BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA DO MONTE CARMELO
16 de Julho
Primeira
Leitura: Zc 2,14-17
14 “Rejubila, alegra-te, cidade de Sião, eis que venho para habitar no meio de ti, diz o Senhor. 15 Muitas nações se aproximarão do Senhor, naquele dia, e serão o seu povo. Habitarei no meio de ti, e saberás que o Senhor dos exércitos me enviou a ti. 16 O Senhor entrará em posse de Judá, como sua porção na terra santa, e escolherá de novo Jerusalém. 17 Emudeça todo mortal diante do Senhor, ele acaba de levantar-se de sua santa habitação”.
Evangelho:
Mt 12, 45-50
Naquele
tempo, 46 enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos
ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. 47 Alguém disse a Jesus:
“Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo”. 48 Jesus
perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?”
49 E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus
irmãos. 50 Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus,
esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.
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AVE MARIA
“O
céu se alegra e a terra sorri, quando o coração diz: Ave
Maria.
Satanás
foge para longe e todo o inferno estremece, quando o coração diz: Ave Maria.
O
mundo parece pequeno e a carne vibra, quando o coração diz: Ave Maria.
A
tristeza foge, a alegria sorri, quando o coração diz: Ave
Maria.
A
tibieza desparece e o amor reaparece, quando o coração diz: Ave Maria.
A
devoção aumenta e a compunção nasce, quando o coração diz: Ave Maria.
A
esperança jorra e o consolo cresce, quando o coração diz: Ave Maria.
A
alma inteira revive e o amor se enternece, quando o coração diz: Ave Maria.
Eu
dobro os joelhos diante de vós, ó Maria, ó Virgem, ó Mãe repleta de suavidade,
e vos digo e repito com reverência e devoção: Ave Maria, Ave! Recebei esta
piedosa saudação e com ela recebei-me, ó Mãe, em vosso regaço”.
(Tomás de Kempis In A Imitação Da Bem-Aventurada Virgem
Maria, Ed. Vozes, 2024, Petrópolis, RJ pp.22-23)
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Nossa Senhora Do Carmelo
O Monte Carmelo é o Monte de Maria. Parece que Deus tinha uma predileção por proclamar seus pronunciamentos do alto de montanhas: Sinai, Tabor, Monte das Bem-aventuranças, Gólgota...
A festa litúrgica deste dia, estendida a toda a Igreja em 1726 por Sua Santidade Bento XIII, comemora a narrativa bíblica que entrelaça Elias, o Monte Carmelo e Maria.
O povo de Israel havia pecado novamente. Deus enviou Elias para puni-los. Este profeta, em cujo coração e em cujos lábios ardia o fogo da adoração ao verdadeiro Deus, ao Deus único fechou os céus com o poder de sua oração. Durante três anos e meio, nenhuma gota de chuva caiu sobre a terra. Arrependido, Elias retornou para interceder por eles, e o Senhor ouviu sua oração. Elias subiu ao cume do Monte Carmelo. Prostrou-se no chão e orou fervorosamente. Ordenou ao seu servo que olhasse para o mar. O servo subiu e olhou. Não havia nada. Subiu sete vezes. O sétimo versículo diz: "Uma pequena nuvem, do tamanho da mão de um homem, apareceu subindo do mar... E em pouco tempo o céu se cobriu de nuvens e vento, e caiu uma grande chuva."
Alguns autores, especialmente a partir do século XIV, viram nessa pequena nuvem, em figuras ou tipos bíblicos, a Virgem Imaculada, “mediadora” universal. A Igreja aceitou essa interpretação em sua liturgia.
A
interpretação simbólica da pequena nuvem, que é simplesmente uma bela imagem
representando a humilde e pura Virgem Maria como “Medianeira” universal de
todas as graças por meio de sua divina maternidade, contribuiu para a profunda
devoção mariana que permeia a história, a liturgia e a espiritualidade do
Carmelo desde suas origens.
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Celebramos neste dia (16 de julho) a festa de Nossa Senhora do Carmo (Carmelo). “Karmel”, em hebraico significa “Jardim”. Esta festa nos traslada espontaneamente para a terra da Bíblia, para o monte Carmelo (cf. Is 35,2; Ct 7,6; Am 1,2). O Carmelo sempre foi um monte sagrado. No século IX antes de Cristo, o profeta Elias converteu esse lugar no refúgio da fidelidade ao Deus único (monoteísmo) e no lugar dos encontros entre o Senhor e seu povo (cf. 1Rs 18,39). Durante as Cruzadas, os ermitãos cristãos se recolheram nas grutas daquele monte emblemático, até que no século XIII formaram uma família religiosa à qual o patriarca Alberto de Jerusalém deu uma regra em 1209, confirmada pelo Papa Honório III (1216-1227) em 30 de Janeiro de 1226. O mesmo Papa também confirmou o reconhecimento de outras ordens: os dominicanos (22 de dezembro de 1216) e os franciscanos (29 de dezembro de 1223).
