segunda-feira, 4 de novembro de 2024

05/11/2024- Terçaf Da XXXI Semana Comum

PARTICIPAR DA ALEGRIA DE DEUS EM COMUNHÃO COM OS IRMÃOS ATRAVÉS DO DESPOJAMENTO

Terça-Feira da XXXI Semana Comum

Primeira Leitura: Filipenses 2,5-11

Irmãos, 5 tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus. 6 Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7 mas ele esvaziou-se a si mesmo assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8 humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9 Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. 10 Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11 e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor” para a glória de Deus Pai.

Evangelho: Lc 14,15-24

Naquele tempo, 15 um homem que estava à mesa disse a Jesus: “Feliz aquele que come o pão no Reino de Deus!” 16 Jesus respondeu: “Um homem deu um grande banquete e convidou muitas pessoas. 17 Na hora do banquete, mandou seu empregado dizer aos convidados: ‘Vinde, pois tudo está pronto’. 18 Mas todos, um a um, começaram a dar desculpas. O primeiro disse: ‘Comprei um campo, e preciso ir vê-lo. Peço-te que aceites minhas desculpas’. 19 Um outro disse: ‘Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-las. Peço-te que aceites minhas desculpas’. 20 Um terceiro disse: ‘Acabo de me casar e, por isso, não posso ir’. 21 O empregado voltou e contou tudo ao patrão. Então o dono da casa ficou muito zangado e disse ao empregado: ‘Sai depressa pelas praças e ruas da cidade. Traze para cá os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos’. 22 O empregado disse: ‘Senhor, o que tu mandaste fazer foi feito, e ainda há lugar’. 23 O patrão disse ao empregado: ‘Sai pelas estradas e atalhos, e obriga as pessoas a virem aqui, para que minha casa fique cheia’. 24 Pois eu vos digo: nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete”.

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Jesus Cristo Se Humilhou e Se Fez Pequeno Para Nos Salvar

Continuamos a acompanhar a leitura e a reflexão sobre a Carta de são Paulo aos Filipenses. A passagem de hoje é continuação da passagem do dia anterior.

O texto de hoje é uma passagem conhecida, que parece ser um hino antiquíssimo dos primeiros cristãos que são Paulo incorporaria na sua Carta aos cristãos de Filipo.

O que são Paulo quer destacar no texto de hoje é a união que há entre a exortação moral de são Paulo aos Filipenses para que evitem as dissenções,  e a motivação cristológica dessa exortação. O que Paulo propõe aos cristãos de Filipos é muito mais do que um ideal humano de "boa harmonia", é muito mais do que "ceder para que haja paz"... A busca da unidade pela humildade é muito mais do que uma exortação moral em uso entre os sonhadores de "comunidades unidas".

A principal motivação que são Paulo dá aos Filipenses para que evitem as dissenções  que ameçam a vida de toda a comunidade é “porque Deus nos amou”. Mas como sabemos disso? Porque  Cristo, sendo de condição divina, desceu até nossa condição humana, se humilhou, abandonou o poder e entrou por este caminho do amor humilde, de amor solidário, e se fez obediente até a morte.

Além de ser obediente ao Pai, Jesus Cristo é obediente à realidade humana, ao que exige a realidade de viver como homem. Como Cristo nos resgatou? Pela livre aceitação das insondáveis disposições de Deus; aceitando o caráter duro, inflexível e pesado da vida humana; pela obediência à sua "condição humana" que inclui a mortalidade. Aceita a condição do homem incluindo a morte que se aninha em seu seio e para a qual se dirige dia a dia, vendo nela uma insondável disposição divina vinda do amor do Pai. Desceu das alturas da glória divina onde preexistia... Ao fundo da humilhação e da morte.

Isto quer dizer que Cristo, ao fazer-se homem, não o fez com condições especiais. É que Ele era Deus (Jo 1,1-2.14). Ele se submeteu “obediente até a morte”, a tudo que comporta viver como homem: condicionamentos físicos e materiais (fome, sede, calor, fatiga); condicionamentos econômicos e culturais (os da própria sociedade de seu tempo, cultura limitada, meios pobres, oportunidades concretas mais ou menos reduzidas), e, sobretudo, condicionamentos sociais, que lhe implicam nos interesses (legítimos ou ilegítimos, puros ou bastardos) do povo de seu tempo que O ama e é amado por Ele; os que o aceitam ou o recusam e os que o matam porque não atende aos seus anseios. Fez-se obediente à realidade humana, tao complexa, promovendo tudo o que era verdadeiramente humano e recusando tudo o que era contrário ao homem.

É precisamente isto que são Paulo recomenda aos Filipenses: “Irmãos, tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus”. Ele nos transmite um hino cristológico, certamente anterior a ele, que talvez a comunidade conhecesse e cantasse. É um hino que em poucas linhas exprime o mistério pascal de Cristo, a sua morte e ressurreição, a sua humilhação e a sua glorificação por Deus: despojou-se da sua posição... rebaixou-se até à morte... Deus o ressuscitou acima de tudo .. como Senhor do céu e da terra.

São Paulo traz para nós o texto d e hoje para que aprendamos uma lição de humildade e dedicação aos outros. Assim como Jesus não "ostentou sua condição de Deus" e se fez igual a nós, rebaixando-se até a morte na cruz, também nós devemos estar abertos aos outros, sem nos julgarmos superiores a ninguém ou reivindicar grandeza. Pelo contrário, rebaixando-nos como os últimos, "como aquele que serve". O caminho da elevação passa pelo caminho de descida. O Caminho para a divindade passa pelo caminho da humanidade. Jesus era tão humano a ponto de ser tão divino.  A ressurreição passa pelo caminho da cruz.  Deus se torna homem para que o homem se torne divino. Cristo Jesus entra no nosso tempo (kronos) para que nosso tempo se torne o tempo da graça (kairós). Cristo Jesus desce até a nossa humanidade para que possamos subir até a divindade.

Irmãos, tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus”. Este é o modo de viver "em Cristo", que, sendo de condição divina, não quis reivindicar sua igualdade com Deus, mas esvaziou-se assumindo a condição de servo, tornando-se semelhante aos homens. Por isso, não se trata de puros sentimentos. Antes, trata-se de disposições pessoais de querer julgar, apreciar, de escolher as coisas conforme o discernimento de Jesus Cristo. Concretamente, trata-se de esvziamento da Cruz em que Jesus é totalmente obediente à vontade de Deus. Jesus Cristo se esvaziou totalmente (Kenosis) a fim de a vontade de Deus reinar na sua vida e na sua atividade apostólica. É a mesma obediência à realidade humana e ao Pai, ainda que tudo isso possa custar a vida, “até a morte”. Desta maneira, chegaremos ao núcleo desta Carta: a proclamação do Evangelho de Jesus Cristo.

