segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

29/02/2024-Quintaf Da II Semana Da Quaresma

É PRECISO VIVER AQUI NA TERRA COMO NO CÉU: VIVER NO AMOR FRATERNO

Quinta-Feira da II Semana da Quaresma 

Primeira Leitura: Jr 17,5-10

5 Isto diz o Senhor: “Maldito o homem que confia no homem e faz consistir sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor; 6 como os cardos no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar-se na secura do ermo, em região salobra e desabitada. 7 Bendito o homem que confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor; 8 é como a árvore plantada junto às águas, que estende as raízes em busca da umidade, por isso não teme a chegada do calor: sua folhagem mantém-se verde, não sofre míngua em tempo de seca e nunca deixa de dar frutos. 9 Em tudo é enganador o coração, e isto é incurável; quem poderá conhecê-lo? 10 Eu sou o Senhor, que perscruto o coração e provo os sentimentos, que dou a cada qual conforme o seu proceder e conforme o fruto de suas obras”.

Evangelho: Lc 16,19-31

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 19“Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. 20Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. 21Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas. 22Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’. 25Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te de que recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26E, além disso, há grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’. 27O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa de meu pai, 28porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento’. 29Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem!’ 30O rico insistiu: ‘Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter’. 31Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos”’.

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É Preciso Enraizar-Se No Senhor Para Poder Produzir Bons Frutos Na Vida

Maldito o homem que confia no homem e faz consistir sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor”. Convém esclarecer que aqui não se fala do homem “como mediador” entre Deus e os homens, e sim se refere às qualidades, às forças e às seguranças humanas, aos meios humanos, sejam os meus, sejam os dos outros. No campo espiritual, o pôr a confiança unicamente nas “coisas humanas” termina em fracasso seguro. Por isso, o rico, o satisfeito, aquele que ri e aquele que é louvado é chamado “maldito” não porque seja rico, satisfeito e sim porque põe sua segurança em sua riqueza, em sua satisfação, em sua diversão, em seu louvor humano. Ou seja, confia em si em suas coisas e não em Deus que criou todas as coisas. Ele corre apenas atrás das coisas de Deus e não atrás do Deus das coisas, e por isso, acaba sendo perdido ou maldito. Igualmente, aquele que confia no homem ou em si mesmo é “como os cardos no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar na secura do ermo, em região salobra e desabitada”, seco e sem fruto. Ou seja uma vida estéril, improdutiva para o Reino de Cristo. O homem jamais pode se esquecer que tudo o que ele é e tudo o que ele tem, menos o pecado, pertence a Deus. Infelizmente, o homem corre somente atrás das coisas criadas e se esquece do Criador das coisas. Quem está cheio somente de coisas é porque está vazio de Deus.

Quaresma nos propõe uma graça, um dom de Deus. Mas ela nos anuncia também juízo. Quando seguimos o bom caminho, ficamos muito felizes e nossa vida se torna fecunda. Quando desviamos nossa atenção e nos deixamos seduzir por outros caminhos (caminho do mal) que não eram os caminhos de Deus, nossa vida se torna estéril e seremos cruz para a convivência.

De forma simples, como no Salmo 1 que é posterior, se faz aqui (Primeira Leitura) uma contraposição entre os “dois caminhos”: o caminho que os justos seguem e o caminho dos ímpios.

Os ímpios são uns néscios que põem sua confiança somente nos homens e na debilidade da carne. A vida deles é igual a um deserto onde nada se produz de bom. Por isso, sobre eles recai a maldição de Deus, segundo o profeta Jeremias. Mas Deus bendiz os que põem n´Ele toda sua confiança. Os justos são como árvore plantado à beira do rio que produz seus bons frutos permanentemente. Deus é como um rio para as raízes de uma árvore ou como a rocha para os fundamentos de uma casa. Aderir-se a Deus, à Verdade viva, é crer n´Ele, confiar n´Ele, amá-Lo sobre todas as coisas. É algo muito distinto a um conhecimento teórico.

Nossa confiança deve apoiar-se no Senhor e não na força humana (cf. 2Crônicos 32,8). Quem em si mesmo confia, encontra-se com a maldição porque os homens, inclusive os nobres e os inteligentes, não podem se salvar (cf. Sl 1171/18),8; 145/146),3). Seu fim é a morte, como a morte dos cardos no deserto. Por contraposição, é elogiado o homem que põe sua confiança e se refugia no Senhor (Sl 2,12; 33/34,9; 39/40,5; 145/146,5) e n´Ele põe seu apoio. Seu fim é a vida, a salvação, como a árvore plantada junto à corrente de água que permanece verde. O homem feliz e que dá fruto é aquele cuja vida está enraizada numa firme confiança em Deus. Contrapõe-se a atitude orgulhoso e prepotente de confiar em si mesmo ou nos homens débeis e propensos ao pecado (carne).

