sábado, 11 de maio de 2013

I. Terça-feira da VII Semana da Páscoa
 
JESUS ORA POR NÓS
Terça-feira da VII Semana da Páscoa
14 de Maio de 2013
 
Festa de São Matias, Apóstolo
(Veja a reflexão logo em seguida no no. II nesta mesma página)
 
Texto de Leitura: Jo 17,1-11ª
(Leitura da Terça-feira da VII Semana da Páscoa)
 
Naquele tempo, 1Jesus ergueu os olhos ao céu e disse: “Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique a ti, 2e, porque lhe deste poder sobre todo homem, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe confiaste. 3Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo. 4Eu te glorifiquei na terra e levei a termo a obra que me deste para fazer. 5E agora, Pai, glorifica-me junto de ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse. 6Manifestei o teu nome aos homens que tu me deste do meio do mundo. Eram teus, e tu os confiaste a mim, e eles guardaram a tua palavra. 7Agora eles sabem que tudo quanto me deste vem de ti, 8pois dei-lhes as palavras que tu me deste, e eles as acolheram, e reconheceram verdadeiramente que eu saí de ti e acreditaram que tu me enviaste. 9Eu te rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. 10Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. 11aJá não estou no mundo, mas eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti”.
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Estamos ainda no discurso de despedida de Jesus dos seus discípulos no Evangelho de João (Jo 13-17). Nos grandes textos de despedida na Bíblia (cf. Dt 32-33; At 20,17-35), o herói termina seu discurso por uma prece, hino ou bênção. O evangelho de João segue esse modelo. Neste sentido Jo 17 é considerado como o ponto alto do discurso da despedida de Jesus neste evangelho.
 
 
Na presença dos discípulos Jesus se dirige ao Pai na oração. O dialogo de Jesus com o Pai nesta oração de despedida reflete, em toda a sua amplitude, o desígnio do Pai que motivou o enviou do filho (Jo 3,16).  E Jesus realizou esse desígnio ao manifestar o Nome àqueles que o Pai lhe deu. Está para voltar ao Pai (morte) Jesus reza pelos seus que estão ainda no mundo para que também realizem o desígnio do Pai: “Eu te rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. Já não estou no mundo, mas eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti”. Nesta oração, Jesus, o Intercessor divino junto ao Pai e a comunidade cristã se entrelaçam como uma unidade espiritual.
 
 
Na sua oração que concluiu seu discurso, Jesus interpreta sua morte como passo para a vida, e seu aparente fracasso como verdadeiro êxito. Jesus manifesta em sua oração uma confiança inquebrantável no Pai e um amor entranhável para seus discípulos, e uma esperança que sabe se sobrepor, e ninguém pode dominá-Lo. Jesus é livre e libertador. Somente quem é livre pode libertar os outros. Quem foge é porque não está livre.
 
 
A oração é sempre uma práxis de libertação, porque orar é recorrer ao Pai sem esquecer-se dos homens, nossos irmãos; orar é abrir-se ao Outro e conseqüentemente, a qualquer outro; orar é libertar-se do egoísmo para o amor. Quem entra em oração está em comunhão com Deus. Quem ora, acredita e quem acredita, precisa orar. Depois da ascensão de Jesus ao céu, a pequena comunidade de seus discípulos se reúne em oração (Lc 24,50-53). A Igreja aprende na oração o caminho da liberdade e é uma das expressões da liberdade.
 
 
Na sua oração Jesus roga, primeiramente por si mesmo, para que se realize plenamente a missão que lhe foi confiada (vv. 1-5). Por seis vezes Jesus repete a palavra “Pai” na oração. Neste sentido, a palavra “Pai” é um nome que qualifica Deus como origem, da qual tudo provem como dom, amor e proteção. Jesus se sente inteiramente Filho e quer continuar vivendo esses momentos transcendentais de sua vida a partir de seu ser de Filho. Por isso, diante de sua morte iminente Jesus está completamente tranqüilo, pois ele sabe de sua vitoria sobre o mundo (cf. Jo 16,33).
 
