quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

São Jose Freinademetz Da Congregação Do Verbo Divino, 29 de Janeiro

29 de Janeiro

UMA PEQUENA HISTÓRIA SOBRE A VIDA DE SÃO JOSÉ FREINADEMETZ    



José Freinademetz nasceu aos 15 de Abril de 1852 em Oies, um pequeno povoado de cinco casas entre os Alpes Dolomitas do norte da Itália, naquele tempo, chamava-se “Tirol do Sul” e parte do império austríaco. Batizado no próprio dia do nascimento. Ele herdou de sua família uma simples, mas firme e um grande espírito de trabalho.        

Foi ordenado em 25 de julho de 1875. Após dois anos de sua ordenação, entrou em contato com o Pe. Arnaldo Janssen, Fundador da Congregação do Verbo Divino”. Com a licença de seu bispo, ele chegou à casa missionária de Steyl em agosto de 1878.          

Aos 02 de março de 1879 recebeu a cruz missionária e partiu para a China com o outro missionário verbita, o Pe. João Batista Anzer. Cinco semanas depois, desembarcaram em Hong Kong, onde passaram dois anos preparando-se para dar o passo seguinte. Seriam designados para Shantung do Sul, uma província com 12 milhões de habitantes dos quais somente 158 eram batizados.          

Vieram anos muito duros, marcados por longas e difíceis viagens, assaltos de bandoleiros e um árduo trabalho para formar as primeiras comunidades cristãs. E José compreendeu muito cedo a importância que tinham os leigos comprometidos para esta tarefa de primeira evangelização, sobretudo como catequistas.          

Exerceu sempre sua autoridade como um irmão mais velho, respeitado mais por seu exemplo e testemunho de vida do que pelo cargo que ele ocupou em determinado tempo (como administrador, reitor do seminário, diretor espiritual de sacerdotes chineses e superior provincial).         

José Freinademetz era um homem de muita oração. Ele dizia: ”O único negócio nosso nesta pobre vida é palmilhar a estrada que conduz à glória eterna; o resto é vaidade e não vale um vintém. Caros irmãos, rezemos muito e muito que nenhum de nós falte em cima nas núpcias eternas do paraíso. Que pensamento terrível que um de nós pudesse estar ausente... Que dor dilacerante, se se perdesse na eternidade um que fosse de nossa família. A vida passa como um sonho; nosso único negócio importante é preparar-nos uma boa eternidade. Sempre é necessário rezar muito. A vida sem oração é o caminho certo para o inferno”.         

José Freinademetz, como bom pastor prestou assistência incansável, até que ele mesmo contraísse a doença. Doente da laringe e com um princípio de tuberculose, teve que passar um tempo no Japão para recuperar a sua saúde. Voltou para a China um pouco recuperado, mas não curado. Em Takia, sede da diocese, morreu aos 28 de Janeiro de 1908 (com 56 anos de idade). Foi canonizado no dia 5 de outubro de 2003 pelo Papa são João Paulo II.          

Aconteceu uma grande mudança na vida desse santo. Podemos dizer 100 %, pois no início de sua vida como um dos membros da SVD, a graça de ser missionário fora do país encontrou nele uma grande resistência. Ele dizia nem por 3000 coroas (moeda da época) estou disposto a deixar a pátria e amigos para transferir-me para sempre a um novo mundo”. Mas depois que começou a estar na China, toda a sua vida esteve marcada pelo esforço de fazer-se chinês com os chineses, a ponto de escrever para seus familiares: “...amo sempre os meus caros chineses e não tenho outro desejo, senão viver e morrer com eles.... sou mais chinês do que tirolês e quero continuar chinês até no paraíso” (16/08/1893). Ele era realmente um homem inculturado.          

Quantas vezes a graça frutificante de Deus encontrou ou continua encontrando a resistência em nós, pois não sabemos o bem que faz esta graça tanto para nós como para todos os que convivem conosco ou para quem somos enviados.          

Para conhecer melhor quem era José Freinademetz vamos ler algumas frases que ele mesmo escreveu que estão aqui à disposição de todos. 

