terça-feira, 19 de setembro de 2017

22/09/2017
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HOMENS E MULHERES SÃO CHAMADOS A SER EVANGELIZADORES
Sexta-Feira da XXIV Semana Comum


Primeira Leitura: 1Tm 6,2c-12
Caríssimo, 2c ensina e recomenda estas coisas. 3 Quem ensina doutrinas estranhas e discorda das palavras salutares de nosso Senhor Jesus Cristo e da doutrina conforme à piedade, 4 é um obcecado pelo orgulho, um ignorante que morbidamente se compraz em questões e discussões de palavras. Daí é que nascem invejas, contendas, insultos, suspeitas, 5 porfias de homens com mente corrompida e privados da verdade que fazem da piedade assunto de lucro. 6 Sem dúvida, grande fonte de lucro é a piedade, mas quando acompanhada do espírito de desprendimento. 7 Porque nada trouxemos ao mundo como tampouco nada poderemos levar. 8 Tendo alimento e vestuário, fiquemos satisfeitos. 9 Os que desejam enriquecer caem em tentação e armadilhas, em muitos desejos loucos e perniciosos que afundam os homens na perdição e na ruína, 10 porque a raiz de todos os males é a cobiça do dinheiro. Por se terem deixado levar por ela, muitos se extraviaram da fé e se atormentam a si mesmos com muitos sofrimentos. 11 Tu que és um homem de Deus, foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão. 12 Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e pela qual fizeste tua nobre profissão de fé diante de muitas testemunhas.


Evangelho: Lc 8,1-3
Naquele tempo: 1 Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Nova do Reino de Deus. Os doze iam com ele; 2 e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; 3Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam.
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Viver Conforme a Doutrina De Cristo Transmitida Pela Igreja É Uma Maneira De Combater As Falsas Doutrinas


Quem ensina doutrinas estranhas e discorda das palavras salutares de nosso Senhor Jesus Cristo e da doutrina conforme à piedade, é um obcecado pelo orgulho, um ignorante que morbidamente se compraz em questões e discussões de palavras. Daí é que nascem invejas, contendas, insultos, suspeitas, porfias de homens com mente corrompida e privados da verdade que fazem da piedade assunto de lucro”, adverte São Paulo para Timóteo.


Entre as preocupações do responsável de uma comunidade está também a defesa contra os falsos mestros que ensinam doutrinas falsas que provocam divisões na comunidade.


Por isso, ao final de sua Carta, São Paulo, novamente, adverte a Timóteo sobre o extravio dos falsos mestres (1Tm 6,3-10). E pede a Timóteo para que permaneça firme na fé, viva sem mancha e sirva fielmente (1Tm 6,11-16).


Pela terceira vez o Apóstolo Paulo fala contra os falsos mestres (cf. 1Tm 1,3-20; 4,1-11), pois eles representam uma série de ameaças para a comunidade cristã, para uma sã doutrina transmitida pelo próprio Senhor Jesus Cristo. São Paulo quer relembrar Timóteo que a doutrina da Igreja não é diferente da doutrina do Senhor, porque Este, uma vez em Sua glória, permanece com sua Igreja todos os dias até o fim do mundo (cf. Mt 28,20). O Senhor enviou o Espirito Santo à Igreja para que ela ensinasse e recordasse o que o Senhor tinha dito (cf. Jo 14,26). Separar-se da doutrina de Cristo, separar-se da doutrina da Igreja conduz sempre o cristão ao erro e à doutrina falsa. Somente a fé inquebrantável na Palavra do Senhor, tal como ensina a Igreja, somente a firmeza nela, podem preservar os membros da Igreja do extravio e do erro.


Nossa época se caracteriza por uma confusão extraordinária de opiniões. Tem-se a impressão de que não existe a “verdade”. Quase se pode afirmar uma coisa e seu contrário. Os maiores valores, os princípios mais sagrados, a fé, o amor, a esperança são discutidos. Vivemos no meio de intoxicações de todos os tipos. Portanto, é preciso que os cristãos se atenham mais e mais à Palavra de Deus que nos salva e nos leva à eternidade.


Dentro da falsa doutrina, um dos temas que São Paulo ataca com dureza é sobre os que consideram a religião como uma fonte da ganância e consequentemente, buscam riquezas e criam necessidades absurdas e nocivas. Para são Paulo “a raiz de todos os males é a cobiça do dinheiro”. Quantas vezes São Paulo fala do perigo da avareza! A atitude de Timóteo deve ser dar exemplo com sua vida pessoal: praticar a justiça, o amor, a paciência, combate o bom combate da fé.


São Paulo apresenta ao Timóteo algumas características dos mestres falsos: dominados pelo orgulho e inveja, gostam de discussões mórbidas e de demonstrar a sabedoria, mas longe da humanidade e privados da verdade; têm uma mente corrompida; aproveitam-se da piedade para se lucrar. O mestre falso é “um doente à procura de controvérsias e discussões de palavras”.


A “enfermidade” de que fala São Paulo é certamente a enfermidade de nossa época e de nossa Igreja contemporânea: rivalidades, conflitos de grupos, divisões entre as pastorais e assim por diante.


A pior condenação do “desvio doutrinal”, da “contra verdade” é, segundo São Paulo, que o homem que o profere é um arrogante, cheio de si mesmo e que não sabe de nada. Creio que ninguém quer ser amigo de um arrogante, pois a própria arrogância não admite a verdade.


Será que este tipo de “mestres” se encontram nas nossas comunidades? Como podemos combatê-los? Será que entre os líderes de nossas comunidades há alguns destes “mestres falsos”?


Viver o Presente Em Função Da Vida Eterna


Nada trouxemos ao mundo como tampouco nada poderemos levar. Foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão... Conquista a vida eterna, para a qual foste chamado”, são as sábias palavras de São Paulo dirigidas ao Timóteo. Trata-se também de uma resposta sábia de São Paulo para os gananciosos deste mundo.


Partindo do tema sobre as falsas doutrinas e a ganância pelo dinheiro como a raiz de todos os males, São Paulo nos dá um pequeno tratado sobre uma vida digna:
  • Primeiro, contentar-se com o que se tem no momento. É um princípio básico da sabedoria.
  • Segundo, não trouxemos nada para este mundo e nada poderemos levar deste mundo quando terminar nossa caminhada neste mundo. O cofre não acompanha o caixão.
  • Terceiro, a felicidade é coisa fácil para os que sabem viver modestamente: “Tendo alimento e vestuário, fiquemos satisfeitos”, escreveu São Paulo.
  • Quarto, os que querem enriquecer-se, cairão no laço de uma serie de cobiças e de desejos absurdos e terminarão no sofrimento. “Por se terem deixado levar pela ganância, muitos se extraviaram da fé e se atormentam a si mesmos com muitos sofrimentos”, escreveu São Paulo.
     
    Foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão... Conquista a vida eterna, para a qual foste chamado”. Portanto, o que se pede é o despojamento total dos bens materiais. Podemos tê-los, mas eles não podem nos possuir. Despojar-se das coisas materiais é para partilhá-las com os que não têm nada (amor). Partilhar é um ato que prolonga a generosidade de Deus- Criador que criou tudo de graça para o bem do ser humano (nada trouxemos e nada levaremos). E também é um alerta para ninguém colocar o ouro e a parta acima de Quem os criou (esforçar-se para consquistar a vida eterna). Isso seria uma idolatria, e a idolatria tem pés de barro.Não te inquietes, quando um homem fica rico e aumenta a opulência de sua casa; pois ao morrer não levará nada consigo, nem seu prestígio poderá acompanhá-lo” nos relembra o Salmo Responsorial de hoje (Sl 48).
     
    Homens e Mulheres São Chamados a Ser Evangelizadores
     
    Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Nova do Reino de Deus. Os doze iam com ele; e também algumas mulheres...”.
     
    No texto do evangelho deste dia, evangelista Lucas afirma que, com os Doze, havia um grupo de mulheres que seguiam a Jesus. O evangelista Lucas é o único que menciona os nomes das mulheres que acompanhavam Jesus ao longo de suas viagens. Essas mulheres são um bom símbolo das incontáveis mulheres que ao longo dos séculos deram na Igreja testemunho de uma fé rica e generosa: religiosas, leigas, missioneiras, catequistas, ministras extraordinárias da comunhão eucarística, as celebrantes, as mulheres testemunhas qualificadas para o matrimônio,  mães de família, enfermeiras, doutoras, mestras e assim por diante, que ajudaram Jesus em vida e que colaboraram eficazmente na missão da Igreja, cada uma a partir de sua situação, entregando seu tempo, seu trabalho e também sua ajuda econômica. Temos que agradecer a Deus pelo empenho de tantas mulheres na missão evangelizadora. O papel das mulheres na Igreja de Jesus hoje em dia já um fato incontestável.
     
    Lucas é designado como “o Evangelho das mulheres”. Ele dá atenção e valoriza a mulher, precisamente por ela ser como “menor”, “pobre”. Por não ser valorizado a mulher fazia parte dos “pequenos” e marginalizados. Entre os quatro evangelistas, Lucas é aquele que mais dignifica, valoriza, enaltece e exalta o papel da mulher.
     
    Para Deus Eu Tenho Nome e Sou Chamado Pelo Nome
     
    Maria Madalena, Joana e Suzana! São nomes das mulheres, segundo o texto do evangelho deste dia, que também acompanhavam Jesus no seu trabalho de levar a Boa Nova para todos, especialmente para os excluídos da sociedade. Uma é casada, Joana, a mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes. Outra é uma mulher renascida à vida nova graças à intervenção de Jesus que a resgatou da morte (libertada de sete demônios, segundo o evangelho), Maria Madalena. E a terceira, Suzana, é uma discípula da qual somente sabemos seu nome, mas que estava lá.
     
    Maria Madalena, Joana e Suzana! Para o evangelista Lucas é muito importante mencionar seus nomes. Ter nome é ter dignidade, é ser gente! Ter nome é ser alguém e não ser número. É ser pessoa. Ter nome é ter personalidade. Chamar alguém e ser chamado pelo nome é sinal de intimidade. Entre dois amigos os títulos ficam de lado; cada um é chamado pelo nome. Em casa cada um tem seu nome e é chamado pelo nome e não pelo titulo. Para Deus eu tenho nome e Deus me chama pelo nome: “Eu te chamo pelo nome, és meu” (Is 43,1). E que meu nome está gravado na palma da mão de Deus e por isso, Ele jamais me esquecerá: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não tem ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esquecerei nunca. Eis que estás gravado na palma de minhas mãos” (Is 49,15-16). Deus nunca pode olhar Sua mão sem ver o meu nome. E meu nome quer dizer EU mesmo. Sou feliz por eu ser o que sou para Deus. Para sociedade em geral posso não ter nome, mas para Deus eu tenho nome. Eu sou uma pessoa e não um número para Deus. Quantas vezes saia dos lábios de Jesus os seguintes nomes: Maria Madalena, Joana, Suzana. Jesus as chamava pelo nome.
     
    Diante de Deus Todos São Iguais
     
    Maria Madalena, Joana e Suzana são seguidoras de Jesus junto com os doze Apóstolos. Esta frase tinha um grande peso para a sociedade da época de Jesus.
     
    Na Palestina a estrutura social era patriarcal. Ou na linguagem mais popular: uma sociedade machista. O pai era o único que tinha direito de dispor, dar ordens, castigar, pronunciar as orações, oferecer os sacrifícios. A mulher era considerada em tudo inferior ao homem. Ela pertence completamente ao seu “dono”: ao pai, se for solteira; ao marido, se for casada; ao cunhado solteiro, se for viúva sem filhos (Dt 25,5-10).
            
    No Templo e na sinagoga homens e mulheres ficavam rigorosamente separados: as mulheres sempre em lugares inferiores, secundários. O culto na sinagoga era celebrado apenas caso houvesse ao menos 10 homens. As mulheres não contavam, por mais numerosas que fossem.
           
    A mulher não podia atuar como testemunha num tribunal, nem como testemunha de acusação. Apoiando-se em Gn 18,11-15, consideravam que seu testemunho carecia de valor por causa de sua inclinação à mentira. Os rabinos da época excluíam as mulheres do circulo de seus discípulos.
     
    Jesus se levanta contra esse sistema sociorreligioso, dominante e opressivo para a mulher. Com sua atuação concreta, Jesus dá à mulher o seu devido lugar na vida social e religiosa. Para sua época essa atitude era considerada revolucionária e audaciosa! O que tem por trás da atitude de Jesus é o amor. E o amor é capaz de fazer até o impossível (cf. Jo 3,16). Tendo acompanhado Jesus desde o começo de seu ministério público, como os Doze, as mulheres discípulas eram iguais aos homens para o anúncio da Boa Nova (cf. Jo 4,28-29). Para Jesus, a mulher tem a mesma dignidade, categoria e direitos que o homem. Por isso, Jesus admite em sua comunidade homens judeus e mulheres judias com os mesmos direitos de aprender, de ser discípulos-discípulas, seguidores-seguidoras de Jesus pelo Reinado de Deus. As exigências e responsabilidades do seguimento são iguais para todos, homens e mulheres. A tradição nos relata que as primeiras aparições do Ressuscitado foram feitas para as mulheres (Lc 24,10) e precisamente às que Lucas anota no texto do evangelho deste dia.
     
    Que belo é ver como desde as origens apostólicas, Jesus conta com as mulheres em plano de igualdade. Não faz plano machista do seguimento. Cria uma comunidade mista.
     
    As mulheres não são meras assistentes dos homens e sim autênticas protagonistas da vida e missão da Igreja. Atuar de outra maneira é infidelidade ao Senhor que desde o princípio contou com elas. Elas serviam, punham seus bens ao serviço de Jesus e sua missão.
     
