sexta-feira, 19 de janeiro de 2018


Domingo, 21/01/2018
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JESUS-SALVADOR ME CHAMA A SER PESCADOR DE HOMENS
III DOMINGO DO TEMPO COMUM “B”


Primeira Leitura: Jn 3,1-5.10
1A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas, pela segunda vez: 2“Levanta-te e põe-te a caminho da grande cidade de Nínive e anuncia-lhe a mensagem que eu te vou confiar”. 3Jonas pôs-se a caminho de Nínive, conforme a ordem do Senhor. Ora, Nínive era uma cidade muito grande; eram necessários três dias para ser atravessada. 4Jonas entrou na cidade, percorrendo o caminho de um dia; pregava ao povo, dizendo: “Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída”. 5Os ninivitas acreditaram em Deus; aceitaram fazer jejum, e vestiram sacos, desde o superior ao inferior. 10Vendo Deus as suas obras de conversão e que os ninivitas se afastavam do mau caminho, compadeceu-se e suspendeu o mal que tinha ameaçado fazer-lhes, e não o fez.


Segunda Leitura: 1Cor 7,29-31
29Eu digo, irmãos: o tempo está abreviado. Então que, doravante, os que têm mulher vivam como se não tivessem mulher; 30e os que choram, como se não chorassem, e os que estão alegres, como se não estivessem alegres; e os que fazem compras, como se não possuíssem coisa alguma; 31e os que usam do mundo, como se dele não estivessem gozando. Pois a figura deste mundo passa.


Evangelho: Mc 1,14-20
14Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: 15O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”16E, passando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. 17Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”. 18E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus. 19Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; 20e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus.
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O texto do evangelho deste domingo, podemos dividir em duas partes de acordo com sua unidade literária: a primeira parte (vv.14-15) falam da Boa Notícia proclamada por Jesus e conseqüência desta proclamação; e a segunda parte (vv.16-20) fala da vocação dos primeiros discípulos na versão de Marcos.


Fé e Arrependimento/Conversão


Na Primeira parte do texto do Evangelho de hoje (Mc 1,14-15) falam da natureza da pregação de Cristo: arrependimento e fé.


Na tradição de Marcos, Jesus começa a sua pregação na Galileia, logo após a prisão de João Batista. A Galileia é condiserada pelos rabinos de Jerusalém como um lugar onde a obediência à Lei de Moisés (Toráh) não era tão exata e onde o contato com os pagãos trazia consigo o perigo do sincretismo religioso. Precisamente a Galileia é escolhida por Jesus como o centro de sua missão salvífica (Cf. Mc 1,16.28.39; 3,7; 7,31; 9,30). Ele vai ao encontro dos que necessitam de ajuda e de salvação no seus próprios lugares.


Em Mc 1,4 a missão de João Batista era introduzida pela expressão: “proclamando o batismo da conversão”. Em perfeito paralelismo com esta formulação, a missão de Jesus é introduzida em Mc 1,14b pela expressão: “proclamando o Evangelho de Deus”. A expressão “evangelho de Deus” pertence à linguagem missionária da comunidade (Cf. Rm 1,1; 15,16; 2Cor 11,7; 1Ts 2,2.8; 1Pd 4,17). Isto significa a comunidade de Marcos tem também como a prioridade é a missão para fora para espalhar a mensagem da salvação para os necessitados. A comunidade cristã vê realizada na pessoa e na mensagem de Jesus a sua esperança de paz e de salvação.


O Senhor surgiu proclamando: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”.


“Kairós” na expressão “o tempo já se completou” indica o tempo determinado por Deus para o começo do Reino de Deus. No ensinamento de Jesus o Reino de Deus não é um conceito espacial nem estático e sim um conceito dinâmico. Ele indica a soberania de Deus em ação. O Reino de Deus (basiléia) indica o tempo de salvação, o restabelicimento da comunhão entre Deus e o homem. Este Reino começa para a comunidade cristã a partir da conversão e da fé em Cristo Jesus.


O Senhor surgiu proclamando: “Convertei-vos e crede no Evangelho!”


O arrependimento e a fé tinham sido as pedras fundamentais do ministério de Cristo. O arrependimento e a fé são inseparáveis. O arrependimento é a expressão da minha fé. Sem o arrependimento não pode se falar da fé.


A mensagem salvífica de Jesus exige do homem uma metanoia isto é, uma mudança interior em seus pensamentos e sentimentos. Exige também fé na Boa-Nova anunciada por Jesus. Fé deve ser compreendida aqui em toda sua riqueza semita de adesão plena e total do homem a Deus.


Quando levamos em conta as necessidades da natureza humana, não precisamos admirar-nos da pregação inicial de Jesus sobre o arrependimento e fé. Todos nós, por natureza, somos nascidos em pecado. Todos nós precisamos nos arrepender, nos converter e nascer de novo, se quisermos ver o Reino de Deus. Todos precisamos recorrer à esperança que nos foi proposta por Jesus, por meio do Evangelho, crende nele, se quisermos ser salvos. Todos nós, uma vez arrependidos, precisamos nos despertar diariamente para um arrependimento ainda mais profundo, pois a maldade vem de nosso coração.  Embora já sejamos crentes, todos nós precisamos de contínua exortação para crescermos na fé. A liberdade (dos pecados) é a vocação mais fundamental e mais universal do homem. Não há crescimento e avanço sem liberdade.


