sexta-feira, 26 de abril de 2013

CRUZ PEREGRINA E ÍCONE DE NOSSA SENHORA
JORNADA MUNDIAL DE JUVENTUDE
2013
 

JESUS E MARIA PEREGRINAM CONOSCO E NÓS PEREGRINAMOS COM ELES

Uma Reflexão
 

Vinte e quatro de abril de dois mil e treze às seis e trinta minutos da manhã! Esta data jamais será esquecida pelo Povo de Deus da paróquia do Sagrado Coração de Jesus no bairro do Ano Bom de Barra Mansa, Rio de Janeiro-Brasil. É a data em que a Cruz peregrina e o Ícone de Nossa Senhora, a Mãe do Senhor, vieram visitar o Povo do Ano Bom em Barra Mansa depois que visitaram milhares de lugares neste planeta Terra desde 1985 na época do Papa João Paulo II. A peregrinação da Cruz peregrina e do Ícone de Nossa Senhora pelo planeta terra mostra a unidade dos católicos no mundo inteiro. Milhares de mãos já tocaram nesses símbolos. Milahres de ombros já carregaram a Cruz peregrina e o Ícone de Nossa Senhora. A participação dos jovens da paróquia do Sagrado Coração de Jesus em carregar esses símbolos aumenta o número dos que carregaram os mesmos símbolos. A mão que toca e o ombro que carrega ficam "tatuados" na Cruz peregrina e no Ícone de Nossa Senhora.


Os dois, Jesus, o Filho e o Salvador, e Maria, a Mãe do Senhor e a primeira discípula do Senhor (cf. Lc 1,38), estão juntos e inseparáveis. Onde está Maria, a Mãe, está também o Filho, o Senhor Jesus Cristo. Não é por acaso que com a Cruz peregrina veio também o Ícone de Nossa Senhora, a Mãe do Senhor (Lc 1,43).  Humanamente falando, a alegria do filho é a alegria da mãe; o sofrimento do filho é o sofrimento da mãe. Para uma mãe o filho é ela própria e por isso, ela sente o que o filho sente.


Pela primeira vez (talvez seja pela última vez) estes símbolos religiosos, que representam o próprio Jesus e Sua Mãe, passaram pela paróquia do Sagrado Coração de Jesus para visitar seu Povo no bairro do Ano Bom de Barra Mansa. “Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e redimiu o Seu povo” (Lc 1,68).


Deus é bendito, pois cada visita Sua comove e move Seu Povo. Comover, porque o Povo se emociona ao ver e ao tocar na Cruz peregrina e no Ícone de Nossa Senhora. Quantas mães tocaram na Cruz peregrina e no Ícone de Nossa Senhora para depois traçarem o sinal da cruz na fronte de seu filho pequeno. Cada mãe que traçou o sinal da cruz na fronte de seu filinho quer dizer-lhe: “Seja você, meu filho, abençoado e protegido pelo Senhor Jesus”. Trata-se da pura que não se desmancha pelo tempo nem pelas dificuldades encontradas na caminhada desta vida. De nossa mãe é que aprendemos, pela primeira vez, a fazer o sinal da cruz. Quantas pessoas que olharam da janela de sua casa fizeram o sinal da cruz ao ver a Cruz peregrina e o Ícone de Nossa Senhora passarem em frente de seu prédio. Quantas pessoas pararam à beira das ruas ao ver de perto esses símbolos religiosos. Quantas pessoas olharam da janela de suas casas, sem mostrar seu rosto inteiro. Diante da Cruz de Jesus e diante de Maria que passam todos reagem de alguma forma.


A visita do Senhor não comove, mas também move. Mover, porque, ao visitar o Seu Povo, Deus em Jesus Cristo quer renovar-lhe as forças para continuar sua luta pelo bem: “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33) e Não tenhais medo porque Estou convosco todos os dias até o fim do mundo (cf. Mt 28,20)”. Trata-se de uma palavra do Salvador do mundo e por isso, não pode ter lugar para qualquer dúvida, desânimo, desistência no nosso coração. Não é por acaso que Mahatma Gandhi disse: “Para mim, Deus é Verdade e Amor. Deus é destemor. Deus é a fonte da Luz e da Vida e, mais ainda, Ele está acima e além de tudo isso. Deus é consciência. É inclusive o ateísmo do ateu. Por seu amor infinito, Deus permite que o ateu viva... Ele é um Deus pessoal para aqueles que precisam de Sua presença pessoal. Está incorporado naqueles que precisam de Seu toque. É a mais pura essência. Ele simplesmente É, para aqueles que têm (Minha Missão: Ética, Política e Espiritualidade, p.87, Editora Multiletra 1997, Rio de Janeiro).


