sexta-feira, 4 de maio de 2018


07/05/2018
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JESUS, ATRAVÉS DE SEU ESPÍRITO, PERMANECE CONOSCO NOS NOSSOS TRABALHOS DE EVANGELIZAÇÃO
Segunda-Feira da VI Semana da Páscoa

Primeira Leitura: At 16,11-15
11 Embarcamos em Trôade e navegamos diretamente para a ilha de Samotrácia. No dia seguinte, ancoramos em Neápolis, 12 de onde passamos para Filipos, que é uma das principais cidades da Macedônia, e que tem direitos de colônia romana. Passamos alguns dias nessa cidade. 13 No sábado, saímos além da porta da cidade para um lugar junto ao rio, onde nos parecia haver oração. Sentados, começamos a falar com as mulheres que estavam aí reunidas. 14 Uma delas chamava-se Lídia; era comerciante de púrpura, da cidade de Tiatira. Lídia acreditava em Deus e escutava com atenção. O Senhor abriu o seu coração para que aceitasse as palavras de Paulo. 15 Após ter sido batizada, assim como toda a sua família, ela convidou-nos: “Se vós me considerais uma fiel do Senhor, permanecei em minha casa”. E forçou-nos a aceitar.

Evangelho: Jo 15,26-16,4
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 15,26“Quando vier o Defensor que eu vos mandarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim. 27 E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o começo. 16,1 Eu vos disse estas coisas para que a vossa fé não seja abalada. 2 Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que aquele que vos matar julgará estar prestando culto a Deus. 3 Agirão assim, porque não conheceram o Pai, nem a mim. 4ª Eu vos digo isto, para que vos lembreis de que eu o disse, quando chegar a hora”.
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“Lídia acreditava em Deus e escutava com atenção. O Senhor abriu o seu coração para que aceitasse as palavras de Paulo”. É uma das frases que lemos na Primeira Leitura de hoje. Esta frase nos mostra que a obra de salvação não é obra do homem. É a obra de Deus no homem. Deus é quem abre as mentes daqueles que escutam a seus enviados, para que entendam e aceitem, de um modo pessoal, a obra de salvação que Deus quer realizar neles. Tudo de bom na obra de salvação deve ser atribuído ao Senhor, pois somos apenas seus enviados e instrumentos neste mundo. Por isso, não somente devemos pedir a Deus que nos dê sua Sabedoria para poder proclamar dignamente sua Palavra, mas também temos que pedir por todos aqueles que nos escutarão para que possa ser semeada neles a Palavra de Deus e produza frutos de salvação abundantemente.


E a Palavra de Deus uma vez aceita/recebida deve traduzir-se em obras de serviço no amor fraterno, preocupando-nos de fazer o bem a todos, especialmente aos pobres, aos peregrinos, aos injustamente tratados. Quem viver assim, estará demonstrando com sua própria vida que sua fé é sincera, pois na verdade Deus transformou essa pessoa e se tornou sinal do amor misericordioso de Deus entre nós: “’Se vós me considerais uma fiel do Senhor, permanecei em minha casa’. E forçou-nos a aceitar”, disse Lídia, recém-convertida, para são Paulo e companheiros.


São João Crisóstomo comentou: “Que sabedoria de Lídia! Com que humildade e doçura fala aos apóstolos:’ Se vós me considerais uma fiel do Senhor’! Nada mais eficaz para persuadi-los que estas palavras havia suavizando qualquer coração. Mais que suplicar e comprometer aos apóstolos, para que vão a sua casa, obriga-lhes com insistência. Vede, como nela a fé produz seus frutos e como sua vocação lhe parece um bem inapreciável” (Homilia 35 sobre os Atos dos Apostolos).


A missão na Europa começa, então, por uma conversão. São Paulo prega, mas é Deus quem abre o coração de Lídia e a conduz à fé e ao Batismo. A hospitalidade de Lídia não é mera cortesia oriental e sim uma autêntica manifestação de caridade cristã, como verdadeiro fruto da fé.


O conteúdo do anúncio cristão para o qual Deus abre o coração e a mente do homem, é a vitória de Jesus Cristo sobre seus inimigos, especialmente sobre a morte. Por isso, nos alegramos com o Senhor e cantamos para Ele com o Salmo Responsosrial de hoje (Sl 149): “Cantai ao Senhor Deus um canto novo, e o seu louvor na assembleia dos fiéis! Alegre-se Israel em quem o fez, e Sião se rejubile no seu Rei! Com danças glorifiquem o seu nome, toquem harpa e tambor em sua honra! Porque, de fato, o Senhor ama seu povo e coroa com vitória aos seus humildes. Exultem os fiéis por sua glória, e cantando se levantem de seus leitos, com louvores do Senhor em sua boca, eis a glória para todos os seus santos”. A partir dessa presença do Senhor em nós, a partir de ser fortalecidos pelo Senhor nas ações litúrgicas, poderemos voltar para nossos lares e enchê-los de alegria e contentamento, pois a vida, a paz e o amor de Deus são infundidos em nossos corações.


O Evangelho de hoje nos convida a irmos atrás das pegadas de Cristo. Ele nos concedeu abundantemente seu Espirito Santo, isto é, Aquele que nos ensina todas as coisas referentes a Jesus, tanto a sua Pessoa como seu Evangelho de salvação. Aquele que realmente viver uma intensa experiência pessoal com o Senhor, será capaz de amar com toda verdade e se tornará testemunha decidida e valente. O Espirito Santo que recebemos não é um espirito de covardia e sim de valentia. Portanto, não podemos nos deixar acovardar pelas perseguições, pelas críticas ou pelas ameaças de morte: “Quando vier o Defensor que eu vos mandarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim. E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o começo. Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que aquele que vos matar julgará estar prestando culto a Deus. Agirão assim, porque não conheceram o Pai, nem a mim”.


O Senhor vai adiante de nós, carregando nossos pecados sob o peso de sua Cruz. Esse é o caminho de libertação que temos de seguir, não somente buscando nossa salvação e sim a salvação dos demais. Este amor com que nós fomos amados deve ser o amor com que nós amemos nosso próximo, impulsionados pelo Espirito Santo que habita em nós. Deixemo-nos conduzir pelo Espirito Santo!


Estendamos um pouco mais nossa meditação a partir de outros pontos de reflexão das leituras proclamadas hoje na nossa celebração!


Somos Chamados e Enviados Pelo Senhor a Ser Evangelizadores Em Qualquer Lugar e Tempo


“No dia seguinte, ancoramos em Neápolis, de onde passamos para Filipos, que é uma das principais cidades da Macedônia, e que tem direitos de colônia romana. Passamos alguns dias nessa cidade”.


Um dia a Europa foi “terra de missão”. Graças a São Paulo, pois através dele a Europa conheceu o Evangelho. E a primeira cidade da Europa onde Paulo se instala é Filipos, capital de Macedônia. Esta cidade será a primeira comunidade cristã do continente europeia.


“No sábado, saímos além da porta da cidade para um lugar junto ao rio, onde nos parecia haver oração. Sentados, começamos a falar com as mulheres que estavam aí reunidas”. É assim começou a missão na Europa: umas mulheres reunidas para rezar. São judias que respeitam o Sábado. São um pequeno grupo. Por o grupo ser pequeno demais não dá para dispor de uma sinagoga em Filipos, uma grande cidade pagã. Por isso, elas se reúnem fora, na saída da cidade à margem de um rio para orar. É ali Paulo as encontra. O acontecimento histórico da evangelização na Europa começa com elas. Provavelmente aconteceu em torno da primavera do ano 50.


“Uma delas chamava-se Lídia; era comerciante de púrpura, da cidade de Tiatira. Lídia acreditava em Deus e escutava com atenção. O Senhor abriu o seu coração para que aceitasse as palavras de Paulo”. Assim Lucas, o autor dos Atos continua seu relatoria. Lídia será a primeira europeia que crê em Jesus. Além disso, ela é uma mulher hospitaleira que convida Paulo e seus companheiros a hospedarem-se em sua casa.


A comunidade cristã de Filipos recebeu mais tarde uma das Cartas mais amáveis de Paulo: sinal de que guardava recordações muito positivos dessa comunidade.


