segunda-feira, 3 de junho de 2019

05/06/2019
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SER CRISTÃO É SER FATOR DA UNIDADE, DA ALEGRIA, DA SANTIFICAÇAO E DA VERDADE
Quarta-Feira da VII Semana da Páscoa


Primeira Leitura: At 20,28-38
Naqueles dias, Paulo disse aos anciãos da Igreja de Éfeso: 28 “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos colocou como guardas, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o sangue do seu próprio Filho. 29 Eu sei, depois que eu for embora, aparecerão entre vós lobos ferozes, que não pouparão rebanho. 30 Além disso, do vosso próprio meio aparecerão homens com doutrinas perversas que arrastarão discípulos atrás de si. 31 Por isso, estai sempre atentos: lembrai-vos de que, durante três anos, dia e noite, com lágrimas, não parei de exortar a cada um em particular. 32 Agora entrego-vos a Deus e à mensagem de sua graça, que tem poder para edificar e dar a herança a todos os que foram santificados. 33 Não cobicei prata, ouro ou vestes de ninguém. 34 Vós bem sabeis que estas minhas mãos providenciaram o que era necessário para mim e para os que estavam comigo. 35 Em tudo vos mostrei que, trabalhando deste modo, se deve ajudar os fracos, recordando as palavras do Senhor Jesus, que disse: ‘Há mais alegria em dar do que em receber’”. 36 Tendo dito isto, Paulo ajoelhou-se e rezou com todos eles. 37 Todos, depois, prorromperam em grande pranto, e lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam, 38 aflitos, sobretudo por lhes haver ele dito que não tornariam a ver-lhe o rosto. E o acompanharam até o navio.


Evangelho: Jo 17,11b-19
Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos para o céu e rezou, dizendo: 11b “Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um assim como nós somos um. 12 Quando eu estava com eles, guardava-os em teu nome, o nome que me deste. Eu os guardei e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição, para se cumprir a Escritura. 13Agora, eu vou para junto de ti, e digo estas coisas, estando ainda no mundo, para que eles tenham em si a minha alegria plenamente realizada. 14Eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os rejeitou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo. 15Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. 16Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo. 17Consagra-os na verdade; a tua palavra é verdade. 18Como tu me enviaste ao mundo, assim também eu os enviei ao mundo. 19Eu me consagro por eles, a fim de que eles também sejam consagrados na verdade”.
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A Igreja É O Povo Dos Redimidos Pelo Precioso Sangue De Jesus Cristo


Continuamos com o discurso de despedida de são Paulo aos presbíteros de Éfeso em Mileto (At 20,17-38). O texto da Primeira Leitura de hoje é a segunda parte do discurso (a primeira parte foi lida no dia anterior).


Esta segunda parte do discurso de despedida de são Paulo está consagrada, sobretudo, aos deveres pastorais de seus sucessores na direção da Igreja de Éfeso.


São Paulo lhes recorda, em primeiro lugar, o caráter sagrado do cargo como presbítero (At 20,28). Em segundo lugar, são Paulo lhes anuncia os perigos que ameaçam a comunidade e por isso, ele exige a vigilância constante da parte dos presbíteros (At 20,29-31). E por fim, são Paulo implora a graça de Deus (At 20,32.36) antes de fazer-lhes algumas recomendações para que sejam despojados da ganância ou da avareza (At 20,33-35).


São Paulo relaciona o cargo pastoral (presbítero) com a vida trinitária: o Espirito Santo promove homens (presbíteros) para que cumpram a tarefa de guardiões na Igreja do Pai, que foi adquirida pelo Sangue do Filho: “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos colocou como guardas, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o sangue do seu próprio Filho”.


Quando são Paulo se dirige aos Anciãos de Mileto em Éfeso, a função dos presbíteros não é muito precisa, pois para “presbíteros” ou “anciãos” são Paulo lhes chama também de “epíscopos” (episcopoi), “supervisor” ou “guardiões” e além disso, eles devem “apascentar” um rebanho que é o trabalho de um pastor. No entanto, a relação entre seu cargo pastoral e a vida trinitária é bem clara. Por isso, é um cargo sagrado. São Paulo gosta de sumários trinitários nos quais o Pai toma a iniciativa da vocação de salvação, o Espirito Santo a realiza mediante sua obra santificadora, fazendo-os partícipes da glória do Filho (Cf. 2Ts 2,13-14; 1Cor 6,19-20; 2Cor 13,13; Ef 1,3-14; 4,4-6; Tito 3,4-6 etc.).