Como uma visita do Senhor que salvou, e de Sua Mãe, Maria, que O acompanha, o Povo de Deus da paróquia do Sagrado Coração de Jesus acolheu a Cruz peregrina e o Ícone de Nossa Senhora com a oração e com a leitura da Palavra de Deus em frente do Hospital da Mulher de Barra Mansa. Através da oração e da leitura da própria Palavra de Deus o Povo de Deus no Ano Bom - Barra Mansa quer dizer ao Senhor Deus novamente: “Nós serviremos o Senhor, nosso Deus, e obedeceremos à Sua voz” (Josué 24,24). E quem serve o Senhor, serve também Seu Povo. Ao servir o outro, o cristão estará participando da vida e da missão de Jesus.
                      

Depois da saudação de boas vindas na oração e na leitura da Palavra de Deus, Jesus e Maria, Sua Mãe, começaram a peregrinar com o Povo de Deus e o Povo de Deus com eles ao redor da paróquia do Sagrado Coração de Jesus no Bairro do Ano Bom.


A palavraperegrinar” tem a raiz latina. O adjetivo “peregrinus” em latin é derivado de “peragrare” que significa “percorrer”, com o sentido intensivo de “ir longe”. A peregrinação é essencialmente uma partida. Essa mudança no espaço e tempo nos mostra o peregrino comoalguém que passa”. Mesmo que hoje ele pare, amanhã terá que retomar o caminho. Ao peregrinar o homem mais coisas, ganha mais experiências, amplia mais horizontes e aprofunda mais sua reflexão sobre o homem, a vida e o mundo. No cansaço durante essa peregrinação ele renova suas forças por causa de sua em Deus que o ama infinitamente e que o chama a caminhar.
    

Jesus vive essa forma de vida mostrando o seu significado pleno. Em Cristo, o próprio Deus se fez peregrino para vir ao encontro do homem nos seus caminhos a fim de mostrar o caminho para a eternidade, e Ele próprio é o Caminho (Jo 14,6). E o fato de ele não teruma pedra onde repousa a cabeça” (Lc 9,58) e sua vida apostólica itinerante revelam a sua identidade de peregrino por excelência. A vida é uma peregrinação para a eternidade, para a casa do Pai (cf. Jo 14,2-3) onde tem espaço para todos, poisDeus é Amor” (Jo 14,8.16).
    

A história do homem é estruturada com base no esquema da peregrinação no sentido de saída de Deus e retorno a Deus em uma relação entre a eternidade e o tempo, entre o céu e o mundo. Sair de si para voltar a Deus não é apenas remontar às origens, mas também e principalmente progredir em novidade e em crescimento, como Abraão no Antigo Testamento (cf. Gn 12), aumentando os dotes iniciais (cf. Mt 25,14-30). Precisamos confiar na profundidade de Deus em nós e viver dessa confiança (cf. Jo 14,1). Esse é o caminho para continuar andando rumo à nossa realização plena e à total comunhão com Deus na eternidade.


Na peregrinação em torno da paróquia do Sagrado Coração de Jesus, no bairro do Ano Bom, Jesus e Maria sentiram na pele a pobreza e o abandono do Povo de Deus. Ressoam novamente as palavras de Deus contra os maus líderes no Antigo Testamento: “Vós vos alimentais com leite, vos vestis de e sacrificais as ovelhas mais gordas, mas não apascentais o rebanho! Não restaurastes o vigor das ovelhas abatidas, não curastes a que está doente, não tratastes a ferida da que sofreu fratura, não reconduzistes a desgarrada, não buscastes a perdida, mas dominastes sobre elas com dureza e violência” (Ez 34,4). Trata-se de as palavras carinhosas de Deus dirigidas aos que estão encarregados para cuidar dos irmãos, filhos de Deus para não se esquecerem disso. As ruas, onde passaram Jesus e Maria na forma da Cruz peregrina e no Ícone de Nossa Senhora, estão cheias de buracos e de quebra-molas. Ao ultrapassar os quebra-molas os carros logo em seguida têm que encarar os buracos. Os fios elétricos formam, como que uma teia de aranha, uma rede que vão do um lado da rua para outro lado da mesma rua como se quisessem surpreender qualquer presa. Os fios elétricos impedem a passagem de qualquer veículo que tem a altura maior. Esses fios elétricos como se quisessem dizer a todos: “Todos vocês têm que abaixar sua cabeça diante de nós! Vocês não podem subir ao céu, pois suas cabeças serão degoladas como degolaram a cabeça do inocente João Batista! (cf. Mc 6,14-29). Se esforçarem-se a levantar suas cabeças, vocês morrerão com apenas o meu choque!”. Jesus, o Inocente dos inocentes foi crucificado e ressuscitou na Sua inocência e subiu ao céu e está sentado à direita do Pai todo poderoso. Os pregos que O prenderam, temporariamente na cruz, não conseguiram impedir Jesus de subir ao céu, pois a Palavra de Deus será a última palavra para qualquer homem sobre a face da terra.


