quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

 20/01/2017
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SER APÓSTOLO DO SENHOR

Sexta-Feira da II Semana Do Tempo Comum

Primeira Leitura: Hb 8,6-13

Irmãos, 6 agora, Cristo possui um ministério superior. Pois ele é o mediador de uma aliança bem melhor, baseada em promessas melhores. 7 De fato, se a primeira aliança fosse sem defeito, não se procuraria estabelecer uma segunda. 8 Com efeito, Deus adverte: “Dias virão, diz o Senhor, em que concluirei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma nova aliança. 9 Não como a aliança que eu fiz com os seus pais, no dia em que os conduzi pela mão para fazê-los sair da terra do Egito. Pois eles não permaneceram fiéis à minha aliança; por isso, me desinteressei deles, diz o Senhor. 10 Eis a aliança que estabelecerei com o povo de Israel, depois daqueles dias – diz o Senhor: porei minhas leis na sua mente e as gravarei no seu coração, e serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. 11 Ninguém mais ensinará o seu próximo, e nem o seu irmão, dizendo: ‘Conhece o Senhor!’ Porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior. 12 Porque terei misericórdia das suas faltas, e não me lembrarei mais dos seus pecados”. 13 Assim, ao falar de nova aliança, declarou velha a primeira. Ora, o que envelhece e se torna antiquado está prestes a desaparecer.

Evangelho: Mc 3,13-19

Naquele tempo, 13Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram até ele. 14Então Jesus designou Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar, 15com autoridade para expulsar os demônios. 16Designou, pois, os Doze: Simão, a quem deu o nome de Pedro; 17Tiago e João, filhos de Zebedeu, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizerFilhos do trovão”; 18André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o cananeu, 19e Judas Iscariotes, aquele que depois o traiu.
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Nova Aliança Escrita No Nosso Coração Selada Pelo Sangue de Jesus Cristo

A Primeira Leitura faz uma comparação entre a antiga aliança e a nova aliança. Segundo o autor da Carta, a antiga aliança era imperfeita; a nova é perfeita.

A antiga aliança é imperfeita porque “eles não permaneceram fiéis à minha aliança; por isso, me desinteressei deles, diz o Senhor”. Tudo em uma aliança radica na palavra “fidelidade para duas partes. Em cada aliança é necessária uma vigilância permanente. Destruída a fidelidade, nada fica de aliança. Não podia fazer nada diante do problema da infidelidade. Somente podia assinalar e condenar o mal, mas não curar as feridas que causa. Na infidelidade, o encanto de uma aliança e sua força se perdem, ou seja, uma vez descoberta uma infidelidade, a aliança perde seu encanto, mesmo que aquele que foi infiel tenha se arrependido, pois as marcas da ferida causadas pela infidelidade ficam. Mas quando se ama profundamente, a fidelidade nada custa. Fidelidade surge quando alguém se compromete com os valores. Trata-se da fidelidade para si próprio antes de ser fiel para o outro. Se alguém não for fiel a si próprio e para os valores, não será fiel para o outro.

A aliança nova é perfeita, pois no pacto novo, selado no sangue de Jesus Cristo, encontramos uma resposta ao problema da infidelidade humana. Jesus Cristo é o espelho da fidelidade em quem podemos nos espelhar. O profeta Jeremias citado aqui pelo autor da Carta aos hebreus já tinha explicado veladamente: “porei minhas leis na sua mente e as gravarei no seu coração, e serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Ninguém mais ensinará o seu próximo, e nem o seu irmão, dizendo: ‘Conhece o Senhor!’ Porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior” (Jr 31,33-34).

A nova aliança é perfeita porque está escrita “no coração”. Por isso, não é um preceito externo que tenha que ser intimidado por uma pressão externa ou por uma exortação contínua. A aliança nova impulsiona interiormente e transforma o próprio ser. Diante desta novidade maravilhosa podemos entender porque a anterior aliança se diz: “Se Deus fala de uma aliança nova é que ele declara antiquada a precedente. Ora, o que é antiquado e envelhecido está certamente fadado a desaparecer” (Hb 8,13).