Indaguemos a nós mesmos o que sabemos a respeito desse arrependimento e dessa fé. Temos realmente fé em Deus que se expressa na nossa conversão contínua? Já abandonamos os nossos pecados? Já descanasamos em Cristo e n´Ele confiamos? Podemos chegar ao céu sem muita cultura, riqueza, saúde ou grandeza neste mundo. No entanto, jamais chegaremos ao céu, quando morrermos, na impenitência e na incredulidade. Um coração novo e convertido e uma fé viva no Redentor do mundo são imprenscindíveis para a salvação da alma. Morrem no Senhor exclusivamente aqueles que “se arrependem e creem” no Senhor, Salvador.


Jesus Nos Chama a Segui-Lo Para Sermos Pescadores de Homens


A segunda parte do texto do Evangelho de hoje (Mc 1, 16-20) fala da vocação dos primeiros discípulos de Jesus.  A finalidade de Marcos ao colocar, logo no início do seu evangelho, este relato de vocação é apresentar os quatro discípulos importantes na comunidade (Cf. Mc 3,13-19) como testemunhas, desde o início da vida pública, da missão de Jesus. Jesus convoca os quatro primeiros discípulos para, juntamente com eles e perante os olhos deles, iniciar a proclamação e inauguração do Reino de Deus. Porque eles serão mais tarde os continuadores da mesma história de uma longa história. Os apóstolos e os outros discípulos serão parte deste último tempo, deste “O tempo já se completou”, do kairós, do tempo de Deus, da proclamação escatológica.


A vocação sempre inclui a convocação e congregação do povo de Deus prefigurada nos apóstolos reunidos em torno do Mestre. Este chamado duplo não somente tem um valor simbólico, mas tem uma forte intenção teológica. O relato guarda uma preciosa recordação da primeira hora. Toda vocação na Igreja, inclusive a vocação batismal de todos os cristãos tem algo deste primeiro encontro em si. São três os elementos essenciais: o chamado, o seguimento e a missão. Na missão se encontram também as cruzes. Quem quiser encontrar o Cristo sem a cruz, arrisca encontrar a cruz sem o Cristo.


Nesta segunda parte lemos que o Senhor chamou Simão e André, quando eles lançavam “a rede ao mar”. Por sua vez, João e Tiago forma chamados quando estavam “consertando as redes”. Jesus lhes disse: Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”.


Baseando-nos nessas palavras torna-se evidente para nós que os primeiros seguidores do Senhor não eram pessoas que ocupavam posições importantes neste mundo. Eram homens destituídos de riqueza, poder e posição social. Todavia, o Reino de Deus não depende de tais coisas tão passageiras. A causa do Senhor, neste mundo, avança não “por força nem por poder, mas pelo meu Espirito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4,6; leia 1Cor 1,26-27). A Igreja que começou com alguns pescadores, mas que se espalho pelo mundo inteiro sem dúvida alguma é por força de Deus.


Devemos destacar bem essa expressão: “Pescadores de homens”, pois ela repleta de ensinamentos. “Pescadores de homens” é o mais antigo título pelo qual o ofício ministerial é descrito nas páginas do Novo Testamento. Este título tem raízes mais profundos do que os de bispos, presbíteros ou diácono. É a primeira ideia que deve ficar impressa na mente de todo ministro, de todo evangelizador, de todo agente de pastoral, de todo batizado. Um ministro, um cristão não é um mero espectador ou um administrador de ordenanças. Compete-lhe ser um “pescador” de almas. O ministro, um evangelizador, um agente pastoral ou movimento eclesial que não se esforça para fazer jus a esse nome está enganado quanto ao seu chamamento. Um pescador faz esforços com paciência para apanhar peixes. Ele se utiliza de todos os meios disponíveis e entristece-se quando não é bem sucedido na pesca. O ministro do Evangelho ou cada cristão deve fazer o mesmo. Feliz é o ministro, o bispo, o sacerdote, o diácono, o evangelizador, o agente de pastoral em que estão combinados a habilidade, a diligência e a paciência de um pescador.
P. Vitus Gustama,SVD

20/01/2018
1. Reflexão das leituras do dia.
2. Uma pequena reflexão sobre São Sebastião, Mártir
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SEGUIR A JESUS PARA SER REFLEXO DE SEU AMOR
Sábado Da II Semana Comum
São Sebastião