    A Palavra de Deus de hoje quer nos enfatizar que todos, mulheres e homens, são chamados de igual maneira a proclamar a Boa Notícia. O Reino de Deus é uma Boa Notícia. No meio da superabundância de notícias ruins, o cristão e a cristã, a exemplo de Cristo, devem pregar a Boa Notícia. Martin Luther King dizia que o grande problema não é o avanço da maldade ou do mal, mas o silêncio dos bons. Em certo sentido, ficar calado pode ser até uma manifestação da prudência. Mas se ficar calado diante da maldade pode significar a cumplicidade.
     
    Homens e mulheres são chamados a colaborar na evangelização a partir de seu próprio talento e de outras contribuições como as três mulheres citadas no evangelho deste dia. Assim um completa o outro para uma perfeita evangelização. Victor Hugo escreveu que o homem e a mulher se complementam para edificar a dignidade de um ser humano. Evangelizar significa dignificar a vida humana. Deveríamos ser mais abertos em nossa ideia teológica e social da Igreja. A Igreja do Senhor é de todas as pessoas de boa vontade para levar adiante a causa de Jesus: homens e mulheres, jovens e adultos, crianças e adolescentes. Não só de uma etnia, mas pluralista. Todos os cristãos temos algo em comum: fé e ação evangelizadora. “Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mt 12,49-50).

     P. Vitus Gustama,svd

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

21/09/2017
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SEGUIR A JESUS PARA SER SEU DISCÍPULO-MISSIONÁRIO
FESTA DE SÃO MATEUS, APÓSTOLO E EVANGELISTA



21 de Setembro


Leitura - Ef 4,1-7.11-13
Irmãos: 1 Eu, prisioneiro no Senhor, vos exorto a caminhardes de acordo com a vocação que recebestes: 2 Com toda a humildade e mansidão, suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. 3 Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz. 4 Há um só Corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança à qual fostes chamados. 5Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, 6um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos. 7Cada um de nós recebeu a graça na medida em que Cristo lha deu. 11E foi ele quem instituiu alguns como apóstolos, outros como profetas, outros ainda como evangelistas, outros, enfim, como pastores e mestres. 12Assim, ele capacitou os santos para o ministério, para edificar o corpo de Cristo, 13até que cheguemos todos juntos à unidade da fé e do conheci mento do Filho de Deus, ao estado do homem perfeito e à estatura de Cristo em sua plenitude.


Evangelho: Mt 9,9-13
Naquele tempo: 9 Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: 'Segue-me!' Ele se levantou e seguiu a Jesus. 10 Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos. 11 Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: 'Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?' 12 Jesus ouviu a pergunta e respondeu: 'Aqueles que têm saúde nóo precisam de médico, mas sim os doentes. 13 Aprendei, pois, o que significa: `Quero misericórdia e não sacrifício'. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores'.
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No dia 21 de setembro celebramos a festa de São Mateus, Apóstolo e Evangelista. O seu nome hebraico significa "dom de Deus. A tradição da Igreja antiga concorda na atribuição a Mateus da autoria do primeiro Evangelho. Isto acontece já a partir de Papias (+140 d.C), Bispo de Hierápoles na Frígia por volta do ano 130. Ele escreveu: "Mateus reuniu as palavras (do Senhor) em língua hebraica, e cada um as interpretou como podia" (em Eusébio de Cesareia, Hist. eccl. III, 39, 16). Como Apóstolo Mateus está sempre presente nos elencos dos Doze escolhidos por Jesus para serem apóstolos (cf. Mt 10, 3; Mc 3, 18; Lc 6, 15; At 1, 13).


Mateus desempenhava a profissão de publicano (cobrador de impostos) e por isso era considerado pecador público (publicano), excluído da convivência. Mas tudo mudou quando Jesus o chamou: "Segue-me!". Não há nada que seja mais salvador para um pecador do que ouvir a chamada de Deus para viver novamente o caminho da felicidade e de salvação. Mateus experimentou isso. E Mateus respondeu prontamente ao chamado: ele se levantou e seguiu a Jesus. De cobrador de impostos tornou-se imediatamente discípulo de Cristo. De "último" passou a ser "primeiro", graças à lógica de Deus que amou a todos de igual maneira! A base da chamada de Deus é amor, e o amor desconhece a discriminação. Nisto percebemos que os planos humanos são totalmente diferentes do plano de Deus: "Os meus projetos não são os vossos projetos e os vossos caminhos não são os meus caminhos", diz o Senhor (Is 55, 8). Se dependesse dos planos humanos (especialmente dos fariseus e escribas) Mateus, como um publicano, jamais poderia ser discípulo do Senhor. O encontro de Jesus com Mateus, o publicano, foi um escândalo para os escribas e fariseus que andavam espiando os passos de Jesus para colocá-Lo contra o povo. Mas o Senhor chama a quem Ele quiser para estar com Ele a fim de ser seu discípulo/Apóstolo. E Mateus, que sem dúvida nenhuma, havia visto e ouvido Jesus pregando em várias ocasiões, se decidiu a abandonar seu posto de trabalho de publicano para seguir, definitivamente, a Jesus até a morte. Desde então, a casa de Mateus em Cafarnaum foi escolhida por Jesus para descansar de suas excursões apostólicas na Galileia.


Mateus é um cristão de origem judaica. Seu conhecimento do Antigo Testamento (AT), suas citações literais do AT (ao todo 44), suas alusões ao AT (cerca de 130), seus hebraísmos ou aramaísmos (cerca de 329) mostram claramente que se trata de um judeu convertido ao cristianismo. Mateus escreveu seu evangelho em língua grega entre anos 80-85 depois de Cristo, provavelmente em Antioquia da Síria, uma das mais importantes cidades do Império romano (500.000 habitantes), cidade conhecida por suas escolas, a cidade que, após a destruição de Jerusalém, se tornou a mãe das igrejas e centro de expansão do Cristianismo. Foi ali que, pela primeira vez, os discípulos de Jesus foram designados como “cristãos” (cf. At 11,26. E foi de Antioquia que Paulo e seus companheiros empreenderam as três viagens missionárias (cf. At 13,1-3). Destinatários do seu evangelho são cristãos convertidos do judaísmo e cristãos convertidos do gentilismo (paganismo). Isso indica que a comunidade destinatária é mista. O evangelho de Mateus possui 28 capítulos com um total de 1.068 versículos e 18.278 palavras.


