sexta-feira, 26 de maio de 2017

Domingo,28/05/2017

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ASCENSÃO DO SENHOR AO CÉU


Primeira Leitura: At 1,1-11


1 No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo, 2 até o dia em que foi levado para o céu, depois de ter dado instruções pelo Espírito Santo, aos apóstolos que tinha escolhido. 3 Foi a eles que Jesus se mostrou vivo, depois de sua paixão, com numerosas provas. Durante quarenta dias apareceu-lhes falando do Reino de Deus. 4 Durante uma refeição, deu-lhes esta ordem: “Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual vós me ouvistes falar: 5 ‘João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias’”. 6 Então os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: “Senhor, é agora que vais restaurar o Reino de Israel?” 7 Jesus respondeu: “Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com sua própria autoridade. 8Mas recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria, e até os confins da terra”. 9 Depois de dizer isso, Jesus foi levado ao céu, à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo. 10 Os apóstolos continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apareceram então dois homens vestidos de branco, 11 que lhes disseram: “Homens da Galileia, por que ficais aqui parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”.


Segunda Leitura: Ef 1,17-23


Irmãos: 17 O Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer. 18 Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos, 19 e que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente. 20 Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, 21 bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania, ou qualquer título que se possa mencionar, não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. 22 Sim, ele pôs tudo sob seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a Cabeça da Igreja, 23 que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal.


Evangelho: Mt 28,16-20


Naquele tempo, 16 os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. 17 Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram. 18 Então Jesus aproximou-se e falou: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. 19 Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20 e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”.
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Certos teólogos e Padres da Igreja, baseando-se sobre Jo 20,19-23 (Tertuliano, Hipólito, Eusébio, Atanásio, Ambrósio e Jerônimo) concordam que a ascensão de Jesus acontece simultaneamente com a ressurreição. O dia da Páscoa, por isso, não é somente o dia da ressurreição, mas também o dia da ascensão. Esta ideia durou até o fim do século IV. Celebrava-se no assim chamado “Pentecostes”, que durava desde a Páscoa até o dia de Pentecostes, num período festivo de cinquenta dias, a ressurreição, a ascensão e a missão do Espírito Santo como um único mistério festivo. A Igreja primitiva tinha bastante consciência da unidade íntima da ressurreição, ascensão e missão do Espírito Santo. Só a partir do século V (ou no fim do século IV), baseia-se sobre o relato lucano, é que começou a existir uma festa da ascensão no quadragésimo dia após a Páscoa e Pentecostes separadamente como hoje temos costume de celebrar (para ter uma visão maior sobre esse assunto veja Gerhard Lohfink, A Ascensão de Jesus, Paulinas,1977).


Por isso, afirmar que Jesus “subiu ao céu” (1Pd 3,22) ou “foi exaltado na glória” (1Tm 3,16) é exatamente a mesma coisa que afirmar que ele “ressuscitou”, que foi glorificado, que entrou na glória de Deus. A Ascensão do Senhor não foi uma viagem interplanetária. Não houve nenhum deslocamento no espaço. A ascensão significa a caminhada de Jesus que vai da morte à glória do Pai, caminhada que para nós é invisível e incompreensível. Não é uma caminhada como as que conhecemos pela nossa experiência aqui na terra. Não se pode fixá-lo no tempo, nem medir sua distância, nem se pode dizer se vai nesta ou naquela direção. Tempo, distância, direção, tudo isso vale para as nossas caminhadas terrenas. A caminhada de Jesus até a glória do Pai realiza-se na ressurreição. A ascensão é um evento pascal.


A festa da Ascensão nos dá a oportunidade de reacender cada dia com nova luz a maior das certezas de nossa vida: Jesus está vivo e está conosco todos os dias com seu poder (Mt 28,20). Jesus não foi para um outro lugar, mas permanece na companhia de cada um de nós. Com a Ascensão a sua presença não ficou limitada, mas se multiplicou. Por isso, a nossa esperança não está perdida no espaço, mas baseia-se na confiança depositada na lealdade de um Deus, “o qual faz viver os mortos e chama à existência as coisas que não existem” (Rm 4,17). O Deus da vida é fiel aos homens. Se este é o destino de todo o homem, a morte já não inspira medo. Jesus a transformou num nascimento para a vida com Deus. Todo aquele que tem essa esperança não se deixa ficar olhando para o céu, como fizeram os apóstolos naquele dia, mas, ao contrário, traduz esta esperança em empenho e testemunho.


Outros pontos de nossa reflexão sobre a festa da Ascensão do Senhor:


1. Enquanto o evangelista Lucas mostra Jesus caminhar quase constantemente até Jerusalém para culminar ali sua Páscoa, o evangelista Mateus faz o os discípulos de Jesus “sair” de Jerusalém para centrarem sua missão na Galileia que Jesus lhes confia. Com isso, o evangelista Mateus quer enfatizar que o Templo e a Cidade santa de Davi, Jerusalém, perderam seu significado e que somente Jesus é o Novo Templo, e que o Ressuscitado é o centro de tudo.


2. “Homens da Galileia, por que ficais aqui parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”. É o recado de dois anjos para os discípulos. “Por que ficais aqui parados, olhando para o céu?”. Há aqui uma forma de luta de Cristo contra a tentação que os discípulos experimentam na sua missão: omissão diante da realidade que necessita de uma recuperação. Submergir-se na realidade do mundo, anunciar o Reino, proclamar ao mundo Jesus Cristo como Ressuscitado é a missão dos discípulos. Nenhum cristão, nenhum discípulos do Senhor tem direito de tirar da fé seu caráter de comunicável. Mesmo que seja difícil o testemunho, ninguém pode iludir-se. Crer em Jesus Cristo é ter consciência de ser testemunha enviada pelo Senhor. A fé, ao ser vivida, se faz testemunho. Basta viver a fé, essa vivência se transforma em testemunho, mesmo que, quem a vive, não fale nenhuma palavra, mas o modo de viver de acordo com os ensinamentos de Jesus Cristo já é um grande testemunho.


O olhar que dirigimos ao mundo pode converter-se em chamamento. Nosso mundo de hoje é mais propenso ao lamento que ao compromisso, pois é mais fácil e simples queixar-se do que remediar algo. É mais fácil criticar de longe do que oferecer solução inserindo-se na realidade necessitada de um remédio.


Diante da tentação de ficar-se extasiado (como aconteceu também no monte Tabor durante a transfiguração), agora o mandato é premente: “Sereis minhas testemunhas” para que “ao nome de Jesus todo joelho se dobre nos céus, sobre a terra e debaixo da terra, e que toda língua proclame que o Senhor é Jesus Cristo para a glória de Deus Pai” (Fl 2,10-11).


A celebração da Ascensão do Senhor urge-nos a passar da comodidade (comodismo) dos bons sentimentos à realidade dos fatos, mesmo chegando a complicar nossa vida por amor de Cristo e dos irmãos mais necessitados. Somente assim cumpriremos como discípulos de Jesus a tarefa de tornar real em nosso mundo Cristo, nossa esperança e salvação.


