamos encarando a mudança de tempo. E isto supõe a abertura às mudanças, à renovação, à inovação, a flexibilidade diante do fracasso e a aceitação dos próprios erros e não fiquemos nas estruturas que não fazem ninguém crescer para frutificar mais. É possível ser uma pessoa feliz, livre e desfrutar a vida mesmo sem ser perfeito.  Será que isso é uma expressão de não querer mudar? Quem não quer mudar por amor e pelo bem, será, um dia, obrigado a mudar pela dor.


Mas a sabedoria foi reconhecida com base em suas obras”. Há duas maneiras de viver sabiamente que se complementam ou dois modos de dançar na vida: a maneira de João Batista que nos leva a viver na sobriedade, mas sem perder a alegria de viver como ensinou Jesus através da convivência amorosa como os irmãos do mesmo Pai do céu. Em tudo na vida é preciso nos perguntarmos: tem algo positivo para mim e para os que convivem e trabalham comigo ao fazer, ao falar, ao escrever ou ao comentar alguma coisa?


Além disso, tudo na vida tem seu tempo (cf. Ecl 3,1ss). Reconhecer a hora de Deus, o tempo oportuno, o tempo da graça, o Kairós é um sinal de sabedoria. Somente os simples de coração têm essa capacidade. Se para Deus tudo é simples, para o simples tudo é divino. A simplicidade é a transparência no olhar, a retidão no coração e no comportamento e a sinceridade no discurso, sem nenhuma simulação. A simplicidade é a sabedoria dos santos e a virtude dos sábios.


Como os contemporâneos de João Batista também eu sou convidado pela figura de João Batista para fazer sinceras obras de penitência. Reconhecer a hora de Deus, para mim, significa tirar as máscaras para viver na transparência, renunciar a olhar apenas de um ângulo sobre a vida e seus acontecimentos, aprender o olhar tudo a partir de Jesus Cristo: um olhar de um irmão.


Mas a hora de Deus não é somente a hora da penitência e de mudança de vida. É também a hora do gozo, da alegria que o Evangelho de Jesus nos traz. O gozo evangélico nascerá em mim ao reconhecer que Jesus não se envergonhou de ser chamado de “amigos de publicanos e pecadores”. O perdão que me anuncia não se reduz a uma mera palavra ou uma notícia genérica de Deus diante das minhas falhas e fraquezas, mas que é acontecimento desconcertante, pois Deus continua me amando e voltei a amar o Deus de amor. Apesar de eu ser pecador Deus me convida para o banquete divino. Não se trata de uma festa que se deixa para amanhã. Esta festa para mim é hoje. Eu preciso ouvir atentamente o que o Senhor disse para Zaqueu: “Hoje a salvação entrou nesta casa”. “Esta casa” sou eu, é minha família, são meus amigos e meus irmãos em Cristo.
P. Vitus Gustama,svd

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019


12/12/2019
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NOSSA SENHORA DE GUADALUPE
 PADROEIRA DA AMÉRICA LATINA
12 de Dezembro


Primeira Leitura: Gl 4,4-7
Irmãos, 4 quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, 5 a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva. 6 E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abá – ó Pai! 7 Assim, já não és mais escravo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro: tudo isso, por graça de Deus.


Evangelho: Lc 1,39-47
39 Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40 Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41 Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42 Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43 Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44 Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45 Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. 46 Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47 e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”.
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No dia 12 de dezembro celebramos a festa de Nossa Senhora de Guadalupe.


A história do surgimento desta festa foi contada da seguinte maneira. O índio Juan Diego, cujo nome asteca era Cuauhtlatohayc, nasceu em 1471, perto da cidade do México, na aldeia de Cautitlán, pertencente aos índios Mazehuales.  Era então Arcebispo da cidade do México, Dom Juan de Zumárraga, franciscano basco. Era o segundo bispo da Nova Espanha.