A vida de Jesus é assumir a situação dos outros e ver como, a partir dentro dessa situação, se pode criar a relação filial com o Pai e relação fraterna com os irmaos. É olhar para o exemplo de Jesus que deixou a condição divina para salvar os homens, fazendo-se um de nós (Jo 1,14). Se quisermos salvar a humanidade, se quisermos praticar o bem no puro sentido, se quisermos amar de verdade (ágape), temos que nos esvaziar de tudo para que o querer divino em salvar a humanidade possa operar através de nós. Não podemos ser verdadeiros evangelizadores sem este esvaziamento (Kénosis).

Por isso, não podemos ler este texto sem sentir uma grande emoção, uma forte sacudida, uma iluminação sobre o mistério de Cristo. Este hino cristológico é uma joia por ser antigo, pela beleza, por ser conciso, por ser inspirador. De fato, diante dos olhos de Deus somos tão valiosos a ponto de Deus fazer-se carne para nos salvar. Por isso, este hino não pretende somente dar uma lição moral, “ter os mesmos sentimentos de Cristo”, e sim, uma exposição profunda e poética do mistério de Cristo em sua Encarnação, sua Paixão e sua Exaltação.

São Paulo coloca este hino de louvro na Carta aos Filipenses em agradecimento por ter experimentado a kénosis (esvaziamento/despojamento). A kénosis, o despojamento total é dar lugar na nossa vida para a riqueza da graça de Deus. O homem que se deixa conquistar pela kénosis de Cristo, deixa de estar alienado, egoísta, prepotente e agarrado a qualquer coisa ou a qualquer poder, mas sente-se livre em Cristo pelo seu Evangelho. O despojamento se torna, então, um encontro libertador consigo mesmo e pronto para ajudar o próximo. Quem é livre pode libertar os outros.

A parábola de Jesus dos convidados que se autoexcluem do banquete, no Evangelho de hoje, representa o mistérioso diálogo entre a graça e a liberdade. Jesus fala de um Reino gratuito, representado por um banquete, mas os convidados se recusam dessa gratuidade, mas preferem asseguram suas posições econômicas. Quem busca a segurança em si próprio, se exclue da graça divina. "Ser salvo" é seguir os passos de Cristo e, confiando em sua graça, adotar sua mesma atitude.

Somos Chamados A Participar Do Banquete Divino Gratuitamente

Estamos com Jesus no Seu caminho para Jerusalém, escutando atentamente seus últimos e importantes ensinamentos para todos nós cristãos em qualquer época e lugar (Lc 9,51-19,28). Trata-se das lições do Caminho.

O texto do evangelho lido neste dia fala do banquete ou da comida comunitária. A comida, o banquete é, em todas as culturas, um dos maiores símbolos de unidade comunitária e familiar e da amizade. Na cultura semita o banquete era o símbolo da máxima comunhão. Participar do banquete significa participar (fazer parte) da comunhão ou da comunidade ou da família em questão.

Jesus aproveita este valor cultural para ressaltar os valores do Reino. Na verdade o Reino de Deus não é uma realidade longe de nossa cotidianidade. O Reino de Deus é precisamente a máxima realização dos ideais humanos de fraternidade, de solidariedade, de comunhão, de igualdade e de justiça. E precisamente no comer comunitário ou na festa comunitária se vivem os sinais que mostram como possível ou realizável o Reino de Deus entre os seres humanos. Para isso, há que ter uma disponibilidade generosa e a aspiração de construir algo maior do que os pequenos negócios e trabalhos particulares ou individuais.

A parábola do banquete é muito rica. Seus elementos recordam outros elementos. A recusa de alguns para o convite do banquete e a aceitação de outros nos recordam, por exemplo, a distinta sorte da semente na parábola do semeador (cf. Lc 8,4-8: algumas sementes caíram à beira do caminho, outras no pedregulho, no meio de espinhos e em terra boa). E o convite que se estende aos pobres, aos cegos, aos coxos faz pensar na busca dos perdidos. Na verdade, para o próprio Deus ninguém é perdido, pois Ele vai atrás de cada um dos homens. Mas o homem precisa correr aos abraços de Deus para sentir novamente a importância de uma comunhão no amor. O amor nos humaniza e nos diviniza, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16).

Vamos destacar alguns pensamentos ou alguns elementos sobre a parábola do convite ao banquete:

1. O Reino de Deus é festivo, precioso e alegre. Ele é semelhante a um banquete, a um tesouro, a uma pérola maravilhosa. Por isso, ele é superior a qualquer valor no mundo. Viver o Evangelho de Jesus é viver na alegria apesar das dificuldades passageiras. “A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria”, escreveu o Papa Francisco (Evangelii Gaudium (EG) n.1). Para viver na alegria do Evangelho, segundo o Papa Francisco, é preciso aprendermos a viver na partilha ou na doação: “Na doação, a vida se fortalece; e se enfraquece no comodismo e no isolamento. De fato, os que mais desfrutam da vida são os que deixam a segurança da margem e se apaixonam pela missão de comunicar a vida aos demais” (EG n. 10).

2. A parábola também destaca que a entrada no banquete não é livre, pois não se trata de direito; requer-se um convite. Um patrão chama, um rei convida. E o convite é um ato de graça, e quem convida quer difundir sua alegria, manifestá-la e quer que os outros participem na mesma alegria. É um ato generoso. Cada generosidade é criadora, pois prolonga o ato criador de Deus que criou e cria tudo para nós graciosamente e gratuitamente. Deus nos chama através de vários sinais para que possamos participar da alegria divina que não depende das coisas materiais, embora sejam necessárias, mas da comunhão de vida trinitária onde o amor circula livremente dentro da própria pessoa e entre as pessoas. Não há alegria maior do que amar e ser amado. Não é por acaso que Jesus nos deu apenas um mandamento: o amor (cf. Jo 13,34-35; 15,12). Deus está no ato de amar. Amar expressa a qualidade de vida com Deus e em Deus.

3. O convite é sério e exige empenho. O acento é muito forte sobre este aspecto. É um convite de amor que compromete a vida. É evidente, aqui, o salto de qualidade entre o humano e o divino. Um convite humano pode ser aceito ou recusado. Se for recusado não haverá nenhum prejuízo para quem recusa o convite. Também se for aceito, não há comprometimento existencial. Mas o convite de Deus é diferente. Deus é tão misterioso, maravilhoso que, ao convidar, compromete, e é um compromisso que muda totalmente a vida, transfigura-a e faz a vida nova e renovada. Se o convite de Deus tem como objetivo mudar de vida para a melhor a fim de alcançar a salvação que é uma alegria sem fim, então, aquele que o recusa é considerado como insensato e irracional. É como aquele que quer agarrar um dólar e recusa uma oferta de um milhão de dólares gratuitamente. Só poderia ser um irracional e insensato.

