sexta-feira, 4 de julho de 2025

XIV Domingo Comum, Ano "C",06/07/2025

VIVER PERMANENTEMENTE COMO ENVIADOS DO SENHOR

XIV DOMINGO DO TEMPO COMUM “C”

I Leitura: Isaías 66, 10-14c

10 Alegrai-vos com Jerusalém, exultai com ela, todos vós que a amais. Com ela enchei-vos de júbilo, todos vós que participastes no seu luto. 11 Assim podereis beber e saciar-vos com o leite das suas consolações, podereis deliciar-vos no seio da sua magnificência. 12 Porque assim fala o Senhor: «Farei correr para Jerusalém a paz como um rio e a riqueza das nações como torrente transbordante. Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os joelhos. 13 Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém sereis consolados. Quando o virdes, alegrar-se-á o vosso coração e, como a verdura, retomarão vigor os vossos membros. 14c A mão do Senhor manifestar-se-á aos seus servos.

II Leitura: Gálatas 6, 14-18

Irmãos: 14 Longe de mim gloriar-me, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. 15 Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão valem alguma coisa: o que tem valor é a nova criatura. 16 Paz e misericórdia para quantos seguirem esta norma, bem como para o Israel de Deus. 17 Doravante ninguém me importune, porque eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus. 18 Irmãos, a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com o vosso espírito. Amen. 

Evangelho: Lc 10,1-12.17-2

1 Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. 2E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. 3 Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. 5Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. 6 E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. 7 Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa.8 Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, 9curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’. 10 Mas quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: 11 ‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’. 12 Eu vos digo: Haverá mais tolerância, naquele dia, para Sodoma do que para essa cidade». 17 Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome». 18 Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. 19 Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano. 20 Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus».

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Estar Permanentemente a Caminho

O texto pertence à segunda fase ou a segunda parte do ministério de Jesus (Lc 9,51-18,34). A primeira parte (Lc 3,1-9,50) fala da atividade de Jesus na Galileia. Pela grande maioria dos estudiosos, esta segunda parte (Lc 9,51-18,34) é tratada como a Grande Viagem/Caminhada de Jesus rumo a Jerusalém. Seis vezes, Lucas diz que Jesus está a caminho.

A meta da caminhada de Jesus é Jerusalém, tanto no sentido geográfico como no sentido do ponto de chegada de toda uma história de promessas e expectativas, pois Jesus é o Messias, o Ungido esperado, Cumpridor das promessas. A meta final de Jesus não é o fracasso e a morte e sim a libertação total e a vida nova, a ressurreição.

Jerusalém é o ponto da chegada da missão, mas até lá há um vasto caminho a percorrer. A missão na Samaria ocupa um tempo maior do que a missão na Galileia ou em Jerusalém. Tem-se a impressão de que Jesus tem mais carinho para com os samaritanos e pagãos do que para com os galileus ou judeus (embora Jesus seja recusado pelos samaritanos. cf. Lc 9,51-56). Esse carinho se manifesta outra vez, de modo muito singular, quando Jesus conta a parábola do Bom Samaritano (Lc 10,25-37). Por isso, há uma sugestão que queira dividir o Evangelho de Lucas em três grandes partes: Ministério na Galileia (4,1-9,50); Ministério na Samaria (9,51-18,34); e Transição por Jericó e Ministério em Jerusalém (19,28-24,12).          

O tema sobre o “caminho” no seguimento a Jesus qualifica a existência e a vida da comunidade cristã como experiência aberta, dinâmica, progressiva e renovada. O tema sobre o “caminho” leva qualquer cristão a concluir que viver a vida cristã é viver na permanente caminhada, viver no constante crescimento e na renovação contínua no Espírito do Senhor.  Se o cristão ou qualquer comunidade não se superar permanentemente, ele ou ela se tornará irrelevante para seu mundo atual em que vive. Se não estiver melhorando, certamente estará piorando. As pessoas com resultados extraordinários mudam primeiro a própria vida. Caminhar com o Senhor é aprender a pensar com capacidade para evitar pensamentos de pobreza e miséria. A pobreza é um estado mental vazio e decadente, sem sonhos nem metas. Quando o cristão ou qualquer líder de um grupo, de um movimento, de uma pastoral, de uma comunidade fecha os círculos e não deixa entrar mais ninguém, nem novas reflexões nem novos horizontes para ampliar a visão, nunca vai conseguir liberar seu potencial, pois estará infringindo a “lei da multiplicação” e da qualidade. No mundo tudo está mudando vertiginosamente, a um ritmo muito acelerado. Os conceitos e conhecimentos adquiridos servem para dar informação, mas precisam ser atualizados regularmente. Vivemos no mundo que está sempre sujeito para as modificações. Inevitavelmente a mudança muitas vezes significa quebra de estruturas para o começo de um sucesso. Temos que aprender a abrir mão de tudo aquilo que não serve. O bem-sucedido sempre muda, porque procura se aprimorar. O cristão deve estar aberto para os novos caminhos do Senhor, para as novas reflexões, pois o Espírito sopra para onde quer e por isso, ninguém é capaz de dominar o Espírito do Senhor. Ninguém pode embrulhar o Espírito Santo e levar para onde quer. Cada um é que precisa viver no impulso do Espírito do Senhor. Temos certeza de que com Jesus ressuscitado, a caminhada cristã na história está sob o signo da esperança, sem crises de resignação ou sem fanatismo. O fanatismo é sinal de fechamento para qualquer renovação e horizonte novo.

Todos Os Cristãos São Enviados do Senhor       

No capítulo anterior, lemos que a missão antes foi confiada aos doze (Lc 9,1-6). A obra de Jesus não está encerrada. Desde o início, o Senhor Jesus estava ciente da necessidade de seus irmãos e irmãs (seus discípulos) levarem adiante sua missão. Desde muito cedo, cercou-se de um grupo de doze, que incluía alguns discípulos, amigos e colaboradores. Mas não limitou sua escolha a apenas doze. O Evangelho de hoje nos conta que ele enviou setenta e dois discípulos, dois a dois, para proclamar a Boa Nova do Reino.

Este texto deixa bem claro que a tarefa da evangelização não é tarefa exclusiva dos pastores do povo de Deus, nem monopólio dos missionários. Toda a comunidade eclesial é missionária, sempre e em todos os lugares. Enquanto nos evangelizamos, todos os cristãos podem e devem ser evangelizadores, pois, por meio dos sacramentos da vida cristã, participamos da missão de Cristo: anunciar a salvação de Deus à humanidade.

A oportunidade de anunciar Cristo está muito próxima de nós, em nossos círculos sociais ou familiares: pais com seus filhos, cônjuges entre si, parentes, vizinhos, amigos, colegas ou colegas de classe. Todos devem se evangelizar e evangelizar os outros que não tem ainda a oportunidade de conhecer Jesus Salvador suficientemente. Como evangelizamos? Não é necessário pregar, se o testemunho de vida é importante; hoje como ontem, o que o Evangelho mais precisa são de testemunhas, testemunhas pessoais de Cristo e daquela ternura de Deus de que fala a primeira leitura, testemunhas humildes, possuídas da força do Espírito que vem em auxílio da fraqueza humana.

Nossa missão hoje como ontem é ser mensageiros da paz e da alegria que a Boa Nova de Cristo representa para a humanidade e para o mundo de hoje.

Realiza-se e expande-se através dos setenta (e dois) discípulos. Há provas tiradas dos certos manuscritos de que se deve ler “setenta” em vez de “setenta e dois discípulos”. Mas outros não o confirmam. Há ainda uma incerteza em determinar o número certo. Ambos os números são simbólicos. Há efetivamente uma alusão a dois textos do AT: Gn 10 e Nm 11,16-30 (cf. também Ex 24,1.9-14). Gn 10  divide o mundo em setenta povos diferentes. Mas a antiga tradução grega do Gênesis cita setenta e duas nações. Setenta e dois é seis vezes o número de tribos em Israel. Nm 11,16-30 relata que Moisés escolheu setenta anciãos a quem Deus concedeu espírito. Também os membros do supremo congresso da nação judaica, no tempo de Jesus, o sinédrio, contava setenta membros. Mas o pretenso envio a todos os povos da terra contrasta com a expressa proibição, mencionada em Mt 10,5, de irem “pelo caminho dos gentios”, proibição que Lucas omite em consideração a seus leitores gentios.          

Com o número setenta (e dois) Lucas quer nos dizer que a missão não é apenas exercida por um pequeno grupo de pessoas, mas todos os que seguem a Jesus têm a mesma missão de continuar a obra de Jesus. Todos os cristãos tem a mesma missão. Missão significa que alguém é enviado. Jesus envia todos os cristão ao mundo para serem testemunhas de tudo o que Jesus fez e disse, especialmente de sua morte e ressurreição.          

Infelizmente, porém, fizemos e fazemos da Igreja, muitas vezes, não uma estrutura aberta a serviço de um mundo melhor, e sim uma arca da salvação. Pensamos em nós mesmos como o povo escolhido, separado do resto, salvo do mundo malvado, esquecendo-se que somos sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-14). Se o cristianismo é simplesmente um caminho de vida para nós, ficamos felizes por viver e deixar de viver: tolerantes e conciliadores. Se, porém, pensarmos em nós como sal ou fermento, então buscaremos não apenas estar presentes, mas também estar presentes para transformar e iluminar e melhorar.          