Na última parada, na Comunidade de São Francisco de Assis, depois de várias paradas em várias comunidades, todos os peregrinos juntamente aos bombeiros e aos policiais militares pararam para se alimentar antes de continuar a peregrinação rumo à paróquia de São Sebastião de Barra Mansa a fim de entregar a Cruz peregrina e o Ícone de Nossa Senhora. Todos comeram do mesmo pão (sanduíche) e beberam da mesma bebida (refrigerante). Trata-se de uma refeição fraterna. Esse alimento nos leva à Eucaristia. Se a vida é uma peregrinação, Jesus é o Pão da Vida que nos alimenta na nossa peregrinação à Pátria celeste. A Eucaristia é o céu aqui na terra, como disse o Papa Bento XVI: “Com a Eucaristia, o céu vem sobre a terra, o advir de Deus ergue-se no presente, e o tempo é abraçado pela eternidade divina”.


Depois que terminou a refeição fraterna todos tomaram novamente o caminho para continuar a peregrinação na companhia da Cruz peregrina e do Ícone de Nossa Senhora. No inicio da ponte do rio Paraíba do sul dois grupos se ofereceram ou fizeram questão de carregar a Cruz peregrina, um grupo, e o Ícone de Nossa Senhora, outro grupo. Esse gesto de carregar, consciente ou inconscientemente, significa que esses dois grupos, representantes do Povo de Deus da paróquia do Sagrado Coração de Jesus, querem ser instrumentos de Deus para levar aos demais, inseparavelmente, nosso Salvador, Jesus Cristo e Sua Mãe, Maria cheia de graça (Lc 1,28). Ao chegar do outro lado da ponte, dois grupos da paróquia de São Sebastião receberam a Cruz peregrina e o Ícone de Nossa Senhora tornando-os, assim, em instrumentos divinos para levar adiante o Senhor e Sua Mãe, Maria.


Para aprofundar mais nossa reflexão, vamos olhar fixamente, na nossa memória, para a Cruz peregrina e o Ícone de Nossa Senhora.


 
 
A cruz peregrina está sem o Corpo de Jesus, como qualquer Cruz em nossas casas e igrejas que está sempre com o Corpo de Jesus crucificado. Por que será? Penso que Jesus ressuscitado está dizendo para cada um de nós: “Pare de me crucificar nos inocentes, nos injustiçados, nos pequenos, nos marginalizados, nos excluídos, nos idosos e crianças abandonados. Não seja cruz para os demais! Seja um ombro para os outros!”.


No Ícone de Nossa Senhora, observamos que o Menino Jesus está olhando para Maria, Sua Mãe e Maria dirige seu olhar para quem olha para ela, para nós todos que olhamos para Nossa Senhora. Este olhar é o reflexo do olhar de Jesus Cristo; um olhar que ama, que está atento, que se compadece, que anima, que acompanha o nosso dia a dia. Esse olhar de Maria é um olhar materno, atento para nossas necessidades, pois ela é nossa mãe:Eis tua mãe”, disse Jesus ao discipulo amado. “E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa”, comentou o evangelista Sao João (cf. Jo 19,25-27).  A exemplo do discipulo amado é preciso que levemos Maria, a mãe de Jesus, para nossa família para torná-la nossa Mãe. Onde está Maria, está também o Filho, Jesus Cristo. Por isso, levar Maria para nossa casa, para nossa família significa levar Jesus, nosso Salvador. Consequentemente, nossa família será a família de Deus, pois Maria e Jesus fazem parte permanente de nossa família e os dois, Jesus, o Filho e Maria, a Mae são inseparaveis.