4. O convite é dirigido a todos e não apenas para os privilegiados ou elites ou para os santos ou os certinhos. Aqui encontramos o amor de Deus dirigido aos perdidos da vida, aos coxos, aos excluídos da sociedade, a todos, pois todos são os filhos e filhas do mesmo Pai: “Tomai todos e comei. Tomai todos e bebei!”, assim Jesus nos convida em cada banquete eucarístico. Trata-se do banquete celeste já na terra.  Isto significa que o rei que é Deus quer todos, ama a todos cujo único objetivo é salvar. Então, eu não sou excluído desse amor. Deus me ama e creio no seu amor. O amor de Deus me alcança e me abraça. Por isso, não há uma Igreja de elites, há sim uma Igreja para todos onde há espaço para todos. O convite se faz na primeira hora, nas horas intermediárias e nas ultimas horas. A santidade não depende dos anos na Igreja e sim depende da renovação da chamada em cada instante. Por isso, a Igreja é chamada santa e pecadora.

5. Como cristãos somos todos discípulos-missionários. Na parábola o dono da festa manda os empregados a chamarem todos os convidados para o banquete. Os convidados especiais recusaram o convite. Mas quando o convite foi lançado para os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos, estes prontamente o aceitaram. É preciso sermos simples e humildes para poder captar os sinais do convite de Deus na nossa vida.

Todos nós somos enviados para chamar todos a participarem do banquete da salvação. A missão nasce da fé em Deus. A missão é a conseqüência da fé em Deus. A fé é o bem supremo para nós, porque ela é o fundamento e a raiz da salvação plena e total do homem. “... Urge recuperar o caráter de luz que é próprio da fé, pois, quando a sua chama se apaga, todas as outras luzes acabam também por perder o seu vigor. De fato, a luz da fé possui um caráter singular, sendo capaz de iluminar toda a existência do homem. Ora, para que uma luz seja tão poderosa, não pode dimanar de nós mesmos; tem de vir de uma fonte mais originária, deve porvir em última análise de Deus. A fé nasce no encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela o seu amor: um amor que nos precede e sobre o qual podemos apoiar-nos para construir solidamente a vida. Transformados por este amor, recebemos olhos novos e experimentamos que há nele uma grande promessa de plenitude e se nos abre a visão do futuro. A fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece-nos como luz para a estrada orientando os nossos passos no tempo (Papa Francisco: Carta Encíclica Lumen Fidei, n.4).  O impulso missionário nasce da profundidade da fé, do encontro vivo com deus, da vivência da fé, da alegria da fé, da fatiga da fé, do sofrimento pela fé. A missão é a proclamação da fé. Sendo em si mesma um bem maior, a fé pede, por sua natureza ser difundida. A Igreja enquanto comunidade de fé é missionária. “Propagar a fé é o primeiro dever do cristianismo, é a caridade maior; todas as outras obras de caridade estão unidas e subordinadas a esta suma obra” (Cardeal Carlo Maria Martini). Todo cristão é missionário e por isso, é enviado.

6. Cada um é chamado para o banquete eterno, mas é tentado ao mesmo tempo pela aparência bela das atrações do mundo. O pecado tem aspecto atrativo. Mas quando alguém estiver nos seus abraços, ele o sufoca e o agarra. Para sair dos seus braços supõe a existência de uma força maior e a vontade sem limite para sair desses abraços. Quem tem objetivo para melhorar a vida, sempre arranja um jeito e somar forças para alcançá-lo. Como quem ama loucamente encontra sempre jeito para agradar o outro.

Deus convida cada um de nós diariamente à sua alegria que é redentora. Diante desse convite, você é insensato e irracional ou sensato e racional? Quais são minhas justificativas ou recusas habituais toda vez que fui ou for convidado para fazer parte da equipe que trabalha para o bem comum na minha comunidade? Que contrapõe ao que Deus espera de mim? Qual lugar ocupa Deus na minha vida?

P. Vitus Gustama,svd

sábado, 2 de novembro de 2024

04/11/2024-Segundaf Da XXXI Semana Comu

NOSSA GENEROSIDADE PROLONGA O AMOR GENEROSO DE DEUS

Segunda-Feira da XXXI Semana Comum

Primeira Leitura: Filipenses 2,1-4

Irmãos, 1 se existe consolação na vida em Cristo, se existe alento no mútuo amor, se existe comunhão no Espírito, se existe ternura e compaixão, 2 tornai então completa a minha alegria: aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade. 3 Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais importante, 4 e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro.

Evangelho: Lc 14,12-14

Naquele tempo, 12 dizia Jesus ao chefe dos fariseus que o tinha convidado: “Quando deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos nem teus irmãos nem teus parentes nem teus vizinhos ricos. Pois estes poderiam também convidar-te e isto já seria a tua recompensa. 13 Pelo contrário, quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. 14 Então serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”.

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A Unidade Se Alcança Através Do Caminho Da Humildade e Do Auto-Despojamento

Durante toda esta semana continuaremos lendo a Carta de são Paulo aos cristãos de Filipos que já começamos na sexta-feira passad. É uma Carta cheia de carinho por parte de são Paulo, que correponde assim ao afeto que lhe tinha aquela comunidade.

Hoje são Paulo lhes pede encarecidamente que lhe deem esta grande alegria: “Se existe consolação na vida em Cristo, se existe alento no mútuo amor, se existe comunhão no Espírito, se existe ternura e compaixão, tornai então completa a minha alegria: aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade”.

Aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade”. A comunidade de Filipo, como todas as demais comunidades, deve ter motivos de tensão e divisões. Por isso, são Paula dá esta recomendação. Os perigos que ameçam a mensagem da cruz de Cristo podem proceder não somente da parte de fora (judaizantes), mas da parte de dentro também. Dentro da própria comunidade pode haver desunião e divisão porque alguns querem exaltar-se ou coupar primeiros lugares que é uma manifestação da falta da humildade e do “esvaziamento” que é o caminho de Jesus. A humildade é a virtude bíblica da “kénosis”, isto é, do auto-despojamento, do desapego. Jesus é a personaficação perfeita da “kénosis”, pelo seu auto-despojamento, pela sua forma de ser Servo por amor aos homens. A “kénosis” cristã é o conhecimento existencial da gratuidade. A “kénosis” é todo um empenhamento para dar lugar à riqueza do poder da graça de Deus.

Para pedir a unidade na comunidade de Filipo, são Paulo apela para a experiência dos próprios filipenses. Eles conhecem os bens espirituais que no texto de hoje são mencionados: a experiência do consolo ou do lívio, da ajuda que procede do ágape (amor mútuo na fraternidade), solidariedade comunitária; a experiência da comunhão no Espírito; a experiência do afeto e do amor mútuo entre são Paulo e os Filipenses; experiência do consolo em Cristo que é o resumo de tudo isso.