3. Jesus subiu aos céus e está sentado à direita de Deus, Pai Todo-poderoso: “Quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim” (Jo 12,32). A elevação na Cruz significa e anuncia a elevação na Ascensão ao céu. É seu começo. Jesus Cristo, o único Sacerdote da Aliança nova e eterna não “entrou num santuário feito por mão humana, réplica do verdadeiro, e sim no próprio céu, a fim de comparecer, agora, diante da face de Deus a nosso favor” (Hb 9,24).


4. Precisamos Adorar O Nosso Senhor E Mais Nada


No encontro os discípulos reconheceram Cristo imediatamente e prostraram-se diante de Jesus para adorá-lo, demonstrando sua fé nele como Filho de Deus.


A palavra “adoração” indica o gesto de submissão dos discípulos que se dispõem a escutar as ordens do Ressuscitado. Ao nascer Jesus foi adorado pelos magos (Mt 2,11), no ministério público ele foi adorado pelos próprios discípulos e enfermos, e na ascensão Jesus recebeu a mesma adoração dos discípulos (Mt 28,17). Ao prostrarem-se diante de Jesus, agora eles o adoram não somente como o Senhor dos elementos, mas também o Senhor deles e o Senhor do mundo. A adoração presta-se somente a uma divindade. E Jesus é Deus: “No princípio era o Verbo e o Verbo era Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,1.14).


Neste mundo não faltam aqueles que se consideram “Senhores”, pois têm poder na mão, mas que são criaturas limitadas em todos os sentidos. E muitas vezes nós mesmos adoramos a estes senhores ou somos obrigados a adorá-los porque escondemos, por trás disso, algum interesse. Muitas vezes temos mais medo deles do que do próprio Deus que vai julgar todo mundo. A partir da linguagem bíblica e do sentido da palavra “adoração”, precisamos respeitar qualquer autoridade, mas não para adorá-la, pois a adoração presta-se apenas a uma divindade. Quando começarmos a adorar qualquer criatura, seremos idólatras e nossa vida vai cair no nada, pois aquele que está cheio de criatura está vazio de Deus, e aquele que está cheio de Deus porque está vazio de criatura. Será que esse mesmo Jesus continua sendo o Senhor de nossa vida e de nossas decisões e o ponto de referência de nossos atos? Ou adoramos outros deuses, outros senhores ou criaturas?


5. O Poder de Jesus Sobre o Céu e a Terra


Jesus recebeu todo o poder no céu e sobre a terra. Ao falar do poder de Jesus que ele recebeu, devemos estar conscientes de que a verdadeira natureza do poder de Cristo, não é um exercício de dominação sobre os homens, mas como uma capacidade operativa de proclamar as exigências da vontade de Deus, de libertar os pecadores da escravidão do seu passado de culpa, de romper os grilhões dos prisioneiros das forças diabólicas da morte e da destruição, de denunciar as religiões feitas de hipocrisia e de interesse. Em outras palavras, é um poder de realizar o Reino de Deus no mundo.


Existe um poder que destrói e existe também um poder que cria. O poder que cria dá vida, gozo e paz. É liberdade e não escravidão, vida e não morte, transformação e não coerção. O poder que cria restaura relacionamentos e concede dom da integridade a todos. O poder que cria é o poder que procede de Deus cuja marca é o amor. E o amor exige que o poder seja usado para o bem de todos. Em Cristo, o poder é usado para destruir o mal de forma que o amor possa redimir o bem. O poder que cria produz união. Para criar essa união é preciso ouvir juntos à voz do Senhor em nossos lares, em nossas igrejas, em nossos negócios, em nossas comunidades, em nossos encontros etc..


Ao contrário disso, nada é mais perigoso do que o poder a serviço da arrogância. A arrogância nos faz pensar que estamos certos e os outros estão errados. O único que está certo é Jesus Cristo. O restante de nós precisa reconhecer suas próprias fraquezas e fragilidades e buscar aprender através da correção dos outros. Se não o fizermos, o poder pode conduzir pelo caminho de destruição. O poder destrutivo destrói relacionamentos, a confiança, o diálogo e a integridade.


6.   A Partir Da Ascensão Tudo Nesta Vida É Passageira


Tudo o que acontece nesta terra é provisional: os fracassos, os sofrimentos, as tristeza e assim por diante. Também todas as alegrias que existem neste mundo são provisionais: os momentos que gostaríamos eternizar. Não existe lugar definitivo aqui neste mundo. O lugar definitivo não está aqui. Também nossos bens, tudo o que possuímos é provisional. Não poderemos levar nada conosco. Tudo o que não partilhamos com os outros perdemos. Tudo o que guardamos para nós somente, tudo o que intentamos conservar com nossas próprias forças, se desfazer em nossas mãos. Tudo o que conservamos com carinho, tudo o que consideramos mais valioso de nossa vida, o perderemos se não pusermos ao serviço dos irmãos: bens materiais, tempo, conhecimento.


Nossa vida sobre a terra deve ser uma constante Ascensão, isto é, deve ser uma constante superação, um progresso, uma maduração. Viver é dar passos adiante, alcançar novas metas, aproximar-se da plenitude. As imagens que indicam as possibilidades da vida humana são a semente que cresce, o caminho a percorrer, a meta a ser alcançada. A vida é um projeto que se vai perfilando, mas que nunca se acaba. Para manter a esperança temos ter sempre presente a meta que queremos alcançar. Ao dizer que Jesus subiu aos céus ou foi levado ao céu, o texto bíblico quer nos dizer que a vida de Jesus alcançou a plenitude, pois ele sempre a viveu em função do bem, da bondade, do amor, da compaixão. A vida de Jesus foi uma vivida em Deus que se traduziu no amor sem limite ao ser humano, especialmente aos necessitados.


7. Deus Está Conosco Todos Os Dias


Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”.


O evangelho de Mateus quer nos transmitir uma certeza de que Jesus é a presença permanente de Deus na vida da humanidade, na vida de cada um de nós. Através da certeza de que Deus está sempre conosco Mateus quer dizer para cada cristão que ninguém tem mais direito de dizer que está só ou solitário, pois Deus veio para ficar com cada um de nós para sempre. Deus nunca deixa de atuar em cada um de nós mesmo quando cada um se encontra no meio da escuridão das dúvidas, no meio das angústias e das provações. Precisamos ouvir no silêncio de nossas orações e meditações o que Jesus nos diz: “Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20). E por nossa vez, devemos passar esta certeza aos demais através de nossa paciência e tranquilidade em encarar a vida e seus acontecimentos. O homem é portador de Deus. A presença divina no outro converte os direitos humanos em direitos divinos.


P. Vitus Gustama,svd

quarta-feira, 24 de maio de 2017

27/05/2017
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A ORAÇÃO NOS APROXAIMA DE DEUS E NOS TORNA ALEGRES


Sábado da VI Semana da Páscoa


Primeira Leitura: At 18,23-28


23 Paulo permaneceu algum tempo em Antioquia. Em seguida, partiu de novo, percorrendo sucessivamente as regiões da Galácia e da Frígia, fortalecendo todos os discípulos. 24 Chegou a Éfeso um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria. Era um homem eloquente, versado nas Escrituras. 25 Fora instruído no caminho do Senhor e, com muito entusiasmo, falava e ensinava com exatidão a respeito de Jesus, embora só conhecesse o batismo de João. 26 Então, ele começou a falar com muita convicção na sinagoga. Ao escutá-lo, Priscila e Áquila tomaram-no consigo e, com mais exatidão, expuseram-lhe o caminho de Deus. 27 Como ele estava querendo passar para a Acaia, os irmãos apoiaram-no e escreveram aos discípulos para que o acolhessem bem. Pela graça de Deus, a presença de Apolo aí foi muito útil aos fiéis. 28 Com efeito, ele refutava vigorosamente os judeus em público, demonstrando pelas Escrituras que Jesus é o Messias.