E nós, em quem pomos nossa confiança? No poder de nossa força, do poder do partido político, na força da guerra?

Em Jr 17,5-11 encontramos três oráculos sapienciais. O primeiro, Jr 17,5-8 nos alerta para não basearmos nossa vida e salvação sobre o homem mortal. O segundo, Jr 17,9-10 nos relembra que o homem é capaz de enganar-se e enganar os outros. Mas somente o Senhor pode entrar no coração de cada homem. Por isso, é preciso confiar totalmente no Senhor que conhece o coração de cada homem. E o terceiro, Jr 17,11: ninguém pode se apoiar nas riquezas, pois trata-se de uma base enganadora. As coisas materiais, mesmo necessárias para a vida do homem, pertencem ao mundo e por isso, vão ser deixadas aqui neste mundo, assim que terminar nossa peregrinação nesta terra.

Na Primeira Leitura encontramos os dois oráculos sapienciais. Estes dois oráculos convidam os homens a confiarem no Senhor ou a enraizar-se no Senhor. Estes dois oráculos contrapõe o justo ao ímpio numa série de comparações muito sugestivas como a da árvore.

 

A corrente sapiencial utiliza muitas vezes o tema da árvore da vida, visando sob essa imagem a vida moral do homem, produtora de frutos de longa vida e de fidelidade: “O fruto do justo é uma árvore de vida; o que conquista as almas é sábio(Pr 11,30; cf. Pr 3,18; 13,12; 15,4).

A corrente profética aplica o tema da árvore e de seus frutos a todo o povo, na medida de sua fidelidade à Aliança, e Deus destrói a árvore que não dá bons frutos (cf. Is 5,1-7; Jr 2,21; Ez 15; 19,10-14; Sl 79/80,9-20; veja Mt 3,10).  

Na evolução dessas diversas correntes, o Justo é comparado, por sua vez, a uma árvore que dá frutos saborosos como lemos no Sl 1: “Feliz o homem que não procede conforme o conselho dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores, nem se assenta entre os escarnecedores... Ele é como a árvore plantada na margem das águas correntes: dá fruto na época própria, sua folhagem não murchará jamais. Tudo o que empreende, prospera(Sl 1, 1.3; Cf. Sl 91/92, 13-14; Ct 2,1-3 etc.).

Ao personalizar este tem o evangelista João faz do próprio Cristo a árvore que dá fruto (Jo 15,1-6). Todo aquele que se enraizar em Cristo ou que permanecer no tronco (Cristo) vai poder produzir bons frutos. E os frutos que podemos produzir, ao nos ligar à árvore da vida que é o próprio Cristo, são os “frutos do Espirito Santo”: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio (Gl 5,22-23).

Vale a pena cada um perguntar-se: Que tipo de árvore sou eu? Que frutos tenho produzido? Ou sou uma árvore estéril? Se for assim já chegou o momento oportuno para voltar a enraizar-se em Cristo através da conversão para voltar a produzir bons frutos.

A Riqueza Mal Usada Fecha a Porta Do Céu

Estamos acompanhando Jesus no seu Caminho (êxodo) para Jerusalém onde ele será crucificado, morto e ressuscitado (Lc 9,51-19,28). Na passagem do evangelho deste dia Jesus fala sobre o perigo da riqueza/bens materiais ou de dinheiro. Este tema é repetido no evangelho de Lucas para enfatizar o peso do conteúdo que quer se passar para os ouvintes para que tenham consciência disso.

A  narrativa (parábola) sobre o rico e o pobre Lázaro coloca o além (o Céu) como horizonte do aquem (aquilo que se vive neste mundo).  a colheita depende daquilo que se planta. Presente e futuro não se negam.  Eles (presente e futuro) estão em continuidade ou em contraposição, como a semente a colheita. Aqueles que querem o Céu devem viver aqui neste mundo como no Céu, isto é, viver por, para, com e no amor fraterno, pois “Deus é Amor” (1Jo 4,8.16).

