terça-feira, 26 de junho de 2018

30/06/2018
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UM “PAGÃO” QUE ENSINA O CRENTE A CRER NA EFICÁCIA DA PALAVRA DE DEUS
Sábado da XII Semana Comum


Primeira Leitura: Lamentações 2,2.10-14.18-19
2 O Senhor destruiu sem piedade todos os campos de Jacó; em sua ira deitou abaixo as fortificações da cidade de Judá; lançou por terra, aviltou a realeza e seus príncipes. 10 Sentados no chão, em silêncio, os anciãos da cidade de Sião espalharam cinza na cabeça, vestiram-se de saco; as jovens de Jerusalém inclinaram a cabeça para o chão. 11 Meus olhos estão machucados de lágrimas, fervem minhas entranhas; derrama-se por terra o meu fel diante da arruinada cidade de meu povo, vendo desfalecerem tantas crianças pelas ruas da cidade. 12 Elas pedem às mães: “O trigo e o vinho, onde estão?” E vão caindo como derrubadas pela morte nas ruas da cidade, até expirarem no colo das mães. 13 Com quem te posso comparar, ou a quem te posso assemelhar, ó cidade de Jerusalém? A quem te igualarei, para te consolar, ó cidade de Sião? Grande como o mar é tua aflição; quem poderá curar-te? 14 Teus profetas te fizeram ver imagens falsas e insensatas, não puseram a descoberto a tua malícia, para tentar mudar a tua sorte; ao contrário, deram-te oráculos mentirosos e atraentes. 18 Grite o teu coração ao Senhor, em favor dos muros da cidade de Sião; deixa correr uma torrente de lágrimas, de dia e de noite. Não te concedas repouso, não cessem de chorar as pupilas de teus olhos. 19 Levanta-te, chora na calada da noite, no início das vigílias, derrama o teu coração, como água, diante do Senhor; ergue as mãos para ele, pela vida de teus pequeninos, que desfalecem de fome em todas as encruzilhadas.


Evangelho: Mt 8,5-17
Naquele tempo, 5 quando Jesus entrou em Cafarnaum, um oficial romano aproximou-se dele, suplicando: 6 “Senhor, o meu empregado está de cama, lá em casa, sofrendo terrivelmente com uma paralisia”. 7 Jesus respondeu: “Vou curá-lo”. 8 O oficial disse: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado. 9 Pois eu também sou subordinado e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: ‘Vai!’, e ele vai; e a outro: ‘Vem!’, e ele vem; e digo a meu escravo: ‘Faze isto!’, e ele faz”. 10 Quando ouviu isso, Jesus ficou admirado, e disse aos que o seguiam: “Em verdade, vos digo: nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé. 11 Eu vos digo: muitos virão do Oriente e do Ocidente, se sentarão à mesa no Reino dos Céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó, 12 enquanto os herdeiros do Reino serão jogados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes”. 13 Então, Jesus disse ao oficial: “Vai! E seja feito como tu creste”. E, naquela mesma hora, o empregado ficou curado. 14 Entrando Jesus na casa de Pedro, viu a sogra dele deitada e com febre. 15 Tocou-lhe a mão, e a febre a deixou. Ela se levantou, e pôs-se a servi-lo. 16 Quando caiu a tarde, levaram a Jesus muitas pessoas possuídas pelo demônio. Ele expulsou os espíritos, com sua palavra, e curou todos os doentes, 17 para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías: “Ele tomou as nossas dores e carregou as nossas enfermidades”.
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Em Deus Encontramos a Proteção e a Salvação


Lemos em 2Rs 24,8-17 (Primeira Leitura da Quinta-Feira passada) a conquista de Jerusalém pelo rei babilônico, o Templo de Jerusalém destruído e os elites deportados para Babilônia. Em épocas anteriores, Deus interviera para livrar o Povo eleito do ataque dos sírios (Is 7,1-9) e mais recente, das tropas de Senaquerib (2Rs 19).


Desta vez (que lemos também na Primeira leitura), na leitura dos deuteronomistas, Deus se colocou contra o povo que foi infiel a Ele. Segundo a tradição deuteronomista o estado atual do povo responde a uma lógica: o mau comportamento termina com o mau resultado. Logo, o sofrimento é merecido. Segundo este paradigma, os inimigos não são culpáveis e sim são instrumentos de Deus e fizeram o que a lógica ordenava. Neste sentido, Deus é inteiramente justo com seu povo. Podemos dizer que, a partir da lógica deuteronomista, o âmbito da dor não faz parte da realidade, ou melhor dizer, não fica totalmente integrada, tão somente é uma nota adicional ao drama que se vive ou à infidelidade que se pratica contra Deus.


Os profetas, entre eles o profeta Jeremias (Jr 25,9;26,9;28,14), tinham anunciado o desastre causado pelo pecado e pela persistência do povo no pecado (Jr 22,3). A destruição de Jerusalém, que é a sede das promessas de Deus, de sua presença e de sua justiça, significa, para o povo eleito, uma ruptura de toda a fé acumulada durante séculos.


Dentro deste contexto, podemos entender o conteúdo do Salmo Responsorial de hoje (Sl 73/74): “Senhor, por que razão nos rejeitastes para sempre e vos irais contra as ovelhas do rebanho que guiais? Recordai-vos deste povo que outrora adquiristes, desta tribo que remistes para ser a vossa herança, e do monte de Sião que escolhestes por morada! Dirigi-vos até lá para ver quanta ruína: no santuário o inimigo destruiu todas as coisas; puseram fogo mesmo em vosso santuário! Rebaixaram, profanaram o lugar onde habitais! Recordai vossa Aliança!”.


A Primeira Leitura de hoje é tirada do Livro das Lamentações. O Livro das Lamentações é breve: somente tem cinco capítulos. Trata-se de uma coleção de cinco poemas anônimos em torno ao tema comum da queda de Jerusalém.


O texto que lemos na Primeira Leitura de hoje é um canto patético de dor: a cidade destruída, os anciãos silenciosos, as lágrimas nos olhos de todos, as crianças mortas e as crianças desfalecidas de fome, e assim por diante. Mas o autor do Livro convida o povo a dirigir-se a Deus com sua oração e suas mãos erguidas para o céu, que se resume no Salmo Responsorial de hoje:Recordai-vos deste povo que outrora adquiristes, desta tribo que remistes para ser a vossa herança, e do monte de Sião que escolhestes por morada! Recordai vossa Aliança!”.