Os motivos para esta unidade, então, não são somente humanos, isto é a convivência civilizada e sim se apoiam sobretudo na fé: comunhão no Espirito. O Espirito une; o Diabo desune. O Espirito vivifica; o egoísmo sufoca e mata o amor fraterno. O motivo profundo da unidade é a nossa fé no Deus Uno e Trino. Toda divisão é o contra-testemunho de nossa fé na Santíssima Trindade. Toda união e fraternidade é a manifestação de nossa fé na Santíssima Trindade. Somos lembrados permanentemente da importância da união através do sinal da cruz que fazemos no início e no fim de nossas orações individuais e de nossas celebrações.

Aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor...”. “A caridade é a rainha das virtudes; onde ela reina, ai aparecem todas as outras virtudes”, dizia Santo Tomás de Aquino. Onde reina o amor, o egoismo perde seu lugar e sua chance. Onde reina o amor, a eternidade se faz presente, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16).

“... vivei em harmonia, procurando a unidade”. A palavra “harmonia” é, aqui, tirada  do mundo musical. Um dos sentidos da palavra “haromnia” é conjunto das qualidades  de sons que resultam em algo agradável; acordo; concôrdia; coerência; combinação agradável. A harmonia permite a existência da pluralidade que resulta na convivência agradável, pois um elemento se junta ao outro elemento e ocupa seu próprio lugar e desempenha seu próprio papel. A harmonia ou a pluralidade é enriquecedora. Poderiamos imaginar se existisse apenas uma espécie de flor, de peixe, de árvore, de pedra?! Seria uma grande pobreza.

Os conselhos de são Paulo para os Filipenses valem para nós todos: “Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais importante, e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro”. A comunidade vai melhorar, se cada membro cuktivar essas atitudes. Todos devem cantar de verdade o Salmo Responsorial de hoje (Sl 130): “Senhor, meu coração não é orgulhoso, nem se eleva arrogante o meu olhar; não ando à procura de grandezas, nem tenho pretensões ambiciosas!”.

Nossoa divisões acontecem porque cada um se crê superior aos demais e se preocupa do seu, sem prestar atenção para os necessidades dos outros. Com isso, reina cada vez mais o egoísmo que mata a convivência fraterna. Alegreremos o coração de Deus e nós mesmos seremos mais felizes, se hoje fizermos o possível para reprimir nossas vaidades exageradas e nossas pretensões.

O Generoso Revela Sua Riqueza Interior e Prolonga a Generosidade de Deus

Continuamos a escutar atentamente as ultimas e mais importantes ensinamentos de Jesus na sua ultima viagem para Jerusalém (Lc 9,51-19,28). Trata-se das lições do caminho. Caminhando, aprendendo com o Senhor.

Na passagem do evangelho deste dia Jesus nos convida a sermos generosos e a não pensarmos nas vantagens daquilo que fazemos ou fizermos para os outros, especialmente para os necessitados. Ajudar os necessitados que não tem como retribuir é um serviço prestado a Deus. “A caridade cristã é tridimensional. Pratica-se na terra pelas boas obras e busca ajudar a quem necessita: eis sua profundidade. Sofre as adversidades pacientemente e persevera na verdade: eis sua extensão. Tudo faz com vistas a obter a vida eterna: esta é sua magnitude(Santo Agostinho: Epist. 140,25).

O texto do evangelho de hoje é a continuação da passagem anterior que fala do convite dirigido a Jesus por um fariseu para uma refeição (cf. Lc 14,1-11). Os fariseus, como as pessoas em qualquer época e cultura, escolhiam cuidadosamente os seus convidados para a mesa (almoço ou jantar). Eles não convidavam pessoas de nível menos elevado. Os fariseus também convidavam aqueles que podiam retribuir da mesma forma. Com isso, tudo se tornava um intercâmbio de interesse e um jogo de favores. Dou para que tu me dês (Do ut des).        

Ao saber desse jogo de interesse Jesus dá uma lição sobre a gratuidade e o amor desinteressado: “Quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos” (Lc 14,13-14). A festa de que Jesus fala é a partilha do que há de bom na vida, pois a partilha é a alma do projeto de Jesus Cristo. Jesus nos convida a uma atitude de gratuidade ou generosidade, uma atitude que é o exato contrário do cálculo interesseiro de quem vive se perguntando: “Quanto é que eu levo nisso? Que vantagem isso me dá? Será que tem retorno em fazer isso?”.         

Ao falar da festa Jesus está apontando para além da festa humana. Ele aponta para o Reino como um banquete eterno onde os convidados estão unidos pelos laços de familiaridade, de fraternidade e de comunhão diante do Pai comum que é Deus. As relações entre os que querem participar da alegria eterna por tratar-se de um banquete não serão marcadas pelos jogos de interesse e de intercâmbio de favores, mas pela gratuidade e pelo amor desinteressado. Por viverem orientados pela gratuidade e pelo amor desinteressado, os participantes do Reino estão bem distantes de qualquer atitude de superioridade, de arrogância, de ambição para estarem numa atitude de humildade, de simplicidade, de serviço por amor desinteressado. 

A generosidade é um sinal de gratidão pelos benefícios recebidos de Deus e, ao mesmo tempo, manifesta a liberdade interior. O generoso não só dá as coisas para os necessitados, mas dá-se a si próprio por amor de Deus e do próximo, graças à sua liberdade interior. Por isso, a generosidade que se concretiza na partilha e na solidariedade não empobrece, mas é geradora de vida e de vida em abundância.        

Geralmente uma pessoa humilde é generosa, repartindo o que tem para os que nada têm, pois ela é capaz de receber, não só de Deus, mas também dos outros.  Porém, repartirá não para chamar a atenção para si, e sim, porque agradecida, gosta de tornar seus irmãos partícipes dos dons que recebeu. A pessoa humilde é que estabelece relações que trazem a felicidade, que acabam com o egoísmo, com a competição, com a ostentação, e fazem reinar no mundo as atitudes de intercâmbio generoso dos dons de Deus. O generoso é livre na medida em que não procura o seu próprio proveito, mas o daqueles a quem favorece. E a alegria que brota da generosidade de um doador nobre é um dos mais preciosos e permanentes dons.        

A generosidade é um sinal de gratidão e de liberdade interior. Tudo o que somos, tudo o que podemos e temos é precioso e libertador, se o reconhecermos e apreciarmos como um dom do amor de Deus. Se percebermos e apreciarmos realmente que o esplendor daquilo que temos e daquilo que possuímos vem de Deus, o Doador de todos os bens, então não nos agarraremos às nossas riquezas e capacidades, nem as utilizaremos para nos exibirmos, mas procuraremos ser cada vez mais generosos e livres, quer dando, quer recebendo. Jamais podemos ajudar um necessitado para nos sentir bons e íntegros, porque ofenderemos e humilharemos nosso irmão necessitado. A ajuda vale não pelo valor daquilo que é dado e sim pelo amor com que o damos.          