Na Eucaristia recebemos “o sangue da Nova e eterna Aliança”. Não somente cremos em Cristo, mas participamos da vida que nos comunica, primeiro em sua Palavra e logo no Sacramento de seu Copo e seu Sangue. Consequentemente, ao longo da jornada supõe-se que vivamos segundo o espírito desta Nova Aliança; supõe-se que sejamos fieis aos valores que Jesus Cristo nos transmitiu; supõe-se que sejamos vida para os demais a exemplo do próprio Jesus Cristo; supõe-se que sejamos capazes de perdoar não somente nosso próximo e sim até os nossos inimigos (cf. Lc 23,34). A final, supõe –se que sejamos outro Cristo neste mundo. Somente assim teremos mais credibilidade como cristãos nas nossas palavras, pois pregamos com nossa própria vida. Se pregarmos com nossa vida tudo que Jesus Cristo nos ensinou, até nossas palavras as pessoas vão entender.

Instituição Dos Doze Na Nova Aliança

conhecemos a chamada de Simão (Pedro), André, Tiago e João. Jesus os escolheu para convertê-los em pescadores de homens (cf. Mc 1,16-20). Em seguida, chamou Levi (Mc 2,13-14). No evangelho de hoje Marcos nos narra a instituição solene dos Doze. A eleição se faz entre os discípulos. Trata-se de um grupo que se distancia do grupo. Este grupo é chamado Apóstolos. São doze discípulos. Eles são testemunhas oculares de toda a vida de Jesus, são fundamento de nossa , pois estão unidos a Cristo pedra angular (Ef 2,20). E essa pedra angular faz visível no ministério de Pedro (cf. Mt 16,18-19).

1. É Preciso Vivermos Os Valores Cristãos Para Ter Ampla Visão Sobre a Tudo Na Vida

Para a instituição dos Doze, Jesus escolheu um monte, um lugar solitário. É mesma coisa que ele fez quando terminou a jornada entusiasta em Cafarnaum (Mc 1,35), e depois que ele curou muitas pessoas: se retirou. Mas agora, Jesus não está . Seus discípulos estão com ele.

Jesus subiu ao monte”. Um monte é expressão da proximidade com Deus, e é cenário das grandes revelações divinas (cf. Ex 19,20; 24,12; Nm 27,12; Dt 1,6-18). Monte é o lugar das grandes decisões, um lugar solitário propício para a oração, um lugar de amplos horizontes de onde se longe.

Jesus nos ensina a aprendermos a ampliar nosso horizonte. Para isso, temos que ter coragem de subir, de sair de nosso canto de sempre, sem medo. É aprender a ver a vida de maneira multiangular.  O conservador não tem futuro porque não aceita novidade e teme por aquilo que é novo. Mas o mundo continua mudando. O amor nos leva a termos uma visão ampla sobre o mundo, as pessoas, a vida e seus acontecimentos. Um coração que ama é capaz de penetrar até o âmago das coisas e chega até Deus. O amor nos assemelha com Deus, poisDeus é amor” (1Jo 4,8.16). “Quanto mais amas, mais alto tu sobes”, dizia Santo Agostinho. Quanto mais alto subimos, mais coisas nós veremos. O topo de uma montanha amplia nossa visão e vemos mais coisas.

2. A Vocação Pertence Ao Senhor: Características Da Vocação Do Senhor

Jesus chamou os que ele quis”. Esta frase mostra que uma das características da vocação é a vontade soberana do Senhor. Ele chama os que ele quer.  A vocação é a do Senhor. Alguém pode querer ser discípulo íntimo do Senhor, mas tem que reconhecer que a vocação está na soberania do Senhor. Alguém pode estudar o curso de direito, por exemplo, mas não adianta se não tem vocação para ser advogado.

E eles foram até Jesus”. A segunda característica dessa vocação é a proximidade com Jesus. É viver na intimidade de Jesus, é pertencer a seu grupo. É refletir, rezar e trabalhar com Jesus. Quando Jesus estiver ausente fisicamente, um dia, eles terão que representá-Lo, fazê-Lo presente no mundo. O discípulo é o prolongamento do Senhor neste mundo. Jesus falará e agirá no mundo através de cada discípulo. Para isso, o discípulo precisa manter o contato com Jesus espiritualmente para que as mensagens não sejam manipuladas pelo interesse próprio.

 3. Para Ser Apóstolo É Preciso Estar, Primeiro, Com o Senhor

O evangelista Marcos sublinha, no seu relato, a finalidade da chamada ou da vocação dos Doze: para estar com Jesus. “Jesus designou Doze, para que ficassem com ele”. Depois para enviá-los a pregar, com autoridade para expulsar os demônios”.

Isto quer nos dizer que aquele que quer ser discípulo ou aquele que quer ser enviado deve ter, primeiro, uma experiência pessoal com o Senhor, poisNão existe discípulo superior ao mestre, nem servo superior ao seu senhor” (Mt 10,24). O enviado deve conviver com Aquele que o envia e saber quais são Seus planos, Seus projetos, isto é, conhecer o plano de salvação de Deus sobre a humanidade para depois o enviado levar o mesmo adiante.