O que aprendemos da maneira de evangelizar de São Paulo? São Paulo se adaptava à circunstâncias que ia encontrando. Às vezes pregava na sinagoga, outras vezes num cárcere, ou junto ao rio ou na praça de Atenas. Quando era recusado, São Paulo ia para outras cidades. Quando o aceitavam, São Paulo ficava naquele lugar até consolidar a comunidade. Mas sempre anunciava Cristo ressuscitado e se deixava guiar pelo Espirito Santo. A obra de salvação não é obra do homem. É a obra de Deus no homem. Deus é quem abre as mentes daqueles que escutam seus enviados para quem entendam e aceitem, deum modo pessoal, a obra de salvação que Deus quer realizar neles. Por isso, não somente devemos pedir a Deus que nos dê Sua sabedoria para poder proclamar dignamente Sua Palavra, mas também temos que pedir por todos aqueles que nos escutarão para que possa ser semeada eficazmente a semente da Palavra de Deus e produza frutos abundantes de salvação.


De São Paulo aprendemos que jamais podemos perder oportunidade para evangelizar em qualquer lugar e momento. Quando nos deixarmos guiar pelo Espirito do Senhor ressuscitado, seremos testemunhas de nossa fé em qualquer ambiente onde nos encontramos, desde nossa família até o trabalho e toda atividade social. Quem é guiado pelo Senhor não se cansa a praticar o bem para qualquer pessoa e em qualquer lugar e tempo a exemplo do próprio Jesus que passou a vida fazendo o bem (cf. At 10,38)


Como Testemunhas Dos Ensinamentos De Cristo Estejamos Preparados Para Ser Perseguidos


O evangelho de hoje pertence ao conjunto do discurso da despedida de Jesus dos seus discípulos (Jo 13-17). Nesse discurso Jesus dá as ultimas lições para seus discípulos.


No texto do evangelho de hoje Jesus alerta aos discípulos e a todos os cristãos que a perseguição faz parte do ser do cristão: “Todos os que quiserem viver com piedade em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3,12). Se o mundo opôs-se a Jesus Cristo, logo os cristãos experimentarão a mesma oposição. O mundo perseguirá os cristãos quando seus interesses forem afetados ou denunciados pelos cristãos. Até para fazer o bem o cristão é perseguido. Mas, do ponto de vista cristão, o tempo da perseguição é o tempo oportuno de testemunho. Tempo de provação e de perseguição é o tempo de expansão. O cristão é chamado a ser mártir no sentido pleno da palavra e para espalhar o amor. Viver no amor é viver em Deus, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). Mas sem dúvida, os que fazem parte de pessoas de boa vontade aceitarão o anúncio cristão cuja essência é o amor fraterno e cujas expressões são a justiça, a honestidade, a fraternidade, a solidariedade, a compaixão, a igualdade e assim por diante. Morrer por causa da honestidade, da justiça, da solidariedade etc. é o maior testemunho para o cristão. Este tipo de morte será uma morte feliz e por isso, uma vida ressuscitada.


“Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que aquele que vos matar julgará estar prestando culto a Deus. Agirão assim, porque não conheceram o Pai, nem a mim. Eu vos digo isto, para que vos lembreis de que eu o disse, quando chegar a hora”.


Este texto nos quer informar a verdade de que a perseguição foi a primeira experiência da Igreja nascente. Os discípulos de Jesus foram expulsos da sinagoga e perseguidos, primeiro pelos judeus e, depois, também pelos pagãos. A segunda obra de São Lucas que é o Atos dos Apóstolos descreve muito bem esta situação. A Igreja se espalhava sendo perseguida. É o ponto positivo da perseguição.


Para que os discípulos não fiquem abalados nem desorientados na sua ausência física, Jesus promete-lhes uma presença nova no meio deles. Com essa nova presença, Jesus quer dizer aos discípulos que eles não serão abandonados como órfãos, pois o amor do Senhor por eles e por qualquer cristão jamais morrerá. Jesus nos ama até o fim (cf. Jo 13,1). O amor de Cristo vai até além da morte. Em Jo 14,16-17 Jesus prometeu o envio do Paráclito, do Defensor, do Espírito da Verdade. Em Jo 15, especialmente no evangelho de hoje, aparece novamente esse Paráclito, o Defensor, o Espírito da Verdade.


Quem é o Espírito Paráclito, ou o Defensor, o Espírito da Verdade? A palavra “paráclito” em grego que é traduzida por “Defensor” em português. Ele é aquele que é chamado ao lado de quem se encontra em dificuldades com o fim de acompanhar, consolar, proteger e defendê-lo; em outras palavras: um ajudante, assistente, sustentador, protetor, procurador e, sobretudo, animador e iluminador no processo interno na fé. Mas o Espírito Paráclito é um dom de Deus oferecido para quem se abre a ele. A ajuda de Deus jamais faltará para nós, mas é preciso que tenhamos abertura diante dessa ajuda.


Esse Espírito Paráclito também recebe outro nome: “o Espírito da Verdade”.  Mas dentro de sua função de ajudar, de orientar, de animar, de proteger nas dificuldades, o Espírito da Verdade é entendido, sobretudo, como aquele que faz viver muito mais do que aquele que faz pensar. Pensar é uma coisa, viver é outra coisa.  Fazer um bom raciocínio é uma coisa; viver o que se raciocina é outra coisa. Orientar alguém para viver bem é uma coisa; perder a própria vida para que os outros possam viver é outra coisa. O mais importante não é o saber da vida e sim saborear a vida; não é sentir e sim o comprometer-se; não é o perceber e sim o decidir-se; não é o desejar e sim o querer. O Espírito da Verdade nos ensina a vivermos a vida na sua profundidade em cada momento. Ele não nos deixa presos no passado nem fugitivos do futuro; simplesmente vivemos na graça de Deus em cada momento de nossa vida. Por isso, o mais importante é fazer dos problemas, oportunidades; do passado, aprendizado; do amor, a experiência fundante e da vida, a arte de ser de cada dia.


É missão do Espírito Santo, então, revelar aos Apóstolos toda a verdade sobre Cristo, sobre suas obras, sua vida e sua morte, e fortalecê-los para que sejam capazes de dar testemunho. Ser testemunha é confessar com as consequências, expor-se, arriscar-se, encarar. É provar aquilo que se acredita até com o próprio sangue. É ser mártir.  “Testemunho” aparece no Novo Testamento com o sentido de “mártir”. Dar a vida é o grande testemunho; é confessar com sangue a Verdade. Não somente a morte por Cristo, mas também a vida cristã vivida com todas as suas consequências tem um valor de “martírio” e por isso, de testemunho.


Quem pode nos possibilitar para viver assim é o Espírito da Verdade. Por isso, precisamos pedir ao Senhor sua presença na nossa vida de cada dia e que estejamos abertos para a renovação no Espírito do Senhor que é o Espírito da Verdade, o Defensor de nossa vida toda vez que nos encontrarmos em qualquer dificuldade.


Mas quando a Igreja, em geral, e cada cristão, em particular, anda lado a lado, de mãos dadas com o mundo é sinal muito evidente de que a Igreja e cada cristão, particularmente, deixam de ser o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5,13-14). Desta maneira, a Igreja se torna surda diante da voz do Senhor e cega diante da Luz divina (Jo 8,12). É o momento de conversão e de renovar os compromissos batismais!
P. Vitus Gustama,svd

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Domingo,06/05/2018
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AMAR O PRÓXIMO COMO JESUS NOS AMOU
VI Domingo Da Páscoa Ano “B”

Primeira Leitura: At 10,25-26.34-35.44-48
25Quando Pedro estava para entrar em casa, Cornélio saiu-lhe ao encontro, caiu a seus pés e se prostrou. 26Mas Pedro levantou-o, dizendo: “Levanta-te. Eu também sou apenas um homem”. 34Então, Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. 35Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença”. 44Pedro estava ainda falando, quando o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a palavra. 45Os fiéis de origem judaica, que tinham vindo com Pedro, ficaram admirados de que o dom do Espírito Santo fosse derramado também sobre os pagãos. 46Pois eles os ouviam falar e louvar a grandeza de Deus em línguas estranhas. Então Pedro falou: 47“Podemos, por acaso, negar a água do batismo a estas pessoas que receberam, como nós, o Espírito Santo?” 48E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Eles pediram, então, que Pedro ficasse alguns dias com eles.