Os Cristãos São Enviados Para Trabalhar Juntos          

Os discípulos são enviados para preparar a chegada de Jesus. Eles desempenham um papel de precursores. Eles são enviados. Quem envia tem mais autoridade sobre quem é enviado. O que cabe aos discípulos é anunciar(compare Jo 1,30). O único Mestre, o embaixador do Pai é Jesus Cristo. Por isso, não deve ter confusão entre o papel do discípulo e o do Mestre (Lc 6,40). Por isso, os discípulos devem estar conscientes sempre que eles não podem anunciar-se a si próprios, pois eles são mensageiros que colaboram com o Mestre.          

Segundo Nm 35,30; Dt 17,6;19,15 o testemunho próprio ou só de uma pessoa não tem validade. Para que um testemunho tenha valor jurídico tem que ter no mínimo duas pessoas. Na tradição rabínica duas pessoas eram o mínimo, mas também o suficiente para formar comunidade.          

A tarefa dos discípulos não é pregar sua própria mensagem e sim preparar o caminho de Jesus e dar testemunho dele. Esta é a missão permanente da Igreja. A missão dos discípulos tem como primeiro princípio ser testemunho de amor, perdão, justiça e verdade, dentro da comunidade. Para ser enviado tem cada cristão deve ter o amor no coração, pois a alma da missão é o amor. Por amor Deus enviou sue Filho unigêntio para nos salvar (Jo 3,16). Por amor devemos trabalhar. E sobre o amor seremos julgados por Deus no julgamento final (cf. Mt 25,31-46). 

Dois a dois farão a primeira experiência de testemunho e suporte mútuo entre eles e depois para os outros. Há vários exemplos que encontramos no NT: Pedro e João (Mc 6,7;At 8,14); Barnabé e Paulo (At 13,2;15,2);Judas e Silas (15,32); Barnabé e Marcos (At 15,39); Paulo e Silas (At 15,40). Ser testemunha, o primeiro testemunho do irmão é o desafio permanente do discipulado. Para conseguir resultados é necessária uma equipe e organização. 

Os Cristãos São Enviados Para Trabalhar Na Mansidão E Na Retidão          

O lobo do qual fala o Evangelho de hoje é o símbolo da violência e da arrogância, da vontade de dominar e de corromper os outros. O cordeiro simboliza a mansidão, a fraqueza, a fragilidade. O cordeiro só consegue se salvar da agressão do lobo se o pastor intervém na sua defesa. Os discípulos não podem contar com a força, o poder e a violência. Devem estar sempre desarmados. Para isso, é necessário que os discípulos estejam vigilantes para que eles não sejam conduzidos a cumprir as ações dos lobos como o abuso de poder, as agressões, as violências etc..  Além disso, eles devem estar conscientes de que a calúnia, a perseguições e até a morte são o resultado de quem trabalha na messe do Senhor porque diante dos poderosos deste mundo que se preocupam com o próprio poder, os discípulos precisam falar da justiça, da vida, do bem e do plano de Deus a respeito do universo e do destino do homem. Aparentemente o uso da força dá resultados, mas sempre se trata de resultados efêmeros. Jesus salvou o mundo, comportando-se como cordeiro, não como lobo. 

Os Cristãos São Enviados Na pobreza Por Um Bem Superior         

No Evangelho de hoje Jesus pede aos discípulos para levar somente o necessário ou aprender a viver na pobreza evangélica, pois eles confiam totalmente n’Aquele que os enviou. Quando se fala da pobreza sublinha-se principalmente a pobreza do ser. O cristão deve confiar no Criador e não apenas busca a criação. Esta pobreza nos faz vinculados essencial e existencialmente a um outro ser, no caso, a Deus. Esta pobreza é a raiz e causa de toda e qualquer outra pobreza, especialmente a pobreza voluntária. Aceitar a pobreza voluntária significa viver sem segurança. Aceitar a pobreza é um verdadeiro desprendimento, uma espécie de morte. A pobreza voluntária deve sempre nascer de uma ideia, deve ter uma motivação, a realização de uma finalidade: a procura de um bem superior ao bem que se deixa. A pobreza voluntária faz alguém abrir-se a Deus para viver mais intensamente a vida de comunhão com ele e receber mais luz e força no caminho a percorrer. Mas não podemos confundir a pobreza imposta(empobrecimento), a miséria desumana e desumanizante que o pobre deve assumir e aceitar, forçosamente, com a pobreza voluntária, aceita e assumida conscientemente. A primeira é causada pela maldade, a injustiça e a corrupção; portanto, fruto do pecado. A segunda é fruto do amor, da liberdade, do reconhecimento da paternidade divina e da fraternidade universal. E é esta a pobreza que Deus quer de todos, ricos e pobres: a condivisão, a comunhão com nossos irmãos, daquilo que recebemos. Este tipo de pobreza é redentora porque é um compromisso de fé, uma abertura ao serviço do Reino de Deus e amor ao próximo. Quem não tiver a coragem de colocar toda a própria confiança na proteção que lhe é dada pelo Senhor, nunca será uma testemunha confiável do Reino que se aproxima. 

Os Cristãos São Enviados Para Anunciar a Paz          

A paz é o primeiro imperativo: “Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa” (v.5). Pregar a paz é pregar a harmonia com Tudo (Deus) e com todos (eu, próximo e natureza). O anúncio da paz é um mandato de Jesus para o discípulo. A paz é a plataforma do Reino. Jesus insiste, mesmo depois da Ressurreição, para que os discípulos tenham a paz (cf. Jo 20,19-21). Anunciar a paz a uma casa, a um coração configurava o gênero profético de mensagem: “Como são belos, sobre os montes, os pés do mensageiro que anuncia a paz...” (cf. Is 52,7). Uma vez que a paz foi anunciada, o resultado depende de quem a recebe ou a rejeita (v.6).Todo o discípulo, antes de ir para a missão, precisa encontrar a paz para si próprio. Ele deve estar em paz para ser portador da paz. Viver em paz com os outros evita e cura a agressividade entre os irmãos. 

Os Cristãos São Enviados Para Propor e Não Para Impor a Mensagem

O Evangelho pode ser aceito, mas também rejeitado. Se alguém/uma cidade recusar, Jesus ensina para que o discípulo sacuda o pó dos seus pés(vv.10-12). Sacudir o pó que se gruda nos calçados ou nos próprios pés significa um sinal de separação, de distanciamento e de ruptura de contato. Por isso, carregar o pó de um lugar para outro seria carregar o contato, as relações e as conseqüências entre um espaço e outro.          

A ordem de Jesus de sacudir o pó dos pés pode ser interpretada de duas maneiras: primeiro, como um sinal de protesto e de ruptura pela não acolhida, uma maldição e devolução da responsabilidade pela atitude desrespeitosa com o discípulo. Quem não aceita Cristo arruína sua própria vida, torna-se responsável pela própria infelicidade e pelos próprios males. Segundo, pode ser um simples sinal de separação. Diante de uma atitude má de alguém deve-se ter a capacidade de sepultar fatos negativos para que não influenciem em outros depois. Bater o pó, neste sentido, é a maturidade de compreender e superar fatos desagradáveis e continuar a agir, em outros lugares, não condicionados pelos primeiros. 

Será que temos consciência de que como cristãos somos todos enviados do Senhor? Será que vivemos como enviados do Senhor? Será que temos consciência de que viver como enviados significa viver permanentemente a caminho. Em qualquer lugar onde estivermos e para onde formos somos enviados de Deus. Não esqueçamos isso! Somos cristos batizados e ungidos, seguidores de Cristo. Consequentemente, ser seguidor de Cristo nos constitui em missionários. Missionários da compaixão, da misericórdia. Como se faz isto? É fazer caso da chamada de Deus, sentir-se responsável do desígnio divino, ser misericordiosos/compassivos e diligentes, lutar contra o mal, animar os demais, viver despojado.

São João Crisóstomo dizia:  Não há nada mais frio que um cristão despreocupado da salvação alheia. Não podes aduzir como pretexto a tua pobreza econômica. Acusar-te-á a velhinha que deu as suas (duas) moedas no Templo (únicas moedas que possuía para viver). O próprio Pedro disse: ‘Não tenho ouro nem prata’(At 3,6). E Paulo era tão pobre que muitas vezes passava fome e não tinha o necessário para viver. Não podes pretextar a tua origem humilde: eles também eram pessoas humildes, de condição modesta. Nem a ignorância te servirá de desculpa: todos eles eram homens sem letras. Sejas escravo ou fugitivo, podes cumprir o que depende de ti. ... Não invoques a doença como pretexto, pois Timóteo estava submetido a freqüentes indisposições...Cada um pode ser útil ao seu próximo, se quiser fazer o que está ao seu alcance(Homilia 20 sobre os Atos dos Apóstolos).  