Primeira Leitura:  2Sm 1,1-4.11-12.19.23-27
Naqueles dias, 1 Davi regressou da derrota que infligiu aos amalecitas, e esteve dois dias em Siceleg. 2 No terceiro dia, apareceu um homem, que vinha do acampamento de Saul, com as vestes rasgadas e a cabeça coberta de pó. Ao chegar perto de Davi, prostrou-se por terra e fez-lhe uma profunda reverência. 3 Davi perguntou-lhe: “Donde vens?” Ele respondeu: “Salvei-me do acampamento de Israel”. 4 “Que aconteceu?”, perguntou-lhe Davi. “Conta-me tudo!” Ele respondeu: “As tropas fugiram da batalha, e muitos do povo caíram mortos. Até Saul e o seu filho Jônatas pereceram!” 11 Então Davi tomou suas próprias vestes e rasgou-as, e todos os que estavam com ele fizeram o mesmo. 12 Lamentaram-se, choraram e jejuaram até a tarde, por Saul e por seu filho Jônatas, e por causa do povo do Senhor e da casa de Israel, porque haviam tombado pela espada. 19 E Davi disse: “Tua glória, ó Israel, jaz ferida de morte sobre os teus montes. Como tombaram os fortes! 23 Saul e Jônatas, amados e belos, nem vida nem morte os puderam separar, mais velozes que as águias, mais fortes que os leões. 24 Filhas de Israel, chorai sobre Saul. Ele vos vestia de púrpura suntuosa e ornava de ouro os vossos vestidos. 25 Como tombaram os fortes em plena batalha! Jônatas foi morto sobre as tuas alturas. 26 Choro por ti, meu irmão Jônatas. Tu me eras tão querido; tua amizade me era mais cara que o amor das mulheres. 27 Como tombaram os fortes, como pereceram as armas de guerra!”

Evangelho: Mc, 3, 20-21
Naquele tempo, 20Jesus voltou para casa com os discípulos. E de novo se reuniu tanta gente que eles nem sequer podiam comer. 21Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si.
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É Preciso Contar Com Deus Nas Nossas Batalhas Diárias Para Sermos Vencedores

A Primeira Leitura nos relatou a morte do primeiro rei de Israel, Saul, e seu filho, Jônatas, amigo de Davi, na batalha no monte de Gelboé contra os filisteus (cf. 1Sm 31,1-13). Apesar de todas as dificuldades que Saul ocasionou para Davi, Davi está profundamente comovido por essa morte (2Sm 1,11-12; 19-27). Para Davi, Saul continua sendo o ungido de Deus, o rei consagrado pela unção divina. Davi amava Jônatas, seu amigo e “irmão”, e chorou sobre sua morte (2Sm 1,26). O próprio Jesus chorou sobre a morte do amigo Lázaro (cf. Jo 11,35-36). Profunda humanidade de Deus! O choro é uma linguagem perfeita para expressar nossos sentimentos profundos que nenhuma outra língua humana capaz de expressá-lo.

A morte sempre nos deixa desamparados. A Bíblia é um espelho da humanidade onde se refletem todos os verdadeiros sentimentos humanos. Nossa vida inteira com suas alegrias e tristezas é que expressamos na oração dirigida a Deus. Com efeito, a história de nossa oração é a história de nossa vida. Quem reza, tem uma história com Deus que no fim ela terminará bem. A cruz de Jesus termina com a ressurreição-ascensão.

Com um desastre militar termina o reinado e a vida de Saul, e também a de seus filhos, entre eles Jônatas, o amigo de Davi. Oito anos de reinado para deixar a história uma imagem bem patética.

E ao mesmo tempo, é muito comovedora a reação de Davi que sempre respeitava o ungido de Deus, o rei Saul, ainda que este lhe perseguisse. Vale a pena hoje colher a Bíblia e ler inteiramente o poema que o Segundo Livro de Samuel põe nos lábios de Davi cantando os méritos do rei Saul e de seu amigo Jônatas sentindo a dor da morte deles (2Sm 1,19-27). Tudo isso reflete a nobreza do coração de Davi.

Temos que olhar com carinho para nosso coração. Será que somos capazes de sentir a profunda dor diante da desgraça dos demais a exemplo de Davi, inclusive quando o falecido(a) nos fez algum mal? Será que somos capazes de reconhecer os valores que os outros têm e louvar tudo isso publicamente, como fez Davi? Jesus sim! Jesus era um homem que mostrava estes sentimentos de amor e de amizade, de tristeza e lágrimas. Chorou pela morte de seu amigo Lázaro (cf. Jo 11,35-36); chorou pela sorte de Jerusalém, a cidade que amava acima das demais cidades (Lc 19,41). Além disso, Jesus não nos ensinou o perdão pelos inimigos e não nos deu um exemplo magnifico em sua morte perdoando os que O crucificaram? (Cf. Lc 23,34). Será somos capazes de perdoar ainda algumas pessoas falam mal de nós? O exemplo de Davi nos estimula a termos sentimentos mais nobres em nossa vida.