Conforme a lenda e tradição, no Sábado, 9 de dezembro de 1531, pelas seis horas da manhã, quando o índio Juan Diego se dirigia de sua aldeia para a de Tolpetlac para assistir uma função religiosa na missão franciscana de Tratetolco, ao chegar ao monte Tepeyac, às margens do lago Texcoco, viu uma jovem de uns 15 anos, que lhe ordenou ir falar com o Bispo a fim de pedir-lhe que construísse um templo no vale próximo.


No mesmo dia, à tarde por volta das 17:00 horas, Juan Diego vê novamente a jovem, e lhe relata a incredulidade do bispo e pede que escolha outro mensageiro. Porém a jovem insiste em sua missão de ir ter novamente com o bispo e pedir a construção do templo.

No dia seguinte, Domingo 10 de dezembro, às 15 horas, Juan Diego fala novamente com o bispo. O bispo ainda não acredita e pede algum sinal. Pela terceira vez a jovem lhe "aparece" e ordena a Juan Diego que volte ao monte no dia seguinte para receber o sinal pedido pelo bispo. Entretanto, no dia seguinte, Juan Diego não vai ao monte devido a doença de seu tio Juan Bernardino.


Na madrugada do dia 12 de dezembro, terça-feira, devido a gravidade da doença de seu tio, Juan Diego sai de sua aldeia para buscar um sacerdote, e rodeia o monte para não encontrar a Virgem. Mesmo assim ela lhe "aparece" e fala que seu tio ficará curado, e pede que vá ao monte buscar rosas que seria o sinal. Ao seu regresso, a Virgem diz: “Estas diferentes flores são a prova, o sinal que levarás ao bispo. Diga-lhe que veja nelas meu desejo, e com isso, execute minha vontade”.


Ao mesmo tempo que Juan Diego encontra a jovem, ela "aparece" também a seu tio doente e cura instantaneamente suas enfermidades e manifesta seu nome: "Sempre Virgem Santa Maria de Guadalupe".

No dia 12 de dezembro, após a quarta "aparição", Juan Diego leva em seu poncho, como prova, rosas frescas de Toledo (e isto em pleno inverno mexicano). Já na casa do bispo, por volta do meio dia, na hora que abriu o poncho (ayate) onde estavam embrulhadas as flores, estava estampada a imagem de Nossa Senhora: "A Virgem de Tequatlaxopeuh". A mesma que hoje se venera na Basílica de Guadalupe, México. A imagem estampada é de 143 cm de altura. Durante 116 anos, de 1531 a 1647, a pintura esteve desprotegida e exibida em várias procissões solenes. A pintura resistiu à umidade e ao salitre, muito abundante e muito corrosivo naquela região, antes de ter sido secado o lago Texcoco. O tecido da tela é de tão má qualidade que deveria ter se desintegrado em questão de 20 anos, mas resistiu até hoje. A veneração popular levou piedosos e doentes a que beijassem as mãos e a face da pintura ou que fosse tocada com objetos cujo material deveria ter deteriorado ou destruído o tecido e a pintura. Só Deus pode explicar a razão de tudo isso. Somos obrigados e capazes de dizer: é um milagre.
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Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva”, assim lemos na Primeira Leitura de hoje (Gl 4,4-5).


Gl 4,4-7 constitui uma das altas teologias da Carta aos Gálatas. Estes versículos devem ser lidos em conexão com Rm 8. Aqui fala-se do “Filho” aplicado principalmente a Cristo (embora possa ser aplicado aos cristãos). O mistério de Deus que se faz presente em Jesus Cristo, o Filho, inclui também ao Pai e ao Espírito.


O “Pai” aqui (Deus) é chamado “Abba”, “Paizinho”, palavra carinhosa que São Paulo utiliza tanto na Carta aos Gálatas como aos Romanos. “Abba” é a palavra que Jesus adotou com toda a espontaneidade para expressar a sua confiança filial em Deus e a sua entrega total pela sua causa.


No texto é mencionado também o Espírito para enfatizar que nossa filiação, como a de Cristo, não é de índole jurídica e sim afeta ao mais profundo de nosso ser: de certo modo nos diviniza.