O Evangelho de Mateus ocupa o primeiro lugar na sequência atual dos livros do Novo Testamento, porque o evangelho de Mateus foi o Evangelho mais lido, mais comentado, mais rezado e mais divulgado nos dois primeiros séculos do Cristianismo. Mateus é o evangelho preferido da Igreja dos primórdios. “De todos os escritos do Novo Testamento, o Evangelho de Mateus foi o que exerceu a influência mais generalizada e profunda na literatura cristã que vai até as últimas décadas do século II” (E. Masseax). Prova disto é o uso de Mateus feito pela Didaquê, o primeiro catecismo cristão escrito entre os anos 90-100 depois de Cristo: o Pai-Nosso que ali encontramos se baseia sobre Mt 6,9-13 (e não sobre Lc 11,2-4); os seis primeiros capítulos de Didaquê são profundamente influenciados pelo Sermão da Montanha (Mt 5,1-7,29). Prova desta mesma influência são os numerosos comentários que surgiram sobre Mateus nos primeiros séculos: Hipólito de Roma (+235 d.C); Orígenes (+254 d.C); Santo Ambrósio (+397 d.C), São Jerônimo (+420 d.C); Santo Agostinho (+ 430 d.C) e assim por diante. Somente a partir do século III, o Evangelho de Lucas começou a ser aceito por todas as comunidades. Dai porque as festas da Ascensão e Pentecostes (que constam apenas em Lucas) apareceram pelo ano 350 d.C.
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O texto do evangelho lido na festa de São Mateus nos relatou que depois da cura do paralítico Jesus se encontrou com Mateus, cobrador de impostos e o chamou para segui-lo: “Segue-me!”. Trata-se de um homem que o povo detesta, pois é um colaborador do governo romano na cobrança de impostos. Os publicanos se enriquecem, especialmente, a custo dos pobres. Por isso, é uma profissão odiada.


Qualquer pessoa pode perguntar-se: “Como pode Deus estar presente em certos ambientes, como o de Mateus, especialmente tão repugnantes, maus ou perversos, em certas situações injustas como a vida vivida pelo publicano Mateus?”. Deus se encontra ali para curar, para salvar: “Quero misericórdia e não sacrifício”. Todo o Evangelho, quando se trata de Deus, nos urge que saibamos ultrapassar a noção de justiça e descobrir a Misericórdia infinita de Deus pelos pecadores. Deus não se cansa de perdoar e de se encontrar com os pecadores, os perdidos da vida para salvá-los, pois Jesus, o Deus-Conosco, veio para chamar e salvar os pecadores.


Como Jesus transformou os pescadores de peixes em pescadores de homens, assim também transformou um cobrador de impostos, um pecador público num “escriba do Reino de Deus”, num discípulos e mais ainda, num apóstolo.  Quem entra na esfera de Jesus deixa de ser como antes. Por isso, é preciso definir a que seguimos e a quem seguimos na vida para antecipar qual resultado final deste seguimento?


Jesus chama Mateus para segui-lo: “Segue-me” (Mt 9,9). E ele o segue (Mt 9,9). Ele diz a mesma coisa para Simão e André (Mt 4,19) e para Tiago e João (Mt 4,21). O termo “seguir” (akoloutheo, em grego) aparece 90 vezes no NT, das quais 11 vezes se encontram fora dos Evangelhos (em Atos, 4 vezes; em Ap, 6 vezes; e o resto em 1Cor 10,4). Nos evangelhos este termo se refere ao seguimento de Jesus (no total 73 vezes).


O verbo “seguir”, em sentido próprio, significa “ir atrás de alguém”; e no sentido figurado significa “ser discípulo”, “ir em seguimento de alguém”. Seguir significa andar, avançar, ver mais, aprender mais. Quem andar, quem caminhar vai encontrar muita coisa no caminho. Quem fica parado e paralisado vê menos.


Seguir a Jesus significa romper todo o passado, abandonar tudo (cf. Mt 4,18-22;9,9s;19,21; Lc 9,61; Mc 10,28), submetendo-se com fé e obediência à salvação oferecida em Cristo. Seguir também tem sentido de imitação. Neste sentido seguir significa unir-se com Jesus numa comunhão de vida e de destino; é modelar-se segundo o exemplo de Jesus (cf. Jo 13,15.34;15,12;1Ts 1,6;1Cor 11,1;Ef 5,2;1Jo 2,6 etc.). Assim, seguir a Jesus não é apenas aderir a um ensinamento moral e espiritual, mas compartilhar sua sorte. Por isso, Jesus exige o desapego total: renunciar às riquezas e à segurança, deixar os familiares (Mt 8,19-22;10,37;19,16-22), sem esperar o retorno (troca ou retribuição). Ao exigir de seus discípulos um tal sacrifício, Jesus se revela como Deus, única garantia, e revela integralmente até que ponto vão as exigências de Deus. Pode ser que seja até o sacrifício da cruz e até se sentir abandonado pelos outros, como Jesus sentiu (Mt 26,56).


A partir deste sentido, somos convidados a refletir sobre o nosso seguimento de Cristo. Até que ponto nós estamos dentro deste padrão? Em outras palavras, o que significa para nós hoje seguir a Jesus? Para responder esta pergunta, devemos responder outra pergunta: quem é Jesus a quem seguimos?  


Seguir a Jesus é viver a sua vida. E a vida de Jesus foi marcada particularmente por amor ao Pai e aos homens, especialmente aos mais necessitados. Seu relacionamento profundo com o Pai se traduz na prática da solidariedade com os marginalizados e pecadores. Seguir a Jesus é viver segundo o seu projeto. Ele quer que as relações humanas e sociais se baseiem sobre a justiça, o amor, a fraternidade e o perdão. Tudo isso se tornará realidade, se o homem se descobrir como filho de um Pai amoroso. Seguir a Jesus é estar pronto para viver o Seu destino. Viver segundo o projeto de Jesus leva o seguidor a viver o martírio. O martírio é o preço a pagar pela fidelidade à causa jamais traída. Quem se propõe a seguir a Jesus deve estar pronto também para viver a bem-aventurança das perseguições (Mt 5,10s).


Ao ouvir a chamada do Senhor Mateus prontamente aceitou o convite. Não só a prontidão para seguir a Jesus, mas a prontidão para limpar seu coração de toda a maldade praticada, pois ele era um cobrador de impostos e por isso, era um ladrão diplomado, pecador público, ladrão do bem comum. Ele deixa seu coração livre e limpo para que o Senhor possa usá-lo para o bem do seu Reino. O fruto maior de sua conversão para nós hoje é o evangelho que ele escreveu sobre a vida de Jesus: O evangelho de Mateus. Através do seu evangelho conhecemos o Jesus em quem acreditamos, como Emanuel, Deus Conosco (Mt 1,23; 18,20; 28,20).


Hoje é o dia mais adequado para recordar nosso particular “segue-me”. É o dia em que celebramos uma festa por nosso nome, pois Deus nos chama pelo nome. Diante de Deus cada um tem nome e Deus chama cada um pelo nome (cf. Is 43,1; Jo 10,3). É o dia adequado para recordar a maneira que Deus chamou cada um de nós. O seguimento é a expressão prática da fé/adesão. Mas temos que estar conscientes de que esse chamamento é permanente. Quem não tem tempo para ouvir Deus permanentemente, vai ouvir somente desgraças dos outros e do mundo. Quem não presta para Deus, não presta para os outros. Mas quem presta para os outros é porque no seu coração mora Deus, mesmo que ele não tenha nenhuma religião. Temos que confessar que o que determina a nossa salvação não é aquilo que rezamos, pois pode acontecer que façamos apenas monólogos nas nossas orações. A oração feita é um compromisso assumido para viver de acordo com o Espírito de Deus. Ninguém crê impunemente. O que determina nossa salvação é o nosso comportamento diário, nossa maneira de viver e de conviver de acordo com o bem praticado (cf. Mt 25,31-46).