O Salmo Responsorial (Sl 79) nos aponta para outra lição. Em situações catasroficas para o povo, o salmista nos convida a pormos nossa confiança em Deus: “Ó Pastor de Israel, prestai ouvidos. Vós, que a José apascentais qual um rebanho! Vós, que sobre os querubins vos assentais, aparecei cheio de glória e esplendor ante Efraim e Benjamim e Manassés! Despertai vosso poder, ó nosso Deus, e vinde logo nos trazer a salvação!”. Deixe-nos ser amados por Deus e permitamos que Deus nos use para levar adiante Sua obra de salvação.  

Evangelho e Sua Mensagem Para Nós

O relato de Mc começa com um dado surpreendente: os parentes de Jesus, ao saber que ele estava fora de si, ou estava louco, eles foram até Jesus para retirá-lo do seu lugar de missão. A loucura era considerada como sinal de possessão diabólica.  Qualificar alguém de louco era uma forma de excluí-lo, anulá-lo e condená-lo. Com Jesus seus inimigos queriam aplicar também essa tática para anulá-lo, e os parentes de Jesus simplesmente acreditavam sem nenhuma verificação.

Por que tudo isso?

Porque Jesus quis construir uma comunidade cimentada nos valores do amor e da justiça. Viver de acordo com a igualdade, a solidariedade e a fraternidade universal significa romper com o modelo de família tradicional e com sistema vigente que oprime e discrimina. Para Jesus todos têm que se sentir irmãos daqueles que até então eram considerados excluídos, impuros, forasteiros, inimigos, pecadores. Para a mentalidade de então essas pessoas teriam que ser afastadas. Jesus fez o contrário: a casa onde ele se encontrava estava lotada de gente pobre e empobrecida que ele tratava com respeito. Por isso, Jesus não podia estar de acordo com seus parentes que, se deixando levar da qualificação de louco que lhe davam seus inimigos, tratavam de retirá-lo de sua missão.

Sempre sucede o mesmo. O plausível para os homens não é em todo momento o honesto para Deus. O politicamente correto não coincide em muitas ocasiões com eticamente justo. Um profeta diz a seu tempo e contra seu tempo o que Deus lhe manda dizer aos homens mesmo que os homens não concordem. Não é fácil ser profeta. Há que estar muito identificado com Jesus para sê-lo de verdade. Um profeta de verdade sempre termina sua vida como mártir. Ele é crucificado, mas ninguém consegue crucificar a verdade porque a verdade mora na própria consciência do homem. O próprio homem sabe disso e tem consciência disso.

Os parentes de Jesus acreditaram nas fofocas ou comentários maldosos dos inimigos de que Jesus era louco. Por isso, eles foram até Jesus para levá-lo para casa sem perguntar até que ponto esse comentário tinha fundamento. Às vezes, acontece o contrário: aquele que acha que o outro seja louco é muito mais louco do que todos os loucos de verdade. Precisamos nos perguntar também tanto pessoalmente como comunitariamente: Quem é Jesus em quem acreditamos? Por que nos reunimos em Seu nome? Por que celebramos a Eucaristia? porque ele mandou fazer em sua memória? Mas que memória? Vale a pena continuar acreditando e esperando n’Ele?