Como os judeus, temos que erguer nossas mãos até Deus e lamentar-nos de situações dramáticas de nossa época. Hoje em dia, há muita abundância em certos países, mas ao mesmo tempo há muitíssimas crianças que gritaram pedindo pão e moradia, especialmente as crianças refugiadas vítimas de guerras civis e suas mães não sabem o que fazer. Sem a ajuda de Deus e o socorro da humanidade, todas as crianças serão condenadas a partir deste mundo antes do tempo. Quando refletirmos e interpretarmos nossa história pessoal de dor ou as desgraças da comunidade cristã (muitos cristãos foram assassinados pelos fanáticos de outras crenças) ou da sociedade humana a partir da fé, todos nos tornaremos mais humildes e recorreremos a Deus como maior confiança, pois somente Deus tem as chaves da história e continua querendo nossa salvação. Muitos dos Salmos que lemos ou rezamos nos servem para expressar também nossos sentimentos e nos ajudam a lermos a história com sentido religioso e por isso, nunca perderemos nossa esperança em Deus que nos ama. O milagre dos milagres é o olhar amoroso de Deus para mim, para você, para nós todos e para a humanidade em geral. Confiamos neste olhar amoroso de Deus e estar dentro deste olhar amoroso.


Um “Pagão” Que Tem Fé Em Deus


Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado”.


Segundo Mateus, o primeiro milagre operado por Jesus, que é a cura do leproso, foi para um membro do povo de Deus. O segundo milagre foi em favor de um pagão. Tudo é um programa. O movimento missionário da Igreja já está presente nesse segundo milagre. A salvação de Deus não está reservada para uns poucos. Deus ama a todos os homens; seu amor rompe as barreiras que levantamos entre nós. Jesus fez seu segundo milagre em favor de um oficial romano, em favor de um pagão. E os romanos eram mal vistos pelo Povo eleito.


Senhor, meu empregado está de cama, paralitico”. O oficial romano não pertence a uma Igreja ou a uma religião, ou ao Povo eleito, porém se comporta como um verdadeiro homem de Deus. Ele se comporta muito humano com os outros, especialmente com aquele que no olhar da sociedade não tem importância para se tratar daquela maneira. Por isso, esse oficial romano é um verdadeiro e autêntico homem de Deus. O homem de Deus trata o outro de maneira humana, pois o outro é o filho de Deus, templo do Espírito Santo (cf. 1Cor 3,16-17). Por essa razão, podemos encontrar os cristãos em qualquer religião, crença ou grupo, pois “Vós os reconhecereis pelos seus frutos” (Mt 7,16.20). Com efeito, o paganismo não depende da pertença ou não a uma religião. O paganismo depende do modo de viver e de se comportar com os demais homens. Por isso, um cristão pode ser um pagão por causa do seu modo de viver não cristão. E aquele que se diz pagão pode ser um verdadeiro cristão se ele comportar-se como o oficial romano que se preocupa com o bem do outro e acredita no poder de Deus. Em outras palavras, existem os cristãos pagãos como existem também os pagãos cristãos a partir do modo de viver e de conviver.


Ao atender esse oficial “pagão” Jesus quer nos mostrar que ele não aceita nossas divisões, nem nossos racismos nem nossas discriminações. O coração de cada seguidor de Jesus deve ser universal e missionário, como o próprio coração de seu Mestre, Jesus Cristo. E cada cristão deve reconhecer e aceitar com facilidade qualquer pessoa do bem, independentemente de sua crença.


Senhor, meu empregado está de cama, paralitico”. A oração desse homem serve de exemplo para nós. Ele expõe simplesmente a situação; descreve a doença. E o mais notável é que ele pede em favor do outro, de seu empregado. É uma oração de intercessão. Será que eu rezo somente por mim mesmo e somente pela minha família? Será que tem lugar na minha vida uma oração de intercessão? Será que eu rezo pelos outros, especialmente pelos necessitados e por aqueles dos quais não gosta de mim ou por aqueles das quais eu não gosto? (cf. Mt 5,43-47).


O Senhor sente em todo caso o grito de sofrimento, apesar de o doente não estar presente. O Senhor não é insensível. Sua reação é imediata: "Vou curá-lo".
Mas é impressionante a profunda humildade desse oficial ao dizer a Jesus: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado”. Este pagão é muito consciente de que a lei judaica o recusa por ser pagão. Ele não quer pôr Jesus em uma situação de “impureza legal”. Por isso, ele quer evitar que Jesus entre em sua casa. “Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado“, diz o oficial a Jesus. Este homem valoriza a Palavra de Jesus, porque a Palavra de Deus está cheia de autoridade e de poder. O que interessa ao evangelista Mateus é algo muito distinto: a força da Palavra de Jesus que atua ou opera em quem crê.
O oficial romano estava muito seguro do poder de Jesus, e por isso, ele disse: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado”. Ele olha para Jesus como quem tem autoridade em Sua palavra, pois entende que a enfermidade e o mal têm que obedecer a Ele assim como os soldados obedecem ao seu general: “Pois eu também sou subordinado e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: ‘Vai!’, e ele vai; e a outro: ‘Vem!’, e ele vem; e digo a meu escravo: ‘Faze isto!’, e ele faz”. Para ele, Jesus Cristo é um grande “general” de todas as forças do universo. É uma maravilhosa comparação. O mais maravilhoso ainda é o tamanho da fé desse oficial romano.


Pela fé na Sua Palavra Jesus elogia esse homem: “Em verdade, vos digo: em ninguém em Israel encontrei tanta fé”. É a fé de quem se considera pagão. Mas se comporta como um verdadeiro cristão.


Jesus põe em contraste a incredulidade dos seus contemporâneos judeus com a fé do pagão: “Em verdade, vos digo: em ninguém de Israel encontrei tanta fé”. O tamanho da fé do “pagão” não se encontra no meio do Povo eleito. A fé que se encontra no “pagão” não se encontra naqueles que se dizem fieis ou crentes.  O “pagão” ensina o crente a acreditar na Palavra de Deus, pois ela é eficaz. É uma grande ironia! A fé que Jesus exige é um impulso de confiança e de abandono pelo qual o homem renuncia a apoiar-se em seus pensamentos e em suas forças para abandonar-se à Palavra e ao poder de Aquele em quem acredita.


Antes de receber o Corpo do Senhor na comunhão, repetimos a frase desse oficial romano: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha morada. Dize uma só palavra, serei salvo”. A Eucaristia quer curar nossas debilidades. O próprio Senhor Jesus se faz nosso alimento e nos comunica sua vida: “O Pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo. Quem come minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna” (Jo 6,51.54). A vida de Cristo que recebemos na comunhão deve transformar nossa vida em vida para os demais homens. O oficial romano nos ensina a nos preocuparmos com o bem do outro e a crermos no poder eficaz da Palavra de Deus.
P.Vitus Gustama, SVD
29/06/2018
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DEUS MISERICORDIOSO NOS AMA
Sexta-feira da XII Semana Comum