Evangelho: Jo 16, 23-28


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 23b “Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará. 24 Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa. 25 Disse-vos estas coisas em linguagem figurativa. Vem a hora em que não vos falarei mais em figuras, mas claramente vos falarei do Pai. 26Naquele dia pedireis em meu nome, e não vos digo que vou pedir ao Pai por vós, 27pois o próprio Pai vos ama, porque vós me amastes e acreditastes que eu vim da parte de Deus. 28Eu saí do Pai e vim ao mundo; e novamente parto do mundo e vou para o Pai”.
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É Preciso Cada Cristão Empenhar-se Para o Bem Da Igreja/Comunidade


A Primeira Leitura se concentra em um personagem chamado Apolo. Apolo era um judeu que se formou em Alexandria de Egito e era experto na Escritura (AT). Ele pregou Jesus como Messias, embora ainda fosse discípulo de João Batista.


Lucas disse que Apolo era “um homem eloquente” ou “poderoso”. “Eloquente” ou “poderoso” é um termo retórico para lógica e persuasão. Apolo aprendeu a arte da habilidade nos debates em sua educação secular e usava isso de maneira excelente para ensinar que Jesus era o Messias Prometido. Ele era um judeu-cristão, apologista e debatedor. Ele combinava seu conhecimento vasto sobre o AT com sua educação secular na arte da retórica.


Inicialmente, Apolo pregava na sinagoga de Éfeso, onde foi ouvido por Áquila e Priscila, um casal muito amigo de São Paulo, dois grandes ministros da Igreja primitiva em Corinto. Áquila e Priscila convidaram Apolo para visita-los em Corinto. Nessa época Áquila e Priscila eram o ele entre a comunidade de Éfeso e Corinto. Apolo fortaleceu grandemente a comunidade cristã de Corinto.


Apolo permaneceu algum tempo em Corinto e engajou-se numa obra promissora. Os que converteram por meio do seu ministério, quando começaram a surgir divisões após o retorno dele a Éfeso, viam a si mesmos como pertencentes a Apolo, em termos seculares. Logicamente, os outros se consideravam seguidores de São Paulo. Este problema podemos ler em 1Cor 1-4. Ciúmes e rivalidades entre professores eram exatamente o que mestres e discípulos seculares faziam, com o espirito competitivo, na luta pela reputação de suas escolas e por maior influência nas assembleias políticas (1Cor 3,1.3; Cf. 1Cor,1,11).


Em 1Cor 4,6, São Paulo condena a divisão ou a competição entre ele e Apolo e chama tal atitude de “imatura” e “mundana”. São Paulo revela as funções distintas de cada um, destacando que um plantava e outro regava, cooperando conjuntamente para o crescimento da Igreja/Comunidade, pois apenas Deus pode fazer crescer (1Cor 3,5-6). Tanto São Paulo como Apolo eram de tal estrutura espiritual, que nenhum dos dois reagiu ao jogo de poder dos coríntios, mas continuaram empenhados em prol do bem da Igreja/Comunidade.


O ciúme é tóxico. O ciúme acontece quando sentimos medo de perder algo. Pode-se ter ciúme de uma pessoa amada, do trabalho. Um bebê/criança pode ter ciúme da mãe ou do pai quando estes falam com outras crianças. Pode-se ter ciúme dos amigos. O circuito do ciúme funciona da seguinte maneira: em primeiro lugar, sentir a ameaça. A pessoa ciumenta sente que há um terceiro que pode ser real ou imaginário que vem rouba seu amor, seu trabalho, seu amigo(a). Em segundo lugar, o ciumento gosta de controlar seu parceiro, vigiar, revisar, seguir para descobrir a prova. Em terceiro lugar, o ciumento gosta de proibir seu parceiro, em termos de se vestir, de amizades, e assim por diante. Em quarto lugar, o ciumento é capaz de pedir perdão ao seu parceiro até que apareça um terceiro para voltar tudo outra vez.


A partir da vida de Apolo e São Paulo, será que somos capazes de usar bem nossa capacidade acadêmica para evangelizar os outros ou somente para o uso próprio? Será que se repete nas nossas comunidades, como em Corinto, em que há seguidores de uns sacerdotes e há também seguidores de outros padres? Será que no próprio sacerdote há ciúmes de outro sacerdote? É preciso que cada um se empenhe para o bem da Igreja a exemplo de Apolo e São Paulo.


Rezar Em Nome Do Senhor


Continuamos a acompanhar o discurso de despedida de Jesus de seus discípulos segundo o quarto Evangelho/Evangelho de João (Jo 13-17).


O texto do evangelho de hoje começa com a seguinte expressão: “Em verdade, em verdade vos digo...”. Toda vez que Jesus quer falar algo importante, ele usa essa fórmula solene. Hoje ele fala sobre a importância de fazer a oração com fé, isto é, fazê-la em nome de Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará. Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa”.


Jesus quer que os discípulos façam seus pedidos em seu nome. A expressão “pedir em meu nome” significa pedir na fé em Jesus; significa suplicar ao Pai enquanto discípulo de Jesus mediante a fé que o reconheceu como Filho do Pai. Aqui a oração se torna uma participação no diálogo divino onde a conversa é desprovida de qualquer pretensão, pois a oração é o momento de participação no diálogo divino isto é, no diálogo entre o Filho e o Pai. Para o evangelista João aqui está o sentido da verdadeira oração. Na participação desse diálogo a vontade suprema de Deus ocupa o lugar importante na oração.


Além disso, na participação do diálogo divino percebemos algo importante que Jesus quer nos transmitir: que a oração é a fonte de gozo, de expansão, e de equilíbrio: “pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa”. Orar/rezar é estar na contemplação, no repouso em Deus. Estar na oração é estar no mundo de Deus, tão próximo de nós na oração. Estar no mundo de Deus é estar na alegria plena e na serenidade. A verdadeira oração sempre nos causa alegria e nos dá a serenidade sabendo que Deus nos ama no Filho (Jo 3,16), que ama cada um até o fim (Jo 13,1) Cada um precisa fazer isso permanentemente. É impossível experimentar o mundo divino na oração no lugar dos outros; cada um há que experimentar esse mundo por si mesmo.


“Pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa”. A oração é fonte de gozo, fonte de expansão, fonte de equilíbrio. Rezar é repousar em Deus. Na oração nós nos aproximamos do mundo divino para iluminar nosso mundo de cada dia. É preciso rezarmos permanentemente para que nossa alegria seja completa e permanente. Até agora Jesus nos indica o caminho para chegar à nossa alegria plena: através do amor fraterno (cf. Jo 15,9-11) e através da oração (Jo 16,24). Orar e amar permanentemente nos mantém na alegria plena.