Independentemente de não ter precisão sobre a função dos presbíteros neste discurso de despedida de são Paulo, o texto quer enfatizar que, em primeiro lugar, a Igreja é realmente o povo dos redimidos, libertados pelo Sangue de Jesus Cristo muito mais eficaz do que o sangue do cordeiro pascal do AT. Em segundo lugar, a Igreja é a esfera onde o Espirito Santo exerce, de maneira privilegiada, sua ação santificadora da humanidade; a Igreja é, finalmente, a herança particular que o Pai reserva para manifestar a glória de Seu nome. Logo, cada batizado deve viver de tal maneira que a glória de Deus se reflita nele.


E para realizar este triple desígnio, precisamente, a Trindade confia a Igreja a homens (presbíteros). Estes devem comunicar a santidade do Espírito Santo a seu próximo, devem responder proteger e salvar seus irmãos (próximo), pois Cristo derramou Seu sangue para salvar a Igreja e devem velar pela integridade do domínio do Pai.


Como consequência desta essência trinitária do cargo pastoral devem ter algumas atitudes e responsabilidades nos seus dirigentes. Em primeiro lugar, a vigilância diante daqueles que usurpam o domínio divino através da doutrina falsa: inimigos externos (At 20,29). Estes judaizantes querem introduzir seu legalismo no seio da comunidade cristã (cf. Gl 2,4; 2Cor 11,4; Mt 7,15; 24,5; Jo 10,1-12). Há também inimigos internos que favorecem as seitas que confundem o Evangelho e seus raciocínios: “Do vosso próprio meio aparecerão homens com doutrinas perversas que arrastarão discípulos atrás de si” (At 20,30). Em suas Cartas são Paulo alerta seus destinatários a respeito desse perigo (Gl 1,6-9; 4,17; 5,7-12; Rm 16,17-18; Cl 2,4-8; Ef 4,14; 5,6; 2Tm 2,14-18 etc.).


Além da vigilância, são Paulo pede para ter a confiança no poder da Palavra e da graça divina: “Agora entrego-vos a Deus e à mensagem de sua graça, que tem poder para edificar e dar a herança a todos os que foram santificados” (At 20,32). Já na primeira parte do discurso, são Paulo demonstrou como ele não se deixava dominar pelo medo e como ele assumia suas responsabilidades com valentia (At 20,20.27). Por isso, são Paulo pede que seus sucessores adotem esta atitude também: que tenham consciência de sua própria debilidade, mas confiança no poder da Palavra de Deus.


E finalmente, o despojamento: “Não cobicei prata, ouro ou vestes de ninguém. Vós bem sabeis que estas minhas mãos providenciaram o que era necessário para mim e para os que estavam comigo. Em tudo vos mostrei que, trabalhando deste modo, se deve ajudar os fracos, recordando as palavras do Senhor Jesus, que disse: ‘Há mais alegria em dar do que em receber’” (At 20,33-35). São Paulo sempre vive independente economicamente, sem sobrecarregar o povo a ele confiado (cf. At 16,11-15). Agora ele justifica esse desinteresse em nome do valor teológico de seu ministério. Ele vive despojado para ficar livre a fim de atender melhor os mais pobres, porque a Palavra de Deus é suficientemente potente nele. Através do despojamento aprendemos a viver a vida na sua simplicidade. Simplicidade é o desprendimento de tudo e de si mesmo. Simplicidade é liberdade, leveza. Se alguém não for despojado, pobre do espírito, terá, inconscientemente, tendência a executar a obra que tem a fazer para a sua própria satisfação e não para a glória de Deus.


Somos Protegidos Por Jesus Que Intercede Por Nós Ao Pai


O texto do Evangelho proclamado hoje faz parte do discurso da despedida de Jesus de seus discípulos. O longo discurso de despedida de Jesus (Jo 13-17) termina com uma oração. Lemos neste dia a segunda parte desta oração. A segunda parte da oração de Jesus se centra em três pontos principais: Viver na verdade, viver na unidade e viver no mundo sem ser do mundo.


A Palavra de Deus é verdade. Jesus transmite esta palavra a seus discípulos para que sejam consagrados na verdade: “Consagra-os na verdade: a verdade é a tua Palavra. Assim como Tu Me enviaste ao mundo, Eu também os envio ao mundo. Eu consagro-Me por eles, a fim de que também eles sejam consagrados na verdade” (Jo 17,17-19). Na Bíblia a verdade é sinônimo de lealdade, fidelidade, firmeza, segurança. Para são João “verdade” significa a realidade divina que consiste no amor sem limite do Pai pela humanidade (cf. Jo 3,16). Toda a atividade de Jesus é a atividade de amor e por isso, a atividade vivificante. Jesus é a Verdade (cf. Jo 14,6) porque nele reside a realidade divina.