P. Vitus Gustama,svd

quinta-feira, 3 de julho de 2025

07/07/2025-Sábado Da XIII Semana Comum

CONFIAR EM DEUS EM TODOS OS MOMENTOS, POIS ELE É SOBERANO

Sábado da XIII Semana Comum

Primeira Leitura: Gn 27,1-5.15-29

1 Quando Isaac ficou velho, seus olhos enfraqueceram e já não podia ver. Chamou, então, o filho mais velho Esaú, e lhe disse: “Meu Filho!” Este respondeu: “Aqui estou!” 2 Disse-lhe o pai: “Como vês, já estou velho e não sei qual será o dia da minha morte. 3 Toma as tuas armas, as flechas e o arco, e sai para o campo. Se apanhares alguma caça, prepara-me um assado saboroso, 4 como sabes que eu gosto, e traze-o para que o coma, e assim te dar a bênção antes de morrer”. 5 Rebeca escutava o que Isaac dizia a seu filho Esaú. Esaú saiu para o campo à procura de caça para o pai. 15 Rebeca tomou, então, as melhores roupas que o filho mais velho tinha em casa, e vestiu com elas o filho mais novo, Jacó. 16 Cobriu-lhe as mãos e a parte lisa do pescoço com peles de cabrito. 17 Pôs nas mãos do filho Jacó o assado e o pão que havia preparado. 18 Este levou-os ao pai, dizendo: “Meu pai!” “Estou ouvindo”, respondeu Isaac. “Quem és tu, meu filho?” 19 E disse Jacó a seu pai: “Eu sou Esaú, teu filho primogênito; fiz como me ordenaste. Levanta-te, senta-te e come da minha caça, para me abençoares”. 20 Isaac replicou-lhe: “Como conseguiste achar assim depressa, meu filho?” Ele respondeu: “É o Senhor teu Deus que fez com que isso acontecesse”. 21 Isaac disse a Jacó: “Vem cá, meu filho, para que eu te apalpe e veja se és ou não meu filho Esaú”. 22 Jacó achegou-se a seu pai Isaac, que o apalpou e disse: “A voz é a voz de Jacó, mas as mãos são as mãos de Esaú”. 23 E não o reconheceu, pois suas mãos estavam peludas como as do seu filho Esaú. Então, decidiu abençoá-lo. 24 Perguntou-lhe ainda: “Tu és, de fato, meu filho Esaú?” Ele respondeu: “Sou”. 25 Isaac continuou: “Meu filho, serve-me da tua caça para eu comer e te abençoar”. Jacó serviu-o e ele comeu; trouxe-lhe depois vinho e ele bebeu. 26 Disse-lhe então seu pai Isaac: “Aproxima-te, meu filho, e beija-me”. 27 Jacó aproximou-se e o beijou. Quando Isaac sentiu o cheiro das suas roupas, abençoou-o, dizendo: “Este é o cheiro do meu filho: é como o aroma de um campo fértil que o Senhor abençoou! 28 Que Deus te conceda o orvalho do céu, e a fertilidade da terra, a abundância de trigo e de vinho. 29 Que os povos te sirvam e se prostrem as nações em tua presença. Sê o senhor de teus irmãos, e diante de ti se inclinem os filhos de tua mãe. Maldito seja quem te amaldiçoar, e quem te abençoar, seja bendito!”

Evangelho: Mt 9,14-17

Naquele tempo, 14 os discípulos de João aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Por que razão nós e os fariseus praticamos jejuns, mas os teus discípulos não?” 15 Disse-lhes Jesus: “Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão. 16 Ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo repuxa a roupa e o rasgão fica maior ainda. 17 Também não se põe vinho novo em odres velhos, senão os odres se arrebentam, o vinho se derrama e os odres se perdem. Mas vinho novo se põe em odres novos, e assim os dois se conservam”.

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Os Planos De Deus São Misteriosos Para o Entendimento Humano, Mas Jamais Falham

“Como vês, já estou velho e não sei qual será o dia da minha morte. Toma as tuas armas, as flechas e o arco, e sai para o campo. Se apanhares alguma caça, prepara-me um assado saboroso, como sabes que eu gosto, e traze-o para que o coma, e assim te dar a bênção antes de morrer”. São palavras de Isaac dirigidas ao primogênito, Esaú. E “Rebeca escutava o que Isaac dizia a seu filho Esaú”. Pela sua preferência por Jacó, Rebeca enganará o marido Isaac para que Jacó possa receber as bênçãos da primogenitura que seria para Esaú, o filho que saiu primeiro do ventre materno antes de Jacó (Cf. Gn 25,19-28).

O texto da Primeira Leitura faz parte do ciclo de Isaac e seus filhos, Esaú e Jacó (Gn 25,19-37,1). O tema central deste ciclo é a luta entre dois irmãos pelo direito de primogenitura. Esaú e Jacó são gêmeos. Esaú é o favorito de Isaac, pai (Gn 25,27.28). Jacó é o favorito de Rebeca (mãe). A preferência dos pais coopera para o distanciamento dos irmãos. A luta dos dois fica inflamada quando o patriarca Isaac percebe que está para morrer (Gn 27,1). E portanto é a hora de passar a bênção da família para seu filho primogênito.

O nascimento dos dois (Esaú e Jacó) serve como a etiologia dessa luta. Esaú nasce inteiramente vermelho, da cor da terra e peludo. Ele venderá sua primogenitura por um prato de lentilha oferecida por Jacó (Gn 25,27-34). E o ser peludo lembra a forma como Jacó superará Esaú em função de possuir a primogenitura. Esaú adora a liberdade da vida do ar livre (Gn 25,7) e não leva nada a sério. Ele dá um valor aos prazeres passageiros. Suas atitudes rudes e a maneira como foge das dificuldades da vida são a causa de sua trágica queda. É uma pessoa “acomodada”, “despreocupada”.

Sobre Jacó não se descreve o aspecto físico, mas o gesto: nasceu agarrado ao calcanhar de seu irmão numa tentativa de ultrapassar seu irmão, mesmo infrutífera. Por isso se chama “Jacó”, do hebraico “cqb” = “calcanhar” e “suplantar”. “Jacó”, “suplantador”, “embusteiro”. Este nome já mostra a conduta futura de Jacó que suplantará seu irmão por meio de armadilhas ou fraude em função de ter o direito da primogenitura através de uma bênção solene do patriarca Isaac como relatou a Primeira Leitura de hoje. A marca registrada de seu caráter em relação a luta para conseguir o direito da primogenitura é o oportunismo, a luta para tirar vantagem a qualquer preço e desonestamente.

Segundo o texto da Primeira Leitura, Rebeca acha que é sua obrigação providenciar o cumprimento da promessa feita ao nascimento dos gêmeos em que o irmão mais velho (Esaú) vai servir o mais novo (Jacó). Isaac esqueceu totalmente a mensagem (cf. Gn 25,23). Uma terrível fraude foi praticada, e Rebeca corrompeu aquela sua característica positiva, que é parte de seu charme durante a juventude (Cf. Gn 24,57-58). E Jacó, por sua vez, teme ser descoberto, em vez de arrepender-se pelo pecado praticado (Gn 27,11-17). Pela fraude Jacó recebeu a bênção de primogenitura que não pode ser mais abolida (Gn 27,33).

As consequências dessa luta são a inimizade entre os irmãos: “Esaú concebeu ódio por Jacó por causa da bênção que lhe tinha dado seu pai e disse em seu coração: ‘Virão os dias do luto de meu pai, e matarei meu irmão Jacó’”. Mas sua natureza de pessoa “acomodada” não permitiu que sustentasse muito tempo a animosidade. Assim quando Jacó retornou temeroso de Padã-Arã onde Jacó fugiu, Esaú o recebeu como se nada tivesse acontecido (Gn 32,3-7; 33,1-4).

Além disso, há a separação entre Rebeca e seu querido Jacó (Gn 25,28; 27-45). Rebeca nunca mais virá Jacó e para Jacó, é a troca da segurança do lar por um futuro incerto e desconhecido (Gn 28,1-2.10).

Apesar disso tudo, Jacó era um homem tranquilo. Durante toda sua longa vida era pacífico e nunca recorreu à violência. Pelo contrário, ele temia que Esaú, seu irmão lesado e mais turbulento viesse atacá-lo. Aceitou quando Labão substituiu Raquel por Lia. Seu zelo e habilidade era cuidar dos rebanhos do sogro. Foi bondoso e afetuoso com suas esposas e filhos, nutrindo terno amor por Raquel e pelos dois filhos que ela lhe deu já na velhice: José e Benjamim. Acima de tudo, Jacó herdou de Abraão e Isaac a íntima comunicação com Deus e a promessa de que Canaã pertenceria à sua descendência. As doze tribos israelitas que ocuparam Canaã tinham os nomes de seus filhos. Os hebreus eram mencionados coletivamente como a Casa de Jacó ou os Filhos de Israel. O nome do reino bíblico de Israel foi adotado para o recém-proclamado Estado de Israel, em 1948.

Neste relato e em outros relatos encontramos o mistério de um Deus que não hesitou em usar a torpeza tanto quanto a nobreza, a impureza tanto quanto a pureza, homens a quem o mundo ouviu atentamente e mulheres que o mundo censurou. Este Deus continua a trabalhar com a mesma mistura e continua a nos surpreender. Deus pode nos usar como Seus instrumentos apesar de sermos pecadores. Mas que tenhamos uma disponibilidade para servir esse Deus que nos compreende profundamente nossos defeitos. O relato no texto da Primeira Leitura não será a última vez que Deus se servirá do mal para extrair dele um bem. Deus é o Senhor soberano de suas escolhas. Ele chama a quem quer para levar a cabo sua obra salvífica (veja a reflexão de São Paulo: Rm 9,10-13). Os direitos adquiridos não contam diante da soberana autonomia de Deus. Este será o caso de José, filho de Jacó, eleito preferentemente a seus irmãos e de Davi, o pequeno da família, de Salomão e assim por diante. E nós continuamos com nosso sentimento demasiado inclinado a monopolizar Deus em proveito próprio. E o próprio Deus se escapa dos cálculos puramente humanos. Mas por cima da debilidade humana se impõe sempre o plano de Deus.