 
Com esta oração Jesus nos ensina que o caminho da glorificação é a obediência aos mandamentos de Deus que se resumem na vivência do amor fraterno. Na cruz o amor de Deus por nós aparece em toda sua plenitude, seu esplendor e sua força vitoriosa. Só o amor justifica a cruz. Por isso, não é o poder que há no mundo e que normalmente se transforma em opressão e domínio de uns homens sobre outros, e sim o poder-serviço (Jo 13,12-17) que surge do amor e se manifesta em obras em favor dos homens, o poder que brota do coração e cria comunidade de irmãos. O amor sempre resulta na formação de uma comunidade de irmãos. Sem amor não haverá comunidade.
 
 
Nesta oração Jesus pede: “A vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo”. Aqui não se trata de um conhecimento intelectual e sim experiencial, imediato, pessoal e vital; um conhecimento que só pode ser adquirido na intimidade do amor; um conhecimento que é vida. Neste sentido, conhecer Deus, plenitude de vida para sempre, se identifica com a vida eterna. Deus é o verdadeiro presente e futuro do homem, pois não há nada no mundo que possa encher e preencher seu coração. Conhecer Jesus significa imitar seu modo de viver, tê-lo como único modelo a seguir. Nesse seguimento, encarnado na vida diária, vamos conhecendo o único Deus: na completa entrega a Ele, demonstrada no serviço-amor aos que nos rodeiam.
 
 
Neste texto Jesus reza por nós todos e tenhamos consciência da força dessa oração: “Eu te rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. Já não estou no mundo, mas eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti”. O Senhor reza por mim, por nós. É a grande notícia para nós todos! Eu preciso continuar minha luta pela dignidade dos meus irmãos em Cristo, pois há alguém que reza por mim: o próprio Senhor Jesus Cristo.
 
 
P. Vitus Gustama,svd
 
 
II. Festa de São Matias
 
 
SÃO MATIAS, APÓSTOLO

14 de Maio


At 1,15-17.20-26

15Naqueles dias, Pedro levantou-se no meio dos irmãos e disse: 16“Irmãos, era preciso que se cumprisse o que o Espírito Santo, por meio de Davi, anunciou na Escritura sobre Judas, que se tornou o guia daqueles que prenderam Jesus. 17Judas era um dos nossos e participava do mesmo ministério. 20De fato, no livro dos Salmos está escrito: ‘Fique deserta a sua morada, nem haja quem nela habite!’ E ainda: ‘Que outro ocupe o seu lugar!’ 21Há homens que nos acompanharam durante todo o tempo em que o Senhor Jesus vivia no meio de nós, 22a começar pelo batismo de João até o dia em que foi elevado ao céu. Agora, é preciso que um deles se junte a nós para ser testemunha da sua ressurreição.” 23Então eles apresentaram dois homens: José, chamado Barsabás, que tinha o apelido de Justo, e Matias. 24Em seguida, fizeram esta oração: “Senhor, tu conheces os corações de todos. Mostra-nos qual destes dois escolhestes 25para ocupar, neste ministério e apostolado, o lugar que Judas abandonou para seguir o seu destino!”.  26Então tiraram a sorte entre os dois. A sorte caiu em Matias, o qual foi juntado ao número dos onze apóstolos.


Jo 15,9-17


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 9 Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10 Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11 E eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena. 12Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. 13Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. 14 Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 15 Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. 16 Não fostes vós que me es­colhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que então pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. 17 Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros.

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Neste dia celebramos a festa de São Matias, Apostolo. Matias (hebraico: Mattityah) significa presente ou dom (mattit) de Javé (Iah). Do apóstolo Matias sabemos somente seu Nome e sua eleição (At 1, 15-17, 20-26).


Os discípulos de Jesus, imediatamente depois da Ascensão, voltaram do monte das Oliveiras para Jerusalém (cf. At 1,12). Jesus havia escolhido Doze homens para que fossem seus Apóstolos especiais (cf. Mc 3,14), mas naquele momento não eram Doze e sim onze. Judas Iscariotes tinha passado para o grupo dos inimigos de Jesus. E os Apóstolos tinham que ser Doze quando Jesus voltasse. Ele lhes havia dito que, na sua volta gloriosa, os Doze se sentariam sobre doze tronos para reger as doze tribos de Israel (cf. Lc 22,28-30), mas naquele momento faltava um homem para um trono. O primeiro problema com que se enfrentou a Igreja foi buscar um substituto de Judas Iscariotes, o traidor.


Pedro, que sempre foi a porta-voz do pensamento dos demais apóstolos, se levantou em meio da comunidade e disse: Irmãos, era necessário que se cumprisse o que o Espírito Santo anunciou na Escritura pela boca de David a respeito de Judas, que foi o guia dos que prenderam Jesus” (At 1,16).