Segunda Leitura: 1Jo 4,7-10
Caríssimos: 7Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. 8Quem não ama, não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor. 9Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele. 10Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados.


Evangelho: Jo 15,9-17
Naquele tempo Jesus disse aos discípulos: 9“Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11Eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena. 12Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. 13Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos.14Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 15Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. 16Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que, então, pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. 17Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros”.
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Sinal De Amor


A presença de Cristo Ressuscitado no mundo tem lugar especialmente através do sinal de amor. Por isso, o Evangelho de hoje insiste no mandamento dado por Cristo a seus discípulos: “Permanecei no meu amor”; “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. A Segunda Leitura relaciona explicitamente o amor fraterno à mesma fonte divina da qual procede a força da ressurreição: “Amemo-nos uns aos outros porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus”.


Precisamos estar bem conscientes de que somente o amor fraterno (ágape) será sinal claro da força da ressurreição de Cristo se for verdadeiramente de Deus, isto é, quando não se reduzir a uma mera filantropia. Esta origem divina do amor cristão fica assinalada nas duas leituras de hoje (Evangelho e Segunda Leitura). No Evangelho, Cristo nos exorta a nos mantermos no amor que Ele tem para conosco, e seu amor é o mesmo com que é amado pelo Pai: “Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor”. E a Primeira Carta de São João o diz de modo mais diáfano ou mais claro: “Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados”.


Amor Como O Maior Mandamento


O texto do evangelho de hoje se encontra no contexto do “discurso” da despedida de Jesus de seus discípulos (Jo 13,1-17,26). Como discurso de despedida, nele se encontram últimas lições de Jesus para seus discípulos que vão levar adiante os ensinamentos do Senhor.


No evangelho de hoje Jesus fala do mandamento de amor. Pela segunda vez encontramos este mandamento no evangelho de João (cf. Jo 13,34-35; 15,12-17). Independentemente da questão de redação posterior, percebemos aqui a importância da vivência do amor fraterno, pois o amor fraterno nos leva até o céu (1Cor 13,13). Viver o amor fraterno significa cumprir todas as leis (cf. Rm 13,10). Pelo caminho do amor não há outro caminho que possa nos levar à comunhão plena com Deus, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16).


A comunicação e circulação da vida divina, de que se falou no Domingo anterior (cf. Jo 15,1-8), através da imagem da verdadeira videira que é Cristo, e os ramos que são os que nele crêem, abre o caminho a uma comunicação e circulação do amor de que se fala no Evangelho deste Domingo.


Qual o valor do amor? Por que Jesus coloca o amor como o maior mandamento?


A resposta é simples: Porque Deus é Amor (1Jo 4,8.16). Se Deus é amor, o maior mandamento não pode ser outra senão o próprio amor. Quando se fala de cristianismo fala-se do amor. Onde não existe o amor, lá não existe o cristianismo. Se alguém fala do cristianismo sem falar do amor, não é o verdadeiro cristianismo. O amor é a alma da Bíblia, a força da profecia, a vida dos sacramentos, o fundamento da ciência, o fruto da fé e a vida dos moribundos (Sto. Agostinho). Ele sozinho já seria capaz de manter a esperança no mundo, pois nele está a chave de tudo. Ele é a força que move o mundo. Compreendê-lo e vivê-lo será justamente alcançar o mistério do universo/criação, da encarnação e da redenção. E conseqüentemente, compreender e viver o amor significa encontrar a chave do sentido da vida e ao mesmo tempo chegar à fonte da vida que é Deus. O paraíso, então, está onde habita o amor. Se formos um dia condenados, não será por termos amado demais, mas por termos amado de menos. Por isso, o homem vive não quando respira, mas quando ama. Por isso também, o homem morre não quando deixa de viver, mas quando deixa de amar, pois Deus é amor (1Jo 4,8.16) e a vida (Jo 14,6). E ninguém é pobre quando sabe amar. Mas quando alguém não sabe amar, embora seja muito rico, ele é o mais pobre do mundo.


A suprema felicidade da vida é a certeza de que somos capazes de amar e somos amados. “Somente o amor não fica molestado pela felicidade alheia, pois não é invejoso. Somente ele não se deixa enfatuar na felicidade própria, pois não se incha de orgulho” (Sto. Agostinho).


Por isso, à medida que a vida avança, o critério da maturidade real é a capacidade de amar. Quem ainda não é capaz de amar, com suas várias expressões como: respeito, atenção, agradecimento, perdão, paciência, solidariedade, sinceridade, justiça, fidelidade, misericórdia, ternura, sem discriminação (de cor, de raça ou de experiência acadêmica) etc., ele ainda não cresceu na sua maturidade do ponto de vista cristão.


Jesus fala de amor neste Evangelho numa relação de cadeia. É como uma fonte que vem do Pai, passa por Jesus, chega à comunidade, satisfaz nossas necessidades e deve ir aos outros. Por isso, Jesus diz: “Como meu Pai me amou, assim também eu amei vocês”. Por isso, “amem-se uns aos outros como eu amei vocês” (Jo 15,9.12). Naturalmente a iniciativa do amor vem do Pai, pois nele tem início: “Amamos porque Deus nos amou primeiro” (1Jo 4,19). A prática do amor (ágape) coloca o homem em total sintonia com a Caridade por excelência: Deus.  Fazemos parte do amor de Deus à medida que crescemos na relação amorosa com as pessoas, por meio da caridade, como diz São Paulo: “Permanecei em concórdia, vivei em paz e o Deus de amor e de paz estará convosco” (2Cor 13,11b). Amado, o homem existe e é amado que ele se afirma. Parece um paradoxo, mas é verdade profunda: para o homem, amar a Deus significa antes de tudo deixar-se amar por ele, porque amar a Deus nunca é iniciativa do homem, mas sempre reposta a um dom. É simples o raciocínio de Jesus: o Pai ama o Filho (Jesus) que observou sua vontade. Cristo amou os seus discípulos/seguidores, todos nós, com o mesmo amor que recebia do Pai e no qual os seus, por sua vez, podem permanecer em Jesus, observando o mandamento do amor de seu Mestre. Um pecador, um afastado de Deus, saberá que há um Deus que o busca e que lhe perdoa, se há um irmão que vai em busca dele, por ele se interessa e lhe perdoa em nome do Deus de amor. Um pobre, um doente, um ancião abandonado, descobrirá que há um Pai de amor para ele, se vir um irmão que, em nome de Cristo, a manifestação do amor infinito do Pai, se aproxima dele, divide com ele o seu pão e toma para si um pouco da tristeza dele. O amor de Deus em nós faz-nos solidários e responsáveis uns pelos outros.


Mas de que amor Jesus fala quando diz: “Amem-se uns aos outros como eu amei vocês”? O amor que Jesus quer colocar não é o amor puramente humano, passional e natural, mas o amor evangélico, ou caridade, ágape. O amor puramente humano, passional e natural é dominado por esta regra: “Como eu te amo, assim tu deves me amar”. No certo sentido, é mais um buscar que um dar. Dou para que tu me dês. O amor evangélico, chamado ágape ou caridade, quebra esse círculo vicioso que tão facilmente se torna egoísmo a dois. A fundamental regra para o amor evangélico é esta: “Amem-se uns aos outros como eu amei vocês”. A retribuição que Jesus quer não é para ele: é para oferecer aos outros.  O amor, neste caso, não se estagna, mas circula perenemente e com ele circula a vida; um dom que se mantém pela transmissão, como o rio que permanece vivo fluindo. Jesus não pede tanto ser amado, mas sobretudo que seja acolhido o amor que desce dele e de seu Pai. Por isso, ele não nos diz: “Amem-me porque amei vocês”, mas “Amem-se uns aos outros como eu amei vocês”. A retribuição que ele quer não é para ele: é para oferecer aos outros. É amando os irmãos que mostramos nossa gratidão pelo amor do Pai que se manifesta a nós em Jesus Cristo. Na expansão de seu amor, nos tornamos “aliados” de Deus e de Jesus. O amor é um testemunho indiscutível que define com quem se pode contar para fazer o bem, um testemunho que convence e conquista outros para fazer a mesma tarefa.  Por isso, o comentário que atrai sempre mais gente para o cristianismo é este: “Vejam como eles se amam”. A glória de Deus não aumenta quando nos prostramos tenebrosos diante da Sua majestade, mas sim quando fazemos com que sua ternura esteja presente no mundo, nas pessoas. Quem ama, mesmo sem ser batizado, tem em si a vida de Deus e por isso, é seu filho: “...todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama, não conheceu a Deus, pois Deus é Amor”(1Jo 4,7b-8). “...quem não ama seu irmão, a quem vê, a Deus, a quem não vê, não poderá amar...aquele que ama a Deus, ame também o seu irmão” (1Jo 4,20b.21b).