Primeira Leitura: 2Rs 25,1-12
1 No nono ano do reinado de Sedecias, no dia dez do décimo mês, Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio atacar Jerusalém com todo o seu exército. Puseram-lhe o cerco e construíram torres de assalto ao seu redor. 2 A cidade ficou sitiada e rodeada de valas até o décimo primeiro ano do reinado de Sedecias. 3 No dia nove do quarto mês, quando a fome se agravava na cidade e a população não tinha mais o que comer, 4 abriram uma brecha na muralha da cidade. Então o rei fugiu de noite, com todos os guerreiros, pela porta entre os dois muros, perto do jardim real, se bem que os caldeus cercavam a cidade, e seguiram pela estrada que conduz a Arabá.5 Mas o exército dos caldeus perseguiu o rei e alcançou-o na planície de Jericó, enquanto todo o seu exército se dispersou e o abandonou. 6 Os caldeus prenderam o rei e levaram-no a Rebla, à presença do rei da Babilônia, que pronunciou sentença contra ele. 7 Matou os filhos de Sedecias, na sua presença, vazou-lhe os olhos e, preso com uma corrente de bronze, levou-o para Babilônia. 8 No dia sete do quinto mês, data que corresponde ao ano dezenove do reinado de Nabucodonosor, rei da Babilônia, Nabuzardã, comandante da guarda e oficial do rei da Babilônia, fez a sua entrada em Jerusalém.9 Ele incendiou o templo do Senhor e o palácio do rei e entregou às chamas todas as casas e os edifícios de Jerusalém. 10 Todo o exército dos caldeus, que acompanhava o comandante da guarda, destruiu as muralhas que rodeavam Jerusalém. 11 Nabuzardã, comandante da guarda, exilou o resto da população que tinha ficado na cidade, os desertores que se tinham passado ao rei da Babilônia e o resto do povo. 12 E, dos pobres do país, o comandante da guarda deixou uma parte, como vinhateiros e agricultores.


Evangelho: Mt 8,1-4
1 Tendo Jesus descido do monte, numerosas multidões o seguiam. 2 Eis que um leproso se aproximou e se ajoelhou diante dele, dizendo: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. 3 Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fica limpo”. No mesmo instante, o homem ficou curado da lepra. 4 Então Jesus lhe disse: “Olha, não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote, e faze a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho para eles”.
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Aliança com Deus Termina Com Vitória, Mas Aliança Com o Mundo Termina Com Uma Destruição Total Ou parcial


No dia sete do quinto mês, data que corresponde ao ano dezenove do reinado de Nabucodonosor, rei da Babilônia, Nabuzardã, comandante da guarda e oficial do rei da Babilônia, fez a sua entrada em Jerusalém. Ele incendiou o templo do Senhor e o palácio do rei e entregou às chamas todas as casas e os edifícios de Jerusalém”. É uma parte do relato da Primeira leitura.


O desterro do ano 597 a.C não foi o definitivo. Então, Nabucodonosor, rei da Babilônia, e suas tropas saquearam tudo que era valioso de Jerusalém e deportaram os melhores do povo para Babilônia. Ficaram em Jerusalém apenas os mais simples com uns governantes mais débeis que anteriores.


Foi o profeta Jeremias que falou nesse tempo, entre a primeira e a segunda deportação. Ele tentou todos os meios para convencer o povo e as autoridades a fim de voltarem à prática religiosa da aliança e, politicamente, que desistissem das alianças com Egito, porque não ficariam livres do poderio dos babilônicos. Mas eles não fizeram caso, e no ano 586 (onze anos depois) voltou Nabucodonosor e o desterro foi já total.


É a página mais escura da história do povo eleito: o fim do reino de Judá, como antes havia ocorrido com o fim do reino de Samaria. Nabucodonosor quis dar um castigo exemplar ao rei Sedecias: mandou matar em sua presença seus filhos e logo deixou Sedecias cego. Destruiu Jerusalém e mandou todos os melhores para o desterro em Babilônia.


O Salmo Responsorial de hoje (Sl 136/137) não podia ser outro: “Junto aos rios da Babilônia nos sentávamos chorando, com saudades de Sião”. É um Salmo que surgiu ao final desse desterro, um pouco antes de o rei Ciro abrir o caminho para que voltassem para Jerusalém os israelitas.


Em nossa história pessoal e comunitária há dias que parecem totalmente escuros como aconteceu com o povo eleito do Antigo Testamento. O Templo destruído, a nação desfeita, a fé perdida, as promessas de Deus irrealizáveis. A Igreja se debilita por causa de seus dirigentes e do próprio povo em geral, as vocações diminuem, a sociedade incrédula, nossas forças enfraquecidas, perda do ânimo e do entusiasmo no trabalho, falta de confiança mútua, interrogações pelo sentido da própria vocação, as famílias desestruturadas, casamento fracassado e assim por diante.


Muitas vezes é culpa nossa, como no caso dos judeus que não fizeram caso da advertência do profeta Jeremias e confiaram nas alianças efêmeras (políticas e militares) com o o Egito, quando o que tinha que fazer era voltar aos caminhos retos da Aliança que incluíam os verdadeiros valores pessoais e comunitários. Se não nos mudarmos pelo bem ou pelo amor, seremos obrigados a nos mudar pela dor e tragédia maior de nossa vida, que pode ser que seja tarde demais. Ai veremos nossa vida se destruindo aos pedaços.


Por isso, diante do amor e da fidelidade de Deus que nos ama até o fim (Cf. Jo 13,1) temos que corresponder com nossa fidelidade, corrigindo mais cedo os desvios. Se nos corrigirmos, Deus continua sendo fiel a suas promessas por nós. Quem tem fé em Deus, é capaz de ver um pontinho de luz no meio da escuridão. Com Deus a esterilidade se transforma em fecundidade da qual nasce uma vida nova. A porta da misericórdia de Deus continua aberta para quem quiser entrar. A lei do Senhor é o amor, a misericórdia, a justiça, a verdade e a fraternidade, pois Deus é o Pai-Nosso. Mas Deus jamais empurraria alguém a entrar por esta porta.


Não há dúvida de que a vida dos homens está cheia de sofrimentos mais ou menos visíveis: físicos, mentais e morais-éticos. O leproso do Evangelho de hoje é uma destas misérias. Ainda que os homens trabalhem com afã por buscar as riquezas e finjam viver num mundo imortal, os sinais da morte que cada homem leva em si mesmo são inevitáveis. Nós os encontramos em cada passo de nossa vida. Cada dor ou doença que sofremos por menor que seja é um preanúncio da própria morte. Fisicamente somos todos mortais. Drogas, matrimônios desfeitos, suicídios, enfermidades e desgraças sem fim até o homem mais famoso, mais rico, mais sábio e mais são conhece pessoalmente. No entanto, todos nós sabemos que, apesar de tudo, temos que seguir adiante em busca do sentido de nossa vida e de nossa passagem por este mundo. O que estou procurando nesta vida e para onde a vida vai me levar por este caminho? Antes de ser interrogados ou questionados por outros, temos que saber nos questionar e nos interrogar a fim de encontrar o sentido daquilo que estamos buscando ou fazendo. No interrogar, no interrogar-se e no deixar-se interrogar o homem encontra o sentido de sua vida. Pela fé sabemos que somente em Deus encontramos a resposta para todos os porquês de nossa vida de cada dia. A partir do olhar de Deus, até a desgraça que sofremos deixa-nos algum sentido ou alguma lição para recomeçar nossa caminhada.