Pedro, ao falar de Judas Iscariotes com tanta delicadeza, parece ter presente a advertência de Jesus: “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgais, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados” (Lc 6,36-37). Pedro não chamou Judas de ladrão nem de traidor, pois Jesus já havia ensinado a caridade fraterna que se estende a todos como a misericórdia divina (cf. Mt 5,44-45).


E Pedro acrescentou: “Está realmente escrito no Livro dos Salmos: ‘Fique deserta a sua habitação e não haja quem nela resida’. E ainda: ‘Receba outro o seu encargo’”. Estas palavras de Pedro são tiradas de dois salmos: Sl 69 e Sl 109. Esses dois Salmos pertencem à serie das maldiçoes dirigidas contra os inimigos do rei Davi, quando não existia ainda a caridade cristã. Interpretando esses versículos como profecias, a primeira se cumpriu com a morte de Judas Iscariotes. É necessário que a segunda se cumpra também. Por isso, foi feita a eleição do substituto de Judas Iscariotes.


Postas condições, se encontraram dois homens que pareciam com iguais méritos para aspirar ao apostolo. Um era José, de apelido Barsabás, chamado Justo, e Matias. Como o chamamento ao apostolado não é coisa de homens e sim de Deus, Deus terá que escolher entre aqueles dois discípulos que pareciam iguais em méritos. Por isso, aquela comunidade cristã rezou confiadamente: “Senhor, tu conheces os corações de todos. Mostra-nos qual destes dois escolhestes para ocupar, neste ministério e apostolado, o lugar que Judas abandonou para seguir o seu destino!”. Nesta primeira súplica da Igreja há uma nova mostra da delicadeza e da caridade que vemos em Pedro. A expressão “seguir seu destino” é uma expressão ou eufemismo aramaico para dizer simplesmente que um homem morreu.


Para conhecer a vontade divina, sem exigir de Deus uma aparição nem uma revelação, decidiram tirar sorte. É algo que hoje em dia nos pode estranhar, mas que era costume naquela época. Apelava-se para a sorte para decidir entre duas soluções aparentemente equivalentes. Por isso, recorriam à vontade e à providencia divina ao tirar sorte. Não se tratava de causalidade física ou humana e sim da causalidade divina. Cada semana, no Templo de Jerusalém, os sacerdotes tiravam sorte para fazer os ofícios no Templo (cf. Lc 1,8-9). Ao pedir a intervenção divina na eleição, coloca Matias na categoria dos Onze Apóstolos: “A sorte caiu em Matias, o qual foi juntado ao número dos onze apóstolos”.


Assim termina, no Livro dos Atos, a história de São Matias. Nada mais se sabe dele em particular. Com esta simplicidade aparece e desaparece no documentário histórico este Apostolo póstumo. E daquele colégio apostólico que atuou desde Pentecostes, Matias foi o único não escolhido diretamente por Jesus, pois foi o apostolo póstumo de Jesus, incorporado ao colégio apostólico para ocupar o lugar deixado por Judas Iscariotes. Assim com a eleição de Matias completou-se novamente o número Doze. Uma antiga tradição conta que Matias morreu crucificado.


São Matias, Apostolo, é pouco conhecido, mas é santo. Ele é como tantos homens e mulheres simples, de caridade enorme, de compaixão sem medida pelo próximo, mas silenciosos na sua missão e cuja vida é desconhecida pela maioria, mas são santos como São Matias: as santas mães, as santas costureiras pelos pobres, santas pessoas que dedicam seu tempo para ajudar os necessitados na caridade fraterna. É como uma formiga num formigueiro, mas ajuda na sua construção. O brilho dos santos silenciosos se marca nas pessoas que eles ajudam, pois eles sempre fazem tudo por amor de Deus e com muito amor a Deus e ao próximo. São “santos Matias” de hoje e de sempre.


P. Vitus Gustama,svd
 
VITÓRIA COM JESUS E EM JESUS:
FÉ EM JESUS É A PARTICIPAÇÃO DE SUA VITÓRIA
 
Segunda-feira da VII Semana da Páscoa
13 de Maio de 2013
 
Texto de Leitura: Jo 16,29-33

Naquele tempo, 29os discípulos disseram a Jesus: “Eis, agora falas claramente e não usas mais figuras. 30 Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”. 31 Jesus respondeu: “Credes agora? 32 Eis que vem a hora – e já chegou – em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis só. Mas eu não estou só; o Pai está comigo. 33Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo, tereis tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo!”