Não somente conhecer a vontade de Deus, mas reconhecer que ele mesmo é objeto dessa vontade salvífica. Conseqüentemente, ele não apenas desempenhará o papel como profeta (que anuncia e denuncia), mas também como testemunha do amor e da misericórdia de Deus. Quem vai em Nome de Jesus, não somente participa de Sua missão, mas também de Seu poder para vencer o mal. Assim, o enviado se converterá em prolongamento de Jesus na historia. Ele será o memorial do Senhor que continua salvando, libertando o homem de suas escravidões.

Aquele que não entrar numa relação de intimidade com o Senhor não pode sentir-se autorizado a proclamar o Evangelho de salvação aos demais, pois não são os meios humanos ou recursos puramente humanos e sim o Espírito Santo é que dá a eficácia necessária ao anúncio do Evangelho para que se converta em Palavra de Salvação para o mundo. A partir de viver unidos a Jesus Cristo pela , poderemos ver com Seus olhos o mundo e sua história.

Marcos resume em três pontos o discipulado: Estar com Jesus, Anunciar o Reino e Expulsar demônios.

Em primeiro lugar, compartilhar a vida com Jesus significa aprender diretamente de seu comportamento o queque fazer. Estar com Jesus não é simplesmente aprender o que ele fez para repeti-lo. Significa algo mais: adquirir seus critérios para ter a liberdade de fazer novas coisas, as que exigem cada tempo, cada lugar, cada cultura, cada nova história, porém sempre de acordo com o critério de Jesus.

Em segundo lugar, há que dizer que o seguimento de Jesus não está pensado somente da individualidade. Trata-se de um projeto de humanização queque compartilhar com outros, que deve ser anunciado. Para isso, há que romper fronteiras e enfrentar novas circunstâncias histórico-culturais. A lista dos que “estiveram com Jesus” se abre com Pedro e se fecha com Judas. Pedro representa fidelidade apesar das fraquezas. Judas representa infidelidade. Pedro e Judas, símbolos de fidelidade e infidelidade, resumem a historia da Igreja e a historia pessoal de cada discípulo. O importante é que não cerremos nossa relação com Jesus com uma traição.

Em terceiro lugar, Jesus dá aos discípulos o poder de expulsar demônios. Esta figura tem uma carga teológica - cultural. Demônio era o símbolo onde se acumulava o negativo da história: enfermidade, injustiça, pecado, o poder de expulsar demônios não deve ser visto tanto como poder de fazer milagres e exorcismos e sim como a capacidade de humanizar o ser humano para aproximá-lo ao desenho original de ser a imagem mais fiel de Deus Pai.

Os Doze cumpriram sua missão. Por causa dos missionários conhecemos Jesus. Não podemos deixar morrer na nossa mão está missão. Precisamos ser discípulos-missionários do Senhor.  Jesus chamou os Doze não pelo mérito nem por sua conduta nem por suas condições pessoais. O Senhor chamou a Seu serviço e para Suas obras as pessoas com virtudes e qualidades desproporcionadamente pequenas para o que realizaram com a ajuda divina. O Senhor nos chama  também para que continuemos sua obra redentora no mundo e não podemos ficar desanimados com nossas fraquezas. O Senhor pede nossa boa vontade e o resto o próprio Senhor vai nos completar.
 