O amor é visível, circulante e motivo de alegria: “Eu disse isso a vocês para que a minha alegria esteja em vocês e sua alegria seja plena”, diz Jesus. Aquele que é capaz de amar sempre tem uma vida alegre, um rosto feliz e sorridente naturalmente (não é um sorriso comercial). Ao contrário, aquele que guarda rancor ou mágoa ou não quer perdoar os outros, normalmente não tem uma vida feliz.


Mas de que modo Jesus nos amou quando ele diz: “Amem-se uns aos outros como eu amei vocês”? No centro da passagem, o versículo 13 nos responde: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos”. Amor é isto: querer o bem do outro e, por isso, fazer o sacrifício se for necessário. Jesus pode pedir tanto, porque foi isso mesmo que ele fez: ele amou os seus discípulos e os amou até o fim: até a morte na cruz (Jo 13,1). Só o amor justifica a cruz. A cruz é a manifestação do amor louco e apaixonado de Jesus por nós. Somente a partir do amor é que podemos entender o significado da cruz. Basta tirar o amor da cruz, ela (a cruz) se torna uma condenação.


Se é uma doação total, o amor, então, começa com a superação do egoísmo, com o sair de si mesmo, de seu isolamento, de seus interesses e reivindicações, para o abrir-se para o outro. Quando interiormente nos comprometemos com os outros, começamos a compreender. O egoísta não vai ao encontro, pode se camuflar em timidez ou se manifesta pelo comodismo, ou desinteresse. Egoísmo refinado é querer sempre “levar vantagem”. O egoísta se fecha sobre si mesmo, seus interesses mesquinhos, suas pequenas preocupações. Por isso, o egoísta é um infeliz. Ele não percebe que é justamente no entregar-se ao próximo que está o segredo infalível da felicidade.


O verdadeiro amor é sempre como uma experiência de derrota que se transforma em vitória; uma experiência de entrega que se transforma em enriquecimento; uma experiência de sair de si que se transforma no mais profundo encontro consigo mesmo; uma experiência de morte que se transforma em vida. O ponto final do amor é a vitória sobre a morte. O ponto final do egoísmo é a morte; a ausência do amor; a ausência de Deus.


Amor também é autocomunicação do bem, pois o amor é a presença do bem naquele que sabe amar. Amor é capacidade de sair de si mesmo, de transferir-se para outro ser, de participar de outro ser e de entregar-se por um outro ser. Aquele que ama está totalmente no outro, conservando sua identidade. O amor não pode realizar-se na esfera de um sujeito isolado.


Jesus confiou a todos nós algo muito valioso que é o amor. Tendo nos comunicado o que precisamos saber, agora ele nos convida a agir de forma criativa, não como subalternos ou pessoas tristes que cumprem ordens, mas como sócios/amigos. ”Já não chamo vocês de servos porque o servo não sabe o que faz o senhor. Mas chamo vocês de amigos porque dei a vocês a conhecer tudo quanto ouvi do meu Pai” (Jo 15,15).


Será Que Eu Sou Amigo De Jesus?


Todos nós conhecemos algumas pessoas que são corretas, fazem tudo direitinho, mas parecem duras com os outros. São honestas, mas não parecem viver essa honestidade com compaixão e alegria. Cumprem seus deveres fielmente, mas fazem isso como quem carrega um peso, sempre de cara feia/triste, como se a vida fosse uma obrigação desagradável.


Outras pessoas, porém, são acolhedoras, fazem a gente se sentir bem, prestam serviço com alegria. Conseguem nos passar amor à vida, ao próximo e a Deus sem fazer muito discurso. Seu serviço simples e alegre nos comunica que escolheram na vida um caminho que está valendo a pena.


A prática do mandamento de amor não só nos torna uma só pessoa com Cristo, mas une também ao Pai. A glória do Pai não aumenta quando nos prostramos, temerosos, diante da sua infinita majestade, mas sim, quando fazemos com que seu amor esteja presente no mundo.


Para podermos amar aos outros verdadeiramente devemos olhar sempre para Jesus Cristo, o modelo máximo de toda a caridade ou amor evangélico, pessoal e comunitário. Ele recebeu tudo do Pai (Mt 11,27), mas o que ele recebeu ele deu tudo para a vida do mundo, até mesmo a Sua carne. A eucaristia que celebramos é a memória viva deste amor evangélico, a tal ponto que o próprio termo “ágape” muito cedo significou para os cristãos a refeição eucarística da comunidade. Essa é a maior memória que possa existir do amor evangélico, visto que como hoje, ouvimos do próprio Jesus Cristo estas palavras: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (Jo 15,13).


Portanto, ser cristão é, fundamentalmente, estar disposto a amar ao estilo de Jesus. Isso seria suficiente e maravilhoso, porque se milhares de católicos no mundo inetiro decidissem, verdadeiramente, viver amando a Deus e aos homens, o mundo teria um impacto maior do que qualquer bomba atômica. O que acontece é que recebemos o mandato do Senhor e o arquivamos convenientemente, reduzindo-o a algumas frases bombásticas, atrás das quais as pobres realidades se escondem. É certo que na Igreja há maravilhas de exemplos práricos de amor a Deus e ao próximo, mas não menos certo que muitos de nós, vivem confundidos com o mundo. Consequentemente, somos tão dificilmente distinguíveis dos outros que não acreditam em Deus ou que vivem de acordo com o espirito mundano.


O amor cristão é assim: gratuito e gratificante, surpreendente e imprevisível, espontâneo e alegre. Fora do amor é rotina, cálculo, negócio. E esse amor, que estamos perdendo, aquele amor em que não acreditamos mais, esse amor que estamos substituindo por qualquer produto do mercado, esse amor incrível é a única força em que podemos acreditar, se realmente acreditamos, pelo menos, na vida.


O amor de Deus, na Páscoa de Cristo e na doação de seu Espirito, é amor universal, o ágape: o amor pelo amor, o bem pelo bem, a bondade pela bondade, sem segundas intenções e sem olhar para o beneficiado do amor. Por isso, nosso amor tem que ser assim também. Jovens e adultos, cultos e menos cultos, clero e leigos, oriundos e imigrantes...temos muitas ocasiões de mostrar a “catolicidade” de nosso amor.


Vamos nos perguntar: qual é a maior prova de amor que podemos dar? É justo querer dar a vida por Jesus sem entregar a vida pelos irmãos? Quais são as pessoas que ainda não amei bastante ou ainda não consegui perdoar? Vamos lembrar novamente a palavra do Senhor do domingo passado: “Sem mim nada podeis fazer. Comigo tudo é possível”. Será que contamos sempre com o Senhor ou só nos concentramos na nossa própria força por isso nos sentimos impotentes?
 