Na oração não há distância entre nós e Deus. A distância é abolida. Na oração, entre o mundo invisível e o mundo visível não há muros de separação. A oração faz com que a terra se aproxima do céu, a humanidade se une à divindade. Na oração há uma comunicação direta entre quem reza e Deus. Da terra sobem sem cessar orações de amor e de fé. E do céu descem sem cessar graças e palavras divinas de amor. Na oração nossa fé no amor de Deus por nós aumenta, pois mesmo que façamos nossos pedidos a Deus erradamente, Deus sempre dá algo corretamente pela nossa salvação. Deus atende aquilo que nos salva. Porém, temos que estar conscientes de que sempre que nós rezamos de verdade, a nossa oração é eficaz, não porque modificamos Deus, mas porque nos modificamos. O mais difícil da oração não é tanto saber se Deus nos escuta, mas conseguirmos que nós O escutemos.


Orar ou rezar é como entrar na esfera de Deus. De um Deus que quer nossa salvação, pois já nos ama antes de nos dirigirmos a Ele, como quando tomamos o sol que já estava brilhando. Ao entrarmos em sintonia com Deus, por meio de Cristo e seu Espírito, nossa oração coincide com a vontade salvadora de Deus e nesse momento nossa oração já é eficaz.


“Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará”. Na oração entramos nas profundezas de Deus e nos deixamos envolver pelo mistério da Santíssima Trindade. Na fé cristã a oração é sempre trinitária, pois se dirige ao Pai no Espírito através do Filho. É do Pai que vem o dom pelo Filho no Espírito Santo. A oração é o momento e o acontecimento trinitário.


Jesus veio do mundo divino/celeste onde reina o amor que nos envolve inteiramente: “Eu saí do Pai e vim ao mundo; e novamente parto do mundo e vou para o Pai”.  É o mundo em que as relações entre as Pessoas (Santíssima Trindade) são totalmente satisfatórias, profundas e perfeitas. É o mundo onde o amor é rei e faz todos felizes. Jesus veio para nos revelar quem é nosso Deus? Deus é Pai, Deus é amor, Deus nos ama.


Portanto, para que nossa alegria seja completa e nossa felicidade seja plena temos que aprender a amar e a orar permanentemente. Amamos os outros para que nos tornemos divinos. O divino nos dá a alegria, pois o divino nos salva. E “só se ama verdadeiramente o próximo quando se ama a Deus no próximo, seja porque Deus já vive nele, seja para que Deus viva nele. Isto é amor” (Santo Agostinho: Serm. 336,1,1). Oramos para que estejamos na esfera divina e consequentemente, nossa alegria será completa. Quer ser alegre? Ame e reze permanentemente!


Senhor, preciso de ti para não me apoiar nas muletas que limitam a liberdade, nem em algo que hoje me estimula e amanhã me prostra até o pó e lama. Abre-me o coração ao teu projeto e dá-me força para encaixá-lo em minha vida. Que assim seja!


P. Vitus Gustama,svd

26/05/2017
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TRISTEZA SE TRANSFORMA EM ALEGRIA NA COMPONHIA DO SENHOR


Sexta-Feira da VI Semana da Páscoa


Primeira Leitura: At 18,9-18


Estando Paulo em Corinto, 9 uma noite, o Senhor disse-lhe em visão: “Não tenhas medo; continua a falar e não te cales, 10 porque eu estou contigo. Ninguém te porá a mão para fazer mal. Nesta cidade há um povo numeroso que me pertence”. 11 Assim Paulo ficou um ano e meio entre eles, ensinando-lhes a Palavra de Deus. 12 Na época em que Galião era procônsul na Acaia, os judeus insurgiram-se em massa contra Paulo e levaram-no diante do tribunal, 13 dizendo: “Este homem induz o povo a adorar a Deus de modo contrário à Lei”. 14 Paulo ia tomar a palavra, quando Galião falou aos judeus, dizendo: “Judeus, se fosse por causa de um delito ou de uma ação criminosa, seria justo que eu atendesse a vossa queixa. 15 Mas, como é questão de palavras, de nomes e da vossa Lei, tratai disso vós mesmos. Eu não quero ser juiz nessas coisas”. 16 E Galião mandou-os sair do tribunal. 17 Então todos agarraram Sóstenes, o chefe da sinagoga, e espancaram-no diante do tribunal. E Galião nem se incomodou com isso. 18 Paulo permaneceu ainda vários dias em Corinto. Despedindo-se dos irmãos, embarcou para a Síria, em companhia de Priscila e Áquila. Em Cencréia, Paulo rapou a cabeça, pois tinha feito uma promessa.


Evangelho: Jo 16,20-23


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20“Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. 21A mulher, quando deve dar à luz, fica angustiada porque chegou a sua hora; mas, depois que a criança nasceu, ela já não se lembra dos sofrimentos, por causa da alegria de um homem ter vindo ao mundo. 22Também vós agora sentis tristeza, mas eu hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria. 23aNaquele dia, não me perguntareis mais nada”.
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O Senhor Jamais Abandona Seus Mensageiros


Não tenhas medo; continua a falar e não te cales, porque eu estou contigo. Ninguém te porá a mão para fazer mal”.


Depois de Filipos e Atenas, São Paulo foi para a terceira cidade da Europa que recebeu o Evangelho: Corinto.


Conforme o texto da Primeira Leitura de hoje, em Corinto é que, numa visão noturna, o Senhor falou para São Paulo: “Não tenhas medo; continua a falar e não te cales, porque eu estou contigo”. Em cada Carta, para não dizer em cada capítulo de suas cartas é muito dificilmente não encontrar o nome de Jesus ou algo referente a Jesus. Não era simplesmente uma maneira de falar. A citação do nome de Jesus ou algo referente a Jesus quer nos mostrar que São Paulo e Jesus viviam juntos. Esta união era tão profunda que São Paulo chegou a escrever: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). Jesus e São Paulo continuamente se comunicavam um ao outro. Como São Paulo, os primeiros cristãos estavam convencidos da presença de Cristo e esta convicção constituía sua força. Nas dificuldades cotidianas eles se agarravam nesta certeza. Esta certeza deve servir também a todos nós cristãos.


Com esta visão noturna de São Paulo, Lucas, o autor dos Atos, quer revelar a seus leitores a promessa ou projeto do Senhor: “Não tenhas medo; continua a falar e não te cales, porque eu estou contigo”.


As palavras que o Senhor disse a São Paulo, numa visão noturna, são palavras que mais vezes se escutam tanto no AT como no NT, dirigidas às pessoas das quais Deus escolheu para ser testemunhas no mundo: “Não temas!”. Ouviram o próprio Moisés e Jeremias e a Virgem Maria, e agora São Paulo.


Paulo como os antigos profetas escolhidos por Deus para efetuar uma missão no certo momento em que se encontravam os profetas, pode encarar as resistências e perseguições com coragem e liberdade porque o “Senhor está com ele”. Isto quer nos dizer que quando fizermos a vontade de Deus, quando vivermos de acordo com os ensinamentos de Jesus Cristo, podemos ter certeza de que não vamos lutar sozinhos e sim com Jesus Cristo. E “Se Deus é por nós, quem será contra nós? .... Nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor”, escreveu São Paulo aos romanos (Rm 8,31.38-39).