P. Vitus Gustama,svd
19/01/2017
 

ESTAR COM JESUS NA LUTA CONTRA A FORÇA DESTRUIDORA DA HUMANIDADE

Quinta-Feira Da II Semana Do Tempo Comum

Primeira Leitura: Hb 7,25–8,6

Irmãos, 25 Jesus é capaz de salvar para sempre aqueles que, por seu intermédio, se aproximam de Deus. Ele está sempre vivo para interceder por eles. 26 Tal é precisamente o sumo sacerdote que nos convinha: santo, inocente, sem mancha, separado dos pecadores e elevado acima dos céus. 27 Ele não precisa, como os sumos sacerdotes, oferecer sacrifícios em cada dia, primeiro por seus próprios pecados e depois pelos do povo. Ele já o fez uma vez por todas, oferecendo-se a si mesmo. 28 A Lei, com efeito, constituiu sumos sacerdotes sujeitos à fraqueza, enquanto a palavra do juramento, que veio depois da Lei, constituiu alguém que é Filho, perfeito para sempre. 8,1 O tema mais importante da nossa exposição é este: temos um sumo sacerdote tão grande, que se assentou à direita do trono da majestade, nos céus. 2 Ele é ministro do Santuário e da Tenda verdadeira, armada pelo Senhor, e não por mão humana. 3 Todo sumo sacerdote, com efeito, é constituído para oferecer dádivas e sacrifícios; portanto, é necessário que tenha algo a oferecer. 4 Na verdade, se Cristo estivesse na terra, não seria nem mesmo sacerdote, pois já existem os que oferecem dádivas de acordo com a Lei. 5 Estes celebram um culto que é cópia e sombra das realidades celestes, como foi dito a Moisés, quando estava para executar a construção da Tenda. “Vê, faze tudo segundo o modelo que te foi mostrado sobre a montanha”. 6 Agora, porém, Cristo possui um ministério superior. Pois ele é o mediador de uma aliança bem melhor, baseada em promessas melhores.

Evangelho: Mc 3,7-12

Naquele tempo, 7Jesus se retirou para a beira do mar, junto com seus discípulos. Muita gente da Galileia o seguia. 8E também muita gente da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, do outro lado do Jordão, dos territórios de Tiro e Sidônia, foi até Jesus, porque tinham ouvido falar de tudo o que ele fazia. 9Então Jesus pediu aos discípulos que lhe providenciassem uma barca, por causa da multidão, para que não o comprimisse. 10Com efeito, Jesus tinha curado muitas pessoas, e todos os que sofriam de algum mal jogavam-se sobre ele para tocá-lo. 11Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés, gritando: “Tu és o Filho de Deus!” 12Mas Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era.
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Jesus Cristo Intercede Por Nós Quando Nos Aproximamos de Deus

O texto da Primeira Leitura de hoje constitui o final da demonstração da superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio levítico na Carta aos hebreus diante do sacerdócio levítico.

A lista que apresenta os contrastes com os sacerdotes levíticos é largo: eles eram muitos, homens imperfeitos, caducos, de sacerdócio efêmero, temporal, pecadores, obrigados antes a oferecer por seus próprios pecados, com sacrifícios diários e repetidos, incapazes de salvar.

Diante deles Jesus Cristo é sacerdote único, Filho de Deus e perfeito, incontaminado, e sem necessidade de oferecer por seus pecados, mas que se oferece a si mesmo pelos demais, tem um sacerdócio perpetuo, está sempre vivo para intercede e é, portanto, capaz de salvar os que, por ele, se aproximam de Deus.

Além disso, o texto da Primeira Leitura quer sublinhar, particularmente, que Jesus não depende de Levi e sim que ele pertence à ordem de Melquisedec (Sl 109(110) e que seu sacerdócio se apóia em sua qualidade de Filho e de Senhor (Sl 2,7) e que está de acordo com o “juramento” de Deus” (Hb 7,20-22). E este juramento é feito não nas promessas a Abraão e sim na promessa do Sl 109(110),4 citado por quatro vezes em Hb 7. O juramento de Deus e a qualidade de Filho e de Senhor (ressuscitado) tornam o sacerdócio de Cristo é eterno e conseqüentemente é superior ao sacerdócio levítico.

Como Senhor, Jesus nos abre a porta do céu de par em par, de maneira definitiva. Está sempre vivo para interceder por nós. Sua ressurreição é a garantia da eternidade de sua missão a respeito de nós. Jesus não deixa de orar, de suplicar ao Pai do céu por nós, por mim, por você e por todos os homens: “Jesus é capaz de salvar para sempre aqueles que , por seu intermédio, se aproximam de Deus. Ele está sempre vivo para interceder por eles” (Hb 7,25). É uma formula admirável que poderíamos saborear durante o dia. Todos nós temos o desejo de descobrir Deus, de ver Deus. Este mundo está sendo transformado, divinizado, porque Jesus é o sacerdote que mantém seu oferecimento eterno diante do Pai pela salvação de todo mundo.

Jesus é perfeito como perfeito é o sacerdócio que exerce. Ele não tem pecado nem há nele nada inconveniente ou impuro, pois está elevado por acima do céu. Sendo como imortal (eterno), Cristo intercede sempre diante do Pai em favor daqueles que se aproximam de Deus por meio dele: “Temos um grande Sumo-sacerdote que penetrou nos céus, Jesus, Filho de Deus... Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e achar a graça de um auxilio oportuno” (Hb 4,14.16; cf. 1Jo 2,1). Portanto, o sacerdócio de Cristo é perfeito e suficiente para alcançar a salvação daqueles que recorrem a Ele.