Neste mundo Cristo não tem mais mãos para ajudar os necessitados, para levantar os doentes e decaídos, para abençoar as pessoas e as crianças, para cariciar os desconsolados, para fazer as obras de Deus. Em silêncio da Cruz Jesus está dizendo a você: “Eu preciso de suas mãos para continuar a obra de salvação neste mundo, para ajudar os necessitados neste mundo”. Jesus Cristo continua esperando sua resposta.


Neste mundo Jesus não tem mais os pés a não ser os nossos.. São Pedro na sua pregação nos Atos dos Apóstolos disse: “Ele andou e passou a vida fazendo o bem...” (At 10,38). “Andar” supõe o uso dos pés. Neste momento Jesus Cristo está pedindo seus pés, nossos pés, para andar em procura dos perdidos, para visitar os doentes e presos, para procurar os desconsolados e desesperados. Em silencio da Cruz Jesus Cristo está esperando sua resposta, a resposta de cada um de nós. “Eu preciso dos seus pés”, em silêncio Jesus Cristo está pedindo para cada um de nós.


No mundo Jesus Cristo não tem mais seu coração a não ser o coração de cada um de nós. Ele amava até o fim incondicionalmente, sem esperar nada de troca por amor a todos nós. Ele estava pronto para perdoar e compreender as fraquezas dos homens.


No silêncio da Cruz também Jesus está dizendo a você, a cada um de nós: “No mundo não tenho mais o coração. Eu preciso de seu coração para salvar o mundo, para perdoar, para compreender as fraquezas dos outros, pois o mundo está cada vez mais sem coração”. E Jesus continua esperando sua resposta apesar do silêncio da Cruz.


Agora, Senhor, te amo somente a ti, somente te sigo e busco, somente a ti estou disposto a servir, porque justamente somente tu reinas; quero pertencer a tua jurisdição. Manda e ordena, ti rogo, o que queres, mas cura meus ouvidos para ouvir tua voz; cura e abre meus olhos para ver teus sinais”. (Santo Agostinho: Solilóquios 1, 5-6)

Barra Mansa, 24 de Abril de 2013

P. Vitus Gustama,SVD

quinta-feira, 25 de abril de 2013

CONTEMPLAR CRISTO PARA SER REFLEXO DE CRISTO  NO MUNDO

Sábado da IV Semana da Páscoa
27 de Abril de 2013

Texto de Leitura: Jo 14,7-14

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 7“Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”. 8Disse Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” 9Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai”? 10Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai, 13e o que pedirdes em meu nome, eu o realizarei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. 14Se pedirdes algo em meu nome, eu o realizarei.

*************

O texto do evangelho lido neste dia faz parte do discurso de despedida de Jesus de seus discípulos no evangelho de João (Jo 13-17).


Quando Jesus disse aos discípulos: “Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”, logo Filipe pediu: Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!”.


O pedido de Filipe para Jesus mostrar o Pai tem um tom de ousadia. Segundo a visão bíblica é impossível ver Deus e ao mesmo tempo o homem que viu Deus permanece vivo. Por isso é que, na Bíblia, todas as pessoas ficaram apavoradas diante de qualquer manifestação divina (teofania), pois há possibilidade de morrer.


Diante da pergunta de Filipe, Jesus responde que o Pai não é acessível ao olhar comum. O Pai é acessível através de uma contemplação (contemplar significa olhar, observar com atenção para descobrir seu significado). E a contemplação se apóia no sinal por excelência: o Filho, Jesus Cristo e suas obras. Jesus é tão unido ao Deus Pai a ponto de ser reflexo total de Deus diante dos homens. Para contemplar o Pai é preciso descobrir o mistério do Filho: descobrir sua relação com o Pai, seu papel mediador e a significação de suas obras. Todas as obras de Jesus apontam para Deus. Jesus está tão unido ao Pai a ponto de dizer: “Eu estou no Pai e o Pai está em mim” (Jo 14,10). Tudo de Jesus fala do Pai ou leva o homem ao Pai. Entre Jesus e o Pai há uma total sintonia. O ultimo critério de identificação e sintonia são as obras. E a obra da redenção feita por Jesus nos faz compreendermos Deus como um Pai cheio de amor, de ternura e de misericórdia para conosco (cf. Jo 3,16).