Ao contra a parábola sobre o rico e Lázaro, Jesus não faz um julgamento, mas um ato de correção fraterna para com os ricos, antes que seja tarde demais, pois Jesus veio não para julgar e sim para salvar. O sentido dessa narrativa corresponde ao de Mt 25,31-46 ( sobre julgamento final). São Tiago, na sua Carta, nos alerta: “O julgamento vai ser sem misericórdia para quem não praticou misericórdia; a misericórdia, porém, triunfa sobre o julgamento” (Tg 2,13; cf. Tb 12,9). O Livro de Tobias nos sugere: “Mais vale dar esmola do que acumular tesouros de ouro” (Tb 12,8). Dar esmola ou praticar a caridade faz parte do programa da quaresma, que foi colocado logo na Quarta-feira de Cinzas, o início de nossa caminhada quaresmal.

O homem é sempre tentado a buscar sua salvação nos bens, a pôr nas riquezas sua segurança. O cristão deve estar vigilante contra essa tentação insidiosa /cheia de ciladas. Os bens não asseguram nem a mesma vida, menos ainda a salvação. A riqueza é capaz de converter quem a tem em uma pessoa autossuficiente com o coração fechado à chamada de Deus para viver o amor fraterno e a justiça social. O apego aos bens passageiros faz qualquer um perder o sentido de Deus na sua vida, o sentido do homem (indiferença) e o sentido da própria liberdade. Jesus quer nos advertir que se agora o coração for incapaz de viver a conversão que se traduz na vivência do amor fraterno e da justiça social, também será incapaz de receber a felicidade da glória eterna. Somos donos de nossa própria história, mas não temos a última palavra sobre a nossa história. É Deus quem tem a última palavra. O juízo é dele.

Quem põe a mão sobre o dinheiro, põe sua mão sobre as pessoas. Podemos tomar o dinheiro e usá-lo para ajudar as pessoas, podemos também usá-lo para que as pessoas estejam sob o nosso domínio.

Os bens materiais por si, não são bons nem maus. Mas eles se fazem maus quando os transformamos no objetivo da vida, no único bom. Toda a história humana nos mostra como as riquezas e o poder endurecem o coração do homem e o fazem sensível diante da dor do próximo, inclusive dos próprios pais, familiares e amigos. O ter muito pode endurecer o coração e anestesiar a memória e os bons desejos.

O dinheiro e todos os demais bens deste mundo são bons, pois sua matéria prima foi criada por Deus. Mas a grande questão é de que maneira conseguimos -los (dinheiro justo ou injusto), como usamos os bens (esbanjar no ritmo de consumismo sem freio, no egoísmo total?) e qual é o objetivo ao usá-los? (Para ajudar ou para dominar os outros?). Os bens materiais podem nos ajudar a conseguirmos nossas metas fundamentais, mas também podem nos desviar do bem que devemos praticar.

Segundo o tom de todo o evangelho de Lucas, o bom uso que temos que fazer com os nossos bens é compartilhá-los com os necessitados. Não temos que converter o dinheiro em fim. Ele é um meio e como tal, ele é relativo e não absoluto, pois, de fato, ele não pode fazer nada assim que terminarmos nossa caminhada nesta terra. São os que ficam neste mundo que determinarão o uso do dinheiro, pois perderemos o poder sobre ele nesse dia. A ambição sem medida, a cobiça e a avareza não devem ter lugar na vida de qualquer cristão. Se não, descuidaremos das coisas de Deus ou dos valores superiores que dignificam o ser humano. Não podemos servir a dois senhores. Os que aceitam o Reino de Deus são os que não estão cheios de si mesmos nem de ambições humanas. 

Como foi dito anteriormente na passagem do evangelho deste dia Jesus nos fala sobre o perigo da riqueza. Trata-se de uma severa advertência para todos. Para entender a severa advertência de Jesus sobre o perigo da riqueza precisamos partir de uma consciência plena de que Jesus ama a todos sem exceção (cf. Jo 3,16; 10,10). Quanto maior se tornar um perigo, maior será a advertência de Jesus por amor. Por isso, Deus não é uma ameaça para os homens, especialmente para os ricos ou um concorrente deles, mas Ele é uma potência de amor que constrói todos os homens. Acima de tudo, Deus é o Pai de todos. Todas as riquezas do universo são de Deus, pois Ele é o Criador de tudo isso. Por isso, ao chamar a atenção dos ricos apegados Jesus quer evitá-los do perigo mortal, se eles continuarem a se deixar aprisionar pelo dinheiro. Jesus quer lhes dizer assim: “Atenção com o dinheiro! Atenção com a riqueza! É uma arma perigosíssima!”.