Para o generoso, todos os seus bens, todas as suas capacidades e dons se transformam num tesouro que se acumula no céu e que, entretanto, vai aliviando e tornando felizes os outros. E o próprio Jesus anuncia que tudo que aqui gratuitamente fazemos, nos será recompensado na vida eterna: “Tu serás recompensado na ressurreição dos justos” (Lc 14,14). Para ser feliz aqui nesta terra e na vida eterna é necessário que cada um de nós faça algo de bom pelos outros, gratuitamente, sem esperar uma troca. E para ser infeliz, basta ser egoísta ou ser avaro. O avaro é o protótipo dos sem-coração. O avaro é a pessoa mais pobre que existe.      

Ser generoso significa dar-se a si próprio por amor de Deus e do próximo, graças à intima liberdade que possuímos. É ser prolongamento do amor generoso de Deus por nós todos. Esta virtude é libertadora para ambas as partes: para o generoso e para quem é favorecido. O generoso é livre na medida em que não procura o seu próprio proveito, mas o daquele a quem favorece. Acreditamos que todos nós já fizemos alguma coisa por alguém por pura generosidade e sabemos a alegria que isso traz ao nosso coração. Quem de nós, ao prestar gratuitamente um favor ou uma ajuda, já não ouviu a frase: “Deus lhe pague; Deus lhe abençoe?”. A alegria que brota da generosidade de um doador nobre é um dos mais preciosos e permanentes dons. 

Qualquer cristão não deve se deixar mover pelo egoísmo, mas pelo amor fraterno. Somente assim se assegurará a única recompensa do Pai que tem valor definitivo. Com essa conduta o cristão se faz no mundo, para os homens, sinal do amor do Bom Deus, que beneficia aos justos e ímpios (cf. Lc 6,36). Somente o Pai do céu é recompensa cabal para o serviço desinteressado do cristão.         

P. Vitus Gustama,svd

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Solenidade De Todos Os Santos, Domingo, 03/11/2024

SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS

Primeira Leitura: Ap 7,2-4.9-14

Eu, João, 2 vi um outro anjo, que subia do lado onde nasce o sol. Ele trazia a marca do Deus vivo e gritava, em alta voz, aos quatro anjos que tinham recebido o poder de danificar a terra e o mar, dizendo-lhes: 3 “Não façais mal à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus”. 4 Ouvi então o número dos que tinham sido marcados: eram cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. 9 Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. 10 Todos proclamavam com voz forte: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro”. 11 Todos os anjos estavam de pé, em volta do trono e dos Anciãos, e dos quatro Seres vivos, e prostravam-se, com o rosto por terra, diante do trono. E adoravam a Deus, dizendo: 12 “Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém”. 13 E um dos Anciãos falou comigo e perguntou: “Quem são esses vestidos com roupas brancas? De onde vieram?” 14 Eu respondi: “Tu é que sabes, meu senhor”. E então ele me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro”.

Segunda Leitura: 1Jo 3,1-3

Caríssimos: 1 Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. 2 Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. 3 Todo o que espera nele purifica-se a si mesmo, como também ele é puro.

Evangelho: Mt 5,1-12

Naquele tempo, 1 vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2 e Jesus começou a ensiná-los: 3 “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. 4 Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. 5 Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. 6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8 Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9 Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10 Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. 11 Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. 12ª Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.

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Liturgicamente, no dia 01 de Novembro, a Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos. (no Brasil como em outros lugares é celebrada no domingo após o Dia de Finados). Em uma única festa, são recordados, todos juntos, os santos canonizados, todos os justos de qualquer idioma, de qualquer etnia e nação, cujos nomes estão inscritos no livro da vida (cf. Ap 20,12). O significado desta solenidade está bem expresso no embolismo do prefácio desta solenidade: “Vós nos condeis hoje festejar vossa cidade, a Jerusalém do alto, nossa mãe, onde a assembleia de nossos irmãos e irmãs canta eternamente o vosso louvor. Para esta cidade, peregrinos e guiados pela fé, nos apressamos jubilosos, compartilhando a alegria dos membros mais ilustres da Igreja, que nos concedeis como exemplo e auxílio para nossa fragilidade”.

Honrar os Santos significa, antes de tudo, honrar a Deus Pai, o Todo Santo. As pessoas podem ser chamadas “santas”, enquanto souberam imitar a santidade de Deus que, no AT, nos chama à santidade: “Sede santos, porque Eu, o Senhor, sou Santo” (Lv 19,2). Esta chamada é repetida no Novo Testamento: “à Igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos” (1Cor 1,2).

Em segundo lugar, os Santos são o melhor fruto da Páscoa de Jesus Cristo, o “Santo de Deus”: ouviram a sua Palavra e puseram-na em prática, assimilaram as suas bem-aventuranças e o seu estilo de vida. Por isso, honrar os Santos é celebrar o êxito de Cristo, porque são como seus sinais viventes neste mundo. Por isso, o documento Lumen Gentium n.50 (Concilio Vat. II) afirma: “Todo amor autêntico que manifestamos aos bem-aventurados dirige-se, por sua própria natureza, a Cristo e termina n´Ele, coroa de todos os Santos”. “As festas dos Santos proclamam as maravilhas de Cristo nos seus servos”, diz o Sacrosanctum Concilium (SC) n. 111. (veja também SC 104).

CREIO NA COMUNHÃO DOS SANTOS

Celebramos a solenidade de todos os santos. Um dos artigos de nosso Credo afirma: “Creio na comunhão dos santos”. O Compêndio Do Catecismo da Igreja Católica do Papa Bento XVI (nn. 194-195) explica o significado da expressão “Comunhão Dos Santo” da seguinte maneira:

·      Essa expressão indica, em primeiro lugar, a comum participação de todos os membros da Igreja nas coisas santas (sancta): a fé, os sacramentos - em particular a Eucaristia-, os carismas e os outros dons espirituais. Na raiz da comunhão está a caridade que “não é interesseira” (1Cor 13,5), mas estimula o fiel “a pôr tudo em comum” (At 4,32), até os próprios bens materiais a serviço dos mais pobres (n.194; veja Catecismo Da Igreja Católica nn. 9464-953; 960).

·      Essa expressão designa também a comunhão entre as pessoas santas (sancti), ou seja, entre os que pela graça estão unidos a Cristo morto e ressuscitado. Alguns são peregrinos na terra; outros, tendo deixado esta vida, estão purificando, ajudados também pelas nossas orações; outros, enfim, já gozam da glória de Deus e intercedem por nós. Todos juntos formam em Cristo uma só família, a Igreja, para louvor e glória da Trindade (n. 195; veja Catecismo Da Igreja Católica nn. 954-959; 961-962).