Quando Cristo pede ao Pai que consagre seus discípulos na verdade, ele quer dizer com isto que sejam santificados no plano da realidade absoluta, que a vida dos discípulos seja governada no amor e por amor, pois o verdadeiro amor é a realidade divina (1Jo 4,8.16). Para são João os discípulos devem alcançar o mesmo nível da santidade de Deus, já que são colocados por Cristo no mesmo plano de Deus (veja também Mt 5,48); são filhos de adoção eleitos pelo Pai e dados por ele ao Filho. Esta consagração na verdade, este acesso à santidade do Pai deve proporcionar-lhes a plenitude da alegria, a mesma alegria de Cristo: “Agora vou para junto de Ti. Entretanto, continuo a dizer estas coisas neste mundo, para que eles possuam toda a minha alegria” (Jo 17,13). 


“Consagrar” tem o mesmo significado que “santificar”. A ideia cristã de santidade é chamada à transcendência e também separação. Santificar significa eleger e separar. Os que recebem a Verdade ficam santificados, isto é, separados e eleitos para cumprir no mundo e diante do mundo uma missão em nome de Deus. O cristão é um homem como todos os demais, mas é um consagrado de Deus.


Mas os discípulos de Jesus ou os cristãos têm que permanecer na unidade entre eles, como o Pai e o Filho são um: “Pai santo, guarda-os em teu Nome, o Nome que Me deste, para que eles sejam um, assim como Nós somos um” (Jo 17,11b). Este é um tema querido para são João. O tema sobre a unidade será desenvolvido nos próximos versículos (17,21-24). Certamente esta unidade que deve formar os discípulos entre si é a mesma unidade entre o Pai e Jesus. Ao permanecer nesta unidade os cristãos podem permanecer também na verdade, isto é, na realidade eterna absoluta. Santo Agostinho dizia: “Os que vivem em discórdia não louvam o Senhor. E, portanto, tampouco o Senhor os abençoa. Seus lábios desfiam louvores, mas seus corações o maldizem. Quem abandona a unidade se faz desertor da caridade”. O Senhor nos quer fraternalmente unidos pelo amor que procede dele (cf. Jo 15,12). “Guarda-os em Teu Nome”. Aqui “nome” significa pessoa, seu ser, sua presença e seu agir.


“Eles não pertencem ao mundo, como Eu não pertenço ao mundo”. A palavra “mundo” aparece 11 vezes nos vv.11 a 19. Para o evangelista João, como para todo o NT, “mundo”, neste contexto, não se refere a este planeta onde habitamos e sim ao conjunto das três grandes ambições humanas: a ambição inerente à condição humana (concupiscência humana), a ambição dos olhos e a arrogância da fortuna, como afirma o próprio São João na sua primeira Carta: “Porque tudo o que há no mundo — a concupiscência humana, a cobiça dos olhos e a ostentação da riqueza — não vem do Pai, mas do mundo” (1Jo 2,16).  No entanto, os discípulos de Cristo, os cristãos não devem ser puritanos, no sentido de separar-se ou fugir do mundo e sim devem ser puros, no sentido de não deixar-se contaminar pelo ambiente hostil. O cristão deve trabalhar como o fermento: discreto, mas efetivo. É saber-se posicionar como cristão. A presença de um cristão no mundo deve ser uma presença interrogante e profética.


“Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo”.  O cristão não é uma pessoa isolada do mundo ou que se afasta do mundo. Sua vocação peculiar e indispensável é estar inserta no mundo onde realizara sua missão profética. Ele é chamado a ser o sal da terra e a luz do mundo (cf. Mt 5,13.14). O mundo é o único cenário onde cada cristão ou cada ser humano decide sua salvação ou sua condenação. A comunidade cristã está no mundo não para se afastar dele e sim para dar testemunho de um caminho de salvação. Este testemunho deve ser verificado em sua opção pelo Deus da vida que se concretiza no serviço aos mais simples e excluídos da sociedade.


Para os presbíteros o que isto significa?  O Concilio Vaticanos II afirma: “Os presbíteros, tirados dentre os homens e constituídos a favor dos homens nas coisas que se referem a Deus, para oferecerem dons e sacrifícios pelos pecados, convivem fraternalmente com os demais homens... Não poderiam ser ministros de Cristo se não fossem testemunhas e dispensadores de uma vida diferente da terrena, e nem poderiam servir aos homens se permanecessem alheios à sua vida e às suas situações” (Presbyterorum Ordinis no.3, sobre o Ministério e a Vida dos presbíteros).


Para os leigos: “Uma vez que é próprio do estado dos leigos viverem no meio do mundo e dos negócios seculares, eles próprios são chamados por Deus a exercerem aí o seu apostolado, à maneira de fermento, com entusiasmo e espírito cristão” (Apostolicam Actuositatem no.2, sobre o Apostolado dos Leigos, do Concilio Vaticano II).