“Não tenhas medo; continua a falar e não te cales, porque eu estou contigo”. Temos direito de desconfiar na Palavra de Deus? Temos direito de ficar desanimados porque nos aparece que nossa sociedade está desordenada, sem justiça social e cheia de corrupção?


Quem Acredita Em Deus Seu Sofrimento Será Transformado Em Alegria


Continuamos acompanhando o longo discurso de despedida de Jesus de seus discípulos no evangelho de João (Jo 13-17). Como qualquer despedida, o tom é sempre melancólico. Mas em cada despedida há sempre as últimas recomendações ou lições dadas ou deixadas por aquele que vai partir para que os que ficam não vivam desamparados ou desorientados.


E o texto do evangelho de hoje nos fala da vida como ela é. O sofrimento e a dor, a alegria e a tristeza, o sucesso e o fracasso, o nascimento e a morte, o sorriso e o choro moram no mesmo homem. O famoso escritor libanês, Khalil Gibran, escreveu no seu livro O Profeta:Quando estiverdes alegres, olhai no fundo de vosso coração, e achareis que o que vos deu tristeza é aquilo mesmo que vos está dando alegria. E quando estiverdes tristes, olhai novamente no vosso coração e vereis que, na verdade, estais chorando por aquilo mesmo que constituiu vosso deleite... A alegria e a tristeza vêm sempre juntas; e quando uma está sentada à vossa mesa, lembrai-vos de que a outra dorme em vossa cama”.


Dentro dos sofrimentos e das alegrias ou com eles, nós crescemos ou avançamos na vida. Até se soubermos aproveitá-los o nosso crescimento fica acelerado e nossa maturidade nos aproxima bem cedo. Eles fazem parte de ingredientes para saborear a vida na sua plenitude, como cada rosa que tem seus espinhos, mas os espinhos não tiram a beleza de uma rosa. Todo sofrimento por amor nos faz crescer na nossa maturidade. O filósofo romano, Epicteto escreveu: “Cada dificuldade na vida nos oferece uma oportunidade para nos voltarmos para dentro de nós mesmos e recorrermos aos nossos recursos interiores escondidos ou mesmo desconhecidos. As provações que suportamos podem e devem revelar-nos quais são as nossas forças... Você possui forças que provavelmente desconhece” (Arte de Viver, p.37, Sextante: Rio de Janeiro,2000). 


E a Palavra de Deus veio certamente para despertar essa força misteriosa que temos dentro de nós para superar as nossas “paralisias”.


Jesus anuncia para os discípulos sua morte iminente como uma partida para o Pai (Jo 16,5). Consequentemente, os discípulos ficarão tristes por causa da ausência física de Jesus. Mas Jesus afirma que a tristeza dos discípulos é apenas uma passagem. Ele evoca a imagem de uma mulher parturiente: “A mulher, quando deve dar à luz, fica angustiada porque chegou a sua hora; mas, depois que a criança nasceu, ela já não se lembra dos sofrimentos, por causa da alegria de um homem ter vindo ao mundo”. Na Bíblia as dores do parto caracterizam um “castigo” terrível (Gn 3,16; Jr 4,31; 6,24; 13,21). No entanto, são as únicas dores que têm um sentido porque trazem uma nova vida ao mundo. Para os discípulos os sofrimentos são de caráter passageiro, pois sofrem em nome de Jesus que é a vida de suas vidas (Jo 14,6; 11,25), como uma mãe parturiente que sofre em nome de uma vida que está para vir ao mundo. Trata-se, paradoxalmente, de um sofrimento que tem sabor de alegria ou uma dor fecunda.


Para quem está com o Senhor os sofrimentos desta vida não são sofrimentos de agonia e sim são sofrimentos de parto que conduzem à vida, são sofrimentos fecundos que fertilizam nossa vida de salvação. Com o Senhor e no Senhor todo sofrimento é fecundo. Com o Senhor cada sofrimento faz nascer uma nova visão cada vez maior sobre a vida que vivemos. Se o coração se alegra, se alegra todo o homem desde sua raiz mais profunda.


E Jesus promete aos discípulos: “Ninguém vos poderá tirar a vossa alegria”. Trata-se da alegria que nunca se acaba, da alegria eterna. É a promessa daquele que venceu a morte. As tristezas de cada dia podem acontecer, as tribulações podem nos cercar, mas nada nem ninguém possa nos tirar do caminho da Vida e do amor de Cristo por nós (cf. Rm 8,35-39). Nossa alegria nasce da serena certeza de que somos queridos do Senhor infinitamente, amados em todas as nossas limitações e fraquezas. É a alegria de saber que nossa vida tem sentido e tem futuro. Por isso, a falta de alegria profunda, no fundo, é sinal da falta de fé, sinal da falta de profundidade na vida de fé. Um cristão triste é, verdadeiramente, um triste cristão.


De início, o sofrimento nos parece sempre grande demais. Porém, o sentido de qualquer sofrimento é levar-nos ao nosso limite para nos fazer descobrir novas forças.   Aprendamos da mulher-mãe da qual fala o evangelho de hoje. Nela concorrem sucessivamente tristeza-dor e triunfante alegria, porque o dom da maternidade é muito grande. Assim também nós, filhos e filhas de Deus, discípulos e discípulas de Cristo, caminharemos da provação-sofrimento-tristeza para a alegria-consolo, fecundidade do gozo no Espírito de Deus. A força de Deus é tal que é capaz de nos encher de serenidade e confiança, enquanto a provação, ao contrário, tenta nos impor um sentimento de fracasso e o desejo de perecer.


Tenhamos confiança; o Senhor sempre está conosco. O Senhor quer que através de cada um de nós surja uma nova humanidade onde haja menos dor, menos pobreza, menos tristeza, menos angústia, menos exploração dos menos favorecidos, menos injustiças sociais, menos vícios que minem a saúde das pessoas e a paz familiar. O Senhor continua nos enviando para que possamos gerar uma autêntica alegria cristã. Mas temos que estar conscientes de que para gerar um homem novo e renovado nos custará grandes sofrimentos, perseguições e incompreensões. Na vida o que é valioso custa muito. Não há nada que seja valioso que seja dado de graça. Ninguém cresce sem aprender a morrer de muitas coisas na vida. Mas o Senhor quer que sejamos fortes, valentes, seguros e que confiemos n’Ele e caminhemos atrás de suas pegadas. E quem crê em Jesus Cristo deve ser o primeiro em trabalhar pelo bem de todos.


Ninguém vos poderá tirar a vossa alegria” é a Palavra do Senhor hoje para todos nós. Para isso, temos que viver de acordo com os ensinamentos de Cristo que se resumem no amor fraterno, pois quem ama o próximo, não vai fazer mal contra ele. A vivência do amor fraterno nos traz uma alegria plena, pois trata-se de estar com o Deus de amor (cf. Jo 15,9-11). Além disso, o segredo desta alegria plena está na seguinte oração: “Inspirai, ó Deus, as nossas ações e ajudai-nos a realizá-las, para que em Vós comece e termine aquilo que fizermos” (Coleta/oração do dia da Quinta-Feira após as Cinzas).