Não é por acaso que o Concílio Vaticano II no documento sobre a Liturgia, Sacrosanctum Concilium n. 8 afirma: “Na Liturgia da terra nós participamos, saboreando-a já, da Liturgia celeste, que se celebra na cidade santa de Jerusalém, para a qual nos encaminhamos como peregrinos, onde o Cristo está sentado à direita de Deus, qual ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo; com toda a milícia do exército celeste entoamos um hino de glória ao Senhor e, venerando a memória dos santos, esperamos fazer parte da sociedade deles; esperamos pelo Salvador, nosso Senhor Jesus Cristo, até que Ele, nossa vida, se manifeste, e nós apareceremos com Ele na glória”.

Tudo isto quer nos enfatizar que a Liturgia terrestre é antegozo da Liturgia celeste, que se realiza eternamente. Conscientes ou não conscientes, podemos dizer que a Liturgia da qual participamos com fé diariamente é o céu aqui na terra. “Santificados e salvos, todos glorificarão o Pai por Cristo, com Cristo, em em Cristo, e serão celebrantes da glória do Pai” (Albert Beckhäuser: Sacrosanctum Concilium: Texto e Comentário, Ed. Paulinas, 2013, 2ª reimpressão, pp.26-27).

Nossa Vocação É Ser Santo: Somos Chamados a Ser Santos

Em relação à santidade, o Papa Francisco escreveu: “Para ser santo, não é necessário ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso. Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade esteja reservada apenas àqueles que têm possibilidade de se afastar das ocupações comuns, para dedicar muito tempo à oração. Não é assim. Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra. És uma consagrada ou um consagrado? Sê santo, vivendo com alegria a tua doação. Estás casado? Sê santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És um trabalhador? Sê santo, cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho ao serviço dos irmãos. És progenitor, avó ou avô? Sê santo, ensinando com paciência as crianças a seguirem Jesus. Estás investido em autoridade? Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais” (Exortação Apostólica, Gaudete et Exsultate n.14).

O culto aos santos é a conseqüência de nosso Credo, conhecido como Símbolo Apostólico, onde professamos: “Creio...na comunhão dos santos...”. Esta pequena frase nos indica e afirma que a nossa relação com os santos é contínua porque acreditamos na não–interrupção da comunhão eclesiástica pela morte, e, ao mesmo tempo, acreditamos no fortalecimento da mútua comunicação dos bens espirituais (LG no 49; compare com Rm 8,38-39). A comunhão dos santos é testemunhada em várias passagens bíblicas (Hb 12,1; Lc 15,7; 2Cor 6,14; 1Jo 1,3; Ef 1,10-23). E nossa tradição aprofunda essa doutrina, pois afirma que existe uma comunhão entre os fieis antepassados e todos nós pela fé em Jesus Cristo. Se os que já partiram deste mundo tinham fé em Jesus Cristo durante sua passagem neste mundo e nós que ainda estamos peregrinado neste mundo temos também a mesma fé em Jesus Cristo, logo estamos em comunhão pela mesma fé em Jesus Cristo. Nada nos separa do amor de Jesus Cristo (cf. Rm 8,35-39).

Todos os Santos é uma festa familiar: a festa daqueles que caminharam com Jesus e agora gozam a alegria eterna com Ele. Nosso destino é Deus, a felicidade eterna que nos falta. É uma festa de vitória dos que nos precederam e levaram uma vida sem mancha, superando todo tipo de ganância, de prepotência, de egoísmo e assim por diante.

A Igreja dos peregrinos (todos nós mortais) sempre teve e continua tendo perfeito conhecimento dessa comunhão reinante em todo Corpo Místico de Jesus Cristo que é a Igreja (LG 50). Todos os santos em comunhão têm sua santidade como um reflexo da santidade do Senhor. A Igreja venera os santos como exemplos. O Culto aos santos une-nos a Igreja celestial, pois acreditamos na vida sem fim, a vida eterna. A celebração dos santos abrange não somente os santos canonizados, mas também nossos antepassados, que viveram na busca da santidade e são contados entre os bem-aventurados. Na mensagem do Apocalipse (Ap 7,2-4.9-14), a comunhão dos santos é assinalada por uma multidão dos eleitos de Deus, gente de todas as etnias, tribos, povo e línguas. São os redimidos pelo Sangue do Cordeiro.        

Os santos que estão em comunhão e são recordados nesta solenidade procuravam viver as bem-aventuranças (Mt 5,1-12) na misericórdia, na mansidão, na justiça e no serviço ao Reino na caridade fraterna. Os santos no Céu não se tornam uns egoístas que gozam a merecida felicidade, mas pessoas maduras no amor. Para estar com Deus de amor tem que ter muito amor no coração e na convivência com os outros neste mundo. Como irmãos que nos precederam, eles ainda se lembram de nós, pobres mortais, como Cristo sempre se lembra de nós. Os santos no Céu e os cristãos na terra são uma família única. Assim como uma família, um irmão ajuda o outro irmão. Por isso é que pedimos a ajuda dos santos pelos seus méritos.          

Entendemos aqui por “santos” todos os que já estão no céu e vêem o próprio Deus face a face. São aqueles que estão na paz e na felicidade suprema (GS 93); aqueles que estão na comunhão perpétua da incorruptível vida divina (GS 18). Esta vida perfeita chama-se “o Céu”. O Céu é, certamente, o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado supremo e definitivo de felicidade. O Céu é desejo de todos nós que estamos peregrinando nesta terra. Participar da vida divina, a vida em sua plenitude, a vida cheia de amor é o que queremos todos os dias, tanto para nós e nossos familiares como para aqueles que nos precederam. O Céu conforme as palavras de São Paulo, citando Is 64,4, podemos dizer de outra maneira: “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que O amam” (1Cor 2,9).          

É evidente que os santos, cuja festa celebramos neste dia, não são somente aqueles que estão na lista oficial da Igreja (beatificados ou canonizados). De quantos santos nós não conhecemos nem a história nem o nome. O livro de Apocalipse (Ap 7,2-14) fala de um desfile de 144 mil servos de Deus no céu. 144 é um número simbólico (12 x 12) significa a unidade e totalidade do povo eleito. Entende-se, por isso, uma grande multidão de pessoas de todos os povos e religiões, culturas, de antes e depois de Cristo. Por isso, nunca podemos esquecer que há exemplos de santidade e heroísmo cristãos em outras Igrejas, religiões, povos e culturas. Reconhecer essa presença é uma ajuda para superar os nossos seculares preconceitos e para acolher com alegria esses parceiros na construção do Reino de Deus ou do mundo mais fraterno.