Não nos esqueçamos do convite do autor da Carta aos hebreus: “Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e achar a graça de um auxílio oportuno! Jesus é capaz de salvar para sempre aqueles que, por seu intermédio, se aproximam de Deus”.

O Bem Praticado Nos Protege Da Tentação Do Poder

E também muita gente da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, do outro lado do Jordão, dos territórios de Tiro e Sidônia, foi até Jesus, porque tinham ouvido falar de tudo o que ele fazia” (Mc 3,8).

Segundo Marcos muitas pessoas foram ao encontro de Jesus pela seguinte razão: “Ao ouvir o que ele fazia”. Não diz queao ouvir o que ele dizia” e sim “o que ele fazia”. O que Jesus fazia se fazia ouvir. Sua prática fazia ruído. Suas obras para o bem das pessoas são gritantes. Provavelmente o que dizia corria de boca em boca, porque sua palavra era concreta, referida à prática. Ele acolhe e procura o bem para todos, sem exceção. Seu dizer, seguramente, também era uma forma de fazer. Dizer e fazer, simultaneamente, como formas de práticas para Jesus. Seu fazer ultrapassa sempre seu dizer.

Mesmo que se torne popular e bem conhecido por seu fazer, Jesus não se embriaga do fervor popular, de aplausos, de triunfalismos e de vanglorias. Por isso é que ele sempre se retira da multidão para manter contato com seu Pai para não cair na egolatria, no egoísmo e no egocentrismo. O Reino de Deus é sempre o centro de sua atividade.

momentos, na nossa vida, nos quais a única forma de dizer é fazer. E há também momentos, é verdade, queformas de dizer que são mais eficazes que muitas formas de fazer. Jesus, em todo caso, foi sempre orientado à prática, à construção do reino de Deus, à obra de dignificação de pessoas: com sua palavra, com testemunho pessoal e com ações concretas de libertação. Por isso, com Jesus tudo pode mudar para melhor. É como se nascesse de novo. Ele cura. Nas primeiras ginas do evangelho ele é chamado de “o Salvador”, o que dá a saúde de corpo e de alma. Jesus sente o sofrimento dos homens. A compaixão move seu coração. Em Jesus se um sentido para a dor.

Quando um cristão fizer mais o bem do que apenas falar do bem Jesus faz presente e o bem praticado faz ruído ao redor mesmo que aquele que o pratica não diga nada. O bem praticado e vivido proclama por si próprio. O bem praticado se torna pregador por aquele que o pratica. O bem praticado sempre atrai parceiros. Que nossa maneira de viver possa fazer ruído não pelo mal que cometemos, mas pelo bem que praticamos silenciosamente.

Estamos neste mundo com o único objetivo: fazer o bem e por isso, nós não podemos deixar de fazer o bem em qualquer oportunidade. Mas é fácil ser pego na armadilha de pensar que o dia de hoje não importa muito, pois ainda temos outros dias pela frente. Mas uma grande vida não é nada mais que uma seqüência de dias bem vividos, amarrados juntos como um belo colar de pérolas. Cada dia é importante e contribui para a qualidade do resultado final. O passado se foi, o futuro existe na nossa imaginação e, portanto, o dia de hoje é tudo o que cada um tem. Precisamos usá-lo sabiamente para o bem. Nossa vida não é um ensaio. As oportunidades perdidas raramente voltam.

Mas precisamos superar permanentemente a tentação contra o poder, a egolatria, isto é, fazer as coisas em função do próprio ego e não em função do bem de todos. É preciso nos mantermos em contato com Deus, o Único que nos salva. Por isso, precisamos imitar e olhar para Jesus que sempre procura o contato com Deus toda vez que a multidão quer fazer dele um rei. O mundo, ao contrário, aproveita qualquer momento de popularidade para o benefício próprio a custo da maioria que vive em miséria.  Como seguidores de Cristo precisamos olhar para nossa vida ou nossa maneira de viver para saber onde estamos a fim de saber se estamos no caminho de Cristo ou não.

A Humanidade Faz Caravana Ao Encontro De Deus

Muita gente da Judéia, de Jerusalém, da Idumeia, do outro lado do Jordão, dos territórios de Tiro e Sidônia, foi até Jesus...”, relatou evangelista Marcos.

Santa Teresa de Ávila dizia: “Quero ver Deus”. Todos nós temos o mesmo desejo, como a multidão da Judéia, de Jerusalém, da Idumeia, de Tiro, de Sidônia e de outros territórios quis ir até Jesus.