O Monte Carmelo está situado na planície de Galileia, perto de Nazaré, onde viveu Maria, a Mãe do Senhor que conservava tudo em seu coração (cf. Lc 2,51). Por isso, a Ordem do Carmelo se põe desde suas origens sob a proteção da Mãe dos contemplativos. Do Carmelo receberá São João da Cruz a inspiração para fazer de sua subida, o Monte da Perfeição Evangelica, Monte repleto de paz e doçura e de santidade. É natural que no século XVI, os dois doutores da Igreja e reformadores da Ordem, Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz converteram o Monte Carmelo no sinal do caminho para Deus.
Desde aqueles ermitãos que se estabeleceram no monte Carmelo, os carmelitas se distinguiram por sua profunda devoção à Santíssima Virgem Maria.
Quando Palestina foi invadida pelos sarracenos (árabes), os Carmelitas tiveram que abandonar o Monte Carmelo. Enquanto cantavam o cântico Salve apareceu lhes a Virgem Maria e lhes prometeu que seria sua Estrela do Mar, pela analogia da beleza do Monte Carmelo que se alça como uma estrela junto ao mar Mediterrâneo. A ordem se difundiu pela Europa, e a Estrela do Mar lhe acompanhou e a Ordem foi se propagando pelo mundo e eram chamados de “Irmãos de Nossa Senhora do Monte Carmelo”. Em sua profissão religiosa se consagravam a Deus e a Maria, e tomavam o habito em sua honra, como lembrança (aviso) de que suas vidas pertencem a ela, e por ela a Cristo. A busca da sabedoria, a escuta da Palavra de Deus e o cumprimento da vontade de Deus são temas que iluminam o sentido mais verdadeiro da devoção à Virgem do Carmelo segundo a mais pura e genuína tradição da Ordem do Carmelo.
Simon Stock, nomeado superior da Ordem dos Carmelitas (1245), compreendeu que sem a intervenção da Virgem Maria, a Ordem teria vida curta. Recorreu a Maria a qual chamou de “Flor do Carmelo” e “Estrela do Mar” e pus a Ordem sob seu amparo, suplicando-lhe sua proteção para toda a comunidade. Na resposta à sua oração, no dia 16 de Julho de 1251 apareceu-lhe a Virgem Maria (em Cambridge na Inglaterra) e deu-lhe o escapulário para a Ordem com a seguinte promessa: “Este deve ser um sinal e privilégio para ti e para todos os Carmelitas: quem morre com o escapulário não sofrerá o fogo eterno”.
Nós nos comunicamos por símbolos, bandeiras, emblemas, escudos e uniformes que nos identificam. As comunidades religiosas levam seu habito ou outro sinal ou símbolo como sinal de sua consagração a Deus. Os leigos que desejam associar-se aos religiosos no caminho da santidade podem usar escapulários, miniatura de habito, com rosário e a medalha milagrosa. São Afonso Ligório disse: “Os homens se orgulham quando os outros usam sua uniforme, e a Virgem está satisfeita quando seus servidores usam seu escapulário como prova de que se dedicaram a seu serviço, e são membros da família da Mãe de Deus”. O escapulário foi instituído pela Igreja como sacramental e sinal que nos ajuda a viver santamente e a aumentar nossa devoção e que propicia a renúncia ao pecado.
Por isso, é preciso que estejamos conscientes de que o escapulário de Nossa Senhora do Carmo, como qualquer outro, não é um objeto para uma proteção mágica (um amuleto); nem uma garantia automática de salvação; nem uma dispensa para não ouvir as exigências da vida cristã. O escapulário é um sinal “forte” aprovado pela Igreja desde séculos que representa nosso compromisso de seguir a Jesus como Maria: abertos a Deus e a sua vontade, guiados pela fé, pela esperança e pelo amor, ser próximos dos necessitados, orando constantemente e descobrindo Deus presente em todas as circunstâncias, ser um sinal que alimenta a esperança do encontro com Deus na vida eterna.