Além disto, na solenidade de todos os santos não somente recordamos os santos que nos precederam e nos ensinaram o caminho que os condiziu à felicidade plena (o céu), mas quer que descubramos também os santos que nos acompanham agora e aqui em nosso caminho terreno. Por isso, o Papa Francisco escreveu na sua Exortação Apostólica: Gaudete et Exsultate: “Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é muitas vezes a santidade ‘ao pé da porta, daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou – por outras palavras – da ‘classe média da santidade” (n.7).

Como filhos de Deus, estamos conscientes de que Deus é o Único Santo e fonte de toda santidade. Por isso, consequentemente, Ele é o Único que faz santos os participantes em sua vida por fruírem de sua santidade, por cumprirem seus desígnios, por entrarem na esfera vital de seu reinado. Quando o homem já participa em plenitude da vida de Deus no Reino dos céus, então é santo por sua comunhão de vida com Deus, o Único Santo (cf. 1Jo 3,2).          

Sabemos também que somente Deus pode receber o verdadeiro culto de adoração.  Dá-se, porém, o culto de veneração aos servidores de Deus que já estão unidos a Ele plenamente na glória e pela comunhão que mantém conosco, nos atraem para Deus e nos ajudam a percorrer o caminho que trilharam e que nos conduzem à meta na qual nos precederam. Eles são provas evidentes do amor de Deus e neles Deus nos fala. Se veneramos os santos é porque descobrimos neles mais vivamente a presença e o rosto de Deus, neles se manifesta a imagem de Deus, o Único Santo.          

Por isso, o culto aos santos não rebaixa nem diminui a adoração a Deus, pelo contrário, enriquece-a intensamente porque nos aproxima mais da única santidade de Deus que devemos imitar pessoalmente como o fizeram homens como nós enquanto percorriam o mesmo caminho que estamos percorrendo.          

Do ponto de vista cristológico sabemos que Cristo é o Santo de Deus (Mc 1,24). Ele é a imagem do Deus invisível (Cl 1,15). A santidade do homem consiste em sua perfeita união com Jesus (LG 50). Os santos são santos porque imitaram e viveram os ensinamentos de Jesus, Senhor de todos os santos. Eles produziram em si mesmos, de forma significativa, o mistério pascal de Jesus. Por isso, a união com os santos e seu culto unem-nos a Jesus, de quem dimana toda a graça santificadora; eles são seus amigos e co-herdeiros. Enfatiza-se muito, por isso, esse valor cristológico do culto aos santos na celebração eucarística.          

Quando nós veneramos os santos, portanto, não somos idólatras. Se nós admirarmos e louvarmos um quadro de valor, por acaso o pintor deste quadro se sentirá ofendido? Ao contrário, ele não ficará feliz? Os santos são as obras artísticas de Deus, Aquele que esculpiu e pintou o seu semblante na alma deles. Se admirarmos ou louvarmos os filhos, por acaso o pai se ofenderá? O pai não ficará feliz pela admiração dada aos seus filhos por outras pessoas? Os santos são os filhos prediletos do Senhor, aqueles que mais se lhe assemelham.          

Mas devemos reconhecer que há pessoas que amam o santo ou a santa, mas não a sua santidade. São muitos cristãos que recorrem aos santos somente para os interesses materiais ou só para alcançar determinada graça e não para pedir a graça de seguir o exemplo desses santos. Podemos encontrar muitíssimas pessoas em volta do altar de santos, mas poucas que seguem os exemplos que os santos nos deixaram. Não podemos abusar dos santos só para atender nossos desejos materiais, esquecendo que precisamos seguir seus exemplos de santidade.  Devemos saber que não há devoção mais eficaz do que a imitação das virtudes dos santos. Para que, seguindo o exemplo dos santos que viveram segundo os ensinamentos de Cristo durante sua vida terrena, possamos também alcançar a santidade para a qual todos nós somos chamados.           

A vocação à santidade é universal. Todos são chamados à santidade, segundo diz S. Paulo: “Pois esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (cf. 1Ts 4,3; Ef 1,4). E o fundamento de nossa santidade ou da nossa perfeição é Jesus Cristo, cumpridor fiel da vontade de Deus. Como dizia Santa Teresa do Menino Jesus: “...Quem aspira à santidade deve fugir à tentação de querer santificar-se ao seu modo, conforme a própria vontade, seu ponto de vista, seus planos humanos, mas entregar-se inteiramente à vontade de Deus. Deus traça o caminho e o homem deve segui-lo” (Santa Teresa de Jesus, Fd.5-10). E na mesma perspectiva São João da Cruz ensinou: “A santidade, ou seja, a união autêntica com Deus consiste na total transformação de nossa vontade na vontade de Deus, de tal modo que, em nós, nada contrarie a vontade do Altíssimo, mas nossos atos dependem totalmente do beneplácito divino” (Subida I-II,2).          

Portanto, o culto verdadeiro de veneração que prestamos aos santos não deve terminar neles. Ao contrário, deve acabar em Cristo como fonte da missão, grandeza, dignidade e privilégios destes santos. Os santos nos ajuda a termos fé firme em Jesus Cristo, mesmo que nos encontremos numa situação sufocante.          

Os santos são um grande exemplo de santidade e de cumprimento da vontade de Deus para nós. Não pensemos que não podemos resistir às tentações. Também os santos tiveram carne e sangue como nós; experimentaram as tentações como as nossas tentações, contudo eles venceram. Basta ler a história da vida dos santos, como Santo Agostinho, São Francisco de Assis, São João da Cruz, Santa Teresa de Ávila e muitos outros santos, saberemos as lutas sem tréguas deles contra as paixões desordenadas, contra as tentações e outros problemas, no entanto venceram. Apesar de tantas dificuldades, os santos viveram os ensinamentos de Cristo até o fim de sua vida. Se eles venceram, será que nós não podemos vencer também? 

Segundo o Evangelho deste dia, Jesus veio ao mundo para fazer todos felizes e indicar qual é o caminho para alcançar a felicidade. Jesus faz sua proposta sobre como podemos ser felizes ou bem-aventurados. Jesus nos oferece um modelo de vida, uns valores que, segundo Ele, são os que nos podem fazer felizes de verdade. A proposta de Jesus são as bem-aventuranças que lemos neste dia no evangelho. 

As bem-aventuranças são uns pensamentos, umas sentenças que à primeira vista podem desconcertar o sentido comum. Jesus nos diz que serão bem-aventurados os pobres no espírito, os sofridos, os que choram, os que têm fome e sede da justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que trabalham pela paz, os perseguidos por causa da justiça. 