ALGUMAS FRASES DE SÃO JOSÉ FREINADEMETZ

·      ” O sofrimento, com paciência e resignação, é um sinal infalível de predestinação”. 

·      ” Sabemos que todas as coisas são para o nosso bem; disso estamos convencidos como da existência de Deus”.

·      ” A obrigação do missionário é simplesmente dar testemunho de Jesus e semear a boa semente, deixando confiantemente ao Senhor o trabalho de frutificar a semente”.

·      ” Para nós cristãos é fácil sofrer”.

·      ” A cruz é o pão cotidiano do missionário, contudo, são necessários os momentos de consolo”.

·      ” Duas graças pelas quais nunca cessarei de agradecer a Deus: a do sacerdócio e a de missionário”.

·      ” Quanto mais o Senhor nos abençoa, tanto mais temos que trabalhar”.

·      ” O pouco que fazemos é um nada em comparação do que Deus faz por nós”.

·      ” O único negócio nosso nesta pobre vida é palmilhar a estrada que conduz à glória eterna; o resto é vaidade e não vale um vintém. Caros irmãos, rezemos muito e muito que nenhum de nós falte em cima nas núpcias eternas do paraíso. Que pensamento terrível que um de nós pudesse estar ausente... Que dor dilacerante, se se perdesse na eternidade um que fosse de nossa família”.

·      ” A vida passa como um sonho; nosso único negócio importante é preparar-nos uma boa eternidade”.

·      ” Sempre é necessário rezar muito. A vida sem oração é o caminho certo para o inferno”.

·      ” ...Amo sempre os meus caros chineses e não tenho outro desejo, senão viver e morrer com eles. sou mais chinês do que tirolês e quero continuar a ser chinês até no paraíso”.

·      ” A língua que todos entendem é a linguagem do amor”.

·      ” Uma única alma vale mais que o mundo inteiro”.

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 Tornar-se santo é algo ao mesmo tempo simples e complexo. É simples no sentido de que basta permitir o crescimento da vida trinitária que recebemos no batismo. Mas ao mesmo tempo é uma obra complicada, porque nós não somos simples (simples quer dizer sem desdobramento). Nosso coração parece atado, retorcido, e nossos pecados formaram como uma carapaça de pedra em torno do nosso coração” (Jean Lafrance).        

A santidade é uma realidade essencialmente dinâmica. Deus se manifesta e comunica ao homem sua própria santidade. Deus chama o homem, mediante a ação do Espírito Santo, para que se renove em todas as dimensões de sua existência e seja reflexo e instrumento de sua vontade divina para a obra da salvação do mundo.        

A partir disso tudo, ser santo não significa fazer milagres (embora isso possa acontecer), chamar atenção com fatos extraordinários, ser estranho do resto dos homens ou ser isolado do dia-a-dia por ter medo de ser contaminado pelo mundo. Ser santo é ser capaz de colocar-se nas mãos do Deus Santo, contar com ele, sabendo dependente dele, em busca de configuração com Cristo modelo acabado de todas as virtudes. Por outro lado, colocar-se a serviço dos semelhantes/próximo desinteressadamente, fazendo-lhes o bem, como resposta aos benefícios recebidos de Deus. O enraizamento em Deus desabrocha em forma de misericórdia para com o próximo. Seguir o caminho de Jesus é seguir o caminho da santidade. A vocação à santidade é universal, é uma meta a ser atingido por todos os cristãos (cf. Lumen Gentium, 39-40). Como São Paulo diz: “Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1Ts 4,3; Ef 1,4; cf. também Mt 5,48). Ninguém é excluído deste apelo.

P. Vitus Gustama,SVD

 

Missa

ORAÇÃO da COLETA: Deus onipotente e misericordioso, cujo Espírito impulsionou o Santo Sacerdote José a proclamar a Boa Nova ao Povo da China, concedei, que, por sua intercessão, todos os povos cheguem ao conhecimento do poder da cruz e da ressurreição de Teu Filho, e pela O aceitem como seu Salvador. Pelo mesmo Jesus Cristo.....