Jesus é considerado como louco por ser próximo para todos, por ajudar quem está em necessidade; por integrar numa família quem era excluído, por salvar a vida no dia de preceito (Sábado), por lutar pela igualdade, pois todos são filhos e filhas de Deus. Nós que amamos Cristo, nós que escutamos Sua voz e nos comprometemos a viver conforme Seu evangelho também nós podemos ser considerados como loucos, sonhadores e ilusórios pelo mundo. Mas somente aquele que vive verdadeiramente unido a Deus e comprometido na salvação de todos, poderá fazer seu o caminho de Cristo e jamais vai usar o Evangelho para o proveito próprio. Ao contrario, ele saberá ir ao encontro dos que falharam na vida moral ou eticamente para fazer todos eles aproximarem-se do perdão e do amor de Deus; saberá ir ao encontro das pessoas que sofrem para manifestar-lhes a misericórdia divina não somente com palavras e sim com a própria entrega, com obras que lhes ajudam a viver uma vida digna. Sejamos essa Igreja do Senhor que vive não para servir-se do Evangelho e sim para estar a serviço do Evangelho até as ultimas conseqüências. Deus espera de nós uma vida de totalmente comprometida com o Evangelho.
P. Vitus Gustama,svd
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SÃO SEBASTIÃO, MÁRTIR
20 de Janeiro
  Ser Prudente
São Sebastião era o filho de pai militar e nobre. Muito jovem empreendeu a carreira militar e chegou a ser capitão da primeira corte da guarda pretoriana, cargo que somente se dava a pessoas ilustres. Ele era respeitado por todos e apreciado pelo imperador. O que o imperador ignorava é que Sebastião era cristão de coração. O nobre capitão cumpria com disciplina suas tarefas como capitão, porém não tomava parte nos sacrifícios aos deuses nem em outros atos que eram de idolatria. Visitava os encarcerados por causa de Cristo, alentava os débeis e abatidos, dava ânimo aos que padeciam tormentos.
Sebastiao era, de um lado, o soldado de um imperador pagão. E de outro lado, ele era o soldado de Cristo. Não exteriorizava sua fé apesar do cargo que ele tinha. Mas a conduta de Sebastião não era de covardia e sim de cautela. Esta cautela se chama PRUDÊNCIA. O próprio Jesus nos deu o seguinte conselho: “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas” (Mt 10,16).
A palavra “prudência” provém do latim “prudens- prudentis” que significa “precavido, competente”.
A prudência é a capacidade de ver, de compenetrar-se e de ajustar-se à realidade. O homem prudente está sempre atento para agir corretamente e falar sabiamente.
A prudência nos oferece a possibilidade e a capacidade de discernir o correto do incorreto, o bom do mau, o verdadeiro do falso, o sensato do insensato para guiar o bom rumo de nossas ações. A prudência separa a ação do impulso.
A prudência determina o que é necessário escolher, e o que é necessário evitar. É a faculdade que nos permite vermos e aprendermos a realidade tal como é. É um saber viver real. “A prudência é um amor que escolhe com sagacidade”, dizia Santo Agostinho.
Para termos essa capacidade necessitamos viver na humildade. Humildade é ter atitude de aprendizagem permanentemente. Aprendizagem é o caminho do sucesso. A pessoa soberba é aquela que acredita saber tudo, mas que, de fato, sabe muito pouco.
O homem sábio é sempre guiado pela prudência e pronto para aprender. “Quando não se aprende, a sinceridade vira grosseria; a valentia vira desobediência; a Constância vira caprichosa teimosia; a humanidade vira estupidez; a sabedoria vira confusão e a veracidade vira ruína”, dizia Confúcio. “O conhecimento instrui; a sabedoria transforma” (Walter Riso). "O homem prudente não diz tudo quanto pensa, mas pensa tudo quanto diz" (Aristóteles).
Ser Mártir
Alguém fez a denúncia ao imperador de que Sebastião era cristão.  O imperador Maximiano chamou Sebastião. Sebastião teve que escolher entre ser soldado do imperador ou o soldado de Cristo. Sebastião escolheu ser soldado de Cristo. “Antes de ser o oficial do rei, sou o soldado de Cristo”.
O imperador não suportou a escolha de Sebastião e a ameaçou de morte. Mas Sebastião sentia por todo o seu corpo a graça sacramental da Confirmação que lhe dava a coragem de ser mártir. Os soldados amarraram Sebastiao numa árvore e lançaram na sua direção uma chuva de flechas. Os soldados achavam que Sebastião estava morto. Mas não foi assim. Estava vivo. Uma senhora piedosa chamada IRENE escondeu o corpo de Sebastião na sua casa e curou as feridas de Sebastião.
Passou um tempo, Sebastião ficou completamente restabelecido. Seus amigos íntimos falaram para Sebastião que se afastasse de Roma. Mas o pensamento de martírio estava enraizado na vida de Sebastião. Em vez de esconder-se, Sebastião se apresentou num dia ao imperador e pediu ao imperador que deixasse de perseguir os cristãos. Muito furioso o imperador Maximiano mandou abater Sebastião a pauladas até morrer.
Nesta festa todos nós somos convidados a celebrar o mistério da perseguição e do martírio. Para os cristãos a perseguição não é incidente de percurso, mas é um fato inevitável. Por isso, ela não constitui novidade na história da Igreja. O autor da Segunda Carta ao Timóteo nos lembra: “Em verdade, todos aqueles que quiserem viver piedosamente em Cristo Jesus, serão perseguidos” (2Tm 3,12). Pode acontecer que numa ou na outra situação tenhamos que sofrer a calúnia ou a difamação por sermos verazes, por sermos fiéis à verdade; em outras, as nossas palavras ou as nossas ações serão, talvez, mal interpretadas. Em qualquer caso, o Senhor espera de nós, cristãos que falemos sempre a verdade com clareza.
Quantas vezes, por medo de ficar sozinhos, cultivamos amizades duvidosas. Quantas vezes, por medo, fomos covardes, mentimos, praticamos violência e injustiça. Quem tem medo, fica bloqueado, não consegue fazer aquilo que o conduziria à plena realização da própria vida e portanto “perece”. Existem muitas pessoas, por exemplo, que têm medo de mudança, mesmo se esta mudança as abre para uma existência melhor e mais feliz. O abandono dos hábitos antigos, a perda do conhecido, cria em algumas pessoas um clima intolerável de insegurança.
Num mundo em que a mentira e a dissimulação constituem tantas vezes o miolo do comportamento habitual, nós, cristãos, devemos ser homens verazes que fogem sempre até da mais pequena mentira. Devemos conhecidos pelos que convivem conosco como homens e mulheres que nunca mentem, mesmo nos assuntos de pouca importância. A nossa vida terá, então, uma grande fecundidade apostólica, pois sempre se pode confiar numa pessoa íntegra, que sabe dizer a verdade com caridade. Em outras palavras, não devemos ter medo da verdade, pois a verdade nos libertará (Jo 8,32).
Que São Sebastião interceda por nós para que sejamos soldados de Cristo na nossa vida cotidiana. Que assim seja.