Para falar deste tema Jesus conta uma parábola na qual o rico e o pobre Lázaro são seus protagonistas.

Sabemos que, neste mundo, com o dinheiro se possui tudo: poder, honra, influência, etc.... O dinheiro é a medida das coisas materiais e nos afeta pessoalmente. Quem põe a mão sobre o dinheiro, põe sua mão sobre as pessoas e consequentemente sobre sua própria salvação. O poder e a riqueza têm capacidade de transtornar a vista. Mas a Palavra de Deus nos faz encontrarmos o irmão.

O Papa Francisco nos alerta: “O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena, este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado” (Evangelii Gaudium no.2).

A parábola sobre Lázaro e o rico quer nos alertar que o mau uso do dinheiro, usando-o e abusando-o egoisticamente e individualisticamente aliena o homem, rompe toda possibilidade de comunicação com Deus e de toda comunicação mais humana com os demais. O egoísmo obscurece o coração a ponto de não poder ler os sinais que Deus oferece ao homem, inclusive os milagres diários. O egoísmo fecha todas as antecipações de Deus sobre o homem.

Na parábola, os cachorros conseguem enxergar o pobre Lázaro do que o rico. O animal consegue ver o homem, mas o homem não consegue ver o próprio homem. O homem olha para as coisas e não para os homens. O dinheiro é temível, não pelo que conseguimos com ele e sim porque chega a possuir o homem de tal maneira que é o único que marca a pauta de sua vida. O apego aos bens materiais faz esquecer o sentido de Deus, o sentido do homem e o próprio sentido da liberdade: se cai na escravidão. “Quando muitos morrem por falta de pão, não é porque Deus deixa faltar trigo, mas porque nós homens deixamos que falte o amor” (René Juan Trossero).

O texto do evangelho de hoje quer nos recordar também que não temos a última palavra. É Deus Quem tem esta palavra. Deus tem a última palavra sobre a história particular de cada ser humano e a história de todos os homens, em geral.

Por tudo isso, é difícil não sentir certo estremecimento ao considerar a última frase da parábola à luz da celebração da Eucaristia: “Se não escutam a Moises, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos”. Nós que celebramos a Eucaristia escutamos a Moisés, aos Profetas, isto é, todo o conjunto do AT, e temos entre nós a presença do Ressuscitado entre os mortos, Jesus Cristo. Mas será que nos deixamos convencer? Celebrar a Eucaristia é algo extraordinariamente comprometido; é realmente um juízo de Deus sobre nós. Se o coração não tem nenhum laço espiritual, tudo será inútil. Quem não crê na Palavra de Deus tampouco mudará de atitude por um milagre.

Portanto, os cinco irmãos do rico, nesta parábola, representam todos os homens deste mundo, todos nós, que podemos correr a mesma sorte de nosso irmão defunto que era rico para si, mas pobre para Deus e para os demais. Nós somos os irmãos deste rico. Peçamos a Deus que a preocupação demasiada pelos bens materiais não nos tornem cegos diante do necessitado que está junto a nós e que não nos torne surdos ao chamamento de Cristo para compartilhar nossos bens com os necessitados. Os necessitados nos ajudam a sermos mais humanos e consequentemente mais divinos neste mundo. O necessitado desperta nossa humanidade que está muitas vezes adormecida. E não esqueçamos: é a Palavra de Deus que nos questiona continuamente e que nos permite a mudança de um coração egoísta para um coração capaz de amar e de partilhar. A Quaresma é o tempo oportuno para abrir o coração para a graça de Deus e estender nossa mão para ajudar os necessitados.

A advertência de Jesus no evangelho de hoje é um convite para a solidariedade. E o pecado que podemos cometer contra a solidariedade é a apatia social e política. Isto acontece quando um se encerra na própria vida e fica cego e insensível diante da frustração, da humilhação, da fome e do desespero dos demais seres humanos que são filhos e filhas de Deus e, portanto, nossos irmãos. Quem não vê o pobre, não será visto por Deus. Quem não estende a mão para o pobre a fim de ajudá-lo, para ele não será estendida a mão de Deus para abençoá-lo. “O inferno é o sofrimento de não poder mais amar” (Dostoievski). “Os famintos, os maltrapilhos, os mendigos, os peregrinos, os prisioneiros, os doentes... são teus “batedores” no Reino do céu” (Santo Agostinho: Serm. 11,6; cf. Mt 25,40.45).