É Preciso Colocar Deus Como Centro De Nossa Vida

O texto do Evangelho de hoje fala sobre o jejum. Mas, no contexto do evangelho deste dia, não deveríamos entender a polêmica sobre o jejum dentro do contexto da prática ascética, isto é, privar-se da comida e da bebida com uma finalidade de penitência ou de solidariedade com os necessitados, repartindo o que temos com eles. Jejuar consiste essencialmente em nos privar de alimento, pelo sentido da palavra, mas em geral é referido a qualquer tipo de privação. O jejum começa a reentrar na nossa cultura atual por razões de dieta e de estética, ou aconselhado por certas formas de religiosidade, com origem no Oriente.

É evidente que o jejum continua tendo sentido para os cristãos. Jejum é um melhor meio para expressar nossa humildade e nossa conversão aos valores essenciais diante de uma sociedade dominada pelo consumismo desenfreado. Até os judeus piedosos jejuavam duas vezes na semana (segunda-feira e quinta-feira), como também os seguidores de João. O próprio Jesus jejuou no deserto (cf. Mt 4,2). A Igreja, como sempre, também recomenda o jejum, particularmente na Quaresma e pelo menos, uma hora antes da comunhão eucarística, como está escrito no Código de Direito Canônico (CIC): “Quem vai receber a santíssima Eucaristia abstenha-se de qualquer comida ou bebida, excetuando-se somente água e remédio no espaço de ao menos uma hora antes da sagrada comunhão” (Cân. 919). Fala-se de ao menos uma hora antes da sagrada comunhão e não uma hora antes da missa.

Nós, cristãos, jejuamos porque ainda não nos deixamos invadir completamente pelo amor de Cristo Jesus. Jejuamos para Lhe dar lugar em nós, para que o Senhor possa ocupar toda a nossa existência a fim de que sejamos reflexos d’Ele neste mundo. Jejuamos para nos unirmos à sua Paixão-Ressurreição.

Mas podemos entender mal as motivações do jejum ou até cair no egoísmo e no orgulho. Por isso, a mesma Igreja, nos alerta para duas dimensões essenciais do jejum: a sua referência a Cristo e a sua dimensão de solidariedade. Além disso, nós jejuamos para nos tornarmos sensíveis à fome e à sede de tantos irmãos, e para assumirmos a nossa responsabilidade na resolução dos problemas dos pobres e carentes. O verdadeiro jejum é dividir o que temos para oferecer a quem nada tem para viver. É dar nossas roupas para cobrir quem está sem nada para se vestir, comida para quem não a tem, bebida para quem não tem nada para saciar sua sede e assim por diante (cf. Mt 25,31-46). Sabemos que jamais podemos arrancar totalmente o sofrimento alheio, mas uma parte dele pode ser aliviada com nossa solidariedade e compaixão. Ninguém pode entrar no céu feliz deixando o irmão passando fome e outras necessidades básicas para um ser humano viver dignamente.

O jejum verdadeiro consiste em quebrar todas as cadeias injustas, em repartir o pão com o faminto. Segundo o profeta Isaias (Is 58,6-9), o culto deve estar unido à solidariedade com os necessitados. Caso contrário, não agrada a Deus e é estéril. As manifestações exteriores de conversão têm a sua prova real na caridade e na misericórdia com os necessitados, com os pobres, com os carentes do essencial como um ser humano para viver.

Tendo presentes estas dimensões, entendemos melhor o sentido do jejum que nos é recomendado e pedido pela Igreja, e mais facilmente evitamos cair na busca de uma perfeição individualista e fechada, sem nos preocuparmos com Cristo presentes nos outros (Mt 25,40.45).

Por isso, o jejum cristão não consiste apenas em abster-se de alimentos. Consiste, sobretudo, em desejar o encontro com Jesus salvador e o encontro com irmão, especialmente com irmão carente do básico para viver e sobreviver como um ser humano.

Mas no contexto do evangelho de hoje o jejum deve ser entendido como sinal da espera messiânica. É uma controvérsia que os discípulos de João provocam, e que essa polêmica se refere à aceitação ou não de Jesus Cristo como o enviado de Deus. Essa polêmica tem como fundo a queixa de Jesus. Os discípulos de João e os fariseus não reconhecem Jesus como o enviado de Deus e, por isso, não mudam de vida. Por esta razão Jesus põe três comparações sobre si próprio: Primeiro, Jesus é o noivo ou esposo e, portanto, todos deveriam estar de festa e na festa e não de luto. Segundo, Jesus é o traje novo que não admite qualquer remendo ou algo de coisa velha posto no novo. Terceiro, Jesus é o vinho novo que não pode ser colocado nos os odres velhos. Os discípulos de João deveriam aprender a lição porque João chama a si mesmo de “o amigo do noivo” (Jo 3,29). O código do mundo em desenvolvimento é a renovação e a transformação. Se não há nada que mude fora de nós é porque nada mudou dentro de nós. "Se procuras algo bom, procura-o em ti mesmo até que o encontres" (Epicteto). Para que possamos alcançar nossos objetivos em tempo recorde, precisamos ser pessoas que renovam sua mente. Renovar significa colocar algo novo na mente. Uma pessoa que alcança o sucesso dos seus sonhos renova continuamente os seus pensamentos e avalia permanentemente suas atividades.

O que Jesus quer ensinar através do texto do Evangelho de hoje é a atitude que os seus seguidores devem ter: a festa e a novidade radical. Estando com Cristo e sabendo que Cristo está com eles, os cristãos não devem viver tristes. O cristianismo é, sobretudo, festa porque se baseia no amor de Deus, na salvação que nos oferece em Cristo Jesus, na vida que não termina com a morte, pois Cristo Jesus venceu a morte através de sua ressurreição. Esse mesmo Cristo Jesus nos comunica sua vida e sua graça na Eucaristia que nos faz vivermos a vida na alegria e na graça apesar de suas dificuldades, pois nosso Deus é o Deus-Conosco.

Por isso, viver em Cristo e viver com Cristo significa viver na novidade radical. Crer em Jesus Cristo e segui-Lo não significa mudar apenas alguns pequenos detalhes, ou por uns remendos novos para um traje velho ou guardar o vinho novo da fé nas estruturas caducas do pecado. Seguir Jesus significa mudar o vestido inteiro, é mudar de mentalidade para enxergar além das aparências, para ampliar o horizonte. É ter um coração novo que prefere a misericórdia ao sacrifício (Mt 9,13) . Seguir Cristo significa que os seus ensinamentos devem afetar toda a nossa vida e não somente umas orações ou práticas piedosas. As práticas religiosas isoladas do compromisso com a vida e com os necessitados não nos levam para Deus.

P. Vitus Gustama,svd

04/07/2025-Sextaf Da XIII Semana Comum

JESUS NOS CHAMA: É PRECISO OUVI-LO E SEGUI-LO E CONFIAR NELE

Sexta-Feira da XIII Semana Comum

Primeira Leitura: Gn 23,1-4.19; 24,1-8.62-67

23,1 Sara viveu cento e vinte e sete anos, 2 e morreu em Cariat Arbe, que é Hebron, em Canaã. Abraão veio fazer luto por Sara e chorá-la. 3 Depois levantou-se de junto da morta e falou aos hititas: 4 “Sou um estrangeiro e hóspede no vosso meio. Cedei-me como propriedade entre vós um lugar de sepultura, onde possa sepultar minha esposa que morreu”. 19 Assim, Abraão sepultou Sara, sua mulher, na caverna do campo de Macpela, em frente de Mambré, que é Hebron, na terra de Canaã. 24,1 Abraão já era velho, de idade avançada, e o Senhor o havia abençoado em tudo. 2 Abraão disse ao servo mais antigo da sua casa, administrador de todos os seus bens: “Põe a mão debaixo da minha coxa 3 e jura-me pelo Senhor, Deus do céu e da terra, que não escolherás para meu filho uma mulher entre as filhas dos cananeus, no meio dos quais eu moro; 4 mas tu irás à minha terra natal, buscar entre os meus parentes uma mulher para o meu filho Isaac”. 5 E o servo respondeu: “E se a mulher não quiser vir comigo para esta terra, deverei levar teu filho para a terra de onde saíste?” 6 Abraão respondeu: “Guarda-te de levar meu filho de volta para lá. 7 O Senhor, Deus do céu, que me tirou da casa de meu pai e da minha terra natal, e que me falou e jurou, dizendo: ‘À tua descendência darei esta terra’, ele mesmo enviará seu anjo diante de ti e trarás de lá uma mulher para meu filho. 8 Porém, se a mulher não quiser vir contigo, ficarás livre deste juramento; mas de maneira alguma levarás meu filho de volta para lá”. 62 Isaac tinha voltado da região do poço de Laai-Rói e morava na terra do Negueb. 63 Ao cair da tarde, Isaac saiu para o campo a passear. Levantando os olhos, viu camelos que chegavam. 64 Rebeca também, erguendo os olhos, viu Isaac. Desceu do Camelo, 65 e perguntou ao servo: “Quem é aquele homem que vem pelo campo, ao nosso encontro?” O servo respondeu: “É o meu Senhor”. Ela puxou o véu e cobriu o rosto. 66 Então o servo contou a Isaac tudo o que tinha feito. 67 Ele introduziu Rebeca na tenda de Sara, sua mãe, e recebeu-a por esposa. Isaac amou-a, consolando-se assim da morte da mãe.