Vamos tentar descobrir a seguinte verdade: O modo como você começa seu dia determina o modo como você passará o restante dele. Os seus primeiros trinta minutos depois de acordar são os minutos mais importantes e valiosos do dia porque têm uma enorme influência na qualidade de cada minuto que segue. Tenha apenas pensamentos puros e conceba apenas coisas boas para que seu dia tenha uma continuidade maravilhosa. Seja simples porque a simplicidade é a virtude dos sábios, e a sabedoria dos santos. Não pense no mal para que o mal não pense em você. Mas pense no bem para que o bem pense em você. “Contemple o bem, e persiga-o, como se não pudesse alcançá-lo; contemple o mal e evite-o, como evitaria colocar a mão em água fervente” (Confúcio: Aforismos de Confúcio).


Então, comece bem seu dia e você nunca mais será o mesmo. Além disso, pela comunhão, Cristo morto e ressuscitado se faz nossa força para passar triunfalmente pelo sofrimento que encontramos na vida como ele próprio venceu a morte.


P.Vitus Gustama, SVD

terça-feira, 23 de maio de 2017

25/05/2017
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Observação: Você encontra nesta página duas reflexões: Uma é partir da leitura do dia para os lugares que celebram a Ascensao do Senhor no próximo Domingo. Outra, uma pequena reflexao sobre a Ascensão para os lugares onde a festa da Ascensão do Senhor é celebrada na quinta-feira que é hoje (25/5/2017)
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Resultado de imagem para vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria”.
DEUS CONTINUA A ESTAR CONOSCO ATÉ O FIM


Quinta-Feira da VI Semana da Páscoa


Primeira Leitura: At 18,1-8


Naqueles dias, 1 Paulo deixou Atenas e foi para Corinto. 2 Aí encontrou um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, que acabava de chegar da Itália, e sua esposa Priscila, pois o imperador Cláudio tinha decretado que todos os judeus saíssem de Roma. Paulo entrou em contato com eles. 3 E, como tinham a mesma profissão – eram fabricantes de tendas –, Paulo passou a morar com eles e trabalhavam juntos. 4 Todos os sábados, Paulo discutia na sinagoga, procurando convencer judeus e gregos. 5 Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, Paulo dedicou-se inteiramente à Palavra, testemunhando diante dos judeus que Jesus era o Messias. 6 Mas, por causa da resistência e blasfêmias deles, Paulo sacudiu as vestes e disse: “Vós sois responsáveis pelo que acontecer. Eu não tenho culpa; de agora em diante, vou dirigir-me aos pagãos”. 7 Então, saindo dali, Paulo foi para a casa de um pagão, um certo Tício Justo, adorador do Deus único, que morava ao lado da sinagoga. 8 Crispo, o chefe da sinagoga, acreditou no Senhor com toda a sua família; e muitos coríntios, que escutavam Paulo, acreditavam e recebiam o batismo.


Evangelho: João 16, 16-20


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 16“Pouco tempo ainda, e já não me vereis. E outra vez pouco tempo, e me vereis de novo”. 17 Alguns dos seus discípulos disseram então entre si: “O que significa o que ele nos está dizendo: ‘Pouco tempo, e não me vereis, e outra vez pouco tempo, e me vereis de novo’, e: ‘Eu vou para junto do Pai? ’”. 18 Diziam, pois: “O que significa este pouco tempo? Não entendemos o que ele quer dizer”. 19 Jesus compreendeu que eles queriam interrogá-lo; então disse-lhes: “Estais discutindo entre vós porque eu disse: ‘Pouco tempo e já não me vereis, e outra vez pouco tempo e me vereis?’ 20 Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria”.
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É Preciso Ser Colaborador Da Palavra de Deus Para Que Todos Conheçam o Caminho Da Salvação


O texto da Primeira Leitura se encontra no conjunto dos relatos da Terceira e última viagem missionária de Paulo (At 18,1-19,20). Nesta terceira viagem missionária a concentração recai sobre dois centros urbanos: o Corinto na Grécia e Éfeso, na Ásia Menor. Estas duas cidades são centros internacionais que se caracteriza pela riqueza de seu comercio e a vitalidade cultural e religiosa.


Em Corinto Paulo se encontrará com a autoridade central romana, o procônsul Galião (At 18,12-17) através do qual o cristianismo receberá um reconhecimento público, graças a este procônsul. A fundação da comunidade de Corinto para São Paulo é um posto estratégico avançado para o desenvolvimento posterior no mundo ocidental cuja capital é Roma. Corinto é uma cidade muito importante da Grécia e a sede do governador romano. Nesta cidade internacional (Corinto) São Paulo consegue implantar uma das comunidades cristãs mais vivas e solidas. Os cônjuges Áquila e Priscila, em cuja casa São Paulo se aloja que são colegas de trabalho, se tornarão também os missionários colaboradores de São Paulo na comunidade de Éfeso (cf. At 18,18-19; 1Cor 16,19; Rm 16,3). Em Corinto São Paulo ficou um ano e meio, entre os anos 49 e 51.


Diferentemente de Corinto, em Éfeso, onde se encontram os escritos mágicos, o cristianismo entrará em choque com a ambiguidade religiosa (At 19,11-20). Geralmente, onde há ambiguidade religiosa, há também o sincretismo. O sincretismo é uma confluência de vários elementos religiosos heterogêneos (divindades, doutrinas, ritos, etc.), sua incorporação a uma forma religiosa distinta da sua procedência e seu desenvolvimento conjunto. Muitas vezes, essa assimilação de diversos elementos religiosos pela nova religião é uma prática com fins oportunistas, isto é, praticar duas religiões simultaneamente para ficar bem com as duas. Portanto, há ausência de uma posição precisa. Por exemplo, uma pessoa vai a Igreja por medo do inferno. Mas ela tem que praticar alguns ritos culturais para que os antepassados não fiquem com raiva dela quando não lhes der alguma oferenda.


Nestes ambientes novos São Paulo vai descobrindo novos métodos para evangelizar. Ele prega não somente no local religioso (sinagoga), mas também no local “profano”, aberto para todos.


É impressionante a habilidade de São Paulo em ter e criar colaboradores na evangelização. Ele não é um lutador solitário. É por isso que as comunidades sobrevivem, pois as próprias comunidades através de seus líderes criados por São Paulo mantém as comunidade vivas. Não é por acaso que mais tarde São Paulo escreverá aos coríntios: “O corpo não é feito de um só membro, mas de muitos... Há, portanto, muitos membros, mas um só corpo. O olho não pode dizer à mão: ‘Não preciso de você’; e a cabeça não pode dizer aos pés: ‘Não preciso de você’ ... Se um membro sofre, todos os membros participam do seu sofrimento; se um membro é honrado, todos os membros participam de sua alegria. Ora vocês são o corpo de Cristo e são membros dele, cada um no seu lugar” (cf. 1Cor 12,14.20-21.26-27). Dependemos dos outros todos os dias. Sem os outros morreríamos imediatamente. Por natureza o ser humano é um ser vincular; é um ser em relação. Somos o outro dos outros. Não podemos nem conseguimos impedir nossa relação com os demais. É atitude egoísta e ignorante afirmar que não precisamos de ninguém! Essa autossuficiência orgulhosa que queremos ter é sinal de fraqueza, pois sabemos muito bem que somos fortes somente no grupo e com o grupo, na comunidade e com a comunidade. O crescimento da comunidade também depende de mim e de você juntos.