P. Vitus Gustama,svd

20/09/2017
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VIVER NA SABEDORIA DE DEUS
Quarta-Feira da XXIV Semana Comum


Primeira Leitura: 1Tm 3,14-16
Caríssimo, 14 escrevo com a esperança de ir ver-te em breve. 15 Se tardar, porém, quero que saibas como proceder na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e fundamento da verdade. 16 Não pode haver dúvida de que é grande o mistério da piedade: Ele foi manifestado na carne, foi justificado no espírito, contemplado pelos anjos, pregado às nações, acreditado no mundo, exaltado na glória!


Evangelho: Lc 7,31-35
Naquele tempo, disse Jesus: 31 “Com quem hei de comparar os homens desta geração? Com quem eles se parecem? 32 São como crianças que se sentam nas praças, e se dirigem aos colegas, dizendo: ‘Tocamos flauta para vós e não dançastes; fizemos lamentações e não chorastes!’ 33 Pois veio João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e vós dissestes: ‘Ele está com um demônio!’ 34 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e vós dizeis: ‘Ele é um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e dos pecadores!’ 35 Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos”.
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O Deus Da Vida Habita Na Comunidade e É o Senhor Da Comunidade


Quero que saibas como proceder na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e fundamento da verdade. Não pode haver dúvida de que é grande o mistério da piedade: Ele foi manifestado na carne, foi justificado no espírito, contemplado pelos anjos, pregado às nações, acreditado no mundo, exaltado na glória!”, escreveu São Paulo a Timóteo no texto que lemos na Primeira Leitura.


Mesmo que tenha a intenção de visitar Timóteo em Éfeso, São Paulo não perde oportunidade de dar alguns conselhos a Timóteo, responsável por aquela comunidade, a respeito da comunidade e de Cristo.


No texto de hoje há dois pontos teológicos que São Paulo quer destacar: a comunidade (Igreja) e o mistério de Cristo.


A comunidade (Igreja) é “templo de Deus”, “assembleia de Deus vivo” e “coluna e base da verdade”. O próprio Deus, que possui a plenitude da vida e tem o poder de dar a vida, habita na comunidade dos que creem:Quero que saibas como proceder na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e fundamento da verdade”. A Igreja/Comunidade é o lugar onde o Deus da vida habita. E os membros da Igreja/Comunidade têm a missão de proteger e respeitar a vida em todas as suas instâncias, pois em cada vida Deus está. Deus não está longe dos cristãos e sim está com eles, “Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18,20). Esta revelação divina é uma grande alegria e um consolo sem tamanho para nossas lutas de cada dia. Não somos solitários nas nossas lutas, pois Deus está sempre conosco (cf. Mt 28,20). Ao mesmo tempo, esta revelação é um guia nosso de cada dia para endireitar nosso comportamento e nossas escolhas, pois como cristãos “Se estamos vivos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Portanto, vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor” (Rm 14,8). O Deus santíssimo que habita na Comunidade (Igreja) não tolerará que sua casa seja profanada e destruída: “Não sabeis que sois um templo de Deus e que o Espirito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Pois o templo de Deus é santo e esse templo sois vós” (1Cor 3,16-17; cf. 1Cor 6,19).


Em outras palavras, a comunidade é sagrada; é assembleia de Deus e não nossa; é a despositária da verdade e dos melhores dons de Deus. Os ministros, que de alguma forma exercem algum encargo, não são donos da graça nem da Palavra de Deus nem da comunidade e sim seus servidores. A missão dos responsáveis é apascentar as ovelhas do Senhor: “Apascenta as MINHAS ovelhas” (Jo 21,17). Todos pertencem ao Senhor. Jesus Cristo é o Senhor das ovelhas.


O outro ponto teológico que São Paulo quer destacar no texto de hoje é Cristo. Cristo é que dá sentido à evangelização e à vida da comunidade: “É grande o mistério da piedade: Ele foi manifestado na carne, foi justificado no espírito, contemplado pelos anjos, pregado às nações, acreditado no mundo, exaltado na glória!”. É como um credo breve ou um hino que abarca o caminho salvador de Jesus Cristo desde Sua encarnação até sua glorificação (ressurreição).


Precedido de uma breve fórmula na citação, o fragmento celebra o “grande mistério da piedade”, isto é, o plano da revelação salvífica de Deus levado a cabo por Jesus Cristo. E este breve hino ou pequeno credo está construído mediante três breves estrofes articuladas em estilos contrapostos e binários: carne-espírito; anjos-nações; mundo-glória. A vida inteira de Jesus, o mistério da piedade é contemplada em suas diversas frases, mas pondo em destaque a dimensão gloriosa e universal.


O eco deste texto é uma doxologia que encerra a série de exortações dirigidas ao responsável da comunidade (Cf. 1Tm 6,13-16). No marco desta visão teológica e cristológica se coloca o retrato do pastor ideal (reponsável ideal da comunidade). O centro da Carta ocupa a série de instruções para a eleição dos responsáveis de guiar a comunidade. São indicadas dezesseis qualidades: seis negativas e dez positivas, através das quais se define a figura ideal do responsável da Comunidade/Igreja (Cf. 1Tm 3,1-7). O que impressiona nesta lista de dotes é o destaque que se dá à maturidade humana e espiritual, definida não somente pelo autocontrole e pela moderação, segundo um modelo grego-helenistico, e sim pela capacidade de estabelecer relações justas.


Analogicamente, também nas qualidades requeridas para os candidatos ao diaconato, homens e mulheres, é posto o acento sobre o equilíbrio humano e espiritual (cf. 1Tm 3,8-13; Tt 1,6). Também a regra para os presbíteros obedece a este critério da maturidade humana e espiritual (1Tm 5,17-25). Por isso, é recomendado ao responsável delegado pelo Apóstolo que proceda a um cuidadoso discernimento na eleição dos candidatos antes de “impor-lhes as mãos” (1Tm 5,22), pois através deste gesto ritual, que apela à tradição bíblica, transmite-se não somente o encargo de guiar, mas também que se obtem o dom espiritual correspondente (carisma).


Em resume, pode-se dizer que o autor da Carta, baseando-se numa sólida tradição, propõe um modelo de Igreja em que se vivem as relações justas definidas pela caridade fraterna. Neste marco se coloca o testemunho crível da verdade cristã diante do ambiente externo.


Será que na escolha dos candidatos para o presbítero, dos coordenadores das comunidades e das pastorais em nossas paróquias ou comunidades há o acento sobre a maturidade humana e espiritual?