Por isso, Jesus realiza milagres para que vejamos que Ele é capaz de nos dar uma vida que não somente é sofrimento e sim que também há consolos físicos e morais-eticos que são muito mais profundos porque tocam nossa própria alma. Para isso é que Jesus veio ao mundo para nos trazer um reino de amor e de fraternidade e nos mostrar que Deus é o nosso Pai Comum. Basta que usemos corretamente nossa liberdade para que se realizem todas as graças que Cristo quer nos dar. Basta confiar em Cristo, em sua Palavra que nos fala do Pai misericordioso e interessado por nossa felicidade.


Deixar De Ter Um Coração De Lepra


Tendo Jesus descido do monte, numerosas multidões o seguiam”. Esta frase é antitética com Mt 5,1: “Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte...”. Agora Jesus desceu da Montanha e “numerosas multidões o seguiam”. A descida de Jesus da Montanha marca o passo do ensinamento para a ação.


O evangelista Mateus nos relatou que “um leproso se aproximou de Jesus”.  Mateus usa o verbo “aproximar-se” 54 vezes no seu evangelho. Este verbo está carregado de sentido. A comunidade de Mateus, de origem judia, ao escutar este verbo, sentia que caiam muitas barreiras “do puro e do impuro”. Por isso, Mateus relatou que “Jesus estendeu a mão, tocou no leproso”. O leproso estava verdadeiramente excomungado da comunidade social e cultural de Israel e era declarado “impuro” e marginalizado de toda participação no culto e acreditava-se que era incapaz de aproximar-se de Deus e da sociedade humana (cf. Lv 13,45-46).


Mas o leproso do Evangelho já sabe que, com Jesus, caíram as barreiras e sabe que para Jesus, mesmo sendo leproso, ele é parte da comunidade.


Aproximou-se de Jesus um leproso e lhe suplicou: “Senhor, se queres, podes purificar-me”. A oração desse leproso é breve e confiante.  “Se queres”, disse o leproso. Ele não pede nem exige nada. E acrescenta: “podes purificar-me”. Para o leproso, Jesus é aquele que pode curá-lo e ao mesmo tempo pode reabilitá-lo totalmente, isto é, purificá-lo, eliminar dele todo sinal de impureza, fazendo-o capaz de se aproximar de Deus. E Jesus atendeu ao pedido do leproso: “Eu quero, fica limpo”.


É o primeiro milagre relatado por Mateus logo depois do Sermão da Montanha. A escolha de um leproso para este primeiro milagre para Mateus tem seu significado. Mateus escreveu seu evangelho para os judeus. Em seu contexto cultural e religioso, a lepra era o mal por excelência, uma enfermidade contagiosa que destruía lentamente a pessoa afetada e que era considerada pelos antigos como um castigo de Deus, sinal de pecado que excluía a pessoa afetada da comunidade (Dt 28,27-35; Lv 13,14). O leproso era considerado impuro e fazia impuro tudo que tocava. Por isso, ele era afastado da comunidade. O leproso sofria, então, não somente fisicamente, mas também psicológico e social e religiosamente. E para a lepra não tinha nenhum remédio. O leproso estava condenado à morte. Restava esperar um milagre para sobreviver.


 Mas no meio da falta de solução e de saída Jesus apareceu para superar o problema. Jesus estendeu a mão e tocou nele e disse: “Eu quero. Fica limpo”. A palavra de Deus se torna fato, se for obedecida e praticada. A força salvadora de Deus está na ação de Jesus. De fato, o leproso ficou curado. Podemos imaginar alegria deste homem que era solitário, abandonado, excluído e maldito pela sociedade e agora feliz, pois volta a olhar para o futuro com muita esperança.


A mão estendida, o contato é um sinal de amizade. Jesus se apresenta como amigo do sofredor, do abandonado e se aproxima dele para dizer que o sofredor não está sozinho. Jesus compartilha os dramas da humanidade. Por este humilde gesto Jesus reintegra o leproso curado na sociedade dos que o excluíam. Esta mão estendida é também um gesto de vitória. Esta mão estendida é o gesto de amor. É uma mão pronta para ajudar como ajudou Pedro que estava para afogar. É uma mão que está pronta para ajudar quem se encontra na dificuldade.


Todos nós somos débeis de alguma forma e necessitamos da ajuda permanente de Jesus. Nossa oração, confiada e simples, como a do leproso, se encontra sempre com o olhar de Jesus, com sua vontade de nos salvar. Jesus nos toca com sua mão diariamente. Mas muitas vezes estamos bem anestesiados pelas preocupações e agitações que acabamos não sentindo a mão de Jesus tocando nossa mão. Jesus nos alimenta com o Pão e o Vinho da Eucaristia, tocando nossa vida. Ele nos perdoa através da mão de seus ministros estendida sobre nossa cabeça, tocando e ungindo nossa testa e nossa mão com o óleo santo de batismo, de crisma, dos enfermos.


Olhando para o leproso antes e depois de sua cura, cada um precisa se perguntar: “O que é que faz você perder a esperança lentamente?”. E nesta situaçao, você tem coragem de se aproximar de Jesus e deixar-se tocar por ele para você voltar a ter mais esperança e força para continuar sua luta?
P. Vitus Gustama,svd

segunda-feira, 25 de junho de 2018

28/06/2018
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NOSSA PALAVRA JAMAIS ULTRAPASSA NOSSO TESTEMUNHO:
ENTRE FALAR E FAZER NA VIDA DO CRISTÃO
Quinta-Feira da XII Semana Comum


Primeira Leitura: 2Rs 24,8-17
8 Joaquim tinha dezoito anos quando começou a reinar e reinou três meses em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Noestã, filha de Elnatã, de Jerusalém. 9 E ele fez o mal diante do Senhor, segundo tudo o que seu pai tinha feito. 10 Naquele tempo, os oficiais de Nabucodonosor, rei da Babilônia, marcharam contra Jerusalém e a cidade foi sitiada. 11 Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio em pessoa atacar a cidade, enquanto seus soldados a sitiavam. 12 Então Joaquim, rei de Judá, apresentou-se ao rei da Babilônia, com sua mãe, seus servos, seus príncipes e seus eunucos. E o rei da Babilônia os fez prisioneiros. Isto aconteceu no oitavo ano de seu reinado. 13 Nabucodonosor levou todos os tesouros do templo do Senhor e do palácio real, e quebrou todos os objetos de ouro que Salomão, rei de Israel, havia fabricado para o templo do Senhor, conforme o Senhor havia anunciado. 14 Levou para o cativeiro Jerusalém inteira, todos os príncipes e todos os valentes do exército, num total de dez mil exilados, e todos os ferreiros e serralheiros; só deixou a população mais pobre do país. 15 Deportou Joaquim para a Babilônia, e do mesmo modo exilou de Jerusalém para a Babilônia a rainha-mãe, as mulheres do rei, seus eunucos e todos os nobres do país. 16 Todos os homens fortes, num total de sete mil, os ferreiros e os serralheiros em número de mil, todos os homens capazes de empunhar armas, foram conduzidos para o exílio pelo rei da Babilônia. 17 E, em lugar de Joaquim, ele nomeou seu tio paterno, Matanias, mudando-lhe o nome para Sedecias.