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O texto do evangelho para nossa reflexão e partilha de hoje é Jo 16,29-33. Este texto se encontra no conjunto do discurso de despedida de Jesus dos seus discípulos no evangelho de João (os capítulos 13 a 17 do evangelho de João formam esse discurso). A vida em si é formada de despedidas diárias. A despedida da noite para saudar o novo dia. A despedida de uma hora para a entrada de nova hora que está se despedindo também. A passagem de um dia para a entrada de novo dia que está terminando. A despedida de quem parte e a saudação de quem chega ou nasce. O choro de tristeza sobre quem partiu e o choro de alegria pela chegada de quem acabou de nascer. A vida na história tudo passa. Estamos sempre em despedidas ou em partidas. Charles Chaplin dizia:A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração”.


Geralmente quem estiver para partir temporariamente ou permanentemente sempre dá alguns conselhos, recomendações, alertas, forças para lutar pelo bem, pela comunhão, pela dignidade e assim por diante. Jesus também, ao ter consciência de sua partida iminente (morte), dá alguns conselhos aos seus discípulos para que eles possam continuar sua obra neste mundo. Jesus sabe que até para fazer o bem os discípulos terão que enfrentar as tribulações e todo tipo de dificuldades. Mas não há melhor exercício para ter e fortalecer o bom coração do que estender o braço para baixo e erguer as pessoas. A bondade é o único investimento que nunca falha.


“Eis, agora falas claramente e não usas mais figuras. 30 Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”, disseram os discípulos a Jesus.


Com esta afirmação os discípulos perceberam que Jesus é aquele que sabe de Deus e O conhece e sabe da felicidade e da miséria dos homens e por isso, ele foi enviado para o mundo pelo Pai para salvá-lo por amor (Jo 3,16). Diante deste conhecimento revelador de Jesus, todas as perguntas dos discípulos se tornam supérfluos: “Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”. A clareza da revelação de Jesus é de tal ordem que responde às derradeiras perguntas do homem sobre Deus e sobre o próprio homem. Quem se aproximar desta revelação, quem se aproximar de Jesus e permanecer com Ele, todas as suas perguntas encontrarão suas respostas (cf. Jo 1,45; 4,29-30). A fé estabelece nosso relacionamento com Jesus e possibilita nosso conhecimento sobre Deus e o homem. O conhecimento de Deus e o conhecimento dos homens estão intimamente ligados entre si. Quem está em profunda comunhão com Deus, está também tão próximo dos homens para ajudá-los. Quem encontra Deus acaba encontrando os homens objeto do amor salvador de Deus.


“No mundo, tereis tribulações (angústia). Mas tende coragem! Eu venci o mundo!”


“Estar no mundo” e o “medo” estão entrelaçados. O medo é a marca fundamental do “estar mundo” no contexto do evangelho de hoje. o medo aqui é o medo da morte. O medo que o homem tem é o medo da morte diante do nada que jamais pode ser descartado, pois o poder da morte está sempre presente na vida.


Mas, de outro lado, Jesus afirma: “Mas tende coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16,33b). Esta afirmação só é possível porque Jesus é o ressuscitado que venceu a morte. A ressurreição é a morte da própria morte. A vitória de Jesus sobre o mundo é a vitória sobre o poder da morte que impera no mundo. São João traduzirá estas palavras de Jesus na sua Primeira Carta da seguinte forma: “Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1Jo 5,4b). A fé em Jesus já é uma participação da vitória de Jesus. Como Ressuscitado, Jesus é o Doador e o Distribuidor escatológico da vida. Ter fé significa estar com Deus e participar de sua vida. A fé liberta o homem da morte para a vida. Deus está sempre do nosso lado e por isso, podemos ter serenidade em tudo. Uma certeza nos acompanha: Cristo venceu o mundo. Se Cristo venceu o mundo, venceremos também com ele. A ultima palavra não é a fraqueza do homem, não é a prepotência do homem e sim a fidelidade dO Senhor para conosco. No Senhor todos os nossos gritos, todos os nossos porquês, todas as nossas perguntas e interrogações serão acolhidos e colocados em outras perspectivas. A certeza de Deus vai ao nosso encontro sempre e em toda parte. Por isso, o autor da Carta aos Hebreus escreveu: “A fé é um modo de já possuir aquilo que se espera, é um meio de conhecer realidades que não se vêem. Foi por causa da fé que os antigos foram aprovados por Deus. Pela fé, sabemos que a Palavra de Deus formou os mundos; foi assim que aquilo que vemos se originou de coisas invisíveis” (Hb 11,1-3).  A fé é como uma luz ou uma lanterna. A luz ou a lanterna não é acesa para ser olhada e sim para alguém ver o que ela ilumina.