Em vez da ganância e do consumismo egoísta das coisas deste mundo somos chamados a nos vestir de despojamento e de solidariedade. Saber ajudar os outros com o que temos e somos é a expressão de nossa riqueza interior. “Posso dizer que as alegrias mais belas e espontâneas, que vi ao longo da minha vida, são as alegrias de pessoas muito pobres que têm pouco a que se agarrar. Recordo também a alegria genuína daqueles que, mesmo no meio de grandes compromissos profissionais, souberam conservar um coração crente, generoso e simples. De várias maneiras, estas alegrias bebem na fonte do amor maior, que é o de Deus, a nós manifestado em Jesus Cristo” (Papa Francisco: Evangelii Gaudium no.7). Uma das piedades cristãs que devemos praticar principalmente durante a Quaresma é a caridade fraterna: solidarizar-se com os necessitados.

O rico da parábola que representa outros ricos do seu tipo quer nos dizer que o egoísmo de muitos ricos, sua falsa segurança, sua irreligiosidade, o fechamento de seu coração acabam por fazer todos eles incapazes de ler os sinais de Deus. A morte não lhes diz nada; nem a ressurreição de um morto chegaria a convencê-los. Perderam o hábito de ver os sinais que Deus lhes mostra em sua vida cotidiana. O fato de reclamar sinais é apenas um falso pretexto: “Se não escutam a Moises, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos”.

Na vida terrena o rico não via o pobre Lázaro ou fingia não ver. Quem não vê o pobre, não será visto por Deus. Quem não estende a mão para o pobre a fim de ajudá-lo, também para ele não será estendida a mão de Deus para abençoá-lo. “O inferno é o sofrimento de não poder mais amar” (Dostoievski).

Senhor, que nenhuma riqueza material, espiritual, intelectual feche meu coração para captar os sinais que me emite diariamente. Conserve-me aberto e disponível diante do seu apelo cotidiano. Que eu seja pobre no espirito. Que eu não feche meu coração diante da necessidade do meu próximo.  Dê-me, Senhor, um coração solidário! Assim seja!

P. Vitus Gustama,svd

28/02/2024-Quartaf Da II Semana Da Quaresma

SER VOZ DE DEUS E SERVIR A CRISTO NO IRMÃO

Quarta-Feira da II Semana da Quaresma

Primeira Leitura: Jr 18,18-20

Naqueles dias, 18 disseram eles: “Vinde para conspirarmos juntos contra Jeremias; um sacerdote não deixará morrer a lei; nem um sábio, o conselho; nem um profeta, a palavra. Vinde para o atacarmos com a língua, e não vamos prestar atenção a todas as suas palavras”. 19 Atende-me, Senhor, ouve o que dizem meus adversários. 20 Acaso pode-se retribuir o bem com o mal? Pois eles cavaram uma cova para mim. Lembra-te de que fui à tua presença, para interceder por eles e tentar afastar deles a tua ira.

Evangelho: Mt 20,17-28

Naquele tempo, 17enquanto Jesus subia para Jerusalém, ele tomou os doze discípulos à parte e, durante a caminhada, disse-lhes: 18Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos mestres da Lei. Eles o condenarão à morte, 19e o entregarão aos pagãos para zombarem dele, para flagelá-lo e crucificá-lo. Mas no terceiro dia ressuscitará”. 20A mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. 21Jesus perguntou: “Que queres?” Ela respondeu: “Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”. 22Jesus, então, respondeu-lhes: “Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” Eles responderam: “Podemos”. 23Então Jesus lhes disse: “De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou”. 24Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. 25Jesus, porém, chamou-os, e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. 26Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; 27quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”.

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A Presença Do Justo Incomoda Os Desonestos Que Querem Manter Sua Desonestidade

Vinde para conspirarmos juntos contra Jeremias; um sacerdote não deixará morrer a lei; nem um sábio, o conselho; nem um profeta, a palavra. Vinde para o atacarmos com a língua, e não vamos prestar atenção a todas as suas palavras”. São palavras da conspiração dos judeus contra o profeta Jeremias.

A Primeira leitura faz parte de uma seção, no livro de Jeremias, chamada, Confissões de Jeremias. Vários textos do livro de Jeremias nos esclarecem a respeito das intrigas contra Jeremias: Jr 11,8; 12,6; 11,19-20; 12,3; 11,20b-23 (É preciso ler estes textos nesta ordem).