E esta contemplação do Pai na pessoa e na obra do Filho deve ser estendida nas obras de cada cristão: “Quem acredita em mim, fará as obras que eu faço” (Jo 14,12). A vida e as obras de cada cristão devem levar os outros a contemplarem Deus. As obras boas que o cristão faz falam por si de Deus para o mundo. Desse modo cada cristão se converterá em sinal da presença do Pai no mundo que aponta sempre para Deus. Neste sentido pedir “em nome de Jesus” (Jo 14,14) equivale, efetivamente, a solicitar a presença de Cristo no atuar do cristão para que ele possa ser verdadeiramente sinal da presença de Deus no mundo.


Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras”, disse Jesus a Filipe.


Jesus era um homem de Nazaré de carne e de osso, que pisava o solo de Palestina, um homem que tinha amigos, relacionamentos humanos, que comia e bebia com seus amigos. Era um homem equilibrado por excelência. Era um homem humilde (Mt 11,29). Era um homem sem ambição nem orgulho. Era um homem se rebaixava diante de seus amigos para lavar-lhes seus pés. Mas esse homem é, ao mesmo tempo, estava em comunhão plena com Deus, se identificava com Deus, que fazia tudo conforme a vontade de Deus: “Eu estou no Pai e o Pai está em mim”. Jesus era um homem cheio de Deus. As suas amizades com outras pessoas não atrapalhavam sua comunhão plena com Deus. Ao contrário, era tão profunda sua comunhão com Deus a ponto de ter sido tão profunda também sua amizade com o homem. Por ter sido o homem de Deus, Jesus era um homem do povo e para o povo.


Ser cristão é ser outro Cristo no mundo. Se Cristo Jesus era um homem cheio de Deus, logo cada cristão deve ser uma pessoa cheia de Deus. Se Cristo Jesus foi o homem de Deus e por isso, era um homem do povo e para o povo, logo o cristão deve ser também um homem de Deus para que se torne um homem do povo e para o povo. Conseqüentemente, nenhum cristão pode ser uma pessoa egoísta. Ele é de Cristo e o Cristo é do povo.


Quem acredita em mim, fará as obras que eu faço e fará ainda maiores do que essas” (Jo 14,12). Não se trata das obras maiores do que as que Jesus fez. Mas trata-se da expansão de sua mensagem por todo o mundo. Jesus limitou sua atividade em Palestina com um pequeno numero de discípulos. Agora, através das obras boas praticadas pelos cristãos espalhados pelo mundo Cristo se faz presente no mundo. Nossas obras se tornarão maiores, se as fizermos no espírito de Cristo e não de acordo com o nosso gosto. Ao fazer as obras pelo bem de todos, o cristão poderá aplicar para si a frase de Jesus de outra maneira: “Eu estou em Cristo e Cristo está mim”. Ser cristão significa ser outro Cristo. Se o mundo não percebe na minha maneira de viver e de proceder que sou cristão é porque eu não estou mais em Cristo nem Cristo está em mim. Desta maneira Santo Agostinho tinha razão ao dizer: “De que vale ter o nome de cristão se tua vida não é cristã? Há muitos que se denominam médicos e não sabem curar. Muitos se dizem vigilantes noturnos não fazem mais que dormir a noite inteira. Assim também muitos se chamam cristãos, mas não o são em seus atos. Em sua vida, moral, fé, esperança e caridade são muito diferentes do que declara seu nome” (In epist. Joan. 4,4).


Graças aos apóstolos chegou até nós a mensagem de Deus, a mensagem de salvação, a mensagem que nos garante que temos um futuro vitorioso com Deus. Por nossa vez, não devemos deixar morrer na nossa mão a semente da Palavra de Deus. Precisamos passar adiante todo bem que sabemos fazer e que devemos fazer. Não podemos enterrar nossos talentos enquanto estivermos vivos, pois o cemitério é o lugar de decomposição.

P. Vitus Gustama,svd

terça-feira, 23 de abril de 2013

VERDADEIRA FÉ EM DEUS SERENA NOSSO CORAÇAO E NOS TRAZ A PAZ

 
Sexta-feira da IV Semana da Páscoa
26 de Abril de 2013
 
Texto: Jo 14,1-6

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1“Não se perturbe o vosso coração. Tende fé em Deus, tende fé em mim também. 2Na casa de meu Pai, há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós, 3e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. 4E para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. 5Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” 6Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”.