Evangelho: Mt 9,9-13

Naquele tempo, 9 Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Ele se levantou e seguiu a Jesus. 10 Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos. 11 Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: “Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?” 12 Jesus ouviu a pergunta e respondeu: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. 13 Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.

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A Vida Neste Terra É Uma Peregrinação Que Um Dia Chegará Seu Fim

Abraão sepultou Sara, sua mulher, na caverna do campo de Macpela, em frente de Mambré, que é Hebron, na terra de Canaã”.

A primeira parte da Primeira Leitura fala da morte de Sara aos 127 anos de idade. Terminou, assim, o ciclo de vida de Sara na sua peregrinação neste mundo. Com Abraão Sara era peregrina de verdade. Sara morreu no seu estado de peregrina.

Abraão comprou um terreno do povo local para sepultar dignamente sua esposa, Sara. O lugar comprado vai pertencer à família de Abraão. Sara foi enterrado numa caverna dentro deste terreno, e aqui serão sepultados também Abraão, Isaac, Rebeca, Lia e Jacó. Trata-se de um lugar sagrado e digno de respeito como o são todos os cemitérios.

A caverna, onde Sara foi sepultada, é símbolo da terra e do seio materno. A caverna, símbolo da mãe terra, acolhe em seu seio Sara, a mãe terrena dos filhos das promessas. O profeta Isaías usa este simbolismo ao escrever: “Olhai para a rocha da qual fostes talhados, para a cova de que fostes extraídos. Olhai para Abraão, vosso pai, e para Sara, aquela que vos deu à luz. Ele estava só quando o chamei, mas eu o abençoei e o multipliquei” (Is 51,1-2). Sara morreu como uma pessoa abençoada.

A peregrinação de Sara neste mundo terminou. A história do homem é estruturada com base no esquema da peregrinação, no sentido de saída de Deus e retorno a Deus em uma relação entre a eternidade e o tempo, entre o céu e o mundo. Sair de si para voltar a Deus não é apenas remontar às origens, mas também e principalmente progredir em novidade e em crescimento, como Abraão no Antigo Testamento (cf. Gn 12), aumentando os dotes iniciais (cf. Mt 25,14-30). O tempo vai passando e a vida vai seguindo o tempo. Isto significa que a vida é realmente uma caminhada, uma peregrinação. Nesta peregrinação, precisamos confiar na profundidade de Deus em nós e viver dessa confiança a exemplo de Abraão (cf. Jo 14,1). Esse é o caminho para continuar andando rumo à nossa realização plena e à total comunhão com Deus na eternidade.

Casamento de Isaac Dentro Da Vontade De Deus

Depois da morte de Sara, Abraão procura para seu filho, Isaac, uma esposa para manter a descendência a fim de realizar a promessa de Deus de ter um numeroso descendente no futuro.

É interessante notar a relação de Deus com Abraão: pessoal e única. Abraão se mantém em contato com Deus. Até para escolher uma esposa digna para Isaac, Abraão entra em contato com Deus numa oração. O próprio Deus “enviará seu anjo diante de ti e trarás de lá uma mulher para meu filho”. Com sua oração Abraão põe sua missão e seu sucessor (Isaac) nas mãos de Deus de quem exige que mostre sua fidelidade a Abraão, pois o próprio Abraão sempre foi fiel a Deus. Abraão sugere a Deus um sinal, não para confirmar sua fé e sim para conhecer a moça destinada por Deus.

O Senhor, Deus do céu, que me tirou da casa de meu pai e da minha terra natal, e que me falou e jurou, dizendo: ‘À tua descendência darei esta terra’, ele mesmo enviará seu anjo diante de ti e trarás de lá uma mulher para meu filho”, disse Abraão para seu escravo de confiança.

Abraão estava na terra dos cananeus. Um casamento com uma cananeia implicaria que Isaac fizesse parte de uma família pagã. Como fruto da oração de Abraão a solução é a endogamia (consanguinidade), isto é, a esposa do sucessor (Isaac) deve provir do tronco familiar. (Endogamia: casamento entre indivíduos aparentados, geneticamente semelhantes).

Tudo isso nos mostra, teologicamente, que o Senhor dirige o destino dos homens fiéis a Ele de uma maneira misteriosa, íntima e sem prodígios aparentes. Abraão sempre proclama sua fé no Senhor do céu e da terra que o assiste e protege desde sua saída da terra natal para o lugar indicado por Deus. A providência divina nunca falta na vida de quem é fiel a Deus apesar das dificuldades encontradas. Quem estiver atento à vontade de Deus perceberá os sinais de Sua presença e será capaz de perceber a solução para os problemas existentes. A partir de Deus e abertos para Deus sempre existirá para nós o futuro desejado ou sonhado. Para Abraão, todos nós temos futuro em Deus. Deus é sentido, a esperança e o futuro da humanidade.

Será que os nossos jovens e seus pais pedem a Deus uma luz para que possa ter um futuro companheiro/companheiro digno para formar uma família que é a Igreja doméstica?

É Preciso Seguir a Jesus Para Sejamos Instrumentos de Seu Amor Para o Próximo

Depois da cura do paralítico (Mt 9,1-8), Jesus se encontra com Mateus, cobrador de impostos e o chama para segui-lo: “Segue-me!” que lemos no Evangelho de hoje.

Mateus é um homem que o povo detesta, pois um colaborador do governo romano na cobrança de impostos. Os publicanos se enriquecem ilicitamente, especialmente, a custo dos pobres. Por isso, é uma profissão odiada.

No texto do evangelho de hoje Jesus mostra sua autonomia e autoridade em escolher quem ele quiser para ser seu discípulo. Nunca podemos entender perfeitamente o mistério da escolha de Deus. Para a sociedade na época, Mateus jamais poderia ser um dos discípulos do Senhor, pois ele era um ladrão diplomado, um ladrão do dinheiro público, um impuro que tornaria o grupo dos discípulos impuro com sua adesão, pois ser cobrador de impostos significava ser pessoa impura na visão dos fariseus e dos sacerdotes. Mas Jesus desobedece aos padrões de uma cultura que manipula as pessoas e impõe a Nova Lei (cf. Mt 5,17ss). Porque “De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”, disse Jesus. A comunhão de Jesus com os pecadores para libertá-los não o torna impuro e sim o mostra como o Libertador do homem do seu passado escuro.

Qualquer pessoa pode perguntar-se: “Como pode Deus estar presente em certos ambientes, como o de Mateus, especialmente tão repugnantes, maus ou perversos, em certas situações injustas como a vida vivida pelo publicano Mateus?”. Deus se encontra ali para curar, para salvar: “Quero misericórdia e não sacrifício”. Todo o Evangelho, quando se trata de Deus, nos urge que saibamos ultrapassar a noção de justiça e descobrir a Misericórdia infinita de Deus pelos pecadores. Deus não se cansa de perdoar e de se encontrar com os pecadores, os perdidos da vida para salvá-los, pois Jesus, o Deus-Conosco, veio para chamar e salvar os pecadores.

Jesus chama Mateus para segui-lo: “Segue-me” (Mt 9,9). E ele o segue (Mt 9,9). Ele diz a mesma coisa para Simão e André (Mt 4,19) e para Tiago e João (Mt 4,21). O termo “seguir” (akoloutheo, em grego) aparece 90 vezes no NT. E Mateus imediatamente segue a Jesus. Como Jesus transformou os pescadores de peixes em pescadores de homens, assim também transformou um cobrador de impostos, um pecador público num “escriba do Reino de Deus”, num discípulos e mais ainda, num apóstolo.  Quem entra na esfera de Jesus deixa de ser como antes. Por isso, é preciso definir a que seguimos e a quem seguimos na vida para antecipar qual resultado final deste seguimento?

Mateus fez uma grande ceia, não para dizer a Deus a seus amigos e sim para que seus amigos se encontrassem com Jesus que o transformou profundamente. E os discípulos também estavam presentes para que estes seguissem a maneira de Jesus de tratar os excluídos da sociedade.

Os fariseus se escandalizam ao ver a cena. Para eles um observante da Lei jamais se senta à mesa com os publicanos que são pecadores públicos. Mas aquele que ensina o caminho de Deus, como Jesus, não pode atuar assim: “Quero misericórdia e não sacrifício”. Somente os enfermos necessitam de médico e não os sãos. Jesus está sentado à mesa porque Ele quer transmitir a Palavra de Deus que salva para poder mudar a vida daqueles que se encontram no caminho errado e concerte-los. Jesus quer transformá-los em homens justos. Por isso, o que Jesus para os fariseus é duro: “Aprendei, pois, o que significa: ‘Eu quero misericórdia e não sacrifício’”. Este “eu” é Jesus que é o Deus-Conosco. É Aquele não pode aceitar um sacrifício se antes não se fez a reconciliação com os irmãos (cf. Mt 5,23-24), se não se vive uma atitude de dom aos demais.        

“Segue-me!”. O verbo “seguir”, em sentido próprio, significa “ir atrás de alguém”; e no sentido figurado significa “ser discípulo”, “ir em seguimento de alguém”. Seguir significa andar, avançar, ver mais, aprender mais. Quem andar, quem caminhar vai encontrar muita coisa no caminho. Quem fica parado e paralisado vê menos.          