Viver Na Sabedoria É Viver De Acordo Com o Desígnios De Deus


Com quem hei de comparar os homens desta geração?”, começa Jesus seu ensinamento no texto do evangelho deste dia. Sabemos que o termo ou a expressão “essa geração” na boca de Jesus é o resultado de um juízo. A expressão “essa geração” tem um tom de condenação na boca de Jesus. É uma alusão à geração do povo eleito que atravessava o deserto de Sinai que duvidava da presença de Deus apesar das evidências de Sua providência (cf. Sl 96; Dt 32, 5.20).


“Veio João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e vós dissestes: ‘Ele está com um demônio!’ Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e vós dizeis: ‘Ele é um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e dos pecadores!’”.


Jesus foi criticado e censurado porque mostrou sua solidariedade com os pecadores e os marginalizados da sociedade. Comer juntos significava nivelar as relações. Jesus come com os pobres e pecadores porque eles tem a mesma dignidade. Não pode haver a diferença onde há a mesma substância. Somos todos seres humanos. A única diferença entre nós é a função ou papel que cada um desempenha na sociedade. Jesus se aproxima dos pobres e pecadores, pois Ele veio para trazer a salvação para todos (cf. Lc 4,14-21). Ele veio por amor à humanidade. O amor une o ateu e o religioso, aproxima o rico do pobre, cria ponte entre o idoso e o jovem, une o céu e a terra, e leva alguém para o céu, pois Deus é amor (cf. 1Jo 4,8.16). “Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar” (Machado de Assis). Em conseqüência desse amor, Jesus não mudou de comportamento apesar das criticas e das maledicências dos seus adversários. Jesus tem objetivo claro: quer salvar todos os homens. Por isso, Jesus viveu em função de Seu objetivo e não em função das criticas. Em Jesus se revelou a sabedoria de Deus que é sempre solidária com a humanidade carente de salvação.


É uma atitude muito diferente da dos fariseus que mantinham distância das categorias sociais consideradas impuras para não ficarem contaminados. Esta atitude mostra a arrogância religiosa dos fariseus. Trata-se de uma atitude desrespeitosa para com os outros e conseqüentemente para Deus, pois Deus está nos pequenos (cf. Mt 25,40.45; 1Cor 3,16-17). A prática do culto sem o compromisso de uma conduta coerente engana os outros e é um ópio que adormece a própria consciência. Qualquer prática religiosa não pode ser mais importante do que o próprio Deus e do que o próprio ser humano a quem Deus amou tanto (cf. Jo 3,16). Um Deus banalizado torna absoluto o que é relativo e o homem se engana buscando o absoluto onde ele não está. O mais próximo do absoluto está em você mesmo e em seus irmãos. O próximo é a passagem obrigatória para chegar até Deus.


Os pobres, os excluídos e os pecadores não tinham nenhuma dificuldade para ouvir a Palavra de Deus a eles dirigida. Com a ajuda da Palavra de Deus eles reconstruíam sua própria dignidade. Faltava-lhes, até então, alguém que pudesse dirigir a palavra de esperança para eles. Jesus era para eles o Salvador. Jesus era Aquele que eles esperavam.


A pregação de Jesus é bastante alegre. Na sua alegre pregação ele coloca a penitência e a exigência divina. Ele come e bebe normalmente. Anuncia o Reino de Deus como um banquete. Um quinto do evangelho de Lucas fala de comida ou de banquete para enfatizar que no Reino de Deus há somente a fraternidade, pois todos são filhos e filhas do mesmo Pai, e há somente a alegria, pois é uma festa que não tem fim.


Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos”, conclui Jesus no seu ensinamento. A sabedoria da qual se fala aqui não se trata de ciência, mas trata-se daquilo que corresponde ao desígnio salvador de Deus a respeito do homem e do mundo (cf. Jo 3,16). E esse desígnio se realiza nas pessoas que têm a docilidade ao Espírito de Deus. E essa docilidade se encontra nos simples, nos pequenos, nos despretensiosos. Por isso, Jesus volta aqui a usar uma idéia mais cara: “os pequenos”, “os filhos”. Os pequenos possuem muito mais sabedoria do que os que se dizem entendidos, como os escribas, pois os pequenos vivem na simplicidade (cf. Mt 11,25-28). A simplicidade é um valor alto para Jesus e para a humanidade. Por causa do valor tão alto da simplicidade Jesus chegou a fazer uma oração de agradecimento: “Eu Te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste essas coisas aos sábios e entendidos, e a revelaste aos pequeninos” (Lc 10,21).  Todos os simples são verdadeiros amigos de Jesus e amigos dos outros. O simples atrai a simpatia dos outros e as bênçãos de Deus.


Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos”, disse-nos Jesus.  Aprendemos o saber com os mestres, cursos, livros... A sabedoria, aprendemos com a vida cotidiana. Cada dia de nossa vida é uma página de nossa vida. Em cada página de nossa vida aprendemos algo para a construção de nossa vida e convivência. É preciso fazer leitura de nossa vida de cada dia para tirar alguma lição para nossa sabedoria. Mas temos muita consciência de que “O que sabemos é uma gota; o que ignoramos é um oceano” (Isaac Newton). “A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos” (Platão). Porém, “O início da sabedoria é a admissão da própria ignorância. Todo o meu saber consiste em saber que nada sei” (Sócrates).


Para Nossa reflexão:
  • Se Jesus é o amigo da simplicidade, será que você é um cristão simples ou um cristão falso e vaidoso que simula as virtudes que não existem? “A soberba gera a divisão. A caridade, a comunhão” (Santo Agostinho). Santo Agostinho nos faz a seguinte pergunta: “O nome cristão traz em si a conotação de justiça, bondade, integridade, paciência, castidade, prudência, amabilidade, inocência e piedade. Como tu podes explicar a apropriação de tal nome se tua conduta mostra tão poucas dessas muitas virtudes?”.
  • Jesus é chamado também de “amigo dos pecadores”, pois ele se aproxima deles para salvá-los e devolver sua dignidade de filhos de Deus. Que atitude nós temos em relação àqueles que erraram ou cometeram algum pecado na vida: afastá-los ou nos aproximar deles, a exemplo de Cristo?
  • A pregação de Jesus é alegre, pois fala da fraternidade, do banquete onde as relações se nivelam. Que tipo de pregadores nós somos: da alegria ou da desgraça?
  • Com quem hei de comparar os homens desta geração? Com quem eles se parecem?”, perguntou Jesus retoricamente. De que geração somos, ou pertencemos a qual geração? Qual será nossa resposta se fizermos a mesma pergunta para a geração da qual fazemos parte?