Primeira Leitura (Rm 15,13-21)

Irmãos,

O Deus da esperança vos encha de toda a alegria e de toda a paz na vossa , para que pela virtude do Espírito Santo transbordeis de esperança! Estou pessoalmente convencido, meus irmãos, de que estais cheios de bondade, cheios de um perfeito conhecimento, capazes de vos admoestar uns aos outros. Se, em parte, vos escrevi com particular liberdade, foi para relembrar-vos. E o fiz em virtude da graça que me foi dada por Deus,  de ser o ministro de Jesus Cristo entre os pagãos, exercendo a função sagrada do Evangelho de Deus. E isso para que os pagãos, santificados pelo Espírito Santo, lhe sejam uma oferta agradável.  Tenho motivo de gloriar-me em Jesus Cristo, no que diz respeito ao serviço de Deus. Porque não ousaria mencionar ação alguma que Cristo não houvesse realizado por meu ministério, para levar os pagãos a aceitar o Evangelho, pela palavra e pela ação, pelo poder dos milagres e prodígios, pela virtude do Espírito. E me empenhei por anunciar o Evangelho onde ainda não havia sido anunciado o nome de Cristo, pois não queria edificar sobre fundamento lançado por outro.  Fiz bem assim como está escrito: Vê-lo-ão aqueles aos quais ainda não tinha sido anunciado; conhecê-lo-ão aqueles que dele ainda não tinham ouvido falar (Is 52,15).  Palavra do Senhor!

SALMO RESPONSORIAL (Sl 98 (97),1-6)

Refrão: Os confins da terra contemplaram a vitória de nosso Deus

1.Cantai ao Senhor um cântico novo, porque ele operou maravilhas. Sua mão e seu santo braço lhe deram a vitória.  Ref.

2. O Senhor fez conhecer a sua salvação. Manifestou sua justiça à face dos povos.  Lembrou-se de sua bondade e de sua fidelidade em favor da casa de Israel. Ref.

3. Os confins da terra contemplaram a salvação de nosso Deus. Aclamai o Senhor, povos todos da terra; regozijai-vos, alegrai-vos e cantai.  Ref. 

4. Salmodiai ao Senhor com a cítara, ao som do saltério e com a lira.   Com a tuba e a trombeta elevai aclamações na presença do Senhor rei.  Ref.

Aclamação ao Evangelho

Aleluia, aleluia, aleluia

O Senhor me enviou para anunciar a Boa Nova aos pobres, e para anunciar aos cativos a libertação.

EVANGELHO: Lc 10,1-9

1. Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois outros discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde ele tinha de ir.  2. Disse-lhes: Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe.  3. Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos.  4. Não leveis bolsa nem mochila, nem calçado e a ninguém saudeis pelo caminho.  5. Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa!  6. Se ali houver algum homem pacífico, repousará sobre ele a vossa paz; mas, se não houver, ela tornará para vós.  7. Permanecei na mesma casa, comei e bebei do que eles tiverem, pois o operário é digno do seu salário. Não andeis de casa em casa.  8. Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que se vos servir.  9. Curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: O Reino de Deus está próximo.  

Palavra da Salvação!

PRECES DA COMUNIDADE

Cristo é o Bom Pastor que conhece suas ovelhas e as chama por seu nome. Pela intercessão de São José, peçamos-lhe:

Abra nosso coração à Tua Voz, Senhor

1.    Olha com bondade ao rebanho que reuniste em Teu nome, para que haja paz e unidade entre todos os teus discípulos. Abra...

2.    Alimenta a Tua Igreja na mesa da Palavra e da Eucaristia, nós confirmamos nossa missão de anunciar o Evangelho a todos. Abra...

3.    Tu tens outras ovelhas que não pertencem a nosso rebanho, que os povos de todas as nações, culturas e religiões reconheçam Tua voz e te sigam. Abra...