Além disso, São Paulo apesar das contínuas decepções e perseguições, jamais larga sua missão de evangelização. Onde está o segredo de sua perseverança? São Paulo é um homem que se deixa guiar totalmente pelo Espirito de Deus. Viver de acordo com o Espirito de Deus torna São Paulo um homem in cansável na evangelização. Ele chegou a escrever: “Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!” (1Cor 9,16). Um pensador nos deu o seguinte conselho: “Se quiser triunfar na vida, faça de perseverança, a sua melhor amiga; da experiência, o seu sábio conselheiro; da prudência, o seu irmão mais velho, e da esperança, o seu anjo da guarda” (Joseph Addison, um poeta e ensaísta inglês, 1672 -1719).


O Deus Em Quem Acreditamos É o Deus-Conosco!


O texto do evangelho lido neste dia pertence ao conjunto do discurso de despedida de Jesus de seus discípulos no evangelho de João (Jo 13-17). Ao ter consciência de sua iminente partida deste mundo (morte) Jesus dá alguns conselhos para seus discípulos que vão continuar a missão de Jesus como seus enviados ou missionários neste mundo (Jo 20,21).


No texto de hoje Jesus quer transmitir aos discípulos algumas certezas para a caminhada neste mundo. Em primeiro lugar, Jesus afirma conscientemente a certeza do término de sua vida terrena eminentemente. Cada história tem seu início como também tem seu término. Assim também a vida de Jesus na terra. A vida na história tem seu começo, sua duração e também tem seu fim. Para cada ser humano tem seu nascimento, também tem sua morte (cf. Eclesiastes 3,1-8). A idade sempre aumenta em cada segundo, pois o tempo não pára. A idade sempre aumenta e nunca diminui, mas pode também terminar em qualquer segundo. Tudo é para frente. Não há parada, pois a vida nos empurra por dentro. Estamos sempre em permanente viagem ou caminhada, mesmo que estejamos dormindo. Até as palavras ditas passam no tempo ou viram passado em segundos. Cada um vai criar seu caminho e sua própria história neste mundo. E o fim depende das opções feitas entre dois extremos: entre o início e o fim. O espaço dado a mim é o espaço entre o nascimento e a morte. Vou usar este espaço para o bem ou para o mal. Tudo depende de mim. Eu não tenho outro espaço. Além deste espaço (antes do nascimento e depois da morte) não tenho nenhuma competência. A maneira como eu vivo nesses dois extremos vai determinar de que modo vou terminar minha história.


Jesus não somente fala da certeza do término de sua vida terrena, mas também da certeza de sua glorificação ou de sua ressurreição. Por isso, ele afirma: “Eu vou para junto do Pai”. O Deus revelado por Jesus em quem acreditamos é o Deus do bem e por isso, é o Deus da vida que jamais termina (cf. Mt 22,31-32). Praticar o bem, viver o amor fraterno significa viver para sempre. A morte servirá apenas de passagem. “A vida não é tirada, mas transformada”, disse um dos prefácios da missa pelos falecidos.


Por que Jesus tem tanta certeza da comunhão plena com o Pai? Por que essa certeza? Porque a vida de Jesus foi dedicada somente para o bem de todos. Ora, quem se dedica a vida somente para o bem de todos, mesmo sem saber, ele está em plena sintonia com Deus.  A vida de Jesus é vivida de acordo com o Plano ou a vontade de Deus. E a vontade de Deus se resume no amor: “Deus amou tanto o mundo que lhe deu seu Filho para que todo o que nele crer tenha a vida eterna” (Jo 3,16). A partir de Deus o mundo é governado por amor e no amor. A única lei que rege a vida de qualquer cristão é a lei do amor fraterno: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35). O amor é o único meio capaz de convencer e converter até os ateus. Nada compromete tanto como o amor, e ninguém é tão livre como aquele que ama. o amor é que nos leva para junto do Pai celeste. Mas trata-se do amor sem motivo conhecido como ágape, isto é, o amor direcionado somente para o bem sem esperar recompensa de quem é beneficiado por esse amor.


A certeza da comunhão plena com o Pai por ter vivido uma vida de acordo com a lei do amor faz com que Jesus tenha outra certeza: a sua nova presença no meio dos seus discípulos. Por isso, ele afirma: “E outra vez pouco tempo, e me vereis de novo”. O amor possibilita uma presença eterna mesmo que aquele que é amado não esteja presente fisicamente. O amor é eterno, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16), mas as caricaturas do amor não duram. O amor não pode morrer, pois é o nome próprio de Deus. A morte é incapaz de eliminar a morte. Um dia a morte cessará, mas o amor é inextinguível, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). Com a certeza do amor que não morre nós acreditamos que os nossos entes-queridos que nos precederam deste mundo continuam em plena comunhão conosco, com Cristo com sua Igreja que somos todos.


Por causa desse amor eterno é que Jesus nos garante: “Vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria”. A fé não nos faz contornarmos nossa tristeza. A fé nos dá forças para atravessar nossa tristeza com a certeza de que Deus nos ama e nós amamos a Deus e cremos no Seu amor. O encontro do meu amor por Deus e do amor de Deus por mim resulta numa força tremenda capaz de superar aquilo que humanamente é impossível. “Vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria”, garante-nos o Senhor.


Vossa tristeza se transformará em alegria”. Os discípulos experimentaram a inquietude. A mesma inquietude dos primeiros discípulos, que se expressa profundamente nas palavras de Jesus (Jo 16,16) concentra ou resume a tensão de nossas inquietudes de fé, de busca de Deus em nossa vida cotidiana. Como os cristãos do primeiro século, necessitamos experimentar a presença do Senhor em meio de nós para reforçar nossa fé, esperança e caridade. Sem perceber podemos experimentar Deus em toda a beleza, em todo o gesto de amor, no bem praticado, no perdão dado, na pessoa que nos ajuda e nos anima, no coração que sabe amar e perdoar, no palpitar intacto de cada novo ser, na vida que não termina com a morte. Afinal, em tudo que é a expressão do amor, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). Deus nos toca em cada gesto de amor e tocamos ou experimentamos o próprio Deus em cada gesto de amor que praticamos. “Experimentar Deus não é pensar sobre Deus. É sentir Deus a partir do coração puro e da mente sincera. Experimentar Deus é tirar o mistério do universo do anonimato e conferir-lhe um nome, o de nossa reverência e de nosso afeto” (Leonardo Boff).


Vossa tristeza se transformará em alegria” é o recado de Jesus para cada um de nós. Tenhamos certeza dessa palavra, pois ela saiu da boca do Senhor. Deus sempre prepara o melhor no fim para quem é perseverante no bem ou na vivencia do amor fraterno. O vinho melhor aparece no fim (cf. Jo 2,10). Vivamos perseverantes no Senhor para alcançar, no fim, algo melhor ou maravilhoso para nossa vida e salvação!