O Verbo de Deus se fez carne para nos divinizar no Espírito Santo. Deus, em Jesus Cristo, entrou no tempo humano para elevá-lo à eternidade. Jesus morreu e ressuscitou para que, seguindo a Ele e vivendo conforme seus ensinamentos, possamos experimentar a vida eterna.


Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva”. O tempo da Lei foi um tempo de espera da chegada do Messias, do Ungido. Consequentemente, na ausência do Messias, d´Aquele que salvará, o tempo da Lei se tornou incompleto. Com a chegada de Cristo o tempo se tornou completo ou pleno (plenitude). Com a chegada de Cristo nosso tempo se tornou cheio de graça de Deus. Com Cristo vivemos no tempo da própria graça de Deus. A palavra “completo” (se completou”) aqui tem o sentido de plenificar ou levar à perfeição algo incompleto tanto no campo material e antropológico como no campo espiritual.


O tempo de que se trata é determinado ou estabelecido pelo Pai. No cristianismo há uma grande revelação em que entre Deus e nós não há mais distância, pois Ele é o Pai nosso (Mt 6,9). Chamar Deus de Pai é entrar na intimidade profunda em que as preocupações devem desaparecer, pois estamos “em casa” com nosso Deus que é nosso Pai. Assim a frase “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva” é uma expressão de amor profundo por nós da parte de Deus. Nosso Deus Pai jamais nos abandona por triste ou pior que seja nossa situação. É preciso saber esperar o tempo de Deus, pois somente Ele é capaz de estabelecer o quando deste tempo para nossa vida em particular, pois Ele nos conhece completamente. É preciso manter nossa fé neste Deus Pai, pois o tempo de Deus para nós vai chegar conforme a vontade do Pai. Deus é como o sol que não se preocupa com aqueles que estão dormindo ou andando na escuridão, pois ele vai nascer de qualquer forma. Ninguém pode acelerar a chegada do sol. Basta esperar, e o tempo vai passando e o sol aparecerá.


O texto do Evangelho lido neste dia nos fala que Maria atravessando Palestina de norte a sul com o Filho de Deus em suas entranhas, e chegando à casa de Zacarias e provocando ali cenas de entusiasmo é uma imagem muito sugestiva. Ao dizer sim, Maria aceitou ser fecundada pelo Espírito de Deus (cf. Lc 1,38). Por isso, Maria é portadora da salvação e é fonte de alegria por causa do Senhor que habita no seu coração. Maria se deixa totalmente “invadir” por Deus: “Faça-se em mim segundo a Tua Palavra!”. Maria se deixa levar pelo Salvador até a casa de sua parenta, Isabel.


O sim de Maria para a entrada de Deus na sua vida é radical. Quanto maior for a radicalidade de nosso sim a Deus, maior será nossa fecundidade e numerosos terão filhos espirituais. Eu sou chamado a ser “Pai” para ter “filhos espirituais” que salvam o mundo.


Além disso, para que sejamos fonte de alegria para os outros temos que dizer sim ao plano de Deus e deixar que o Espírito de Deus nos fecunde. Para que nossa presença se torne uma presença alegre temos que deixar Jesus ocupar nosso coração, como Maria que se deixa para que seu ventre seja habitado pelo Salvador do mundo, Jesus Cristo.


Na Anunciação o Anjo do Senhor “entrou” na casa de Maria e a “saudou”. Nessa visita Maria fez a mesma coisa: ela “entrou” na casa de Zacarias e saudou a Isabel. É a saudação da Mãe do Senhor para a mãe do Precursor do Senhor. A saudação de Maria comunica o Espírito a Isabel e ao menino. A presença do Espírito Santo em Isabel se traduz em um grito poderoso e profético: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu” (Lc 1,42-45). Aqui Isabel fala como profetisa: se sente pequena e indigna diante da visita daquela que leva em seu seio o Senhor do universo. Sobram as palavras e explicações quando alguém entra na sintonia com o Espírito. Maria leva no seu seio o Filho de Deus concebido pela obra do Espírito Santo. E a presença do Espírito Santo em Isabel faz com que Isabel glorifique a Deus. Por isso, o encontro entre Maria e sua prima Isabel é uma espécie de “pequeno Pentecostes”. Onde entra o Espírito Santo, ai entra também paz, alegria e vida divina.