Seguir a Jesus significa romper todo o passado, e abandonar tudo para trás (cf. Mt 4,18-22;9,9s;19,21;Lc 9,61;Mc 10,28), submetendo-se com fé e obediência à salvação oferecida em Cristo. Seguir também tem sentido de imitação. Neste sentido seguir significa unir-se com Jesus numa comunhão de vida e de destino; é modelar-se segundo o exemplo de Jesus (cf. Jo 13,15.34;15,12;1Ts 1,6;1Cor 11,1;Ef 5,2;1Jo 2,6 etc.); é ser misericordioso como Ele. Assim, seguir a Jesus não é apenas aderir a um ensinamento moral e espiritual, mas compartilhar sua sorte. Por isso, Jesus exige o desapego total: renunciar às riquezas e à segurança, deixar os familiares (Mt 8,19-22;10,37;19,16-22), sem esperar o retorno (troca ou retribuição). Ao exigir de seus discípulos um tal sacrifício, Jesus se revela como Deus, única garantia, e revela integralmente até que ponto vão as exigências de Deus. Pode ser que seja até o sacrifício da cruz e até se sentir abandonado pelos outros, como Jesus sentiu (Mt 26,56).          

A partir deste sentido, somos convidados a refletir sobre o nosso seguimento de Cristo. Até que ponto nós estamos dentro deste padrão? Em outras palavras, o que significa para nós hoje seguir a Jesus? Para responder esta pergunta, devemos responder outra pergunta: quem é Jesus a quem seguimos? 

“Segue-me!” é a voz do Senhor chamando o publicano Mateus para ser seu discípulo. Podemos também nos encontrar numa situação moral, vocacional ou profissionalmente difícil como a de Mateus ou poder ser pior do que isso. Precisamos parar para ouvir a voz do Senhor que nos chama: “Segue-me!”. Esta voz deve ressoar em todas as situações de nossa vida. Jesus nos chama para a liberdade de filhos e filhas de Deus a fim de sermos instrumentos da misericórdia divina para os demais. Mateus seguiu a Jesus não para dar adeus a seus amigos e sim para que seus amigos se encontrassem também com Jesus que veio chamar os pecadores. Mateus é chamado para que os outros o sigam seguindo o Senhor que liberta.          

Seguir a Jesus é viver a sua vida; é ser misericordioso como Ele. A vida de Jesus foi marcada particularmente por amor ao Pai e aos homens, especialmente aos mais necessitados. Seu relacionamento profundo com o Pai se traduz na prática da solidariedade e da misericórdia com os marginalizados e pecadores. Seguir Jesus é não condenar e sim salvar; não excluir os outros e sim integrá-los na comunidade de irmãos; não se isolar, mas ser solidário. Seguir a Jesus é viver segundo o seu projeto. Ele quer que as relações humanas e sociais se baseiem sobre a justiça, o amor, a fraternidade e o perdão. Tudo isso se tornará realidade, se o homem se descobrir como filho de um Pai amoroso. Seguir a Jesus é estar pronto para viver o seu destino. Viver segundo o projeto de Jesus leva o seguidor a viver o martírio. O martírio é o preço a pagar pela fidelidade à causa jamais traída. Quem se propõe a seguir a Jesus deve estar pronto também para viver a bem-aventurança das perseguições (Mt 5,10s).

Eu quero misericórdia e não sacrifício”. Esta é a vontade de Jesus para todos os cristãos. Misericórdia é amar até aquele que não merece ser amado. O verdadeiro amor é querer o bem do outro, inclusive daquele que errou até gravemente na vida, moral e eticamente.

P. Vitus Gustama,svd

03/07/2015-São Tomé Apóstolo

SÃO TOMÉ, APÓSTOLO

A FÉ EM DEUS NOS TORNA VERDADEIRAMENTE FELIZES

Primeira Leitura: Ef 2,19-22

Irmãos, 19já não sois mais estrangeiros nem migrantes, mas concidadãos dos santos. Sois da família de Deus. 20Vós fostes integrados no edifício que tem como fundamento os apóstolos e os profetas, e o próprio Jesus Cristo como pedra principal. 21É nele que toda a construção se ajusta e se eleva para formar um templo Santo no Senhor. 22E vós também sois integrados nesta construção, para vos tornardes morada de Deus pelo Espírito.

Evangelho: Jo 20,24-29

24 Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25 Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir as marcas dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. 26 Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. 27 Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. 28 Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” 29 Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”

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Hoje, 03 de Julho, celebramos a festa do apóstolo Tomé, o cético, o incrédulo, o modelo dos realistas, dos pessimistas, dos que desconfiam quando as coisas saem bem. O Apóstolo Tomé é, como muitos homens modernos, um existencialista que não crê naquilo que não toca, porque não quer viver das ilusões. É aquele que pensa que o pior é sempre o mais seguro.

O quarto Evangelho, isto é, o Evangelho de João nos fornece dados sobre algumas características do Apostolo Tomé. Seu nome “Tomé” significa “gêmeo” (de origem hebraica “ta’am”, “gêmeo”, “junto”). No entanto, não se dá razão deste nome.

Segundo o quarto Evangelho Tomé exorta aos demais sobre o perigo da ida de Jesus para Betânia para ressuscitar Lázaro, no momento crítico da vida de Jesus (cf. Mc 10,32), pois Jesus é ameaçado de morte. ”Vamos todos morrer com ele!”, alerta Tomé (Jo 11,16). Mesmo assim Tomé mostra sua fidelidade a Jesus ao acompanhá-Lo para Betânia. A fidelidade de Tomé mostra sua adesão à vida de Jesus e à causa pela qual Jesus vive e exerce sua missão. Ele segue a Jesus apesar das dificuldades neste seguimento. Seguir Jesus significa viver junto, estar no coração de Jesus como Jesus está no nosso coração e morrer junto com ele para com ele ressuscitar junto.

O Evangelho de João nos fornece outra intervenção do Apostolo Tomé, desta vez, na Ultima Ceia. Na despedida Jesus disse aos Apóstolos: “Para onde eu vou, vós conheceis o caminho” (Jo 14,4), isto é para a casa do Pai, onde Jesus e os seus vão se encontrar um dia. Jesus vai preparar esse “lugar” para eles. No entanto, Tomé mostra seu pouco conhecimento sobre esse assunto: “Senhor, não sabemos para onde tu vais!” (Jo 14,5). O pouco conhecimento de Tomé sobre esse assunto é a grande oportunidade para Jesus se revelar através da famosa frase: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6).

Não tenha medo de nosso pouco conhecimento sobre o mistério de Deus. Basta mantermos as conversas com Deus nas nossas orações e meditações para que o mesmo Deus possa se revelar para nós algo pelo qual nós ansiamos tanto para compreender seu sentido.

O quarto Evangelho nos apresenta também uma cena bastante marcante a respeito do Apostolo Tomé: sua incredulidade. Ele não acreditava que Jesus tinha sido ressuscitado: “Se não vir em suas mãos o sinal dos pregos e não colocar meu dedo no lugar dos pregos e não colocar minha mão no seu lado, eu não acreditarei” (Jo 20, 25). Os sinais da crucificação no corpo de Jesus continuam marcando a memória de Tomé. Ele quer agora reconhecer Jesus através desses sinais. Isso significa que Tomé não se esquece da razão pela qual Jesus foi crucificado. Como se ele quisesse dizer: “Eu quero ver Jesus crucificado ressuscitado”.

A decepção de Tomé pela morte de Jesus mostra, no fundo, sua grande fé no mesmo Jesus e seu amor forte por Jesus. A decepção será maior por quem amamos tanto e em quem depositamos nosso amor, quando ele sair de nossa vida sem nenhuma explicação.

Depositar nosso amor no Senhor nunca nos decepciona. O quarto Evangelho nos relatou que Jesus crucificado ressuscitado volta a aparecer no meio dos discípulos entre os quais está o Apostolo Tome. Desta vez o olhar de Jesus é dirigido, especialmente, para Tomé: “Aproxima aqui teu dedo, Tomé, e olha minhas mãos; traz tua mão e coloca-a em meu lado, e não sejas incrédulo, mas crente” (Jo 20, 27). Tomé nunca se sentiu completamente comovido, porque nunca havia imaginado que Cristo atendesse um desejo tão difícil e absurdo. O pior castigo que se pode dar a quem não crê é conceder-lhe aquilo que se põe como condição indispensável para chegar à fé.

Diante dessa atenção tão grande do Senhor, que é sinal de Seu amor pelo apostolo, Tomé professa sua fé tão curta, mas tão profunda e esplêndida em todo Novo testamento: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20,28). A fé de Tomé passa de mão (queria tocar nas chagas) para o coração; passa da incredulidade para o extase da fé: “Meu Senhor e meu Deus”. Nesta confissão Tomé não só manifesta sua fé na ressurreição de Jesus (Senhor: título pós-pascal), mas também na sua divindade (meu Deus). Com esta confissão Tomé nos ensina que a conseqüência última da ressurreição do Messias é o reconhecimento de sua condição divina. Os que crêem em Jesus Cristo de todos os séculos sempre agradecem a São Tomé por este feliz e deslumbrante ato de fé: “Meu Senhor e meu Deus”.