A humanidade é uma imensa caravana que caminha para chegar até Deus, pois somente n’Ele se encontra o sentido de sua existência e a plenitude de sua vida. Mas no fundo ela, por si própria, é incapaz de abrir o caminho, pois a humanidade tem experiência de seus pecados, de suas dificuldades de amar e de rezar. Jesus, como o Caminho por excelência (cf. Jo 14,6), ao entrar no céu com sua humanidade (Mc 16,19; Lc 24,51; At 1,9-10) facilita a humanidade a entrar com Ele (cf. Jo 14,2-6). Jesus nos abre a porta do céu definitivamente.

Com Jesus venceremos a Força Destruidora

Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés, gritando: “Tu és o Filho de Deus!”.  Mas Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era”. É interessante observar que não é a multidão que faz a exclamação de que Jesus é “Filho de Deus” e sim são os possessos, isto é, as forças do mal. Diante de Jesus que é mais forte do que qualquer força do mundo, por serFilho de Deus”, as forças do mal não aceitam ser reduzidas no seu poder, embora se trate de um poder destruidor do ser humano. Por isso, elas protestam contra Jesus, o Filho de Deus. A presença de Jesus desmascara as forças do mal que até então dominavam o ser humano, especialmente os mais fracos. Mas diante de Jesus e na Sua presença a força do mal perde seu poder e sua força. Não é por acaso que a multidão sempre vai atrás de Jesus, pois estar com Jesus significa estar com a força das forças.

Vale a pena para nós também estarmos com Jesus, pois Ele é a força de nossas forças e a vida de nossas vidas. Através do evangelista João Jesus nos recorda com as seguintes palavras: “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: Eu venci o mundo!” (Jo 16,33b).

Pedimos ao Senhor que nos a força ou capacidade para lutarmos contra o mal sob todas as suas formas: a enfermidade, a ignorância, a fome, o ódio, a indiferença, a desigualdade, a violência, a intolerância, a solidão, o pecado e outras forças destruidoras da humanidade.

 
P. Vitus Gustama,svd

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

18/01/2017
jesus-cura-a-un-tullido-en-sabado

SALVAÇÃO DO HOMEM ESTÁ ACIMA DA LEI E DA CRENÇA

Quarta-Feira da II Semana do Tempo Comum

Primeira Leitura: Hb 7,1-3.15-17

Irmãos, 1 Melquisedec, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, saiu ao encontro de Abraão, quando esse regressava do combate contra os reis, e o abençoou. 2 Foi a ele que Abraão entregou o dízimo de tudo. E o seu nome significa, em primeiro lugar, “Rei de Justiça”; e, depois: “Rei de Salém”, o que quer dizer, “Rei da Paz”.  3 Sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem início de dias, nem fim de vida! É assim que ele se assemelha ao Filho de Deus e permanece sacerdote para sempre. 15Isto se torna ainda mais evidente quando surge um outro sacerdote, semelhante a Melquisedec, 16não em virtude de uma prescrição de ordem carnal, mas segundo a força de uma vida imperecível. 17Pois diz o testemunho: “Tu és sacerdote para sempre na ordem de Melquisedec”.

Evangelho: Mc 3,1-6

Naquele tempo, 1Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. 2Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. 3Jesus disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!”  4E perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Mas eles nada disseram. 5Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; e disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu e a mão ficou curada. 6Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo.
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Jesus É o eterno Sacerdote da Justiça e da Paz

Os capítulos 5-7 da Carta aos hebreus são dedicados ao tema do sacerdócio. No texto de hoje Jesus é apresentado como “sacerdote para sempre na ordem de Melquisedec’”. Por isso, é superior ao sacerdócio judaico. O autor da Carta encontra no AT um texto que lhe permite falar da superioridade do sacerdócio de Cristo: “Iahweh jurou e jamais desmentirá: ‘Tu és sacerdote para sempre na ordem de Melquisedec’’” (Sl 110,4).

Melquisedec é um personagem bíblico que foi Rei-Sacerdote de Salém na época patriarcal. A Bíblia menciona este personagem somente três vezes: Gn 14,18; Sl 110,4 e Hb 5-7. Este personagem misterioso saiu ao encontro de Abraão para abençoá-lo, quando voltou do combate contra os reis (Gn 14). Melquisedec tem várias características que fazem seu sacerdócio distinto do sacerdócio da tribo de Levi:

·        Ele não tem genealogia: não se fala quem são seus pais.
·        Não se indica o tempo do seu início nem seu fim. Isto aponta para um sacerdócio duradouro.
·        Ele é rei de Salém que significa “rei da paz”.
·        O nome de Melquisedec significa “justiça”.
·        Ele é sacerdote na época patriarcal, antes da constituição do sacerdócio da tribo de Levi.