P. Vitus Gustama,svd

quarta-feira, 2 de maio de 2018

05/05/2018
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PERMANECER ABERTOS AO ESPIRITO SANTO TORNA-NOS VERDADEIROS MÁRTIRES DE CRISTO
Sábado da V Semana da Páscoa


Primeira Leitura: At 16,1-10
Naqueles dias, 1 Paulo foi para Derbe e Listra. Havia em Listra um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia, crente, e de pai grego. 2 Os irmãos de Listra e Icônio davam bom testemunho de Timóteo. 3 Paulo quis então que Timóteo partisse com ele. Tomou-o consigo e circuncidou-o, por causa dos judeus que se encontravam nessas regiões, pois todos sabiam que o pai de Timóteo era grego.  4 Percorrendo as cidades, Paulo e Timóteo transmitiam as decisões que os apóstolos e anciãos de Jerusalém haviam tomado. E recomendavam que fossem observadas. 5 As Igrejas fortaleciam-se na fé e, de dia para dia, cresciam em número. 6 Paulo e Timóteo atravessaram a Frígia e a região da Galácia, pois o Espírito Santo os proibira de pregar a Palavra de Deus na Ásia. 7 Chegando perto da Mísia, eles tentaram entrar na Bitínia, mas o Espírito de Jesus os impediu. 8 Então atravessaram a Mísia e desceram para Trôade. 9 Durante a noite, Paulo teve uma visão: na sua frente, estava de pé um macedônio que lhe suplicava: “Vem à Macedônia e ajuda-nos!” 10 Depois dessa visão, procuramos partir imediatamente para a Macedônia, pois estávamos convencidos de que Deus acabava de nos chamar para pregar-lhes o Evangelho.


Evangelho: Jo 15,18-21
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 18“Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro me odiou a mim. 19Se fôsseis do mundo, o mundo gostaria daquilo que lhe pertence. Mas, porque não sois do mundo, porque eu vos escolhi e apartei do mundo, o mundo por isso vos odeia. 20Lembrai-vos daquilo que eu vos disse: ‘O servo não é maior que seu senhor’. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós. Se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. 21Tudo isto eles farão contra vós por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou”.
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A Primeira Leitura de hoje nos relata o início da segunda viagem missionária de São Paulo. Através da Ásia Menor chegará à Europa e fará das principais cidades de Grécia cenário de sua missão. Desta vez São Paulo é acompanhado por Timóteo. A viagem durará do ano 49 a 52. Durante a viagem pela Ásia Menor (At 16,6-10), o Espirito Santo os encaminha para a Europa, e inesperadamente aparece Lucas entre os colaboradores de São Paulo (At 16,10). Uma vez na Europa (At 16,11-15), se detém em Filipos, principal cidade de Macedónia, e a conversão da hospitalária Lídia constitui o ponto de partida para a fundação daquela importante comunidade.


O cristianismo entra na Europa! Tudo porque, numa noite de insônia São Paulo teve uma visão. Na sua visão aparece um macedônio e lhe roga: “Vem à Macedônia e ajuda-nos!”. São Paulo não pensa duas vezes e se põe em caminho com Timóteo, seguros de que Deus os chamava a pregar naquela cidade o Evangelho.


Este episódio nos leva a pensarmos no que pode significar hoje a evangelização da Europa ou, mais amplamente, o anúncio do Evangelho na Europa. Antes de nos pormos em caminho é preciso escutar as petiçoes de ajuda. Quem pede ajuda hoje na Europa? Quem está dizendo, com palavras ou gestos, “Venha!” são as pessoa que estão sendo excluídas das chamadas “sociedades do bem-estar” e, muito em particular, os anciãos que vivem e morrem sozinhos porque muitos já não se interessam mais com ninguém; os imigrantes que sonham encontrar um continente acolhedor que demonstre com fatos sua tradição cristã milenar; os aleijados da Igreja que não cessam de fazer-se perguntas sobre o sentido da vida? Não é fácil fazer este discernimento num continente em que tem um passado multissecular marcado pelo cristianismo.


As viagens apsotólicas de São Paulo são uma expressão do desejo do autor do Salmo Responsorial de hoje (Sl 99/100): “Aclamai o Senhor, ó terra inteira”. Também nós, com os mesmos sentimentos do apóstolo Paulo empregamos as mesmas palavras do salmista e dizemos: “Aclamai o Senhor, ó terra inteira, servi ao Senhor com alegria, ide a ele cantando jubilosos! Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, Ele mesmo nos fez, e somos seus, nós somos seu povo e seu rebanho. Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, sua bondade perdura para sempre, seu amor é fiel eternamente!”.


Portanto, reconheçamos que o Senhor é Deus, que foi Ele quem nos criou e somos Seus, que somos Seu povo e Seu rebanho. É Ele quem vai à frente de nós; Ele é quem nos alimenta com sua Palavra, com as diversas ações litúrgicas e com o amor fraterno. É Ele quem nos envia, em seu Nome, não só a proclamar e sim a levarmos o Evangelho da graça a todas as nações, para que, quem o aceitar e viver comprometido com ele, tenha vida eterna. Assim Deus nos manifesta Sua bondade, Sua misericórdia e Sua fidelidade.


Jesus tem falado muito até agora do amor. Agora, no Evangelho de hoje, aparece a palavra “ódio”. Jesus anuncia deantemão a seus seguidores que o mundo os odiará: “Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro me odiou a mim”. Consequentemente, vai ser uma história de luta entre o nem e o mal.


Há uma grande diferença entre “estar no mundo” e “ser do mundo”. No contexto do Evangelho de hoje para o evangelista João o mundo é sempre o conjunto das forças do mal, opostas ao Reino que Jesus quer estabelecer.


As palavras de Jesus na última Ceia nos avisam também que vai ser difícil nossa relação com o mundo, isto é com as forças do mal, da injustiça, da desigualdade e assim por diante, como o foi para Jesus, e como tem sido ao longo demais de dois séculos da história para a comunidade cristã.


“Se fôsseis do mundo, o mundo gostaria daquilo que lhe pertence. Mas, porque não sois do mundo, porque eu vos escolhi e apartei do mundo, o mundo por isso vos odeia”, acrescentou Jesus. Com efeito, será o mau sinal quando a sociedade nos aceitar demasiadamente fácil. Será um sinal de que não damos testemunho dos valores cristãos. é o perigo que podemos ter: a assimilalação insensível da hierarquia de valores do mundo, em vez dos valores cristãos.


Aprofundemos um pouco mais nossa meditação a partir das duas leituras proclamadas na nossa celebração hoje!


É Preciso Permanecermos Abertos À Ação Do Espirito Santo e Atentos Para Seus Sinais


“Percorrendo as cidades, Paulo e Timóteo transmitiam as decisões que os apóstolos e anciãos de Jerusalém haviam tomado. E recomendavam que fossem observadas. As Igrejas fortaleciam-se na fé e, de dia para dia, cresciam em número”.


O texto da Primeira Leitura fala da Segunda Viagem Missionária de Paulo nos anos 49-52 d.C. Mas agora não é acomponhado por Barmabé (separou-se de Paulo por uma discussão) e sim por Timóteo e Silas. E também Lucas, o autor do livro dos Atos dos Apóstolos porque neste relato aparece o “nós”: “Depois dessa visão, procuramos partir imediatamente para a Macedônia, pois estávamos convencidos de que Deus acabava de nos chamar para pregar-lhes o Evangelho”.


O que se enfatiza neste relato é a incansável esforço de Paulo e seus companheiros na evangelização. Além disso, eles têm uma crescente consciência de que é o Espirito Santo (Espirito de Jesus) quem os guia permanentemente, e na sua ação missionária, eles permanecem abertos para a ação do Espirito Santo através deles: “Paulo e Timóteo atravessaram a Frígia e a região da Galácia, pois o Espírito Santo os proibira de pregar a Palavra de Deus na Ásia. Chegando perto da Mísia, eles tentaram entrar na Bitínia, mas o Espírito de Jesus os impediu”. Não sabemos os meios pelos quais eles reconhecem a indicação do Espirito Santo. Mas em todo o livro dos Atos dos Apostolos o protagonismo do Espirito Santo e a obediência dos discípulos à sua voz são constantes. Com esta colaboração entre o Espirito Santo invisível e a comunidade visível, em modo particular seus responsáveis a fé em Jesus Cristo continua se espalhando pelo mundo. Por isso, o Salmo Responsorial pode aclamar: “Aclamai o Senhor, ó terra inteira, servi ao Senhor com alegria, ide a ele cantando jubilosos!” (Sl 99).


No texto fala-se também da separação de Barnabé de Paulo na viagem missionária por uma discussão (cf. At 15,36-40). Tudo isto nos mostra que o trabalho na equipe não é fácil. Mas apesar do episódio de Barnabé vemos claramente que Paulo tem consciência de que é a comunidade que o envia para a missão depois de sua conversão.