Portanto, Jesus pede ao Pai por nós para que não sejamos perdidos neste mundo, para que sejamos unidos, para que tenhamos alegria, sejamos preservados do mal e santificados na verdade. O conteúdo dessa oração serve como guia de nossa vida diária. Negativamente podemos dizer que nós cristão não podemos ser causadores da desunião, da tristeza, do escândalo e da falsidade. Fortalecidos por estes dons do Pai podemos ser enviados para o mundo.


Hoje o Senhor nos reúne em torno do Altar para participarmos de sua Vida e de seu Espírito. Através de sua oração o Senhor nos quer fraternalmente unidos pelo amor que procede dele. O Senhor nos quer não somente fraternalmente unidos, mas Ele quer também que trabalhemos constantemente pela unidade, de tal forma que o amor, que procede dele e que habita em nosso coração, nos faça autênticos construtores de unidade e não de divisão. Ele nos ama e quer que sejamos um só rebanho sob um só Pastor, Jesus Cristo. Santificados pela Palavra de Deus somos enviados ao mundo para santificá-lo e não para destruí-lo.
P. Vitus Gustama,svd

sábado, 1 de junho de 2019

04/06/2019
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REZAR MELHOR QUEM AMA O PRÓXIMO
Terça-Feira da VII Semana da Páscoa


Primeira Leitura: At 20,17-27
Naqueles dias, 17 de Mileto, Paulo mandou um recado a Éfeso, convocando os anciãos da Igreja. 18 Quando os anciãos chegaram, Paulo disse-lhes: “Vós bem sabeis de que modo me comportei em relação a vós, durante todo o tempo, desde o primeiro dia em que cheguei à Ásia. 19 Servi ao Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio das provações que sofri por causa das ciladas dos judeus. 20 Nunca deixei de anunciar aquilo que pudesse ser de proveito para vós, nem de vos ensinar publicamente e também de casa em casa. 21 Insisti, com judeus e gregos, para que se convertessem a Deus e acreditassem em Jesus nosso Senhor. 22 E agora, prisioneiro do Espírito, vou para Jerusalém sem saber o que aí me acontecerá. 23 Sei apenas que, de cidade em cidade, o Espírito Santo me adverte, dizendo que me aguardam cadeias e tribulações. 24Mas, de modo nenhum, considero a minha vida preciosa para mim mesmo, contanto que eu leve a bom termo a minha carreira e realize o serviço que recebi do Senhor Jesus, ou seja, testemunhar o Evangelho da graça de Deus. 25 Agora, porém, tenho a certeza de que vós não vereis mais o meu rosto, todos vós entre os quais passei anunciando o Reino. 26 Portanto, hoje dou testemunho diante de todos vós: eu não sou responsável se algum de vós se perder, 27 pois não deixei de vos anunciar todo o projeto de Deus a vosso respeito”.


Evangelho: Jo 17,1-11ª
Naquele tempo, 1Jesus ergueu os olhos ao céu e disse: “Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique a ti, 2e, porque lhe deste poder sobre todo homem, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe confiaste.3Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo. 4Eu te glorifiquei na terra e levei a termo a obra que me deste para fazer. 5E agora, Pai, glorifica-me junto de ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse.6Manifestei o teu nome aos homens que tu me deste do meio do mundo. Eram teus, e tu os confiaste a mim, e eles guardaram a tua palavra. 7Agora eles sabem que tudo quanto me deste vem de ti, 8pois dei-lhes as palavras que tu me deste, e eles as acolheram, e reconheceram verdadeiramente que eu saí de ti e acreditaram que tu me enviaste.9Eu te rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. 10Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. 11aJá não estou no mundo, mas eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti”.
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Ser Evangelizador é Viver Totalmente Sob o Impulso Do espirito Santo


A Primeira Leitura fala da despedida de São Paulo de Éfeso. As constantes perseguições dos judaizantes obrigam São Paulo a modificar continuamente seus planos de viagem. Ele está sempre acusado pelos judaizantes.


Esse discurso de despedida de São Paulo é um verdadeiro testamento pastoral, e está destinado especialmente aos que exercem um cargo ou uma responsabilidade na Igreja. Há aqui o retrato do “apóstolo” segundo São Paulo.


Em primeiro lugar, o serviço na humildade: “Servi ao Senhor com toda a humildade”. O que diz não é sua própria palavra. São Paulo é servidor do Senhor na humildade. Por causa desta humildade, São Paulo se desprende de qualquer suficiência, de qualquer orgulho para estar sempre e exclusivamente ao serviço do Senhor. A humildade consiste em reconhecer o que somos ou o que estamos sendo. A partir da humildade aprendemos que não devemos aparentar mais do que somos. É na humildade e da humildade que germinam nossos autênticos valores.