Todas estas características são aplicadas a Cristo para indicar sua superioridade sobre os sacerdotes do Templo (sacerdotes judaicos). Jesus Cristo é Sacerdote, segundo a Carta aos hebreus, mas não conforme as categorias dos judeus. Ele tem genealogia humana, mas, sobretudo, Ele é Filho de Deus. Ele não tem princípio nem fim, pois Ele é eterno (cf. Ap 1,8). Por causa da vinda de Jesus Cristo para este mundo, todos nós temos possibilidade de nos tornar eternos. É Ele quem traz a verdadeira paz e justiça (cf. Jo 14,27). Melquisedec aparece, então, como figura e profecia de Jesus Cristo, o verdadeiro Sacerdote que Deus enviou na plenitude dos tempos.

Quando dizemos: “Tu és sacerdote para sempre na ordem de Melquisedec’” para Cristo, o que quer se enfatizar é a singularidade de Jesus Cristo em sua missão de Mediador entre Deus e a humanidade. Jesus é o Filho de Deus e o Irmão dos homens. Como o Filho de Deus, Ele nos traz a salvação, o perdão, a Palavra de vida eterna. Como o Irmão dos homens, Ele leva a Deus nossos agradecimentos, nossos pedidos, nossas oferendas. Assim temos acesso à comunhão de vida com Deus. Toda bênção, toda palavra, todo perdão recebemos de Deus por Ele, com Ele e Nele. Assim como todo nosso agradecimento e louvor sobem ao Pai por Ele, com Ele e Nele assim também todas as nossas orações nós dirigimos ao Deus, por Jesus Cristo, Nosso Senhor.

Em Cristo Jesus, Sacerdote eterno, nós temos a salvação e a fonte de vida eterna. Nele fica apagada nossa culpa. Nele nós também participamos da vida divina e somos apresentados ao Deus Pai como filhos seus. Não é a Lei que nos tornar um povo sacerdotal ou que alguns são sacerdotes ordenados, pois a Lei é somente uma porta que se abre para que nos encontremos com Cristo e estejamos unidos a Ele plenamente. Esforcemo-nos em viver conforme a vida de Cristo para que sejamos construtores da justiça e da paz neste mundo. Acreditar e seguir a Jesus Cristo significa ser pessoa de justiça e de paz.

O nome Melquisedec “significa, em primeiro lugar, ‘Rei de Justiça’; e, depois: ‘Rei de Salém’, o que quer dizer, ‘Rei da Paz’”, escreveu o autor da Carta aos hebreus. Somos seguidores do Rei de justiça e do Rei da Paz que é Jesus Cristo. Creio que uma vida só pode chegar a sua plenitude, se a enchermos de um série de certezas ou convicções profundas. No fundo tudo se reduz a uma questão de amor: amar e ser amado cujo resultado é viver na justiça e na paz com os irmãos. Do contrário, somente há sempre o mesmo resultado: destruição, sofrimento, opressão, injustiça, deslealdade, traição, exploração, corrupção, desonestidade e assim por diante.

Jesus Veio Em Função Da Salvação Do Homem

O Reino de Deus propõe a reconstrução do ser humano de modo integral (de dentro e de fora). Nos evangelhos se simbolicamente que esta reconstrução vai sucedendo gradualmente: uma vez, a cura de sua vista, outra vez, de sua mão, ou transformar suas ações ressuscitar quem se encontra morto. Por isso, para Jesus deixar de fazer o bem no dia de sábado, negando uma cura para um pobre que necessita é pecar. Assim, a dinâmica do Reino também é exigente: se não reconstruirmos o homem, estaremos colaborando na sua destruição.

Continuamos ainda a acompanhar a controvérsia entre Jesus, de um lado, e os fariseus e os escribas, de outro lado. O tema da controvérsia ainda está em torno da observância do preceito de Sábado. Novamente Jesus quer manifestar sua convicção de que a lei do sábado está a serviço do homem e não o contrário. Por isso, diante de seus inimigos que espiam suas atuações Jesus cura o homem do braço paralisado. E Jesus o fez provocativamente dentro de uma sinagoga no dia de sábado.