Os inimigos do profeta julgam que a morte de Jeremias (que eles planejam) não será prejudicial, pois ainda resta muita “palavra” no povo pela presença dos sacerdotes e dos sábios institucionais que falam o que lhes agrada, mas são os falsos profetas que fazem carreira. Consequentemente, segundo eles, as palavras de Jeremias (verdadeiro profeta) não seriam necessárias para eles: “Vinde para conspirarmos juntos contra Jeremias; um sacerdote não deixará morrer a lei; nem um sábio, o conselho; nem um profeta, a palavra. Vinde para o atacarmos com a língua, e não vamos prestar atenção a todas as suas palavras”. Os inimigos querem tirar para sempre de seu convívio Jeremias que denuncia sua desonestidade (pecados). Trata-se de uma perseguição mortal contra o profeta. O golpe da língua é uma forma de falar sobre o golpe homicida: “Vinde para o atacarmos com a língua, e não vamos prestar atenção a todas as suas palavras”. Eles querem condenar Jeremias diante da opinião pública como sacrilégio, pois anunciava coisas contra os interesses da nação eleita por Deus. É a mesma acusação que os contemporâneos de Jesus fizeram contra Ele.

Jeremias havia denunciado os pecados do povo e especialmente, os pecados dos chefes do povo, dos representantes oficiais da lei religiosa. Era o dever de Jeremias como profeta e o fazia em nome de Deus para suscitar a conversão.

Mas em vez de se converter, os inimigos querem matar o profeta. Agora Jeremias se vê numa perseguição. Os inimigos acusam Jeremias como “perturbador da ordem” e começam a espiá-lo a fim de surpreender o profeta numa acusação para acabar com ele. Eles podem acabar com o profeta, mas jamais podem acabar com o profetismo, pois Deus continua a mandar seus profetas para despertar a consciência do povo sobre seus pecados a fim de voltar a se converter.

Diante dessa perseguição, o profeta Jeremias se dirige a Deus com esta oração: “Atende-me, Senhor, ouve o que dizem meus adversários. Acaso pode-se retribuir o bem com o mal? Pois eles cavaram uma cova para mim. Lembra-te de que fui à tua presença, para interceder por eles e tentar afastar deles a tua ira”. Esta oração é o primeiro grito do justo, perseguido em nome da missão que Deus lhe confia. Jeremias não quer se vingar com as próprias mãos, mas ele invoca a lei do talião diante do tribunal de Deus (Jr 18,23).

É normal que o profeta Jeremias pense na vingança porque ele pertence a uma religião que ainda crê na retribuição temporal. Só o NT pode ajudar a ultrapassar este ponto de vista (cf. Mt 5,43-48).

Através do Batismo recebemos a missão profética ao ser colocado o óleo de crisma na nossa fronte: “Que o Espirito Santo consagre....... (Nome) com este óleo para que participe da missão de Cristo, sacerdote, profeta e rei…”. Mas não é simples aceitar as consequências do cumprimento fiel de nossa missão profética. Há duas coisas que temos que fazer na missão profética. Por um lado, temos a missão de denunciar o povo seus delitos. Mas, por outro lado, temos que propor caminhos de salvação. É claro que muitos se sentem afetados em seus interesses, carregados de maldades e de injustiças e consequentemente eles tentam acabar com nossa vida. No entanto, não por isso que permaneçamos calados. Ficar calado pode expressar uma atitude sábia. Mas pode também ser interpretado como conivência. Mas o Senhor Jesus Cristo nos ensina que há que orar por nossos inimigos, por aqueles que nos perseguem e amaldiçoam. Sejamos nós os primeiros em abris nosso coração a Deus. Deixemos nossos caminhos de maldade, de injustiça e de desonestidade. Reconheçamos humildemente nossos pecados e voltemos ao Senhor, rico em misericórdia e perdão. Ser Voz De Deus é não compactuar com o mal e maldade de qualquer pessoa e instituição.

Servir Os Outros Para Salvá-los

Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo”. São palavras do Senhor para qualquer cristão em qualquer lugar e tempo.

O Evangelho deste dia fala do anúncio da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo na sua subida para Jerusalém (vv. 17-19), por um lado, e a reação dos discípulos diante do mesmo, especialmente dos irmãos Tiago e João (vv. 20-28), por outro lado. Em nove lugares diferentes dos evangelhos encontramos esse anúncio: Mt 16,21-23; 17,22-23; 20,17-23; Mc 8,31-33; 9,30-32; 10,32-34; Lc 9,22. 44-45; 18,31-33.