No mundo tereis tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo” é a mensagem do Senhor para você hoje. Acredite nesta Palavra, pois é a Palavra de quem criou o universo e de quem venceu a morte: “Tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada foi feito. N’Ele havia vida, e a vida era a luz dos homens. ... Era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem” (Jo 1,3-4.9).


Para aprofundar mais sua reflexão citei aqui as palavras sábias de Santo Agostinho: Deus, de Quem separar-se é morrer, a Quem retornar é ressuscitar, com Quem habitar é viver. Deus de Quem fugir é cair, a Quem voltar é levantar-se, em Quem apoiar-se é estar seguro. Deus, a Quem esquecer é morrer, a Quem buscar é viver, a Quem ver é possuir. Deus, a Quem a fé nos impele, a esperança nos aproxima e a caridade nos une” (Solil. 1,1,3). “Deus não se torna maior pelo conhecimento de quem O encontra, mas quem O encontra torna-se maior por ter conhecido a Deus” (Serm. 117,2,3).

P. Vitus Gustama,svd
DIA DAS MÃES

 
 
 
DIA DAS MÃES NO MUNDO

domingo de maioEstados Unidos, Brasil, Dinamarca, Finlândia, Japão, Turquia, Itália, Austrália e Bélgica

domingo de fevereiro – Noruega

domingo de outubro – Argentina

dia da primavera – Líbano

domingo de maio - Portugal, Espanha

10 de maio – México

Último domingo de maio – Suécia

domingo da Quaresma – Inglaterra

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Neste Segundo Domingo de Maio celebramos o Dia das Mães.


Não cabe nossa gratidão e nossos agradecimentos à nossa mãe, neste dia, numas palavras poéticas e comoventes, num boque de flores, num presente material comprado numa loja, num abraço apertado e carinhoso, na leitura preparada para uma homenagem e assim por diante., pois uma mãe merece muito mais do que tudo isso. Mesmo assim tudo isso é válido. Mãe é o sinônimo do amor.


O amor duma mãe é eterno e por isso, é cotidiano.

O amor de uma mãe é eterno e por isso, jamais morre nem pela própria morte.

O amor de uma mãe é eterno e por isso, jamais é abolido pelo comportamento não ético de um filho ou de uma filha.

O amor de uma mãe é eterno e por isso, mesmo na fraqueza, na doença e na dificuldade ele continua forte e firme.

O amor de uma mãe é eterno e por isso, uma mãe continua rica, pois ninguém é pobre quando ama.

O amor de uma mãe é eterno e por isso, com ela estamos no Paraíso, pois o Paraíso é sempre onde habita o amor.
Uma mãe ama bastante, pois ela ama demais.


Amor é volume numa palavra, oceano numa lágrima, o sétimo céu numa olhadela, um furacão num suspiro, um relâmpago num simples contato, um milênio num instante, o Paraíso aqui na terra. uma mãe possibilita tudo isso.

MUITO OBRIGADO, MÃEZINHA! (Vitus Gustama,svd)


Bendita sejas, mãe, por teres acolhido
Minha frágil semente dentro do teu cálice.
Bendita sejas, mãe, por tua docilidade
Em acatar a vontade do Pai, para que,
Mediante teu dom, pudesses dar-me à luz com amor.


Bendita sejas, mãe, pelas gotas do doce néctar
Que depositaste em minha boca.
Bendita sejas, mãe, por todas as noites que passaste em claro para embalar minhas dores e aquietar meu pranto.
Bendita sejas, mãe, por todos os dias de deserto
Em que me deste tua sombra amiga e farta.


Bendita sejas, mãe, pelos dias tempestuosos
Em que me agasalhaste no teu porto seguro.
Bendita sejas, mãe, por todos os dias nublados
Em que te tornaste o meu sol,
Em que comigo riste e brincaste.