    P.Vitus Gustama,svd

sábado, 16 de setembro de 2017

19/09/2017
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O CAMINHO DA VIDA E O CAMINHO DA MORTE SE CRUZAM
Terça-Feira da XXIV Semana Comum


Primeira Leitura: 1Tm 3,1-13
Caríssimo, 1 eis uma palavra verdadeira: quem aspira ao episcopado, saiba que está desejando uma função sublime. 2 Porque o bispo tem o dever de ser irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, modesto, hospitaleiro, capaz de ensinar. 3 Não deve ser dado a bebidas nem violento, mas condescendente, pacífico, desinteressado. 4 Deve saber governar bem sua casa, educar os filhos na obediência e castidade. 5 Pois, quem não sabe governar a própria casa, como governará a Igreja de Deus? 6 Não pode ser um recém-convertido para não acontecer que, ofuscado pela vaidade, venha a cair na mesma condenação que o demônio. 7 Importa também que goze de boa consideração da parte dos de fora para que não se exponha à infâmia e caia nas armadilhas do diabo. 8 Do mesmo modo os diáconos devem ser pessoas de respeito, homens de palavra, não inclinados à bebida, nem a lucro vergonhoso. 9 Possuam o mistério da fé junto com uma consciência limpa. 10 Antes de receber o cargo sejam examinados; se forem considerados dignos, poderão exercer o ministério. 11 Também as mulheres devem ser honradas sem difamação mas sóbrias e fiéis em tudo. 12 Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e saibam dirigir bem os seus filhos e a sua própria casa. 13 Pois os que exercem bem o ministério, recebem uma posição de estima e muita liberdade para falar da fé em Cristo Jesus.


Evangelho: Lc 7,11-17
Naquele tempo, 11 Jesus dirigiu-se a uma cidade chamada Naim. Com ele iam seus discípulos e uma grande multidão. 12 Quando chegou à porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único; e sua mãe era viúva. Grande multidão da cidade a acompanhava. 13 Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: “Não chores!” 14 Aproximou-se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então, Jesus disse: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” 15 O que estava morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. 16 Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo”. 17 E a notícia do fato espalhou-se pela Judeia inteira e por toda a redondeza.
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Ser Líder Da Comunidade É Ser Protetor e Vigilante Dos Irmãos Da Comunidade


Quem não sabe governar a própria casa, como governará a Igreja de Deus?”, escreveu São ao Timóteo que lemos na Primeira Leitura.


A primeira parte das instruções sobre a disciplina eclesiástica se centrou no culto (1Tm 2,1-15). A segunda parte trata dos ministros da comunidade cristã. Para o cargo de bispo São Paulo fala de uma série de dotes necessárias (1Tm 3,1-7) e para o diácono (1Tm 3,8-13). Em todo caso está claro que as comunidades estão organizadas segundo uma certa hierarquia. Nenhum grupo humano, por pequena que seja, é estável sem um mínimo de estruturas.


A palavra “bispo” é de uma palavra grega “epíscope” que significa vigilante, protetor, inspector ou intendente. O título de “bispo” não tem ainda nas cartas pastorais o significado que chegará a ter no século II na Igreja cristã (progressivamente, o termo “bispo” vai-se destacando, sendo atribuído ao responsável da Igreja local, rodeado dos presbíteros [os futuros padres]). Neste texto, como em outras passagens do Novo Testamento, se designa com o nome “bispo” o cargo daquele que preside a Igreja local, o responsável da comunidade, e há vários em cada comunidade (Cf. Filipenses 1,1) e eles são designados também no Novo Testamento com o nome de “presbíteros” (anciãos).


Quem aspira ao episcopado, saiba que está desejando uma função sublime. Porque o bispo tem o dever de ser irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, modesto, hospitaleiro, capaz de ensinar”, escreveu São Paulo.


Precisamente por ser a cabeça de uma comunidade é uma tarefa elevada e sagrada, São Paulo põe alguns requisitos ou qualidades. As qualidades que se exigem dos que são chamados a ser responsáveis para presidir a comunidade são: sensatez, equilíbrio, fidelidade, boa educação, domínio de si, compreensão, bom governos de sua própria casa, que sejam homens de palavra, não envolvidos nos negócios sujos e sim irrepreensíveis. O responsável da comunidade deve ser sóbrio, moderado no uso de vinho (bebida); deve ser ponderado ao julgar as circunstancias e em suas decisões. Toda sua vida deve estar presidida pela honradez e a honestidade. Continuamente se pede aos cristãos no Novo Testamento que sejam hospitaleiros com os estrangeiros e peregrinos ou para os hospedados (Cf. 1Tim 5,10). Outra tarefa do bispo é a instrução dos cristãos. Por isso, ele deve ter uma aptidão especial para ensinar.


Para São Paulo, o responsável da comunidade não deve ser um neófito (recém-convertido ou recém-batizado), pois a responsabilidade do cargo é demasiado grande para um neófito, que não está ainda muito firme na fé e se encontra ocupando de repente um posto diretivo. Como pastor de almas com experiência e como conhecedor inteligente dos homens, São Paulo sabe que um recém-convertido sucumbe facilmente a tentações de orgulho e arrogância. Em outras palavras, a pessoa incapaz aceita um cargo por orgulho ou arrogância. Geralmente, este tipo de pessoa se torna ditadora, pois ela usa mais o poder do que o argumento bem fundamentado. Onde o cérebro não tem sua vez é a vez da mão (poder) que domina. Os pequenos, os inocentes são, geralmente, vítimas disso tudo.


As virtudes humanas são a base também para a vida de cada cristão, e fundamentais para o ministério de governo. Isto quer nos dizer que não se aplica apenas aos bispos ou aos ministros ordenados ou aos superiores e superioras de comunidades religiosas. Todos, de alguma maneira, temos missões a ser cumpridas que supõe uma certa responsabilidade em algum aspecto da vida comunitária.


Portanto, todos nós podemos nos examinar a partir das seguintes qualidades: a maturidade pessoal e o equilíbrio, o bom coração, a fidelidade aos nossos irmãos, o controle de nós mesmos, a honradez e a exemplaridade. Nesta autoavaliação convem que sejamos exigentes, pensando que a comunidade ou a família também nos estão avaliando continuamente, e sobretudo, Deus que espera de nós mais do que estamos fazendo. O cristão é aquele que sempre busca o melhor. O melho é sempre o inimigo permanente do bom.


Encontrar-se Com Jesus É Encontrar-se Com a Vida


O relato da “ressurreição” do filho da viúva de Naim se encontra apenas no evangelho de Lucas. E Lucas se inspirou nas narrativas de milagres dos profetas Elias e Eliseu (1Rs 17,17-24; 2Rs 4,17-22.32-37). Ao introduzir este relato Lucas quer justificar aquilo que Jesus dirá mais adiante, no v.22, como resposta para a pergunta de João Batista: “Os cegos vêem..., os surdos ouvem..., os mortos ressuscitam (Lc 7,22).


Lucas nos relatou que a viúva de Naim perdeu seu filho único. Ao relatar desta maneira, Lucas quer enfatizar a intensidade dramática da situação da viúva (viúva e sem filho), de um lado, e quer mostrar o poder de Deus que torna possível o que é impossível para o ser humano (cf. Lc 1,37; 18,27), do outro lado. Perder filho único, como aconteceu com a viúva de Naim, significava perder todas as condições para continuar vivendo. O filho era o que lhe restava, pois a vida da viúva dependia diretamente da vida do filho, que era o herdeiro legítimo de tudo que o pai morto deixou. Uma grande número de pessoas acompanha a pobre mulher para expressar sua piedade e compaixão. Na época, a condição das mulheres era especialmente dura quando não tinha nem marido nem filho para protegê-las juridicamente.