4.    Ajuda-nos a ir aos que necessitam de nosso amor fraterno. Abra...

5.    Lembra-te de todos os falecidos que dedicaram suas vidas à evangelização, que vivam para sempre na Glória do Teu Reino. Abra..

Oração sobre as oferendas:  Senhor, ao depositar sobre Teu altar estas oferendas, dá-nos o mesmo Espírito de amor que infundiste em São José, para que ao celebrar esta sagrada Eucaristia com mente pura e coração sincero, te ofereçamos o sacrifício que te agrada e que nos dá Tua salvação. Por Cristo Nosso Senhor.

Oração após a Comunhão: Senhor, pelo mistério que recebemos e pelo exemplo de São José, confirma em nós a fortaleza de Teu Espírito para que possamos testemunhar fielmente a verdade do Teu Espírito. Por Cristo Nosso Senhor!

O melhor lugar do mundo é aquele onde Deus me quer - S. José Freinademetz.

P. Vitus Gustama,SVD

29/01/2024-Segundaf Da IV Semana Comum

O ENCONTRO COM JESUS NOS LIBERTA DE NOSSAS ESCRAVIDÕES

Segunda-Feira Da IV Semana Comum

Primeira Leitura: 2Sm 15,13-14.30;16,5-13ª

Naqueles dias, 15,13 um mensageiro veio dizer a Davi: “As simpatias de todo o Israel estão com Absalão”. 14 Davi disse aos servos que estavam com ele em Jerusalém: “Depressa, fujamos, porque, de outro modo, não podemos escapar de Absalão! A­pres­­sai-vos em partir, para que não aconteça que ele, chegando, nos apanhe, traga sobre nós a ruína, e passe a cidade ao fio da espada”. 30 Davi caminhava chorando, enquanto subia o monte das Oliveiras, com a cabeça coberta e os pés descalços. E todo o povo que o acompanhava subia também chorando, com a cabeça coberta. 16,5 Quando o rei chegou a Bau­rim, saiu de lá um homem da parentela de Saul, chamado Semei, filho de Gera, que ia proferindo maldições enquanto andava. 6 Atirava pedras contra Davi e contra todos os servos do rei, embora toda a tropa e todos os homens de elite seguissem agrupados à direita e à esquerda do rei Davi. 7 Semei amaldiçoava-o, dizendo: “Vai-te embora! Vai-te embora, homem sanguinário e criminoso! 8 O Senhor fez cair sobre ti todo o sangue da casa de Saul, cujo trono usurpaste, e entregou o trono a teu filho Absalão. Tu estás entregue à tua própria maldade, porque és um homem sanguinário”. 9 Então Abisai, filho de Sarvia, disse ao rei: “Por que há de este cão morto continuar amaldiçoando o senhor, meu rei? Deixa-me passar para lhe cortar a cabeça”. 10 Mas o rei respondeu: “Não te intrometas, filho de Sarvia! Se ele amaldiçoa e se o Senhor o mandou maldizer a Davi, quem poderia dizer-lhe: ‘Por que fazes isto?’”. 11 E Davi disse a Abisai e a todos os seus servos: “Vede: Se meu filho, que saiu das minhas entranhas, atenta contra a minha vida, com mais razão esse filho de Benjamim. Deixai-o amaldiçoar, conforme a permissão do Senhor. 12 Talvez o Senhor leve em conta a minha miséria, restituindo-me a ventura em lugar da maldição de hoje”. 13ª E Davi e seus homens seguiram adiante.