Evangelho: Mt 7,21-29
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 21 “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus. 22 Naquele dia, muitos vão me dizer: ‘Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Não foi em teu nome que expulsamos demônios? E não foi em teu nome que fizemos muitos milagres? 23 Então eu lhes direi publicamente: Jamais vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais o mal. 24 Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. 25 Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha. 26 Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática, é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. 27 Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram e deram contra a casa, e a casa caiu, e sua ruína foi completa!” 28 Quando Jesus acabou de dizer estas palavras, as multidões ficaram admiradas com seu en­sina­mento. 29 De fato, ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os mestres da lei.
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Tudo Se Supera Quando a Força Humana Se Junta à Força Divina


Joaquim tinha dezoito anos quando começou a reinar, e reinou três meses em Jerusalém... E ele fez o mal diante do Senhor, segundo tudo o que seu pai tinha feito”.


O texto da Primeira Leitura é uma das páginas mais trágicas da história para Jerusalém e o povo judeu, pois houve a invasão do rei da Babilônia e a deportação dos elites de Jerusalém para a Babilônia que ocorreu em 597 a.C (cf. Sl 136/137). Na época quem reinava em Jerusalém foi Joaquim (Jeconias) cujo reinado durou apenas três meses. Na verdade, o profeta Isaias já tinha profetizado essa tragédia (2Rs 20,17-18: interpretação dos redatores deuteronomistas).


O Salmo Responsorial descreve muito bem essa tragédia ao dizer: “Invadiram vossa herança os infiéis, profanaram, ó Senhor, o vosso templo, Jerusalém foi reduzida a ruínas! Lançaram aos abutres como pasto os cadáveres dos vossos servidores; e às feras da floresta entregaram os corpos dos fiéis, vossos eleitos. Derramaram o seu sangue como água em torno das muralhas de Sião, e não houve quem lhes desse sepultura! Nós nos tornamos o opróbrio dos vizinhos, um objeto de desprezo e zombaria para os povos e àqueles que nos cercam”.


O próprio texto explica a razão da invasão babilônica e consequentemente, da brevidade do reinado de Joaquim: “Ele fez o mal diante do Senhor, segundo tudo o que seu pai tinha feito”. O mal praticado tanto pelo próprio Joaquim como pelo seu pai: injustiças sociais, relaxamento/decadência moral, culto aos deuses, política unicamente humana sem referência à fé (confiar apenas nas forças humanas).


Por isso, podemos entender o motivo do pedido de perdão a Deus no Salmo Responsorial: “Não lembreis as nossas culpas do passado, mas venha logo sobre nós vossa bondade, pois estamos humilhados em extremo. Ajudai-nos, nosso Deus e Salvador! Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos! Por vosso nome, perdoai nossos pecados!”


Quando sucederam catástrofes, tanto pessoais como comunitárias, é o momento oportuno para tirarmos lições e refletirmos sobre as causas que originaram essas catástrofes e sobre a parte de culpa que nós temos. Muitas vezes acontece que a ruina de uma pessoa se deve aos erros ou falhas não refletidos e corrigidos, que, ao princípio eram insignificantes, porém foram-se crescendo a ponto de se perder o controle sobre eles e acabam arruinando a vida de quem os cometeu. A ruina da sociedade ou de uma comunidade também tem suas causas: econômicas, políticas, pessoais e muitas vezes por causa da perda de valores que são necessários para qualquer convivência humana.


Em segundo lugar, precisamos saber contar sempre com Deus em todas as situações de nossa vida. Precisamos duvidar de nossas forças e colocar uma margem de dúvida para nossas certezas. Trata-se da saber viver na sabedoria que nos torna humildes e que nos leva a reconhecermos o protagonismo de Deus na nossa vida. O profeta Isaias nos relembra com as seguintes palavras: “Cansam-se as crianças e param, os jovens tropeçam e caem, mas os que esperam no Senhor renovam suas forças, criam asas como as águias, correm sem se cansar, caminham sem parar” (Is 40,30-31). Deus tem poder de tirar bem, inclusive, de nossa misérias: purifica-nos, nos recapacita, nos ajuda a aprendermos as lições da vida para não voltar a cair nas mesmas falhas e infidelidades. 


Em terceiro lugar, quando Deus sempre faz seu apelo para que o homem se converta da maldade praticada. A maldade sempre causa um mal tremendo tanto para quem a praticada como para as pessoas ao seu redor. Se o homem não se converter o grau de seu sofrimento vai aumentando de acordo com o grau do mal praticado. Se o homem não se converter ou não se mudar pelo bem e pelo amor, um dia ele será obrigado a se mudar pela dor. Os apelos e as orientações nunca faltam. O que falta é o amor. A lei de Deus está escrita no coração de cada um dos homens.


Valor Do Dizer e Do Fazer Na Vida Cristã


Estamos ainda no Sermão da Montanha (Mt 5-7).  O texto do evangelho de hoje é a última parte da conclusão do Sermão da Montanha (Mt 7). Como podemos saber se alguém é um verdadeiro cristão ou somente tem nome de cristão, mas que não tem nada a ver com a maneira de viver?  De que vale ter o nome cristão se tua vida não é cristã? Há muitos que se denominam médicos e não sabem curar. Muitos que se dizem vigilantes noturnos não fazem mais que dormir a noite inteira. Assim também muitos se chamam cristãos, mas não o são em seus atos. Em sua vida, moral, fé, esperança e caridade são muito diferentes do que declara seu nome”, dizia Santo Agostinho (In epist. Joan. 4,4). O que conta para Deus é o bem que praticamos. Esta questão é que o texto do Evangelho deste dia quer nos transmitir.


Fazer e Dizer Devem Estar Em Sintonia Perfeita


“Nem todo aquele que diz ‘Senhor, Senhor’”. Mais uma vez aparece no evangelho a dialética entre o dizer e o fazer. Há quem fale continuamente de Deus (“Senhor, Senhor”) e logo se esquece de fazer sua vontade. Há quem se faça a ilusão de trabalhar pelo Senhor (“profetizamos em teu nome, expulsamos os demônios, fizemos milagres”), mas logo, no dia das contas, no dia da verdade, acontece que o Senhor não o conhecerá: “Jamais vos conheci. Afastai-vos de mim”.


Por isso, existe o perigo de uma oração (“Senhor, Senhor”) que não é traduzida em vida e em compromisso. Por essa razão um sábio chegou a dizer: “Não há nada que seja mais perigoso do que a oração”, porque obriga ou leva quem reza a assumir os compromissos de Deus com seriedade e perseverança na convivência com os demais homens. Existe o perigo de uma escuta da Palavra que não se converte em nada prático e operante. Jesus fala bem claro neste evangelho: os que falam bem, os que “rezam bem”, os que “oram”, mas não “fazem” não entrarão no Reino. Em outras palavras, a oração precisa ser transformada em compromisso. Rezemos diante de Deus como uma criança, mas logo voltemos à nossa vida com nossa responsabilidade de adultos. O final de toda oração adulta é um só: “Amém”, isto é, aceito a realidade e minha responsabilidade diante dela.