Nós jamais estamos isentos de distintas visões em tantos aspectos da vida da Igreja/comunidade. Mas jamais podemos perder nossa consciência de que somos comunidade/Igreja e que as coisas não se decidem nem se fazem com critérios meramente pessoais. No nosso discernimento, devemos estar atentos à vida, por um lado e por outro lado, devemos permanecer abertos à ação do Espirito Santo, personagem principal da Igreja. É preciso ficarmos atentos aos sinais dos tempos pelos quais o Espirito de Santo fala para nós. O livro dos Atos dos Apóstolos está muito ligado, de alguma maneira, à voz do Espirito Santo. É o Espirito de Jesus (cf. Mt 28,20), misterioso, mas eficaz agente de toda vida eclesial, Aquele que inspira a comunidade sobre quais são lugares e os caminhos da evangelização em cada momento. O discernimento é comunitário, é para a edificação da comunidade. Tudo que não edifica a comunidade é uma autopromoção. Ninguém pode ser considerado como o único intérprete da vontade de Deus. A voz do Espirito se reconhece na comunidade sobretudo através do ensinamento (magistério) e decisão dos sucessores de Pedro e os Apostolos, o Papa e o episcopado mundial com uma participação notória da mesma comunidade como se vê ao longo do livro dos Atos dos Apóstolos. “Vinde, Espirito Santo, enchei os corações dos vossos fieis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espirito e tudo será criado e renovarei a face da Terra”.


Na Vivência Dos Ensinamentos De Jesus Cristo Seremos Perseguidos


“Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós. Se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Tudo isto eles farão contra vós por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou”.


Continuamos ainda a acompanhar o discurso de despedida de Jesus dos seus discípulos (Jo 13-17).


O evangelho de hoje descreve a situação precária da comunidade cristã no mundo, principalmente nos finais do século I e nos começos do século II. É uma situação que se caracteriza pela recusa e até pela perseguição abertas. A resistência à revelação não cessou na cruz de Jesus. A mesma resistência agora é dirigida contra a comunidade cristã que mantém os ensinamentos de Jesus Cristo. “Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós”, alerta Jesus aos seus. Na época em que João escreveu seu evangelho muitos morreram como mártires.


No evangelho deste dia, Jesus contrapõe o amor do Pai com o ódio do mundo manifestado pela perseguição. “Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro me odiou a mim”. Ódio é paixão ou sentimento que leva a fazer ou a desejar mal para o próximo. É uma paixão provocada pela vista do mal e que se traduz por um sentimento de aversão. Mas o ódio é igual a tomar o veneno e espera que o outro morra. O mundo é caracterizado pelo ódio. A comunidade cristã é caracterizada pelo amor fraterno: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13,35).


“Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro me odiou a mim”. Os cristãos estão bem advertidos. Não têm porque se estranham de ser recusados ou odiados por causa da vivencia dos ensinamentos de Cristo. Nada de estranho! A Igreja é o Corpo de Cristo. Por isso, tem que sofrer inevitavelmente os ataques do homem mundano que se crê deus de si mesmo e que não pode renunciar a ser ele o autor de sua própria salvação. Este tipo de homem sempre buscará acusações contra a Igreja, pelos mesmos motivos que as buscou contra Jesus. Para o mundo a fé em Deus é irracional e atrasada; o perdão aos inimigos é uma debilidade; a oração e o amor a Deus são atitudes ineficazes e dos fracos. Por isso e por tantos outros motivos a Igreja de Cristo é perseguida. Mas a perseguição é um meio de união com Cristo; é correr a mesma sorte que Jesus. Enquanto a Igreja viver fielmente de acordo com os ensinamentos de Jesus, ela será perseguida (cf. 2Tm 3,12).


Para São João, habitualmente, especialmente no contexto do evangelho deste dia, o mundo significa “o mundo pecador”, “o mundo que recusa Deus”. O processo de Jesus não terminou enquanto a Igreja estiver no mundo. Por isso, o mundo neste sentido é sinônimo de todo um sistema ideológico, político e social que aliena o ser humano e o converte num escravo; designa a todo sistema injusto. Mas o seguimento de Jesus, a amizade com ele leva os cristãos a romperem com a mentalidade alienada que o mundo impõe.


Mas a ruptura com o mundo não é fácil. Pelo contrário, resulta num conflito em extrema deprimente e perigoso, porque o mundo, como mentalidade alienadora, não permite a mínima dissensão ou oposição. Por isso, enquanto a Igreja existir sobre a face da terra, vão continuar a existir também mártires. Mas o sangue do mártir é a semente para a Igreja. Não dá para a verdadeira Igreja de Cristo parar de sofrer. A Igreja de Jesus continua com sua função profética de anunciar e de denunciar que resulta na perseguição e no martírio. Viver de acordo com os ensinamentos de Cristo significa ser sinal de contradição (cf. Lc 2,34-35).


Os cristãos devem lutar incansavelmente por superar, em sua própria pessoa e na comunidade, a mentalidade que o mundo lhes impõe. A vida de um cristão é uma luta permanente contra o mal. Qualquer cristão verdadeiro sofrerá por manter sua opção pelos valores do Reino tais como amor, justiça, honestidade, verdade, igualdade, fraternidade e assim por diante.


O que o cristão deve continuar a fazer é testemunhar o amor fraterno. O amor fraterno é o selo de autenticidade de cada cristão (cf. Jo 13,35). Somente o amor vivido na fraternidade salva, pois “Deus é Amor” (1Jo 4, 8.16).


O perigo que temos é a assimilação insensível da hierarquia de valores do mundo em vez da hierarquia de valores que Jesus Cristo ensinou. Por isso, há perseguição contra a Igreja que é fruto da incoerência da própria Igreja com seus próprios ensinamentos éticos e morais recebidos de Jesus Cristo. Se a Igreja estiver de mãos dadas com o mundo é porque a Igreja deixa de viver de acordo com sua função profética de anunciar e de denunciar. Neste sentido, a Igreja é perseguida porque não está vivendo os valores cristãos que ela própria prega. Este tipo de perseguição serve para que a Igreja volte a ser como antes: uma comunidade cristã que vive os valores éticos e morais antes de pregá-los.


Mas há outro tipo de perseguição que se deriva do choque do evangelho com muitos dos critérios que hoje são vigentes. Esta segunda perseguição é um claro sinal da autenticidade da Igreja. Se os cristãos forem perseguidos por estar vivendo os valores éticos e morais e os demais valores evangélicos, estarão recebendo, na verdade, um grande aplauso apesar do sofrimento. Que bom que alguém me critica por praticar o bem. Que bom que alguém me denuncia por eu ser solidário com os pobres e os excluídos da sociedade. Que bom que alguém me persegue por eu lutar pela justiça e honestidade e assim por diante. Se alguém me criticar por cometer algo do nível ético, eu tenho que ficar de joelho diante de Deus para pedir perdão e voltar a viver os valores éticos e os demais valores evangélicos.


Ser cristão é ser mártir; é ser testemunha. A palavra “mártir” em grego pode significar: afirmar o que se viu para que os demais se convençam disso; é testemunhar para que o juiz faça justiça. No cristianismo, o testemunho significa também firmar com sangue o que se afirma. No Antigo Testamento sem testemunhas declarantes, não pode ter sentença penal (Nm 5,13). Na Bíblia, é preciso ter, pelo menos, dois ou três testemunhas coincidentes (Dt 19,15-16; Nm 35,30; Mt 26,59-61; Mc 14,56-57). As falsas testemunhas eram duramente castigadas (Dt 19,16-20; 1Rs 21,10-13; Dn 13,34-41). Os sábios de Israel anatematizam o testemunho falso (PR 19,9). Havia obrigação grave de testemunhar (Lv 5,1.5.6).