Evangelho: Mc 5,1-20

Naquele tempo, 1Jesus e seus discípulos chegaram à outra margem do mar, na região dos gerasenos. 2Logo que saiu da barca, um homem possuído por um espírito impuro, saindo de um cemitério, foi a seu encontro. 3Esse homem morava no meio dos túmulos e ninguém conseguia amarrá-lo, nem mesmo com correntes. 4Muitas vezes tinha sido amarrado com algemas e correntes, mas ele arrebentava as correntes e quebrava as algemas. E ninguém era capaz de dominá-lo.5Dia e noite ele vagava entre os túmulos e pelos montes, gritando e ferindo-se com pedras. 6Vendo Jesus de longe, o endemoninhado correu, caiu de joelhos diante dele 7e gritou bem alto: “Que tens a ver comigo, Jesus, Filho do Deus altíssimo? Eu te conjuro por Deus, não me atormentes! 8Com efeito, Jesus lhe dizia: “Espírito impuro, sai desse homem!”  9Então Jesus perguntou: “Qual é o teu nome?” O homem respondeu: “Meu nome é ‘Legião’, porque somos muitos”. 10E pedia com insistência para que Jesus não o expulsasse da região.11Havia aí perto uma grande manada de porcos, pastando na montanha. 12O espírito impuro suplicou, então: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles”. 13Jesus permitiu. Os espíritos impuros saíram do homem e entraram nos porcos. E toda a manada — mais ou menos uns dois mil porcos — atirou-se monte abaixo para dentro do mar, onde se afogou. 14Os homens que guardavam os porcos saíram correndo e espalharam a notícia na cidade e nos campos. E as pessoas foram ver o que havia acontecido. 15Elas foram até Jesus e viram o endemoninhado sentado, vestido e no seu perfeito juízo, aquele mesmo que antes estava possuído por Legião. E ficaram com medo. 16Os que tinham presenciado o fato explicaram-lhes o que havia acontecido com o endemoninhado e com os porcos. 17Então começaram a pedir que Jesus fosse embora da região deles. 18Enquanto Jesus entrava de novo na barca, o homem que tinha sido endemoninhado pediu-lhe que o deixasse estar com ele. 19Jesus, porém, não permitiu. Entretanto, lhe disse: “Vai para tua casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por ti”. 20E o homem foi embora e começou a pregar na Decápole tudo o que Jesus tinha feito por ele. E todos ficavam admirados.

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Deus Continua Escrevendo Sua História de Salvação Apesar Dos Fracassos Humanos

A Primeira Leitura nos relata a fuga do rei Davi por medo de seu próprio filho Absalão que quer matar o próprio pai Davi. Temos meditado a “profecia de Natan” que prometia a estabilidade para a dinastia de Davi até o fim dos tempos. De fato, veremos as intrigas, conflitos mortais, os homicídios. O trono real é uma presa. Absalão matará seu irmão Amnon, o primogênito de Davi por ter violado sua irmã. Um oficial de Davi matará Absalão, o segundo filho do rei Davi. adonias, o terceiro que pretende a sucessão será executado por ordem de Salomão. É triste e sangrenta história!

A Primeira Leitura de hoje nos relata a fuga do rei Davi por medo de seu próprio filho Absalão que quer matar o próprio pai Davi. Davi  ficou velho e Absalão quer o trono de seu pai Davi. Mas Davi expulsou Absalãoda corte após seu fratricídio (2Sm 13). Absalão se revolta com o pai, Davi, apoiando-se nos descontentamento geral da população devido às guerras frequentes. Num dado momento, Absalão fez-se sagrar rei em Hebron, antiga cidade real das tribos do Sul. Ao tomar conhecimento da insurreição, Davi sai imediatamente de Jerusalém. Prefere ganhar tempo, retirando-se para Transjordânia, na esperança de lá recrutar mercenários. 

O “conflito entre gerações” não é de hoje. O enfrentamento entre os filhos maiores e seus pais é coisa repetida de sempre em qualquer lugar e tempo. Mas o fracasso e a fraqueza não criam obstáculos para o plano de Deus.

No reino do Norte muitas pessoas continuam considerando Davi como um “usurpador” contra a família do rei Saul (cf. 2Sm16,5-13: segunda parte da Primeira Leitura de hoje). Como foi dito, Davi expulsou Absalão da corte após seu fratricídio, depois que matou seu irmão Amnon por ter estuprado a irmã de Absalão, Tamar (Cf. 2Sm 13). Ligeira reconciliação entre pai, Davi, e filho, Absalão não impediu que Absalão preparasse uma revolta contra o pai, Davi, aproveitando-se do descontentamento geral da população contra Davi. Absalão se rebela contra Davi, seu próprio pai e se faz rei, e muitos o seguem. 