Bendita sejas, mãe, por teres ensinado teus filhos
A desvendar caminhos, a descobrir luzes e cores,
A agradecer, a cantar, a rezar e amar a Deus,
A valorizar a vida, a respeitar a admirar a natureza.


Bendita sejas, porque és amiga na alegria e na dor.
Bendita sejas pela tua grande
E pelo exemplo de doação, fidelidade e amor sem medida.
Por tudo isso, mãe, bendita sejas!” (Rosa Maria Aires da Cunha)

 

Pelos pratos de sopa no seu peito,
Pelas colheradas no seu olho
Pelos beijos sujos de chocolate,
Pelas golfadas de leite no seu vestido de missa,
Desculpe, mãe!


Pelas palavras malcriadas do adolescente que eu era,
Pela ingratidão daquele dia
Em que você pediu carinho e eu fugi,
Pelas mentiras que eu disse, sabendo que a feria,
Pelas vezes que eu a achei chata por pegar no meu ,
Desculpe, mãe!


Por ter voltado menos vezes do que deveria,
Por achar tolamente
Que não tinha mais nada a aprender com você,
Por não entender o seu processo de envelhecimento,
Desculpe, mãe!


Acho que nunca conseguirei entender o que é ser mãe.
Felizmente, você sabe o que é ser mãe.
E por isso que olho para você e,
Com um imenso “desculpe”,
Grito feliz o meuobrigado”.
Eu nem sempre soube ser filho.
Feliz mente, a senhora nunca se esqueceu de ser mãe”. (Pe. Zezinho,scj)  

 

 
 
FELIZ DIA DAS MÃES PARA TODAS AS MÃES!
P. Vitus Gustama,svd

sexta-feira, 10 de maio de 2013

ASCENSÃO DO SENHOR
 
Textos: At 1,1-11; Ef 1,17-23; Lc 24,46-53


At 1,1-11

1No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo, 2até o dia em que foi levado para o céu, depois de ter dado instruções, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que tinha escolhido. 3Foi a eles que Jesus se mostrou vivo, depois de sua paixão, com numerosas provas. Durante quarenta dias, apareceu-lhes falando do Reino de Deus. 4Durante uma refeição, deu-lhes esta ordem: “Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual vós me ouvistes falar: 5‘João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias’”. 6Então os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: “Senhor, é agora que vais restaurar o Reino em Israel?” 7Jesus respondeu: “Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com a sua própria autoridade. 8Mas recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria, e até os confins da terra”. 9Depois de dizer isso, Jesus foi levado ao céu, à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo. 10Os apóstolos continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apareceram então dois homens vestidos de branco, 11que lhes disseram: “Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus, que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”.


Ef 1,17-23

Irmãos: 17O Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai, a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer. 18Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos, 19e que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente. 20Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, 21bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa nomear, não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. 22Sim, ele pôs tudo sob seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a Cabeça da Igreja, 23que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal.

 

Lc 24,46-53


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 46“Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia 47e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sereis testemunhas de tudo isso. 49Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto”. 50Então Jesus levou-os para fora, até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os. 51Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu. 52Eles o adoraram. Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria. 53E estavam sempre no Templo, bendizendo a Deus.
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Certos teólogos e Padres da Igreja(Tertuliano,  Hipólito, Eusébio, Atanásio, Ambrósio e Jerônimo) concordam que a ascensão de Jesus acontece simultaneamente com a ressurreição. O dia da Páscoa, por isso, não é somente o dia da ressurreição, mas também o dia da ascensão. Esta idéia durou até o fim do século IV. Celebrava-se no assim chamado “Pentecostes”, que durava desde a Páscoa até o dia de Pentecostes, num período festivo de cinqüenta dias, a ressurreição, a ascensão e a missão do Espírito Santo como um único mistério festivo. A Igreja primitiva tinha bastante consciência da unidade íntima da ressurreição, ascensão e missão do Espírito Santo. Só a partir do século V (ou no fim do século IV), baseia-se sobre o relato lucano, é que começou a existir uma festa da ascensão no quadragésimo dia, após a Páscoa e Pentecostes, separadamente como hoje temos costume de celebrar. É claro que, de ponto de vista teológico, esta separação se considera como uma perda (para ter uma visão maior sobre esse assunto veja Gerhard Lohfink, A Ascensão de Jesus, Paulinas,1977).
    