Somente serão autenticamente felizes os que põem toda sua confiança em Deus e tudo o mais fica no segundo lugar; somente os que sabem viver umas atitudes de desprendimento, de humildade, de desejo de justiça, de preocupação e de interesse pelos problemas dos demais. É uma felicidade que aponta para o fundo do coração, para o mais transcendente de si mesmo, para a salvação. Jesus declara felizes àqueles que mantêm viva a confiança em Deus apesar de serem indefesos, oprimidos, marginalizados e perseguidos por causa do bem praticado e do amor vivido até o fim.

Quem São Os Santos Na Proclamação Das Bem-aventuranças?                                                             

Os felizes são os que têm um coração centrado em Deus e que se traduz no amor ao próximo e que rejeitam toda espécie de idolatria. Os pobres em espírito são aqueles se submetem interiormente, sem resistência à vontade de Deus. O espírito de humilde submissão à vontade de Deus, nasce da fé inabalável na soberania e na misericórdia de Deus e que se traduz em atitudes e condutas de bondade e de mansidão, de misericórdia e de compaixão, de tolerância e de compreensão na convivência com os outros. Os santos não se fecham no próprio egoísmo, mas sabem ser solidários com todos, especialmente com os mais necessidade partilhando qie se tem e o que se é.          

Os felizes são os mansos que, por não responderem à violência com violência, estão prontos a perdoar. Jesus declara felizes não os que são mansos por temperamento, mas os que, apesar de não disporem de meios para fazer valer seus direitos, não são violentos nem agressivos, mas pacientes e indulgentes. Eles acreditam que a vida baseada no princípio “olho por olho” só resulta na cegueira, e na cegueira nada se vê, só escuridão.          

Os felizes são os indefesos que não têm como defender seus direitos por falta de recursos, mas que esperam somente a intervenção divina. Os felizes são os que não pactuam com a maldade, com a divisão, com a malícia, nem se deixam levar pela lógica da dominação e do autoritarismo.         

Os felizes são os que têm um coração cheio de misericórdia para com os semelhantes. Um misericordioso é aquele que é capaz de amar até a pessoa que não merece ser amada do ponto de vista humano. Mas por acreditar na misericórdia de Deus, ele sempre quer o bem da mesma.          

Os felizes são os promotores da paz que procuram criar laços de amizade e banir toda espécie de ódio, ajudar a superar as divisões para que mundo seja cada vez mais fraterno, e mais humano. Santo Agostinho dizia: “Não basta ser pacífico. É necessário ser promotor da paz. Quem são os pacíficos? Não os pacifistas, mas os promotores da paz. Não basta estar disposto a perdoar ou ignorar os inimigos, é preciso amá-los e ter compaixão por eles. Não odeias aos cegos, mesmo que ames a luz. Da mesma forma, deves amar a paz sem odiar os que fazem guerra”.          

Os felizes são os perseguidos por causa da justiça, por causa do bem que fazem, por viverem retamente. Quem sempre faz o bem, muitas vezes acaba sendo perseguido e crucificado como Jesus. Mas ele é feliz, pois até o fim ele é capaz de dizer sim para o bem e dizer não para o mal. Quem pára de crescer neste espírito das bem-aventuranças, começa a morrer de verdade.          

Portanto, as bem-aventuranças são uma proclamação de amizade de Deus para as pessoas que participaram do espírito dessas bem-aventuranças e também são um programa da vida de cada cristão (vocação à felicidade é para todos), e são uma celebração da felicidade como dom ou graça presente, como uma realidade já presente e não apenas como algo depois da morte ou uma recompensa futura pela carência na terra. Se entendêssemos as bem-aventuranças somente como uma compensação para depois da morte, elas seriam “ópio do povo”. Em outras palavras, somos felizes já na medida em que pertencemos a Deus no presente que se traduz na vivência da fraternidade universal. Então, também o futuro de Deus nos pertence. A partir daí, o céu é a experiência de compartilhar a alegria, a paz e o amor de Deus na plena capacidade humana.          

As pessoas felizes, das quais Jesus fala neste discurso, então, são felizes agora por causa do futuro que se abre para elas. Elas são felizes porque têm uma esperança magnífica apesar das tribulações e sofrimentos por uma causa digna para um ser humano. É uma felicidade voltada para o futuro e que se antecipa na esperança do que está por vir. Mas esta esperança não pode ser separada de uma realidade vivida no momento presente. As bem-aventuranças se dirigem a algumas categorias de pessoas caracterizadas por suas situações interiores, como são ditas nesse sermão de Jesus. É a elas que é oferecida a esperança. O futuro feliz torna-se realidade presente na pessoa de Jesus e tem nele a sua garantia.          

Depois de ler as bem-aventuranças e de refleti-las, você pode-se perguntar: “Você é feliz no critério de Jesus? Ou você não está feliz? Por que esta infelicidade?” Para que tenhamos o espírito das bem-aventuranças, para que possamos realmente ser felizes, temos que deixar Deus dominar nossa vida, temos que deixar Deus conduzir nossa vida e nossas decisões. Santo Agostinho dizia: “Deus, de quem separar-se é morrer, a quem retornar é ressuscitar, com quem habitar é viver. Deus, de quem fugir é cair, a quem voltar é levantar-se, em quem apoiar-se é estar seguro”.  

Todos os batizados são chamados à santidade. Pois esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (cf. 1Ts 4,3; Ef 1,4). O Papa Francisco escreveu: “Deixa que a graça do teu Batismo frutifique num caminho de santidade. Deixa que tudo esteja aberto a Deus e, para isso, opta por Ele, escolhe Deus sem cessar. Não desanimes, porque tens a força do Espírito Santo para tornar possível a santidade e, no fundo, esta é o fruto do Espírito Santo na tua vida (cf. Gal 5, 22-23). Quando sentires a tentação de te enredares na tua fragilidade, levanta os olhos para o Crucificado e diz-Lhe: «Senhor, sou um miserável! Mas Vós podeis realizar o milagre de me tornar um pouco melhor». Na Igreja, santa e formada por pecadores, encontrarás tudo o que precisas para crescer rumo à santidade. ‘Como uma noiva que se adorna com as suas joias’ (Is 61, 10), o Senhor cumulou-a de dons com a Palavra, os Sacramentos, os santuários, a vida das comunidades, o testemunho dos santos e uma beleza multiforme que deriva do amor do Senhor” (Gaudete et Exsultate n.15).

Pedimos a ajuda dos santos que viveram os ensinamentos de Cristo até o fim, para que possamos também viver segundo os ensinamentos de Cristo até o fim de nossa vida terrestre para que um dia mereçamos ser chamados de santos.

P. Vitus Gustama,SVD

Quarta-feira Da XXIV Semana Comum, Ano Par, 16/09/2026

VIVER NO AMOR E NA SABEDORIA DE DEUS Quarta-Feira da XXIV Semana Comum Primeira Leitura: 1Cor 12,31-13,13 (Ano Par) Irmãos, 12,31 Aspi...