Os livros históricos da Bíblia interpretam sempre as desgraças e fracassos como consequência do pecado. As falhas cometidas são pagas mais cedo ou mais tarde. Cada ação tem suas consequências. Agora Davi se sente rodeado de inimigos, pois anteriormente ele era protagonista ativo de intrigas e violências. Os livros históricos não apagam, ao falar dos grandes homens como Davi, o relato de suas debilidades ou fraquezas. 

A figura patética de Davi nos recorda precisamente, no monte das Oliveiras, a figura de Jesus nos momentos dramáticos de sua crise angustiante diante da morte. Ele, com lágrimas, abatimento e suor de sangue, teve que suportar o abandono, inclusive a traição ou a negação dos seus. Mas em Jesus não havia nem engano nem malícia. Ele carrega os pecados dos outros. 

Se ele amaldiçoa e se o Senhor o mandou maldizer a Davi, quem poderia dizer-lhe: ‘Por que fazes isto? Se meu filho, que saiu das minhas entranhas, atenta contra a minha vida, com mais razão esse filho de Benjamim. Deixai-o amaldiçoar, conforme a permissão do Senhor. Talvez o Senhor leve em conta a minha miséria, restituindo-me a ventura em lugar da maldição de hoje”. São palavras de Davi a Abisai que queria matar Semei que estava amaldiçoando o rei Davi. Davi tem muita humildade em aceitar qualquer correção, especialmente aquilo que vem de Deus por causa de seu fé em Deus: “Deixai-o amaldiçoar, conforme a permissão do Senhor”. Ele se reconhece pecador e aceita qualquer correção. Nisto também consiste a grandeza de Davi apesar de suas fraquezas e de seus fracassos. 

Toda a história de Davi no texto de hoje nos interpela. Será que sabemos reconhecer nossas debilidades e culpas, aceitando humildemente as críticas que nos podem vir, ainda que nos causem uma dor? Será que nossas pequenas ou grandes ambições nos levaram, alguma vez, a praticarmos injustiças até violências passando por cima dos direitos dos demais? É óbvio que não devemos matar ninguém, mas talvez tenhamos desprezado os outros ou usemos meios indescritíveis para obter algo não ético, como Amnon que estuprou Tamar? Pode ser que tenhamos que pagar as consequências mais cedo ou mais tarde. Trata-se de causa e consequência! É sempre bom que façamos uma valente autocrítica de nossas atuações diárias antes que elas produzam uma tragédia.  

A grandeza de uma pessoa, como Davi, é vista, sobretudo no modo de reagir diante das adversidades e das contradições, diante dos fracassos e fraquezas. O que nunca podemos perder é a confiança em Deus e a esperança pelo futuro melhor, pois Deus quer nossa salvação. Também através dos fracassos humanos e do pecado Deus continua escrevendo Sua história de salvação e nos vai ajudando a chegar para nossa maturidade que consiste em amar como Deus tem nos amado.

A verdadeira grandeza de um homem se revela quando é capaz de suportar com dignidade a pobreza ou o fracasso. Por isso, a grandeza do rei Davi nunca resplandece como nesses momentos de sua máxima humilhação, quando seu próprio filho, Absalão se proclama rei em Hebron e a maioria do povo o segue. Deus recompensa a fé generosa de Davi fazendo com que tudo acabe bem para ele. 

Jamais percamos nossa fé em Deus apesar de uma situação sem saída do ponto de vista humano. Tudo o que Deus fizer é sempre em função de nossa salvação, mesmo que seja custoso para aceitar tudo isso. “Seja feita a Vossa vontade assim na terra como no céu!”, é o que pedimos no Pai-Nosso.

O Evangelho e Sua Mensagem

1. Jesus Nos Devolve a Autenticidade No Encontro Com Ele 

Jesus chega à região dos gerasenos, ou seja, a um território pagão. Isto quer nos dizer que a presença do Reino de Deus não se limita em determinados lugares e povo. O amor de Deus alcança qualquer povo ou pessoa. Para Deus não há excluido, pois ele vai atrás da ovelha perdida. 