Notamos que Jesus não somente anuncia a sua morte, mas também a sua ressurreição. A vida em sintonia com a vontade de Deus não termina na cruz e sim na ressurreição ou na sua glorificação. Deus aprova com a glorificação todos aqueles que passarem por provações na vivência da vontade de Deus. Encarar as cruzes como consequência da vida vivida de acordo com os valores vividos por Cristo é sinal de nosso amor a Deus e ao próximo, e a ressurreição é o amor que Deus nos mostra por tudo isso ou seja, a ressurreição é a resposta de Deus para quem vive de acordo com os ensinamentos de Cristo que se resumem no amor a Deus e ao próximo. Em outras palavras, com a ressurreição Deus quer dizer a cada um de nós, neste contexto: “Você está aprovado, pois amou muito!”.

Ao ouvir o anuncio de Jesus sobre sua própria morte, os irmãos João e Tiago logo querem pedir a Jesus postos importantes para poder mandar mais. Mas Jesus nunca deu espaço para o egoísmo e para o poder mundano no seu coração. Sua existência é um serviço generoso para libertar os homens de qualquer tipo de escravidão. Pelo bem do homem e em nome do bem praticado para a salvação do homem Jesus aceitou ser crucificado e morto. Porém, Deus o ressuscitou. O mal não é capaz de enterrar o bem. O ódio é incapaz de eliminar o amor, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). Por isso, o bem ou a bondade é o investimento que nunca falha, pois tudo isto tem característica divina. Tudo que é divino não conhece a morte. Jesus nunca deu espaço para o egoísmo e para o poder mundano no seu coração. Sua existência é um serviço generoso para libertar os homens de qualquer tipo de escravidão.                

Contrastando com Jesus é a atitude dos filhos de Zebedeu: João e Tiago. Ambiciosos sem limite querem garantir um lugar de destaque no Reino do Messias para receberem honrarias e serem servidos. Aqui se encontram dois tipos de glória: a glória do Filho do Homem e a glória dos homens. A glória do Filho do Homem consiste em servir e em dar a vida para o próximo. A glória dos homens consiste no possuir, no ser servido e possivelmente consiste em dar a morte ou causar a morte em nome da glória mundana. Trata-se da oposição entre o egoísmo e o amor. O amor se perde para ganhar a vida e o egoismo, aparentemente, ganha para perder a vida. Paradoxalmente, pode-se dizer que o amor vence com a própria derrota e o egoismo perde com a própria vitóra. A glória mundana quer ser reconhecida pelos homens, mas é ignorada por Deus. O amor e o poder não se combinam. O verdadeiro poder que torna o homem semelhante a Deus é o amor, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). E o amor serve a todos os homens em vez de oprimir os homens. Para o Senhor a verdadeira grandeza consiste no serviço por amor.

Os dois discípulos são tentados para cair na ambição mundana. A ambição em si não é negativa. Dentro do seu limite, a ambição pode servir de estímulo para nobres ações e para melhorar uma condição humilde. A ambição se transformará em vício quando a afirmação de si mesmo for exagerada e os meios para atingir a glória forem desonestos. O ambicioso, quando dominado pelo vício, não suporta competidores ou rivais. Ele gosta de humilhar os outros até eliminá-los em nome de sua ambição. Um viciado em ambição dificilmente se preocupa com ser justo. Ele utiliza os outros como escada sobre os quais ele pisa para chegar à própria afirmação ou glória. Quem é ambicioso, é dificilmente se preocupará com ser justo. Perante a necessidade de alcançar o que deseja, ele só enxerga uma alternativa: humilhar os outros e eliminá-los. Os outros já não são pessoas que merecem respeito, mas são degraus que só servem para ser galgados no intuito de ele atingir o vértice do poder. Uma pessoa de coração nobre não sai à procura das honras e dos aplausos, mas do bem, e ela reconhece o bem onde estiver.

Na cabeça dos dois filhos de Zebedeu têm apenas ideais de grandeza, postos a serviço do próprio egoísmo. Não lhes passa pela cabeça sacrificarem-se pelos outros, mas exigir que os demais se sacrifiquem por eles.

Diante da ambição dos filhos de Zebedeu Jesus dá esta lição para todos os seus discípulos e todos os cristãos de todos os tempos e lugares: “Quem quiser tornar-se grande, seja vosso servidor”. Para os discípulos de Jesus e para qualquer cristão existe uma grandeza reservada: servir com gratidão e gastar tudo que se tem (talentos, riquezas, cargos sociais etc.) para resgatar a vida do irmão. Servir no sentido cristão é igual a uma vela que se consome iluminando.