O que tem o valor supremo: a lei ou o bem do homem e a glória de Deus? Esta é a questão nessa controvérsia. Em sua luta contra a mentalidade legalista dos fariseus, ontem Jesus disse: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado”. Hoje Jesus aplica o principio para um caso concreto contra a interpretação que alguns faziam que preocupados mais com uma lei minuciosa do que com o bem das pessoas, sobretudo, com os que sofrem.

É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?”. Essa foi a pergunta de Jesus aos fariseus.

Como sabemos que o Sábado era um dos preceitos divinos mais claros e mais indiscutíveis. O Sábado era uma espécie de documento de identidade do Povo eleito. Sua observância estava rigidamente regulada. Algumas exceções eram admitidas por motivos de particular gravidade. Por exemplo, era permitido salvar a vida com a fuga, ajudar um homem em perigo ou uma mulher com dores de parto ou em caso de incêndio e assim por diante. Porém, de qualquer forma tratava-se sempre de exceções a uma regra.

Para Jesus, ao contrario, o que muda é a regra. A lei, sim, mas o legalismo, não. A lei é uma necessidade. Porém, atrás de cada lei deve respirar amor e respeito ao homem concreto. Atrás da letra está o espírito e o espírito deve prevalecer sobre a letra. Para Jesus o bem do homem está acima da observância do Sábado, e isso, não somente em caso de perigo de morte, mas em qualquer situação. “Portanto, é licito fazer o bem também no Sábado” (Mt 12,12b). Jesus proclama, assim, o valor absoluto do amor. Jesus recorda a todos que para Deus o mais importante é o homem, o bem do homem e não a regra por regra ou lei por lei. Não somente salvar a vida do homem e sim simplesmente fazer o bem a ele. A lei suprema da Igreja de Cristo são as pessoas, a salvação das pessoas. Se não a Igreja perderia sua razão de existir. A glória de Deus está sempre e unicamente no bem do homem. Não se trata de exaltar o homem constituindo-lhe centro das coisas. Mas trata-se de conhecer mais fundo o coração de Deus que ama o homem a ponto de enviar seu Filho unigênito a fim de que o homem seja salvo (Jo 3,16). O poder de Deus se manifesta no amor e nisto está sua honra. Para Jesus a observância do Sábado deve celebrar esse amor fraterno e não desmenti-lo nem negá-lo. Assim, mais uma vez, Jesus quer manifestar sua maneira de viver de que a lei do sábado está a serviço do homem e não o contrário.

“Havia, na Sinagoga, um homem com a mão seca. ‘Estende a mão’, disse Jesus. O homem com a mão seca a estendeu e a mão ficou curada”, assim relatou o evangelista Marcos.

Na antropologia bíblica, a mão está carregada de simbolismo. A mão está ligada à idéia de força e de poder. Estar na mão do outro significa estar sob o seu poder. A mão direita era sinal de força, de sabedoria e de fidelidade. Como rezamos no Credo: Jesus “ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus; está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso...”. Isto quer dizer que Jesus mostrou sua fidelidade à vontade de Deus Pai até o fim. a mão esquerda era sinal de fraqueza, de ignorância e de desgraça.

O homem do texto do evangelho de hoje está com a mão seca. É um homem sem iniciativa e incapaz de lutar por seus direitos, e por isso, é uma vitima da desumanização. Jesus é Deus que salva. Por isso, ele toma iniciativa para curar o homem a fim de humanizá-lo novamente. Com a mão curada, o homem volta a ter aptidão para fazer o bem. Ao colocar o homem no meio das pessoas, Jesus quer recordar a todos que qualquer pessoa deve ser respeitada, protegida, defendida, levada em consideração acima de qualquer lei por sagrada que ela pareça ser e acima de qualquer crença. Toda religião deve se preocupar com a salvação do homem e não com a salvação de umas regras.

Jesus quer nos relembrar que nenhuma religião ou nenhuma prática religiosa pode impedir o encontro fraterno e a vivência do amor e do respeito mútuos nem pode impedir serviço solidário. Ao contrário, os que praticam religião devem ter cada vez a sensibilidade humana, devem ser mais humanos e irmãos para com os demais. A passagem para chegar ate Deus passa necessariamente pelo irmão. O próximo é a passagem obrigatória para chegar ao céu. Qualquer um pode não encontrar Deus, mas não tem como não se cruzar com o próximo. O próximo é ocasião de salvação para mim como também sou uma ocasião de salvação para o outro. No sentido bíblico, será que minha mão, sua mão está paralisada? O que deve se fazer para deixar de ficar paralisada?

P. Vitus Gustama,svd