Ao participar da Eucaristia sabemos que aceitamos as exigências do Evangelho, de tal forma que, daqui em diante, temos que viver totalmente comprometidos com Jesus Cristo. É sermos testemunhas de Cristo onde estivermos e para onde formos. Comungar o Corpo do Senhor significa viver como Ele viveu. Comungar o Corpo do Senhor significa assumir o estilo de vida que ele viveu. Sem isto, a Eucaristia e a comunhão carecerão de sentido. Quando o cristão deixar de ser testemunhas dos valores cristãos, o mundo vai avançando na sua maldade. E os pequenos, os inocentes serão sempre suas vítimas preferidas. O cristão é chamado a ser voz desses pequeninos: dos sem voz e sem vez.
P. Vitus Gustama,svd

terça-feira, 1 de maio de 2018

04/05/2018
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AMAR COMO ESTILO DE VIDA CRISTÃ
Sexta-Feira da V Semana da Páscoa

Primeira Leitura: At 15,22-31
Naqueles dias, 22 pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, de acordo com toda a comunidade de Jerusalém, escolher alguns da comunidade para mandá-los a Antioquia, com Paulo e Barnabé. Escolheram Judas, chamado Bársabas, e Silas, que eram muito respeitados pelos irmãos. 23 Através deles enviaram a seguinte carta: “Nós, os apóstolos e os anciãos, vossos irmãos, saudamos os irmãos vindos do paganismo e que estão em Antioquia e nas regiões da Síria e da Cilícia. 24 Ficamos sabendo que alguns dos nossos causaram perturbações com palavras que transtornaram vosso espírito. Eles não foram enviados por nós. 25 Então decidimos, de comum acordo, escolher alguns representantes e mandá-los até vós, junto com nossos queridos irmãos Barnabé e Paulo, 26 homens que arriscaram suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 27 Por isso, estamos enviando Judas e Silas, que pessoalmente vos transmitirão a mesma mensagem. 28 Porque decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis: 29 abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, das carnes de animais sufocados e das uniões ilegítimas. Vós fareis bem se evitardes essas coisas. Saudações!”


Evangelho: Jo 15,12-17
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12“Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. 13Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos.14Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 15Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. 16Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que, então, pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. 17Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros”.
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A Primeira Leitura de hoje nos relata algumas decisões do Concílio de Jerusalém. Primeiro, há que viver na novidade de Cristo e não segundo costumes passados. Segundo, não há que impor a circunscisão aos convertidos de qualquer religião não judia, nem tampouco há que impor outras tradições, usos próprios da anterior história espiritual de Israel. Terceiro, somente há de impor algumas obrigações essenciais como não cair na idolatria e uniões ilegítimas. Quarto, os grandes assuntos da vida e da fé tem que ser tratados em assembleia de responsáveis: apóstolos, presbíteros, irmãos. Todos são responsáveis.


Tudo isso abriu uma ampla perspectiva para o desenvolvimento da missão apostólica. A Primeira Leitura sublinha a união de caridade na Igreja primitiva: “O Espirito Santo e nós”.


Será que trabalhamos como a comunidade primitiva eclesial, sendo corresponsáveis nas decisões ou preferimos viver em “paz” sem assumir responsabilidades?


A vocação dos pagãos é o cumprimento do universalismo messiânico. Apesar de nossa ignorância, de nossa fraqueza, de nossa preguiça, Deus realiza seu plano e cumpre seu propósito. Estamos nos pensamentos de Deus e nos seus planos antes do princípio das coisas. Somos frutos do pensamento de Deus. Por isso, damos graças a Deus diante de todos os povos e cantamos para Ele diante das nações com o Salmo Responsorial (Sl 56/57): “Meu coração está pronto, meu Deus, está pronto o meu coração! Vou cantar e tocar para vós: desperta, minha alma, desperta! Despertem a harpa e a lira, eu irei acordar a aurora! Vou louvar-vos, Senhor, entre os povos, dar-vos graças por entre as nações! Vosso amor é mais alto que os céus, mais que as nuvens a vossa verdade! Elevai-vos, ó Deus, sobre os céus, vossa glória refulja na terra!”.


No Evangelho de hoje Jesus nos diz: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. O mandamento sumpremo de Cristo consiste na caridade fraterna que chega até o dom da própria vida em favor dos seres amados (a humanidade). Jesus dá a conhecer aos discípulos tudo quanto conhece do Pai. A revelação do Pai não é outra coisa que Jesus Cristo e é revelação pelo amor, para o amor e no amor. O amor dos discípulos entre si será o fundamento e a condição da permanência gozosa neles de Jesus, depois de sua partida deste mundo.


São Bernardo afirma: “O amor basta por si só e porcausa de si. Seu prêmio e seu mérito se identificam com ele mesmo. O amor não requer outro motivo fora de si mesmo, nem tampouco nenhum proveito; seu fruto consiste em sua própria prática. Amo porque amo, amo para amar. Grande coisa é o amor, com tal que se recorre a seu princípio e origem, com tal que volta o amor a sua fonte e seja uma contínua emanação do mesmo” (Sermão 83).


Onde Há Espaço Para o Espirito Santo e a Colaboração Humana Há Solução Para os Conflitos


Em At 6 houve o problema da discriminação dos Helenistas (viúvas helenistas discriminadas), agora em At 15, o problema da da discriminação dos pagãos convertidos. Nestes dois casos o que está em jogo, além do sofrimento de pessoas concretas, é o problema institucional e teológico da missão fora de Jerusalém (além da Lei e do Templo) para os samaritanos e povos pagãos. O problema é superado com uma assembleia de toda a comunidade.


Especialmente no Concílio de Jerusalém em At 15 houve discussão e posições contrapostas. Mas depois do esforço de discernimento, no fim teve um consenso: “Decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis: abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, das carnes de animais sufocados e das uniões ilegítimas. Vós fareis bem se evitardes essas coisas”. Este foi o conteúdo da carta enviada de Jerusalém pelos Apóstolos e presbíteros para os pagãos convertidos de Antioquia, Síria e Cicília. Portanto, fica afirmada a conficção teológica de que a salvação vem de Jesus e não pela Lei de Moisés para os pagãos que se converteram para a fé cristã e triunfam a tolerância e a interpretação prulalista de Paulo e Barnabé. O Salmo resposorial recolhe esta sensação: “Vou louvar-vos, Senhor, entre os povos, dar-vos graças por entre as nações! Vosso amor é mais alto que os céus, mais que as nuvens a vossa verdade!” (Sl 56).


Como a Igreja em geral e cada comunidade, em particular (familiar, paroquial, diocesana, religiosa etc.) enfrenta seus conflitos internos? A partir do texto da Primeira Leitura tiramos lição de que quando nossas comunidades se reúnem e se esforçam por discernir qual é realmente a vontade de Deus, que supõe a existência de espaço para o Espirito Santo agir, as decisões que tomamos sempre tem objetivo de salvar todos os homens como o próprio Deus quer (cf. 1Tm 2,4) a exemplo da decisão do Concílio de Jerusalém. Como aconteceu na história, hoje em dia sempre temos a tentação de impor a os outros coisas que não são necessárias, cargas que não são imprescindíveis. Muitas vezes somos intolerantes nem respeitamos as diferenças de caráter, de cultura, de opinião. Não nos esqueçamos que cada ponto de vista é apenas vista de um ponto sobre a mesma realidade. A presença do outro nos ajuda a olharmos ricamente para a mesma realidade: o outro nos enriquece e nós enriquecemos o outros a partir de nossa visão sobre a mesma realidade. Em toda discussão deveria triunfar a caridade, tolerando muitos detalhes periféricos e cebtrando-nos no importante ou no essencial para a salvação de todos.


A vida é muito dimensional demais para sermos mesquinhos no nosso ponto de vista. Somente Deus, na Sua sabedoria infinita é capaz de perceber até os mínimos detalhes sobre qualquer realidade e criação, pois Ele é o Criador do universo e o Onisciente. Enquanto nós, seres humanos na ordem da criação somos limitados na nossa visão. A vida não é matemática cujo resultado tem seu ponto final. “Nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam” (Martin Luther King). E “Nossas vidas são definidas por momentos. Principalmente aqueles que nos pegam de surpresa” (Bob Marley). Mas nunca estamos prontos para ver o que nunca víamos, e nunca estamos preparados para aceitar a verdade que choca nossos hábitos. Mas tendo Deus e sua vontade como o foco ou centro no qual gira nossa existência, e tendo a suficiente humildade, tudo que acontece como surpresa serve para enriquecer nossa existência neste mundo.