P. Vitus Gustama,svd

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

19/01/2018
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SER APÓSTOLO DO SENHOR QUE NOS AMA E PERDOA SEMPRE  
Sexta-Feira da II Semana Comum


Primeira Leitura: 1Sm 24,3-21
Naqueles dias, 3 Saul tomou consigo três mil homens escolhidos em todo o Israel e saiu em busca de Davi e de seus homens, até os rochedos das cabras monteses. 4 E chegou aos currais de ovelhas que encontrou no caminho. Havia ali uma gruta, onde Saul entrou para satisfazer suas necessidades. Davi e seus homens achavam-se no fundo da gruta 5 e os homens de Davi disseram-lhe: “Este certamente é o dia do qual o Senhor te falou: ‘Eu te entregarei o teu inimigo, para que faças dele o que quiseres’. Então Davi aproximou-se de mansinho e cortou a ponta do manto de Saul. 6 Mas logo o seu coração se encheu de remorsos por ter feito aquilo, 7 e disse aos seus homens: “Que o Senhor me livre de fazer uma coisa dessas ao ungido do Senhor, levantando a minha mão contra ele, o ungido do Senhor”. 8 Com essas palavras, Davi conteve os seus homens, e não permitiu que se lançassem sobre Saul. Este deixou a gruta e seguiu seu caminho. 9 Davi levantou-se a seguir, saiu da gruta e gritou atrás dele: “Senhor, meu rei!” Saul voltou-se e Davi inclinou-se até o chão e prostrou-se. 10 E disse a Saul: “Por que dás ouvidos às palavras dos que te dizem que Davi procura fazer-te mal? 11 Viste hoje com teus próprios olhos que o Senhor te entregou em minhas mãos, na gruta. Renunciando a matar-te! Poupei-te a vida, porque pensei: Não levantarei a mão contra o meu senhor, pois ele é o ungido do Senhor, 12 e meu pai. Presta atenção, e vê em minha mão a ponta do teu manto. Se eu cortei este pedaço do teu manto e não te matei, reconhece que não há maldade nem crime em mim, que não pequei contra ti. Tu, porém, andas procurando tirar-me a vida. 13 Que o Senhor seja nosso juiz e que ele me vingue de ti. Mas eu nunca levantarei a minha mão contra ti. 14 ‘Dos ímpios sairá a impiedade’, diz o antigo provérbio; por isso, a minha mão não te tocará. 15 A quem persegues tu, ó rei de Israel? A quem persegues? Um cão morto! E uma pulga! 16 Pois bem! O Senhor seja juiz e julgue entre mim e ti. Que ele examine e defenda a minha causa, e me livre das tuas mãos”. 17Quando Davi terminou de falar, Saul lhe disse: “É esta a tua voz, ó meu filho Davi? E começou a clamar e a chorar. 18 Depois disse a Davi: “Tu és mais justo do que eu, porque me tens feito bem e eu só te tenho feito mal. 19 Hoje me revelaste a tua bondade para comigo, pois o Senhor me entregou em tuas mãos e não me mataste. 20 Qual é o homem que, encontrando o seu inimigo, o deixa ir embora tranquilamente? Que o Senhor te recompense pelo bem que hoje me fizeste. 21 Agora, eu sei com certeza que tu serás rei, e que terás em tua mão o reino de Israel”.


Evangelho: Mc 3,13-19
Naquele tempo, 13Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram até ele. 14Então Jesus designou Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar, 15com autoridade para expulsar os demônios. 16Designou, pois, os Doze: Simão, a quem deu o nome de Pedro; 17Tiago e João, filhos de Zebedeu, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizerFilhos do trovão”; 18André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o cananeu, 19e Judas Iscariotes, aquele que depois o traiu.
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A Maldade Sai Dos Maus Corações e a Bondade sai Dos Bons Corações


A Primeira Leitura de hoje nos apresenta o contraste entre Saul e Davi no seu comportamento em relação aos demais.


Nos momentos em que Saul vive a remissão dos sintomas doentios, é bondoso, capaz de amar a Deus (1Sm 24,17). Entretanto, quando age sob a influência de sua psicose, põe em evidência comportamentos invejosos, ciumentos, encolerizados, homicidas, até emrelação a seu próprio filho, Jônatas do qual sabe que fez um pacto com Davi. Mas quando Davi poupa pela primeira vez a vida de Saul, conforme lemos na Primeira Leitura de hoje, precisamente durante a perseguição de Saul para matar Davi, seu rival, Saul emite um juízo de inocência para Davi, culpando-se a si mesmo, porque Davi lhe fez o bem, enquanto ele buscava fazer-lhe mal.