Diante da profissão da fé de Tomé, Jesus pronuncia uma frase que nos eleva para a categoria dos felizes porque acreditamos no Senhor: “Porque me viste, acreditaste. Felizes os que não viram e creram” (Jo 20, 29). Jesus pronuncia a bem-aventurança, não tanto por Tomé como por nós. O itinerário é sempre o mesmo embora a situação histórica possa mudar. Chegamos à fé através de um ato de abandono total em Jesus morto e ressuscitado.

“Felizes os que não viram e creram”. Esta é a bem-aventurança do Ressuscitado. Crer, segundo o Evangelho deste dia, é renunciar a ver com os olhos da carne, a tocar com as mãos, a enfiar o dedo nas feridas do Ressuscitado para identificá-Lo. Crer é buscar e encontrar o Senhor, nosso Deus, na Assembléia dos que crêem que Jesus é o Salvador, na assembléia dos que encontram nos sacramentos a vida que brotou da cruz. Não conhecemos Jesus segundo a carne, não buscamos visões ou fatos extraordinários onde apoiar nossa fé. A felicidade que nos salva agora é a presença vivificante do Senhor que nos reúne pelo Espírito do Ressuscitado na Igreja onde não cessa de nos pregar o Evangelho e de partir para nós o Pão da vida. Em cada domingo somos felizes por este encontro com o Senhor que faz a morte morrer e nos dá a vida eterna e que nos alimenta com o Pão da Vida. “Fé é crer no que não vemos. O premio da fé é ver o que cremos”, dizia Santo Agostinho (Serm. 43,1,1). E acrescentou: “A fé abre a porta ao conhecimento. A incredulidade a fecha” (Epist. 136,4).

Nosso futuro em Deus é questão de fé, não de evidência. Por isso, é necessário superar um conceito tátil e comprovador de ter que colocar as mãos para estarmos seguros do que cremos. “A vida da vida mortal é a esperança da vida imortal”, dizia Santo Agostinho (In Ps.103,4,17). E “não há motivo para tristeza duradoura onde há certeza de felicidade eterna”, acrescentou Santo Agostinho (Epist. 263,4). A fé é a garantia dos bens que se esperam, a prova das realidades que não se veem”, diz a Carta aos Hebreus (Hb 11,1).

A partir do evangelho de hoje em que se narra a reunião dos apóstolos como uma comunidade cujo Cristo ressuscitado está no meio dela aprendemos que a comunidade pascal é uma comunidade de crentes que se reúnem pela fé em Cristo (At 2,42-47).

Nós somos irmãos de fé, como enfatiza a Primeira Leitura de hoje (Ef 2,19-22). Para São Paulo, o mistério de Cristo e o da Igreja estão intimamente conectados. Cristo é nossa paz: nele todos, tanto os distantes (os pagãos) como os próximos (os judeus) encontram o caminho da reconciliação e da unidade. Em Cristo já não há dois povos e sim um só; já não há separação entre gente diferente e sim unidade entre os semelhantes. Tudo isso é dom de Deus Pai, por meio de Cristo Senhor, no Espírito Santo. Neste contexto são Paulo imagina a Igreja como um grande edifício, um templo santo, a “morada de Deus”. Os “cimentos” deste edifício, no qual estão todos e vivem como “concidadãos dentro do povo de Deus”, como “família de Deus”, são os apóstolos e os profetas. No entanto, a “pedra angular” é Jesus Cristo: ele é a chave que consolida tudo e todos (o conjunto). A fé é que nos chama para formar uma comunidade onde somente há fraternidade e igualdade.

O Papa Bento XVI comentou: “O caso do apóstolo Tomé é importante para nós, ao menos por três motivos: primeiro, porque nos consola em nossas inseguranças; em segundo lugar, porque nos demonstra que toda dúvida pode ter um final luminoso, além de toda incerteza; e, por último, porque as palavras que Jesus lhe dirigiu nos recordam o autêntico sentido da fé madura e nos estimulam a continuar, apesar das dificuldades, pelo caminho de fidelidade a ele”.

Segundo uma antiga tradição, Tomé evangelizou em um primeiro momento a Síria e a Pérsia (assim afirma Orígenes, segundo refere Eusébio de Cesaréia, «Hist. Eccl. » 3, 1), e logo chegou até a Índia ocidental (cf. «Atos de Tomé» 1-2, 17 e seguintes), desde onde depois o cristianismo chegou também ao sul da Índia.

Para nós, o importante é obeservar a mudança da atitude de São Tomé. Ele tardou em compreender que sua postura diante da palavra dos companheiros não tinha sido razoável, pois, na verdade, ele tinha diante de si testemunhas fidedignas, por exemplo, Maria Madalena e os discípulos de Emaús. Mas o Senhor sempre tem paciência em esperar a resposta positivo dos seus seguiores. “Meu Senhor e meu Deus” é a mais alta e clara confissão de fé que aparece no quarto Evangelho (Evangelho de João).

Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio”. O comportamento de Tomé é a nossa tendência de pretender obter uma demonstração particular de Deus sem compromisso com os outros, com a comunidade sem integração e participação. Tomé representa aqueles que vivem fechados em si próprios e que não faz caso do testemunho da comunidade nem percebe os sinais de vida nova que nela se manifestam. Uma comunidade pode não ser perfeita, mas ela nos faz mais nós mesmos, pois nenhuma pessoa pode ser ela mesma sem as outras pessoas: suas irmãs e seus irmãos da jornada nesta vida.

Inspirado na confissão do Apóstolo Tomé, são Nicolau de Flüe rezava, que serve também para nossa oração: “Meu Senhor e meu Deus, tira de mim tudo que me afasta de Ti; meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo aquilo que me aproxima de Ti; meu Senhor e meu Deus, tira-me de mim mesmo para dar-me inteiramente a Ti”.

P. Vitus Gustama,svd

02/07/2025-Quartaf Da XIII Semana Comum

JESUS VEM NOS LIBERTAR DO MAL

Quarta-Feira Da XIII Semana Comum

Primeira Leitura: Gn 21,5.8-20

5 Abraão tinha cem anos quando lhe nasceu o filho Isaac. 8 Entretanto, o menino cresceu e foi desmamado; e no dia em que o menino foi desmamado, Abraão deu um grande banquete. 9 Sara, porém, viu o filho que a egípcia Agar dera a Abraão brincando com Isaac. 10 E disse a Abraão: “Manda embora essa escrava e seu filho, pois o filho de uma escrava não pode ser herdeiro com o meu filho Isaac”. 11 Abraão ficou muito desgostoso com isso, por se tratar de um filho seu. 12 Mas Deus lhe disse: “Não te aflijas por causa do menino e da tua escrava. Atende a tudo o que Sara te pedir, pois é por Isaac que uma descendência levará o teu nome. 13 Mas do filho da escrava farei também um grande povo, por ele ser da tua raça”. 14 Abraão levantou-se de manhã, tomou pão e um odre de água e os deu a Agar, pondo-os nos ombros dela: depois, entregou-lhe o menino e despediu-a. Ela foi-se embora e andou vagueando pelo deserto de Bersabeia. 15 Tendo acabado a água do odre, largou o menino debaixo de um arbusto, 16 e foi sentar-se em frente dele, à distância de um tiro de arco. Pois dizia consigo: “Não quero ver o menino morrer”. Assim, ficou sentada defronte ao menino, e pôs-se a gritar e a chorar. 17 Deus ouviu o grito do menino e o anjo de Deus chamou do céu a Agar, dizendo: “Que tens Agar? Não tenhas medo, pois Deus ouviu a voz do menino do lugar em que está. 18 Levanta-te, toma o menino e segura-o bem pela mão, porque farei dele um grande povo”. 19 Deus abriu-lhe os olhos, e ela viu um poço de água. Foi então encher o odre e deu de beber ao menino. 20 Deus estava com o menino, que cresceu e habitou no deserto, tornando-se um jovem arqueiro. 21 Morou no deserto de Farã, e sua mãe escolheu para ele uma mulher no país do Egito.

Evangelho: Mt 8,28-34

Naquele tempo, 28 quando Jesus chegou à outra margem do lago, na região dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois homens possuídos pelo demônio, saindo dos túmulos. Eram tão violentos, que ninguém podia passar por aquele caminho. 29 Eles então gritaram: “Que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?” 30 Ora, a certa distância deles, estava pastando uma grande manada de porcos. 31 Os demônios suplicavam-lhe: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos”. 32 Jesus disse: “Ide”. Os demônios saíram, e foram para os porcos. E logo toda a manada atirou-se monte abaixo para dentro do mar, afogando-se nas águas. 33 Os homens que guardavam os porcos fugiram e, indo até a cidade, contaram tudo, inclusive o caso dos possuídos pelo demônio. 34 Então a cidade toda saiu ao encontro de Jesus. Quando o viram, pediram-lhe que se retirasse da região deles.

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Os Conflitos Se Resolvem Quando Voltamos Para a Origem De Nossa Existência

Abraão tinha cem anos quando lhe nasceu o filho Isaac. Entretanto, o menino cresceu e foi desmamado; e no dia em que o menino foi desmamado, Abraão deu um grande banquete”.