Quem usa o escapulário deve estar consciente de sua consagração a Deus e à Virgem Maria e ser consciente em seus pensamentos, palavras e obras. Maria, a Mãe do Senhor foi a primeira discípula de Jesus Cristo, pois ela viveu segundo a Palavra de Deus: “Eis me aqui a Serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua Palavra” (Lc 1,38). Para são João da Cruz a Virgem Maria foi sempre dócil aos impulsos do Espírito Santo, pois “jamais teve impressa na alma forma de alguma criatura, nem se moveu por ela; mas sempre agiu sob a moção do Espírito Santo” (III Subida 2,10). E para Santa Teresa de Jesus Maria “estava sempre firme na fé” (VI Moradas 7,14), cheia de “tão grande fé e sabedoria” que sempre aceitou em sua vida os caminhos de Deus, escutando humildemente a Palavra (cf. Conceitos do Amor de Deus 6,7).
Mensagem Do Evangelho
O evangelho lido neste dia é escolhido em função da festa de Nossa Senhora do Carmo. No episódio do Evangelho de hoje é revelada a passagem da fraternidade-familiaridade puramente natural para a espiritual que Maria vive já, pois ela é Aquela que afirma: “Eis aqui a Serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua Palavra” (Lc 1,38).
Maria é a mãe de Jesus por causa do seu “sim” total e absoluto, dado um dia à Palavra de Deus. “Faça-se em mim segundo a Tua Palavra” (Lc 1,37). Maria guarda cada Palavra e a medita em seu coração (Lc 2,19). Ela leva a Palavra a Isabel, e seu anúncio é tão rico que transborda em um cântico chamado “Magnificat” (Lc 1,46-55). Maria é o coração bom que retém para irradiar a Palavra de Deus e produz fruto com constância. Maria foi um “sim” à Luz e deu a luz a Luz do mundo (Jo 8,12). Maria escuta a Palavra de Deus, medita-a e vive de acordo com esta Palavra. Pela escuta e vivência da Palavra Maria se torna de Deus e do Povo de Deus.
Não é por acaso que na
passagem do evangelho de hoje Jesus pergunta e afirma: “Quem é minha mãe? Quem são meus
irmãos. Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu
irmão, minha irmã e minha mãe” (Mt
12,50). A
“Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos. Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Trata-se de uma família ou uma comunidade de Deus, e por isso, de uma comunidade de salvação. A pergunta não significa um desprezo de Jesus aos seus parentes ou familiares. Ninguém amou Sua mãe melhor do que o próprio Jesus. E nenhuma mãe amou melhor seu Filho, Jesus, do que a própria Maria. Jesus oferece aos homens a qualitativa intimidade de sua família. A família humana de Jesus viveu conforme a vontade de Deus: José que criou Jesus era chamado de “o justo”, aquele que vive segundo os mandamentos de Deus (cf. Mt 1,19). Maria, a Mãe de Jesus foi chamada pelo anjo do Senhor de “cheia de graça” (cf. Lc 1,28) e “Bendita entre as mulheres” e a “Mãe do meu Senhor” por Isabel (Lc 1,42-43).
“Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”, disse Jesus. A nova família formada por Jesus supera as medidas da família natural por causa da vivência da Palavra de Deus. Maria, a Serva (Lc 1,38), a discípula que se entrega por completo a fim de que se cumpra a vontade de Deus é o grande exemplo desta comunhão familiar com Jesus através do vínculo da Palavra divina escutada e vivida. O ciristão gera em si mesmo Jesus mediante o cumprimento da Palavra de Deus. Os frutos da participação no Reino anunciado por Jesus são: a fraternidade, a maternidade, comunhão de todos na mesma fé, na mesma esperança e no mesmo amor.
Maria concebeu Jesus antes com a fé que em seu seio virginal. Maria acreditou e logo foi mãe. Todos nós, cristãos, temos algo de filhos gerados no amor e algo de mães e irmãos gerados na fé que nos faz filhos no Filho de Deus, Jesus Cristo. Vivamos como Maria: creiamos em Cristo, vivamos com Ele e n’Ele, e assim contribuiremos a gerar filhos para Deus.
A Virgem Maria, Nossa Senhora do Carmo, nos ensina a vivermos abertos diante de Deus e de Sua vontade, manifestada nos acontecimentos da vida; a escutarmos a voz ou a Palavra de Deus na Bíblia e na vida, para meditá-la, pondo depois em prática as exigências desta voz; a orarmos fielmente sentindo Deus presente em todos os acontecimentos; a vivermos próximos de nossos irmãos e a sermos solidários com eles em suas necessidades. A Mãe do Senhor e nossa mãe (cf. Jo 19,26-27) jamais nos abandona, pois somos seus filhos no seu Filho Jesus Cristo. Nenhuma mãe normal é capaz de abandonar seu filho. Imagine a Mãe do Senhor! “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte. Amém!”.
P. Vitus Gustama, SVD
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