Por que às vezes ou muitas vezes, a oração se encerra em si, a escuta da Palavra de Deus não se traduz em vida e o encontro com os irmãos não se abre ao mundo? A resposta implicitamente se encontra na própria Palavra de Deus: “Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt 6,24). Por servir a dois senhores, a pessoa, depois de “servir” a Deus com oração, com a escuta da Palavra e com a reunião eclesial logo serve ao mundo e a si própria com as opções concretas e cotidianas da vida longes dos valores cristãos.


Precisamos estar conscientes de que não existe verdadeira fé sem empenho moral. A oração e a ação, a escuta e a prática, são igualmente importantes. Há três coisas indispensáveis para a vida de um cristão: escuta atenta da Palavra de Deus com oração, prática da vontade de Deus e perseverança até o fim apesar das tempestades da vida.


Jesus não quer que os cristãos cultivem somente a relação com ele, e sim que sejam seguidores que, unidos a ele, trabalhem para mudar a situação da humanidade. É viver de acordo com a justiça e a caridade. Onde há justiça não há pobreza nem exclusão social.


Construir a Vida Sobre a Rocha da Palavra de Deus


Jesus nos convida hoje a sermos seguidores “rocha” e não seguidores “areia”. Seguidor “areia” é aquele que vive de uma fé de simples aparência, sem fundamento. Um dia acredita em Deus, em outra ocasião perde a fé. Crê quando as coisas vão ao seu gosto e se desanima quando tudo não corresponde àquilo que imaginava. Os seguidores “rocha” são os que fundamentam sua vida na rocha que é Cristo e sua Palavra. Os seguidores “rocha” se mantêm firmes em qualquer situação, porque seguram na mão de Deus e sabem em quem acreditam (cf. 2Tm 1,12c).  Para sermos verdadeiros seguidores “rocha” devemos fazer próprias as palavras do Salmo 78: “Senhor, não lembreis as nossas culpas do passado, mas venha logo sobre nós vossa bondade.... Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos! Por vosso nome, perdoai nossos pecados!”. Não corrigir nossas faltas é o mesmo que cometer novos erros. Muito sabe quem conhece a própria ignorância e procura a viver mais com sabedoria e prudência.


O evangelho deste dia quer nos dizer que não importa “dizer Senhor, Senhor, nem falar em seu nome, nem sequer fazer milagres”. O que importa é a prática. O fazer. As obras. Não o dizer, nem o pensar, nem o rezar, nem o pregar, nem fazer milagres. A prática é a rocha, por isso, é firme até diante de Deus. Jesus nos convida a construir nossa vida sobre a prática. As obras boas praticadas são verdadeiros sinais da abertura diante da graça de Deus.


Para Refletir:
  • O Nome de cristão traz em si a conotação de justiça, bondade, integridade, paciência, castidade, prudência, amabilidade, inocência, e piedade. Como podes explicar a apropriação de tal nome se tua conduta mostra tão poucas dessas muitas virtudes? Não nos deixemos enganar pelo fato de nos chamarem de cristãos. Antes, admitimos ser merecedores de reprovação se usamos um nome ao qual não temos direito... Não existe uma só profissão que não carregue consigo a função correspondente. Como, pois, te atreves a chamar-te cristão, se não te comportas como tal? (Santo Agostinho: De vit. Christ. 6).
     