Na região dos gerasenos encontra-se um homem que “Dia e noite vagava entre os túmulos e pelos montes, gritando e ferindo-se com pedras” (Mc 5,5). É um homem privado de suas faculdades mentais, que não é dono de si mesmo e se converteu em seu próprio inimigo (“ferindo-se com pedras”). Esse mal é que Jesus vem combater, esse mal misterioso que hoje chamamos de “alienação” que divide o homem no mais profundo de si mesmo e o empurra contra si mesmo e contra os demais em consequência. Essa alienação é que nos afasta de nos mesmos, do amor de Deus e dos demais homens.

O relato indica que o encontro com Jesus é um encontro de libertação a fim de que cada um possa encontrar-se consigo mesmo. Trata-se de uma conquista da própria autenticidade e idenidade. O verdadeiro encontro com o Senhor nos torna autênticos e nos faz voltar a ser como deveríamos ser no plano de Deus: a salvação para todos. Isso é que aconteceu com o endemoniado: de um ser dividido e anti-social passa a ser um homem dono de si próprio, de um anti-social passa a ser irmão dos outros. Libertação é uma reconquista da própria autenticidade; é um encontrar-se consigo próprio. Este é o resultado de cada encontro verdadeiro com o Senhor: em vez de ser anti-convivência ou anti-social (o homem possuído morava no meio dos túmulos) se torna um irmão dos demais, vira um amigo dos outros (ser social).

2. Para Jesus o Homem Vale Mais Do Que Qualquer Coisa Neste Mundo 

Libertação é uma reconquista da própria autenticidade; é um encontrar-se consigo próprio. Ao libertar o homem possuído pelo espírito do mal Jesus transformou o homem em ser “dono” de si próprio. O homem passou de um ser dividido para um irmão dos demais. Este é o resultado de cada encontro verdadeiro com o Senhor: em vez de ser anti-convivência ou anti-social (o homem possuído morava no meio dos túmulos) se torna um irmão dos demais, vira um amigo dos outros (ser social). 

Há um detalhe interessante na cena: os habitantes da região demonstram um duplo sentimento: por um lado, Jesus é para eles um ser superior; mas por outro lado, ele é uma espécie que incomoda. Eles intuem que a mensagem, por muito libertadora e benéfica que ela seja, os obrigará a transtornar seus modos rotineiros de vida. Por isso, eles suplicam que Jesus vá se embora daquela região. Eles não aceita a mudança de vida para uma vida de qualidade. O grande problema que temos não é implementar as coisas novas na nossa cabeça e sim tirar as coisas velhas dela que não mais nos ajuda a crescer. Mudança e transformação são, na verdade, o código do mundo que nos cerca. No entanto, nem sempre queremos mudar. Quando estamos felizes, desejamos que o relógio pare de andar, queremos que o tempo pare, queremos imobilizar o instante fugido. Apenas pensamos em mudança por necessidade. Mas ninguém pode parar o crescimento. Ou crescemos com o mundo no seu salto de qualidade, ou ficamos parados no tempo sem que haja nenhum crescimento. 

Para os gerasenos a libertação de um homem vale menos do que uma manada de porcos. As coisas (os porcos) são valorizadas mais do que a dignidade do homem. Trata-se de uma inversão de valores. Os negócios lhes interessam mais do que a vida do home libertado. O texto pretende nos dizer que a presença de Jesus, com sua Palavra que opera a libertação das pessoas, questiona todo o sistema de convivência humana, chegando mesmo até a sua base de sustentação. Os gerasenos optam pela solução menos custosa, enquanto que para Jesus conduzir um homem para sua dimensão humana tem um valor muito mais alto do que qualquer outra consideração. Por causa do homem, pelo seu bem, Jesus tinha coragem de “transgredir” qualquer lei por sagrada que ele fosse para o pensamento do homem, pois para ele “o Sábado foi feito para o homem e não o homem para o Sábado”. Por causa de seu amor pelo homem, Jesus aceita ser crucificado inocentemente. Qualquer regra que não edifica o homem para Jesus precisa ser abandonada, pois cada pessoa humana é o filho e a filha de Deus que Jesus ensinou no Pai-Nosso em que todos chamam Deus de Pai (cf. Mt 6,9-15) 