Em segundo lugar, toda vida cristã autentica está marcada pela cruz: “Servi ao Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio das provações...”. O servidor não está acima do seu Senhor: “Se o mundo vos odeia, sabeis que me odiou a mim antes que a vós” (Jo 15,18). O apostolado não é um tranquilo entretenimento. Toda responsabilidade na Igreja, toda vida cristã autentica estão marcadas pela cruz.  Cada um de nós tem sua cruz. Cada cruz tem sua história e cada história ou apostolado tem sua cruz. Mas toda prova, toda cruz tem valor, quando sabemos associá-la à redenção. A redenção do mundo se faz da maneira que Jesus Cristo estabeleceu.


Em terceiro lugar, um cristão evangeliza com valentia, segurança e audácia: “Nunca deixei de anunciar aquilo que pudesse ser de proveito para vós, nem de vos ensinar publicamente e também de casa em casa. Insisti, com judeus e gregos, para que se convertessem a Deus e acreditassem em Jesus nosso Senhor”. “Nunca deixei de anunciar”. Esta fórmula deixa supor que alguma vez, São Paulo tenha sentido a tentação de acovardar-se, de fugir, de calar-se, de renunciar. Mas ele não se deixou dominar pelo desânimo.


Em quarto lugar, deixar-se conduzir até o fim pelo Espirito Santo: “Agora, prisioneiro do Espírito, vou para Jerusalém sem saber o que aí me acontecerá. Sei apenas que, de cidade em cidade, o Espírito Santo me adverte, dizendo que me aguardam cadeias e tribulações”. Este é o motor profundo da ação apostólica de São Paulo: a força do Espirito Santo que habita nele. Ele disse que “prisioneiro do Espirito”. Isto quer nos dizer que São Paulo não faz o que quer. Ele vai para onde o Espirito de Deus o leva. É uma aventura integral, sem nenhuma previsão possível. Ele simplesmente e totalmente vive sob a direção do Espirito de Deus. Desta maneira é que São Paulo terminou sua missão.


Momento Da Morte De Quem Vive De Acordo Com a Vontade De Deus É o Momento De Glorificação


Estamos ainda no discurso de despedida de Jesus dos seus discípulos no Evangelho de João (Jo 13-17). Nos grandes textos de despedida na Bíblia (cf. Dt 32-33; At 20,17-35), o herói termina seu discurso por uma prece, hino ou bênção. O evangelho de João segue esse modelo. Neste sentido Jo 17 é considerado como o ponto alto do discurso da despedida de Jesus neste evangelho.


Na presença dos discípulos Jesus se dirige ao Pai na oração. O dialogo de Jesus com o Pai nesta oração de despedida reflete, em toda a sua amplitude, o desígnio do Pai que motivou o enviou do filho (Jo 3,16).  E Jesus realizou esse desígnio ao manifestar o Nome para aqueles que o Pai lhe deu. Em outras palavras, nesta oração Jesus fala do cumprimento de sua missão que consiste em manifestar o nome de Deus aos homens, em transmitir-lhes a Palavra de Deus que tem como resultado a fé em Deus. Depois que cumpriu sua missão e parte visivelmente, Cristo deixa para a comunidade eclesial como “sacramento”, sinal eficaz de sua presença salvadora.


Agora chegaram a “hora” e a “glória” de Jesus (é uma forma de dizer a morte e a glorificação/ressurreição de Jesus). Os conceitos “hora” e “glória” têm em João (Quarto Evangelho) uma grande densidade. Trata-se do momento em que se manifestará mais palpavelmente a salvação, a vida divina que se oferece aos homens: a entrega obediente de Cristo à morte, Sua Ressurreição e Sua volta para a glória do Pai. Nesta “hora” pascal acontece quando Cristo participa mais plenamente da “glória” de Deus. E esta mesma “hora” pascal vai continuar ou vai acontecer também com os cristãos, se eles sofrerem por ser cristãos, seguidores de Cisto.   


Jesus, que está para voltar ao Pai (morte), reza pelos seus que estão ainda no mundo para que também realizem o desígnio do Pai: “Eu te rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. Já não estou no mundo, mas eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti”. Nesta oração, Jesus, o Intercessor divino junto ao Pai e a comunidade cristã se entrelaçam como uma unidade espiritual.


Na sua oração que concluiu seu discurso, Jesus interpreta sua morte como passo para a vida, como um momento de glorificação, e seu aparente fracasso é considerado como o verdadeiro êxito. Jesus manifesta em sua oração uma confiança inquebrantável no Pai e um amor entranhável para seus discípulos, e uma esperança que sabe se sobrepor, e ninguém pode dominá-Lo. Jesus é livre e libertador. Somente quem é livre pode libertar os outros. Quem foge é porque não está livre.