Por isso, afirmar que Jesus “subiu ao céu” (1Pd 3,22) ou “foi exaltado na glória” (1Tm 3,16) é exatamente a mesma coisa que afirmar que ele “ressuscitou”, que foi glorificado, que entrou na glória de Deus. Não foi uma viagem interplanetária. Não houve nenhum deslocamento no espaço. A ascensão significa a caminhada de Jesus que vai da morte à glória do Pai, caminhada que para nós é invisível e incompreensível. Não é uma caminhada como as que conhecemos pela nossa experiência aqui na terra. Não se pode fixá-lo no tempo, nem medir sua distancia, nem se pode dizer se vai nesta ou naquela direção. Tempo, distância, direção, tudo isso vale para as nossas caminhadas terrenas. A caminhada de Jesus até a glória do Pai realiza-se na ressurreição. A ascensão é um evento pascal.
    

Ficando independente de tempo e espaço, Jesus está totalmente liberto. Ninguém mais pode retê-lo para si, ninguém pode ser dono de Jesus, ninguém tem a última palavra para interpretá-lo. Nesse novo modo de presença, Jesus ultrapassa tudo que quisermos usar para defini-lo. A narrativa de Lucas nos Atos dos Apóstolos (a primeira leitura) é uma página de teologia, não uma informação sobre fatos. Neste relato Lucas quer nos dizer que a ressurreição de Jesus não significa que a história agora já chegou a seu termo e que a volta de Jesus na glória esteja imediatamente às portas (isso se discutia muito na época).Ao contrário, a Páscoa significa que Deus concede agora à Igreja espaço e tempo para se desenvolver: para uma missão sem fronteiras. Além disso, neste livro nos é ensinado que tudo o que acontece aqui na terra: sucesso ou fracasso, injustiças, sofrimentos e até mesmo os fatos mais absurdos, como uma morte ignominiosa, não estão excluídos do projeto de Deus.
     

A festa da Ascensão nos dá a oportunidade de reacender cada dia com nova luz a maior das certezas de nossa vida: Jesus está vivo e está conosco todos os dias com seu poder (Mt 28,20). Jesus não foi para um outro lugar, mas permanece na companhia de cada um de nós. Com a Ascensão a sua presença não ficou limitada, mas se multiplicou. Por isso, a nossa esperança não está perdida no espaço, mas baseia-se na confiança depositada na lealdade de um Deus, “o qual faz viver os mortos e chama à existência as coisas que não existem” (Rm 4,17). O Deus da vida é fiel aos homens. Se este é o destino de todo o homem, a morte já não inspira medo. Jesus a transformou num nascimento para a vida com Deus. Todo aquele que tem essa esperança não se deixa ficar olhando para o céu, como fizeram os apóstolos naquele dia, mas ao contrário, traduz esta esperança em empenho e testemunho.


Sobre a bênção e adoração de Jesus (vv.50-52)
   

O motivo da bênção e da adoração foi tomado do AT, especialmente do Eclo 50,20-23 (os mesmos elementos e na mesma ordem encontram-se no texto lucano, menos a frase no v. 51). Nestes versículos narra-se a conclusão de uma liturgia no templo onde o Sumo Sacerdote ergueu as mãos e abençoou o povo. Depois disso, o povo se prostrou em adoração.
   

“Jesus, erguendo as mãos, os abençoou” (v.50). “Erguer as mãos” caracteriza o ressuscitado que se despede como sacerdote: a despedida em forma de bênção é fim da liturgia de sua vida, mas essa bênção há de ficar sobre eles: “Enquanto os abençoava, Jesus afastou-se deles” (v.51). Ao se despedir, Jesus abrange a comunidade dos discípulos com sua bênção, subtraindo-se, mas permanecendo próximo e presente de uma nova maneira.
 

Os discípulos, abençoados com toda a bênção espiritual, recebem a missão de comunicar a bênção da fé, da conversão e da salvação a todas as nações (v.47). Todo cristão, abençoado, é também enviado. Em cada missa/eucaristia todos nós somos abençoados pela experiência da comunhão fraterna, pela Palavra de Deus, pelo Pão da vida, o Pão eucarístico. Por isso nós recebemos também uma missão: transformarmo-nos em fonte de bênção para o próximo. Isso é explicitado no rito final da Missa. Dá-se a bênção e realiza-se o envio: “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe!” respondemos: “Graças a Deus!” Também minha vida será uma ação de graças e uma bênção para os outros. A eucaristia/missa nos consagra em cada domingo a esta missão. Voltemos para casa na expectativa de ser “revestidos da força do alto”(Lc 24,49) e da bênção do Senhor.