Fica para nós a seguinte pergunta: quando tomamos uma decisão comunitária, poderíamos dizer com sinceridade que “Decidimos, o Espírito Santo e nós”? Ou nos deixamos levar por nossos interesses mesquinhos e egoístas? Nossas decisões alegram os alentadores, como os de Jerusalém, e os interessados, como os de Antioquia, Síria e Cicília? Para Lucas, o autor dos Atos, a alegria é um sinal clara de que atuamos conforme o Espirito Santo.


Amor Como Um Mandamento Novo De Jesus Para Os Seus Seguidores


“Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”.


Continuamos ainda a acompanhar o discurso da despedida de Jesus dos seus discípulos no evangelho de João (Jo 13-17). No evangelho de hoje Jesus fala do amor como o maior mandamento para seus seguidores e Jesus se apresenta como amigo dos discípulos e de todos os seus seguidores. Creio que este mandamento é tão importante a ponto de ser apresentado duas vezes no evangelho de João: Jo 13,34-35 e Jo 15,12-14. “Meu amor é meu peso”, dizia Santo Agostimho (Conf. 13,9). “Quanto mais cresce teu amor, maior é tua perfeição. A perfeição da alma é o amor”, acrescentou Santo Agostinho (In epist. Joan. 9,2).


Amar Como o Estilo De Vida Cristã


“Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”. Este é o mandamento do Senhor! Não se trata de uma lei (nomos), e sim de um estilo de vida (entolé). Aqui a palavra “mandamento” tem a ver com o estilo de vida. Para o evangelista João “amar” é um estilo de vida. Trata-se de uma coisa que faz parte da vida cotidiana de cada seguidor de Cristo.


Mas que tipo de amor que Jesus recomenda? Que tipo de amor que ele fala como o estilo de vida? Em que sentido o amor como o estilo de vida?


Jesus se põe a si mesmo como modelo: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12). De que maneira Jesus nos amou? O amor de Jesus é gratuito, generoso, universal, incondicional e sem limites: “Jesus amou os seus, e os amou até o fim” (Jo 13,1). Jesus amou ao longo dos dias e dos anos; amou até a morte e além da morte. Sem limites: até dar tudo, gastar tudo, despojar-se de tudo. O amor de Deus não se deixa condicionar (cf. Jo 3,16), e nem sequer impor limites pelos maus comportamentos do homem: “Deus faz nascer o seu sol igualmente sobre maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos”, diz Jesus no Sermão da Montanha (Mt 5,45).   Ele se entregou pelos demais ao longo de sua vida até o extremo: a morte na cruz: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos” (Jo 15,13). É o amor concreto. É amar não com palavras apenas, e sim com obras, com a compreensão, com a ajuda oportuna, com a palavra amável, com a tolerância, com a doação gratuita de si mesmo, com o perdão (cf. Lc 23,34). O amor autêntico exige sempre o sacrifício e o total esquecimento de si. É amar por amor. São Bernardo afirma: “O amor basta por si só e por causa de si. Seu prêmio e seu mérito se identificam com ele mesmo. O amor não requer outro motivo fora de si mesmo. Amo porque amo; amo para amar”. Se assim é, podemos dizer que você vive não quando respira, mas quando ama. Do ponto de vista cristão a capacidade de viver o amor fraterno é o critério da maturidade cristã.


Para nós, cristãos, a atitude de amor aos demais deve ser uma conseqüência prática de nossa comunhão profunda com Cristo. O cristão é reconhecido, fundamentalmente, pelo amor que vive: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”, disse-nos Jesus (Jo 13,35).


Somos Amigos De Jesus


“Eu vos chamo amigos”, diz o Senhor.
  • A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro (Platão).
  • Sem amigo, nada é agradável [Sine amico nihil amicum] (Santo Agostinho).
  •  A amizade é o conforto indescritível de nos sentirmos seguros com uma pessoa, sem ser preciso pesar o que se pensa, nem medir o que se diz (George Eliot).
  • A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar ao amigo de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades (Millôr Fernandes).
  • O amigo é o melhor terapeuta nas experiências de abandono e humilhação (Anselm Grün).
  • Refugiado em peito amigo, sumindo vai pesar antigo (Johann Wolfgang Goethe).
  • Não me alegro tanto pela andorinha que me traz a mensagem da primavera e que à renovação eterna canta hinos, mas alegro-me bem mais pela mensagem do amigo que me traz o que preciso para a vida (Friedrich Rückert, poeta).
  • Com um amigo ao lado, nenhum caminho é longo demais (ditado japonês).
     
    Para ser amigo do outro é preciso ser amigo de si mesmo, no sentido de que é preciso colocar em ordem o próprio coração e direcioná-lo para o bem. Um coração bom está sempre do lado do bem. Um coração bom nos leva a praticarmos a bondade. Dizia Cícero que a amizade é “doadora da alegria de viver tanto para os nossos amigos como para nós mesmos”. Por isso, ter ou não ter amigo depende de ser ou não ser amigo de si mesmo. Quem é muito humano para si próprio, será muito humano para o outro. É o ponto de partida para uma amizade.
     
    Quando alguém reclama que não tem amigo ou amiga, é preciso se perguntar: “Será que eu sou amigo de mim mesmo? Será que sei me tratar? Será que eu me respeito e me amo?”. Somente poderemos ser felizes quando aprendermos a fazer o outro feliz. Somente podemos ser próximos dos outros, se aprendermos a ser próximos dos outros.
     
    “Eu vos chamo amigos”, diz o Senhor. Jesus chamou seus discípulos de amigos porque partilhou tudo com eles o que ouviu de seu Pai: experiências, conhecimentos, salvação, amor etc.. Jesus abriu aos discípulos Seu coração. Isto significa que o discípulo, o cristão não é um simples subalterno. O cristão é um amigo pessoal de Jesus Cristo. O amigo não é um simples conhecido ou um sócio, e sim alguém com quem se compartilha a intimidade, o mais profundo de nosso ser: “Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15,15b). O amigo sempre está disposto a fazer o que o amigo lhe pedir: “Vós sois meus amigos se fizerdes o que eu vos mando” (Jo 15,14). O amigo demonstra a verdade de seu amor estando disposto a entregar a própria vida se for necessário: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos” (Jo 15,13). O verdadeiro amigo inclui a doação da vida pelo amigo. Para Jesus a noção de amizade é muito profunda. “Amigo é alguém que te conhece a fundo e, apesar disso, te ama” (Hublard). “A amizade é como todos os títulos honoríficos: quanto mais velha, mais preciosa”, dizia Goethe. “A amizade duplica as alegrias e divide as tristezas” (Francis Bacon).
     
    “Eu vos chamo amigos”, disse-nos Jesus. É uma mensagem consoladora. É uma mensagem que dá força e ânimo. De fato, eu não estou sozinho (a). Eu estou bem acompanhado (a). Eu estou acompanhado (a) pelo Salvador do mundo: Jesus Cristo. Se o cristão viver verdadeiramente esta fé, ele jamais se sentirá só independentemente da situação em que se encontra. O cristão não é solitário, e sim solidário. “O mundo é tão vazio quando pensamos apenas nas montanhas, rios e cidades; mas saber que cá e lá existe alguém que comunga conosco, com o qual também nós convivemos tacitamente, isto faz deste globo terrestre para nós um jardim habitado” (Johann Wolfgang von Goethe).
     
    “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando”, disse Jesus.  Será que você pode ser considerado como amigo de Jesus? Para ser amigo do outro é preciso ser amigo de si mesmo. Você é amigo de si mesmo?
     
    Lembremo-nos do recado do Pequeno Príncipe: “Você precisa me cativar. As pessoas já não têm tempo de aprender coisa alguma. Compram tudo nas casas comerciais. Mas, como não existem lojas de amizade, as pessoas não têm mais amigos. Se quiser um amigo, cative-me” (Saint-Exupéry: O Pequeno Príncipe).
     
    P. Vitus Gustama,svd

Sábado Da XXIX Semana Comum, Ano Par, 24/10/2026

CONVERTER-SE PERMANENTEMENTE PARA PRODUZIR CONSTANTEMENTE OS FRUTOS DE AMOR NO CORPO DE CRISTO QUE É A IGREJA Sábado da XXIX Semana Comum ...