A oração é sempre uma práxis de libertação, porque orar é recorrer ao Pai sem esquecer-se dos homens, nossos irmãos; orar é abrir-se ao Outro e consequentemente, a qualquer outro; orar é libertar-se do egoísmo para o amor, pois o outro é evado conosco na oração. Quem entra em oração está em comunhão com Deus. E quem está em comunhão com Deus, está em ligação com os demais homens. A comunidade que ama é a comunidade que reza melhor. Uma pessoa que ama é a pessoa que reza melhor. Depois da ascensão de Jesus ao céu, a pequena comunidade de seus discípulos se reúne em oração (Lc 24,50-53). A Igreja aprende na oração o caminho da liberdade e é uma das expressões da liberdade. Orar é estar em comunhão amorosa com Deus, pois Ele é o Pai de todos (cf. Jo 20,17). Quem ora, acredita e quem acredita, precisa orar


Na sua oração Jesus roga, primeiramente por si mesmo, para que se realize plenamente a missão que lhe foi confiada (vv. 1-5). Por seis vezes Jesus repete a palavra “Pai” na oração. Neste sentido, a palavra “Pai” é um nome que qualifica Deus como origem, da qual tudo provem como dom, amor e proteção e por isso, a salvação. Jesus se sente inteiramente Filho e quer continuar vivendo esses momentos transcendentais de sua vida a partir de seu ser de Filho. Por isso, diante de sua morte iminente Jesus está completamente tranquilo, pois ele sabe de sua vitória sobre o mundo (cf. Jo 16,33).


Com esta oração Jesus nos ensina que o caminho da glorificação é a obediência aos mandamentos de Deus que se resumem na vivência do amor fraterno. Na cruz o amor de Deus por nós aparece em toda sua plenitude, seu esplendor e sua força vitoriosa. Só o amor justifica a cruz. Por isso, não é o poder que há no mundo e que normalmente se transforma em opressão e domínio de uns homens sobre outros que reina, e sim o poder-serviço (Jo 13,12-17) que surge do amor e se manifesta em obras em favor dos homens, o poder que brota do coração e cria comunidade de irmãos. O amor sempre resulta na formação de uma comunidade de irmãos. Sem amor não haverá comunidade e não haverá a salvação. No amor praticado em me vejo no outro. No verdadeiro amor eu sou o outro e o outro é eu próprio. Todos nós somos um.


Nesta oração Jesus pede: “A vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo”. Aqui não se trata de um conhecimento intelectual e sim experiencial, imediato, pessoal e vital; um conhecimento que só pode ser adquirido na intimidade do amor; é um conhecimento que é vida. Neste sentido, conhecer Deus, plenitude de vida para sempre, se identifica com a vida eterna. Deus é o verdadeiro presente e futuro do homem, pois não há nada no mundo que possa encher e preencher seu coração. Conhecer Jesus significa imitar seu modo de viver, tê-lo como único modelo a seguir. Nesse seguimento, encarnado na vida diária, vamos conhecendo o único Deus: na completa entrega a Ele, demonstrada no serviço-amor aos que nos rodeiam.


Neste texto Jesus reza por nós todos e tenhamos consciência da força dessa oração: “Eu te rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. Já não estou no mundo, mas eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti”. O Senhor reza por mim; Ele reza por nós. É a grande notícia para nós todos! Eu preciso continuar minha luta pela dignidade dos meus irmãos em Cristo, pois há alguém que reza por mim: o próprio Senhor Jesus Cristo.
P. Vitus Gustama,svd

03/06/2019
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VENCEREMOS O MUNDO  SE ESTIVERMOS UNIDOS A JESUS CRISTO
Segunda-Feira da VII Semana da Páscoa


Primeira Leitura: At 19,1-8
1 Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as regiões montanhosas e chegou a Éfeso. Aí encontrou alguns discípulos e perguntou-lhes: 2 “Vós recebestes o Espírito Santo quando abraçastes a fé?” Eles responderam: “Nem sequer ouvimos dizer que existe o Espírito Santo!” 3 Então Paulo perguntou: “Que batismo vós recebestes?” Eles responderam: “O batismo de João”. 4 Paulo disse-lhes: “João administrava um batismo de conversão, dizendo ao povo que acreditasse naquele que viria depois dele, isto é, em Jesus”. 5 Tendo ouvido isso, eles foram batizados no nome do Senhor Jesus. 6 Paulo impôs-lhes as mãos e sobre eles desceu o Espírito Santo. Começaram então a falar em línguas e a profetizar. 7 Ao todo, eram uns doze homens. 8 Paulo foi então à sinagoga e, durante três meses, falava com toda convicção, discutindo e procurando convencer os ouvintes sobre o reino de Deus.