A Mãe de Senhor que leva Jesus em seu seio é a causa de alegria. Ou podemos dizer de outra maneira: o Senhor no seio de Maria “empurra” Maria ao encontro dos outros. Quando estivermos cheios de Jesus Cristo em nosso coração, a nossa presença traz alegria e a paz para a convivência. A ausência de Cristo em nosso coração produz problemas e inquietação na convivência.


A mulher de fé, Isabel, felicita Maria porque crê e Maria responde com uma nova e solene afirmação de fé, proclamada em forma de hino de alegria: o Magnificat. Podemos nos perguntar se nossa fé fica longe da fé de Maria tanto em consistência como em conteúdo. Isabel felicita Maria porque crê que Deus é capaz de atuar e salvar ainda que possa parecer impossível (cf. Lc 1,37). Temos esta fé que Isabel felicita? Somos capazes de acreditar em Deus até nas coisas impossíveis?


Pela fé, que se traduz na vivência do amor fraterno, é que entramos em comunhão com Jesus e com seu Pai que o enviou para nos salvar (cf. Jo 14,23-24). A fé, como foi dito, é o reconhecimento do próprio desamparo, de um lado e a aceitação do poder salvador de Deus na nossa vida, do outro lado.


O canto de Maria, o Magnificat, é algo mais que uma proclamação social. Ele nos revela que somente Deus é a riqueza verdadeira. Por isso, quem se encontra cheio de si e de suas coisas, na verdade está vazio do essencial. Somente abrindo-se à profundidade de Deus e de seu amor, ao receber a graça do perdão e ao estendê-lo para os outros, o homem chegará a converter-se verdadeiramente em rico. O exemplo máximo é a figura de Maria.


“QUE FIZESTE, MARIA
Para valer tanto diante de Deus?
Foi tua beleza, ou tua inteligência ou tua bondade
Que venceu o Criador e Pai, a ponto de te tornares participante direta e pessoal
De todos os mistérios divinos?
Quem não conhece a resposta cantada no Magnificat?
O Pai viu que ninguém seria tão simples
Continuaria tão humilde,
Sendo Cheio de Graça e Mãe de Deus”
(Dom Helder Câmara: Nossa Senhora No Meu Caminho)

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P. Vitus Gustama,svd

sábado, 7 de dezembro de 2019

11/12/2019
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FÉ EM UM GRANDE E PRÓXIMO DEUS ME CONSOLA E FORTALECE PARA CAMINHAR
Quarta-feira da II Semana do Advento


Primeira Leitura: Is 40,25-31
25 “Com quem haveis de me comparar, e a quem seria eu igual?” – fala o Santo. 26 Levantai os olhos para o alto e vede: Quem criou tudo isto? – Aquele que expressa em números o exército das estrelas e a cada uma chama pelo nome: tal é a grandeza e força e poder de Deus que nenhuma delas falta à chamada. 27 Então, por que dizes, Jacó, e por que falas, Israel: “Minha vida ocultou-se da vista do Senhor e meu julgamento escapa ao do meu Deus?” 28 Acaso ignoras, ou não ouviste? O Senhor é o Deus eterno que criou os confins da terra; ele não falha nem se cansa, insondável é sua sabedoria; 29 ele dá coragem ao desvalido e aumenta o vigor do mais fraco. 30 Cansam-se as crianças e param, os jovens tropeçam e caem, 31 mas os que esperam no Senhor renovam suas forças, criam asas como as águias, correm sem se cansar, caminham sem parar.


Evangelho: Mt 11, 28-30
Naquele tempo, tomou Jesus a palavra e disse: 28“Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30 Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.
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Um Profeta Que Nos Recorda a Grandeza de Deus Em Quem Devemos Acreditar, Independentemente de Nossa Situação


Na Primeira Leitura há dois poemas. Primeiro, o poema sobre a grandeza de Deus (vv. 25-26). Segundo, o poema sobre a esperança (vv. 27-31).