P.Vitus Gustama, SVD

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ASCENSÃO DE JESUS AO CÉU


Mt 28,16-20


Segundo uma concepção espontânea e universal adotada também pela Bíblia, o céu é a morada da divindade até tal ponto que este termo serve de metáfora para significar Deus. A terra é a residência dos homens (Sl 115,16; Ecl 5,1). Dentro dessa concepção Deus, para visitar a Terra, precisa descer do céu (Gn 11,5; Ex 19,11ss; Mq 1,3; Sl 144,5) para depois subir de novo ao céu (Gn 17,22). O Espírito enviado por Deus deve também descer (Is 32,15; Mt 3,16; 1Pd 1,12). A Palavra de Deus também desce, e volta a subir ao céu assim que for realizada sua obra na Terra (Is 55,10-11; Sb 18,15). Os anjos, por sua parte, que habitam o céu com Deus (1Rs 22,19; Jô 1,6; Tb 12,15; Mt 18,10) também descem do céu para a Terra para desempenhar suas missões (Dn 4,10; Mt 28,2; Lc 22,43) para depois subirem ao céu (Tb 12,20; Jz 13,20). O subir e o descer estabelecem, então, o enlace entre céu e terra segundo essa concepção que é adotada também pela Bíblia.


Dentro dessa concepção quem desce é sempre aquele que tem poder para elevar quem se encontra em baixo que está sem condições, por força própria, para subir. Aquicolaboração, isto é, os dois lados se empenham: o amor e a generosidade de quem desce para elevar quem se encontra no nível baixo e a abertura e a vontade de ser elevado de quem se encontra em baixo. Quem desce é descer para ensinar quem está em baixo sobre como deve viver para poder ser elevado.


Uma das tarefas deixadas por Jesus para os cristãos na sua Ascensão segundo o evangelista Mateus é ensinar ou educar e ele dá essa tarefa com sua autoridade: “Toda a autoridade sobre o céu e sobre a terra me foi dada. Ide e ensinai a todas as nações e fazei discípulos meus todos os povos...!”. Ensinar ou educar é um dos meios mais eficazes para libertar o ser humano de muitas prisões: da desigualdade, da exploração, do domínio, da ignorância, da escravidão, da má qualidade de vida e assim por diante.  Liberdade e educação são duas palavras que hoje normalmente aparecem juntas. O ser humano pode se educar porque é livre e pode ser livre porque se educa. Por isso, é possível educar o ser humano libertando-o; e é possível libertá-lo educando-o. E a liberdade do ser humano é sempreliberdade de” e “liberdade para”: liberdade de algo que limita, para alcançar algo que me aperfeiçoa e enriquece. o que aperfeiçoa pode libertar. O que rebaixa é escavizador.


Ensinar ou educar é ajudar a ser. Ensinar ou educar é possibilitar o nascimento do novo ser. Ensinar ou educar é ajudar os demais a ser. E isso é possível à medida que se transmite a eles forças para ser, sabedoria para descobrir o que são e o que podem ser, e esperanças e visões para continuar. De outra maneira podemos dizer que ensinar ou educar é tarefa maternal. Dá-se à luz não para deter, mas para que o outro possa percorrer seu próprio caminho e construir seu próprio lugar no mundo e desempenhar sua missão neste mundo como ser humano e filho de Deus.


Ensinar ou educar é tarefa deixada por Jesus para cada um de nós seus seguidores: “Ide e ensinai!”. A força da palavra, a força do ensino, a força da educação é um dos sinais mais preciosos para avivar a esperança. Enquanto formos capazes de ensinar e de dialogaresperança para nós. A Palavra de Deus pode gerar uma esperança infinita no homem. O Evangelho é uma notícia, uma boa noticia, uma noticia decisiva que nos afeta na alma e no corpo, agora e depois, nesta vida e na outra. Nós acreditamos nessa Palavra de Deus que diz e faz, promete e cumpre, anuncia e realiza.


Somos cristãos ao ensinar quando temos consciência da nossa própria identidade cristã e acreditamos na capacidade humanizadora radical do evangelho, e quando conhecemos suas exigências éticas. Por isso, toda essa atividade é chamada de evangelização. Sua Boa Notícia consiste em humanizar, e em possibilitar o nascimento do novo ser. Nesse processo, o cristão é o discípulo-mestre, isto é, aquele que ensina e aprende simultaneamente. Um cristão nunca termina de ser cristão, isto é, de conhecer a Deus, de identificar-se com o destino de Cristo diariamente. Ele é chamado a ser permanentemente ensinando e aprendendo.


Nesse processo de possibilitar o nascimento do novo ser ensinando ou educando, Jesus garante uma presença permanente: “Eis que Eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28,20b).


Esta afirmação de Jesus sobre sua permanência na nossa vida é seu testamento. Mateus quer, através do seu evangelho, nos revelar que Jesus é o Deus-conosco. Este título é colocado pelo evangelista logo no início do seu evangelho ao dizer, citando o profeta Isaías: “Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho que será chamado Emanuel que significa Deus conosco” (Mt 1,23). No meio do seu evangelho o evangelista volta a usar o mesmo título de outra forma ao dizer: “Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18,20). E ele concluiu seu evangelho com o mesmo título ao dizer: “Eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mt 28,20). A partir dessa promessa, cada cristão não é mais solitário, mas solidário, pois Deus está sempre com ele e ele está sempre com Deus. O cristão, ao mesmo tempo é chamado a ser solidário com os outros, a sair do isolamento, pois Deus chama cada cristão a viver na solidariedade, na comunhão, na comunidade de irmãos.


E Jesus ressuscitado está presente e ativo em todos aqueles que levam sua causa adiante, independentemente de sua ideologia ou religião. Em todo homem que buscar o bem, o amor, a liberdade, a justiça, a solidariedade com certeza Jesus ressuscitado está presente nele de maneira qualificada.


Jesus foi elevado ao Céu. “Foi elevado ao céu” é uma forma literária de descrever o culminar de uma vida vivida para Deus e para o próximo que agora reentra na gloria da comunhão com Deus. Por isso, o sentido fundamental da ascensão é o convite para seguirmos o caminho de Jesus vivendo aquilo que Ele viveu e ensinado o que ele ensinou para que possamos ser, realmente, portadores do processo da humanização possibilitando o nascimento do novo ser e para que, pela misericórdia do Senhor possamos ser elevados para o nível mais alto que é a comunhão plena com Deus para onde estamos caminhando. A festa da Ascensão de Jesus nos garante que no final do caminho percorrido no amor e na doação, está a vida definitiva, a comunhão com Deus. Uma vida vivida no amor fraterno e na doação é uma vida destinada à glorificação. Cada cristão é portador de Cristo.


Se para Jesus a Ascensão significa sua entrada para a vida de glorificação em conseqüência de uma vida vivida no amor e na doação, para nós, portadores de Cristo a Ascensão é uma tarefa. É preciso nós olharmos para o céu para ordenar nossa vida na terra, pois o verdadeiro centro da vida humana, aquilo que pode dar uma hierarquia, uma ordem, um sentido para tudo é o trato com Deus. Nossa meta é a comunhão plena com Deus e a humanização do homem para alcançar sua divinização. Esta meta nos leva a escolhermos caminhos certos na nossa passagem nesta Terra para facilitar nossa chegada. Para isso devemos estar sempre unidos a Cristo, esperança de nossa vida e de nossas lutas de cada dia.


P.Vitus Gustama, SVD