SANTA MÔNICA
(27/08)
Celebramos hoje a festa de Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho (a festa de Santo Agostinho no dia 28 de agosto). Ela nasceu em Tagaste, África, em 331, de uma família cristã. Ainda muito jovem casou-se com Patrício, legionário pagão, com quem teve três filhos: Agostinho, Navígio e uma filha (que morreu como superiora do mosteiro de Hipona, em 424).
A vida de Mônica não foi muito tranqüila, mas terminou feliz. Em primeiro lugar, ela teve aflições pelo marido, Patrício, que era duro de caráter. Ela suportou infidelidades conjugais, sem jamais hostilizar ou demonstrar ressentimento contra o marido por causa disso. Além disso, o marido era um homem de comportamento esquentado. Mônica se mostrava calma e paciente por causa de sua vida espiritual profunda. “Depois que ele se refazia e acalmava, ela procurava o momento oportuno para mostrar-lhe como se tinha irritado sem refletir”, escreveu Santo Agostinho sobre sua mãe, Mônica, diante do marido, Patrício (Confissões, IX,19). Era assim que ela conquistava o marido. O que tem por trás disso é a fidelidade de Mônica a Deus dia a dia. Por isso, Mônica teve a consolação de levar o marido à fonte batismal em 371, um ano antes da morte dele.
Após a morte do marido, Patrício, Mônica se viu sozinha diante da conduta desordenada do filho Agostinho, que aos 16 anos abandonou a vida digna de um filho de Deus. Trata-se de outra aflição que Mônica tinha. Agostinho era um filho rebelde à graça de Deus, inteligente, mas indiferente. Por ele, Mônica rezou e chorou. Ela suplicou a Deus com insistência e não cansou de pedir a ajuda das pessoas sábias. Um dia ela pediu o conselho do bispo Ambrosio de Milão (festa 07/12). Dele ela recebeu esta resposta: “Vai em paz, mulher, e continua assim; não te preocupes, contenta-te com rezar por ele; é impossível que perca o filho de tantas lagrimas”. Esse pensamento se expressa na coleta da festa:
“Ó Deus, consolação dos que choram, que acolhestes, as lagrimas de Santa Mônica pela conversão de seu filho, Agostinho....”. Mônica mais uma vez alcançou a graça de ter conseguido de Deus a conversão de Agostinho. Agostinho se converteu quando tinha 33 anos de idade. Agostinho recebeu o batismo em 387.
Mônica e Agostinho passaram juntos o verão na Itália, aguardando a partida de Mônica para a África. As últimas palavras de Mônica para Agostinho eram estas: “Meu filho, quanto a mim, não existe nada que me atraia nesta vida. Nem sei mesmo o que estou fazendo aqui, e por que ainda existo. Uma única coisa que me fazia desejar viver ainda um pouco era ver-te católico antes de eu morrer. Deus me concedeu algo mais e melhor: ver-te desprezar as alegrias terrenas e só a Ele (Deus) servir. Por isso, o que é que estou fazendo aqui?” (cf. Confissões, 25). “Maravilhados diante da coragem dessa mulher (Mônica), dádiva tua, perguntaram-lhe se não tinha medo de deixar o corpo longe de sua cidade natal. E ela respondeu: ‘Para Deus nada é longe, nem devo temer que no fim dos séculos ele reconheça o lugar onde me ressuscitará’”, recordou Santo Agostinho (Confissões, 28).
E dentro de pouco tempo ela morreu (em Óstia) antes de embarcar de volta à pátria. Era o ano de 387 e Mônica tinha 56 anos de idade. “Pelo nono dia de doença, aos cinqüenta e seis anos de idade, quando eu tinha trinta e três, essa alma fiel e piedosa libertou-se do corpo. Fechei-lhe os olhos, e uma tristeza infinita invadiu-me a alma. Estava prestes a transbordar em torrentes de lágrimas”, assim escreveu Santo Agostinho sobre a morte de sua mãe, Mônica (Confissões, 28-29).
Agostinho ficou tão admirado pela virtude de sua mãe, Mônica, até chegou a escrever: “Não quero calar os sentimentos que me brotam na alma a respeito de tua serva, que me deu a vida temporal segundo a carne e que, pelo coração, fez-me nascer para a vida eterna”. (Confissões IX, 17). No seu livro “Confissões”, Agostinho dedicou o cap. IX para falar da virtude de sua mãe, Mônica.
São três as razões porque devemos ser perseverantes nas nossas orações: A bondade e a misericórdia de Deus; o amor de Deus por cada um de nós; e o interesse que nos mostramos perseverantes na oração. Deus nos ama imensamente por isso acreditamos na sua bondade e na sua misericórdia que nos fazem perseverantes na nossa oração. A perseverança na oração é o princípio fundamental de toda a doutrina evangélica sobre a oração. A pessoa de fé é sempre perseverante, porque ela sabe a quem recorrer e em quem acredita, sem se importar com as circunstâncias. Aquele que crê, tem firme certeza de ser atendido, mesmo devendo esperar. A oração perseverante é expressão e o alimento da fé em Deus. Fé e oração, portanto, estão sempre intimamente unidas. Para orar é preciso crer e para crer é necessário orar. E aquele que crê não quer obrigar Deus a fazer a própria vontade, utilizá-lo para realizar seus desejos, mas para obter a graça de conformar sua vontade à vontade de Deus.
Creio que muitas mães de hoje, que sofrem pela mesma causa de Santa Mônica ou outras causas, vêem-se em Santo Mônica e se identificam com ela. Mônica quer dar a mensagem de esperança para todas as mães sofredoras que continuem a acreditar em Deus e permaneçam na oração serena. Deus pode tardar, mas nunca falha. É preciso aprendermos a viver ao ritmo de Deus, pois com Sua sabedoria infinita Deus dá o que nos é digno no tempo certo. É importante mantermo-nos fieis até o fim. E o próprio Jesus afirma: “E Deus, não faria justiça a seus eleitos que clamam a Ele dia e noite, mesmo que os faça esperar?” (Lc 18,7).
P. Vitus
Gustama,svd
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