Tragédia, problemas e dificuldades não têm hora para chegar à nossa vida. E quando chegam não pedem licença, mas adentram nosso espaço e interrompem nossos sonhos, nossa tranqüilidade, nossas alegrias e nossos ideais. E o mais interessante é que vivemos informados diariamente sobre tantas tragédias que ocorrem pelo mundo e achamos que sejamos invulneráveis ou isentos de tudo isto. Mas quando somos atingidos pela tragédia, pelos problemas e dificuldades ou pelas provações, nos vem à mente esta pergunta: “Onde está você, Deus? O Senhor não está vendo o que está acontecendo na minha vida?”. E quantas vezes nos sentimos solitários, como quem querendo uma explicação diante de nossos problemas, mesmo que seja apenas uma pequena luz, mesmo sendo do tamanho e de uma força de um fósforo.


Diante da interrogação sobre a existência de Deus por causa de nossos problemas, precisamos estar conscientes de que Deus é bondoso de mais para ter ímpetos de crueldade; é sábio demais para errar; é verdadeiro demais para enganar; é amoroso demais para se vingar e é profundo demais para se explicar. Diante dos problemas, dificuldades, angústias e provações, saibamos que não há Deus maior como o nosso Deus revelado por Jesus Cristo, que é amor (1Jo 4,8.16), soberano, e Criador de todas as coisas e que com toda certeza tem o melhor para nós, mesmo que sua resposta seja um sonoro NÃO para nossa vida ou nosso modo de viver (cf. 2Cor 11,23-31;12,7-10), ou mesmo que tenhamos que esperar um pouco mais a sua resposta, pois Deus pode tardar, mas jamais falha. Por causa deste Deus que jamais falha é que nos tornamos fiéis, perseverantes e pacientes em tudo. “Senhor, eu espero em ti o dia todo por causa da tua bondade”, recorda-nos o salmista (Sl 25[24],5b). Confiamos no Senhor por causa da firmeza de Sua Palavra, da peculiaridade de Sua Verdade, da permanência de sua eternidade e de seu amor eterno por nós.


Jesus, Deus-Conosco, cheio de compaixão, devolveu a alegria de viver da viúva ao restituir a vida de seu único filho: “Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: “Não chores!”. Quantas vezes se vê nos evangelhos que Jesus se compadece dos que sofrem e os alivia com suas palavras, seus gestos e seus milagres. Hoje Ele atende a essa pobre mulher que ficou viúva e desamparada porque acabou de perder seu filho único.


No relato do evangelho deste dia Jesus se aproxima da realidade da morte do filho da viúva de Naim pessoalmente. Ninguém estava pedindo a Jesus que interviesse. A iniciativa dele é gratuita em todos os sentidos. Ele é itinerante conosco. Ele vai ao encontro do povo onde este está, embora este nem sempre perceba Sua presença. Ele tem um olhar penetrante, capaz de perceber a realidade para poder oferecer uma solução adequada. Ele olha com benevolência e ternura. Ele deixa que a realidade dolorida entre dentro dele, que o contagie: “O Senhor sentiu a compaixão para com a viúva e lhe disse: ‘Não chores! ’”.


“Não chores!”, diz Jesus à viúva. Palavras consolam, mas desde que estejam dentro do processo da compaixão-misericórdia. Palavras descompromissadas não causam efeito benévolo algum. Exigem ser respaldadas pelo testemunho e pela prática da solidariedade. Não devemos dizer uma palavra a mais além daquilo que fazemos. Por isso, baseado na sua compaixão, o Senhor chama o jovem morto de volta para a vida para a alegria da viúva enlutada: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!”. Por esta ordem o jovem voltou a viver: “Sentou-se e começou a falar”. A palavra é autoridade para levantar “defuntos” quando é carregada por alguém que vive realmente uma espiritualidade da compaixão-misericórdia. Ressuscitar mortos é reunir pessoas que se amam. O filho vivo para a viúva significava não apenas um pedaço de sua vida, mas também um amparo legal, o sustento e o consolo de sua viuvez.


A reação da multidão diante do milagre é justa: “Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo”. Pela primeira vez os presentes tiram conclusões “Um grande profeta apareceu entre nós”. E também: “Deus veio visitar o seu povo”. O gesto de Jesus de “levantar” o jovem é interpretado no sentido de que finalmente Deus decidiu libertar Israel. Eles reconhecem que Jesus é “um grande profeta”: seu gesto é profético.


O Ressuscitado continua hoje aliviando os que sofrem e “ressuscitando” os mortos. Ele faz tudo isso através de sua comunidade, a Igreja< de um modo especial por meio de Sua Palavra e de seus sacramentos que são meios pelos quais Ele continua nos acompanhando desde nosso nascimento até nossa partida deste mundo. O sacramento da Reconciliação não é a aplicação das palavras de Jesus: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!”. A Unção dos Enfermos, não é Cristo que se aproxima de quem sofre, por meio de sua comunidade e lhe dá o alívio e a força de Seu Espírito? A Eucaristia, o Corpo e o Sangue do Senhor que comungamos, não é a garantia de ressurreição como Ele nos prometeu: “Quem come minha Carne e bebe meu Sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia?” (Jo 6,54).


Deus nos destinou para a vida e Cristo nos quer comunicar continuamente esta vida, pois Ele é a ressurreição e a vida: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim ainda que esteja morto viverá” (Jo 11,25).


Há dois caminhos que o evangelho nos apresenta, mas que se cruzam. De um lado é o caminho da cidade que se dirige para o cemitério, para enterrar o jovem, filho único de uma viúva. De outro lado, é uma comunidade nova construída por Jesus onde se encontram os discípulos. É o caminho da vida.  Ao cruzar-se com o caminho de Jesus, o caminho da cidade muda de direção e de destino porque prontamente, ele ouve e obedece à Palavra de Jesus. Conseqüentemente, em vez de ir para o cemitério que é o caminho dos mortos, a cidade volta para o caminho da vida, pois Jesus é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (J 14,6).


Que caminho seguimos: o da cidade que se dirige ao cemitério para enterrar os nossos jovens ou o da vida apresentada por Jesus?


Precisamos nos deixar visitar pelo Senhor, autor da vida, para que o nosso peregrinar seja um caminho de esperança e não um cortejo de morte. Deus, em quem acreditamos, não é uma ameaça ou um concorrente, mas uma potência de amor que nos constrói e nos chama à vida. Encontrar-se com Jesus é encontrar-se com a verdadeira vida cheia de alegria e esperança.


Além disso, a cena do evangelho de hoje nos interpela no sentido de que devemos atuar com os demais como fez Jesus Cristo. Quando nos encontramos com pessoas que sofrem porque estão solitárias, enfermas ou mortas e não têm sorte na vida, qual é nossa reação?
P.Vitus Gustama,svd