Vale a pena cada um perguntar-se: “Quem é o homem para mim? Qual é o valor de um ser humano para mim? Um bom conceito sobre o ser humano leva a pessoa a tratar o outro com dignidade e respeito. Enquanto uma pessoa não tiver um conceito claro sobre quem é o ser humano, não podemos esperar um bom comportamento e um bom tratamento para com os outros dessa pessoa. 

3. Ser Enviado Da Misericórdia De Deus 

O que nos chama atenção do relato do evangelho de hoje é o seu fim. O homem curado pede que Jesus o deixe estar com ele: Enquanto Jesus entrava de novo na barca, o homem que tinha sido endemoninhado pediu-lhe que o deixasse estar com ele”. Trata-se de uma oração. Este homem quer estar com o Senhor. Pedir “para estar com Ele” é uma expressão que o evangelista Marcos usa na chamada dos Doze Apóstolos (Mc 3,14). “Estar com Jesussignifica ser discípulo de Jesus. Por isso, a expressão “estar com Ele” descreve a vocação apostólica; é o ir com Jesus itinerante para ser enviados por Ele. Trata-se de uma descrição da chamada dos Doze, daqueles que participam continuamente no mistério do Mestre e estão com Ele em função da Igreja, isto é, os apóstolos. 

O homem curado pede a Jesus para fazer parte do grupo, porém recebe uma resposta dura. É a resposta que nos recorda a dura resposta dada para a mulher Cananéia (Mc 7,27; compare Mc 5,37; Mc 1,35). Vai-te para tua casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por ti” é a resposta de Jesus para o homem curado. Jesus quer lhe dizer: esta não é para ti; esta não é tua vocação! E este se foi, apesar de sua decepção, obviamente, e começou a proclamar a misericórdia do Senhor “E todos ficavam admirados”. 

Este episodio final nos chama para uma meditação sobre a vocação de cada um de nós. Mesmo que não tenha vocação dos Doze, cada um tem uma vocação do verdadeiro seguimento de Cristo e por isso, participa estreitamente de uma chamada. O evangelista Marcos usa uma linguagem bem precisa: “Vai-te para tua casa”. Trata-se de um envio missionário, da ordem para uma missão. Como se o Senhor quisesse dizer a este homem: “Vai salvar primeiro os teus. Eles precisam de tua ajuda!”. “... anuncia-lhes tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por ti”, acrescentou o Senhor. “Anunciar” e “proclamar” são termos típicos da atividade evangelizadora da Igreja. Jesus pede ao homem curado, como pede a cada um de nós, a proclamar a misericórdia de Deus. Sejamos misericordiosos nas nossas palavras e ações de cada dia, pois fomos criados por um gesto misericordioso, fomos feitos por mãos misericordiosas, e fomos idealizados por uma mente misericordiosa. Foi o Deus da misericórdia. E por isso, a misericórdia sempre vai além da justiça. 

Enquanto Jesus entrava de novo na barca, o homem que tinha sido endemoninhado pediu-lhe que o deixasse estar com ele.Vai-te para tua casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por ti”, pediu Jesus a esse homem. Por quê? Jesus quer enviá-lo a anunciar. O homem deve voltar para os seus para anunciar as maravilhas da misericórdia de Deus. Isto quer nos dizer que cada encontro verdadeiro com Jesus tem como conseqüência o envio para evangelizar. Os que participam de qualquer atividade religiosa, seja oração, seja missa, seja retiro devem ser transformados em missionários–evangelizadores da misericórdia de Deus.

P. Vitus Gustama,svd

Quarta-feira Da XXIV Semana Comum, Ano Par, 16/09/2026

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