    P. Vitus Gustama,SVD

 27/06/2018
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O CRISTÃO É RECONHECIDO PELAS OBRAS DE BONDADE E NÃO PELA MANEIRA DE REZAR E FALAR
Quarta-Feira da XII Semana Comum
Primeira Leitura: 2Rs 22,8-13;23,1-3
Naqueles dias, 22,8 o sumo sacerdote Helcias disse ao secretário Safã: “Achei o livro da Lei na casa do Senhor!” Helcias deu o livro a Safã, que também o leu. 9 Então o secretário Safã foi à presença do rei (Josias) e fez-lhe um relatório nestes termos: “Os teus servos juntaram o dinheiro que se achou no templo e entregaram-no aos empreiteiros encarregados do templo do Senhor”. 10 Em seguida, o secretário Safã comunicou ao rei: “O sacerdote Helcias entregou-me um livro”. E Safã leu-o diante do rei. 11 Ao ouvir as palavras do livro da Lei, o rei rasgou as suas vestes. 12 E ordenou ao sacerdote Helcias, a Aicam, filho de Safã, a Acobor, filho de Miquéias, ao secretário Safã e a Asaías, ministro do rei: 13 “Ide e consultai o Senhor a meu respeito, a respeito do povo e de todo o Judá, sobre as palavras deste livro que foi encontrado. Grande deve ser a ira do Senhor que se inflamou contra nós, porque nossos pais não obedeceram as palavras deste livro, nem puseram em prática tudo o que nos fora prescrito”. 23,1 Então o rei mandou que se apresentassem diante dele todos os anciãos de Judá e de Jerusalém. 2 E subiu ao templo do Senhor com todos os homens de Judá e todos os habitantes de Jerusalém, os sacerdotes, os profetas e todo o povo, do maior ao menor. Leu diante deles todo o conteúdo do livro da Aliança que tinha sido achado na casa do Senhor. 3 De pé, sobre o seu estrado, o rei concluiu a aliança diante do Senhor, obrigando-se a seguir o Senhor e a observar seus mandamentos, preceitos e decretos, de todo o seu coração e de toda a sua alma, cumprindo as palavras da Aliança escritas naquele livro. E todo o povo aderiu à Aliança.
Evangelho: Mt 7,15-20
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 15 “Cuidado com os falsos profetas: Eles vêm até vós vestidos com peles de ovelha, mas por dentro são lobos ferozes. 16 Vós os conhecereis pelos seus frutos. Por acaso se colhem uvas de espinheiros ou figos de urtigas? 17 Assim, toda árvore boa produz frutos bons, e toda árvore má, produz frutos maus. 18 Uma árvore boa não pode dar frutos maus, nem uma árvore má pode produzir frutos bons. 19 Toda a árvore que não dá bons frutos é cortada e jogada no fogo. 20 Portanto, pelos seus frutos vós os conhecereis”.
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Deus Nos Chama De Volta Ao Caminho Do Bem Antes Que a Desgraça Nos Destrua
Grande deve ser a ira do Senhor que se inflamou contra nós, porque nossos pais não obedeceram as palavras deste livro, nem puseram em prática tudo o que nos fora prescrito”, assim lemos na Primeira Leitura como a reação do rei Josias depois que leu o Livro da Lei descoberto no Templo de Jerusalém.
Josias foi o 16º rei de Judá que governou nos anos 640-609 a.C. Ele foi um dos poucos reis bons e fieis a Deus no meio de uma história cheia de idolatria e injustiça. O significado de seu nome já diz tudo: Josias (hebraico, Yosyya): Jave (Io) protegeu ou traz salvação (siyya). O reino de Josias coincide com a queda do império assírio. Neste contexto, Josias encontrou condições adequadas para agir de maneira autônoma sobre seu reino. Sobre o reino de Josias podemos ler em 2Rs 22,1-23,30.
O texto da Primeira leitura fala da descoberta do Livro da Lei que ocorreu no 18º ano do reinado de Josias, pelo ano 622 a.C. O motivo da descoberta do Livro da Lei são as obras realizadas no Templo (2Rs 22,4-7) cuja descrição parece uma repetição das obras realizadas anteriormente pelo rei Joás (2Rs 12,4-16). As obras realizadas no Templo pelo rei Josias mostram a importância do Templo e o zelo de Josias pelo Templo, pois o Templo era sinal da presença de Deus entre os seres humanos e por isso, era o centro de Israel como um Estado teocrático.
Um dos detalhes importantes é a descrição do conteúdo do Livro da Lei que foi descoberto. Entre o que estava escrito no livro, com as palavras do pacto, e o que estava acontecendo na história da cidade, não havia nenhuma semelhança, isto é, o povo em geral vivia fora da Lei do Senhor. Rei Josias justamente temia que Deus ficasse muito irritado, razão pela qual as calamidades aconteciam. A leitura solene do Livro da Lei descoberto leva todos, autoridades e pessoas, para renovar e assinar o pacto com Deus. Esta reunião de todo o povo e de todas as autoridades convocada pelo rei Josias nos recorda a assembleia de Siquém (cf. Josué 24) que tem duas partes: leitura pública do livro da lei e conclusão da aliança. Todos se converteram ao Senhor e se comprometeram a ser fieis à Lei do Senhor.
O Salmo Responsorial deste dia (Sl 118) vai na direção desta conversão: “Ensinai-me a viver vossos preceitos; quero guardá-los fielmente até o fim! Dai-me o saber, e cumprirei a vossa lei, e de todo o coração a guardarei. Guiai meus passos no caminho que traçastes, pois só nele encontrarei felicidade. Inclinai meu coração às vossas leis, e nunca ao dinheiro e à avareza. Desviai o meu olhar das coisas vãs, dai-me a vida pelos vossos mandamentos! Como anseio pelos vossos mandamentos! Dai-me a vida, ó Senhor, porque sois justo!”.
Há períodos na comunidade cristã em que é necessário alguma "redescoberta" do conteúdo e do valor da Palavra de Deus para nossa vida cotidiana. Embora saibamos que a vivência da Palavra de Deus não nos torna isentos do sofrimento, mas há algumas coisas ruins ou alguma infelicidade na nossa vida que acontecem por estarmos longe da vivência da Palavra de Deus. Precisamos nos convocar para uma reflexão a fim de voltarmos para o caminho da sabedoria traçado pela Palavra de Deus. Precisamos descobrir e redescobrir Jesus e seus ensinamentos na nossa vida conforme as situações em que nos encontrarmos. Trata-se de uma “nova evangelização” ou uma “nova saída” da Igreja como pede o Papa Francisco, em vez de a Igreja ficar “enferma” dentro de quatro paredes. O perigo que temos é o avanço da tecnologia de tal maneira a ponto de nos esquecermos do “Livro da Lei” de Jesus Cristo, de seu estilo de vida e sua lista de bem-aventuranças (Mt 5,1-12), e nos deixarmos levar pela idolatria moderna de todos os tipos.
A Bíblia não é somente um livro e sim ela é o Livro. Ela é a voz de Deus; ela é o livro para todos os tempos. No processo da história da salvação a Palavra se faz Aliança, se faz Torá, se faz Palavra profética, que denuncia e anuncia. Ela se faz Palavra Orante (Salmos); se faz Palavra Encarnada em Jesus de Nazaré. A Salvação de Jesus se faz Relato e Narração oral que pouco a pouco se plasma em escrito (Evangelho) e este, constantemente, se proclama e interpreta.
Como voz de Deus a Palavra de Deus deve ser escutada, meditada, contemplada e vivida. Quando a Palavra de Deus for proclamada e lida, estarei frente a frente com Deus. Cada Palavra de Deus proclamada ou lida, Deus sempre tem alguma palavra para mim: para minha vida (meu comportamento, meu modo de viver, meu modo de falar etc), minha família, meu trabalho, minhas dificuldades e meus problemas.Por isso, eu preciso lê-la, escutá-la, meditá-la e colocá-la em prática. Minha palavra para os outros deve refletir a Palavra de Deus.
O Cristão É Reconhecido Pelas Suas Boas Obras
Estamos ainda no Sermão da Montanha (Mt 5-7).  O texto do evangelho de hoje é a última parte da conclusão do Sermão da Montanha (Mt 7). O que conta para Deus é o bem que praticamos. Nossa maneira de viver e de conviver é o parâmetro para saber se realmente rezamos ou se realmente acreditamos em Deus que é o Supremo Bem. O texto do evangelho de hoje serve de verificação para nossas praticas diárias. Afinal, quem é o verdadeiro cristão?
Fazer e Dizer Devem Estar Em Perfeita Sintonia
Nem todo aquele que diz ‘Senhor, Senhor’”. Mais uma vez aparece no evangelho a dialética entre o dizer e o fazer. “Os mais belos pensamentos nada são sem as obras”, porém “O Senhor não olha tanto a grandeza das nossas obras. Olha mais o amor com que são feitas” (Santa Teresa de Jesus). Há quem fale continuamente de Deus (“Senhor, Senhor”) e logo se esquece de fazer sua vontade. Há quem se faça a ilusão de trabalhar pelo Senhor (“profetizamos em teu nome, expulsamos os demônios, fizemos milagres”), mas logo, no dia das contas, no dia da verdade, acontece que o Senhor não o conhecerá: “Jamais vos conheci. Afastai-vos de mim”. “Reza bem quem vive bem” (Santo Agostinho: De ord. 2,19,51).
Por isso, existe o perigo de uma oração (“Senhor, Senhor”) que não é traduzida em vida e em compromisso. Por essa razão um sábio chegou a dizer: “Não há nada que seja mais perigoso do que a oração”, porque obriga ou leva quem reza a assumir os compromissos de Deus com seriedade e perseverança na convivência com os demais homens. Ao rezar pedindo a paz para Deus, quem reza deve ser construtor da paz. Se não rezaria em vão. Existe o perigo de uma escuta da Palavra que não se converte em nada prático e operante. Jesus fala bem claro neste evangelho: os que falam bem, os que “rezam bem”, os que “oram” e não “fazem” não entrarão no Reino. Em outras palavras, a oração precisa ser transformada em compromisso. Rezemos diante de Deus como uma criança, mas logo voltemos à nossa vida com nossa responsabilidade de adultos. O final de toda oração adulta é um só: “Amém”, isto é, aceito a realidade e minha responsabilidade diante dela.
Jesus não quer que os cristãos cultivem somente a relação com ele, e sim que sejam seguidores que, unidos a ele, trabalhem para mudar a situação da humanidade. É viver de acordo com a justiça e a caridade. Onde há justiça não há pobreza nem exclusão social. Devemos ter sempre a cabeça fria para analisar bem os acontecimentos na nossa vida e ao nosso redor, ter o coração sempre quente para amar, acolher e ter a mão sempre larga para ajudar e para abraçar num abraço de reconciliação.
Construir a Vida Sobre a Rocha da Palavra de Deus
Jesus nos convida hoje a sermos seguidores “rocha” e não seguidores “areia”. Seguidor “areia” é aquele que vive de uma fé de simples aparência, sem fundamento. Um dia acredita em Deus, em outra ocasião perde a fé. Crê quando as coisas vão ao seu gosto e se desanima quando tudo não corresponde àquilo que imaginava. Os seguidores “rocha” são os que fundamentam sua vida na rocha que é Cristo e sua Palavra. Os seguidores “rocha” se mantêm firmes em qualquer situação, porque seguram na mão de Deus e sabem em quem acreditam (cf. 2Tm 1,12c).  Para sermos verdadeiros seguidores “rocha” devemos fazer próprios as palavras do Salmo 78: “Senhor, não lembreis as nossas culpas do passado, mas venha logo sobre nós vossa bondade.... Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos! Por vosso nome, perdoai nossos pecados!”. Não corrigir nossas faltas é o mesmo que cometer novos erros. Muito sabe quem conhece a própria ignorância e procura a viver mais com sabedoria e prudência.
As Obras Que Falam Por Si
Através do evangelho de hoje Jesus quer nos dizer, primeiramente, que não devemos julgar ou avaliar o homem pelas aparências que são frequentemente enganosas. Devemos, ao contrário, avaliá-lo a partir daquilo que ele faz. Nem as palavras, nem as intenções, e sim as práticas. Se as palavras e as intenções seguem uma direção, e a prática outra, a segunda é que revela o coração do homem, suas opções profundas, seus verdadeiros interesses. Por fora, todos podem parecer iguais, mas o interior da pessoa e as obras que fazem a diferença. Sabemos que nem tudo o que brilha é ouro.
Jesus é muito realista. Ele dá este critério: “Olhem e vejam como atuam” para saber se são verdadeiros cristãos ou não, se são profetas ou não são profetas. “Pelos frutos vocês vão reconhecê-los”. Qualquer pessoa se manifesta pelo que faz ou pelo modo de viver. Os cristãos são reconhecidos não pelos dons que têm, mas pelos frutos que produzem. Qualidade de um fruto depende da qualidade da árvore. Jesus quer nos dizer para não julgarmos os homens pelas aparências e sim pelo que faz. Nem as palavras nem as intenções e sim a prática. Se as palavras e as intenções seguem uma direção e a prática outra, a segunda é que revela o coração do homem, suas opções profundas, seus verdadeiros interesses.
Através do evangelho de hoje Jesus faz uma advertência sobre o perigo relacionado aos falsos profetas. O evangelista Mateus dá uma norma para sua comunidade a fim de saber reconhecer os falsos profetas: a paciência em esperar os frutos e as obras pelos quais será reconhecido o verdadeiro profeta do falso profeta. A chave para detectar os falsos profetas são suas obras. O verdadeiro profeta é aquele que orienta a comunidade de acordo com a mensagem e a forma de vida de Jesus.
Este critério deve ser aplicado para nós mesmos também: Que frutos produzimos? Que frutos você produz? Dizemos apenas palavras bonitas ou também oferecemos fatos ou obras? De um coração azedo somente produz frutos azedos. De um coração generoso e sereno brotam obras boas e consoladoras. São Paulo na carta aos gálatas escreveu: “As obras da carne são fornicação, idolatria, ódios, discórdia, inimizade, egoísmo, inveja, ciúmes, ira, divisão, rivalidade. Ao contrário, o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, afabilidade, fidelidade, domínio de si mesmo” (cf. Gl 5,19-26). Se nós somos filhos da Verdade e do Amor, então, façamos as obras da Verdade e do Amor e vivamos na sinceridade.
A Palavra de Deus hoje nos convida a descermos ao fundo do coração para descobrir nele a nossa maldade ou a nossa bondade; a nossa mentira ou a nossa verdade; nossa veracidade ou nossa falsidade; a nossa esterilidade ou a nossa fecundidade. A Palavra de Deus precisa nos desarmar para nos vermos como somos.
Portanto, com Sua Palavra através do evangelho de hoje Jesus denuncia uma dissociação freqüente e muito perniciosa (prejudicial). Uma vida cristã fundada nesta dissociação é como uma casa construída sem fundamento. Por isso, somos alertados que existe o perigo de uma oração (Senhor, Senhor) que não se traduz em vida e em compromisso (a vontade de Deus). Existe o risco de uma escuta da Palavra que não se converte em nada prático e operante. Existe o risco de certos momentos comunitários que se fecham em si mesmos sem nenhum compromisso. A oração, a escuta da Palavra de Deus e o encontro comunitário, são a raiz da práxis cristã. Porém, a raiz deve germinar e produzir frutos. Ninguém planta trigo sem esperar colher seus grãos. Ninguém pesca sem esperar apanhar peixes.
Por que às vezes ou muitas vezes, a oração se encerra em si, a escuta da Palavra de Deus não se traduz em vida e o encontro com os irmãos não se abre ao mundo? A resposta implicitamente se encontra na própria Palavra de Deus: “Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt 6,24). Por servir a dois senhores, a pessoa, depois de “servir” a Deus com oração, com a escuta da Palavra e com a reunião eclesial logo serve ao mundo e a si própria com as opções concretas e cotidianas da vida.
Precisamos estar conscientes de que não existe verdadeira fé sem empenho moral. A oração e a ação, a escuta e a prática, são igualmente importantes. Há três coisas indispensáveis para a vida de um cristão: escuta atenta da Palavra de Deus com oração, prática da vontade de Deus e perseverança até o fim apesar das tempestades da vida.