Evangelho: Jo 16,29-33
Naquele tempo, 29os discípulos disseram a Jesus: “Eis, agora falas claramente e não usas mais figuras. 30 Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”. 31 Jesus respondeu: “Credes agora? 32 Eis que vem a hora – e já chegou – em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis só. Mas eu não estou só; o Pai está comigo. 33Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo, tereis tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo!”
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São Paulo, Um Apóstolo Que Tem Anseio Para Salvar a Todos


“Paulo atravessou as regiões montanhosas e chegou a Éfeso”.


São Paulo está sempre em movimento. Ele é um grande missionário itinerante. Ele volta para Éfeso e ficará nesta comunidade pelo menos dois anos e meio. Estamos entre os anos 53 e 56 depois de Cristo. De Éfeso São Paulo enviará duas cartas: aos Gálatas e a Primeira Carta aos Coríntios. O Espirito de Deus não deixa São Paulo parado. O Espirito Santo move qualquer um a fazer o bem pelo próximo. Por isso, temos impressão de que são Paulo tem pressa para evangelizar. É um apóstolo incansável na evangelização: “Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!” (1Cor 9,16b). São Paulo faz de tudo para salvar todas as pessoas: “Fiz-me tudo para todos, a fim de salvar a todos”, acrescentou São Paulo (1Cor 9,22).


A graça de Deus jamais admite demora. A salvação é urgente! Se a maldade está avançada é porque os bons ficam parados no seu cantinho, usufruindo egoisticamente a “paz” do seu coração. Não basta não praticar o mal. Para um cristão não basta não praticar o mal; tem que praticar o bem e a bondade. Cada cristão é, por sua vocação, um evangelizador. É preciso praticar o bem para que a área do mal vai ficar cada vez menor na sociedade. Este trabalho é permanente, pois o mal não morre; ele está apenas adormecido. A Bondade é a inclinação a fazer o bem, a ser benigno, indulgente. A bondade é a qualidade do que é bom. A bondade é o único investimento que nunca falha, pois é reconhecida pelo próprio Deus (cf. Mt 25, 40.45).


Espírito Santo É Uma Força De Coesão E Unificação Eclesial


“Vós recebestes o Espírito Santo quando abraçastes a fé?” é a pergunta de São Paulo aos Éfesos. Na sequência há diálogo sobre o batismo praticado por João Batista e o batismo feito em nome de Jesus.


O batismo de João tem como objetivo a conversão que orienta para Jesus, o Messias prometido. Mas é preciso ter a experiência do Espirito Santo, pois sem o Espirito Santo ninguém dará conta da reviravolta histórica inaugurada por Jesus Cristo. Por esta razão, São Paulo faz a imposição das mãos para comunicar o Espirito Divino aos Éfesos. A mesma experiência (comunicação do Espirito através da imposição das mãos) aconteceu em Samaria feita por alguns Apóstolos (At 8,14-17) e na casa de Cornélio por Pedro. A experiência em Éfeso é o terceiro “Pentecostes” dos Atos dos Apóstolos. Esta experiência da imposição das mãos para comunicar o Espirito significa uma força de coesão e unificação eclesial. O agente principal que atua na Igreja é o Espirito de Deus. Quem recebe o Espirito Santo se torna um evangelizador e fará tudo dentro do Espirito de Deus.


Com Jesus Venceremos o Mundo


O texto do evangelho se encontra no conjunto do discurso de despedida de Jesus dos seus discípulos no evangelho de João (Jo 13-17). A vida em si é formada de despedidas diárias. A despedida da noite para saudar o novo dia. A despedida de uma hora para a entrada de nova hora que está se despedindo também. A passagem de um dia para a entrada de novo dia que está terminando. A despedida de quem parte e a saudação de quem chega ou nasce. O choro de tristeza sobre quem partiu, e o choro de alegria pela chegada de quem acabou de nascer. A vida na história tudo passa. Estamos sempre em despedidas ou em partidas. Charles Chaplin dizia: “A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração”.


Geralmente quem estiver para partir temporariamente ou permanentemente sempre dá alguns conselhos, recomendações, alertas, forças para lutar pelo bem, pela comunhão, pela dignidade e assim por diante. Jesus também, ao ter consciência de sua partida iminente (morte), dá alguns conselhos aos seus discípulos para que eles possam continuar sua obra neste mundo. Jesus sabe que até para fazer o bem os discípulos terão que enfrentar as tribulações e todo tipo de dificuldades. Mas não há melhor exercício para ter e fortalecer o bom coração do que estender o braço para baixo e erguer as pessoas. A bondade é o único investimento que nunca falha.


“Eis, agora falas claramente e não usas mais figuras. 30 Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”, disseram os discípulos a Jesus.