A celebração da Ascensão do Senhor urge-nos a passar da comodidade (comodismo), dos bons sentimentos à realidade dos fatos, mesmo chegando a complicar nossa vida por amor de Cristo e dos irmãos mais necessitados. Somente assim cumpriremos como discípulos de Jesus a tarefa de tornar real em nosso mundo Cristo, nossa esperança e salvação.


Sobre a alegria (v.52)
   

 Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria” (v.52). É uma alegria estranha numa despedida! Certamente, no dia da Ascensão do Senhor aconteceu uma transformação maravilhosa nos discípulos. Os discípulos compreenderam claramente, apesar de todas as tendências humanas, que deviam procurar a alegria para além do visível, no reino do invisível, e que poderiam encontrá-la porque Cristo está presente por toda a parte. E assim os discípulos começaram a experimentar vivamente que o invisível e o inefável se ocultam no visível. A partir daí, o homem não tem mais que olhar extasiado para o céu, para encontrar a alegria, mas para se desempenhar nas tarefas terrenas. O Senhor habita no coração que sabe amar. E o amor nos alegra.
  

O Evangelho de Lucas é, além de outros títulos, conhecido também como “o Evangelho de alegria”. O verbo ”alegrar-se” se encontra sete vezes em Lc e nenhum em outros evangelhos. O substantivo “alegria” ocorre 12 vezes em Lucas e 16 vezes em outros evangelhos. Em Lucas, a alegria é um mandamento de Jesus: “Alegrai-vos porque vossos nomes estão escritos nos céus” (Lc 10,20).
     

A alegria é sinal da salvação que se aproxima e que já se realiza em Jesus Cristo. Ela é a característica do cristão na esperança, na expectativa e na certeza da ressurreição. Por isso, a tristeza e o desânimo não são apenas sintomas de um profundo cansaço, mas são um sinal da ausência de uma verdadeira esperança cristã que no fundo provém de uma falta de fé.
   

A autêntica alegria constitui sempre um presente para nós. Ela procede de Deus. A alegria humana é uma participação graciosa na alegria divina, na essência de Deus, que constitui um único espaço de sublime alegria. As fontes da autêntica alegria estão, portanto, lá onde o homem sai ao encontro de Deus.
    

Um coração feliz e um caráter alegre são um dom precioso não só para aquele que os possui, mas também para aqueles que vivem à sua volta. A Bíblia fala da dança e da salmodia como expressões de júbilo. E a Bíblia fala freqüentes vezes das muitas e boas razões que temos para estarmos alegres. A revelação divina é, do princípio ao fim, uma mensagem de alegria contagiosa. São Paulo, por exemplo, grita: “Alegrai-vos sempre no Senhor”(Fl 4,4). Se interiorizarmos esta rica mensagem de alegria, nada deverá perturbar ou mesmo destruir a nossa paz interior. Toda a nossa existência, qualquer gesto da nossa parte, deveria manifestar ao mundo que temos origem na transbordante bem-aventurança de Deus que nos chamou a concelebrar o festim eterno da Sua felicidade e da Sua alegria.
      

Quando fizermos o tão necessário da alegria, não pensemos só em nós. O nosso próximo necessita do nosso rosto alegre e, às vezes, também de uma palavra que o faça sorrir. A firme intenção de sermos portadores de alegria e o empenho em contagiar os outros com uma alegria santa, são uma defesa muito eficaz contra a perda da mesma. Na medida em que nós distribuímos alegria, a experimentamos também.  Podemos e devemos, por isso, rezar para alcançarmos um coração alegre e aprendermos a arte de alegrar os outros.


P. Vitus Gustama,svd

Quarta-feira Da XXIV Semana Comum, Ano Par, 16/09/2026

VIVER NO AMOR E NA SABEDORIA DE DEUS Quarta-Feira da XXIV Semana Comum Primeira Leitura: 1Cor 12,31-13,13 (Ano Par) Irmãos, 12,31 Aspi...