Finalmente o filho da promessa, o filho que era esperado entre esperança e desespero, entre certeza e dúvida, nasceu: Isaac que significa “Deus sorri” ou “Deus é propício”. Quem governa o curso da vida e quem domina o tempo é o próprio Deus. Tudo tem sentido a partir de Deus. Vale a pena esperar em Deus, apesar de tudo. A partir da fé, somos convidados a ter fé maior do que nossos medos e a ter força tão grande como nossa fé. Nos nossos limites e limitações precisamos colocar nossa fé em Deus, Dono do curso da vida. O homem é convidado a realizar o possível, pois Deus faz o impossível.

Mas entre as conquistas e as realizações entra também algum conflito. Dentro de uma família, os conflitos podem se tronar uma grande miséria. O relato nos diz: “Sara, porém, viu o filho que a egípcia Agar dera a Abraão brincando com Isaac. E disse a Abraão: ‘Manda embora essa escrava e seu filho, pois o filho de uma escrava não pode ser herdeiro com o meu filho Isaac’”.

Sara tem ciúmes de Abraão porque este olha com bons olhos a Ismael e à sua mãe, a escrava Agar. Por um momento, o protagonista da história é Ismael, o primogênito, mas que não é o que vai prolongar a linha da promessa, segundo os misteriosos desígnios de Deus.

Abraão é obrigado a despedir Agar e seu filho, Ismael, e ambos empreendem uma amarga viagem ao deserto com momentos de desespero. Mas Deus pensa também nesse menino, Ismael: “Deus ouviu o grito do menino e o anjo de Deus chamou do céu a Agar, dizendo: ‘Que tens Agar? Não tenhas medo, pois Deus ouviu a voz do menino do lugar em que está. Levanta-te, toma o menino e segura-o bem pela mão, porque farei dele um grande povo’”. Ismael significa “Deus ouve”.

O Salmo Responsorial parece personificar a oração de Agar e de seu filho, Ismael, no deserto: “Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda a angústia. O anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que o temem, e os salva” (Sl 33). E a primeira leitura termina com a seguinte frase: “Deus estava com o menino, que cresceu e habitou no deserto, tornando-se um jovem arqueiro”. Diante de Deus não há nem o filho legítimo nem o filho escravo. Todos são amados por Deus.

Nas nossas angústias e no nosso desespero precisamos manter nossa fé e oração, pois há coisas na vida que não possam ser resolvidas com a força humana. Somente com oração! Rezar é estar no céu apesar de os pés pisarem sobre a terra. Rezar é entrar no espaço sagrado com os pés descalçados e o rosto sem máscara. Para Deus nós somos o que somos no momento.

Ismael vai ser o pai dos ismaelitas, nômadas do deserto, e os árabes que se referem de bom grado a Abraão como seu pai e origem.

Abraão, aos cem anos de idade, foi pai de Isaac. Ante havia tido com a escrava Agar outo filho: Ismael. Ambos são pais simbólicos do povo judeu e do povo árabe. A tradição judaica põe o acento na predileção de Abraão por Isaac. Mas não devemos esquecer o que se diz ao final do fragmento em referência ao filho da escrava: “Deus estava com o menino, que cresceu e habitou no deserto, tornando-se um jovem arqueiro”. Judeus e árabes teriam que sentar-se juntos e encontrar seu ponto de encontro no patriarca Abraão, pai comum de ambos. Esta solução tem uma força simbólica inimaginável.

Mas reconhecemos, a partir do Evangelho deste dia, que nem sempre a “nova ordem” de Jesus em que o ser humano precisa ser amado e protegido mais do que os animais/porcos (interesses egoístas) é aceitável. “A raiz de todos os males é o amor ao dinheiro”, escreveu São Paulo ao Timóteo (1Tm 6,10).  O homem sempre prefere a “velha ordem” para manter os interesses materialistas a amar o próximo. São João nos recorda: “Se alguém disser: Amo a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê" (1Jo 4,20).

É Preciso Acreditar Em Jesus Porque Ele É Mais Forte Do Que o Mal

Depois que acalmou a tempestade na cena do evangelho anterior, desta vez Jesus libertou (curou) dois enfermos dando-lhes uma nova oportunidade na vida. O ato de Jesus de libertar os dois enfermos mostra que Deus da Bíblia é o Deus que entende a realidade humana e chama o ser humano a experimentar seu amor misericordioso para poder usufruir a vida dignamente.

O milagre da libertação dos dois possuídos na região dos gadarenos está cheio de símbolos. Mateus usa vários termos nesta cena para nos levar ao sentido da cena e o sentido da presença de Jesus nessa região: dois possuídos, violentos, moram entre os túmulos (cemitério), e uma manada de porcos está por perto deles. “Túmulo” é o lugar dos mortos ou onde os mortos são enterrados. É o lugar dos impuros, como também impuros são os porcos segundo os judeus. Ao dizer que os dois homens estão “saindo dos túmulos” o texto quer nos dizer que os dois pertencem aos descartáveis, estão no nível inferior da sociedade, vivem fisicamente nas margens, longe de núcleos familiares, estão em condições de mortos em vida e estão em rebelião contra a sociedade que os oprimem (violentos).

Precisamos nos lembrar daqueles que vivem desta maneira na nossa sociedade atual, especificamente na nossa cidade onde moramos atualmente. Quem são os descartáveis nas nossas cidades ou sociedade? Que não os vejamos como algo normal porque sempre passamos por eles diariamente. É sempre uma situação desafiadora para qualquer cristão, é uma situação que nos inquieta.

Os dois, mortos em vida, vão ao encontro da Vida por excelência, que é Jesus Cristo (Jo 14,6). Mas eles se aproximam de Jesus de maneira antagônica e fazem duas perguntas rápidas: 1). “Que queres de nós, Filho de Deus?”. Eles se dirigem a Jesus como Filho de Deus e O reconhecem como homem de Deus. 2). “Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?”. Esta segunda pergunta revela a consciência do papel de Jesus como juiz escatológico, aquele que julga no fim dos tempos (Mt 25,31-46). O tempo do julgamento alvorece no ministério de Jesus embora ainda não seja plenamente.                

Sem responder às perguntas Jesus os libertou e devolveu-lhes sua dignidade como filhos de Deus e os integrou novamente na comunidade, mostrando que o poder de Jesus é superior ao mal e ao mau e o vence eficazmente.

O milagre da libertação dos possuídos não produz muito efeito para os habitantes locais, que pedem a Jesus que se retire do seu território. Eles consideram Jesus como culpado pela perda de uma manada de porcos e não lhe agradecem pela libertação dos dois homens de seus males. Jesus vai em busca dos corações dóceis ao seu poder. 

Isto significa que continua a oposição contra o plano de Deus como a tempestade contra a barca onde Jesus se encontrava. A existência alternativa do discipulado, seguindo o compromisso de Jesus para beneficiar aos excluídos, marginalizados e abandonados significa conflito porque ameaça os interesses criados pela elite de grande interesse pessoal da sociedade. Mas no coração aberto para a graça de Deus vai morar a salvação. Onde há o encontro com a Vida por excelência ali há libertação.  

Não há lugar para o poder do maligno em um mundo onde entrou ou deixa entrar o poder salvífico de Deus. E Jesus continua sua luta contra o mal. E nós com Ele. É o mal que há dentro de nós e o mal que há no mundo. É o mal dentro da Igreja e fora dela. É o mal entre os líderes da Igreja e entre os seus membros. E Jesus continua sendo forte, e nós com Ele. E no Pai Nosso pedimos sempre a Deus: “Livrai-nos do mal”, que também pode ser traduzido “livrai-nos do mau, do nocivo”.  Quando vamos comungar o Pão da Vida somos lembrados que Jesus é Aquele que tira o pecado do mundo. E somos enviados depois da comunhão a ajudar os outros a se libertarem de seus males. Devemos ser bons transmissores dessa vida recebida na comunhão para os demais para eles alcancem sua libertação e sua liberdade e vivam gozosamente sua vida. Onde houver espaço para o Bem e para o bem, não sobrará espaço para o mal. Jesus foi para a região dos gadarenos para que tenha espaço para o bem eliminando o mal daquele lugar. Somos enviados para que o bem tenha lugar na vida dos homens.                 

O poder de Jesus vence qualquer outro poder. Por isso, há um só poder com que nós devemos contar: o poder de Deus. “Quem não conta com Deus, não sabe contar” (B. Pascal). Crer verdadeiramente em Jesus, com todas as consequência deste crer, é ser vitorioso, pois Deus tem a ultima palavra sobre os homens. Mesmo que o mal tenha uma aparência poderosa, ele não tem futuro. Somente o bem tem a marca do futuro, uma marca divina, uma marca da eternidade. 

Será que somos como os gadarenos que desaprovam a presença de Jesus Cristo, nosso libertador de nossos males? Que lugar ocupa Jesus nossa vida e que lugar ocupam os bens materiais na nossa vida. Os gadarenos preferem perder Jesus a perder seus bens (porcos). Precisamos pedir a Jesus que nos liberte das cadeias que nos atam, dos males que nos possuem, das debilidades que nos impedem de uma marcha ágil em nossa caminhada cristã. E temos nos esforçar para corrigir nossos erros. Não corrigir os nossos erros é uma maneira de cometer novos erros.

P. Vitus Gustama,svd

Quarta-feira Da XXIV Semana Comum, Ano Par, 16/09/2026

VIVER NO AMOR E NA SABEDORIA DE DEUS Quarta-Feira da XXIV Semana Comum Primeira Leitura: 1Cor 12,31-13,13 (Ano Par) Irmãos, 12,31 Aspi...