*************

Os capítulos 13 a 17 do evangelho de João constituem um “Discurso de despedida” de Jesus. Como os patriarcas do AT e outros grandes personagens ao saber de sua morte iminente se despedem de sua família fazendo recomendações importantes para eles (cf. Gn 49,1-28; 50,24-25; Dt 33; 1Rs 2,-9 etc.), assim também Jesus faz a mesma coisa para seus discípulos. Nestes capítulos encontramos vários ensinamentos de Jesus para quem quiser segui-lo.


Na ultima Ceia os discípulos estavam tristes e desorientados ao saber da despedida do seu Mestre que iria morrer. Por isso, antes de passar deste mundo ao Pai Jesus diz no texto do evangelho deste dia: “Não se perturbe o vosso coração. Tende fé em Deus e tende fé em mim também”. Segundo a concepção do AT, a fé é um apoiar-se do homem no fundamento vital divino que lhe confere vida e existência; um entregar-se sem reservas, e confiado na promessa, bondade e lealdade de Deus. Justamente neste sentido não é possível crer em tudo. Ou o homem crê em Deus ou crê em nada que terminará no nada. Evidentemente não é possível crer em nada do mundo, e sim somente em Deus, pois só Deus, o Criador do universo, é capaz de responder aos anseios profundos do homem.


Qual é a maior mensagem de consolo ou de esperança que Jesus oferece aos discípulos e a todos nós através do evangelho de hoje? É o convite para viver a fé: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus e tende fé em mim também” (v.1). “Ter fé em Deus” e “ter fé em Jesus” não se trata de dois tipos de fé. Mas trata-se de uma só e única fé. No capítulo anterior Jesus já disse: “Quem crê em mim, não é em mim que crê, mas em quem me enviou...” (Jo 12,44). E na primeira carta de São João temos esta idéia expressa negativamente: “Todo aquele que nega o Filho também não possui o Pai. O que confessa o Filho também possui o Pai” (1Jo 2,23).
   

Em segundo lugar, a exortação que Jesus dirige aos discípulos para que tenham fé nele é algo mais que uma petição de um voto de confiança. A fé é a força que supera tudo. A fé é capaz de vencer o mundo: “Esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé” (1Jo 5,4). “Mundo” aqui significa tudo que se opõe ao plano ou à vontade de Deus. A verdadeira fé em Deus é capaz de vencer as influências nefastas do mundo, pois quem se mantém na profissão da verdadeira fé vive no mundo de Deus, e Deus está por cima do mundo. Por isso, mais tarde Jesus dirá aos discípulos: “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33). Para que possamos vencer o mundo como Jesus o venceu, temos que nos unir a Jesus, ou temos que ter fé nele.
   

Em terceiro lugar, ao dizer “não se perturbe o vosso coração, mas tendes fé em Deus e em mim também”, Jesus quer nos mostrar outra função ou outro efeito da fé é o coração sereno, coração cheio de paz. Quanto mais profunda fica nossa fé em Deus, mais sereno se torna nosso coração.
    

Hoje como em qualquer momento Jesus diz a cada um de nós: “Não perca sua calma. Acredite em Deus. Acredite em mim. Eu estou perto de você, dentro de você, em teu coração. Feche seus olhos, entre dentro de tua alma, tome minha mão, eu estou com você”. Jesus é o nosso bom companheiro que nos acompanha mesmo que estejamos rodeados pelas dificuldades. “Não se perturbe o vosso coração. Tende fé em Deus e tende fé em mim também”. Precisamos ouvir estas palavras permanentemente.


Ao dizer: “Não se perturbe o vosso coração. Tende fé em Deus e tende fé em mim também”, Jesus quer nos dizer que nosso Deus não é indiferente nem frio e sim um Deus sensível aos nossos anseios e aos nossos sofrimentos. Mas Jesus pede um ato de fé em sua pessoa, uma fé sem reserva. A paz profunda que supera toda perturbação vem da fé.


Para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. O caminho para o Pai é a prática do amor fraterno. Jesus é o Filho, mas os que o seguem serão também filhos, irmãos de Jesus. Para isso, os que seguem a Jesus precisam praticar o amor fraterno para fazer parte da família de Deus.


P. Vitus Gustama,svd

Quarta-feira Da XXIV Semana Comum, Ano Par, 16/09/2026

VIVER NO AMOR E NA SABEDORIA DE DEUS Quarta-Feira da XXIV Semana Comum Primeira Leitura: 1Cor 12,31-13,13 (Ano Par) Irmãos, 12,31 Aspi...