Com esta afirmação os discípulos perceberam que Jesus é aquele que sabe de Deus e O conhece e sabe da felicidade e da miséria dos homens e por isso, ele foi enviado para o mundo pelo Pai para salvá-lo por amor (Jo 3,16). O conhecimento de Deus e o conhecimento dos homens estão intimamente ligados entre si. Diante deste conhecimento revelador de Jesus, todas as perguntas dos discípulos se tornam supérfluos: “Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”. A clareza da revelação de Jesus é de tal ordem que responde às derradeiras perguntas do homem sobre Deus e sobre o próprio homem. Quem se aproximar desta revelação, quem se aproximar de Jesus e permanecer com Ele, todas as suas perguntas encontrarão suas respostas (cf. Jo 1,45; 4,29-30). A fé estabelece nosso relacionamento com Jesus e possibilita nosso conhecimento sobre Deus e o homem. O conhecimento de Deus e o conhecimento dos homens estão intimamente ligados entre si. Quem está em profunda comunhão com Deus, está também tão próximo dos homens para ajudá-los. Quem encontra Deus acaba encontrando os homens objeto do amor salvador de Deus.


“No mundo, tereis tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo!”.


“Estar no mundo” e o “medo” estão entrelaçados. O medo é a marca fundamental do “estar no mundo” no contexto do evangelho de hoje. O medo aqui é o medo da morte. O medo que o homem tem é o medo da morte diante do nada que jamais pode ser descartado, pois o poder da morte está sempre presente na vida.


Mas, de outro lado, Jesus afirma: “Mas tende coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16,33b). Esta afirmação só é possível porque Jesus é o ressuscitado que venceu a morte. A ressurreição é a morte da própria morte. A vitória de Jesus sobre o mundo é a vitória sobre o poder da morte que impera no mundo. Esta vitória de Jesus sobre o mundo deve assegurar os discípulos o dom da paz no meio das lutas da evangelização e dos sofrimentos da perseguição. O cristão sabe que nenhum poder sobre a terra é absoluto. Não o foram os grandes impérios que se sucederam sem interrupção ao longo da história, não o serão tampouco os poderes atuais do mercado, da eficiência, do dinheiro, da técnica da globalização informática, tecnológica e econômica. Todos os poderes deste mundo estão submetidos ao poder de Deus, pois todos não passam a ser simples criaturas. Jamais podemos colocar o ouro e a prata acima do Criador.


São João traduzirá estas palavras de Jesus na sua Primeira Carta da seguinte forma: “Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1Jo 5,4b). A fé em Jesus já é uma participação da vitória de Jesus. Como Ressuscitado, Jesus é o Doador e o Distribuidor escatológico da vida. Ter fé significa estar com Deus e participar de sua vida. A fé liberta o homem da morte para a vida. Deus está sempre do nosso lado e por isso, podemos ter serenidade em tudo. Uma certeza nos acompanha: Cristo venceu o mundo. Se Cristo venceu o mundo, venceremos também com ele. A última palavra não é a fraqueza do homem, não é a prepotência do homem e sim a fidelidade do Senhor para conosco. No Senhor todos os nossos gritos, todos os nossos porquês, todas as nossas perguntas e interrogações serão acolhidos e colocados em outras perspectivas. A certeza de Deus vai ao nosso encontro sempre e em toda parte. Por isso, o autor da Carta aos Hebreus escreveu: “A fé é um modo de já possuir aquilo que se espera, é um meio de conhecer realidades que não se veem. Foi por causa da fé que os antigos foram aprovados por Deus. Pela fé, sabemos que a Palavra de Deus formou os mundos; foi assim que aquilo que vemos se originou de coisas invisíveis” (Hb 11,1-3).  A fé é como uma luz ou uma lanterna. A luz ou a lanterna não é acesa para ser olhada e sim para alguém ver o que ela ilumina.


“No mundo tereis tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo” é a mensagem do Senhor para você hoje. Acredite nesta Palavra, pois é a Palavra de quem criou o universo e de quem venceu a morte: “Tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada foi feito. N’Ele havia vida, e a vida era a luz dos homens. ... Era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem” (Jo 1,3-4.9).


Sobre a importância da fé, Santo Agostinho dizia: “Deus, de Quem separar-se é morrer, a Quem retornar é ressuscitar, com Quem habitar é viver. Deus de Quem fugir é cair, a Quem voltar é levantar-se, em Quem apoiar-se é estar seguro. Deus, a Quem esquecer é morrer, a Quem buscar é viver, a Quem ver é possuir. Deus, a Quem a fé nos impele, a esperança nos aproxima e a caridade nos une” (Solil. 1,1,3). “Deus não se torna maior pelo conhecimento de quem O encontra, mas quem O encontra torna-se maior por ter conhecido a Deus” (Serm. 117,2,3).
P. Vitus Gustama,svd

Sábado Da XXIX Semana Comum, Ano Par, 24/10/2026

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