Davi, segundo o texto do livro de Samuel, é um exemplo de honestidade: respeita o rei, ungido de Deus; trabalha por ele e pelo povo nas batalhas; não se aproveita de oportunidades que lhe facilitariam a vingança a seu ofensor, Saul. A mente de Saul fica iluminada pelas palavras e gestos sinceros, respeitosos e afetuosos de Davi: “Tu és mais justo do que eu, porque me tens feito bem e eu só te tenho feito mal. Hoje me revelaste a tua bondade para comigo, pois o Senhor me entregou em tuas mãos e não me mataste. Qual é o homem que, encontrando o seu inimigo, o deixa ir embora tranquilamente? Que o Senhor te recompense pelo bem que hoje me fizeste. Agora, eu sei com certeza que tu serás rei, e que terás em tua mão o reino de Israel”. Assim a verdade e o bem saem triunfantes ainda que haja preço bem alto.


É preciso abrirmos as janelas de nosso coração para a luz divina, pois quem é justo sençao somente Deus? quem de nós pode dizer que não tem pecado, para lançar a primeira pedra contra os pecadores? Deus quer que reconheçamos nossa própria realidade que somente Ele conhece, pois perante Ele estamos desnudos. Deus poderia nos condenar, mas pelo amor que tem por nós, Ele envia seu próprio Filhos para que, livres de pecado, possamos nos apresentar santos, purificados e feitos filhos seus diante d´Ele. Não condenemos e não seremos condenados; não julguemos e não seremos julgados. Mesmo que tenhamos nosso inimigo à altura de nossa mão, jamais façamos justiça com nossas mãos, pois nós todos somos enviados, como Davi, como sinais de amor de Cristo que nos amou até o fim (Jo 13,1). O juízo corresponde a Deus. Deus tem paciência conosco e retarda seu juízo até o final de nossa vida. Amemos, portanto, nossos irmãos como nós temos amados por Deus.


Da parte de David, a capacidade de perdoar é uma grande lição para nós. Todos nós temos ocasiões em que nos sentimos ofendidos. Podemos adotar uma posição de vingança mais ou menos declarada, ou optar pelo perdão, sabendo como se encaixar com a humildade o que tem sido ofendido.


No NT, Cristo nos ensina que seus seguidores devem perdoar até setenta vezes sete. Pedro teve que pedir a devolução da espada à bainha, porque não é com a violência que as coisas sejam resolvidas.


Por parte de Saul, podemos ver-nos refletidos em seus altos e baixos de humor e nessa sensação tão humana de inveja e de ciúme quando outros têm melhores qualidades do que nós. Oxalá que não seja esse o caso. Mas também podemos aprender com Saul que, quando chega o momento, ele sabe reconhecer seus próprios fracassos e volta atrás.


Será que somos pessoas que guardam rancores? Ou somos capazes de desfazer a espiral de violência e vingança? Jesus disse: Bem-aventurados os misericordiosos, os pacíficos. E Jesus nos deu o exemplo, quando ele morreu na cruz, perdoando aqueles que o levaram à morte (Lc 23,34).


O Evangelho e Suas Lições Para Nós


conhecemos a chamada de Simão (Pedro), André, Tiago e João. Jesus os escolheu para convertê-los em pescadores de homens (cf. Mc 1,16-20). Em seguida, chamou Levi (Mc 2,13-14). No evangelho de hoje Marcos nos narra a instituição solene dos Doze. A eleição se faz entre os discípulos. Trata-se de um grupo que se distancia do grupo. Este grupo é chamado Apóstolos. São doze discípulos. Eles são testemunhas oculares de toda a vida de Jesus, são fundamento de nossa , pois estão unidos a Cristo pedra angular (Ef 2,20). E essa pedra angular faz visível no ministério de Pedro (cf. Mt 16,18-19).


1. É Preciso Vivermos Os Valores Cristãos Para Ter Ampla Visão Sobre a Tudo Na Vida


Para a instituição dos Doze, Jesus escolheu um monte, um lugar solitário. É mesma coisa que ele fez quando terminou a jornada entusiasta em Cafarnaum (Mc 1,35), e depois que ele curou muitas pessoas: se retirou. Mas agora, Jesus não está . Seus discípulos estão com ele.


Jesus subiu ao monte”. Um monte é expressão da proximidade com Deus, e é cenário das grandes revelações divinas (cf. Ex 19,20; 24,12; Nm 27,12; Dt 1,6-18). Monte é o lugar das grandes decisões, um lugar solitário propício para a oração, um lugar de amplos horizontes de onde se longe.


Jesus nos ensina a aprendermos a ampliar nosso horizonte. Para isso, temos que ter coragem de subir, de sair de nosso canto de sempre, sem medo. É aprender a ver a vida de maneira multiangular.  O conservador não tem futuro porque não aceita novidade e teme por aquilo que é novo. Mas o mundo continua mudando. O amor nos leva a termos uma visão ampla sobre o mundo, as pessoas, a vida e seus acontecimentos. Um coração que ama é capaz de penetrar até o âmago das coisas e chega até Deus. O amor nos assemelha com Deus, poisDeus é amor” (1Jo 4,8.16). “Quanto mais amas, mais alto tu sobes”, dizia Santo Agostinho. Quanto mais alto subimos, mais coisas nós veremos. O topo de uma montanha amplia nossa visão e vemos mais coisas.