Os israelitas deportados na Babilônia se sentem pequenos e ameaçados diante do culto dos deuses da Babilônia, especialmente o deus Marduc (deus da Babilônia) porque eles esqueceram quem é o Senhor. Diante do sentimento de inferioridade o profeta recorda aos israelitas sobre a grandeza do Deus no plano da criação: “´Com quem haveis de me comparar, e a quem seria eu igual? ´, fala o Santo. Levantai os olhos para o alto e vede: Quem criou tudo isto? – Aquele que expressa em números o exército das estrelas e a cada uma chama pelo nome: tal é a grandeza e força e poder de Deus que nenhuma delas falta à chamada.”  O profeta proclama para os israelitas na Babilônia o poder de Deus capaz de criar o céu e a terra, as montanhas e o mar. O poder cósmico de Deus supera o poder de qualquer rei, príncipe e juiz sobre a face da terra, pois todos eles morrem.


Levantai os olhos para o alto e vede: Quem criou tudo isto?”. Esta frase serve para qualquer um de nós quando a fé for ameaçada pela nossa fraqueza. Precisamos olhar para o céu para entender o sentido de tudo que se passa na terra. Precisamos olhar para o universo para perceber a grandeza de Deus em Quem não podemos pôr nenhuma dúvida. Só assim nossa força para seguir adiante será renovada. Eu tenho que sentir minha grandeza como coroa da criação: o ser humano foi criado por último, depois que Deus preparou tudo para minha felicidade: plantas, animais, água, sol, lua, estrelas e assim por diante. Esta grandeza divina em mim fortalece minha caminhada. Sou pequeno dentro do universo, mas sou amado, de maneira especial, por Deus (Cf. Jo 3,16).


Este Deus transcendente está próximo do homem e deseja comunicar-lhe uma parte de Sua força: Ele dá coragem ao desvalido e aumenta o vigor do mais fraco”.  Precisamos depositar nossa esperança no Deus que o profeta proclamou, pois “O Senhor é o Deus eterno que criou os confins da terra; ele não falha nem se cansa, insondável é sua sabedoria; elecoragem ao desvalido e aumenta o vigor do mais fraco”, assim disse o profeta.


A catequese do profeta Deutero-Isaías quer enfatizar que o verdadeiro conhecimento de Deus consiste muito mais em adotar certas atitudes concretas do que em afirmar uns princípios teóricos. Essa catequese parte do drama do exílio de Babilônia que suscita o sentimento de que a fé é insuficiente para afrontar os problemas da vida. Porém, por outro lado, Deus não está para satisfazer as pequenas ou grandes curiosidades do homem. A tentação contra a fé parte de uma tremenda solidão (no exílio de Babilônia). No entanto, a certeza da fé não está em função das verificações que dela podemos fazer. Somente uma adesão global pode responder a uma questão global. As razões da fé não podem ser menores do que o próprio Deus. Mesmo que algum problema ou alguma dificuldade seja grande, mas Deus continua sendo maior de tudo e de todos. Por isso, nesta catequese o profeta leva o leitor para um ato de fé no amor e na vida: “Os que esperam no Senhor renovam suas forças, criam asas como as águias, correm sem se cansar, caminham sem parar” (Is 40,31).


O profeta Deutero-Isaías acredita no Grande Deus. Para ele este grande Deus é um Deus surpreendente. Ele se preocupa com cada um de nós, especialmente com os pequenos, os débeis, os cansados, os desamparados e os desesperados. O profeta quer nos dizer que o Deus grande e transcendente, Criador das estrelas e do cosmos é também o Deus próximo, o Emanuel (cf. Mt 1,23; 18,20; 28,20) que comunica sua força aos que se abrem a Ele, aos que põem nele sua confiança. Este Deus próximo devolve cada manhã a cada homem o vigor de existir, de empreender, de começar de novo, e de vencer sempre o desespero e desesperança: “Cansam-se as crianças e param, os jovens tropeçam e caem, mas os que esperam no Senhor renovam suas forças, criam asas como as águias, correm sem se cansar, caminham sem parar” (Is 40,30-31).  Para isto, o único requisito é a que é o reconhecimento simultâneo do próprio desamparo e a aceitação do poder salvador de Deus.