O evangelho deste dia quer nos dizer que não importa “dizer Senhor, Senhor, nem falar em seu nome, nem sequer fazer milagres”. O que importa é a prática. O fazer. As obras. Não o dizer, nem o pensar, nem o rezar, nem o pregar, nem fazer milagres. A prática é a rocha, por isso, é firme até diante de Deus. As obras boas praticadas em nome de Deus são verdadeiros sinais da abertura diante da graça de Deus.
P. Vitus Gustama, SVD

  1. "O que você deixa para trás não é o que é gravado em monumentos de pedra, mas o que é tecido nas vidas de outros." (Péricles)
  2. "Uma vida sem causa é uma vida sem efeito." (Barbarella)
  3.  Vive de tal modo que tua vida seja uma oração. Canta a Deus com a boca, salmodia com as obras. Não te contentes com a formalidade de recitar salmos e hinos. Põe em tuas mãos o saltério de tuas boas obras (Santo Agostinho, In ps. 91,3).


Quarta-feira Da XXIV Semana Comum, Ano Par, 16/09/2026

VIVER NO AMOR E NA SABEDORIA DE DEUS Quarta-Feira da XXIV Semana Comum Primeira Leitura: 1Cor 12,31-13,13 (Ano Par) Irmãos, 12,31 Aspi...