2. A Vocação Pertence Ao Senhor: Características Da Vocação Do Senhor


Jesus chamou os que ele quis”. Esta frase mostra que uma das características da vocação é a vontade soberana do Senhor. Ele chama os que ele quer.  A vocação é a do Senhor. Alguém pode querer ser discípulo íntimo do Senhor, mas tem que reconhecer que a vocação está na soberania do Senhor. Alguém pode estudar o curso de direito, por exemplo, mas não adianta se não tem vocação para ser advogado.


E eles foram até Jesus”. A segunda característica dessa vocação é a proximidade com Jesus. É viver na intimidade de Jesus, é pertencer a seu grupo. É refletir, rezar e trabalhar com Jesus. Quando Jesus estiver ausente fisicamente, um dia, eles terão que representá-Lo, fazê-Lo presente no mundo. O discípulo é o prolongamento do Senhor neste mundo. Jesus falará e agirá no mundo através de cada discípulo. Para isso, o discípulo precisa manter o contato com Jesus espiritualmente para que as mensagens não sejam manipuladas pelo interesse próprio.


 3. Para Ser Apóstolo É Preciso Estar, Primeiro, Com o Senhor


O evangelista Marcos sublinha, no seu relato, a finalidade da chamada ou da vocação dos Doze: para estar com Jesus. “Jesus designou Doze, para que ficassem com ele”. Depois para enviá-los a pregar, com autoridade para expulsar os demônios”.


Isto quer nos dizer que aquele que quer ser discípulo ou aquele que quer ser enviado deve ter, primeiro, uma experiência pessoal com o Senhor, poisNão existe discípulo superior ao mestre, nem servo superior ao seu senhor” (Mt 10,24). O enviado deve conviver com Aquele que o envia e saber quais são Seus planos, Seus projetos, isto é, conhecer o plano de salvação de Deus sobre a humanidade para depois o enviado levar o mesmo adiante.


Não somente conhecer a vontade de Deus, mas reconhecer que ele mesmo é objeto dessa vontade salvífica. Conseqüentemente, ele não apenas desempenhará o papel como profeta (que anuncia e denuncia), mas também como testemunha do amor e da misericórdia de Deus. Quem vai em Nome de Jesus, não somente participa de Sua missão, mas também de Seu poder para vencer o mal. Assim, o enviado se converterá em prolongamento de Jesus na historia. Ele será o memorial do Senhor que continua salvando, libertando o homem de suas escravidões.


Aquele que não entrar numa relação de intimidade com o Senhor não pode sentir-se autorizado a proclamar o Evangelho de salvação aos demais, pois não são os meios humanos ou recursos puramente humanos e sim o Espírito Santo é que dá a eficácia necessária ao anúncio do Evangelho para que se converta em Palavra de Salvação para o mundo. A partir de viver unidos a Jesus Cristo pela , poderemos ver com Seus olhos o mundo e sua história.


Marcos resume em três pontos o discipulado: Estar com Jesus, Anunciar o Reino e Expulsar demônios.


Em primeiro lugar, compartilhar a vida com Jesus significa aprender diretamente de seu comportamento o queque fazer. Estar com Jesus não é simplesmente aprender o que ele fez para repeti-lo. Significa algo mais: adquirir seus critérios para ter a liberdade de fazer novas coisas, as que exigem cada tempo, cada lugar, cada cultura, cada nova história, porém sempre de acordo com o critério de Jesus.


Em segundo lugar, há que dizer que o seguimento de Jesus não está pensado somente da individualidade. Trata-se de um projeto de humanização queque compartilhar com outros, que deve ser anunciado. Para isso, há que romper fronteiras e enfrentar novas circunstâncias histórico-culturais. A lista dos que “estiveram com Jesus” se abre com Pedro e se fecha com Judas. Pedro representa fidelidade apesar das fraquezas. Judas representa infidelidade. Pedro e Judas, símbolos de fidelidade e infidelidade, resumem a historia da Igreja e a historia pessoal de cada discípulo. O importante é que não cerremos nossa relação com Jesus com uma traição.


Em terceiro lugar, Jesus dá aos discípulos o poder de expulsar demônios. Esta figura tem uma carga teológica - cultural. Demônio era o símbolo onde se acumulava o negativo da história: enfermidade, injustiça, pecado, o poder de expulsar demônios não deve ser visto tanto como poder de fazer milagres e exorcismos e sim como a capacidade de humanizar o ser humano para aproximá-lo ao desenho original de ser a imagem mais fiel de Deus Pai.


Os Doze cumpriram sua missão. Por causa dos missionários conhecemos Jesus. Não podemos deixar morrer na nossa mão está missão. Precisamos ser discípulos-missionários do Senhor.
P. Vitus Gustama,svd