Diante deste grande Deus, o profeta nos convida: “Levantai os olhos para o alto e vede: quem criou tudo isso? Aquele que expressa em números o exército das estrelas e a cada uma chama pelo nome: tal é a grandeza e força e poder de Deus” (Is 40,26). Se nós somos capazes de admirar o poder e a inteligência do homem, por que seríamos cegos diante da obra de Deus tão vasto como o próprio universo e infinitamente maravilhoso? Se a inteligência humana é tão desenvolvida capaz de enviar cosmonautas à lua (e a outros planetas) e naves espaciais tripuladas ou não tripuladas, por que não seríamos capazes de admirar a grandiosidade do cosmos com suas galáxias e bilhões de estrelas criados por Deus?  Esta citação nos chama a contemplarmos a “inteligência” de Deus. Neste exato momento bilhões de estrelas está se movendo e girando em suas respectivas órbitas. A terra gira neste momento e sempre. O sol se levanta em algum lugar, e suscita a vida. E tudo isto não nos faria maravilhados, não renovaria nossas forças e nossa esperança?


Em Deus Encontramos Força e Ânimo Para Seguir Adiante

Diante deste Deus tão grande e, ao mesmo tempo, tão próximo ninguém tem mais razão para se desesperar, ninguém pode se sentir pequeno ou desprezado ou desvalorizado, ninguém tem mais desculpa para dizer que está .  Ao contrário devemos ouvir no silêncio Seu suave convite: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso” (Mt 11,28).


Trata-se aqui da opressão moral e religiosa, provocada pelo formalismo de uma religião estéril e de um moralismo legalista. Os “cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardosaqui são os pobres e famintos, ignorantes e pequeninos, os míseros/miseráveis e os doentes. O legalismo é sufocante, é uma moral sem alegria. Assim, a religião fica longe de ser motivo de liberdade e alegria, pois ela é reduzida a uma carga pesada. O ser humano se torna animal, pois a quem se impõe “jugo” e “carga”, senão aos animais?


Pelo contrário, o cristianismo e a moral cristã não são uma imposição. A lei de Cristo é amor (Jo 13,34-35; 15,12), lei do Espírito quevida, lei de relação filial com Deus, Pai Nosso, e amigo da vida. Ao lado de Jesus Cristo, todas as fadigas se tornam amáveis e tudo o que poderia ser mais custoso no cumprimento da vontade de Deus se suaviza. Quem se aproxima de Jesus, encontrará repouso para suas aflições. Jesus veio, certamente, para libertar o ser humano de todo tipo de escravidão, mostrando-se manso e humilde de coração e recusando-se a multiplicar normas religiosas. Jesus reduziu tudo ao essencial: amor e misericórdia. A religião torna-se, assim, prazerosa por respeitar a liberdade e por ser humanizadora.


Para tudo isso se tornar possível, há uma chave principal: o amor, tanto como um dom recebido de Deus, pois ele nos amou primeiro (1Jo 4,19), como uma responsabilidade, a exemplo de Jesus Cristo que se dá a si mesmo a Deus e aos irmãos (Jo 15,12-14; cf. Jo 13,1). Quem ama não sente a lei de Cristo como uma obrigação pesada. Pela experiência sabemos que quando se ama de verdade muitas coisas se tornam fáceis e suportáveis que seriam difíceis e até insuportáveis sem o amor.


Ir ao encontro de Jesus é descarregar o fardo aos seus pés, olhá-lo nos olhos, renunciando às nossas pequenas ideias sobre a questão e preferindo seu pensamento ao nosso.


A pessoa fatigada encontra em Jesus a força necessária para continuar o caminho porque Ele cura todos os males e enfermidades, perdoa todas as culpas, sobretudo, cumula de graça e de ternura, como diz o Salmo 103 (102),3-5: “É Deus quem perdoa todas as tuas faltas, e cura todos os teus males. É Ele quem redime tua vida da cova e te coroa de amor e compaixão. É Ele que renova tua juventude”. As palavras de Jesus são uma proclamação da esperança. Dar esperança é o aspecto principal da figura de Jesus. Esta imagem acolhedora de Cristo deve ou deveria ser também a imagem que cada cristão ofereceria a todos.


“... aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração...” (v.29). O humilde é aquele que tem noção da própria capacidade e da própria fraqueza e está aberto totalmente a Deus; e o manso é a pessoa boa nas relações com os outros. Jesus se proclama o Mestremanso e humilde de coração”, pois ele é totalmente aberto a Deus e extremamente bom para com os outros a ponto de compartilhar de sua existência. Por isso, a palavramansidão” é fruto do Espírito (Gl 5,23) e é sinal da presença da sabedoria do alto (Tg 3,13.17). A simplicidade aproxima as pessoas e as pessoas se aproximam dos simples e humildes sem dificuldade. A simplicidade é o contrário do narcisismo, da pretensão, da autossuficiência, da duplicidade, da complexidade. Os simples são os que, ao se esvaziarem de si mesmos, se abrem a Cristo e aos irmãos.


Todos nós sabemos como é fácil combater a ira com a ira, a cólera com a cólera, a raiva com a raiva. A mansidão, pelo contrário, rompe esse círculo vicioso, cumprindo aquilo que é justo diante de Deus. A mansidão é a força que resiste e domina a ira. A mansidão é a virtude que modera a ira e conserva a caridade. Quem a possui, é amável, prestativo e paciente. Até os pecadores mais endurecidos não resistem diante de quem tem a virtude de mansidão. A um coração manso e humilde como o de Cristo, os homens se abrem. Por isso, a mansidão não é característica dos fracos; pelo contrário, ela exige uma grande fortaleza de espírito. Aquele que é dócil a Deus, é manso para com os outros. A mansidão é a arma dos fortes. Da falta dessa virtude provém as explosões de mau humor, irritação, frieza, impaciência, violência e ódio entre as pessoas que vão corroendo gradativamente amor.


Portanto, as leituras deste dia nos convidam a não duvidarmos de Deus, porque o nosso Deus é grande e está próximo de nós e conhece nossa debilidade. Sabendo de nossa fragilidade e debilidade, Deus se oferece como força, pois sem Ele nada podemos fazer (cf. Jo 15,5b). Ao mesmo tempo somos convidados a ser pessoas que acolham e que diante da dor que as pessoas encaram ou da busca da resposta de Deus para essa dor que não lhes respondamos com legalismo e exigências, e sim com amor e compreensão sabendo que Deus nos ama e cremos no Seu amor. Nos tempos atuais, talvez mais do que nunca, existe vazio de Deus, e pouca unidade e harmonia na própria existência. O cristão deve ser uma resposta de Deus para essa humanidade.


Para Refletir


  1. O Senhor não é o Deus de um lugar, nem mesmo o Deus vinculado a um tempo sagrado específico, mas o Deus de uma pessoa, concretamente o Deus de Abraão, Isaac e Jacob, capaz de entrar em contato com o homem e estabelecer com ele uma aliança. A é a resposta a uma Palavra que interpela pessoalmente, a um Tu que nos chama por nome (Papa Francisco: Carta Encíclica Lumen Fidei n. 8).
  2. A fé nasce no encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela o seu amor: um amor que nos precede e sobre o qual podemos apoiar-nos para construir solidamente a vida. Transformados por este amor, recebemos olhos novos e experimentamos que há nele uma grande promessa de plenitude e se nos abre a visão do futuro. A fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece-nos como luz para a estrada orientando os nossos passos no tempo (Idem n. 4).
  1. O homem fiel é aquele que crê no Deus que promete; o Deus fiel é aquele que concede o que prometeu ao homem (Idem n. 10).
  2.  A pede para se renunciar à posse imediata que a visão parece oferecer; é um convite para se abrir à fonte da luz, respeitando o mistério próprio de um Rosto que pretende revelar-se de forma pessoal e no momento oportuno (Idem n. 13)
P. Vitus Gustama,svd