Quem quiser tornar-se grande, seja vosso servidor”. Atrás destas palavras Jesus quer nos alertar que existe um grande risco de transformar nossa missão, nossos trabalhos, nossaliderança” na comunidade/Igreja num exercício de poder e de ambição. Daí sairá a frase: “Quem manda aqui sou eu!”. Este tipo de frase na Igreja de Cristo é a expressão de um conceito de uma eclesiologia totalmente fora daquilo que Jesus quer: “Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um é vosso Mestre e todos vós sois irmãos”. (Mt 23,8). A comunidade cristã é uma comunidade de irmãos. Como irmãos um deve se preocupar com outro; um deve cuidar do outro e todos se protegem. Trata-se de uma família onde ninguém é superior ao outro. Consequentemente, na comunidade cristã, a autoridade e a responsabilidade, inclusive a fraternidade devem ser sinônimos de serviço. Na comunidade dos que seguem os ensinamentos de Cristo não tem cabimento o domínio, o autoritarismo, a ambição sem limite e a vontade de poder e de exibicionismo. Se alguém tiver alguma ambição na comunidade é porque está querendo tirar alguma vantagem pessoal em vez de pensar no bem comum. Aquele que serve aos outros em função do bem dos outros é grande no Reino de Deus. Porque se Deus é o Bem absoluto, logo aquele que pratica o bem é de Deus, tem algo de Deus nele e por isso, está com Deus ou do lado de Deus.

Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo”. A referência a “os chefes das nações” não pode menos que ser interpretada como referência ao império romano pelos leitores do evangelho. Porém o que interessa é o contraste. O Filho do Homem (Jesus) e os chefes das nações atuam de modos contrapostos e refletem duas atitudes contrapostas. Os chefes atuam “contra” e um exercício de poder que não seja em benefício do povo é pervertido. A atitude de serviço é exatamente contraposta: está em favor do povo. A diaconia é algo desprezado entre os chefes das nações.  O paralelismo de dois grupos e antítese de ambos reforça o contraste: chefes-dominam; os grandes-oprimem (grupo pervertido). Cristo propõe o contrário: ser grande-servidor; ser primeiro-servo.

A comunidade de Jesus deve ser constituída pelas pessoas capazes de abandonar definitivamente toda prática egoísta onde tudo se compra e se vende, até a consciência, em nome da vantagem pessoal. A opção pelo Reino equivale a uma opção pela humanização e fraternização. Tudo isto requer o abandono de todo tipo de ambição e de poder para deixar o poder da graça que salva operar na nossa vida e na nossa convivência. Assim, seremos o sacramento de Deus neste mundo.

Enquanto Jesus subia para Jerusalém, ele tomou os doze discípulos à parte...”. A Quaresma é também uma “subida para Jerusalém”. É um caminho para a cruz. Nossa vida deve ser uma subida contínua até Deus. Podemos até fazer algumas paradas, mas jamais uma paralisia. 

Em cada Eucaristia comungamos o Corpo de Cristo. Ao comungar o Corpo do Senhor estamos querendo proclamar a todos que queremos servir e praticar o bem, que queremos viver como Cristo viveu, que queremos mergulhar no amor sem limite de Jesus Cristo. Sem a sintonia com a vida de Cristo, a Eucaristia da qual participamos, supostamente, carecerá de sentido.               

Vós não sabeis o que estais pedindo”, diz Jesus aos filhos de Zebedeu. Também nós pedimos muitas coisas a Deus, sem que de fato, “saibamos” o significado de nossos pedidos.

Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”. A vida é dada a nós e nós a merecemos dando-a (Rabindranath Tagore). Nossa vida não é simplesmente uma série de dias que vão passando um dia atrás do outro dia, e sim que todos os dias de nossa vida são um dom de Deus, não somente para nós, mas sobretudo um dom de Deus para os demais, para aqueles que vivem conosco. Aproveitemos cada dia de nossa vida para o bem de todos. Nisto consiste nossa felicidade.

P. Vitus Gustama,svd

Quarta-feira Da XXIV Semana Comum, Ano Par, 16/09/2026

VIVER NO AMOR E NA SABEDORIA DE DEUS Quarta-Feira da XXIV Semana Comum Primeira Leitura: 1Cor 12,31-13,13 (Ano Par) Irmãos, 12,31 Aspi...